Inflação: A Revanche

30 de outubro de 2015

Gestão 101

Hoje o assunto é sobre Apple.
- Xih David, lá vem você de novo com a ideia que as ações da Apple vão cair? 
Você poderá ser até levado a essa conclusão, mas o teor é mais amplo.

No inicio dos anos 2000, a Dell, HP, Compaq, costumavam ser os grandes fabricantes de microcomputadores, num mercado em ampla expansão. A Apple fabricava Macs e tinha uma participação no mercado inferior a atual.

A Dell era a "queridinha", ao conseguir uma "customização" em massa em seu processo de fabricação. Você poderia escolher o tipo de processador, o tipo de disco rígido, o tipo de monitor, além de outros opcionais. O seu computador, feito sob medida, era entregue em sua porta depois de quatro ou cinco dias.

Entretanto, a comoditização substituiu a personalização, as margens do PC foram a zero, e esse foi o final deste ciclo.

Hoje, é difícil imaginar o negócio de PC de qualquer outra forma. Ninguém coloca um monte de esforço para escolher o tipo de PC que irá comprar. Eles são todos iguais. Assim, não existe nenhum valor agregado a qualquer marca.

A Dell tornou-se privada, a HP e a Compaq fundiram-se defensivamente. A ideia que os PCs sempre seriam um negócio de crescimento, parecia uma certeza ...certo? E agora, temos esses smartphones, extremamente potentes, que na essência são miniaturas de computadores.

Para quem tem ações da Apple

A inovação no negócio de smartphones tem sido muito rápida, embora tenha abrandado nos últimos anos, e as últimas mudanças foram incrementais. As margens da Apple de 40% não são sustentáveis.

Por outro lado, a Apple conseguiu manter as suas margens persistentemente elevadas em cada linha de produtos, a partir de iPods, depois iMacs, e recentemente nos iPhones, em parte por causa de design superior, e em parte por causa de marketing inovativo. Eles transformaram o telefone em um símbolo de status.

Se você possui ações da Apple, está apostando que:
  • A Apple irá manter ou até mesmo aumentar a sua participação de mercado, já enorme, em smartphones.
  • Ninguém nunca vai construir um aparelho melhor.
  • O smartphone irá resistir à comoditização que aconteceu com praticamente todos os produtos de tecnologia.

Parece que só há uma maneira para que as coisas deem certo, e muitas maneiras para que as coisas deem errado.

Os telefones são diferentes de computadores. A forma como os planos para celulares, trabalham nos EUA, as pessoas não arcam com o custo do telefone, pelo menos não de uma vez. Assim, a pressão sobre os preços não é igual as do PCs, que passaram de US$ 2.000 para US$ 600 - US$ 800 no espaço de poucos anos.

Mas a Apple se transformou numa empresa de um único produto (60% da receita vem do Iphone) cujas margens não são, talvez, a prova de bala como pensamos. O valor de mercado de US$ 700 bilhões, é consequência dessas margens.

Estratégia empresarial inteligente?

Em qualquer indústria, geralmente existe apenas um Walmart. Não há espaço para duas empresas deste porte que consigam sobreviver.

Em bens de luxo, é diferente. Há 25-30 principais marcas de relógios suíços, e que cada uma tem uma existência rentável.

A Apple faz as duas coisas. Eles produzem em massa um bem de luxo, e tem margens das empresas de luxo. É assim que eles têm um valor de mercado de quase um trilhão de dólares no mercado. É muito difícil de imaginar, mas eles conseguiram isso.

Embora eu não tenha um iPhone, acompanho suas evoluções, estou rodeados deles. Mas seja sincero, não é essencialmente o mesmo telefone? A Apple não está realmente inovando neste ponto, apenas ajustes para manter suas margens.

Ficar no topo sempre é difícil!

No post vaidade-ou-necessidade, disse que esperaria alguns dias para me posicionar sobre o euro: ...a possibilidade de queda abaixo de 1,045 pode estar acontecendo. Como tática, vou aguardar os próximos dias e verificar se o euro rompe o nível apontado no gráfico como importante, e aí sim nos aventuramos na venda...
Mesmo não tendo confirmado completamente que o movimento de queda abaixo de 1,045 se iniciou, vou arriscar um trade. Quando existe um rompimento de uma reta de suporte, é provável que os preços tendam a retornar a este ponto e depois cair, o que se chama em análise técnica last kiss. É nessa hipótese que vou montar a estratégia de venda de euro: 50% a 1,1130, 50% a 1,1200 e stoploss a 1,1280.

Quero deixar registrado que não vou ficar nem um pouco vermelho se formos stopados, e o euro voltar a subir, existe elementos técnicos para tanto. Entretanto, ainda é mais provável a queda, e a confirmação viria abaixo de 1,0890. Mas risco é risco, e certeza só quando passarmos para outra vida, aqui na terra tudo tem risco. O que diferencia é não assumir risco sempre, como se fosse uma roleta, mas sim, quando as suas chances são maiores de acerto.

O SP500 fechou a 2.079, com queda de 0,48%; o USDBRL a R$ 3,8548, com alta de 0,14%; o EURUSD a 1,0996, com alta de 0,18%; e o ouro a US$ 1.141, com queda de 0,34%.

A principio não haverá publicação do Mosca na próxima segunda-feira, a não ser que algo importante aconteça. Bom feriado!
Fique ligado!

29 de outubro de 2015

"Look Well"

No post de ontem fiz um relato das mudanças que ocorrem com os jovens nos USA e também na Inglaterra. Os estudos apontaram como principais motivos a situação financeira a que esse grupo está sujeito atualmente. A dívida contraída para seus estudos, bem como as dificuldades no mercado de trabalho.

Hoje pela manhã recebi alguns dados que esclarecem esta situação. Ontem levantei a hipótese que os custos das Universidades seriam as causas do aumento dessas dívidas. Pelos dados a seguir, é plausível, uma vez que, desde 1971 os custos dobraram. Porém, neste mesmo período, a contratação de dívidas subiu aproximadamente 750%. Esses parâmetros nos levam a concluir, que o financiamento estudantil foi contraído para sustentar outras despesas que no passado não eram necessárias.

O mês de outubro não está sendo muito bom para os alemães, depois do escândalo da Volkswagen, o Deutsche Bank anunciou um corte de 35.000 funcionários. O motivo foi um prejuízo de 6 bilhões de euros, somente para os resultados do 3º trimestre. Para quem acompanha o Mosca desde o início não deve ser surpresa, pois no post está-na-hora-de-procurar-outra-vaca, fiz meus comentários do porque eu acreditava que o boom do setor financeiro estava fadado a terminar diminuindo as oportunidades de emprego.

Sobre a decisão do FED ontem, ao aventar a hipótese de elevar os juros em dezembro, o comitê criou uma obrigação perigosa. Se os dados a serem publicados de agora até a próxima reunião forem muito melhores, é quase certo que a alta virá. Agora, e se não vierem tão bons assim? Não subirão os juros e isso pode ser visto pelo mercado como uma mudança de estratégia. A decisão de manter os juros em setembro foi apresentada como uma mera postergação - o mercado estava em dúvida, assim foi prudente não agir. Não subir em dezembro, poderá ser visto como um indicador que a visão do FED sobre a economia mudou. Acho que teria sido melhor não ter dado essa orientação.

Hoje foi publicado o PIB do 3º trimestre americano e, embora os analistas estivessem esperando 2% a.a., o resultado foi de 1,5% a.a. Já, numa comparação em bases anuais, chega-se a 2% a.a., um nível muito inferior ao que se espera.
Como a ilustração acima aponta, o consumo foi bem, cresceu 3,2%, e os investimentos residenciais 6,1%, o que consolida uma boa demanda doméstica. Já os investimentos não residenciais tiveram uma leve queda de 0,11%, e a balança comercial também subtraiu uma pequena porção do crescimento, contestando a teoria que o dólar forte é um dos problemas da indústria americana.

Mas qual foi o vilão que puxou para baixo?

Quando alguém começa uma frase com as palavras "veja bem", já se sabe que vem uma explicação para algo que não saiu como o esperado. Sugiro uma tradução literal para o inglês. Look Well, o que causou a queda de 1,44% foram os estoques, que tinham se elevado muito no trimestre anterior. Assim, não é tão grave, uma vez que esse fenômeno  não deve ocorrer daqui em diante.

Não sei se é bem o caso, pois no gráfico a seguir pode-se observar a evolução dos estoques nos últimos anos, e os níveis atuais não são necessariamente baixos. Nem estou mencionando os anos após a recessão de 2008. Assim, é melhor incorporar esse termo - Look Well, para ser usado no futuro.

No post chineses-copiam-know-how-brasileiro, comentei que se o SP500 ultrapassasse 2.020, as perspectivas para a bolsa serão de alta:...dois níveis do SP500 que mereciam especial atenção: o que indicaria alta da bolsa 2.020 e baixa 1.865... ...Reitero as mesmas recomendações passadas, enquanto não houver uma ruptura para cima ou para baixo, este intervalo é de indefinição... 
- David, agora você embarca numa compra?
Sabia que você viria com essa cobrança. Usando meu novo repertório, Look Well! Hahahaha... 

Tecnicamente, precisa esperar o rompimento de 2.135 - Pivô. Não deverá ser fácil, é uma região que encontrou resistência forte, como aconteceu durante esse ano. Mas se romper, e não for "falso", vamos às compras. Enquanto isso, o que anotei em roxo pode ser uma possibilidade, a do índice estar completando uma maldita onda B. O momento seria propício, no sábado comemora-se Halloween, pode ser efeito da bruxa! Hahahaha...

O SP500 fechou a 2.089, sem variação; o USDBRL a R$ 3,8494, com queda de 1,5%; o EURUSD a 1,0976, com alta de 0,56; e o ouro a US$ 1.145, com queda de 0,89%.
Fique ligado! 

28 de outubro de 2015

Não é igual do seu tempo

Quem é pai e nunca ouviu a frase de seu filho quando ele quer fazer algo que não concordamos: "Isso não é igual do seu tempo!". Não perca por esperar, um dia irá acontecer. Depois dos meus filhos terem crescido consigo entender melhor a razão dessa reação dos jovens. No meu ponto de vista, existem duas possibilidades, a primeira é que a razão dessa "revolta" é porque querem adquirir identidade própria, buscam "destruir" a imagem do pai, e a segunda é que é diferente mesmo.

Vou dedicar o post de hoje a mostrar algumas mudanças importantes que vem acontecendo na sociedade moderna, e que poderão ter impacto nos negócios e oportunidades futuras. Infelizmente as estatísticas são produzidas no exterior, não havendo pesquisas locais, entretanto podem ser úteis mesmo assim.

Os jovens americanos sempre foram muito independentes, é uma atitude cultural, uma vez que, nem sempre as Universidades estão localizados nos grandes centros. Por isso, já aos 18 anos, eles se deslocam para outras cidades a fim de obter um diploma universitário. Ao término buscam empregos que, normalmente implica em morar longe de sua família. Em 1999, apenas um quarto dos jovens americanos, moravam com seus pais. Em 2013 esse número dobrou, assim metade desses jovens estão sob mesmo teto que seus pais.

Um estudo efetuado por duas economistas, identifica os principais fatores para essa mudança: elevado nível de dívidas relacionada aos estudos, poucas oportunidades de trabalho e incerteza sobre o mercado imobiliário.

Em relação ao emprego a pesquisa revelou que ao se iniciar uma carreira, normalmente eles precisam de mais tempo na transição dentro do mercado de trabalho. Isto é refletido no nível mais elevado de desemprego na faixa etária entre 21 - 27 anos. Desta forma, eles começam a trabalhar em empregos de baixos salários e lentamente migram para as posições com melhores salários.

Já em relação ao mercado imobiliário, como são suas primeiras compras, eles não têm a possibilidade de se aproveitar da valorização dos imóveis, que ocorreu depois da crise de 2008, além do fato de carregarem elevadas dívidas estudantis. Estes fatores dificultam a obtenção de financiamentos.

Uma outra pesquisa feita pelo Bank of América, com jovens entre 25 - 34 anos identificou quais são suas principais prioridades:
  • 70% querem se livrar das dívidas.
  • 63% disseram que ter uma poupança emergencial é a principal prioridade.
  • 62% disseram que gastar menos do que ganham é sua prioridade.
Do ponto de vista de investimentos os resultados são mais surpreendentes.
  • 72% enxergam que investir não é uma maneira de que sua família atinja seus objetivos financeiros.
  • 50% concordaram que o que você ganha investindo não compensa o risco de perder dinheiro.
  • 67% concordaram que investir é como jogar.
  • 70% têm suas poupanças em investimentos de curtíssimo prazo.
Quando eu estava na Linear e conversava com os clientes para definir um portfólio que mais se adequava a suas caraterísticas, a idade era um fator fundamental. Se era uma pessoa jovem, eu sugeria maior risco. O motivo é que se desse errado teria mais tempo para recuperar. Ao contrário, se fosse mais velho, quase que obrigava a ativos mais conservadores. A pesquisa acima mostra o contrário, uma geração de jovens inseguros, com medo. 

Agora mais chocante é o que vem se popularizando entre as jovens inglesas do sexo feminino. Uma forma de enfrentar as dívidas estudantis, como reportado pelo canal sky news ..."thousands of British students are funding their way through university on so-called "Sugar Daddy" websites"... Elas estão conseguindo US$ 3.000 por mês com esses "arranjos", para pagar suas dívidas estudantis e viajar mais. Isso não seria uma prostituição disfarçada?

Embora, a proprietária do site seekarrangment.com tenha dito que é um site sem este intuito, uma entrevista feita com um suggar daddy de 62 anos, mostrou o contrário: ..."sexo é parte integral do site"...

Algum empresário do ramo da tecnologia poderia lançar o Sugar Mamy, afinal porque este "privilégio" somente para as jovens do sexo feminino?

Será que é esse o preço a se pagar para obter uma qualidade de estudo que permita ser competitivo no mercado de trabalho atual? Os preços das mensalidades destas Universidades extrapolaram as condições dos alunos? 

Como de costume, estou escrevendo o post pela manhã, e hoje tem reunião do FOMC. Dependendo do resultado posso incluir algumas linhas ao final. A análise hoje é sobre o ouro, do qual temos uma posição comprada em andamento. No último post marte-ou-vénus, fiz os seguintes comentários: ...Depois de atingir a máxima de US$ 1.190 na semana passada, nestes últimos dias o ouro está num processo de consolidação. Caso ultrapasse novamente a marca acima, a grande batalha será no nível de US$ 1.230...
O ouro hoje pela manhã estava se comportando diferente dos últimos dias, subindo US$ 13. Isso é , de certa forma, surpreendente, considerando que a tarde tem um evento importante, que poderia modificar esse rumo  - insiders? nem pensar! Não teria muito a acrescentar, uma vez que as flutuações de preços estão baixas. Entretanto caso o metal negocie acima de US$ 1.190, podem alterar o stop para US$ 1.155.

O FED anunciou que não vai alterar os juros, isso era mais do que esperado, porém informou que não está mais preocupado com os desenvolvimentos internacionais, leia-se deflação. Além disso, deixou explicitamente aberta, a porta para aumentar os juros em dezembro. Como esse comunicado pegou o mercado sem acreditar nestas possibilidades, alguns ativos reagiram imediatamente, especialmente o euro e o ouro, que acabou devolvendo a alta da amanhã e mais um pouco. Mantenha o mesmo stoploss de US$ 1.130.

O SP500 fechou a 2.090, com alta de 1,18%; o USDBRL a R$ 3,9058, com alta de 0,49%; o EURUSD a 1,0915, com queda de 1,20%; e o ouro a US$ 1.155, com queda de 1,00%.
Fique ligado!


27 de outubro de 2015

A loira que está chacoalhando o FED

Quando eu estava na faculdade, dizia-se que ou uma mulher era bonita ou estudava engenharia. A razão era que naqueles tempos poucas mulheres optavam por esta carreira. No dia a dia do campus, não se via estudantes do sexo oposto. Imaginem que num ambiente com 600 marmanjos de vinte e poucos anos, com os hormônios no limite de alta, o que acontecia se aparecesse uma "gata".

Certa vez, numa aula de Cálculo diferencial III, ministrada no anfiteatro da Poli, mais conhecido como "cirquinho", eu estava sentado no centro da sala compenetrado. Eis que de repente ouço: "Entra, entra, gostosa..." Como existiam portas na parte inferior e superior deste ambiente, virei minha cabeça e vi minha namorada na porta superior. Ela era uma moça loira bonita, mas dado o que expliquei acima, foi vista como se fosse a Miss Brasil! Daí em diante não tive mais sossego, meus colegas ficavam implorando para que eu a trouxesse mais vezes!

Parece que algo semelhante aconteceu no FED. A Presidente do FED de Oregon, Lael Brainard, proferiu um discurso alguns dias atrás no National Association of Busniess Economists. E como reporta um jornalista, foi uma bomba, ao desafiar Janet Yellen e Stanley Fisher. "Este foi um dois mais emocionantes que eu tive notícia. Não necessariamente pelo seu conteúdo, mas pela política". Evans e Kocherlakota não são mais os únicos malucos. Isso pode ser uma real mudança dentro do FED, no sentido de maiores adeptos da visão de Evans, que advoga nenhuma alteração nos juros até a metade de 2016".


Vocês podem verificar pela foto, a nova diretora é uma mulher jovem e bonita, e muito diferente do que se podia esperar neste ambiente. Como no caso que descrevi acima, no FED parece que vale a mesma frase que se usava na Poli. Será que os "marmanjos" de lá, ao verem ela entrar na sala, gritaram "entra, entra,..." Ahahaha...


Como já havia mencionado, amanhã termina a reunião do FED e não se é esperado nenhuma mudança nos juros. Enquanto a maioria dos economistas (64% %) acreditam que dezembro é a data, o mercado não compartilha da mesma opinião (35%). Enquanto este é o maior ciclo na história americana sem uma alteração dos juros , também é o com menor crescimento após o período de recessão.
O FED disse que elevarias as taxas de juros depois de mais progresso no mercado de trabalho, e quando os membros ficassem mais razoavelmente "confiantes" que, a inflação estaria tendendo para seu objetivo traçado de 2% a.a.
Mas eles ainda estão divididos sobre o que significa progresso no emprego, bem como, confiança na direção da inflação. 
A responsabilidade de administrar os vários pontos de vista dentro do banco central recai sobre Janet Yellen, que é esperado, crie um consenso. Mas a nova participante parece que está colocando as manguinhas de fora, e pode ser que, pelo seu porte físico, esteja ganhando mais adeptos da manutenção dos juros. A carne é fraca! Hahahaha...

O mercado de trabalho perdeu um pouco de seu ímpeto nos meses recentes.

Parece que a economia americana está num ponto de inflexão, o que complica a situação dos membros. Esse fenômeno diminui a velocidade de melhora no mercado de trabalho. Entretanto, como a taxa de desemprego está próxima da taxa natural, estimada pelo FED, essa desaceleração pode ainda ser suficiente para garantir uma alta dos juros em dezembro.

Os analistas convencionaram um intervalo para justificar ou não essa ação (alta dos juros). Um resultado nos próximos dois meses ao redor de 200.000 vagas os tornariam confiantes do movimento, em contrapartida, ao redor de 100.000 empurrariam a decisão para 2016, e uma área cinzenta para 150.000.

Hoje a análise de mercado será sobre o real. No post indigestão-creditícia, fiz os seguintes comentários: ...Não teria muitas observações a fazer dentro do que já escrevi, uma alta do dólar no curto prazo até R$ 3,98/4,05, seguido de um novo movimento de queda, levando as cotações aos níveis apontados adiante (no médio prazo)... ...O primeiro intervalo - cujo objetivo é de R$ 3,40/3,50, e o segundo - R$ 3,10/3,20...
Desde a última postagem, no front político não houve nenhum grande lance, exceção as notícias de ontem, onde a empresa do filho do ex-Presidente Lula sofreu uma operação de busca e apreensão. Segundo fontes, ele ficou indignado e responsabilizou Dilma. De acordo com seus aliados, Lula estaria mais convencido de que Dilma permite investigações sobre ele para preserva-lá. A sua reação gera mais desconfiança ainda, pois ou está querendo dar uma de "protetor", ou com receio que seu filho, inexperiente, possa dizer: "foi meu pai que mandou". 

Outra forma de analisar nossa moeda é compará-la com a performance relativa a seus pares, o que venho fazendo durante 2015, pois é o tema do Mosca.
Está claro que o efeito "Dilma" predominou neste ano, as anotações em verde deixam isso claro. O nível de taxas de juros não foi suficiente para dar nenhum refresco, o real caiu consistentemente. Nem em relação ao rand sul-africano, onde a taxa de desemprego atingiu a marca de 25%! 

Em relação ao 'dólar - dólar', postei os seguintes comentários e gráfico sobre o DXY dinheiro-não-recebe-ordens,...O nível de 92 foi atingido conforme anotei no gráfico, assim do ponto de vista técnico, estaria pronto para voltar a subir. Mas a correção pode ainda continuar mais um pouco, pois correção é correção!...
Na semana passada, depois do Super Mário praticamente dizer "vendam euros", e como o DXY (dólar index) é composto por aproximadamente 60% da moeda única, o dólar subiu e encontra-se num ponto importante de definição.
Como mostra o gráfico acima, para considerar a possibilidade de uma queda, deveria acontecer rapidamente. O terreno só fica aberto para novas altas acima de 100,5. Até lá, uma queda ainda é possível porém com chances menores.

O SP500 fechou a 2.065,89, com queda de 0,26%; o USDBRL a R$ 3,8868, com queda de 0,48%; o EURUSD a 1,1048, sem variação; e o ouro a US$ 1.166, com alta de 0,34%.
Fique ligado!

26 de outubro de 2015

Um dos gêmeos passa bem

Eu tenho filhos gêmeos que são bivitelinos, ou seja, não são idênticos. Hoje são jovens adultos e cada um leva sua vida de forma independente. Quando eram pequenos, tinham que competir pela atenção dos país da mesma forma como se fossem irmãos comuns, mas certamente não é a mesma coisa. No meu caso, como são de sexos opostos, as histórias, ou talvez lendas, que quando um estivesse passando por um perigo, o outro sentiria, não aconteceu.

Em economia denomina-se como déficits gêmeos, quando um país tem déficit fiscal e déficit na balança de pagamentos. Segundo a teoria, existe uma relação de causalidade entre eles. Essa vinculação é objeto de desacordos entre os economistas e, apesar da existência de inúmeros estudos empíricos e teóricos sobre o assunto, os resultados permanecem inconclusivos.

Do ponto de vista teórico, o argumento que déficits fiscais empurram as transações correntes para situações também deficitárias, é desenvolvido a partir da seguinte fórmula macroeconômica:

                                                                   CC ≡ SN – I

Onde CC indica o saldo em conta corrente, I o investimento e SN representa a poupança nacional, que engloba a poupança do setor privado e a do governo.

O racional por traz desta fórmula é que, no equilíbrio macroeconômico o investimento se iguala à soma das poupanças nacional e externa. Assim, o excesso de gasto público ou a redução das arrecadações tributárias, geram uma redução da poupança do governo que, quando não é devidamente compensada por um aumento da poupança privada doméstica, resulta na necessidade de absorção da poupança externa, criando um déficit nas contas externas.

Depois desta breve explicação teórica, acredito que seja desnecessária alguma comprovação empírica destes conceitos aqui no Brasil. O principal motivo foi a manipulação dos dados do governo nestes últimos anos, agora assumidos por ele próprio, através das "pedaladas fiscais", o que acarretou numa distorção dos dados públicos.


Dentro dos métodos adotados para avaliação das contas de um país, situações em que se têm déficits duplos, são consideradas preocupantes, e esse é o caso do Brasil atualmente. Acontece que a situação externa vem melhorando nestes últimos meses e não vejo que tenha ganhado grande destaque nos noticiários.

Na última sexta-feira, o BC divulgou as contas externas sob a nova metodologia desde 2010. Em setembro, as transações correntes apresentaram déficit de US$ 3,1 bilhões, sensivelmente inferior a que vinha acontecendo. só para se ter uma ideia, em 2014 no mesmo mês o resultado foi um déficit de US$ 8,4 bilhões.

Acumulou nos últimos 12 meses um saldo negativo de US$ 79,3 bilhões, equivalente a 4,18% do PIB.

É uma queda de 25% do pico atingido no final do ano passado de US$ 104 bilhões. Como estas contas são em moeda estrangeira, não existe "Foreign pedals" ! Hahahaha...

Este resultado foi possível pela redução dos déficits das três grandes contas: Balança comercial com superávit em setembro de US$ 2,6 bilhões; Conta de serviços com despesas líquidas de US$ 2,9 bilhões, redução de 37% quando comparadas com 2014. Destaque para viagens internacionais com recuo de 60% em relação a 2014, o Mickey está em prantos; e a Conta de rendas com despesas de US$ 3,0 bilhões, que se mantiveram estáveis em relação a 2014.

Para financiamento deste déficit, os investimentos diretos foram de US$ 6,0 bilhões, e nos últimos 12 meses US$ 72 bilhões, quase sendo suficiente para cobrir o déficit. Já os investimentos em carteira totalizaram US$ 1,8 bilhões, esta moderação é reflexo da crescente deterioração das perspectivas econômicas e políticas.

As reservas internacionais mantiveram-se estáveis em US$ 370 bilhões, o que pode-se considerar quase que um "milagre", haja visto tudo que vem acontecendo por aqui, além da forte alta do dólar contra o real.

Minha conclusão é que este "gêmeo" do déficit duplo, vem melhorando significativamente, afinal os medicamentos necessários para isso, a desvalorização cambial, foram aplicados com doses excessivas, mas está funcionando. Já o outro gêmeo não está nada bem, pois os medicamentos necessários para sua melhoria dependem de ações do governo que se encontra amarrado.

Diferentemente do déficit externo, onde a desaceleração econômica tende a ter efeitos positivos, no caso do déficit fiscal diminuem as receitas de arredação. Resta assim, ou o aumento de impostos ou corte nas despesas. O primeiro parece não haver vontade política para passar projetos como a CPMF, e a diminuição nas despesas bate na constitucionalidade de sua execução.

Mas será que uma diminuição no ímpeto de implementar um processo de impeachment pode proporcionar uma trégua política, e os investidores estrangeiros enxerguem uma oportunidade de investir aqui, nesses preços de liquidação? Quem sabe!

Os juros de 10 anos estão tão indefinidos, como qual será o time que vai ocupar a última vaga do Brasileirão, e que dá direto a um lugar na disputa pela Taça Libertadores do próximo ano. Existem seis times que tem uma diferença de três pontos entre si, sendo que três deles tem o mesmo número de pontos.

No post A-yellen-levou-um-susto-no-metro, fiz os seguintes comentários: ...se nos próximos dias os juros romperem este nível para baixo, aumentam a chance de atingirem níveis históricos de baixa, ou seja, abaixo de 1,63% a.a.... Porém não foi o que aconteceu, os juros subiram levemente e estão a 2,06%.

Eu apontei no gráfico dois pontos que podem dar uma pista de onde os juros poderão ir. Para cima o rompimento de 2,20% pode fazer com que, o mercado teste os 2,4% , ou abaixo de 1,90%, eles tentariam o teste de 1,63%. Mas parece que em algum momento, não muito distante, deve-se ter uma direção mais clara.

A comparação que fiz acima com o futebol não deve ser muito diferente, ao se fazer uma pesquisa com torcedores ou os membros do FED, estes últimos, para onde irão os juros. Cada membro puxa a sardinha para seu lado, lógico que não existem tantas opções para eles, na verdade três: vai cair, ficar por aí e subir. Nesta quarta feira, teremos a reunião do FED e não se espera mudanças nos juros, mas algumas palavras aqui, e outras acolá, podem levar o mercado para uma direção. Melhor assistir o Brasileirão, que tem data fixa para terminar! Vamos Santossssssssssss....

O SP500 fechou a 2.071, com queda de 0,19%; o USDBRL a R$ 3,9057, com alta de 0,68%; o EURUSD a 1,1049, com alta de 0,32%; e o ouro a US$ 1.162, com queda de 0,10%.
Fique ligado!

23 de outubro de 2015

Vaidade ou necessidade?

Quanto mais tempo se vive, mais entendemos as características dos seres humanos. Por exemplo, outro dia li uma estatística que identifica uma alta incidência de psicopatas como políticos. No Wikipédia este comportamento humano é assim definido :  ..."é a designação atribuída para um indivíduo com um padrão comportamental e/ou traço de personalidade, caracterizada em parte por um comportamento antissocial, diminuição da capacidade de empatia/remorso e baixo controle comportamental ou, por outro, pela pertença de uma atitude de dominância desmedida."(destaque meus).


Por exemplo, vejam o caso do Presidente do Congresso que nega veementemente documentos que contém sua assinatura. Imagino que o comportamento de qualquer outra pessoa em situação semelhante seria muito diferente da dele.

Outro conceito em psicologia que pode-se identificar em pessoas de sucesso é o narcismo, cuja definição é o amor de um individuo por si próprio ou por sua imagem...”Um indivíduo com Transtorno da Personalidade Narcisista se acredita superior, especial ou único e espera ser reconhecido pelos outros como tal"... ... "Os indivíduos com este transtorno geralmente exigem admiração excessiva"”...

- David, espere um pouco, o seu blog mudou de acertar na Mosca para acertar na Psique? Hahaha...
Está bem, entendi o recado! A introdução de hoje é para comentar sobre as colocações feitas pelo "Super Mário" ontem. No post psicologia-sobre-o-futuro, fiz os seguintes comentários: ..."restaria ao super Mário diminuir ainda mais os juros do euro, para que o dólar subisse. Mas quanto mais pode ele diminuir?"...

Parece que ele leu o Mosca e reagiu de uma forma inesperada pelo mercado, abrindo a porta para novos estímulos. Leia-se como novos helicópteros "turbinados". Veja suas declarações: ...“It was not a wait-and-see, but it was a work-and-assess,”… …”“We are ready to act if needed, we are open to a whole menu of monetary policy instruments.”… E não terminou por aí, ainda definiu que o grau de acomodação na política monetária terá que ser reexaminada na próxima reunião de dezembro, o que surpreendeu os analistas, uma vez que, é muito difícil uma autoridade monetária se comprometer com uma data.

Acho que não daria para ser mais explícito, pois as suas palavras poderiam ser substituídas por: venda euro que eu garanto. E foi o que aconteceu, a moeda única levou um tombo de 2% ontem e continua a cair hoje, os juros dos títulos governamentais europeus de alguns países do Club Med, romperam a barreira do 0%, para se tornarem negativas.
Mas será que era necessária tal ação? Como os números vêm apontando, a Europa melhorou a atividade econômica muito mais do que seria esperado, é verdade que, nos últimos meses houve uma pequena desaceleração, mas quem não desacelerou? Em termos de nível de inflação, é um problema geral no mundo atual, todas beirando o 0%, lógico que não é o caso do Brasil! Outra hipótese é que ele estaria enxergando algo que o mercado não está. Se é este o caso, o FED estaria na maior contra mão da história, ao subir os juros.

Resta a última hipótese, que ele estava muito abandonado nesses últimos meses e precisava criar um fato para voltar os holofotes sobre si. O cargo de Presidente de um banco central propicia um poder enorme para quem exerce, quase como quem joga poker sem limite de fichas, situação essa, ideal para indivíduos com atitudes narcisistas.

Tenho a impressão que passados oito anos da recessão, os bancos centrais dos países desenvolvidos perderam o receio que a emissão de moeda poderia gerar problemas inflacionários. A cada vez que um aumenta seu programa, depois de um tempo é seguido por outro, a fim de evitar que a economia daquele país se desacelere. Entretanto, o problema foi o excesso de dívida acumulado nestas últimas décadas, e onde o incentivo a aumentar o consumo através de novos créditos, não está funcionando. O que acaba acontecendo é a valorização dos ativos de forma artificial.

Aquele famoso ditado: "Água mole em pedra dura tanto bate até que fura", pode ser o final dessa farra monetária implementada pelos BC's ao redor do mundo, até que um processo inflacionário surgir com consequências dramáticas. Ah, antes que eu me esqueça, a China anunciou uma diminuição dos juros em 0,25%, depois do fechamento do seu mercado. 

No post psicologia-sobre-o-futuro, comentei que o euro estava sem "graça" e aventei a hipótese de se comprar quando atingisse a linha cinza inferior, apontada no gráfico. Porém sempre deixei claro que estávamos operando uma correção, pois uma nova queda abaixo do mínimo alcançado em março deste ano, era esperada o-mercado-desafia-o-fed ...a correção que eu esperava até 1,18, pode ser abortada e abre novamente a possibilidade do euro voltar a cair abaixo das mínimas de 1,045. Meu comentário visa prepará-los para qualquer cenário, e não ficarem imaginando que tenho alguma predileção pelo cenário de alta. Como sempre frisei, a ideia é que o euro ainda está em queda e teríamos uma chance de pegar uma carona na alta...
A linha cinza mencionada acima, foi rompida e não me aventuro a fazer uma compra especulativa agora. Do ponto de vista técnico, a opção de alta que eu estava esperando ainda existe, com menos chance é claro. O que aconteceu de diferente é que a possibilidade de queda abaixo de 1,045 pode estar acontecendo. Como tática, vou aguardar os próximos dias e verificar se o euro rompe o nível apontado no gráfico como importante, e aí sim nos aventuramos na venda. 

Vou aproveitar para colocar mais uma característica das correções, além de não se saber como será sua evolução, também não se sabe quando ela termina, e é esta a dúvida que existe no euro neste momento. Vender euro hoje é como "bater pênalti sem goleiro", como diria um ex-sócio. mas eu acrescento uma dúvida, depende de quem está batendo pode chutar na arquibancada, que neste caso seria uma surpresa na reunião do FED na próxima semana. Até lá, até meu cachorro marca o gol! Hahaha....

O SP500 fechou a 2.075, com alta de 1,10%; o USDBRL a R$ 3,8972, com queda de 0,72%; o EURUSD a 1,1016, com queda de 0,98%; e o ouro a US$ 1.163, com queda de 0,15%.
Fique ligado!

22 de outubro de 2015

Chineses copiam know how brasileiro

A China é conhecida como o país que copia os produtos importados. Mesmo depois de evoluir em muito a qualidade de seus produtos, aprendendo com a mudança das plantas de várias multi-nacionais para aquele país, ainda mantém esta imagem. É esperado que os produtos ou ideias copiadas sejam originalmente de países mais desenvolvidos, mas nem sempre é o caso, como veremos a seguir.

Uma declaração feita esta noite por um represente sênior Chinês, Wang Xiaoyi, minimizou os temores sobre as saídas financeiras recentes. Eles continuam confiantes em manter as saídas e entradas internacionais equilibradas no futuro, em virtude de uma perspectiva econômica positiva. "As mudanças atuais nos fluxos de capital são normais, o que não deve ser considerado como fuga de capitais".

A autoridade disse que iria reforçar o controle do fluxo de capitais, enquanto estuda medidas que inclui: taxas nas transações de câmbio e taxa Tobin para evitar grandes transações de curto prazo entre fronteiras. Hummm...

Na maioria das vezes que uma autoridade cambial vem a público para dizer que está tudo bem, não está. O fato de estudar taxações também é, de certa forma, suspeito, pois ou o fluxo é livre ou não é.

No post si-es-pt-yo-soy-contra, comentei que os dados cambiais de setembro da China tinha apresentado melhoras: ...tiveram uma queda de US$ 43 bilhões em setembro, comparados com um consenso de US$ 57 bilhões e um recorde em agosto de US$ 94 bilhões...

Existe certa desconfiança nas informações governamentais. Parece que as autoridades prezam em demasia a imagem a ser passada ao exterior, de que a economia está sempre bem. Juntando as duas coisas, copiar ideias dos outros e ficar bem na foto, foi o que motivou o BC Chinês a incentivar as operações de swap cambial. Já ouviram falar neste instrumento? 

No gráfico a seguir, têm se a nítida noção de como a demanda se alterou desde 2015, onde o governo passou de comprador de dólares (vendedor de Yuan) para vendedor de dólares (comprador de Yuan).
 Assim, como no caso brasileiro, está contratado uma saída potencial de dólares para o futuro, que pode ou não se materializar, pois depende dos motivos que levaram as pessoas a fechar estes contratos. Como já havia comentado, se esses contratos foram feitos com estrangeiros que querem liquidar seus investimentos na China, a situação não é tão grave, pois por outro lado, esse país acumula quantias consideráveis em sua balança comercial, que poderão fazer frente a estas saídas. Se por outro lado, foram os chineses que buscam diversificar seus investimentos por algum tipo de receio interno, as coisas ficam mais complicadas.

Mas se o último cenário prevalecer, sugiro às autoridades chinesas que façam um acordo com o Brasil. Programas como: pedalada fiscal; Operação Lava-Jato e tantos outras, são corriqueiros por aqui, com um longo track record de resultados! Hahaha...

No post de ontem psicologia-sobre-o-futuro, aventei a hipótese de estar influenciado pela minha idade: ...Por outro lado, fiz uma reflexão de como era o mundo em 1985 e como é hoje. Minha conclusão, eu confesso pode estar enviesada  pela passagem do tempo... Hoje recebi a pesquisa que não confirmam minha desconfiança, pois parece que todas as faixas etárias preferem voltar para 1985, exceção aos jovens, que não viveram aquele momento.
No post si-es-pt-yo-soy-contra, fiz os seguintes comentários sobre o SP500: ...perspectivas no curto prazo: ...dois níveis do SP500 que mereciam especial atenção: o que indicaria alta da bolsa 2.020 e baixa 1.865... ...Reitero as mesmas recomendações passadas, enquanto não houver uma ruptura para cima ou para baixo, este intervalo é de indefinição. Estas situações existem diariamente, vários mercados devem estar com movimentos que indicam indefinição como essa. Porém, no caso do SP500 é um pouco diferente, pois no caso de uma ruptura para baixo, a queda pode ser mais expressiva...
Nesta semana esse índice buscou romper o nível de 2.020 que eu havia mencionado. Porém ontem, antes do fechamento retornou a esses limites. Será que eles tinham inside information que o Mosca iria comentar hoje, ou resolveram seguir as minhas recomendações de cautela? Hahaha... Nenhum desses argumentos, a razão é análise técnica.

Da mesma forma que houve uma recuperação dos preços mínimos antes do rompimento para baixo, o mesmo pode estar acontecendo na parte superior, e enquanto esse nível não for rompido con gusto, ficamos de espectador. Não se pode esquecer que, na próxima semana tem reunião do FED, bem como a publicação do PIB do 3º trimestre que, diga-se de passagem, a estimativa dos analistas, não bate com a previsão do FED de Atlanta, veja abaixo.
Se o número a ser publicado for o do mercado, que reduziu durante o trimestre, será encarado positivamente pelo mercado. Mas se o pessoal de Atlanta estiver correto, e a publicação aponte algo como 0,9%, vai ser um banho de água fria no mercado.

O SP500 fechou a 2.052, com alta de 1,66%; o USDBRL a R$ 3,9073, com queda de 0,83%; o EURUSD a 1,1111, com queda expressiva de 1,99%; e o ouro a US$ 1.165, com queda de 0,10%.
Fique ligado!

21 de outubro de 2015

A Psicologia e o futuro

Todos nós gostaríamos de saber como será o mundo no futuro. Para os que atuam no mercado financeiro isso pode significar sua independência financeira. Eu costumava perguntar a meus sócios quando estava na Tendência, se tivessem que escolher somente um ativo, para saber qual o seu preço daqui a uma ano, qual seria sua opção. Era interessante a discussão, pois cada um buscava aquele, que desse maiores indicações de outros ativos - por exemplo, se a escolha fosse o SP500, poder-se-ia imaginar qual deveria ser a cotação do marco alemão (não existia o euro), os juros dos títulos de 10 anos e etc...

Na verdade aceitaríamos qualquer previsão, mesmo se fosse do preço da bolinha de gude, bastaria ter um mercado futuro para operar. Nessa divagação, depois de algum tempo chegamos à conclusão que isso de nada valeria, pois bastaria que vários investidores tivessem acesso a essa informação para que o preço futuro fosse igualzinho a previsão, gerando lucro zero para todos.

Mas esse assunto fascina e no fundo quando alguém se dispõe a arriscar palpites sobre como será o futuro, por um minuto, faz-se uma especulação do que isso pode significar em sua vida.

Hoje, foram publicadas diversas matérias comparando o que o diretor do filme produzido em 1985, Back to the Future II, imaginou seria o dia de hoje. Para quem assistiu ao filme deve lembrar-se que o painel do carro indicava essa data. Sem buscar elencar se o que foi previsto aconteceu ou não, o que é mais interessante é como esse fato tornou-se popular. Não sei quem colocou em sua agenda para lembrar-se, mas fiquei surpreso com a quantidade de noticiários que mencionou o assunto. Por exemplo, a BBC publicou uma matéria comparando o que deu certo e o que deu errado.

Confesso que fui tentado a arriscar como seria o mundo em 21/10/2045, mas como a probabilidade de eu poder verificar é decrescente no tempo, achei que não valia a pena, e também, o Mosca não está com essa bola toda! Hahaha... Por outro lado, fiz uma reflexão de como era o mundo em 1985 e como é hoje. Minha conclusão, eu confesso pode estar enviesada  pela passagem do tempo, pode ser resumida numa frase: Éramos mais felizes naqueles tempos. Sem tanto consumismo, nem pressão, vivia-se melhor a vida. Acho que vou procurar o Dr. Emmett Brown, para me levar de volta para 26/10/1985, assim poderia viver um pouco mais aquela época e evitar os erros que cometi.

Voltando a realidade, hoje foi publicada a inflação do mês de outubro que ficou em 0,66%, a taxa anual subiu para 9,8% a.a., centésimos distante dos dois dígitos. Os principais vilões foram os reajustes da gasolina, alimentação e habitação pelo aumento do gás de botijão. Com o reajuste dos preços administrados exercendo ainda grande pressão no índice, é importante o acompanhamento do índice de difusão, bem como a evolução dos preços livres. Como a tabela abaixo mostra, ambos ficaram estáveis, o primeiro ao redor de 67% e o segundo em 7,65%. Isso dá um certo alento que a inflação até o momento não parece estar em total descontrole, e sim elevada.
No gráfico a seguir fica mais clara a afirmação acima, os preços administrados ainda não terminaram sua rodada de reajustes, imputando forte influência no índice geral. Por outro lado, os preços livres encontram-se estáveis desde dezembro de 2012. A Rosenberg trabalha com uma projeção de 6% a.a. para o final de 2016, porém não se pode relevar que uma boa parte da desvalorização do real não foi repassada aos preços, consequência da recessão atual. Outro fator de distúrbio pode acontecer por eventuais problemas de uma desaceleração da China.

E o nosso amigo euro como vai? Não vai! No post o-fed-mostra-as-cartas, fiz os seguintes comentários: ...O euro está seguindo o que se chama em análise técnica, um movimento considerado positivo. O motivo é que os pontos mais altos são sempre superiores aos anteriores (vermelho) e os pontos de baixas acima dos anteriores (verde). Se alguém quiser fazer uma aposta, eu compraria próximo da linha cinza paralela inferior, e venderia na linha cinza superior. Acho um pouco enfadonho, prefiro voltar minhas baterias para outros mercados...
Na semana passada a moeda única ameaçou uma alta atingido 1,1495, mas em seguida, retornou aos mesmos níveis que se encontrava quando publiquei o post acima, veja o gráfico mais atualizado.
Parece não haver diferença entre eles (gráficos), mas não são iguais. A impressão é que o euro e o dólar vivem um mesma dúvida de curto prazo: Como ficará o diferencial de juros entre eles? Se o FED mudar de ideia e não subir os juros, restaria ao super Mário diminuir ainda mais os juros do euro, para que o dólar subisse. Mas quanto mais pode ele diminuir? Além disso, a Europa não está tão ruim assim. Resumindo, é uma batalha de quem fica menos pior. Não recomendo nada nesses preços.

O SP500 fechou a 2.108, com queda de 0,58%; o USDBRL a 3,9399, com alta de 0,87%; o EURUSD a 1,1337, sem variação; e o ouro a US$ 1.166, com queda de 0,77%.
Fique ligado!

20 de outubro de 2015

Marte ou Vênus?

Os homens são de Marte e as mulheres de Vênus, é um livro de muito sucesso lançado faz alguns anos. O autor cria uma guia seguro para que um homem e uma mulher entendam as atitudes de cada um. Não preciso detalhar esse assunto, cada um de nós sabe que existem essas diferenças através de seu cotidiano.

Se eu fizer a seguinte pergunta aos homens e as mulheres: Por que você compraria ouro. Quais seriam suas respostas? É provável que as mulheres respondessem que é um bom investimento, seguro e portanto, você pode comprar a joia que ela tanto deseja. Já os homens seriam inclinados a responder que o metal tem histórico milenar como reserva de valor, e por essa característica, tem um comportamento distinto das outras commodities. Mas parece que isso mudou recentemente.

O preço do ouro, que normalmente oscila com ameaças políticas, econômicas e inflacionárias, estes dias se move com uma força diferente: o Federal Reserve.

Traders e analistas dizem que o papel do metal precioso como refúgio em tempos de turbulência tem diminuído recentemente, com os preços mais propensos a flutuar devido a mudança de expectativas sobre quando o FED irá elevar as taxas de juros.

Ouro subiu 5,2% neste mês, após um relatório ruim de empregos nos USA em setembro e encorajaram os investidores a apostar que não haverá aumento neste ano. Taxas de juros mais elevadas, quando ocorrem, comprometem a demanda futura por ouro, que não paga juros. Por isso torna-se menos competitivo em relação aos investimentos.

"O ouro está sendo negociado como um proxy para as expectativas de taxas de juros nos Estados Unidos", disse Kevin Norrish, analista de commodities do Barclays: ..."As pessoas têm olhado para o ouro e espera-se que reaja como um porto seguro, mas não tem acontecido"...

A mudança poderia afetar o valor do ouro, a longo prazo, se mais investidores tornam-se desiludido com o ouro como um refúgio e voltar-se para outras alternativas.

Historicamente, o ouro tem reagido à agitação política e financeira. Nas primeiras semanas de 1980, o ouro saltou mais de 60% logo após a União Soviética ter enviado tropas para o Afeganistão. O ouro subiu mais de 150% a partir de outubro de 2008 até setembro de 2011, na esteira da crise econômica no Ocidente e com os investidores apostando que a inflação iria subir devido a injeção de liquidez pelos bancos centrais nos mercados.

Mas neste mês de agosto, quando os temores sobre a saúde econômica da China provocou um colapso de 17% nos preços do petróleo e uma queda de 11% no índice de ações SP 500, o ouro ganhou apenas 5,9%, para depois cair. O padrão se repetiu ao longo de 2015, com eventos tais como o envolvimento da Rússia na guerra separatista na Ucrânia e na Síria, movendo os mercados de petróleo, mas quase não afetou o ouro.

Ultimamente, os preços do ouro acompanham de perto o mercado de curto prazo de títulos americanos. As expectativas de taxas de juros mais elevadas tendem a pesar sobre os preços do ouro, uma vez que, os dois geralmente se movem em direções opostas. Nas últimas semanas, a relação entre eles, medido por uma correlação histórica de 200 dias, atingiu o seu nível mais elevado nos 3 anos e meio.

Mas será que isso vai prevalecer para o futuro? Não acredito. O movimento inverso ao dos juros pode apontar uma correlação espúria, ou melhor, temporária, pois em situações que a inflação sobe de forma mais firme, induzindo o FED a elevar os juros, essa correlação tendera a ser positiva, uma vez que o ouro será visto como uma proteção contra a inflação. Mas essa possibilidade não está no radar de ninguém, ao contrário, o receio atual é de deflação.

Estes são os argumentos "masculinos", ou melhor, dos investidores. Agora se a razão para a compra for a "feminina", seja ela investidora ou não, sua argumentação fica reforçada, pois ao invés de ganhar juros zero, é melhor uma corrente de ouro! Hahaha...

Já que o assunto é ouro, vejamos o que os gráficos nos dizem. No post o-fed-mostra-as-cartas, fiz os seguintes comentários: ...O meu otimismo cauteloso é mostrado no gráfico acima, e é o movimento de hoje que confirma o rompimento da linha azul. Mantenha o mesmo stoploss a US$ 1.110, mas se por acaso o ouro for para o intervalo mencionado acima, US$ 1.170-1.180, pode subir o stop para US$ 1.130...
Depois de atingir a máxima de US$ 1.190 na semana passada, nestes últimos dias o ouro está num processo de consolidação. Caso ultrapasse novamente a marca acima, a grande batalha será no nível de US$ 1.230, onde cruza uma linha que barrou a alta do metal em três outras ocasiões - pontos em azul. 

Se as premissas citadas no comentário acima, de que o ouro tem uma correlação negativa com as taxas de juros americanas, poderia se esperar que o FED não suba os juros em 2015.

- David, você publicou no passado que o ouro estaria num ponto importante, e espera que suba bastante no futuro. O estudo acima induz que as taxas de juros precisam cair mais para isso acontecer, portanto, posso concluir que os juros americanos ficarão negativos?
Puxa, não me lembro de receber um comentário seu com uma argumentação tão racional! Se essa correlação permanecer assim, o que você disse está correto. Mas eu estou muito cético com correlações históricas, pois a história tem mostrado que essas se alteram em momentos de stress, jogando por água abaixo todos os modelos de alocação de ativos. 

Como eu sempre digo, a análise gráfica não funciona de forma inversa, ou seja, você observa os gráficos e tenta concluir o que deveria acontecer. Agindo assim é perigoso, pois caso não aconteça o que você imaginou, pode ser levado a concluir que o que sua análise está errada. Sugiro que se use a análise técnica sem uma opinião forte sobre o futuro, afinal ninguém sabe o que vai acontecer. 

O SP500 fechou a 2.030, com queda de 0,14%; o USDBRL a R$ 3,9058, com alta de 0,55%; o EURUSD a 1,1344, com alta de 0,17%; e o ouro a US$ 1.175, com alta de 0,46%.
Fique ligado!

19 de outubro de 2015

Indigestão creditícia

Tenho notado que a cada vez que me ausento do país, na volta me deparo com notícias e ambiente nada prazeroso. Nos dias atuais, uma mistura de mau humor com desesperança toma conta de nós. A situação política é propensa a centenas de especulações como: demissão do Ministro "salvador da Pátria"; impeachment do Presidente; fila de espera nas delações premiadas; e a dúvida se os Presidentes do Congresso e do Senado amanhecerão em seus cargos. Você poderia se perguntar como a economia entrará nos trilhos.

Existe um termo em inglês que define bem este momento "gridlock", ou encruzilhada, só que esta não é a tradicional de quatro vias, mas de uma dezena delas. Se alguém disser que sabe como isso vai terminar, não acredite. Agora, o que se pode projetar, é que quanto mais tempo a situação permanecer desta forma, maior será o empobrecimento do povo brasileiro e maiores as chances de manifestações populares. Entretanto, parece que o sofrimento não chegou ao auge.

Já nos mercados internacionais, quando se olha a recente dramática mudança no mercado. Com a queda dos ativos dos países emergentes, tornou-se evidente que os bancos centrais estão num processo de perda de credibilidade. A fé de uma geração de traders, cuja única estratégia era comprar na queda dos mercados, está se deparando com uma nova realidade onde o crédito atingiu o seu limite.

A primeira razão é que, mesmo que os bancos centrais continuem injetando montantes recordes de liquidez nos mercados, a resposta tem sido cada vez mais instável - em grande parte pela alta do dólar e a crise na dívida dos mercados emergentes. Segundo um analista do Citibank, Matt King, "os modelos que ligam os QE para os mercados parecem ter quebrado".
O segundo problema, é de longe o mais importante, é que o mundo enfrenta o que o FED e os seus colegas dos bancos centrais tem lutado o tempo todo, muita dívida global, acumulando num ritmo cada vez maior, enquanto o crescimento mundial está estagnado, e de fato, em declínio.
Há muito tempo se "atravessou o Rubicão (*)"- que significa ultrapassar fronteiras, defrontando-se com um caminho duvidoso e potencialmente perigoso. O normal é que um incremento adicional de dívida resulte num incremento adicional de crescimento. Os níveis de endividamento atuais estão numa situação sem precedentes, onde os livros textos não funcionam mais, e contrariamente tem levado a uma queda do PIB.

Parece que a conclusão é clara, segundo esse analista a nível macro, o mundo está fora de limites, e não existe virtualmente nenhum recurso para criação de crédito no nível consolidado, entre pessoas físicas, empresas, dívida financeira e governos.

Hoje foi publicado o PIB na China e pela primeira vez desde 2009, ficou em 6,9% a.a., abaixo do número mágico de 7% a.a. Se essa diferença fosse a principal dúvida, não seria suficiente para gerar mais preocupações, acontece que vários analistas questionam esses dados, sugerindo que o PIB "real"é muito inferior.
Essa polêmica deverá perdurar enquanto o mundo tenta voltar a níveis de crescimento maiores. Caso contrário, se o crescimento decepcionar, os analistas continuarão a levantar essa dúvida, sem que nunca saibamos ao certo, quanto cresce a segunda economia do planeta.

Escolhi o real para analisar hoje, pois acredito ser de maior interesse dos leitores. Antes disso, como temos uma posição comprada em ouro, o novo stop passa a ser US$ 1.130, aguardem maiores detalhes amanhã.

No post o-fed-mostra-as-cartas, fiz os seguintes comentários: ...é esperado uma alta do dólar no curto prazo, até pelo menos R$ 4,05,.. ...Eu frisei também que esses eram movimentos de curto prazo, pois a médio prazo, espero dois níveis de importância, O primeiro intervalo - cujo objetivo é de R$ 3,40/3,50, e o segundo - R$ 3,10/3,20...Durante a última semana, o dólar ficou sujeito as pressões políticas, que não foram poucas, subindo aproximadamente 6% entre a mínima e máxima.
Não teria muitas observações a fazer dentro do que já escrevi, uma alta do dólar no curto prazo até R$ 3,98/4,05, seguido de um novo movimento de queda, levando as cotações aos níveis apontados acima (no médio prazo). O que parece ter mudado de forma definitiva é a volatilidade. Oscilações de 1% - 2% por dia devem fazer parte do novo cenário do real, e isso leva a uma incerteza nos setores que dependem do dólar em seus negócios.

O SP500 fechou a 2.033, sem variação; o USDBRL a R$ 3,8842, com baixa de 0,85%; o EURUSD a 1,1324, com queda de 0,20%; e o ouro a US$ 1.170, com queda de 0,56%.
Fique ligado!

(*) Quando Júlio César em 49 a.c., ao ser perseguido, tomou a decisão de atravessar o rio Rubicão. Seguido pelo seu exército, transgredindo claramente a lei do Senado que determinava o licenciamento das tropas todas as vezes que o general de Roma entrasse na Itália pelo Norte. Isso precipitou uma guerra civil, que conduziu ao estabelecimento do Império Romano.


9 de outubro de 2015

O FED mostra as cartas

Quando o FED decidiu não alterar os juros em sua última reunião de setembro, o mercado ficou preocupado, pois não sabia qual era o motivo. Ontem foi publicada a minuta dessa reunião e o mistério pode ser desvendando. Vejamos alguns trechos do mesmo: 

..."the improvement in labor market conditions met or would soon meet one of the Committee's criteria for beginning policy"... 

..."because recent global economic and financial developments had imparted some restraint to the economic outlook and placed further downward pressure on inflation in the near term"..


..."several members were concerned about downside risks to the outlook for real activity and inflation"..

..."several members saw a risk that the additional downward pressure on inflation from lower oil prices and a higher foreign exchange value of the dollar could persist and, as a result, delay or diminish the expected upturn in inflation"...

..."wait for additional information confirming that the economic outlook had not deteriorated and bolstering members' confidence that inflation would gradually move up toward 2 percent over the medium term"...

Não ficam dúvidas que o receio é com a inflação, que se mantém baixa por causa da queda do preço do petróleo e a alta do dólar. Não existe ênfase explícita sobre os receios de uma eventual desaceleração da China, nem tão pouco, a volatilidade das bolsas. Atenção agora na inflação que será publicada na próxima semana.

Vocês notaram como a Argentina saiu dos noticiários nos últimos meses. Recentemente parecia que era uma questão de tempo, até que suas reservas fossem exauridas. Com tantas maluquices de sua Presidente, era o que se podia esperar.
A foto ao lado sugere algo? Pois é, os chineses estão construindo todos os tipos de projetos de infraestrutura, usinas de energia, minas e etc..., com mão de obra chinesa é claro.
Como são pagos este investimentos? A China abriu linhas de swap. Muy amigos! Hahaha....

Como havia comentado ontem, o post de hoje é sobra a análise técnica do real, ouro e euro.

O dólar resolveu cair mais um pouco contra o real, no post a-busca-de-novos-clientes, eu aventei a hipótese de dois cenários de curto prazo: "Pequeno refresco" e "Vai machucar muita gente". Sem repetir novamente os níveis de importância para cada um, vou apenas colocar a frase que resumia: ...em ambos os cenários, é esperado uma alta do dólar no curto prazo, até pelo menos R$ 4,05, exceção na Hipótese 1, se essa correção ainda não terminou... Eu frisei também que esses eram movimentos de curto prazo, pois a médio prazo, espero dois níveis de importância: ...O primeiro intervalo - cujo objetivo é de R$ 3,40/3,50, e o segundo - R$ 3,10/3,20...
Antes de mais nada, vou frisar bem que o gráfico acima é de curto prazo, isso faz uma tremenda diferença em posições mais longas. O que eu quero dizer, é que não se pode ficar "apaixonado" por acertos, ou mesmo erros, nesta janela de análise, pode te levar a erros. Como eu vou ficar fora apenas uma semana, acredito que os níveis que vou apontar são suficientes.
Eu calculo dois pontos de interesse, a R$ 3,68 e R$ 3,55, depois disso, podemos esperar uma recuperação do dólar.

Mas antes que alguém pergunte, não sou comprador em nenhum desses níveis, a não ser se você tem compromissos em dólar e está cansado de sofrer. O motivo eu só posso explicar mais para frente, pois ao analisar hoje, achei um outro cenário, que ao invés de machucar, iria tirar sangue dos comprados em dólar. Mas isso é uma outra história para outra vez, por enquanto aguente firme, e coloque na sua cabeça que terão correções no caminho, onde o dólar vai subir, e você ficará com a sensação de que perdeu o barco.

O ouro deu um alentosinho para nossa posição comprada. No post janela-sem-oportunidade, fiz os seguintes comentários: ...Para termos alguma chance nesta posição, é necessário que o triângulo desenhado acima em azul seja rompido no sentindo que nos interessa, para cima. Depois disso, o nível de US$ 1.170/1.180 deverá ser ultrapassado, e aí sim, uma alta mais consistente poderá se desenrolar...
O meu otimismo cauteloso é mostrado no gráfico acima, e é o movimento de hoje que confirma o rompimento da linha azul. Mantenha o mesmo stoploss a US$ 1.110, mas se por acaso o ouro for para o intervalo mencionado acima, US$ 1.170-1.180, pode subir o stop para US$ 1.130.

E por último o euro, que fiz os seguintes comentários no post o-mercado-desafia-o-fed: ...a correção que eu esperava até 1,18, pode ser abortada e abre novamente a possibilidade do euro voltar a cair abaixo das mínimas de 1,045. Meu comentário visa prepará-los para qualquer cenário, e não ficarem imaginando que tenho alguma predileção pelo cenário de alta. Como sempre frisei, a ideia é que o euro ainda está em queda e teríamos uma chance de pegar uma carona na alta... continuam perfeitamente válidas. O euro está numa correção longa e complexa, deixa ele!
O euro está seguindo o que se chama em análise técnica, um movimento considerado positivo. O motivo é que os pontos mais altos são sempre superiores aos anterior (vermelho) e os pontos de baixas acima dos anterior (verde). Se alguém quiser fazer uma aposta, eu compraria próximo da linha cinza paralela inferior, e venderia na linha cinza superior. Acho um pouco fadonho, prefiro voltar minhas baterias para outros mercados. Mas se você quiser, o sentido por enquanto é de alta, até se aproximar dos 1,18, aí que a batalha fica maior.

É isso por hoje, e qualquer novidade vou postar nesse meio tempo. Até a volta dia 19/10.

O SP500 fechou a 2.014, sem variação; o USDBRL a R$ 3,7571, com baixa de 0,69%; o EURUSD a 1,1357, com alta de 0,70%; e o ouro a US$ 1.157, com alta de 1,60%.
Fique ligado!