Inflação: A Revanche

6 de junho de 2017

Goldilocks for ever


O Mosca tem usado em alguns posts o termo Goldilocks, que resumidamente significa um cenário econômico onde o crescimento econômico não é nem muito forte nem muito fraco. A inflação nessa situação tende a ser baixa. Esse parece ser o cenário que vivemos atualmente nos países desenvolvidos.

No jogo de futebol, os jogadores de defesa se posicionam onde a bola está, enquanto o centro avante onde a bola estará. O investidor pode decidir de duas formas como alocar suas poupanças, ou de acordo com a movimentação atual do mercado, ou faz uma projeção sobre o futuro, e se posiciona de acordo. Poderia citar o caso brasileiro como exemplo, nitidamente os investidores se posicionaram imaginado onde a bola estará no futuro, pois esperam que a atividade vai melhorar e a inflação cair. Nessa condição, investiram na bolsa e em títulos pré-fixados.

Já nos mercados internacionais, nos meses recentes, não fez muita diferença qual a forma adotada, uma vez que, praticamente todas as classes de ativos valorizaram. Naturalmente, estamos num mercado de alta. Mesmo as classes de ativos que eram considerados supervalorizadas como – imóveis no Canada, ações de tecnologia, títulos do governo, e etc ... – estão nas máximas do ano, senão nas máximas históricas.

Situações como essa são exceções. Com que frequência um investidor pode ganhar dinheiro em quase toda classe de ativos? Muito raramente! Essa constatação traz de volta a questão colocada acima: Deve-se olhar onde a bola está, ou tentar antecipar onde a bola estará no futuro?

A inflação tem ficado baixa ocasionada pela queda nos preços da commodities de energia. Para buscar responder está questão, a Gavekal, renomada consultoria econômica, confia que o petróleo vai permanecer num intervalo entre U$ 30 – U$ 50 o barril. Por outro lado, a Rússia terá todo incentivo para elevar sua produção, e atrapalhar a abertura de Capital da maior petrolífera do mundo, Aramco, da sua arquirrival concorrente a Arábia Saudita.

Essa pressão nos preços da commodities deverá manter a inflação contida nos níveis atuais. Isso tem impacto também na curva de juros, fazendo que o diferencial entre os juros longos – 10 anos - e os curtos – 2 anos - mantenha-se muito baixo. Esse último fator é muito importante na lucratividade dos bancos, pois sua carteira de empréstimos tem um prazo bem superior à sua fonte de recursos. Esse achatando, afeta diretamente seus resultados.

No campo da inflação uma surpresa poderia vir do mercado de emprego que já está muito próximo, se é que já não está, em pleno emprego.

E se os bancos centrais começarem a reduzir sua carteira de ativos? No momento, o BOJ, ECB e o BOE não estão mostrando nenhuma inclinação nesse sentido. O mais provável é que o FED empurre essa decisão bem para frente. Uma ação motivada; ou para ter mais munição no futuro; ou por pressão política, poderia comprimir ainda mais, o diferencial das curvas de juros citado acima. O motivo é que, o mercado poderia interpretar essa ação do FED como errada, forçando a autoridade monetária a corrigir mais adiante.

Na opinião da Gavekal é difícil imaginar o que poderá atrapalhar o cenário atual de Goldilocks.
Usando o paralelo do futebol, os investidores deveriam se posicionar onde a bola está agora. Goldilocks for ever! – A última frase não deve ser encarda de forma literal, pois para sempre só existe uma coisa na vida!

Para complementar o assunto econômico de hoje, o índice de surpresa mais recente publicado pelo Citi, encontra-se em níveis muito baixos, complicando a vida do FED em seu programa de normalizar as taxas de juros.


Por outro lado, a publicação do ISM de serviços apresentou uma boa surpresa, ao atingir o nível de 57. Todos sabemos que o ramo de serviços é o mais importante em termos de PIB.


A componente de mão de obra desse indicador encontra-se pressionada, como se pode notar no gráfico abaixo. Isso deveria ter impacto nos preços, haja visto a grande dependência desse fator de produção.


Mas não foi o que aconteceu, ao contrário, os produtores não conseguem elevar seus preços sem que percam participação no mercado, forçando o reverso, uma queda de preços.


No post o-mercado-desafia-o-fed, fiz os seguintes comentários do euro: ...” o euro atingiu a cotação de € 1,1260, iniciando uma pequena correção. E é nessa correção que poderemos entrar comprando a moeda única. No gráfico abaixo aponto esses pontos” ...

Como apontado a seguir, o euro ultrapassou marginalmente o nível mencionado acima situando-se em € 1,1270. Tecnicamente, essa tentativa pode representar um false break, e a retração que eu estava esperando aconteça logo em seguida; ou os preços estão acumulando para romper logo em seguida.

Eu tinha sugerido alguns níveis para compra da moeda única, porém dado esta situação, foram cancelados. O euro mostra dúvida, não sabe se continua o movimento de alta ou vai fazer uma pausa. Nessas circunstancias só nos resta observar os próximos passos. Numa visão mais longa, continuo com a previsão de alta para a moeda única.

O SP500 fechou a 2.429, com baixa de 0,28%; o USDBRL a R$ 3,2772, com queda de 0,29%; o EURUSD a € 1.1275, com alta de 0,15%; e o ouro a U$ 1.293, com alta de 1,09%.

Fique ligado!

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