Inflação: A Revanche

22 de setembro de 2017

O SNB acertou no que não viu


No post vende-se-helicópteros, fiz um relato detalhado sobre a forma que o banco central da Suíça se enrascou para sustentar sua moeda o franco suíço. Só para relembrar, essa instituição resolveu montar uma carteira de títulos e ações para investir os recursos que recebeu quando interveio no mercado cambial. A seguir estão as posições de parte de sua carteira.


Como contrapartida dessa ação alavancou com gusto seu ativo e passivo, e lucrou muito. Entendam como: no passivo está a sua moeda, o franco suíço, que paga juros negativos, no ativo uma carteira predominantemente com títulos em euros – que cobre parte do risco cambial – e ações de empresas, cujas cotações subiram muito. Merece parabéns? Não, desde de quando um banco central deve atuar como um hedge fund? Mas foi o que eles fizeram.

Acontece que esse banco central tem uma característica suis generis, emitiu ações que são negociadas na bolsa de valores, ou seja, qualquer um pode comprar ações do SNB. Quando soube disso, há alguns anos, pensei: quem seria trouxa para comprar ações de um banco central, se fazem besteiras a maioria do tempo ou são guiados por ações políticas?

Essas ações explodiram de preço, uma demanda desconhecida comprou freneticamente os papéis do SNB. Mas baseado em quais informações alguém faz estas compras? Enquanto o SNB divulga dados mensais em seu balanço e lucro trimestral, ele não tem as mesmas métricas financeiras que a maioria das empresas listadas. O banco central também não é coberto por analistas da mesma forma que bancos comerciais ou empresas.



Alguns analistas até questionam se não está ocorrendo uma bolha. Comparando a evolução de preços entre essas ações e o Bitcoin, no gráfico a seguir, se pode concluir que a primeira tem um movimento muito mais consistente.


Uma reportagem do Wall Street Journal comenta ... “aqueles que procuram uma boa razão por trás do rali, ou tentando julgar se o estoque é bastante valorizado, provavelmente ficarão decepcionados” ... Pode ser, mas seguramente seu resultado é real, ou seja, os burocratas ganharam uma nota!

Existem apenas 100.000 ações em circulação, em um dia médio, cerca de 174 ações do SNB são negociadas, em comparação com cerca de 12 milhões para o Credit Suisse. Esse fato, pode exagerar os movimentos.

Quem escreveu essa matéria quis questionar a declaração do CEO do JP Morgan, que afirmou ser o Bitcoin uma fraude, e questiona se esse não seria um caso similar. Embora o movimento de ambos os ativos – Bitcoin e ações do SNB – são semelhantes, um não tem nada a ver com o outro.

Em situações como essa sou levado a crer que este jornalista está comprado em Bitcoin e ficou p@&o porque as cotações do Bitcoin caíram. A esse jornalista tenho a dizer que, os preços do Bitcoin iriam cair de qualquer maneira, a declaração foi o estopim.

- David, então você recomenda a compra das ações do SNB?
Está louco? Vejo dois grandes riscos nessa posição, primeiro a baixíssima liquidez, diferente de ações de uma companhia “normal” você pode sair da posição quando deseja sem muitos problemas, nesse caso, poderá ficar a vida inteira; segundo que existe um risco de liquidez dos ativos do SNB, caso o banco central tenha que vender para recomprar o franco suíço, mesmo com lucro em suas posições.

O maior problema é que o objetivo do SNB é muito diferente de um hedge fund. Atiraram no que viram e acertaram no que não viram!

Mas não é só SNB que se meteu neste campo, o BOJ faz loucuras ainda maior. Hoje em dia, eles e o ECB são os únicos que continuam a manter os helicópteros no ar, o primeiro com frota extra! Com tantos recursos recebidos, compram de tudo. O gráfico a seguir mostra que o BOJ já detém 60% de todos os ETF japoneses. Imaginem se alguma coisa sair errada, por exemplo a inflação subir, e tiverem que vender essa posição!


No post bitcoin-e-torre-eiffel, fiz os seguintes comentários sobre os juros de 10 anos: ...” os juros subiram, e se encontram agora em 2,20%. Será que o movimento de alta que estou esperando já começou? ” ... ...” No gráfico abaixo apontei um possível movimento de queda antes que a alta se materialize” ... ...” se por acaso os juros estiverem no caminho de alta, o nível de 2,35% -2,40% precisa ser ultrapassado” ...


Eu tinha indicado no post acima, que se os juros chegassem em 2,25%, iria propor um trade apostando na queda do juro. Mas resolvi aguardar, fiquei na dúvida.


No gráfico acima apontei duas possibilidades, preto ou vermelho. Na primeira – preto - já estaríamos no movimento de alta e a confirmação viria ultrapassado o nível de 2,35% - 2,40%; a segunda – vermelha - onde uma nova queda a nível de 2% estaria a caminho. Essa evidencia teria um conforto maior se o juro cair abaixo de 2,22% - 2,18%.

Assim são as correções, previsões sempre passiveis de mudança inclusive de direção. Não se deve ficar ruborizado ao mudar radicalmente de sentido, pois conforme o mercado movimenta, novas pistas se evidenciam permitindo avaliar se ainda faz sentido a sua ideia. No caso específico, e sem entrar em detalhes, as duas possibilidades são possíveis. Não foi por acaso que escolhi as cores vermelha e preta, se posicionar hoje seria como apostar na roleta. Dinheiro não é capim!

 
O SP500 fechou a 2.502, sem alteração; o USDBRL a R$ 3,1252, com queda de 0,37%; o EURUSD a € 1,1944, sem alteração; e o ouro a U$ 1.297, com alta de 0,48%.

Fique ligado!

21 de setembro de 2017

Inflação misteriosa


Inflação misteriosa não são palavras do Mosca e sim da Presidente do FED, Jante Yellen, ao ser indagada ontem na secção de perguntas e resposta, sobre a inflação de 2017 “um pouco de mistério”.

O PCE – índice de inflação usado pelo FED para estabelecer suas metas - caiu para 1,4% a.a., depois de atingir um pouco mais de 2% no começo do ano “Não vou dizer que o comitê entende claramente quais são as causas disso”. Algumas forças transitórias, como a queda nos preços de serviços de telefonia, não são suficientes para esclarecer essa queda.


Yellen argumentou que a força da economia e do mercado de trabalho acabará por ajudar a inflação a subir, embora deixe aberta a possibilidade do FED alterar o curso se essa hipótese não se materializar. O Mosca chamou a atenção que a autoridade monetária tenderia a seguir os seus modelos econômicos. Ao invés de pesquisar os motivos do mistério, que poderiam indicar mudanças estruturais na economia.

Ela também comentou sobre os efeitos temporários resultante dos dois furacões que assolaram os EUA neste mês, que terão impacto na inflação e no crescimento. Enfatizou que a história mostra que essas situações são temporárias e que, portanto, não deveriam afetar a decisão do comitê. A ilustração a seguir contém projeções dos indicadores acima feitas pelo FED de Cleveland e Atlanta, apontando uma ideia inicial da sua magnitude.

 
O próximo gráfico mostra o progresso dos preços em três categorias: manufaturados, semimanufaturados e serviços, nos últimos 20 anos, e dá uma ideia como foi a evolução de preços. Os índices foram para caminhos opostos, enquanto os produtos manufaturados apresentaram queda em termos nominas, os serviços subiram. Imagino que o FED tem essa informação e deve ter corrigido os pesos do índice de inflação de acordo.


Agora, se a autoridade máxima do FED assume que os resultados de inflação foram “misteriosos” em 2017, e que mesmo assim, irão utilizar seus modelos para definir a política monetária, o que garante que o mistério não continuará?

Não gostei do termo usado pela Presidente Yellen. Por traz dessa resposta existe uma certa arrogância ao desprezar os fatos, considerando-os como exceção, o que poderia ser a nova realidade. Além do mais, o mercado está apostando que o FED está errado, uma vez que, o juro projetado no mercado futuro aponta para apenas uma ou duas altas de 0,25%.

Alguns analistas dizem que, se o FED elevar os juros da forma que está explicitado em seu relatório, a economia irá desaquecer levando para uma recessão. Começo a considerar essa hipótese caso o “mistério” não seja desvendado!

No post torcendo-pela-inflação, fiz os seguintes comentários sobre o Ibovespa: ...” tive dificuldades ao fazer a contagem das ondas segundo Elliot Waves, parece um serie de subdivisões. Nessas situações o sugerido é deixar a bola rolar. Mas não me iludo, em algum momento haverá quedas. Num mercado de alta são nesses momentos que se deve entrar comprando. O nível agora a se observar é de 80.000, se chegar lá vamos ver como a bolsa se comporta” ...


É impressionante a força da bolsa brasileira, em alguns momentos parece que uma realização está para acontecer, mas nada, chega ao final do dia e o índice fica próxima da máxima. Parece que os investidores estão descobrindo esse ativo.

Acontece que tanto os fatores fundamentalistas como os técnicos estão em sintonia, e quando isso acontece é esperado um movimento direcional forte, sem respiro. Nessas situações é sempre melhor analisar os gráficos com uma visão de mais longo prazo.


Como apontei no gráfico acima o primeiro nível é ao redor de 80.000, que se ultrapassado visaria 93.000, com altas de 7% e 24%.

Eu prefiro que uma correção aconteça no primeiro nível.
- David, como é! Está torcendo contra, explique melhor.
Está quietinho surfando a onda hein? Hahahah ... explico sim, se minha análise estiver correta, no momento que começar uma correção, essa pode ser pequena, média ou grande. Nesse caso, tem uma chance de ser grande. Ao parar no primeiro ponto -80.000 - a correção nominalmente seria menor do que, se fosse o segundo – 93.000.  Para nós não faz muita diferença, pois não pretendo ficar até o fim da vida comprado, em algum momento vamos “descansar” e ficar sem posição. Falando nisso, ajuste o stoploss para 70.000 e por enquanto nada a fazer.

O SP500 fechou a 2.500, com queda de 0,30%; o USDBRL a R$ 3,1417, com alta de 0,31%; o EURUSD a € 1,1938, com alta de 0,39%; o ouro a U$ 1.291, com queda de 0,78%.

Fique ligado!

20 de setembro de 2017

Rosha Shana X FED


Hoje foi um dia concentrado em dois temas: votos de bom ano novo, comemorado no calendário judaico; e a expectativa pelo anuncio do FED, vou começar pelo primeiro. Nessa nova era digital, se tornou pratica o envio de frases acompanhada de ilustrações desejando Shana Tova – Feliz ano novo em hebraico. É costume no jantar á noite servir maça com calda de mel simbolizando que se tenha um ano doce.

Ao receber essas mensagens, pelos vários veículos sociais, me perguntei até que ponto era valido votos dessa forma, aplicado a toda sua lista de contatos. Como consequência, se deveria responder a cada um deles. Naturalmente deveria existir uma hierarquia na lista: família, parentes, amigos próximos e conhecidos. Esta forma de envio coloca todos no mesmo nível, isso torna essa ação de certa forma impessoal. Por outro lado, gera um clima positivo que antigamente não acontecia, pois, os cumprimentos eram feitos pessoalmente, e se limitavam as pessoas que se encontrava.

Cheguei à conclusão que vale muito, pois do mesmo jeito que eu sinto esse clima positivo, meus contatos também o sentirão. Decide mandar a todos, mesmo que não lembrem que foi o David que mandou. Resumindo, essa forma de expressar passa a ser mais institucional que pessoal, mas atinge seu objetivo.

Em relação ao FED, na minha leitura tive acesso as mais variadas opiniões, porém todos concordam que as decisões de hoje, é muito importante para identificar os rumos da política monetária na maior economia do planeta.

A decisão veio em linha com a expectativa do mercado. No lado da retirada de liquidez, o FED começará a partir de outubro próximo com U$ 4 bilhões de títulos imobiliários e U$ 6,0 bilhões de notas do tesouro, aumentando a cada três meses até que se atinja U$ 20 e U$ 30 bilhões respectivamente. Porém o mais importante não foi anunciado, quando termina, ou seja, quanto restara de estoque.

A tabela a seguir mostra as principais projeções feitas pela autoridade monetária. Eu destaquei a queda na taxa de juros do FED Funds – de 3,0% para 2,8%, e a melhora marginal do PIB em 2019.

 
Já em relação aos juros é praticamente consenso entre os membros de que a taxa deve subir na reunião de dezembro. Em 2018 indica mais três altas. A tanto mencionada ilustração denominada de dots, que indica a opinião de cada integrante do FED sobre qual será a taxa de juros praticada no futuro – pontos em amarelo -acabou tendo algumas pequenas mudanças. A mediana para cada ano está indicada na linha verde, enquanto o que está projetado nos mercados futuros com a linha roxa.


O que mais salta os olhos é a continua discrepância entre a projeção do FED e a do mercado, aliás a desse último, apenas se emparelha com poucas visões baixistas dos membros. Outro fator de destaque é em relação as projeções para 2019. Dado a dispersão, considero de pouca utilidade essa mediana, afinal uma variação de quase 100 pontos entre as mais frequentes é muito alta! Notem que nem levei em consideração estimativas de taxa abaixo de 2% a.a. E por último, a ilustração indica uma queda de taxas no longo prazo, em relação a 2020 – Por que?

Eu separaria essas informações em dois blocos: o primeiro que indica os níveis de taxas de juros, o mercado continua não acreditando nas projeções do FED, acredita que os juros subirão muito pouco do nível atual, mais uma ou duas altas de 0,25%; em relação a retirada da liquidez ninguém tem ideia qual será seu impacto, porém como a programação será lenta e demorada, o mercado prefere não levar em consideração e esperar para ver. Sabe em todo caso, que é um estimulo a menos do que existe hoje.

A reação dos mercados foi neutra na bolsa, uma alta moderada do dólar, principalmente em relação ao euro, e uma diminuta alta dos juros longos.

E natural que muitos analistas estão reunidos a fim de calcular os impactos dessas medidas, mas aparenta por enquanto, que era o que estavam esperando.

Hoje á noite no jantar de Rosha Shana, a maça com o mel estará na mesa, desejnado que 5778 seja um ano doce. Agora no caso do FED, se existisse a mesma comemoração, não sei se na hipotética mesa estaria uma maça ou um limão, para comemorar 2018!

Hoje não haverá análise técnica, voltando amanhã a normalidade.

O SP500 fechou a 2.508, sem variação; o USDBRL a R$ 3,1290, com queda de 0,16%; o EURUSD a € 1,1895, com queda de 0,81%; e o ouro a U$ 1.300, com queda de 0,82%.

Fique ligado!

19 de setembro de 2017

Jogo de volta


Amanhã O FED, através de seu Presidente, Janet Yellen, anunciará diversas informações e decisões, aguardas pelo mercado. Primeiro suas novas previsões dos indicadores financeiros para 2018 em diante. Deverá estar contido também, alguma dica se os juros serão elevados na reunião de dezembro. O mercado está literalmente divido com as chances apontando uma probabilidade de 50%.

O banco central também anunciará a redução lenta sua carteira de empréstimos e títulos do Tesouro no valor de U$ 4,2 trilhões, comprados durante e após a crise financeira. Isso o fará de forma passiva, permitindo que alguns títulos vençam sem substituí-los no mês seguinte.

O mercado não se preocupou com os sinais emitidos pelo FED, durante muitos meses, que este momento estava se aproximando. Mas tudo ainda pode dar errado, pois o banco central nunca teve um balanço tão grande.

Se for bem-sucedido, o FED fechará um capítulo sobre um extraordinário experimento de política, que reduziu os custos de empréstimos para as empresas e consumidores, e fornecerá um modelo para outros bancos centrais seguirem. Um erro pode prejudicar o crescimento num momento que as principais economias estão finalmente se expandindo.

O que pode dar errado é difícil de prever. Quando o FED discutiu seus planos para reduzir suas compras de novos títulos em 2013, aconteceu uma queda nos preços dos títulos de renda fixa, implicando uma elevação dos juros. Esse evento foi chamado de Taper Tantrum. A turbulência imprevista incluiu saídas de capital dos mercados emergentes. O desejo das autoridades federais é de evitar uma repetição, assim, elaboraram um planejamento cuidadoso para a diminuição do balanço.


Em junho, o FED disse que quando começar a reduzir o seu balanço, faria isso através de um pequeno montante inicial de títulos - US $ 4 bilhões de hipotecas e US $ 6 bilhões em títulos do governo, por mês. Conforme o tempo passa, o montante seria um pouco maior, até um máximo de US $ 20 bilhões em hipotecas e US $ 30 bilhões em títulos do tesouro por mês. As figuras abaixo dão uma ideia de como será esse fluxo em ambos os títulos.



Para o próximo ano, o FED ainda deve acabar comprando títulos na maioria dos meses, uma vez que apenas uma pequena fração do que vencer não será substituída. É como iniciar um regime comendo “apenas” duas sobremesas por dia ao invés de três.

Uma questão ainda não foi resolvida: Qual será o tamanho final do balanço que o FED pretende? Suas injeções aumentaram o estoque de títulos para US $ 4,5 trilhões, proveniente de menos de US $ 900 bilhões, antes de 2008. Embora essas reservas serão diminuídas, o FED acabará com mais ativos do que antes da crise, porque seus passivos cresceram - há mais moeda em circulação.

O tamanho do balanço poderia ficar entre US $ 2,4 trilhões e US $ 3,5 trilhões no início da próxima década, disse o presidente do FED de Nova York, William Dudley, em um discurso no início deste mês. Isso significaria que, o FED acabaria permitindo que apenas cerca de US $ 1 trilhão a US $ 2 trilhões em títulos vencessem, depois de ter adicionado US $ 3,7 trilhões entre 2008 e 2014. Um dos motivos pelos quais os mercados têm sido relativamente complacentes é que os bancos centrais na Europa e no Japão ainda estão comprando ativos.


O FED quer iniciar agora, porque a economia está mais forte. Seus grandes experimentos se tornaram uma responsabilidade política, com críticas dizendo que a compra de dívida hipotecária, em particular, excedia o mandato do FED, uma vez que o funcionamento normal do mercado havia sido restaurado.

Entretanto, quando as minutas da reunião revelarem os detalhes da discussão, os mercados encolheram os ombros, ajudando a afastar alguns analistas que se preocupavam não ser cedo demais.

Na reunião do FED do mês de junho, os membros que ficaram desconfortáveis ​​com a alta dos juros de forma prematura, expressaram pouca preocupação com relação ao início do plano de redução balanço, principalmente porque será gradual. "Não saberemos as consequências até que realmente a ação seja tomada, estou razoavelmente confiante de que, não é provável, que seja um grande evento ", afirmou Eric Rosengren, presidente do FED de Boston.

Mas na verdade por mais que pareça estar tudo combinado, o volume de recursos a serem retirados do sistema é enorme, e mesmo que seja gradual, o impacto será uma novidade nunca antes ocorrida. Assim como nos torneios de futebol internacional, onde uma partida é realizada num campo e a outra partida no campo adversário, a vitória no primeiro jogo, mesmo com folga, não garante a classificação antecipadamente. O Paris Saint German que o diga, pois quando jogou em casa ganhou do Barcelona por 4 x 0, mas na partida em Barcelona perdeu de 6 x 2.

Jogo no campo adversário tem que ser respeitado, esse é o caso do FED, o jogo é na casa do mercado!

No post o-futuro-é-hoje, fiz os seguintes comentários sobre o ouro: ...” Eu marquei no gráfico abaixo uma área que denominei de “zona de perigo”. Se o ouro pretende continuar subindo da maneira que mencionei e fundamental que essa retração seja contida nesse intervalo. Se romper abaixo começo a desconfiar que meus planos não irão acontecer” ...


Nesses últimos dias o metal tem retraído quase todos os dias, agora se encontra a U$ 1.305, muito próximo de romper a “área de perigo”. Para que vocês possam saber as possibilidades num eventual plano B, o gráfico a seguir, com uma visão de mais médio prazo, pode esclarecer.


B1 – Nesse caso ao romper o nível de U$ 1.200, o ouro se dirige ao nível de U$ 1.120, onde daí em diante, voltaria a subir novamente.

B2 –Como num mergulho, o metal não respeita esses pontos e ameaça a mínima de U$ 1.050, onde em seguida novas quedas se sucedem até atingir U$ 900.

Por essa razão coloquei o stoploss na posição recente em U$ 1.270, se o ouro está num movimento de alta que aguente a pressão, caso contrário, boa parte dos otimistas vão abandonar o barco vendendo suas posições, o que levaria o metal para um dos dois cenários traçados acima.


O ouro tem que subir por forças próprias e não em função de atitudes ou ameaças do “louquinho”. Se o motivo é esse, fica sujeito a todo dia ter necessariamente alguma novidade. Como isso não acontece, vai perdendo força. Como vocês sabem bem, não gosto de imaginar o que deveria acontecer para um mercado se movimentar, esse é um problema dos fundamentalistas, para nós o que vale é preço!

O SP500 fechou a 2.506, com alta de 0,11%; O USDBRL a R$ 3,1346, sem variação; o EURUSD a 1,1993, com alta de 0,34%; e o outo a U$ 1.311, com alta de 0,54%.
Fique ligado!

18 de setembro de 2017

A vaca está no brejo


Um dos posts mais lidos do Mosca, escrito em dezembro de 2011 - está-na-hora-de-procurar-outra-vaca, enfatiza a mudança que eu imaginava ocorrer no setor financeiro. Passados aproximadamente seis anos, essas previsões estão se concretizando. Um artigo publicado pelo Wall Street Journal, do qual extrai alguns pontos, relata a grande mudança no segundo maior banco americano, o Bank of America. Essa ação resultou na eliminação de milhares de empregos. 

O Bank of America, o segundo maior credor do país, fechou cerca de 1.600 agências desde a crise financeira, buscando reavivar lucros e focar nas principais áreas metropolitanas. As reduções são aproximadamente equivalentes ao encerramento de todas as agências do Citigroup e do Capital One nos EUA.

A estratégia representaria uma mudança radical para qualquer grande banco, mas é uma mudança particularmente marcante para um banco construído ao longo de décadas na ideia de oferecer uma rede de costa a costa em áreas urbanas e rurais.

Mas as tensões da crise financeira levaram a uma abordagem diferente. Em 2009, o banco tinha filiais em 725 municípios dos EUA, aproximadamente um em cada quatro em todo o país. Em 2016, foram eliminados em 253 municípios menores, de acordo com uma análise do Wall Street Journal dos dados do regulador bancário.

"Você não pode estar em todos os lugares", disse Dean Athanasia, co-chefe da unidade de consumo do banco, em uma entrevista. No entanto, ele disse que a estratégia do banco, com 4.542 agências, cobre 80% da população dos EUA. "Eu não acho que estávamos posicionados otimamente antes".

AS agências também perderam grande parte da razão de existir porque as transações de rotina, como o depósito de cheques e a transferência de dinheiro, são feitas cada vez mais em computadores ou telefones. Os bancos não podem se livrar das agências, no entanto, porque muitos clientes ainda escolhem seu banco com base na existência de uma filial próxima.

As agências do “velho” Bank of America eram dominadas por uma longa fila de caixas. Nas filiais mais recentes, os caixas estão às vezes no subsolo. As novas filiais enfatizam a venda de outros produtos, com os clientes contratando empréstimos imobiliários ou abordando alguma uma questão de conta esperando em sofás modernos, dialogando com um funcionário que consulta um iPad.

Uma outra entrevista com Vikram Pandit, que dirigiu o Citigroup Inc. durante a crise financeira, disse que a evolução da tecnologia resultará no desaparecimento de 30% de empregos bancários nos próximos cinco anos.

As Inteligências artificiais e robóticas reduzem a necessidade de funcionários em algumas atividades como funções administrativas. "Tudo o que acontece com inteligência artificial, robótica e linguagem natural - tudo isso vai facilitar o processo", disse Pandit, que foi o diretor executivo do Citigroup de 2007 a 2012.

As maiores empresas de Wall Street estão usando tecnologias que incluem aprendizado de máquinas e computação em nuvem para automatizar suas operações, forçando muitos funcionários a se adaptar ou encontrar novas posições. O diretor de operações da Bank of America Corp, Tom Montag, disse em junho que a empresa continuará reduzindo os custos, ao encontrar maneiras de a tecnologia substituir as pessoas.

Um outro artigo publicado pela Bloomberg através da entrevista com o ex-CEO do Citibank, Vikram Pandit, traça um futuro nebuloso para os funcionários de bancos.

A previsão do Citibank para perdas de emprego consiste numa redução de 30% entre 2015 e 2025, principalmente devido à automação no banco de varejo. Isso ocasionaria que os empregos em tempo integral caíram 770 mil nos EUA e cerca de 1 milhão na Europa.


O setor bancário está se tornando "extremamente competitivo", disse Pandit, acrescentando que prevê o surgimento de "provedores especializados", bem como a consolidação no setor. "Eu vejo um mundo bancário passando de grandes instituições financeiras para um que é um pouco mais descentralizado", disse ele.

Existe ainda outra tecnologia que está sendo usada na negociação das moedas digitais que poderão ser estendidas em outras atividades executadas pelos bancos. Os blockchain, que são os protocolos que permitem liquidar moedas cibernéticas sem intermediários, podem servir para outros fins. Alguns analistas acreditam que essa tecnologia será usada em inúmeras outras atividades, como contratos, seguro e etc..... Caso isso se torne realidade a intermediação dos bancos tradicionais será seriamente afetada.

Do jeito que as coisas andam parece que minha visão não contempla o que as novas descobertas estão despontando. Acho que a vaca já está no brejo!

No post Joesley:-Freud-explica, fiz os seguintes comentários sobre o dólar: ...” o dólar está buscando romper a barreira de R$ 3,10, negociando agora ao redor de R$ 3,09. Assim como as outras moedas que estão se valorizando contra o dólar, o mesmo acontece com o real. Um primeiro objetivo seria ao redor de R$ 3,07 e se rompido R$ 2,98. Isso não seria a queda toda esperada que se situa ao redor de R$ 2,85” .... Os leitores já devem estar de certa forma enjoados de acompanhar o dólar entrando na zona de rompimento para em seguida reagir no sentido contrário.


O dólar chegou a negociar na mínima a R$ 3,08, no início da semana passada, e acabou recuperando parte da queda. Comentei que existe uma chance de acontecer uma nova mini alta antes da queda que estou visionando. Tracei acima em linha cinza essa possibilidade. Como precaução retornei o nível de stoploss para R$ 3,25.

É desagradável e frustrante quando o mercado não se comporta como o esperado. O bom analista tem que eliminar essas sensações no menor tempo possível e reanalisar sua estratégia se perguntando: foi violado algum princípio que inviabiliza seu trade? O que aconteceu era inesperado? Se sim, pouco provável ou muito provável? Em função dessas respostas você deve se adaptar.


No caso específico, o dólar não violou nenhum princípio, e o que ocorreu era equiprovável, poderia ou não acontecer. Como o cenário alternativo ganhou um pouco mais de probabilidade, o stoploss deve ser reajustado para não nos expulsar do trade de forma prematura. Agora se mesmo assim formos stopados, principalmente se o dólar for acima de R$ 3,30, vou refazer minha análise.

O SP500 fechou a 2.503, com alta de 0,15%; o USDBRL a R$ 3,1360, com alta de 0,74%; o EURUSD a 1,1952, sem variação; e o ouro a U$ 1.306, com queda de 1,06%.
Fique ligado!

15 de setembro de 2017

Bitcoin e a Torre Eiffel


O leitor do Mosca sabe que provavelmente estamos no meio de uma explosão de criptografia. Em 12 meses, o valor de todas as moedas subiu 1,446% - e moedas mais novas, como a Ethereum, se juntaram à Bitcoin obtendo uma aceitação geral.

Enquanto pessoas como Jamie Dimon, CEO do J.P. Morgan e o famoso investidor, Howard Marks, têm sido extremamente críticos com as moedas digitais, muitos outros continuam a surfar a onda. Os possíveis efeitos da cadeia de blocos não podem ser subestimados, e isso pode até mudar a espinha dorsal de como os mercados financeiros funcionam.

No entanto, mesmo com a emoção e a ação que o tema desperta, ainda existe um grande problema para o leigo: é realmente desafiador decifrar as diferenças entre as moedas como Bitcoin, Ethereum, Ethereum Classic, Litecoin, Ripple e Dash.

Por esta razão, foi elaborado um infográfico que esclarece as principais diferenças entre essas moedas em um só lugar (caso o gráfico abaixo não seja legível use o link a seguir infographic)




A DESCRIÇÃO DAS PRINCIPAIS MOEDAS

Aqui estão as descrições das principais, que representam 84% do universo das cryptocurrencies.

BITCOIN

O Bitcoin é o cryptocurrency original, foi lançado como software de código aberto em 2009. Usando um novo ledger distribuído, conhecido como o blockchain, o protocolo Bitcoin permite que os usuários façam transações peer-to-peer usando moeda digital, evitando um custo dobrado.

Nenhuma autoridade central ou servidor verifica as transações e, em vez disso, a legitimidade de um pagamento é determinada pela própria rede descentralizada.

Conclusão: Bitcoin é a criptografia original com a maior liquidez e efeitos de rede significativos. Tem também, reconhecimento de marca em todo o mundo, com um histórico de oito anos.

LITECOIN

Litecoin foi lançado em 2011 como uma alternativa inicial para o Bitcoin. Por volta desta época, era necessário hardware cada vez mais especializado e oneroso para minar bitcoins, tornando difícil para as pessoas comuns entrarem na ação. O algoritmo do Litecoin foi uma tentativa para que qualquer pessoa com um computador comum pudesse participar da rede.

Conclusão: Outros altcoins tiraram parte da quota de mercado da Litecoin, mas ainda tem uma vantagem inicial de seu histórico e alguns efeitos de rede fortes.

RIPPLE

Ripple é consideravelmente diferente do Bitcoin. Isso porque a Ripple é essencialmente uma rede de liquidação global para outras moedas, como USD, Bitcoin, EUR, GBP ou qualquer outra unidade de valor (ou seja, milhas de passagens, commodities). No entanto, para fazer um acordo desse tipo, uma pequena taxa deve ser paga.

Conclusão: Ripple é executado com muitos dos mesmos princípios da Bitcoin, mas para um propósito diferente: servir como intermediário para todas as transações de moedas globais. Se conseguir capturar com sucesso esse mercado, o seu potencial é alto.

ETHEREUM

Ethereum é uma plataforma de software aberta baseada na tecnologia blockchain que permite aos desenvolvedores criar e implantar aplicativos descentralizados.

Na cadeia de blocos Ethereum, em vez de minar para bitcoin, os mineiros trabalham para ganhar éter, um tipo de token de criptografia que alimenta a rede. Além de uma criptografia comercializável, o éter também é usado pelos desenvolvedores de aplicativos para pagar taxas e serviços de transação na rede Ethereum.

Conclusão: Ethereum serve uma finalidade diferente do que as outras cryptocurrencies, mas rapidamente cresceu para deslocar todas menos o Bitcoin. Alguns especialistas são tão otimistas no Ethereum que eles até acreditam que se tornará a maior cryptocurrency do mundo em apenas um curto espaço de tempo - mas apenas o tempo dirá.

ETHEREUM CLASSIC

Em 2016, a comunidade Ethereum enfrentou uma decisão difícil: o DAO, uma empresa de capital de risco construída em cima da plataforma Ethereum, sofreu um roubo de US $ 50 milhões em uma vulnerabilidade na segurança.

A maioria da comunidade Ethereum decidiu ajudar o DAO, mudando a cadeia de blocos para retornar o produto roubado de volta ao DAO. A minoria pensou que esta ideia violava o fundamento da imutabilidade de que a cadeia de blocos foi projetada e mantiveram o blockchain Ethereum original como era. Por isso, o rótulo "Clássico".

Conclusão: com o passar do tempo, Ethereum Classic gravou uma identidade separada de seu irmão maior. Com capacidades semelhantes e um conjunto de princípios diferentes, Ethereum Classic ainda poderia ter uma vantagem.

DASH

A Dash é uma tentativa de melhorar o Bitcoin em duas áreas principais: velocidade das transações e anonimato. Para fazer isso, tem uma arquitetura de dois níveis com mineiros e também "masternodes" que ajudam a rede a executar funções avançadas, como transações quase instantâneas e mixagem de moeda, proporcionando privacidade adicional.

Conclusão: as inovações por trás do Dash são interessantes e podem ajudar a tornar a moeda mais amigável do que outras alternativas.

Imagino que seja difícil aos leitores avaliarem se essas moedas são efetivamente moedas, depois qual delas escolher. O intuito do post hoje é para que conheçam as principais, bem como possam consultar o infográfico quando tiverem alguma dúvida.

Na última segunda-feira, publiquei um post onde comento as últimas medidas tomadas pelo governo Chinês, proibindo a negociação das moedas digitais nas bolsas. Desde então, alguns ícones de Wall Street como o CEO do JP Morgan, Jamie Dimon, afirmaram que as cryptocurrencies são uma fraude. Jeffrey Gundlach, considerado o novo guru do mercado de bonds americanos, disse que ele “iria passar” nos negócios dessas moedas. Por tudo isso, o Bitocoin e seus assemelhados sofreram uma queda significativa, ao redor de 35%.

Um outro analista faz uma comparação dos movimentos de mercado que se assemelham a “Torre Eiffel”. Nos exemplos abaixo, se um determinado gráfico se assemelha ao lado esquerdo da torre, a chance é que você verá o lado direito da torre em algum momento no futuro.



Jamie Dimon comparou o movimento da Bitcoin ao que ocorreu na febre da tulipa, famosa passagem da história econômica, onde em 1637 na Holanda, essa flor pela sua beleza, passou a ser muito procurada, fazendo seus preços explodirem.

Com o passar do tempo saberemos se o Bitcoin, conforme o gráfico abaixo sugere, registrou sua máxima histórica no presente mês. O efeito “Torre Eiffel” pode estar acontecendo. Do ponto de vista técnico, o nível atual, ao redor de U$ 3.000 – 3.100 é muito importante. Para quem está comprado, esse nível tem que aguentar a pressão.

 
 No post dom-Palocci-independência-ou-cadeia, fiz os seguintes comentários sobre os juros de 10 anos: ...” agora projeto uma queda dos juros para o nível de 2,00 % - verde, e se rompido para 1,85% - rosa. O que mudou? A violação dessa área implica que a correção esperada já tivesse terminado” ...

 
Os juros estiveram na última sexta-feira, muito próximos (2,01%) de atingir um dos objetivos traçados a 2%. Naquela data pairavam grandes riscos do furacão Irma se tornar devastador, o que felizmente acabou não acontecendo. Desde então, os juros subiram, e se encontram agora em 2,20%. Será que o movimento de alta que estou esperando já começou?


Não me parece que esse momento chegou. No gráfico acima apontei um possível movimento de queda antes que a alta se materialize. Se atingir o nível de 2,25%, provavelmente vou propor um trade na queda de juros, consistente com a premissa acima.

Uma das coisas que eu aprendi em correção é que, tudo é possível, sendo assim, e se por acaso os juros estiverem no caminho de alta, o nível de 2,35% -2,40% precisa ser ultrapassado, sendo que a confirmação acontece acima de 2,65%. Por enquanto esse não é meu cenário básico, mas quem sabe ....


O SP 500 fechou a 2.499, com alta de 0,18%; o USDBRL a R$ 3,1137, com queda de 0,13%; o EURUSD a € 1,1950, com alta de 0,26%; o ouro a U$ 1.320, com queda de 0,66%.

Fique ligado!

14 de setembro de 2017

Torcendo pela inflação


Ao ler o título de hoje vocês imaginam que comentarei sobre algum banco central que enfrenta problemas de inflação elevada. Mas não é esse o caso.

Antes queria colocar algumas ideias sobre o depoimento do Lula. Fiquei impressionado pela baixa divulgação, em outras épocas a postagem nas mídias sociais seria enorme, desta vez, poucas. Acredito que seja por dois motivos, primeiro que o seu argumento é mais do mesmo, ninguém acredita mais nada do que fala, acabou seu público; segundo que suas perspectivas de não ser preso usando a candidatura está minguando.

Se tiver um pouco de bom senso, perceberá a realidade. Caso o seu espírito de sobrevivência ainda estiver presente deve pensar em outra estratégia, pois caso contrário, rapidamente seu caminho aponta para a cela. Como comentei no post dom-Palocci-independência-ou-cadeia, as opções do cumpanheiro, cada vez mais sozinho, são duas: fugir ou fazer uma delação!

Hoje foi publicado o índice de inflação nos EUA, que ficou em 0,4%, acima das expectativas dos analistas, levando a taxa anual próxima a 2%, nível considerado como o objetivo do FED. É verdade que a alta se deve a elevação dos preços dos combustíveis e também do custo de moradia. Excluindo esses itens, a chamada core inflation, subiu 0,2% no mês e 1,7% em 12 meses.


Como já havia comentado, O FED se reúne na próxima semana para decidir sobre a sua política monetária.  Um artigo publicado pelo do Wall Street Journal comenta o dilema da Yellen the-feds-awful-options-for-addressing-too-low-inflation. Esse artigo levanta os mesmos pontos que o Mosca apontou no seu post desafiando-o-livro-texto, o que me deixa mais confortável nos meus pontos de vista.

O próximo gráfico foi construído de forma inteligente pois se pode notar claramente a mudança ocorrida no tempo, entre o comportamento da inflação e do emprego. No período entre 1985 – 1999 nota-se uma aderência mais consistente entre essas variáveis, já no período entre 2000 – 2008, uma alteração na inclinação da curva, e por último entre 2009 – 2016, um descolamento total entre elas, correlação 0!


Por tudo isso, e associado a convicção acadêmica dos membros do FED. imagino seu desconforto em não subir os juros, pois a realidade não está reagindo de acordo com seus modelos. Devem ficar com a impressão que ao não agir, serão acusados caso a inflação apareça no futuro.

Desta forma, desejam que a inflação suba, qualquer inflação serve!

Nesse novo mundo digital várias coisas estranhas ocorrem. Vou aproveitar o assunto ventilado ontem e abrir um espaço nos posts para publicar esporadicamente mudanças que acontecessem, vou chamar de “coisas estranhas do mundo digital”. Para estrear, vejam a seguir como o volume da negociação das ações na bolsa americana durante o dia, se alterou no tempo.

No gráfico abaixo, a primeira linha são os negócios nos primeiros 30 minutos do preção, que mantem uma certa estabilidade, em seguida os negócios durante o dia, com exceção dos intervalos mencionados, que vêm caindo sistematicamente, em seguida os negócios nos últimos 30 minutos, que subiram e hoje representam 16%, e por último o leilão de encerramento também subiram. Se somarmos esses dois últimos, representam 25% dos negócios, que acontecem na última ½ hora, enquanto outros 15% na primeira ½ hora, totalizando aproximadamente 40%.


O analista que publicou não tem uma explicação clara para essa mudança, justificando com o crescimento dos ETF. Uma parte poderia ser atribuída a esse fato, porém não parece crível, pois os ETF são negociados durante todo o dia. Essas concentrações no início e final deveriam estar associadas aos “day traders” que só guardam posições durante o dia. Seriam eles responsáveis por tamanho volume? Acho muito difícil. Não vou buscar argumentos sem que tenha uma base de informações, estaria chutando!  Fica aqui registrado esse fato intrigante.

No post o-bcb-vai-surpreender, fiz os seguintes comentários sobre o Ibovespa:  …” observando por todos os aspectos não teria o que mexer na posição, mas a estatística me diz que não é fácil romper esses pontos. O que fazer? Tenho que dar credibilidade a racionalidade, pois mesmo parecendo que nada poderia fazer a bolsa parar antes de chegar na região demarcada em verde ~ 80.000, eu não sei o que vai acontecer amanhã” ...


O Ibovespa não deu nem bola para os 73.000 passou voando por esse nível, que deveria ter oferecido alguma resistência. O gráfico a seguir, com um viés de mais curto prazo, deixa claro a força da bolsa brasileira. Eu anotei em verde os dias em que a bolsa não subiu, notem que nesses momentos, as quedas são mínimas, indicando a força do mercado.


Tive dificuldades ao fazer a contagem das ondas segundo Elliot Waves, parece um serie de subdivisões. Nessas situações o sugerido é deixar a bola rolar. Mas não me iludo, em algum momento haverá quedas. Num mercado de alta são nesses momentos que se deve entrar comprando. O nível agora a se observar é de 80.000, se chegar lá vamos ver como a bolsa se comporta.

Aproveitei para fazer uma análise de longo prazo. Podemos estar diante de um momento importante que indica um período de alta por alguns anos. Parece factível projetar o Ibovespa acima de 100.000, talvez mais!

- David, mas como isso é possível, no ano que vem temos eleições, esqueceu?
Quando se faz análise técnica, é obrigatório de desassociar das notícias e relatórios, isso atrapalha. Agora você tem razão, no próximo ano existe um evento importante. Pelos gráficos o presidente será Sergio Moro! Hahahah .... Voltando para terra, e nunca esquecendo a frase de Keynes, no longo prazo estaremos todos mortos, vamos aguardar a bolsa atingir os 80.000.

O SP500 fechou a 2.495, com queda de 0,11%; o USDBRL a T$ 3,1179, com queda de 0,59%; o EURUSD a € 1,1918, com alta de 0,44%; o U$ a 1.329, com alta de 0,53%.

Fique ligado!

13 de setembro de 2017

O futuro é hoje


A China está se juntando ao Reino Unido, França e Noruega na proibição de veículos alimentados por combustíveis fósseis. Se a China, o maior mercado de veículos novos do mundo com vendas de 28 milhões de unidades no ano passado, fosse proibir os veículos a gasolina e diesel no mercado, o impacto sobre o petróleo seria enorme.

Mas, como a abrangência a proibição de combustível fóssil nos mercados globais é fundamental para as vendas de veículos novos bem como o consumo de petróleo?

Durante um fórum automotivo durante o fim de semana em Tianjin, Xin Guobin, o vice-ministro da indústria e tecnologia da informação chinesa, disse que o governo está trabalhando em um cronograma para acabar com a produção e as vendas de veículos com combustível fóssil.

O governo foi nessa direção por alguns anos, fornecendo generosos subsídios para as montadoras construírem veículos elétricos e os consumidores para comprá-los. Os subsídios estão sendo reduzidos este ano e o governo deverá adotar um protocolo de veículo com emissão zero semelhante à da Califórnia, onde as montadoras terão que fabricar uma porcentagem definida de veículos elétricos.

A China está aberta na direção de outros países, uma vez que trata de cidades cada vez mais lotadas, vendas automotivas em expansão e poluição do ar em áreas metropolitanas crescentes. O país já se comprometeu a reduzir suas emissões de carbono em 2030.

As nações europeias estão lidando com o escândalo nas emissões de diesel da Volkswagen que começou há dois anos, com mais investigação e pressão provenientes de nações e da União Europeia. Os carros a diesel representam cerca de metade do mercado na Europa com consumidores que procuram alternativas desde que o escândalo foi revelado. Políticas rigorosas de emissões de carbono também estão levando à proibição de veículos com combustível fóssil.


A chanceler alemã, Angela Merkel, sugeriu que a Alemanha poderia seguir seus vizinhos europeus na proibição de veículo com combustível fóssil. Buscando seu quarto mandato como chanceler na eleição de 24 de setembro, Merkel enfrentou críticas do oponente por estar muito ligada às montadoras alemãs para impor políticas rígidas de emissões.

O governo alemão tornou-se mais difícil, investigando várias montadoras desde que o escândalo VW aconteceu em 2015.
Uma nova peça de pensamento de um colunista da Bloomberg vê o impacto da decisão esperada da China com um enorme impacto na venda de veículos novos e petróleo no futuro.

Uma estatística mostra que quase 80% do mercado automotivo global está sendo levado para uma eliminação progressiva de carros movidos a petróleo com a adoção de veículos elétricos. Se isso acontecer, a demanda por gasolina e diesel cairá drasticamente.

No entanto, existem alguns grandes obstáculos que devem ser vencidos antes que isso venha a ser adotado em escala maciça.

Um deles é que os EUA, podem ver sua economia de combustível e metas de emissões suavizadas em breve pelo governo federal. Logo depois de assumir a Casa Branca este ano, o presidente Donald Trump anunciou que iria reconsiderar os mandatos da administração Obama no próximo ano. Os comentários da Casa Branca indicam que as regras serão revistas.

O Japão é outro país que ainda não proibiu veículos de combustíveis fósseis. O governo tem adotado uma abordagem mais cautelosa, apoiando os esforços das montadoras japonesas para adotar veículos de células de combustível de hidrogênio. Mas as vendas desses veículos foram bem pequenas até o momento.

Por outro lado, até agora o Brasil, o Canadá, a Rússia, o México e a Itália não possuem planos significativos para proibir os veículos com combustível fóssil. Esses mercados dependem da produção de petróleo e do transporte no exterior, e podem estar menos inclinados a afetar a indústria através de mandatos nacionais de combustíveis fósseis.

A Índia tem planos tentativos de eliminação. Se o governo emitir um mandato, terá um grande impacto na nação, que deverá superar em breve a população chinesa e que tem aumentado as vendas de novos veículos nos últimos anos.

Por enquanto, as probabilidades são contra os governos que desejam que os veículos de combustível fóssil desapareçam. A Bloomberg informa que no ano passado, havia cerca de 695 mil veículos elétricos vendidos contra 84 milhões de veículos novos vendidos em todo o mundo. Há cerca de um bilhão de veículos que usam petróleo em todo o mundo. Livrar-se deles levará bastante tempo. Porém alguns analistas projetam que em 2030 a venda de carros elétrico ultrapassara a de carros a combustão.


Uma grande mudança estrutural irá impactar o mercado de veículos de várias formas. Além da mudança de combustível de motores a combustão por motores elétricos, com impacto maior nas empresas de petróleo que nas montadoras, a preferência dos millennials em usar os serviços da Uber ao invés de comprar carros, os escritórios virtuais que demandam menos deslocamentos, o aumento das compras on-line, podem afetar de forma importante as grandes montadoras que já não se encontram em situação financeira saudável.

A revolução digital, como o Mosca denomina esse momento, e como em toda revolução, inúmeras empresas sucumbem e novas são criadas está impactando de forma generalizada o ambiente de negócios. Fica muito difícil vislumbrar como o mundo estará daqui a 10 ou 20 anos. Como também ninguém sabe, é importante ficar atento a essas mudanças bem como no impacto que poderá ter nos seus investimentos.

A título comparativo a ilustração abaixo mostra a importância em termos de tamanho do mercado de petróleo, quando comparado a das outras commodities.



No post cryptocurriencies, fiz os seguintes comentários sobre o ouro: ...” trabalho com alta do ouro no longo prazo o-ouro-vai-virar-pó. Nosso trade atual tem um objetivo de U$ 1.380 marcado no gráfico. Mas os preços poderão subir bem mais, o primeiro objetivo depois de ultrapassado seria U$ 1.450 e depois U$ 1.650” ...

 
Na última sexta-feira o ouro atingiu a máxima de US$ 1.357, abaixo do objetivo que havia traçado, ao redor de US$ 1.380. Desde então caiu U$ 36 e hoje está negociando perto da mínimas à U$ 1.321. No post citado acima frisei que antes de qualquer projeção mais otimista era necessário cumprir alguns pré-requisitos. ...” antes de cantar vitória, o ouro terá que passar por vários obstáculos, o primeiro deve ser a U$ 1.380” ...


Sem passar a barreira dos U$ 1.380, existe uma possibilidade de o ouro ainda não ter atingido a mínima nesse ciclo de longo prazo – U$ 1.045 em dezembro de 2015. Essa é a razão que esse nível passa a ser tão importante.

Bem o que fazer agora? Eu marquei no gráfico acima uma área que denominei de “zona de perigo”. Se o ouro pretende continuar subindo da maneira que mencionei acima e fundamental que essa retração seja contida nesse intervalo. Se romper abaixo começo a desconfiar que meus planos não irão acontecer.

- David, mas o ouro nem atingiu o nível de U$ 1.380, pode isso acontecer?
Numa boa! Sempre que eu assinalo níveis deve ser entendido como mais prováveis de acontecer, não obrigatoriamente. A teoria de Elliott Wave tem somente 3 “leis” o resto são hipóteses que não são mandatórias. No caso específico do ouro, não chegar em U$ 1.380 e cair abaixo da “zona de perigo” denota fraqueza. Mas não posso jogar a toalha da alta, vou ter que entender que movimento está acontecendo, mas seguramente o plano será bem postergado.

A análise técnica é um mundo com muitas armadilhas, aquilo que o analista está enxergando pode não se materializar. É frustrante quando isso acontece, fica aquela sensação que bateram a sua carteira, um lucro que já estava quase no bolso vira um empate ou até um prejuízo. O bom analista é aquele que consegue capturar as mudanças sem que a parte emocional afete sua capacidade de raciocínio. Ex post todo mundo sabe o que teria sido melhor!

O SP500 fechou a 2.498, sem variação; o USDBRL a R$ 3,1364, com alta de 0,38%; o EURUSD a € 1,1866, com queda de 0,66%; e o ouro a U$ 1.322, com queda de 0,68%.

Fique ligado!

12 de setembro de 2017

China x Bitcoin


As autoridades chinesas estão se preparando para fechar as bolsas de bitcoin do país, refletindo um crescente desconforto com a moeda virtual e sua recente valorização.

A mudança de política na segunda economia mundial mostra como as nações estão lutando com o bitcoin e qual o seu lugar no sistema financeiro. Na China, especificamente, o ataque do governo contra o bitcoin ocorre no meio de um foco pela prevenção da fuga de capital para moedas digitais.

Esse movimento poderá enviar ondas de choque através do crescente mercado de moedas virtuais onde centenas de novas empresas brotaram para aproveitar a tecnologia que sustenta o bitcoin. A maior dessas moedas virtuais, o bitcoin, se valorizou desde março, em parte devido ao afrouxamento das restrições em lugares como o Japão e os avanços na compra e venda.

Após uma agencia de notícias chinesa divulgar na sexta-feira sobre essa possível proibição na China, o Bitcoin caiu cerca de 10% para US $ 4.186, dos níveis máximos de US $ 4.600 na quinta-feira.


A China tem sido um importante centro de bitcoin, que foi criado por um programador anônimo durante as profundidades da crise financeira de 2008 como uma alternativa às moedas oficiais. Grande parte da mineração do bitcoin - criado através de algoritmos poderosos – se dá na China. Ainda recentemente, em janeiro passado, antes de novas regras terem sido implantadas no país, mais de 80% da atividade global ocorria em yuan.

O fim da negociação comercial em moedas virtuais na China provavelmente diminuirá ainda mais o uso de bitcoins em um mercado grande e promissor. Ele também oferece um guia para os reguladores de outros países que procuram trazer ordem para o que pode ser um mercado caótico para esses instrumentos.

A repressão de Pequim sobre bitcoin faz parte de um esforço mais amplo para erradicar os riscos ao sistema financeiro do país. Funcionários do governo, distribuíram no início deste ano um rascunho com regras contra a lavagem de dinheiro com a troca de bitcoins, um aviso poderoso, mesmo que os regulamentos nunca foram formalizados,

As atividades da moeda virtual na China está se afastando das trocas em bolsas, e passando mais para negócios diretos onde os indivíduos podem negociar uns com os outros em particular.

Enquanto a China no passado representava a maior parte da atividade global do comércio de bitcoins, a participação do país caiu drasticamente desde que o governo começou a fazer movimentos para arrefecer o mercado.

Em abril, a Agência de Serviços Financeiros do Japão implementou regras que reconheciam o bitcoin como meio de pagamento. Desde então, o Japão tornou-se o principal mercado de negociação de bitcoin, representando quase metade dos volumes globais. A participação dos EUA na negociação saltou para um nível superior a 25% em relação aos 5% do ano passado.

As moedas virtuais em teoria permitem aos detentores ignorar o sistema bancário tradicional da China para mover dinheiro fora de suas fronteiras controladas pelo capital. Isso poderia tornar mais difícil para os reguladores chineses manter um aperto no yuan.

Comenta-se que, o governo terá que tolerar a negociação não comercial de moedas virtuais, além de não terem o poder de controlar.

Seguramente a alta exponencial das moedas digitais está preocupando não somente as autoridades chinesas como a de vários países. Nenhum banco central gostaria que a circulação de moeda fosse feita através de um meio de pagamento que não a sua moeda, pois numa situação extrema tenderia a perder substancialmente seu valor.

A ação do governo Chinês retira um facilitador que existia nos negócios comerciais. Se um Chinês entrasse numa loja para comprar um fogão poderia pagar em bitcoins, a loja por sua vez usava a bolsa para trocar os bitcoins em yuans. Agora sem a bolsa teria que procurar alguém confiável para efetuar essa troca, o que desmotivara as transações em moedas digitais.

O assunto da crypto moedas está sendo ventilado quase que diariamente. As pessoas que tenho conversado têm dúvidas se devem ou não investir. Eu não sei o que poderá acontecer nos próximos anos porem, posso fazer algumas observações gerais: a história mostra que nem sempre quem “inventa” um produto ou serviço, é quem lidera no futuro; para a geração dos millennials, a moeda digital combina com sua preferência, não precisa de banco, e tudo pode ser feito rapidamente pelo smartphone; o bitcoin tinha como argumento inicial a sua independência dos bancos centrais e a escassez, o primeiro ponto ainda é valido o segundo não, a quantidade de moedas diferentes que podem ser criadas é infinita.

No post desafiando-o-livro-texto, fiz os seguintes comentários sobre o SP500: ...”   Acredito que uma correção está em curso, o que eu não sei se é uma pequena, média ou grande. Tudo incida que será uma pequena, entre 5% – 7,5%, no máximo 10%. Em função disso, vou sugerir um trade de venda do SP500 a 2.465, com stoploss a 2. 495” ...


...” A nível ilustrativo, uma outra forma de se posicionar nesses momentos seria simplesmente aguardar a correção sem posição, e caso não aconteça, entrar no mercado quando do rompimento, que neste caso, seria acima de 2.490. Essa é uma forma mais prudente, ficando inclusive fora de um eventual sentimento de frustração caso o trade acima se mostre negativo. Por essa e outras razões a aposta nestes casos têm que ser pequena, e sem paixão” ...

Nessa segunda-feira, passado o risco de uma grande catástrofe por conta do furacão Irma, bem como a ameaça feito pelo “louquinho” que estaria pronto para novas empreitadas, a bolsa americana subiu mais de 1%. Agora se encontra no limite de nosso stoploss, bem como em romper as máximas anteriores.


Essa correção não foi nem pequena, nem média, nem grande, foi mini, afinal 3% de queda, é o que para a bolsa de valores? Frisei acima que este era um trade contra a tendência de longo prazo e que deveria ser encarado desta forma, sem paixão. Assim, vamos entrar numa posição comprada no mesmo nível que ativa nosso stoploss, a 2.495. Essa tática é o que se denomina de compra dobrada, uma parte eliminando a operação em curso e outra abrindo uma nova. Nesse caso o novo stoploss será de 2.440. Vamos que vamos!

O SP500 fechou a 2.496, com alta de 0,34%; o USDBRL a R$ 3,1245, com alta de 0,72%; o EURUSD a € 1,1965, com alta de 0,12%; e o ouro a U$ 1.331, com alta de 0,35%.

Fique ligado!

11 de setembro de 2017

Joesley: Freud explica


Para Joesley o tiro saiu pela culatra. Por meio de suas próprias gravações o ex-poderoso empresário do ramo de alimentos foi preso ontem. Perdeu os benefícios da delação premiada, acordado com o Ministério Público. A gravação da sua conversa com o CEO da J&S, Ricardo Saud, repetidas ad nauseam pelos meios de comunicação, são provas suficientes para que isso aconteça.

Sem entrar no conteúdo dessa gravação, o que pode deixar as pessoas perplexas é a razão que o levou a fazer o teste do gravador dessa forma. Esse argumento não parece ser convincente, o teste poderia ser feito ele fazendo xixi! No meu entender existem duas hipóteses: a primeira que Joesley queria ter uma prova contra seu executivo; e a segunda era testar desta forma perigosa, com total displicência.

Em relação ao primeiro caso tenho certa dificuldade em acreditar, pois seria mais inteligente usar dois gravadores. Não é possível que não avaliou que essas provas poderiam ser usadas contra si. Além do mais, depois da gravação, o gravador deveria ser mandado para o Forte Knox!

Esses pensamentos me levam então a segunda hipótese. Minha saudosa analista, numa das secções, exemplificou o que se denomina em psicanalise força da vida e força da morte. Essa nomenclatura não deve ser encarada ao pé da letra. “Imagina que você está num carro conversível, num belo dia de sol, dirigindo numa estrada magnifica sem trânsito, essa sensação de liberdade faz com que você acelere até 120 km/h. Ah, que delícia! Resolve acelerar mais até 160 km/k, afinal ninguém na estrada e nenhum radar apontado pelo Waze. A adrenalina sobe, que sensação prazerosa. Próximo passo vai a 200 km/h, seu carro é potente e seguro, até que de repente um animal cruza a sua frente, você freia bruscamente levando o carro capotar”! A força da morte induziu o motorista a ser imprudente impelido por algo que lhe dava muito prazer.

Acredito que essa foi a razão que o levou a essa situação extrema. Seria natural para qualquer ser humano, envolvido numa circunstância de alto risco, que qualquer passo fosse estudado com muito cuidado. Ao invés de imaginar de forma leviana que bastava apagar o conteúdo da gravação que o risco estaria eliminado. A maneira perigosa como vivia, e sempre obtendo sucesso, o levou a ser displicente.

Por traz de tudo predominava a força de morte, que o colocava em risco.  Como tinha sempre dado certo, continuou acreditando que saberia como evitar acidentes, isso lhe dava muito prazer. Novos prazeres eram obtidos “aumentando a velocidade”, até que capotou! Agora sem nenhum amigo para salva-lo, e ao contrário, com a opinião pública pedindo a sua cabeça, é provável que tenha um triste fim.

O caso Joesley se assemelha ao de um tipo de trader que ganha muito dinheiro e seguidamente se envolve em operações cada vez mais arriscadas, até a hora que perde tudo. É a força da morte agindo para leva-lo para o buraco. Santo stoploss!

O caixa das companhias americanas atingiu níveis gigantescos. Esse fenômeno é mais acentuado nas empresas de tecnologia como se pode ver a seguir. Vocês podem se perguntar qual a razão, e eu identifico três possibilidades: Acreditam que os juros irão subir; tem recursos para comprar outra empresa caso apareça alguma “pechincha”; evitar que seja adquirida pelo concorrente. O primeiro caso é bastante improvável pois não é o cenário que se vislumbra, e não se justificaria esses níveis de liquidez; o segundo caso também parece um certo exagero pois poucas companhias que possam interessar iriam custar tão caro, além do que, uma parte da compra normalmente é feita com troca de ações; resta a última. É verdade que o custo hoje em dia de manter um caixa elevado é bastante baixo, porém essa estratégia afeta a taxa de retorno dos acionistas. Por outro lado, imagino que passa por suas cabeças qual seria o “custo” em termos de imagem se a Apple fizesse uma oferta pela Microsoft, ou vice-versa?


Eu comentei no post jogo-arriscado, a hipótese de a China estar por traz das ações da Coréia do Norte. Meu raciocínio se deve a elevada dependência desse último país em relação ao primeiro. Através da análise mais detalhada, através da relação comercial entre esses países se percebe a quase total dependência. Se a China quiser fechar as portas, a Coréia do Norte para!


Na próxima semana o FED se reúne para decidir sobre a política monetária. Nessa reunião não se espera nenhum movimento nos juros, mas sim na revelação de como pretende retirar a liquidez do sistema. Mas o mercado espera mais, vai querer ter indicações se o FED vai jogar mais parar frente a alta de juros “programada” para dezembro. A probabilidade de isso acontecer – postergar o aumento – é cada vez mais elevada do ponto de vista do mercado, o gráfico a seguir aponta qual a chance dos juros aumentarem em dezembro.


No post inflação-sem-inflação, fiz os seguintes comentário sobre o dólar:  ...” do ponto de vista técnico, o dólar já preencheu todos os requisitos de um triângulo terminado. Mas isso é uma condição necessária, mas não suficiente, pode ser que o triângulo se estenderá no tempo, característica observada nessas configurações. Mas conforme o tempo passa, o triângulo se afunila indicando a hora da decisão. Não tenho nada a acrescentar a não ser que é preciso paciência” ...


Desde a última sexta-feira o dólar está buscando romper a barreira de R$ 3,10, negociando agora ao redor de R$ 3,09. Assim como as outras moedas que estão se valorizando contra o dólar, o mesmo acontece com o real. Um primeiro objetivo seria ao redor de R$ 3,07 e se rompido R$ 2,98. Isso não seria a queda toda esperada que se situa ao redor de R$ 2,85.


Mas vamos passo a passo, primeiro e importante que a barreira dos R$ 3,10 seja rompida com firmeza, depois acompanharemos os próximos passos. Se tudo der certo, esse movimento poderá demorar um tempo, algumas semanas.

O SP500 fechou a 2.488, com alta de 1,08%; o USDBRL a R$ 3,1023, com alta de 0,27%; o EURUSD a € 1,1951, com queda de 0,66%; e o ouro a U$ 1.326, com queda de 1,51%.
Fique ligado!