Inflação: A Revanche

31 de maio de 2016

Pulando o muro


Tentar segurar a cotação do câmbio num nível artificial sempre termina em problema. Vários são os motivos que fazem os bancos centrais dificultarem o envio de recursos para o exterior das pessoas físicas. Um exemplo dramático atual é o caso da Venezuela, onde a diferença entre a taxa oficial e a do paralelo é enorme. Como venho dizendo, seu Presidente já está totalmente podre!

Já no caso da China os motivos podem ser outros, imagino que o maior receio seria uma debandada geral ocasionada por uma desvalorização mais forte da moeda. O câmbio naquele país é restrito a seus habitantes somente para viagens e pequenos valores.

Em 2013 o bitcoin, moeda eletrônica teve seu ápice em dezembro daquele ano quando sua cotação atingiu US$ 1.151 bolha-de-sabão. Os motivos que levaram a esse nível, foi a desconfiança no dólar que pairava naquela ocasião. Esse momento coincidia com as mínimas atingidas pelo “dólar-dólar’.

No início de 2014 o dólar - DXY iniciou uma recuperação subindo da mínima de 78,90 até 100,25 em dezembro último, uma alta nada desprezível de 27%. O bitcoin nesse período fez o caminho inverso, chegando a mínima de U$ 200, uma queda espetacular de 80%. As cotações em ambos andavam relacionadas até o evento ocorrido em agosto de 2015, quando o banco central Chinês atuou de forma desastrosa no câmbio. Como pode-se ver no gráfico a seguir, a partir daí o bitcoin se desvencilhou do dólar, ganhando caminho próprio.


Nestes últimos dias os chineses mergulharam novamente na compra da moeda eletrônica, e impulsionaram as cotações em 16% atingindo US$ 525. As bolsas chinesas de bitcoin’s estão operando normalmente, mesmo com o esforço de Beijing em conter o comércio da moeda, que não está sujeita a qualquer autoridade central, e que podem ser negociadas quase que instantaneamente através da fronteira.

Para se ter uma ideia de como essa moeda é transacionada na China, a Huobi e OKCoin, duas bolsas desse país, são responsáveis por aproximadamente 92% de todas as transações globais.

O aumento na procura por bitcoin neste fim de semana, poderia ser o mais recente sinal de como os investidores chineses estão movimentando seu dinheiro rapidamente entre classes de ativos, em busca de retornos elevados. Mas além desse objetivo aparente de retorno de curto prazo, a rede de bitcoin, composta por comerciantes em todo mundo com acesso a plataformas virtuais através de seus computadores e da internet, permite também, de uma forma discreta, a transferência de recursos dos chineses para fora do país, fugindo dos controles rígidos impostos pelo governo.

Isso já é visível pelo fato do bitcoin ser negociado com um ágio de 7,2% quando a moeda de troca é o yuan, o que não acontece com outras moedas. Esse prêmio persistiu durante esse ano, sugerindo que a demanda da China é responsável pelos recentes ganhos. Segundo consultores desse país, o motivo é a busca de uma proteção.

Um outro motivo que não deve ser expresso por quem é pesquiusado, pode ser uma forma de estacionar recursos não declarados. Com a quebra geral dos sigilos bancários vividos ultimamente, além dos acordos de troca de informações entre os países, dentro de pouco tempo, esse tipo de recurso não será aceito pela comunidade bancária, e o bitcoin pode ser uma solução. O grande problema dessa moeda é se ela também não seria uma solução para os recursos provenientes de droga e corrupção.

No post furo-nos-números, fiz os seguintes comentários sobre o dólar: ... “Do ponto de vista técnico, o dólar está buscando romper a região que denominei de “perigo”, e caso isso aconteça, vou sugerir um trade de compra de dólar acima de R$ 3,63 no fechamento. Caso aconteça, o stoploss será ao redor de R$ 3,50 - melhor calculado posteriormente”... Esse momento ainda não aconteceu, mas o dólar está buscando romper esse nível.


Existe uma formação em análise técnica que se denomina “cup of tea”, e o nome já diz tudo, parece uma xícara de chá – desenhada em verde. 

Permanece minha recomendação de compra acima. Acho melhor para quem está vendido em dólares não ficar relaxado tomando sua xícara de chá, e ao invés disso, preparar o energético! Hahaha....

Caso a compra se concretize nos próximos dias, o nível de R$ 3,75 tem que ser rompido para que o movimento de alta seja mais firme. Na verdade, a compra a R$ 3,63 é de certa forma especulativa, mas parece valer o risco.

Na semana passada, em conversa com um leitor, frisei essa minha intenção de compra, ele arregalou os olhos, principalmente quando disse que poderia romper os R$ 4,25. ...“como assim, o Temer vai cair? ”... Foi a sua indagação. Minha resposta foi lacônica “os gráficos não tem inside information!” Hahaha...

O SP500 fechou a 2.096, com queda de 0,10%; o USDBRL a R$ 3,6105, com alta de 0,95%; oEURUSD a 1,1129, com queda de 0,12%; e o ouro a US$ 1.214, com alta de 0,75%.
Fique ligado!

30 de maio de 2016

Até tu Yuan!


Hoje é feriado nos USA, e como de costume nestas datas, o mercado fica com pouquíssima liquidez. Um outro fato que chamou minha atenção foi a total falta de divulgação dos resultados da reunião periódica do G7. Honestamente, esta foi a pior dos últimos anos, deve ter sido mais uma viagem de turismo!

Ao ler o conteúdo das declarações, fica claro o motivo. Parece um manual de boas intenções, não existe nenhum comprometimento com nada. No quesito taxas de câmbio, é interessante: ...” We reaffirm that our fiscal and monetary policies have been and will remain oriented towards meeting our respective domestic objectives using domestic instruments and that we will not target exchange rates. We underscore the importance of all countries refraining from competitive devaluation”… Quer dizer que, um país pode mandar quantos helicópteros quiser, implementar taxas de juros negativas à vontade, e tudo isso não terá impacto no câmbio? Come on!

Já o pessoal na China aproveitou o feriado e resolveu fixar a taxa do Yuan, no menor nível desde fevereiro de 2011, antes do Mosca existir. Também, depois que a Yellen e sua turma avisou em vozes “garrafais” que vão subir os juros, já, já, os chineses querem evitar o fiasco da desvalorização atabalhoada em agosto do ano passado. Por via das dúvidas estão preparando o terreno para enfrentar o período de normalização dos juros americanos.


Já a bolsa parece estar paralisada ao nível de 3.000, mais de 40% abaixo do nível atingido há um ano.


Se vocês perceberam, muito se tem falado dos riscos dos USA subir os juros no momento errado, da Inglaterra mandar os europeus plantarem batatas, do terrorismo espalhado pelo mundo, mas muito pouco da China. Isso não é nada bom, se existe algum lugar onde as coisas não podem dar errado é lá. Está calmo demais, considerando os vários riscos que existem naquele país.

No post a-emoção-dos-resultados, fiz os seguintes comentários sobre o ouro: ...”Como apontei no gráfico, se o ouro realmente vai subir o intervalo entre US$ 1.180 – US$ 1.200, deverá limitar essa queda. E comparando-se com a situação hipotética que levantei acima, ao invés de sermos stopados naquele nível, talvez faremos uma última tentativa”...




Hoje pela manhã o ouro chegou a tocar no nível de US$ 1.200, bastante próximo do intervalo indicado acima. O que está me incomodando é a proximidade da linha verde apontada abaixo. Esse é um gráfico com uma visão de mais médio prazo, e quando houve o rompimento, deu um sinal positivo para que o ouro continuasse a subir.



Em análise técnica, quando um ativo rompe uma linha importante e depois de algum tempo, retorna abaixo da mesma, tem um significado ruim. Em outras palavras, como no caso do ouro em questão, ao romper em fevereiro a marca de US$ 1.200, deveria ter chamado novos compradores para se juntar aos antigos. Ficou algumas semanas na tentativa, como se estivesse num processo de correção, mas não parece estar aguentando. Caso retorne abaixo de US$ 1.200 de uma forma consistente, é possível que dentro de algum tempo, o metal testará novamente as mínimas de US$ 1.050.

Porém não estamos lá ainda, vamos observar como se comporta ao tentar retornar abaixo dos US$ 1.180.

- Xiii David, está virando a casaca? Não era você que, pregava a oportunidade de compra do ouro?
Era eu mesmo! Mas se o mercado não achar e me der indicações que eu estava errado, melhor eu mudar de opinião que ficar sem calças, não acha? Hahaha...


O USDBRL fechou a 3,5764, ,com queda de 0,94%; o EURUSD a 1,1142, com alta de 0,26%; e o ouro a US$ 1.205, com queda de 0,57%.
Fique ligado!



27 de maio de 2016

100.000!


Está semana o Mosca atingiu a marca de 100.000 visitas! Eu havia colocado dois objetivos que depois de atingido considerava  Missão Cumprida. O primeiro era publicar o milésimo post e outro essa marca no número de visitas.

Durante esses quase cinco anos, considero que muitas foram minhas conquistas: melhoria na escrita, disciplina na busca de material para publicação, e aprimoramento nas técnicas de operações sugeridas. O Mosca, como qualquer processo, evoluiu.

Quantos não foram os dias que não tinha nada de interessante a publicar, buscava daqui e dali e nada! Mas a necessidade de “estar nas bancas” no final do dia, acelerava minhas pesquisas e sempre encontrei assuntos que considerei de utilidade aos leitores.

Outro tema que venho buscando expor é a análise técnica, esse de maior dificuldade de compreensão pelas suas particularidades. Vocês já perceberiam que me tornei um crítico da análise fundamentalista, principalmente em assuntos macro econômicos, minha experiência mostrou que o risco x retorno com essa técnica não é positivo. Para quem gostar do tema, sugiro um aprofundamento com algum curso, ou mesmo com a leitura de livros especializados, mas adianto que é um caminho longo de absorção. Vale a pena!

- David, isso é uma carta de despedida?
Como poderia ficar sem seus comentários ácidos? Não, vou continuar, e a princípio do mesmo modo. Na próxima semana ninguém mais vai se lembrar deste momento, como dizia minha mãe “a vida continua”. Certamente o próximo Milestone que me vem a cabeça, é o de 1.000.000 de visitas. Acho que esse não vai dar no ritmo atual, eu teria 110 anos de idade! Assim, ou a visitação aumenta exponencialmente ou vou ter que me contentar em chegar aos 200.000, o que não é pouca coisa.
Vamos em frente! A todos os leitores que leem assiduamente meu trabalho, muito obrigado!


Fique ligado!

25 de maio de 2016

Cabra macho!


Michel Temer resolveu bater o $%# na mesa, dizendo que está acostumado a lidar com bandidos e que sabe sim comandar o país. Sua primeira vitória aconteceu ontem ao aprovar as medidas necessárias, mas não suficientes, para um longo processo de controle das contas públicas.

Ontem foram publicadas nossas contas cambias, e como vem acontecendo nesses últimos meses, mostram melhoras significativas, das quais destaco os principais pontos. O gráfico a seguir mostra o expressivo ajuste realizado nas contas externas, cujo déficit acumulado em 12 meses encolheu de US$ 41,4 bilhões para US$ 34,1 bilhões, representando 1,97% do PIB.




A entrada de investimentos diretos encontra-se estabilizada ao redor de US$ 80 bilhões (4,6% do PIB), o que demostra o apetite dos estrangeiros pelo país, mesmo em situação política extremamente adversa. Qual não poderá ser essa cifra dentro de alguns meses, quando serão oferecidos vários projetos de infraestrutura.

A redução do déficit se deu nas três grandes contas, as quais sejam: balança comercial – com um superávit no mês de U$ 4,7 bilhões e projeção de US$ 55 bilhões, passando a ser o principal item de entrada depois dos investimentos diretos; conta de serviços – redução no déficit mensal para US$ 2,5 bilhões e US$ 32 bilhões em 12 meses, com forte redução nas despesas dos brasileiros com viagens ao exterior; e conta de rendas, com déficit de US$ 1,9 bilhão e US$ 32 bilhões em bases anuais.

O financiamento deste déficit através da conta financeira, através das captações líquidas, praticamente equilibraram as saídas. Além do investimento direto destacado acima, os investimentos em carteira somaram US$ 0,7 bilhão, quem vêm declinando no último ano, por conta da queda nos investimentos em títulos de renda fixa. A razão principal deste declínio é reflexo da redução dos fluxos globais aos países emergentes, e o rebaixamento da nota brasileira pelas agências de rating internacionais.




As reservas internacionais permaneceram ao redor de US$ 376 bilhões, e o hiato financeiro, diferença entre o déficit em transações correntes (excluindo os recursos reinvestidos no país) e a entrada líquida da conta financeira, apresentou entrada líquida de US$ 6,8 bilhões no mês.

Dificilmente poderia ser melhor, ainda mais considerando que o banco central reduziu sensivelmente sua exposição através dos swaps cambias. Como venho colocando ultimamente, a cotação do dólar tenderá ficar sujeita mais a evolução do ‘dólar – dólar’ no exterior e a politica monetária “sob nova direção”.

Enquanto por aqui, fica uma discussão se o governo tem poucas mulheres, ou como a eliminação do Ministério da Cultura é algo gravíssimo, vejam o que está acontecendo na China. No último mês o governo Chinês aprovou seu planejamento para os próximos 5 anos. Seu principal objetivo é ultrapassar a Alemanha, Japão e os Estados Unidos em termos de sofisticação da produção no ano de 2049, que coincide com o aniversário de fundação da República Popular da China.

Para que isso aconteça, o governo precisa que as empresas chinesas adotem robôs aos milhões. O governo está disponibilizando bilhões de yuans a essas empresas, a fim de aprimorar a tecnologia incluindo máquinas sofisticadas e robôs. Dessa política já surgiu alguns efeitos, por exemplo, a Foxconn, grande produtora de componentes da Apple, reduziu seu número de funcionários de 110.000 para 50.000.

Num esforço de minimizar manifestações sociais decorrentes dessas mudanças, o país está separando $ 23 bilhões de Yuans para cobrir essas dispensas que vêm ocorrendo.

Vocês podem notar a diferença de atitude daquele governo, que ao invés de buscar incentivar o emprego em áreas cuja utilização de humanos é obsoleta, procuram auxiliar esses desempregados. Insistir em políticas fadadas ao fracasso, ou que dependerão de subsídios para sobreviver, é colocar o país na contramão!

No post hoje-e-agora, fiz os seguintes comentários sobre o Bovespa: ...” indicam que uma correção deve acontecer em breve. Um grande candidato para iniciar essa correção seria ao redor de 56.000. Caso aconteça, antevejo que essa correção poderá durar algumas semanas e atingir um nível entre 47.000 – 49.000, uma queda acima de 10%”... Essa correção acabou acontecendo e acredito que uma oportunidade de compra surgirá em breve.




O nível de compra é 48.000 com stoploss a 46.000. É uma tentativa no caminho de uma alta. Quero reforçar o que coloquei no post acima:...”para que possamos afirmar que o mínimo deste ciclo ocorreu em janeiro último a 37.000, e necessário que a bolsa ultrapasse os 57.000, conforme apontado no gráfico abaixo. Do ponto de vista técnico existe uma boa chance para que isso tenha ocorrido”...




Vejam que está grifado boa chance. É necessário o rompimento dos 57.000, que poderá ocorrer se minha sugestão esteja correta. Caso contrário, com a bolsa tendendo a cair, um nível de alerta acontece à 43.000, abaixo disso, poderemos ter problemas!

Mesmo sendo feriado amanhã, haverá uma publicação comemorativa, aguardem!

O SP500 fechou a 2.090, com alta de 0,70%; o USDBRL a R$ 3,5909, com alta de 0,58%; o EURUSD a 1,1150, sem variação; e o ouro a US$ 1.223, com baixa de 0,22%.
Fique ligado!


24 de maio de 2016

A emoção dos resultados


Um livro recentemente lançado, what_I_learned_losing_one_million_dollars, conta a história de Jim Paul, um ex-trader de futuros da Chicago Mercantile Exchange, que fez uma quantidade considerável de dinheiro quando era jovem, mas perdeu tudo depois de apostas erradas e más escolhas.

Este é um assunto que todo investidor tem uma história para contar, ou esconder! Quem já não perdeu? Eu sempre digo que, o que diferencia as pessoas inteligentes é que elas aprendem com os erros. O post de hoje contém alguns pontos extraídos desse livro.

Por que as pessoas tomam decisões erradas:

...”As pessoas perdem dinheiro nos mercados, quer por causa de erros na sua análise ou por causa de fatores psicológicos que impedem a aplicação da análise”...

A experiência pode ser superestimada?

...”A experiência é o pior professor. Ele dá o teste antes de dar a lição”...

No viés de auto atribuição:

...”Personalizar sucessos expõe as pessoas ao fracasso desastroso. Eles começam a tratar o sucesso como uma reflexão pessoal e não o resultado de identificar uma boa oportunidade, estar no lugar certo na hora certa ou mesmo sendo simplesmente sorte ”...

No viés de confirmação:

...”Não há nada pior do que duas pessoas que têm a mesma posição falar uns com os outros sobre a posição ”...

Na corrida para ganhar dinheiro:

...”Na certeza de "estar certo" no mercado e ganhando todo esse dinheiro é inacreditável. Você está totalmente invencível. Você é imune a todas as dores. Não há nada de ruim no mundo”...

Na emoção da vitória e na agonia da derrota:

...“Quando eu estava ganhando dinheiro, não podia esperar para o mercado abrir. Quando eu estava perdendo dinheiro, não poderia esperar por ele para fechar”...

Em ancoragem:

...”O tempo é muito doloroso quando você está perdendo dinheiro. Tudo que eu queria era que o mercado voltasse para os níveis anteriores, e eu saísse da posição sem prejuízo”...

No processo contra os resultados:

...”As decisões podem ser boas ou ruins, mas não certas ou erradas”...

A gestão de dinheiro é com o risco, não o retorno:

...”Tudo o que você pode realmente determinar é a quantidade de sua exposição contra à probabilidade de que o mercado vai ou não para um determinado preço. Portanto, o que você pode fazer é gerenciar a sua exposição e perdas, não prever lucros”...

Sobre a necessidade de estar certo:

...”Você está operando para o reconhecimento, congratulando-se por prever cada movimento do mercado, ou você está para ganhar dinheiro? ”...

Siga com o seu plano:

...” Qualquer desvio do seu plano desencadeia o potencial de perdas devido a fatores psicológicos. ”...

É praticamente impossível não ter passado por várias situações mencionadas por esse trader. Eu enfatizei a que considero a mais perigosa, quando o importante não é o bolso, mas o ego. As chances de perder dinheiro depois de um acerto são grandes.

Outra situação que eu odeio, é quando executo um trade que em seguida vem a seu favor, e aí você recebe parabéns por quem executou a operação. Eu sempre repito:  “Parabéns somente quando a operação estiver liquidada”. Não quero ficar me vangloriando do acerto temporário e perder o foco da operação original que poderá virar um prejuízo.

Tudo isso requer uma disciplina germânica, pois somos seres humanos. Quem não gosta de um elogio? Siga o lema do Mosca: O compromisso é com o bolso!

No post alguém-ouviu-china, tinha uma expectativa que o ouro retornasse a subir: ...” Depois de romper e atingir a máxima de US$ 1.303, o metal penetrou novamente abaixo da linha verde atingindo a mínima de US$ 1.257... ... “A partir de agora, espero que o movimento de alta ganhe força, meu objetivo é US$ 1.360. Vou subir o stoploss para US$ 1.255”...


 
Mas não foi o que acabou acontecendo, no dia 19/05 fomos estopados e depois disso o ouro continuou caindo. O texto acima se encaixa nesta situação do metal. Se vocês se recordarem, eu tentei comprar o ouro entre março e abril, caso caísse para um nível que eu considerava interessante – US$ 1.190, mas não chegou a atingir esse ponto. Em seguida, resolvi colocar um trade caso rompesse o nível de US$ 1.280 o que acabou acontecendo.

Porém, foi por pouco tempo que permaneceu acima desse nível, apenas alguns dias. Esse movimento deu uma informação não tão positiva, o ouro estava sem força para romper. Ajustei meu stoploss para um nível acima do original – de US$ 1.240 para US$ 1.255.

Se não estivesse colocado um stop mais “justo” estaríamos agora querendo justificar o porquê dessa retração e provavelmente ajustaria o stop a US$ 1.190, o que poderia acarrtear uma perda potencial de 7,5% (US$ 1.280 para US$ 1.190).



Como apontei no gráfico, se o ouro realmente vai subir o intervalo entre US$ 1.180 – US$ 1.200, deverá limitar essa queda. E comparando-se com a situação hipotética que levantei acima, ao invés de sermos stopados naquele nível, talvez faremos uma última tentativa.


Se o importante fosse minha opinião de que o ouro iria subir e não meu bolso, estaríamos numa situação ruim. Veja que vários dos pontos levantados pelo livro se encaixam como alertas. Acho que aprendi essa lição!

O SP500 fechou a 2.076, com alta de 1,37%; o USDBRL a R$ 3,5752, sem alteração; o EURUSD a 1,1141, com queda de 0,69%; e o ouro a US$ 1.226, com queda de 1,78%.
Fique ligado!

23 de maio de 2016

Furo nos números


Quem de vocês gostaria de assumir a Presidência da República? Posso dizer por mim, que nem por todo o dinheiro do mundo, aceitaria esse cargo. Como a condição, absolutamente necessária, é de negociar com o Congresso para que sejam feitas as mudanças necessárias para estancar o déficit público, em quem você poderia confiar naquela casa? Além disso, é inegável que o país está muito dividido, basta ver o estrago que a eliminação do Ministério da Cultura causou. Sem falar em manifestações espalhadas por aí, com demandas das mais diversas.

Obrigado Temer, por assumir este cargo bomba!

A revelação da conversa telefônica de Jucá hoje pela imprensa, será o primeiro teste do governo. Ao verificar os detalhes da mesma, me parece inequívoco que esse Senador tenha cometido um grande deslize ao dizer a Sérgio Machado: ...” “não pode ficar na mão desse [Moro]”... Parece não restarem dúvidas que esse caso deve ter repercussões importantes. No Brasil atual e parafraseando o que Cesar disse para sua mulher, mas que no caso brasileiro merece uma adaptação: ...“precisa parecer honesto por que ser honesto aqui é impossível!  ... Hahaha....

Não vai ser nada fácil, no mínimo para colocar o país na rota certa, pois qual quer que seja o governante, sempre haverá uma boa parcela da população remando contra. Diz a história que em situações como esta é necessário um governante “louco”, de certa forma, o que Collor foi. O grande perigo é que normalmente trata-se de um radical de esquerda ou de direita. Será que vamos passar por isso?

Parece que ao observar os dados de manufatura dos países, os resultados apontam resultados semelhantes. Hoje foi publicado o PMI elaborado pela empresa Markit no Japão, e lá não foi diferente, uma queda abaixo de 50, indicando contração. Além do mais, essa fraqueza é observada na produção, exportação e novos pedidos. E de forma surpreendente, o único componente que mostra estabilidade é o emprego.




O relatório também aponta a contração na demanda externa, onde se observou a maior queda dos últimos três anos. A publicação dos dados da balança comercial japonesa aponta uma queda ainda maior das importações, atingindo a marca de -25% em bases anuais. 



Como consequência, o superávit comercial deu um salto para o terreno positivo.




Se tantos países estão acumulando superávits maiores em sua balança de comércio – Japão, Alemanha, países emergentes, e dado que a americana teve pequena elevação, quem está sofrendo? Só sobra a China! Mas não é o que os números apontam por lá. Hummm...

Eu venho alertando os leitores que o dólar em relação ao real, vem se comportando de maneira perigosa. O perigoso aqui seria uma reversão no movimento de queda que se iniciou à partir de outubro de 2015. Essas reversões não acontecem instantaneamente, de um dia para o outro, o mercado vai dando alguns “avisos”.

Fiquei surpreso ao saber que grandes fundos e investidores estrangeiros que apostavam firmemente contra o real, mudaram de ponta. No post um-dia-apos-o-outro, comentei que o Fundo Verde, um dos maiores do país, está agora vendido no dólar. Além disso, o Banco Central vem firmemente reduzindo os contratos de swap, que agora já se encontram abaixo de US$ 60 bilhões. Se isso não bastasse, e o ‘dólar –dólar’ resolver subir, acredito que esse ciclo de baixa do dólar poderá estar terminando.

No post mencionado acima, fiz as seguintes observações sobre o dólar:...” O jogo está ficando mais claro, marquei dois pontos importantes para se posicionar em relação ao dólar. Num cenário de alta, o nível de R$ 3,68 teria que ser rompido para ser um indicador inicial da reversão de queda. Por outro lado, abaixo de R$ 3,43, o movimento de baixa teria continuidade e o próximo patamar seria o nível de R$ 3,25. No nível atual de R$ 3,50 nada pode ser afirmado, mas a direção de menor “resistência” é a queda”...


Do ponto de vista técnico, o dólar está buscando romper a região que denominei de “perigo”, e caso isso aconteça, vou sugerir um trade de compra de dólar acima de R$ 3,63 no fechamento. Caso aconteça, o stoploss será ao redor de R$ 3,50 - melhor calculado posteriormente.



Pode ser que eu esteja antecipando o fim do movimento, e esse não irá acontecer agora, mas prefiro ser cauteloso, pois sei que boa parte dos leitores tem interesse nesse ativo. Como citei no post da última sexta-feira: ...“Além de entender de jeans, temos que entender de dólar”... Hahaha! Mas atentem bem que, o dólar terá que fechar acima de R$ 3,63.

O SP500 fechou a 2.048, com queda de 0,21%; o USDBRL a R$ 3,5727, com alta de 1,51%; o EURUSD a 1,1213, sem variação; e o ouro a US$ 1.249, com queda de 0,22%.
Fique ligado!

20 de maio de 2016

Jeans ou dólar?


Para quem vive no Brasil, principalmente quem já tem certa idade, é obrigatório entender de câmbio. Lembro certa vez no BFB quando um fabricante de jeans veio conversar comigo, pois tinha uma dívida cambial e estava preocupado com uma possível maxidesvalorização.

O mercado não era tão sofisticado e não existiam mecanismos de hedge, como hoje em dia. No banco implementamos o que talvez foi o primeiro contrato de swap. Tinha uma diferença importante em relação aos contratos atuais uma vez que, não existia mercados futuros e era proibido ficar vendido em dólares no mercado a vista. A solução foi indexar as NTN’s cambias, títulos esses que eram atrelados ao dólar.

Comecei explicando a esse empresário como funcionava essa operação e quais os riscos envolvidos, haja visto que não era um hedge perfeito. Depois de ouvir atentamente minha explanação, ele disse: ...“além de entender de jeans eu tenho que entender disso também?”... Entendi sua angústia, mas minha resposta foi um sim!

Nos anos 2000 comecei a me envolver com o mercado de câmbio internacional, e por sorte ou não, tive um resultado muito positivo ao ficar comprado no euro e seus derivados a 0,87. Daí em diante, não existe nenhum dia onde não acompanho as principais moedas, e tenho que confessar que, é esse o ativo de minha preferência. Com um movimento diário de US$ 5 trilhões, é disparado o de maior liquidez mundial.

Acontece que, depois da crise de 2008, com a interferência financeira de vários BC’s, esses mercados mudaram. Quem usa fundamentos para análise está sujeito a grandes erros, não por sua análise, mas que agora o movimento do câmbio é movido por outras variáveis. Assim, a análise técnica passa a ser mais útil.

Hoje quero comentar uma correlação, que imagino espúria mas que acabou acontecendo com as moedas dos países emergentes. Mas antes disso, queria apresentar o gráfico a seguir mostrando a evolução do PIB dos países emergentes.


Se um país tivesse um critério de seleção como numa empresa, alguém contrataria a Dilma?

As moedas dos países emergentes normalmente são movimentadas pela expectativa de crescimento e sua balança de pagamentos. Quando a primeira está bem e a segunda ruim, o mercado tem certa complacência, mas se a primeira está mal e a segunda também, sai da frente, os estrangeiros vêm babando para ficarem vendidos até as tampas no câmbio desse país.

O gráfico a seguir mostra algo que realmente é surpreendente, embora hoje em dia, mais e mais isso venha acontecendo, é a correlação entre uma cesta de moedas de emergentes contra a bolsa de valores.



Ao invés de ser conduzido por dados econômicos ou a política monetária, as taxas de câmbio dos mercados emergentes são os mais intimamente ligados aos movimentos das ações e commodities, desde pelo menos 2013. Quando caem, é quase certo que o iene irá subir, e vice-versa.

A razão é o FED, me explico, se ele sobe os juros, o dólar deve subir e a atratividade das bolsas piorar, mesmo que seja porque a economia está dando sinais de melhora. Eu pessoalmente fico espantado com esse racional, e o motivo é que não estamos falando que os juros estão a 5% e terão que subir para 8%. Aqui é se vai subir míseros 0,25% e devagarzinho, como tudo pode ser tão sensível a esse movimento?

Acredito que o receio do mercado não seja esse que é usado como racional, mas a possibilidade de elevações muito maiores se a inflação sair de controle.

Como dizia meu ex-sócio “contra o fluxo não há argumentos” e essa correlação deverá existir por um tempo. A teoria de diversificação fica completamente comprometida e não adianta lutar contra, deve-se incorporar por enquanto essa tendência. Assim recomendo usar ativos líquidos em qualquer investimento que se faça, uma mudança de ideia deve poder ser executada rapidamente.

 Não podemos esquecer o tema do Mosca para 2016 “US$ The return?”, pois uma nova alta da moeda americana vai influenciar o real. No post as-aparências-enganam, tinha definido dois níveis para uma possível reversão da queda recente: ...” Podemos esperar uma queda até o nível de 93 (1), ou até 90 (2), para que a partir daí retorne o movimento de alta”...


Do ponto de vista técnico está tudo pronto para que o DXY reinicie seu movimento de alta. Respeitou o nível de 93 e reverteu, está buscando ultrapassar o canal de baixa (1). Só é possível afirmar com certeza acima de 100,5, mas uma aposta com um stop a 94 pode ser bem-vinda, embora seja mais prudente aguardar o rompimento em (1), com um fechamento semanal acima de 95,5.


A reunião de junho do FED pode ser um triger para acelerar esse movimento, se houver o aumento de juros que foi aventado na ata publicada essa semana. Mas como todo bom analista técnico, o que importa o que o FED vai fazer ou não? Observa os preços e pronto!


O SP500 fechou a 2.052, com alta de 0,60%; o USDBRL a R$ 3,5195, sem variação; o EURUSD a 1,1222, com alta de 0,20%; e o ouro a US$ 1.251, com queda de 0,19%.
Fique ligado!

19 de maio de 2016

Profundezas em finanças


Antes de escrever o post de hoje, avaliei se o seu conteúdo não poderia ser muito avançado aos meus leitores. Não que não tivessem capacidade de entender, mas por se tratar de um assunto técnico. Por outro lado, depois de cinco anos postando todos os dias, achei que seria a hora de testar.

Uma das medidas para avaliar se uma economia projeta crescimento ou não, é através da curva de juros, que nada mais é que um gráfico que contém os níveis de juros conforme seu vencimento. Graficamente existem quatro cenários: Normal, invertida, flat e “corcunda”, conforme a figura abaixo.


Normal: Como o próprio nome diz, acontece em situações normais de crescimento, onde se é esperado que a remuneração seja mais elevada conforme o prazo aumenta.

Flat: Essas situações podem acontecer quando os juros no curto prazo estão elevados por que: ou o BC quis reduzir os riscos de inflação, ou porque a atividade econômica estava acima do desejado. Ao normalizar esse cenário, espera-se que as taxas de juros curtas caiam a um nível mais normal. Desta forma, os juros longos e curtos são semelhantes, a curva torna-se flat.

“Corcunda”: Esta forma, onde os juros de médio prazo são superiores ao de curto e longo prazo acontecem por situações mercadológicas, como um excessivo vencimento de títulos no médio prazo, ou algum outro motivo, não existindo um fator econômico que justifique.

Invertida: Esse é o caso clássico de se antever uma recessão, pois só faz sentido um investidor comprar um título longo, se acreditar que os juros curtos irão cair significativamente. Fica implícito que, a autoridade monetária irá reduzir sensivelmente os juros de curto prazo.

O mercado americano usa para avaliar esses cenários, a diferença de juros entre os vencimentos de 2 anos e 10 anos, o que eles denominam – 2/10 spread .

O juro de curto prazo é muito sensível aos movimentos do FED, se ele pretende subir os juros, esses títulos reagem imediatamente, se pretendem diminuir acontece o inverso. O mesmo não se sucede com os juros de 10 anos que são dirigidos por outras variáveis como: projeção da inflação, oferta e demanda desses títulos, crescimento da economia entre outros.

Existem estudos mostrando que todas as vezes que esse spread fica negativo a economia entra em recessão mais a frente, assim muitos analistas acompanham de perto essa variável.

Agora vamos a situação que vivemos hoje, ontem foi publicado as minutas da última reunião do FED realizada em abril. Nesse documento está explicito que alguns diretores do FED querem subir os juros já na próxima reunião de junho. Essa revelação pegou o mercado de surpresa, pois a probabilidade desse evento estava em apenas 34%. Imediatamente após a publicação, passou para 67%.

Todos sabem que os juros encontram-se artificialmente baixos, o objetivo do FED é incentivar a demanda. Acontece que o mercado tem dúvidas de como seria essa normalização para atingir o nível almejado de 3,5%.

Um título de 2 anos pode ser muito curto para atingir esse objetivo de taxa, porém um de 10 anos não. Numa situação como hoje, a curva de juros deveria ser a normal e o spread 2/10 estar subindo, porém não é o que vem ocorrendo.

No gráfico abaixo, a linha vermelha é relativa ao juro de 10 anos, enquanto a rosa, o de 2 anos. A área em branco indica a diferença entre ambos.



A título de ilustração observem que:

- No período de 2007, a curva estava flat, pois o mercado esperava que o FED baixasse o juro para enfrentar a crise;

- Entre 2009 - 2011, o mercado imaginava que o FED começaria a subir os juros, nesse momento a curva estava normal.

- Em 2012 a autoridade monetária implementou o QE3, pois a economia começou a cambalear, o spread caiu novamente, e jogou-se à frente o início do aperto monetário.

- Já, no início de 2014, o spread voltou a subir.

Até 2014, acredito que com um pouco de distorção aqui, um pouco acolá, nada de muito dramático aconteceu na curva de juros.

Porém algo muito estranho sucedeu a partir daí. O spread diminuiu da forma mais rara, com o juro de 2 anos subindo e o de 10 anos caindo.

Eu até consigo imaginar uma situação onde isso pudesse ocorrer, se, por exemplo, os juros do FED funds – CDI americano, estivessem em 3%, os juros de 10 anos em 6%.  Neste caso, imaginando que o FED subisse os juros para conter uma pequena alta de inflação ou atividade mais aquecida, a curva estaria correta.

Mas com o FED funds a 0,25% a.a., e os juros de 10 anos a 1,75% a.a., em conjunto com o FED pretendendo subir os juros para 3,5% a.a., sou levado a concluir que, quem compra um título de 10 anos é louco!

A explicação dada pelos analistas, para essa distorção em sua essência é que, quem está comprando esses títulos mais longos são os estrangeiros, em busca de algum juro positivo, haja visto que, uma grande maioria dos bonds tem juros negativos ao redor do mundo.


O Wall Street Journal publicou um simulador que calcula quais seriam os prejuízos num eventual ajuste dos juros nos títulos longos. Eu selecionei uma alta de 2% a.a. O gráfico aponta qual seria o impacto no preço dos vários títulos soberanos que circulam no mercado global.



Um pouco complicado? Entendo que seja, mas vamos ver quais são as conclusões que podemos tirar:

1)      A curva de juros está assim porque o mercado aposta que o FED vai parar de subir os juros, ou até reduzir logo adiante. Se isso ocorrer, os bonds longos são uma boa opção de investimento, mesmo pagando esses míseros 1,8% a.a.

2)      A curva está totalmente distorcida pela compra desesperada dos estrangeiros, mas algum dia retornarão os juros, a um nível mais “correto”. Neste caso, deve-se levar em conta o prejuízo calculado acima.


- David, e onde você se enquadra?
Não tenho viés nenhum, fico só observando! Não é para menos que venho enfatizando a indefinição nesse ativo!

No post depressão-pós-impeachment, eu fiz os seguintes comentários sobre os juros de 10 anos: ...”compraria os juros – acreditando que subirão. Mas minha convicção é baixíssima, só com um revolver para tirar isso da minha boca. O motivo da compra é puramente técnico...” Minha recomendação básica é: ...” Numa tendência de alta, acima de 2% a.a. daria a primeira indicação, porém é acima de 2,20% - 2,30%, onde ficará mais forte o sinal. Caso contrário, na queda, o nível de 1,65% a.a. rompido, oferecerá o sinal para novas quedas”...


Quem seguiu minha recomendação está ganhando alguns “trocos”, mas continuo sem nenhum segurança se a tendência de baixa dos juros já reverteu. Pelo contrário, tracei um triângulo que pode estar se formando, onde o sentido mais provável é para baixo.

Se você comprou os juros, recomendo um stoploss no preço de entrada, dedo no gatilho!

Para todos os outros não vamos fazer nada até que o mercado decida para onde quer ir. Assim, os níveis acima são nossos guias de entrada.

O SP500 fechou a 2040, com queda de 0,37%; o USDBRL a R$ 3,5167, com queda de 0,15%; o EURUSD a 1,1200, com queda de 0,13%; e o ouro a US$ 1.254, com queda de 0,31%, esse nível ativou nosso stoploss.
Fique ligado!

18 de maio de 2016

Temer ou não temer


O novo Presidente da República tem um sobrenome que permite dupla interpretação, pode ser um verbo cujo significado é receio. Este trocadilho que eu uso hoje é para enfatizar se devemos temer que, a implementação das medidas necessárias para estancar a aceleração da dívida brasileira, será concretizada ou não.

Vou direto ao assunto, a Rosenberg efetuou algumas simulações das contas públicas seguindo premissas razoáveis. O resultado é desanimador! O gráfico a seguir mostra que, num cenário realista a dívida pública irá se estabilizar proximamente a 90% do PIB em 2019.



Eu considero esta simulação mais para o lado otimista, vejam as razões: O crescimento médio do PIB nos últimos 20 anos foi de 2,7%, e foram anos muito bons! Juro real em 4,5% é mais factível, agora um superávit de 2,5% do PIB, é superior a média desde 1995 – 1,9% do PIB.

E o que aconteceria se o PIB crescer 1,5%, o juro real de 5,5%, e o resultado primário de 1,5%? Desastre! Provavelmente, nossos filhos passariam por algum calote da dívida.



Todos os participantes da reunião sabem que, sem mexer fortemente, este último cenário passaria a ser considerado. Sabem também, que esses cortes necessários, precisam de mudanças radicais e que irão mexer no bolso de muitos brasileiros, além de uma mudança Constitucional.

Não preciso dizer que esse assunto polemizou a reunião, alguns acreditando que o Temer mostrou competência no processo de impeachment e na montagem de sua equipe e que, portanto, irá conseguir amplo apoio do Congresso. Outros mais céticos creem que estamos a caminho de uma ruptura, e finalmente aqueles que confiam que o governo conseguirá parcialmente seus objetivos, mas que de longe, estaria melhor que a velha equipe, jogando o momento final para 2018.

Os outros indicadores não apresentaram muita novidade, a situação cambial muito confortável, a inflação num processo de desaceleração fechando 2016 em 7,2%, o desemprego continua piorando chegando a 13 milhões no final do ano, e uma queda de 1% da SELIC, para 13,25%, ao final de 2016.

Houve uma concordância, que os próximos 30 dias serão cruciais para projetar se precisamos: Temer ou não temer!

-David, qual a sua posição?
Vamos esperar os 30 dias, mas como venho repetindo, resolver o estado caótico em que o Brasil se encontra, é quase uma missão Impossível.

No post ...sem confiança..,fiz os seguintes comentários sobre o SP500: ...” Caso a retração dos últimos dias continue, até o nível de 2.000, não vejo grandes preocupações,  uma alta poderá ocorrer logo em seguida”... ...” disse que acima de 2.130 o SP500 deveria subir forte, mas antes ele tem que fazer sua lição de casa. Por enquanto estamos só observando quem vai ganhar esta batalha entre os “lógicos” e os “sem juros”! Hahaha... Não sei quem será o vencedor, por isso, respeito os preços”...


Faz aproximadamente 2 anos que a bolsa americana não tem tendência nenhuma, ficou num intervalo entre 1.850 – 2.100. Em algum momento ela irá readquirir um movimento mais direcional, e o fato de ter ficado tanto tempo, indica que deverá ser forte. Até o nível de 2.000 é aceitável a retração, porém abaixo desse valor as coisas podem ficar mais delicadas. Eu anotei no gráfico abaixo uma formação denominada de ombro-cabeça-ombro. Sua ativação começa caso o nível de 1.850 seja rompido. Nesse caso, uma queda mais forte deverá ocorrer, assim precisamos tomar cuidado. 
 O SP500 fechou a 2.047, sem variação; o USDBRL a R$ 3,5670, com alta de 2,20%; o EURUSD a 1,1215, com queda de 0,85%; e o ouro a US$ 1.259, com queda de 1,49%.
Fique ligado!

17 de maio de 2016

Alguém ouviu China?


Tanto internamente quanto externamente não se observa ultimamente muitas notícias sobre a China, o que de certa forma é bom. Entretanto, alguns analistas vêm apontando a elevação da dívida como uma ameaça a estabilidade daquele país.

Empréstimos Liberais têm feito parte da economia durante anos. As preocupações surgem agora por causa da expansão da dívida, que está se aproximando de níveis críticos. Desde que a China liberou bilhões de dólares em empréstimos para enfrentar a crise financeira global de 2008, a dívida total cresceu de 164% do PIB, para 247% no ano passado, segundo estimativas da Bloomberg. A Dívida das famílias e do governo central ainda são gerenciáveis em 41% e 22%, respectivamente, mas a dívida corporativa, a 165%, é muito maior do que na maioria dos países em desenvolvimento.



Ao mesmo tempo, o presidente Xi Jinping quer entregar um crescimento econômico de 6,5%. Para atingir esse objetivo, o governo terá de fornecer empréstimos as empresas para mantê-las. Muitos já estão em situação delicada. Com o aço, carvão, cimento e indústrias de bens imobiliários que sofrem excesso de capacidade e lucratividade em queda, defaults corporativos tendem a subir.

A China corre o risco de cair em um padrão de crescimento cronicamente baixo, tanto quanto o Japão fez a partir de 1990, como cada vez mais crédito é necessária para abastecer uma economia em desaceleração. Na China no ano passado, 10 % de crédito novo, foi para o serviço da dívida existente, a UBS Securities estima. ..."Eles nunca poderão desalavancar - O Japão nunca fez", diz Chen. "Mas então você fica preso a um crescimento no longo prazo mais lento, e acaba com um monte de empresas zumbis que retardam a economia”...

Mas como estão se comportando os principais ativos chineses? O mais crítico até recentemente era o Yuan. Como o gráfico abaixo mostra, podemos assumir que depois da desastrosa atuação em agosto passado e algumas medidas tomadas posteriormente para corrigir, o dólar encontra-se ao redor de 6,50.

A bolsa de valores também mantém uma estabilidade depois que seu índice caiu aproximadamente 50% de agosto do ano passado.



Então, é para ficar preocupado ou não? Como disse Luis Paulo Rosenberg na reunião da Rosenberg “A situação da China é como ter um elefante na sala de reuniões, por enquanto está quieto, mas se resolver se mexer...”

No post o-dia-D, fiz os seguintes comentários sobre o ouro: ...” Depois de romper e atingir a máxima de US$ 1.303, o metal penetrou novamente abaixo da linha verde atingindo a mínima de US$ 1.257... ... “A partir de agora, espero que o movimento de alta ganhe força, meu objetivo é US$ 1.360. Vou subir o stoploss para US$ 1.255”...

O nível de rompimento a US$ 1.280, parece não ter sido digerido pelo mercado, conforme destacado na elipse, vem ficando acima e abaixo nos últimos vinte dias.  Mas eu continuo acreditando na alta do metal no curto prazo, e mantenho os mesmos parâmetros definidos acima.

- David, antes que você termine, quais são as últimas dos economistas?

Ah, a reunião da Rosenberg? Este assunto fica para amanhã, vou só adiantar o tema: “Temer ou não temer”. Amanhã vêm os detalhes.

O SP500 fechou a 2.047, com queda de 0,94%; o USDBRL a R$ 3,4902, com queda de 0,25%; o EURUSD a 1,1311, sem variação; e o ouro a US$ 1.278, com alta de 0,39%.
Fique ligado!

16 de maio de 2016

Um dia após o outro


Enquanto os analistas fazem projeções de quanto irá melhorar a economia brasileira, os últimos dados publicados no mercado americano mostram evolução. Voltando ao tema brasileiro, o otimismo mostrado deve ser seguido com certa cautela. Para que possamos sair do buraco em que nos encontramos, muitas mudanças dolorosas serão necessárias, e não sei se a sociedade brasileira tem consciência do que isto pode significar.

Por exemplo, qual será a reação dos empresários se o governo implementar a CPMF? Como o Congresso vai se portar com uma reforma profunda da previdência? Estas e muitas outras questões terão que ser colocadas na mesa, caso Temer queira realmente colocar o país nos trilhos. Amanhã participo da reunião da Rosenberg e comentarei melhor essas questões.

As vendas ao varejo da economia americana cresceram com a taxa mais elevada do último ano, ultrapassando as estimativas dos economistas.


Interessante notar que, essa evolução deveu-se ao crescimento das vendas on line, em detrimento das lojas de varejo.


Outro índice relativo ao consumo, U.S. Michigan Consumer Sentiment, também se aproximou dos níveis máximos, indicando uma melhora de humor para as compras.



Em relação às expectativas sobre o PIB, fui verificar como anda a projeção feita pelo FED de Atlanta, o guru nesta área. Uallll... Neste momento indica um crescimento de 3% do PIB, e está no topo das projeções dos analistas.


O interessante com tudo isso, é que a taxa de juros aponta somente um aumento de juros para esse ano. O Deutsche Bank vê outros motivos para os níveis tão baixos dos juros de 10 anos. A falta de emissão de títulos novos, como o gráfico a seguir aponta.

No post polarização-uma-tendência-global estava desconfiado que a queda do dólar poderia estar chegando ao fim: ...” Hoje foi muito importante saber que o mercado está fechando próximo das mínimas. Como os gráficos não se preocupam com nada, a não ser os preços, vou manter a recomendação (compra de dólar), ajustando um pouco o preço de entrada a R$ 3,68 e o stoploss mantido por enquanto”... ...” Por enquanto o movimento ainda é de queda do dólar, e indica uma continuidade da correção iniciada em outubro passado”...


O jogo está ficando mais claro, marquei dois pontos importantes para se posicionar em relação ao dólar. Num cenário de alta, o nível de R$ 3,68 teria que ser rompido para ser um indicador inicial da reversão de queda. Por outro lado, abaixo de R$ 3,43, o movimento de baixa teria continuidade e o próximo patamar seria o nível de R$ 3,25. No nível atual de R$ 3,50 nada pode ser afirmado, mas a direção de menor “resistência” é a queda.

Eu tive acesso ao relatório do fundo verde, administrado por Luis Sthulberger. Fiquei até, de certa forma, surpreso ao saber que agora mantém uma posição vendida em dólares. Esse fundo foi um grande player no ano passado a fazer posições contrárias. Aliado a isso, a posição de hedge pelo Banco Central está abaixo de US$ 70 bilhões, uma sensível redução.

Com tudo isso, me parece que o câmbio será movido agora pelo fluxo cambial. Embora eu reconheça que o Banco Central ainda tem muito trabalho para eliminar toda a posição de swaps, o fato de já existirem posições vendidas em dólar, tornam o mercado menos enviesado.

Uma última observação é que, foi na gestão de Henrique Meirelles no BC que a grande posição cambial foi construída. Além disso, em 2008, quando houve o stress no exterior, ele não vendeu nenhum dólar para tentar segurar o câmbio. Como consequência, as cotações subiram como um foguete, como pode-se ver no gráfico abaixo.



O SP500 fechou a 2.066, com alta de 0,98%; o USDBRL a R$ 3,5067, com queda de 0,77%; o EURUSD a 1,1315, com alta de 0,11%; e o ouro a US$ 1.273, sem variação.
Fique ligado!