Inflação: A Revanche

17 de novembro de 2017

Bond 3017 - Uma Odisseia no Espaço


Você devem estar se perguntando qual a razão do título. O que poderia significar Bond 3017 – Uma odisseia no espaço? Uma empresa de energia dinamarquesa – Orsted, emitiu um título com vencimento em 3017, esse papel tem 1.000 anos de prazo! A quem poderia interessar investir num título como esse? Naturalmente não é uma pessoa física, só poderia ser para especuladores ou fundos de pensão.

Antes de começar a avaliar em que grupo poderia se encaixar os compradores, essa emissão de € 500 milhões recebeu ofertas de € 2,4 bilhões, quase 5 vezes mais! Vejamos quais foram as suas condições: a taxa foi de 2,25% a.a. e existe uma call para 2024. Para quem não está familiarizado com esse conceito, a call garante ao emissor o direto de recomprar esse título naquela data com um preço um pouquinho superior ao preço de emissão.

Com um vencimento tão longo, equivalente a perpetuidade, uma oscilação pequena que seja da taxa de juros tem um impacto enorme no preço. Interessante que não é simétrico, por exemplo, se a taxa de juros a ser negociado no mercado para esse bond, estiver em 3,25% a.a., o impacto seria de uma queda de 30% em relação ao preço inicial. Se por outro lado a taxa cair para 1,25% a.a., o seu preço sobe 80%.

Será que algum especulador estaria interessado em comprar um título tão arriscado? Se esse investidor acredita que Mario Draghi vai se aposentar no BCE, e que manteria os juros negativos ad infinitum, talvez surgisse demanda para comprar a juros menores. Assim, esses especuladores poderiam auferir um bom lucro. Mas mesmo assim, num cenário tão maravilhoso, esse título poderá ser recomprado em 2024 pela empresa emissora, e caso isso aconteça, o lucro seria muito menor. Assim, acredito ser pouco provável que esses “gênios das finanças” entrariam num jogo tão arriscado.

Sobraram os fundos de pensão que por terem compromissos de longo prazo, um título como esses poderia ter interesse. Mas 1.000 anos, quem pode fazer alguma previsão? Como normalmente esses gestores são os melhores da área aliado do fato que não estarão no resgate, melhor um juro de 2,25% que zero. Se a taxa subir podem argumentar “ levamos a resgate”. Tudo isso sem falar no risco de crédito de uma empresa cujo principal ativo é energia eólica.

Hoje em dia, o sistema capitalista, que tem o seu tripé baseado no Capital, Trabalho e Propriedade, está sob judice. Os três elementos existem em abundancia excessiva atualmente. Os helicópteros usados pela maior parte dos bancos centrais inundaram o mundo de liquidez, fazendo com que, emissões como acima sejam colocadas com facilidade. Veja, não questiona a emissão de títulos perpétuos, já existem há muito tempo, agora nessas taxas e com uma call a favor do emissor é inacreditável.  No item trabalho, os robôs caminham a passos largos para substituir os seres humanos. As Propriedades ficam cada vez menos necessárias, por exemplo, com as vendas on line crescendo em taxas elevadas estão extinguindo as lojas, sem falar na utilização de bens ociosos que são alugados por períodos curtos (Uber, Air BNB), para demandas especificas, todas elas com efeitos deflacionários.

 Nem adianta me perguntar como isso vai terminar, à primeira vista não parece bem, mas é inegável que esse novo mundo implica em juros menores, salários em queda e imóveis menos necessários (aqui não é generalizado). Mas tudo isso é muito positivo para o lucro das empresas, mas nem todas, algumas irão sumir, e muitas novas serão criadas.

Achei essa charge sugestiva. Veja o que Trump perguntou ao líder Chinês quando foram visitar a muralha da China. Esse presidente que os americanos foram arrumar foi o maior blefe da história. Agora só falta ser reeleito nas próximas eleições! 

No post inflação-em-alta, fiz os seguintes comentários sobre os juros de 10 anos: ...” nosso trade parecia caminhar no sentido certo, porém o nível de 2,42% foi violado, só que desta vez para baixo. No momento se encontra a 2,34%, próximo de nosso stoploss” ... ...” agora não temos muita margem de manobra, ou o mercado vira e volta a subir, ou provavelmente seremos stopados. Se isso acabar acontecendo, não significa que os juros caiam abaixo de 2%, como eu estava esperando alguns meses atrás”... ...” notem que em 4 situações distintas o mercado buscou romper essa região – 2,40%/2,42%” ...


Novamente os juros ameaçaram romper o nível de 2,42% e recuaram em seguida. Agora não são 4 vezes, mas sim 5! Por outro lado, as quedas recentes têm sido a níveis superiores as anteriores, como anotado no gráfico abaixo.


Como apontei, a resolução final está próxima, acredito que até o Natal no máximo, o mercado nos dirá se os juros estão mirando para 2,65% a.a. ou mais, ou se as forças que comandam a queda, conforme descrevi no post riscos-frente, empurram os juros na busca de novas mínimas. É verdade que nessa última hipótese, muita agua vai rolar antes que isso aconteça.

Olhando de hoje até parece difícil imaginar os juros a 2% a.a., por exemplo, recebi um relatório do Deutsche Bank onde o analista faz a seguinte previsão: ...” Our Fed view is unchanged: we expect the next rate increase in December, followed by three hikes in 2018 and four in 2019” (texto sublinhado pelo Mosca). Se eles estiverem corretos e considerando que os juros se encontram em 1,25%, essas premissas levariam o FED funds a terminar o ano em 1,5% a.a., e somando tudo, no final de 2019, teríamos um juro de 3,25% a.a. Como os juros dos títulos de 10 anos poderiam estar a 2% a.a.? Difícil de aceitar, mas isso só seria possível se o mercado acredita que vem uma mega recessão mais adiante, ou os gestores europeus e japoneses “precisam” de um título que paga qualquer juro. Parece que a segunda hipótese é mais factível, haja visto os compradores dos “Bonds 3017 – Uma Odisseia no espaço! ” Hahaha ...


O SP500 fechou a 2.578, com queda de 0,26%; o USDBRL a R$ 3,2573, com queda de 0,51%; o EURUSD a € 1,1793, com queda alta de 0,20%; e o ouro a U$ 1.294, com alta de 1,25%.


Fique ligado!

16 de novembro de 2017

A inflação está aparecendo


Ontem foram publicados os dados de inflação nos EUA medido pelo CPI. A taxa ficou em 0,1% no mês e 2% a.a. em 12 meses, o índice excluindo alimentos e energia registrou uma taxa de 0,2% e 1,8% a.a. em 12 meses.


Uma observação simples do gráfico acima não parece muito animador, a elevação que ocorreu no começo do ano foi fruto de preço mais elevado dos combustíveis. Mas também não parece que o risco de queda da inflação seja uma ameaça, ao contrário, uma medição feita com a inflação core –extraindo os alimentos e energia, de forma trimestral anualizada, mostra uma recuperação de preços mais consistente. Enfatizo aos leitores que essa forma de calcular coloca maior volatilidade no índice, e deve ser vista com uma certa cautela.


 Agora até os Corintianos, que estão felizes da vida pela conquista do Campeonato Brasileiro, apostam que a taxa de juros subirá na próxima reunião de dezembro. Sobre o campeonato brasileiro eu já contava há alguns meses que seria muito difícil do Corinthians não se tornar campeão. Cometei com meu filho, corintiano roxo, que se isso acontecesse – não fosse campeão, que ele não deveria ficar triste, pois o time ganharia uma outra taça, por conseguir perder um campeonato tão ganho. Ele não gostou muito! Hahaha ....


Os salários em termos reais nos EUA estão diminuindo. Em termos nominais a figura é um pouco diferente, o mesmo tem mantido uma alta em torno de 2% - 2,5% a.a. Acontece que a inflação entre 2015 e 2016 estava muito baixa, em alguns momentos quase beirando zero. Essa é a razão de sua queda em termos reais. Isso significa que os salários não estão sendo reajustados de acordo com a inflação.


As estimativas do PIB acompanhadas pelo FED de Atlanta, que tem se mostrado muito eficaz, aponta para um crescimento neste trimestre de 3,2% a.a., acima das previsões dos analistas. Embora seja muito cedo para cantar vitória, pois esse indicador levou em consideração somente os dados de outubro.


Outra comparação interessante aponta para a diferença dos ciclos entre os EUA e dos principais países desenvolvidos. Através do gráfico a seguir, que analisa o retorno das ações nos principais países, mostram que no passado tinham um retorno mais ou menos sincronizados. Porém depois da crise de 2008, os EUA se descolou desse grupo. Mais recentemente, a bolsa europeia e a japonesa, tem performado melhor que a americana, mais ainda tem muito chão a percorrer.


Sobre bolsa de valores, a ilustração a seguir mostra que para quem pretende comprar ações para seus netos, de companhias que são ícones hoje em dia, nem sempre é uma boa ideia. A história mostra que de 50 em 50 anos, as 10 principais ações de um período para o outro são completamente diferentes, tanto as empresas como os setores.


No post na-velocidade-da-luz eu estava com uma visão de queda para a moeda única, até sugeri um trade nesse sentido. Nesse post expressei meus pontos de vista e frisei que essa aposta era contra a tendência de médio prazo, onde acredito na alta da moeda única.

Na última segunda-feira, no post a-Europa-esta-de-vento-em-popa, resolvi liquidar essa posição: ...” estou liquidando a posição vendida de euros a € 1,1660. O motivo é que se trata de um trade especulativo contra a tendência principal de alta, além de sua evolução nos últimos dias ter deixado a desejar. Prefiro esperar como observador” ...

Depois disso, o euro subiu de maneira mais forte atingindo ontem a cotação de € 1,1845. Em função desses últimos acontecimentos, vou sugerir um trade de compra a € 1,1750, com um stoploss a € 1,1650. O meu objetivo é algo em torno de € 1,1880 a € 1,20, pelo menos. O gráfico a seguir exibe qual é minha ideia.

 
Como aponto em vermelho, um primeiro movimento até algo compreendido no intervalo expresso acima e depois duas hipóteses: ou rompe o nível máximo recente de € 1,208; ou o euro volta a cair. Essa é a razão de um stoploss tão apertado de 0,85%.

- David, porque você não espera as coisas se definirem melhor, e caso o euro suba, possa comprar no rompimento do nível € 1,208?
Nossa, que evolução, estou gostando de ver. Você está correto, de uma maneira mais conservadora isso é o que se deveria fazer. Agora o movimento de curo prazo que mostro a seguir parece que a opção de alta é um pouco mais provável.


O que apontei em verde parece ser uma onda 3 sob a ótica de Elliot Wave, e se isso se mostrar correto, ou seja nossa estratégia for bem-sucedida, a chance de rompimento se eleva bastante.

Esse pode ser um caso instrutivo sobre operar contra a tendência original. Nessas situações todo cuidado é pouco, e as vezes se deve agir rápido para não se “apaixonar” com a ideia de curto prazo. Não sou contrafazer isso – operar contra a tendência de longo prazo, mas esteja consciente que pode dar errado. Lembrem sempre que correções não são previsíveis, e ao contrário, muito difíceis de traçar planos.

O SP500 fechou a 2.585, com alta de 0,82%; o USDBRL a R$ 3,2729, com queda de 1,19%; o EURUSD a € 1,1769, com queda de 0,19%; o ouro a U$ 1.278, sem variação.
Fique ligado!


14 de novembro de 2017

Riscos a frente?


No post juros-101,  fiz uma breve explanação sobre os conceitos da curva de juros. Para quem não está familiarizado sugiro uma releitura, pois vou partir de algumas considerações lá definidas.

Simplificando, a curva de juros mede o spread entre os juros de curto e a de longo prazo. É a compensação extra que os investidores exigem para que seu dinheiro fique por um período prolongado.

O maior mercado de títulos do mundo está dando um sinal de que os investidores não podem ignorar. Quanto mais a tendência persistir, mais provável que seus efeitos possam se espalhar para os resultados dos bancos e para a economia real, ao mesmo tempo em que limitaria a capacidade do FED de responder quando esses riscos emergirem.

Para ter uma ideia de quão dramática essa tendência tem sido, abaixo encontra-se uma serie de dados referente as curvas de juros relativos ao início de 2017. Os resultados mais recentes apontam para os níveis mais baixos em uma década.

Diferença entre os juros de 2 anos– 10 Anos: 72 pontos contra 125 pontos (início de 2017)
Diferença entre os juros de 2 anos – 30 Anos: 119 pontos contra 187
Diferença entre os juros de 5 anos – 10 Anos: 33 pontos contra 52
Diferença entre os juros de 5 anos – 30 Anos: 80 pontos contra 114

Todo mundo tem sua teoria favorita para o porquê isso está acontecendo e o que isso significa para a economia e os mercados, e todos eles provavelmente desempenham um papel, então aqui está o detalhamento de cada um:

A Culpa é do FED

A razão mais simples para o achatamento vem ao observar separadamente sobre o que está acontecendo com taxas de curto prazo, as mais sensíveis às expectativas da política do FED, e os rendimentos a longo prazo, que levam em consideração as perspectivas de inflação e crescimento econômico.


Depois de anos inerte, com medo de interromper a recuperação econômica, o FED finalmente cumpriu seu plano em 2017. O rendimento dos títulos de 2 anos está no seu mais alto nível desde 2008, já que os investidores se preparam para uma alta de taxas em dezembro e começam a aumentar as expectativas de novos aumentos no próximo ano.

Com os rendimentos de curto prazo subindo, a curva historicamente tende a se achatar, à medida que as taxas de longo prazo aumentam mais lentamente. Mas desde o início de 2017, os rendimentos de 10 anos e 30 anos diminuíram. E o culpado por trás disso parece ser uma inflação “teimosa” que permanece em níveis muito baixos.


Mesmo com um robusto crescimento do emprego dos EUA, e o desemprego no nível mais baixo desde 2000, o indicador preferido de inflação do FED encontra-se em apenas 1,6% a.a.

Tudo isso aumenta o espectro do que alguns chamam de "erro de política" potencial do Fed.

A conclusão é que o FED criou uma reputação de combater a inflação. Isso significa que os investidores devem esperar uma faixa de rendimento mais baixa para os juros de 10 anos e 30 anos, do que poderiam ter de outra forma.

Oferta e Demanda

Outro fator que pressiona os rendimentos de longo prazo são os compradores compulsórios, tanto nos EUA quanto em outros países.

Os gestores de ativos e passivos, como companhias de seguros e fundos de pensão, estão sempre buscando investimentos de longo prazo, e os títulos do Tesouro de 30 anos estão entre uma das melhores maneiras de obtê-lo. Combinando essa demanda com o aumento da demanda de fundos passivos de renda fixa, como Vanguard e BlackRock, justificam uma procura sustentada nos títulos de longo prazo.

Se isso não bastasse, o Tesouro americano anunciou recentemente que quer concentrar a maior emissão com prazo mais curto, como os títulos de 2 anos e 5 anos. Isso cria escassez relativa na curva longa, e um prémio na extremidade curta para absorver essa oferta extra.



Condução do ECB

Para alguns analistas, aqueles que olham apenas nos Estados Unidos para entender a curva de juros, estão perdendo o cenário mais amplo.

O mercado de títulos globais ainda está repleto por compras do banco central, principalmente do Banco do Japão e do Banco Central Europeu. E ao longo dos últimos anos, o rendimento diferencial entre os títulos do Tesouro americano e alemão de 10 anos, se elevou, criando uma oportunidade para investidores estrangeiros em adicionar dívidas dos EUA.


O BCE, liderado por Mario Draghi, anunciou no mês passado que planeja continuar comprando títulos até setembro de 2018, embora seja a metade do ritmo atual de janeiro. Também continuará a reinvestir o produto da dívida vencida por um período prolongado. A taxa principal de refinanciamento do banco foi fixada em zero desde o início de 2016, originando rendimentos negativos em trilhões de dólares de dívida da Alemanha.

Guia da História

Se alguém levar o passado como modelo, o mercado está enviando um aviso sobre as perspectivas econômicas. As curvas de juros são as mais flats em uma década, e não é coincidência que há cerca de dez anos marcou o início de uma recessão que durou 18 meses. A curva de juros mostrou-se um indicador confiável de retração econômica iminente quando se inverte, quando as taxas curtas são supeirores as taxas de longo prazo.


Lacy Hunt, economista chefe da Hoisington Investment Management, acredita que existe uma boa chance da curva se inverter, no prazo de um ano, se o FED continuar diminuindo seu estoque de títulos. Ele diz que a política de aperto provocada pela retirada de liquidez pelo FED, provavelmente irá restringir o crescimento do crédito, e reduzir o excesso de reservas, diminuindo a economia e reprimindo a inflação.

A tendência de achatamento pode ser um sinal de alerta, pois não foi o que aconteceu nas outras situações onde a economia entrou numa fase de crescimento mais robusto. Pode ser que um dos quatro motivos listados acima seja o responsável por esse achatamento, se for um dos 3 primeiros não é um sintoma de preocupação, porém se for o quarto, uma continuidade na queda do diferencial de juros é preocupante. Como não saberemos o motivo, caso aconteça uma recessão no futuro, deve-se acompanhar essa variável com diligencia, bem como outros indicadores econômicos nesse sentido.

No post bolsonaro-x-lula-sem-opção, fiz os seguintes comentários sobre o Ibovespa: ...” não tenho razões para mudar de ideia, a de que a bolsa está numa correção, e quando terminada deve entrar num novo movimento de alta. Mas também não ficarei confortável com quedas além dos 71.000 e principalmente abaixo de 69.000, onde coloquei o stoploss” ... ...” Caso essa última hipótese aconteça ainda não poderia mudar definitivamente minha previsão de alta, isso só iria acontecer abaixo de 64.000” ...

O mercado acabou fechando hoje abaixo de 71.000, o que completou nossa segunda ordem. Anotei uma região de observação compreendida entre 69.000 – nosso stoploss - e 64.000. Nesse intervalo permanecermos sem posições, pois a correção poderia avançar nesse terreno, mas não é comum. Abaixo de 64.000, alguma coisa mais séria aconteceu, prefiro deixar para analisar caso ocorra.

O SP500 fechou a 2.578, com queda de 0,23%; o USDBRL a R$ 3,3127, com alta de 1,02%; o EURUSD a € 1,1796, com alta de 1,12%; e o ouro a U$ 1.280, com alta de 0,23%.


Fique ligado!

13 de novembro de 2017

A Europa está de vento em popa


O Mosca vem repetidamente enfatizando as melhores condições que a Europa está apresentando ultimamente A reviravolta é impressionante para uma região que mergulhou da crise financeira global em sua própria turbulência da dívida soberana, desemprego recorde e um potencial cenário de deflação que ameaçou a própria sobrevivência da união monetária.

Embora para compensar a maior parte do terreno perdido nos anos sombrios, com uma produtividade ainda fraca, a recuperação mantém a esperança de que algumas cicatrizes comecem a curar. A Comissão Europeia, na semana passada, elevou sua previsão de crescimento de 2017 para 2,2%, de uma estimativa de 1,7% em maio.

Esse desempenho pode ser constatado pela melhor performance das ações que tem mais exposição a aera do euro, comparado ao índice geral de ações.


Em um relatório divulgado nesta segunda-feira, o Fundo Monetário Internacional disse que o crescimento em toda a região europeia - que inclui a área do euro, bem como as economias em desenvolvimento na Europa Central e Oriental - está tendo um efeito positivo sobre o resto do mundo. Também disse que essas perspectivas mais brilhantes representaram a maior parte da revisão ascendente para suas perspectivas globais em outubro.

Os dados a serem publicados nesta terça-feira deverão mostrar que a região ganhou mais impulso no terceiro trimestre, expandindo 0,6 %, o que é mais acelerado do que a tendência de longo prazo.

O ciclo virtuoso está sendo subscrito principalmente pelo BCE, que estancou a crise da dívida, implementando uma política monetária expansionista. Os lucros corporativos estão superando estimativas e a confiança dos consumidores é a mais alta desde 2001.

As perspectivas animadoras para a região do euro representam um forte contraste com as perspectivas para a Grã-Bretanha, onde as incertezas em torno do iminente divórcio da União Europeia estão postergando investimentos e enfraquecendo a libra. O spread – diferença de juros, entre títulos de governo de 10 anos e 2 anos, se reduziu para cerca de 80 pontos este ano na Grã-Bretanha, enquanto para os títulos alemães diminuiu para 110 pontos, indicando um maior nível de confiança na maior economia europeia.

Ainda assim, as recentes feridas são profundas na área do euro. O crescimento da produtividade está muito distante dos níveis registrados no início do milênio, 1/4 dos jovens não conseguem encontrar emprego e o desemprego na periferia da região ainda excede 10%. E mesmo em seu ritmo atual, o crescimento provavelmente ainda está atrasado em relação aos EUA.


O apoio à moeda única - embora em ascensão - ainda não atingiu o seu mais nível de 2007, enquanto os partidos políticos “ euro céticos” ganharam terreno. O partido ante euro tornou-se o terceiro maior na câmara alemã após as eleições de setembro. O movimento populista Five Star na Itália está se fortalecendo antes das eleições gerais do próximo ano.

Outros terremotos políticos, como a demanda da Catalunha para a independência da Espanha, têm o potencial de causar novas rupturas. Como o presidente do BCE, Mario Draghi, notou, os choques geopolíticos internacionais são uma fonte chave de risco.

Para isolar a economia, o BCE anunciou em outubro que continuará a comprar dívida pública e privada durante a maior parte do próximo ano e não aumentará as taxas de juros por muito tempo, garantindo uma política monetária expansiva.

Mas mesmo com essas possibilidades para a região o volume de estímulos oferecidos pelo BCE, tanto em termos de injeção de liquidez bem como na política de juros negativos, pode ser um problema mais adiante. Caso a economia europeia cresça de forma mais acelerada que a imaginada, o BCE poderia ser forçado a agir mais forte ocasionando um retrocesso indesejado.

No post goldilocks-e-agora, fiz os seguintes comentários sobre o dólar: ...” no gráfico acima apontei duas possibilidades onde no caso (A), que tem minha preferência, espero mais uma alta. Caso eu esteja correto, o dólar poderia atingir o nível de R$ 3,43/3,45, bastante próximo de R$ 3,50. Esse nível se rompido, coloca o dólar sob uma nova tendência de alta. Já o caso (B) indica que a queda estaria em curso rumo a níveis inferiores a R$ 3,03, atingido em fevereiro de 2017. Essa última hipótese ganha força com o dólar abaixo de R$ 3,20” ...


Até o momento nenhuma das duas hipóteses descritas acima podem ser descartadas embora a R$ 3,29, o dólar se encontra próximo a máxima atingida recentemente de R$ 3,33. Caso a alternativa (A) acabe acontecendo, o triangulo mostrado abaixo seria rompido. Mesmo assim, não necessariamente invalidaria a provável queda que se sucederia.


Eu ainda continuo com uma preferência pelo cenário que contempla ainda mais uma alta do dólar no curto prazo. No post acima ainda sugeri um trade para compra, aos leitores mais agressivos: ...” se você quiser fazer uma “apostinha” sugiro comprar dólares se as cotações atingirem R$ 3,26 com stoploss a R$ 3,20, para buscar R$ 3,43” .... Isso foi possível pois o dólar atingiu a mínima de R$ 3,2350 durante a última semana.

Notei em conversas, que a piora na nossa moeda está sendo mal interpretada. Esse tipo de interpretação não se limita aos leitores do Mosca, o próprio presidente Temer mencionou na semana passada que a não aprovação do projeto de Previdência que foi noticiada, teria afetado as cotações da bolsa e do dólar.

Naturalmente os motivos do presidente são políticos pois nem sei se acompanha esses mercados frequentemente. Os argumentos que os analistas e imprensa vem associando a má performance desses dois ativos, além da Previdência, é a possibilidade de Lula ganhar as eleições no próximo ano, haja visto que lidera as pesquisas de voto.

Para o Mosca o motivo dessa piora é externo. De uma maneira geral todos os ativos de mercados emergentes estão passando por essa correção. Agora, o fato dos ativos brasileiros se valorizarem mais que os seus pares emergentes neste ano, fez com que, agora na queda, o mesmo fenômeno aconteça com o sinal trocado.

Estou liquidando a posição vendida de euros a € 1,1660. O motivo é que se trata de um trade especulativo contra a tendência principal de alta, além de sua evolução nos últimos dias ter deixado a desejar. Prefiro esperar como observador.

O mSP500 fechou a 2.584, com alta de 0,10%; o USDBRL a R$ 3,2793, sem variação; o EURUSD a € 1,1665, sem alteração; e o ouro a U$ 1.277, sem variação.


Fique ligado!

10 de novembro de 2017

Inflação em alta!



Ao buscar as informações sobre o IPCA do mês de outubro, fiquei preocupado ao ler o título da reportagem no jornal Valor “Inflação ganha força em outubro”. Imediatamente pensei que algo teria saído fora do controle, afinal a chamada indica um resultado negativo. 
Porém a realidade não era bem essa, o nível do mês de outubro foi de 0,42%, totalmente dentro da previsão do mercado que era entre 0,40% - 0,54%. Esse resultado ocasionou uma alta da inflação anual de 2,54% para 2,70%.

Os principais fatores que influenciaram no sentido da alta foram a energia elétrica, reflexo da alteração da bandeira tarifária para o mês, além do gás de botijão. Já a alimentação, que ainda permanece em deflação, perdeu o ímpeto. Como costumo dizer, se a queda nos preços dos alimentos continuar indefinidamente a comida ficará literalmente de graça. Algum momento vai parar de cair!

Um exercício importante para análise da inflação, a mais longo prazo, é expurgar os efeitos dos alimentos do índice. Como o gráfico abaixo aponta, sem o impacto dos alimentos, a inflação estaria mais próxima da meta de 4%.



Outro fator de conforto são os baixos níveis dos preços livres – 1,46% em 12 meses, bem como do índice de difusão – 53%. A soma desses resultados deve dar subsídios para que o banco central corte os juros em 0,50% na próxima reunião de dezembro, embora é esperado uma elevação modesta da inflação para o termino de 2017. Em bases anuais o IPCA encerraria o ano em 3%. Para 2018 a Rosenberg trabalha com uma taxa de 3,8% a.a.



Mas não fico surpreso com esse tipo de alarde dos meios de comunicação, afinal eles têm que chamar a atenção. É nossa função fazer uma análise mais realista dos fatos. Minha tese que o Brasil vive uma situação nova, onde a inflação não é mais tão importante, pode ser comprovada por manchetes com esta do Valor. Se uma variação de 0, 16% a.a. é tão elevada para os meios de comunicação, e por que ela não é mais importante.
Nas reuniões da Rosenberg noto os analistas simularem diversos cenários para as variações de preço. Como contrapartida, como esses cenários impactariam a inflação de 2017. Seu objetivo é comprar ou vender esses contratos objetivando um ganho 0,10% ou 0,15%. Para eles, certamente alguma variação no indicador mensal pode ter impacto financeiro, para nós não faz a menor diferença se a inflação for 3,13% ou 3,23%.

No post conflito-de-interesses, fiz os seguintes comentários sobre os juros de 10 anos: ...” nosso trade parecia caminhar no sentido certo, porém o nível de 2,42% foi violado, só que desta vez para baixo. No momento se encontra a 2,34%, próximo de nosso stoploss” ... ...” agora não temos muita margem de manobra, ou o mercado vira e volta a subir, ou provavelmente seremos stopados. Se isso acabar acontecendo, não significa que os juros caiam abaixo de 2%, como eu estava esperando alguns meses atrás”...

Durante esta semana, nosso stoploss esteve por um triz, a mínima atingiu 2,3040%. Hoje especificamente houve uma recuperação situando-se em 2,37%. O susto passou? Não mesmo, agora 2,40% passa ser um novo teste para a alta.

Notem que em 4 situações distintas o mercado buscou romper essa região – 2,40%/2,42%, sendo que nessa última negociou alguns dias acima. Parece que o mercado testará novamente esse nível, e duas situações poderão ocorrer: o que se denomina na linguagem do mercado last kiss, onde os juros voltam a cair sem seguida; ou finalmente os juros começam um ciclo de alta. Agora é fundamental que o nível de 2,65% seja ultrapassado. 

Para qualquer pessoa que está envolvida no mercado de títulos vê com surpresa níveis tão baixos de juros. Porém, uma análise mais abrangente de outros mercados, se pode chegar à conclusão que não são tão baixos assim. Os títulos de 5 anos do tesouro alemão rendem -0,22% a.a., enquanto os americanos rendem 2% a.a. Se um alemão decidir comprar o papel de seu país, no final de 5 anos receberá menos do que aplicou, pagará aproximadamente € 2 para cada € 100 investidos, enquanto o americano receberá U$ 10 para cada U$ 100. Assim, existe uma demanda vinda da Europa e Japão na compra dos títulos americanos. 



O SP500 fechou a 2.583, sem variação; o USDBRL a R$ 3,2783, com alta de 0,81%; o EURUSD a € 1,1665, com alta de 0,21%; e o ouro a U$ 1.275, com queda de 0,70%.

Fique ligado!

9 de novembro de 2017

China: Menos ótimo!


O presidente Trump, de tempos em tempos, reaparece na mídia, normalmente acusando alguém ou se defendendo, com o objetivo aparente de chamar a atenção. Todo esse stress tem conseguido zero de benefício para seu povo, pois fora essas bravatas nada de concreto é realizado. Realmente decepcionante!

Nesta semana embarcou para uma viagem à Ásia onde a China é o seu maior interesse. De forma “amigável” com seu anfitrião manteve conversas difíceis sobre a Coréia do Norte e assuntos comercias. Em relação a esse último, ao invés de culpar Pequim, culpou seus predecessores por possuir uma relação econômica “muito injusta e unilateral”.

Trump disse que as administrações passadas permitiram que a China ganhasse vantagens comerciais injustas em relação aos EUA, acrescentando: “ Mas vamos fazer isso ficar justo e excepcional para nós dois”.

Xi Jimping sorriu amplamente para algumas observações do Sr. Trump, incluindo a de que a China não era culpada pelo desequilíbrio comercial.

Será que Donald Trump imagina que o Presidente Chinês vai entrar nesse argumento ridículo? Xi Jimping deve estar morrendo de rir.

Nesta semana a China divulgou o resultado da balança comercial, que registrou um superávit de U$ 38 bilhões. As exportações cresceram 6,9% em 12 meses, enquanto as importações 17,2%. Mesmo assim, os analistas ficaram frustrados, afinal esperavam um superávit de U$ 39,5 bilhões.


Observem o gráfico e notem que em raras ocasiões o superávit ficou abaixo de U$ 30 bilhões, e verdade que em 2015, tanto as exportações como as importações apresentaram crescimento negativo.

A rubrica comercial vem crescendo há anos, atualmente as exportações estão na casa de U$ 2,1 trilhões e as importações em U$ 1,8 trilhões, isto não é nada pequeno. Fico imaginando como é possível continuar crescendo nessas taxas elevadas. Se estivéssemos falando de U$ 100 milhões por ano de exportações, um aumento de 10% representaria U$ 10 milhões, qualquer fábrica de jeans poderia ser a responsável por esse aumento. Agora com os níveis da China, 10% representam U$ 210 bilhões, como aumentar desse valor ano após ano? Haja calças para exportar, e pior, demanda para tanto.

AS importações também são muito elevadas, mas são contrapartida das exportações em sua grande maioria. Ao aumentar um lado, aumenta o outro.

Como esse nível de crescimento das contas comerciais é acima do PIB mundial, e considerando que é a 2º economia do mundo, com certeza produtores ao redor do mundo vem perdendo seu mercado. Uma projeção simplista e de certa forma grosseira, indica que não irão sobrar nenhuma fábrica fora as chinesas.

Quando vejo os analistas ficarem decepcionados porque um resultado ficou um pouco abaixo do realizado, como nesse caso, me leva a crer que não tenham um mínimo de julgamento sobre o número analisando. Minha leitura na pior, pior, das hipóteses, é que a balança comercial chinesa ficou menos ótima, ou melhor, só um pouquinho! Hahaha ...

As reservas chinesas publicadas ontem mostram uma certa estabilidade. Com um nível astrofísico de U$ 3,0 trilhões, representam uma ameaça muito maior aos EUA que ao inverso. Sobre esse assunto Trump não fala nada, mas tenho certeza que o Presidente Chinês, em suas conversas reservadas fala baixinho para o Trump ...“ não temos intenção nenhuma de vender os dólares de nossa reserva, gostamos e acreditamos no dólar. Mas se existir alguma ameaça, é algo que iremos considerar seriamente”... 

 
No post abrimos-champanhe, fiz os seguintes comentários sobre o SP500: ... “Eu trabalho com a continuidade da alta depois dessa correção que se iniciou esta semana. Mas tenho ciência, pois já frisei várias vezes aqui, que o SP500 está em fase terminal, onde uma correção bem mais profunda deverá ocorrer” ...

 
Essa semana o SP500 testou um primeiro ponto considerado com target – 2.590 (em vermelho), conforme pode ser visto no gráfico a seguir, de mais longo prazo. Não é o mais comum que uma reversão aconteça nesse nível, porém acontece. Nos dias que precederam, o SP500 buscou romper essa marca com idas e vindas, situando-se agora em 2.580.


Vou liquidar mais 1/3 da posição e permanecer com 1/3 remanescente ajustando o stoploss para 2.530.

Os outros dois pontos marcados no gráfico em azul são níveis potencialmente importantes para um eventual topo. Ainda continuo com um viés positivo, pois caso contrário liquidaria toda a posição, mas considero que o mercado está ficando perigoso.

Não gostaria de criar nenhum sinal de preocupação, pois até o momento não existe indicações para tanto, e o mercado poderá continua subindo. Pode ser que uma correção esteja acontecendo, ainda pequena, apenas alguns percentis. Como pode ser a correção maior, que calculo levar o índice para a casa dos 2.000, um nada desprezível 25%.

Faz parte da decisão de um investidor saber com que percentagem se seu portfolio quer estar exposto no risco. A grande diferença em termos de retorno é a sabedoria de alocar um pouquinho, um pouco, ou um “poucão”!

O SP500 fechou a 2.584, com queda de 0,38%; o USDBRL a R$ 3,2547, sem variação; o EURUSD a € 1,1639, com alta de 0,41%; e o ouro a U$ 1.285, com alta de 0,34%.


Fique ligado!

7 de novembro de 2017

Bolsonaro x Lula: Sem opção!


Responda sinceramente, se você tivesse que optar entre um desses nomes para escolher o próximo presidente qual escolheria? Antes que responda quero dizer que eu não acredito ser essa a dupla que comporá o segundo turno das eleições presidenciais do próximo ano. Eu espero!

Para pessoas esclarecidas imagino que a sensação de indignação é igual a minha. Como poderia o Lula ainda ter mais que 100 votos? E olha que esses 100 votos de parentes também estariam sob risco. Sem deixar se envolver pela emoção, a única conclusão que se pode fazer é que, boa parte dos brasileiros não se importam com o caráter de seus governantes.

Basta um discurso de proteção aos mais pobres, para quem se beneficiar, votar nele. Agora se é um mega ladrão, incompetente, tanto faz, desde que o “meu” esteja garantido. Essa observação coloca em cheque nosso futuro, haja visto que, parcela considerável pensa desta maneira. Mas felizmente, não é a maioria.

Do outro lado, Bolsonaro está conquistando os eleitores que estão cansados de tudo e de todos, querem a ordem. Para quem pensa assim, esse capitão do exército que durante sua vida militar esteve envolvido em várias confusões, sendo que uma delas o levou a prisão por um período curto, é uma opção.

Seu superior, Coronel Carlos Alfredo Pellegrino fez a seguinte avaliação de seu comandado: ...” Bolsonaro tinha permanentemente a intenção de liderar os oficiais subalternos, no que foi sempre repelido, tanto em razão do tratamento agressivo dispensado a seus camaradas, como pela falta de lógica, racionalidade e equilíbrio na apresentação de seus argumentos" ...

Tenho certeza que em outra situação, Bolsonaro não teria 1% da intenção de votos, mas atualmente na falta de alguém para enquadrar os políticos, ocupa a segunda posição.

A pesquisa do IBOPE mais recente contém uma informação interessante. Na coleta feita com todos os eleitores, Lula tem 35% das intenções de voto enquanto Bolsonaro apenas 13%. Por outro lado, a mesma pesquisa feita com as pessoas que usam a internet, Bolsonaro sobre até 10% a mais, dependo dos adversários.



Essa pesquisa mostra a força da mídia social nas eleições, o que já pode ser visto na vitória em primeiro turno de Joao Doria à Prefeitura de São Paulo.

- David, já está fazendo as malas! Hahaha ...
Muito cedo para tanto, alguns fatores devem ser considerados antes de acreditar que esse será nosso fim como brasileiros. Primeiro que o Lula tem uma grande chance de ser preso até lá, algumas declarações de juízes do Tribunal Superior parecem indicar que esse seria seu entendimento. Bolsonaro não participou de nenhum debate e quando isso acontecer ficará nítido seu despreparo. Por último, uma eventual candidatura de um outlier. Nesse campo, tem se especulado o nome de Luciano Huck. Se isso acabar acontecendo, acho que tem uma grande chance de ser eleito ainda no primeiro turno. Canalizaria os votos dos indefinidos, parte do Lula e parte do Bolsonaro, teria os votos de quem se considera sem opção.

Outro fator bastante importante é como estará a economia no meio do próximo ano. As previsões da maior parte dos economistas apontam para um crescimento dar ordem de 2,5% para 2018. Isso significa que estará bem melhor do que está agora. Nesse caso, O governo, no caso o PMDB, será peça importante no mapa eleitoral. Não que Temer possa ser um candidato, seria um suicídio, mas quem o partido apoiar terá um tempo importante de televisão.

Os dados recentes da economia brasileira não estão muito bons, também não estão ruins, pararam de melhorar. Ontem foi publicado o PMI de serviços e o mesmo ficou abaixo de 50, que significa retração. Eu perguntei aos economistas da Rosenberg se deveríamos nos preocupar. Suas respostas foram que o processo é assim mesmo e que mantem as mesmas projeções anteriores de crescimento.


- Mas e se não der certo e ficarmos com a opção Lula x Bolsonaro?
Vou apelidar essa dobradinha de “sem opção”. Agora se isso acontecer não adianta espernear. Votar em branco ou nulo, significa votar em quem tem mais votos, sendo assim, é obrigatório a escolha de um deles. Não vou revelar o meu, mas posso afirmar que não voto no Lula nem morto. Para mim é inconcebível votar numa pessoa sem o menor caráter que destruiu o Brasil. Não vem dizer que ele vai virar honesto, isso não existe, se fingir essa honestidade valera por pouco tempo.

No post fed-sob-nova-direção, fiz os seguintes comentários sobre o Ibovespa: ...” vou estabelecer os seguintes trades: comprar ½ da posição a 74.000, e caso caindo a outra metade a 71.500. O stoploss para essa posição é 69.000” ... ...” A estratégia adotada de dividir as ordens é função de nossa posição existente no Ibovespa e também pelos parâmetros técnicos que indicarem correções mais prováveis nesses dois pontos” ...


Na última sexta-feira o primeiro nível foi atingido, ativando a primeira parte de nosso trade. Os negócios de hoje apresentam uma queda superior a 2%, o que me faz imaginar que nos próximos dias o segundo nível será completado.


Não tenho razões para mudar de ideia, a de que a bolsa está numa correção, e quando terminada deve entrar num novo movimento de alta. Mas também não ficarei confortável com quedas além dos 71.000 e principalmente abaixo de 69.000, onde coloquei o stoploss.

Caso essa última hipótese aconteça ainda não poderia mudar definitivamente minha previsão de alta, isso só iria acontecer abaixo de 64.000, uma queda significativa de 12% dos níveis atuais. Os leitores poderiam se perguntar por que não deveria aguentar até os 64.000, já que esse é o nível “correto”. Minha reposta é que seguimos as probabilidades e o bolso, e nesse caso, os dois seriam violados, o primeiro argumento diz ser pouco provável que uma correção aconteça com tamanha extensão, e o segundo que o prejuízo seria muito grande.

E desta forma que eu sugiro os trades, buscando perder pouco mesmo que no futuro essa perda poderia ter sido evitada, ao permanecer na posição. Por outro lado, caso isso não aconteça, e o mercado realmente muda de direção, não vamos ficar sem calças! Torcida agora só no futebol. O Santos ganhando e o Corinthians perdendo, o que já é muito difícil de acontecer!

O SP500 fechou a 2.590, sem alteração; o USDBRL a R$ 3,2713, com alta de 0,67%; o EURUSD a € 1,1589, com queda de 0,16%; e o ouro a U$ 1.275, com queda de 0,44%.


Fique ligado!

6 de novembro de 2017

Goldilocks é agora


Existe um termo em inglês que caracteriza uma situação econômica particular: Goldilocks:” An economy that is not so hot that it causes inflation, and not so cold that it causes a recession. There are no exact markers of a Goldilocks economy, but it is characterized by a low unemployment rate, increasing asset prices (stocks, real estate, etc.), low interest rates, brisk but steady GDP growth and low inflation”.

Como não existe uma marca explicita analisemos alguns parâmetros da economia americana:
·         Baixo desemprego – OK
·         Alta de preços dos ativos (ações, imóveis, etc. ...) – OK
·         Juros baixos – OK
·         PIB estável – OK
·         Baixa inflação – OK

Além das condições atuais se enquadrem perfeitamente, um outo atributo também surge, a de que nesses momentos nada de muito diferente acontece.

Tenho conversado com alguns analistas e gestores ultimamente e a sensação é a mesma, nada de relevante acontece, cada dia é muito semelhante ao anterior, com pouca movimentação dos ativos.

Neste cenário passa a ser difícil encontrar assuntos de interesse aos leitores. Também acredito ser um problema para todos os meios de comunicação. Se vocês notarem, nem as notícias da lava jato tem a mesma importância que no passado. Sobram as manchetes da vitória do Corinthians sobre o Palmeiras neste final de semana, como se já fosse o Campeão do Brasileirão, o que ainda não é o caso, pois faltam seis rodadas.

Complementando as informações de emprego, o gráfico a seguir dá uma boa dimensão de como a economia americana depende das pequenas e médias empresas, o que é muito saudável.



Em termos de diferença entre os mais ricos e os mais pobres, dentre as economias do G10, salta os olhos com surpresa os dados da Grã-Bretanha, com a maior diferença entre todos os países, inclusive os EUA.


Em termos de extrema pobreza o mundo evoluiu muito nos últimos dois séculos. Em 1820, 94% da população vivia em extrema pobreza. Já hoje em dia esse percentual é inferior a 10%.


A cotação do Bitcoin não para de subir, com o nível superior a U$ 7.000, está fazendo a alegria de seus detentores. Seguramente essa é a maior bolha da história da humanidade em termos de alta percentual. A seguir a principais bolhas ocorridas no mercado financeiro. Nenhuma chegou perto da alta observada nestes últimos sete anos da Bitcoin.

 
Um dos motivos é sua pequena representatividade quando comparado aos outros ativos financeiros, e grande visibilidade adquirida através da mídia.


Não tenho mais nada a acrescentar sobre o Bitcoin, a grande coqueluche do momento. Só o tempo poderá comprovar ou não minha tese de tratar se de uma bolha, além de não ser uma moeda de troca. Mas isso pode demorar e suas cotações continuarem subindo por tempo indeterminado. Nesse final de semana recebi um relatório contendo um trabalho baseado em análise técnica da mesma. Ali, nenhuma indicação de queda no horizonte, ao contrário, esse analista visiona novas altas acima de U$ 8.000.

No post detalhes, fiz os seguintes comentários sobre o dólar: ...” para seu conforto de que a alta já terminou, o dólar deveria cair abaixo de R$ 3,20 nos próximos dias. Enquanto estiver entre R$ 3,20 – R$ 3,30, encontra-se no vulgo caixão, termo usado no jogo sete e meio (em desuso). Acima desse último, ainda vai sofrer um pouco, desde que não ultrapasse R$ 3,50” …. Na sexta-feira o dólar atingiu a máxima de R$ 3, 3350. Isso seria suficiente para declarar o termino desta correção?


Não ainda, no gráfico acima apontei duas possibilidades onde no caso (A), que tem minha preferência, espero mais uma alta. Caso eu esteja correto, o dólar poderia atingir o nível de R$ 3,43/3,45, bastante próximo de R$ 3,50. Esse nível se rompido, coloca o dólar sob uma nova tendência de alta. Já o caso (B) indica que a queda estaria em curso rumo a níveis inferiores a R$ 3,03, atingido em fevereiro de 2017. Essa última hipótese ganha força com o dólar abaixo de R$ 3,20.

- Boa David, essa você não tem como errar! E o que nós fazemos?
Veja amigo, quando não tenho certeza, ou o risco X retorno não parece atrativo, só me resta esperar o mercado dar mais indicações. Em todo caso, se você quiser fazer uma “apostinha” sugiro comprar dólares se as cotações atingirem R$ 3,26 com stoploss a R$ 3,20, para buscar R$ 3,43, fica a seu critério.

O SP500 fechou a 2.591, com alta de 0,13%; o USDBRL a R$ 3,2494, com queda de 1,96%; o EURUSD a € 1,1609, sem alteração; e o ouro a U$ 1.281, com alta de 0,95%.


Fique ligado!