Inflação: A Revanche

31 de outubro de 2016

PT perde de goleada!


Enquanto nos EUA a reabertura da investigação sobre os e-mails de Hillary cria um fato novo (velho!), na disputa pela Casa Branca, o resultado do 2º turno das eleições para prefeito aqui no Brasil, deixa um recado muito claro dos eleitores brasileiros, o PT com Lula se tornou um partido nanico. Em contrapartida o grande vencedor foi o PSDB.

Não se pode deixar de considerar as abstenções em conjunto com os votos brancos e nulos, que atingiram a 32,5% nas capitais, indicando que 1/3 da população está muito insatisfeita. Mesmo muito elevado era, de certa forma, esperado dado que, diariamente, um novo caso de corrupção é revelado envolvendo políticos de todos os partidos.

Sobre as eleições americanas, não acredito que a ação do FBI, comentada acima, possa causar uma reversão em favor do candidato Trump. Um leitor do Mosca me forneceu o link de um site Five thirty Eight que utiliza um modelo baseado em diversos parâmetros para prever quem será o próximo presidente e mais importante, nunca errou em suas previsões. Veja a seguir a mais recente projeção, onde Clinton mantém folgada vantagem.


Outra matéria da Bloomberg relata que, no longo prazo, tanto faz quem será o vitorioso nas eleições. Essa afirmação baseia-se no fato que o Presidente eleito não conseguirá praticar suas promessas, se o Congresso continuar dividido. Além disso, uma estatística elaborada nos últimos 160 anos indica um retorno na bolsa de valores, conforme o gráfico abaixo.


Tanto faz que partido ganhou as eleições no passado, o retorno foi de 11% a.a. Pode ser que, na situação atual, o resultado ao final dos 4 anos de governo seja bem diferente, pois motivos não faltam. Mas antes de enumerá-los, temos que frisar que, durante esses 160 anos aconteceu de tudo: duas grandes Guerras, quedas significativas da bolsa em 1929, 1937 e mais recentemente em 2008, e mesmo assim a média manteve-se a mesma. Não deixa de ser surpreendente.

Essa mesma matéria aponta outra estatística que dá mais sustentação a seu argumento, a de que no longo prazo é indiferente qual partido ganha as eleições. A volatilidade medida na bolsa apresentada abaixo, indica que após às eleições o seu nível decresce a níveis muito baixos.


Parece que para os americanos o melhor a fazer é sair de férias e voltar somente no próximo ano. Ah, antes que eu me esqueça, não levem o celular!

Nesta semana que estive fora, uma de nossas posições ficou sob fogo cruzado. O dólar depois de ter atingindo uma mínima contra o real a R$ 3,10, reagiu e fechou na última sexta-feira à R$ 3,205, uma alta de aproximadamente 3,5%. Vários foram os motivos apontados: primeiro o programa de repatriação, que mais parecia uma briga de adolescentes. De um lado Rodrigo Maia tentava costurar um acordo entre o governo e os governadores, para um novo modelo de repartir o imposto, do outro lado os potenciais declarantes queriam definir uma posição a favor da foto, mas acabou não ocorrendo mudanças; os dados mais animadores dos EUA, fizeram com que aumentassem as apostas para elevação dos juros em dezembro, que é dada como muito provável; e por último a investigação dos e-mails relatada acima.

No post esqueceram-de-mim, fiz os seguintes comentários sobre o dólar: ...” não existe mais muita margem de manobra para o dólar, permanecer contido nesse triângulo descendente. Quero notar aos leitores que, esse tipo de formação tende a romper para baixo, no caso, uma queda do dólar. Um fechamento abaixo de R$ 3,16 poderá ser o estopim para novas quedas” ...


E acabou acontecendo a queda, porém houve uma reversão conforme mencionei acima, e hoje a cotação se encontra a R$ 3,18.

- David, e agora, houve alguma mudança em suas previsões?
Do ponto de vista técnico, não estava esperando esse último movimento. Respondendo diretamente a sua questão, pode ser que a queda esperada a R$ 2,90 não aconteca, e  o que estamos presenciando seria reversão do dólar.

- Então vamos zerar!
Calma amigo, eu disse pode ser! Vou dar meus argumentos do por que continuar e quais são os motivos de meus receios. Vamos começar primeiro pelo segundo.


Este é um gráfico de mais médio prazo e as flechas em verde indicam, o que se denomina em análise técnica, double key reversal, onde o mercado atinge uma mínima, porém fecha a semana na máxima, um indicador de reversão de tendência. Além do mais, o nível de R$ 3,10 é importante, e pode indicar o final do movimento de queda.

Já em relação aos motivos do por que continuar, no gráfico a seguir de mais curto prazo as cotações ainda respeitam os contornos das duas linhas paralelas em sentido descendente, sem nenhum motivo para não acreditar que a direção mudou.


O que fazer em situações como essa? Se fosse uma decisão totalmente 50/50, eu sugeriria zerar e ficar fora do mercado, mas a possibilidade de queda do dólar ainda tem uma chance um pouco maior, razão pela qual opto ainda por permanecer.

Se por acaso formos estopados, eu anotei acima também os níveis que passam a ter importância, primeiro R$ 3,35 que se ultrapassado é a primeira indicação de possível mudança. Logo em seguida R$ 3,60/3,65 onde provavelmente vai valer um trade a ser definido se de compra ou venda de dólar, dependendo do shape do movimento de alta.


Agora, uma coisa é certa, se a chance de queda existir ainda, o dólar terá que começar a cair nos próximos dias, não pode ficar "enrolando" muito tempo.


O SP500 fechou a 2.126, sem variação; o USDBRL a R$ 3,1892, com queda de 0,49%; o EURUSD a 1,0982, sem variação; e o ouro a US$ 1.278, com alta de 0,14%.
Fique ligado!

21 de outubro de 2016

Começa o segundo tempo para a inflação


Para quem gosta de futebol sabe como às vezes é difícil esperar o término de uma partida, principalmente quando seu time passou um período difícil. A inflação encontra-se numa situação semelhante, está ganhando de 1 a 0, mas ainda faltam os 45 minutos do segundo tempo. Uma eternidade!

Hoje foi publicado o IPCA -15 cuja variação foi de 0,19% no mês, abaixo das expectativas dos analistas, em bases anuais saiu de 8,8 % para 8,3%. As principais categorias que ocasionaram essa retração foram alimentos e despesas pessoais.


Outro indicador que considero importante é a taxa de difusão, bem como os preços livres. Na tabela abaixo encontram-se esses dados. O primeiro permaneceu estável, em níveis historicamente baixos, enquanto o segundo continua com tendência de queda.


A previsão da Rosenberg para o fechamento da inflação em 2016 é de 7,2% a.a., com viés de baixa, dando para arriscar um nível de 7% a.a.

No post de ontem --- o banco central---, critiquei o fato de o banco central ter sido tímido, ao baixar os juros SELIC em 0,25%. O dado publicado vai na mesma direção, embora se conhecido ontem, não teria mudado sua decisão. Os mercados futuros de DI sofreram pequenas correções, se comparados aos níveis antes da reunião do COPOM.   Esse ajuste foi mais concentrado nos contratos mais curtos. Isso significa que o mercado ainda continua apostando que os cortes irão se acelerar já na próxima reunião.

Parece que a inflação está ganhando o jogo, ainda por um placar pequeno, mas com boas chances de mais gols no segundo tempo. Como no futebol, é essencial que o time permaneça o mesmo, melhor ninguém se machucar ou levar um cartão vermelho. O apito final do juiz nesse jogo será em dezembro, na próxima reunião do COPOM, enquanto isso vamos assistir bons momentos da inflação – eu espero! Hahaha....

No post – rambo em ação --- fiz os seguintes comentários sobre o euro: ...”Contida dentro do mini triângulo, fez com que a oscilação fosse ínfima nesse período. Essa configuração, triângulo assimétrico, sugere um rompimento para níveis mais baixos, onde se ultrapassado 1,10, abrirá as portas para nova tentativa de rompimento do nível de 1,05” ...


Dito e feito, após o rompimento do nível de 1,10, o euro se aproxima para um novo teste ao redor de 1,065 – linha rosa. Nesse momento será testado se o contorno em relação ao triângulo continua (1), ou se o nível de 1,05 será rompido (2)


Estamos chegando próximo da hora da verdade e o euro se aproxima de uma nova queda, cujo primeiro objetivo é a paridade, que se rompido poderá atingir 0,85, mesmo patamar quando foi lançado em 2001. Eu venho repetindo que correções terminam e essa está próxima de acontecer. Fique de olho no Mosca.

Como eu havia adiantado, o Mosca não será publicado na próxima semana, voltando regularmente no dia 31/10. Em relação às operações em andamento, mantenha os stops estabelecidos abaixo e qualquer alteração farei uma postagem extra.


O SP500 fechou a 2.141, sem alteração; o USDBRL a R$ 3,1496, com alta de 0,22%; o EURUSD a 1,882, com queda de 0,42%; e o ouro a US$ 1.266, sem variação.
Fique ligado!

20 de outubro de 2016

O banco central afinou


No post de-quanto-estamos-falando, comentei a frase de um colega que repito a seguir: ...”o mundo se divide em dois grupos, os comprados e os vendidos são um grupo, e o povo complementa o segundo”...

Antes de começar os comentários de hoje quero dizer que, em relação aos juros estabelecidos pelo COPOM estou no segundo grupo, ou seja, não tenho nenhum interesse financeiro, assim não posso ser acusado de defender minha posição.

Como já foi amplamente divulgado, o BCB decidiu baixar a taxa SELIC em 0,25%, contrariando minhas expectativas de uma queda de 0,50%. Além disso, ficou mais clara a magnitude para os próximos cortes, pois ainda há dúvidas quanto ao ritmo de queda da inflação. Assim uma eventual aceleração dependerá da melhora adicional dos seguintes itens:

(i)            que os componentes do IPCA, mais sensíveis à política monetária e à atividade econômica, retomem claramente uma trajetória de desinflação em velocidade adequada;
(ii)          e que o ritmo de aprovação e implementação dos ajustes necessários na economia, contribuam para uma dinâmica inflacionária compatível com a convergência da inflação para a meta. O Comitê avaliará a evolução da combinação desses fatores.

Só para relembrar a trajetória da taxa SELIC nos últimos anos, vejam o gráfico a seguir. Notem que desde 2012, os juros não caem.


Antes de entrar na análise das razões dessa queda e, principalmente o alerta ao mercado de: “vá devagar ao pote”. Vou calcular a taxa de juro real: Incialmente para o ano de 2016, considerando a estimativa do IPCA em 7% e a taxa SELIC para o ano aproximadamente em 14,20%, chega-se a um juro real de 6,7% a.a. Fazendo um exercício para o futuro, nas informações divulgadas pelo BC, o mesmo espera uma inflação de 4,3% a.a. para 2017.Em relação à taxa SELIC vou considerar um nível de 12,50%, nessas condições o juro real para 2017 seria de 7,9%, superior ao de 2016!

Com esses resultados, porque então o BC não reduziu os 50 pontos que imaginei? Posso elencar 3 possibilidades:

1)    Uma atitude conservadora que prefere a certeza absoluta dos dois itens que foi mencionado pelo BC. É verdade que sobre a inflação eles tem mais controle que sobre o Congresso, poderia ser aí seu conservadorismo.  Ou ainda, o polêmico projeto do próximo ano, sobre a reforma da previdência, item muito importante para a reversão das contas públicas.

2)    Algo que vocês talvez não acompanhem é a estrutura das taxas de juros embutidas nos contratos de DI futuros. Antes da reunião, por exemplo, o DI com vencimento em 01 de janeiro de 2019 embutia um juro médio 11,4% a.a., uma queda de 285 pontos em relação a taxa atual. Percebam que essa taxa não é a taxa de janeiro daquele ano, e sim a média de hoje até lá. Como espera-se que o juro caia, a taxa SELIC naquela data seria muito inferior aos 11,40 %. Depois dos motivos levantados pelo banco central, talvez eles acreditam que o mercado exagerou nesse otimismo.


3)    E por último, o banco central sabe de alguma coisa que nós não sabemos!

Não saberia imputar uma probabilidade para cada um desses cenários, mas em relação aos dois primeiros, somente a preocupação com a área política poderia justificar essa atitude conservadora. Já em relação ao último, pode ser algo mais preocupante.

Em todo caso, independente do motivo, se as premissas das minhas contas acima estiverem corretas, o banco central está subindo os juros, pois o que importa é o juro real.

Não gostei! Mas mesmo assim, vou dar um voto de confiança, afinal a equipe é de alta qualidade.

No post quando-o-receio-prevalece, fiz os seguintes comentários sobre os juros de 10 anos: ...”vou acompanhar nos próximos dias a fim de verificar se 1,80% bastou, fazendo com que a queda dos juros prevaleça novamente, ou ainda se pode esperar que atinja o segundo patamar por volta de 2 % a.a.” ... O gráfico abaixo mostra a negociação após essa postagem.


As indicações são que o mercado está consolidando em relação a alta recente e se prepara para buscar o nível que apontei acima, ao redor de 2,00%, talvez um pouquinho menos 1,96%. Na parte da queda, poderá chegar até o nível de 1,65%, abaixo disso vou começar a considerar que o movimento de baixa de juros começa a ganhar mais força.

Entendo que existe o risco das eleições, cujo resultado é assimétrico, se a Hillary ganhar tudo bem, mas se for o Trump, teria grande impacto nos preços. Dada às últimas pesquisas, o candidato republicano é como uma opção fora do preço com prêmio baixo, mas não dá para ficar a descoberto! Minha leitura é que a Hillary já ganhou essa eleição, e o próprio Trump assumiu ao se esquivar à pergunta do mediador, se ele apoiaria sua adversária caso a mesma fosse a vencedora.

- Epa David, explica melhor sua conclusão.

Trump é um empresário e grande jogador, ele sabe que essa reposta tem um peso muito grande para os americanos, democracia! Se ele considerasse ter chance de ganhar, poderia dizer que sim, pois teria efeito zero, caso contrário, como pretende ser um ferrenho opositor, não quis se comprometer, assumiu assim o ônus da repercussão negativa de sua reposta.

O SP500 fechou a 2.141, com queda de 0,14%; o USDBRL a R$ 3,1426, com queda de 0,84%, danod início ao trade de venda proposto no post esqueceram-de-mim: ..." Um fechamento abaixo de R$ 3,16 poderá ser o estopim para novas quedas e assim, proponho um trade de venda de dólar nesse nível, com um stoploss a R$ 3,26" ...; O EURUSD a 1,0926, com queda de 0,41%; e o ouro a 1.266, com queda de 0,23%.
Fique ligado!

19 de outubro de 2016

A inflação errada


Ontem foi publicado o CPI, o índice de inflação nos EUA. Como já mencionei, embora não seja a métrica usada pelo FED para estabelecer sua política monetária, é o indicador que o mercado usa para medir a evolução dos preços. O índice ficou em 1,5% a.a. e, como se pode observar a seguir, está se aproximando da meta estabelecida pelo FED de 2% a.a.


Ao se excluir os itens mais voláteis, gasolina e alimentos, o nível demonstra certa estabilidade ao redor de 2,2% a.a.

Porém, ao se estratificar a inflação entre serviços e produtos, ambos sem considerar a energia, o resultado não é muito animador. No gráfico a seguir nota-se claramente que a inflação vem sendo comandada pelos serviços, principalmente alugueis e serviços médicos, cuja ação da autoridade monetária tem efeito mínimo no controle desses preços. Por outro lado, os produtos ainda se encontram em deflação.


Essas são as complicações do mundo moderno, onde as economias desenvolvidas têm um grande peso na categoria de serviços, e a política monetária não tem o mesmo efeito. Se os juros sobem uma pessoa pode ser levada a postergar a compra de um carro, mas não deixa de ir ao médico e nem de comprar remédios, esteja os juros onde estiverem. O tipo de inflação que está subindo é a errada!

O Wall Street Journal publicou uma matéria mostrando crescimento vertiginoso dos fundos passivos, conhecidos como ETF. Diversas vezes fiz comentários sobre esse assunto, pois acredito que o mesmo irá ocorrer aqui. O número de reportagens sobre esse assunto cresceu significativamente, e está chamando a atenção dos investidores internacionais. O gráfico abaixo mostra o fluxo de recursos nos últimos 25 anos e nota-se que, a partir de 2003, uma reversão em favor dos ETFs.


O motivo não é só porque os fundos passivos têm taxas de administração mais baixas, e sim porque a performance dos fundos ativos é muito ruim no tempo.


Como o investimento em ações aqui no Brasil é muito pequeno por parte das pessoas, a popularidade não é tão evidente. Por outro lado, parece que já em 2017 vários fundos com essa característica serão lançados na área de renda fixa, onde poderão atrair um público muito maior. Se eu estiver correto, os bancos irão sofrer uma queda em suas receitas, uma vez que, são os maiores administradores dos fundos de renda fixa. A conferir!

E para terminar o assunto de mercado de hoje, uma estatística chamou minha atenção, onde o nível de caixa atualmente em todos os fundos internacionais, é maior que o da crise de 2008. Essa ação foi motivada pelos vários temores atuais, dos quais destaco: Receio da alta dos juros; eleições nos USA; risco de crédito.


Se por acaso não acontecer nada de grave dos receios apontados, os ativos de risco poderão subir bastante, caso esse pessoal resolva comprar ações e títulos para recompor a suas carteiras. Em outras palavras, boa parte do mercado já está posicionado para um cenário adverso.

No post –contando os dias --- fiz os seguintes comentários sobre o ouro: ...”mantenho as mesmas recomendações acima. Aumentou levemente a chance de comprar um pouco mais barato – US$ 1.250/US$ 1.200”


O primeiro nível apontado acima foi atingido e respeitado. Depois de permanecer ao redor desse nível por 2 semanas, recuperou-se nos últimos dias.

- David, por que você não comprou, já que o mercado te deu essa oportunidade?
Quero enfatizar o que eu disse no post: ...”as chances de compra nos níveis acima ficaram mais factíveis, e segundo que o metal deverá ficar um bom tempo num movimento de correção”.... Acredito que o ouro ficará um tempo nesse intervalo, sem romper o nível de US$ 1.375. No gráfico acima tracei o movimento que espero.

Se isso acontecer, o acompanhamento do movimento nos próximos dias, irão dar ao Mosca a chance de venda, antes de comprar provavelmente próximo de US$ 1.200. Todo esse raciocínio vai por terra abaixo se o metal ultrapassar US$ 1.375. Esses são os meus motivos, o próximo trade deverá ser de venda.

Na próxima semana não haverá a publicação do Mosca, porém vou estar de olho, e qualquer mudança importante ou alteração de estratégia nos trades que se encontram em curso, postarei.

O SP500 fechou a 2.144, com alta de 0,22%; o USDBRL a R$ 3,1682, com queda de 0,57%; o EURUSD a 1,0972, sem variação; e o ouro a US$ 1.268, com alta de 0,53%.
fqiue ligado!

18 de outubro de 2016

De quanto estamos falando?

Na semana passada o governo conseguiu uma vitória importante com a aprovação da PEC 241. O assunto foi e é polêmico, pois ainda existem manifestações populares contra a sua aprovação. Como dizia um colega, o mundo se divide em dois grupos, os comprados e os vendidos, este é um grupo, e o povo complementa o segundo. É no primeiro grupo que se encontram os ganhadores e perdedores, enquanto no segundo grupo tanto faz. Nesse caso específico os “vendidos” são os funcionários públicos, pois é no bolso deles que recairá boa parte da conta.

A Rosenberg elaborou um relatório que explica o significado desses cortes, bem como seu impacto nas contas públicas: ...”A PEC impõe uma nova dinâmica para o crescimento das despesas, que é uma das maneiras mais inteligentes de reequilibrar as contas públicas sustentavelmente, em linha com diversas experiências internacionais bem-sucedidas. Note que não há cortes de despesas de fato, mas sim uma alteração do seu ritmo de crescimento, atrelada à inflação do ano anterior, de modo a preservar o gasto real e alterar de maneira suave ao longo do tempo, a dinâmica do crescimento do gasto. Deste modo, sem corte real de despesas (mas também sem aumento real, ao menos enquanto a inflação estiver estável), o reequilíbrio das contas públicas será diluído de maneira suave ao longo do tempo, conforme a retomada do crescimento da economia aumente a arrecadação, reduzindo a participação das despesas em relação ao PIB”...

O objetivo principal da reforma fiscal é garantir que a dívida do governo não exploda. Hoje temos déficit primário, ou seja, se gasta mais do que arrecada. A fim de estabilizar a dívida pública, é necessária a geração de resultado primário da ordem de 2,5% do PIB. Através de uma simulação efetuada para os próximos 10 anos, caso a PEC seja integralmente cumprida,  as premissas são de que a receita cresça de acordo com o PIB, e que o PIB retome o crescimento, onde se considerou uma média para o período de 2,5%. Outra assunção é que o juro real retorne ao patamar de 4% a.a. Notem que as despesas retornariam ao patamar de 2003, ao redor de 15,5 % do PIB, enquanto as receitas se manteriam no patamar atual de 17,6%.


Com essas premissas acima, o resultado primário pode ser observado a seguir. Desta forma, existe uma melhora gradual, zerando ao redor de 2020 e atingindo 2,3% do PIB em 2026, o suficiente para estabilizar o crescimento da dívida pública.


Com essa dinâmica, a dívida bruta segue se eleva até atingir seu ponto máximo de 95% em 2023, e depois estabiliza nesse patamar.

Como se diz em português coloquial, o papel aceita tudo. As premissas acima são factíveis, porém é necessário um grande rigor fiscal por muito tempo Do ponto de vista político até 2026 teremos dois mandatos de Presidente, cujos potencias vencedores são de difícil visualização. Por outro lado, o governo atual está tomando as medidas na direção correta, entretanto seus benefícios só serão sentidos no médio prazo.

Outro dia em conversa com empresários, apontaram que a situação somente parou de piorar e suas vendas ainda são ruins, um empate em relação ao ano anterior na melhor das hipóteses. Fico pensando se a sociedade brasileira terá a paciência de esperar disciplinadamente esse tempo.

Amanhã à noite saberemos a tão aguardada decisão do COPOM, que opostamente o esperado no EUA, o BC deverá cortar a taxa de juros básica SELIC. O mercado se encontra divido em relação ao tamanho do corte, se 25 ou 50 pontos básicos.  O Mosca mantém sua previsão expressa no post juros-cairão-pelo-motivo-certo de 50 pontos. E um detalhe, é só o começo.

No post descontinuidade-nos-mercados, fiz os seguintes comentários sobre o Bovespa: ...” Meu target é de 66.000, mas já vou adiantando que não será uma linha reta, meus outros indicadores mostram certo “cansaço”. Mas não tem o que conversar, tecnicamente indica compra e o futuro a Deus pertence. Vou estabelecer o stoploss em 59.000” ... O gráfico que acompanhou essa publicação encontra-se a seguir.


Com uma visão de mais longo prazo apresentado a seguir, o movimento tem se mostrado firme, e se pode vislumbrar um objetivo inicial ao redor de 72.000, uma alta de 15 % dos níveis atuais.


- David, mas você não tinha previsto o nível de 66.000, o que mudou?
Você tem razão, a dúvida é cabível, o cálculo do primeiro target foi feito avaliando os dados numa janela diária, enquanto o segundo semanal, assim, ambos podem estar corretos. Quando se estabelecem limites em análise técnica eles não são definitivos, conforme o mercado evolui novos limites são traçados.

Se você se recordar sugerimos a compra do Bovespa no início do ano a 38.000, praticamente a mínima do ano. Acontece que eu resolvi realizar o lucro no objetivo que havia traçado e o mercado continuou subindo. Houve um erro? Visto de hoje, sem dúvida. Porém naquele momento eu resolvi colocar o lucro no bolso, ao invés de seguir na operação arriscando devolver parte do resultado. São estratégias distintas, que ex-post é fácil decidir qual é a melhor.

O Bovespa é dos mercados em que acompanho com melhor nível de momentum. Desta forma, sem querer fazer análises futurísticas muito cedo, mas ao mesmo tempo com a obrigação de visionar o futuro, se o índice ultrapassar os 72.000 com firmeza, calculo 80.000 e 105.000.

- David, você está louco, 105.000?  Usou a taxa SELIC para corrigir? Hahaha...
Primeiro não imagine que esse nível vai acontecer amanhã e nem no próximo mês, é de longo prazo. Depois pense um pouco, no mundo atual faltam alternativas de investimento. Ontem um dos membros mais sênior do FED, Stanley Fisher, declarou que o BC americano, bem como os outros bancos centrais, tem poucas ferramentas para incentivar o crescimento, num mundo estagnado e com graves problemas demográficos. Sem considerar se vai acontecer ou não, é indiscutível que existam centenas de projetos de desenvolvimento em infraestrutura por aqui. Sonhar as vezes é importante para não ficar estagnado.

Assim, estamos falando de 105.000 para o Bovespa no médio prazo, praticamente dobrar dos níveis atuais. Muita lição de casa será necessário, porém é isso que a análise técnica sugere desde que o nível de 72.000 seja ultrapassado.


 O SP500 fechou a 2.139, com alta de 0,62%; o USDBRL a R$ 3,1865, com baixa de 0,44%; o EURUSD a 1,0977, com baixa de 0,17%; e o ouro a US$ 1.261, com alta de 0,49%.
Fique ligado!

17 de outubro de 2016

Esqueceram de mim


Enquanto o mundo se vê envolto com riscos políticos nos EUA, numa eventual vitória de Donald Trump, no campo econômico a possibilidade de elevação dos juros, por parte do FED, está colocando os analistas em cheque a fim de avaliar quais os impactos que tal medida poderá ter nos ativos. Na sexta-feira comentei sobre o ‘ dólar-dólar’ e sua evolução nos meses mais recentes.

Por outro lado, é notável que pouco se tenha noticiado sobre o impacto dessas mudanças na 2º economia do planeta, a China. Seria natural que, o dólar se fortalecendo perante as outras moedas, o mesmo deveria acontecer em relação ao Yuan. A China adotou uma política de manter a cotação de sua moeda atrelada ao dólar, quando iniciou o processo de abertura de sua economia em 1994, e já no primeiro dia desse ano, promoveu uma desvalorização de 50%. Essa paridade manteve-se fixa até 2005, onde a partir daí, por grande pressão internacional, passou a valorizar sua moeda lentamente.

De 2005 até 2014, o yuan apreciou aproximadamente 27%, como pode ser visto no gráfico abaixo. Desde então, para não perder competitividade em relação às outras moedas, o yuan passa a se desvalorizar - escala invertida.



Ontem a moeda chinesa alcançou a menor valor em relação ao dólar desde 2008 e agora encontra-se bastante próxima do patamar de 6,80 – 6,85, atingido durante a grande crise. Para relembrar, naquele momento o governo Chinês atuou de forma expressiva a fim de manter a cotação de sua moeda estável. 

O volume de reservas vem caindo, ocasionado pela saída de investidores, que se encontram preocupados com a saúde econômica da China. Embora esses valores não suscitam nenhuma ameaça a sua estabilidade, uma vez que, o nível de reservas de US$ 2,8 trilhões é extremante confortável, o grande perigo seria uma demanda por parte dos chineses com receio da perda de valor em suas poupanças, oriundas de uma desvalorização mais forte da sua moeda.

Já sua bolsa de valores, o índice Shanghai B shares, que apresentava uma performance estável nos últimos meses, sofreu uma queda repentina ontem à noite, nos últimos 90 minutos de 6%. No gráfico abaixo se pode observar esse movimento, e agora está muito próximo do nível de 330 que, se rompido, poderia imprimir uma perda adicional de 20%.


Assim como no filme Esqueceram de Mim, produzido nos anos 90, onde Kevin McCallister foi deixado acidentalmente para trás pela sua família nas férias de Natal, a China não se encontra no foco das maiores preocupações. Diferentemente do filme, onde o menino tenta resolver os problemas sozinho e termina tudo bem, no caso da China o resultado poderá ser mais complicado e danoso para o resto da “família”.

A cotação do dólar contra o real encontra-se ainda indefinido. No post aperte-o-cinto-o-piloto-e-voce: ...”O gráfico não deixa dúvida, brevemente o dólar terá que decidir se continua subindo, ou irá buscar novas mínimas ao redor de R$ 2,90”...



Embora vocês possam ficar um pouco desconfiados de que o Mosca estaria manipulando os gráficos, é natural em correções fazer os ajustes das retas que suportam um determinado movimento. Essa é a razão de no gráfico atualizado a seguir, que as retas diferirem do gráfico acima.


As forças que observo no curto prazo que hora puxam o dólar para cima e hora para baixo, se resumem a: Para cima estaria a possibilidade de elevação dos juros por parte do FED, que vem impulsionando o dólar contra a maior parte das moedas; para baixo o término do prazo para o programa de repatriação de recursos, amplamente divulgado pela imprensa, que se encontra em discussão mudanças na lei sobre considerar a foto ou o filme. Em função das muitas tentativas por parte do Presidente da Câmara, Rodrigo Maia, na busca de costurar um acordo entre as partes, mais parece uma peça de teatro! Não se sabe ao certo quais seriam os valores a arrecadar, eu estimo da ordem de R$ 70 bilhões, onde a maior parte deverá ter como contrapartida, uma entrada de dólares. Se minha cifra estiver correta, o valor em em moeda estarngeira é expressivo, aproximadamente US$ 20 bilhões.


Mas o momento está próximo, não existe mais muita margem de manobra para o dólar, permanecer contido nesse triângulo descendente. Quero notar aos leitores que, esse tipo de formação tende a romper para baixo, no caso, uma queda do dólar. Um fechamento abaixo de R$ 3,16 poderá ser o estopim para novas quedas e assim, proponho um trade de venda de dólar nesse nível, com um stoploss a R$ 3,26.

O SP500 fechou a 2.126, com baixa de 0,30%; o USDBRL a R$ 3,2044, sem alteração; o EURUSD a 1,1001, com alta de 0,30%; e o ouro a US$ 1.254, com alta de 0,36%.
Fique ligado!

14 de outubro de 2016

"Joe Beautiful"


Para quem assistiu o programa de TV A Escolinha do Professor Raimundo, protagonizada por Chico Anísio, deve lembrar-se do Zé bonitinho, “o perigote das mulheres”. Associei esse personagem a figura de Donald Trump, que também tem um topete e deve se achar o homem mais desejado pelas mulheres, seria então o Joe Beautiful. A diferença mais importante entre eles, é que o personagem original ganhava as “minas” no papo, enquanto o troglodita americano através de poder e dinheiro.

Parece que na reta final das eleições americanas caiu a máscara do polêmico candidato Donald Trump. Depois de um vídeo gravado em 2005, onde Trump comenta suas peripécias com mulheres, novas acusações começam a surgir de outras que sofreram assédio sexual. Esse fator fez com que a imprensa e boa parte da população americana se voltassem contra ele.

Existe aquela piada machista, eu reconheço, que de nada adiantaria ficar sozinho com a Gisele Bundchen numa ilha, se depois não teria ninguém para contar! É isso que está derrubando Trump, ao querer se vangloriar de suas conquistas. Já dizia aquele ditado falar é prata, calar é ouro.

Mas naturalmente não é somente pela sua vida pessoal que vem caindo nas pesquisas, o seu caráter explosivo o torna vulnerável a muitas críticas e seu despreparo político não lhe permite uma performance mais pragmática, quer sempre sair para o embate.

Agora seus grandes contribuintes, com receio de serem expostos pela mídia por esses fatos, estão abandonando o barco. Como li uma declaração de um deles: ...” como ele poderia dizer à sua filha que apoia um candidato que encara as mulheres como objeto” ...

Mas não acredito que esteja morto, daqui em diante vai prevalecer a raiva e, dado seu caráter, se pode esperar de tudo.  

Vocês podem se perguntar, qual o motivo do Mosca relatar tanto sobre esse assunto, uma vez que, é puramente político? A principal razão é que o mercado espera ansiosamente o final das eleições, pois uma vitória de Trump pode ocasionar muitos estragos. Fiquem atentos, a novela de terror, sexo e faroeste continua!

Hoje foram publicados alguns dados econômicos que sustentam a ação do FED, em aumentar os juros na reunião de dezembro. No gráfico a seguir o PPI – evolução dos preços industriais, que subiu 0,3% no mês e 0,7% em 12 meses. Outra boa notícia neste campo foi a publicação da inflação ao consumidor na China, que ficou acima das expectativas do mercado em 1,9%a.a.


Já as vendas no varejo, os dados foram um pouco conflitantes, se por um lado o resultado desse índice ficou em 0,6%, o que é bom, ao excluít itens mais voláteis como gasolina e outros, o que os americanos chamam de Control Group, o resultado foi 0,1% no mês, e em bases anuais 2,5, deixando a desejar.


Os mercados reagiram positivamente a esses dados, o cenário de uma eventual vitória da Hillary, dados econômicos mais positivos e a chance maior de alta dos juros, está impulsionando o ‘dólar – dólar’, ativo que estou analisando hoje.

No post dollar-dollar-whats-next, fiz os seguintes comentários sobre o dólar: ...” no gráfico abaixo estão expostas minhas hipóteses para as próximas semanas ou meses. Como se pode verificar o DXY encontra-se no meio do caminho, entre o intervalo inferior 93 – 92, e o nível superior de 100,5. A linha em rosa espelha minha previsão mais factível, um sobe e desce no curto prazo, para finalmente romper a linha superior e buscar os níveis que apontei no post acima mencionado - 103 e depois 107. Notem também que coloquei um divisor com a palavra “atenção”, pode ser que a correção busque níveis ainda mais baixos e até 90 eu aceito sem problemas, abaixo disso é melhor revisar as hipóteses” ...

De certa forma, a minha previsão principal parece que está se concretizando. A linha rosa traçada acima se assemelha ao movimento que o DXY percorreu nos últimos dois meses.


O dólar se encontra numa correção e conforme indiquei acima, não se pode saber se vai buscar romper agora o nível de 100,5 (1), ou ainda permanecerá na região contida pelas duas linhas verdes paralelas (2). Os indicadores de momentum estão bastante positivos, o que poderia indicar que a primeira hipótese é mais provável, mas prefiro esperar o rompimento para me posicionar.


O SP500 fechou a .132, sem variação; o USDBRL a R$ 3,2032, com alta de 0,82%; o EURUSD a 1,0970, com queda de 0,80%; e o ouro a US$ 1.251, com queda de 0,46%.
Fique ligado!


13 de outubro de 2016

Quando o receio prevalece


Eu já comentei algumas vezes a importância da nova teoria em finanças denominada Financial Behaviour – Finanças Comportamentais. Desde que retornei a frequentar a FEA recentemente, percebo que essa escola ainda é dirigida pela velha economia, ou seja, modelos matemáticos para precificar os ativos, raríssimos são os cursos que contemplam essa nova teoria. Eu acredito bastante nesse novo conceito, pois nem sempre o ser humano age de forma racional e quando isso acontece os modelos matemáticos são de pouca valia.

Desde a recessão de 2008 os bancos centrais embarcaram na teoria Keneysiana, de injetar recursos e baixar as taxas de juros. Considerando que o consumidor é racional, essa atitude faria com que eles aumentassem seu consumo através de assunção de novos créditos, ou deixassem de poupar para consumir. Desta forma, a economia se recuperaria e depois de um tempo as condições poderiam voltar à normalidade.

Porém isso não vem acontecendo, e parece que o FED reconheceu que os efeitos dessa política podem gerar um efeito contrário.

Nas minutas do FED referentes a última reunião do Comitê de setembro, um membro do FED deu a entender, que a política de taxas de juro historicamente baixa estava fazendo mais mal do que bem para a economia prejudicando os fundos de pensão e aposentadorias, e que isso estaria danificando a economia: ...”Finally, one participant expressed the view that prolonged periods of low interest rates could encourage pension funds, endowments, and investors with fixed future payout obligations to save more, depressing economic growth and adding to downward pressure on the neutral real interest rate."…

Isto é semelhante ao argumento contra as taxas de juros negativas. Essencialmente, as pessoas estão muito preocupadas com o fato de que as economias que têm, não estarem rendendo muito através dos juros, assim eles têm que economizar uma quantia nominal maior, a fim de cumprir suas metas de aposentadoria.

Alguns membros pensam que as taxas de juros são tão baixas, que o FED estaria prestes a deixar a inflação ficar fora de controle. Assim teriam de agir tão rápido que comprometeria a recuperação econômica: ..."In contrast, a few other members were concerned that, without a prompt resumption of gradual increases in the target range for the federal funds rate, labor market conditions could tighten well beyond normal levels over the next few years, potentially necessitating a subsequent sharp tightening of monetary policy that could shorten the economic expansion”…

Embora apenas um membro tenha apontado o risco de os juros baixos estarem comprometendo as poupanças, outro trabalho feito na Europa aponta nessa direção. Uma pesquisa feita pelo Banco ING com 12.000 consumidores europeus, perguntando o que fariam se recebessem 200 euros por mês, durante um ano, sem nenhuma restrição, apontou que somente 26% gastariam esse dinheiro, enquanto 52% deixariam em suas poupanças.


Os resultados dessa pesquisa resultam em decisão mais imbuída de fatores psicológicos do que racionais. Daniel Kahneman, Prêmio Nobel de economia em 1991, apresentou em sua tese que o impacto de uma perda de 5% em um portfólio, tem um impacto muito superior a um ganho de igual valor. E parece que é em função da característica humana, de ter menor tolerância a perda que prevalece na sua atitude.

No post – quebrando a banca--- mostrei um modelo simplificado a fim de calcular qual seria a poupança necessária a se acumular para um determinado gasto anual: ...

P = GA/i
Onde:
P = Valor atual de sua poupança
GA = Gastos anuais
i = Taxa de juros reais ao ano” ...

Construí também um exemplo para o caso brasileiro, agora imaginem para um cidadão europeu cujas taxas de juros estão negativas ou próximas de zero. Se usar a fórmula acima com juros de 0%, o valor do patrimônio seria infinito. Mas vamos ser mais generosos e trabalhar com 1% a.a. Se uma pessoa precisa de 100.000 euros por ano para seus gastos, o valor atual de sua poupança teria que ser a substancial cifra de 10.000.000, enquanto que, 5 anos atrás esse valor era por volta de 2.000.000.

Para fazer face à nova realidade, os europeus terão que trabalhar mais, poupar mais e gastar menos no futuro, exatamente o contrário que os bancos centrais estão buscando.

Mesmo assim, não credito que haverá alguma mudança por parte das autoridades monetárias, pois compraram a ideia que é esse modelo que funciona e continuarão com ele. Veja na figura abaixo que o volume de recursos injetados continua aumentando.


O Mosca tem se colocado como grande crítico da maneira que a política monetária tem sido implementada pelos bancos centrais ao redor do mundo. Eles ainda sugerem que os juros permanecerão baixos por muito tempo. Essas atitudes observadas pelos cidadãos, são consistentes com o receio de não poderem no futuro suportar seus gastos. Quanto mais tempo demorar para que haja uma normalização das políticas econômicas, maior será a chance de haver uma deflação muito mais danosa e grave.

No post os-juros-cairão-pelo-motivo-certo, fiz os seguintes comentários sobre os juros de 10 anos: ...” se as taxas subirem acima de 1,75% eu projeto um primeiro objetivo de 1,80% / 1,85% e se superado 1,95%/ 2,00%” ...


Ontem o mercado atingiu o primeiro objetivo marcado acima e grifado no gráfico ao atingir 1,80%. Mas eu frisei algo muito importante no post, ao colocar as razões do por que não queria me envolver nesse trade: ...” esse ainda deve ser um movimento de correção de curto prazo, no longo prazo, a tendência ainda é de baixa de juros. Somente após o longínquo 2,45%/ 2,50% poderia indicar que o movimento de longo prazo reverteu” ...


Vou acompanhar nos próximos dias a fim de verificar se 1,80% bastou, fazendo com que a queda dos juros prevaleça novamente, ou ainda se pode esperar que atinja o segundo patamar por volta de 2% a.a.

O SP500 fechou a 2.132, com baixa de 0,31%; o USDBRL a R$ 3,1804, com queda de 0,64%; o EURUSD a 1,1055, com alta de 0,45%; e o ouro a US$ 1.257, com alat de 0,22%.
Fique ligado!

11 de outubro de 2016

Contabilidade Chinesa


Os bancos estão sob fogo cruzado, com taxas de juros negativas, na Europa e Japão a rentabilidade das instituições financeiras ficou muito comprometida. Não consigo imaginar um banco fazendo um empréstimo a uma empresa sem juros. Isso permitiria uma adaptação na frase popular: “de graça até injeção”; que passaria a: “de graça até empréstimo de banco!”. Os bancos italianos estão na mira já algum tempo e, nos últimos dias, um banco com dimensão de causar um terremoto financeiro global, entrou no rol das ameaças, o alemão Deutsche Bank. 

Ao ler as notícias pela manhã, me deparei com uma reportagem publicada pela Reuters, que chamou muita minha atenção. Segundo essa agência, os bancos chineses terão que captar US$ 1,7 trilhão, haja visto que é esperado um aumento das perdas em empréstimos, segundo a S&P reportou nesta terça-feira.

Esse estudo imagina uma pequena chance para melhoras em 2017, em função de elevadas alavancagens e excesso de capacidade, em praticamente todos os setores. A dívida vem crescendo e é um dos maiores desafios da China, com um endividamento atingindo 250% do PIB. Segundo a pesquisa da S&P, com 70% são de empresas estatais, e uma dívida acumulada de US$ 2,8 trilhões.


O pior é que o governo Chinês está incentivando as empresas a continuarem contratando mais créditos nos próximos 12-18 meses, implicando que os riscos deverão crescer bastante daqui há 2 anos.

Uma métrica muito observada pelos analistas para avaliar a saúde de um banco, é o que se denomina Non Perfoming Loan, que é o quociente entre os créditos em liquidação sobre o total da carteira de empréstimos. O reportado às autoridades é de 2%, porém outros analistas acreditam que esse coeficiente possa ser algo entre 15% a 35%, uma vez que, muitos bancos são “devagar” em reconhecer problemas nos empréstimos, ou classificá-los em liquidação. Alguns bancos também são pressionados politicamente pelos governos locais para refinanciar essas dívidas, a fim de prevenir perdas de emprego e quebras de companhias.

Eu quase caio da cadeira, será necessário US$ 1,7 trilhão de Capital?  Dívidas não pagas atingindo 15% do total? O que dirá de 35%! Se isso for fidedigno, é algo terrível. Todos sabemos da dificuldade em obter informações confiáveis quando se trata da China, e esse é mais um caso onde a grande maioria dos analistas não se sentem seguros em acreditar nos dados publicados. Agora, quando o assunto é banco, tudo isso fica ainda mais delicado, confiança é tudo.

Outro trabalho feito pelo Goldman Sachs revela uma forma mais criativa, que os chineses estão usando para driblar as condições impostas pelo governo Chinês, na compra de moeda estrangeira.

As saídas de divisas da China podem ser maiores do que lhes parecem, de acordo com a Goldman Sachs, observa-se uma quantidade crescente de capitais que saem do país em yuan, e não em dólares.

Enquanto as reservas cambiais do país se estabilizaram, e as compras líquidas de divisas dos credores para os clientes caíram perto das mínimas de um ano atrás, os dados oficiais mostram que US$ 27,7 bilhões, através de pagamentos em yuan, deixaram a China em agosto. Isso é comparado com uma média mensal de U$ 4,4 bilhões, em cinco anos até 2014. Esses grandes movimentos fronteiriços, não podem ser explicados por fatores de mercado e precisam ser levados em conta quando se mede as saídas de moeda.

"Existe uma orientação do banco central Chinês que limita a conversão do dólar das empresas onshore, então eles movem o dinheiro para o exterior em yuan", disse Harrison Hu, economista chefe do Royal Bank of Scotland. "Como eles não têm vontade de manter o yuan, devido as expectativas de depreciação, eles trocam por dólares no mercado offshore. Isso pressiona a taxa de câmbio do yuan offshore. " Para nós brasileiros, poderíamos chamar essa transação de dólar turismo, para não chamar de “black”, pois circulavam outros tipos de transações.


A Goldman Sachs passou a incluir fundos de yuan em sua análise das saídas em julho, depois de notar que o movimento fronteiriço da moeda mascarou pressões reais. O banco estima que 56% e 87% das saídas, tiveram lugar através do mercado de yuan no exterior em julho e agosto, respectivamente. Um medidor Bloomberg - que não inclui saídas diretas de yuan - estima que mais de US$ 550 bilhões deixaram o país este ano, até agosto.

O yuan se enfraqueceu 3,3 % em relação ao dólar este ano, a maior em um ranking de moedas asiáticas. A moeda encontra-se em 6,71 em relação ao dólar, o mais fraco desde setembro de 2010.

Embora necessário para ajudar uma economia que cresce no ritmo mais lento desde a década de 1990, a moeda chinesa exacerbou pressões de saídas, que por sua vez, levou as autoridades a reprimir os canais para tirar dinheiro do país.

Os freios foram reforçados depois de uma desvalorização do yuan no ano passado, que estimulou um êxodo de recursos, enquanto o custo do over-night para emprestar a moeda offshore em Hong Kong, subiu acima de 20 % duas vezes este ano, em meio às especulações de que o PBOC enxugou a liquidez para impulsionar a taxa de câmbio. O banco central no mês passado negou que interveio.

As desconfianças são inúmeras quando se trata da China, essa insegurança é ocasionada pela falta de transparência que as autoridades chinesas comunicam suas informações. Com essa atitude, os investidores são levados a acreditar nas informações oficiosas que podem ser incorretas, mas esse é a contrapartida quando se desconfia.

Até o momento o governo Chinês tem tido sucesso em administrar os momentos de stress, naturalmente por que possuem reservas enormes, ninguém quer se meter a besta! Porém, se uma situação estrutural, que fica escondida do mercado, aflorar de forma contagiosa, a reação do mercado será explosiva. Mas essa é a maneira que a China quer se comunicar com o mundo, o risco é não ter aliados na hora que precisar. 

No post ---nova fase--- afirmei que enquanto o SP500 não ultrapassasse 2.200, meus cenários continuavam válidos:

... “Verde escuro (1) – Uma correção mais branda com o índice recuando até o nível de 2.100 – 2.080, em seguida o SP500 voltaria a subir para buscar os níveis apontados acima. ”...

...”Rosa (2) –Neste caso a correção seria mais profunda atingindo o nível de 2.000. Esse movimento demandaria mais tempo e não poderia violar o patamar de 1.950, que indicaria se tratar mais do caso 3 abaixo. ”...

...”Verde limão (3) - Nesta situação o SP500 poderia atingir 1.800, sendo mais importante o que deve acontecer em seguida, pois ficará a dúvida se voltaria a subir, ou este primeiro movimento indica uma mudança de mercado de alta para baixa” ...


Diariamente se multiplicam análises, comprando a evolução do mercado hoje com o crash que aconteceu em 1987. No post acima publiquei um gráfico com esse potencial paralelo. Mas comparações como essas, mais parecem recomendações de cartomantes do que realmente riscos. Agora, se o analista acertar, e uma queda expressiva ocorrer, será considerado um visionário e dali em diante consultado sempre que houver alguma situação mais delicada. Posso afirmar que a quase totalidade dos visionários do passado, acertaram uma única vez, por uma razão simples, o futuro é incerto e não é replicável.


Hoje a bolsa está tendo uma performance mais negativa com queda de 1,5%. No gráfico acima se pode ver que as cotações romperam um pequeno triângulo. Os cenários que citei acima voltam à tona, e até agora não se pode afirmar qual deles irá prevalecer.

Novamente a disciplina teve suas recompensas, quando afirmei que não poderia comprar o SP 500 só porque achava que iria subir: ...” enquanto o SP500 não ultrapassar o nível de 2.200, todos os cenários acima continuam válidos, e jamais eu iria entrar no mercado agora, só porque eu acho que um cenário parece mais provável. Para entrar, quero conquistas! ” ...

O SP500 fechou a 2.136, com queda de 1,24%; o USDBRL a R$ 3,1999, com queda de 0,16% - On Sale? Hahaha ...; o EURUSD a 1,1053, com queda de 0,76%; e o ouro a US$ 1.252, com queda de 0,55%.

Fique ligado!