Inflação: A Revanche

30 de junho de 2016

Encruzilhada


No dia D+5, após a decisão da Inglaterra abandonar a comunidade europeia, qualquer conclusão pode ser prematura. Até agora, alguns indicadores parecem apontar para que o Brexit termine como um problema local. Nem se sabe ao certo, se será realmente implementado haja visto que existem grandes dúvidas. Os mercados operaram incialmente como se o risco de contágio fosse elevado, impactando diversos ativos.

No post de ontem mostrei como os juros nos USA foram afetados e apontavam para níveis muito diferentes daqueles que o FED projeta. Naturalmente, a Yellen está acompanhando com cuidado o desenrolar dessa situação.

Não acho que o que vou relatar seja um problema para a próxima semana, mas sem dúvida não há muito tempo. Vamos imaginar que a situação se acalme o suficiente para que o mercado volte à normalidade. Nessa circunstância como o FED irá agir? Os dados recentes apontam para uma economia americana com uma sensível melhora em relação aos trimestres mais recentes.

Vou começar com o indicador de crescimento do PIB elaborado pelo FED de Atlanta. Diferente dos outros meses, a previsão tem se mantido muito próxima às dos analistas, e num nível acima de 2,5%.

 
No quesito inflação, ontem foi publicado o PCE, indicador usado pelo FED para estabelecer sua política monetária. Como o gráfico abaixo mostra, ainda não se encontra dentro da meta estabelecida de 2% a.a., mas está bem distante de uma ameaça de deflação.

 
O nível de emprego encontra-se próximo ao que se denomina em economia de pleno emprego, onde a partir de um ponto, esperam-se pressões inflacionárias vindas de aumentos de salários. O gráfico abaixo já aponta um movimento neste sentido.


Hoje pela manhã foi publicado o Chicago PMI, um indicador que é um barômetro da atividade de negócios. Esse indicador de um salto expressivo em relação ao mês passado, vindo de 49,3 para 56,8.


 
Não fosse o Brexit o mercado já estaria trabalhando com uma elevação de juros já na próxima reunião do FED em julho, ou no máximo até setembro. A Yellen ainda tem algumas semanas para decidir o que fazer, e caso o mercado retorne aos níveis anteriores, facilitará muito a sua vida, deixando a porta aberta para agir. Entretanto, se isso não acontecer, ou a recuperação for tímida, sua decisão passa a ser bem complicada, pois: ou vai junto com o mercado e mantém um tom de prudência, arriscando ficar behind the curve, ou resolve de certa forma enfrentar o mercado e deixar evidente que vai agir em breve, nesse caso, com o risco de “chacoalhar” o mercado. Pelas observações passadas de como ela atua, acredito que ficará com a primeira opção.

Os movimentos do ouro podem ter deixado vocês confusos de qual seria a minha estratégia. No post marcha-lenta, eu cancelei uma sugestão de trade. Desde então, tivemos o evento do Brexit que levou o metal para o nível de US$ 1.358, e depois retrocedendo levemente.

O gráfico a seguir é com uma visão de mais longo prazo e o ouro está dando sinais que pode retornar seu movimento de alta, que se concretizado irá ultrapassar o nível atingido em 2011 de US$ 1.980. Mas não será numa linha reta, teremos tempos para entrar.
Eu imagino que o ouro poderá entrar num movimento de correção intermediário, onde os preços tenderiam ao intervalo de US$ 1.170 – US$ 1.280. Mais antes disso tenho uma dúvida, a correção já está em curso, ou ainda teremos uma nova alta antes disso? Se for o segundo caso, calculo que poderá atingir US$ 1.460. Aos níveis atuais de US$ 1.320, isso representa mais ou menos US$ 150 para cada lado – na correção ou na eventual alta.


Como eu não estarei por aqui por duas semanas, prefiro não fazer nada e aguardar minha volta. Por outro lado, se eu estiver correto, em meu retorno a correção já estará mais avançada, dando uma oportunidade de entrar em níveis melhores.

Hoje o dólar chegou a negociar na mínima de R$ 3,1818, suficente para liquidar nossa posição vendida com um lucro de 7,6%, já considerando os juros positivos (0,84%) gerado pelo diferencial de taxas de juros. Ficamos assim, sem nenhum posição em aberto.

O SP500 fechou a 2.098, com alta de 1,36%; o USDBRL a R$ 3,2103, com queda de 0,37%; o EURUSD a 1,1100, com queda de 0,21%; e o ouro a US$ 1.322, com alta de 0,33%.
Fique ligado!

29 de junho de 2016

Marcha à ré


Enquanto as atenções estavam voltadas ao Brexit e suas consequências, o mercado de juros nos USA começaram a apostar em cenários bem distintos daqueles que o FED projeta. No curto prazo estão apontando que o FED terá que cortar os juros ao invés de aumentar. O gráfico a seguir deixa claro que a menor chance no momento é de uma alta (em roxo).


Não bastasse isso, o mercado não imputa uma probabilidade maior que 50% de os juros subirem no início de 2018. Essa mudança ocorreu depois que as bolsas no mundo e as commodities caíram, enquanto os bonds e o dólar subiram, após o voto britânico. A figura abaixo ilustra o movimento das principais moedas depois desse evento.


No mercado futuro de juros, que é equivalente ao nosso contrato de DI, está precificado uma possibilidade real de corte de juros no final deste ano. O mercado de opções sobre os contratos de futuro, que é o mais negociado em todo mundo, projeta uma chance de 25% de um corte até setembro, é isso aí, corte! Esta é uma reversão em relação aos preços de dois meses, onde era praticamente certo um aumento até a mesma data.



O próximo gráfico mostra o efeito dos juros negativos nas cotações das ações dos maiores bancos europeus. No setor financeiro os resultados tendem a subir quando os juros sobem, naturalmente não estou citando o caso brasileiro do passado que beirou a hiperinflação. No sentido inverso, na queda, tende a ter um impacto decrescente nos resultados, agora com juros abaixo da linha d’água, veja o que acontece.



Os mercados estão mais calmos hoje, e o SP500 passou por uma recuperação importante, está negociando a 2.070, acima do nível que apontei no post de ontem local-ou-global: ...” se o SP500 começa a se recuperar, aponto o nível de 2.050 como um possível catalisador positivo, mesmo que não volte imediatamente na busca para romper o nível de 2.130”... Isso praticamente anula as quedas dos últimos dias e recoloca a bolsa rumo a novas altas, caso o nível de 2.130 seja ultrapassado.

No post de ontem, também comentei sobre a possibilidade do Brexit ter um impacto local ou global, e ao que tudo indica parece estar virando um problema local, se é que, a Inglaterra irá sair mesmo da comunidade europeia, como muitas análises especulam sobre o assunto.

O dólar encontra-se dentro do primeiro limite apontado como target, conforme o conteúdo do post conflito-de-interesses: ...”Continuo ainda com os mesmos objetivos de R$ 3,20/3,25 ou um pouco mais abaixo a R$ 3,10”...
Agora estou num grande dilema, por um lado, não parece que o movimento tenha se esgotado, é provável que o nível de R$ 3,10 seja alcançado brevemente. Por outro lado, vou estar fora por alguns dias e meu acompanhamento será mais superficial.

- David, zera ou não zera?
Puxa pensei que você tinha reaparecido para me deseja boa viagem! Bem, ainda tenho algumas horas para decidir, mas provavelmente irei liquidar a posição antes de viajar, é mais prudente, afinal não é o trade da vida! Então fica estabelecido que, se o dólar bater R$ 3,20 fechamos nosso trade. Para quem quiser ficar em aberto, sugiro ir diminuindo o stop à medida que o dólar caia, mas não fique muito mais que R$ 3,10.

O SP500 fechou a 2.070, com alta de 1,70%; o USDBRL a R$ 3,2327, com queda de 2,09%; o EURUSD a 1,1115, com alta de 0,47%; e o ouro a US$ 1.319, com alta de 0,53%.
Fique ligado!




28 de junho de 2016

Local ou Global


Não tem nada no curto prazo que chama mais a atenção que o Brexit, você encontra inúmeras opiniões, mas o que realmente importa, é se o que aconteceu terá um impacto local ou global. A economia inglesa tem uma parcela pequena de 4% do PIB global.

Alguns gráficos podem esclarecer melhor quais são as consequências. Iniciamos com os locais. Abaixo se encontram os setores que mais poderão ser afetados em função de novas tarifas de comércio.



Já em termos de balança comercial com a Ásia, e observando-se a China como o principal risco, pode-se constatar que é muito pouco afetado.


Já em termos de impacto sobre o PIB, o gráfico a seguir mostra dois cenários, um mais realista e outro mais pessimista. Aqui também, com exceção da Europa na simulação mais pessimista, o efeito é pequeno.


Através dessas projeções econômicas, poderia concluir-se que, o problema maior ficaria circunscrito à Inglaterra, porém os fatores políticos podem gerar repercussões que não estão calculadas, como por exemplo, se um país como a Itália resolve sair também. Para buscar uma resposta, o banco Goldman Sachs atribuiu o comportamento do SP500 como indicador.


O gráfico 1 mostra o SP500 em conjunto com a cotação do yuan. Tanto em agosto do ano passado como em janeiro último, o índice da bolsa caiu 10%. No gráfico 2, quando comparado com as taxas de juros de 2 anos dos títulos americanos, observa-se que, a expectativa do FED de elevar os juros, cedeu sensivelmente. Analisando a reação do mercado, é indiscutível que os investidores enxergam a “China” como um risco material para a economia global. A questão que permanece é se o Brexit e sua propagação para o resto da Europa é tão importante.

O SP500 caiu 5% desde a decisão do Brexit na semana passada, assim está no caminho de representar um risco de um choque global, em função da propagação às outras economias europeias. Ao se observar os juros de 2 anos o efeito é ainda mais pronunciado, uma vez que retornaram aos níveis de outubro passado, na esteira do pronunciamento da Yellen.

Em relação ao futuro, se o SP500 se estabiliza ao redor dessa queda de 5%, isso faria o mercado mover-se na direção de encarar o Brexit como um problema local, se ao contrário cair, o mercado poderá indicar que as próximas eleições na Itália em outubro, ou as eleições gerais na França no início de próximo ano, serão elementos de risco.

Não restaria outro mercado para comentar hoje que não o SP500. No post ação-despercebida, vamos observar primeiramente o curto prazo, meus comentários alertavam para uma formação a ser acompanhada: ...” Eu anotei no gráfico uma formação muito comum em análise técnica, denominada de ombro-cabeça-ombro, e o SP500 poderia estar formando a parte final do ombro. Assim, ou ele rompe acima dos 2.130 de uma forma expressiva, ou pode sofrer um bom tombo de pelo menos 10%”... Essa formação ombro-cabeça-ombro, acabou acontecendo.


Queria também enfatizar como é importante respeitar os parâmetros técnicos e não se deixar levar pela emoção. Tudo parecia pronto para uma alta expressiva da bolsa, os indicadores eram positivos. Um pensamento válido que passaria na cabeça de qualquer investidor seria “por que esperar, vou comprar agora mais barato, pois só pode subir”.

Veja o que eu ressaltei também no post: ...” não me coloco a fazer nada agora, ou passa os 2.130 e entramos com um trade na compra, ou não passa e analisamos se vai valer uma venda”.....

Hoje vou fazer uma análise de mais longo prazo. Como já havia comentado ontem, o único ativo que mudou dentro das minhas análises é o SP500 que passou para neutro - negativo. Vejamos por que no gráfico abaixo:


O primeiro nível de importância é 1.950, se a queda ficar limitada até esse nível, pode-se considerar que o Brexit é um problema local e os ingleses que se virem para resolver a besteira que fizeram. Caso o índice caia abaixo desse nível, o próximo ponto de muita importância seria 1.850. Considero esse nível um pivô, abaixo o SP500 pode cair significativamente. Para uma análise mais detalhada deste cenário sugiro a leitura do post SP500, onde exponho os níveis de baixa. Neste caso, o problema do Brexit virou global.

No sentido inverso, ou seja, se o SP500 começa a se recuperar, aponto o nível de 2.050 como um possível catalisador positivo, mesmo que não volte imediatamente na busca para romper o nível de 2.130.

Queria comunicar aos leitores que o Mosca vai ficar sem publicação de 4 a 18 de julho, voltando ao normal dia 19. Na próxima sexta-feira, vou fazer um apanhando de todos os mercados deixando minhas ideias durante este período. Vou estar acompanhando os mercados e caso seja necessário publicarei durante esse tempo.

O SP500 fechou 2.036, com alta de 1,78%; o USDBRL a R$ 3,3016, com baixa de com baixa de 2,65%; o EURUSD a 1.1065, com alta de 0,39%; e o ouro a US$ 1,312, com baixa de 0.76%.
Fique ligado!



27 de junho de 2016

Conflito de interesses


Depois de qualquer separação uma nova relação entre as partes gera, o que se chama no mundo dos negócios, conflito de interesses. Mesmo em relações humanas isso acaba acontecendo. Para quem já se separou, conhece as consequências, e nesse caso é mais grave. O conflito acaba recaindo sobre os filhos, que em alguns casos ficam divididos entre os pais.

O mesmo não poderia deixar de acontecer no caso do Brexit. As declarações de alguns membros da comunidade europeia como Angela Merkel e Françoise Hollande, já dão o tom do que a Inglaterra poderá esperar na hora que negociar os novos acordos após a separação.

Mas além disso, o processo dentro da própria Grã-Bretanha é complicado. Formalmente esse país deverá enviar um documento denominado de “artigo 50”, que é um anúncio formal de sua intenção de saída da comunidade europeia. Depois disso, começa a contar um prazo máximo de 2 anos.

Agora, quem mandará esta notificação e quando, ninguém sabe, nem a unidade europeia, nem o referendo específica. O Primeiro-ministro David Cameron poderia ter feito isso na sexta-feira, mas não o fez. Segundo suas declarações, esse passo terá que ser tomado pelo seu sucessor, que só deverá ocorrer em outubro, ainda 4 longínquos meses.

Até outubro, é provável que a Inglaterra esteja em situação pior que a de hoje, a libra continua caindo e os investimentos ficarão totalmente paralisados. Além disso, os britânicos que votaram a favor de sair, já começaram a sentir os efeitos negativos de sua decisão.

Outro fato a ser considerado, é que a maioria do Parlamento foi contra a mudança e, provavelmente, o novo Primeiro-ministro deverá efetuar várias consultas àquela casa, o que deve prolongar ainda mais o prazo do envio do artigo 50. Alguns analistas acreditam que todo esse processo poderá levar mais de um ano.

No meu entender, existe talvez uma boa notícia em tudo isso, claro, não para os ingleses. O grande receio do mercado é que esse efeito pode se espalhar por outros países, principalmente na Europa. Caso os efeitos negativos na Inglaterra fiquem evidentes, as populações dos outros países poderão ter uma boa ideia do que poderá acontecer, caso se aventurem em algo semelhante. Ou seja, estou sugerindo que o tempo pode ser bom para o resto do mundo.

O gráfico a seguir faz uma comparação entre os britânicos que votaram a favor do Brexit e os simpatizantes de Donald Trump. Não acredito que seja uma relação direta entre eles, mas é interessante a semelhança mostrando uma insatisfação global da situação atual. Já o gráfico seguinte, mostra uma relação forte entre o nível de educação e opção escolhida.



Conforme mencionei no último post, a análise que fiz no final de semana, não houve nenhum comprometimento de longo prazo nos ativos que acompanho, com exceção da bolsa americana que alterou a tendência para neutra – negativa. Meu comentário hoje será sobre o dólar.

No post saia-justa, fiz os seguintes comentários: ...” Continuo ainda com os mesmos objetivos de R$ 3,20/3,25 ou um pouco mais abaixo a R$ 3,10. Como pode-se verificar no gráfico acima, existem duas linhas que deveriam conter os movimentos de curto prazo, e por ser tratar de uma correção, existe pouca previsibilidade da extensão no tempo, bem como dos níveis mínimos”...



Mesmo com o resultado negativo para o real do Brexit, o estrago por enquanto foi bem limitado. Enquanto o dólar permanecer contido nas linhas marcadas abaixo, vamos em frente com a mesma orientação.



O SP500 fechou a 2.000, com queda de 1,81%; o USDBRL a R$ 3,3916, com alta de 0,45%; o EURUSD a 1,1022, com queda de 0,72%; e o ouro a US$ 1.324, com alta de 0,68%.
Fique ligado!

24 de junho de 2016

Br - Exit


Nassim Taleb, um conhecido investidor e autor de vários livros, cujo mais famoso chama-se Black Swan, é especialista em eventos fora da curva. Criou uma relação entre a população de cisnes com o mercado financeiro. A maior parte dos cisnes são brancos mas também existem raros que são pretos, da mesma forma os mercados funcionam normalmente na maioria do tempo, mas existem momentos críticos de grande volatilidade.

Seu pensamento é que um investidor não pode correr o risco de perder tudo nestes momentos, e ao contrário pode se beneficiar dessas situações.

Hoje foi um desses dias, a decisão do povo britânico de abandonar a comunidade europeia pegou o mercado totalmente de surpresa. Como comentei ontem, os preços dos ativos não levavam em consideração esta hipótese. Como consequência, a libra desabou, levando a sua cotação para a menor dos últimos 30 anos.

Durante minha vida profissional passei por situações semelhantes, posso dizer que não é nada agradável. Em dias como hoje, nenhum modelo de risco funciona, vale as decisões movidas por stoploss ou pela angústia de ver os prejuízos aumentando a cada minuto.

O impacto não será só financeiro, consequências políticas podem ser ainda mais graves. Os defensores ao redor do mundo para mudanças ganham força, afinal para quem está na dúvida, a decisão arriscada tomada pelo povo britânico dá força a esses grupos. O primeiro beneficiado que me vem a cabeça é Donald Trump, que já pela manhã fez as seguintes declarações: “ Eles (os britânicos) retomaram seu país, do mesmo modo que nós faremos com a América”. Na França, provávelmente, creserá um movimento de saída do euro, sem falar na Itália que não conseguiu se recuperar desde a crise de 2008.

Mas como fica daqui em diante? Acredito que ninguém tem uma resposta clara das consequências, mas eu elencaria 3 grandes questões:

1.       A incerteza do que mais pode mudar, e/ou a queda dos ativos financeiros, implicará nos investimentos, principalmente na Inglaterra?
2.       A Grã-Bretanha conseguirá manter o mesmo nível de acesso aos mercados europeus?
3.       O referendo resultará em fragmentação política e econômica na Europa?

Uma pesquisa feita com os votantes para saber qual era o principal motivo para sua decisão, teve como resposta majoritária os imigrantes.

Outro subproduto desta decisão foi a forte segmentação de opiniões dentro da Grã-Bretanha, como pode ser visto no desenho abaixo. Com uma diferença tão pequena, os conflitos internos deverão aumentar.


Antes de comentar sobre os mercados, não fosse a péssima notícia vinda do exterior, estaríamos comemorando o resultado de nossas contas externas. Em grandes números, o déficit encolheu novamente para US$ 29,5 bilhões (1,7% do PIB). A entrada de investimento estrangeiro subiu levemente em termos anuais para US$ 79,9 bilhões (4,6% do PIB), que é mais do que suficiente para financiar o déficit.

 
As contribuições foram em todas as rubricas mas o grande destaque deve-se dar novamente a balança comercial, com um superávit mensal de US$ 6,3 bilhões, apontando para um acumulado anual de US$ 55 bilhões.

Talvez um dado que poderia causar um pouco mais de preocupação foi a elevada saída de investimento em carteira de US$ 6,8 bilhões, embora se tivesse que escolher, melhor assim, investimento direto positivo e de carteira negativo que o contrário, o primeiro é de muito melhor qualidade.

Quanto as reservas estão intactas e a posição de swap do BC baixaram muito, encontrando-se ao redor de US$ 60 bilhões. Talvez esse tenha sido o motivo da performance mais positiva hoje do real, quando comparado aos seus pares emergentes.

Bem sobre o mercado mundial existem algumas observações que considero importantes. A seguir o gráfico compara a performance das bolsas europeias. A cor laranja é o índice FTSE 100 da Inglaterra, veja que sua performance foi menos ruim se comparado a Alemanha, França e principalmente a Itália. Mesmo considerando que a Libra foi a moeda que mais se desvalorizou, isso por si só não seria uma razão para afirmar que a bolsa londrina ficou mais barata. Assim, o mercado interpretou que não foi tão ruim assim para a Inglaterra, ou foi muito pior para o resto da Europa.


Os juros de 10 anos: oscilaram 30 pontos entre 1,7% a.a. para 1,4% a.a., o que equivale a uma variação de 2,3% no preço desses títulos. Fechou no meio do caminho a 1,57% - indefinido.

Já no câmbio foi uma salada mista:

 Europa: a libra tomou o maior tombo com queda de 8,3%, euro 2,6%, o franco suíço 1,5% - esperado.

Japão: yen se valorizou 3,5% - esperado.

Moedas emergentes G8: dólar canadense 1,7%; dólar australiano 1,7% e o dólar neozelandês 1,7%, e eles não combinaram! – surpresa positiva.

Outras moedas emergentes: peso mexicano 3,7%; rand sul-africano 4,5% e real 1,1% - supressa no real, a moeda que menos caiu entre todas, com exceção do yen e claro o yuan, que teve uma queda de 0,6%.

Commodities: ouro subiu 5%, e graças à atualização do stop ontem saímos sem perdas; prata 2,6% - positivo pelo ouro e negativo pela prata, pois deveria ter subido mais.

Ainda é muito cedo para tirar qualquer conclusão, será necessário alguns pregões. No final de semana vou avaliar se este primeiro dia depois do Brexit foi suficiente para comprometer a perspectiva de algum ativo.


O SP 500 fechou a 2.037, com baixa de 3,60%; o USDBRL a R$ 3,3760, com alta de 1,14%; o euro a 1,1102, com baixa 2,50%; e o ouro a US$ 1.317, com alta de 4,92%.
Fique ligado!


23 de junho de 2016

Brexitttttttttttt....


Quando vocês estiverem lendo o Mosca, já se saberá se a Inglaterra fica ou não no euro. Os mercados desde ontem à tarde estão com uma liquidez bastante baixa, uma vez que, a grande maioria dos bancos tem orientado seus clientes a não tomarem posições até que o resultado seja anunciado.

O banco Barclay´s publicou o que os 6 principais bancos centrais farão, caso o Brexit ganhar o referendo. Para não encher mais sobre esse assunto veja as suas principais ações:

  • Bank of England – Irá cortar a taxa de juros para 0%.
  • BOE – Implementa uma linha de emergência de liquidez.
  • FED – Posterga a elevação dos juros.
  • Bank of Japan – Intervenções esporádicas no yen.
  • Swiss National Bank – Venda agressiva de francos suíços.
  • Swedish Central Bank – Mais medidas de afrouxamento monetário.

E eu, pretensiosamente, incluo mais um banco central.
  • Banco Central do Brasil – Reza! Hahaha....

A maneira em que os mercados reagiram nada disso será preciso, mas como comentei ontem, as pesquisas estavam divididas, e pelo sim, ou pelo não, ficam as dicas deste analista.

Um outro artigo, cujo assunto não é novidade, relata sobre a queda das taxas de juros globalmente. Paul Mortimer-Lee, economista do banco BNP-Paribas, escreveu recentemente suas ideias sobre esse assunto?

Você está preocupado com o mercado de títulos? Talvez devesse ficar. Segundo ele diz, o mercado de títulos não está pintando uma imagem boa para a economia no momento.

"A tendência de queda aparentemente inexorável dos rendimentos dos títulos, parece sugerir um buraco negro, com rendimentos de títulos em quedas constantes, que vem sendo puxado para baixo por uma força gravitacional intensa".

Ele acredita que, em vez de política monetária, o mercado de títulos está refletindo preocupações de curto prazo, como a instabilidade política na Espanha, o referendo no Reino Unido antes de sair da União Europeia, bem como os últimos dados de emprego nos USA. Acrescentando a essas questões, são preocupações de longo prazo que foram arrastando para baixo os rendimentos.

"Parece-nos que os sinais de fraqueza econômica dos EUA estão por trás da mudança de rendimentos dos títulos, junto com a cumplicidade do fracasso da economia chinesa, para responder de forma significativa o grande estímulo dado".

"Estamos atentos para ver se a queda de juros é uma manifestação diferente da turbulência que vimos nos mercados em agosto passado e no início deste ano."




Mortimer-Lee também afirmou que, olhando para frente, as quedas de juros revelam uma tendência preocupante na confiança dos investidores. Rendimentos mais elevados (em teoria) devem refletir as perspectivas de crescimento a longo prazo e a saúde da economia. O fato das taxas estarem baixas, na opinião de Mortimer-Lee, é porque os investidores estão expressando sérias preocupações sobre a estabilidade financeira das economias globais.

Além disso, a tendência das taxas de títulos de longo prazo cairam a níveis próximos dos títulos de dívida de curto prazo, também referido como um achatamento da curva de rendimentos, que também preocupa.

Rendimentos de títulos são inerentemente prospectivas. O achatamento desse diferencial não é um bom sinal, porque sinaliza menos fé nas futuras perspectivas de crescimento e / ou inflação. O Gráfico a seguir expressa o crescimento do PIB dos EUA e o diferencial de juros entre os títulos de 10 anos e 2 anos. Ele parece sugerir uma defasagem de cerca de um ano, entre a mudança na curva e subsequente desempenho do crescimento. Visto por este prisma, o achatamento recente da curva de títulos parece preocupante, uma vez que, pode prenunciar um novo enfraquecimento da atividade nos próximos meses.



A inversão da curva de rendimentos, ou o rendimento de títulos de 10 anos caindo abaixo dos títulos de dois anos, tem sido observado como um dos indicadores mais confiáveis ​​para prever uma recessão nos EUA. Então, como isso está mais próximo de acontecer, os temores de recessão podem borbulhar.

"Os mercados de risco, muitas vezes trata as 'más’ notícias como boas notícias', em que, o enfraquecimento da atividade sinaliza um FED mais acomodativo".

"No entanto, o alcance limitado do FED, tem que lidar com os desenvolvimentos significativamente adversos. Isso deve significar que, uma má notícia seja vista pelo que ela é: Má notícia!

Hoje excepcionalmente não farei nenhum comentário técnico, o motivo é que um resultado adverso do Brexit poderá modificar significativamente as cotações. Além do mais, mesmo que não ocorra mudança, ou seja, a Inglaterra permaneça no euro, ainda existe aquele famoso ditado: ”sobe no boato e caí fato”. Quero deixar registrado também que, se a margem de vitória for muito estreita, tipo 51 x 49, terá um efeito imediato negativo. É uma vitória não convincente.

Vou atualizar o stoploss do ouro a US$ 1.275, preço de entrada da posição.

O SP500 fechou a 2.113, com alta de 1,34%; o USDBRL a R$ 3,3396, com queda de 1,07%; o EURUSD a 1,1381, com alta de 0,77%; o ouro a US$ 1.257, com queda de 0,70%. 



22 de junho de 2016

Ação despercebida


No meio de toda essa confusão sobre a saída, ou não, da Inglaterra do euro - sem dúvida um elemento de risco importante, do outro lado do mundo a China, de forma discreta, vem desvalorizando sua moeda. Nos últimos meses tem se visto um enorme esforço por parte do governo Chinês, em manter sua economia crescendo a níveis expressivos, se comparados aos padrões atuais nos outros países.

Porém não está sendo fácil, se é que estão conseguindo. Com um modelo voltado exclusivamente às exportações, mudar o rumo para o consumo interno não se faz do dia para a noite. Se a “obrigação” de crescer não fosse tão elevada, talvez pudesse ser atingida com mais eficiência. Figurativamente, é como trocar de piloto com o carro a 150 km/h.

O resultado na China não tem sido muito animador, o governo está tentando através do aumento de crédito incentivar sua economia, e o que se está colhendo são empresas com sérios problemas de solvência. Esta pode ser a razão para desvalorizar sua moeda.

No gráfico a seguir, a linha branca é de uma cesta de moedas ponderadas pelo comércio, caiu 10% desde a desvalorização desastrada de agosto último. Notem que mesmo depois de janeiro, quando a cotação do yuan contra o dólar permaneceu estável – em azul, continuou a cair.


Desta forma, a China exporta deflação para o resto do mundo. Para que os leitores possam entender esse fenômeno, se um país desvaloriza 10% sua moeda, um produto que anteriormente era vendido ao exterior por U$100, pode agora ser vendido por US$ 90, sem que haja uma diminuição em seus lucros. É natural, que internamente existirá uma pressão inflacionária, que do ponto de vista teórico, tende a representar em média 10% da desvalorização, o que nesse exemplo representaria 1% adicional no nível de inflação.

O mesmo efeito poderia ocorrer na Inglaterra, caso a votação seja pelo Brexit. Os economistas calculam que haveria uma desvalorização da libra em torno de 15%, e isso exportaria deflação para a Europa, seu maior parceiro comercial, o que não deixaria Mario Draghi nada feliz.

E assim vamos vivendo, num mundo onde cada país busca desvalorizar sua moeda para permitir maior competitividade externa e como contrapartida exporta deflação.

Um detalhe interessante que tenho observado, é sobre a divergência entre as chances de haver ou não o Brexit, quando se compara as casas de apostas e as pesquisas de opinião. O responsável pela casa Ladbrokers, Matthew Shaddick, aponta uma probabilidade de 76% da Inglaterra ficar, enquanto as pesquisas assinalam as chances entre elas mais ou menos iguais. Acontece que na casa de apostas o valor médio apostado para a permanência é de 450 libras, enquanto da saída 75 libras.

Em outras palavras, um pequeno grupo de apostas elevadas influenciam dramaticamente em favor da permanecia, enquanto uma quantidade muito maior está apostando na saída, embora com valores menores. Resumindo: ...” Um grupo pequeno de pessoas mais ricas está influenciando um grupo maior de indivíduos mais pobres”....  Acontece que no voto não existe esta distinção, e se esse for realmente o caso, a votação deverá ser muito mais apertada.

No post a-busca-por-retorno, fiz os seguintes comentários sobre o SP500: ...” Agora, a bolsa está adentrando na área onde diversas vezes tentou o seu rompimento e não conseguiu - entre 2.100 e 2.130. Não existe nenhuma garantia que irá romper agora, entretanto, os sinais são nesse sentido”...

A bolsa ficou muito próxima do nível máximo apontado acima, atingindo 2.120, mas em seguida retrocedeu. Não foi por muito tempo, pois agora se encontra próximo a 2.100 novamente.
Daqui em diante será diferente, ou vai ou racha! Eu anotei no gráfico uma formação muito comum em análise técnica, denominada de ombro-cabeça-ombro, e o SP500 poderia estar formando a parte final do ombro. Assim, ou ele rompe acima dos 2.130 de uma forma expressiva, ou pode sofrer um bom tombo de pelo menos 10%.


Como comentei no post acima: ...” não me coloco a fazer nada agora, ou passa os 2.130 e entramos com um trade na compra, ou não passa e analisamos se vai valer uma venda”.... Talvez esse seja um caso interessante de como é importante respeitar alguns níveis sem posição. Para o investidor que está com posição, o efeito emocional poderá levá-lo a tomar decisões erradas, e inibi-lo de entrar, quando a situação for mais favorável.

O SP500 fechou a 2.085, com queda de 0,15%; o USDBRL a R$ 3,3783, com queda de 1,01%; o EURUSD a 1,1291, com alta de 0,45%; e o ouro a US$ 1.266, com queda de 0,11%.
Fique ligado!

21 de junho de 2016

Saia justa


A operação lava jato está criando constrangimento numa instituição financeira de renome internacional. A agência Zero Hedge, publicou um artigo questionando como um funcionário do Credit Suisse poderia ter recebido um bônus maior que o do CEO. A situação veio à tona em função da delação de Sergio Machado e seus filhos, um deles o executivo em questão.

O Sergio Machado filho, reportou um ganho de US$ 14,0 milhões em 2015, num ano em que a receita referente aos negócios de renda fixa caiu 42%. Adicionalmente aos dados locais, o banco sofreu seu primeiro ano de prejuízo depois da crise de 2008.



O ganho obtido por Sergio Machado, foi muito superior que a maior remuneração paga em todo a organização ao seu membro do conselho, Rob Shafir, que ganhou US$ 8,2 milhões. Mesmo considerando que o primeiro compreendia bônus diferidos de anos anteriores, o valor é muito elevado.

Uma operação que pode ter contribuido para esse ganho, foi um empréstimo de US$ 1,27 bilhão feito ao governo de Minas Gerais em 2013, que foi posteriormente vendido a investidores, gerando um ganho expressivo de US$ 116 milhões.

Sergio Machado saiu do banco em abril último, depois de ter permanecido por 17 anos. A razão de sua saída pode ter várias interpretações, a de que o banco está engajado em fazer as reformas necessárias para voltar a gerar lucro – vide gráfico das suas ações abaixo, ou em função do seu envolvimento na lavajato.



Mesmo o banco tendo se recusado a comentar sobre o salário de seus executivos, é provável que no futuro seja chamado pela equipe de Sergio Moro para dar maiores explicações. Conhecendo um pouco a estrutura de bancos estrangeiros, é pouco provável que haja algum envolvimento direto, porém, esta situação faz com que o banco fique, no mínimo, de saia justa.

No post radicalismo-de-direita, fiz os seguintes comentários sobre o real: ...” Depois de atingir a mínima de R$ 3,35, o dólar subiu até atingir a máxima hoje em R$ 3,480. Tecnicamente, acontece o que se denomina de “Last Kiss”, quando um nível é rompido e o mercado em seguida, volta para testá-lo novamente, só que em direção oposta a original. Ou caso não volte, onde a queda foi momentânea, chama-se "false break"...


O dólar continuou a subir no dia seguinte e atingiu a máxima de R$ 3,5180, abaixo ainda do stoploss que foi estabelecido para essa operação em R$ 3,55. Hoje pela manhã, o dólar testou o limite mínimo atingido anteriormente, e agora encontra-se ao redor de R$ 3,40.


Continuo ainda com os mesmos objetivos de R$ 3,20/3,25 ou um pouco mais abaixo a R$ 3,10. Como pode-se verificar no gráfico acima, existem duas linhas que deveriam conter os movimentos de curto prazo, e por ser tratar de uma correção, existe pouca previsibilidade da extensão no tempo, bem como dos níveis mínimos.


É natural que o resultado do Brexit poderá ter repercussões importantes para o dólar. Caso a Inglaterra resolva abandonar o euro, é esperado uma alta do dólar, ao inverso, se permanecer existirá um grande alívio na comunidade financeira, pois diariamente são publicadas novas opiniões alertando para os graves riscos, como feito hoje por George Soros, Jacob Rothschild e George Osborne. A única boa notícia é que essas declarações irão cessar daqui a dois dias! Hahaha... 

O SP500 fechou a 2.088, com alta de 0,27%; o USDBRL a R$ 3,4153, com alta de 0,41%; o EURUSD a 1,1240, com baixa de 0,56%; e o ouro a US$ 1.268,com queda de 1,68%.
Fique ligado!

20 de junho de 2016

Last Kiss


O mercado financeiro acordou mais aliviado nesta segunda-feira, com as últimas pesquisas a respeito do referendum sobre a permanência ou saída da Inglaterra do mercado europeu. O Brexit, como é conhecido, aponta para uma continuação. Vários estudos foram disponibilizados nesses últimos dias sobre as consequências de uma separação, todos eles apresentam certa dose de subjetividade, uma vez que, ninguém pode saber ao certo como seria. O processo, em sua totalidade, demoraria por volta de sete anos. Mas todos eles apontam para um resultado bastante negativo, além de consequências secundárias sobre o possível abandono de outros países.



O gráfico acima assinala a probabilidade de saída da Grã-Bretanha, comparada ao movimento da libra. Notem que, a chance foi extraída de um site de apostas, que em minha opinião, tem mais validade que a pesquisa feita diretamente com a população. O motivo? A primeira envolve ganhos e perdas, e a segunda pode não espelhar com tanta veracidade o que realmente irá ocorrer.

Sobre pesquisa de opinião, é interessante um caso que estudei quando estava na Universidade de Stanford, sobre o maior fracasso inicial das vendas do Mustang, legendário carro da Ford. A pesquisa foi feita com homens potenciais compradores de carros, e perguntou-se qual seria a cor de sua preferência numa eventual compra do Mustang. O vermelho obteve mais de 80%, além de que o modelo conversível era o mais desejado. O desejo seria desfilar com o carro de seus sonhos como se ainda estivessem na juventude.

 A Fábrica não teve dúvidas, fabricou conforme esse resultado. O que aconteceu? Ficaram todos encalhados. O motivo? As esposas não deixaram seus maridos comprar nessas versões, e foram levados a escolher branco, preto e com capota!

Esse pode ser um caso semelhante, o inglês gostaria de se ver livre de seus vizinhos europeus, mas as matérias sobre o assunto apontam tantos riscos, que vão preferir não arriscar. Mas até o momento tudo é especulação. Nesta quinta-feira começa as votações, com previsão de anúncio do resultado no final de semana.

Nesta quarta-feira, a Presidente do FED, Janet Yellen, fará um depoimento ao Comitê Financeiro e de Serviços em Washington. Duvido que vá falar muito diferente que o exposto ao final da reunião do FED na semana passada.

Agora, o risco de saída da Inglaterra tornou-se baixo, qual deverá ser o novo elemento de risco que o mercado vai escolher: China? Trump? Não se preocupem, nos próximos dias surgirá.

O ouro deu meia-volta hoje, e retornou aos níveis que apontei no post marcha-lenta, onde fiz os seguintes comentários: ... “O fechamento de hoje indica, no mínimo, mais quedas no curto prazo. Tecnicamente, o fato de o ouro tentar romper a barreira de US$ 1.305 e não ter conseguido, fechando na mínima, é ruim”.... Atualizei o gráfico com uma visão de curtíssimo prazo, que se encontra a seguir.


Vou sugerir a venda do ouro a US$ 1.275, um pouco abaixo da linha verde, com um stop a US$ 1.300.

Vocês devem ter notado ultimamente aumentou a quantidade de analistas sugerindo a compra de ouro. Ao observar alguns indicadores de posicionamento, percebe-se uma elevação do volume de contratos na compra por parte de especuladores. Estou comentando esse fato, pois pode ser que o ouro desaponte a todos, voltando a cair. Caso nosso trade aconteça, e dependendo do desenrolar, vamos ter uma ideia melhor, se é somente uma correção ou algo mais sério. Meu objetivo inicial será de US$ 1.200.

Hoje fomos stopados nos juros de 10 anos à 1,65% - conforme atualização dos post da última sexta-feira a-inflação-é-um-problema, com um pequeno ganho.

O SP500 fechou a 2.083, com alta de 0,58%; o USDBRL a R$ 3,4014, com baixa de 0,42%; o EURUSD a 1,1303, com alta de 0,27%; e o ouro a US$ 1.288, com baixa de 0,71%.
Fioque ligado!


17 de junho de 2016

A inflação é um problema?

Antes de mais nada deixe-me esclarecer que o assunto de hoje é sobre a inflação nos USA, se fosse aqui nem teria dúvida. Ontem foi publicado o CPI do mês de maio, que ficou em 1,02%, excluindo alimentos e gasolina 2,24%. No gráfico abaixo pode-se ter uma ideia de como esses indicadores evoluíram nos últimos anos.



O FED usa um outro índice como parâmetro de decisão para estabelecer a política monetária, o PCE. A diferença básica entre ambos é o peso sobre os custos de habitação, que têm estado mais pressionados. Essa é a principal razão da diferença a menor do PCE em relação ao CPI.

Voltando novamente ao gráfico acima, notem que a inflação “core”- que exclui alimentos e gasolina, tem-se mantido relativamente estável, ao redor de 2% desde 2012, que é o objetivo explicitado pelo FED. Sabe-se também que, para estabelecer os juros considera-se o indicie pleno, onde movimentos para cima e para baixo são mais frequentes, em decorrência da volatilidade das commodities. Em resumo, é muito mais importante observar o comportamento da inflação “core”.

O mandato do FED consiste em atingir seus objetivos na inflação e taxa de desemprego. Observando esse último, mesmo com o dado ruim publicado recentemente, o mercado de trabalho não poderia estar em melhor condição, com uma taxa de desemprego de 4,7%. Esse nível é compatível com o pleno emprego e de acordo com qualquer livro texto de economia, tende a ser inflacionário a partir desse nível.

O gráfico abaixo é a projeção da taxa de juros no longo prazo, publicado ao final de cada reunião do FED. Como se pode notar em 2012 o nível era de 3,8% a.a., e veio caindo até 3% a.a., divulgado nesta última reunião.


Os economistas do Deutsche Bank também estão perplexos com a desconexão entre os juros e os fundamentos econômicos. O modelo do FED de Atlanta projeta um PIB de 2,8% este trimestre, enquanto os juros apontam no sentido inverso.


E aí fico com a seguinte dúvida: Se a inflação “core” se encontra estabilizada a 2% há um bom tempo, o nível de emprego indica pressão inflacionária para o futuro, a expectativa de crescimento não desaponta, por que o FED imagina que a taxa de juros de longo prazo será 3% a.a. - que corresponde a um juro real de 1% a.a.? Mesmo não sendo economista, a lógica indica três respostas.

1.       Eles acreditam que a economia crescerá com taxas baixas.
2.       Preferem errar a inflação por excesso, aceitando níveis superiores a 2% a.a.
3.       Não confiam que a política monetária manterá o crescimento futuro.

Talvez esse seja o grande motivo da discordância dos membros do Comitê, na projeção das taxas de juros, e como sugerem alguns analistas: “A Yellen parece que não confia mais nessa política”.

Independente de qual seja o motivo, esse cenário exposto acima não corresponde aos desejos do FED.

No post recessão, fiz os seguintes comentários sobre os juros de 10 anos: ...” Vou estabelecer um trade para a venda de juros ao nível de 1,69% - no fechamento, com um stoploss a 1,80% a.a. Se estivermos certos em nosso trade, preparem-se para as manchetes quando negociar abaixo de 1,5% a.a.”...


Ontem o mercado se aproximou do nível apontado, chegando à mínima de 1,52%. Depois disso busca uma recuperação.

O que eu venho enfatizando ultimamente sobre a quantidade de títulos que tem juros negativos, virou notícia do Jornal Nacional. A história mostra que quando isso acontece, provavelmente o movimento se encontra em seu estágio final. Mas como os juros nos títulos americanos ainda são positivos, devem estar chamando novos compradores de outros países. Pelo sim, pelo não, vou atualizar o stoploss para 1,65%.


O SP500 fechou a 2.071, com queda de 0,33%; o USDBRL a R$ 3,4158, com queda de 1,44%; o EURUSD a 1,1274, com alta de 0,45%; e o ouro a US$ 1.298, com alta de 1,53%.
Fique ligado!