2018: Vestibular Político

23 de junho de 2017

Inflação de primeiro mundo

Talvez os brasileiros não se atentaram para as variações mensais das inflações publicadas nos últimos meses. Motivos, temos de sobra; as lembranças do passado não são boas. O mantra que se encontra em todo roda pé do prospecto de fundo de investimento vale aqui também, “resultados passados não são garantia de resultados futuros”, será que agora é diferente? Tudo indica que sim.

Mas, como podemos afirmar sem correr o risco de cometer um grande erro? Alguns fatores podem ser elencados, porém o mais importante foi a troca da equipe que gerencia o banco central. Não estou desqualificando a anterior totalmente, mas eles se deixaram influenciar por pressões políticas, principalmente da ex-presidente Dilma – nossa, como é bom não ter que falar das mais de suas barbeiragens!

Hoje foi publicado o IPCA-15, que é uma proxy da inflação do mês de junho. O índice mensal ficou em 0,16% e em 12 meses recou para 3,52%. É provável que ao ser publicado o fechamento do mês, tal indicador fique negativo; é isso mesmo, deflação. Os analistas projetam para agosto uma inflação abaixo de 3% a.a., um recorde histórico!


Não podemos também nos iludir, pois uma parcela importante do resultado se deve a queda expressiva do item alimentos. Se esse fosse o único motivo, não deveríamos estar comemorando, pois assim que terminasse esse efeito, voltaria a subir. Mas, a queda é generalizada e isso se pode verificar pelo índice de difusão que se encontra em 50%.


O Presidente do banco central, Ilan Gofdfajn, declarou hoje que o BC “quebrou a espinha dorsal da inflação”. Para bom entendedor meia palavra basta. Na sua opinião, a inflação está sob controle e dentro dos parâmetros indicado pela autoridade monetária. Isso permitiu que o mercado voltasse a acreditar novamente numa queda de 100 pontos na próxima reunião do COPOM.

A grande discussão passa a ser qual será a taxa terminal, ou seja, onde o BC vai terminar o ciclo de queda de juros. O mercado acredita que o mais provável é de 8,5%, e, considerando uma expectativa de inflação de 4% para 2018, ficaríamos com um juro real de 4,5%. Ainda muito elevado, afinal, o juro real é maior que a inflação.

Mas em 2018 existe um evento de pouca previsibilidade visto de hoje, que poderia ter um impacto importante na economia, as eleições presidenciais. Dependendo dos candidatos que estejam na dianteira, o mercado poderá ficar bem nervoso. Por exemplo, imaginem se o Lula ganha, o que aconteceria com os ativos brasileiros? Outro dia encontrei um analista que tinha uma visão mais branda nesse caso, dizia “ Se ele ganhar vai ter uma atitude proativa com o mercado financeiro e com os empresários”. Respondi que um psicopata é muito inteligente e sedutor, é verdade que poderia agir assim no começo, mas sua raiva é tão grande que, com o passar do tempo, mudaria radicalmente. Bem, não estarei aqui para ver.

O Credit Suisse acredita que no segundo semestre de 2018, o banco central terá que subir os juros para enfrentar essa incerteza. Me parece razoável essa premissa, e o aperto será mais intenso quanto maior for a chance de um candidato mal visto pelo mercado.

Outro dia mostrei que a previsão do PIB apontada pelo FED de Atlanta se encontrava próximo a 3% a.a. para o trimestre em curso. No trimestre anterior, apresentei a disparidade entre as projeções do FED de Atlanta e Nova York, onde o segundo, indicava um PIB bem superior ao primeiro. Pois bem, para esse trimestre nada mudou, só que houve uma inversão; a projeção pelo FED de Nova York é de 1,8%.


Será que eles combinam, para que sempre um deles esteja correto? Hahaha ....

No post o-fed-esta-desacreditado?, fiz os seguintes comentários sobre os juros de 10 anos: ...” eu trabalho agora com 2 hipóteses marcadas no gráfico abaixo. A primeira seria que o movimento de alta já está em curso ou, na pior das hipóteses, uma correção da queda recente; a segunda, que uma nova mínima aconteceria ao redor de 2% a.a. para, em seguida, reverter e voltar a subir” ...


Tenho pena dos traders que negociam títulos do governo americano, devem estar ganhando trocados, negociando bilhões. Eu cálculo que para cada US$ 1,0 milhões negociado, estão gerando um lucro de U$ 7,82, e não é líquido e certo, correm risco. No jargão de mercado são obrigados a abrirem um spread para comprar ou vender. Assim, se por exemplo, a contraparte vende, ele terá que encontrar um outro cliente para revender esse título com lucro.

O gráfico a seguir, com período de coleta semanal, dá a impressão que os juros de 10 anos estão surfando uma onda na reta rosa abaixo.


Se essa lenga-lenga continuar, os juros devem chegar em 2% nas proximidades do final de ano. Mas não levem a sério essa ideia, como sempre repito, não consigo ter uma boa indicação de prazo. Fico ainda com as mesmas observações apontadas no post citado acima; as duas possibilidades continuam válidas.


Como de costume, em julho, a última publicação do Mosca será na próxima sexta-feira, dia 30/06, voltando a ativa no dia 24/07. Esse ano em especial acredito que não fará muita diferença, pois além das férias europeias, a volatilidade está tão baixa que é bem provável que depois desse período, os preços estejam no mesmo lugar. Ou será que o mercado quer me pregar uma peça? Neste caso, eu estarei acompanhando, e vou postar caso isso aconteça.


O SP500 fechou a 2.438, com alta de 0,16%; o USDBRL a R$ 3,3407, sem alteração; EURUSD a 1,1196, com alta de 0,41%; e o ouro a U$ 1.255, com alta de 0,45%.
Fique ligado!

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