Inflação: A Revanche

12 de junho de 2017

O impacto do retorno


O post traz hoje um artigo publicado no site The Irrelavant Investor que versa sobre o comportamento humano em investimentos. O autor fez a comparação entre dois investimentos após a crise de 1929, e como seria o comportamento do investidor para essas duas aplicações que obtiveram o mesmo retorno após 25 anos.

Levaram vinte e cinco anos antes do Dow Jones recuperar o seu pico de 1929. Neste tempo, os Estados Unidos tiveram quatro presidentes diferentes e construiu-se a Barragem de Hoover, o Empire State Building e a Golden Gate Bridge. O Hindenburg explodiu, o F.B.I foi estabelecido, a bomba atômica foi abandonada, Jackie Robinson quebrou a barreira de cores, e o mundo experimentou sua segunda grande guerra. Só tarda um minuto a procurar esses assuntos, mas esses eventos realmente aconteceram em mais de treze milhões de minutos. É por isso que se diz que a história se perde nos gráficos.

Todos nós jogamos no mesmo campo, mas cada um percorre rotas diferentes. Meir Statman fala sobre isso em seu novo livro, Finance-for-Normal-People-Investors.

"O benefício utilitário de dois investimentos é idêntico quando determinam um retorno idêntico, mas a satisfação que eles produzem, refletindo benefícios expressivos e emocionais, varia de acordo com os caminhos de retornos idênticos".

Vejamos dois investimentos hipotéticos para argumentar que os retornos reais e os retornos emocionais não são os mesmos. O primeiro investimento começa mal e depois piora. Ao longo dos primeiros nove períodos, o retorno de um dólar se dá a uma taxa negativa de -10,5% ao ano. Cada dólar investido cai para US $ 0,37. Mas o investimento e o investidor neste caso perseveraram; Ele retém seu investimento no caminho de volta, para recuperar as perdas de todos esses anos.


O segundo investimento é uma imagem espelhada. Um dólar capitaliza a uma taxa de 10,5% a.a. nos primeiros dez anos, e em um determinado ponto é superior a 171%. Mas todos os ganhos obtidos na primeira metade serão devolvidos no segundo período.


Ao final, os dois investimentos tiveram retornos idênticos, mas a experiência do investidor não pode ser mais diferente.


O primeiro investimento, mesmo obtendo um retorno real nulo, o resultado da satisfação seria estupendo. Não há nada como o sentimento de zerar as perdas. O segundo investimento, por outro lado, o deixaria doente. Isso seria muito parecido com uma perda real. Se estivesse ganhando 171% e devolvesse tudo, o viés em retrospectiva seria horrível.

O fato que o retorno do principal sob diferentes cenários pode evocar emoções tão diferentes nos diz muito sobre o comportamento do investidor que é o fator mais importante para determinar o sucesso ou o fracasso.

Esse exemplo na vida real deveria ter um resultado ainda mais frustrante, caso o investidor fizesse os dois investimentos. O que aconteceria na maioria dos casos seria o investidor manter o primeiro investimento para não concretizar um prejuízo e realizar o resultado do segundo muito no início, antes de atingir seu pico, para “compensar” a perda do outro. Essa reação vem de encontro a tese de Daniel Kahneman, em seu prêmio Nobel em 1991, quando comprova que o efeito emocional de uma perda de 5% é muito superior a um ganho de mesa magnitude.

Na próxima quarta-feira, o FOMC irá decidir sobre os juros americanos. O mercado já considera como certo mais um aumento de 0,25%. Nessa reunião também serão publicadas as suas novas projeções sobre os dados econômicos, bem como, os juros esperados por eles, o conhecido mapa com os dots.

O PIB projetado pelo FED de Atlanta sofreu mais um recuo situando-se agora em 3% e dentro das expectativas medias dos economistas.


O PMI Global da área de manufatura, medido pelo índice calculado pelo JPM Morgan, também apresentou uma retração no mês passado.

No post a-compra-de-acoes-nas-mãos-de-400000, fiz os seguintes comentários sobre o dólar: ...” vou me posicionar taticamente projetando uma alta do dólar. Fiquei pensando se deveria sugerir um trade, porém, as condições seriam as seguintes: comprar a R$ 3,2830; stoploss R$ R$ 3,21 (2,3%); potencial de ganho mínimo R$ 3,43 (4,5%)” ...

Conforme anotado no gráfico, e para quem seguiu minhas indicações, obteve oportunidades de compra na semana passada, com uma pequena retração do dólar até o nível de R$ 3,2550. Eu imagino um target para o movimento em curso ao redor de R$ 3,43 – R$ 3,47 –R$ 3,50

Fazendo um exercício sobre o que poderia acontecer caso essa alta se concretize. Vai depender da forma como ela se materializa. A dúvida a ser respondida é resumida nos dois cenários apontados a seguir:

1)      O movimento faz parte de uma correção: Nesse caso, os níveis possíveis de reversão seriam R$ 3,65, e se ultrapassado, R$ 3,80.

2)      Início de um novo ciclo de alta: Neste caso, o objetivo que coloquei no post do final de ano real-quando-o-acerto-pode-gerar-uma perda, no cenário “In God we trust”, onde o dólar caminharia para romper o nível de R$ 4,25.

O que precisa acontecer no lado real da economia não faltam opções, dado a instabilidade política em que se encontra o governo. Mas para nós o que importa são os preços, aguardamos o mercado falar.

O SP500 fechou a 2.429, com queda de 0,10%; o USDBRL a R$ 3,3111, com alta de 0,46%; o EURUSD a 1,1204, com alta de 0,11%; e o ouro a US$ 1.265, sem alteração.
Fique ligado!

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