Inflação: A Revanche

29 de dezembro de 2016

Happy Dollar!


O dólar resolveu dar uma pausa neste final de ano e deu uma colher de chá às outras moedas, inclusive o real. Infelizmente, fomos estopados em nossa posição de dólar contra o real, com uma perda de 1,36%. Cést La Vie!

Este último post do ano é para concluir os trades de 2016.

Não vou fazer uma análise mais detalhada do dólar contra o real pois acho que ninguém está no "clima", inclusive o Mosca, afinal estamos em ritimo de Réveillon. A partir de agora, passo a acompanhar o intervalo de R$ 3,50 para cima e R$ 3,12 para baixo. O meio é o que deve acontecer nos próximos dias. Na minha volta, faço uma análise mais detalhada, ou anted disso, caso haja um rompimento desses níveis acima.


A tabela abaixo apresenta o resultado deste ano, veja a seguir as principais estatísticas:
Foram propostos 24 trades no ano, desses, 10 ganhadores com um acumulado de 34,21% (média de 3,4%/trade), 7 perdedores com uma perda acumulada de 9,81% (média de 1,4%/trade), e 7 cancelados.


Sem querer jogar confete no Mosca, acho que os resultados foram muito bons. As estatísticas abaixo comprovam isso:

v  3,42 trades ganhadores em relação aos perdedores.
v  Uma proporção de US$ 3,48 ganho para cada US$ 1,00 perdido.
v  Maior ganho: 15,13% - maior perda: 2,33%.

Espero poder repetir em 2017!


Feliz ano Novo!

O SP500 fechou a 2.249, sem alteração; o USDBRL a R$ 3,2532, com queda de 0,94%; o EURUSD a 1,0616, com alta de 1,20%; e o ouro a US$ 1,161, com alta de 0,28%.
Fique ligado!

23 de dezembro de 2016

Merry Christmas


Como havia comentado, farei hoje uma breve atualização de nossas posições, além de alguns dados que selecionei durante a semana.

Quando o assunto é EUA, Donald Trump ainda domina o noticiário. Está ficando cada vez mais claro que o troglodita vai pelo caminho que orientou sua campanha eleitoral. Nesta última semana se concentrou em assuntos referentes a China, aonde tudo indica, tomará medidas para restringir as importações daquele país através da elevação das tarifas de importação.

Por outro lado, a China de forma não oficial deixou vazar em seus meios de comunicação, que permanece esperançosa que o novo governo manterá os acordos anteriores, porém alerta para os enormes prejuízos para ambos os lados, caso ocorra aumento de tarifas por parte dos EUA. Diz também que, caso isso ocorra, fará o mesmo com produtos importados desse país.

A recuperação de postos de trabalho é uma promessa de Trump que tem pouca chance de sucesso. Como o Mosca comentou diversas vezes, a produção de bens nos EUA e porque não, nos países desenvolvidos, sofrem ameaças em duas frentes: a instalação de fábricas fora de seus países para locais com mão de obra mais barata; e a substituição por robôs.


Como se pode notar, é um processo estrutural e acredito que Trump não terá como combater essa tendência. Já a próxima figura apresenta em quais países o efeito da substituição por robôs está mais avançada.

 
O Titã do mercado de bonds, Jeffy Gundlach, em sua última apresentação aos seus investidores, traçou um paralelo com o início do mandato de Ronald Regan em 1982. O motivo da comparação são as semelhanças dos programas, principalmente no que se refere a corte de impostos. A Tabela abaixo apresenta as condições econômicas que prevaleciam naquele momento e as de hoje.

Eu grafei os índices que são muito diferentes e não acredito que se possa extrapolar o que lá aconteceu, com o que deverá acontecer agora.

O próximo gráfico mostra o enorme fluxo de recursos que saíram dos fundos de renda fixa e a consequente alta dos juros dos títulos de 10 anos.

E por último a evolução das moeda dos países emergentes em comparação com os países desenvolvidos. A melhor performance do primeiro em relação ao segundo é fortemente influenciada pela queda expressiva da moeda japonesa, o yen, que caiu aproximadamente 15%.


O real está fechando muito próximo ao nível de stop loss que estabeleci – R$ 3,26. No post não-arrisque-ficar-rico-pela-segunda-vez, fiz os seguintes comentários: ...“O objetivo será entre R$ 3,60 – R$ 3,75 a ser definido melhor mais à frente. Caso o que estou esperando aconteça, ficarei bastante confiante numa alta mais consistente do dólar no longo prazo. Posso adiantar que o nível de R$ 4,25 será testado novamente, seria uma alta expressiva superior a 25%! Mas, é fundamental que o nível de R$ 3,26 não seja tocado; não que isso elimine completamente minha expectativa” ...


Acontece que o dólar não chegou a ultrapassar o nível de R$ 3,50. Ao contrário, hoje ficou na linha do pênalti para eu ter que alterar minhas previsões de curto prazo. Ainda vou aguardar, mas posso adiantar que a resolução dessa dúvida se dará nos próximos dias.


No post real-quando-o-acerto-pode-gerar-uma, tracei objetivos de mais longo prazo e comentei sobre um cenário alternativo: ... “Zen” – Nesta situação o dólar ainda permaneceria “zen” por mais um tempo e poderia atingir o nível de R$ 2,80, para em seguida iniciar seu movimento de alta para níveis menores R$ 4,50 e R$ 5,50. Os percentuais de alta seriam muito semelhantes aos anteriores”... Se por ventura, o dólar romper abaixo do nível de R$ 3,10, esse cenário alternativo entra em ação. Mas isso será discutido com mais detalhes caso aconteça.

Em relação a posição de euro não tenho nada a comentar, nessa semana não houve muita oscilação em virtude das festas de final de ano.


Como a charge de hoje mostra, os garotos americanos estão pedindo para o Papai Noel - ações!
Feliz Natal!

O SP500 fehou a 2.262, sem variação; o USDBRL a R$ 3,2705, com queda de 0,49%; o EURUSD a 1,0448, com alta de 0,13%; e o ouro a US$ 1.132, com alta de 0,30%.
Fique ligado!

16 de dezembro de 2016

Euro: Uma ideia de Jerico!


Ontem foi publicado o índice de inflação CPI e, de agora em diante, passa a ser um indicador com maior importância, visto que o FED iniciou o ciclo de normalização dos juros. No post inflaçâo-revanche, tracei um cenário negativo no longo prazo para a inflação americana, onde essa poderia avançar acima das intenções do FED.

O dado publicado ontem mostra uma tendência da inflação se dirigir à meta traçada de 2% a.a., e nada até o momento indica maior preocupação. Por outro lado, existe um alívio pelo fato de não mais indicar deflação.

 
No passado expliquei a importância de analisar a curva de juros, um conceito que permite concluir se o mercado vê com bons olhos os movimentos feitos pela autoridade monetária. Recomendo a leitura do post juros-101. No momento, estamos interessados em saber qual deveria ser a curva esperada num processo de alta de juros. No post acima, fiz o seguinte comentário: ...” Considerando o que o FED deseja normalizar os juros num espaço de 2-3 anos, seria razoável assumir uma curva de juros normal, e se tivesse que acelerar as altas, "Steep".... Só para lembrar, anexei abaixo como são essas curvas.


Porém, não é o que vem acontecendo nos últimos meses, mesmo com alta importante observada nos juros de 10 anos. Para ficar mais claro, o gráfico a seguir mostra a diferença entre os juros de 30 anos contra o de 7 anos, ambos de títulos do governo. O motivo deste intervalo é verificar se existe expectativa em investimentos de mais longo prazo. Porém, o que se observa é um achatamento nessa curva, ou seja, os juros mais curtos subiram mais que os mais longos.

A implicação prática é que o mercado espera que a economia tenha uma aceleração no curto prazo, mas que não se sustentaria no médio prazo. O FED teria que interromper o ciclo de alta em algum momento. Essa conclusão vem em desacordo com a minha visão técnica, e caso o mercado esteja correto em relação ao crescimento da economia no futuro, o meu cenário técnico só se concretizará com uma alta substancial da inflação.

Estamos entrando muna fase de incerteza sobre o futuro. Aconselho a não ter uma posição rígida e observar principalmente o que o troglodita fará, o que não necessariamente é igual ao que ele diz.

Quando a moeda única foi introduzida em 1999, os europeus acreditavam que seria algo muito bom para todos eles. Os italianos ficaram felizes da vida, pois para um país que convivia com juros altos, agora poderiam comprar produtos financiados com juros equivalentes ao que os alemães praticavam. Viajar pela Europa sem ter que a cada país converter a lira, que era muito desvalorizada, em outras moedas. La Dolce Vitta!

Só se esqueceram de avisar que para tudo isso dar certo, os italianos teriam que buscar a produtividade dos alemães, e como isso não aconteceu, o seu déficit público começou a crescer de forma ininterrupta, até que o mercado percebeu que investir em euros em qualquer país da Europa não era a mesma coisa. Os juros não podiam ser “one interest fit all”; parafraseando a expressão “one size fits all”.

Agora, grande parte dos europeus gostaria de cair fora do euro, pois se tivessem sua moeda própria poderiam buscar a produtividade através da desvalorização cambial. Eu não acredito na eficiência do sistema de câmbio fixo e a história é cheia de casos de insucesso ao usar este modelo. O euro foi uma ideia de jerico!

O último mercado a ser coberto está semana de análises de longo prazo é o euro. Estamos com uma posição vendida na moeda, com objetivo inicial de atingir o nível de 1,00. Mas o que poderá acontecer depois disso? Vejamos o gráfico a seguir.


Antes de qualquer coisa, vejam que eu enfatizei com a linha azul clara o movimento do euro desde o início de 2009. Acredito que até quem não entende muito de gráficos já sabe identificar uma correção, o que é o caso. A moeda única estaria a caminho de completar essa correção de 7 anos, e existem grande chance de se encerrar quando atingir na paridade.

E se não terminar? Como frisei acima, o mundo atravessa um período de mudanças e na minha opinião o ECB está na maior contramão do mundo, excluindo o Japão que nunca saiu dela. Acho que não vai demorar muito tempo para que a Europa mostre que está entrando nos trilhos e que sua inflação também não caminha mais para resultados negativos. Assim, o Super Mário já deveria ter interrompido as injeções de liquidez. Se eu estiver certo, em algum momento terá que reverter de forma brusca seu programa, e isso poderá alterar muito o euro.

Mas, como vocês bem sabem, análise técnica não se baseia em avaliações subjetivas ou fundamentalistas; somente nos gráficos. Então, respondendo à pergunta, anotei em rosa quais seriam esses próximos níveis de queda, 0,85 e 0,75 epor último 0,65.

Não sei se perceberam, mais eu projeto que o euro vai reverter em algum momento, ou seja, voltara a subir. A moeda única se encontra em seu último estágio de queda, frisando que essa é uma afirmação com uma visão de longo prazo. Aviso aos navegantes, vamos comprar euro em algum momento, e ele vai subir bastante.

Hoje encerro os posts de 2016 e devo voltar à normalidade em 16 de janeiro do próximo ano. Desejo boas festas aos leitores e uma ótima entrada de ano. Aproveito para agradecer a confiança com o aumento significativo de leitores durante esse ano. Minha responsabilidade aumenta. Obrigado!

- David, espera aí, como nós vamos fazer com as posições em aberto? Vai deixar largado?

Hahaha ... sabia que você iria terminar o ano com alguma cobrança, mas não se preocupe, eu vou atualizando durante esse período; continue verificando no seu acesso o Mosca!


O SP500 fechou a 2.258, com queda de 0,18%; o USDBRL a R$ 3,3915, com alta de 0,67%; o EURUSD a 1,0456, com alta de 0,42%; e o ouro a US$ 1.133, sem variação.
Fique ligado!

15 de dezembro de 2016

O ouro vai virar pó?


Ontem foi anunciada a decisão da esperada reunião do FED, não porque se tivesse alguma dúvida que a autoridade monetária aumentaria os juros, mas se haveria mudanças nas suas projeções.

No post tem-gato-no-telhado fiz os seguintes comentários: ...” Na próxima semana o FED se reúne na quarta-feira para decidir sobre a taxa de juros. Na verdade, já está decidido: vai subir 0,25%. Mas, o que não está no radar, e pode surpreender o mercado, seria uma projeção de mais altas em 2017; ou seja, ao invés de 50 pontos como o mercado espera, a autoridade monetária sugere 100 pontos. E olha, não seria nada de mais, pois fecharia o ano de 2017 em 1,75% a.a., ainda abaixo da inflação corrente ao redor de 2%” ... Acho que o FED seguiu os conselhos do Mosca ao elevar as projeções para 2017 e 2018 de 50 pontos para 75 pontos, fizeram um fifty - fifty! Hahaha ...

A ilustração a seguir detalha a evolução das projeções feitas pelos membros do FED, o que o mercado denomina de dots. Notem que quando se compara os resultados da reunião de ontem com a anterior, em 2017, além da elevação citada acima, existe a concentração, em alguns níveis. Já para 2018, nota-se uma dispersão, indicando dúvidas de seus membros. Acho natural, uma vez que, existem muitas suspeitas sobre os resultados do programa do troglodita. 

Agora tenho uma curiosidade enorme para saber quem é o membro que acredita que a taxa estará em 0,75% ao final de 2018, se ele acertar vai ser considerado um visionário!


Enquanto a professora Yellen explicava para o mercado que não precisavam se preocupar pois estava indo tudo muito bem na economia americana, e que o FED está no caminho de normalizar os juros, Trump se reunia com o pessoal da FANG e seus derivados.

- David, FANG? Não conheço essa empresa.
Ah, você sabe como os americanos são loucos por criar acrónimos. FANG são as inciais das seguintes empresas: Facebook, Amazon, Netflix e Google!

Foi permitido a impressa gravar em celular alguns momentos do evento e o futuro Presidente se portou como um “cliente” dessas empresas, na verdade cobra impostos, mas não sei bem o que entrega. “Oi pessoal estou aqui para ajudar vocês ... ... Se precisar de qualquer coisa entre em contato com meus assessores ou ligue direto para mim, sem burocracias” .... Não deixa de ser uma mudança. Agora será que Trump vai governar os EUA como se fosse uma empresa?


Antes de entrar na análise técnica do ouro, o gráfico a seguir mostra a evolução da dívida americana, entre os principais agentes econômicos. Notem que a parcela relativa a população é elevada, e na sua maioria refere-se a empréstimos imobiliários. Se por um lado grande parte dessa dívida foi contratada à taxa fixa, não sofrendo impacto de uma eventual alta do juro, por outro lado uma desvalorização dos imóveis pode comprometer sua qualidade.


Quando eu comecei o Mosca o ouro era a coqueluche do momento. Naquele instante, eu apelidei os metais, ouro e prata, como pop star. Os relatórios internacionais publicavam projeções dos analistas, que eram refeitas quase que diariamente. Cheguei a observar nestas projeções níveis de U$ 3.000, US$ 5.000 e até US$ 10.000! O ouro era a recomendação do momento. Para quem começou acompamhar o Mosca naquela época, apontei para um longo período de queda.

Essa postura não restringiu nossos trades durante esses anos, sugerindo várias vezes trades de compra e de venda. Mas eu tinha um nível onde eventualmente o ouro iria reverter e começar a subir. Esse nível aconteceu no início desse ano quando atingiu a mínima de US$ 1.050 – meu nível era de US$ 1.100.

Agora quase nem se ouve falar do ouro, os analistas fazem comentários de roda pé, pois acreditam que o ouro é pó, será? O Mosca ainda trabalha com a hipótese que o metal vai subir. O que está em dúvida é em que nível a correção vai terminar, ou pode ser que até já terminou. 

Por enquanto o ouro está muito fraco, meus indicadores de momentum apontam para mais quedas. Isso implica que para mudar de direção terá que fazer muita “força”. Vou ficar de olho em dois níveis que aponto abaixo no gráfico.

Um se encontra muito próximo a US$ 1.100. Neste nível existem poucas razões para comprar e muitas para não. Porém uma das razões a favor é que se pode estabelecer um stoploss bem curto, aproximadamente US$ 50. Talvez vai valer uma aposta, não sei ainda. Já a segunda a US$ 900, deveria conter a queda. Do pico atingido, é aproximadamente 50% de retração, um descontão! Aí, vamos tomar coragem e comprar.

Se a segunda hipótese ocorrer tenho muita convicção que ninguém estará recomendando o ouro, vamos ler nos noticiários que o metal não serve para nada a não ser para joias, pois nem os dentistas usam mais; não rende juros; e etc ... E da mesma forma quando estava com toda a bola em 2011, e o Mosca estava com uma visão contrária, se atingir os níveis acima nós estaremos com uma visão contrária do mercado. Afinal o outo nunca será pó!

- Ah, Ah, Ah ... você usou nunca, não é contrário a usar essa palavra?
Eu não disse que não pode ficar mais barato, só disse que nunca vai virar pó, por um centavo você não compra? Hahaha ...

Falando nisso, preciso colocar o cenário alternativo. Se a galera estiver certa e o ouro continuar caindo, vou ter que refazer minha análise e provavelmente ficará comprometido a ideia de do metal ultrapassar a máxima de US$ 1.920.

- David, assim você não vai errar nunca. Sempre tem uma saída! 

Vou te corrigir, sempre tem um stoploss, e a humildade de assumir que errei. Melhor isso que ficar teimando numa ideia qunado o mercado mostra que está errado. Prefiro o choque do prejuízo que uma agonia sem fim! 

O SP500 fechou a 2.262, com alta de 0,39%; o USDBRL a R$ 3,3685, sem variação; o EURUSD a 1,0412 ativiando nossa suguestão de venda, com queda de 1,17%; e o ouro a US$ 1.128, com queda de 1,39%.
Fique ligado!

14 de dezembro de 2016

Real: Quando o acerto pode gerar uma perda



Os mercados emergentes sentiram 0 impacto logo após a vitória do Trump, tanto nas suas moedas como nos juros. Naturalmente, o peso mexicano foi o mais afetado; acho que o troglodita teve um grande problema com alguma empregada mexicana na sua casa e, por conta disso, ficou com raiva de todos eles. Vocês podem achar bizarro, mas para as pessoas que acreditam serem as donas da verdade esse tipo de transferência não é raro.

Mas, onde se pode verificar se existe uma ameaça real? Nas reservas desse país. O gráfico a seguir calcula a relação entre o total de reservas contra a dívida externa de curto prazo. Quanto maior esse indicador em um país, menos sujeito o mesmo está a um ataque especulativo. Notem que estamos como um dos melhores, perdendo apenas para a Rússia.


- David, e os swap cambias, não deveriam ser considerados? Eles são compromissos de curto prazo.
Boa a sua pergunta, mas a resposta é não. O motivo é que embora sejam obrigações que o país tem em moeda estrangeira, sua liquidação se dá em moeda local. Assim, se o dólar subir às alturas, não perderemos reservas, o que acontece é um rombo fiscal.

A situação do dólar vis-a-vis o real ainda é de alta no longo prazo. O que eu não consigo dizer ainda é se o movimento de alta já começou ou se ainda estamos na correção cujo início foi em janeiro de 2016. Para que fique mais claro, vou dividir em dois cenários.

“In god we trust” – Este é o cenário que eu acredito mais provável, e onde possuímos uma posição comprada em dólar. Entretanto, venho frisando que é necessário o dólar ultrapassar a barreira dos R$ 3,65 e depois R$ 3,75; antes disso ainda é incerto. No post naâo-arrisque-ficar-rico-pela-segunda-vez comentei: ... “O objetivo será entre R$ 3,60 – R$ 3,75 a ser definido melhor mais à frente. Caso o que estou esperando aconteça, ficarei bastante confiante numa alta mais consistente do dólar no longo prazo. Posso adiantar que o nível de R$ 4,25 será testado novamente, seria uma alta expressiva superior a 25%! Mas, é fundamental que o nível de R$ 3,26 não seja tocado; não que isso elimine completamente minha expectativa” ...

Partindo das premissas que os níveis acima sejam ultrapassados, veja a evolução do dólar que espero no longo prazo – linha azul.


Neste caso, podemos esperar um objetivo de R$ 4,80 e em ultrapassando R$ 5,80; altas nada desprezíveis de 45% e 75%. Agora, não esperem esse movimento para amanhã, e nem para 2017, mas em um prazo mais longo.

“Zen” – Nesta situação o dólar ainda permaneceria “zen” por mais um tempo e poderia atingir o nível de R$ 2,80, para em seguida iniciar seu movimento de alta para níveis menores R$ 4,50 e R$ 5,50. Os percentuais de alta seriam muito semelhantes aos anteriores.


Como em toda avaliação técnica, é importante identificar o nível onde a análise está errada e, neste caso, seria R$ 2,50.

- David, esse nível é Impossível!
Nada é impossível, mas sou de concordar que parece pouco provável. Em todo caso, fica o alerta. Considerando a baixa probabilidade de o dólar atingir R$ 2,50, ao atingir o nível de R$ 2,80 merecerá uma boa aposta.

A referência que fiz no título é função dos elevados juros que se paga quando o trade é na compra de dólares. O que eu quero dizer com isso é que movimentos não muito importantes podem causar prejuízos mesmo que você esteja certo. Por exemplo, o dólar agora se encontra a R$ 3,31 e, se fizermos uma operação de compra de dólar por um ano, a taxa final será de R$ 3,67. Isso significa que, para você ganhar alguma coisa, o dólar deverá estar acima desse nível.

Assim, se você fez um trade acreditando que o dólar subiria acima dos R$ 3,31, entretanto não ultrapassou R$ 3,67 depois de um ano, você acertou mas perdeu dinheiro!

Com isso em mente, deve-se ter muito mais cuidado na compra de dólares do que na venda, cujo o efeito vem a seu favor. Nunca esqueça! O dólar tem de subir forte e rápido; esse é o melhor dos mundos para apostas contra o real.

Mas não fiquem chateados, pois se minha expectativa de alta de juros nos EUA se confirmarem, esse diferencial (a taxa de juros implícita na cotação futura do dólar) tenderá a diminuir significativamente. 

Tudo são conjecturas no momento. Por enquanto, para operar o dólar contra o real, a Mosca tem que ser rápida! Hahaha ....

O SP500 fechou a 2.253, com queda de 0,81%; o USDBRL a R$ 3,3690, com alta de 1,03%; o EURUSD a 1,0531, com baixa de 0,89%; e o ouro a US$ 1.143, com queda de 1,24%.
Fique ligado!

13 de dezembro de 2016

SP500: Céu azul


Hoje a análise é sobre bolsas, o SP500 e o Bovespa. Porém, antes de começar, vou compartilhar dois gráficos que considero interessantes, sendo que o primeiro mostra como o mercado já corrigiu a distância que existia entre a projeção do FED para a taxa de juros e o que está implícito nos contratos futuros.


Praticamente estão iguais, quando algum tempo atrás, os de mercado estavam bem abaixo. Amanhã é dia da reunião do FOMC e todo o mercado estará de olho nessas novas projeções.

O gráfico a seguir apresenta uma estatística sobre a importação americana. Verifica-se entre 250 produtos a percentagem de importados de um determinado país. Se o troglodita resolver impor condições de restrições às importações chinesas, o impacto sobre os preços desses produtos poderá ser importante. Notem que o México também tem uma participação elevada.


No final de 2014, o SP500 flertou com a marca dos 2.000 pontos e desde então entrou num intervalo de negociação compreendido entre 1.850 e 2.200; ora indicando que poderia romper para baixo, ora indicando o contrário. Contudo, foi definitivamente após a vitória de Trump que começou um movimento mais decisivo.

Meus leitores devem se recordar que mencionei algumas vezes o posicionamento do mercado antes das eleições, anotando que o mercado estava com posições pequenas, ou tinha feito operações no sentido de se proteger de uma eventual vitória do Trump. O mais interessante é que a avaliação de uma grande parte do mercado estava errada, pois acabou acontecendo a razão de sua proteção, só que com resultado inverso.

Depois disso, e em poucas horas, a bolsa americana iniciou o movimento de alta e a cada dia atinge novos recordes históricos. O Trump foi a “maçã que caiu na cabeça do mercado”!

A condição técnica mencionada foi um dos motivos que resultou na alta dos últimos dias. Comenta-se que, no dia 07/12, uma operação equivalente a US$ 1,8 bilhão de volume, no mercado futuro do SP500, feita por um investidor desconhecido, ou melhor não revelado, foi o que acelerou o movimento.


Este é mais um caso que corrobora o meu entendimento de que é muito difícil fazer previsões baseado em datas. Imagine aquele analista que no final de 2015 estimou que o SP500, ou melhor, o mais emblemático Dow Jones ultrapassaria a barreira dos 20.000. Até 30 dias atrás, seus seguidores estariam céticos de que isso seria possível, mas não foi o que acabou acontecendo! É por esta razão que prefiro me ater aos níveis ao invés das datas.

O SP500, ao romper a resistência de 2.200, abriu caminho para novas altas, conforme mencionei no post a-ilógica-financeira. O gráfico a seguir, com preços trimestrais, verifica-se claramente que após 2009 a bolsa está num canal de alta que nunca foi violado (linhas verdes). O próximo objetivo é 2.500 e se ultrapassado, irá rumo ao 2.950.


Trabalho com o primeiro nível de 2.500 como o mais provável, depois disso uma correção mais importante deveria levar o SP500 a 2.150 ou até 1.950, para depois subir novamente rumo a novos recordes; mas isso é assunto para outros finais de ano.

Confesso que nestes últimos anos fiquei sempre bastante desconfiado de que poderíamos estar na iminência de uma queda mais forte; o ambiente econômico justificava esse temor. Mas, a análise técnica nunca confirmou esse receio, porque sempre que a bolsa caiu, nunca ameaçou os níveis mais importantes. Deixo a vocês a conclusão da utilidade dessa ferramenta.

Já que o assunto é bolsa, vou completar minha análise com o Bovespa. Como mencionei diversas vezes, esse é um ativo que não acompanho com muita frequência e só comecei a fazer de um tempo para cá.

A análise de mais longo prazo deixa ainda dúvidas se ainda o Bovespa está numa correção, ou em um novo movimento de alta mais consistente. O problema é que para dirimir essa dúvida o intervalo é enorme entre 30.000 e 75.000!

Vou traçar as 2 possibilidades para o Bovespa no longo prazo vistos de hoje.

Let´s go” – Acompanhando a alta de seu tio mais rico, o SP500, o Bovespa estaria num movimento de alta de mais longo prazo, o que poderia leva-lo a níveis de 80.000 e posteriormente 105.000, sendo esse último o mais provável.


“Não espere por mim” – Nesse caso, a correção ainda estaria em curso e, como vocês bem sabem, não se pode estimar sua duração nem quais os níveis, pois dependerá do seu formato – triângulo, flat o etc... O que eu posso dizer é que no limite poderia voltar a 30.000, porém entendam que isso não é uma previsão.


- David, estava indo tudo bem, mas essa agora do Bovespa deixou a gente sem rumo!
Não concordo, se você é um assíduo leitor do Mosca, em algum momento essa dúvida será esclarecida. O que eu não consigo dizer hoje é quanto tempo ainda vai demorar para que o índice brasileiro rompa os 75.000. Enquanto isso, faremos investidas mais oportunistas.


Quero frisar que o nível longínquo de 30.000 não pode ser violado, caso isso aconteça são enormes as chances que a alta que eu vislumbro não irá acontecer. Por outro lado, só consigo imaginar isso acontecendo se a situação interna se deteriorar absurdamente, o que não parece ser o caso.  Mas fica o alerta!

O SP500 fechou a 2.271, com alta de 0,65%; o USDBRL a R$ 3,3345, com baixa de 0,10%; o EURUSD a 1,0620, com baixa de 0,11%; e o ouro a US$ 1.158, com baixa de 0,32%.
Fique ligado!

12 de dezembro de 2016

Inflação: A Revanche


Nestes mais de cinco anos de publicação do Mosca, os leitores que acompanharam o blog notaram o grande dilema vivido, que não me é particular, sendo também de boa parte dos críticos. Com injeções maciças de liquidez logo após a grande recessão de 2008, propiciadas pelos principais bancos centrais do mundo, os analistas ora pendiam acreditando que esse movimento geraria níveis de inflações indesejados, ora projetavam o caso clássico em economia, “armadilha da liquidez”, onde o excesso de liquidez não produz efeito na atividade economica.


Mais recentemente, os bancos centrais da Europa e do Japão enveredaram por um caminho nunca antes experimentado, da taxa de juro negativa, tamanho desespero para evitar que seus países entrassem numa depressão. Os analistas, de uma maneira geral, repudiaram essa ideia levantando diversos argumentos contrários e prejudiciais provenientes dessa ação.

Observa-se na mídia atual um desejo para que 2016 termine logo, tamanha foram as más notícias que se sucederam nesse ano, como se num passe de mágica, ao virar a folhinha, tudo ficará bom! Não sei se minha percepção é corrta, porém acredito que está em curso várias mudanças, principalmente na área política onde candidatos com posições mais à direita tem ganhando destaque. Talvez a polarização seja o real motivo do mal humor.

De todas as surpresas que 2016 ensejou, acredito que a eleição de Donald Trump, o troglodita, foi a de maior impacto nos mercados. Contrariamente ao que se poderia esperar, foi positiva, e esse foi o estopim que iniciou um movimento de reversão em alguns mercados.

Em algumas situações, algo que não tem relação com o mercado acontece, fazendo com que esse mude de direção. Tal qual Newton, com a maçã que caiu em sua cabeça, e o conscientizou da lei da gravidade. Eu uso uma frase nessas situações “ a maça que caiu na cabeça (do mercado) ”. A mudança já estava em curso, mas passava desapercebida.

O gráfico a seguir mostra a evolução da inflação nas principais economias do globo e indica uma reversão desse índice, mais recentemente. Pode ser que seja apenas um espasmo e ela volte a cair, como ocorreu em 2012, porém os indicadores técnicos apontam como mais provável o início de algo mais importante.


Com uma visão mais técnica em relação ao CPI americano, o gráfico as seguir elaborado pelo Citibank apresenta seus argumentos que indicam uma elevação da inflação para níveis pelo menos mais próximos de 3%.


Porém, são os dados técnicos dos juros de 10 anos que levantam as maiores possibilidades de mudança na direção da alta. No gráfio a seguir, notem que ele contempla cotações trimestrais, uma vez que meu objetivo é de apontar a direção de longo prazo, superiores há cinco anos.


As flechas em vermelho mostram o que se denomina em análise técnica double key reversals, que, em linguagem dos “humanos”, significa um indicador de mudança de tendência - a baixa de juro. A flecha verde mostra o rompimento de pontos importantes de resistência. Isso faz com que o cenário de alta passa a ser o de maior probabilidade.

- David, você não comentou os pontos em rosa! Não vai dizer que os juros chegarão a 8% a.a., está louco!
Podem sim! Observe que desde 1980, durante 36 anos, os juros saíram de um pico de 16% a.a. para atingirem um mínimo de 1,32%, em julho último. Não existe nenhum trader que opera nesse mercado e passou pela experiência de trabalhar num cenário que entraremos agora. Toda vez que os juros caiam, em algum momento se recuperavam, para voltar a cair. Durante essa recuperação, sempre atingiam um nível inferior ao nível máximo atingido anteriormente. Em outras palavras, bastava comprar bonds e ir passear, e mesmo que por um tempo você ficasse no prejuízo, era só esperar para ser recompensado.

Nessa nova fase, as coisas acontecerão exatamente ao contrário. A cada retração, depois de atingir um nível mais elevado, uma queda a níveis superiores a anterior.

Imaginando que será uma correção ao invés de um movimento direcional - mas nada definido ainda, eu teria os seguintes níveis a apontar: o primeiro, que eu só anotei porque faz parte do script, embora eu praticamente não utilize, é de 5% a.a.; o segundo, que indicaria uma correção "leve" 7% a.a. e o terceiro, mais provável, 8,5% a.a. Para dizer a verdade, teria que apontar também o de 10,5% a.a., mas achei que seria demais por hoje. 

Trazido a valor presente, esses patamares implicariam em prejuízos enormes na maioria dos fundos de bonds, ou carteira composta de títulos longos.

O mais provável é que todo esse movimento demore vários anos para acontecer, é o que deve ser esperado. Por outro lado, fico imaginado o volume de recursos que estão no sistema financeiro e, se tivessem que ser retirados rapidamente, por que a inflação começa a subir mais acelerado?

Qual não será o prejuízo que os bancos centrais terão que suportar, uma vez que, têm uma montanha de bonds com elevada maturidade! Notem que esse prejuízo se resume em déficit público, fico arrepiado só de pensar no Japão com uma dívida de 250% do PIB.

- David, Uau ....! Mas vamos lá, como ganhar dinheiro?
Pois é, como comentou um gestor de hedge fund: “It´s hard to make money with yields going up”. E é a mais pura verdade, muito difícil de ganhar! Mas, nós nos adaptamos e vamos ficar atentos as oportunidades que com certeza irão surgir.

Nos posts desta semana não pretendo dar nenhuma sugestão de trade; apenas uma visão de longo prazo. Só gostaria de acrescentar que caso os juros ultrapassarem o nível de 3 % a.a., no decorrer deste ano, a chance do cenário descrito acima ganha mais sustentação.

Para terminar, queria destacar dois pensamentos: como será que o FED, e por que não os outros bancos centrais, irão reagir caso a inflação mais elevada se concretize. Aumentarão os juros prontamente ou ficarão ”Behind the Curve”?; não existe ativo mais importante a seguir em 2017 que os juros longos, pois é dele que confirmara ou não o tema do Mosca para 2017, Inflação: A Revanche.

O SP500 fechou a 2.256, com baixa de 0,11%; o USDBRL a R$ 3,3380, com queda de 1,15%; o EURUSD a 1,0634, com alta de 0,69%; o ouro a US$ 1.161, com alta de 0,37%.
Fique ligado!


9 de dezembro de 2016

Alto risco


Ontem na reunião mensal do ECB sobre política monetária, era para decidir se continuaria a farra dos helicópteros, ou o Super Mário colocaria uma pausa. Os menbros decidiram ir em frente propondo apenas uma pequena redução no volume mensal que passou de 80 bilhões de euros para 60 bilhões, por outro lado estendeu o prazo para dezembro de 2017 com possibilidade de continuar caso julgue necessário.

Uma outra tecnicidade foi a permissão para o ECB comprar títulos com vencimento de 1 ano, mesmo que seja inferior a taxa mínima que ele estabeleceu. Em outras palavras, uma empresa emite um bond e vende para o ECB, com esse dinheiro deposita no ECB a uma taxa superior (o processo está simplificado é apenas ilustrativo). Free Money!

A primeira reação do euro foi de alta, os apressadinhos só leram a primeira frase que expunha a redução do montante. Depois de alguns minutos mergulhou em queda livre e agora se encontra próximo da mínimas, pois o programa é nitidamente na direção de dar mais incentivos para os bancos emprestarem às empresas.  

O gráfico a seguir apresenta a projeção de inflação para a zona do euro divulgada pelo ECB. Acho incrível como um banco central de tamanha importância pode apresentar um indicador tão importante induzindo uma precisão que não existe. Basta observar que segundo seus cálculos a inflação permanecerá estável até 2019 em 1,6% a.a. Ah, desculpe, vai cair de 1,7% a.a.


Eu decidi o tema do Mosca para 2017 e seu título será, “Inflação: A revanche”. Vou deixar para o post da próxima semana os argumentos que permeram minha escolha. Mas, posso adiantar que houve uma reversão na minhas expectativa sobre a inflação, e daqui em diante, devemos tomar cuidado e nos precaver contra uma alta indesejada. Nos EUA, o mercado já caminha nessa direção. Se isso acabar acontecendo, ou até mesmo seu nível normalizar, como pode o ECB arriscar, sugerindo que a inflação é um problema inverso, sugerindo que a inflação vai ficar muito baixa? Acho um erro, pois se minha desconfiança se confirmar, em algum momento, essa política vai imputar um enorme prejuízo ao mercado e principalmente aos bancos.

A alternativa do ECB é ficar behind the curve, que é o termo usado quando um banco central não toma providências de elevar os juros quando é projetado que a inflação está em ascensão. É verdade que a situação da Europa ainda é muito delicada, o nível de desemprego é elevado; porém, como o gráfico abaixo mostra, está declinando e dentro do objetivo de 2017 do ECB.


Uma economia que está surpreendo dentro da Europa é a da Espanha, ela foi fortemente afetada pela crise de 2008, por estar muito concentrada na área imobiliária. Veja abaixo a virada que promoveu substituindo seu crescimento desse setor para o externo.


A Gavekal, uma respeitada empresa de consultoria econômica, algum tempo atrás afirmou que a Espanha seria a Alemanha do futuro; parece que vão acertar.

Falando sobre mercados emergentes, as saídas que se intensificaram nas semanas que precederam a eleição americana recuaram na última semana. Resta saber se foi uma pausa ou retomam seu fluxo de entrada. Eu não estou muito confiante.



Embora tenha comentado sobre o euro recentemente, parece que a hora de agir está chegando. No post tchau-tchau-banbino, fiz os seguintes comentários: ...” identifiquei um movimento que pode estar indicando uma recuperação mais consistente da moeda única para algo em torno de 1,10. Ainda é cedo para estabelecer as condições do trade, mas fiquem de olho, pois devo fazê-las nos próximos dias” ... ...” Por outro lado, o que posso afirmar com mais certeza é que caso 1,05 seja rompido para baixo, vamos à venda”...


Ontem o euro negociou na máxima a 1,0872 e esse pode ter sido o ponto de reversão, veja que grifei o pode, e vocês verão a seguir o porquê. Agora está negociando a 1,0563 e vou deixar uma sugestão de trade para vender a 1,05 caso seja esse o fechamento de NY, com um stop a 1,065 buscando atingir a paridade.


- David, larga de ser c#@ão, vende agora!
Opa, amigo, nem esperou eu dar a explicação, você é que está muito afoito!

Os meus leitores, que, diga-se de passagem, vem aumentando de forma exponencial, ontem foram 535 visitas ao blog, um recorde histórico! – Obrigado pela confiança! Uma das ferramentas técnicas que uso é Elliot Waves e, dentro de um movimento de correção, uma das “ondas” mais destruidoras de lucros é a B.  Normalmente violenta, seu movimento é contrário ao movimento maior que prevalece. Veja a seguir uma possibilidade que pode estar acontecendo nesse caso.


O gráfico acima é num intervalo mais curto que o anterior e tracei uma possibilidade que poderia levar o euro até 1,1 antes de começar a cair. Além do mais, se vendesse agora, teria muita dificuldade de colocar um stoploss, tecnicamente seria esse mesmo 1,1. Não estou a fim de arriscar tanto.

- David, não entendo nada de suas maluquices de A,B,C; parece aula de jardim da infância! Então me diga, como o euro poderia subir tanto agora?

Não adianta ficar nervoso, você sabe bem que em análise técnica as coisas não funcionam assim. Eu projeto um movimento e vou buscar os argumentos para materializar essa ideia. Isso pode ser chamado de adivinhação. Mas, só para lembrar, na semana que vem tem reunião do FED. Eu até espero que o resulatdo seja negativo para o euro: tem-gato-no-telhado, mas quem sabe o que eles vão decidir?


O SP500 fechou a 2.259, com alta de 0,59%; o USDBRL a R$ 3,3770, sem variação; o EURUSD a 1,0558, com queda de 0,50%; e o ouro a US$ 1.157, com queda de 1,12%.
Fique ligado!

8 de dezembro de 2016

A ilógica Financeira


Acho que não restam dúvidas sobre a reação da mídia em relação à decisão do STF de manter Renam Calheiros na Presidência do Senado. A sua sorte é que faltam poucos dias para o recesso de final de ano e seu mandato termina em fevereiro. Mas, a imagem do Supremo ficou chamuscada e a recém-empossada Carmen Lúcia perdeu muitos pontos, pois predominou o espírito corporativista. Imagino que Sergio Moro também não ficou satisfeito e terá que trabalhar com esse cenário. Será que mandaram a massa da pizza para o forno?

Se eu perguntasse a um grupo de investidores qual deveria ser a volatilidade de um mercado quando o grau de incerteza é muito elevado, obteria 100% das respostas que subiria. Se eu continuasse nesse questionamento e dissesse que uma mudança considerada positiva deve acontecer em breve, a volatilidade, deve ser maior ou menor do que a atual? 100% das respostas diria maior. Pois bem, a situação de hoje aponta as duas respostas como erradas.

No gráfico abaixo, em vermelho, o grau de incerteza sobre a política econômica e em azul a volatilidade da bolsa medida pelo VIX.


É, parece que o troglodita está desafiando até a lógica financeira básica, incrível! Foi até escolhido como o Homem do ano pela revista Time! 

O índice de otimismo vem subindo como se pode observar abaixo, e a menos de 30 dias dos resultados finais das eleições, ninguém está mais saindo às ruas para protestar contra o Trump.


Ontem, como de costume, participei do Comitê de Investimentos da Rosenberg, e todos concordam que o EUA vai virar uma bagunça se o troglodita resolver dar palpites nas empresas. Mas um dos membros, e somente um, acredita que o que estamos vendo ainda é o candidato Trump e não o Presidente. Isso, na opinião dessa pessoa, vai mudar quando ele assumir o cargo em fevereiro. Eu particularmente não acredito, acho que não é “marketing” e sim o jeito dele. Por exemplo, no caso da China, o troglodita já deu uns cutucões ao ligar para o Presidente de Taiwan. Não sou um especialista de geopolítica, mas mexer com os chineses em coisas que consideram sérias é perigoso, pois já mostraram que não são de abrir mão; morrem, mas lutam pelo que acreditam.  

E como anda a previsão do PIB feita pelo FED de Atlanta? Como se pode verificar a seguir, muito próxima a previsão dos economistas da ordem de 2,5%.


 É importante que vocês observem que de uma maneira geral as economias estão se recuperando não só nos EUA. Os dados da Europa vieram melhores e última noite foi publicado a balança comercial chinesa, que apresentou resultados melhores tanto de exportações como importações.


Interessante também são os resultados por país, nas exportações: com EUA (+ 6,9%); Alemanha (+5,1%); Rússia (+26,1%); e Brasil (+36,9%). O resultado obtido com o Brasil pode ser um sinal que nossa economia estaria num processo de reversão. Já nas importações: Japão (+ 17,2%); Austrália (+13,7%) e Reino Unido (+37,6%). O saldo ainda ficou na casa dos US$ 44 bilhões.

Hoje vou comentar o SP500, e nos últimos dias aconteceu uma situação interessante. No post dólar-pede-passagem, fiz os seguintes comentários: ...” enquanto o SP500 não ultrapassar o nível de 2.200, todos os cenários abaixo continuam válidos, e jamais eu iria entrar no mercado agora, só porque eu acho que um cenário parece mais provável. Para entrar, quero conquistas! ” .... O comentário acima, refere-se a uma observação anterior onde eu aguardava uma correção.


Depois disso, o índice ultrapassou o nível de 2.200: ...” Ontem o SP500 finalmente ultrapassou esse nível, com fechamento acima dessa marca, mas ainda não vou me aventurar numa compra” ... Para justificar meu receio, publiquei o gráfico abaixo, com o seguinte comentário: ...” As altas destes últimos dias mostram uma formação sem muita convicção, o que em análise técnica se define como divergente dos instrumentos de momentum. Em outras palavras, pode acontecer uma realização a qualquer momento, o que fatalmente nos tiraria do trade. Mas quero deixar claro que pode não acontecer e aí perdemos essa oportunidade” ...


Passados alguns dias, e considerando que ontem o mercado resolveu minha dúvida subindo expressivamente, acredito que o SP500 caminha agora para o nível de 2.350 -2.400, e isso pode acontecer de maneira rápida.


Inicialmente, uma análise dessa situação. Nitidamente eu fui influenciado por um sentimento de receio, ou medo, se quiser ser mais direto. Observei o gráfico e não quis agir usando as evidências técnicas. Para poder justificar, usei um argumento de defesa, alertando que poderia ser um false break e, se isso acontecesse, perderia ao ser estopado.

Estou comentando esse evento para mostrar que, mesmo usando análise técnica para minhas decisões, a parte emocional pode influir nas nossas decisões; não estamos imunes. Poderia analisar o que me teria feito violar a regra, mas que eu aprenderia? Nada, situações com essa acontecerão novamente. O mais importante é não ficar teimando para não assumir o erro. A única coisa que posso tirar desse evento é que mesmo na dúvida por outros fatores que não os técnicos, você deve seguir as regras. O stoploss existe exatamente para essas ocasiões quando não dão certo.

- David, chega de desculpas, o que fazer agora?
Um cálculo aproximado de risco retorno me leva a um ganho potencial de aproximadamente 5% - de 2.240 para 2.350, e uma perda no stoploss de aproximadamente 2% - de 2.240 para 2.200. Há de se considerar também um potencial ganho adicional caso o índice atinja 2.450 (9,3%). Não parece ruim, porém vou deixar em suas mãos, pois, como comentei ontem, vou estar ausente por um tempo.

Como todo americano tem parte de sua poupança em ações, imagino se esse cenário de bolsa se materializar quem vai ter coragem de criticar o troglodita. O pessoal mais rico, que era contra, vai achar ele um gênio, e que não é tão radical assim e etc .... Pois é, o bolso vai falar mais alto!

O SP500 fechou a 2.246, com alta de 0,22%; o USDBRL a R$ 3,3738, com baixa de 0,26%; o EURUSD a 1,0612, com queda de 1,29%; o ouro a US$ 1.170, com queda de 0,24%.
Fique ligado!