Inflação: A Revanche

30 de novembro de 2016

Mudança de 360º


Eu costumo brincar que quando uma situação se altera radicalmente é porque passou por uma "mudança de 360°". Como pego a pessoa de surpresa ela fica alguns segundos pensando se a frase está correta ou eu me enganei. Talvez meu objetivo seja exatamente este, de provocar. Acredito que essa minha frase possa se aplicar as perspectivas da economia americana; e porque não dizer das economias ocidentais.

Nos últimos dias, ao invés de receios de recessão, depressão, deflação, entre outros; só se fala em crescimento, elevação de juros e inflação crescente. Será que uma economia pode virar no grito? Claramente não. Talvez esse crescimento que se vislumbra agora já estava acontecendo, entretanto, os analistas ainda guardavam lembranças do passado. Segundo Nietszche tudo tem que ter uma explicação, o motivo dado é a vitória de Trump, que ironicamente, iniciou esse processo.

Um bom sociólogo ou cientista político poderá explicar o que efetivamente ocorreu, mas para o Mosca isso não é importante, mas sim suas consequências. Também se fala que as prováveis medidas a serem implementadas pelo novo Presidente americano terão duração curta, mas isso vou deixar de lado, pois não sabemos nem se ele vai colocar em prática o que prometeu.

Ontem foi publicado a revisão do PIB americano do 3º trimestre e o resultado foi muito bom, o esperado era de 3% e o publicado foi de 3,2%. Como se pode ver a seguir, a recuperação da economia vem acontecendo desde do início do ano.



Contrapondo minha hipótese, uma pesquisa realizada com economistas aponta a recessão americana como o principal risco para o próximo ano. Não sei se foi elaborada antes dessa onda de otimismo.


Já Goldman Sachs, através de modelos proprietários, também calcula a probabilidade da economia americana entrar em recessão. Seus resultados, como se pode verificar a seguir, é de uma chance baixa no curto prazo e pequena (<30%) daqui a 2 anos.


Diz-se que as surpresas acontecem de onde você não espera e, para mim, a China ainda é o maior candidato nesse quesito. Algumas coisas estranhas têm acontecido por lá, como, por exemplo: A moeda chinesa, o Yuan, desvalorizou-se 5 % nos últimos 6 meses; a saída de capitais está crescendo através dos residentes. No 3º trimestre subiu para US$ 207 bilhões, quando comparados a US$ 99 bilhões no trimestre anterior, e mesmo com a desvalorização da moeda, suas exportações não estão crescendo. Em outubro, a queda foi de 7,3% medida em 12 meses. O gráfico a seguir dá uma boa dimensão do fluxo de saída de dólares.


O governo Chinês impôs uma série de controles para quem enviar recursos ao exterior acima de US$ 5 milhões; isso é válido para quem deseja mandar e para quem já mandou. É difícil de imaginar que uma medida como essa possa ter efeito numa economia desse tamanho e complexidade. Uma alternativa a essas medidas, caso não sejam eficientes, seria a implantação de um regime flutuante de câmbio, o que parece ser uma ferramenta a ser usada em último caso.

Será que o mundo está olhando para o lugar errado?

Nenhum dos mercados que acompanho tem novidades muito diferentes das que eu já comentei aqui. Por outro lado, algumas correções que eu aguardo no Bovespa, juros de 10 anos, ainda não se materializaram, sendo assim escolhi esse último. No post fazemos-qualquer-negócio, comentei: ...” A linha verde traçada desde o início da queda de juros na década de 80, conteve as várias idas e vindas, porém sempre com uma tendência de queda. Como podem observar essa linha foi rompida neste mês. Já a linha rosa, que contem movimentos mais curtos, o mercado está testando o ponto de tangência. Os indicadores de momentum ainda balizam alta, com um sinal de curto prazo apontando uma pausa”...


A análise num gráfico de curto prazo mostra a dificuldade, pelo menos temporária, desse ativo ultrapassar o nível de 2,40% - 2,45%. Esse nível é de real importância do ponto de vista técnico, pois, se ultrapassado, não existe grandes obstáculos até a marca de 3,0%.


Na próxima sexta-feira serão publicados os dados de emprego. Hoje como de costume, o ADP publicou um nível de contratação de 206 mil, resultado acima do que o mercado esperava (146 mil).



Não acredito que o resultado oficial possa afetar muito o mercado, a não ser que seja muito diferente do esperado – 170 mil. Desta forma, fico de espectador nos juros de 10 anos, aguardando um melhor momento para entrar com um trade acreditando que os juros irão subir.

O SP500 estava (*) a 2.201, com queda de 0,15%; o USDBRL a R$ 3,3850, com queda de 0,34%; o EURUSD a 1,0597, com queda de 0,48%; e o ouro a US$ 1.174, com queda de 1,19%.
Fique ligado
(*) - 18:00 hs.

29 de novembro de 2016

"Tutti buona gente"


Hoje a foto do post é uma lembrança a tragédia que ocorreu com o avião que levava a equipe de futebol do Chapecoense, para a disputar a final da Copa Sul Americana. Vou transcrever um texto que circulou hoje pelas redes sócias de Artur Crispin ... ” Costumo dizer que futebol é metáfora da vida e talvez por isso esse lance com a Chapecoense me deixa tão triste. Porque, por mais que torçamos para Flamengo, Corinthians, Vasco, Palmeiras, Santos e outros grandes times, na vida a gente é mesmo Chapecoense”... ...” A gente é Chapecoense na vida porque, por mais que algumas vezes queira e em outras se sinta impotente, está lá, sempre na peleja”...

Quando eu era criança, lembro-me de ouvir diversas vezes uma frase que se referia aos italianos, “Tutti buona gente”. Mesmo sem conhecer a língua italiana é fácil imaginar o seu significado. Acredito que isso seja decorrente de que eles eram a maior colônia estrangeira, depois dos portugueses, que vivia no Brasil. Para quem conhece a Itália sabe que é um país sui generis: as pessoas não conversam, discutem, pelo menos no meu padrão de entendimento; cheio de história por todos os cantos; líder na moda e tudo que envolva design; e dono da marca mais desejada de automóvel, a Ferrari; sem falar na sua cozinha repleta de pratos deliciosos.

Entretanto, desde que a Itália aderiu ao euro no final dos anos 90 tudo começou a mudar. Anteriromente, com uma moeda sempre desvalorizada, a lira italiana, e sem os males da globalização, conseguia financiar seu déficit público pagando taxas elevadas comparadas aos padrões internacionais. Eu me recordo de títulos de bancos que rendiam 9% a.a., enquanto um alemão rendia 3% a.a. Bons tempos! Depois de se juntar a unidade europeia, a realidade veio à tona com uma mão de obra ineficiente, um povo que se sentava para almoços de mais de 2 horas com direito a vinho, sua produtividade entrou em colapso e, pouco a pouco, foi perdendo suas vantagens comparativas.

Semana que vem, esse país passa por um teste importante. O momento é propício para mudanças, pois depois do choque vindos do Brexit e da vitória de Trump a ordem parece voltada para a continuidade de más notícias. A pesquisa mais preocupante para o Primeiro Ministro Matteo Renzi revelou que apenas 40% pretende votar no pacote de reforma, enquanto 56% consideram votar contra, sugerindo sua substituição por um grupo de ante euros iconoclastas do espectro Brexit/Trump.

Com uma taxa de desemprego de 11%; sendo que desses, 40% são jovens que constituíram a maior parte dos 107.000 que deixaram o país no ano passado para procurar emprego em outro país. As consequências do crash financeiro dão conta que aproximadamente ¼ da indústria foi destruída. A renda familiar agora é menor que em 2007.

Renzi tentou virar o jogo, uma vez que seu apoio forte para as reformas constitucionais caiu. Numa tentativa de seduzir o eleitorado cada vez mais eurocéptico, começou a falar duro, abandonando os objetivos de austeridade e ameaçando vetar o orçamento da Unidade Europeia. Os mercados tornaram-se decididamente desconfortáveis frente à perspectiva da Itália tornar-se o próximo país a obter um choque sísmico em suas pesquisas. O gráfico a seguir já mostra bem o distanciamento dos títulos do governo italiano versus o alemão.


Mas isso não se tornou um fato exclusivo à Itália, a diferença também é vista em títulos de outros países, inclusive a França, é verdade, com menor intensidade.


O movimento recente é de alta de juros, empurrado pela evolução dos títulos americanos. Porém, isso não aconteceu como os títulos da Alemanha em que a cada dia suas taxas ficam mais negativas.


Em agosto de 2011, um dos primeiros posts que publiquei quando-unica-solucao-é-o-divorcio, já externava meu ceticismo em relação moeda única. Passados mais de 5 anos, a situação ainda perdura, porém, as chances de uma ruptura parecem mais elevadas agora. Como uma camisa de força, os países mais fracos precisam de uma moeda mais desvalorizada para tornarem-se mais competitivos em termos de troca, e isso vem acontecendo ultimamente, basta ver a reação dos mercados pelo resultado do Brexit e Trump.



Quando isso acontece, é bom para todos os países da Europa, mas é ótimo para a Alemanha. O gráfico a seguir não deixa dúvidas da importância das exportações nesse país. Mas tudo isso não é uma situação de equilíbrio, pois a desvalorização da moeda única só tem efeitos fora da Europa e como a maior parte do comércio é realiza entre os seus membros, seria necessárias duas moedas pelo menos: o EUROGER e o EUROREST. A primeira, da Alemanha; a segunda, do resto!


O assunto técnico hoje não poderia ser diferente, a moeda única. No post europa-bola-da-vez, fiz os seguintes comentários: ...” É notório que a moeda única está “tentando” romper o intervalo inferior, porém sempre que se aproximou, surgiu alguma coisa que fez com que o mercado retrocedesse. Nesta nova tentativa, imagino que o mercado já esteja bem posicionado e precisa de um fato para romper a linha”...


Desde então, pouca coisa mudou e o euro se encontra agora levemente acima daquele dia a 1,0595. Como mencionei acima, o mercado precisa de algum fato para que possa romper a marca do 1,05, e esse fato poderá ser o resultado do referendum no próximo domingo. Acho pouco provável que exista alguém apostando que o resultado será positivo desta vez, porque as pesquisas já apontam para esse resultado e, principalmente, duvido que o mercado seja pego de calça curta pela terceira vez!


Apontei acima duas hipóteses para o termino da correção do euro:

1.       Verde – Antes de começar, aproveito para parabenizar os Palmeirenses pela conquista do brasileirão; foi merecido. Com o desfalque de Gabriel Jesus e do técnico Cuca para a próxima temporada, enfrentará a dificuldade de todos os times brasileiros. O Estadão publicou hoje uma estatística com a quantidade de jogadores brasileiros que jogam no exterior, são 469 no total sendo que 114 deles estão nos Top-5.
                                                                                                              
      Se a correção tiver um formato de triângulo, ainda estaria faltando um movimento de alta. Como demandaria certo tempo, só imagino isso acontecendo caso a euforia pós Trump mude repentinamente.

2.       Rosa – A correção teria terminado e já estamos no movimento impulsivo de queda que levaria o euro a 1,00 ou menos.

Depois de 20 meses num movimento de correção parece que o mais provável seja a alternativa 1. Você poderia se perguntar por qual razão o Mosca não embarca na venda e, “vamos que vamos”. Prefiro aguardar ou o rompimento ou uma recuperação para vender em níveis melhores. Talvez esteja sendo muito conservador, mas não se pode esquecer que no espaço de 3 semanas a moeda única caiu quase 7%.

O Sp500 fechou a 2.204, com alta de 0,13%; o USDBRL a R$ 3,3975, com alta de 0,39%; o EURUSD a 1,0649, com alta de 0,32%; e o ouro a US$ 1.188, com baixa de 0,42%.
Fique ligado!

28 de novembro de 2016

Não arrisque ficar rico pela segunda vez


Warren Buffet passou um tempo recentemente conversando com estudantes da Universidade de Maryland, onde lhe foi perguntado qual era a mais importante habilidade em finanças ...“A mais adimirável habilidade em finanças é saber se vender. É desta forma que se convence alguém a casar com você, bem como a conseguir um emprego. A qualidade mais importante para se sair bem é o controle emocional, que vai permitir controlar medo e agressividade; que já arruinou muita gente. Qualquer um que ficou rico duas vezes é estúpido. Por que você vai arriscar o que já tem, por aquilo que você não precisa? Se você já é rico, não há nenhuma vantagem em assumir muito mais risco, mas é uma desgraça caso você perca” ...

Vou me concentrar nas suas últimas afirmações sobre riqueza. Naturalmente, ser rico é um bom problema, contudo permanecer rico pode ser um problema para muita gente. Em um estudo realizado nos EUA, com o grupo dos 1% que ganham os maiores rendimentos, encontraram que 11% dos americanos atingem esse patamar pelo menos num único ano, durante seus melhores anos. Entretanto, menos de 6% consegue permanecer por 2 anos ou mais; ou seja, esse grupo está sempre mudando.

Isso leva as pessoas a compreender que altos rendimentos não é a mesma coisa que riqueza.

Ben Carlson, um gestor de fortunas, descreve algumas ideias de como preservar sua riqueza se você tiver a felicidade de estar nesse grupo.

*      Evite riscos desnecessários como concentrar seus investimentos. Não existe razão para você ser um herói. Diversificação é fundamental;
*      Todo investidor precisa considerar sua habilidade, necessidade e desejo de assumir riscos. Se você já é rico, deveria dar mais ênfase no item necessidade quando está tomando suas decisões;
*      Nunca invista em nada que não se consiga explicar em 1 minuto ou menos. Se você não entende, não invista nisso;
*      Se algo parece muito bom para ser verdade, provavelmente não é;
*      Evite pessoas ou banqueiros que oferecem garantias de retornos;
*      Entenda bem onde se encontra no seu ciclo de investimento. Se já está aposentado ou se aproximando, você tem muito pouco de seu principal ativo – capital humano. Caso seja jovem, ainda tem um enorme potencial em capital humano;
*      Não se preocupe com os portfólios de outras pessoas, ou os respectivos investimentos específicos. Inveja e ciúmes não tem espaço quando se administra uma carteira. Muitas pessoas assumem que precisam investimentos arriscados para competir com seus amigos. É uma premissa cara.

O risco acontece de várias maneiras e formas. Para algumas pessoas, risco significa ficar sem dinheiro antes de morrer. Para outros, risco significa fazer enormes erros. Investidores saudáveis devem ficar focado mais neste último.

É muito difícil ficar rico uma vez. Não se obrigue a ficar rico duas vezes!

Quando começa a vida profissional, muito pouco se pode saber sobre como será sua evolução. O livro Fora da Curva, escrito por Malcom Gladwell, descreve os pré-requisitos necessários para que uma pessoa seja bem-sucedida; mas cada caso é um caso. Dentro da análise técnica, a meu ver, o conceito mais importante é o stoploss. Ele evita justamente o que Carlson disse na sua última frase acima ... “risco significa fazer enorme erros”.... Pois ao invés de teimar em investimentos que se mostraram errados de início, os elimina sem nenhum julgamento a posteriori, uma vez que o stoploss é fixado anteriormente.

David, esse artigo está mais parecendo matéria de “autoajuda em finanças”
É verdade, uma autoajuda para você não quebrar! Hahaha ...

No post 2017-será-pior-que-2016?, fiz os seguintes comentários sobre o dólar: ... O objetivo será entre R$ 3,60 – R$ 3,75 a ser definido melhor mais à frente. Caso o que estou esperando aconteça, ficarei bastante confiante numa alta mais consistente do dólar no longo prazo. Posso adiantar que o nível de R$ 4,25 será testado novamente, seria uma alta expressiva superior a 25%! Mas, é fundamental que o nível de R$ 3,26 não seja tocado; não que isso elimine completamente minha expectativa” ...


Agora o dólar encontra-se a R$ 3,39, e boa parte da alta desta última semana se deve as confusões políticas que ocorreram com os Ministros. Nas minhas análises de final se semana, o dólar exibe um momentum forte em relação às outras moedas; especialmente o euro. No caso do real isso ainda não é evidente, indicando uma postura neutra. Para que nosso trade ganhe impulso, é necessário que a barreira do R$ 3,50 seja ultrapassada e, como citei acima, ficaria mais confiante numa alta consistente do dólar. 

Esta semana será realizada a reunião do COPOM e vários analistas ficaram na dúvida se o banco central tomaria uma posição mais conservadora em função do risco ocasionado pela vitória de Trump. Eu não acredito, pois a inflação tem tido um comportamento muito benigno e a atividade econômica mais parece um doente na UTI, vivo, mas quase morrendo! Também não acho que irá acelerar a queda para 0,50%; 0,25% é meu palpite.

A inflação do IPCA medida nos últimos 12 meses vem retorcendo significativamente, sendo muito provável que termine 2016 em 6,8%. Agora, para o ano de 2017, o mercado projeta 4,9% a.a. Uma taxa SELIC de 13,75%, caso o comitê reduza em 0,25%, significa um juro real de 6,5% quando calculado sobre a inflação de 2016 e a exuberante marca de 8,4% a.a. quando considerada a projeção do mercado. Qualquer pessoa que está a par das condições internacionais que o mundo vive atualmente sabe que os juros, aqui, terão que cair e muito.


Supondo que o mercado esteja correto e a taxa SELIC ao final de 2017 fique em 10,75%, um cálculo simples da taxa de juros e inflação média durante o ano implica num juro real de 6 % a.a. É muito juro! Só um cenário mais negativo, provocado pelo troglodita, poderia alterar esses parâmetros. Mas, esse protagonista surpreende! Isso me leva a concluir que os juros ainda ficarão elevados no próximo ano.

O SP500 fechou a 2.201, com queda de 0,53%; o USDBRL a R$ 3,3832, com queda de 1,10%; o EURUSD a 1,0603, com alta de 0,19%; e o ouro a US$ 1.192, com alta de 0,85%.
Fique ligado!

25 de novembro de 2016

Políticos mantem o vício


Largar um vício é sempre muito difícil. Eu, por exemplo, fumei por décadas e depois de levar um susto resolvi abandonar. Mas não foi fácil, depois de 10 anos sem colocar um cigarro na boca, ainda sonhava que estava fumando e durante o sonho me sentia culpado por ter voltado a fumar. Qual não era o alívio ao perceber que era um sonho, na verdade, um pesadelo!

O Brasil vive há décadas com um sistema político corrupto, mesmo que no governo do PT essa atitude tenha se proliferado de forma geométrica. Com a operação lavajato em curso por aproximadamente 2 anos, e com todas as conquistas por ela obtida, seria de se supor que a prática de corrupção estaria em extinção. Mas os últimos acontecimentos me fizeram questionar sobre isso.

Incialmente, o caso do ex-Ministro Marcelo Calero colocou o Presidente numa situação delicada, pois aquele afirma que foi primeiro abordado pelo Ministro Geddel Viera para que intercedesse na obra de um edifício que se encontra embargado, onde o mesmo possui uma unidade. Depois, Calero afirma em seu depoimento à Polícia Federal que, em conversa com Temer, foi “enquadrado” para achar uma “saída” de modo que o processo fosse encaminhado a AGU, onde seria resolvido. O Ministro diz que possui gravações, que só serão reveladas caso seja aberto um inquérito pelo STF, de conversas com os interessados, e inclusive com o Presidente.

Para dizer a verdade, não estou gostando da postura do Presidente Temer. Primeiramente, pela declaração no programa Roda Viva, ao dizer que a prisão de Lula poderia causar instabilidade; estava se referindo a ele ou ao país? Agora tenta proteger o Ministro Geddel que claramente está querendo usar seu poder em benefício próprio. Não é esse o Temer que nós brasileiros lutamos para colocar no lugar de Dilma. É necessário que ele não se esqueça que tem um índice de rejeição elevado e que com essas ações poderá levar pessoas de “vamos” Temer para “fora” Temer!

Do lado da economia também não virá ajuda no curto prazo. As informações obtidas dos empresários dão conta que, na melhor das hipóteses, as vendas pararam de cair quando comparadas aos do ano anterior, mas mesmo assim, estão nível ainda muito baixo. Não fosse a elevada arrecadação proveniente da repatriação de recursos, estaríamos agora em um questionamento mais profundo sobre a viabilidade do plano implantado. Não se pode esquecer que sem a reforma da previdência é praticamente certo que o mercado perderá a esperança do controle do déficit do governo.

A Credibilidade é construída ao longo do tempo e é facilmente perdida quando alguma situação leva a isso. Estamos na iminência da delação premiada mais importante e extensa que se tem conhecimento a ser feita por um batalhão de executivos da Odebrecht. Não posso deixar de imaginar que nela se poderá encontrar o nome de vários políticos que estão atualmente no governo, e quiçá o Presidente. Atitudes como essas, de defender uma pessoa cujo argumento é indefensável, nos leva a imaginar que tem rabo preso. Muitos anos serão necessários para corrigir os desvios de conduta que existem no Brasil!

No post Japão-estraga-festa, tracei a estratégia para a posição que detínhamos no ouro: ...” entre US$ 1.170 – US$ 1.200 o metal já deveria dar mostras de reversão, onde posso entrar com um trade de compra. Porém, o ouro poderá continuar caindo e anotei no gráfico um intervalo que não deveria romper caso eu esteja certo – reversão da queda. Esse intervalo é entre US$ 1.140 – US$ 1.120. Se mesmo assim, depois de atingir esse último intervalo, continuar caindo, ficarei muito desconfiado da minha previsão de alta” .... Até parece até que o Mosca combinou com os Russos, mas hoje atingiu US$ 1,171 na mínima.


Poderia me aventurar na compra do ouro, mas os motivos seriam porque caiu muito e atingiu as marcas estabelecidas do que um fator técnico mais robusto. Ainda vou aguardar alguns dias para me posicionar. Entretanto, se você quiser fazer uma aposta rapidinha, poderia comprar no nível atual de US$ 1.185 com um stop a US$ 1.170. Mas, seria como uma aposta de Cassino; um pouco mais provável, mas não muito.


 O SP500 fechou a 2.213, com alta de 0,39%; o USDBRL a R$ 3,4208, com alta de 0,89%; o EURUSD a 1,0599, com alta de 0,45%; e o ouro a US$ 1.182, sem variação.
Fique ligado!

24 de novembro de 2016

Fazemos qualquer negócio


Em dias de feriado como hoje , e especialmente o de Thanksgiving, os mercados que permanecem abertos tem baixa liquidez. Todos estarão aguardando amanhã, a divulgação das primeiras expectativas de vendas, da liquidação mais esperado do ano o Black Friday, que agora se tornou global. Assim, os assuntos de hoje são mais de interesse geral.

Para quem assistia ao programa a escolinha do professor Raymundo deve lembrar-se do personagem Samuel Blaustein, que costumava dizer “fazemos qualquer negócio” ou “ melhor zero na nota que prejuízo no bolso”. Parece que uma empresa mexicana aderiu ao lema desse personagem, ao oferecer a Trump ajuda na construção no seu “grande, bonito e potente muro”.

O Presidente da Companhia CCC – Grupo Cementos de Chihuahua, Enrique Escalante, disse ...“Nós não podemos escolher o cliente, somos um importante produtor nessa área e temos que respeitar os clientes em ambos os lados” ... ...” Para os negócios nós estamos incluidos, Trump é um candidato que incentiva bastante a indústria” ... O que eu poderia aconselhar ao Sr. Escalante é que caso consiga o contrato do governo americano, inclua na proposta, sua cidadania americana, pois será mais seguro ele ficar do lado de lá do muro!

Uma outra consequência da vitória de Trump foi a quebra da correlação entre os ativos. Em diversas ocasiões eu frisei que a elevada correlação dos mercados não permitia um princípio básico de alocação de portfólio, o qual seja,  não colocar todos os ovos numa mesma cesta. Parece que nesse ponto a vitória do troglodita – gostei, vou me referir a Trump dessa forma, ocasionou algo de positivo.

O gráfico a seguir mostra a correção implícita entre todos os ativos, que após as eleições passou de uma elevada correlação para quase sem correlação. Antes do resultado das eleições, os investidores para se protegerem realizaram operações de proteção em índices correlatos ao invés de específicos, por exemplo, para se proteger numa determinada ação, ao invés de vender esse ativo, pensou estar bem protegido vendendo o SP500. Porém o tiro saiu pela culatra!



Outro ponto que gostaria de enfatizar é a venda de títulos do governo americano por parte dos estrangeiros. O gráfico a seguir aponta que isso vem acontecendo durante 2016 e que mais recentemente foram os governos os maiores vendedores. Como os maiores detentores são os países emergentes, pode se concluir que, esses países estão se desfazendo dos títulos para amenizar a pressão sobre as suas moedas – alguém falou China? Hahaha ...


No post usexit, fiz os seguintes comentários sobre os juros de 10 anos: ...” mas a pujança da alta hoje me faz apontar outro intervalo conforme a figura acima entre 2,2% - 2,4%. Entretanto, não tenho convicção de que volte a cair nos próximos dias ou que esse novo patamar seja testado (2,2% - 2,4%)” ...


O mercado resolveu seguir os parâmetros do Mosca. Ontem, depois de tentar romper o nível de 2,4%, acabou recuando marginalmente para 2,35%. Resolvi postar o gráfico de mais longo prazo, para que vocês observem a importância do nível em que nos encontramos.

 
A linha verde traçada desde o início da queda de juros na década de 80, conteve as várias idas e vindas, porém sempre com uma tendência de queda. Como podem observar essa linha foi rompida neste mês. Já a linha rosa, que contem movimentos mais curtos, o mercado está testando o ponto de tangência. Os indicadores de momentum ainda balizam alta, com um sinal de curto prazo apontando uma pausa.

- David. Blá, blá, blá .... é para comprar ou para vender?
Ficou quietinho nos últimos dias, estava torcendo para a Hillary? Hahaha .... Resumindo, eu diria que o mercado está maduro para uma realização. Olhando mais adiante, existe um dilema, ou as taxas voltam a cair buscando novas mínimas abaixo de 1,3 %, ou o nível crucial de 3% a.a. será testado. Nesse meio tempo, pode se esperar um período de indecisão, com as taxas oscilando ao redor do macro intervalo de 1,3% a 3%.

Ainda é muito cedo para projetar o que vai acontecer. Antes que meu amigo pergunte vou me antecipar com duas possibilidades:

1)       A economia americana, e por que não dizer a mundial, ainda se encontra muito debilitada com elevados níveis de endividamento. Na hipótese de altas dos juros imagino que será pelo mau motivo. A razão pode ser a expectativa de alta da inflação ou elevação da dívida americana a lá Trump gerando insegurança na solvência.

2)      Já no caso de baixa, Trump não conseguirá convencer os políticos e seu plano de gastança ficará diminuído, tendendo a algo semelhante ao que vivemos nos últimos anos; ou então, o consumidor americano, bota no bolso seus melhores salários para poupar, frustrando a recuperação da economia – não esqueçam que 70% do PIB depende de consumo.


Talvez esse dilema seja um bom tema para 2017!

O USDBRL fechou a R$ 3,3920, sem alteração; o EURUSD a 1,0553, sem alteração; e o ouro a US$ 1.183, com queda de 0,37%.
Fique ligado!

23 de novembro de 2016

Dólar pede passagem


As contas cambiais brasileiras começaram a mudar de rumo a partir do início de 2015, quando o déficit em transações correntes atingiu o recorde de US$ 105 bilhões. Nesses quase dois anos houve um ajuste brutal e o último dado publicado, referente ao mês de outubro, foi de US$ 22,3 bilhões, sendo uma queda vertiginosa de quase 80%; equivalente a 1,25% do PIB. Tal patamar remete esse indicador a níveis observados entre 2010 e 2012.

A entrada de investimento direto no país (IDP), que no acumulado dos últimos 12 meses alcançou US$ 75 bilhões, é mais do que suficiente para financiar o déficit em transações correntes. Esse resultado demonstra a manutenção do interesse externo em investimentos no Brasil, apesar das várias dificuldades que enfrentamos nestes últimos tempos.

A balança comercial continua sendo o principal item nessa redução, em outubro apresentou um superávit de US$ 2,1 bilhões e uma cifra de US$ 43 bilhões nos últimos 12 meses. Embora grande parte tenha se dado por conta de uma drástica redução das importações, consequência da profunda recessão, a elevação da cotação do câmbio também contribuiu na substituição de itens importados por produtos locais.

Já a conta de serviços registrou despesas líquidas de US$ 2,8 bilhões, o que permitiu a manutenção de um nível estável nos últimos 12 meses (U$ 29,6 bilhões). A imprensa deu grande destaque para o aumento das despesas com viagens internacionais, cujo crescimento foi de 80%, quando comparado a outubro do ano anterior. Eu não considero relevante essa discussão em virtude de dois fatores: primeiro, que essa conta deve ser sempre negativa, pois não estamos preparados para um influxo de turismo e, segundo, que o montante foi levemente inferior a U$ 1,0 bilhão, cifra pequena quando comparada as outras contas.

Na conta de rendas, cuja despesas somaram US$ 3 bilhões no mês (U$ 39 bilhões em 12 meses), também apresentou queda em relação ao ano anterior. O principal fator foi a diminuição na remessa de lucros e dividendos em função do baixo nível de atividade registrado em setembro.

No lado das entradas, para o financiamento desse déficit, além do elevado nível de investimento direto que totalizou US$ 8,4 bilhões no mês, um outro dado intriga pela sequência de saídas. O investimento em carteira somou saídas liquidas de US$ 1,7 bilhões. Tal saldo foi composto por uma saída de US$ 3,3 bilhões em títulos de renda fixa, uma entrada de US$ 1,3 bilhão em ações e US$ 280 milhões em fundos de investimento.  Como o gráfico a seguir mostra, as saídas na carteira de renda fixa atingiram um elevado nível em bases anuais (US$ 25 bilhões), o que se certa forma não faz sentido, haja vista a apreciação cambial e as elevadas taxas de juros que é praticada no país. Esse assunto já foi assunto de outros posts e ainda não tenho uma resposta convincente.


As reservas internacionais totalizaram os mesmos US$ 375 bilhões que perdura a vários meses neste patamar, situação muito confortável. A dívida externa bruta é da ordem de US$ 335 bilhões, resultando um saldo credor de US$ 58 bilhões, além do fato de que a divida de curto prazo é de US$ 69 bilhões.

O leitor poderia se perguntar por qual razão então presenciamos uma desvalorização cambial expressiva nos últimos dias. O motivo é unicamente a valorização que o dólar vem apresentando nos mercados internacionais desde a vitória de Trump. Na verdade, a moeda americana está se apreciando desde o início de 2011, com uma pausa nos últimos 20 meses, e agora entra num novo ciclo de alta. Desta forma, a desvalorização deve ser encarada como um alinhamento de nossa moeda em relação aos seus pares e não por consequência de uma fuga de capitais. Acredito que o nosso banco central fará intervenções no câmbio, direta ou indiretamente, visando uma trajetória suave e não para “defender” um determinado nível.

Amanhã é comemorado o feriado de Thanksgiving nos EUA, e já na parte da tarde as mesas de operações lá operam em marcha lenta. Embora haja mercado na sexta-feira, será com liquidez diminuta. Por outro lado, a liquidação do Black Friday é uma informação importante para a projeção das vendas desse período de festa, que corresponde a parcela significativa das vendas anuais.

No post ___contabilidade chinesa__-, fiz os seguintes comentários sobre o SP500: ...” enquanto o SP500 não ultrapassar o nível de 2.200, todos os cenários abaixo continuam válidos, e jamais eu iria entrar no mercado agora, só porque eu acho que um cenário parece mais provável. Para entrar, quero conquistas! ” ...


Ontem o SP500 finalmente ultrapassou esse nível, com fechamento acima dessa marca, mas ainda não vou me aventurar numa compra.

- Xiii, David, afinou?
Se você quer encarar desta forma, tudo bem comigo, mas tenho motivos para tanto. No gráfico abaixo destaco o motivo.


As altas destes últimos dias mostram uma formação sem muita convicção, o que em análise técnica se define como divergente dos instrumentos de momentum. Em outras palavras, pode acontecer uma realização a qualquer momento, o que fatalmente nos tiraria do trade. Mas quero deixar claro que pode não acontecer e aí perdemos essa oportunidade.

Como dinheiro não é capim, prefiro acompanhar os próximos dias para ter uma posição mais completa. Vamos deixar os americanos comerem o seu turkey tranquilamente!

O SP500 fechou a 2.204, sem alteração; o USDBRL a R$ 3,3891, com alta de 1,05%; o EURUSD a 1,0550, com queda de 0,70%; e o ouro a US$ 1.189, com queda de 1,85%. Nosso trade de venda de ouro se encerrou hoje com um resulatdo de + 6,76%.
Fique ligado!

22 de novembro de 2016

Europa: A bola da vez


Todos esperam ansiosamente a posse de Trump na Presidência dos EUA, a fim de verificar o que realmente essa figura enigmática pretende fazer. Nestes últimos dias ele é o protagonista da maioria dos comentários, que buscam decifrar através da escolha de sua equipe e de suas ações, o que se poderá esperar.

Na minha visão, cada dia que passa, torno-me mais propenso a acreditar que vai fazer o que propôs em sua campanha. Por exemplo, ontem se encontrou com a imprensa numa reunião off records e desceu o sarrafo nos principais executivos, como se diz em linguagem coloquial. Nesse encontro estavam presentes chefes da CNN, NBC, CBS e FOX. ...” Nós estamos numa sala de mentirosos, a desonesta enganadora mídia que divulgou tudo errado” .... Para não deixar dúvidas, estendeu a todos esses adjetivos. Em especial a CNN, ao se dirigir para seu Presidente, Jeff Zucker, ...”Eu odeio sua cadeia de notícias, todo mundo na CNN é um mentiroso, e você deveria se envergonhar” ...

Este será o Presidente da maior economia do planeta e como eu já havia mencionado, não aceita nada que contrarie suas ideias ou objetivos. Por outro lado, os americanos são muito democráticos e presam sua liberdade de expressão. Não estou nada otimista, pois ao invés de unir, deverá dividir ainda mais os americanos. Antevejo muitas dificuldades e batalhas em sua gestão. É capaz de não haver o período de lua de mel que cada Presidente passa ao assumir e, nesse caso, começa com uma separação litigiosa!

Um detalhe interessante que passa desapercebido das notícias, no dia 14 último, na bolsa americana NYSE, mais de 300 ações atingiram preço recorde no período de um ano, enquanto outras 300 ações atingiram o preço mínimo no mesmo período. Isso nunca havia acontecido antes. Indecisão!  

Como postei ontem, nos próximos meses vários eventos importantes estarão acontecendo na Europa. Começando com o referendo na Itália em dezembro, considerado a mais importante do país desde a Segunda Guerra Mundial.  A proposta visa reduzir poderes do Senado e número de parlamentares a fim de aumentar a estabilidade política. Críticos alegam, porém, que a medida remove pesos e contrapesos fundamentais da democracia no país. E o povo italiano votará “sim” ou “não” a esse projeto.

O gráfico a seguir mede a diferença de juros entre os títulos italianos e espanhóis. O mesmo está no seus maiores níveis, como reflexo das pesquisas indicando que o “não” poderá vencer. O Primeiro Ministro italiano, Matteo Renzi, que propôs o referendo, disse que renunciará caso isso aconteça.


Os bancos italianos são outra área de grande preocupação, pois a saúde das maiores instituições financeiras é altamente questionável. Enquanto as bolsas ao redor do mundo surfam a onda de otimismo que eclodiu após a eleição de Trump, o setor bancário italiano vai em sentido contrário.

 
No restante da Europa, a Alemanha continua dando o ritmo para a região. No gráfico a seguir nota-se um movimento de elevação da inflação que se propaga aos outros membros da comunidade.


Esse movimento alterou profundamente a expectativa que havia no Continente. Alguns meses atrás, falava-se em novos cortes de juros, que já estão negativos, e a dúvida era quando seria implementada pelo BCE; agora o mercado espera alta dos juros conforme o gráfico a seguir.

 
Dado todo este cenário de instabilidade na Europa, a França passa a ser a peça principal; não que a Itália também não o seja, mas se os franceses resolverem tender para a direita, a Alemanha ficará numa situação bastante desconfortável enquanto maior economia do euro, composta apenas de países que dependem dela para sobreviver. Ainda é cedo para especular quem é o favorito nas próximas eleições presidenciais na França, que ocorrerá no final de abril.  O gráfico abaixo apresentando a probabilidade dos candidatos, e a candidata de direita, Le Pen, está bem próximo do candidato Juppé.
Considerando o mapa apresentado ontem no post, se pode dizer que a Europa é a bola da vez!

No post longos-60-dias, fiz os seguintes comentários sobre o euro: ...” Parece que em breve o nível de 1,05 – 1,055 será testado e, se rompido, abrirá as portas para novas quedas, rumo a paridade” ... ...” Existe uma possibilidade ainda remota de uma última alta que poderia atingir até o nível de 1,12. Se eu vendesse agora e esse cenário ocorrer, seria seguramente stopado. Minha estratégia neste momento é aguardar uma das duas hipóteses traçadas acima: 1) Venda no rompimento do nível de 1,05; ou 2) Venda quando dessa eventual recuperação. Não esqueça que ainda estamos numa correção, e somente se pode anunciar o nascimento de um novo movimento impulsivo abaixo de 1,05”


Na última sexta-feira, o euro estava próximo da zona de “perigo” ao atingir a mínima de 1,0567. Desde então, teve uma pequena recuperação e encontra-se agora a 1,0620. No gráfico abaixo fiz algumas observações que merecem destaque.


Notem que dentro do intervalo contido entre as linhas rosa e verde, tracei uma linha cinza que divide ao meio. Nesses 20 meses, o euro esteve mais tempo na parte superior que na parte inferior. Na parte inferior observem que em 3 momentos tentou romper a linha entre 1,05 – 1,055 e rapidamente foi expelido, indo mais adiante buscar o rompimento na parte superior.

É notório que a moeda única está “tentando” romper o intervalo inferior, porém sempre que se aproximou, surgiu alguma coisa que fez com que o mercado retrocedesse. Nesta nova tentativa, imagino que o mercado já esteja bem posicionado e precisa de um fato para romper a linha.

Do ponto de vista técnico, existe muitos argumentos para esperar que a queda aconteça; e eu acredito nisso, porém não sou compelido a fazer agora. O momento atual não faltam situações para eventos conhecidos como cisne negro que, por sinal, acho que estão se multiplicando; seria uma alteração genética? Hahaha ...  O surgimento de situações inesperadas pode acontecer de toda forma e, no caso do euro, poderia ser algo como, por exemplo, uma “rateda” do FED na próxima reunião; ou quem sabe o super Mario surpreenda com a possibilidade de retirar os helicópteros, afinal, ficaram de mode. Bem, não quero ficar na torcida, nem como adivinho, e vou continuar com a mesma orientação apontada acima.


Let the market speak!

O SP500 fechou a 2.002, com alta de 0,22%; o USDBRL a R$ 3,3540, sem variação; o EURUSD a 1,0626, sem variação; e o ouro a US$ 1.212, com queda de 0,12%.
Fique ligado!

21 de novembro de 2016

2017 será pior que 2016?


Quem acha que 2016 foi um ano difícil com muitas surpresas inesperadas, que espere 2017. Depois da vitória de Trump, que sucedeu a votação do Brexit, tenho a convicção de que o mercado não vai mais acreditar nas pesquisas, por mais que esses eventos tenham sido pontos fora da curva, pois os investidores não vão pagar para ver.

Sabemos que os partidos de direita estão ganhando a preferência dos eleitores ao redor do mundo; pois quanto mais sucessos acontecem, mais ganham força. Gerando, consequentemente, um círculo virtuoso para quem os apoia.

A Europa encontra-se sob questionamento e vários países já demostram muita insatisfação por motivos semelhantes ao que levaram os americanos a optar pelo candidato mais à direita. A figura a seguir apresenta um cronograma dos principais eventos políticos nos próximos meses; e não são poucos. O primeiro será o referendum na Itália neste dezembro.


O projeto da união europeia compreende vários pontos, dentre os quais a utilização de uma moeda única, onde os países se comprometeram a limites em seus déficits públicos. A opção pela moeda única mostrou-se inadequada, enquanto uma Alemanha com níveis elevados de produtividade indicaria uma taxa do euro mais valorizada. Os países do Club Med não tiveram a mesma performance, e para compensar precisam de um euro mais desvalorizado. Em 2012, para evitar uma crise bancária importante, o BCE pendeu suas decisões na direção de proteger os países do Club Med; o que acabou beneficiando ainda mais a Alemanha.

Tudo indica que uma dissolução da moeda única seria boa para todos, de um ponto de vista teórico, porque de um ponto de vista prático traria uma série de inconvenientes. Primeiro, exigiria um cuidado especial para não quebrar de vez os países mais fracos: Grécia, Itália, Portugal. A França ficaria numa situação delicada também. Partindo do ponto de vista político, no qual todos sabem que franceses e alemães não se bicam, tal divórcio acirraria essa disputa de séculos.

Outro fator fundamental é que o Trump pode se dar ao luxo de acelerar com projetos de infraestrutura, aumentando o déficit público, sendo possível porque o dólar é considerado a moeda de troca universal. Imagina se a Itália resolvesse fazer o mesmo, quem compraria suas liras? Ou mesmo o franco francês? Em um mundo com pouco crescimento não é recomendável mudanças dessa magnitude.

A figura abaixo mostra as principais medidas que o futuro Presidente americano disse que pretende implantar. Confuso? Talvez para nós que temos uma cabeça mais organizada, mas para pessoas como Trump tudo isso parece fazer muito sentido!


O gráfico a seguir apresenta a evolução do PIB Chinês com suas contribuições por categoria. Notem que o consumo interno tem sido o motor principal, os investimentos decresceram substancialmente nos últimos anos e as exportações liquidas atuam como fator negativo. Ou seja, a China importa mais que exporta.


Sob essa ótica, uma retaliação dos EUA com alíquotas maiores de importação terão um impacto na China, mas não parece ser mortal. Não se pode esquecer que eles, os chineses, poderão fazer o mesmo em relação as suas importações, o que poderia dar início a uma guerra comercial nada agradável. Para vocês terem ideia do impacto num Iphone, a ilustração a seguir demonstra como é composto o custo atualmente desse produto fabricado na China, e qual o aumento de custo caso fosse fabricado no EUA. A dúvida seria: quem pagaria a conta, os consumidores ou os acionistas da Apple?

Minhas análises desse final de semana apontaram uma tendência generalizada de fortalecimento do dólar, com especial ênfase ao euro. No post longos-60-dias, coloquei uma possibilidade de recuperação em curto prazo, antes da moeda única buscar romper o limite inferior de 1,055. Entretanto, esse será o assunto de amanhã. Hoje comentarei o dólar contra o real.

No post trump-trump-trump, fiz os seguintes comentários: ...” sugeri compra de dólar a R$ 3,36, mas não chegou a negociar nesse nível, a mínima foi R$ 3,387. Atualmente se encontra a R$ 3,44 e o nível de R$ 3,50 é muito importante. Caso esse último seja rompido, cálculo que, irá tingir R$ 3,65. Não vejo nenhum trade para sugerir agora, a não ser o mesmo da sexta-feira, compra a R$ 3,36 com stop a R$ 3,26” ... E hoje o dólar atingiu esse patamar. Eu orientei para que o volume fosse adequado ao nível maior de stoploss, assim considerarei como ½ trade.


O objetivo será entre R$ 3,60 – R$ 3,75 a ser definido melhor mais à frente. Caso o que estou esperando aconteça, ficarei bastante confiante numa alta mais consistente do dólar no longo prazo. Posso adiantar que o nível de R$ 4,25 será testado novamente, seria uma alta expressiva superior a 25%! Mas, é fundamental que o nível de R$ 3,26 não seja tocado; não que isso elimine completamente minha expectativa.

Em contrapartida, os outros indicadores que acompanho não indicam ainda um quadro claro de alta do dólar contra o real, somente após ultrapassar os R$ 3,50.

Se você achava que só no Brasil existe manifestações contra o Presidente, veja a foto a seguir na Coréia do Sul.



A Presidente Park Geun-hye é primeira mulher a ocupar esse cargo na Coréia do Sul. O que aconteceu por lá envolveu uma “amiga” sua, Choi Soon-sil, que foi acusada de interferir com negócios do estado, extorquindo dezenas de milhões de dólares de empresários. A Lava jato poderia se tornar uma multinacional com sucursais em diversos países, quem sabe um novo ramo de negócios? Hahaha ...

O SP500 fechou a 2.198, com alta de 0,75%; o USDBRL a R$ 3,3511, com queda de 0,93%; o EURUSD a 1,0627, com alta de 0,40%; e o ouro a US$ 1.214, com alta de 0,50%.
Fique ligado