Inflação: A Revanche

28 de abril de 2017

Fiasco

Considerando as primeiras imagens transmitidas pela TV, a greve geral parece que foi um grande fiasco. O que se viu ao redor do país são manifestações mínimas, ou como se diz em linguagem coloquial, com meia dúzia de gatos pingados.

Esses protestos parecem de pessoas desempregadas, que com bandeiras nas mãos e ateando fogo em pneus, buscam atrapalhar a vida dos que estão trabalhando. Mas a polícia em pouco tempo dispersou esses grupos e os bombeiros apagam o fogo, voltando logo a normalidade.

As grandes movimentações planejadas pelo PT e partidos assemelhados do passado parecem não atrair mais as pessoas, ficando apenas os “sem o que fazer”. Em todo caso, as maiores manifestações estão programadas para o período da tarde, é necessário esperar para verificar se confirma essa minha hipótese. Se assim acontecer, a greve geral serviu mais como um pretexto para emendar o feriado.

Mesmo assim, o conteúdo que publiquei ontem continua válido. O projeto de reforma da lei trabalhista passou ontem sem uma grande maioria, essa quantidade de votos não seria suficiente para aprovar a reforma da previdência. Sobre esse assunto assisti um parlamentar do governo comentando sobre a possível votação. Em seus cálculos dos 510 deputados, 150 são carta fora do baralho, restando 360, dos quais são necessários 308 para sua aprovação.

No pragmatismo que me é peculiar, se for preciso 80% dos votos disponíveis para aprovação, parece que as chances não são muito grandes no cenário atual. Assim, continuo com a mesma visão que, ou passa uma reforma desfigurada mudando muito pouco, ou não passa nada.

O FED de Atlanta continua fornecendo a melhor estimativa do PIB americano. Enquanto os economistas estimavam um PIB de 1,4% para o primeiro trimestre, essa fonte acreditava num resultado muito inferior 0,2%. O dado oficial foi publicado em 0,7%.


O efeito tempo já é de conhecimento geral, pelas baixas temperaturas registradas nessa época do ano, o PIB tende a ser baixo. O gráfico acima aponta esse efeito com as barras em roxo. Agora o que eu não consigo entender é como os modelos não levam isso em consideração, haja visto que, os dados são dessazonalizados, ou seja, ajustados para efeitos sazonais.

Verificando-se os detalhes dos itens que compõe o PIB, o que chama a atenção é a queda dos gastos pelos consumidores, que representa quase 70% do PIB. Como o gráfico a seguir aponta, esse trimestre foi o mais baixo desde 2009.


Eu venho notando que os dados de sentimento (soft data) estão divergindo dos dados reais (hard data). No quesito consumo, o gráfico a seguir mostra uma dessas diferenças. O indicador coletado pela Bloomberg diz por si só. Se as expectativas se concretizarem, e para compensar a queda observada no 1º trimestre. Para quem for a Nova York ou Miami no verão americano, se prepare para enfrentar grandes filas!


Neste sábado completam 100 dias que o Presidente Trump está no poder. Podemos afirmar que ele se meteu em grandes trapalhadas. Não tem o menor compromisso com o que fala. Quantos não foram os seus retrocessos, tanto por imposição do Congresso, como o assunto dos imigrantes e Obamacare, bem como de suas promessas que não foram para frente. Parece que vai se confirmado minha tese que ele é um grande blefe.

Por outro lado, é um homem de sorte, assumiu a Presidência quando a economia já apresentava sinais de melhoras. A bolsa de valores, termômetro acompanhado por todo americano, subiu 5,5% um dos melhores 100 dias da história americana. Isso foi suficiente para aumentar sua popularidade?  Depende qual o partido que você observa, para os republicanos sim, para os democratas não. O país continua extremamente dividido!


Hoje percebi que o acompanhamento do SP500 pelo Mosca não é feito com a mesma frequência dos outros mercados. O motivo claramente é o fato de não termos nenhuma posição e nem sugestão de trade. Curiosamente, é o mercado que apresenta melhores indicadores técnicos de alta. Então, por que não fazemos nada? Alguns indicadores mostram um momento delicado apontando que esse mercado está em sua fase final.

No post trump-e-um-blefe, fiz os seguintes comentários sobre o SP500: ...” meu objetivo colocado há algum tempo é ao redor de 2.450, e caso ultrapasse, poderia atingir 2.850. Por vários motivos trabalho com o primeiro” ... ... “no gráfico abaixo, expus minhas projeções para o SP500, caso o nível de 2.450 seja respeitado. Será uma correção “forte” e com uma duração razoavelmente prolongada” ...


...” Para quem está comprado, sugiro acompanhar bem a área que denominei de “perigo” no gráfico acima 2.300 – 2.2270, qualquer coisa abaixo deve se evitar. Por outro lado, acima de 2.400 abre se a porta para atingir o primeiro objetivo mencionado acima de 2.450 e, se ultrapassado, tenderia a 2.850. Meus indicadores ainda apontam que esse mercado está robusto e que a alta é mais provável” ...


Nestes últimos 30 dias houve pouca oscilação de preços, nem chegou próximo do nível que ocasionaria uma preocupação maior. Depois da eleição na França, no último final de semana, as bolsas no mundo inteiro reagiram positivamente e não poderia ser diferente nos EUA. Agora o SP500 encontra-se muito próximo do nível máximo de 2.400.

É natural nessas situações, onde um mercado está muito próximo de seu ápice histórico, que uma série de derivativos tem esse patamar como barreira, acarretando assim, uma certa resistência de rompimento. Não fosse o objetivo primeiro que indiquei de 2.450, tão próximo do nível atual, valeria uma sugestão de compra. Mas não oferece um bom risco x retorno. Já ficamos fora por tanto tempo não acho que seja hora de entrar.



 O SP500 fechou a 2.384, com queda de 0,19%; o USDBRL a R$ 3,1747, com queda de 0,27%; o EURUSD a 1,891, com alta de 0,17%; e o ouro a US$ 1.268, com alta de 0,38%.
Fique ligado!

27 de abril de 2017

O PT ganha folego


O PT foi dizimado nas últimas eleições com perdas de prefeituras e outros cargos legislativos, o que tornaram a sobrevivência desse partido questionável. Até aquele momento as delações da Odebrecht não tinham se tornando publicas, assim todo a raiva do público recaiu sobre o PT, oriundas da operação lava jato.

Depois do impeachment da Dilma o novo governo Temer ganhou carta branca para colocar o país na rota certa. Uma equipe econômica exemplar se juntou tomando as medidas necessárias. Alguns resultados já podem ser observados como a queda vertiginosa do nível de inflação, agora até abaixo da meta, controle dos gastos públicos com a imposição de limites, e a conquista de credibilidade perante os investidores internacionais. Ontem por exemplo, comentei sobre os excelentes resultados de nossas contas cambiais.

Porém, o baixo índice de aceitação do Temer sempre me deixou preocupado, como comentei aqui no Mosca diversas vezes. O “Fora Temer” era visto e ouvido em muitos eventos das mais diversas naturezas. Isso fez com que o Presidente não aparecesse publicamente. Através dos bastidores da política, sua especialidade, conseguiu conduzir as votações necessárias com bastante competência.

Recentemente, as delações da Odebrecht acarretaram dois prejuízos ao status quo: Primeiro expos a grande maioria dos políticos de todos os partidos nas operações de propina, caixa 2 e tudo o mais que não é lícito. Eu não fiquei surpreso, ou muito surpreso, afinal essa era a forma que o Brasil funcionava (ou funciona?); e segundo, deixou a população revoltada com todo e qualquer partido. PMDB, PSDB, e P qualquer coisa, é corrupto!

Do lado dos políticos seu maior objetivo no curto prazo é se livrar do Moro. Por conta disso, já se notícia acordos entre PSBD, PMDB e PT para tal fim, além das propostas que circulam na câmera com esse objetivo. Esses políticos já estão sendo odiados por quem os elegeu imaginem agora aprovar algo contra seus eleitores?

Em virtude dessas evidencias, eu cálculo que grande parte dos 70% que rejeitam Temer, resolveu juntar- se na greve geral proposta para amanhã.

Vocês devem ter notado que aderiram à greve grupos da sociedade que não teriam a menor razão para tanto, como as escolas particulares. A cada hora, um novo grupo adere. É provável que o país vá parar amanhã.

Garanto que a grande maioria das pessoas que estão condescendendo não tem a menor ideia do por que, só sabem o que se notícia nas manchetes que é ruim para todos. Se eles soubessem que 55% das despesas do governo são gastas para os aposentados, que é muito superior à saúde, educação, iriam parar para pensar. Sem entrar nos detalhes da reforma da previdência, pois é um assunto técnico, posso dizer que as regras atuais não foram atualizadas para os novos padrões de mortalidade, e privilegiam o setor público de forma absurda.

O PT oportunista como é, se aproveitou das circunstâncias para essa adesão maciça, primeiro os argumentos colocados acima e segundo o fato desta sexta-feira anteceder um feriado do dia do trabalho, na próxima segunda-feira. Afinal, quem não gosta de emendar um dia a mais sem trabalhar num feriadão?

Eu acredito que daqui em diante o governo ficará sem aprovar medidas que dependam de adesões macias dos deputados. A reforma da previdência será insuficiente, e dentro de alguns anos uma nova terá que ser proposta, isso se essa não for retirada, o que seria péssimo. Temer vai ter que dirigir a nação na segunda marcha, não dá para engatar a quarta! Parece-me que esperar juros na casa dos 8% a.a. só sobre nova direção após 2019!

A GV publicou o índice de confiança dos consumidores para o mês de março que inesperadamente reduziu- se em relação ao anterior, ficando abaixo das expectativas. Será interessante observar nos próximos meses como esse indicador irá se comportar.


Além das bolsas de valores alcançarem novos recordes, o Bitcoin também está! Eu consigo entender a lógica do porque essa moeda atingiu a cotação de US$ 1.000 em 2013, naquele momento se tinha muita desconfiança sobre a saúde da economia global. Os receios da deflação e de suas consequências atemorizavam a todos. Em seguida, caiu para US$ 200 no final de 2014. A partir de 2015 começou a subir de forma constante, só recuando quando alguma autoridade fazia alguma ameaça.

As notícias dão conta que os chineses são os responsáveis por essa alta. Não tenho como avaliar se isso é verdadeiro ou não, mas não existe uma explicação de cunho econômico que justifique.


O Ibovespa, bem como o dólar, não sofreu grande impacto em função da greve e suas possiveis consequências. As ações, mesmo tendo suportado um saque elevado por parte dos estrangeiros no mês passado, ainda se encontram próxima das máximas.  No post allez-le-bleu, fiz os seguintes comentários sobre o Ibovespa: ...” No gráfico acima apontei duas possibilidades para os próximos meses:
1)      Verde – Nesse caso o Ibovespa permaneceria contido no intervalo entre 63.000 -69.000, para depois buscar novas altas ultrapassando os 70.000. Esta situação é compatível com a nossa posição.

2)      Rosa – A correção seria mais extensa e atingiria os níveis de 61.500 ou 58.500 (mais provável). Também teria uma duração mais prolongada ”...


O Ibovespa encontra-se confinado dentro de um triângulo. Como no caso do dólar comentado nesta semana no post e-se..., triângulos tendem a romper no sentido do movimento precedente que nesse caso é para baixo como indicado em rosa.


- David, então por que você não cai fora da posição?
Sua pergunta é válida, e se usasse alguns parâmetros da análise técnica, é isso o que eu teria que fazer. Porém, algumas considerações me levam a aguardar: Primeiro que só se tem certeza que o movimento é um triângulo, e vai romper na direção esperada, depois que acontece, nesse caso o nosso stoploss está logo a seguir em 62.000 pontos; segundo os triângulos tem 1/3 de chance de romper no sentido contrário.

Se eu não tivesse posição aguardaria uma definição, porém o fato de estarmos posicionado e o mercado não ter violado meu stoploss, nos colocou nessa situação. Em todo caso, vou pensar no assunto.

O SP500 fechou a 2.388, sem alteração; o USDBRL a R$ 3,1795, com alta de 0,27%; o EURUSD a 1,0871, com queda de 0,29%; e o ouro a US$ 1.264, com queda de 0,37%.

Fique ligado!

26 de abril de 2017

Façam suas apostas


O saldo das transações correntes de março apresentou um superávit de US$ 1,4 bilhão, com isso, o déficit em 12 meses atingiu US$ 20,6 bilhões ou 1,1% do PIB. Este foi o indicador que primeiro mostrou melhora depois do Tsunami de más notícias iniciadas no final de 2013, e desde então só deu mais alegrias.

A entrada de Investimento direto alcançou um valor expressivo de US$ 7,1 bilhões, acumulando um total de US$ 85,9 bilhões, uma cifra expressiva que excede muito o déficit em transações correntes.


A balança comercial continua registrando resultados impressionantes, março não foi diferente, o superávit atingiu US$ 6,9 bilhões. O mais interessante é que esse desempenho não se deve somente ao aumento das exportações, como também, das importações, evidenciando que a economia começa a se recuperar. O saldo acumulado foi de US$ 51, 1 bilhões com uma previsão por parte da Rosenberg de U$ 60 bilhões para 2017. O gráfico a seguir mostra a pujança dessa rubrica. Espetacular!


Já a conta de serviços não apresentou grandes mudanças em relação aos últimos meses situando-se com um déficit acumulado de US$ 30 bilhões aproximadamente. O mesmo se pode dizer da conta de rendas cujo déficit continua na casa dos US$ 40 bilhões.

Os Investimentos em carteira somaram saídas líquidas de US$ 1,4 bilhão no mês e US$ 17,7 bilhões em 12 meses.  Esse resultado vem se sucedendo mês após mês, sendo que em março houve uma saída expressiva em ações de US$ 2,9 bilhões, compensado por uma entrada em renda fixa de US$ 0,8 bilhão e US$ 0,6 bilhão em fundos de investimentos. No gráfico a seguir se pode notar a inversão de tendência que ocorre a partir da metade do ano de 2014, quando os Investimentos em carteira eram uma fonte importante de financiamento de nosso déficit.


A reserva internacional mantém-se estável no nível de US$ 375 bilhões por diversos meses e mostrou ser um elemento importante nos momentos de crise. Um detalhe importante notado nas contas de março foi à diminuição dos ativos dos bancos em moeda estrangeira, e gerou em contra partida a elevação das reservas. Cálculo que a razão desse movimento se deve a diminuição do volume de swaps cambiais oferecida pelo banco central. Hoje esse estoque é inferior a US$ 20 bilhões com tendência de liquidação em breve.

A conclusão é que se fosse pedido a qualquer economista projetar os dados cambiais no passado, duvido que suas projeções, ficassem perto desses números. Talvez, se houve alguma equipe do governo antigo que não cometeu erros grosseiros foi a do banco central. É verdade que fizeram uma barbeiragem na política de juros ao derrubar a taxa SELIC sem que houvesse elementos para tanto. Mas vai saber o que a Dilma falou para o Tombini!

Na próxima sexta-feira será publicado o PIB americano. Os resultados esperados ultimamente estão bastante divergentes. O gráfico a seguir apresenta essas diferenças por três fontes distintas: O FED de Nova York, O FED de Atlanta e o consenso da  Bloomberg. Não sabemos em qual delas o resultado oficial ficará, porém, certamente se ficar mais perto do FED de Atlanta o mercado não vai gostar.


Para melhorar seu palpite estou anexando a seguir, o índice de surpresas publicado pelo Citibank. Esse índice mede o quão distante os dados publicados se distanciaram das expectativas. Se estiver subindo, os dados publicados são mais positivos que o esperado e vice-versa. Façam suas apostas!


Ontem fomos estopados na posição de ouro não gerando nenhum resultado. Mas o que aconteceu para o Mosca retroceder de um cenário tão otimista? app-sem-nota-fiscal ...” O gráfico acima mostra meu target de curto prazo em US$ 1.340. Porém, se poderia esperar mais do metal. Para explicar melhor, necessito uma imagem de mais longo prazo que se encontra logo a seguir” ...


Honestamente não muita coisa, apenas alguns dados técnicos que de acordo com minha expectativa, o ouro não deveria negociar abaixo de US$ 1.265. Como sempre nessas ocasiões, eu posso ter me precipitado e as cotações voltem a subir em seguida. Paciência, eu vou aguardar os próximos movimentos. Assim, a possibilidade de alta ainda está intacta, somente abaixo de US$ 1.200 passo a me preocupar com essa hipótese.


As linhas paralelas traçadas em azul parecem estar contendo o metal. Caso esse pequeno movimento de queda continue, será interessante observar o que acontece na parte inferior do mesmo a US$ 1.235. Pode ser que me envolva na compra caso esse nível seja atingido, aguarde os próximos posts.

O SP500 fechou a 2.387, sem variação; o USDBRL a R$ 3,1757, com alta de 0,95%; o EURUSD a 1,0903, com baixa de 0,20%; e o ouro a US$ 1.269, com alta de 0,48%.

Fique ligado!    

25 de abril de 2017

E se ...


A possibilidade de guerra entre a Coreia do Norte e os Estados Unidos recentemente aumentou. É necessário considerar que tal guerra pode acontecer. A ideia do post é de elencar várias hipóteses possíveis num eventual combate entre esses dois países.

Vou usar o termo guerra ao invés de ataques americanos em instalações nucleares e programa de mísseis norte-coreanos. Nós temos que considerar a possibilidade de resposta da Coreia do Norte e um conflito mais prolongado.

Tal guerra seria baseada na decisão da Coréia do Norte ao mover seu programa nuclear a um estágio onde os EUA e outros países concluam a possibilidade desse país estar próximo de ter ogivas nucleares.

É fato os norte-coreanos não poderem sobreviver a um conflito nuclear, difícil é entender por que eles teriam movido seu programa até este ponto.

A razão óbvia, ter um programa nuclear é utilizá-lo como um instrumento de barganha. A razão para ter uma arma nuclear seria como um impedimento a uma potência estrangeira que procura uma mudança de regime na Coreia do Norte.

O período mais perigoso para a Coreia do Norte é quando ele está perto de ter essa arma, mas ainda não a tem. Esse é o período aonde um ataque externo é mais provável.

O problema com um ataque dos EUA resume-se em 5 pontos:

·         Teria a inteligência dos EUA clareza sobre os locais críticos de instalações norte-coreanas?
·         O Presidente e seu pessoal estão confiantes na sua inteligência?
·         As instalações podem ser destruídas com armas não nucleares?
·         Os danos dos ataques podem ser bem avaliados?
·         Finalmente, mesmo que apenas uma arma - ou múltiplas armas nucleares - podem destruir as instalações, o fato de terem outras instalações a serem destruídas num segundo ataque justificam as consequências políticas? E esses ataques nucleares pelo EUA seriam justificáveis perante outros países?

Não se sabe as respostas, mas seria impensável um ataque preventivo sem uma clara intenção que a Coréia do Norte pretende atacar primeiro.

Supondo que um ataque seja bem-sucedido, a Coreia do Norte teria de enfrentar a questão de como seria a resposta. Ela teria duas opções: A mais simples seria a que vem ameaçando, de atacar cidadãos americanos nas cidades da Coréia do Norte.

Outra forma mais significativa seria a de usar uma grande concentração de artilharia, ao longo do trecho oeste da fronteira com a Coreia do Sul, para iniciar um bombardeio extremamente intenso em Seul. As vítimas e danos de tal movimento podem ser extremos, mesmo em um curto período de tempo.

Se assim for, a resposta americana provavelmente seria ataques com mísseis e ataques aéreos concebidos para destruir a artilharia da Coreia do Norte. O problema é que, se os EUA esperar para ver se a Coréia do Norte começa os ataques, esse atraso de algumas horas resultaria em perdas inaceitáveis.

Portanto, os EUA devem considerar ataques aéreos a uma área que corre ao longo da fronteira de Seul. Em outras palavras, eles devem devastar uma área extremamente extensa muito rapidamente.

O problema imediato é a defesa aérea da Coreia do Norte nesta área. Esse país possui mísseis superfície-ar (SAM), incluindo alguns considerados equivalentes ao russo S-300. Se assim for, eles estão aparelhados para atingir aeronaves a várias centenas de quilômetros do alvo.

Outra possibilidade seria um ataque terrestre para atingir a artilharia. Esse tipo de guerra, mais convencional, abre a possibilidade de inúmeras táticas com diferentes complicadores: minas que podem ser instaladas; a falta de conhecimento geográfico; sem falar na necessidade do armazenamento de mantimentos e combustível, além do deslocamento dos equipamentos e das tropas.

Pode ser que a artilharia Norte Coreana não seja tão boa como a maioria pensa. É também possível que os estrategistas americanos definam uma solução menos danosa que as expostas aqui.

Mas, o fato é que a Coreia do Norte pode perder sua capacidade nuclear, e ainda assim ter uma vitória decisiva contra os EUA ao destruir Seul e infringir perdas severas a Força Área Americana. Irá emergir com seu regime intacto e com mais credibilidade que antes.

A Coreia do Norte pode não começar o ataque, mas os EUA não sabem o que eles pretendem, e suas intenções podem mudar. Como para a melhor inteligência do mundo atacar e destruir uma concentração de SAM leva tempo, Seul não pode esperar.

Os Norte Coreanos sabem e calculam que tem uma vantagem sobre os EUA.

No post china-volta-recrescer, fiz os seguintes comentários sobre o dólar: ...” um rompimento do nível de R$ 3,06 vai abrir a porta para nós, e abaixo de R$ 3,03, escancara! Pode ser que, o dólar ainda fique por mais algum tempo em cima desse número mágico de R$ 3,11, mas não deveria ser por muito tempo” ... ...” a configuração de triângulo parece estar se formando. Não custa repetir que nessas circunstâncias (67%), o triângulo tende a romper na direção que prevalece, neste caso para baixo, e 33% em sentido inverso” ...

Nem é necessário repetir o gráfico publicado no post acima, o dólar continua confinado entre as duas linhas traçadas em verde, sem uma definição clara se irá romper para cima ou para baixo.


No post moscacoin, comentei sobre uma força estranha agindo sobre o dólar: ...” parece que existe uma região magnética ao redor da cotação de R$ 3,11; quando o dólar tende a subir, uma força empurra-o para baixo, e quando tende a cair, uma força tende a fazer subir. Até a hora que uma força maior vai levar o dólar para fora dessa zona magnética” .... Esses comentários foram feitos a mais de 30 dias e até o momento essa força parece estar agindo.

 
Como comentei acima, a maior probabilidade é que o movimento do dólar seja para baixo, porém existe também a de menor probabilidade! A situação política tem se deteriorado fazendo com que a reforma da previdência, que parecia barbada, venha encontrando dificuldades. Só nos resta saber se vai dar o resultado esperado para o dólar nessas situações ou a zebra!

O SP500 fechou a 2.388, com alta de 0,61%; o USDBRL a R$ 3,1478, com queda de 0,67%; o EURUSD a 1,0935, com alta de 0,62%; e o ouro a US$ 1.262, com baixa de 0,91%. Esse fechamento acionou o stop da nossa posição.
Fique ligado!

24 de abril de 2017

Ufa!


Como é conhecimento de todos, as eleições na França correram conforme as expectativas das pesquisas. Os mercados recentemente cansados de más notícias nesse front respiraram aliviados. Ufa! Com uma vantagem mínima de 3 %, Macron ficou à frente de sua oponente Marie Le Pen. A maioria dos candidatos perdedores se juntaram ao primeiro candidato, com exceção de Melechon candidato de extrema esquerda que preferiu não se juntar a ninguém. O mesmo obteve uma votação substancial de aproximadamente 20% do eleitorado.

Os mercados abriram com muito otimismo, o euro chegou a subir 2%, as bolsas europeias operam com altas superiores a 3%, e principalmente os títulos franceses se valorizaram vis-à-vis os alemães. Todo esse otimismo é justificado pela ampla maioria que Macron obtém nas pesquisas para o segundo turno, com uma margem de 20% acima de Le Pen. No site de apostas sua probabilidade se encontra em 85%.

Eu não sou um entendido em política e muito menos em pesquisas de voto, mas posso dizer que fiquei surpreso com a reação tão otimista do mercado. Consigo entender que depois de tantas surpresas negativas, o fato de ter dado a lógica causou um grande alívio. Mas será que esses resultados são suficientes para relaxar? Um primeiro fator de preocupação deve se ao fato dos votos estarem praticamente divididos entre os 4 candidatos. Isso resulta num fato curioso onde a soma de Macron e Le Pen é inferior a 50%.

O espectro desses candidatos é novidade para os franceses, o partido do governo obteve meros 6% dos votos, isso já dá uma ideia de como estão insatisfeitos. Outro fator é que, Macron foi Ministro das Finanças de Françoise Hollande, e isso deverá ser usado pela sua oponente.

A busca pelos votos desses outros 50% será grande nas próximas 2 semanas e qualquer que seja o candidato que vença, o mesmo terá somente 25% de eleitores que suportam sua campanha. Com isso, quero enfatizar que mudanças radicais, e a França vai precisar muito, principalmente em suas leis trabalhistas, será muito difícil de serem inseridas. Não sei se esse alívio dos mercados hoje se sustentara mais adiante. Não podemos nos esquecer das eleições que acontecerão na Itália, e que preocupam até mais que a atual francesa.

O Presidente do banco central Suíço no último domingo, deu uma entrevista dizendo estar pronto a intervir no mercado de câmbio caso o franco suíço sofresse uma grande valorização. Só para relembrar alguns dos movimentos desse banco central, depois de 2008 o franco suíço foi identificado com um porto seguro. A partir daí atingiu uma valorização de 40% num espaço de 3 anos. Em agosto de 2011, a autoridade monetária resolveu colocar um piso de 1,20 contra o euro atuando na compra toda vez que se aproximava desse nível. Depois de mais de 3 anos tendo que sustentar essa cotação, em janeiro de 2015 resolveu abandonar o piso. Naquele dia, o franco suíço subiu mais de 30%, originado por enormes ordens de stoploss. Desde então o banco central suíço atua esporadicamente.

Mas todas essas trapalhadas da autoridade Suíça, que imaginava ter o poder de desinteressar esses investidores, não foi bem-sucedida. Como consequência, foi “obrigado” a comprar euros. O gráfico a seguir não deixa dúvidas do volume extraordinário, considerando o tamanho da economia suíça.


Como contrapartida sua base monetária explodiu na mesma proporção, como se nota a seguir. Como ele poderá sair dessa enrascada? Uma hipótese seria a economia europeia ganhar tração e os investidores ficarem mais confiantes na Europa. A taxa de juros subiria, levando-os a venderem suas posições de franco suíço. Como diria Garrincha, só falta combinar com os alemães, provavelmente os maiores detentores.

Enquanto isso, veja a posição atualizada das intervenções dos principais bancos centrais através da injeção de moeda. Ao refletir sobre esse dado, imagino quando o FED retirar recursos do mercado, enquanto os outros BC’s aumentem ou fiquem estáticos com os volumes atuais. O dólar deveria subir bastante, indo contra os desejos de Trump. Esse é um assunto muito delicado que o mundo vivenciara nos próximos anos.


No post Trump-só-late, fiz os seguintes comentários sobre o euro: ...” ou o euro ainda se encontra numa correção complexa que o levaria até o nível mínimo de 1,095/1,10, e que se rompido poderia chegar até 1,13 (verde); ou o movimento de queda mais de longo prazo já se encontra em curso (azul) ” ...


...” acredito que o euro está aguardando as eleições francesas para definir seu rumo. Os gráficos mostram essa indefinição, onde se pode verificar abaixo nas duas linhas cinza. Se por um lado a vitória de Marie Le Pen deveria levar o euro a novas baixas, a vitória de Macron impulsionaria a moeda única para cima, corroborada pelos últimos resultados econômicos mais animadores da Europa”.... Os mercados se encontram acima da linha cinza indicada abaixo.


- David, seu gráfico mais parece uma arvore de Natal!
Boa, está confuso mesmo. O motivo é que eu estou testando novos parâmetros técnicos. Mas não se atente a tudo isso, eu apresento os gráficos para quem for seguidor de análise técnica, entender meu raciocínio. Para os outros leitores, baseiem-se somente nos níveis. Bem, o que vamos fazer? Primeiro, antes de mais nada, subir o stoploss 1,065, em seguida deixar uma ordem de venda da metade da posição a 1,0950.

Eu acredito que caso o euro continue subindo, ao atingir o nível de 1,10 será uma grande batalha, entre os céticos e os novos otimistas. Como a quantidade dos primeiros é superior, uma rodada de stoploss poderia levar o euro até 1,13, relativamente rápido. É por essa razão que não liquido tudo no nível acima proposto acima. Let´s the market speak!


O SP500 fechou a 2.374, com alta de 1,08%; o USDBRL a R$ 3,1247, com queda de 0,72%; o EURUSD a 1,0867, com alta de 1,31%; e o ouro a US$ 1.275, com queda de 0,68%.
Fique ligado!

20 de abril de 2017

Allez le bleu!


Na véspera de feriado de Tiradentes, o evento mais importante será o resultado das eleições francesas no próximo domingo. Nessa última semana, houve uma acomodação nos mercados europeus acarretando uma leve alta na moeda única. Como deverá acontecer o segundo turno, só existe uma combinação que levaria os investidores à loucura: Marie Le Pen x Melechon, a primeira de extrema direita e o segundo de extrema esquerda.

Mas não parece ser esta a combinação esperada pelos mercados, o mais provável seria Le Pen x Macron. Se isso se concretizar as atenções se voltarão ao segundo turno, que será logo na sequência, dia 7 de maio.

O mercado depois de sucessivas surpresas contrárias ao que indicavam as pesquisas, prefere aguardar o resultado. Allez le blue!

Hoje o Mosca será mais enxuto em virtude do feriado. Vamos começar com algumas informações sobre a economia americana que no mínimo deu uma engasgada nesse primeiro trimestre. Isso se pode verificar no índice de surpresas publicado pelo Citibank. Esse índice é construído com o objetivo de avaliar se a previsão do mercado em relação aos dados econômicos, comparado com os dados publicados, foram melhores ou piores. Assim, um resultado próximo de zero indica uma coincidência entre ambos, se positivo melhores, e se negativo piores.


Como consequência direta, o mercado já está apostando somente em mais uma alta de juros até o final do ano. Lembrem-se que semanas atrás a tendência era de três altas de 0,25% para o ano de 2017.

 
O próximo gráfico é interessante pois exibe como se comportou a economia americana depois de várias recessões. Notem que a atual, em azul claro, é a pior de todas. Outro fator negativo é que esta é uma das mais extensas em termos de prazo.


Porém, os economistas do Bank of America acreditam que a estagnação vivida no mundo desde o final da Segunda Guerra Mundial está no final, onde as principais economias estariam entrando num novo ciclo de alta do PIB. Só não disse as razões para esse otimismo, ou será que academicamente parece fazer sentido?


No post  estragaram-festa, fiz os seguintes comentários sobre o Ibovespa: ...” Acima do nível de 67.000 nós ganhamos mais alento, mas mesmo assim não solte rojões é preciso ultrapassar os 70.000, pois a correção pode ainda demorar mais tempo, e não ter terminado, como eu gostaria” .... Tracei também um cenário onde nossa bolsa poderia ficar confinada num intervalo por alguns meses: ...” O gráfico a seguir sugere um movimento de correção denominado de triângulo que manteria os preços contidos entre 63.000 e 69.000 por um tempo. Apontei também que poderia se encerrar por volta de junho/julho, onde voltaria a subir” ...


Vocês têm acompanhado as revelações dos executivos da Odebrecht. Realmente não sei o que é mais preciso para colocar Lula e sua corriola na cadeia. Usando o seu raciocínio (lula), que é tudo mentira, qualquer pessoa conclui que houve muita criatividade dos delatores. Bota muita! Sugiro a esses executivos que estão sem emprego, a se dedicarem a carreira de escritor, seus futuros livros de romance e suspense, venderiam muito! Hahaha .... Só um psicopata para encenar com tanta convicção inúmeras mentiras.

Brasília está num polvoroso, não escapa ninguém. Imagino que o foco dos políticos seja como não virar réu. Sendo assim, estão pressionando o governo para que faça alguma coisa no intuito de salvar sua pele. Como contrapartida aprovariam o projeto de reforma da previdência. E é essa dúvida que começa a pesar sobre os ativos brasileiros. Por enquanto, nada significativo, porém esse passa a ser o foco.


No gráfico acima apontei duas possibilidades para os próximos meses:
1)      Verde – Nesse caso o Ibovespa permaneceria contido no intervalo entre 63.000 -69.000, para depois buscar novas altas ultrapassando os 70.000. Esta situação é compatível com a nossa posição.

2)      Rosa – A correção seria mais extensa e atingiria os níveis de 61.500 ou 58.500 (mais provável). Também teria uma duração mais prolongada.


Estamos com uma posição comprada. Quando ela foi realizada, a hipótese de retração estava baseada no cenário 1. Com o decorrer do tempo, o cenário 2 foi ganhando mais consistência e agora é tão provável quanto o anterior. Nosso stoploss é de 62.000, em último caso seremos executados, paciência! 

As 14:30 hs os mercados estavam: O SP500 a 2.356, com alta de 0,80%; o USDBRL a R$ 3,1629, com alta de 0,33%; o EURUSD a 1,0739, com alta de 0,28%; e o ouro a US$ 1.281, com alta de 0,23%.
Fique ligado!

19 de abril de 2017

A inércia Financeira


Depois de navegarem no território inexplorado da flexibilização quantitativa, os bancos centrais do mundo estão começando a planejar seu curso através das águas desconhecidas do aperto quantitativo.

Como o FED, o Banco Central Europeu e, eventualmente, o Banco do Japão podem lidar com a transição e fazer a diferença entre uma reativação global, da ocorrida em 2013, ou a resposta do mercado quase indetectável, ao declínio da posição de títulos americanos detidos pela China, nos últimos anos. Combinados, os balanços dos três agora totalizam cerca de US $ 13 trilhões, o que equivale a mais do que a economia da China ou da região do euro.


..."Você sabe o que eles dizem sobre a escalada da montanha da liquidez? A descida é sempre mais perigosa do que a subida"..., disse Stephen Jen, executivo-chefe do hedge Fund Eurizon ..."Reduzir o balanço será a descida da montanha"....

Economistas e investidores estão intensificando a análise das implicações referente a contração do balanço dos bancos centrais, depois que as minutas do FED mostraram que os diretores estão a favor de iniciarem o processo de redução já no final desse ano.

Enquanto o BOJ parece estar a alguma distância de diminuir seu balanço, o governador Haruhiko Kuroda disse que esta é uma das tarefas que o BOJ enfrentará quando sair de suas políticas de flexibilização monetária. Isso somente aconteceria depois que a inflação exceder 2%, onde as previsões do BOJ projetam para algum dia em seu ano fiscal que começa em abril 2018.

O balanço do BCE continuará a crescer até pelo menos o final deste ano e não é susceptível de encolher até bem depois que acabar com as compras de ativos. Qualquer discussão sobre quando começara a encolher, parece estar a alguma distância.

Uma chave desconhecida é como a economia global, fortemente endividada, pode lidar com o aumento das taxas de juros, que provavelmente resultarão da retirada de estímulos. À medida que os bancos centrais diminuem seus balanços, irão aumentar a pressão de venda sobre títulos com prazo mais longo, e efetivamente aumentar os custos de empréstimos. Obter o equilíbrio certo não será fácil.

..."Na prática, o FOMC provavelmente terá de determinar o nível terminal apropriado do balanço patrimonial através da experiência e observação do funcionamento do mercado, a medida que diminui gradualmente"..., disse David Mericle, economista do Goldman Sachs.

Os três principais bancos centrais das maiores economias desenvolvidas usaram os títulos do governo como um importante recurso para a expansão monetária. O FED também acumulou quase um quarto dos títulos hipotecários vendidos por agências ligadas ao governo no último ano.

 
O plano de jogo atual do FED é começar o decréscimo do balanço através do vencimento dos títulos em sua carteira. O banco central terá US$ 426 bilhões em títulos do Tesouro em 2018 e outros US$ 357 bilhões em 2019.

Em janeiro deste ano, Bernanke argumentou que é mais fácil para o FED aumentar ou reduzir os custos de empréstimos usando a taxa que paga aos bancos comerciais por suas reservas, do que, seria retornar aos dias pré-crise e adicionar ou subtrair quantidades marginais de fundos no mercado interbancário.

Mas existe um fator humano envolvido nessa situação. É sabido que as pessoas têm grande dificuldade em realizar mudanças principalmente quando essas mudanças podem significar resultados incertos. No movimento inicial, quando uma crise deflacionária batia ás portas do mundo, injetar quantias enormes de recursos parecia um risco pequenos vis-à-vis permanecer inerte. Na pior das hipóteses a inflação poderia subir, o que não seria nada mal naquela situação.

Agora a decisão não é tão simples. Os EUA é o país mais próximo de se movimentar nesse sentido haja visto a recente recuperação da economia. Se o FED decide engradar por esse caminho que implicara em condições financeiras mais apertadas, corre o risco de abortar o crescimento e se colocar novamente na posição de baixar os juros e injetar liquidez. Nesse cenário, os mercados ficarão muito céticos e provavelmente apostariam que não daria certo, jogando a bolsa e o dólar para baixo. Como contrapartida, os juros dos títulos longos tenderiam a subir, pela falta de credibilidade da autoridade monetária. Em resumo, um desastre!

Sendo assim, eu acredito que esse processo será empurrado com a barriga o máximo possível. Outro fator que poderia complicar ainda mais, seria a mudança de comando do FED quando a professora Yellen terminar seu mandato, no início de 2018. A inércia financeira deverá prevalecer.

No post a-lista-de-aprovados, fiz os seguintes comentários sobre os juros de 10 anos: ... “os objetivos são de 2,22 % a.a. e, se rompido 2,10%. Acredito que esse último possa ser o mais provável, em função de outros parâmetros analisados. Só depois disso as taxas deveriam começar a subir” ... ...” as cotações estarão encostando novamente nessa reta num movimento denominado de “Last Kiss”...


E acabou acontecendo ontem, os juros atingiram a mínima de 2,16% e agora se encontra a 2,20%. Chegou a hora de apostar numa alta? Talvez, mas ainda não estou muito convencido. Vocês devem lembrar do alerta que fiz sobre uma onda falha neste caso, no post Atlanta-x-Nova-York. Em função dessa hipótese o mercado de juros não estaria preparado para buscar novas altas já, é possível que deva passar um período numa correção.


O gráfico acima ilustra uma das hipóteses de correção que poderá ocorrer. Sem se importar com sua configuração, vou me ater aos níveis. Eles indicam uma reversão possível a 2,15% ou 2,0%. Em correções muito cuidado é pouco, o que se pode traduzir como coloque seu trade somente em níveis que apresente um bom risco x retorno. No caso específico usaria os parâmetros indicado no início do parágrafo.


Poderia aproveitar uma eventual queda no curtíssimo prazo, ao redor de 2,15%, para buscar uma alta potencial entre 2,35%/2,45%. Não sei se vou sugerir no post, mais fica minha indicação. Usaria um stoploss bastante curto de 2,05%, seria um tiro curto. Em todo caso, minha sugestão de compra deverá surgir mais a frente, provavelmente no início do 2º semestre.

O SP500 fechou a 2.338, com queda de 0,17%; o USDBRL a R$ 3,1494, com alta de 1,36%; o EURUSD a 1,0710, com queda de 0,20%; e o ouro a US$ 1.279, com queda de 0,79%.
Fique ligado!

18 de abril de 2017

App: "sem nota fiscal"


Um dos subprodutos da operação lavajato foi a popularização das delações premiadas. Essa expressão, do âmbito jurídico, oferece um benefício legal concedido a um réu em uma ação penal e que aceite colaborar na investigação criminal ou entregar seus companheiros. Como recompensa, o juiz poderá reduzir a pena do réu quando este for julgado.

A última delação do qual tomamos ciência foi dos funcionários da Odebrecht juntamente com seus principais acionistas, Marcelo e Emílio Odebrecht; que jogou muita m&rd@ no ventilador, coloquialmente falando. Hoje a Folha de São Paulo notícia que Antonio Palocci deu o primeiro passo para sua delação premiada. Seus principais temas seriam as empresas do sistema financeiro, como bancos, além de conglomerados que não integram grupos de empreiteiras.

E, tal qual o fogo se espalha na gasolina, cada delação corresponderia a uma nova quantidade de réus que, por sua vez, fariam novas delações; exatamente como aqueles esquemas de pirâmides, ou Esquema Ponzi, como são conhecidos. Seriam tantas as delações que as mesmas teriam que ter uma classificação: delação Premium, Gold, Platinum ...

Porém, a delação premiada poderia ser estendida de outra forma. Quem delata não seria necessariamente réu em uma ação penal. Para tanto, no resultado de sua delação obtido pelo tesouro, participaria com um prêmio de performance.

Quem já não contratou algum serviço sem nota fiscal? Ou pagou uma “caixinha” para obter algum benefício? Assim, podemos projetar que, de denuncia em denúncia, não vai sobrar nenhum um cidadão brasileiro que não teria seu nome em alguma lista de delação.

Surge então uma grande ideia, por que não lançar um aplicativo para celular onde se listaria o CPF ou CNPJ de quem realiza o ato ilícito? Não sei, mas a Google teria que dobrar sua capacidade de armazenamento! Hahaha .... Outro ramo que estaria garantido um crescimento por vários anos seria a profissão de advogado, mais uma ideia de aplicativo “advogado on line”.

Depois desse exercício de futurologia, cujo raciocínio leva a situações absurdas, em função da cultura enraizada no Brasil, será possível imaginar que os brasileiros se tornarão éticos e os casos de corrupção tenderão a exceções, com elevadas penalidades? Sou um pouco cético, mas não parece difícil supor que casos como o da lavajato tenderão a marginalidade. Os empresários fazem conta e, se o custo marginal de conquistar um benefício superar o lucro implícito nesse negócio, não irão arriscar.

Mas isso vale no atacado, será que o mesmo irá acontecer a varejo? Vamos pedir Nota Fiscal do andador de cachorros? Parece que demoraria muito tempo, e aí que entra minha ideia do aplicativo. Se de uma forma simples as pessoas puderem apontar as irregularidades, contabilizando parte em benefício próprio, e os prestadores de serviço souberem que com um click poderão ter que pagar uma multa elevada, será que não haveria uma aceleração no processo?

Para quem se interessar pela ideia já posso sugerir até um nome do App: “sem nota fiscal”! Hahaha ...

Mas, o grande desafio nesse campo recai sobre uma tendência que se acelera no mundo e deverá desembarcar aqui no futuro, os robôs. Será que até eles fariam um precinho mais camarada para um serviço sem nota? Hahaha .... A tabela abaixo aponta qual a percentagem de empregos que estarão em risco pela sua substituição por robôs.


A introdução dessa nova tecnologia afetara cada área de atuação da economia americana conforme figura abaixo. Notem, o próximo segmento onde se projeta uma grande penetração seria a agricultura que contrata grande parcela de mão de obra sem qualificação, e por isso poderia ter um impacto nocivo para países emergentes.

 
Uma boa notícia que acabou sendo esquecida nesse ambiente de delações e acusações que estamos vivendo, foi a publicação do nível de vendas a varejo no Brasil. Parece que o pior já passou e daqui em diante podemos esperar uma melhora gradual da economia. Agora, é importante frisar que basta a reforma da Previdência engasgar que entraríamos num buraco negro.


Estamos a poucos dias das eleições francesas cuja definição parece incerta. O que parece não haver dúvida é que os franceses votarão em 2º turno, a dúvida fica para quem contra quem. O euro vem recuperando algum espaço nos últimos dias, depois de se noticiar que muitos investidores fizeram operações de proteção de suas carteiras através de compras de opções de venda de euro.

Nós mantemos uma posição comprada já algum tempo e até o momento não fomos executados em nosso stoploss. Agora, não teria muito a complementar do que foi dito no post trump-só-late, assim, preferi comentar sobre o ouro, outro ativo que mantenho posição.

No post é-bom-ser-devedor, fiz os seguintes comentários sobre o ouro: ...”  Se o ouro continuar a subindo e não tocar no US$ 1.230, ao romper US$ 1.265 no fechamento, fica acionado a compra com um stop a US$ 1.230” .... Ontem o metal de aproximou dos US$ 1.300, atingindo a máxima de US$ 1.295. O que podemos esperar dessa posição?


O gráfico acima mostra meu target de curto prazo em US$ 1.340. Porém, se poderia esperar mais do metal. Para explicar melhor, necessito uma imagem de mais longo prazo que se encontra logo a seguir.


Para que novos níveis sejam conquistados, é condição necessária que o ouro ultrapasse US$ 1.370, conforme frisei no gráfico acima. Depois disso, o primeiro target que se visiona é US$ 1.450 e que se ultrapassado levaria a US$ 1.650.

Num mundo onde a volatilidade se encontra tão baixa, colocar um objetivo de 28% entre o preço atual e o nível acima, parece uma loucura. Por sinal, as vezes me vejo pensando o que teria feito as oscilações ficarem tão baixas. Tenho algumas suspeitas: Injeção de recursos pelos bancos centrais; facilidade de investir em qualquer ativo (ETF’s); disponibilidade de atuação para qualquer investidor em qualquer local que esteja; notícias disponíveis instantaneamente; dentre outras. Não tenho a resposta e não sei se alguém a tem.

Voltando ao ouro, dentro das previsões para 2017, o Mosca tinha dúvidas se a mínima de US$ 1.100 já era uma reversão de tendência de queda do ouro. Outro objetivo a US$ 900 também era factível naquele momento. Mas, algo que eu estava buscando era um ponto de compra. Até o momento a dúvida de mínimo não posso eliminar, porém é natural que a cada conquista de espaço fique mais provável que estamos numa reversão do movimento de baixa.


Mas, olhando de hoje, tudo não passa de conjecturas; o importante é ir acompanhando passo a passo. Aproveito para elevar o stoploss para US$ 1.265, e vamos observar se o ouro continua subindo.

O SP500 fechou a 2.342, com queda de 0,29%; o USDBRL a R$ 3,1103, com alta de 0,42%; o EURUSD a 1,0730, com alta de 0,86%; e o ouro a US$ 1.290, com alta de 0,45%.
Fique ligado!