Inflação: A Revanche

29 de janeiro de 2016

Quanto mais pode cair?




"Quanto mais pode cair?" Está é uma frase muito ouvida nos meios financeiros, quando algum ativo cai muito. Quem diz essa frase raciocina que, esta é uma grande oportunidade de compra, e não deve ser perdida. Uma análise mais cuidadosa do conteúdo e do apelo emocional, percebe-se que a única razão por traz é que esse ativo caiu mais do que se poderia imaginar.

Minha resposta normalmente nestas situações, é que o máximo que se pode perder é todo o capital investido, algo também bastante improvável, mas que tem o objetivo de provocar uma reação contrária.

A conclusão é que o fato de ter caído muito, não significa que não possa cair mais!

Um ex-colega da época que trabalhei no Banco Tendência, me relatou uma operação que realizou no mercado de juros japonês.
- David, os juros no Japão estão em 0,75% a.a., comprei calls de juros - aposta que vão subir - para daqui a um ano, pagando um prêmio baixo, afinal, quanto mais eles podem cair?

Naquela época, ao redor de 1995, o acompanhamento dos mercados internacionais resumia-se a USA, e muito pouco os outros países. Eu não tinha a menor ideia do que acontecia no Japão, e o máximo que sabia era que a bolsa tinha sofrido uma grande queda a no final de 1989. Mas eu entendi o apelo desse meu colega, afinal abaixo de 0% era impossível.

Passados vinte anos, essa premissa caiu por água abaixo, primeiro foi o Banco Central da Suíça, que ao tentar segurar no muque sua moeda, fixando uma taxa de conversão do franco suíço ao euro, teve que abandonar depois de ter comprado uma quantidade enorme de euros. Adotou logo em seguida uma remuneração negativa nos depósitos. Depois foi o Super Mário no ECB, além da Suécia, Noruega e Dinamarca.

Ontem foi a vez do Banco do Japão que adotou a mesma política de remunerar os recursos com taxa negativa de -0,10% a.a. Remunerar não, penalizar! O pior é que seu Presidente,  Haruhiko Koroda, deu uma declaração a agência Reuters no dia 21/01/2016 dizendo que não iria adotar juros negativos!
Diria que, ou ele deu uma "operada" no mercado, ou algum coisa aconteceu para mudar de ideia. Mas, diferentemente do nosso Presidente do BC, Alexandre Tombini, não foi conversar com ninguém, nem publicou no site do BOJ!

Quando eu comecei na área financeira, o mundo estava no pico de uma era inflacionária, o problema de maneira geral era evitar que um surto de inflação descontrolada tomasse conta da economia, tinha-se memória das hiperinflações vividas no passado. Não passava na cabeça de ninguém, inclusive dos gestores de política monetária, que algum dia os juros seriam negativos. Além do mais, isso viola os princípios do livro texto de economia onde terra, capital e trabalho, devem ser remunerados.

A reação imediata foi a esperada, a bolsa do Japão subiu de imediato 3%, depois chegou a cair 1%,  e finalmente fechou em alta de 2,80%.


Já  a moeda teve um movimento inicial de alta do dólar - queda do yen, para 121,33, e depois uma retração para 120,45, com alta do dólar de 1,6%.

Conhecendo este meu ex-colega, sei que não é teimoso, e ao perder o prêmio de sua operação, buscou entender o porquê dos juros tão baixos. Agora, se fosse um investidor que usasse a lógica pura, e assumindo que algum dia os juros teriam que subir, provavelmente estaria hoje, literalmente "sem calças"!

Como o assunto du jour é juros, meus comentários serão sobre os juros dos títulos de 10 anos americanos. No post banco-incentiva-o-descanso, fiz os seguintes alertas: ...No curto prazo os níveis de 2,00% e principalmente 1,90% a.a., expõe os juros a movimento de queda...

Depois da ação desta madrugada no Japão, os juros no mundo caíram, menos aqui é lógico. Não poderia ser diferente nos USA, uma vez que, é melhor investir recebendo juros de 2% a.a. em dólares do que 0,11% a.a. em Yens, para um prazo de 10 anos.
O nível de juros aproxima-se perigosamente do nível de 1,90% que, se rompido, expõe a uma área de alerta máximo, pois abaixo de 1,75% vêm logo a seguir a mínima atingida a um ano de 1,65%. Só para sua informação, pois muita água tem que rolar antes disso, se a queda ultrapassar este último patamar, pode-se esperar uma quedas até o intervalo compreendido entre 1,1% a.a. - 0,6% a.a., de acordo com o que publiquei no post juros-de-10-anos

Eu não posso deixar de pensar que esses níveis cheiram a um ambiente deflacionário, é inegável. Os BC´s estão fazendo o possível e impossível para evitar, mas parece que não estão conseguindo vencer a batalha. A cada movimento como esse último do BOJ, a credibilidade diminuiu, até um dia que perdem a credibilidade. 

Quanto ao câmbio, é notório que já vivemos um clima de guerra cambial, e 1929 começou da mesma forma.

Quanto mais os juros podem cair? Hahaha...

Com a alta expressiva do Bovespa hoje de 4,23% , fechando a 40.265, sugiro alterar o stoploss do trade de compra para 38.000 - última atualização ocorreu no post um-oásis-no-deserto, transformando essa operação em risco zero.

O SP500 fechou a 1.940, com alta de 2,48%; o USDBRL a R$ 3,9973 on sale! Hahaha...com queda de 1,75%; o EURUSD a 1,0832, com queda de 0,95%; o ouro a US$ 1.117, com alta de 0,25%.
Fique ligado!

28 de janeiro de 2016

FED roda em falso




A reunião do FED ontem não teve muita graça, uma vez que, ninguém esperava por um aumento dos juros, nem tão pouco queda! Hahaha... Mas mesmo assim, a atenção voltou-se a minuta publicada, haja visto a grande volatilidade vivida pelos mercados nos últimos dias.

Pode-se resumir o comunicado como: As mudanças no texto estão em linha com os últimos dados econômicos, queda no PIB por fatores específicos, sólido crescimento do emprego e aumento da incerteza  global. Assim, o FED acompanhará de perto os acontecimentos. Em outras palavras, o FED não está preocupado com a dinâmica interna da economia americana, mas sim, com um eventual contágio dos eventos internacionais. O FED está deixando abertas as opções para a reunião de março, mas se o ambiente atual de preços de petróleo baixos, condições financeiras apertadas e um dólar forte persistir no curto prazo, a autoridade monetária poderá mudar para um posicionamento mais neutro.

E vocês reclamam que o Mosca fica no muro! O que diriam do FED?  Já que é assim, vamos monitorar o que já monitoramos! Hahaha...

Uma pesquisa realizada com o mercado, para saber quais seriam os motivos da grande correlação recente entre as bolsas e o petróleo, obteve o seguinte resultado.

Não sei se compro os principais argumentos, pois o problema maior parece ser na oferta e não na demanda do petróleo. Como exemplo, o gráfico a seguir mostra o estoque de óleo comparado com o ocorrido nos últimos cinco anos - em cinza. Neste quesito não resta dúvida a razão da queda de preços, embora não esclareça se é por falta de demanda ou excesso de oferta.


Uma informação do lado da oferta aponta que a produção ainda se encontra nos níveis do ano anterior, como é mostrado a seguir. É verdade que estes dados são de curto prazo, mas indicam que a produção não se adequou.


Por outro lado, até os garçons dos restaurantes de Wall Street, estão vendidos no petróleo, tamanha é a crença dos investidores que continuará caindo. Mas surpresas sempre podem acontecer, e basta um país mais crível que a Russia anunciar um corte na produção, para a posição destes vendidos pegar fogo. Hoje durante o dia, com o anuncio da União Soviética de reduzir em 5% a produção, fez os preços reagiram imediatamente para cima. Depois disso recuaram, o mercado refletiu que, tanto a quantidade anunciada, e principalmente a baixa credibilidade do Putin, não merecem muito respeito.

No post worst-case-scenario, fiz os seguintes comentários sobre o ouro: ...Na alta acima de US$ 1.110 provavelmente vou arriscar uma compra, e se ultrapassar US$ 1.190 um movimento maior poderá estar acontecendo. Já ao contrário, se cair abaixo de US$ 1.145 vamos às vendas... Eu fiz uma correção no texto original, pois ao invés de ...abaixo de US$ 1.145... leia-se ...abaixo de US$ 1.045.

O ouro ultrapassou o nível que eu estava considerando uma compra, mas não estou decidido a iniciar um trade. Existem alguns motivos técnicos que me fizeram frear dessa intenção onde poderia resumir em uma palavra, o movimento desde a mínima de US$ 1045 é fraco! Vou aguardar mais evidências.

No gráfico acima apontei o que denominei de zona "quente". Caso o ouro adentre nesta zona, aumenta a confiança de US$ 1.045 ser considerado um mínimo, pelo menos de curto prazo. Ao inverso, poderá retornar seu caminho de queda. Conclusão: O ouro está no muro! Hahaha...

O SP500 fechou a 1.893, com alta de 0,55%; o USDBRL a R$ 4,0638, com queda de 0,92%; o EURUSD a 1,0940, com alta de 0,44%; e o ouro a US$ 1.113, com queda de 1,04%.
Fique ligado!

27 de janeiro de 2016

Um oásis no deserto

Como acontece mensalmente, hoje participei da reunião de macroeconomia na Rosenberg, com a casa cheia. O cenário internacional tomou boa parte das discussões, na tentativa de esclarecer a elevada correlação entre as bolsas de valores e o petróleo, que do ponto de vista acadêmico não faz sentido. Várias hipóteses foram levantadas sem que houvesse alguma conclusão.

A maior polêmica surgiu com uma pergunta, cuja resposta vale alguns bilhões de dólares: "Alguém trabalha com a possibilidade dos USA entrar em recessão - o que se denomina de double dip? Parece que todos não acreditam nesta hipótese, porém sem muita convicção. O que sim foi convicto, é que caso ocorra, não seria nada bom.

Quando o assunto foi a economia brasileira, apresentou-se mais do mesmo, uma continua deterioração, sem muitas perspectivas de uma virada. Alguns acreditam que no 2º semestre possa melhorar um pouco, mas é só isso. Porém existe um setor que está indo muito bem, o externo.

Ontem publicou-se o déficit em transações correntes para o ano de 2015, e o mesmo recou para 3,3% do PIB. O déficit saiu de US$ 104,3 bilhões em 2014, para fechar 2015 em US$ 58,9 bilhões, uma queda significativa de 43%. Além desse resultado inesperado pelos economistas, as subcontas merecem destaque.


Começamos pela balança comercial que atingiu um superávit de US$ 17,7 bilhões. É verdade que graças a queda expressiva das importações. Por outro lado as exportações estão se estabilizando, em bases anuais. Esperasse para 2016 um superavit entre US$ 30 - 40 bilhões.

Na conta de serviços houve uma queda de U$ 48 bilhões em 2014 para US$ 37 bilhões em 2015. Com reduções em todos os subitens: transportes, aluguel e viagens internacionais.

Na conta de rendas uma redução de US$ 10 bilhões, quando comparada a de 2014. O resultado ao final de 2015 somou US$ 42,4 bilhões.

Do lado do financiamento, houve redução do investimento direto que passou de US$ 96,9 bilhões em 2014 para US$ 75,1 bilhões em 2015. Mesmo com uma queda de 22%, à de se considerar o cenário extremamente adverso para os países emergentes, aliado a grave crise política em que vivemos. Mesmo assim, este saldo é suficiente para financiar o déficit atual com folga.

As reservas internacionais encontram-se estáveis ao redor de US$ 370 bilhões. A dívida externa total brasileira de longo prazo atingiu US$ 227 bilhões, o que poderia ser liquidada integralmente pelas reservas e ainda sobrar um "troco"! Hahaha...

Não fosse a situação política em que vivemos, seguramente a taxa de câmbio estaria mais baixa que os atuais R$ 4,05. Um modelo desenvolvido pela Rosenberg que separa os fatores externos dos internos, aponta para um câmbio de R$ 3,50, mas poderia ser mais baixo ainda dependendo da forma que o BC atuasse em relação aos swaps cambiais. Mas tudo isso são hipóteses irreais, e teremos que conviver com o custo "Dilma".

A repercussão destes resultados na imprensa foi pequena, acabou perdida dentro do noticiário mais corriqueiro de brigas entre o PT e PSDB/PMDB, lava jato e outras mais.

As histórias que se contam dos desertos, é que ao ficar fatigado pelas altas temperaturas, as pessoas se iludem com miragens. Entretanto, as contas cambiais brasileiras são reais, existe água! Talvez poucos países emergentes possuam uma situação externa, tão confortável como a nossa. O que estraga no nosso caso é o deserto, pois até a areia anda sumindo! Hahaha...

No post acabou-a-moleza, expus quais eram os motivos que me levavam a propor um trade de compra do índice Bovespa: ...1) Uma formação de "livro texto" de um duplo zig zag, segundo a teoria de Elliott Wave; 2) Todas as vezes em que a bolsa tocou nas linhas paralelas indicadas no gráfico houve uma reversão; 3) Este é um nível de retração onde existe uma boa probabilidade de reversão....Porém, enfatizei também os riscos envolvidos: ...Tudo isso são boas evidências, mas somente reações no sentido contrário poderão dar uma confirmação mais segura, e essas não existem até o momento....


Nosso nível de entrada foi 38.000 e estabeleci um stoploss a 36.000. Nos dias subsequentes ao trade, algumas quedas menores aconteceram, sendo que na última quarta-feira, atingiu a mínima de 37.040. Hoje o mercado está subindo 2,5% e pode ser uma boa notícia. Agora é necessário que esta ultrapasse os 39.500. Se isso acontecer, provavelmente vou alterar o stop.


Não quero que vocês fiquem "excited", não existe nenhuma garantia que de repente não volte a cair. Como anotei no gráfico, somente acima de 43.000, posso afirmar que algo melhor está acontecendo.

O SP500 fechou a 1.882, com queda de 1,09%; o USDBRL a R$ 4,12062, com alta de 1,88%; o EURUSD a 1,891, com alta de 0,33%; o ouro a US$ 1.124, com alta de 0,27%.
Fique ligado!

26 de janeiro de 2016

O gato continua no telhado

Estamos vivendo um ciclo vicioso entre três ativos de grande visibilidade internacional: petróleo, China (bolsa/fluxo de reservas) e bolsa americana. Dificilmente pode-se estabelecer qual a sequência entre eles. Entretanto, parece que esse último vem na esteira do petróleo, basta verificar no gráfico a seguir, como a correlação entre eles mudou recentemente.



Já no caso da bolsa chinesa e seu nível de reservas, não é claro quem comanda quem. 

Os investidores continuam preocupados com o futuro da economia chinesa, por mais que os analistas não acreditem em grandes quedas por lá. Esta não parece ser a visão de quem tem recursos investidos. O índice de bolsa Shangai CSI 300 vem caindo de longa data, e hoje a queda foi de 6,02%,  nível mais baixo nos últimos 13 meses.
Nota-se claramente, que depois da alta vertiginosa do 1º semestre de 2015, iniciou um período de baixa, perdendo aproximadamente 50% de seu valor, desde o pico atingido em junho daquele ano. 

Quanto a situação cambial, a política de intervir no câmbio a fim de evitar volatilidade, tem ocasionado um volume expressivo de perdas de reservas. As últimas estimativas apontam para uma queda significativa de US$ 1,0 trilhão em 2015.



No gráfico do Yuan, nota-se a razão pela qual, a diminuição de reservas tem sido tão expressiva. Enquanto as moedas dos emergentes passaram severos movimentos de desvalorização frente ao dólar, a moeda chinesa caiu só 7% nos últimos 12 meses.
Com este cenário mundial extremante conturbado e incerto, os investidores têm optado pela segurança, com fortes saídas observadas nos mercados emergentes.

A verdade é que o gato não subiu no telhado, ele continua lá. O pior é que está chamando outros para lhe fazer companhia!

No post esquizofrenia-financeira, fiz os seguintes comentários sobre o real: ...Ainda existe a possibilidade das quedas que visionei, porém será necessário que as cotações caiam abaixo de R$ 3,96 e relativamente rápido, caso contrário seremos stopados. Os dados de mais longo prazo projetam altas para o dólar, conforme o que postei no final do ano passado, no post real. ...Logo em seguida, na quinta-feira, após o anúncio que o COPOM estava mantendo os juros, fomos stopados. Desde então, houve um leve recuo, sem que tivesse acontecido um movimento mais expressivo.
As sextas-feiras tenho o costume de almoçar com alguns amigos que também são leitores do Mosca. Tenho ouvido, com uma certa frequência, que o blog fica muito em cima do muro, deveria me posicionar com mais clareza, do tipo: "vai subir ou vai cair?" Isso me fez refletir sobre o assunto, pois por mais que eu esteja tentando mostrar os caminhos possíveis que um determinado mercado possa seguir, e sempre tem dois, isso deve estar confundindo os leitores. Assim, se a maioria acha isso, o errado sou eu!

Por outro lado, não vou indicar trades que não considero vantajosos do ponto de vista de risco x retorno, não posso ter posições sempre. As estatísticas apontam para resultados negativos, neste tipo de atitude, afinal, somente 30% do tempo os mercados mostram movimentos numa direção e 70% estão em correção.

Somando tudo, vou buscar a partir de agora, sempre que possível, me posicionar naquilo que acredito, o que vai mudar é o grau de convicção, que indicará ou não um trade a ser executado. Vamos ver se assim, fica melhor para todos.

Em relação ao real, enquanto o nível de R$ 4,25 não for ultrapassado, acredito numa "mini" queda para um nível de R$ 3,85 - R$ 3,60. No gráfico frisei dois movimentos de alta, o primeiro aconteceu entre julho - setembro de 2015 e o atual, que se iniciou em dezembro. São bem diferentes, esse último parece mais "cansado". Para que o cenário que eu antevejo aconteça, será necessário que o dólar caia abaixo de R$ 3,96, aí as chances aumentam.  Em se concretizando, este é um movimento de curto prazo, em outras janelas de tempo, espero mais altas do dólar.

O SP500 estava a 1.896 (*), com alta de 1,03%; o USDBRL a R$ 4,0501, com baixa de 0,95%; o EURUSD a 1,0855, com alta de 0,10%; e o ouro a US$ 1.121, com alta de 1,27%.
Fique ligado!

22 de janeiro de 2016

Banco incentiva o descanso

Ao observar o título de hoje do Mosca, vocês podem ser levados a um raciocínio de que finalmente um banco, ramo de negócio tido como estressante, resolveu pensar em seus funcionários. Mas na verdade o anúncio do JP Morgan, maior banco do mundo, é um pouco diferente, eles lançaram um plano para incentivar os funcionários de seu braço de investimentos, take the weekends off! Com uma ressalva, desde que não haja um negócio a ser fechado no final de semana.

Este programa que foi denominado "Pencils Down", é incomum nas instituições de Wall Street, onde trabalhar 100 horas por semana é sinal de orgulho e criticado por outros que consideram um aspecto antiquado do trabalho, que leva ao esgotamento precoce.

Alguns bancos de Wall Street lançaram ações semelhantes, e uma das razões citadas dá conta que os empregados de nível mais baixo estão sujeitos a condições de trabalho extremo. Isso deve-se, depois que um estagiário do Bank of America, faleceu em 2013. Um exame médico encontrou exaustão como uma possível causa na morte.

Ao ler esta notícia fiquei, de certa forma, surpreso, pois se o banco está incentivando agora seus funcionários a descansar aos finais de semana é porque antes fazia o contrário, criando um clima de concorrência enorme entre seus funcionários, pois quem não o fazia, seria considerado um "folgado" e perdia oportunidades de promoções.

A função de estagiário foi sendo deturpada com o tempo. Na época em que eu trabalhava no BFB,
eles ficavam em treinamento por um ano, passavam por todas as áreas e depois selecionavam-se os mais habilitados para trabalhar em diversas áreas do banco. Quem trabalhou lá, ou mesmo, quem estava no ramo financeiro, conhecia o PROFORGE - Programa de Formação de Gerentes. Hoje em dia, o estagiário é visto como mão de obra barata, e ao terminar a faculdade são substituídos por outros estagiários.

Por outro lado, os funcionários tinham um comprometimento muito maior com a empresa, hoje em dia, ficar um ano é muito tempo. Vivi recentemente, um caso semelhante, ao ver minha filha ser contratada pela Unilever, empresa disputadíssima para estágio. Depois de três meses ela chegou a conclusão que não gostava de seu trabalho, queria outra área. Tentei argumentar que era muito pouco tempo para ela chegar a esta conclusão, e com certeza no futuro, teria a oportunidade no setor que desejava. Sabem o que eu obtive de resposta? ..."Pai, eu já conheço tudo aqui!". É verdade que, em menos de uma semana foi contratada por outra empresa no ramo que desejava, e já pode ser considerada uma veterana, próxima de completar 6 meses!

Será que minhas crenças sobre o relacionamento entre empresa e empregado tornaram-se ultrapassados? Não sei a resposta. Em todo caso, para quem ficou entusiasmado com a nova diretriz implantada pelo JP Morgan, quero enfatizar que esse plano vale para aproximadamente 2.000 funcionários de um total de 234.000, escolha bem o lugar! Hahaha...

Não poderia deixar de comentar também que a Justiça do Trabalho nos USA é de longe mais flexível que a brasileira, pois imaginem que o Itaú lançasse um plano desses aqui, na segunda-feira, os bens pessoais de toda a diretoria do banco teria sido bloqueada!

No post us-10-years, fiz os seguintes comentários: ...Como pode-se verificar no gráfico acima, as cotações dos juros estão contidas por dois triângulos, fato raro em análise técnica. Essa grande indecisão, foi colocada no post juros-de-10-anos, nos cenários que denominei de "Uhhhhh..." "Don't even think"... ...No curto prazo os níveis de 2,00% e principalmente 1,90% a.a., expõe os juros a movimento de queda...
Como vocês poderão observar abaixo, mesmo com toda a pressão oriunda da queda das bolsas, os juros de 10 anos americanos caiu pouco, atingindo a mínima de 1,94. Agora encontra-se em 2,07%.
Parece que a análise técnica funcionou novamente! O mercado fechando hoje nos níveis atuais, pode ser um indicador de reversão no curto prazo.

Como venho enfatizando ultimamente, os mercados estão muito indefinidos, não dá para fazer nenhuma aposta com mais convicção para nenhum dos lados. Neste caso também, somente acima de 2,30% e principalmente 2,40% uma alta dos juros vai ser mais consistente. Recomendação: Acompanhe!

Na próxima segunda-feira é feriado em São Paulo, talvez eu poste, acompanhe o Facebook, seu e-mail, ou o LinkedIn.

O SP500 fechou a 1,906, com alta de 2,03%; o USDBRL a R$ 4,093, com queda de 1,53%; o EURUSD a 1,0796, com queda de 0,96%; e o ouro a US$ 1.097, com queda de 3,1%.
Fique ligado!

21 de janeiro de 2016

Risco de uma "Argenzuela"

Se você ficou impressionado com as declarações do ex-Presidente Lula, eu não fiquei. Minha saudosa analista me disse certa vez: "80% das vezes que você fica irritado pelas ações ou declarações de uma pessoa, que em função de experiências passadas era o que se podia esperar dela, na verdade sua irritação é com você. Inconscientemente você esperava que desta vez fosse diferente e como não foi, se irrita". O caso do "cumpanheiro" enquadra-se 100% nesta situação.

A entrevista com blogueiros simpáticos ao PT, tornou-se um palco excepcional para mandar seu recado a sociedade. É como jogar uma partida com um time da 10ª divisão - nem sei se existe! Hahaha... com os portões fechados, e torcida própria, o resultado só pode ser uma goleada.

Eu não tenho muita dúvida que o Lula se encaixa num quadro de psicopatia, sintoma que se desenvolve de várias formas. A dele enquadra-se no seguinte caso: "Tendo em conta algumas das características de psicopatas, como a capacidade de manipulação e de conquistarem facilmente a simpatia das pessoas, muitas vezes ocupam cargos relevantes onde exercem poder". 

De toda sua entrevista, o mais importante foram suas declarações sobre 2018 e, na minha visão, ele deixou entender que tem intenções de ser candidato, lógico se sua saúde o permitir, como frisou.

Vou fazer um exercício especulativo de como podem ser os próximos três anos, e parto do princípio que não haverá impeachment, situação que poderá elevar muito suas chances de vitória - veja nota ao final. Ao que tudo indica somente um milagre, poderia fazer do governo Dilma um sucesso, pois deverá passar a maior parte do tempo sem apoio político, num cenário internacional bastante adverso para dizer pouco. Pelo que parece, 2016 já está morto, resta saber como será 2017 e principalmente 2018. É possível que em 2018, depois de três anos de recessão, a economia melhore, e isso não é bom para quem não quer ver de novo Lula no poder.

Acontece que tudo isso é verdade, desde que a Dilma fique mais ou menos estática, mas esse não parece ser o caso. A decisão de ontem do COPOM já pode ser um indicador que pretende reagir a seu modo. Se esse for o caso, podemos nos preparar para uma situação semelhante ao que ocorreu com Cristina Kirchner no seu último mandato, intervenções por todos os lados, e ao mesmo tempo, distribuindo benesses aos mais necessitados, procurando garantir sustentabilidade a seus atos.

Continuando com o raciocínio, o PIB não deverá cair tanto, financiado através de déficits públicos crescentes, alta da inflação, e uso das reservas para segurar minimamente o câmbio. Desta forma, Lula poderia entrar em cena e dizer que o PT é que entende de economia e que ele dará continuidade a esses programas para "evitar que as conquistas do povo sejam tiradas", como se referiu ontem.

Os "pensadores", definição que criei durante as últimas eleições os-filhinhos-do-governo, sabem que tudo isso não vai dar certo. Depois de eleito, Lula irá se deparar com um país sem investimentos, com um déficit público insustentável, inflação "real" nas alturas, pois a oficial poderá ser manipulada e com poucas reservas. O que vocês acham que ele fará? Vai copiar a experiência da Venezuela, pois para um psicopata, se algo não está dando certo, a culpa é dos outros. Desta forma teremos um país, com uma mistura de Argentina e Venezuela, a "Argenzuela".

Como o risco da "Argenzuela" pode não se concretizar? Se mesmo com os estímulos que vêm por aí, não for suficiente para reverter o desemprego, assim, o discurso do Lula em 2018 pode não convencer a população. Além disso, no campo político, uma outra forma de inviabilizar sua candidatura, seria o lava-jato tirar até a sujeira de dentro dos cinzeiros, com o juiz Sergio Mouro colocando literalmente todos na cadeia.

Fora isso não adianta ficar se lamentando, esse é o país em que vivemos atualmente e se não gostar, você deve mudar e não o país, pelo menos nos próximos 10 anos!

Para terminar, queria comentar que caso haja o impeachment, a situação melhora para o Lula, pois passará de réu para vítima, e todo o insucesso econômico será do novo Presidente. Vejo neste cenário uma chance maior do Lula voltar. Acho que não é por menos que o ex-Presidente Fernando Henrique, bem como o PSDB, estão muito cuidadosos neste tema.

Nada animador, não é?

Eu iria comentar o SP500, mas prefiro fazer uma análise mais detalhada no final de semana. Hoje o assunto será sobre o euro. No post euro, com uma visão de mais longo prazo, tracei dois cenários possíveis, "Brochou' e "By the books". Acompanhando o dia a dia, podemos esperar a definição de qual será o rumo tomado. Vejamos o que ocorreu recentemente.

O retângulo em vermelho é a oscilação máxima ao que o euro esteve sujeito - entre 1,07 - 1,105, desde a pisada no tomate do Super Mário na reunião do ECB de dezembro. Com toda a agitação que o mercado financeiro vem experimentando nestes últimos 30 dias, a moeda única parece como o personagem Kevin no filme esqueceram de mim! Hahaha... A área em verde poderia ser chamada de "terra de ninguém", enquanto estiver contido neste intervalo 1,05 - 1,105, somente apostas de tiro curto. Vamos focar mais nos outros mercados.

Hoje pela manhã fomos stopados em nosso trade de UDSBRL. Acabou acontecendo o que comentei no post esquizofrenia-financeira: ...Ainda existe a possibilidade das quedas que visionei, porém é necessário que as cotações caiam abaixo de R$ 3,96 e relativamente rápido, caso contrário seremos stopados... Considerando o nível inicial de entrada de R$ 4,00 e os juros no período, o prejuízo foi de 1,5%. Daqui em diante o nível a se observar é R$ 4,25, até lá, nada a fazer, aguardem nova postagem sobre o real.

O SP500 fechou a 1.868, com alta de 0,52%; o USDBRL a R$ 4,1563, com alta de 1,48%; o EURUSD a 1,0878, com queda de 0,10%; e o ouro a US$ 1.101, sem variação.
Fique ligado!

20 de janeiro de 2016

"Worst case scenario"

Há dois anos o petróleo estava a US$ 100 o barril, e naquele momento a maioria das análises projetavam uma continuidade destes níveis. Alguns mais otimistas apontavam para preços superiores a estes, dado a crescente demanda da China. Um ano depois, os preços se encontravam por volta dos US$ 50, uma queda nada desprezível de 50%. Naquele momento, o argumento voltava-se para a nova oferta de óleo ocasionada pelos projetos americanos de extração oil shale. E agora as cotações estão em US$ 26,5, uma queda adicional de 50%.

- David, matei a charada, no próximo ano o petróleo estará em US$ 13. Sou bom de matemática! Hahaha...
Se projetar o preço futuro de mercados fosse tão simples assim, os leitores não precisariam do Mosca, bastava um pouco de lógica.

No ramo de investimento, tanto em ativo real como financeiro, é de praxe calcular qual seria o prejuízo se algo der errado, o Worst case scenario". A técnica de cálculo pode ser complexa dependendo do caso, mas o que importa é simples, o que acontece com seu investimento se o preço, ao invés de estar no nível que justificou sua decisão, estiver em Y. A fixação desta variável pode ser um simples "chute", como já presenciei inúmeras vezes em minha vida: "quanto pode cair no máximo, 15%?", ou através de estatísticas mais complexas. Mas no final, o que importa é saber se o mercado levar o preço para Y, o que acontece? posso quebrar?

Vários livros e artigos já foram escritos sobre o tema, porém o mais famoso chama-se Black Swan, escrito pelo professor e também investidor, Nassim Taleb. Recomendo sua leitura.

Agora vamos retornar no tempo e imaginar que há dois anos uma empresa de extração de petróleo, ou mesmo um investidor que quisesse apostar na alta do petróleo decidissem fazê-lo. Qual teria sido o seu preço Y para o ano seguinte? Muito poucos teriam usado os US$ 50. Agora se o horizonte fosse dois anos, duvido que alguém pensaria em US$ 26,5.

Não precisa ser um grande expert em finanças para concluir que ambos perderam dinheiro. Agora existe uma grande diferença entre o primeiro caso - a empresa de extração de petróleo, e o segundo caso - o investidor apostando na alta, este último pode sair quando o petróleo chegou ao seu preço Y e o primeiro vai ter que terminar seu negócio, caso seu custo seja superior ao preço Y.

Está é a situação atual de inúmeras empresas de petróleo. Existe uma diferença importante neste ramo, o custo de extração é muito diferente entre si. Por exemplo, o óleo extraído nos países árabes demandam investimentos iniciais elevados, porém têm custos de extração baixos, enquanto o shale oil é o inverso, baixo investimento e custo elevado. Com esta situação, entende-se porque a Arábia Saudita não quis reduzir sua produção.

Nesta madrugada uma nova onda de quedas nas bolsas ocorreu ao redor do planeta, e hoje a bola da vez foi o petróleo, que atingiu novas mínimas.

William White, Presidente da OECD, declarou que o sistema financeiro tornou-se perigosamente instável e irá testar uma avalanche de quebras, onde será testado a estabilidade social e política. Alerta que a munição dos bancos centrais já foram usadas:... "As dívidas continuaram a crescer nestes últimos oito anos e alcançaram níveis tais, em qualquer parte do mundo, que passam a ser uma causa potencial de dano"... ..."Ficará claro na próxima recessão que muitas destas dívidas nunca serão pagas, e isso será desconfortável para muitas pessoas, que pensam que possuem ativos que valem alguma coisa"... Como exemplo, ele apresenta a evolução da dívida na China.

BAML China total debt to gdp
- David, você quer estragar meu dia?
Não, de modo algum, só quero alertar para que tenha muito cuidado.

Sobre o raciocínio acima, podemos tirar duas conclusões: 1) O futuro é incerto, mesmo que isso seja desconfortável de assumir, ninguém sabe qual é o preço Y; 2) Sempre tenha um stoploss e use-o, não seja leniente - não caia nas fantasiosas frases: "Ah, já caiu muito, quanto pode cair mais", "vou esperar recuperar para vender", e etc... Não segure uma faca caindo.

Antes de entrar na análise de mercado, queria comentar o comunicado do BCB de ontem, sobre os juros: - Que papelão! Para não ficar mal com a Presidenta, Alexandre Tombini arrumou uma desculpa esfarrapada para fazer o que a Dilma lhe pediu. Acontece que o mercado é vivo e entendeu tudo que aconteceu. Da próxima vez é melhor ser mais criativo, pois usar a projeção do FMI para não subir os juros, é fraca! Não preciso dizer que a política monetária passou novamente para as mãos da Presidenta, e o track record é desastroso.

No post ouro, fiz as projeções de longo prazo para o ouro com dois cenários que denominei de "Renasce o pop-star", e "Metal comum", disse também: ...Tenho uma preferência mínima por um dos cenários, mas prefiro não revelar, assim fico livre para tomar qualquer direção....

Como o longo prazo começa no curto prazo, vamos focar mais neste último a fim de identificar para onde caminha o metal. O nível de queda que poderá iniciar um novo movimento de baixa é US$ 1.050. No início de dezembro último, o ouro chegou a mínima de US$ 1.045 e em seguida retornou, ou seja, esta tentativa foi abortada. Tentou novamente no meio do mês e não conseguiu romper. Depois disso subiu.
O movimento do ouro encontra-se dividido no curto prazo por duas correntes do mercado, a primeira que acredita que o metal é um porto seguro neste momento de insegurança financeira; e o segundo que o ouro é um metal e assim deveria cair como todos os outros. Nós do Mosca preferimos ficar assistindo este embate e estabelecer níveis para agir.

Na alta acima de US$ 1.110 provavelmente vou arriscar uma compra, e se ultrapassar US$ 1.190 um movimento maior poderá estar acontecendo. Já ao contrário, se cair abaixo de US$ 1.045 vamos às vendas. Conclusão: Let´s the market speak!

O SP500 oscilou muito hoje, depois de ter caído 3,80% durante o dia fechou a 1.8953, com queda de 1,17%; o USDBRL também oscilou durante o dia, porém seu fechamento foi de R$ 4,0956, com alta de 0,85% - ainda estamos dentro do trade de venda; o EURUSD a 1,0894, com queda de 0,10%; e o ouro a US$ 1.100, com alta de 1,26%.
Fique ligado!

19 de janeiro de 2016

Acabou a moleza

Para quem estava acostumado a investir seus recursos em ativos de risco, como se eles não tivessem risco, este período terminou. Daqui em diante é melhor acostumar-se com a volatilidade nos moldes do passado. Com tantos anos, com oceanos de liquidez propiciados pelos maiores Bancos Centrais do planeta, tudo parecia céu de brigadeiro. Mas não é uma mudança neste último fato que visiono para estes novos tempos, ao contrário, alguns deles como o BCE e O BOJ ainda continuam injetando recursos, mas é sobre os grandes desafios que a economia chinesa deverá encontrar nos próximos anos.

A importância da China, não é necessário mais frisar, pois sendo a 2º maior economia do mundo, como não poderia ser dessa forma? Acontece que esta marca memorável foi conseguida através de políticas intervencionistas, que criaram distorções e forte desequilíbrios  macroeconômicos. Essas ações, é de amplo conhecimento público que poderia ser resumida da seguinte forma:

1) Taxa cambial atrelada à cotação do dólar americano - depois de uma desvalorização de 50% implementada em 1994, ficou durante uma década nestes níveis, somente após 2008 uma flexibilidade controlada foi permitida;

2) Política comercial voltada à exportação de produtos - Mantendo um câmbio depreciado, mão de obra em abundância e barata, atraiu companhias multinacionais a se instalarem no país;

3) Elevados níveis de poupança interna - A China vem acumulando reservas cujo volume atualmente encontra-se em mais de US$ 3,0 trilhões. Isso facilitou o financiamento do déficit dos países desenvolvidos, principalmente os USA, deprimindo os juros dos títulos de longo prazo;

4) Elevados níveis de investimento interno - Vários projetos de infra estrutura demandaram volumes crescentes de commodities, impulsionando a exportação dos países produtores, onde o Brasil se encaixou;

5) Baixos níveis de consumo interno - Com uma população que migrou dos campos para os grandes centros, com uma renda per capta em níveis baixos, a falta de um sistema de saúde adequado, bem como, sem um  plano de previdência, faz com que a população mantenha elevados níveis de poupança.

Acontece que esta situação é insustentável e o governo chinês iniciou um processo de desregular sua economia, buscando liberar o câmbio e modificar a participação da parcela de investimentos e consumo. Isso parece mais fácil falar que fazer! Como cita o analista do Banco Goldaman Sachs, num extenso relatório: ..." Nós esperamos que a China seja uma fonte de volatilidade significativa nos mercados financeiros bem como, nas economias dependentes de commodities, por vários anos. A China possui um grande dilema e tem poucas alternativas atrativas. Enfrenta a difícil tarefa de rebalancear sua economia no sentido do consumo propiciando um crescimento mais sustentável, e ao mesmo tempo evitar ajustes que possam desestabilizar sua economia"... ..."Se as reformas forem implementadas muito rapidamente, o país pode enfrentar uma rápida desaceleração. Se por outro lado, for muito lenta e não completa, o país enfrentará uma elevação insustentável na relação dívida sobre o PIB, podendo levar a uma instabilidade política"...Sua recomendação é de reduzir as posições em mercados emergentes!

Se você estava acostumado a desfrutar seus ganhos com tranquilidade em viagens, principalmente para o exterior, daqui em diante tudo ficará mais difícil. Primeiro que suas carteiras de investimentos serão ajustadas para baixo, mesmo que tenha só títulos de renda fixa. Comprar papéis do Banco do Brasil achando que é igual ao Rabobank, não é! Segundo a alta do dólar veio para ficar. Alguns leitores ao me encontrar perguntam quando o dólar vai cair. Eu sei que eles têm na cabeça, não uma queda eventual a R$ 3,70 - R$ 3,50, e sim o saudoso R$ 2,00. Esqueçam! Assim, viajar para o exterior só tem duas alternativas, ou não se calcula os gastos com o equivalente em reais, ou como disse um amigo ..."estou gastando os dólares velhos"!... Hahaha... Tudo ficou muito caro.

Como vocês leram nos jornais de hoje, foi divulgado o PIB da China que ficou em 6,8% a.a. Este número tranquilizou os mercados pela manhã, afinal, embora um pouquinho mais baixo que o esperado, que país poderia ficar triste com esse número? Alguns analistas questionam este dado, como já apresentei em vários posts publicados. Quem está certo? Só o governo que coleta os dados poderia responder se existe ou não manipulação, ou melhor, uma "pedalada"! Hahaha...

No post mosca-se-aproximando, alertei para um nível muito importante que a bolsa brasileira se aproximava: ...Ao verificar pela manhã os mercados, notei que o intervalo acima foi rompido e o Ibovespa encontra-se agora em 41.700 pontos, caminhando para o nível que irá sugerir uma compra... E finalmente o Ibovespa chegou lá, ultrapassando o nível de 39.000, uma vez que a mínima foi de 37.937. 

Ontem eu recebi de um leitor o seguinte Whatsapp
Leitor: David onde é o fundo do poço?
Resposta: Vale uma nota esta resposta.
Leitor: Desce do muro!!! Rs

Se eu fosse um analista com menos experiência, tenderia a induzir esse leitor a comprar o que tem e o que não tem na bolsa brasileira, afinal chegou o target que eu aguardava há muito tempo. Mas já sou "macaco velho" e aprendi, perdendo dinheiro, que tentar pegar uma faca quando está caindo pode machucar muito.

Eu sei que eu ficaria bonito na foto se por sorte acertasse o bum-bum da mosca, até seria compelido a mudar o nome do blog para Acertar no bum-bum da mosca! Hahaha... Fora esse troféu para o ego, que diferença faria no bolso ao comprar um pouco mais caro, mas com com mais evidências? Mínima. É por esta razão que não fiz a recomendação, veja o porquê a seguir.


Eu anotei acima os três bons motivos que sugerem uma compra nos níveis atuais: 1) Uma formação de "livro texto" de um duplo zig zag, segundo a teoria de Elliott Wave; 2) Todas as vezes em que a bolsa tocou nas linhas paralelas indicadas no gráfico houve uma reversão; 3) Este é um nível de retração onde existe uma boa probabilidade de reversão.

Tudo isso são boas evidências, mas somente reações no sentido contrário poderão dar uma confirmação mais segura, e essas não existem até o momento. Por exemplo, caso a bolsa continue caindo, não tem nenhum problema para a tese de alta, desde que o nível de 29.400 não seja rompido. Mas quem está disposto a comprar agora e arriscar mais 30% de queda? Eu não! 

- David, vai afinar?
Entendi, vamos ao botton line, sugiro que vocês arrisquem um pouco (a critério de cada um), nos níveis atuais 38.000 com um stop a 36.000, uma perda de 5% , e vamos acompanhando. 
  
O SP500 fechou a 1,881, sem variação; o USDBRL a R$ 4,0619, com alta de 0,19%; o EURUSD a 1,0912, com alta de 0,20%; e o ouro a US$ 1.086, com queda de 0,20%.
Fique ligado!

18 de janeiro de 2016

Esquizofrenia Financeira



Acompanhei os movimentos do mercado nestes últimos dias de uma forma mais geral. Vou me inteirar dos acontecimentos, que não foram poucos, durante esta semana. Se tivesse que resumir o stress destes últimos dias, elencaria dois itens: China e petróleo. Embora eles estejam de certa forma associados, acredito que o primeiro, é o que está causando mais preocupação entre os investidores - vide adiante gráfico.

O ano iniciou com a publicação de alguns dados da China que não agradaram o mercado. Embora não fosse nenhum desastre, a reação dos mercados tornou-se mais violenta que os fatos. Comentei inúmeras vezes que, as informações publicadas por esse país sempre são vistas com certa desconfiança, e em momentos como estes ficam amplificadas.

Nestas primeiras duas semanas de 2016 as bolsas ao redor do mundo sofreram quedas expressivas, assim como os juros nos USA. O petróleo atingiu níveis abaixo de US$ 30 somente vistos em 2003, bem como toda a cadeia de commodities metálicas. 

Vejamos alguns gráficos atuais. Os membros do FED em sua última reunião, estimam que ocorrerão quatro aumentos de juros neste ano. A ilustração a seguir, aponta a probabilidade que o mercado projeta. Notem que, pelo fechamento da última sexta-feira, a opção de mais nenhum aumento tem 34% de chance, enquanto os quatro imaginados pelo FED são praticamente descartados pelo mercado - 0,8%.   


Em relação aos preços das commodities, o gráfico a seguir do índice que mede uma cesta, mostra uma queda contínua, sem que haja nenhum movimento de reversão mais concreto.

É verdade que as apostas neste sentido encontram-se em níveis recordes, o que pode ser um elemento de alta, caso as economias não performem tão mal como o mercado projeta.


Porém não é isso que o FED de Atlanta projeta para o PIB americano no 4º trimestre, que encontra-se muito distante da expectativa dos economistas.
Evolution of Atlanta Fed GDPNow real GDP forecast
Na pesquisa realizada pela BAML sobre quais são as principais preocupações dos investidores, comparando a situação em janeiro vis-à-vis novembro, fica evidenciada minha colocação inicial.

Resumindo, o mercado está muito preocupado com um cenário deflacionário, enquanto os economistas e o FED apostam numa melhora da atividade no mundo, impulsionada pela economia americana.

Pessoas esquizofrênicas designam um conjunto de psicoses endógenas, cujos sintomas fundamentais apontam a existência de uma dissociação da ação e da realidade, e parece que é o que está acontecendo, figurativamente com o mercado. Da mesma forma que um esquizofrênico é imprevisível, cada publicação de dados na China provoca reações fortes do mercado. Mas não se pode desprezar essas preocupações, pois não está descartada a possibilidade de um cenário mais complicado no futuro. Somente o tempo dirá se o mercado está agindo esquizofrenicamente hoje, ou se são os economistas que estão dissociados da realidade.

O primeiro mercado que analisei este final de semana foi o real, afinal temos uma posição vendida em dólares. No post esquenta, fiz os seguintes comentários: ..."é razoável supor uma alta até os níveis de aproximadamente R$ 4,00, onde sugiro a seguinte estratégia de trade na venda de dólar: 1/3 a R$ 3,97, 1/3 a R$ 4,00 e 1/3 a R$ 4,03, com um stop em toda posição a R$ 4,10"... 
Desde então, pouca coisa mudou, as cotações ficaram contidas num intervalo muito restrito. Ainda existe a possibilidade das quedas que visionei, porém é necessário que as cotações caiam abaixo de R$ 3,96 e relativamente rápido, caso contrário seremos stopados. Os dados de mais longo prazo projetam altas para o dólar, conforme o que postei no final do ano passado no post real

Como hoje é feriado nos Estados Unidos, os mercados na Europa funcionam a meio vapor, o mesmo acontecendo por aqui.

O USDBRL fechou a R$ 4,0542, com alta de 0,14%; o EURUSD a 1,0890, com queda de 0,28%; e o ouro a U$ 1.088, sem variação.
Fique ligado!

12 de janeiro de 2016

US 10 Years



O fechamento do mercado hoje, resultou na execução de nosso nível de stoploss nos juros de 10 anos americanos. No post esquenta, fiz os seguintes comentários: ...Já em relação aos juros de 10 anos, os comentários que fiz no post juros-de-10-anos, ainda continuam indefinidos:..."A configuração técnica dos juros de 10 anos, deixa totalmente aberta a possibilidade de uma alta ou de uma baixa"...

Está operação foi proposta à quase dois meses resultado-dos-helicópteros, desde então não houve definição, nem do ponto que nos favoreceria na alta - 2,40%, nem a execução do stoploss: ..."Acredito que vale uma aposta na alta dos juros, ao nível de 2,25% a.a. com um stop a 2,13% a.a"...

Como pode-se verificar no gráfico acima, as cotações dos juros estão contidas por dois triângulos, fato raro em análise técnica. Essa grande indecisão, foi colocada no post juros-de-10-anos, nos cenários que denominei de "Uhhhhh..." "Don't even think".

No curto prazo os níveis de 2,00% e principalmente 1,90% a.a., expõe os juros a movimento de queda.

O mosca volta a postagem diária a partir de 18/01.

Fique ligado! 

6 de janeiro de 2016

Mosca se aproximando

Pensei pela manhã se não seria o caso de mudar o nome do blog. Nos últimos tempos,  mosca é encarada como sinal de risco, com a dengue e seus derivados ameaçando boa parte do território brasileiro. Essa doença é transmitida por várias espécies de mosquitos principalmente pelo Aedes aegypti. Isso fez com que o repelente se esgotasse nas farmácias sendo um dos únicos produtos a escapar ileso da recessão.

Mas podem ficar tranquilos não é sobre esse mosquito que vou comentar hoje, e sim sobre a previsão do Ibovespa feita pelo Mosca há muito tempo. Quem acompanha o blog, sabe que aguardo pacientemente a queda do nosso índice acionário para sugerir uma compra. Mais recentemente, no post torcida-contra, fiz os seguintes comentários: ..."o Ibovespa está cada vez mais próximo dos 42.700, que se rompido, irá finalmente para o objetivo que venho anunciando a um bom tempo, entre 39.000 - 40.000"...
..."No gráfico acima, a área apontada em vermelho, 43.500 - 42.700, se rompida, abre caminho para os níveis que sugeri. Independente do que acontecer, prisões de mais políticos e até de figurões, que são tão esperados, nesses níveis o Mosca passa a ser comprador. Lógico que não vou entrar de cabeça, com parcimônia e stops curtos"...

Ao verificar pela manhã os mercados, notei que o intervalo acima foi rompido e o Ibovespa encontra-se agora em 41.700 pontos, caminhando para o nível que irá sugerir uma compra.
Foram muitos meses pacientemente aguardando o que o nível técnico sugere um boa oportunidade. Fui indagado por vários leitores, em diversos momentos, se não estava perdendo oportunidades de compra. Em alguma delas, citavam uma empresa de consultoria de investimentos que sugeria compra.

Embora do ponto de vista técnico a bolsa poderia ter revertido em níveis superiores aos atuais, afinal encontra-se numa correção, não era o mais provável. Daqui em diante passo a acompanhar com maior frequência, pois pode estar surgindo uma oportunidade de ganhos expressivos.

- David, então compra logo!
Opa, pensei que estava de férias, Feliz Ano Novo! Hahaha... Calma amigão, nós vamos devagar e sempre, e por enquanto só vale ficar alerta. Se eu estiver certo, teremos muitas oportunidades, aguarde.

Sempre fiquei intrigado, porque o mosquito da dengue tinha em seu nome, a semelhança com um país mais pobre - Aedes aegypti - lembra o Egito, . Assim proponho que as "mordidas" do Mosca denomine-se: Aedes novayorkti - sugerindo dólares no bolso ao invés de febre! Hahaha...

Fique ligado!

5 de janeiro de 2016

Esquenta

Os jovens criaram um costume antes de saírem para a balada de tomarem alguns tragos em suas casas. Isso vale para ambos os sexos, uma vez que as mulheres de hoje em dia, revindicaram seus direitos neste quesito, bebendo tanto, ou mais, que os homens.

Ao questioná-los, argumentam que as bebidas custam muito caro nas baladas. Mas eu imagino uma outra razão, a que preferem chegar mais "alegrinhos". Neste nosso mundo digital, as conversas são mais eletrônicas que presenciais, o que faz o tête a tête, muito mais difícil.

O Mosca ainda não voltou a suas postagens diárias. Mencionei que durante o período de férias, faria algumas inserções. Resolvi fazer um "esquenta" hoje!

O Ano Novo não começou muito bem para os mercados de risco, a publicação dos dados da manufatura chinesa ontem, fez com que as bolsas, e as moedas dos países emergentes, tivessem quedas ao redor do mundo, inclusive o real.

Os argumentos divergem entre os analistas, de um lado o pessoal que minimiza esses resultados, haja visto que representam pequena parcela do PIB. Esse grupo acredita também que, os USA estão em rota de crescimento moderado. Assim, essas quedas são oportunidade de compra. Do outro lado, outros economistas alertam para uma desaceleração mais forte da China, que irá ocasionar problemas sérios nas já endividas empresas daquele país, elevando o número potencial de falências.

E o que o Mosca acredita? Nos dois cenários! Como venho repetindo à um bom tempo, os indicadores técnicos apontam muita indefinição, o que não deixa de ser consequência dessas divergências. Desta forma, ficamos de espectador sem nenhum viés. Let´s the market speak!

Em seguida, um breve update nas posições de USDBRL e juros de 10 anos.

No post usdbrl, fiz os seguintes comentários: ..."é razoável supor uma alta até os níveis de aproximadamente R$ 4,00, onde sugiro a seguinte estratégia de trade na venda de dólar: 1/3 a R$ 3,97, 1/3 a R$ 4,00 e 1/3 a R$ 4,03, com um stop em toda posição a R$ 4,10"... Veja o gráfico a seguir.
Ontem o dólar chegou a R$ 4,07 próximo a nosso stop. Embora este trade seja contra a tendência de médio prazo,acredito que ainda exista uma chance de queda do dólar. Além do mais, estamos arriscando pouco, 2,5%. Caso queira saber quais as perspectivas que tracei, sugiro consultar o post real.

Já em relação aos juros de 10 anos, os comentários que fiz no post juros-de-10-anos, ainda continuam indefinidos: ..."A configuração técnica dos juros de 10 anos, deixa totalmente aberta a possibilidade de uma alta ou de uma baixa"...

Está operação foi proposta à quase dois meses resultado-dos-helicópteros, desde então não houve definição, nem do ponto que nos favoreceria na alta - 2,40%, nem a execução do stoploss: ..."Acredito que vale uma aposta na alta dos juros, ao nível de 2,25% a.a. com um stop a 2,13% a.a"...
Bem, o objetivo de hoje foi só dar um passada resumida em nossas posições. Continuem curtindo suas férias. Se elas são fora do Brasil, sugiro seguir os conselhos de um amigo a de usar os dólares "velhos"! Hahaha...

Fique ligado!