Inflação: A Revanche

23 de fevereiro de 2017

Devemos acreditar no FED?


Ontem foi o dia dos bancos centrais, aqui no Brasil, o BCB reduziu a taxa SELIC em 0,75% como era amplamente esperado, e nos EUA foi disponibilizado a ata da última reunião do FOMC. Vamos começar pelo mais próximo.

O BCB tem sido muito criticado pela forma como vem reduzindo os juros. Nos últimos 6 meses, a política monetária foi contemplada por várias conquistas, das quais faço uma breve lista:

·         O governo Temer está se saindo melhor que a encomenda, conseguiu aprovar tudo o que queria, além de propor grande parte das mudanças necessárias;
·         O real se apreciou significativamente e encontra-se nas menores cotações dos últimos 2 anos;
·         A inflação retrocedeu de maneira generalizada, embora os alimentos foi o que mais contribuiu;
·         O risco Brasil no exterior se encontra em níveis pré-crise brasileira.


E por que será que a autoridade monetária está tão lenta?  Algo que não é visível para as pessoas comuns é o efeito das taxas de juros espelhadas nos contratos futuros. Por exemplo, um título com vencimento em 2020 pré-fixado é cotado ao redor de 10% a.a. As operações de empréstimo seguem esse parâmetro, assim a queda dos juros já tem efeitos imediatos, mesmo que a taxa SELIC ainda seja superior.

Mesmo assim isso não justifica a dúvida acima, pois a grande parte das dívidas são indexadas ao DI, um derivado da taxa SELIC. Excesso de conservadorismo?

Ao observar o conteúdo do comunicado, o BCB destaca alguns pontos que considera importante para eventualmente acelerar as quedas: Aprovação e implementação das reformas (dá grande ênfase para esse ponto); dependência das estimativas da taxa de juros estrutural da economia brasileira (grande debate sobre esse item); evolução da atividade econômica.

O primeiro item não depende deles e já tem um cronograma esperado, não se deve esperar nada antes de maio, o segundo é uma discussão teórica e demorada, para mim uma “pista” falsa, e o último, espera-se que a atividade econômica comece a recuperar em seguida.


As próximas reuniões serão 12/04 e 31/05. A não ser que a reforma da previdência já tenha passado ou próxima de passar, o que parece improvável, o mais razoável seria supor uma aceleração da queda para a reunião de maio, quando provavelmente esse item já estará resolvido. Uma outra hipótese seria a atividade econômica piorar daqui até abril. Nesse caso, deveria agir prontamente em abril.

O mercado abriu em leve queda hoje, onde se precifica uma probabilidade de 50% em abril e 50% em maio. Conforme anotado na tabela abaixo. Justo!




Já o FED emitiu o sinal mais forte que poderá elevar os juros mais cedo quanto o próximo mês. Na minuta publicada ontem citou a melhora da economia, bem como a possibilidade do aumento de gastos e menor taxação das empresas, indicadas pela equipe de Trump.

Embora o mercado tenha desconsiderado essas mensagens, a linguagem indica que os banco central poderá adotar um caminho mais agressivo no curso deste ano. Eles disseram que, podem elevar os juros “fairly soon”.

Depois dessa reunião vários membros se mostram propensos a uma alta de juros já na próxima reunião, como mencionado algumas dessas opiniões no post de ontem. O diretor do FED, Jerome Powell disse ontem que uma alta dos juros foi colocada na mesa na última reunião, repercutindo sobre o que foi colocado por Neel Kashkari (conforme relatei no post de ontem).

Os mercados continuam achando pouco provável a alta em março, para vocês terem uma ideia, no dia anterior a divulgação da ata, a probablidade estava em 22%, ontem girava ao redor de 18%.  Segundo a Wall Street Journal, sob portas fechadas, os membros estariam preparando os fundamentos para elevar a taxa de juros.

Mas se abstendo da discussão no curto prazo sobre quando e quantas altas serão implementadas, fico pensando como estará o FED daqui há um ano. No período de campanha, diversas vezes o Presidente Trump criticou o FED e sua Presidente, indicando que ela estaria na lista a ser fired. Mas desde que assumiu, não disse uma palavra sobre esse assunto, será que mudou de ideia? Não acredito, parece que não é sua prioridade no momento, está mais voltado a ações que lhe trarão mais benefícios.

Eu considero provável que tanto Yellen, como alguns diretores já não deverão estar no Comitê do FOMC, no próximo ano, e dependendo de quem será escolhido como futuro Presidente alguns outros poderão pedir demissão. Desta forma, não temos a menor ideia de como pensa essa futura equipe, a única pista seriam menções de Trump sobre o assunto onde considerou os juros extremamente baixos. O extremante deve ser considerado com um certo grau de parcimônia, pois Trump adora usar adjetivos fortes em seus discursos.

Com isso em mente, o título do post de hoje tem dupla interpretação: Podemos confiar nas palavras atuais do FED que desta vez vai fazer o que diz? Na próxima reunião, quando forem publicadas as “bolinhas” com as projeções individuais de cada participante sobre o nível dos juros no futuro, é para valer, ou uma nova equipe vai jogá-las no lixo?

No post esqueceram-mesmo-de-mim, fiz os seguintes comentários sobre o Ibovespa: ... ao observar meus indicadores, e sem entrar nos detalhes, o resumo é que a bolsa deveria subir, mas são necessárias que algumas condições sejam satisfeitas, a principal é que o índice ultrapasse os 68.000, e que não retorne abaixo de 63.000” .... Desde aquela data, a bolsa vem subindo não com tanto ímpeto, mas continua, embora nos últimos dias resolveu encasquetar ao redor dos 68.000. Acho que não vou mais publicar os níveis crucias, assim o mercado não sabe a previsão do Mosca e paramos de sofrer! Hahaha ...

Hoje fiz uma radiografia mais detalhada desse ativo e não encontrei nada de errado, a única coisa que noto é um certo “cansaço”, essas situações anunciam uma correção mais adiante. Mas também naquele momento, em que escrevi o post, já tinha alertado sobre isso: ...” eu imagino um primeiro objetivo será entre 74.000/77.000, algo como 12% a 14% de alta. Quero ressaltar que existem sinais indicando que uma correção deveria ocorrer em breve. Por enquanto, mantemos o rumo e ajusto o stoploss levemente para 63.000” ...

Não tenho nada a acrescentar sobre os objetivos nem sobre o stoploss, mas quero deixar os leitores preparados para uma correção, e caso aconteça, pode ser uma boa oportunidade para quem não entrou. Um outro ponto que chamou minha atenção, será na dificuldade de o mercado romper o nível de 73.000. Veja os motivos abaixo.


Esse nível é simplesmente é o máximo histórico do Ibovespa, atingido em longínquo maio de 2008 e novamente em novembro de 2010. Se o índice chegar lá se preparem. Outra coisa importantíssima que não pode ser esquecida, é crucial que o Ibovespa passe essa marca, para se almejar novas altas, tais como os objetivos que tracei no final do ano passado no post SP500-céu-azul, denominado de Let´s go, cuja previsão é de 105.000.

Todos sabem que escrevo o post pela manhã, e naquele momento o Ibovespa chegou a subir 1,5%, mas agora de tarde, uma onda de vendas se acelerou e o índice encontra-se nas mínimas com queda de 1,68%. Garanto que não vazou nada deste post a ninguém, mas é incrível a coincidência!

- Opa David, vou comprar então agora, você mesmo disse para aproveitar essas oportunidades.
Amigo, devagar! Não faça nada no momento, aguarde mais informações.

Amanhã não haverá publicação do Mosca, vou viajar cedo para talvez não pegar trânsito, volto na próxima quarta-feira. Bom Carnaval!


O SP500 fechou a 2.363, sem alteração; o USDBRL a R$ 3,0590, com queda de 0,13%; o EURUSD a 1,0576; e o ouro a US$ 1.249, com alta de 0,89%.
Fique ligado!

22 de fevereiro de 2017

Alíquota alta - imposto baixo


Uma das promessas de Donald Trump de diminuir os impostos, pode ter um resultado duvidoso, e menor que o imaginado. As alíquotas de impostos cobradas nos EUA são uma das mais elevadas dos países desenvolvidos, porém as receitas provenientes dessa cobrança são baixas, quando relacionadas ao PIB, como se pode notar no gráfico abaixo.


A razão é que as regras de tributação são incrivelmente complexas e tendem a favorecer as grandes companhias com significativa presença no exterior. Elas podem pagar consultoria de empresas especializadas, afim de, gerar alternativas fiscais mais eficientes. Já as pequenas e médias empresas acabam pagando o percentual maior dos impostos, como acaba acontecendo na maioria os países.

O JP Morgan calculou qual seria a taxa real paga por todas as empresas considerando vários tipos de deduções. Chegou à conclusão que, de uma alíquota de 35%, ao final se reduz à metade, aproximadamente 18%. Como comentado acima, essa média não se aplica de forma uniforme, as grandes devem ter uma alíquota muito inferior para compensar as pequenas e médias que pagam praticamente na alíquota máxima.


Ontem 3 membros do FED fizeram afirmações distintas sobre o que acreditam ser necessário em termos de juros para esse ano. Neel Kashkari advogou que não são necessários 3 aumentos de juros. A razão é que considera ainda especulativo o que o novo Presidente vai aprovar em termos de gastos com infraestrutura; Patrick Harker, acredita que 3 aumentos são bons, assumindo que as coisas se mantenham como estão; e John Williams, alerta que existe maior risco de instabilidade financeira quando as taxas de juros são baixas. Deve ser muito divertido assistir uma reunião do FOMC. Se esses membros espelham um pouco o ambiente dentro do FED, posso concluir que não existe um consenso, e, por conseguinte, eles não têm a menor ideia do que fazer!

As bolsas têm subido em todas as partes do mundo, o fluxo destinado a esses mercados ganharam um impulso depois do resultado das eleições nos EUA. O gráfico a seguir mostra a entrada de recursos para os países maduros e emergentes. A diferença é enorme entre eles, o que poderia ser uma boa notícia para o Brasil, caso esse movimento continue.


A empresa de Consultoria BMI construiu uma figura para identificar em que estágio cada pais emergente se encontra. Duas conclusões se podem tirar, primeiro que o Brasil está num ponto interessante do ciclo, portanto, deveria atrair muito capital para investimentos, enquanto a China já ultrapassou seu pico e está numa fase declinante.

 
Uma outra métrica seria qual o nível de endividamento em relação ao PIB e como andam o nível do CDS – Credit Default Swap, uma medida da qualidade desses créditos (quanto menor mais barato o país se financia). Supreendentemente, embora a dívida só tenha crescido, o CDS vem retorcendo, e hoje estão nos menores níveis.


No post snapchat-vale-ou-não-vale, fiz os seguintes comentários sobre os juros de 10 anos: ...” A primeira hipótese se enquadra em meu cenário abaixo, onde teremos a oportunidade de fazer o trade no nível de 2,22% a.a. – azul, já a segunda o movimento de alta estaria em curso. Nesse caso, deveríamos modificar o ponto de entrada, que será superior, provavelmente a 2,60% a.a.” ... ...” ao acrescentar um rabisco ao gráfico. Eu simplesmente quis explicitar que em correções não dá para saber qual será o movimento, o que se tem que atentar são os níveis” ...

Ao observar mais alguns dias, notei que existe uma boa chance de estar se formando um triângulo. Do ponto de vista técnico, é uma das configurações esperada nessa situação. Sendo assim, sugiro entrar com ½ da posição nos níveis atuais de 2,41%, com um stop a 2,30% a.a.


Antes que meu amigo pergunte, esse trade não elimina o que está pendente: ... ” Ao redor de 2,22% a.a. os juros deveriam reverter a queda, para começar um novo ciclo de alta. Como stoploss vou fixar 1,95%” ... O trade proposto hoje é uma aposta no triângulo, essa é a razão de um stoploss tão “justo”. Só para efeitos ilustrativos, caso não tenhamos sucesso, o prejuízo será de aproximadamente 0,40%. Caso contrário, minhas projeções de alta são 2,90%, depois 3,05 % (meu preferido) e por último 3,20%.


O SP500 fechou a 2.362, com queda de 0,11%; o USDBRL a R$ 3,0630, com queda de 1,03%; o EURUSD a 1,0566, com alta de 0,29%; e o ouro a US$ 1.238, com alta de 0,18%.
Fique ligado!

21 de fevereiro de 2017

Deutsche - Euro


Hoje foram publicados os PMI da Europa calculados pela Markit economics. O resultado ficou em 56.0. Essa melhora, vem em linha ao que se observa em outros cantos do mundo. Esse resultado projeta um crescimento agregado do PIB da região em 0,6% no trimestre. Os economistas esperavam um resultado de 54.3. O fluxo de novas ordens e o avanço do otimismo apontam para uma expansão superior nos meses a seguir.


Ao interpretar esse último dado, que coloca a expansão europeia próxima das máximas dos últimos 6 anos, o BCE poderá ter que alterar sua política monetária, que atualmente projeta nova injeção de recursos para os próximos meses. O seu Presidente, Mini Mário, novo apelido dado pelo Mosca haja visto sua demora em reagir as evidências, poderá ficar behind the curve, como se denomina essa situação, quando um determinado banco central demora a reagir.

O relatório elaborado pela Markit aponta que a diferença entre as recuperações da França e Alemanha foram os preços. Enquanto ambas tiveram elevações nos preços das matérias primas, as maiores desde 2011, as empresas francesas não repassaram aos consumidores enquanto as alemãs o fizeram.

Porém nem tudo é um mar de rosas na região. Em abril acontece o primeiro turno das eleições para Presidente na França, e lentamente a candidata de extrema direita, Marie Le Pen, se aproxima dos outros dois candidatos, François Filon e Emmanuel Macron. Os gráficos a seguir dão uma ideia de como essa eleição deverá ser polarizada.





O mercado já se encontra escaldado com os últimos eventos, onde as pesquisas indicavam um resultado e acabou acontecendo ao contrário. O Credit Suisse apresentou uma comparação entre a situação que antecede essa eleição comparadas ao Brexit e a vitória do Trump, indicando que a probabilidade da candidata Le Pen vencer é bem inferior. Mas isso pode mudar, e na minha opinião, essa estatística não traz um conforto de que ela não ganhará.


O mercado está vendendo os títulos do governo Francês. O gráfico a seguir, que calcula a diferença entre esses e os títulos alemães, dão o tom de como o mercado prefere não apostar a favor das pesquisas.



O leitor deve estar se perguntando qual o significado do título: Deutsche – Euro.  Vamos imaginar que a candidata Le Pen assuma a Presidência da França e cumpra seu compromisso de deixar o euro, emitindo uma nova moeda, o franco francês. Acredito que a Itália seguiria no mesmo caminho, induzindo o restante do Club Med a fazer o mesmo. Assim, ficariam no euro a Alemanha e outros países que se encontram numa situação similar.

Nesse caso o que aconteceria com a moeda euro? Subiria muito! Com a saída dos países fracos não teria sentido continuar com a política que o BCE vem adotando de enfraquecer a moeda única. Isso equivale praticamente ao Bundesbank assumir o ECB, e a moeda (euro) equivaler ao deutsche mark. Só não seria igual pelo fato da Holanda, Áustria e algum outro país, decidir permanecer com uma moeda única, que já não seria tão única assim. Para diferenciar do euro original sugiro uma nova denominação: o Deutsche – Euro!

No post inflação-por-toda-parte, decidi liquidar uma posição vendida no euro: ...” mas mesmo assim, não gostei muito da forma como o euro caiu de 1,0828 para a mínima atingida hoje de 1,0520. Não tenho como explicar o significado que quero dar com o “não gostei muito”.... Com o movimento dessa semana, o euro voltou aos níveis que estava antes - 1,0535.

Quando tenho dificuldades de interpretar os movimentos de curto prazo, volto para os gráficos com um horizonte um pouco mais longo.


Como podem notar, em 3 outras ocasiões o mercado buscou romper a barreira criada ao redor de 1,045 – 1,05, e agora se encontra bastante próximo desse nível. Minha tendência imediata seria negar os fatos e buscar uma explicação para minha ação ao eliminar o trade, de certa forma tempestiva, como eu admito acima.

Mas o que importa é responder a seguinte pergunta? Estou perdendo uma oportunidade de lucro? A resposta mais pragmática seria sim, afinal eu ainda acredito que o euro vai pelo menos para a paridade. Porém, tenho que responder a outra pergunta; é um bom risco x retorno? Aqui a resposta não é tão evidente, veja o que anotei no post acima: ...” é uma tentativa sem um alto grau de convicção, principalmente no stoploss, que deveria ser colocado no nível de 1,13” ...


Vou acompanhar mais um pouco antes de me posicionar no euro. Por enquanto continua com a mesma fama de destruidora de lucros dos traders. Mas um dia isso mudará.  Quem sabe, quando os alemães tiverem domínio sobre as decisões da moeda única, a mesma passe a ser mais valorizada.

O SP500 fechou a 2.365, com alta de 0,60%; o USDBRL a R$ 3,0950, com alta de 0,29%; o EURUSD a 1,0536, com queda de 0,73%; e o ouro a US$ 1.235, com queda de 0,24%.
Fique ligado!

20 de fevereiro de 2017

Reservas for ever!


Certa vez, quando a inflação era elevada aqui no Brasil, uma reportagem de capa da revista Veja, foi feita com o Presidente do banco central da época. A foto tinha ele a frente sentado numa pilha de dólares. O artigo buscava mostrar que tínhamos reservas suficientes, e qualquer ataque especulativo seria em vão. A matéria também apontou que o volume dessas reservas podia ser considerado elevado.

Naquele momento específico eu acreditava que o dólar iria cair e aquela matéria vinha de encontro com minhas crenças (posições? Hahaha ...). Resolvi cutucar o pai de um amigo, que era um cético por princípio.

David: E aí Sr. “X” acha que o dólar vai subir com todas essas reservas?
Sr. “X”: Você acredita que estas reservas existem?
David: Mas esses são dados oficias, representam os depósitos que o BC tem nos bancos!
Sr. “X”: Só você para acreditar em contos de fada!

Naquela época apostar contra o dólar não era algo muito aconselhável, a política econômica estava desgovernada, e se em algum momento as coisas se descontrolassem, o dólar subia forte.

Na última sexta-feira foram publicadas as contas cambiais. O resultado foi um déficit de US$ 5,8 bilhões, acarretando um acumulado em 12 meses de US$ 23,8 bilhões (1,3% do PIB). Porém o que mais chamou a atenção foi a entrada de Investimento Direto cuja cifra alcançou expressivos US$ 11,5 bilhões, acumulando US$ 85 bilhões em 12 meses.


A Balança Comercial obteve um desempenho positivo de US$ 2,5 bilhões e um acumulado de US$ 47 bilhões em 12 meses. Essa magnitude de saldo coloca essa rubrica nos patamares de 2006, quando acontecia o pico nas cotações da commodities, beneficiando nossas exportações.


A conta de serviços atingiu um patamar de estabilidade ao redor de US$ 30 bilhões depois de chegar no pico a US$ 50 bilhões, ao final de 2015. Destaca-se nessa rubrica a elevação das despesas com viagens internacionais que registraram déficit de aproximadamente US$ 1,0 bilhão, reação esperada dada a valorização do real nos últimos meses. 

Na Conta de Rendas o déficit foi US$ 5,3 bilhões no mês (US$ 42,1 bilhões em 12 meses). Uma elevação na conta de remessas de lucros e dividendos, e das despesas liquidas de juros, foram as responsáveis pela elevação de 23% em relação a 2016. Das contas cambias essa última deverá apresentar maiores deficits, pois se espera maior envio de dividendos sobre os investimentos realizados.

Os Investimentos em carteira ainda apresentam saída líquida de US$ 1,0 bilhão. O interessante é que, na rubrica de títulos de renda fixa houve uma saída de US$ 1,9 bilhão, se contrapondo a uma entrada de US$ 1,1 bilhão em ações, e uma saída marginal nos fundos de investimento de US$ 0,2 bilhão. Embora a qualidade das entradas é um ponto de destaque nas contas cambias, com a troca de títulos de renda fixa por investimentos diretos, ainda fico intrigado do porque os estrangeiros estariam abandonando taxas de juros tão elevadas pagas nos títulos brasileiros.


As reservas internacionais mantêm-se intactas em US$ 375 bilhões. Esse nível permanece na casa dos US$ 370 bilhões há mais de 3 anos, com flutuações mínimas. Graças a isso não sofremos mais durante o período de elevada crise política. Houve um overshooting do dólar quando atingiu R$ 4,25, mas que, após o processo de impeachment, as cotações recuaram.

O Mr. “X” já faleceu, mas não tenho dúvidas que se estivesse vivo, repetiria seu mantra durante esse período. Acontece que os tempos mudaram, reservas de US$ 370 bilhões para um país como o Brasil é um nível extremamente confortável e afugenta qualquer tentativa dos especuladores. Por outro lado, o custo para manter esse saldo é extremamente elevado. Considerando uma cotação estável do dólar, hoje custaria US$ 40 bilhões. Naturalmente, os juros reais brasileiros também pesam aqui.

Fico pensando se esses recursos estão aí para sempre, como o cofre do Tio Patinhas que nunca se esgota. No caso dele, por que é pão duro. Num mundo que viveu anos de revoadas de helicópteros, viciou os bancos centrais a manterem volumes elevados de reservas e/ou títulos. Mas em algum momento, se é que as economias irão se normalizar algum dia, isso terá que reverter e provavelmente deverá acontecer também com nosso BC.

Os EUA se encontram mais próximos desse momento, uma vez que, seus helicópteros, já estão mais para recolher os dólares que lançá-los. O gráfico a seguir, mostra esse impacto nos vários mercados.


No post impasse-alemão, fiz os seguintes comentários sobre o real: ...” Do ponto de vista técnico tudo indica novas quedas do dólar, porém ao ficar polarizado num intervalo tão contido, tudo pode acontecer, até o dólar voltar a subir” ... ...” normalmente eu comento sobre o dólar no início da semana. Ficarei muito surpreso se o dólar continuar da mesma forma até lá. Alguém vai jogar a toalha! “... no dia seguinte essa barreira foi rompida e levou o dólar a novas mínimas de R$ 3,038.


Na quinta-feira passada, sem que nada de importante tivesse acontecido, o dólar iniciou uma recuperação o colocando de volta ao nível de R$ 3,1035, próximo do rompimento. Estamos diante de duas possibilidades que considero quase equiprováveis, vejamos:

Last Kiss – Regiões polarizadas, do ponto de vista técnico, tendem a ser rompidas (neste caso para baixo). Depois de um pequeno período em queda, um movimento contrário leva as cotações ao nível de ruptura, para que em seguida voltem a cair.

False break – O mercado fica tentando romper um determinado nível, até que uma onda de vendas faz com que ocorra a ruptura (normalmente originada por quem já está vendido).  Acontece que, nesses novos níveis (abaixo da ruptura), aparecem mais compradores e praticamente nenhum vendedor novo, fazendo as cotações subirem. Aqueles vendidos ao perceberem essa situação, também resolvem zerar suas posições, criando uma reversão no mercado.

O dólar se encontra em um desses dois casos e não consigo dizer em qual deles. A única coisa prudente que tenho a fazer é apertar o stoploss para R$ 3,15. Vocês notaram que considerei essas duas hipóteses como quase equiprovávies. Acredito que a queda do dólar ainda tem um pouco mais de chance de acontecer. Teria sido muito melhor se as cotações não tivessem retornado, mas como repito “ad nauseum”, Let´s the market speak!

Hoje foi feriado Nos EUA e as bolsas permaneceram fechadas, o USDBRL fechou a R$ 3,0860, com queda de 0,56%; o EURUSD a 1,0614, sem varaição; e o ouro a US$ 1.238, com alta de 0,23%.
Fique ligado!

17 de fevereiro de 2017

Crescendo no grito


Normalmente eu passo meu dia de trabalho com a TV ligada no canal da Bloomberg. Para não me atrapalhar, deixo sem som e dependendo de quem está no ar eu acabo ligando o som. Essa rotina já existe algum tempo e diria que raramente interrompo meu trabalho para acompanhar alguma entrevista. Porém, isso mudou, desde a posse do Presidente Trump, não me recordo ter passado nenhum um dia que ele não aparece na TV ao vivo.

Tenho imaginado qual seria seu objetivo ao querer mostrar tanta transparência. Certamente tem um objetivo de marketing, algo que ele é muito bom, basta ver o sucesso de sua marca ao redor do mundo. Mas será só isso? Outro fator que também se pode perceber é que trabalha muito, transformou a rotina da Casa Branca num escritório de negócios. É desta forma que os EUA está sendo governado, se vai dar certo ou não, somente o tempo dirá.

Ontem foi um desses dias, onde ficou quase 80 minutos numa aparição ao vivo com jornalistas. O principal motivo seria justificar que não teve relação com o governo Russo na época das eleições. Seu estilo é sui generis para dizer pouco. Desvaloriza a mídia dizendo que transmitem notícias falsas e aponta o governo anterior como desastroso. Mas o melhor vem quando abre a secção de perguntas aos jornalistas. De imediato uma avalanche fica afoita para fazer suas perguntas, consegue-se ouvir uma agitação de vozes.

Ele vai escolhendo os repórteres segundo algum critério.  Depois de apontar para o escolhido, inicia perguntando de qual veículo ele pertence, dependo da resposta já faz uma qualificação do tipo “ vocês noticiam muitas mentiras” e coisas assim. Naturalmente esse funcionário se sente constrangido e indiretamente o Presidente faz um ante marketing desse jornal. Ontem por exemplo, a Times Magazine foi hostilizada por Trump e em seguida as cotações dessa empresa começaram a cair.

Mas não é só troca de farpas, existem momentos de descontração, onde ele faz uma piadinha. Também existem os casos em que ele elogia, veja essa situação:

Trump: This is a nice question, what is your Channel?
Jornalista: “Xpto”
Trump: Very good, I´ll star watching you.

Realmente é uma mudança radical da comunicação entre a Casa Branca e a mídia, normalmente essas situações eram bastante formais e as perguntas mais delicadas eram feitas de forma polida, bem como as respostas, que nem eram rebatidas a contento. Agora vale tudo, se a pergunta não é do interesse de Trump ele busca desqualificar quem pergunta (o veículo), e se é de seu agrado responde com prazer. Diria que agora é mais autêntico, cada um fala o que quer sem milongas.

Hoje ele está na Boeing e a Bloomberg está lá. Ele convenceu essa empresa a diminuir o preço que cobraria para o avião que o governo encomendou. Ao desembarcar, iniciou seu discurso enaltecendo o estado da Carolina do Norte, bem como, a grandiosidade da Boeing. Foi muito ovacionado pelos empregados. Enfatizou “products made in América! ” Falou por 20 minutos sem consultar nenhum papel! Ah, um detalhe, as ações da Boeing estavam subindo.

Depois de pousar, em 40 minutos estava levantando voo, o homem não para!

Não sou americano, mas conforme o tempo passa, me parece que ele vai conquistar o povo. Ele coloca o Obama no bolso!

Ontem foi publicado um indicador de perspectiva de negócios – Philadelphia Fed Business Outlook, e o resultado foi um recorde desde 1984.


Um outro indicador onde se pode notar a melhora da atividade manufatureira pode ser visto no gráfico abaixo, onde de um lado foi compilado a média de vários indicadores regionais contra o índice oficial ISM. Em nenhum momento no passado, depois da recessão de 2008, se pode verificar um movimento tão consistente.


Entretanto essa melhora ainda não foi percebida nos salários, abrindo uma disparidade entre o otimismo do consumidor com essa variável. Espero que em algum momento haja uma elevação dos rendimentos dos trabalhadores para que o aumento de vendas não se dê por queda na poupança e/ou aumento do crédito.


No aspecto crédito, o Deutsche Bank considera um dos riscos da recuperação a deterioração na sua qualidade, observada através do crédito em liquidação das pessoas físicas. Geralmente numa expansão que perdura por muito tempo, o dinheiro tende a ser alocado para devedores de pior qualidade, fazendo com que o risco de não pagamento pelos mesmos aumente.

 
Ainda nos riscos apontados por esse banco, questiona se a elevação dos juros poderá ser suportada pela economia. O gráfico a seguir mostra que desde as eleições o volume de crédito retrocedeu.

O Deutsche Bank conclui que uma expansão “envelhecida” com recursos abundantes por um longo período resulta em mais empréstimos para consumidores e empresas de menor qualidade. Quando os juros começam a subir, esses devedores, podem não conseguir pagar esses empréstimos. A dúvida é saber se esse grupo de devedores é grande o suficiente para enfraquecer a expansão de toda a economia.

A intenção anunciada por Trump na redução dos impostos, deverá dar um alento no curto prazo na economia, jogando essa preocupação mais para o futuro.

A incansável preocupação de Trump em criar empregos e trazer as fábricas de volta aos EUA, já está surtindo efeitos, pelo menos nos índices de intenção captados pelas pesquisas. Agora se os CEO estão com medo de retaliações por parte do governo ou por que a economia já está dando sinais de recuperação não sabemos. O resultado é que um novo período de investimentos nos EUA parece estar nascendo. Se foi no grito, funcionou!

Eu deveria fazer uma atualização do mercado de ouro, mas ao verificar os gráficos não teria nada de interessante a acrescentar o que foi postado o-ceu-é-o-limite: ...” estou ficando com um viés um pouco mais baixista, pelo menos no curto prazo, mas não quero me arriscar numa venda. Se atingir a cotação de US$ 1.280 vou arriscar. Ainda não é uma recomendação firme. Para quem quer se envolver, siga o post” .... Neste momento o metal se encontra US$ 1.238, muito próximo de onde estava naquela data.

Preferi focar sobre o petróleo, um mercado raramente analisado pelo Mosca. Minha visão de longo prazo é de queda, porém no curto prazo acredito numa rodada de alta, o que vem contra a grande maioria dos analistas que cobrem essa commoditie. Só para fazer um breve histórico, o petróleo caiu de US$ 112 em agosto de 2014 para mínima de US$ 26 em fevereiro de 2016, uma queda estupenda de 76%. Depois disso vem lentamente recuperando e se encontra hoje em US$ 53.

A matemática é interessante, pois se computamos a variação dessa última alta, se chega a 100%, o que poderia aparentar que isso já é suficiente para que os preços tivessem sido recompostos. Mas isso não é verdade, a base é muito pequena, e para que isso fosse verdade – a recuperação até os US$ 112, o petróleo teria que subir 330% em relação a mínima. A famosa frase, que os empresários conhecem bem quando definem seus preços de venda “ de baixo para cima e de cima para baixo”.

No gráfico a seguir aponto meus objetivos para o petróleo nos próximos meses, no primeiro caso US$ 60/62 (+15%), depois US$ 70/72 (+ 34%), e por último US$ 85/87 (+ 62%).


Não é bater é morto. Para falar a verdade o que poderíamos classificar como bater em morto, ou como diz um colega “ bater um pênalti sem goleiro? ” Acho que nada! O petróleo tem que romper a faixa entre US$ 50 – US$ 54, que prevalece desde dezembro último e não cair abaixo de US$ 49. Não quero dar nenhuma recomendação de trade nesse ativo, dado sua alta volatilidade além de ser mais difícil de implementar, mas fica aqui minha visão. No futuro volto a fazer comentários esporádicos.


O SP500 fechou a 2.351, com alta de 0,17%; o USDBRL a R$ 3,1035, com alta de 0,47%; o EURUSD a 1,0607, com queda de 0,61%; e o ouro a US$ 1.235, com baixa de 0,29%.

Fique ligado!

16 de fevereiro de 2017

Snapchat: Vale ou não vale?


Durante minha vida profissional já me deparei com algumas situações onde tive muita dificuldade de entender o que se passava. A primeira que me vem a memória aconteceu em 1999 quando a internet estava em ebulição. O negócio do momento chamava-se start up. Uma pessoa do meu relacionamento profissional, me ofereceu a “rara” oportunidade de investir numa dessas empresas.

Ao me apresentar os números disse que não deveria me ater ao lucro, pois naquele momento apresentava prejuízo. O importante era o número de hits – pessoas que acessavam o site. Eu perguntei se esse acesso gerava alguma receita e ele me disse que não, porém era como esse negócio era valorizado, numa futura venda através de um IPO.

Fiquei intrigado e resolvi refletir durante uma caminhada pela praia. Pensei: “será que fiquei obsoleto? ”. Depois de uma hora de exercício cheguei à conclusão que se entrasse no negócio e o mesmo não fosse bem-sucedido me sentiria um estúpido, e se desse certo seria como ganhar um presente. Resolvi não entrar e foi uma boa decisão.

Depois disso, essa passagem fez com que eu não investisse mais nesse segmento, pois mantinha essas ideias como um mantra. Acontece que, minha decisão pode ter sido correta baseada em dois aspectos, primeiro que esse negócio realmente não era bom, segundo que o momento foi atípico pois logo em seguida houve o estouro da bolha das “ponto com”, como ficou assim conhecida.

Meu erro foi generalizar essa decisão pois basta ver como evoluiu, e vem evoluindo, a área de tecnologia. Muitas empresas foram muito bem-sucedidas, ameaçando inclusive várias empresas ícones em diversos setores. Veja o que a Amazon está causando ao setor de distribuição nos EUA.




O aplicativo Snapchat está realizando seu IPO, embora não seja muito usado entre as pessoas mais velhas e extremante popular entre os jovens. O gráfico abaixo mostra o nível de penetração entre os adolescentes ao redor do mundo.


Já no próximo gráfico se pode verificar que dentre os aplicativos mais usados atualmente o Facebook de longe tem um uso disseminado entre todas as faixas etárias.


Hoje a empresa lançou oficialmente a oferta de venda de suas ações, por um valor aproximado de US$ 25 bilhões, o maior IPO da área de tecnologia depois do Facebook. Embora suas projeções são impressionantes, alguns analistas se questionam sobre longevidade de um aplicativo que depende tanto dos jovens.

Mas o ponto crítico são seus resultados. Nos últimos dois anos, seus custos ultrapassaram suas receitas numa escala alarmante. O argumento da empresa é que são seus investimentos em infraestrutura. Em 2016 com uma receita de US$ 404 milhões obteve um prejuízo de US$ 451 milhões.



Uma comparação feita pelo Wall Street Journal entre o IPO do Facebook e do Snapchat, deixa claro que o primeiro tinha uma posição muito mais sólida.

 
- E aí David, vai entrar?
Se eu me basear nos mesmos critérios comentados acima - situação vivida em 1999, minha resposta é não. Porém, aprendi que uma resposta fundamentada em resultados passados, que normalmente são muito ruins, não necessariamente é correta. É necessária uma compreensão maior feita por entendidos da área, e isso eu não fiz. Para responder a sua pergunta, não vou entrar, mas também não vou avaliar. Vocês entrariam?

Só espero que os novos acionistas não recebam fotos “engraçadinhas” desse aplicativo, como retorno do seu investimento. A que se encontra no post de hoje contou com a produção da minha enteada. Vocês não esperavam diferente, afinal, ela fez em minutos e eu levaria dias!

No post bcb-em-festafiz os seguintes comentários sobre os juros de 10 anos: ...” Ao redor de 2,22% a.a. os juros deveriam reverter a queda, para começar um novo ciclo de alta. Como stoploss vou fixar 1,95%” ... E havia publicado o gráfico abaixo.


Quanto mais se vive, mais se aprende e quando o assunto é correção nem se fala. No dia da minha publicação o movimento recente sugeria uma determinada configuração, mas acabou não acontecendo. É por essa razão que eu sempre enfatizo a imprevisibilidade das correções.

Como fica então, vale ainda ou não minha hipótese acima? Sim, veja a seguir as duas possibilidades que antevejo.


A primeira hipótese se enquadra em meu cenário acima, onde teremos a oportunidade de fazer o trade no nível de 2,22% a.a. – azul, já a segunda o movimento de alta estaria em curso. Nesse caso, deveríamos modificar o ponto de entrada, que será superior, provavelmente a 2,60% a.a.

David, acho que entendi. Mas o que aconteceu com o desenho que traçou com a linha azul, estava sob efeito alcoólico? Hahaha ...
Me desculpem os leitores, mas não quis ser irônico ao acrescentar um rabisco ao gráfico. Eu simplesmente quis explicitar que em correções não dá para saber qual será o movimento, o que se tem que atentar são os níveis. Agora respondendo a meu amigo, não brinco (ou bebo) em serviço! Hahaha ...

O SP500 fechou a 2.347, sem variação; o USDBRL a R$ 3,0889, com alta de 1,06%; o EURUSD a 1,0672, com alta de 0,70%; e o ouro a US$ 1.239, com alta de 0,55%.
Fique ligado!

15 de fevereiro de 2017

Inflação por toda parte


Parece brincadeira, há um ano o mundo morria de medo da deflação, e somente 12 meses depois, parece que o receio virou de lado. Mas é bastante compreensivo, não se pode ironizar atitudes esquizofrênicas do mercado, pelo menos neste caso. O motivo são os US$ 14,0 trilhões injetados pelo conjunto de vários bancos centrais e que em algum momento deverão ser retirados do sistema. A autoridade monetária mais próxima desse momento é o FED.

Não existe nenhum modelo passado para se basear, afim de saber qual seria o momento certo, ou melhor dizendo adequado. Na introdução das injeções de liquidez, bons tempos dos helicópteros, o receio era se esses recursos poderiam induzir uma espiral inflacionária, o que não ocorreu em nenhum país. Depois veio o pavor de entrar num ambiente deflacionário onde as armas dos BCs eram limitadas, a Europa e o Japão flertaram com essa possibilidade. E agora a inflação.

Vejamos as últimas observações nesse campo. Ontem foi publicado a inflação na China, tanto no atacado como ao consumidor. A primeira atingiu o nível de 6,9% em bases anuais, muito acima de qualquer previsão. Mesmo em bases mensais o número foi robusto de 0,8%. O principal motivo para essa alta expressiva foram os preços das commodities. Já nos preços ao consumidor, a inflação atingiu 2,5% em bases anuais, também acima da expectativa do mercado.

 
Tanto a inflação de alimentos – 2,7%, como a inflação dos outros itens – 2,5%, justificam o receio dos analistas, indicando que as pressões nitidamente estão se acelerando para a toda economia, o que seria esperado em função das condições frouxas de política monetária adotadas pelo BC Chinês, além da retomada econômica vista no final de 2016.

O economista chefe, Larry Hu, da Macquire Securities, acredita que essas altas não preocupam ...” Haverá uma leve inflação este ano ... ... o PPI poderá subir no primeiro trimestre, essa é uma inflação “boa”, e provavelmente não afetará a postura do PBOC” ...

Outro dado que está preocupando as autoridades chinesas e o volume de empréstimos. O PBOC tem feito um trabalho no sentido de conter o crédito, uma das grandes preocupações da comunidade internacional. No mês de janeiro os empréstimos subiram o equivalente a US$ 300 bilhões.


Segundo a opinião do Deutsche Bank, o banco central Chinês será impelido a elevar os juros a fim de diminuir a demanda por crédito. Aliado a esse fator, a inflação também vai no mesmo sentido.

Nos EUA não foi diferente, a publicação do CPI hoje, apontou uma alta de 0,6% no mês – padrão brasileiro! Hahaha ... – Esse resultado, colocou o índice em 2,5%, em termos anuais. Mesmo a inflação core que exclui alimentos e combustíveis subiu 0,3% no mês e 2,3 % ao ano. É bem verdade que a alta do preço da gasolina foi responsável por metade da inflação de janeiro. Porém outros produtos e serviços também subiram.

 
Só para vocês terem uma ideia da mudança de rumo pelo mercado, ontem eu havia publicado um gráfico que apontava como 30% a chance de alta dos juros agora em março. Hoje, depois da publicação deste dado, passou para 42%.

Inflação: A Revanche! Será que o título de 2017 acertou na Mosca? Menos aqui no Brasil, que está literalmente na contramão.

No post fiz contagio-de-direita, os seguintes comentários sobre o euro: ...” é uma tentativa sem um alto grau de convicção, principalmente no stoploss, que deveria ser colocado no nível de 1,13. Mas, não estou disposto a arriscar tanto” ... ...” o euro recuou levemente encontrando-se ao redor de 1,067. Mas não tire a champanhe da geladeira, aliás nunca tire antes de um trade ser liquidado, a moeda única pode voltar a subir e nossa segunda tranche ser executada. Eu calculo que abaixo de 1,06 colocará nosso trade em melhores condições” ...


Vou zerar essa posição agora a 1,0585.

- Como assim? Você não projeta que o euro irá no mínimo a 1,00?
Continuo acreditando nisso, mas eu grifei um ponto que considero importante acima. Mas mesmo assim, não gostei muito da forma como o euro caiu de 1,0828 para a mínima atingida hoje de 1,0520. Não tenho como explicar o significado que quero dar com o “não gostei muito”. Mas não gostei muito!

Consigo achar diversos argumentos para ter continuado e outros tantos para ter saído do trade. Só vou saber se estava certo ou não com o tempo.

Eu tenho reforçado que o euro se encontra num movimento terminal de longo prazo e nesses momentos as oscilações ficam “cansadas”. O significado é que ao invés de ser de uma forma direcional clara a cotação é levada por uma força que domina no presente (para baixo) e por outra que está se formando (para cima), dando um aspecto de queda mais lento.

Eu não tenho a menor pretensão de encontrar o preço mínimo que o euro atingirá, ou já atingiu, o que não parece ser o caso por enquanto. Prefiro que o mercado me diga. Isso é o trabalho de um analista técnico, interpretar o movimento e buscar encontrar como ele se encaixa em seu pensamento.

Se não encaixa então tem algo errado, ou com o que esperava ou com sua análise. Embora essas duas situações parecem semelhantes são bem distintas: No primeiro caso, você imagina um movimento e o mercado traça um outro, mas ambos no mesmo sentido. Isso acontece tipicamente em correções; o segundo existe um erro de análise, aí fica mais perigoso, principalmente se você teimar.

Bom, no caso do euro agora, na pior das hipóteses botamos um lucro no bolso, e na melhor teremos uma nova oportunidade de venda. Comprar, nem a pau!

Ontem foi concretizado o tão esperado trade de venda do dólar. Hoje o mercado negocia ao redor de R$ 3,06. Vamos atualizar o stoploss para R$ 3,20.


O SP500 fechou a 2.349, com alta de 0,50%; o USDBRL a R$ 3,0565, com queda de 0,89%; o EURUSD a 1,0602, com alta de 0,25%; e o ouro a US$ 1.233, com alta de 0,39%.
Fique ligado!

14 de fevereiro de 2017

Esqueceram mesmo de mim


Acredito que a grande maioria dos leitores assistiram ao filme Esqueceram de Mim, em suas várias versões. Eu mesmo já referenciei aqui algumas vezes. A história, o próprio nome já diz, se passa com uma família americana com alguns filhos que resolvem passar as férias na Europa e acabam esquecendo um de seus filhos em casa, só percebendo quando chegaram lá.

Vocês notaram que desde que o Presidente Trump assumiu pouco se falou da professora Yellen, bem como do FED. O mandato dela termina no início do próximo ano e já se especula, se seria ou não apontada para um próximo mandato. Eu pessoalmente acredito que não, ela é muito diferente do estilo de Trump.

Mas até lá ainda faltam 12 meses e o FED indicou que iria subir os juros mais 3 vezes esse ano, o que levaria o FED fund rate para 1,5% a.a. Porém, em função dos erros passados, ao indicar alta dos juros que não se materializaram, está perdendo sua credibilidade com o mercado. No início de 2016 o FED antecipava quatro aumentos e acabou só realizando um em dezembro último.

O gráfico a seguir é interessante, espelha a curva de juros implícita da taxa LIBOR em vários momentos: a linha amarela aponta as taxas em 17 de dezembro de 2008 – no olho do furacão; a linha verde em 18 de dezembro de 2013 – quando Bernanke indicou em um discurso que juros começariam a subir; e a amarela em 7 de fevereiro de 2017 – depois de duas altas do FED. É incrível que, depois de passados nove anos da crise financeira, a estrutura da taxa de juros é idêntica. Por esse gráfico o FED deveria concluir que, alguma coisa não está funcionando!

 
O FED indicou em sua última reunião que pretendia aumentar os juros neste ano três vezes, mas o mercado não está comprando essa ideia. O motivo é que, como eu sempre digo “ os economistas trocam de previsão como eu troco de camisa” e com o FED não é diferente. Além disso, a percepção do mercado se deslocou em parte, por acreditar que, Trump vai cumprir muitas de suas promessas feitas durante a campanha sobre o comércio internacional. Assim, o crescimento econômico poderia ficar ameaçado, induzindo o FED a ser mais cauteloso.

O gráfico a seguir, elaborado pelo Deutsche Bank, apresenta a evolução da probabilidade do FED em elevar os juros 3 vezes esse ano. Agora encontra-se em 30%.


Uma estatística pouco publicada é o volume de crédito concedido às pessoas físicas com garantia do governo. No gráfico a seguir mostra o explosivo aumento depois da crise de 2008, sem dar mostras de estabilizar, o que dizer de cair.


A professora Yellen fara nos próximos dois dias um depoimento junto ao Senado. Incialmente publica o relatório sobre política monetária. Depois disso, responderá as questões dos políticos que provavelmente serão focadas na economia, juros, mercado de trabalho e o potencial impacto da política econômica a ser implementada pelo novo governo.

Até o momento, Trump nem citou o nome dela, quanto mais a chamou para uma conversa. Seria politicamente correto que isso já tivesse acontecido, mas com esse Presidente nada é surpresa. Imagino que ela não terá como responder várias das perguntas, pois sabe das intenções de Trump como nós, pelos jornais. Se perguntada sobre seu futuro no FED, ou vai dizer que não é esse o momento de discussão ou anunciara que não pretende continuar. Acho que vai optar pela primeira resposta.

Pelo menos amanhã ela voltará a ser manchete no noticiário, e olhe bem só amanhã, isso se Trump não lançar algum fato para roubar a cena. Diferentemente do filme, onde Kelvin McCallister foi uma grande preocupação da família, Trump não está nem aí para Yellen, esqueceram dela não por acaso, mas de propósito!

Eu venho enfatizando o desenvolvimento dos fundos passivos nos EUA. Um crescimento anualizado de 19,4 % a.a. nos últimos 10 anos, sem a menor tendência de estabilização.


O motivo é simples e racional, o retorno dos fundos de ações que conseguem ter uma performance acima do seu objetivo é extremamente baixo. Esse fato pode ser observado na ilustração a seguir que cobre um período de 20 anos. É verdade que nos primeiros dez existiram alguns anos cujo percentual ficou acima de 50%, porém nos últimos dez anos foram raros. É importante que o leitor saiba que é impossível que 100% dos fundos tenham retornos superior ao indicador. Uma questão acadêmica de mercado eficiente.


O grande problema para os administradores desses fundos é que no passado não existiam os fundos ETF. Apenas alguns fundos, que se denominavam indicias, é que não eram voltados para o público. agora existem milhares. Será que esse segmento de fundos ativos tende a encolher a tal ponto que ficará limitado apenas as gestoras “boutiques”?

No post china-de-volta-ao-radar, fiz os seguintes comentários sobre o Ibovespa: ...” a configuração dos últimos dias pode indicar um favorecimento a nossa posição. O motivo é a limitada queda – 4,5% - desde que atingiu a máxima de 66.500. Isso ainda é apenas um alento, somente tenho condições de confirmar um novo ciclo de alta acima do nível máximo” ...

O gráfico acima expos a dúvida que eu tinha antes do índice ultrapassar ontem a marca dos 66.000.

- David, então agora o “céu é o limite”? Hahaha ...
Não tem lido meus últimos posts? Quero aproveitar para repetir mais um trecho do post acima ...” quando existem rompimentos de pontos importantes, três situações podem acontecer: a primeira, o mercado não dá bola e segue em frente sem retornar ao ponto de ruptura, um touro, como se diz; a segunda, volta ao redor dá ruptura, e em seguida sobe, o que se chama de last kiss; e por último, tenta romper e não consegue, o que se denomina de false break. No caso atual do Ibovespa, estamos entre o segundo e o terceiro” ....


Os investidores estão muito otimistas, independentemente da economia ainda não apresentar sinais mais fortes de melhora. Com uma expectativa de queda de inflação com consequente queda de juros, pavimenta a possibilidade de alta da bolsa. Nós visamos o compromisso com o bolso, e se está todo mundo do mesmo lado as coisas podem ficar perigosas.

Ao observar meus indicadores, e sem entrar nos detalhes, o resumo é que a bolsa deveria subir, mas são necessárias que algumas condições sejam satisfeitas, a principal é que o índice ultrapasse os 68.000, e que não retorne abaixo de 63.000. Todo esse cuidado é para que não ocorra o que mencionei acima - “False break”.

Em respeitando os limites acima, eu imagino um primeiro objetivo será entre 74.000/77.000, algo como 12% a 14% de alta. Quero resaltar que existem sinais indicando que uma correção deveria ocorrer em breve. Por enquanto, mantemos o rumo e ajusto o stoploss levemente para 63.000.

O SP500 fechou a 2.337 com alta de 0,40%; o USDBRL a R$ 3,0840, com queda de 0,87% e dando início ao trade proposto; o EURUSD a 1,0577, com queda de 0,19%; e o ouro a US$ 1.228, sem variação.
Fique ligado!