Inflação: A Revanche

26 de junho de 2017

Colapso de preços


Ao mesmo tempo que vivenciamos tempos de volatilidades extremamente baixas, alguns acontecimentos, sem explicações, levantam suspeitas sobre quem são efetivamente os compradores desses ativos, se investidores ou especuladores.

Fui educado na minha vida profissional que comprar ações era um investimento para o longo prazo. Acontece que a duração desse longo prazo foi diminuindo com o tempo. No início eram 5 anos, depois passou para 18 meses, 1 ano e hoje em dia, não sei o que isso significa. Posso dizer por mim, não existe nenhum investimento de risco, que eu transaciono, sem que eu associe um stoploss. Assim, no meu caso, o prazo é até aonde meu stoploss não for acionado.

Vocês já ouviram falar da moeda digital Bitcoin, eu mesmo já comentei no blog diversas vezes. No post bitcoin-o-dólar-black-dos-chineses, desenvolvi um raciocínio justificando sua elevada cotação, oriunda das transações efetuadas pelos chineses. Dado a sua popularidade, outras moedas acabaram surgindo. Uma delas, Ethereum, com cotação bastante inferior, ganhou adeptos recentemente.

A seguir encontra-se a evolução de seus preços nos últimos 6 meses. Esse gráfico não apresenta nenhuma anomalia visível, ao contrário, parece ter sido um bom investimento.


Acontece, que essas moedas são transacionadas em bolsas digitais que se especializaram na negociação desse tipo de ativo. Numa delas, a GDAX, aconteceu algo bizarro na última quarta-feira. Em questão de segundos a cotação caiu de U$ 296 para U$ 0,10, sem que houvesse nenhuma razão. Notem que logo em seguida, voltou, mais ou menos, as cotações anteriores.



Essa bolsa, decidiu ressarcir os clientes que tiveram ordens executadas nos seus stopsloss. Os prejuízos devem ter sido enormes. Acho que vale esclarecer um detalhe sobre ordens de stoploss. Existem dois tipos: uma que executa sua ordem limitada a um preço mínimo e não abaixo dele; e outra que executa na melhor oferta disponível. Não há uma preferência, mas normalmente os investidores usam a do segundo tipo.

Vocês podem estar pensando: “tudo bem, esse mercado é pequeno, foi um evento anormal”. Mas algo semelhante no ouro, faria mudar de opinião? Certamente! Vejam a seguir o que ocorreu com as cotações do metal hoje na Ásia.


Em questão de poucos minutos a cotação caiu U$ 20.

- Epa David, você não está exagerando? U$ 20 não é nada para o ouro!
Lógico, você tem toda razão, mas note as cotações horas antes, não tinham um padrão diferente? Se essa queda acontecesse no decorrer de algumas horas, nem seria notada, o que desperta curiosidade é a rapidez. Também, nesse caso, nenhum motivo claro para o ocorrido.

Pode ser que o ouro recupere o preço durante o dia, e esse evento foi um espasmo como costumo dizer, porém me causa preocupação. A liquidez de um mercado é medida pela quantidade de participantes que atuam nesse mercado, associado as suas ordens em diversos preços. Isso garante que, se as cotações começam a subir existira uma quantidade de ofertas para neutralizar uma alta mais forte, e vice-versa, quando começam a cair as ofertas dos compradores poderão ser executadas.

Eu teria algumas hipóteses para situações como essa:

1.       Um erro no preço de venda (muito abaixo), que acionária inúmeras ofertas de stoploss a preços cada vez mais baixos.

2.       Algum “rato” financeiro observa que num determinado horário existem poucas ofertas disponíveis. Assim, com uma quantidade pequena de ordens, consegue ganhar uma boa nota.

3.       O mercado está muito posicionado na compra e qualquer ordem maior de venda causa impacto grande nos preços.

Os dois primeiros não preocupam, afinal tem efeitos pontuais, mas o terceiro é mais preocupante, pois indica que a volatilidade vivenciada é totalmente falsa. Isso acabaria acontecendo em função do excesso de liquidez.

Se acontece um caso ali, outro caso acolá, depois de alguns eventos, seguramente deixaria os investidores preocupados. Não quero nem pensar num efeito cascata acontecendo numa bolsa de valores, onde milhares de ordens de stoploss estão associadas, e a maioria do segundo tipo acima mencionado. Poderia desencadear um colapso de preços.

Por enquanto, nada inspirador aconteceu com o dólar, encontra-se contido num intervalo de negociação restrito, nos últimos dias, entre R$ 3,30 – R$ 3,35. Porém, com uma característica de alta - isso acontece de maneira que a cada pequena queda se dá num nível acima da anterior, assim como cada alta - higher low, higher high (pontos em verde).

Acharam familiar essa frase? Foi uma pegadinha, copiei exatamente o que tinha escrito no post a-falta-de-um-visionário. Estou chegando a conclusão, que posso tirar umas férias longas, basta deixar um programa que copia os comentários da semana anterior! Xiiii, será que vou perder meu emprego? Hahaha ...


Outro comentário extraído do post: ... “eu indiquei uma área compreendendo os níveis de R$ 3,20 – R$ 3,40, onde tudo pode acontecer. O que eu quero dizer com isso é que o dólar poderá continuar nesse ritmo de sobe mais do que cai, atingindo, por exemplo, R$ 3,37. Nesse momento, seriamos levados a imaginar que agora vai, e, de repente, cai novamente para o nível de R$ 3,20” ....

O dólar ainda não atingiu a cotação de R$ 3,37, além disso anotei 3 pontos verdes superiores e 3 outros inferiores. Posso garantir que são os últimos, ou o dólar dará um salto já, já, ou a hipótese que levantei acima – de repente cai, vai acontecer. Além disso, acredito que será nessa semana.


Como vou viajar, e normalmente escrevo sobre o dólar na segunda-feira, talvez ainda dê tempo para um comentário final durante a semana. Senão, vou deixar me robô instruído para fazer paste/copy! Hahaha ...

O SP500 fechou a 2.439, sem alteração; o USDBRL a R$ 3,3000, com baixa de 1,25%; o EURUSD a 1,1180, com queda de 0,10%; e o ouro a US$ 1.243, com queda de 0,99%.
Fique ligado!

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