Inflação: A Revanche

30 de junho de 2017

Balanço Semestral


Hoje pela manhã pensei como esse semestre passou rápido. Isso é um bom sinal, significa que usamos o tempo de uma boa maneira. Nesse quesito faço uma separação sobre os eventos externos e internos.

Começo pelo mais fácil, os externos, iniciamos o ano com muitos receios de radicalização ao redor do mundo. Naquele momento Trump dizia que mudaria a economia americana em 180º: trazer todas as fábricas de empresas americanas de volta aos EUA; mandar a China plantar batatas, pois vender no mercado americano só com produtos made in USA, desprezou a Primeira Ministra Angela Merkel, além de proibir a entrada de boa parte dos estrangeiros em seu país. O que aconteceu? Muito pouco! Na verdade, sua mudança radical parece mais com uma de 360º!

No front interno já não tivemos a mesma sorte, iniciamos o ano com bastante esperança que a economia e as finanças públicas se encaminhavam bem com uma certa tranquilidade política, apenas a continuidade da operação lava jato. Até a divulgação da gravação feita pelo dono da JBS, Joesley Batista. Ele concordou em executar uma operação muito arriscada para salvar sua pele, mesmo correndo o risco de sua empresa virar pó. A crise política todos nós estamos acompanhando. O pior neste caso é que se o Temer ficar teremos mais 18 meses sem grandes avanços, se correr ficamos sem comando até lá. Triste!

O mundo está melhor de uma maneira geral, as economias parecem sair dos 8 anos de letargia, e o mundo está ficando menos violento.
- David, como é que é, menos violento? Explique-se melhor!
Também fiquei surpreso com essa informação, mas veja a seguir uma ilustração histórica da quantidade de mortos desde os anos 50.


Impressionante! Parece que o efeito da mídia exponenciam as desgraças.

Como todo final de mês os PMI são publicados. Vou apresentar alguns publicados pela China, que tem uma postura de falar pouco e produzir muito. Vários analistas tem uma preocupação forte, e acreditam que seria lá o lugar para alguma surpresa negativa. Os dados publicados ontem ainda não apontam nenhuma preocupação, ao contrário, a atividade manufatureira e a de serviços aceleraram em junho, terminado o primeiro semestre de forma muito positiva.

O PMI da indústria publicado pela agencia oficial da China apontou um nível de 51.7, acima da expectativa do mercado em 51.0. O gráfico a seguir assinala níveis estáveis durante o 1º semestre.


Espelhando a força do índice acima, outras áreas da economia tiveram uma performance forte. Por exemplo, o indicador de PMI de serviços subiu para 53.8.


Sempre existe uma certa desconfiança sobre os dados chineses publicados por agencias oficias. Na próxima semana serão publicadas as mesmas informações calculado pelo Instituto Markit, onde o mercado poderá confrontar com os dados oficias.

Em relação a sua moeda, muito se falou no passado dos enormes volumes de saída. Os analistas ficaram muito preocupados com essa ação tomada pelos investidores, principalmente a possibilidade de contaminar sua população. É aí o risco é enorme, como já comentei, qualquer U$ 10.000 multiplicado por 1,3 bilhão de pessoas é uma quantia gigantesca.

Mas uma das razões que fizeram com que houvessem essas saídas era a convicção pelo mercado que o dólar subiria no resto do mundo, fazendo com que o yuan ficasse defasado. Em abril a Standard & Poor´s rebaixou sua dívida, isso deveria dar um impulso maior nesse sentido. Mas não foi o que acabou acontecendo, nem o dólar subiu, nem se elevaram as saídas após o anúncio.

O gráfico a seguir enfatiza um nível para a moeda chinesa que se rompido pode ter um efeito técnico mais profundo. Me recordo de ter comentado no final de 2016, quando essa região estava sob risco. Mas também aqui, esse evento não ocorreu, depois de tocar na cotação de 7, a moeda vem se valorizando nesses últimos meses, estando agora próxima de 6.75.

Como se pode verificar a seguir, não é uma grande variação para os padrões ocidentais, mas não se pode dizer o mesmo para o padrão Chinês. Notem que o gráfico está publicado de forma invertida a fim de facilitar sua leitura – para cima indica alta do yuan e ao contrário baixa.


A conclusão que se pode tirar é que o governo Chinês continua com uma boa gestão de sua economia e de suas finanças, caminhando em passos sólidos para conquistar no futuro a 1ª economia do mundo. Com um crescimento invejável e controle rígido. Não quero ser chamando de radical mas parece que políticos atrapalham mais que ajudam o desenvolvimento de um país, pois crescendo a 6 % a.a., imagino que a população chinesa não deve estar insatisfeita.

Minha última postagem sobre o ouro foi no início de junho esqueçam-Temer: ...” Como vocês podem observar o ouro está indeciso. Calculo que tanto acima de US$ 1.300 como abaixo de US$ 1.200, caso rompido, poderá desencadear um movimento direcional mais intenso. Enquanto continuar nesse intervalo, nada pode ser dito” ...


Um dos leitores assíduos do Mosca tem uma preferência explicita por esse ativo, notei isso durante os últimos 12 meses. Minha experiência me diz que, ou ele comprou ouro, ou presentou sua esposa com uma joia! Hahaha .... Sempre que alguém defende muito uma posição é porque está comprado! Diversas vezes fez comentários do tipo: “ O ouro vai subir!!!” Naturalmente em momentos que as cotações estavam mais quentes.

Eu sempre permaneci numa posição pragmática, nem confirmando seu desejo nem descartando. Minha postura era baseada em fatores técnicos e com esse ponto de vista, não tenho nenhuma direção a fornecer. Enquanto estiver no intervalo acima, tudo pode acontecer, consigo construir cenários de alta, como é minha visão de longo prazo, como de novas quedas, abaixo de U$ 1.050.


O gráfico acima, com uma visão de mais longo prazo, mostra que desde de o início de 2016, a maior parte do tempo o ouro esteve contido nesse intervalo. Houveram duas exceções em 2016, no primeiro semestre permaneceu algumas semanas acima, enquanto no final desse mesmo ano, algumas abaixo. Depois disso, está enquadrado nesse intervalo.


Por enquanto meu leitor “ourista” vai ter que ter paciência, se apenas comprou como investimento terá que lidar com a frustração, se foi a joia, melhor ficar quieto não comentando nada com a esposa. Mas tenho boas notícias, em algum momento o metal irá se definir para algum dos lados. Se subir, ótimo vamos poder comemorar juntos, pois devo sugerir compra, se for para baixo, estaremos em pontas inversas. Se esse último cenário acontecer, melhor comprar outra joia para esposa, mas escolha material diferente do ouro! Hahaha .... 


O Mosca não será publicado até o dia 21/07, retornando no dia 24/07, a não ser que alguma situação importante aconteça nesse período. Se esse for o caso, espero que seja sem a musiquinha (da Globo)! Hahaha ...

O SP500 fechou a 2.423, com alta de 0,16%; o USDBRL a R$ 3,3130, com alta de 0,29%; o EURUSD a 1,1420, com queda de 0,17%; e o ouro a U$ 1.241, com queda de 0,31%.
Fique ligado!

29 de junho de 2017

A moleza está acabando


Quantos não foram os posts que escrevi comentando sobre os helicópteros repletos de moeda que circulavam ao redor do mundo gerando um oceano de liquidez. Só para relembrar: EUA, Europa, Japão, Suíça, Suécia e Inglaterra; esses, de forma explicita. De forma implícita, ou seja, através da atuação de seus bancos centrais que compram dólares para evitar uma maior valorização de suas moedas: China, Taiwan, Coréia do Sul, Brasil, Rússia, dentre outros.

Agora essa fase de “sem juros” parece estar terminando. Primeiro foi o FED que começou a elevar os juros no ano passado e vem seguindo suas projeções. Esta semana foi a vez de alguns bancos centrais indicarem que estão prontos para fazer o mesmo. O “só” Mario fez uma declaração que com a economia europeia recuperando, com a política monetária estável é uma forma de deixa-la frouxa; traduzindo: o gato subiu no telhado. Depois, foi a vez do presidente do BOE, Mark Carney, dizendo que uma alta se tornará necessária caso a economia continue crescendo e, por último, o banco central do Canadá comentou na mesma direção.

No caso do FED, nos últimos dias, diversos membros do Comitê de Investimentos reforçaram a ideia que seguirão com seus planos de subir os juros mais uma vez esse ano. Reforçaram que nem a inflação mais baixa que foi publicada recentemente, nem inferências de uma retração nos indicadores recentes mudaria seus planos. O principal motivo para enfatizar tanto, é a enorme diferença entre as projeções de juros publicadas pelo FED e as taxas futuras esperada pelo mercado.

Tenho visto uma serie de emissões de bonds internacionais de diversas companhias localizadas por toda parte e os resultados são demandas 4 a 5 vezes superiores as ofertas. Tem de tudo, papéis de empresas de primeira alinha; o que se denomina de high yield; títulos soberanos de países emergentes e até papéis de países que raramente se ouve falar. É uma busca desenfreada por juros. Mas, será que esse pessoal não acordou que os juros não é mais 0%, pelo menos nos EUA?

Eu resolvi fazer alguns cálculos partindo do pressuposto que o FED vai subir os juros de acordo com a média publicada na sua última reunião. A ideia é saber qual a taxa mínima que deveria render um título com vencimento em 1, 2, 3, 4 e 5 anos, a partir de hoje. Veja os resultados a seguir.


É importante frisar que essa seria a taxa mínima para qualquer título, pois leva em consideração um risco equivalente aos papéis do tesouro. Para quem não acompanha esse mercado, a título de informação, a taxa de juros de um bond do tesouro americano está cotada a 1,87% a.a., muito abaixo a que aponta na tabela cima – 2,67% a.a.

Farei o mesmo exercício para que possam comparar qual deveria ser a taxa mínima dos títulos de empresas brasileiras, considerando as taxas acima e acrescentando o risco Brasil que hoje se encontra em 240 pontos.

Quero enfatizar que essa deveria ser a taxa para os títulos soberanos brasileiros. Empresas como os bancos Itaú, Bradesco, Votoratim etc.. é necessário agregar um risco implícito dessas companhias, o que elevaria as taxas para um vencimento em 5 anos, ao nível aproximado de 6% a.a.

Uma pesquisa dos títulos no mercado secundário vai mostrar que os papéis brasileiros estão muito caros, ou seja, não compensam o risco.

Tenho a impressão que os investidores ainda estão fixados com a ideia que perdurou nestes últimos anos, onde a cada ameaça de alta de juros por algum banco central era frustrada logo em seguida.  É verdade que os bancos centrais, e em especial o FED, colaboraram muito com essa imagem, pois erraram sistematicamente nesse período.

Entretanto, tudo leva crer que houve uma mudança, não só nos EUA como também no resto do mundo: as economias estão saindo da letargia e começam a crescer lentamente. O mercado não está acreditando, prefere apostar que o FED e seu parceiros ou irão rever suas intenções, ou pior, daqui algum tempo terão que baixar novamente. Se essa é sua crença, talvez minhas contas acima não se provarão corretas. Por outro lado, desta vez o grito da história de criança, “ O lobo está chegando”, pode ser verdadeira.

No curto prazo, como os juros fora dos EUA estão muito mais deprimidos estão se ajustando mais. Por essa razão, o dólar está se depreciando em relação a essas moedas. Mas não sei por quanto tempo irá perdurar, pois o movimento dos juros de 10 anos americano pode ter terminado seu ciclo de baixa - vide abaixo.

No post inflação-de-primeiro-mundo, fiz as seguintes observações sobre os juros de 10 anos: ...”eu trabalho agora com 2 hipóteses marcadas no gráfico abaixo. A primeira seria que o movimento de alta já está em curso ou, na pior das hipóteses, uma correção da queda recente; a segunda, que uma nova mínima aconteceria ao redor de 2% a.a. para, em seguida, reverter e voltar a subir” ...


As reações do mercado nesses últimos 3 dias sugerem que o cenário 1 acima poderá estar em curso. Desta forma, vou sugerir um trade de alta de juros no nível atual de 2,27%, com um stoploss a 2,10%.


- David, você não vai viajar neste final de semana? Como fica a gestão dessa posição?
Parece um pouco irresponsável, pois naturalmente minhas ferramentas de análise não estarão disponíveis. Por outro lado, estou esperando a reversão desse mercado, porque acredito que os juros subirão, veja o tema do Mosca esse ano. O mercado não vai esperar eu voltar de férias para se movimentar, seria muita presunção, então acredito que essa posição está bem protegida pelo stoploss.

Por outro lado, se estiver certo, o máximo necessário será um ajuste no stoploss, e isso eu consigo fazer a distância. Tomará que eu tenha esse trabalho!

Não quero traçar os próximos passo, pois como bem disse Garrincha ao treinador Feola, eu também não combinei com os Russos! Mas quero enfatizar que acima de 2,45% reforça minha tese, em seguida 2,50%, e, se ultrapassado, 2,65% acontece a grande batalha. Acima disso, caminhamos para 2,90% - 3%.

- Puxa David, seria uma bela alta!
Pense bem, analise minha tabela acima e você vai se convencer que ainda é uma taxa baixa, pois é praticamente igual aos juros de 5 anos. Conforme o tempo passa, e considerando que a taxa terminal anunciada pelo FED é de 3,25%, porque um título de 10 anos teria que render abaixo disso?

O SP500 fechou a 2.419, com queda de 0,86%; o USDBRL a R$ 3,3020, com alta de 0,69%; o EURUSD a 1,1441, com alta de 0,55%; e o ouro a US$ 1.245, com queda de 0,30%.
Fique ligado!

28 de junho de 2017

Tudo azul


Muito se tem comentado sobre a possibilidade de a economia americana entrar em recessão. Dentro dos motivos mais elencados o amadurecimento deste ciclo é o mais cotado. O racional deste argumento diz que as economias se movem por ciclos de tal forma que, depois de alguns anos, é esperado que entre numa recessão. No caso americano, estatisticamente, isso acontece a cada 8 anos. Esse período estaria próximo de ser adentrado.

Este critério tem a desvantagem de impor uma data “fixa” o que nem sempre se mostra real. Alguns ciclos são mais extensos e outros mais curtos.

O banco Goldman Sachs elaborou um estudo recente a fim de identificar quais fatores poderiam alertar a eminencia de tal evento.

Para identificar os motivos estudaram as 33 recessões desde 1853. Mais de 60% delas ocorreram antes da II Guerra Mundial, quando as economias entravam mais frequentemente em recessão.

 
O que se pode extrair dessa coleta é que, o fator mais frequente na história recente é o aperto monetário e o choque do petróleo, sendo que o primeiro é consequência da inflação ocasionada pelo segundo. Em segundo lugar, os movimentos impulsionados pelo sentimento entre excesso de empréstimo com elevado nível de investimento seguido de desalavancagem. Contribuiu para as duas recessões mais recentes e também desempenhou um papel nas recessões iniciais, especialmente durante ciclos de crescimento e transição do investimento ferroviário. Em terceiro lugar, enquanto o setor financeiro não foi a origem de muitas recessões americanas modernas, foi uma fonte frequente no início das recessões. Em quarto lugar, os choques da política fiscal provocaram recessões nos EUA, mas apenas no contexto das desmobilizações das principais guerras.

Já um estudo elaborado pelo FMI, que avalia todas as economias avançadas, identificou cinco principais fatores nas 122 recessões desde 1960: choque de políticas fiscais, choques de política monetária, choque de petróleo, demanda externa, e crise financeira. Essa visão global aponta alguns fatos adicionais: primeiro, choques de petróleo e aperto monetário ficaram menos frequentes; segundo, crises financeiras são um fator razoavelmente comum nas recessões mais frequentes.


Considerando essas observações qual seria a probabilidade de uma recessão hoje? A Goldman Sachs desenvolveu um modelo que quantifica esse risco – cross-country recession model. Usando dados reais e econômicos das 20 economias avançadas desde 1980, apontam os resultados abaixo: Notou-se uma elevação na probabilidade de recessão. Mesmo assim, se pode considerar moderada: 13% num horizonte de 1 ano e 24% numa janela de 2 anos. O principal fator é a baixa capacidade disponível de produção nos EUA.

 
A conclusão do Goldman Sachs é que o risco de uma recessão é moderado. Porém, quando a recessão vier, de onde virá? A análise histórica oferece três lições importantes. Primeiro, a causa dominante das recessões pós-Guerra – política monetária em resposta a elevada inflação, normalmente ocasionada por choques de petróleo, parecem bem menos ameaçadoras num mundo com expectativas de inflação bem ancoradas, bem como a extração de óleo através do shale, impôs limites no preço do petróleo. Segundo, não significa que um aperto monetário exagerado não seja um risco; ciclos de apertos no final dos anos 50 foram bem suaves, entretanto terminaram em recessão. Terceiro, os drives mais intemporais do ciclo de negócios – movimentos ocasionados por comportamentos que impactam os preços dos ativos, empréstimos e investimentos – mantém sua relevância sobre os riscos de uma recessão.

Na minha avaliação, esse estudo aponta para dois riscos possíveis no momento atual: o principal seria uma barbeiragem de algum banco central ao restabelecer as condições normais de uma economia, o qual sejam, uma taxa de juros descente com um nível de liquidez condizente. Como houveram abusos nesses dois pontos por diversos bancos centrais, é possível que algum deles acabe não conduzindo de forma adequada esse retorno; e um outro está relacionado aos impactos das mudanças estruturais que o mundo enfrenta: globalização, robotização e demografia. O que quero dizer aqui é como compatibilizar as políticas econômicas com um ambiente deflacionário ocasionado por essas mudanças.

Vou mencionar alguns posts onde comentei sobre o euro, para enfatizar o perigo ao se deixar levar por análises de prazo muito curto. Inicialmente me refiro ao post goldilocks-for-ever: ...” o euro atingiu a cotação de € 1,1260, iniciando uma pequena correção. E é nessa correção que poderemos entrar comprando a moeda única. No gráfico abaixo aponto esses pontos” ...


Eu fiquei aguardando o euro se retrair de forma decente, como é esperado nos livros texto de análise técnica. Mas a moeda única teimava em contrair somente um “troco”, o mínimo aceito, mas eu queria mais. Notem que a área anotada acima, entre € 1,11 e € 1,10, eram minhas sugestões de compra. Mas nada!

Foi quando um dia imaginei que, o euro teria traçado um false break. Enfatizei esse ponto no post fed-double-down: ...” O pontinho que anotei em verde pode fazer toda a diferença daqui em diante, isso pode caracterizar-se como um false break e ter implicações sobre minha visão da moeda única” ...


Ontem pela manhã, o “só” Mário – dei um upgrade! Hahaha ... – fez uma declaração que impulsionou a moeda única, fazendo com que as cotações ultrapassagem € 1,13. Uma análise mais detalhada das negociações nesse período que antecedeu o rompimento de ontem, apontam duas cotações próximas da que eu havia indicado para compra - € 1,1108 e € 1,1117.

Mas meu erro não foi aí, e sim, não sugerir a compra acima de € 1,13. Para falar a verdade existe uma razão por traz disso, é que o euro está se aproximando de um nível importante, que venho comentando a bom tempo.
O que acontecer nessa região pode ter impacto importante no longo prazo. Sintetizo em dois cenários
1.       Bate e volta: O euro atinge essa região busca romper o nível de € 1,16, porém dá meia volta. Nesse caso, a mínima de € 1,00 começa a entrar no radar.

2.       Sai da frente: A moeda única rompe com gosto o nível acima e caminha incialmente para a região de € 1,25 - € 1,30.

Desta forma, o euro vai entrar em território incerto. Prefiro assistir sem posições. Mas mesmo assim, poderia ter comprado com um stop curto, foi uma bobeada!

O SP500 fechou a 2.440, com alta de 0,88%; o USDBRL a R$ 3,2803, com queda de 0,97%; o EURUSD a 1,1377, com alta de 0,34%; e o ouro a US$ 1.249, com alta de 0,20%.
Fique ligado!

27 de junho de 2017

Manual de emergência


Existe uma situação na vida de um investidor que pode se tornar muito destrutiva em relação a perda de capital. É comum que no decorrer de seus investimentos que você se sinta compelido a apostar contra a tendência em curso. Isso pode acontecer ou porque você vendeu a posição muito cedo ou pior, queria comprar mas ficou na dúvida e viu o mercado subir na sua cara.

Nessa situação, você se sente como tivesse “vendido” uma sensação de perda a cada alta, sem que ela exista. Mas, de repente, o mercado passa por uma pequena queda e parece que tudo ficou mais claro. “Sabia que ia cair”. E, inesperadamente, o mercado volta a subir novamente e, caso tenha se aventurado na venda, o sangramento é real.

Nesses últimos tempos, tenho encontrado vários leitores que me perguntam se não seria a hora de vender o SP500. Minha análise técnica aponta esse mercado como o mais firme de todos, nenhuma indicação de queda ainda. Sugiro terem calma, pois quando, e se o mercado cair, teremos tempo para entrar no trade de venda. Contudo, sinto que minhas palavras são levadas com ceticismo, pois a sensação deles é que a queda será abrupta. Mas um mercado firme como esse não despenca de uma vez.

Um analista de nome Charles Hugh Smith publicou um gráfico que explica como um crash acontece na maioria das vezes. Sua ideia não é baseada em análise técnica, mas na psicologia em que uma reversão se dá.


Quando existem muitos relatórios que indicam que o mercado está perigoso, e muitas sugestões para se apostar na alta da volatilidade, o mercado sobe ao invés de cair.

Por que? Esse cenário negativo cria o clássico Wall of Hurry - A tendência periódica dos mercados financeiros de superar uma série de fatores negativos e manter a ascensão. O muro de preocupação geralmente é usado em conexão com os mercados de ações, referindo-se à sua resiliência quando se depara com um tropeço temporário, ao invés de um impedimento permanente para um avanço no mercado. A compra de U$ 300 bilhões de ativos por parte dos bancos centrais por mês ajuda a impulsionar essa alta ascendente. Os que apostam na baixa, baseado em fundamentos, são atropelados por esse avanço continuo.

A medida que os bancos centrais anunciam sobre o fim de suas políticas monetárias extraordinárias, aumentando um pouco as taxas de juros (para que eles possam diminuir quando a próxima recessão chegar), os especuladores, percebendo que as apostas em juros e volatilidades mais baixas diminuem, iniciam operações de venda.

Subitamente, um vácuo no mercado origina uma queda iniciada por algumas novidades. Mas a mentalidade reinante até aquele momento é de comprar sempre que bolsa retrai, “buy on dips”. Isso faz com que o mercado recupere rapidamente.

No entanto, as dúvidas permanecem e os dados fundamentais ainda são fracos; esse excesso de negatividade reconstrói a parede da preocupação. Alguns traders acreditam que o mercado está enfraquecido e que a queda é eminente. Acreditando que não vai conseguir ultrapassar a máxima anterior – double top.

Mas, teimosamente, o mercado ultrapassa aquela máxima atingindo novos recordes, limpando o bolso desses últimos especuladores. Os outros traders ficarão hesitantes em vender e os investidores que apostam na alta ficarão mais confiantes, mesmo com dados econômicos negativos.

Esse novo momento infunde os participantes com complacência e um senso que o mercado passou pelo pior que poderia acontecer. Tudo parece apontar para novas altas até o mercado cair surpreendendo a todos.

Bem, mas quando isso vai acontecer? Ninguém sabe. O importante é que não pode haver uma multidão de analista prevendo uma queda. Não pode haver uma quantidade de posições vendidas na bolsa e elevadas apostas na alta da volatilidade. Todo mundo que aposta tudo numa queda e na alta da volatilidade precisa ser destruído antes do mercado cair.

O acidente tem que pegar quase todos desprevenidos.

Depois dessa queda mais acentuada, um novo grupo, acreditando na continuidade e aproveitando-se, entram comprando novamente. Porém, contrariamente à expectativa, um movimento de venda começa a se materializar; desta vez são os investidores que usam essa recuperação para saírem definitivamente de suas posições.

Os bancos centrais são vistos como sendo poderosos, e os últimos 8 anos apoiam a crença convencional de que um novo anúncio de política monetária sempre reverterá qualquer desaceleração. Os anúncios dos bancos centrais provocam pequenos movimentos de alta, mas só para algumas horas.

O mercado percebe que as coisas mudaram, os bancos centrais não podem reverter a onda de medo, e pequenas altas são encaradas agora como oportunidades de venda.

Essa descrição parece um pouco complicada para quem não está acostumado com o linguajar do mercado. Vou procurar resumir os principais pontos: em primeiro lugar, o que esse analista chama a atenção é o que o mercado estará preparado para cair quando não existir mais “nenhuma” aposta na venda, todos que tentaram, foram stopados; depois, ficar atento para uma queda do mercado mais ampla, o que eu enfatizei em verde; em seguida, deve-se preparar para a venda.

Um analista técnico que usa a teoria de Elliot Waves tem como analisar se a queda destacada em verde é um potencial candidato em identificar a máxima, e se o mercado vai entrar num movimento de queda. Acontecendo isso, deve-se preparar para vender na próxima alta e, seguramente, será inferior ao máximo atingido.

Esse é o manual de emergência que estou seguindo no acompanhamento do SP500 e, por enquanto, nenhum sinal que a alta terminou. Quem está comprado, mantenha seu stoploss curto, e quem não está, tire umas férias, não invente de vender agora, mesmo que estejamos na iminência de virar. Talvez você acertasse no bumbum da mosca, e se isso acontecer, seria por pura sorte, pois o mais provável é que você perca dinheiro.

Amanhã vou comentar sobre um estudo realizado pelo banco Goldman Sachs sobre os fatores que poderiam indicar uma recessão nos EUA. Isso não substitui as ideias acima, pois não necessariamente é preciso que haja uma recessão para a bolsa cair.

Como a assunto do dia é bolsa vou comentar sobre o SP500. No post tarde-demais-para-poupar, fiz os seguintes comentários sobre o SP500: ...” ultimamente o mercado ficou contido entre as duas linhas verdes traçadas no gráfico acima. Pode ser que começou uma mini queda até a parte inferior, que corresponde a aproximadamente 2.380. A linha cinza enfatiza que o mercado está “cansado”... O gráfico a seguir já contempla os últimos dias, e a bolsa continua ainda na parte superior.

 
Se o mercado estava “cansado” antes, está mais cansado agora. Em algum momento acredito que uma retração a pelo menos 2.380 é possível.

- David, vamos ver se eu aprendi a lição de hoje: esperamos essa queda, em seguida uma nova alta e nesse movimento vendemos até as calças. Vamos pegar um peixe grande!
Recomendo reler o post acima. Quem disser que essa queda do nível atual até 2.380, já identifica o que eu frisei acima - depois ficar atento para uma queda do mercado mais extensa – negativo!

Fique tranquilo, vamos ter todo tempo do mundo para apostar na baixa, pois como já mencionei em post anteriores, a queda deverá perdurar por um bom tempo.

O SP500 fechou a 2.419, com queda de 0,81%; o USDBRL a R$ 3,3138, com alta de 0,54%; o EURUSD a € 1,1340, com alta de 1,45%; o ouro a U$ 1.246, com alta de 0,24%.

Fique ligado!

26 de junho de 2017

Colapso de preços


Ao mesmo tempo que vivenciamos tempos de volatilidades extremamente baixas, alguns acontecimentos, sem explicações, levantam suspeitas sobre quem são efetivamente os compradores desses ativos, se investidores ou especuladores.

Fui educado na minha vida profissional que comprar ações era um investimento para o longo prazo. Acontece que a duração desse longo prazo foi diminuindo com o tempo. No início eram 5 anos, depois passou para 18 meses, 1 ano e hoje em dia, não sei o que isso significa. Posso dizer por mim, não existe nenhum investimento de risco, que eu transaciono, sem que eu associe um stoploss. Assim, no meu caso, o prazo é até aonde meu stoploss não for acionado.

Vocês já ouviram falar da moeda digital Bitcoin, eu mesmo já comentei no blog diversas vezes. No post bitcoin-o-dólar-black-dos-chineses, desenvolvi um raciocínio justificando sua elevada cotação, oriunda das transações efetuadas pelos chineses. Dado a sua popularidade, outras moedas acabaram surgindo. Uma delas, Ethereum, com cotação bastante inferior, ganhou adeptos recentemente.

A seguir encontra-se a evolução de seus preços nos últimos 6 meses. Esse gráfico não apresenta nenhuma anomalia visível, ao contrário, parece ter sido um bom investimento.


Acontece, que essas moedas são transacionadas em bolsas digitais que se especializaram na negociação desse tipo de ativo. Numa delas, a GDAX, aconteceu algo bizarro na última quarta-feira. Em questão de segundos a cotação caiu de U$ 296 para U$ 0,10, sem que houvesse nenhuma razão. Notem que logo em seguida, voltou, mais ou menos, as cotações anteriores.



Essa bolsa, decidiu ressarcir os clientes que tiveram ordens executadas nos seus stopsloss. Os prejuízos devem ter sido enormes. Acho que vale esclarecer um detalhe sobre ordens de stoploss. Existem dois tipos: uma que executa sua ordem limitada a um preço mínimo e não abaixo dele; e outra que executa na melhor oferta disponível. Não há uma preferência, mas normalmente os investidores usam a do segundo tipo.

Vocês podem estar pensando: “tudo bem, esse mercado é pequeno, foi um evento anormal”. Mas algo semelhante no ouro, faria mudar de opinião? Certamente! Vejam a seguir o que ocorreu com as cotações do metal hoje na Ásia.


Em questão de poucos minutos a cotação caiu U$ 20.

- Epa David, você não está exagerando? U$ 20 não é nada para o ouro!
Lógico, você tem toda razão, mas note as cotações horas antes, não tinham um padrão diferente? Se essa queda acontecesse no decorrer de algumas horas, nem seria notada, o que desperta curiosidade é a rapidez. Também, nesse caso, nenhum motivo claro para o ocorrido.

Pode ser que o ouro recupere o preço durante o dia, e esse evento foi um espasmo como costumo dizer, porém me causa preocupação. A liquidez de um mercado é medida pela quantidade de participantes que atuam nesse mercado, associado as suas ordens em diversos preços. Isso garante que, se as cotações começam a subir existira uma quantidade de ofertas para neutralizar uma alta mais forte, e vice-versa, quando começam a cair as ofertas dos compradores poderão ser executadas.

Eu teria algumas hipóteses para situações como essa:

1.       Um erro no preço de venda (muito abaixo), que acionária inúmeras ofertas de stoploss a preços cada vez mais baixos.

2.       Algum “rato” financeiro observa que num determinado horário existem poucas ofertas disponíveis. Assim, com uma quantidade pequena de ordens, consegue ganhar uma boa nota.

3.       O mercado está muito posicionado na compra e qualquer ordem maior de venda causa impacto grande nos preços.

Os dois primeiros não preocupam, afinal tem efeitos pontuais, mas o terceiro é mais preocupante, pois indica que a volatilidade vivenciada é totalmente falsa. Isso acabaria acontecendo em função do excesso de liquidez.

Se acontece um caso ali, outro caso acolá, depois de alguns eventos, seguramente deixaria os investidores preocupados. Não quero nem pensar num efeito cascata acontecendo numa bolsa de valores, onde milhares de ordens de stoploss estão associadas, e a maioria do segundo tipo acima mencionado. Poderia desencadear um colapso de preços.

Por enquanto, nada inspirador aconteceu com o dólar, encontra-se contido num intervalo de negociação restrito, nos últimos dias, entre R$ 3,30 – R$ 3,35. Porém, com uma característica de alta - isso acontece de maneira que a cada pequena queda se dá num nível acima da anterior, assim como cada alta - higher low, higher high (pontos em verde).

Acharam familiar essa frase? Foi uma pegadinha, copiei exatamente o que tinha escrito no post a-falta-de-um-visionário. Estou chegando a conclusão, que posso tirar umas férias longas, basta deixar um programa que copia os comentários da semana anterior! Xiiii, será que vou perder meu emprego? Hahaha ...


Outro comentário extraído do post: ... “eu indiquei uma área compreendendo os níveis de R$ 3,20 – R$ 3,40, onde tudo pode acontecer. O que eu quero dizer com isso é que o dólar poderá continuar nesse ritmo de sobe mais do que cai, atingindo, por exemplo, R$ 3,37. Nesse momento, seriamos levados a imaginar que agora vai, e, de repente, cai novamente para o nível de R$ 3,20” ....

O dólar ainda não atingiu a cotação de R$ 3,37, além disso anotei 3 pontos verdes superiores e 3 outros inferiores. Posso garantir que são os últimos, ou o dólar dará um salto já, já, ou a hipótese que levantei acima – de repente cai, vai acontecer. Além disso, acredito que será nessa semana.


Como vou viajar, e normalmente escrevo sobre o dólar na segunda-feira, talvez ainda dê tempo para um comentário final durante a semana. Senão, vou deixar me robô instruído para fazer paste/copy! Hahaha ...

O SP500 fechou a 2.439, sem alteração; o USDBRL a R$ 3,3000, com baixa de 1,25%; o EURUSD a 1,1180, com queda de 0,10%; e o ouro a US$ 1.243, com queda de 0,99%.
Fique ligado!

23 de junho de 2017

Inflação de primeiro mundo

Talvez os brasileiros não se atentaram para as variações mensais das inflações publicadas nos últimos meses. Motivos, temos de sobra; as lembranças do passado não são boas. O mantra que se encontra em todo roda pé do prospecto de fundo de investimento vale aqui também, “resultados passados não são garantia de resultados futuros”, será que agora é diferente? Tudo indica que sim.

Mas, como podemos afirmar sem correr o risco de cometer um grande erro? Alguns fatores podem ser elencados, porém o mais importante foi a troca da equipe que gerencia o banco central. Não estou desqualificando a anterior totalmente, mas eles se deixaram influenciar por pressões políticas, principalmente da ex-presidente Dilma – nossa, como é bom não ter que falar das mais de suas barbeiragens!

Hoje foi publicado o IPCA-15, que é uma proxy da inflação do mês de junho. O índice mensal ficou em 0,16% e em 12 meses recou para 3,52%. É provável que ao ser publicado o fechamento do mês, tal indicador fique negativo; é isso mesmo, deflação. Os analistas projetam para agosto uma inflação abaixo de 3% a.a., um recorde histórico!


Não podemos também nos iludir, pois uma parcela importante do resultado se deve a queda expressiva do item alimentos. Se esse fosse o único motivo, não deveríamos estar comemorando, pois assim que terminasse esse efeito, voltaria a subir. Mas, a queda é generalizada e isso se pode verificar pelo índice de difusão que se encontra em 50%.


O Presidente do banco central, Ilan Gofdfajn, declarou hoje que o BC “quebrou a espinha dorsal da inflação”. Para bom entendedor meia palavra basta. Na sua opinião, a inflação está sob controle e dentro dos parâmetros indicado pela autoridade monetária. Isso permitiu que o mercado voltasse a acreditar novamente numa queda de 100 pontos na próxima reunião do COPOM.

A grande discussão passa a ser qual será a taxa terminal, ou seja, onde o BC vai terminar o ciclo de queda de juros. O mercado acredita que o mais provável é de 8,5%, e, considerando uma expectativa de inflação de 4% para 2018, ficaríamos com um juro real de 4,5%. Ainda muito elevado, afinal, o juro real é maior que a inflação.

Mas em 2018 existe um evento de pouca previsibilidade visto de hoje, que poderia ter um impacto importante na economia, as eleições presidenciais. Dependendo dos candidatos que estejam na dianteira, o mercado poderá ficar bem nervoso. Por exemplo, imaginem se o Lula ganha, o que aconteceria com os ativos brasileiros? Outro dia encontrei um analista que tinha uma visão mais branda nesse caso, dizia “ Se ele ganhar vai ter uma atitude proativa com o mercado financeiro e com os empresários”. Respondi que um psicopata é muito inteligente e sedutor, é verdade que poderia agir assim no começo, mas sua raiva é tão grande que, com o passar do tempo, mudaria radicalmente. Bem, não estarei aqui para ver.

O Credit Suisse acredita que no segundo semestre de 2018, o banco central terá que subir os juros para enfrentar essa incerteza. Me parece razoável essa premissa, e o aperto será mais intenso quanto maior for a chance de um candidato mal visto pelo mercado.

Outro dia mostrei que a previsão do PIB apontada pelo FED de Atlanta se encontrava próximo a 3% a.a. para o trimestre em curso. No trimestre anterior, apresentei a disparidade entre as projeções do FED de Atlanta e Nova York, onde o segundo, indicava um PIB bem superior ao primeiro. Pois bem, para esse trimestre nada mudou, só que houve uma inversão; a projeção pelo FED de Nova York é de 1,8%.


Será que eles combinam, para que sempre um deles esteja correto? Hahaha ....

No post o-fed-esta-desacreditado?, fiz os seguintes comentários sobre os juros de 10 anos: ...” eu trabalho agora com 2 hipóteses marcadas no gráfico abaixo. A primeira seria que o movimento de alta já está em curso ou, na pior das hipóteses, uma correção da queda recente; a segunda, que uma nova mínima aconteceria ao redor de 2% a.a. para, em seguida, reverter e voltar a subir” ...


Tenho pena dos traders que negociam títulos do governo americano, devem estar ganhando trocados, negociando bilhões. Eu cálculo que para cada US$ 1,0 milhões negociado, estão gerando um lucro de U$ 7,82, e não é líquido e certo, correm risco. No jargão de mercado são obrigados a abrirem um spread para comprar ou vender. Assim, se por exemplo, a contraparte vende, ele terá que encontrar um outro cliente para revender esse título com lucro.

O gráfico a seguir, com período de coleta semanal, dá a impressão que os juros de 10 anos estão surfando uma onda na reta rosa abaixo.


Se essa lenga-lenga continuar, os juros devem chegar em 2% nas proximidades do final de ano. Mas não levem a sério essa ideia, como sempre repito, não consigo ter uma boa indicação de prazo. Fico ainda com as mesmas observações apontadas no post citado acima; as duas possibilidades continuam válidas.


Como de costume, em julho, a última publicação do Mosca será na próxima sexta-feira, dia 30/06, voltando a ativa no dia 24/07. Esse ano em especial acredito que não fará muita diferença, pois além das férias europeias, a volatilidade está tão baixa que é bem provável que depois desse período, os preços estejam no mesmo lugar. Ou será que o mercado quer me pregar uma peça? Neste caso, eu estarei acompanhando, e vou postar caso isso aconteça.


O SP500 fechou a 2.438, com alta de 0,16%; o USDBRL a R$ 3,3407, sem alteração; EURUSD a 1,1196, com alta de 0,41%; e o ouro a U$ 1.255, com alta de 0,45%.
Fique ligado!

22 de junho de 2017

Commodities em baixa


No campo político não faltaram surpresas desde as últimas férias de verão do Hemisfério Norte. Uma lista à primeira vista incluiria: Brexit, Trump, Macron, e o resultado da recente eleição na Inglaterra. Tudo isso sem contar os inúmeros ataques terroristas ao redor do globo. Em tempos normais essas mudanças teriam chacoalhado os mercados, mas o máximo que aconteceu foram alguns sustos. Tempos modernos!

Pela movimentação dos mercados tudo parece diferente, numa tranquilidade nunca antes vista, os preços mal e mal se mexem. Isso não significa que não sobem ou caem, porém o fazem despacito!

Os meses de férias prenuncia uma diminuição de negócios e como consequência a volatilidade. Mas esse indicador anda démodé, com baixas diárias, agora só falta ficar negativo! Hahahaha .... O Kuroda, Presidente do BOJ, entraria em êxtase.

Os hedges funds passam por um período horrível, com retornos decepcionantes, os saques continuam. Algumas notícias dão conta que mesmo os fundos geridos por modelos, estão enfrentando dificuldades em obter ganhos. A volatilidade baixa é seu maior inimigo, pois para conseguir alguma rentabilidade, que permita pagar suas altas taxas de administração e performance, sobrando alguma coisa para seus clientes, terão que se aventurar a níveis elevadíssimos de risco. Seria mais honesto devolver o dinheiro a seus clientes, como fizeram alguns deles.

Em 2015 o petróleo levou um tombo de respeito ao cair de U$ 110 o barril para U$ 25. O principal motivo apontado foi a entrada de uma nova oferta de óleo através do shale gas. Desde então ensaiou uma recuperação de preços atingindo no final de 2016 U$ 55, uma alta de 110%! Uallll .... Parece uma enormidade, mas nem recuperou metade da queda.

Com as economias em franca recuperação seria de se esperar que os preços continuassem subindo. A maioria dos analistas estimava um nível para esse ano ao redor de U$ 60 – U$ 70. Porém, nas últimas semanas os preços começaram a cair e agora estão num nível, que tecnicamente, poderão iniciar uma nova rodada de quedas, podendo atingir as mínimas recentes, entre U$ 35 a U$ 25.

O Wall Street Journal traz uma série de gráficos que apontam as consequências dessa queda, nas empresas petrolíferas.


Na parte superior apresenta o custo dos empréstimos expressos nas taxas de juros dos bonds desse setor, quando comparado com outras empresas de mesmo risco de crédito. Na parte inferior a queda nos preços dessas ações comparadas com o SP500; o volume de emissões de títulos; e a evolução dos preços do petróleo.

Esse cenário não é muito positivo para o Brasil, uma vez que, as commodities são parte da nossa pauta de exportações de derivados. É verdade, que o petróleo não é a mais importante, porém outras mercadorias também vêm sofrendo quedas. Por exemplo, o café, conforme se pode verificar a seguir, caiu significativamente desde o final de 2016.

O açúcar traçou uma trajetória semelhante ao do café, tanto em termos de movimento, como em magnitude. Também faz sentido, se tem menos gente tomando café, tem menos gente usando açúcar! Hahahaha ....


Eu não saberia calcular qual é o impacto dessas quedas em nossa balança comercial pois não conheço suas participações. Porém esse efeito deverá ser sentido mais a frente, uma vez que, o que se está exportando agora, reflete o fechamento a preços mais elevados. Outro fator que se deve levar em conta, é o volume que poderá compensar parcialmente essas quedas.

Mas que não é bom, não é! Espero que não tenha um efeito muito elevado, pois essa era uma área que estava indo muito bem – Balança comercial.

Veja a seguir se nós podemos ser considerados um país aberto ao exterior. Isso certamente tem um peso quando se pretende assinar acordos bilaterais de comercio.


Existe uma frase usada, quando se quer frisar que vários indicadores apontam para o mesmo número “Fica tudo Japonês”. Quero deixar claro que não a considero pejorativa, apenas enfatiza a característica dos japoneses de serem semelhantes entre si, por terem olhados puxados. O PIB per capta entre os EUA, Europa e Japão, tinham um crescimento bastante diferenciado no final dos anos 90. Agora ficou tudo literalmente japonês, infelizmente puxando para baixo.


No post fed-double-down, fiz os seguintes comentários sobre o euro: ...” O pontinho que anotei em verde pode fazer toda a diferença daqui em diante, isso pode caracterizar-se como um false break e ter implicações sobre minha visão da moeda única” ...


O que eu tenho para oferecer de diferente hoje? Nada! O euro praticamente não saiu do lugar, não deixando nenhuma pista se a máxima atingida recentemente foi ou não um false break.

Uma parte da alta do euro se deveu ao fluxo de recursos canalizados para as bolas europeias, haja visto que, os investidores ficaram mais otimistas com a Europa. As estatísticas recentes, apontam uma desaceleração desses recursos como se pode verificar a seguir.

Acredito que não são só os hedges funds que estão sofrendo pela falta de volatilidade, o Mosca também. Observei a planilha que contém as operações deste ano, e fiquei impressionado com a quantidade de trades cancelados, sendo a maior parte deles no ouro e no euro. Os motivos na maioria dos casos foram por mudança de planos.

Para enfrentar a realidade e encarar a situação atual de mercado, deveria propor trades mais arriscados e com um foco de curto prazo. Para poder compensar, pediria para os leitores dobrarem o tamanho das posições, ao contrário do que normalmente faço quando tenho dúvidas.

- É isso aí David, vamos para as cabeças!
Se algum leitor deseja isso que meu amigo sugeriu, vou ter que “devolver o dinheiro”, não vou fazer! Não gosto de me sentir “empurrado” para o risco, só porque não tem nada interessante no radar. Os mercados são cíclicos e em algum momento a volatilidade voltara a subir, quanto tempo vai demorar, não tenho a menor ideia.

Vivemos momentos de baixos retornos e não vou arriscar dinheiro tirando leite de pedra. É assim que eu aprendi, não vai ser agora que vou mudar por uma forma que eu não acredito.

O SP500 fechou a 2.434, sem alteração; o USDBRL a R$ 3,3352, sem alteração; o EURUSD a € 1,1150, com queda de 0,14%; e o ouro a U$ 1.249, com alta de 0,31%. Eu grifei as variações do dia de hoje só para enfatizar meus argumentos do post. Imagine qual o volume de euros deveria ser vendido para gerar algum retorno. Não esqueçam que não existe nada sem risco.
Fique ligado!

21 de junho de 2017

Tarde demais para poupar

David Rosenberg, economista-chefe da Gluskin Sheff, publicou um gráfico que pode explicar parte da letargia econômica americana. A demografia americana assinala que o primeiro baby boomers completou 70 anos.  Um grupo de 78 milhões de pessoas que presenciou tudo nas últimas seis décadas, dos mercados de capitais, para a economia e para a política.

Rosenberg compartilhou o gráfico abaixo, que mostra a participação dos baby boomers com mais de 70 anos continuando a crescer nos próximos 15 anos.


Aos 70 anos é crucial, porque é quando você realiza a mudança mais profunda do mix de ativos desde que você tinha 30 anos. Com essa idade, o foco para investir muda do ganho de capital para a preservação do capital.

No entanto, os rendimentos em títulos que oferecem um retorno seguro e estável, como os bonds americanos, estão perto de seus níveis mais baixos em vários anos. Na era pós-recessão, a chamada caçada ao rendimento levou os investidores a ativos onde os retornos e os riscos são mais elevados.

"Em um mundo em que o rendimento seguro se tornou extremamente escasso, os desafios de investimento para o envelhecimento, para os ainda não envelhecidos, vão ser assustadores, no mínimo", disse Rosenberg.

Outros analistas já soaram o alarme sobre uma crise da aposentadoria que confronta até aqueles que estão longe de seus 70 anos. Os americanos não estão economizando o suficiente; A participação de renda disponível economizada caiu em dezembro para a mínima de oito anos, ao nível de 4,5% de seu rendimento, de acordo com o Bureau of Economic Analysis.

Uma pesquisa realizada pelo Instituto de Aposentadoria descobriu que apenas 23% do baby boomers achavam que suas economias durariam após a aposentadoria.

Outro fator que complica ainda mais essa falta de perspectiva e o aumento da expectativa de vida, que vem crescendo ano a ano, tornando o futuro dessa geração mais incerto.

Por tudo isso, é provável que essa parcela importante da população americana vem cortando seus gastos a fim de enfrentar essa nova realidade. Os modelos usados para calcular o volume de recursos necessários para o período de aposentadoria, feitos há trinta anos, indicariam um montante muito inferior ao que é necessário hoje. A título de exemplo, um americano que precisa de US$ 50 mil por ano para viver, necessitaria de uma poupança de U$ 835 mil, com uma taxa de juros de 6 % a.a. – como era há trinta anos. Agora para o mesmo gasto anual são necessários US$ 2,5 milhões.

Como não dá para fazer milagres, ou ficar torcendo para Yellen subir rápido os juros, só restam duas alternativas: ou cortar em 2/3 seus gastos; ou continuar trabalhando para complementar a renda. Mesmo essa última hipótese é limitada, pois no que poderia trabalhar um ancião, e quem vai contratar? Esse será um grande problema dos próximos anos, pois agora é tarde demais para poupar!

Eu sei que vocês já devem estar cansados sobre o assunto volatilidade, mas a cada dia que passa mais um recorde de baixa é atingido em algum mercado. O gráfico seguir mostra esse indicador como se fosse um índice geral onde estão compreendidos a maior parte dos ativos líquidos. O nível de 100% corresponde a média, e hoje estamos em 61%.


Na bolsa americana, o impacto do índice acima é ainda mais significativo. Veja a seguir como a correlação entre as ações diminuíram recentemente. Isso deveria ter feito com que a volatilidade da bolsa tivesse aumentado, pois hoje as ações não se movimentam da mesma forma como antes.


Vou comentar o SP500, mas antes queria apresentar um dos indicadores fundamentalistas mais acompanhado pelo mercado o P/L – preço divido pelo lucro. A ilustração a seguir mostra que atualmente a bolsa americana está com um P/L acima de 30, que é um dos mais elevados da sua história. Isso não significa que a bolsa vai cair amanhã, porém se pode dizer que está barata!


No post quando-qualquer-coisa-e-melhor, fiz os seguintes comentário sobre o SP500: ...” ainda acredito que o nível de 2.450 será atingido. Daí em diante mais cautela ainda. Para quem tem posição poderá adotar uma das seguintes decisões: a) vender tudo e observar; b) manter e subir o stop; c) qualquer situação intermediária, vendendo parte da posição e mantendo o restante” ... ...” não sei onde e como será a reversão do SP500, o que eu projeto é uma correção de onda 4, para quem segue Elliot Waves, e é uma 4 grande! Será um processo longo e extenso, uma queda de 20% a 25%” ...

Na segunda-feira a bolsa atingiu a máxima de 2.453, e quando tudo parecia que no dia seguinte continuaria a subir, caiu! Hoje terminou sem variação.

Ultimamente o mercado ficou contido entre as duas linhas verdes traçadas no gráfico acima. Pode ser que começou uma mini queda até a parte inferior, que corresponde a aproximadamente 2.380. A linha cinza enfatiza que o mercado está “cansado”.

- David, por que não dá uma arriscadinha na venda?
Quero deixar bem claro a meu amigo que o mercado não deu nenhum sinal concreto para atuar vendido, ao contrário, está firme como uma rocha! Se tem alguma coisa que eu aprendi nesses anos todos é não colocar a minha vontade na frente das evidencias do mercado. Além do mais, sempre dá para entrar com calma em preços bons, não precisa ser no bumbum da mosca, que por sinal, só acontece por sorte!

Tudo que escrevi acima, poderá não ter valor nenhum daqui alguns dias, basta a bolsa continuar subindo que tudo que coloquei acima passa a não ter importância. Por outro lado, não preciso estar comprado quando existem alguns sinais de perigo.


Vamos verificar o que esse mercado nos reserva nos próximos dias!

O SP500 fechou a 2.435, sem alteração; o USDBRL a R$ 3,3345, com alta de 0,70%; o EURUSD a 1,1166, com alta de 0,37%; e o ouro a U$ 1.246, com alta de 0,32%.
Fique ligado!