Inflação: A Revanche

29 de julho de 2016

O Japão precisa de adrenalina para sempre!


Hoje terei que ser mais sucinto em meus comentários por conta de uma série de compromissos, mas mesmo assim o assunto não deixa de ser interessante. Esta noite o BOJ realizou sua reunião periódica sobre política monetária e frustrou o mercado que aguardava mais injeções de liquidez. Anunciou somente pequenas mudanças que eram esperadas na elevação de fundos ETF – fundos de investimentos passivos. Kuroda, o Presidente do BOJ acredita que mais injeções não teriam os efeitos desejados, e está apostando em aumentos nos estímulos fiscais. Vejam a seguir o impacto na moeda japonesa o Yen que sofreu forte valorização – queda do dólar.

O mercado se antecipando a essa eventual frustração comprou muitos derivativos de proteção, o que ocasionou uma explosão na volatilidade de sua moeda.
Já a bolsa ficou mais indecisa e teve uma queda menos expressiva que a moeda, dado que a volatilidade esperada em ativos de bolsa é superior ao de câmbio.


No lado real da economia existem algumas evidências que não mostram tamanho pessimismo, com exceção da inflação. Vejamos por exemplo a produção industrial.

Em seguida a taxa de desemprego que se mantém baixa, e caindo, desde 2010. Talvez aqui se deva considerar o grave problema demográfico que o Japão passa, com um elevado envelhecimento de sua população ativa.


Já a inflação medida pelo CPI (ajustada para a elevação da taxação sobre o consumo implementada recentemente), mostra que continua caindo. Depois dos estímulos sem precedentes. Olhando para esses resultados, fariam todos os gestores dos BC’s ficarem preocupados.
Outro dia li um artigo que procurava mostrar que, a alta da bolsa americana está sendo levada pela política monetária frouxa que o FED vem adotando, ao resistir ajustar suas taxas de juros, uma vez que, tanto os resultados das empresas como o crescimento da economia não apresentam razões para essas altas. Eles denominaram a ação do FED como a cocaína necessária para manter as bolsas em alta. No caso do Japão, talvez já esteja num estágio mais avançado, a cocaína não faz mais efeito e é necessária adrenalina na veia!

Foi divulgado o PIB americano, que papelão! Nem o FED de Atlanta acertou, a primeira estimativa ficou em 1,2%. Não teve jeito, o dólar caiu e os juros também. Só para colocar um pouco de pimenta em outro assunto americano, vejam o que as últimas pesquisas de intenção de voto apontam.

 
No post BCB-sob-nova-direção, fiz os seguintes comentários sobre o SP500: ...” O stoploss pode ser mantido no nível estabelecido acima de 2.050 e os targets estão anotados no gráfico acima, vamos nos atentar ao primeiro ao redor de 2.220. A bolsa americana encontrava-se “encaixotada”, a aproximadamente dois anos, entre 1.850 – 2.130”... Desde então não houve uma evolução tão positiva encontrando-se hoje a 2.170.


 
Por outro lado, é melhor um ajuste positivo que um negativo! Hahaha .... Vou fazer uma pequena adequação no stoploss para 2.100, como aponto na figura abaixo. Não se pode descartar uma retração até os níveis contidos no retângulo em preto, o que às vezes acaba acontecendo quando se têm um rompimento depois de tanto tempo.


Por outro lado, não quero virar torcedor e sei que existem riscos muito elevados hoje em dia, razão do ajuste do stoploss. Pode ser também que o mercado não dê nem bola para a possibilidade de revisitar e siga em frente, seria melhor para nós. Let’s see!



O SP500 fechou a 2.173, com alta de 0,16%; o USDBRL a R$ 3,2471, com queda de 1,45%; o EURUSD a 1,1170, com alta de 0,84%; e o ouro a US$ 1.350, com alta de 1,13%.
Fique ligado!

28 de julho de 2016

"dólar - dólar": What's next?

Fui por curiosidade verificar a previsão mais atualizada do PIB americano pelo FED de Atlanta e notei que agora está abixo de 1,8% para o 2º trimestre, que srá publicado amanhã. Será que os dados não gostaram da ata do FED? Hahaha... Amanhã checamos com o real.

O grande tema do Mosca em 2015 foi calcado na evolução do dólar nos mercados mundiais, mostrou-se acertado, dado o grande interesse que a moeda americana despertou quando o DXY – dólar index, atingiu o nível de 100.5 em março, e novamente em dezembro desse ano. Para 2016 no post US$- the return?, reiterei minha visão, mas com alguns percalços que poderiam acontecer, recomendo a sua leitura.

Nos três cenários que elenquei parece que o “By the books” está se materializando, depois de alguns meses de indefinição: ...” Neste cenário a economia americana entraria nos trilhos, sem muita euforia, mas caminhando positivamente. A Europa melhoraria também e a China passaria de uma super star, para um crescimento da ordem de 5% - 6%, ainda dando inveja à maioria dos outros países”... ...” O FED elevaria a taxa de juros para patamares mais decentes, mas nem de perto comparável aos níveis do passado, acima de 4% a.a, algo em torno de 2% - 3% a.a”... ...” O primeiro nível a 103, representa uma alta de 5,5% - EURUSD a 1,04. Já o segundo nível de 107, implicaria uma alta de 10% - EURUSD a 1,00. E por último, já quase disputando o próximo cenário, em 117 com expressiva alta de 20% - EURUSD a 0,92”...
 
A título comparativo, veja a seguir como o DXY se comportou nestes primeiros meses de 2016. Parece que o que eu havia projetado coincide exatamente até agora, com o movimento desse índice.


Em vários momentos este ano, nos meus posts expressei meu viés de alta no dólar. E mais recentemente um movimento de alta vem se materializando, mas ainda não se pode afirmar que essa correção terminou, ela pode ser mais complexa que aparenta até agora, e como vocês já sabem, tudo se pode esperar nas correções! 

No gráfico acima estão expostas minhas hipóteses para as próximas semanas ou meses. Como se pode verificar o DXY encontra-se no meio do caminho, ente o intervalo inferior 93 – 92, e o nível superior de 100,5. A linha em rosa espelha minha previsão mais factível, um sobe e desce no curto prazo, para finalmente romper a linha superior e buscar os níveis que apontei no post acima mencionado - 103 e depois 107. Notem também que coloquei um divisor com a palavra “atenção”, pode ser que a correção busque níveis ainda mais baixos e até 90 eu aceito sem problemas, abaixo disso é melhor revisar as hipóteses.

Fui convidado para fazer parte do comitê de investimentos da Wealth Management da RP Partners. Ontem foi a primeira reunião que participei e fiquei bem impressionado com a dinâmica que se realizou. Composta por vários economistas da velha e da nova guarda, um convidado com larga experiência em crédito bancário, eu e a equipe de relacionamento com os clientes, deu uma boa mistura, que é o nome que sugeri para esse grupo do Whatsapp – Mistura Fina, para quem já fumou, lembra do famoso cigarro come esse nome.

Fiquei com a responsabilidade de atualizar os estudos técnicos dado a ojeriza pelos participantes sobre o assunto, com exceção de um dos economistas que será meu parceiro nessa área. Não tem problema, o tempo está a nosso favor! Esse comentário deve-se a um aparte quando me perguntaram o que eu achava do Bovespa. Disse que tinha publicado a alguns dias que 57.000 era um nível muito importante, é tipo ou vai ou racha! Foi então que um dos participantes resolveu racionalizar como isso poderia se concretizar: Se o Temer fraquejasse, se o Congresso não aprovasse a PEC, e etc... Então ele me perguntou no que eu acreditava, minha resposta foi lacônica: “Não me interessa olho só os preços, está tudo embutido lá”. Acho que não gostou muito, mas já estou acostumado! Hahaha ...

O SP500 fechou a 2.170, com alta de 0,16%; o USDBRL a R$ 3,2950, com alta de 1,01%; o EURUSD a 1,1077, com alta de 0,19%; e o ouro a US$ 1.335, com queda de 0,26%.
Fique ligado!

27 de julho de 2016

Contas cambiais no limite


Ontem foram publicadas as contas cambias brasileiras e, como vem acontecendo nos últimos 12 meses, o cenário “mudou 360º”, que é como eu brinco quando algo melhorou muito. Como de costume vou analisar alguns pontos deste relatório: O déficit no mês foi de US$ 2,5 bilhões, já em bases anuais permaneceu estável em US$ 29,4 bilhões – equivalente a 1,67% do PIB.


A entrada de investimentos diretos em bases anuais sofreu uma leve redução em relação ao mês anterior, passando de US$ 79,4 bilhões para US$ 78 bilhões, mas que ainda é um nível elevado, dadas as condições externas e o cenário político interno ainda com indefinições.

A pequena redução interanual do déficit é consequência do desempenho das três principais contas: a Balança comercial apresentou um superávit de US$ 3,8 bilhões, ante um resultado no mesmo mês do ano anterior de US$ 3,8 bilhões, mesmo assim, o acumulado nos últimos 12 meses é da ordem de US$ 40,0 bilhões. A Rosenberg trabalha com um superávit de R$ 55 bilhões para 2016; a Conta de serviços registrou leve alta atingindo US$ 3,6 bilhões no mês e US$ 31,1 bilhões interanual, com variações pequenas em seus subitens; Conta de rendas somaram US$ 2,9 bilhões no mês e US$ 40,1 bilhões em 12 meses, com destaque para forte diminuição no envio de dividendos ao exterior.


O financiamento deste déficit ocorre na conta financeira. As captações líquidas foram superiores em US$ 2,2 bilhões, o principal elemento vem sendo os investimentos diretos que nesse mês foi de US$ 3,9 bilhões. No item investimentos em carteira houve uma reversão nas saídas observadas nos últimos meses com uma entrada de US$ 3,0 bilhões, majoritariamente pelo ingresso na bolsa brasileira.

A taxa de rolagem do setor privado atingiu 120% do que vencia em junho, com a emissão de vários títulos no exterior por empresa brasileiras, onde se destaca a Petrobrás que vem buscando alongar sua dívida. Já o hiato financeiro, diferença entre o déficit em transações correntes (excluindo os recursos reinvestidos no país) e entrada líquida da conta financeira, apresentou entrada líquida de US$ 4,9 bilhões. E por último, as reservas cambias totalizaram US$ 376 bilhões, com pequena elevação neste item. É importante destacar que, o nível de nossas reservas permaneceu intacto, ao redor de US$ 370 bilhões mesmo nos piores momentos que passamos, o que se deve dar o mérito ao antigo Presidente do BC, pelo menos neste quesito.

- David, se as contas estão tão bem, o por que de seu alerta?
Acompanhe meu raciocínio, o item que merece maior destaque na mudança de patamar de nosso déficit é a balança comercial, ao atingir um déficit de aproximadamente US$ 10 bilhões ao final de 2014, hoje encontra-se em US$ 40 bilhões positivos, uma variação nada desprezível de US$ 50 bilhões. Se no auge nosso déficit nas transações correntes atingiu US$ 105 bilhões e agora encontra-se em US$ 30 bilhões, um decréscimo de US$ 75 bilhões a balança comercial foi responsável por 2/3 dessa queda.

As principais razões da melhora da Balança comercial, deve-se a expressiva desvalorização de nossa moeda agregada a queda vertiginosa de nossas importações por conta da recessão. Olhando para frente, e como uma visão não necessariamente tão otimista, é razoável supor que as importações subam. No quesito câmbio, somente um cenário negativo externo poderia empurrar o dólar para cima, o que teria outros impactos negativos em outras contas, como o investimento direto. Assim é difícil visionar uma Balança Comercial muito superior aos resultados atuais.

No investimento direto poderíamos ter algum alento, haja visto que o governo pretende acelerar investimentos em infraestrutura, mas não se pode negar que o nível dessa rubrica já é bastante alto. Na Conta de serviços não se pode entrever grandes reduções, pois os compromissos já são dados. Na Conta de rendas o mesmo se pode dizer, e ao contrário, o aumento de lucros poderá elevar a remessa de dividendos.

Resta ainda o investimento em portfólio que pode ter uma elevação com a saída de Dilma sacramentada, mas sempre é um recurso mais especulativo que depende do que acontecer externamente, mas sem dúvida deverá ajudar positivamente.

Assim eu imagino que estamos chegando no limite de queda do déficit cambial, tenho que reconhecer que o nível ao redor de 1,7% do PIB, é relativamente baixo e tranquilizador. O que quero chamar a atenção é que atingiu seu limite, não tem mais leite desta vaquinha!

O FED terminou sua reunião com a publicação do comunicado. Poucas mudanças em algumas palavras, afinal eles gostariam de estar na praia! Hahaha ... O Tom me pareceu mais positivo e o mercado reagiu assim na primeira hora, mas depois reverteu. Acho que os poucos trades que sobraram nas mesas de operação liquidaram logo suas posições e foram para a praia. Amanhã comento sobre o DXY, hoje vamos ver o real.

No post pokemon-go, fiz os seguintes comentários sobre o dólar: ...” No momento a tendência permanece de queda e teoricamente poderíamos entrar vendendo novamente o dólar, porém seria uma posição de curto prazo, especulativa. No gráfico acima apontei o nível de R$ 3,18 onde o movimento deve se acelerar. No caso inverso, somente uma alta acima de R$ 3,45, comprometeria a queda”.... Desde então o dólar está contido, sem a mínima volatilidade. Bons tempos aqueles do final de 2015, onde oscilações de 3% num dia significava estabilidade! Como podem notar no gráfico abaixo, nestas quase duas semanas, o real oscilou entre R$ 3,24 – R$ 3,30 míseros 1,8%.

 
Eu sei que os leitores não gostam do que e vou escrever, gostariam de uma posição firme do Mosca, mas parafraseando um desses leitores eu “lamento”, no curto prazo o que marquei em cinza é o que pode acontecer. Acredito que será logo. Assim permaneço com as mesmas recomendações acima.

A posição de swap vem diminuindo diariamente pelo BC, de uma forma lenta. Hoje se encontra ao redor de US$ 50 bilhões, menos da metade de seu pico. Entretanto existe uma enorme diferença, entre antes e hoje. Enquanto no final do ano só existia o BC “vendido” no dólar, através dos swaps, e o mercado todo comprado, hoje os investidores saíram de sua posição comprada para vendida, o que de certa forma substitui o BC.

- David, e daí!

Ualll ... foi direto ao ponto! A diferença primeiro é que se o dólar continuar caindo e o BC sair totalmente da sua posição de swap, o mercado ficará sujeito as suas próprias forças, sem a intervenção da autoridade monetária. A grande questão ocorrerá caso o dólar continue caindo e o BC zera sua posição, o que o Ilan vai fazer? Entrar comprando dólares ou deixar que ele caia mais e afete positivamente a inflação? Eu fico com a primeira opção, mas por enquanto isso é “whishful tinking”.

O SP500 fechou a 2.166, com queda de 0,12%; o USDBRL a R$ 3,2695, com queda de 0,20%; o EURUSD a 1,1053, com alta de 0,58%; e o ouro a US$ 1.340, com alta de 1,58%.
Fique ligado!


26 de julho de 2016

Trump x Hillary


Nestes meses de férias do hemisfério norte, onde a maioria dos participantes de mercado deve estar de férias, somente os atos terroristas vêm chamando a atenção do público. Não passa nem um dia sem que um ataque aconteça em alguma parte do mundo. Ao receber a notícia de um padre que foi morto hoje na França, de imediato se associa como um ato terrorista, tamanho é o temor por esses grupos. Talvez haja um certo exagero em fatos cotidianos que já aconteciam anteriormente, mas não ganhavam o destaque de hoje em dia.

Outro assunto que está chamando a atenção é a eleição para Presidente dos USA, que deve acontecer dentro de alguns meses. Com os candidatos definidos pelos dois partidos majoritários, o clima tende a esquentar e muito. Os institutos de pesquisa apontam resultados quase que equiprováveis entre ambos, alguns dando vitória apertada para Hillary e outros para Trump.

Tive a oportunidade de discutir esse assunto com alguns americanos e todos eles não acreditam que Trump possa vencer. Eu pessoalmente já fiz algumas apostas contrárias, não porque eu tenha alguma simpatia por Trump, para falar a verdade nenhuma. Seu caráter é muito questionável, quando levou várias de suas empresas a bancarrota. O motivo de minhas apostas é o mesmo princípio do Mosca em seus trades, o bolso! Hahaha .... Além do mais, nos debates eu imagino que o Trump vai massacrar sua oponente. Veremos!

Já a renomada empresa de pesquisa econômica Gavekal, faz uma análise interessante dos possíveis impactos na bolsa americana e por consequência os ativos de risco. Eles argumentam que os BC’s ao redor do mundo têm o objetivo nos dias atuais de evitar uma grande queda das bolsas, dessa forma, tomam medidas a fim de evitar que isso aconteça, o que ficou conhecido na era Greesnpan como “The FED put”. Caso algo de ruim acontecesse, o FED tomaria medidas para que a bolsa estancasse a queda. É como se o FED  “desse” uma opção de venda de graça, incentivando os investidores a assumir risco.

Em seus modelos calculam que, dos valores intrínsecos na bolsa americana, 15% - 25% do índice representa essa garantia implícita dado pelo FED e assemelhados. Numa vitória de Hillary o modelo seria mantido, uma vez que, ela é a candidata para os que mais se beneficiaram desse modelo. Já no caso da vitória de Trump, como ele mesmo vem enfatizando em sua campanha, o fato de ser suficientemente abastado não o faz refém dos interesses dos “ricos”.

Segundo a Gavekal, os investidores e mesmo os BC’s estrangeiros deveriam ficar preocupados com suas posições em ações, pois Trump deve trabalhar para o desaparecimento dessa “put”. Ele vem expressando suporte para que o FED seja auditado, e assim poderá impor novas regras regulando a ligação entre o banco central e os mercados.

A partir do momento que as chances de Trump aumentam, os investidores poderiam ficar receosos em relação as suas posições induzindo a venda. Um círculo vicioso pode-se formar antes mesmo de sua posse, comprometendo o movimento de alta. Essa dinâmica pode levar a consequências sérias nos ativos de risco. Essa empresa sugere que se busque proteção para os portfólios de seus clientes com a compra de opções de venda, só que agora o prêmio tem que ser pago!

Se Trump for eleito Presidente dos USA, além de suas posições racistas e nacionalistas que vêm preocupando boa parte das pessoas, o mercado financeiro poderá ter sérios impactos com repercussões em outros países, afinal a orgia dos juros negativos empurrou novos investidores a bolsa em busca de algum retorno.

Sobre esse assunto de juros, o Deutsche Bank publicou uma série de dados sobre a composição da dívida pública americana. No gráfico a seguir, mostra a queda na compra de títulos do governo por parte dos bancos centrais estrangeiros.


Com uma visão de mais longo prazo, o gráfico a seguir que acumula os valores em base de 12 meses, percebe-se claramente a preferência dos estrangeiros por títulos com rendimentos mais elevados como: IG - Investment Grade; HY – High Yield; MBS – Mortgage Backed Securities, em detrimento dos títulos do governo. Isso indica que não existe fuga pela qualidade e sim por juros!


No post road-map, comentei que os juros americanos de 10 anos rumam para níveis mais baixos: ...” Se vários países desenvolvidos têm juros negativos por que não os USA? É o que diz o gráfico dos juros de 10 anos, a taxa deveria caminhar para algo em torno de 0,5% a.a”...

Depois de atingir a mínima de 1,32% a.a., logo após o anúncio do resultado do Brexit, vem se recuperando, encontra-se hoje em 1,56% a.a. Não é incomum que após o rompimento de um suporte o mercado retrone para testar novamente aquele preço, voltando a cair em seguida, esse efeito se denomina como “last kiss”.


Em algum momento os juros terão que subir, estão muito baixos sobre qualquer ótica, o problema é que não se sabe a partir de qual mínima. A grande questão é que a um tempo atrás, 100% das pessoas acreditavam que abaixo de zero era impossível, mas hoje em dia nem isso é mais verdadeiro.

O Mosca não tem a menor intenção de desafiar o mercado, pelo contrário, respeitamos mesmo quando vai contra nossa lógica ou crença. No caso específico dos juros, enquanto o nível de 1,75%  a.a.. não for ultrapassado, o mercado é para baixo e o patamar de 0,5% a.a. ainda é o mais provável.

- David, então por que você não aposta?


Opa, voltou de férias? Hahaha ... A resposta é que não tenho nenhuma indicação de curto prazo para entrar nesse trade, além do mais, esse mercado fica mais perigoso quanto mais se aproxima de níveis mais baixos. Agora que você voltou, recomendo acompanhar o blog para uma eventual sugestão.

O SP500 fechou a 2.169, sem variação; o USDBRL a R$ 3,2762, com baixa de 0,30%; o EURUSD a 1,0986, sem variação; e o ouro a US$ 1.319, com alta de 0,30%.
Fique ligado!

25 de julho de 2016

Terrorismo no varejo


O mundo tem vivido uma onda constante de ataques terroristas espalhados em diversos países. Uma característica que diferencia as ofensivas atuais em relação as antigas, como o ataque às torres gêmeas em 2001, é que agora são mais difíceis de serem evitados. Um ser humano que decide se envolver em tal ato, sem dúvida carrega algum tipo de distúrbio. Mas não é só a esse fato que pode se responsabilizar essas ações, um ambiente global de desânimo quanto ao futuro, com rendimentos estagnados por décadas e crescimentos pífios, empurra os desajustados para seu momento de glória, em seu ponto de vista.

Para os movimentos terroristas como EI – Estado Islâmico, esse ambiente é muito propício para arregimentar simpatizantes. Oferecem casa, comida e recursos para a família, e vendem a ideia que depois da morte existe o alem, e é muito melhor.

Por outro lado, as pessoas normais estão ficando cada vez mais receosas de circularem em lugares públicos, e em conjunto com um ambiente econômico frágil poderá levar a consequências imprevisíveis. Acredito que será muito difícil eliminar esses movimentos terroristas, que também já começam a ameaçar por aqui em função das Olimpíadas.

Vamos ter que conviver com esse risco!

Esta semana o Federal Reserve realiza sua reunião de Política Monetária, cujos resultados serão publicados na próxima quarta-feira. Será revelado o quanto a perspectiva da economia mudou após a votação do Brexit, bem como as recentes alta e baixa dos dados econômicos dos USA.

O banco Goldman Sachs acredita que a visão ficará inalterada, e mantém a perspectiva de alta de juros para esse ano, com atualizações modestas após a reunião. Com uma previsão de crescimento do PIB estimada em 2% no primeiro semestre e repercussões do Brexit, neste momento, menores. Um indicador calculado por esse banco FCI – Financial Conditions Index diminuiu levemente desde a véspera da votação.

 
O anúncio de notícias positivas nas últimas semanas tem coincidido com comentários mais amenos dos membros do FED. Os formuladores de políticas têm indicado que não estão “behind the curve”, e expressaram maior incerteza sobre o nível neutro de taxa de juros. Com esse pano de fundo, O Goldman Sachs espera que os dados recentes em conjunto com os comentários públicos do FED, são consistentes com pequenas mudanças no comunicado. Assim, acreditam ser de 25% a chance do comitê elevar os juros na reunião de setembro e 40% de o fazer em dezembro – uma probabilidade acumulada de 2/3 de haver pelo menos uma alta ainda neste ano.

O gráfico a seguir mostra as falhas na previsões da recuperação americana desde a grande recessão. Cada linha amarela representa a expectativa do mercado para as taxas de juros no tempo.

 
E por último a previsão de crescimento do PIB, elaborada pelo FED de Atlanta, aponta para um resulatdo positivo um pouco abaixo de 2,5% mas dentro das expectativas dos analistas.
Percebi que tenho dedicado poucos posts a análise do euro, não que eu tenha nada em contra, mas poucas oportunidades apareceram nesse período. No post dieta-financeira, comentei que: ...” Muito pouco se tem para propor neste ativo, com um movimento errático de um lado para o outro, o mais provável são perdas independentemente da posição tomada. Mas isso tem um final e quando o mercado se posicionar para um dos lados, bons ganhos poderão ser obtidos”...

Desde essa última atualização, o euro caiu de 1,115 para próximo a 1,10, uma oscilação pontual de 1,4%, mas nesse meio tempo houveram tentativas de altas que atingiram até 1,14, ocorrendo o que observei anteriormente.


Outro fator interessante é a quantidade de vezes que a moeda única tentou romper o nível de 1,15 – 8 vezes, e na queda apenas 3 vezes., uma infinidade de bolas na trave e, como no futebol, quem não faz toma! Grifei o nível de 1,09 – 1,085 que se rompido eleva a chance do euro testar novamente o nível inferior de 1,05. Em algum momento deverá acontecer seu rompimento, e em seguida,  buscar o objetivo de 1,00 – 0,98.

O SP500 fechou a 2.168, com baixa de 0,30%; o USDBRL a R$ 3,2859, com alta de 0,91%; o EURUSD a 1,0989, com alta de 0,15%; e o ouro a US$ 1.315, com queda de 0,53%.
Fique ligado!

22 de julho de 2016

Europa divergindo


O primeiro instituto a compilar os dados da Europa depois do referendo que chocou o mercado financeiro, e do ataque terrorista na França, foram publicados pelo Markit. Surpreendentemente mostrou resiliência apontando um PMI global de 52,9, superior as previsões de 52,5. O PMI é um número entre 0 e 100, e qualquer resultado acima de 50 indica crescimento.

As duas principais economias da Europa, Alemanha e França, obtiveram resultados positivos, sendo que a Alemanha, como de costume, apresentou melhora tanto em relação as expectativas, bem como ao dado publicado em junho 54.6. A França por sua vez ficou na linha do pênalti em 50.

Já o mesmo não pode ser dito da Inglaterra, cujo PMI veio significativamente inferior ao resultado de junho e o pior desde a crise de 2008, ficando em 47,7. O colapso nesse indicador apresenta a primeira evidência de que o Reino Unido está entrando em profunda mudança.
Nessas últimas semanas diversos analistas revelaram suas projeções de quanto tempo demoraria para que a separação se concretize, bem como os impactos que terão sobre a economia inglesa. A minha percepção sobre esse assunto, considerando não ser um entendido a respeito, é que vai demorar muito tempo e pode ser que nem aconteça o afastamento da maneira que está sendo imaginada. Porém o pior de tudo, é que nesse meio tempo, os projetos de investimento para aquele país deverão ficar estagnados.

Um resultado interessante sobre em que local os refugiados foram abrigados, apontam que os países ricos acolheram somente 8,8% desse total. Juntos a Alemanha, França, USA, China, Reino Unido e Japão detêm 56,6% do PIB mundial. Em contra partida, 50% dos refugiados foram para países que representam apenas 2% do PIB conforme pode se ver, no gráfico abaixo.

 
A conclusão evidente é que os refugiados não sem bem-vindos nos países ricos!

Uma outra informação importante para os países emergentes, foi a mudança de humor por parte dos investidores nestas últimas semanas, o fluxo de recursos atingiu cifras semelhantes aos melhores momentos de 2013. Veremos se é um soluço ou uma recuperação mais consistente.

No post encruzilhada, fiz os seguintes comentários sobre o ouro: ...” Eu imagino que o ouro poderá entrar num movimento de correção intermediário, onde os preços tenderiam ao intervalo de US$ 1.170 – US$ 1.280. Mais antes disso tenho uma dúvida, a correção já está em curso, ou ainda teremos uma nova alta antes disso?”...
 
Acabou acontecendo a segunda hipótese, onde o metal teve pequena alta – US$ 1.340, em seguida retornou aos mesmos níveis que estavam quando da publicação do post acima.

 
Os argumentos acima continuam válidos, ou seja, não pretendo comprar nesses níveis. Os pontos a serem observados para uma eventual posição comprada seriam US$ 1.300/ 1.250, até lá não vejo nada de interessante a se fazer.


 O SP500 fechou a 2.175, com alta de 0,46% - recorde histórico!; o USDBRL a R$ 3,2563, com queda de 0,45%; o EURUSD a 1,0972, com queda de 0,46%; e o ouro a US$ 1.322, com queda de 0,65%.
Fique ligado!

21 de julho de 2016

Padrão Internacional

Ontem eu comentei sobre a nova equipe do Banco Central sob o comando de Ilan Goldfajn. O comunicado disponibilizado no final da tarde, não deixa dúvidas do que venho frisando, agora o padrão do nosso BC, em termos de política monetária é de primeiro mundo.

De uma maneira geral o conteúdo nesse novo modelo foi de agrado geral do mercado. Contendo informações mais detalhadas sobre os motivos que sustentam sua decisão, se contrapõe ao modelo antigo, onde de uma forma lacônica, apenas informava qual seria o novo nível de juros e quantos dos membros foram favoráveis a essa decisão.

Quanto ao resultado observado no post de ontem BC-sob-nova-direção, também se confirmou: ...” neste momento quanto mais conservadoras forem suas decisões, maior a probabilidade de que tenha sucesso no futuro”... ...” acredito ser praticamente nula a chance de um movimento de queda da taxa na reunião de hoje, assim o importante será avaliar o comunicado e, mais precisamente, a ata a ser publicada na próxima semana”...

Enfatizando a resiliência dos produtos agrícolas; incertezas na aprovação de medidas pelo Congresso; e um período longo com inflação elevada, que podem reforçar mecanismos inerciais, praticamente colocou uma pá na expectativa de queda de juros no curto prazo. Alguns analistas apostam que isso possa acontecer na reunião de outubro, enquanto a Rosenberg & Associados espera esse movimento para janeiro do próximo ano.

Hoje foi publicado o IPCA-15 para o mês de julho, que ficou acima das expectativas do mercado em 0,54% no mês e 8,9% a.a. Embora seja um dado intermediário, uma vez que o mensal é publicado no início de agosto, as preocupações levantadas pelo COPOM são válidas.

Gostei! Esse primeiro gesto dessa equipe confirma a imagem que tenho do Ilan, de um profissional competente e extremamente bem preparado. Embora o Mosca tem uma imagem de “jurista” perante alguns leitores, a realidade é que os juros não podem cair por simples desejo, tem que estar baseados em fatos que assim o justifique, gerando em seguida credibilidade entre os agentes econômicos, que assim, pavimentam com solidez expectativas futuras de controle sobre a inflação.

Enquanto se discute o que irá acontecer com a Inglaterra depois do Brexit, os impactos do terrorismo pelo mundo e a grave situação política na Turquia, o mundo se esqueceu da China, cuja economia ainda não deu sinais de estabilização, um risco considerável para o equilíbrio frágil em que vivemos. Os gráficos a seguir mostram que esses receios são bastante pertinentes.


Desde o ano passado, o banco central Chinês vem buscando uma forma organizada, desvalorizar sua moeda. Depois de algumas tentativas desastrosas, como a ocorrida em agosto último, decidiu pelo método na “moita”, vagarosamente em degraus. Dessa forma, o yuan se desvalorizou 10% da mínima atingida no início de 2014. Embora não seja um indicador elevado para os padrões normais de câmbio, conseguiu estancar as elevadas perdas de reservas do segundo semestre de 2015.


Notadamente a cotação aproxima-se do nível destacado acima de 6,75 – 6,90. Nesse período crítico de 2008, enquanto o dólar oscilou muito, a moeda chinesa permaneceu estática totalmente ancorada no dólar. Do ponto de vista técnico esse é um intervalo importante e que, se rompido, poderão haver novas perdas de reservas. É bom ficar de olho!

No post road-map, fiz os seguintes comentários sobre o Bovespa: ...” Minha aposta é que o Bovespa ainda está completando sua correção que terminaria ao redor de 57.000, conforme apontado no gráfico. Somente acima desse nível poderemos afirmar que o nosso índice acionário irá buscar novas máximas”...


Depois de subir a bagatela de 50% desde janeiro deste ano, o Bovespa encontra-se agora próximo a um ponto muito importante, com uma visão de longo prazo. Tecnicamente, dos ativos que acompanho, é o que mostra o mais forte sintoma de alta, impecável. O Mosca teve a sorte de apontar e sugerir uma compra nas mínimas, mas saímos muito cedo. Essa conclusão sempre fica mais fácil ex-post.


Como sempre enfatizei aos leitores, o Bovespa é um ativo que pouco acompanho e talvez esse seja o motivo de sugerir poucos trades. Não dá para fazer tudo! Agora, só resta saber se o Bovespa vai seguir em frente e buscar níveis mais elevados e porque não, acima de 73.000, ou retorna ao movimento de baixa que perdura desde 2010. Vamos acompanhar as próximas semanas, mas tenho a impressão que não será fácil esse rompimento, Let´s the market speak!” 

O SP500 fechou a 2.165, com queda de 0,36%; o USDBRL a R$ 3,2710, com alta de 0,52%; o EURUSD a 1,1023, sem variação; e o ouro a U$ 1.330, com alta de 1,22%.
Fique ligado!

20 de julho de 2016

BCB: Sob nova direção


Desde que Ilan Goldfajn assumiu a Presidência do BCB, fez declarações dando algumas pistas de como pretende administrar a política monetária brasileira. Um item que fez questão de deixar claro, é que a meta de inflação existe para ser cumprida, e desvios só deveriam acontecer por situações temporárias. Tudo isso é muito diferente do que vinha sendo feito até agora, pois seu antigo Presidente, Alexandre Tombini, deixou-se influenciar por pressões políticas vindas do Planalto.


No gráfico acima, pode-se constatar que desde a sua implantação em 1999 até agora, a inflação raramente ficou na meta – linha laranja. Coincidentemente, ou não, esse foi o período em que o PT esteve à frente da nação. Mas foi a partir de 2014 que, vergonhosamente a inflação se descolou da meta.

Nos últimos meses a inflação vem dando sinais de arrefecimento e o último dado do IPCA foi de 8,84% a.a., ainda muito superior à meta estabelecida de 4,5% a.a.

Hoje se encerra a primeira reunião do COPOM com a nova equipe completa, e a maioria dos analistas espera que a taxa SELIC seja mantida em 14,25% a.a. O mercado deu a Goldfajn e Henrique Meireles o benefício da dúvida quando o assunto é inflação. Para que se tenha uma ideia, a inflação calculada entre os títulos prefixados e os pós fixados em IPCA, para daqui a dois anos, resulta numa queda expressiva, como mostra o gráfico a seguir.


Ilan tem uma larga experiência nos mercados financeiros e sabe bem que esse período de lua de mel, tem prazo definido. Se nos próximos meses os resultados não forem obtidos, o mercado poderá ter uma reação contrária a atual. Assim, neste momento quanto mais conservadoras forem suas decisões, maior a probabilidade de que tenha sucesso no futuro.

Dado o exposto acima, acredito ser praticamente nula a chance de um movimento de queda da taxa na reunião de hoje, assim o importante será avaliar o comunicado e, mais precisamente, a ata a ser publicada na próxima semana.

Já, de um ponto de vista global, os títulos dos mercados emergentes tiveram uma boa recuperação desde o início de 2016. Entretanto, ainda estão muito distantes, se comparados aos países desenvolvidos, onde diariamente as taxas atingem recordes de baixa - a alta dos preços dos títulos, significam queda dos juros implícitos nesses ativos.



Num mundo movido a busca de algum rendimento, e admitindo que não se vislumbra uma alta dos juros nos países desenvolvidos, é razoável supor que a valorização dos emergentes deva continuar. Somente no caso de uma crise externa ocasionada por fatores deflacionários, poderia manter e até aumentar este diferencial.

Hoje o comentário será sobre o SP500, afinal um trade aconteceu durante minha ausência. No post road-map, fiz os seguintes comentários: ...” O SP500 fechou hoje na máxima e a cada vez mais, a chance de rompimento do nível de 2.130 se eleva, desafiando todos os grandes investidores que estão apostando na queda. Caso haja o rompimento a alta vai ser expressiva, merece uma aposta se acontecer. Coloque um stop curto ao redor de 2.050”.... Este rompimento acabou acontecendo no dia 08/07.

 
O stoploss pode ser mantido no nível estabelecido acima de 2.050 e os targets estão anotados no gráfico acima, vamos nos atentar ao primeiro ao redor de 2.220. A bolsa americana encontrava-se “encaixotada”, a aproximadamente dois anos, entre 1.850 – 2.130. Daqui em diante é muito importante que continue subindo, pois sempre existe o risco de esta alta culminar num rompimento falso.

O barômetro de medição da volatilidade do mercado encontra-se em níveis historicamente baixos, vistos anteriormente quando a economia se encontrava em plena recuperação, durante 2004 – 2007, até que a crise imobiliária aconteceu e as bolsas voltaram a cair.


É verdade que o mundo hoje em dia é muito diferente de qualquer outro momento, não se viveu injeções de liquidez por diversos BC’s, taxas de crescimento minúsculas e juros negativos. Mas gráfico é gráfico, e não se importa com argumentos. Vamos em frente!

O SP500 fechou a 2.173, com alta de 0,43%; o USDBRL a R$ 3,2540, com alta de 0,16%; o EURUSD a 1,1013, sem variação e o ouro a US$ 1.314, com queda de 1,25%.

Fique ligado!