Inflação: A Revanche

23 de junho de 2017

Inflação de primeiro mundo

Talvez os brasileiros não se atentaram para as variações mensais das inflações publicadas nos últimos meses. Motivos, temos de sobra; as lembranças do passado não são boas. O mantra que se encontra em todo roda pé do prospecto de fundo de investimento vale aqui também, “resultados passados não são garantia de resultados futuros”, será que agora é diferente? Tudo indica que sim.

Mas, como podemos afirmar sem correr o risco de cometer um grande erro? Alguns fatores podem ser elencados, porém o mais importante foi a troca da equipe que gerencia o banco central. Não estou desqualificando a anterior totalmente, mas eles se deixaram influenciar por pressões políticas, principalmente da ex-presidente Dilma – nossa, como é bom não ter que falar das mais de suas barbeiragens!

Hoje foi publicado o IPCA-15, que é uma proxy da inflação do mês de junho. O índice mensal ficou em 0,16% e em 12 meses recou para 3,52%. É provável que ao ser publicado o fechamento do mês, tal indicador fique negativo; é isso mesmo, deflação. Os analistas projetam para agosto uma inflação abaixo de 3% a.a., um recorde histórico!


Não podemos também nos iludir, pois uma parcela importante do resultado se deve a queda expressiva do item alimentos. Se esse fosse o único motivo, não deveríamos estar comemorando, pois assim que terminasse esse efeito, voltaria a subir. Mas, a queda é generalizada e isso se pode verificar pelo índice de difusão que se encontra em 50%.


O Presidente do banco central, Ilan Gofdfajn, declarou hoje que o BC “quebrou a espinha dorsal da inflação”. Para bom entendedor meia palavra basta. Na sua opinião, a inflação está sob controle e dentro dos parâmetros indicado pela autoridade monetária. Isso permitiu que o mercado voltasse a acreditar novamente numa queda de 100 pontos na próxima reunião do COPOM.

A grande discussão passa a ser qual será a taxa terminal, ou seja, onde o BC vai terminar o ciclo de queda de juros. O mercado acredita que o mais provável é de 8,5%, e, considerando uma expectativa de inflação de 4% para 2018, ficaríamos com um juro real de 4,5%. Ainda muito elevado, afinal, o juro real é maior que a inflação.

Mas em 2018 existe um evento de pouca previsibilidade visto de hoje, que poderia ter um impacto importante na economia, as eleições presidenciais. Dependendo dos candidatos que estejam na dianteira, o mercado poderá ficar bem nervoso. Por exemplo, imaginem se o Lula ganha, o que aconteceria com os ativos brasileiros? Outro dia encontrei um analista que tinha uma visão mais branda nesse caso, dizia “ Se ele ganhar vai ter uma atitude proativa com o mercado financeiro e com os empresários”. Respondi que um psicopata é muito inteligente e sedutor, é verdade que poderia agir assim no começo, mas sua raiva é tão grande que, com o passar do tempo, mudaria radicalmente. Bem, não estarei aqui para ver.

O Credit Suisse acredita que no segundo semestre de 2018, o banco central terá que subir os juros para enfrentar essa incerteza. Me parece razoável essa premissa, e o aperto será mais intenso quanto maior for a chance de um candidato mal visto pelo mercado.

Outro dia mostrei que a previsão do PIB apontada pelo FED de Atlanta se encontrava próximo a 3% a.a. para o trimestre em curso. No trimestre anterior, apresentei a disparidade entre as projeções do FED de Atlanta e Nova York, onde o segundo, indicava um PIB bem superior ao primeiro. Pois bem, para esse trimestre nada mudou, só que houve uma inversão; a projeção pelo FED de Nova York é de 1,8%.


Será que eles combinam, para que sempre um deles esteja correto? Hahaha ....

No post o-fed-esta-desacreditado?, fiz os seguintes comentários sobre os juros de 10 anos: ...” eu trabalho agora com 2 hipóteses marcadas no gráfico abaixo. A primeira seria que o movimento de alta já está em curso ou, na pior das hipóteses, uma correção da queda recente; a segunda, que uma nova mínima aconteceria ao redor de 2% a.a. para, em seguida, reverter e voltar a subir” ...


Tenho pena dos traders que negociam títulos do governo americano, devem estar ganhando trocados, negociando bilhões. Eu cálculo que para cada US$ 1,0 milhões negociado, estão gerando um lucro de U$ 7,82, e não é líquido e certo, correm risco. No jargão de mercado são obrigados a abrirem um spread para comprar ou vender. Assim, se por exemplo, a contraparte vende, ele terá que encontrar um outro cliente para revender esse título com lucro.

O gráfico a seguir, com período de coleta semanal, dá a impressão que os juros de 10 anos estão surfando uma onda na reta rosa abaixo.


Se essa lenga-lenga continuar, os juros devem chegar em 2% nas proximidades do final de ano. Mas não levem a sério essa ideia, como sempre repito, não consigo ter uma boa indicação de prazo. Fico ainda com as mesmas observações apontadas no post citado acima; as duas possibilidades continuam válidas.


Como de costume, em julho, a última publicação do Mosca será na próxima sexta-feira, dia 30/06, voltando a ativa no dia 24/07. Esse ano em especial acredito que não fará muita diferença, pois além das férias europeias, a volatilidade está tão baixa que é bem provável que depois desse período, os preços estejam no mesmo lugar. Ou será que o mercado quer me pregar uma peça? Neste caso, eu estarei acompanhando, e vou postar caso isso aconteça.


O SP500 fechou a 2.438, com alta de 0,16%; o USDBRL a R$ 3,3407, sem alteração; EURUSD a 1,1196, com alta de 0,41%; e o ouro a U$ 1.255, com alta de 0,45%.
Fique ligado!

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