Inflação: A Revanche

30 de novembro de 2015

Uma visão otimista

- David, finalmente você projeta que as coisas vão melhorar por aqui!
Hoje você se precipitou, primeiro que não é a minha opinião, mas sim do Deutsche Bank, segundo que eles comentam sobre a economia dos países desenvolvidos. Infelizmente, não vejo melhoras no Brasil no curto prazo. É provável que tenha que piorar para melhorar, sorry!

Normalmente nesta época do ano, os analistas fazem um balanço do ano que termina e projeções para o ano seguinte. Já estou pensando no tema para 2016, e devo anunciar no início de dezembro.

Esse banco Alemão tem se mostrado mais otimista que a média já faz alguns anos. Não tem acertado em tudo, mas algumas de suas previsões se materializaram, como a alta da bolsa americana. Economistas! Em seu mais recente relatório, inicia com alguns pontos em que acredita que o mercado esteja errado. Veja o quadro a seguir.
Resumindo: Juros americanos para cima (nós temos um trade em andamento); euro para cima (estamos aguardando melhor definição, por enquanto sem posição); não haverá recessão, portanto oportunidade nos títulos denominados de high yield; bolsa para cima (nós estamos esperando o rompimento do nível de 2.150 no SP500). Será que eles andam lendo o Mosca? Hahaha...

Eu escolhi alguns slides que sustentam a visão desse Banco. Inicialmente o gráfico a seguir apresenta a contratação de pessoal pela cadeia de lojas de varejo neste final de ano.
A mudança de uma economia centrada na Indústria para os Serviços vem ocorrendo de forma inexorável, hoje em dia representa 85% do PIB americano. O Deustche Bank frisa que em função disso, é mais importante observar como esse último setor performa em detrimento do primeiro.
Em termos de inflação, também reforça que deve-se observar a evolução nos serviços.
No próximo slide os helicópteros "novos", que ainda estão sendo enviados para o ar.
E por último, enfatiza que a Europa está indo melhor do que os mercados estão precificando.

Esta semana serão publicados os dados de emprego, que caso vocês não se lembrem, no mês passado foi de 271.000, um resultado excelente. Para este mês a previsão é de 190.0000.

Em relação as vendas da última sexta-feira, o Black Friday, marcou a continuidade no aumento das vendas on-line, e manutenção nas lojas de varejo, em relação ao ano anterior. Essa mudança de atitude tira boa parte do incentivo do comércio, uma vez que, as vendas adicionais feitas por impulso nas lojas, passam a não existir mais. Mas este conceito se popularizou tanto, que até o pãozinho francês entra nesta promoção!

Com o dólar sendo turbinado esta última semana, pelas prisões do Senador Delcídio e André Esteves, a cotação chegou hoje pela manhã a R$ 3,9110. No post problema-para-nossos-filhos, fiz os seguintes comentários: ...Eu não vou me envolver numa venda de dólar nos níveis atuais, por dois motivos: primeiro que o movimento é de correção, onde se sabe quando começa, mas não quando termina; e segundo que não acho que tem um bom risco x retorno...
Eu destaquei acima a imprevisibilidade de movimentos de correção, e esta não fugiu a regra. Agora, é razoável supor uma alta até os níveis de aproximadamente R$ 4,00, onde sugiro a seguinte estratégia de trade na venda de dólar: 1/3 a R$ 3,97, 1/3 a R$ 4,00 e 1/3 a R$ 4,03, com um stop em toda posição a R$ 4,10. Motivos não estão faltando para essa pequena alta.

Quero alertar também, que o movimento de hoje pode ter completado essa mini-alta, e o dólar comece a cair agora para buscar os níveis que indiquei no post mencionado acima: ...inicialmente R$ 3,65, que se encontra próximo as cotações atuais, e depois R$ 3,50- 3,45, que parece ser o mais provável.... Esta ideia ganha sustentação com as cotações abaixo de R$ 3,80. Vamos saber em breve qual dos dois irá prevalecer.

O SP500 fechou a 2.080, com queda de 0,46%; 0 USDBRL a R$ 3,8670, com alta de 0,56%; o EURUSD a 1,0564, com queda de 0,25%; e o ouro a US$ 1.064, com alta de 0,65%.
Fique ligado!

27 de novembro de 2015

Quem é essa gata?

Na adolescência os meninos e meninas estão em fase de crescimento, neste momento não se sabe ainda como ficarão quando adultos. O rosto fica cheio de espinhas, usam aparelhos para correções nos dentes, e etc...

Acredito que a seguinte situação já aconteceu com você. Uma dessas meninas era horrível, magrinha, cabelo desarrumado, como dizia um amigo "não pagava nem "place" - aposta de corrida de cavalos". O tempo passou e depois de alguns anos, eu a reencontrei. Não à reconheci de imediato, mas sabia não me parecia estranha. Virou uma gata!

Hoje convivo com cinco mulheres, entre mulher, filha e enteadas, it´s not easy! Não me sinto nada machista contando este episódio, pois o que eu ouço por aqui, não é nada diferente do ponto de vista das mulheres.

Ontem foram publicados os dados cambiais brasileiros, em outubro o déficit em transações correntes foi de US$ 4,2 bilhões. É uma forte redução em comparação ao registrado no ano passado de US$ 9,3 bilhões. O acumulado em 12 meses foi de US$ 74,2 bilhões, equivalentes a 4 % do PIB.
Como pode-se notar, caminhamos para níveis bem mais confortáveis que os US$ 105 bilhões alcançados a menos de um ano. Uma redução muito expressiva em tão pouco tempo.

Essa marca foi conseguida pela redução nas três grandes contas: Balança comercial - apresentou um superávit de US$ 1,9 bilhão. Em 12 meses caminha-se para um superávit de US$ 10 bilhões. É verdade que boa parte desse resultado deve-se a violenta queda nas importações, consequência da queda da atividade; Serviços - Apresentou despesas líquidas de US$ 2,8 bilhões, com redução de 34% na comparação com o resultado do ano passado. Destaque para a queda nos transportes e viagens internacionais que caíram 66,4%, o Mickey está preocupado! Hahaha...; Rendas - Uma queda de 9% na comparação com outubro do ano anterior, ficando em US$ 3,5 bilhões, com queda em quase todos os subitens.

O financiamento deste déficit teve como contra partida a conta financeira, cujas captações líquidas foram positivas em US$ 3,6 bilhões. O investimento direto atingiu US$ 6,7 bilhões, que por si só, foi suficiente para cobrir todo o déficit do mês com folga. Os valores acumulados em 12 meses somaram US$ 70,7 bilhões. Diferentemente do que vinha acontecendo até agora, os investimentos em carteira sofreram um saque de US$ 3,1 bilhões, principalmente na rubrica de títulos de renda fixa com US$ 3,3 bilhões, os outros subitens ficaram marginalmente positivos.

Como pode ser visto abaixo, o Investimento direto parece ter se estabilizado num patamar de US$ 70 bilhões, enquanto o Investimento em carteira tende a zerar as entradas este ano.
As reservas internacionais mantiveram-se em US$ 370 bilhões, resultado incrivelmente estável que já perdura por muito tempo.

Embora o resultado final tenha ficado praticamente inalterado, a qualidade de nossas reservas melhorou. Ao substituir entradas via Investimento direto, ao invés de Investimento em títulos, cria uma estabilidade maior, pois o primeiro é muito mais estável que o segundo. Além disso, a queda vertiginosa de nosso déficit é impressionante, o câmbio fez a diferença.

Fazendo um paralelo figurativo com a situação comentada acima, as contas cambiais estão se transformando numa "gata". A pouco tempo, estava cheia de espinhas, agora a pele está ficando macia, cabelos longos e o corpo... Como no caso daquela adolescente, não adianta ser só bonita, tem que ter outras qualidades. No caso brasileiro, as outras qualidades estão deixando muito a desejar, principalmente o governo!

Hoje o mercado americano vai funcionar parcialmente, com encerramento do pregão às 13 hs. do horário local. É esperado que a liquidez fique bem baixa, pois muita gente emendou o feriado. Assim, não se pode tirar grandes conclusões. Vou aproveitar para comentar o DXY - Dollar Index, que é composto por uma cesta de moedas onde o euro tem um peso de 57%.

No post a-loira-que-está-chacoalhando-o-fed, fiz os seguintes comentários sobre o DXY  ...Como mostra o gráfico acima abaixo, para considerar a possibilidade de uma queda, deveria acontecer rapidamente. O terreno só fica aberto para novas altas acima de 100,5. Até lá, uma queda ainda é possível, porém com chances menores...
Não só não caiu, como está muito próximo do nível superior de 100,5.
Um rompimento desse nível vai significar muita coisa para os mercados, e aí, minha previsão passa a ser de uma alta inicial até 107, que se for rompida projeta um novo nível de 130, isso no médio prazo. Não vai ser bom, todas as moedas irão se desvalorizar perante o dólar, inclusive o real.

Por este motivo, sugiro que vocês acompanhem este indicador, que é o mercado chama de "dixie". Acima de 100,5 vai fazer muito mais estrago que a Polícia Federal! Hahaha... 

O SP500 fechou a 2.090, sem alteração; o USDBRL a R$ 3,8436, com alta de 2,72%; o EURUSD a 1,0588, com baixa de 0,17%; e o ouro a US$ 1.057, com queda de 1,33%.
Fique ligado!

26 de novembro de 2015

Memorias de infância

Com o passar da idade, memórias da infância e da adolescência são lembradas com maior frequência. Esse é um processo natural de envelhecimento, assim dizem os médicos. Posso dizer, por experiência própria, que isso acontece e é uma sensação mista, pois naturalmente essas lembranças nos remetem aos bons momentos. É interessante também, que mesmo em situações não tão boas assim, o que se lembra, são os flashes positivos. Agora, a memória recente fica mais fluída.

Imagino como a Presidente Dilma acorda todos os dias, será que ela lê os jornais? Existem relatos dizendo que pessoas que possuem poder preferem alienar-se dessas informações, a fim de evitar influencias, ou será uma defesa? Se ela não se enquadrar neste modo, deve estar muito nervosa.

Esse pensamento me fez lembrar de uma passagem da minha vida profissional, quando fui contratado pelo Deutsche Bank para reformular a área de administração de fundos. Fiquei alguns meses imaginando muitas mudanças. Para vocês entenderem meu problema, tinha uma equipe muito boa de gestores, porém carecia de uma estrutura de distribuição dos fundos.

Eu, juntamente com o Presidente do banco, contratamos uma empresa de consultoria para fazer um estudo de viabilidade do negócio. Como é de praxe, antes da implementação do projeto, essa empresa entrega o que se denomina  tizer, que nada mais é que, um resumo dos principais pontos e o custo de seus serviços. É esperado que eles sempre achem uma boa solução, é claro!

Ao refletir sobre esse trabalho, que já contém alguns grandes números, cheguei a conclusão que esse ramo de negócio era ruim para o Deutsche. Talvez por não ser um executivo "padrão", que está mais interessado em manter meu cargo, levei minha conclusão: "Missão Impossível, melhor vender a área"! O Presidente ficou chocado, como assim? Eu usei um argumento cabal: Como nós poderíamos competir com os grandes bancos, construindo uma estrutura para unicamente distribuir fundos, quando 85% das receitas de uma agência desse bancos eram da concessão de crédito? Além do mais, as taxas cobradas nos fundos vinham caindo consistentemente.

Entre esse momento e a venda, se passaram três longos anos, e durante este período, em vários momentos, espasmos de motivação aconteciam. Porém mensalmente, a ter acesso aos resultados, a realidade de pequenos lucros e prejuízos se sucedendo, era frustrante.

Imagino que é dessa forma que a Presidente irá completar seu mandato, sensações de pequenas melhoras que serão confrontadas com a dura realidade de comandar um país sem poder. Como ela é alguns anos mais velha do que eu, deve estar lembrando de seu tempo de estudante, quando tornou-se membro da famosa VAR-Palmares, organização que defendia a luta armada contra o regime militar.

Sinto informar que isso são só lembranças Presidente, a realidade é que o país está parado e somente com uma mudança radical poder-se-ia ter alguma esperança. Tenho a impressão que como eu, ela já chegou à conclusão que é melhor "vender" essa área!

Um relatório citando o Super Mario chamou minha atenção, dizia que ele deveria ganhar o prêmio de o "homem econômico do ano", se é que poderia haver tal denominação. O seu principal argumento é a comparação entre o que se temia há um ano, uma "Japanificação" da Europa, com os resultados que obteve. Vejamos alguns deles: Primeiro que o risco eminente de uma deflação não se materializou, como pode-se verificar nos gráficos abaixo.
Outro receio que tinha-se naquela data, era que uma queda da atividade econômica acarretaria num aprofundamento do nível de desemprego que beirava níveis perigosos. Porém não foi o que aconteceu. Países como a Espanha, mostram altas do PIB que são animadoras.
Mas o que este analista não comentou, é que hoje 1/3 dos países europeus tem taxas de juros nominais negativas, e a quase totalidade, se considerar a taxa de juros reais. O grande financiador dessa recuperação são os poupadores, que veem seus patrimônios serem corroídos pela perda de valor. E para finalizar, o FED deverá, no próximo mês, iniciar o processo de saída desse modelo, e muitas dúvidas ainda pairam no ar. Será que toda essa melhora da Europa não é fake?

No feriado de Thanksgiving o mercado americano está fechado, e quando isso acontece, nada acontece. Gostou do trocadilho! Hahaha... Mesmo assim, vou comentar sobre o ouro. No post Fed-we-have-problem, comentei que o ouro precisa romper o nível de US$ 1.080, para buscar o grande teste dos US$ 1.050: ...já enfatizei diversas vezes, se o ouro romper o nível de US$ 1.050, terei que refazer meu cenário, onde esperava uma alta em breve... Numa visão de mais curto prazo, o ouro está "tentando" romper, já algumas vezes, o nível de US$ 1.080...
Como pode-se notar, durante o mês de novembro o ouro está buscando romper o nível de US$ 1.080, mas não conseguiu de um forma definitiva. Anotei no gráfico uma situação semelhante, que ocorreu durante o mês de julho. Naquela data, depois de "cansar" os vendidos, o metal ensaiou uma recuperação mais consistente, subindo US$ 200, mas devolveu toda essa alta em alguns dias.

Tecnicamente, quando um mercado tenta romper um nível e não consegue, é provável uma reação em sentido contrário, quando isso acontece por duas vezes, chama mais a atenção ainda. Parece que o mercado está esperando o movimento do FED em dezembro. Não podemos descartar a famosa frase: sobe no boato e caí no fato. Mas por enquanto é tudo wishfull thinking. Nada a fazer neste mercado.

O USDBRL fechou a R$ 3,7419, sem variação; o EURUSD a 1,0608, com baixa de 0,19%; e o ouro a US$ 1.071, sem variação.
Fique ligado!

25 de novembro de 2015

Síndrome do vermelho

Fomos surpreendidos hoje, com a prisão de um Senador da República, fato nunca acontecido antes no Brasil, e também a de um banqueiro. O trabalho do delegado Sergio Moro, está sendo implacável, padrão FBI. Essas prisões se sobrepõem as de ontem de um Amicci do ex-Presidente Lula, que tinha passe livre para entrar no Palácio da Alvorada, a qualquer hora. O delegado Moro, afirmou que não existe nenhuma prova contra o ex-Presidente, mas isso não é indicação que ele pode ficar tranquilo. Como diz o velho ditado, é melhor ele deixar a barba de molho, literalmente!

Está virando rotina pela manhã ver gráficos apontando quedas, ainda mais quando o assunto é commodities. Convencionou-se no mercado que, para as quedas usa-se a cor vermelha, e as altas verde ou azul. Assim o vermelho vem predominado.

Uma verificação do que vem acontecendo na China, é importante. O Yuan, conforme pode ser visto abaixo, vem se desvalorizando lentamente em novembro, mas nada de muito expressivo, um pouco mais de 1%, padrão Chinês.
Neste quesito também, observo vários bancos sugerindo a compra de dólares contra o Yuan, como um trade para 2016. O potencial de ganho não são expressivos, algo em torno de 10%. Vamos conferir!

Já a Bolsa de Valores por lá, depois da alta frenética de 50% no primeiro semestre, e uma queda vertiginosa após a intervenção desastrosa do BC Chinês, recuperou-se e vem mantendo certa estabilidade, muito próximo aos níveis do início do ano.

Então podemos ficar tranquilos? De maneira alguma, vários outros indicadores deixam os analistas confusos de como está a saúde da economia chinesa. Vejam a seguir o preço do cobre, metal conhecido como termômetro da economia.
Não se convenceu, então veja o próximo com as principais do grupo de commodities metálicas.

Muitos analistas estão colocando a culpa no FED, pela intenção de elevar os juros agora em dezembro. Eu não acredito neste motivo, é muito mais uma questão de excesso de oferta. Mas como sempre tem que ter um culpado, o bumbum de plantão é esse!

Mas nem tudo é má notícia para a China, seu vizinho a Índia está com uma boa taxa de crescimento e vem aumentando suas importações daquele país. Veja no gráfico a seguir a impressionante evolução nestes últimos anos.

Vamos torcer para que nada de mais sério aconteça na China, no momento atual seria algo muito sério para o mundo. Chega de vermelho!

No post recordações-amargas, fiz os seguintes comentários sobre o euro: ...eu acredito que o euro ainda vai cair abaixo dos níveis atuais, a dúvida se será mais devagar ou mais rápido. Deste ponto de vista, comprar só muito especulativamente, vender é mais tranquilo...
O mercado vem lentamente se aproximando do nível 1,045, nível que poderia gerar muitas ordens de vendas. Por outro lado, as posições vendidas na moeda única estão bastante elevadas. No gráfico a seguir, pode-se ter uma visão de como as apostas a favor do dólar se proliferaram recentemente, especialmente no euro.

Ontem estudei os dados técnicos de varias moedas, inclusive o DXY. Todas sugerem uma correção no curto- prazo. Mesmo a alta do dólar contra o real hoje, ainda não é conclusiva, mais parece fazer parte do ajuste que estou esperando. Somente acima de R$ 4,10 as preocupações aumentam. Se depender do Sergio Moro para atingir esse nível, quem deveria ser preso?  You Guess! Hahaha...

Em relação ao euro, não vou fazer nada neste preço, aguardo a confirmação do rompimento, ou um nível melhor para entrar. Se depender de mim, é melhor o pessoal curtir o peru de Tanksgiving! Hahahaha...


O SP500 fechou a 2.088, sem variação; o USDBRL a R$ 3,7410, com alta de 1,10%; o EURUSD a 1,0615, com queda de 0,23%; e o ouro a US$ 1.071, com queda de 0,337%.
Fique ligado!

24 de novembro de 2015

O dito pelo não dito

Hoje pela manhã fomos informados que um avião turco F-16 abateu um avião russo Su-24. As informações dadas pelo governo turco são de que o avião russo estava no espaço aéreo turco, e foi devidamente avisado para que saísse. O governo russo não se pronunciou oficialmente até agora, porém o Ministro da Defesa disse que pode provar que esse aparelho estava sobre território Sírio todo o tempo de voo. Esse incidente pode ter repercussões mais sérias, se o que foi dito não for o real motivo. Existem duas possibilidades: o avião estava no território Turco por erro ou em busca de alguma informação, neste caso, tudo ficará como um incidente; ou não estava e foi abatido por erro do governo turco ou propositalmente. E nesta última hipótese poderia existir algum risco mais sério.

Pelo sim, pelo não, as moedas dos dois países já foram afetadas com quedas no dia.

É muito difícil entender as várias facções existentes nos países Árabes, onde a Turquia pode se enquadrar pelo grande número de muçulmanos. Um verdadeiro quebra-cabeças para nós Ocidentais.

Os PMI - Purchasing_Managers_Index, publicados pela Markit empresa de serviços financeiros, apontam para uma melhora na Europa e Japão, e piora nos USA. Inicialmente, vejam os dados da Europa, que vieram melhor que as previsões - o mais elevado dos últimos 54 meses.
Em seguida a do Japão, que também foi muito boa, apontando a melhor expansão dos últimos 24 meses.
E por último a americana, que desapontou. Veja os comentários da Markit na ilustração abaixo.

Os dados deveriam ter apontado exatamente ao contrário, ou seja, os USA com melhoras e a Europa e Japão neutros, ou um pouco piores. Vai entender!

No post todos-os-dias-são-sexta-feira-13, deixei duas possibilidades para quem quisesse fazer uma aposta no SP500: ...Para quem aposta na alta (1) recomendo uma compra entre 2.020 - 1.990, com stop a 1.960; e para quem aposta na baixa (2), uma venda nesses níveis atuais de 2.045, com stop a 2.120... 
O mercado resolveu respeitar os limites técnicos e negociou a 2.019 no dia 16/11, conforme apontado no gráfico abaixo em cinza.
Independente da opção que você escolheu, ambas ainda estão no jogo, é natural que quem comprou encontra-se numa situação mais confortável. 

Então vamos analisar por caso: 
  • Opção 1 - Sugiro duas possibilidades para o novo nível de stoploss, a primeira seria no ponto de entrada a 2.020, e a segunda a 1.990 - a mais correta do ponto de vista técnico. Caso o mercado volte a cair,  no primeiro nível teria um resultado nulo, e no segundo uma perda de 1,5%.
  • Opção 2 - Manter o stoploss no mesmo nível a 2.120, o que resultaria numa perda de 3,7%.
Quem irá ganhar no final?
- David, lógico que a opção 1!
É o que parece hoje, mas não conte vitória antecipada, tudo pode mudar num piscar de olhos. Agora é inegável que essa opção está com vantagem, uma vez que se der errado, seu prejuízo será menor com a elevação do nível de stop. Vamos ver como termina esta batalha, mas podemos dar mais um crédito à análise técnica, que apontou o nível de compra quase que, nos centavos!

O SP500 fechou a 2.089, com alta de 0,12%; o USDBRL a R$ 3,6985, com queda de 0,89%; o EURUSD a 1,0640, sem variação; e o ouro a US$ 1.075, com alta de 0,65%.
Fique ligado!

23 de novembro de 2015

Problema para os nossos filhos

A crise financeira global vem causando distorções, os economistas buscam explicações do porque o crescimento nos USA e no exterior tem decepcionado repetidamente. Seus argumentos são variados desde austeridade fiscal, como a crise do euro. Agora estão começando a perceber que um dos vetores contrários, e mais difícil de resolver, é a situação demográfica.

No próximo ano, as economias avançadas do mundo irão chegar a um ponto crítico. Pela primeira vez desde 1950, a população combinada em idade ativa, irá diminuir. De acordo com projeções da Nações Unidas, em 2050 irá encolher 5%. O número de trabalhadores também diminuirá nos principais mercados emergentes, como a China e Rússia. Ao mesmo tempo, a percentagem da população desses países com mais de 65 anos vai disparar.

As gerações anteriores preocupavam-se com o mundo ter muita gente. O problema hoje é que tem muito pouco.

Isso reflete duas tendências de longo prazo: Aumento da expectativa de vida e fertilidade em queda. Entretanto, muitas das consequências começam a ficar aparente agora. Simplificando, as empresas estão ficando sem funcionários, clientes ou ambos. Nestes casos o crescimento econômico sofre. Conforme a idade da população, o que as pessoas compram muda, deslocando mais demanda para serviços, tais como saúde e menos para bens de consumo duráveis como carros.

A demografia ajuda a explicar porque uma recuperação tão fraca nos USA, ocasionou que a taxa de desemprego caísse pela metade. A economia não precisa de tantos novos postos de trabalho para empregar o fluxo líquido menor de participantes no mercado de trabalho. Por exemplo, os construtores de casas estão simultaneamente sofrendo pelo encolhimento da demanda, desde que, o índice de casas próprias está em declínio, e falta de mão de obra, com os "baby boomers" se aposentando.
Não existe uma resposta simples para como as empresas e o governo devam lidar com essas mudanças, uma vez que, cada país está envelhecendo em taxas diferentes, por razões diferentes e com graus de preparo diferentes.

A automação pode amenizar a produtividade e suportar o crescente número de idosos. Além disso, o critério de idade, usado para os trabalhadores se aposentarem, de 65 anos não é mais válido, uma vez que essa idade corresponde a uma idade de 58 anos, quatro décadas atrás.

O "potencial" de longo prazo de um país depende de dois fatores: número de trabalhadores e quão produtivo eles são. Crescimento populacional mais lento impacta diretamente nesse parâmetro.

O hábito de poupança muda com a idade. Quando se tem entre 20 -30 anos, eles tomam empréstimo e gastam para seus filhos e para compra de sua casa própria. Quando atingem 40-50 anos, suas dívidas diminuem e seus salários sobem, propiciando uma poupança maior. Quando se aposentam, eles vivem de suas poupanças e de seus planos de aposentadoria.

Este padrão, multiplicado em muitos países, tem um poderoso impacto econômico. O montante que um país poupa é fortemente influenciado pela diferença entre a proporção da população com idade entre 40 - 65 anos e os acima de 65 anos. Para os USA, Eurozona, Japão e outras seis grandes economias, essa diferença subiu constantemente desde 1980 até o presente.

Algumas formas de resolver este problema seria para os países ricos incentivarem a imigração, embora esta política gere uma série de problemas.

Os países com maior taxa de fertilidade são os Africanos. Como o quadro abaixo mostra, a Índia será o país mais populoso em 2050, ultrapassando a China. Segundo trabalho da ONU, os países com baixa renda que representam atualmente 9% do total da população mundial, alcançarão 14% em 2050. Serão esses os países que proverão os imigrantes.


Provavelmente, a forma mais promissora de atacar esse problema com uma população envelhecendo, seria encorajar os trabalhadores atuais a trabalharem por mais tempo. Isso já vem acontecendo no Japão onde 22% da força de trabalho é composta por pessoas acima de 65 anos.

Esta é uma situação de potencial desequilíbrio global, onde cada vez mais, haverá mais velhos em proporção aos mais jovens. Isso desafia qualquer plano de saúde e aposentadoria. Vejam por exemplo o caso do Japão, que se apresenta como o caso mais preocupante.
Para quem busca oportunidades no futuro, está ai um país onde seu trabalho pode valer muito. O duro será aprender a língua e os costumes como não aceitar o "jeitinho" brasileiro. Sem falar no resto, como as distribuições "forçadas" de renda, tipo lava-jato!

Com uma sensação meio anestesiada, é comum depois de eventos como o ataque terrorista do último dia 13, os investidores ficarem na inércia. Já estão torcendo para que chegue logo a quarta-feira, véspera do feriado de thanksgiving. É verdade também, que na próxima sexta-feira, o Black Friday, define o tom do final de ano.

No post desesperança, imaginei que teríamos a chance de vender dólares contra o real: ...Minha aposta continua sendo que ainda estamos numa correção, e a trajetória destacada em vermelho seria uma das ideias dessa correção. Assim, ficamos com a mesma orientação dada acima, de venda entre R$ 3,90-3,95, com stop a R$ 4,15...
Doce ilusão, o dólar continuou o movimento de queda desde então, e acabou negociando abaixo de R$ 3,72. O que fazer agora? 
Eu não vou me envolver numa venda de dólar nos níveis atuais, por dois motivos: primeiro que o movimento é de correção, onde sabe-se quando começa, mas não quando termina; e segundo que não acho que tem um bom risco x retorno.

Parece que o formação das cotações, será como o desenhando em verde acima. Se estiver correto, dois níveis merecem destaque, inicialmente R$ 3,65, que se encontra próximo as cotações atuais, e depois R$ 3,50- 3,45, que parece ser o mais provável. No primeiro seria uma queda de aproximadamente 1,5% e o segundo de 7,5%. Se alguém quiser se aventurar na venda, sugiro um stop a R$ 4,00, o que poderia representar uma perda de 7,5%. É verdade que os juros estarão fortemente a seu favor, but!

O SP500 fechou a 2.086, com queda de 0,12%; o USDBRL a R$ 3,7315, com alta de 0,34%; o EURUSD a 1,0634, com queda de 0,91%; e o ouro a US$ 1.068, com queda de 1,20%.
Fique ligado!

19 de novembro de 2015

Mais helicópteros nos USA?

Ontem foi publicada a minuta da última reunião do FOMC. Embora este assunto já esteja ficando "chato", achei importante destacar alguns pontos desse documento. A seguir, alguns argumentos contra e a favor de um aumento já. Notem que existem menos participantes engajados para elevar os juros - A number of participants, contra os que desejam esperar mais algum tempo - Several participants.
Até aí, já sabemos que o FED continua dividido, mas que tinha um grupo querendo aumentar os estímulos foi uma surpresa para mim.
Acredito que esses membros tenham o receio que mencionei no post de ontem: ..."o pior que poderia acontecer, seria o FED ter que interromper este movimento depois da primeira ou segunda alta, o mercado tenderia a perder muita credibilidade na autoridade monetária americana"...

Todos os países, desde a recessão de 2008, não tiveram sucesso em elevar os juros e sustentar condições financeiras maia apertadas, recuando um tempo depois -veja gráfico abaixo. Será que com o FED vai funcionar? Mesmo com todos estes indícios, eu continuo acreditando que eles irão subir os juros em dezembro.
Vejam a seguir, os países que estão contribuindo para o crescimento do mundo. Alguém viu o Brasil? Ah, esqueci que estamos contribuindo negativamente!

Hoje o post será mais "compacto" em virtude do feriado, afinal ninguém é de ferro! Hahaha...

No post resultado-dos-helicópteros, propus uma operação de alta dos juros de 10 anos americanos: ..."Acredito que vale uma aposta na alta dos juros, ao nível de 2,25% a.a. com um stop a 2,13% a.a. Isso, no contrato futuro, corresponde a uma perda de 1%, com a possibilidade de ganho de 4% no primeiro intervalo, e 7% no segundo. Vamos lá Yellen!"... Que acabou se concretizando alguns dias depois.
O gráfico a seguir dá uma ideia mais abrangente do objetivo que estou tentando alcançar. Apontei em vermelho no gráfico os pontos assinalados acima como targets e stoploss, e o nível de 2,4% passa a ser importante para abrir a porta dos objetivos do Mosca.
- David, e o que significa o ponto com uma interrogação?
Boa pergunta, queria ver se estava atento! Na verdade, eu teria que colocar o stop neste ponto aí, ao redor de 1,9% a.a. Este é o nível correto, do ponto de vista técnico, mas por que eu não fiz? Primeiro que este movimento atual parece impulsivo, não seria esperado que viesse abaixo dos 2,13% a.a., e segundo para evitar prejuízos maiores, num mercado que vem andando de lá, para cá. Vamos ver o que acontece.

O SP500 fechou a 2.081, com baixa de 0,11%; o USDBRL a R$ 3,7188, com queda de 1,26%; o EURUSD a 1,0732, com alta 0,73%; e o ouro a US$ 1.081,com alta de 1,12%.
Fique ligado!


18 de novembro de 2015

Pisando em ovos

Enquanto boa parte da atenção do mundo está em tentar entender os detalhes do ataque do último dia 13 na França, pouca atenção tendo sido dada às dúvidas macroeconômicas atuais, bem como a situação política interna aqui no Brasil. Com incursões na Síria, como também caça aos terroristas, que se escondem dentro dos arredores de Paris, um movimento positivo aconteceu. Tanto os USA como a Rússia, estão buscando um acordo de cooperação em conjunto, para enfrentar o grupo extremista denominado de ISIS.

Nos mercados financeiros, a volatilidade tem estado mais baixa que a de semanas anteriores. Imagino que os investidores agem com cautela neste momento, preferindo esperar para ter um pouco mais de segurança que, não entraremos numa "guerrilha" global.

Ontem publicou-se o índice de inflação ao consumidor americano, o CPI, e o resultado em bases anuais manteve-se estável em 1,9% a.a. Na ilustração a seguir, encontram-se os comentários do Banco Credit Suisse, onde eles acreditam que a inflação tende a subir nos próximos meses.
É importante ressaltar que o FED usa outro índice para seu acompanhamento, o PCE, que vêm rodando 0,5% abaixo do CPI. No gráfico a seguir, um comparativo entre os vários índices. Parece que a inflação caminha para níveis mais elevados, como é o desejo do FED.

Outro indicador que vinha constantemente apontando para previsões menores do PIB americano, calculado pelo Federal Reserve de Atalanta, recentemente aproximou-se das previsões dos economistas. No gráfico a seguir, o forte reajuste desse último deve-se aos dados melhores de emprego publicados no início deste mês.
Tudo indica que, se os dados de vendas da próxima semana, popularmente denominado de Black Friday, apontarem crescimento em relação à semana passada, e não houver outro susto maior de ataques terroristas, o caminho estará mais que aberto para que o FED aumente os juros. Não acredito que esse movimento isoladamente - a elevação dos juros, teria um grande impacto no mercado. Porém, a mais importante indecisão, passará a ser como este processo irá evoluir.

Existem diversas possibilidades que não merecem explicitação, para não ser chamado de "chutômetro", vou colocar a minha. Depois dessa elevação, acredito que mais duas altas se sucederão, colocando os juros em 0,75% a.a. Isso deverá acontecer até março de 2016. Daí em diante, dependendo do que ocorreu na economia e nos mercados, o FED poderá interromper por um tempo. Essa é a visão do Mosca, que acredita que as taxas devem se situar em 0,75% a.a. até junho de 2016.

Como já havia comentado, o pior que poderia acontecer, seria o FED ter que interromper este movimento depois da primeira ou segunda alta, o mercado tenderia a perder muita credibilidade na autoridade monetária americana, e afetaria marcadamente o dólar. Mas isso é somente Wishful thinking no momento.

No post bitcoin-the-return, comentei sobre a retomada do interesse por essa "moeda", se é assim que podemos chamá-la. Só para efeito de acompanhamento, o gráfico a seguir mostra uma estabilidade desde que publicamos o post acima.
Além disso, no post acima fiz os seguintes comentários sobre o Ibovespa: ...Do ponto de vista técnico a mínima atingida em agosto de 42.700 pode ser considerada como "missão cumprida" de baixa, e o mercado estaria iniciando o movimento de alta. Mas mesmo assim, outros indicadores não sugerem essa hipótese. Em situações como essa, o melhor é observar, e vislumbrar os cenários possíveis. E foi o que eu fiz, considere a seguir os cenários A e B, nesta ordem de preferência...
...Parece que o índice está numa formação de triângulo, e se ele não passar a perna como no caso do real citado ontem, o Ibovespa poderia atingir até 53.000, para em seguida voltar a cair buscando o target que venho projetando de 40.000...
...Neste outro caso, já estaríamos no movimento de alta e a mínima deste ciclo já foi atingida. Para uma confirmação maior, seria necessário ultrapassar os 57.000 e principalmente acima de 60.000, rompendo a linha azul do gráfico. Nada a fazer no momento!...

- Boa David, agora finalmente você vai tomar uma decisão!
Desculpe te frustar, mas o índice encontra-se exatamente no mesmo nível de quando publiquei esse post. Talvez a única boa notícia seja que está se formando um triângulo que vislumbra uma direção em seguida.
Com isso em mente, minha preferência pelo cenário A aumenta, uma vez que a probabilidade de acontecer é de 67%. Aguardem movimento em breve.

O SP500 fechou a 2.083, com alta de 1,62%; o USDBRL a R$ 3,7657, com queda de 1,14%; o EURUSD a 1,0654, com alta de 0,11%; e o ouro a US$ 1.069, sem variação.
Fique ligado!