Inflação: A Revanche

31 de janeiro de 2017

EUA X O "resto"


Dou minha palavra que estou me policiando para não comentar sobre as atuações do Trump, mas não está dando. A cada minuto, um novo movimento é noticiado. Ontem foi a advogada geral da União, Sally Yates, que reviveu os tempos de Trump no programa Aprendiz e foi Fired, com F maiúsculo. Isso, porque ela desafiou a ordem do chefe de proibir a entrada de imigrantes dos países considerados de risco.

Hoje pela manhã o espectro de ações cruzou o Atlântico, quando o assessor para assuntos de comércio, Peter Navarro, acusou a Alemanha de usar o euro “grosseiramente desvalorizado para explorar os EUA e seus parceiros da Europa”. Imediatamente após o anúncio, o euro subiu 0,5%. Mas, será que através das palavras o novo governo poderá influenciar um mercado tão grande quanto o de câmbio, que negocia diariamente US$ 5,0 trilhões? Não acredito, o que acabou acontecendo hoje tem outras explicações.

Incialmente, eu gostaria de comentar os dados do PIB americano publicado na última sexta-feira, onde o resultado de 1,9% ficou abaixo das expectativas.



Um dos motivos dessa piora é a queda das exportações americanas, conforme se pode verificar a seguir.
 
O motivo dado é a alta do dólar e, nesse quesito, o mercado está expressivamente posicionado a favor da moeda americana. A ilustração a seguir dá uma dimensão desse volume.



O novo governo tem a intenção de desvalorizar o dólar, pois sabem que com uma moeda fraca, ficará mais fácil para as empresas americanas aumentarem suas exportações. Acontece que da forma como Trump está agindo será muito difícil que os outros países não busquem fazer o mesmo.

No mercado de câmbio, se uma moeda se valoriza é sempre em relação a outra; não dá para ambas se desvalorizarem ao mesmo tempo.

Na batalha mercadológica, o dólar está em vantagem, ou seja, mais propenso a se valorizar. Enquanto os EUA estão no processo de normalizar sua taxa de juros, com elevações já previstas pelo mercado – veja a seguir a probabilidade de elevação de 0,25% já na próxima reunião do FED –, os outros países, entenda-se Euro, Japão e Inglaterra, não se encontram nessa posição. Na noite passada, o BOJ reafirmou sua política de manter os juros negativos, além de policiar o mercado de títulos de 10 anos para que seu juro não suba mais que 0,10% a.a.


Ainda nesse campo, ontem foi publicado o índice de inflação, o PCE, medida que o FED utiliza para definir sua política monetária e, como se pode verificar abaixo, está em alta e se aproxima do outro dado usado pelo mercado, o CPI. Com essa equipe no FED, não acredito que deixarão de subir os juros com os dados que foram publicados recentemente.


Acredito que a situação do dólar em queda nos últimos dias seja uma questão de posicionamento. Assim que as posições diminuírem, deve voltar a subir. Isso, claro, se o Trump não inventar mais uma de suas traquinagens; o que é bem possível.

No post shit-happens: fiz os seguintes comentários sobre o Ibovespa: ...” Parece que o índice Bovespa está pronto para atingir novas altas e o cenário “Let´s go” acima poderá se concretizar. Assim, vou colocar uma sugestão de trade caso o índice feche acima de 66.000 com um stop a 62.000; tudo indica que isso é o mais provável, mas é importante que ultrapasse essa marca” ...

Porém fiz uma observação adicional: ...” O post de hoje trata de eventos não prováveis que acabam acontecendo e, no caso do índice Bovespa, seria uma nova rodada de queda que colocaria esse ativo nos meus parâmetros anteriores” .... Muito bem, vejamos o que aconteceu depois disso. No dia 23/01 esse índice rompeu a barreira dos 66.000, o que foi suficiente para entrarmos no trade. Tudo estava indo bem, até ontem quando sofreu uma queda mais significativa.


Para quem conhece Elliot Waves, vai entender a interrogação que coloquei no gráfico acima. A onda 5 terminou quando atingiu 65.000 em outubro ou na última quinta-feira, quando atingiu 66.600?

- Epa David, não vem jogar para cima de nós sua angústia! Quero saber, o que vai acontecer?
Pois bem, o que vai acontecer nós vamos observar nos próximos dias. Mas, posso adiantar algumas coisas; se for o primeiro caso, o nosso stoploss deverá ser suficiente para conter uma pequena correção; agora se for o segundo, a queda pode ser maior onde o Ibovespa poderia atingir entre 54.000/51.000.

Quando existem rompimentos de pontos importantes, três situações podem acontecer: a primeira, o mercado não dá bola e segue em frente sem retornar ao ponto de ruptura, um touro, como se diz; a segunda, volta ao redor dá ruptura, e em seguida sobe, o que se chama de last kiss; e por último, tenta romper e não consegue, o que se denomina de false break. No caso atual do Ibovespa, estamos entre o segundo e o terceiro.

Vocês já devem ter passado diversas vezes aqui no Mosca situações como essa, mas estou intrigado por ter incluido o texto destacado acima. Por que desta vez? Talvez já estivesse com uma pulga atrás da orelha!

Agora, só resta observar os próximos dias e verificar em qual caso estamos. Só para adiantar, se for o false break, acredito que se trata de uma correção mais longa. E uma possibilidade pequena, de que esse movimento de alta reverta - o que comentei no post de final de ano SP500-céu-azul: ... “Não espere por mim” – Nesse caso, a correção ainda estaria em curso e, como vocês bem sabem, não se pode estimar sua duração nem quais os níveis, pois dependerá do seu formato – triângulo, flat o etc... O que eu posso dizer é que no limite poderia voltar a 30.000, porém entendam que isso não é uma previsão” ...

- David, você me deixou tonto!

Relaxa, vamos passo a passo, e não se preocupe, sempre tem o stoploss que evita uma grande perda!

O SP500 fechou a 2.278, sem variação; o USDBRL a R$ 3,1507, com alta de 0,81%; o EURUSD a 1,0795, com alta de 0,94%; e o ouro a US$ 1.209, com 1,51% de alta.
Fique ligado!

30 de janeiro de 2017

China: A hora da decisão

Já dizia o grande estadista Francês, Charles De Gaulle, “O difícil não é escolher a melhor alternativa entre duas, e sim, entre duas opções péssimas”. Parece que a China está chegando rapidamente a um ponto onde terá que optar por entre dois caminhos. As duas opções são complexas e simples: continuar observando saídas de recursos, ou acompanhar as mais modernas economias e se transformar permitindo o fluxo sem restrições através da liberação da taxa de câmbio.

Henry Fernandez, CEO da MSCI – uma companhia que publica o índice da maioria das bolsas internacionais, sugeriu que a China adotasse um câmbio livre. Esse país vem desejando que sua bolsa seja incluída no índice MSCI Emerging Markets. Está inclusão poderia canalizar trilhões de dólares em seu mercado acionário e provar que de fato a China é moderna e uma economia global.

A China vem tentando mostrar ao mundo que sua economia é aberta, transparente e segura, mas a MSCI disse que está perto, mas ainda faltam alguns passos.

Nos últimos meses, o yuan vem caindo mais rápidamente, ritmo que não é visto desde 1994. A causa desse declínio é a desaceleração do crescimento econômico, e também, porque os chineses estão tirando seu dinheiro do país. Só em dezembro foram US$ 82 bilhões.

 
Esse movimento não é do interesse dos líderes chineses que desejam que sua população esteja hábil a comprar produtos – de ter uma economia baseada no consumo como a americana. Desta forma, o governo instituiu uma série de medidas para controlar o capital com o objetivo de estancar as saídas.


A MSCI está pedindo para a China afrouxar os controles de capital e parar de restringir a “porta de saída”. De fato, o que os investidores não querem é colocar seus recursos numa economia e não terem a possibilidade de retirar quando desejarem.

É possível que ao tirar os controles de capital incentive uma onda de saídas por parte de sua população, e isso acarretará em mais quedas de sua moeda o yuan. Este ciclo vicioso a China está tentando evitar.

Por outro lado, eles precisam atrair capitais, e não somente manter suas reservas da forma atual. Mas isso parece difícil sem a confiança da sua população e de instituições como o MSCI. A China precisa decidir se continua numa batalha perdida de estancar a saída do dinheiro, ou arrisca o aumento da volatilidade e ter uma economia que possivelmente atrairá recursos.

Nesse meio tempo, o investimento direto no país está em declínio; investidores externos estão enviando cada vez mais recursos de volta a seus países. Segundo o banco Societe Generale, a China não terá opção, o fluxo irá induzir essa opção! Segundo esse banco, “depois de um certo nível, o controle de capitais não evitara prejuízos no fluxo comercial e, por consequência, na economia”.


Essa situação se contrapõe ao discurso proferido pelo Presidente Chinês, Xi Jinping, no fórum econômico de Davos ...“gostando ou não, a economia global é um enorme oceano que você não pode escapar”... Embora Todos saibam que essas palavras foram dirigidas às ameaças de Trump.

Nas condições atuais, com o fluxo negativo, seria muito difícil liberar o câmbio, uma liberação poderia causar uma aceleração das saídas. As pessoas entrariam num estado de tensão, projetando que a moeda entraria em queda livre. Imagino que as autoridades chinesas não querem lembrar da tentativa testada em agosto de 2015, onde o mercado entrou em pânico ao ser pego de surpresa com o aumento da banda de flutuação diária do yuan.

Essa liberação seria mais recomenda quando o fluxo estivesse neutro, ou até levemente positivo, e isso parece distante do momento atual. A China está usando as ferramentas clássicas para minimizar essa queda: a elevação dos juros e o controle de capitais. Ao mesmo tempo, esperam (rezam?) que em algum momento esse movimento se reverta.


No post olhando-no-espelho, fiz os seguintes comentários sobre o dólar: ...” ao analisar vários aspectos técnicos, fiquei em dúvida sobre o que fazer caso o dólar rompa o nível de R$ 3,11. Vender, é isso o que eu deveria fazer, contudo, ao imaginar onde deveria colocar o stoploss, algumas considerações me fizeram refletir. O primeiro nível que surgiu seria ao redor de R$ 3,30, um risco de 6% para um ganho potencial entre 7% - 11%, nada espetacular. Em seguida, imaginei que poderia apertar mais e indicar R$ 3,25; nesse caso o stoploss seria de 4%, o que parece melhor” ...


Depois dessas palavras, “abrindo meu coração”, e não é papo de autoajuda, decidi por uma sugestão de trade: ... Vou optar por essa última e colocar um trade correspondente a ¼ das ordens normais. Venda de dólar a R$ 3,11 no fechamento de NY, com um stoploss a R$ 3,25. Qualquer mudança de opinião, acompanhe o Mosca como de costume” ...

Dos 2 cenários apresentados no gráfico acima, parece que a opção 1 em azul se aproxima. Tudo indica que o dólar deva romper o nível de R$ 3,11, caminhando para o próximo nível de R$ 2,90, nível esse que apontei a um bom tempo. É verdade que, em novembro, quando o dólar subiu até R$ 3,50, imaginei que o movimento de alta estaria iniciando. Do ponto de vista técnico, faltou um elemento importantíssimo que seria uma nova alta acima de R$ 3,50 – ilustrado no gráfico abaixo.


E foi essa a razão da minha aposta, ficando comprado em dólar. Mas, não foi o que acabou acontecendo e fomos stopados. Estou frisando essa situação, pois espelha bem como as coisas podem acontecer em análise técnica. Se eu fosse um fundamentalista nato, provavelmente estaria agora buscando justificar a minha posição e, quiçá, ainda comprado, amargando prejuízos. Até que em algum momento abandonaria o barco. Falar em mudar de ponta, jamais! Como poderia me explicar.


Usando a análise técnica, tenho as seguintes vantagens: Não estou preso a nenhuma direção, somente aos movimentos; limito minhas perdas; não estou sempre envolvido com posições, busco momentos interessantes. E vocês, preferem qual estratégia de investimento?

O SP500 fechou a 2.280, com baixa de 0,60%; o USDBRL a R$ 3,1255, com baixa de 0,46%; o EURUSD a 1,0692, sem alteração; e o ouro a US$ 1.195, com alta de 0,34%.
Fique ligado!   

27 de janeiro de 2017

Nunca dependa muito de um cliente


Durante minha vida profissional, já presencie inúmeras guinadas no comércio exterior. Na verdade, antes do Governo Collor era praticamente impossível importar algum bem; as alíquotas eram extremamente elevadas além dos entraves burocráticos. Esse mesmo governo implementou a maior abertura comercial da história e, desde então, permanecemos com essa política. Agora, pergunte se os empresários brasileiros ficaram felizes? Tenho vários amigos do setor têxtil que lamentam constantemente a concorrência chinesa.

Os EUA sempre foi, até então, um país que incentiva o aumento do comércio exterior; sua estratégia era a de importar produtos de pouco valor agregado e exportar principalmente serviços de alta tecnologia. E a China passou a ser seu maior parceiro comercial. Vários acordos entre grupos de países foram firmados, porém a estratégia era sempre nesse sentido. No caso mexicano, que é baseado sobre o acordo do NAFTA, a relação era mais vantajosa para esse país, pois, pela sua proximidade, inúmeras empresas principalmente do setor automobilístico aproveitaram para construir fábricas que poderiam se aproveitar do baixo custo da sua mão de obra. O gráfico a seguir não deixa dúvida.


Ainda em relação ao México, sua balança comercial é positiva, visto que, sendo um país emergente, não demanda tantos serviços dos americanos. Entretanto, a situação pode ficar horrível, pois uma recessão no México poderá ter consequências nos EUA – inclusive trazendo mais imigrantes mexicanos, que o muro está tentando prevenir. A cadeia de fornecedores para as fábricas mexicanas é extremamente complexa e pode resultar em perturbações e aumento de preços em áreas inesperadas.

Das promessas feitas por Trump, em relação ao comércio exterior, ele escolheu o país vizinho para começar. Quem tinha dúvidas se seu discurso era somente uma jogada de marketing, deve estar refazendo sua crença. Disse que vai construir o muro e para financiar vai instituir uma taxa de importação para todos os produtos mexicanos de 20%, já que o México se recusa a pagar.

O gráfico a seguir mostra que o grande problema do deslocamento da mão de obra não se deve ao México mais sim a China quando aderiu ao WTO. Trump escolheu o primeiro para atacar pois acredita que terá ótimas condições de negociação, dado a fragilidade e dependência do México. Ele sabe que com os chineses o jogo será bem diferente.

 
Se essa ação tomada por Trump for estendida a todos seus parceiros com os quais tem déficit comercial, onde os principais são: China, Alemanha e México, haverá no curto prazo um deslocamento de preços dos produtos que são trocados entre esses países. Uma forma imediata de compensar essa alíquota seria a desvalorização da moeda desses países. Das 3 nações apontados, somente o peso mexicano se desvalorizou significativamente.

Nos dois próximos gráficos podemos verificar o movimento contrário entre o peso mexicano e o real. Segundo esse método o peso mexicano está subvalorizado enquanto o real sobre valorizado.


A seguir, o real encontra-se em situação inversa, dado a recente valorização de nossa moeda, impulsionada por fatores internos e também externos. Desta forma, em termos relativos, os produtos brasileiros ficaram muito caro para os mexicanos enquanto os produtos mexicanos ficaram muito barato para os brasileiros. Esse é um subproduto da guerra travada pelos EUA com o México.

 
Se Trump resolver levar a ferro e fogo suas promessas de impor tarifas aos países que “roubaram” os empregos dos americanos, pode-se esperar uma elevação da volatilidade nos mercados de câmbio, pois é por onde se pode ter um alívio dos futuros aumentos de alíquotas de importação. Ou seja, é pelo câmbio que os exportadores poderão manter parte de suas margens.

Agora, e se esses países resolveram adotar a mesma política e aumentar suas alíquotas de importação para os produtos americanos? Dependendo da importância e da elasticidade desses produtos, poderá haver um movimento cambial em sentido contrário. Meio confuso, não é? Bastante, mas essa é a personalidade de Trump, uma pessoa levada pela emoção e que, independente de quaisquer consequências, quer ganhar a batalha.

Se essa política míope de acreditar que agindo assim irá aumentar o emprego nos EUA, o que não necessariamente é verdade, uma coisa é clara, a inflação vai subir ao redor do mundo, e não era essa a inflação que os bancos centrais estão querendo.

Os países que mergulharam de cabeça em projetos para buscar a expansão de suas exportações baseada em fundamentos válidos do ponto de vista econômico, a regra simples que deveriam seguir é a de não depender de um só cliente, nesse caso, de um só país. A China se apercebeu disso e nos últimos anos diversificou bastante seus mercados, inclusive, hoje, a Europa é mais importante que os EUA.

No post jogando-na-defesa, fiz os seguintes comentários sobre o euro: ...” No momento não tenho nada a sugerir, e apenas indicativamente, se o euro ultrapassar 1,09, o processo de queda será postergado. Por outro lado, uma queda abaixo de 1,05 deverá desta vez levar o euro para a paridade, ou quem sabe, abaixo disso” .... Desde essa última atualização, a moeda única vem subindo de forma lenta.


Eu destaquei esse último movimento de alta que é típico de uma correção “chata”, dá 2 passos para frente e 1 a 1 ½ passo para trás, ficando difícil qualquer estratégia ganhadora. Os níveis apontados no gráfico merecem uma tentativa de trade. Proponho a venda de ½ a 1,0825 e a outra metade a 1,0935, com um stoploss a 1,105.


É uma tentativa sem um alto grau de convicção, principalmente no stoploss, que deveria ser colocado no nível de 1,13. Mas, não estou disposto a arriscar tanto. Por outro lado, pode ser que nem chegue lá. Caso esse último cenário aconteça, não vou ter nenhum problema de vender o euro a níveis inferiores; mas claro, terei um grau de convicção maior.


O SP500 fechou a 2,294, sem variação; o USDBRL a 3,14, com queda de 1,18%; o EURUSD a 1,0694, com alta de 0,13%; e o ouro a US$ 1.191, com alta de 0,23%.
Fique ligado!

26 de janeiro de 2017

Dow Jones: 20k


Donald Trump perdeu temporariamente parte dos holofotes. O seu concorrente foi o índice Dow Jones que rompeu o nível histórico de 20.000 pontos. Só o Wall Street Journal reserva 3 reportagens sobre o assunto.

Da mesma forma que as pessoas organizam festas para comemorar aniversários decenais, o mercado financeiro faz o mesmo. Naturalmente é muito diferente essas duas situações.

O índice Dow Jones é recalculado periodicamente, tanto o peso de cada ação como a sua composição se alteram. Outra grande diferença, é que o índice pode andar para trás.

Do ponto de vista prático, tanto pela análise fundamentalista como na análise técnica, esse fato não tem a menor importância, é apenas um número redondo. Mas não é o Mosca que vai querer contrariar o comportamento das pessoas, e o impacto psicológico influencia sim os investidores.

O Wall Street Journal, num de seus artigos, publicou uma análise apontando qual companhia colaborou mais para que o Dow Jones atingisse essa marca. Esse resultado parte da mínima atingida em 9 de março de 2009. Os 5 maiores colaboradores foram: Boeing, 3M Company, Home Depot, IBM e UnitedHeatth Group. A Apple, uma das ações que mais subiram nos últimos anos, contribuiu negativamente.


Mas o Dow Jones é uma boa métrica para a avaliação do mercado acionário americano? Não é o que acha o Wall Street Journal. A decisão de quais empresas devem compor as 30 ações ainda é feita pelos diretores desse veículo. O fato é que o Dow Jones é muito falho.

Segundo esse jornal: ...“Não é uma boa medida do mercado como um todo – de fato não foi nem desenhado para tanto. Não é um bom guia de investimento. Não é calculado de uma forma sensível. Não é nem correto! ”...

A principal falha é seu método de cálculo. O Dow é uma média do preço das ações. A principal razão vem do passado, pois a avaliação dessa forma era mais fácil quando não existiam os computadores. Mas os preços das ações são arbitrários, uma vez que dependem da quantidade de ações emitidas; algumas companhias têm preços elevados, o que lhes dão maior peso no índice. Os índices mais modernos são ponderados pelo seu valor de mercado, e normalmente ajustados pela quantidade de ações em circulação. Assim, fornecem uma representação melhor do mercado como um todo.

Além de outras falhas que esse índice apresenta, os investidores não colocam seus recursos de acordo com o Dow Jones.  O fluxo para esse índice foi de US$ 35,9 bilhões enquanto o fluxo para o SP500 foi de US$ 2,1 trilhões. Isso dá mostras de seu pouco uso em termos práticos.

Mas é inquestionável sua penetração. Dada sua longa história, qualquer pessoa que for perguntada sabe que é um índice acionário. É um ícone indiscutível.

A conclusão do post de hoje é que a comemoração tem um aspecto mais de marketing que real, mas que indiscutivelmente mostra que a bolsa americana continua em alta. Só para contrapor, um relatório publicado pelo Gavekal, aponta a fragilidade da alta. Segundo seus argumentos, em algum momento o mercado terá que corrigir está distorção.  

No post andando-no-vacuo, comentei que os juros de 10 anos atingiram um nível de retração que apontei – 2,3% a.a., e que mesmo assim, manteria minha posição no trade que aguarda execução: ...” embora esse possa ser o mínimo a ser atingido nessa retração, vou manter o nível de 2,20% para entrar no trade apostando que os juros irão subir. O stoploss fica também mantido em 2%” ...


Desde aquela data o juro subiu, e agora se encontra a 2,52%, próximo ao nível máximo de 2,65% atingido recentemente. O que fazer, apostar já ou esperar? A prudência me indica que devo esperar, porém os indicadores que acompanho são muito positivos. Ganância x Prudência, essa é a questão.

Conforme aponto no gráfico a seguir, existem duas possibilidades no curto prazo: a primeira em azul assinala para uma continuidade; e a segunda em rosa, uma manutenção da mini correção, podendo atingir o nível proposto acima.

O Mosca vai manter a postura mais conservadora, afinal não teria como informar mudanças de curto prazo. Para que os leitores não fiquem frustrados, vou dar uma dica de quais seriam esses níveis.

Para quem quer entrar já - 2,52%, sugiro um stop arbitrário de 2,30% a.a., com uma acompanhamento diário no andamento desse ativo. O termo arbitrário é no sentido de limitar as perdas.


Por outro lado, vou deixar mais um trade anotado para apostar na alta dos juros, se estiver a 2, 65% no fechamento de NY, com um stoploss a 2,50%. Os dois trades existentes, um exclui o outro, caso haja efetivação de um deles.

O SP500 fechou a 2.296, sem alteração; o USDBRL a R$ 3,1775, com alta de 0,20%; o EURUSD a 1,0680, com baixa de 0,48%; e o ouro a US$ 1.188, com baixa de 1,74%.
Fique ligado!

24 de janeiro de 2017

A farra dos bancos centrais


Os bancos centrais ao redor do mundo têm adotado políticas monetárias de juros baixos ou negativos e vêm alocando os recursos provenientes de sua intervenção em ativos de risco.

Bancos centrais da Suíça, e até os da África do Sul, estão investindo uma parte importante de suas intervenções em ações, títulos de companhias e outros ativos mais arriscados. Abandonando sua prática tradicional de investir essencialmente em títulos super garantidos de governos como os do EUA. Mas, neste momento, que o crescimento global, os juros e retornos potenciais em muitos ativos é extremamente baixo, muitos dos bancos centrais estão cada vez mais focados em maximizar seus retornos.

Para se ter uma ideia desse fluxo, em 2009 o SNB – Banco Central Suíço – detinha 9% de seus ativos em ações. Agora, esse percentual já se encontra em 20%, incluindo investimentos de US$1,7 bilhão na Apple, US$ 1,08 bilhão na Exxon e US$ 1,2 bilhão na Microsoft.

Em uma pesquisa recente realizada pela Invesco com os gestores de diversos bancos centrais, uma porção significativa de 80% respondeu que investirão mais em ações e 43% em bonds corporativos. Segundo alguns analistas, essa ação tem impactos significativos para os mercados e a economia global. Além disso, estão contratando profissionais mais especializados para implementar essa estratégia.


Ao mesmo tempo, o esforço para investir fundos das reservas de uma forma mais ampla significa que mais mercados estarão sujeitos ao que alguns críticos descrevem como a distorção dos bancos centrais, uma vez que, compradores dessa magnitude, insensíveis aos níveis, aumentam a possibilidade de elevar os preços e reduzir a perspectiva de retornos para os outros participantes do mercado.

Talvez o BOJ – Banco Central do Japão – esteja em uma fase avançada nesse quesito. Com intervenções incessantes no mercado financeiro através da injeção de yens, tem um problema crescente do que fazer com a contrapartida. Por exemplo, veja a seguir a posição desse banco central no mercado acionário japonês, onde sozinho detêm 70% de todos os ETFs emitidos!


No caso do FED, uma questão foi colocada. Depois de oito anos após o lançamento de seu primeiro programa de compra de bonds para salvar a economia americana, questiona-se quando e como esse estoque enorme de US$ 4,5 trilhões começara a diminuir. É uma decisão muito delicada e perigosa, pois suas consequências são conhecidas – elevação dos juros longos – mas não qual seria sua dimensão.

 
Embora esse assunto foi levantado por alguns membros do FED. James Bullard, Presidente do FED de St. Louis, manifestou sua preferência em usar esse estoque em combinação com a elevação dos juros. Outros membros são de mesma opinião. Porém, 2017 será um ano “diferente” também no FED, com o mandato da Professora Yellen terminado no início de 2018, em conjuntura com a imprevisibilidade do Presidente Trump, é bem provável que essa discussão seja postergada para 2018. A não ser que Trump, em lembrança de seus tempos do programa “The Apprentice”, diga literalmente para Yellen: “You are fired!”. Duvidam? Hahaha ...

Além dos bancos centrais dos países desenvolvidos, os bancos centrais dos países emergentes também aumentaram suas reservas; em parte pelas lições das crises do passado, quando alguns países foram forçados a desvalorizações expressivas de suas moedas pois os mercados se voltaram contra eles. Agora, essas reservas elevadas pressionam os gestores desses bancos centrais a diversificar.

Existem basicamente dois tipos de razões para acumulo dessas reservas, um deseja emitir sua própria moeda para evitar uma valorização da mesma, como é o caso do banco central da Suíça, o outro, onde compreende os países menos desenvolvidos, onde se encontram as maiores reservas –, tende a imprimir sua moeda para comprar ativos estrangeiros. Desta forma, poupam para momentos difíceis, mas tem como contrapartida, uma desvalorização de sua moeda no presente.

O grande questionamento é: qual a razão dessa diversificação por mais risco se a autoridade monetária não deveria almejar retorno? Talvez seja a forma de justificar suas intervenções mostrando que não perdem dinheiro.

A verdade é que eles estão atuando como hedge funds gigantes, com uma enorme vantagem: não precisam publicar sua cota periodicamente. Por outro lado, também não ficam bilionários. Mas essa realidade me parece temerosa, pois se a inflação subir e tiverem que reverter, comprando de volta sua moeda para evitar uma desvalorização desordenada, quem irá comprar está montanha de ativos de risco?

Esse movimento de compra de moeda local e venda de dólares já está acontecendo na China. Por enquanto, dos quase US$ 3 trilhões de reservas existentes, os US$ 800 bilhões que foram consumidos, acredito que boa parte foi possível pela venda de ativos líquidos – títulos do governo americano. Mas, como acontece num hedge fund que experimenta saques, os últimos é que pagarão o pato, que, neste caso, acarretaria uma desvalorização maciça do yuan.

Algum dia essa farra dos bancos centrais terá que acabar. Eu só espero que não seja de forma desordenada, porque a história mostra o contrário.

No post de final de ano SP500-céu-azul, fiz os seguintes comentários sobre o SP500: ...” O SP500, ao romper a resistência de 2.200, abriu caminho para novas altas, conforme mencionei no post a-ilógica-financeira. O gráfico a seguir, com preços trimestrais, verifica-se claramente que após 2009 a bolsa está num canal de alta que nunca foi violado (linhas verdes). O próximo objetivo é 2.500 e se ultrapassado, irá rumo ao 2.950” ... É indiscutível meu tom positivo para a bolsa americana.

Mas, porque não estamos comprados? A resposta foi dada no post a-ilógica-financeira: “Um cálculo aproximado de risco retorno me leva a um ganho potencial de aproximadamente 5% - de 2.240 para 2.350, e uma perda no stoploss de aproximadamente 2% - de 2.240 para 2.200. Há de se considerar também um potencial ganho adicional caso o índice atinja 2.450 (9,3%). Não parece ruim, porém vou deixar em suas mãos, pois, como comentei ontem, vou estar ausente por um tempo” ...

Hoje, nos encontramos mais ou menos na mesma situação acima. Com o SP500 a 2.265, ainda não sou compelido a me posicionar, embora acredite que o mercado seja de alta. O próximo gráfico fornece uma visão de médio prazo e o objetivo de 2.500, apontado no post de final de ano, parece estar no radar.


Já no curto prazo, parece que a bolsa está consolidando para uma nova alta. No gráfico a seguir aponto as 2 possibilidades que imagino.


Caso ocorra a hipótese 1 – azul –, desejo boa sorte aos comprados e vou esperar uma outra ocasião; caso ocorra a hipótese 2 - verde –, posso me envolver mais adiante.


Muitos analistas ficaram mais receosos nos últimos dias e estão recomendando cautela ou mesmo a saída da bolsa. Meus dados técnicos não indicam nada que perturbe a trajetória ascendente. Let the market speak!

O SP500 fechou a 2.280, com alta de 0,66%; o USDBRL a R$ 3,1710, com alta de 0,26%; o EURUSD a 1,0732, com baixa de 0,29%; e o ouro a US$ 1.209, com queda de 0,63%.
Fique ligado!

23 de janeiro de 2017

Olhando no espelho


Depois de um fim de semana de comemorações, Donald Trump não tem mais com quem reclamar, pois a bola agora está em seus pés. A sensação de depressão pós eleição deve ter se instalado. Uma rotina muito diferente da de um empresário é a nova realidade do novo Presidente. Daqui em diante saberemos se vai implementar aquilo que prometeu, e isso não depende só dele, mas também da aprovação do Congresso americano.

Uma pesquisa feita pelo Bank of America aponta como maior risco uma eventual guerra comercial de políticas protecionistas, conforme o gráfico a seguir. Notem que no período de um ano o foco mudou radicalmente, onde o maior risco anteriormente era a deflação e eventuais quebras de bancos. Dá para fazer apostas de longo prazo e esquecer?

 
No quesito mão de obra, grande bandeira defendida por Trump, os dados não apontam para tanto otimismo. Ao se deparar com os custos por hora, comparativo entre EUA, México e China, não existe nenhum argumento racional para que um empresário desmonte suas fábricas nesses locais a fim de atender a um pedido (ameaça) do novo Presidente. Só se houvesse outros benefícios que não o discurso “We are going to make America Great!”. Esse movimento seria no mínimo inflacionário.


O mercado financeiro já aponta para essa possibilidade – elevação da inflação. Um indicador usado é o cálculo da inflação implícita nos títulos de renda fixa, comparando os de juros nominais contra os indexados. O resultado pode ser visto a seguir.

Aqui no Brasil a discussão permanece no nome que irá substituir o Ex-Ministro Teori na lavajato. A Presidente do STF, Carmen Lúcia, deve indicar um nome em breve, porém, independente de quem seja, o processo sofrerá atraso e isso poderá ter consequências financeiras importantes para Odebrecht que já está com a corda no pescoço.

Embora os resultados do final de ano ainda foram ruins quando comprados com do ano anterior, já existe algum alento no horizonte. Isso pode ser constatado através da expectativa dos empresários em relação ao futuro.

 
Outra observação que se nota é o elevado grau de otimismo dos investidores estrangeiros que veem o Brasil como uma boa oportunidade.

Eu iria comentar sobre o SP500, porém o dólar poderá oferecer uma oportunidade proximamente, e eu gostaria de deixar um trade na lista. No post lições-de-vida, fiz os seguintes comentários: ...” Não consigo dar nenhuma sugestão no momento apontando para uma alta ou baixa, embora a maior possibilidade é de baixa. Se alguém quiser se aventurar na venda de dólar sugiro um stoploss curto ao redor de R$ 3,30 – 3,35. Uma segunda estratégia seria esperar atingir esse nível – R$ 3,30/3,35, para vender, e por último, esperar romper para cima de R$ 3,50 e comprar, ou abaixo de R$ R$ 3,12 para vender” ...


Ao analisar vários aspectos técnicos, fiquei em dúvida sobre o que fazer caso o dólar rompa o nível de R$ 3,11. Vender, é isso o que eu deveria fazer, contudo, ao imaginar onde deveria colocar o stoploss, algumas considerações me fizeram refletir. O primeiro nível que surgiu seria ao redor de R$ 3,30, um risco de 6% para um ganho potencial entre 7% - 11%, nada espetacular. Em seguida, imaginei que poderia apertar mais e indicar R$ 3,25; nesse caso o stoploss seria de 4%, o que parece melhor. Mas, foi o gráfico semanal que colocou uma grande pulga atrás da minha orelha. Veja a seguir.


As 3 semanas apontadas com as flechas em azul são chamadas em análise técnica como “triple bottom”. Antes que meu amigo pergunte, vou explicar. Observe que nessas 3 ocasiões o mercado negociou uma mínima durante a semana, porém fechou no preço máximo, ou próximo dele. Este é um indicador considerado de reversão de tendência, que não necessariamente acontece. Foi por causa dessas constatações que eu sugeri um trade de compra de dólar em dezembro passado.

Por outro lado, outros indicadores que sigo apontam uma boa oportunidade de venda de dólar. O que fazer? Ou nada ou uma posição pequena. Vou optar por essa última e colocar um trade correspondente a ¼ das ordens normais. Venda de dólar a R$ 3,11 no fechamento de NY, com um stoploss a R$ 3,25. Qualquer mudança de opinião, acompanhe o Mosca como de costume.


 O SP500 fechou a 2.265, com baixa de 0,27%; o USDBRL a R$ 3,1639, com queda de 0,15%; o EURUSD a 1,0744, com alta de 0,42%; e o ouro a US$ 1.215, com alta de 0,51%.
Fique ligado!

20 de janeiro de 2017

"Shit Happens!"


Quem tem uma mente matemática e conhece estatística pode aceitar melhor situações da vida. No passado, fui assíduo frequentador dos Cassinos e ficava até altas horas buscando quebrar a banca. Na verdade, nunca fui um grande jogador, porém tinha uma grande disciplina nas apostas. Não saberia dizer qual o meu resultado final, mas deve ter sido negativo, embora me recorde de que nos últimos anos tive alguns momentos positivos.

Depois de muito tempo, a convivência diária com os mercados fez com que eu me desinteressasse completamente pelo jogo, afinal, sendo racional, como eu poderia entrar numa aposta onde minha chance de ganho não era nem 50/50?

Neste ano fui com meu filho e enteadas ao Cassino e, depois muita insistência, decide arriscar US$ 100. Acho que minha atitude foi desmotivadora, se é que eles esperavam um jogador arrojado. Mecanicamente, colocava minhas apostas no mesmo número da roleta e, sem a menor emoção, aguardava o resultado. Em determinadas situações, quando não era contemplado, eles exclamavam a meu lado, “puxa, quase acertou em cheio! O número que deu estava do lado do seu!”. Eu nem me mexia, movia novamente minhas fichas para a próxima rodada.

Eu sabia claramente que dependia da sorte e caso desse o meu número, imediatamente iria ao caixa para trocar todas as fichas. Que graça tem jogar? Me desculpem os que adoram, mas não acho nada divertido. Para uma pessoa como eu, que tem esse enfoque, é chato ter que esperar um momento de sorte. Mas, não nego que esse momento pode acontecer.

Essa introdução se deve ao “acidente” ocorrido ontem, com a queda do avião que levava o Ministro Teori Zavascki, juntamente com seu amigo Carlos Alberto Filgueiras, dono do Hotel Emiliano. Assim como eu, vocês devem ter recebido inúmeras mensagens de Whatsapp sugerindo que não foi um acidente, com estatísticas como a da revista Exame, que publicou apontando que a probabilidade de morrer na queda de avião desta forma é de 1 em 11 milhões.

O fato do ex-Ministro ser o relator do caso lavajato leva a teorias de conspiração e, para dar maior sustentação a quem está lendo, outros eventos são elencados, embora não tenham nenhuma relação entre si. Não sou especialista em acidentes aéreos, bem como também não o é quem publica essas informações, mas me parece que esse é mais um caso que se encaixa na frase “shit happens”.

Assim como no caso da roleta, naturalmente com uma probabilidade de ganho bem superior à de um acidente aero, aviões caem! Eu não vou deixar de viajar de avião por causa disso, as chances de não acidente são muito superiores a acertar no número 32 da roleta, como foi divulgado pela mídia a jogada feita pelo filho de um empresário. Ambos podem acontecer! Agora, o que soa um pouco estranho é como um Ministro do STF aceita uma “carona” em avião particular. Eu acredito que algumas profissões exigem uma postura ética muito diferente a outras. Se eu fosse convidado não teria problema, mas um Ministro sempre poderá suscitar certas dúvidas. Não estou sugerindo nada, apenas acho que ele não deveria ter aceitado.

Bem, mudando de assunto, hoje é dia de comemoração; finalmente, o “já-Presidente” será empossado. O mercado aguarda com ansiedade seu discurso, mas acho que ele vai reforçar tudo que disse anteriormente, não teria porque ser diferente. O que irá contar daqui em diante não é o que ele diz, mas o que ele faz. A sorte está lançada!

Ontem Mario Draghi, o “Ex-Super Mário”, decidi tirar seu título, pois ultimamente vem decepcionando. Na reunião mensal do ECB, publicou como de costume os argumentos de sua decisão, a de manter as taxas de juros em níveis negativos, além de continuar injetando recursos no sistema através da compra de títulos. Seus motivos podem ser vistos abaixo em destaque.


Os dois argumentos citados não condizem com a realidade em que o mundo se encontra. O primeiro, que a possibilidade de queda da atividade poderá advir de fatores globais, não parece acontecer; tanto os EUA, bem como a própria China que publicou seu PIB ontem referente a 2016 em 6,7%, não apontam nesta direção. Já seu segundo argumento difere muito da expectativa do mercado que vê a inflação subindo na zona do euro, conforme se pode verificar na ilustração a seguir.


A conta corrente da zona do euro, outra estatística que mede a solvência, atingiu novo recorde, chegando em 36 bilhões de euro.

O único argumento que poderia de certa forma preocupar é o elevado grau de endividamento por parte dos governos, nas economias desenvolvidas, que vem crescendo de forma preocupante. Mas, nesse ponto, os grandes culpados são o Japão e a própria Europa. Está na hora dos bancos centrais começarem a interferir menos no mercado mobiliário. Como se deve fazer, isso é outra história; é algo muito delicado.


Embora os emergentes estejam relativamente comportados na emissão de dívidas, a classificação de risco dos países latino americanos não tem nada com o que se orgulhar, muito poucos tem investment grade.


No post com minhas previsões para 2017 SP500-céu-azul Tracei dois cenários muito diversos para o índice Bovespa, que repito abaixo:

...“Let´s go” – Acompanhando a alta de seu tio mais rico, o SP500, o índice Bovespa estaria num movimento de alta de mais longo prazo, o que poderia leva-lo a níveis de 80.000 e posteriormente 105.000, sendo esse último o mais provável” ...

...“Não espere por mim” – Nesse caso, a correção ainda estaria em curso e, como vocês bem sabem, não se pode estimar sua duração nem quais os níveis, pois dependerá do seu formato – triângulo, flat o etc... O que eu posso dizer é que no limite poderia voltar a 30.000, porém entendam que isso não é uma previsão”...

Eu sei que colocações deste tipo não resolvem muito, porém a análise técnica me obriga a alertar para situações como esta.

- David, mas enquanto você estava na boa vida o índice Bovespa subiu e está próxima das máximas.
Então vamos ver o que eu disse numa última atualização no post Fungando-no-cangote-do-BC: ...” Por outro lado, não consigo ainda responder que tipo de correção se desenha: pequena, média ou grande. O máximo que consigo neste momento é traçar alguns níveis de acompanhamento” ...


Parece que o índice Bovespa está pronto para atingir novas altas e o cenário “Let´s go” acima poderá se concretizar. Assim, vou colocar uma sugestão de trade caso o índice feche acima de 66.000 com um stop a 62.000; tudo indica que isso é o mais provável, mas é importante que ultrapasse essa marca.

O post de hoje trata de eventos não prováveis que acabam acontecendo e, no caso do índice Bovespa, seria uma nova rodada de queda que colocaria esse ativo nos meus parâmetros anteriores, mas. Ao invés de ficar enchendo vocês com números, vamos concentrar na possibilidade traçada acima.


O SP500 fechou a 2.271, com alta de 0,34%; o USDBRL a R$ 3,1685, com queda de 0,87%; o EURUSD a 1,0699, com alta de 0,34%; e o ouro a US$ 1.209, com alta de 0,38%.
Fique ligado!

19 de janeiro de 2017

A moda é tuitar!


Eu estava imaginado que a quantidade de notícias sobre a posse de Trump terminaria amanhã, mas eu me enganei. O “Já-Presidente”, Donald Trump, está imprimindo uma nova forma de governar. Faz parte de seu estilo usar o Twitter constantemente dando recados de toda espécie.

Do ponto de vista psicológico, não resta dúvida que ele se encaixa como narcisista e, porque não, psicopata; esse último parece estar associado a inúmeros Presidentes, como se fosse um dos pré-requisitos para o cargo. O Twitter atende seus anseios pessoais e, por ser um empresário “raposa”, também fico em dúvida se tem algum interesse nessa empresa, visto que a companhia não vai muito bem ultimamente; veja a seguir como caiu o tempo nesse aplicativo.


Podem se acostumar, durante os próximos 4 anos postará diariamente, e quiçá 8 anos, visto sua intenção de concorrer a reeleição em 2020 com o slogan “We continue to make American Great”. Se a moda pega e além dele outros Presidentes e CEO de Companhias resolvem se comunicar diretamente pelo Twitter, o mundo ficara conectado, pois é inegável a rapidez e acessibilidade dessa ferramenta. A Bloomberg e o Wall Street Journal que se cuidem, pode mudar drasticamente a maneira de transmitir informações. Pensando melhor, por que não seria assim, se a tendência mundial caminha nessa direção de juntar “produtor” ao “consumidor” diretamente? Talvez Trump esteja na dianteira nesse ponto!

Mas na maneira de gerir o país e principalmente sobre economia não é seu forte. Ontem, comentei que a declaração de Trump sobre o dólar fez com que essa moeda caísse. Também observei que teria que combinar com o FED. Pois bem, seu secretário de comércio declarou que mudanças importantes devem ser feitas no acordo NATA – North American Free Trade Agreement. Isso colocou mais lenha na fogueira, com o peso mexicano e dólar canadense sofrendo forte desvalorização após o anúncio, agindo contrariamente a sua intenção, ao fortalecer o dólar.

O próximo gráfico mostra os principais parceiros comerciais dos EUA, com seus respectivos valores de importação, exportação e o saldo da balança comercial. Notem que a China, México e Canada são os que têm maiores volume de transações mas não necessariamente os maiores déficits. Nesse último quesito, a Alemanha e o Japão aparecem em segundo lugar, depois da China. Em outras palavras, mexer no acordo da NATA não faz sentido, pois Canada e México podem programar sanções que diminuam também as exportações americanas para esses países.


A professora Yellen proferiu um discurso no Commonweath Club em São Francisco e reafirmou sua intenção de normalizar a taxa de juros. Veja os principais pontos:


Não deu outra, o gráfico a seguir do índice do dólar publicado pela Bloomberg , mostra que a moeda americana deu meia volta e retornou ao ponto que estava antes da declaração de Trump.



Samba do crioulo doido!

Para finalizar, ontem foi publicado o índice de inflação – CPI, que está agora acima de 2%, tanto o índice que exclui gasolina e alimentos, bem como o cheio. É interessante notar que a inflação de 2,1% no ano de 2016 se distribui de forma diferente entre seus componentes. Observem que os serviços ficaram em níveis relativamente elevados quando comparado ao CPI. Já alguns produtos e serviços relacionados à tecnologia sofreram deflação.


No post politicos-mantem-o-vicio, fiz os seguintes comentários sobre o ouro: ...” entre US$ 1.170 – US$ 1.200 o metal já deveria dar mostras de reversão, onde posso entrar com um trade de compra. Porém, o ouro poderá continuar caindo e anotei no gráfico um intervalo que não deveria romper caso eu esteja certo – reversão da queda. Esse intervalo é entre US$ 1.140 – US$ 1.120. Se mesmo assim, depois de atingir esse último intervalo, continuar caindo, ficarei muito desconfiado da minha previsão de alta” ....


No dia 18/12, o ouro atingiu a mínima de US$ 1.122, dentro do intervalo acima apontado. Passou pela minha cabeça “Ah, se eu estivesse na ativa, teria comprado”. Mas, do que adianta esse pensamento? Só para massagear o ego. Não sei o que eu teria feito! O importante é que o ouro respeitou com dignidade o intervalo que apontei.

Estou apresentando o próximo gráfico de forma um pouco diferente da usual para poder apontar alguns fatos relevantes.


Incialmente, notem que houve 4 tentativas de rompimento para cima e 4 para baixo contidas entre as retas em rosa. Foi somente na última que  o ouro rompeu para cima. É bastante comum em movimentos terminais essa configuração onde os preços ficam contidos até que haja o rompimento. Depois disso, atingiu a máxima de US$ 1.360, e logo em seguida, voltou a testar novamente a reta anterior ao rompimento – destacado no gráfico em azul claro. Em seguida voltou a subir e encontra-se atualmente em US$ 1.200.

- David, bonito relato, impressionante. E daí!
Obrigado, espero que o elogio seja sincero! Hahaha .... Minha intenção foi mostrar a importância dessa reta neste caso.

Agora estamos com o seguinte dilema: ou o rompimento foi um false break e o ouro ainda está no seu caminho de baixa, ou esta baixa mais recente foi um “last Kiss” e o movimento de alta estaria em curso. Como saber? Espere o mercado dizer – “ Let the market speak” .

Acima de US$ 1.250 aumentam as chances da segunda hipótese e abaixo de US$ 1.160, da primeira. Por enquanto, ficamos de observadores.

O SP500 fechou a 2.263, com queda de 0,36%; o USDBRL a R$ 3,1962, com queda de 1,07%; o EURUSD a 1,0662, com alta de 0,30%; e o ouro a US$ 1.204, com alta de 0,10%.
Fique ligado!