Inflação: A Revanche

29 de fevereiro de 2016

O Brasil na Liderança

Qualquer um que esperava que, a reunião do G20 deste final de semana rendesse alguma forma de "Shanghai Accord" para reavivar o crescimento global lento, puxar a economia global fora da crise de deflação e acalmar os mercados nervosos, com angustiantes aumento de volatilidade nos dois primeiros meses do ano, ficou decepcionado.

O comunicado conjunto emitido pelos formuladores de políticas ao final da reunião de dois dias é fraco e genérico, com repetições de promessas vazias em evitar desvalorizações cambiais competitivas e manter políticas monetárias destinadas a apoiar a atividade econômica e estabilidade de preços.

Os representantes de cada país se comprometeram à "consultas estreitas" nos mercados de câmbio, uma referência presumivelmente para o movimento do BC Chinês em 11 de agosto, executado de forma atabalhoada.

A declaração também "reconhece" o fato de que os riscos geopolíticos são abundantes, e acrescenta uma potencial ameaça da Inglaterra abandonar a zona do euro, conhecido como o 'Brexit'.


..."Os riscos de baixa e vulnerabilidades aumentaram"..., devido aos fluxos de capitais voláteis e commodities em queda. Mas o que realmente surpreendeu foi a declaração que: ..."A política monetária sozinha não pode levar a um crescimento equilibrado"...

O que?! Os mercados acreditavam que os ajustes keynesianos anticíclicos eram o remédio mágico. A cura para tudo, que suaviza os ciclos de negócios e criava demanda do vento. Agora vocês estão nos dizendo que não podem realizar um crescimento equilibrado!

..."A recuperação global continua, mas permanece desigual e fica aquém da nossa ambição para um crescimento forte, sustentável e equilibrado".., o comunicado continua, em uma avaliação bastante austera da econômica. ..."Apesar de reconhecer esses desafios, no entanto, a magnitude da recente de volatilidade dos mercados não refletem os fundamentos da economia global "...

Previsivelmente, todos recomendam o uso da política fiscal para salvar as economias, o que equivale a uma admissão tácita de que os bancos centrais falharam. ..."Os países irão usar a política fiscal de forma flexível para reforçar o crescimento, a criação de emprego e a confiança, reforçando simultaneamente a resiliência, e assegurar que a dívida em percentagem do PIB, esteja em num caminho sustentável"...

Assim os países, de alguma forma, deveriam adotar políticas fiscais expansionistas sem recorrer ao financiamento do déficit por meio de vendas de dívida.

Para encurtar a história, não há um "Shanghai Accord" parecido com o Plaza Accord de 1985, entre os Estados Unidos, França, Alemanha Ocidental, Japão e Reino Unido, que concordaram enfraquecer o dólar para elevar o déficit comercial dos Estados Unidos e estimular o crescimento econômico. Tudo o que se têm entretanto é uma afirmação genérica e promessas vazias.

Agora, se a solução é através de déficit público, o Ministro das Finanças, Nelson Barbosa não deve ter tido sossego, afinal neste quesito somos experts! Talvez isso possa gerar um pouco de credibilidade em nossa política econômica, pois já estou vendo o "cumpanheiro" esbravejar que ele é f#&a, pois prevendo que, o mundo cairia nessa armadilha, ele se antecipou gerando déficit público crescente. Isso tudo justifica ainda os excessos, como uma corrupção aqui e outra lá, nada grave. O intuito era garantir que a economia brasileira não entrasse em depressão. 

Para um psicopata como ele pode até se convencer desses argumentos. Cuidado! Hahaha...

Desde que eu expliquei os motivos do Mosca ter escolhido seu tema para 2016 US$-The return?, não fiz nenhuma atualização. Naturalmente, como vocês visualizarão a seguir, não tinha muitos motivos. Como todos os outros mercados, o DXY estava indeciso.

No post, elenquei três possíveis cenários: "Brochou"; "By the books" e "Behind the Curve". 


Depois de o DXY ,durante janeiro e meados de fevereiro, ter ensaiado uma queda, nas últimas duas semanas ele vem recuperando parte do terreno e aproxima-se do nível importante  de 100,50. Além do mais, parece estar formando um triângulo, conforme os contornos em vermelho que tracei acima, o que é precursor de uma alta neste caso. 

- David, então compra meu!
Acho até um bom risco, mas tiraria a atenção dos outros mercados que estamos acompanhando. Se quiser, pode tentar uma compra nestes níveis atuais de 98,30, com um stop a 95,50. Mas a preferência maior seria aguardar o rompimento, que poderá ter consequências em todas as outras moedas, exceção claro do Yuan, que depende exclusivamente do BC daquele país.

O SP500 fechou a 1.932, com baixa de 0,81%; o USDBRL a R$ 4,0145, com alta de 0,55%; o EURUSD a 1,0879, com queda de 0,48%; e o ouro a US$ 1.238, com alta de 1,31%.
Fique ligado!

26 de fevereiro de 2016

Mayday! Mayday!


Quem é mais velho deve lembrar-se daqueles filmes antigos, quando um navio está afundando e o capitão pega o microfone para pedir socorro: "Mayday!Mayday!" Esta era a palavra usada.

Ontem eu estava com a televisão ligada e acabei assistindo o programa político do PMDB. Para quem não viu, ele teve a participação de inúmeros parlamentares como Michel Temer, Eduardo Cunha, Renan Calheiros e diversos outros. O objetivo foi relatar com pequenas frases, que muitos erros foram cometidos, e eram necessárias mudanças. Anunciaram o "plano Temer II". Eu imagino o que a Dilma deve ter pensado ao assistir. Conclui que eles devem ter alguma informação de que o impeachment está próximo, e por isso estariam se antecipando à sucessão.

Do outro lado, o PT aproveitou a retirada da Petrobrás na exclusividade da exploração do pré-sal, para se distanciar da Dilma. Amanhã a cúpula petista estará lançando um Programa Nacional de Emergência para pressionar a presidente a mudar sua política econômica. Dá-se como possível sua ausência. Ao tomar ciência dos principais tópicos desse programa, constata-se o que já é sabemos, total desconhecimento dos princípios econômicos básicos. Por exemplo, querem usar as reservas internacionais para a criação de um Fundo Nacional de Desenvolvimento e Emprego. Pessoal, o que é isso, eles não têm a menor ideia de como funcionam as reservas internacionais de um país!

A não ser que queiram que esse programa se realize no exterior, pois caso o programa é interno, é impossível usar as reservas com esse fim!

Com tudo isso, acho que a presidente resolveu tomar um rumo ao se vincular à oposição. É isso mesmo, eu acredito nisso, pois ela deve ter percebido que esta pode ser sua única chance. Agora falta combinar com os Russos! Não acredito que terá sucesso, pois não tem credibilidade para implementar nada, ficará totalmente isolada. Nessas circunstâncias existem três hipóteses: Ficar até o final do mandato, amargando um acúmulo de más notícias crescentes; sofrer o impeachment; ou renunciar.

Devo confessar que, com o desenrolar da operação lava jato, fico com a mesma expectativa de uma telenovela. O capítulo de cada dia traz novidades, é emocionante. Porém tem uma enorme diferença, primeiro que as cenas são reais, por mais impossíveis que pareçam, e segundo novos participantes aparecem a cada dia. Será que vai sobrar alguém que faz seus negócios corretamente, ou minha teoria que se honestidade fosse uma pirâmide, no Brasil seria um trapézio?

Agora a dupla "Santana" que se dizem os entendidos de marketing, parece que no quesito pessoal tem muito a aprender, suas imagens ao desembarcar no Brasil são grotescas! Ao invés de se portarem como acusados que são, posaram sorrindo, como debochando de todos. Hello! Assim vocês aumentam o número de inimigos, que já não são poucos. As explicações dadas por eles e pelo seu advogado são ingênuas de certa forma, ao apontar que erraram ao não declarar os seus recursos no exterior. Mas esqueceram que o que o Moro está querendo, é saber quem fez os depositos.

O que mais chamou minha atenção, é o fato de João Santana ter dito que não sabe de nada, e quem cuida das finanças é sua mulher, deixando a entender que, "eu sou de marketing"! Isso me fez lembrar de uma passagem da minha vida profissional, quando meu saudoso chefe do BFB, Françoise Savina, entra na minha sala um belo dia, e me vê conversando com um diretor de uma Corretora cuja sede era no Rio de Janeiro.

Que me desculpem os cariocas, mas nos anos 80 a maioria dessas instituições financeiras se localizavam no Rio, e a sede dos bancos que lhes davam crédito, ficavam em São Paulo. Ao fazerem suas visitas um bom número vinham vestidos com ternos bege, camisa azul marinho e gravata combinando, esse vestimento era muito diferente dos usados por nós, com ternos azul marinho e camisa branca. Assim, era fácil reconhecê-los, tipicamente "carioca"!

O Sr.Savina, que era um profissional incrível pelo seu senso de humor, competência, e muito respeitado tanto pelos franceses como pelos brasileiros, notou que o balanço desta corretora estava aberto na minha mesa. Se aproximou e escolheu uma linha do demonstrativo e perguntou para o João Flávio, que era o sócio dessa Corretora:

- Savina: O que está contabilizado aqui?
- João Flávio: Puxa Sr. Savina, vou verificar com meu contador, eu sou de marketing!

O Sr, Savina olhou para mim e disse: "corta o crédito dele", virou as costas e foi embora.

Sr. Santana, o senhor é de marketing? Estamos cortando seu crédito também! Hahaha...

A verdade é que o governo está prestes a não conseguir fazer nada. Dentre as alternativas que eu elenquei para a Dilma acima, espero que ela opte pelo Mayday! Mayday! Hahaha...

No post Pelé-e-Coutinho, fiz os seguintes comentários sobre os juros de 10 anos: ..."O mercado está buscando readquirir o movimento de alta de juros, ficando acima da linha vermelha . Caso isso, aconteça, acima de 1,85% no fechamento,  vale um trade para alta dos juros, com stop a 1,65%. Não é um grande trade, mas arrisque um pouco, metade do normal. Caso volte a cair, o nível de 1,65% e principalmente 1,53% passam a ser cruciais, e aí entra em campo a dupla "Pelé e Coutinho"... Passada uma semana e nada aconteceu, vejam a seguir.



O mercado respeitou os parâmetros técnicos que frisei acima, não conseguiu ultrapassar o nível de 1,85%, nem cair abaixo de 1,65%.  Mas isso não deve perdurar por muito tempo.


Não me recordo de vivenciar uma divisão tão grande entre os economistas e o mercado, com opiniões fortes de ambos os lados, mais parece uma batalha entre eles. Está é a razão dessa falta de rumo que os mercados parecem estar envolvidos no curto prazo. A foto ao lado espelha bem o momento.

O SP500, os juros de 10 anos, o'dólar-dólar', entre outros, todos parecem esperar por algum gatilho. Qual poderá ser, difícil de dizer. Mas algo que não pode ser esquecido, é que, já tem muita gente vendida e se alguma publicação for no sentido de melhora, os mercados podem subir bem.

Aqui no Brasil ocorre o mesmo, como por exemplo: a reação da bolsa de valores, quando o Moro deu voz de prisão a Santana. 

Outro dia, um leitor ficou surpreso com essa alta, e comentou: ..."não entendi porque a Petrobras subiu mais de 10%!"... Minha resposta foi lacônica: ..."muitos vendidos"... Busquei explicar que, quem estava comprando naquele dia não eram investidores que acreditavam que agora tudo iria mudar, mais sim quem estava vendido. Eles fizeram isso, porque a possibilidade de não ter novos vendedores tinha aumentado. 

No jargão de mercado o chamam de "mão fraca", pois ao terminar de zerar suas posições, e caso o temor de melhora não se materialize, voltarão a vender mais a frente. Não é um comprador final.

A posição comprada de EURUSD foi stopada hoje a 1,0950. Voltamos para uma posição neutra.


O SP500 fechou a 1.948, com queda de 0,19%; o USDBRL a R$ 3,9920, com alta de 0,95%; o EURUSD a 1,0937, com baixa de 0,76%; e o ouro a US$ 1.223, com queda de 0,87%.
Fique ligado!

25 de fevereiro de 2016

Ameaças de 2016


Se a Presidente do Brasil e seu amigo "cumpanheiro" lessem o título de hoje, teriam grande interesse em saber se é sobre eles que me refiro, ou outro assunto qualquer. Fiquem tranquilos, não vou falar da operação lava jato e seus derivados. Mas mesmo assim, recomendo-lhes que fiquem bastante atentos, parece que existe um movimento dos "pensadores", classificação que eu criei dos eleitores locais no post Dilma-melhor-opção-para-o-momento, que estão imbuídos a chegar às vias de fato. Como sempre, essas situações são comprovadas nos detalhes.

Um dos hedge funds mais bem sucedidos nos últimos anos, o Two Sigma, realizou uma pesquisa com um grupo de 120 analistas e investidores de Wall Street, a fim de que estimassem qual a probabilidade para nove diferentes "tail risks". Para quem não conhece esse termo, ele significa uma evento que leva os preços fora do intervalo de confiança estatístico de 99%, semelhante o que Nassim Taleb classifica como Cisne Negro. Vejam a seguir os resultados:

A China lidera o quadro com o maior risco de 60%, acreditando que, esse país crescerá menos de 3% a.a.  O segundo evento mais provável, seria uma de crise de liquidez com 56%, ocasionada por uma queda de 20% ou mais em uma ou várias classes de ativos, induzindo os investidores a liquidar suas posições simultaneamente.

Outro subproduto da pesquisa é em relação ao timing, os respondentes acreditam que a possibilidade da China entrar em uma ano num hard lending é de 19%. Enquanto, com 50% de probabilidade, a de um evento de liquidez ocorrer nos próximos seis meses.

Eles esperam grandes quedas nas ações dos mercados emergentes, setor de energia, e numa magnitude menor, as ações dos mercados desenvolvidos, isso se, algum dos três principais riscos apontados aconteçam.

A conclusão que se pode tirar dessa pesquisa, é que existe um alto grau de preocupação em eventos que podem causar grandes estragos nos ativos. Por outro lado, é provável que uma boa parte desse pessoal já liquidou suas posições, o que levaria a uma alta dos mercados, caso esses cenários não se materializem.

Tenho observado uma batalha entre os economistas dos grandes bancos e os investidores, os primeiros juram de pés juntos, que não existe nenhum perigo de recessão nos USA, e que a queda das bolsas é uma boa oportunidade de compra, e do outro lado o mercado age como se esse risco fosse elevado. Veja por exemplo as palavras do economista chefe do Deutsche Bank num relatório recebido pela manhã recent data for consumer spending and industrial production, and the data today for durable goods and jobless claims continues to suggest that the Fed is right and the market is wrong?" Quem está certo?

Alguns dados foram publicados na China, o primeiro que chama atenção é a queda no consumo de energia.


Uma das razões dessa queda, pode ser a mudança nas atividades corporativas para a produção de matérias primas "downsteram" - que requer menos eletricidade.




Por outro lado, a sangria em suas reservas continuam, parece que por bem ou por mal, terão que desvalorizar sua moeda não no "varejo" - pingadinho todo dia, mas no "atacado".


Resumindo, "it doesn´t look nice!"

O comentário técnico de hoje será sobre o Bovespa. Ao buscar a última vez que postei, percebi que já faz alguns dias, isso não significa que não estava acompanhando, afinal temos uma posição que está indo muito bem. No post um-oásis-no-deserto, comentei: ...Não quero que vocês fiquem "excited", não existe nenhuma garantia que de repente não volte a cair. Como anotei no gráfico, somente acima de 43.000, posso afirmar que algo melhor está acontecendo... Naquele momento, o mercado ainda se encontrava a 39.000.

No dia 22/02, depois do anúncio da operação Acarajé, o mercado se animou e chegou a máxima de 43.600. Nesse dia, no post clueless, realizamos lucro na metade da posição e alterei o stoploss para 41.000.

O gráfico acima explica exatamente o que pretendo, se o índice subir até 45.000 podem vender o restante da posição, ou se cair abaixo de 41.000 realizamos um lucro menor. É uma delicia estar na situação atual, como qualquer dos dois resultará ou num lucro excepcional ou muito bom, estamos tranquilos. 

Só existe uma situação que pode estragar tudo, se de um dia para outro a bolsa abrir com uma queda enorme, tipo 10%, aí precisamos fazer as contas. Por esta razão, prefiro trades em mercados que ficam abertos 24 horas, a possibilidade de um evento desses é muito diminuída.

- David, se o índice subir aos 45.000, você espera uma queda depois?
Negativo.

- Então porque você vai vender?
Para poder acompanhar o mercado sem viés e analisar com mais serenidade os próximos passos. Deixa ele chegar lá, que nós conversamos.

O SP500 fechou a 1.951, com alta de 1,13%; o USDBRL a R$ 3,9549, sem variação; o EURUSD a 1,1023, com alta de 0,14%; e o ouro a US$ 1.233, com alta de 0,38%.
Fique ligado!

24 de fevereiro de 2016

Letargia


Um dos subprodutos da operação lava jato, é a paralisia do país. O governo está sendo acusado de corrupção por todos os lados, seu objetivo no curto prazo é buscar defesa a qualquer custo. Consequentemente, os políticos encontram-se de forma semelhante, procurando apoio as suas demandas para não cair, ou buscando formas de substituir a Presidente, o que pode acontecer num cenário de impeachment. Do ponto de vista econômico, muitas ações são necessárias, o déficit público é prioridade número um, mas quem poderia fazer algo nesta situação? Ninguém! É como um transatlântico afundando lentamente.

Nos meios de comunicações e redes sociais, vejo manifestações de empresários e cidadãos com discursos otimistas, um basta para a postura negativa, vamos mudar. Acho válido e verdadeiro, afinal só com mudanças poderemos ter mais esperanças de ver o Brasil num rumo melhor. Mas neste momento considero essas ações como espasmos, pois enquanto não forem enfrentados esses desafios de frente, por um governo disposto, com credibilidade e competência, é como aquela série antiga de televisão Missão Impossível, só que o final nunca acaba bem.

- David, mas que pessimismo?
Diria realismo, e enquanto a sociedade não se empenhar firmemente nestas mudanças, não tem como a situação melhorar. Infelizmente, terá que piorar ainda mais!

Ontem foram publicados dados da inflação e das contas externas. Como vem acontecendo todo mês, o primeiro pior que as expectativas, e o segundo melhorando. Começo pela inflação.

Como já é de conhecimento, o índice do mês de janeiro ficou em 1,42%, acima da taxa esperada pela maioria dos analistas. Com isso, a taxa de doze meses segue acima dos dois dígitos a 10,8% a.a. Quando isso acontece, sempre têm um vilão e nesse mês foram os alimentos. Sem entrar nos detalhes, eu sempre busco avaliar duas estatísticas, a taxa de difusão que indica como a elevação de preços está afetando cada um dos itens que a compõe, e a evolução dos preços livres, que deveriam ter um comportamento afetado mais pela lei da oferta e demanda.

A taxa de difusão voltou a subir em janeiro atingindo o nível 77,5%, próximo das máximas históricas. A média de três meses também mostra uma aceleração.


Os  preços livres apresentaram maior variação na margem (de 0,92% para 1,43%), pressionando a taxa de 12 meses, que passou de 8,6% para 9,1%.


Por enquanto, para os que projetam um recrudescimento da inflação, os dados do IPCA apontam em outra direção, que na melhor das hipóteses seria de uma certa estabilidade em dois dígitos. Assim, parece que, o que eu denominei de "efeito BFB" no post eu-serei-você-amanha, parece estar acontecendo.

Já nas contas externas o movimento de diminuição dos déficits continua. O saldo do mês passado foi de US$ 4,8 bilhões muitas vezes inferior ao de início de 2015 que atingiu a cifra de US$ 12, 2 bilhões. Como consequência o acumulado encontra-se muito perto de US$ 50 bilhões, mais exatamente US$ 51,6 bilhões, retrocedendo abaixo do número mágico de 3% do PIB - nível esse que o mercado internacional considera sustentável para um país.


As contribuições para essa significativa redução de quase 50% do pico atingido há um ano, foram a balança comercial que acumula um superávit de US$ 21,2 bilhões nos últimos 12 meses, uma diminuição na conta de serviços que apresentou um déficit de US$ 34, 7 bilhões, também em 12 meses, e a conta de rendas com um déficit de US$ 40,9 bilhões.

De uma maneira geral tudo caminha no sentido positivo, a balança comercial ruma para um superávit estimado neste ano de US$ 40, 0 bilhões, câmbio é câmbio! Na conta de serviços, os fretes internacionais, despesas de brasileiros no exterior que apresentou um saldo negativo de somente US$ 190 milhões, afetarem positivamente nesta rubrica, enquanto o aluguel de equipamentos mantém uma tendência de crescimento com elevação marginal. Já a conta de rendas, que inclui pagamento de dividendos e juros, apresenta uma trajetória declinante.


Apenas a rubrica de investimentos diretos sozinha, já foi suficiente para financiar todo o déficit, com entrada em 12 meses de US$ 74,8 bilhões. Destaca-se também uma saída no mês da conta de investimentos em carteira de US$ 2,3 bilhões, principalmente em títulos de renda fixa. Mas melhor assim que ao contrário, onde dependeríamos mais de recursos especulativos de curto prazo.

Eu aprendi neste anos de mercado que os estrangeiros que investem em títulos de renda fixa e ações são exatamente iguais a prostitutas, "se pagar leva, se não estou fora". Vocês podem estar certos que, do mesmo jeito que estão saindo, basta algo de positivo acontecer que eles voltam correndo. Já os que realizam investimentos diretos tem uma postura de longo prazo.

 As reservas internacionais mantêm-se intactas há vários meses em US$ 370 bilhões, eu até já decorei esse número, o que não é fácil na minha idade! Hahaha...

A conclusão é que caminhamos para resultados na margem menos preocupantes, a Rosenberg calcula que em 2016 vamos fechar com um déficit em contas correntes de US$ 30 bilhões, equivalente a menos de 2% do PIB. Acredito que seja essa a razão de certa calmaria no câmbio, mesmo com todos os problemas que enfrentamos. Se a situação melhorar daqui em diante, é isso só seria possível com uma mudança do governo, uma revoada de recursos estrangeiros viriam para nosso país, caso contrário, vamos continuar observar uma repetição do mesmo, inflação resiliente e contas externas melhores. Uma letargia!

No post feliz-2016, eu sugeri uma ordem de compra de ouro a US$ 1.190: ...Minha sugestão é comprar o metal a US$ 1.190, com um stop a US$ 1.140. Notem que, com o aumento da volatilidade, os stop ficam maiores em termos percentuais, levem isso em consideração quando definirem o tamanho de suas posições... Alguns dias depois, mais especificamente no dia 16/02, o ouro chegou a negociar na mínima a US$ 1.190,40, quarenta míseros centavos acima! Desde então vem negociando com pequenas altas e baixas, porém, hoje está subindo mais forte, aproximando-se da máxima recente de US$ 1.261.


No curtíssimo prazo temos duas hipóteses a considerar: A) Irá ultrapassar os US$ 1.261 e aí sugiro cancelar a ordem antiga e comprar a US$ 1.265, com um stop muito curto a US$ 1.245. Esta é uma aposta que o metal estaria completando a onda 5 (para quem acompanha Elliott Waves); ou B) Ainda irá cair e ai sim mantemos a ordem original de compra acima.

- Puxa David, que azar?
Com certeza não foi a única vez e nem será a última. Minha sugestão é: esqueça! Isso só pode te atrapalhar, pense que o trade estava na ponta certa, e isso é muito mais importante. Bola para frente!

Ao tomar conta do fechamento do mercado, decide deixar minhas recomendações da manhã, com caráter educativo. Muitas vezes, em situações semelhantes, onde queremos comprar um ativo à um preço determinado, porém esse ativo sobe e a ordem não é completada. Do ponto de vista emocional temos a sensação que perdemos o barco. Para isso não acontecer, somos tentado a dar uma ordem de compra a mercado, e f#@a-se! Eis que de repente, o mercado vira e fecha próximo ao fechamento de ontem.

Veja a seguir a diferença entre a abertura, gráfico acima e o fechamento a seguir, nas cotações de hoje.

A lição que fica hoje é: Nunca deixe de seguir as regras estabelecidas em análise técnica por "palpites"! Em função do movimento desta tarde fica cancelada a compra a US$ 1.265, e permanece a original a US$ 1.190.

O SP500 fechou a 1.929, com alta de 0,44%; o USDBRL a R$ 3,9575, sem variação; o EURUSD a 1,1008, sem variação; e o ouro a US$ 1.229, sem variação.
Fique ligado!


23 de fevereiro de 2016

Seduzido pelos números


Antes de começar o assunto de hoje, gostaria de fazer alguns comentários sobre a evolução da operação lava jato e suas ramificações. Faz um certo tempo, que fico intrigado como a divulgação das informações desse caso parece não ter fim, ficava pensando porque as peças iam se encaixando tão bem. A razão seria pela descoberta de novos dados, ou eles são divulgados de maneira estratégica. Talvez uma combinação de ambas. Entretanto é inegável que, o Juiz Sérgio Moro, ao terminar essa mega operação pode ser contratado por qualquer rede de TV como diretor de minisséries de policiais! Hahaha...

Se nós já não temos a menor dúvida que o PT e seus mandantes participaram desse e de outros esquemas de corrupção, imagine o Sérgio Moro e sua equipe. Um caso como esse requer muita diligência e disciplina para não por tudo a perder. Se você se irrita com as declarações do "cumpanheiro" negando tudo, imaginem ele e a sua equipe? Mas de uma forma calculada, quando parece que as coisas vão se acomodando, surge uma nova ação da equipe do Moro.

Ontem não foi diferente, ao decretar a prisão de João Santana e sua esposa.

O tempo é a favor de sua equipe e contra a turma que está envolvida. Imagino que esse pessoal, que está sob suspeita, já não dorme à noite, e devem estar gastando centenas de horas pensando como irão se defender. Algo que eles nunca imaginaram ser possível, era a facilidade como se obtêm as informações de suas movimentações no exterior. Desde que os USA quebraram o tão protegido sigilo suíço, na busca de americanos que ocultavam patrimônio por fins fiscais, esses muros foram derrubados.

Não tenho condições de prever o que esse grupo tem de informações na mão, mas acredito que chegarão à via de fato até a cúpula, para depois anunciar missão cumprida. O que não sabemos é como os acusados irão reagir e nem como será a reação de seus seguidores. Mas a cada dia que passa ficam mais fraco, tanto pelas revelações divulgadas, bem como, o aprofundamento da recessão, que vai tirando a esperança da população no governo.

Um estudo foi feito a fim de responder se investir em ações no longo prazo é rentável. Para esse objetivo construiu-se um índice contínuo do SP500 e calculou-se os retornos de investimentos mensais feitos por 10, 20, 30 e 40 anos. Veja a seguir os resultados.


Impressionante, se você fica na dúvida para um período de 10 anos, alguns deles apresentando resultados visualmente negativos, o de 20 anos são quase sempre positivos, e em 30 e 40 anos não restam dúvidas, é lucro na certa.

O próximo gráfico é o xeque mate, pois demonstra que desde 1871, sua chance de ter perdido seria mínima, mesmo considerando períodos de 10 anos.


Pode ser que depois de ler este post você é levado a pensar: "Que Mosca que nada, vou investir na bolsa hoje e é só esperar para colher os lucros, se não vier em 10 anos, virá em 20, 30 ou 40, mas é só não entrar em pânico".

Devo confessar que é sedutor. Mas antes de pegar o telefone, ou o computador, pense nos seguintes aspectos, e se estamos entrando num mercado de baixa e a bolsa cair 50%, vai esperar 40 anos numa boa? Duvido, é bem provável que você liquide a posição muito antes.

O chavão que todo fundo coloca em letras minúsculas no final do prospectos, é válido sempre:
Resultados passados não são garantia de resultados futuros.

Acho que quem escreveu este artigo deveria fazer duas coisas, primeiro comparar com um investimento em títulos de renda fixa de longo prazo, ajustando ambos pela volatilidade, e segundo perguntar se existe alguém que seguiu a risca esta recomendação.

No post conselhos-sem-risco, acrescentei mais um cenário para o dólar: ...Notem que as cotações, ao se aproximar da linha azul, não caíram abaixo dela, isso se denomina suporte. Assim, poderia estar se formando uma figura já bem conhecida por vocês, o triângulo, que tende a romper na mesma direção do movimento anterior, que no caso é para cima...



Com a novas revelações da operação Acarajé, o dólar caiu quase 2%. Alguns leitores me perguntaram qual era a minha opinião. Primeiro reafirmei que eu não tenho inside information, depois que a resposta é simples - preço! 

Eu entendo o mercado ficar animado com a possibilidade do processo de impeachment da Presidente, mas mesmo que isso aconteça e se coloque o Armínio Fraga no dia seguinte como Ministro da Fazenda, imaginem a batalha para mudar as contas públicas como a previdência, salário mínimo, lei trabalhista e assim vai. Serão anos de trabalho, cujos resultados viriam à longo prazo. Do ponto de vista psicológico é como a história do bode, mas do ponto de vista real, muito pouco pode-se fazer no curto prazo.




O dólar está testando a reta azul, o que já é positivo para um dos três cenários que estou trabalhando - vide post citado acima, pode estar completando o triângulo que mencionei acima. Somente abaixo de R$ 3,85, aumentam a chance dos outros cenários.

Quero lembrar que o ambiente interno político tem influência no câmbio, tanto positiva como negativamente, porém não se pode esquecer da força do 'dólar-dólar' - DXY, que até agora mantém-se dentro de um intervalo entre 96 -100. 


Não é para menos que escolhi o tema de 2016 US$ the return? O que acontecer com o dólar terá impacto em todos os mercados de câmbio, principalmente os emergentes. Dentro dos três cenários vislumbrados no post - "Brochou", "By the books", "Behind the Curve", nenhum ainda se destacou.


Para quem tem compromissos em dólar, recomendo seguir sem emoções e sem viés o desenrolar das cotações, e não se prender às notícias.


O SP500 fechou a 1.921, com queda de 1,25%; o USDBRL a R$ 3,9553, com alta de 0,24%; o EURUSD a 1,1016, sem alteração; e o ouro a US$ 1.226, com alta de 1,51%.

Fique ligado!

22 de fevereiro de 2016

"Clueless"

Algumas palavras em inglês expressam melhor seu significado que sua tradução em português, por exemplo: clueless. Ao buscar no dicionário, encontramos as seguintes traduções: sem noção, sem pistas, ignorante. Nenhuma delas expressa a situação em que se encontra o FED neste momento.

Por um lado, os últimos acontecimentos nos mercados de crédito ao redor do mundo, e, principalmente no setor bancário, fizeram com que o mercado recuasse em sua expectativa sobre novos aumentos de juros nos USA. Naturalmente, se existe um segmento sensível a qualquer banco central, é o bancário.

Porém o mandato do FED é sobre duas variáveis econômicas, o emprego e a inflação. Ultimamente o grande receio recai sobre este último, uma vez que os dados de emprego estão caminhando para taxas de desemprego a níveis satisfatórios de 5%.

Nesta última sexta-feira foi publicado o CPI, que vem confirmando uma tendência de alta. O índice que exclui os itens mais voláteis como alimentos e gasolina, ficou acima de 2% a.a., dentro do objetivo traçado pelo FED.

Por outro lado, a inflação total, que inclui todos os itens, ainda busca uma recuperação, fortemente influenciada pela baixa dos preços do petróleo, mas que também, parece rumar para níveis mais próximos ao anterior à queda. Os principais vilões, se é que podemos chamá-los desta forma, são os custos de serviços médicos e aluguéis, que vêm subindo acima de 3% a.a.



Mesmo o CPI não sendo o indicador que o FED usa para sua análise, não deixa de ter uma boa correlação.

Uma pergunta que eles devem estar se fazendo é, onde está a ameaça de deflação?

Outro indicador que está tendo um comportamento muito distinto dos últimos trimestres é o modelo utilizado pelo FED de Atlanta, que estima o PIB do trimestre em curso.


O mercado normalmente projeta um índice mais elevado e a autoridade um menor. Com o passar do tempo, as estimativas de mercado tendiam a decrescer se aproximando do indicador de Atlanta. Agora parece diferente, pois é o indicador do FED de Atlanta que está subindo, e hoje encontra-se acima das projeções dos analistas. Um caso raro observado neste últimos anos.

Interessante ainda de se observar é que, no auge dos invernos passados, o PIB foi fortemente influenciado pelo frio. E mesmo este ano, com temperaturas muito baixas, este efeito não parece estar acontecendo.

Então o que será levado em consideração na próxima reunião do FED, os resultados internos que indicariam a necessidade de alta dos juros, ou os externos juntamente com o receio dos mercados? Sem falar na ameaça mais concreta a cada dia, de os USA ser governado por um grande radical caloteiro, Donald Trump!

Melhor definição para tudo isso - Clueless!

É muito comum no mercado americano apostar na queda do mercado acionário, através da venda à descoberto de ações. Faz-se isso alugando ações em seguida vendendo.



O dado mais recente atingiu o mesmo nível de ações vendidas à descoberto que em 2008. Naquele momento, como as expectativas de quem vendeu se concretizaram, eles puderam cobrir suas posições através das vendas maciças feitas pelos pequenos investidores, com um lucro considerável.

Por outro lado, se o pânico não atingir o pequeno investidor, ou porque a recessão não se concretiza, ou porque a atividade econômica não sofre tanto, o movimento da bolsa pode ser explosivo na alta, uma vez que, quem está vendido terá que recomprar as ações em algum momento. Essa dúvida é consistente com as avaliações técnicas que tenho colocado sobre o SP500. No post os-filhos-do-trabalho, comentei: ..."Não dá para confiar nem em um sentido, nem em outro. Antes de ultrapassar o nível de 2.000 para cima, ou 1.810 para baixo, é como andar num campo minado, você compra e de repente estoura uma bomba. Eu sei que vocês não gostam da indefinição, mas I´m sorry!"...

No post haraquiri-em-finanças, fiz os seguintes comentários sobre o euro: ...Vou colocar uma ordem de compra a 1.105 - 1.1075 com stop a 1.10. Esse próximo movimento irá esclarecer muita coisa, se o euro vai voltará a subir, ou estará rumo a novas mínimas. Minha aposta é que ainda falta uma pequena alta. Let´s see!... Nós já tínhamos adquirido 1/2 posição a 1,1075, ficando pendente a outra metade a 1,105, que foi complementada hoje pela manhã.

Vou fazer algo que raramente faço, alterar o stoploss. O motivo é que eu não tinha analisado uma outra hipótese de retração, que pode estar acontecendo. Não é nada substancial, ao invés de 1,10, considere 1,095, conforme apontado no gráfico acima.

No post da última sexta-feira Pelé-e-Coutinho, sugeri uma liquidação de metade da posição, caso o Bovespa ultrapassasse 42.500, o que acabou acontecendo hoje. Atualize o stoploss para 41.000.

O SP500 fechou a 1.945, com alta de 1,45%; o USDBRL a R$ 3,9425, com baixa de 1,93%; o EURUSD a 1,1027, com baixa de 0,96%; e o ouro a US$ 1.208, com queda de 1,63%.
Fique ligado!

19 de fevereiro de 2016

Pelé e Coutinho

Eu lembro das imagens capturadas durante a Tsunami que ocorreu em 26 de dezembro de 2004, cujo epicentro foi na costa da Sumatra, na Indonésia, causando a morte de 230.000 pessoas. Ondas de até 30 metros de altura atingiram a costa de 14 países diferentes, ao longo da maioria dos continentes banhados pelo Oceano Índico. Assustador!

Em finanças também se usa esse termo quando existe uma crise que envolve muitos mercados e/ou países. Pode-se dizer que, a recessão de 2008 foi uma delas. Mas a distribuição dos prejuízos não foi igual entre os detentores de títulos de renda fixa e ações. Com exceção do Banco Lehman Brothers, ninguém que tinha uma aplicação em renda fixa perdeu dinheiro, ao contrário, o prejuízo foi enorme  para os detentores de ações.

Essa segmentação foi possível graças a intervenção do governo americano, que não permitiu que houvesse a quebra de várias empresas e bancos.

Passados oito anos, a economia americana não conseguiu se recuperar como se havia planejado, e o que é pior, a crise se alastrou para outros países desenvolvidos. Nesse período, os BC's usaram e abusaram dos helicópteros, a forma figurativa que o Mosca usa para a injeção maciça de liquidez.

Recentemente, inúmeros analistas vêm alertando para o risco de uma nova crise, que se concretizada, desta vez não pouparia ninguém, uma vez que, a credibilidade das autoridades monetárias encontra-se em cheque. As argumentações para quem acredita neste cenário são diversas, e um dos analistas publicou dois gráficos que compara movimentos de ativos atualmente como seu similar em 2008.

Inicialmente, a trajetória do SP500 nas duas ocasiões.


Em seguida, a evolução das ações do Banco Lehman Brothers com as do Deutsche Bank.


A intenção deste analista é clara, quer induzir o leitor que a história irá se repetir. Mas isso é suficiente para vender tudo? Não! Mas pode-se ficar tranquilo que não irá acontecer? Não!

Uma Tsunami real, ocorre após um movimento sísmico. Existe assim, a possibilidade de se prever, inclusive o tempo que demora para atingir a costa. Em 2004, por falta de meios de comunicação nesses países, foi elevado o número de mortos. Já no mercado financeiro não é assim, não existe um acontecimento que acende uma luz de perigo. Normalmente é um processo que vai evoluindo e de repente não dá mais para segurar, o efeito comportamental ganha uma dimensão que se torna incontrolável.

O que poderia nos proteger nestas situações? Um estudo interessante mostra que o ouro pode ser um bom porto seguro em situações importantes de eventos macro. Como o gráfico abaixo aponta, cinco entre sete eventos deste tipo, o ouro ficou entre a primeira ou a segunda melhor performance.


Entretanto, se vocês observarem melhor existe uma outra classe de ativo que se valorizou em todas as ocasiões, são os títulos do governo americano.


Partindo desses resultados passados, deveríamos ter todos nossos ativos em dólares aplicados em títulos do governo americano e ouro. Eu particularmente não gosto muito destas receitas de bolo, o fato de ter funcionado no passado não significa que vá funcionar agora, além do mais, o mundo está muito diferente hoje.

Prefiro acompanhar tecnicamente e observar o que o mercado está fazendo desta vez. Por enquanto, não vejo nada alarmante, porém houveram movimentos tanto nos títulos do governo quanto no ouro, que merecem acompanhamento de perto. O mercado parece estar dando sinais que, se a crise vier, a dupla "Pelé e Coutinho", nome que vou usar daqui em diante, dever funcionar de novo.

Para quem não conhece, nos anos 70, esta era a dupla de área do Santos. Mesmo o Coutinho não tendo uma forma física desejável, era bem gordinho, espalhava o terror na defesa dos adversários. Que saudades, do Santos é claro! Hahaha...

Outro detalhe, veja que como o uniforme fica mais bonito sem nenhuma propaganda, hoje eles mais parecem outdoors!

No post o-castigo-financeiro, ao comentar sobre os juros de 10 anos, fiz alguns alertas importantes: ...
A situação é dramática, ou as cotações se recuperam rapidamente acima de 1,65%, ou os objetivos que coloquei... - o próximo ponto seria 1,1% a.a., que se não for contido, rumaria para 0,60% a.a., passam a ser válidos... ...Talvez estejamos entrando num momento que, ao invés de nos preocuparmos, com qual será a rentabilidade de um investimento, temos que nos preocupar com o retorno do investimento, literalmente...


O mercado está buscando readquirir o movimento de alta de juros, ficando acima da linha vermelha. Caso isso aconteça, acima de 1,85% no fechamento,  vale um trade para alta dos juros, com stop a 1,65%. Não é um grande trade, mas arrisque um pouco, metade do normal. Caso volte a cair, o nível de 1,65% e principalmente 1,53% passam a ser cruciais, e aí entra em campo a dupla "Pelé e Coutinho".

Hoje o EURUSD negociou na mínima a 1,1064, ficando dentro do intervalo que propus um trade de compra haraquiri-em-finanças - 1,105/1,1075, vou considerar 1/2 da posição. Em relação ao trade do índice Bovespa, sugiro liquidar 1/2 da posição a 42.500, caso este nível seja atingido.



O SP500 fechou a 1.917, sem variação; o USDBRL a R$ 4,0199, com queda de 0,17%; o EURUSD a 1,129, com alta de 0,23%; e o ouro a US$ 1.227, com queda de 0,35%.
Fique ligado!

18 de fevereiro de 2016

Haraquiri em finanças


O haraquiri é um ritual japonês de suicídio, cercado por regras e cerimônias. O ato visa, na maioria das vezes, reparar a honra do suicida, manchada por alguma conduta indígna. Em japonês, o termo haraquiri significa algo como "cortar a barriga", a expressão mais nobre para esse tipo de suicídio. O ritual fazia parte do código de ética dos samurais, grandes guerreiros nipônicos do passado. Nós ocidentais, assistimos estas cenas em filmes, e eu não me recordo de nenhum caso real nos dias de hoje. Se fosse usado aqui no Brasil, a lista de corruptos que cresce dia a dia, sempre acharia uma desculpa para não aplicar. Como dizia Paulo Maluf  "para os amigos tudo e para os inimigos justiça!"

O Japão luta contra uma estagnação econômica que já dura mais de 25 anos. Várias tentativas de reanimar sua economia tiveram um prazo curto de duração. O gráfico a seguir de seu PIB demonstra claramente este fenômeno.


Porém mais recentemente, principalmente depois da crise de 2008, muitas ações foram tomadas neste intuito. O quadro abaixo enumera 22 neste período.


Em 2013, o Primeiro Ministro Kuroda resolveu colocar em prática um programa de injeção de liquidez, para ninguém botar defeito. O mercado inicialmente recebeu bem essas medidas, que teve um impacto expressivo tanto na sua moeda (desvalorizando) quanto na bolsa de valores.

Mas pouco a pouco esse entusiasmo foi retrocedendo a realidade dos dados. Como o exposto no gráfico a seguir, o Japão nunca saiu da recessão, quando se avaliam os dados em termos reais.

Mais recentemente, num ação mais desesperada, implementou-se a política de juros negativos, buscando desvalorizar o Yen e melhorar sua balança comercial. O motivo pode ser explicado através da publicação dos dados mais recentes da balança comercial.


As exportações sofreram uma queda de 12,9% em bases anuais, enquanto as importações caíram 18% nas mesmas bases. Do ponto de vista do saldo, foi positivo, porém não é isso que o Japão busca. As importações tem um impacto grande em função da queda do preço do petróleo, item importante para esse país. A expressiva desvalorização do yen nesse período, que atingiu um percentual próximo a 70%, não está sendo suficiente para aumentar as exportações.

Nesta tentativa desesperada para tirar o Japão do atoleiro, o BC desse país entrou num programa sem limites, ao injetar quantidades enormes de liquidez, o maior de todos os outros quando comparados ao PIB. Outro fator de risco é o elevado nível de endividamento do governo, que ultrapassa 250% do PIB. Naturalmente com juros negativos, essa dívida em termos nominais tende a decrescer marginalmente.

Mas esse modelo pode ser projetado "ad infinitum"? Certamente não. Pode ser que em algum momento os japoneses comecem a desconfiar de toda essa alquimia financeira, e resolvam investir maciçamente em outro lugar, iniciando uma desvalorização mais descontrolada do yen. Nós aqui do Brasil, sabemos como isso pode acabar, mais inflação e um aumento da dívida de forma exponencial.

Se isso acontecer, será suficiente para considerar uma conduta indigna? Ninguém tem a resposta, mais que a população iria se revoltar contra o Primeiro Ministro parece certo. Talvez essa possa ser a primeira vez na história que um ato de haraquiri se daria por uma ação na área financeira. Porém, imagino que seria diferente do tradicional com um tantõ. Imagino que o Ministro entraria num helicóptero recheado de cédulas de yen, e quando estivesse no alto, se atiraria abraçado à moeda. Mas tem um pequeno detalhe, o Ben Bernanke deveria estar junto, afinal tudo começou por conta da sua sugestão! Hahaha... 

No post baby-busters, tracei minha estrategia para o euro: ...No curto prazo o movimento parece estar ficando "cansado", mas provavelmente ainda existe uma mini-alta até 1,14 - 1,145 (A). Se isto acontecer liquide a posição. Depois disso, um período de correção deverá acontecer levando o euro até a região de 1.105 - 1.11. Como vocês podem ver no gráfico, fico em dúvida quanto ao movimento seguinte. Mas vamos deixar isso de lado por enquanto...



Eu diria que o Mosca foi guloso, e acabou deixando uma parte do lucro na mesa, ao ser stopado dias depois a 1,115: ...Se quiser ser mais conservador, poderia vender metade da posição nos níveis atuais de 1,1270 e com a outra metade buscar este 1% a mais, it´s up to you. Eu vou aguardar, mas não esqueçam que estou com o gatilho na mão... Cést la vie!


Acabou não indo até o ponto (A) anotado no primeiro gráfico. Como podem verificar acima, o euro está rondando a área que considero de interesse entre 1.105 - 1,11. Hoje pela manhã atingiu 1,107. 

Vou colocar uma ordem de compra a 1.105 - 1.1075 com stop a 1.10. Esse próximo movimento irá esclarecer muita coisa, se o euro vai voltar a subir, ou estará rumo a novas mínimas. Minha aposta é que ainda falta uma pequena alta. Let´s see!

O SP500 fechou a 1.917, com queda de 0,47%; o USDBRL a R$ 4,0268, com alta de 1,08%; o EURUSD a 1,1100, com queda de 0,28%; e o ouro a US$ 1.234, com alta de 2,06%.
Fique ligado!

17 de fevereiro de 2016

Os Filhos do trabalho

Hoje o assunto não será sobre economia. Eu uso este espaço também para comentar sobre passagens da minha vida profissional, afinal não somos robôs, ainda! Hahaha...

As pessoas passam pelo menos metade de sua vida no trabalho, e a outra metade com a família e com suas relações pessoais, eu subtraí o período de sono. Assim, é de suma importância que você ame seu trabalho. Tanto o que faz e com quem faz.

No decorrer de sua carreira e assumindo certa dose de sucesso, é natural que você tenha que comandar uma equipe, os seus colaboradores. É a partir daí que seu sucesso dependerá de habilidades que não se aprende na escola. Manter a equipe motivada é fundamental para que seus objetivos sejam cumpridos, não existe manual.

Outro dia, eu enumerei os vários locais em que trabalhei, e durante meus 40 anos, foram 9 empresas, uma média de 4,4 anos de permanência. Nos padrões atuais parece um período longo, uma vez que, a rotatividade hoje é bem superior. Durante esse tempo, tive centenas de colegas e colaboradores.

No meu entender, o sucesso profissional não deve ser medido somente pelos cargos que ocupou ou patrimônio acumulado, mas também como seus "filhos profissionais" se sucederam. Eu denomino essa relação hierárquica como a de uma família, afinal é provável que você conviveu mais tempo com eles do que com seus próprios filhos. Não é a mesma relação é obvio!

Nesse quesito tenho recebido várias boas notícias ultimamente. Em encontros fiquei sabendo que, vários dos meus "filhos" ocupam posições de destaque como: sócios de empresa de gestão financeira, administrador de fundos de um grande banco estrangeiro, Diretor do Private Bank entre os três maiores bancos do mundo, CEO de grande companhia e etc... Posso dizer que é a mesma sensação que a de um filho quando é contratado numa empresa top.

Ontem foi um desses dias especiais para mim, na semana passada um de meus ex-colaboradores marcou um almoço. Depois de passar parte do tempo relembrando os momentos que trabalhamos juntos e atualizando outros assuntos, ao final do almoço ele pediu a palavra e bastante emocionado disse: "Quero te agradecer por tudo o que fez para mim, aprendi muito com você", e não bastasse isso, ainda me ofereceu um presente. Fiquei muito emocionado, lógico que gostei da lembrança, afinal quem não gosta de um mimosinho? Mas a sua atitude não tem preço, só uma pessoa generosa poderia agir assim.

Depois de ficar literalmente "vendido" na linguagem de mercado, pensei o que realmente eu pude ensinar a esse colega. Certamente não foi graças a minha experiência uma vez que, como foi no início de nossas carreiras, o que eu eventualmente acumulei a mais? Quanto a formação, ambos somos engenheiros formados pela mesma escola. O que seria então? Imagino três pontos podem ter feito a diferença:

1) Entusiasmo - Eu posso dizer que adoro meu trabalho, para mim trabalhar é um prazer e não uma chatice. Acredito que essa motivação era transmitida a meus colaboradores.

2) Excelência - Sempre busquei ficar entre os primeiros em tudo que faço, assim, sou muito exigente comigo e com que esta ao meu redor. Como comentou esse colaborador, um ambiente de igualdade imperava, não tinha, "eu sou o chefe, faz assim!" Ao mesmo tempo, reconhecia e comemorava nossas vitorias. Trabalhar era "having fun" como diz Bill Gates.

3) "Commitment" - Várias vezes fui muito duro com meus colaboradores, as vezes até demais. Mas que ninguém de outra área viesse fazer a menor critica a eles, virava uma fera. Se havia alguma reclamação, ou eles fizessem algo errado, que falassem comigo, eu assumia toda culpa. Essa atitude dava tranquilidade para que agissem da melhor forma, sem constrangimentos e medo de errar.

Acho que é isso em essência. Fui um profissional para meus "filhos do trabalho" com as mesmas limitações que um paí tem,  podendo indicar os caminhos, dar minhas opiniões, mas daí em diante, não dependeria mais de mim. Os méritos são todos deles!

O SP500 recuperou-se nos últimos quatro pregões, a impressão é que agora vai. No post Europa-se-recupera-na-moita, fiz os seguintes comentários: ...Embora não se possa afirmar com segurança se o SP500 completou uma correção ao cair até 1.810, ou se ainda esse processo continua em andamento... ...O nível que deve-se redobrar a atenção é 1.810. Na alta, acima de 1.970, dará sinais de mais estabilidade... Desde essa última atualização, a bolsa chegou a cair marginalmente abaixo daquela mínima e voltou a se recuperar, como mostra o gráfico a seguir.

Não dá para confiar nem num sentido, nem no outro. Antes de ultrapassar o nível de 2.000 para cima, ou 1.810 para baixo, é como andar num campo minado, você compra e de repente estoura uma bomba. Eu sei que vocês não gostam da indefinição, mas I´m sorry!

Já o Ibovespa, hoje ultrapassou a máxima do inicio do mês, sendo assim, atualize o stoploss para 39.000, o que garante um lucro que dá para pagar um cafezinho na esquina! Hahaha...

O SP500 fechou a 1.926, com alta de 1,65%; o USDBRL a R$ 3,9819, com queda de 2,18%; o EURUSD a 1,1130, com queda de 0,10%; e o ouro a US$ 1.207, com alta de 0,65%.
Fique ligado!

16 de fevereiro de 2016

Conselhos sem risco!


Depois da comemoração do dia do Presidente nos USA, os mercados voltam a operar normalmente. Um feriado longo é igual em toda parte do mundo, uma dose de inércia pode ser percebida. Por isso, não são publicados muitos artigos interessantes. Resolvi comentar sobre uma pesquisa feita com dezoito bancos, com suas projeções para o SP500 ao final de 2016.

Devo confessar que dois motivos devem ter me levado a isso, primeiro que raramente vivi um momento de tamanha disparidade entre o que o mercado acredita, e está apostando, e os economistas; e segundo que dezoito é um número de sorte na numerologia Cabalística - superstição? Bem provável! Hahaha... Veja a seguir os resultados, onde a coluna Alta potencial é o calculo considerando o nível projetado para o SP500 vis-à-vis o atual.


O que se pode perceber é que não existe nenhuma instituição que vislumbra um cenário mais sombrio. Nada de recessão, deflação, crise bancária e etc..., tudo continua bem, um pouco mais otimista, um pouco menos. Ninguém!

Só para mostrar como o mercado está com uma visão muito diferente dos economistas, veja no gráfico a seguir, a espetacular mudança na projeção de quando o FED irá elevar os juros novamente.


Daqui a dois anos! Alguém está muito errado. Eu sempre tenho uma desconfiança maior nas projeções dos economistas, por uma única razão, eles não colocam na reta! Já vi inúmeras vezes mudanças radicais de projeções numa boa, sem que fiquem vermelhos, ou até peçam desculpas.

Em todo caso, do ponto de vista técnico, estamos numa conjectura delicada, existem tranquilamente argumentos para comprar ou para vender, e em ambos os casos, com resultados interessantes. Como não existe até o momento nada definitivo, melhor ficar com dedo no gatilho, para acertar o "urso" - mercado de baixa, ou o "touro" - mercado de alta, sem nenhuma preferência.

O dólar em relação ao real não está se comportando da maneira que eu havia projetado. Assim, depois de uma análise mais detalhada cheguei a outra hipótese que vou compartilhar. Antes disso, é importante relembrar os cenários que coloquei no post eu-serei-você-amanhã: ..."Em relação ao real, enquanto o nível de R$ 4,25 não for ultrapassado, acredito numa "mini" queda para um nível de R$ 3,85 - R$ 3,60... ..."Eu poderia considerar alcançado o objetivo desta mini-queda, porém acredito que possa cair ainda mais um pouco. Imaginei dois cenários possíveis:"...

VERMELHO


VERDE


Como mencionei no post acima, o objetivo da mini-queda poderia ser considerado alcançado (grifado), razão pela qual nenhum trade foi sugerido. O gráfico a seguir mostra a nova alternativa que denominei de cinza.

CINZA


Notem que as cotações, ao se aproximar da linha azul, não cairam abaixo dela, isso se denomina suporte. Assim, poderia estar se formando uma figura já bem conhecida por vocês, o triângulo, que tende a romper na mesma direção do movimento anterior, que no caso é para cima.

Calculei qual seria o objetivo para as cotações do dólar caso isso ocorra. Não é nada animador, pelo menos para nós brasileiros - R$ 5,50! Uma alta nada desprezível de 30%.

- David, Uallll...., porque você não compra e para de torturar seus leitores com tantos jargões técnicos, triângulo, zig-zag e etc...?
Puxa você anda bastante quieto ultimamente, por que será? Infelizmente não tenho como aliviar os leitores, pois se eu não explico o que estou fazendo, parece chute. Não vou comprar agora não, irei aguardar cair aos níveis dos cenários Verde ou Vermelho, ou comprar no rompimento no nível de R$ 4,25. 

O SP500 fechou a 1.895, com alta de 1,65%; o USDBRL a R$ 4,0708, com alta de 1,66%; o EURUSD a 1,1136, com queda de 0,15%; e o ouro a US$ 1.199, com queda de 0,80%.
Fique ligado!