Inflação: A Revanche

30 de setembro de 2016

Nova fase: "Reajuste de pensão"


Michel Temer tem a difícil tarefa de fazer a economia brasileira crescer novamente, depois de dois anos com uma evolução do PIB no terreno negativo, muitas mudanças serão necessárias para que isso aconteça. Usando um raciocínio pragmático, posso visionar que ele talvez consiga somente estabilizar. Além de não ter tempo hábil, terá que lutar contra forças contrárias que, conforme o tempo passa, aumentam.

Não é assunto de hoje, mas é de suma importância imaginar quem serão os candidatos para 2018, e se o que acima imaginei acontecer, ele terá poucas chances de vitória em sendo candidato. Como comentei recentemente, será que teremos algum candidato tipo Trump?

Ontem foram publicadas as contas públicas, e como já se tornou praxe, mais um saldo negativo. O déficit primário do ano chega a R$ 71 bilhões, e nos últimos 12 meses, um resultado negativo de R$ 172 bilhões, que é compatível com a meta do governo para 2016, uma vez que, em agosto, houve o pagamento da primeira parcela do 13º salário, o que não aconteceu no ano anterior nesse mesmo mês. Esse resultado representa aproximadamente um déficit 3% do PIB.


O próximo gráfico espelha bem as minhas preocupações expressas acima, onde se pode observar a evolução das receitas e despesas federais. Enfatizo que para nossa dívida pública estabilizar será necessário que se obtenha superávit e não déficits, uma inversão radical na tendência observada nos anos recentes. Por enquanto nenhum sinal de reversão, nem tão pouco de estabilização. A receita sofreu uma retração de R$ 48 bilhões (jan - ago/16) representando uma queda de 6,3% relativa ao mesmo período do ano anterior, enquanto as despesas no mesmo período cresceram 9 bilhões, uma elevação de 1,1% comparativamente ao ano anterior.


Na tabela abaixo fica claro quais são as principais medidas de ajustes que precisam urgentemente ser aprovadas. Na parte superior somente com o crescimento da economia as receitas irão evoluir, claro se não houver aumento de impostos. Na parte inferior anotei onde estão os grandes desafios a serem vencidos.


Das despesas discricionárias, a previdência é de longe a mais problemática com as receitas em queda, em virtude do longo período recessivo e as despesas vinculadas a índices de reajuste com a inflação, além da situação estrutural.  Somente uma reforma poderia visionar uma condição menos incontrolável como se encontra hoje. No lado das despesas discricionárias, notem que essas representam 22% do total e a saúde tem o maior peso. Pode se perceber que, houve um esforço de redução, mas que pelo momento atual, nenhum presidente teria coragem de cortar fundo nessas rubricas, quanto mais Temer. Facilmente levantaria manifestações “fora Temer” por todo país.


Para buscar uma contenção no nível de despesas, encontra-se em processo de votação a PEC 241, que impõe um teto para o crescimento dos gastos. Fiquem de olho nesse item que deverá ser votado já no início de outubro, uma recusa seria uma péssima notícia.

Por esses motivos eu estou cético em relação ao que esse governo pode fazer, e fico preocupado se daqui a um ano nada de muito concreto for alcançado, dando subsídios para a esquerda em conjunto com as pessoas que advogam o “fora Temer”, saiam de novo nas ruas. Tudo isso, se no exterior as condições não piorarem.

Preparem-se para momentos difíceis nos próximos meses. Costuma-se dizer que um novo governo tem um período de lua de mel de 100 dias, no caso específico seria mais uma trégua depois de um acordo de separação. Vamos entrar agora na fase de “reajuste da pensão”, quem é separado sabe muito bem ao que eu estou me referindo! Hahaha ...

No post business-plan-do-Lula, tracei os seguintes cenários para o SP500:
... “Verde escuro (1) – Uma correção mais branda com o índice recuando até o nível de 2.100 – 2.080, em seguida o SP500 voltaria a subir para buscar os níveis apontados acima. ”...

...”Rosa (2) –Neste caso a correção seria mais profunda atingindo o nível de 2.000. Esse movimento demandaria mais tempo e não poderia violar o patamar de 1.950, que indicaria se tratar mais do caso 3 abaixo. ”...

...”Verde limão (3) - Nesta situação o SP500 poderia atingir 1.800, sendo mais importante o que deve acontecer em seguida, pois ficará a dúvida se voltaria a subir, ou este primeiro movimento indica uma mudança de mercado de alta para baixa” ...

Faz duas semanas que postei, e depois da primeira queda mais acentuada o mercado se recuperou levemente. Observado de hoje, poderíamos ser levados a concluir que a opção verde-escura (1) deveria se concretizar.


Agora veja o que um analista técnico do HSBC alerta. Parece haver uma semelhança entre o Crash ocorrido em 1987 e a configuração do mercado atual.


Por isso e por outros, é que mantenho a mesma posição descrita no post acima, enquanto o SP500 não ultrapassar o nível de 2.200, todos os cenários acima continuam válidos, e jamais eu iria entrar no mercado agora, só porque eu acho que um cenário parece mais provável. Para entrar, quero conquistas!


O SP500 fechou a 2.168, com alta de 0,88%; o USDBRL a R$ 3,2510, cok queda de 0,21%; o EURUSD a 1,1231, com alta de 0,10%; e o ouro a US$ 1.317, com queda de 0,21%.
Fique ligado!

29 de setembro de 2016

O que faria o Tio Patinhas?

Em 10 de março de 2005, Ben Bernanke fez uma apresentação no Federal Reserve de Richmond para um grupo de 150 economistas, na tentativa de explicar um estado de coisas que era um pouco surpreendente. Naquele momento, o déficit em conta corrente americano era da ordem de 5% do PIB. O déficit fiscal depois de ter caído na década de 1990, foi subindo de novo, graças aos cortes de impostos de Bush e os gastos com a guerra do Iraque. A teoria econômica ortodoxa prega que a existência desses grandes déficits gêmeos leva os investidores a exigirem maiores taxas de juros para os títulos do governo. E, no entanto, os EUA foi de alguma forma conseguindo financiar estes grandes déficits com baixas taxas de juros. Em 2005, a hipoteca de 30 anos tinha uma taxa inferior a 6% a.a.

Bernanke tinha uma nova explicação para este estado de coisas. ... "Durante a última década, uma combinação de forças diversas criou um aumento significativo na oferta mundial de poupança global – saving GLUT, que ajuda a explicar tanto o aumento do déficit em conta corrente nos EUA, como o nível relativamente baixo das taxas de juro reais de longo prazo no mundo de hoje" ...

Aceitando rendimentos mais baixos quando a oferta de dívida estava aumentando parecia uma coisa estranha para os investidores. Capital, por sua natureza, é dinâmico e eficiente, buscando agressivamente e constantemente os melhores retornos possíveis. Mas porque muitas economias estrangeiras "enfrentavam uma aparente escassez de oportunidades de investimento", Bernanke argumentou que os investidores de todo o mundo estavam dispostos a investir o seu dinheiro em ativos seguros no exterior, como títulos do governo. Dito de outra forma, havia muito dinheiro lá fora nas mãos de pessoas e instituições e que simplesmente não tinham boas ideias sobre o que fazer com ele.

Um discurso em 2005 pelo então pouco conhecido Ben Bernanke previu a tragédia econômica do nosso tempo.

A definição da nossa era é que não há dinheiro demasiado, mas sim nas mãos das pessoas erradas. E há uma escassez generalizada de ideias sobre o que fazer com o capital. Por mais estranho que pareça, como Bernanke advertiu em Richmond, o dinheiro no século 21 simplesmente não sabe o que fazer com ele mesmo.

O conceito de GLUT ajuda a explicar as circunstâncias extraordinárias que acontecem em nossa era financeira. Em um mundo inundado de dinheiro, os investidores lutam para encontrar retornos e muitas vezes se contentam com nada. Ao invés de investir e gastar, empresas armazenam centenas de bilhões de dólares em seus balanços, onde é garantido um lucro líquido de zero. Os governos que poderiam se financiar essencialmente a custo zero praticam a austeridade. O excesso de poupança é vicioso: Quando você não acha onde pode encontrar um bom retorno, você é menos propenso a investir, o que reduz ainda mais os retornos. Uma estagnação secular, como Larry Summers denomina o ambiente atual.


Em todo o mundo, dezenas de milhares de pessoas têm a tarefa de gerenciamento o capital em bancos centrais, seguradoras, fundos de pensão, fundos soberanos, e fundos de hedge. Essas pessoas são motivadas parcialmente ou totalmente pela busca de rentabilidade, e muitos deles são pagos com base em seus retornos.

Eles não são os únicos capitalistas à deriva. Como os lucros das empresas têm crescido nos últimos anos, o investimento empresarial nos EUA tem decrescido junto. Repleto de recursos e capazes de investir por quase nada, as empresas estão, nas palavras de Bernanke 2005 ... "com uma aparente escassez de oportunidades de investimento" .... Em vez de gastar seu dinheiro em salários, ou equipamentos, ou pesquisa e desenvolvimento, as empresas recompram suas próprias ações, compartilham com os investidores, em pequena dose, seus dividendos, ou simplesmente mantém o caixa onde não recebem nada. No total, as empresas americanas têm cerca de US $ 1,7 trilhão em dinheiro, enquanto a Apple e Microsoft sozinhas detêm cerca de US $ 230 bilhões e US $ 117 bilhões, respectivamente.

Nada disto deveria acontecer. Capital como conhecíamos no século 20 foi implacável: amoral na pior das hipóteses e agnóstico na melhor das hipóteses, oferecendo ao mundo oportunidades, financiando novos empreendimentos e iniciativas que representavam oportunidades para obter um retorno.

As coisas são diferentes na era do excesso de poupança. Claro que existem exceções: grandes investimentos em internet e tecnologia sem fios, em energia limpa, na China e na Índia. Mas em geral, o capital como a conhecemos no século 21 é defensivo e reacionário. Para aqueles traumatizados por ter vivido a destruição durante o evento do Lehman Brothers e os 40% de queda nos mercados de ações, um retorno de 0% parece muito bom.

Mas muito disso tem a ver com uma falta de imaginação. Se a melhor ideia que se tem para o dinheiro é comprar um título do governo que rende 1%, ou para deixá-lo em dinheiro, ou para comprar um Picasso, que é uma ideia que não faz sentido. Quanto mais tempo a aceitação de retornos baixos passa, o mais provável é que se perca a próxima fase da criação de riqueza
É sempre perigoso extrapolar tendências financeiras recentes indefinidamente no futuro. Mas a complacência do capital em face de retornos extremante baixos não mostra sinais de diminuir. E as implicações são preocupantes. Quando as empresas, instituições e governos não investirem de forma agressiva para o futuro, eles tendem a ter uma dificuldade de permitir o crescimento quando as oportunidades aparecem. A expectativa de baixo crescimento e baixos retornos leva a baixo crescimento e baixo retorno e tende a se perpetuar. Quanto mais tempo o mundo manter as taxas de juros em 0% ou perto de zero, maior será a dificuldade que eles terão em retornar aos níveis normais e verdadeiramente saudáveis. Se o capital não “joga” pelas regras durante longos períodos de tempo, as regras podem mudar.

Quando crianças a imagem do Tio Patinhas mergulhando na sua piscina de dinheiro dentro de um cofre gigante, era o desejo de todos nós. Pensávamos que ter aquele dinheiro todo era maravilhoso, poderíamos comprar todos os doces, sorvetes, brinquedos e etc ..., mas ele, o Tio Patinhas, era um tremendo pão duro e não gastava um tostão, guardava para o futuro. Ele poderia aumentar bem os seus lucros se tivesse depositado nos bancos e recebido juros saudáveis. Um cálculo aproximado nesses últimos 50 anos indica que poderia ter multiplicado por 10 sua riqueza.
Mas o Tio Patinhas de 2016 não faria tanto sucesso, Yellen, Draghi e Kuroda, nadam em quantias muito superiores à dele, e além disso oferecem a quem quiser “sem” juros e vencimento sem data. Por que ficaríamos hoje dependendo do velhinho pão duro?

No post quebrando-banca, fiz os seguintes comentários sobre o Bovespa: ...” ao observar mais em detalhes o gráfico desse ativo, verifiquei que, uma nova oportunidade de compra poderá surgir em breve. Para apresentar meus parâmetros, observe a seguir o gráfico com uma visão de curtíssimo prazo – gráfico de 4 horas” ... ...” uma formação de triângulo se forma com essa janela, e o mais provável é uma nova queda até o nível de 55.000/ 54.000, lógico se a estatística prevalecer, o que acontece em 2/3 dos casos. Dessa forma, vou sugerir uma compra a 54.500 com um stoploss a 53.000” ...


O que imaginei que aconteceria no curto prazo acabou não se concretizando e ao invés de cair o índice subiu. Mas isso, não elimina a visão que o Bovespa está num período de correção, pelo menos não antes do nível atingir 60.500. 
O gráfico a seguir aponta as novas duas possibilidades para compra.


De antemão fica muito difícil de saber quais das duas irá prevalecer. A distância, em percentagem, da (1) ao redor de 56.000 para a (2) ao redor de 53.000, é de 5,5%. Eu poderia sugerir comprar no (1), e caso continuasse caindo, aguentaria firme fixando o stop abaixo do nível (2). Acontece que eu não sei se esta correção é pequena, média ou grande, e não estou disposto a ficar colocando fichas em cada uma delas.

Por outro lado, posso obter algumas “dicas” através da formação que se sucedera, isso poderá me indicar em qual delas estamos. Assim, fiquem atentos as minhas postagens quando algum desses níveis forem atingidos.

Por outro lado, caso o índice ultrapasse os 60.500 no fechamento, vamos comprar novamente, mas hoje é o cenário menos provável.

- David, falou, falou e não disse nada!
É verdade que nenhuma sugestão de trade foi dada, mas eu disse muita coisa se você prestar atenção: primeiro que não compraria nada agora; segundo que como estou trabalhando com uma correção as previsões são sempre difíceis; e terceiro forneci os níveis que passo a ter mais interesse em comprar. Resumindo, o mercado é de alta e estou aguardando um preço de entrada que tenha um bom risco x retorno em termos de stoploss.

O SP500 fechou a 2.151, com queda de 0,93%; o USDBRL a R$ 3,2580, com alta de 1,32%; o EURUSD a 1,1221, sem alteração; e o ouro a US$ 1.320, com alta de 0,61%.

Fique ligado!

28 de setembro de 2016

" So far so good"


Hoje a lei de Murphy falou mais alto, depois de uma manhã cheia de compromissos, faltou luz no escritório e a internet está ainda fora do ar. Peço desculpas, mas hoje o post vai ser “enxuto”, estou trabalhando no modo emergência!

Ontem foi publicado os dados das contas cambias brasileiras que apresentou um déficit de US$ 600 milhões no mês, e em 12 meses recou para US$ 25,8 bilhões, equivalente a 1,46% do PIB. O gráfico abaixo não deixa dúvidas do enorme ajuste das contas cambias.


Outra boa notícia foi a entrada de investimento direto cujo valor acumulado atingiu U$ 74,0 bilhões, o que financia com folga o déficit em transações correntes. No mês houve uma entrada expressiva de US$ 7,2 bilhões. Já os investimentos em carteira continuam com a tendência de saídas. No mês a cifra foi US$ 5,7 bilhões, o que se certa forma é intrigante, com direção oposta ao que ocorre no investimento direto. Desse montante destaca-se a renda fixa que representou a maior parcela com US$ 4,2 bilhões, e o restante em ações com uma saída de US$1,6 bilhões.


Para complementar, a Balança Comercial com um superávit acumulado em 12 meses de US$ 42 bilhões segue na trajetória para atingir US$ 55 bilhões, se destacando como o principal item de nossas contas externas. A conta de serviços tende a uma estabilização de saídas da ordem de US$30,0 bilhões, e a conta de rendas, que apresentou uma saída em 12 meses de US$ 41,0 bilhões. Em havendo uma recuperação mais forte, deve se esperar uma elevação no envio de dividendos ao exterior.

Já as reservas internacionais mantem se estável na casa dos US$ 375 bilhões, sem muitas surpresas.

Mas o que intriga são as saídas dos investimentos em carteira, para dizer a verdade, de difícil compreensão. Qual seria a razão dos estrangeiros saírem agora do Brasil? Elenquei uma lista com os pontos positivos que aconteceram nos últimos dois meses:

1.       Definição da parte política, o impeachment foi terminado sem nenhuma grande confusão, e Temer assumiu a presidência;

2.       Os títulos brasileiros tiveram uma valorização expressiva no exterior, tanto os de renda fixa quanto as ações;

3.       A taxa de câmbio valorizou significativamente, sendo superior à de seus pares emergentes;

4.       Tanto o Ministério da Fazenda como o Banco Central agora são compostos por equipes de todo agrado do mercado, e vem trabalhando na direção correta;

5.       Os juros brasileiros são extremante atrativos quando comparados com o que se pode obter em outros países.

Então, por que os estrangeiros estão abandonando as operações de mercado? Posso levantar algumas hipóteses, mas que ao final tem pouca credibilidade, comparados aos argumentos acima.

Como dizia meu ex-sócio da Linear, Emir Capez ...“ contra o fluxo não a argumentos” ..., se esse movimento não se reverter em breve, o reflexo será sentido na taxa de câmbio, pois boa parte da valorização do real se deve a um movimento especulativo. Esses traders, apostam que, ocorrerão entradas no futuro, e um dia o futuro chega. A conferir!

Por falta de acesso a minha base técnica, hoje não haverá atualização de mercado. Espero que amanhã esse problema já esteja resolvido. Por outro lado, não aconteceu nenhum movimento mais expressivo hoje.

O SP500 fechou a 2.171, com alta de 0,53%; o USDBRL a R$ 3,2157, com queda de 0,47%; o EURUSD a 1,1214, sem variação; e o ouro a US$ 1.312, com queda de 0,38%.
Fique ligado!


27 de setembro de 2016

Existe inflação boa?


Assisti ontem uma boa parte do debate entre Hillary Clinton e Donald Trump, onde as pesquisas apontaram para uma vitória da Hillary. Na visão do mercado financeiro a aposta de qual candidato será o vencedor, é a cotação do peso mexicano. O gráfico a seguir não deixa dúvidas de quem venceu ontem. Só para esclarecer, uma queda do dólar pende para Hillary, e o contrário para Trump.


Em minha opinião, o mérito não foi de Hillary e sim o “desmérito” de Trump. A candidata mais parecia uma Barbie de terceira idade. Ela definitivamente não é uma estadista. Já Trump, um troglodita na acepção da palavra, representa um grande perigo se eleito.

Fiquei pensando, como Trump pode chegar a disputa final nos EUA. O argumento que me parece mais apropriado para explicar um sujeito que já quebrou 4 vezes, seria uma insatisfação de parte dos americanos que desejam uma mudança radical. Com esse requisito ele se encaixa bem, porém figurativamente se assemelha mais a um homem bomba. Um perigo!

Do outro lado do Atlântico o que vem causando grande preocupação é a situação do Deutsche Bank, maior banco alemão que enfrenta problemas de todos os lados: queda expressiva em seus lucros; volume estratosférico em operações de derivativos; ação legal nos EUA de US$ 14 bilhões, por conta dos contratos imobiliários de 2008; e por último a Primeira Ministra Angela Merkel disse ontem que não pretende colocar recursos públicos para capitalizar o banco. As ações sofreram baixas expressivas e já tem gente comparando ao caso Lehman Brothers.


Não acredito que seja esse o caso, diferentemente do banco americano, o Deutsche é o “Bradescão” da Alemanha, e não um banco de investimentos. Haverá outra saída, mas não o fechamento do banco. Vale a difundida ideia do “it´s to big to fail”.

Lance Roberts vem a um bom tempo alertando que a economia americana se encontra numa armadilha de liquidez. Em economia define-se que essa situação acontece, quando uma injeção de liquidez no sistema bancário falha em diminuir as taxas de juros, bem como estimular a economia. Os sintomas característicos são juros próximos de zero e flutuações na base monetária falham em originar mudanças no nível geral de preços.

Esse é a situação em que o FED se encontra. A figura abaixo mostra que, quanto mais a autoridade monetária se torna ativa, menor o crescimento do PIB, inflação e os juros.


Mas o que esse analista chama a atenção, é que existem dois movimentos distintos nessas variáveis, de 1950 até 1980 e dessa data até hoje. No primeiro período, os EUA trabalharam duro para reconstruir a Europa. Aumentaram a produção e os salários, e a expansão da economia se deu por demanda de crédito que elevou os preços e consequentemente a inflação. Mesmo no período de embargo do petróleo, a economia cresceu em bases anuais a 14%.

Temia-se que as altas taxas de inflação e de juros criariam uma catástrofe econômica. Assim, no final dos anos 70, o Federal Reserve entrou em ação. Essas ações e as subsequentes intervenções monetárias por parte da Reserva Federal, levou ao declínio lento e prolongado da prosperidade americana.

Hoje, há falta de pressão inflacionária produtiva (inflação causada pelo aumento dos salários e aumento da atividade econômica que leva à preços mais altos), foi uma consequência das dinâmicas estruturais subjacentes da economia. A propriedade de imóveis teve queda; os avanços tecnológicos e aumento da produtividade têm fomentado a supressão dos salários; e elevados níveis de ​​desempregados, fora da força de trabalho, pesando sobre a força econômica. Isso para não mencionar um grupo enorme de "baby boomers" que se dirigem para a aposentadoria com uma poupança, um pouco maior que, um ano do valor de suas despesas.

A inflação que existe atualmente com aumento dos custos de saúde, seguros e aluguel, não é o mesmo que a inflação decorrente do aumento dos salários, aumento dos preços de produtos e aumento da atividade econômica.

A diferença de tipos de inflação foi um ponto destacado pelo economista Dr. Ed Yardeni:

...“Existem dois tipos de inflação: a que estimula a demanda por influenciar os consumidores a comprar produtos e serviços, antes que seus preços subam mais; e o outro tipo que reduz o poder de compra dos consumidores quando os preços sobem mais rápido do que os salários ”...

...” durante os anos 1960 e 1970, a inflação subiu mais rapidamente do que as taxas de juros. O Fed ficou “behind the curve”. No entanto, os salários mantiveram o ritmo com os preços porque os sindicatos eram mais poderosos do que são hoje, e contratos de trabalho incluíam ajustes de custo de vida. Em termos globais, a inflação estimulou a demanda mais do que pesava sobre ela. Empréstimos também foram estimulados” ...

...” hoje, os principais bancos centrais gostariam de reviver essas atitudes de compras antecipadas, juntamente com as expectativas inflacionárias, para impulsionar a demanda por bens e serviços. Por várias razões, os bancos centrais não conseguiram aumentar as suas medidas de inflação de volta até seus alvos 2,0%” ...

...” os itens que apresentam alguma inflação nos EUA, não é a do tipo que estimula o crescimento econômico. Pelo contrário, tem sido liderado pelo aumento dos aluguéis, e, mais recentemente, pelo aumento dos custos de saúde. É muito pouco provável que as atitudes de compra antecipada levarão as pessoas a alugar mais residências hoje, porque a renda será maior amanhã, ou correr para o hospital para obter um preço melhor hoje, porque ele vai ser mais caro amanhã! Maiores custos de aluguéis e de saúde, são semelhantes aos aumentos de impostos, pois reduzem o poder de compra disponível para outros bens e serviços” ...

Esse artigo chamou a minha atenção para dois pontos: primeiro que inflação de serviços não gera demanda, diferentemente dos produtos. Embora pareça óbvio não tinha parado para pensar nisso. Esse fato explica porque tanto estímulo monetário vem causando pequeno impacto na economia; e segundo, a inflação que existiu no primeiro período citado acima entre 1950 – 1980, não foi de todo mal, o problema aconteceu com o embargo do petróleo que acelerou a inflação a níveis mais destrutivos do poder de compra.

Conclusão: A inflação boa é só a de produtos, mas em pequenas doses.

No post desafiando-os-limites, deixei explícito que estávamos operando contra a tendência de mais longo prazo, que é de queda de juros. Na última sexta-feira fomos stopados com um pequeno resultado. Depois disso o mercado continuou caindo, afetado pela situação comentada acima do Deutsche Bank. Encontrasse agora de volta a 1,56% a.a.



Muito bem, vamos fazer as pazes com a tendência predominante, sugiro um trade de compra de juros, caso o nível de 1,45% a.a. – fechamento em NY, seja atingindo, com stop a 1,60% a.a. Caso esse trade seja executado, antevejo uma batalha ao redor de 1,30%/ 1,35% que, se rompido, poderá levar os juros a 0,90%, tudo isso a ser melhor calculado. Agora, o que deve acontecer para que os juros cheguem nesse nível, eu deixo à imaginação de cada um, mas não parece ser nada bom!

O SP500 fechou a 2.159, com alta de 0,64%; o USDBRL a R$ 3,2309, com queda de 0,25%; o EURUSD a 1,1215, com queda de 0,33%; e o ouro a US$ 1.326, com queda de 0,81%.
Fique ligado

26 de setembro de 2016

A democracia não está funcionando


Sinto que as pessoas estão intolerantes quando se deparam opiniões diferentes das suas.  Posso falar por mim, toda vez que vejo alguma postagem que é contrária as minhas crenças, fico muito irritado: ...” como assim, ele (a) não enxerga o que está acontecendo? ” ...  Imagino que a recíproca é verdadeira.

Vejamos as eleições para prefeito, ao verificar as primeiras prévias, os números já espelham essa disparidade e discordância entre os eleitores.

Dória, Marta e Russomano praticamente empatados com aproximadamente 20% e, Haddad mais abaixo com 10%. Agora façam uma pesquisa com eleitores desses candidatos e perguntem como seria para ele, se outro ganhar. A reação ficará no limite da hostilidade.

Mas isso não é privilégio nacional, recentemente a escolha dos britânicos pelo Brexit foi tão polêmica, que ainda existem analistas que esperam um novo plebiscito de confirmação. Outros que foram contra, como Martim Wolf, o renomado colunista britânico que abertamente critica e antevê dias piores, função dessa decisão. E o que dizer das eleições americanas, quando um candidato como Donald Trump está à beira de conquistar a cadeira da Casa Branca? Lá também, qualquer que seja o vencedor, a parte contrária ficará muito irritada, para dizer pouco.

Hoje será o primeiro debate entre os candidatos americanos, esse evento é aguardado por boa parte da população local, e por que não, do mundo. É esperado um recorde de audiência com 100 milhões de pessoas. Eu tenho um palpite que Trump vai conseguir desconcertar sua candidata, e a razão é que ele se utiliza de estratégias de intimidação que Hillary não usa. Para quem já quebrou quatro vezes, e continua com seus negócios, já demonstrou sua competência em situações de stress. Amanhã vamos saber se existe alguma indicação para onde pendem os votos. Independentemente dos resultados, vai valer a observação que fiz no parágrafo anterior.

Em situações normais é natural que as pessoas aceitem a derrota de seus candidatos ou ideias, e se conformem e até busquem encarar o lado bom do oponente. Mas hoje em dia, não parece existir tal complacência e as posições tendem a ser mais radicais, é preto ou branco.

Em estátistica a media é uma variável importnate, mas é de pouca valia quando o desvio padrão é elevado. O que ajudaria em sua decisão ao dizer que um evento acontece em média 30, com um desvio padrão de 25, se você tem somente uma tentativa? Não muita coisa. 

Não saberia dizer quais são os motivos dessa radicalização, tenho algumas suspeitas, mas de pouco importa agora. O que parece é que, democracia não funciona em situações com desvio padrão elevado de posições, e a culpa não é da matemática!

Voltando à economia, a tabela a seguir mostra como o FED tem errado em suas previsões ao longo dos últimos anos. A maior razão para tamanha diferença, se baseia no fato que a autoridade monetária estava muito confiante em seu plano de ativar a economia através de estímulo monetário, e agora, pode ter certeza que não funcionou, embora continue insistindo nesse modelo.


Um outro assunto controverso que prometo escrever amanhã, é sobre inflação. Ed Yardeni, um economista polêmico explica que existem dois tipos de inflação, e a que o FED está observando não lhe vai permitir aumentar a demanda. Intrigante!

A exatamente uma semana fiz os seguintes comentários sobre o dólarquem-sera-o-Trump-brasileiro-em-2018?: ...” até que o nível de R$ 3,30/3,35 seja rompido, o mercado é de baixa” ... ...” muita atenção deve ser tomada nos próximos dias e observar se o dólar volta a cair para buscar novas mínimas abaixo de R$ 3,10, ou um novo movimento de alta está se materializando. Como níveis colocaria R$ 3,15 para o primeiro cenário e R$ 3,35 para o segundo” .... Naquele momento a cotação encontrava-se em R$ 3,27.


Em uma semana voltamos praticamente ao mesmo nível que o da semana passada sem ainda uma definição clara para onde o dólar pretende caminhar. Marquei no gráfico as duas retas que podem fazer a diferença quando rompidas, e como podem notar estão muito próximas. Esses níveis são R$ 3,28 na parte superior e R$ 3,20 na inferior. Isso não significa que você deveria se envolver numa operação de compra ou venda de dólar, respectivamente, caso isso aconteça. Sugiro aguardar os níveis definidos acima, considerando na parte superior R$ 3,37.

Só para efeitos de projeção, caso o dólar ultrapasse o nível de R$ 3,37, podemos esperar altas até R$ 3,50 que, se rompida, o novo nível seria de R$ 3,65. Agora só falta combinar com os flamenguistas, cujo time deu uma reviravolta na sua fase ruim e está encostado no líder do brasileirão, o Palmeiras. Nesse momento, não podemos esperar pelos corintianos, precisam se concentrar no time.

- David, e porque não combinar com os palmeirenses, algo pessoal?
Aqui o caso não é de quem está na frente, mas de quem tem a maior torcida e neste quesito o Flamengo está disparado na frente de qualquer time brasileiro, inclusive dos internacionais. Não esqueça que o movimento do dólar ainda é de baixa e para reverter precisa de muita torcida Hahaha ...  

 O SP 500 fechou a 2.146, com queda de 0,86%; o USDBRL a R$ 3,2392, sem variação, o EURUSD a 1,1253, com alta de 0,19%; e o ouro a US$ 1.337, sem variação.
Fique ligado!

23 de setembro de 2016

Agora o BCB tem Xerife


Desde que Ilan Goldfajn assumiu a presidência do banco central do brasil, venho enfatizando sua competência, tecnicamente muitíssimo bem preparado,  além de conhecer as entranhas do cargo, uma vez que, foi diretor de política monetária na gestão de Armínio Fraga.

Os resultados já podem ser sentidos, dos quais eu destaco: uma nova maneira de se comunicar com o mercado através das novas minutas, nível internacional; fixação das metas de inflação sem desculpas, acabou aquela retórica de empurrar a meta de inflação para frente; não tem mais ninguém dando palpites sobre a política de juros, agora é o mercado que aponta suas expectativas através dos mercados futuros. Se vocês notarem ele não abriu mão nenhum minuto do objetivo de atingir o nível de 4,5 % de inflação no final 2017

Tudo isso faz uma enorme diferença pois já está comprovado que as expectativas sobre inflação futura são muito importantes e levadas em consideração na definição da política monetária, assim, ter somente um interlocutor e com credibilidade fornece mais segurança ao mercado que reverte em inflação menor.

Ontem foi publicado o IPCA-15 que já pode dar uma ideia do próximo nível do mês de setembro. Esse é um dado que normalmente não tem muita repercussão, mas como seu resultado foi positivo, teve ampla divulgação pela imprensa. Com essa informação a Rosenberg projeta que este indicador ficará em 0,10% no mês, o que levaria a taxa anual para 8,5% a.a.

O grande responsável pela melhora foi a queda no preço dos alimentos, embora tenha sido essa categoria que fez com que o índice surpreendesse para cima nos meses anteriores.  


Na tabela acima, dois itens justificam uma esperança maior que a inflação está recrudescendo, o índice de difusão encontra-se nos menores níveis históricos, o que indica uma disseminação dos aumentos e uma queda dos preços livres, embora ainda muito pequena.

A Rosenberg trabalha com um fechamento para 2016 do IPCA em 7,5%, e como o gráfico acima indica, podemos estar no caminho de atingir a meta de inflação num futuro próximo, como quer Ilan, talvez no final de 2017.

Não seria tudo isso mais do que necessário para que os juros já estivessem caindo? Eu sempre repito que taxa de juros não depende da vontade das pessoas, a definição de seu nível ideal é muito mais complexa que simplesmente: “baixe os juros aí! ”. É uma conjugação da análise de vários modelos em conjunto com informações de expectativas. Mas felizmente o modelo passado não é o que determina mais essa importante ferramenta de política econômica, agora vale a técnica.

Além dos dados de inflação, o atual presidente do banco central aguarda a aprovação de medidas fiscais pelo Congresso, e isso ainda não aconteceu, embora esteja programado para o começo de outubro. Conhecendo Ilan, duvido muito que haja algum movimento de queda dos juros se as PEC não forem aprovadas. Como no futebol, só vai anunciar vitória depois do jogo terminado, não tem torcida, ou está praticamente aprovada, tem que aparecer no painel!

Por tudo isso, só consigo imaginar que o primeiro corte deva acontecer na reunião de novembro, lógico, se tudo der certo. Mas de quanto poderia ser reduzido os juros? Os cortes deverão ser de 50 em 50 pontos básicos, e talvez no final de 2017 já poderiam estar em 10,75%, uma queda de 350 pontos do nível atual. Mesmo assim, se a inflação estiver em 4,5% a.a., ainda teríamos uma taxa de juro real cavalar de 6% a.a.

Mas tudo isso é o preço que estamos pagando pelos enormes erros cometidos no passado, e vai demorar um bom tempo para que possamos ter juros mais decentes, isso se tudo der certo. Ainda existe uma longa caminhada, mas graças ao Temer na direção correta.

No post etf-é-o-futuro, fiz os seguintes comentários sobre o ouro: ...”mas enquanto o ouro não ultrapassar o nível de US$ 1.375, vou ficar observando, pois nada impede que ele retraia aos níveis apontados acima” .... ...” hoje o mercado está próximo do nível de US$ 1.300, o que aumentará as chances de comprar naqueles níveis acima - US$ 1.250/US$ 1.200” ...


Um zoom do gráfico permiteavaliar que o ouro contido entre duas retas paralelas no curto prazo. Se esse movimento não se chama correção, eu não me chamo Mosca. Isso reforça, ainda mais, minhas hipóteses colocadas acima. O que podera ser questionado são os preços de entrada, caso as cotações recuem abaixo de US$ 1.300.

Ainda frisei que, nada estava definido pois o nível de US$ 1.300 era muito importante: ...” não se pode afirmar nem que o ouro volta a subir dos níveis atuais e ultrapassar US$ 1.375, nem que buscará os níveis que tanto almejo para comprar. Por isso, eu calculo que US$ 1.300 é importante para clarear qual das duas hipóteses poderá acontecer” ...


Talvez o que se conclui de tantos meses sem que haja uma definição mais clara, é que o ouro está duro na queda. Porém, isso não é uma razão para que eu mergulhe na compra, vou disciplinadamente seguir os passos traçados acima. Se ele está duro na queda, o Mosca está duro na compra! Hahaha ...


O SP500 fechou a 2.164, com queda de 0,57%; o USDBRL a R$ 3,2413, com alta de 0,70%; o EURUSD a 1,1232, com alta de 0,21%; e o ouro a US$ 1.337, sem variação.
Fique ligado!

22 de setembro de 2016

A última bolha

Vocês não devem acreditar no título deste post. Nunca se pode afirmar que uma bolha é a última, faz parte do ser humano sempre criar novas, pois é a ganância que as impulsiona e isso nunca acabará. Reconheço que usei esse chamariz para chamar a sua atenção sobre um relatório que apresenta as ameaças do momento. Marketing! Hahaha ...

Tad Rivelle, responsável pela área de investimentos da TCW, que administra US$ 195 bilhões, observa que o excesso de alavancagem das empresas a níveis superiores aos atingidos em 2008, é um sinal para que os investidores estejam preparados para o final do ciclo de crédito.

Os números não podem ser contestados, somente em setembro foram emitidos mais de US$ 1,0 trilhão, pelo quinto mês consecutivo.
Uma medida muito comum para se medir o grau de alavancagem, é o quociente entre as dívidas e os lucros antes dos impostos e amortizações – Debt/EBITDA. O gráfico a seguir mostra essa relação no tempo para as empresas que compõe o SP500.
Rivelle culpa os bancos centrais por incentivar a bolha de ativos, que estaria na fronteira do colapso, uma vez que, a dívida cresce mais rápido que a capacidade das empresas em gerar lucros para pagá-las: ...” recomendamos evitar esses ativos que irão sofrer no próximo período de desalavacagem, poderemos recomprá-los pela metade de seus preços no futuro” ...

O seu principal argumento é que crescimento não é uma função de preços de ativos mais elevados.

O gráfico a seguir auxilia no entendimento do conceito acima, a linha azul acumula os valores dos ativos (ações, bonds e imóveis) detidos pelos indivíduos, comparados com o PIB também acumulado.

Esse gráfico revela algo extraordinário: No curso dos últimos 25 anos, o ciclo tradicional dos negócios foi substituído por ciclos de preços de ativos. Ao invés de deixar a recessão fazer o seu trabalho de “limpeza”, necessária para que um novo ciclo recomece, os bancos centrais se moveram imediatamente para fornecer a morfina monetária a fim de evitar essa dor. O raciocínio que eles imaginavam, era de que: com juros zero promovem uma busca por retornos; com a queda dos juros diminuem as taxas de capitalização para várias classes de ativos; que por sua vez elevam os preços desses ativos. Assim cria-se o aumento do efeito riqueza – possibilidade de maior consumo e investimento oriundos dessa valorização - “salvando” a economia.

Entretanto não parece que foi isso que aconteceu, pois depois de 9 anos quase sem juros, o crescimento econômico é pífio, o setor corporativo está numa recessão de lucros, e a evolução da produtividade é negativa.

O estímulo artificial para criação de crédito implica que na margem, empresas deficitárias estão sendo abastecidas com recursos, quando na verdade deveriam ser fechadas. Esse excesso de crédito cria inúmeras distorções além dessas, pois mesmo empresas que não precisam de caixa emitem títulos para, por exemplo, recomprar suas ações, aumentando seus dividendos por ação sem que aumentem seus lucros.

A tabela a seguir é instrutiva, veja como as condições econômicas são semelhantes entre 2009 e hoje. A diferença está no endividamento das empresas IG – ivestment grade, o juro praticado pelo FED, e o seu balanço.
Esses resultados induzem que estamos vivendo atualmente, a maior bolha dos últimos anos, ocasionadas pelos bancos centrais onde se pode observar distorções em diversos mercados, como a que comentamos no post de ontem, através das medidas implementadas pelo BOJ.

Eu fiz uma apresentação em 2012 no IFC – Instituto de Formação de Líderes, cujo tema foi No mundo das bolhas. Neste estudo identifiquei algumas características que as bolhas têm em comum. Porém, mesmo que estas condições se verifiquem, nunca se sabe de antemão, se é ou não uma bolha. Veja as seguir essas características.



Parece que a situação atual se enquadra em todos os itens! 

André Jacurski, um grande trader brasileiro, fez a seguinte declaração numa apresentação na PUC do Rio de janeiro recentemente: ...”o mundo hoje está mais para você ter posições táticas do que permanentes.  Posição permanente é aquela que você investe com horizonte de longo prazo. Tático é aquilo que você está disposto a mudar de ideia a qualquer momento” ...

Vários ativos que o Mosca cobre estão se aproximando de níveis que poderiam sugerir alguma ação: USDBRL; Bovespa; SP500; e Ouro. Porém não existe confirmação. Pensei até em postar um deles, mas deixaria de forma implícita uma alteração em meus planos. Resolvi não fazer ainda, pois o ambiente é de tanta indefinição, que poderia ser levado daqui alguns dias a rever mais uma vez a posição. Optei por esperar uma confirmação efetiva para postar.

Veja a seguir os pontos de interesse, caso esses níveis sejam ultrapassados:

USDBRL: < R$ 3,15
Bovespa: > 61.000
SP500: > 2.200
Ouro > US$ 1.375

Como estou “proibido” de comentar a maioria dos ativos que cubro, sobrou o  euro! Hahaha .... No post super-Mario, fiz os seguintes comentários sobre a moeda única: ...”se a moeda única romper esse nível, as chances de atacar novamente o intervalo superior entre 1,145/1,16 aumentam bastante, mas não vou propor nenhum trade. Pode tranquilamente reverter e voltar a cair. Ficamos de observadores” ...


Para dizer a verdade, procurei mais de uma vez se eu não tinha publicado nada neste meio tempo, pois o euro estava ameaçando cair desde essa postagem – veja a marcação. Como podem notar o euro vem mantendo suas características desses últimos tempos, até arrumei um apelido  "o sem rumo". Mas os operadores dessa moeda não devem ficar tristes, isso vai acabar algum dia e ela dará muitas alegrias. Mas por enquanto fique fora.

Vou repetir o gráfico e as observações do post acima que permanecem válidas: ... “em ultrapassando 1,1370, o euro deveria testar a região entre 1,155 – 1,16 e daí em diante movimentos mais intensos deverão acontecer. A baixa teria a seu favor o fato de, na formação de triângulo, 2/3 tendem a seguir o movimento imediatamente anterior, que nesse caso é de queda” ...


A Vantagem do euro atualmente para o analista técnico, é que não dá muito trabalho de análise, basta fazer past copy! Hahaha ...


O SP500 fechou a 2.177, com alta de 0,65%; o USDBRL a R$ 3,2235, com alta de 0,56%; o EURUSD a 1,1201, com alta de 0,14%; e o ouro a US$ 1.337, sem variação.
Fique ligado!

21 de setembro de 2016

Desafiando os limites

Hoje o foco será em dois bancos centrais, o BOJ e FED, ambos realizaram suas reuniões de política monetária. É verdade que para o primeiro, o mercado esperava mais estímulos, enquanto para o segundo decidiu por não subir os juros. A reunião do BOJ terminou durante a nossa madrugada e não foi anunciado nenhum estímulo adicional, porém algo inusitado aconteceu Na introdução de um objetivo para a taxa de juros dos títulos de 10 anos, algo considerado até agora impossível de ser controlado.

Dentro da matéria de economia nas universidades, os alunos aprendem que um banco central tem total controle dos juros de curto prazo, pode estabelecer o nível que quiser. Entretanto, se fixar taxas muito baixas ou muito altas, seus efeitos serão sentidos no nível de atividade, bem como na inflação. Já o título longo é ditado pelo mercado, uma vez que, em virtude dessa caracteristica, outros parâmetros são importantes no estabelecimento do nível como: a expectativa de inflação futura; o balanço de pagamentos; a política monetária executada pelo BC; projeção do PIB e outras variáveis. Os investidores levam tudo isso em consideração e estabelecem qual o nível de juros que compensa comprar um título longo versus um de curto prazo, e lógico, eles esperam lucrar com esses títulos.

Tudo isso era verdade até os bancos centrais começarem a comprar esses títulos nos últimos tempos. Como um comprador compulsório, não faz nenhuma conta analisando se é ou não um bom negócio. Mas mesmo assim, definem um volume periódico a ser comprado.

O BOJ resolveu inovar, ao passar mais de 20 anos tentando estabilizar a inflação em níveis razoáveis, decidiu fixar um objetivo para a taxa de juros dos títulos de 10 anos em 0%, ajustando como consequência, o volume de atuação no mercado.

Ao tomar esta atitude o BOJ decidiu manipular também a estrutura de taxas de juros, cujo principal objetivo é garantir que seu sistema bancário tenha de onde tirar algum lucro da sua atividade básica, que é emprestar. Essa política é semelhante a fixar uma taxa cambial “mínima”, como fez o banco central suíço tempos atrás, anunciando o nível de 1,20 contra o euro.

Em outras palavras, numa direção o BC tem todas as ferramentas necessárias para garantir o nível fixado. No caso dos juros, se a taxa tiver uma tendência de queda basta diminuir suas intervenções ao até mesmo vender títulos. porém se a taxa tiver um movimento ascendente seu poder de fogo fica mais contido, uma vez que, seu estoque de títulos não é ilimitado.

Mas ambos cenários são ainda conjecturas, muito distantes da realidade atual. Assim, a taxa permanecerá em 0% e os operadores de títulos de renda fixa já podem procurar outra profissão. As consequências para a economia são de difícil projeção, mas sem dúvida mais um capítulo do livro texto de economia foi rasgado, na busca desesperada por soluções monetárias, oriundas da falta de crescimento.

Já do outro lado do globo, o FED anunciou que não vai mexer nos juros agora, mas que está tudo preparado para um movimento em breve. Uma situação que também não acontecia desde 2014, foi a de três membros votarem a favor de uma alta. O conteúdo da ata, com pequenas alterações de palavras, procurou acomodar ambos os lados.

A reação nessas primeiras horas de negociação transcorre conforme o esperado, dólar em queda e bolsas em alta, vamos acompanhar as próximas horas.

Agora no meu ponto de vista, o mais importante foi apresentado na tabela de projeções. Abaixo se encontra esse documento com minhas marcações que comento a seguir.


Notem na linha sobre o PIB, no documento publicado em junho, a projeção para 2018, era de um crescimento de 2 % a.a., que mesmo sendo baixo, era aceitável desde que, sugerisse melhorias no futuro. Porém, não é o que se pode observar agora, a projeção do FED para 2019 é de uma retração do PIB para 1,8% a.a. Já na linha de juros de curto prazo, algo semelhante também aconteceu, onde as projeções são inferiores ás apresentadas na reunião de junho, além da taxa de longo prazo, indicar um nível baixo de 2,9% a.a.

Essas informações me fizeram concluir que:

“O FED acredita que a política monetária se esgotou como mecanismo de promover o crescimento da economia. Assim assume que o melhor o que tem a fazer é estabelecer níveis baixos para os juros, de tal forma que, não atrapalhe o baixo nível estrutural de crescimento”

Mesmo considerando que eu possa estar enganado, contextualizei o que eu inferi dos números publicados.

No post chhhhhhina, fiz os seguintes comentários sobre os juros de 10 anos: ...” vou atualizar o stoploss para 1,62% a.a., em seguida diminuir metade da posição se o mercado atingir 1,8% a.a., e a outra metade a 1,85% a.a” ... ...” desde o início considero esse trade como uma correção mais extensa. Por enquanto o mercado não deu indicações que o rumo de baixa de juros se reverteu. Se isso acontecer, vamos entrar novamente, mas por enquanto essa é uma posição oportunista. O motivo de “apertar” tanto o stoploss é que, do ponto de vista técnico, esse movimento poderia ser declarado terminado ao ter atingindo ontem 1,75% a.a.” ...


Os juros sofreram o impacto da decisão do FED e estão caindo, situando-se agora em 1,66 % a.a., bastante próximo de nosso stoploss. As minhas observações feitas no post acima parecem encaixar bastante bem com a realidade, e caso a taxa continue a cair, vamos entrar com um trade contrário, desta vez a favor do movimento mais estrutural de baixa de juros.


- Ei David, não vem com essa, se estava tão seguro porque não liquidou a posição antes?
Eu não sei de onde você tirou que eu estava seguro, se isso fosse verdade, eu liquidaria a posição e ainda passaria para o outro lado! Eu simplesmente deixei explícito que sabia estar operando contra a tendência de mais longo prazo, mas que existia a chance de tirar alguns “trocos” a mais desse trade. Por outro lado, eu alterei o stoploss para cima, evitando qualquer perda se desse errado.


Mais um ponto importante da análise técnica, quando operar contra a tendência de longo prazo, não dá para ser macho, pequenas apostas, e dedo no gatilho.

O SP500 fechou a 2.163, com alta de 1,09%; o USDBRL a R$ 3,2056, com queda de 1,67%; o EURUSD a 1,1185, com alta de 0,30%; e o ouro a US$ 1.336, com alta de 1,67%.
Fique ligado!

20 de setembro de 2016

Quebrando a banca


Todo sistema de previdência parte de uma curva de mortalidade ou expectativa de vida, em conjunto com uma taxa de retorno real sobre os ativos. Existem basicamente dois sistemas para acumulação da poupança a ser usada na aposentadoria, benéfico definido ou contribuição definida. Embora com nomenclaturas semelhantes, um sistema ou outro faz uma bruta diferença, o primeiro parte de um valor poupado pelo beneficiário até sua aposentadoria garantindo a partir daí um valor fixo corrigido pela a inflação, enquanto o segundo acumula um valor mensalmente e ao se aposentar o indivíduo calcula qual valor quer retirar mensalmente, até esses recuros terminarem.

No primeiro caso, enquanto o sujeito não morrer o benefício é pago, enquanto no segundo, se o valor acumulado terminar antes de morrer, cessa seu pagamento. O primeiro era o mais comum no passado, porém dado seus elevados custos para as empresas que tinham que bancar eventuais diferenças, o mesmo foi migrando para o segundo caso. A aposentadoria paga pelo governo a seus contribuintes enquadra-se no primeiro caso, uma das razões dos déficits crescentes.

Outro fator que pode complicar bastante o fluxo de caixa de quem administra esses recursos, ocorre quando o número de novos contribuintes é pequeno em relação ao número de novos aposentados. Eu já comentei esse assunto em outros posts, e só para relembrar, antigamente a proporção era de 10 x 1 – dez novos para um se aposentando, e hoje em dia em vários países como o Japão e Alemanha essa proporção encontra-se na casa de 2 x 1.

Todos esses cálculos são feitos num determinado instante com projeções sobre essas variáveis para o futuro. Agora, quando se chega no futuro, e as premissas não se concretizam, aí surge um grande problema, e é o que está acontecendo na atualidade. Em relação a taxa de retorno sobre os ativos, não preciso mencionar novamente que o mundo vive um momento de juros baixíssimos, muito diferente de quando foram feitos os cálculos para as pessoas que se aposentam agora. Na época em que comecei a trabalhar, imagino que a taxa usada devia ser de 6% a.a.

Em relação a taxa de mortalidade, onde a cada dia que passa, a expectativa de vida aumenta, os cálculos realizados não contavam que as pessoas viveriam tanto. Veja a seguir um gráfico do número de americanos com mais de 100 anos no tempo.


Entre o nível de hoje comparado com o esperado em 2055, essa quantidade será multiplicada por 6! Por um lado, fico feliz, pois o Mosca poderá estar no ar até essa data! Hahaha .... Mas pelo lado das poupanças existentes, estas estão em risco.

- Oh David, fiquei preocupado, vamos ser pedintes no futuro?
Se você não fizer a conta em quantos anos sua poupança se extingue comparada a seus gastos, pode ficar preocupado. Para quem quer fazer uma conta simples, basta usar a fórmula:

P = GA/i

Onde:
P = Valor atual de sua poupança
GA = Gastos anuais
i = Taxa de juros reais ao ano

Por exemplo, se um indivíduo tem uma poupança de R$ 1.000.000 e considerando uma taxa de juros reais de 6% a.a., que pode ser obtida nas NTNB’s do governo, essa pessoa poderá gastar até R$ 60.000/ano. Esse valor será corrigido com o índice do IPCA. Notem que a cada redução de 1% a.a. na taxa de juros, o valor a ser gasto reduz em R$ 10.000. É bem sensível a essa variável.

Agora imaginem na Europa onde os juros estão negativos, no limite, ao invés de gastar o sujeito teria que poupar!

Tudo isso faz com que a banca quebre, em matemática não tem como dar um jeitinho. Lógico que um governo não quebra de forma literal, e o que acontece em situações como essa, é que a inflação se encarrega de diminuir as despesas dos aposentados na marra. É bom todos estarem preparados.

Completando as informações sobre o post de ontem quem-será-o-Trump-brasileiro-em-2018, o Citibank publicou quais são as suas sugestões de investimento caso Trump seja o vencedor das eleições.

1)    Comprar dólar – principalmente contra as moedas emergentes. Isso já está acontecendo, especialmente com o peso mexicano que vem despencando nos últimos dias. Veja a seguir o gráfico dessa moeda em relação ao dólar e contra o real.


2)    Aposta na alta dos juros longos americanos – A taxa de 10 anos que se encontra atualmente em 1,7% a.a. subiria para 2% a.a.

3)    Declínio no SP500 – Nesse caso o estrago segundo eles não seria tão grande, uma queda de 3%.

4)    Compra de ouro – Em função da incerteza calculam que o metal possa atingir a cotação de US$ 1.400.

Vamos anotar para conferir no futuro, lógico, caso ele vença.

No post gol-de-honra, comentei sobre o Bovespa e naquela ocasião já visionava que poderíamos ser stopados na nossa posição, o que acabou acontecendo: ...” caso nosso stop seja executado, provavelmente minha primeira hipótese de retração passa a valer. A dúvida ficaria na extensão dessa correção. No momento vamos ficar observando, é provável que deverá se estender até 53.000 ou 50.000” ...


Ao observar mais em detalhes o gráfico desse ativo, verifiquei que, uma nova oportunidade de compra poderá surgir em breve. Para apresentar meus parâmetros, observe a seguir o gráfico com uma visão de curtíssimo prazo – gráfico de 4 horas.


Uma formação de triângulo se forma com essa janela, e o mais provável é uma nova queda até o nível de 55.000/ 54.000, lógico se a estatística prevalecer, o que acontece em 2/3 dos casos. Dessa forma, vou sugerir uma compra a 54.500 com um stoploss a 53.000.

- David, e se der errado de novo?

Não tem importância, ou melhor, não vou gostar, mas faz parte dessa atividade. Caso isso, aconteça, é provável que a correção será mais extensa e consumirá mais tempo. Não quero confundir os leitores nesse momento, mas imagino que a nova oportunidade de compra surgirá entre 50.000/48.000. Vamos focar no trade acima e ver se será executado, o resto são hipóteses mais remotas.

O SP500 fechou a 2.130, sem variação; o USDBRL a R$ 3,26, com queda de 0,38%; o EURUSD a 1,1151, com queda de 0,21%; e o ouro a US$ 1.314, sem variação.
Fique ligado!