Inflação: A Revanche

30 de setembro de 2015

Boa ou má deflação?

Um assunto tratado pelo Mosca muitas vezes, foi a diferença entre a deflação boa e a má. Sem querer ser repetitivo, a boa é quando os preços caem, mas a atividade econômica é positiva, e má quando essa última é negativa. A Revolução Industrial é um exemplo de como a deflação pode ser positiva. Muita polêmica existe sobre quando começou a substituição da produção artesanal por novos processos de manufatura. Na verdade existiram duas Revoluções, a primeira entre 1760 a 1830 e a segunda entre 1840 a 1870, quando aí sim, o progresso tecnológico e econômico ganhou força.

Mas mudanças como essa não são feitas "numa boa", mesmo que tenha havido grandes benefícios para humanidade, vários negócios foram a banca rota. Pode-se citar a crise bancária de Viena, quebra do mercado imobiliário francês, crise na bolsa de Nova York; quebra de empresas ferroviárias: Northern Pacific e Union Pacific. No gráfico a seguir pode-se ter uma ideia de como evoluíram os preços na economia mais importante naquele momento, a Inglesa.
Mas por que trago este assunto agora? Porque é sempre bom observar os dois lados da moeda, a fim de que não se crie um viés que pode estar errado. Ontem comentei sobre a queda generalizada dos preços das commodities, e hoje poderia acrescentar mais algumas matérias primas que se somariam a lista.

O que me levou a pensar na deflação positiva foram os dados publicados na Europa. Vejam a seguir os níveis de inflação na Alemanha e Espanha.

Não é bem isso que o Super Mário gostaria de ver, pois depois de inúmeros helicópteros espalhados pelo céus do Continente Europeu, esse indicador não está dando os sinais desejados.

Por outro lado, seria de se esperar que o sentimento dos empresários e consumidores estivessem ruins, mas não é o que está acontecendo, pelo contrário, vem melhorando consistentemente.
Como podemos interpretar essas informações? A deflação está caminhando e é uma questão de tempo para os consumidores e empresários retraírem, pois haverá quebradeira de empresas e aumento de desemprego, ou essa melhoria de consumo irá provocar uma alta de inflação no futuro?

As apostas estão aí, não é para menos que as bolsas encontram-se num momento delicado, na dúvida para qual caminho seguir. O que conta para o cenário mais negativo, é o fato dos níveis de crédito ao redor do mundo encontram-se em níveis extremamente elevados. Por outro lado, é indiscutível os avanços tecnológicos que estamos passando nestes últimos anos. Esse fato tem consequências econômicas importantes. É inegável que a produtividade vem aumentando consideravelmente, contribuindo para a queda dos preços dos produtos. What a f_ _k is going on?

Falando em produtividade, eu não poderia deixar de mencionar o índice global de competitividade publicado pelo World Economic Forum.
O Brasil caiu da 57º posição para a 75º posição, isso sendo a 8º economia do mundo. Para traçar a sua expectativa sobre o futuro, peço que reflitam nas seguintes perguntas:
  • Quanto tempo demora para um país reverter esta situação de queda?
  • Como a situação política atual pode comprometer este objetivo e por quanto tempo?
  • Como você deveria reagir em função deste cenário?
Fica a cada um a decisão do que fazer.

O comentário de hoje sobre mercado é do ouro. No post trader-new-wave, fiz as seguintes observações:  ...Minha proposta para o ouro é comprar a US$ 1.110, com um stop a US$ 1.075. O target será estabelecido mais a frente... ... Depois de alguns dias a ordem foi executada, e o metal bateu a mínima de 1.098... Frisei também que não se podia comemorar antes do preço ultrapassar US$ 1.170. No post sentindo-no-bolsoatualizei o stoploss para US$ 1.110, que é o preço de entrada.
Depois de subir até US$ 1.155, o ouro vem recuando e encontra-se muito próximo de nosso stop, que se executado, gera um resultado nulo. Como já mencionei antes, o ouro ainda pode ainda estar num movimento de correção descendente. Até que o nível inferior de US$ 1.075 seja rompido, nada pode-se concluir.

Caso seja stopado, o que parece mais provável, voltamos a posição de observador. Acredito que ultimamente dá para perceber como é frustrante operar as correções. Mas não podemos perder as esperanças, pois depois delas, sempre existirão movimentos direcionais, aí é  se posicionar e depois ir para praia! Hahahaha...

O SP500 fechou a 1.920, com alta de 1,91%; o USDBRL a R$ 3,9478, com queda de 2,89%; o EURUSD a 1,1176, com queda de 0,84%; e o ouro a US$ 1.114, com queda de 1,16%.
Fique ligado!

29 de setembro de 2015

O FED está na contra mão?

A alguns meses venho externando minha preocupação com o preço das commodities, de uma forma geral, todas estão caindo e não é pouca coisa. Sabemos que sua evolução é cíclica, além de depender do clima quando se pensa nas agrícolas. Mas todas caírem ao mesmo tempo não é um indicador saudável. Isso pode acontecer por dois motivos, excesso de oferta ou falta de demanda.

Se a análise estivesse focada em cima do petróleo, existem motivos suficientes para sua queda. Com a elevação de produção advinda dos USA, que implantaram um programa bem sucedido de extração de óleo de xisto aumentando significativamente a oferta. Mas o que dizer do minério de ferro, cobre, zinco, platina e assemelhados, por que estariam caindo tanto?

Outro setor do mercado financeiro também está emitindo sinais de perigo. Os títulos de renda fixa emitidos pelas companhias são avaliados pela diferença de rendimento sobre os títulos governamentais. Com a pressão sobre os mercados de crédito, os investidores estão se desfazendo das posições mais populares, até agora conhecidas como de alto rendimento.

E por último, as bolsas de valores foram afetadas nas últimas semanas com quedas em todas as partes do mundo. A seguir, comento o SP500, que se aproxima de um nível bastante perigoso.

Será que  os USA está entrando numa recessão? Uma respeitada casa de consultoria acredita que sim. A Gavekal criou um indicador de atividade econômica que contém 17 componentes, desde preço da madeira para construção, spread de títulos, estoque sobre vendas e etc... Para entender o gráfico deve-se considerar: Quando é positivo o investidor não tem com o que se preocupar, e aproveitar qualquer queda da bolsa como uma oportunidade de compra. Quando é negativo, uma recessão é possível, e abaixo de -5 deve-se ficar preocupado.


Notem que todas as vezes que esse indicador passou desse nível, uma recessão se sucedeu. Os problemas atualmente são dois, primeiro que os dados não apontam para essa situação, o que pegaria todos os economistas de calça curta; e segundo que o FED não tem mais bala na agulha.

Agora, imaginem que daqui a 6 meses a economia americana entre numa recessão e o FED já tenha subido os juros, em quem sabe, 0.75% - 1.00%. Não tenho muita dúvida que a Yellen iria convocar os pilotos de helicópteros à toque de caixa e baixar os juros. Mas o mercado vai comprar a ideia que desta vez vai funcionar? Estamos á base de suposições, mas eu acredito que, caso esta situação aconteça o dólar vai se esborrachar e o ouro subir forte, 2016 promete!

No post mal-entendido, comentei que haviam dois níveis do SP500 que mereciam especial atenção: o que indicaria alta da bolsa 2.020 e baixa 1.865. Ontem as bolsas caíram no mundo inteiro e não foi diferente nos USA. Quem busca diversificação de investimentos, como indicaria um modelo de portfolio, pode jogar no lixo, uma vez que, ultimamente "one bet fits all" adaptando a frase usada no comércio americano indicando que uma roupa serve para qualquer manequim. Todas as bolsas estão tendo movimentos na mesma direção.

Como pode-se verificar no gráfico, se o SP500 cair abaixo dos 1.860, a linha azul construída desde a queda de 2008 será violada. O que pode acontecer depois? Vários cenários são possíveis, um menos profundo seria o de quedas até 1.750 ou 1.650, o que já ocasionaria uma boa retração do nível máximo atingido de 2.080 - 15% a 20%. Mas pode não parar por aí.

Não vou entrar em muitas conjecturas nesse momento, pois nem o rompimento do primeiro nível aconteceu, e poderá acontecer como das outras vezes, onde ao chegar nesse ponto extremo, reverte e começa a subir. Mas quero chamar a atenção para o momento delicado em que a bolsa americana se encontra. Fiquem atentos.

O SP500 fechou a 1,884, com alta de 0,12%; o USDBRL a R$ 4,0619, com queda de 0,88%; o EURUSD a 1,1245, com alta de 0,10%; e o ouro a US$ 1.127, com queda de 0,35%.
Fique ligado!

28 de setembro de 2015

Silêncio Inquietante

Desde que a China deixou muitas dúvidas em agosto de qual seria a sua política cambial, quase não se houve falar mais nada sobre esse assunto. O mercado financeiro naquele país se estabilizou, pelo menos aparentemente. A taxa de câmbio do Yuan, voltou ao velho padrão com pequenas flutuações, como se pode verificar no gráfico a seguir.
Em relação a bolsa de valores, depois das quedas expressivas iniciadas a partir de junho, o índice acionário também ganhou estabilidade.
Então podemos relaxar? A calmaria é um sinal de estabilização? Não é pudente. Os mercados estão longe de acreditar que a economia está evoluindo conforme a publicação do PIB feita pelo governo, apontando um crescimento de 7% a.a. Sob outra ótica, e usando as variáveis que o Premier Li Keqiang acredita ser a melhor forma de avaliar a saúde da economia (uso de eletricidade, transporte ferroviário, volume e crescimento de crédito), sugere que o PIB está crescendo menos de 4% a.a.

Mesmo que você não esteja satisfeito, os efeitos da queda de preços de commodites começou a atingir o que a China mais preserva, o emprego. Na sexta-feira, o Grupo Longmay, a maior mineradora de carvão metalúrgico, que vem lutando para reduzir seus massivos prejuízos nos meses recentes, resultado do colapso no preço das commodites, confirmou que está a caminho de reduzir sua força de trabalho de 240.000 em 40%. Ou seja, uma demissão de 100.000.

Além dessa empresa, muitas empresas públicas estão enfrentando o mesmo tipo de problema, e está ficando mais profundo, uma vez que o setor continua numa espiral de queda. Os problemas sociais que essas dispensas podem causar, sugerem uma redução dos benefícios e salários, como uma melhor forma de cortar os custos, uma "socializada", modelo que o povo Chinês não quer lembrar mais.

Se tem uma situação que o governo fica extremamente preocupado, é a possibilidade de agitação e violência civil, além de uma economia que não está indo bem. Mas por enquanto percebe-se somente um silêncio inquietante.

Considerando as declarações da Presidente Dilma nesse final de semana, acredito que ela está lendo o Mosca! Hahahaha... Afirmou que o Brasil vai usar as reservas para atuar nas cotações do câmbio, pois está muito preocupada com os efeitos da alta do dólar no balanço das empresas. Estes argumentos estão em linha com o post mal-entendido, da última sexta-feira.

Como venho argumentando, os dados cambias não justificam tamanha deterioração do real. Por mais que a situação política seja mais obscura que as águas do rio Pinheiros - e olha que elas estão imundas, não houveram saídas de dólares recentemente. Pelo contrário, no mês de setembro, o fluxo foi levemente positivo.



Como se fazia necessário, refiz minha análise do real, considerando o rompimento da barreira dos R$ 4,00. Com esse novo cenário, e como já havia adiantado, o movimento de mais longo prazo é de alta do dólar. Entretanto, com a queda da última semana, pode ser que durante algumas semanas, o dólar recue.

- David, como assim, primeiro você disse que o dólar vai subir, e em seguida que vai cair. Assim qualquer um acerta até na pulga! Hahaha....
É verdade, disse isso mesmo, mas você suprimiu os prazos, está querendo manipular meus leitores? Hahahaha ....

Vamos então por partes, primeiro para que essa previsão de queda se confirme, é necessário que a cotação caia abaixo de R$ 3,88 e não ultrapasse R$ 4,25. Eu sei que é um intervalo grande, mas como eu não estou propondo nenhum trade, não tem custo ficar observando. Partindo do pressuposto que essas premissas sejam respeitadas, teremos condição de entrar mais a frente num trade de venda de dólar.

Ainda existem algumas dúvidas na interpretação do movimento de alta, mas que não elimina, nem distorce muito os objetivos dessa correção. O primeiro intervalo - em vermelho, cujo objetivo é de R$ 3,40/3,50, e o segundo em azul, R$ 3,10/3,20.

É difícil enxergar hoje, como o dólar poderia recuar 15% - 20%. Localmente, ou internacionalmente, não parece haver evidências para que isso aconteça. Mas isso não é problema da análise técnica, pois essa não procura "adivinhar" o que vai acontecer. Isso é problema para os economistas!

O SP500 fechou a 1.881, com queda de 2,57%; o USDBRL a R$ 4,0979, com alta de 3,01%; o EURUSD a 1,1233, com alta de 0,34%; o ouro a US$ 1.131, com queda de 1,30%.
Fique ligado!

25 de setembro de 2015

Mal-entendido

Ontem a noite a Presidente do FED, Janet Yelen, fez quase que uma apresentação acadêmica na Universidade de Massachusetts, com inúmeras citações de artigos publicados, gráficos e etc... O principal objetivo, entretanto, foi a de confirmar que a taxa de juros deverá subir este ano ainda, e mais, que ela também é favorável. Com isso, buscou dirimir um mal-entendido que ficou depois da última reunião do FOMC, a de que o FED estaria enxergando algum aspecto negativo que o mercado não. Foi o que precisava para os mercados se animarem, as bolsas operam em alta em todos os mercados.

Um fator preocupante deste evento, ocorreu durante três minutos onde ela mal conseguiu falar, ficou visível que teve um mal estar, seguido de tosse muito forte. Nesse intervalo, durante alguns segundos, permaneceu muda diversas vezes. Ao término da apresentação, foi atendida pelos médicos e aparentemente nada de mais sério foi reportado. Ainda bem!

Aqui no Brasil, não posso deixar de comentar as declarações do Presidente do BC, a de que poderia usar as reservas para agir no mercado de câmbio. Essa declaração foi suficiente para iniciar uma queda do dólar de mais de 7%, do pico atingido ontem a R$ 4,25. No post de ontem, que foi escrito como de costume na parte de manhã, antes dessa declaração, externei minhas idéias, do porque o BC já deveria ter atuado no câmbio.

Como uma atitude paternal do tipo : ..."se você não se comportar vai ficar de castigo"..., essas declarações comprovam ainda mais minha tese, vejamos por que: Primeiro que esse anúncio e descabido de qualquer informação nova, afinal se as reservas estão lá são para serem usadas e não ficarem de lembranças para os netinhos; segundo se o BC não vendeu dólares quando a cotação estava a R$ 4,25, é porque não acha que este é um nível "bom" para atuar; e por último, se com essa "inação" o câmbio caiu, é porque tem muito especulador do outro lado.

Acho que faltam executivos corajosos como Gustavo Franco, Ibrahim Eris, que com migalhas de reservas seguraram a moeda contra os especuladores, no passado. Com US$ 370 bilhões, o BC poderia ter evitado a alta quase que exponencial do dólar, ocasionando enormes prejuízos às empresas, sem que haja qualquer evidência de problemas nas contas cambiais. Mas não relaxem, o mercado deve testar o BC em breve. Por sinal, depois da queda no grito, como se diz no jargão de mercado, deveria ter atuado hoje, US$ 1 "bizinho" para testar. Coragem!

O termo "Samba do Crioulo Doído" parece se aplicar bem aos movimentos dos últimos dias da bolsa americana. Para quem não conhece a sua origem, é uma paródia composta pelo escritor, cujo pseudônimo é Stanislaw Ponte Preta, em 1968. Procura ironizar a obrigatoriedade imposta às escolas de samba de retratarem nos seus sambas de enredo, somente fatos históricos. Depois disso, a expressão se popularizou para se referir a cosias sem sentido. Não que tenha acontecido algum desastre, mas depois da queda do SP500 ocorrida no final de agosto, quando a China ameaçou mudar sua política cambial, não há definição se vai continuar a cair, ou ensaia uma recuperação mais forte.

No post excesso-de-pessimismo, fiz os seguintes comentários sobre o SP500: ...marquei dois pontos que indicariam movimentos opostos, no de alta, é fundamental que o índice recupere o nível de 2.000 e fique acima dele, por outro lado, abaixo de 1.865, o tom azeda para os otimistas e novas quedas estão nas cartas, e pior significativamente inferiores aos níveis atuais...


No gráfico, destaquei o dia em que o mercado negociou acima do nível de 2.000, mas fechou abaixo. Depois disso voltou ao intervalo que não indica nenhuma direção. Neste momento encontra-se exatamente no meio. Continuam as mesmas observações acima, apenas alterando o nível para 2.020, no caso de uma alta.

Mesmo com as declarações da Yelen, que os juros subirão em breve, tirou-se a dúvida de que existia um fantasma que o FED estava enxergando, mas as outras dúvidas continuam. Falando em dúvidas, ontem participei de um encontro com o economista Michael Pettis, grande conhecedor da China, uma vez que leciona e vive lá desde 2002. Ele tem uma visão bastante pessimista para o futuro daquele país. 

Em resumo, acredita que existem dois cenários para China, um mais benigno onde o PIB deveria cair para níveis muito baixos, próximo de zero, propiciando o aumento de consumo interno em detrimento dos investimentos, e outro em que a economia continuaria crescendo da forma que vem crescendo, através de dívidas, e que repentinamente o PIB colapsaria. Em ambos os casos, acredita que o ciclo de queda das commodities ainda não terminou, prevendo mais 20% - 30% de baixa.

Independente se suas visões irão se confirmar ou não, fiquei extremamente impressionado com que simplicidade e clareza, explica conceitos econômicos muito complexos, além de seu conhecimento das economias mundias. Está anotado!

O SP500 fechou a 1.931, sem variação; o USDBRL a R$ 3,9735, com alta de 0,93%; o EURUSD a 1,1202, com baixa de 0,22%; e o ouro a US$ 1.146, com queda de 0,63%.
Fique ligado!

24 de setembro de 2015

Mundo sem sincronismo

Enquanto aqui no Brasil o dólar não para de subir, resquícios de políticas e atitudes de um governo medíocre e mal intencionado, em outros locais, Bancos Centrais estão baixando os juros com o intuito de reativar suas economias, como foi o caso da Noruega que baixou seus juros a 0,75% a.a., recorde histórico e Taiwan que fixou sua taxa em 1,75% a.a. No caso brasileiro, com as recentes altas do dólar, que não demonstra sinal de estabilização, é quase certa, que a inflação nos próximos meses será impactada.

A Rosenberg elaborou algumas estratégias que o BCB poderia usar neste momento bastante delicado, onde pode ocorrer a perda de controle da situação.
  • Intervir no câmbio, diretamente, para reduzir o seu impacto sobre a inflação. Esta não parece ser uma jogada sobre a mesa - até porque uma parte significativa de empresas já possui hedge, o que reduz as chances de um efeito deletério significativo sobre balanços, como tivemos em 2009. E, também, porque a incerteza política é tão grande que a intervenção poderia bem resultar apenas em jogar reservas fora.
  • Intervir no câmbio via aumento de juros. Isso só surtiria efeito se a dose fosse cavalar - o que o ritmo de atividade não parece permitir e, pelo histórico deste Banco Central, também não parece ser uma opção.
  • Elevar juros a conta-gotas, num novo ciclo de 50 bps por reunião, por algumas reuniões. Seria uma tentativa de conter as expectativas, sinalizar que o BC ainda está no jogo (vigilante), mas que teria poucos efeitos práticos sobre a inflação em 2016. Esta, a permanecer o câmbio no atual patamar, já está irremediavelmente contaminada. Poderia, talvez, conter os efeitos sobre 2017.
  • Manter o nível atual da taxa de juros, apontando que já há um ajuste de atividade em vigor, que ajudará a conter os efeitos de segunda ordem deste novo choque de preços relativos, arcando com os custos de perda da credibilidade decorrentes.
Eu sempre fui contra a política do BC de não atuar no câmbio de forma mais direta, vendendo no mercado à vista, sem compromisso de recompra. A grande diferença entre as duas situações, é que na segunda tudo se passa como um empréstimo em dólares, sem impacto nas cotações, somente na liquidez. Fazendo um paralelo com o futebol, é como se o técnico do Barcelona decidisse escalar os reservas para "poupar" os titulares. Depois de inúmeras derrotas, e já em último lugar na tabela, próximo ao rebaixamento, resolvesse escalar os titulares. Tarde demais!

A estratégia usada pelo BCB, coloca o Brasil como o primeiro caso na história moderna, onde se assiste uma desvalorização desenfreada de uma moeda, com um elevado volume de reservas e baixo endividamento externo. Mas, por não atuar na hora exata, muitos devedores que não tinham feito hedge, bateram o seu stoploss. Além disso, um outro grupo que detinha grande parte de sua poupança em reais, se apercebeu que seu portfólio desvalorizou-se muito, e resolveu comprar dólares. E para terminar, os estrangeiros que estavam aguentando o tranco, também resolveram sair. Uma bolha está se formando neste mercado, e bolha é bolha, não tem previsão de quando termina.

Agora, com a pressão elevada pelos mercados internacionais, a situação tende a piorar. Vejam abaixo, o gráfico que mostra a evolução do real relativo às moedas dos emergentes.

Eu destaquei em verde o período onde houve certa estabilidade entre o real e o dólar australiano, canadense, peso mexicano e rand sul-africano. Porém, em meados deste ano, enquanto essas moedas experimentaram desvalorizações contra o dólar - a linha em preto indica cotações dessas moedas em relação ao dólar, o real intensificou o movimento, pois perdeu mais ainda.

Se o BC tivesse vendido US$ 100 bilhões, o que é uma quantia grande, nos meses anteriores, talvez a cotação estivesse em R$ 3,00 - R$ 3,20, compatível com o nível relativo do início do ano. Esta bem, você acham otimismo, que seja R$ 3,50 pela conturbação política. Agora a R$ 4,25, vai ter que gastar muito mais reservas para evitar uma espiral desenfreada, e sem garantia que isso não ocorra.

Parece coincidência mas hoje o Presidente do BC, Alexandre Tombini, disse que pode vender dólares a vista, o mesmo que sugeri acima. Só com estas declarações, o dólar teve uma queda de quase 5%. Agora, não tenham dúvida, que o mercado irá testar suas declarações nos próximos dias.

Antes de entrar na análise de mercados, ontem comentei o caso Volkswagen e minha perplexidade com o que ocorreu. Levantei algumas hipóteses do porque, e parece que hoje surgiu o motivo.

As vendas nos USA da Volkswagen estavam indo de mal a pior, o seu preço relativo a seus concorrentes era mais caro. Como diz aquela frase famosa: ..."o barato sai caro"...

No post trader-new-wave, fiz os seguintes comentários: ...Por enquanto nada a se comemorar, nem atualizar. Hoje a tarde deu "mais um gás", subindo mais um pouco. Como anotei no gráfico, o nível de 1.170 precisa ser rompido... E no post sentindo-no-bolso, alterei o stop para US$ 1.098. Hoje pela manhã o ouro deu um salto de US$ 24, algo que não se via há um bom tempo, e a cotação se aproxima do nível anotado acima de US$ 1.170.
Não teria nada a acrescentar e nem modificar, apenas que os movimentos dos últimos dias espelham a incerteza que reina nos mercados financeiros, e nestes momentos o ouro é um refugio secular.

 O SP500 fechou a 1.932, com queda de 0,34%; o USDBRL a R$ 3,9930, com queda de 4,46%; o EURUSD a 1,1223, com alta de 0,34%; e o ouro a US$ 1.153, com alta de 1,99%.
Fique ligado!

22 de setembro de 2015

As fraquezas do Homem

Eu não sei vocês, mas eu fiquei chocado ao saber que a Volkswagen está sendo acusada, pelas autoridades americanas, de manipular os testes de emissão de gases imposto por aquele país. O mais impressionante é que não houve nenhuma contestação pela companhia, apenas um pedido de desculpas e o reconhecimento do erro.

Como consequência as ações dessa companhia já caíram mais de 30%, uma vez que, vários países estão demandando a mesma verificação. Desde ontem nenhum carro é vendido, ou melhor, comprado!



Sem entrar nos detalhes do ocorrido, nem tampouco dos prejuízos decorrentes de tal revelação, gostaria de focar do por que uma empresa com essa, precisa correr este tipo de risco. Primeiro é necessário analisar como é seu CEO, Martin Winterkon. As informações dão conta que é um executivo há muitos anos a frente da companhia, e que gosta de dar palpites em todos os detalhes, sendo assim, seria muito difícil ele não saber desta falcatrua.

Eu não sei qual é o motivo que fez com que a maior fabricante de automóveis do mundo tomasse esta decisão, mas provavelmente, a omissão timha impacto em seus resultados, ou seja, se tivesse que seguir a regra americana, afetaria seus lucros. Não posso acreditar que fosse por leniência, ou até incompetência em seguir as regras.

Dentro dos sete pecados capitais, este caso se enquadra na ganância, em meu ponto de vista, sintoma presente em toda história da humanidade. Acontece que nas últimas décadas, com uma enorme concentração de renda observada no mundo, ocasionada pela valorização dos ativos, aguçou os homens a se tornarem cada vez mais ricos e poderosos, a qualquer custo.

Refleti se esse caso é muito diferente do "lava-jato", que mais está parecendo uma telenovela da Globo, com revelações que beiram a ficção. Na essência não é muito, ambos são motivadas pelo poder e por dinheiro. Porém existe um fator que não pode ser desprezado, enquanto aqui, o "CEO" se esquiva da responsabilidade dizendo que não sabia de nada, lá em questão de horas, toda a responsabilidade foi assumida. A razão é que a sociedade Alemã está se sentindo envergonhada por expor uma companhia de tal importância num escândalo com essa repercussão, enquanto por aqui essas coisas são normais, pois confunde o ato de errar com a normalidade dessas ocorrências, acobertadas com frases do tipo: ..."todos os políticos são desonestos..."!

Não se pode saber como vai terminar este escândalo, nem tampouco os seus prejuízos. Mas é uma mancha negra numa empresa de elevado conceito, e num país muito serio. Isso não contribui em nada ao cenário instável em que se encontra as economias mundias.

Eu venho enfatizando a elevada correlação entre os mercados, desafiando os modelos acadêmicos de diversificação. Veja a seguir como as bolsas do mundo vêm se comportando ultimamente.
Todas em posições tecnicamente delicadas. A pergunta a se fazer é se, um evento como esse, desencadeará uma queda do DAX abaixo do suporte, empurrando as outras bolsas. Por exemplo, a bolsa americana estava apontando 2% de queda antes da abertura. Se você tem ações, sugiro que tome cuidado e atualize seus stoploss.

Hoje pela manhã o dólar rompeu a cotação de R$ 4,00, isso tem implicações muito importantes do ponto de vista técnico. Aguardem para breve novas projeções. Posso adiantar que o movimento de longo prazo de alta do dólar, que teve um pico 2002, e desde então não havia superado aquele ponto, ao ultrapassa-lo, indica novas altas para o futuro. Este não é o assunto de hoje, mas daqui em diante sou comprador de dólares, o fato de ter ultrapassado hoje sem nenhum retrocesso, vislumbra R$ 4,40 em breve.

No post raspando-o-prato, fiz uma proposta de trade no euro: ...Acredito que é mais provável que o euro suba até 1,185, ou até um pouco mais, antes de voltar a cair, mas como vocês sabem, este é um movimento de correção. Se você quiser fazer uma "apostinha", poderiam comprar entre 1,125/1,13, com stop a 1,1080. "Ficha na traiçoeira"! Hahaha... Depois de executado, a moeda única chegou a subir até 1,145, em seguida um movimento de queda começou a se desenrolar.


Já estamos próximos do stop e seria necessário uma recuperação rápida. Aqui vale a recomendação que venho repetindo para o euro, primeiro que o movimento está numa correção e segundo que ela faz jus ao seu apelido de "traiçoeira"!

Amanhã não haverá publicação do Mosca, retornando na próxima quinta-feira.

O SP500 fechou a 1,942, com queda de 1,23%; o USDBRL a R$ 4,0487, com alta de 1,68%; o EURUSD a 1,1118, com queda de 0,69%; e o ouro a US$ 1.124, com queda de 0,80%.
Fique ligado!

21 de setembro de 2015

"The Twilight Zone"

Na década de 60, existia uma série americana de TV que era de ficção científica, suspense, fantasia e terror. A grande maioria dos episódios abordava histórias com elementos sobrenaturais, ocorrências "Além da imaginação", tais como viagens no tempo, alienígenas, fantasmas e outras situações misteriosas, ambientadas num local denominado "Zona do Crepúsculo" ou "Twilight Zone". Eu me lembro pouco desta série, mas a razão é evidente, devia morrer de medo pois ainda era criança.

Esta introdução do post hoje foi para traçar um paralelo entre essa série e a situação do real. Na sexta-feira, a cotação terminou perto de R$ 3,95, e como havia mencionado no post mosca-sub-judicie: ...Os indicadores de momentum não indicam nenhum refresco, qualquer janela que se observe: diário, semanal ou mensal, continua firme e forte... Acredito que não pode restar dúvidas. ...Se, e aqui o "se" é muito importante, ultrapassar os R$ 4,00, O nível que aponta o término de um movimento seria R$ 4,40... O perigo ronda agora. Neste mesmo post, expliquei os motivos do porque é tão importante este nível, caso seja ultrapassado.


Do lado político as incertezas aumentam diariamente, e a possibilidade de a Presidente Dilma sair do governo, ou por impeachment ou renúncia, tem se elevado. O ex-Presidente Lula fez uma declaração neste final de semana que gerou dúvidas na imprensa. Disse que, se a Presidente Dilma não conseguir aprovar seu pacote fiscal, deveria renunciar. Para mim é claro, quer que ela saia. Assim poderia se colocar como oposição e tentar a sorte em 2018, "mui amigo"!

A deterioração econômica é visível por qualquer ângulo que se observe. O Deustche Bank elaborou um relatório apontando um grupo de variáveis econômicas, das quais selecionei algumas. Inicialmente a confiança do empresariado continua em queda.

As vendas no comércio seguem em linha, com a queda dos salários reais.
E a probabilidade medida em percentagem do Brasil entrar em default, embora ainda baixa, vem crescendo.
Todo este cenário negativo, tanto econômico como político, vem recaindo sobre a cotação do dólar. Porém, agora estamos num ponto muito delicado, do ponto de vista técnico, a cotação passar ou não dos R$ 4,00. No post dinheiro-não-recebe-ordens, comentei que ultrapassando esse nível, indicará que o  dólar ainda está num movimento de alta no longo prazo, e novos patamares é esperado para o futuro. O real está no "Twilight Zone!"

O SP500 fechou a 1.966, com alta de 0,46%; o USDBRL a R$ 3,9818, com alta de 0,93%; o EURUSD a 1,1195, com queda de 1,01%; e o ouro a US$ 1.132, com baixa de 0,53%.
Fique ligado!

18 de setembro de 2015

Sentindo no bolso

Pelas notícias publicadas hoje, percebe-se que o mercado não gostou da decisão do FED. Diferentemente de outras ocasiões, onde a manutenção dos juros em 0% faziam as bolsas subirem, desta vez, uma ação de vendas se iniciou no final do pregão de ontem em Wall Street e se propagou pela Ásia e Europa.

Eu comentei no post excesso-de-pessimismo, quatro possíveis alternativas sobre a decisão do FED, que repito a seguir:
1 - Status Quo: Não sobe os juros e mantém o mesmo discurso.
2 - A bala está na agulha: Não sobe, mas deixa claro que não passa da próxima.
3 - Isso é só o Começo: Sobe e avisa que é o inicio da normalização.
4 - Só vai por os pés: Sobe 0,25% e permanece aí até que fique mais claro o efeito da alta.


Aparentemente foi escolhida a primeira, mas fiquei na dúvida se não existe uma derivada:
4a - Nem põe os pés: Não sobe nunca mais! Hahaha...

Ontem fiz alguns comentários iniciais sobre os resultados da reunião, mas hoje vamos ver alguns detalhes. Primeiro e mais importante, no meu ponto de vista, é a projeção do PIB feita pelo FED.
Não, o gratifico não está de ponta cabeça. O FED acha que a economia vai melhorar desta forma com o PIB caindo para 2% a.a no longo prazo? Com certeza, eles estão visualizando um futuro muito mais sombrio que o mercado. Isso se eles não errarem superestimando, como vem sendo o padrão dos últimos anos. 

Para o trimestre em questão, a estimativa efetuada pelo FED de Atlanta, projeta um PIB já bem inferior ao mercado de 1,5% a.a.
Ontem mencionei também, minha surpresa pela ênfase dada pelo FED no mercado de trabalho. Talvez tenha encontrado a razão, através dos dados do censo americano, relativo a distribuição de renda, veja a seguir.

Os únicos que poderiam estar mais felizes são os velhinhos, que tiveram uma elevação de seus ganhos nos últimos 50 anos. Mesmo assim, é de longe muito menos que a alta da bolsa, pois enquanto os salários praticamente dobraram, a bolsa subiu nominalmente 1.900%. Talvez o que a Yellen esta enfatizando é que para o mercado de trabalho tornar-se mais saudável a condição de criação de vagas é necessária, mas não suficiente, os salários tem que aumentar também. Os americanos estão sentindo no bolso, todas as mudanças estruturais que estamos vivendo.

De todos os mercados, os de juros foram os que tiveram uma reação imediata, com queda das taxas. No post post-it-para-Yelen, fiz os seguintes comentários: ...os juros entraram no intervalo que poderá sedimentar novas altas no futuro. Mas por enquanto, ainda está tentando. O nível apontado no gráfico de 2,40% é muito importante do ponto de vista técnico, se romper poderá ultrapassar 2,80%. Mas tudo isso ainda são conjecturas, e o que acontecer amanhã pode definir se vai mesmo, ou dá meia volta...
Eu poderia muito bem ter embarcado na onda de alta de juros e proposto um trade naquele momento, afinal, eu esperava que o FED subisse os juros. Mas os dados técnicos não se apresentavam tão favoráveis. Estou enfatizando isso, pois minha imagem tem sido associada a falta de direção - "pode ir para um lado ou para outro". E nesse caso foi o que aconteceu. O que eu deveria fazer hoje se tivesse feito a aposta? Não vou cansar de repetir que, quando os mercados estão num movimento de correção, tudo pode acontecer.

Voltando ao mercado de juros, continuo sem uma posição definida. Pode: reverter e subir, nesse caso 2,40% é importante; ou continuar a queda, e nesse caso 1,95% é importante. Não tenho opinião e não arrisco dinheiro em "palpites". Já é difícil acertar quando os indicadores estão a seu favor, imagina quando não fornecem nenhuma informação! 

Estamos com duas posições em aberto: euro comprados a uma média de 1,1275 com stoploss a 1,1085, que será mantido; e o ouro a US$ 1.110, e estou subindo o stop para US$ 1.098.

O SP500 fechou a 1.958, com queda de 1,61%; o USDBRL a R$ 3,5947, com alta de 1,48%; o EURUSD a 1,1294, com queda de 1,22%; e o ouro a US$ 1.138, com alta de 0,67%.
Fique ligado!

17 de setembro de 2015

Trader New Wave

Se vocês acham que a notícia mais importante hoje é a reunião do FED, se enganaram, foi a vitória espetacular do Santos 4 x 1 sobre o Atlético Mineiro. Nem comentei  a derrota no domingo para a Ponte Preta, lamentável, embora o time não estivesse completo. Mas ontem, somente com a ausência de Geuvanio, o Santos fez uma partida primorosa. Tenho que confessar que a defesa do Santos precisa de algumas mudanças, meu xará é fraco.

O caso do Santos comprova que um bom técnico faz toda diferença, uma condição necessária, mas não suficiente para o sucesso. A base do time é praticamente a mesma, mas os resultados diametralmente opostos. No começo do Campeonato estávamos beirando o rebaixamento e agora se aproximando do G4. Contra minhas previsões, o brasileirão está ganhando interesse, uma vez que existe uma grande concentração de times na parte superior da tabela de classificação e com diferenças em pontos muito pequenas. Ótimo!

David, o Milton Leite que se cuide! Está mudando de ramo? Que tal o nome para seu novo blog: Acertando na "gorduchinha" Hahahaha...

No dia de hoje, se eu fosse um trader como do passado, iria ficar em casa assistindo o programa da Xuxa. Fazia muito sucesso na época e é muito melhor que o programa da Ana Maria Braga. O motivo é que, tudo o que você fizer pela manhã, pode mudar radicalmente à tarde, e como tecnicamente, não existe nada tão evidente, vou reservar um espaço adiante para comentar sobre a reunião do FED.

Um artigo interessante foi publicado pelo Wall Street Journal, sobre a evolução dos trades nestes últimos 10 anos. Na foto acima, pode-se verificar mudanças importantes de estilo e atitudes. Por exemplo, no passado o símbolo de status era uma BMW, e hoje é uma bicicleta. Do ponto de vista de formação acadêmica, no passado valorizava-se os cursos de MBA, enquanto hoje, uma formação superior em matemática.

A ênfase do artigo entretanto, é que a maioria dos operadores que movimentam enormes quantias de títulos, nunca tiveram a experiência com o FED subindo os juros, uma vez que isso aconteceu há quase uma década. Por exemplo, o US Bank, o quinto maior banco americano por empréstimos, estima que 70% de sua força de trabalho, em posições que podem ser afetadas pela decisão do FED, nunca trabalharam num ambiente de alta de juros.


O FED acabou de anunciar que os juros irão permanecer em 0% ao ano, claro! Hahahaha... Vou dar minhas impressões sobre o teor do comunicado, projeções para o futuro, e sobre a secção de perguntas e respostas.

O comunicado aponta para uma fraqueza maior para o futuro. Isso pode-se verificar nas projeções de PIB, rebaixada em todos os anos, com exceção de 2015, o que parece ao inverso do que se esperaria. Sobre o mercado de trabalho não entendo o que eles querem que melhore, já estamos quase que a pleno emprego. E as projeções de inflação também foram reduzidas.

Assuntos novos incluídos: explicita receio dos mercados internacionais, leia-se China e emergentes; e a valorização do dólar que poderia importar deflação para os USA. Em relação as projeções da taxa de juros, com exceção de um membro que projeta níveis mais elevados que seus pares e outro que imagina deflação, existe um certo consenso. Assim a dispersão é bem inferior a de outras reuniões. Portanto, as médias dos juros, é um bom indicador do que o Comitê espera:
2015 - 0,4%
2016 - 1,6%
2017 - 2,9%
2018 - 3,4%

Na secção de perguntas e respostas nada de muito diferente do que está expresso no comunicado. Mas mesmo assim, fico intrigado o que precisa melhorar no mercado de trabalho. Só vejo uma razão: O FED estaria "torcendo" para os salários subirem a fim de que impactem à inflação. Só falta combinar com os robôs!

Os traders que nunca assistiram uma alta de juros, podem ficar tranquilos, não foi agora. Será algum dia?

No post quando-o-empate-é-uma-derrota, sugeri a compra de ouro: ...Minha proposta para o ouro é comprar a US$ 1.110, com um stop a US$ 1.075. O target será estabelecido mais a frente... Depois de alguns dias a ordem foi executada, e o metal bateu a mínima de 1.098.
Por enquanto nada a se comemorar, nem atualizar. Hoje a tarde deu mais um gás, subindo mais um pouco. Como anotei no gráfico, o nível de 1.170 precisa ser rompido.

Esta semana um leitor me perguntou se o ouro não estava barato, e eu me surpreendi, pois tinha sugerido compra. Então concluí que ele não tinha lido o Mosca

Ontem enviei o link acima e sua resposta foi: 
- Este trade eu já perdi, o preço subiu. 
Respondi que, uma alta de US$ 10 sobre o preço originalmente sugerido não era o fim do mundo. Se esse trade for vitorioso, nem vai aumentar muito o lucro, nem tampouco o prejuízo, se der errado. 

Em seguida ele respondeu:
- Mas amanhã tem o FED!
Nesse momento percebi que não tinha lido o post desta semana mosca-sub-judicie, onde explico as bases da análise técnica e que destaco a seguinte frase: ...Para clarificar, tanto faz se o BC vai entrar para vender dólares ou existem saídas de recursos por parte dos estrangeiros, e etc... o princípio que norteia a análise técnica é que você não precisa saber de nenhuma notícia, tudo está no preço....

A sugestão para este leitor é: Leia o Mosca porra! Hahaha....

O SP500 fechou a 1.990, com queda de 0,26%; o USDBRL a R$ 3,8976, com alta de 1,69%; o EURUSD a 1,1435, com alta de 1,33%; e o ouro a US$ 1.131, com alta de 0,98%.
Fique ligado!


16 de setembro de 2015

Post it para Yelen

Hoje começa a tão esperada reunião do FED e termina amanhã. A Presidente Yelen é notoriamente conhecida como "dovish", que significa pacífica, conciliadora. Mas no jargão do mercado é entendido como uma postura mais avessa a altas de juros, "Pombinha". Porém, dentro do FED existem membros que são o contrário, "hawkish" , que significa agressivo, e o mercado usa para identificar pessoas que na dúvida optam por juros mais altos, "Águias".

Os "hawkish" estão prontos para ganhar a batalha. Mesmo alguns analistas não apostando num aumento amanhã, parece que é o que irá acontecer. Mais adiante vou comentar o mercado dos juros de títulos de 10 anos, e vocês irão perceber o posicionamento do mercado. 

Agora imaginem todos os governadores do FED reunidos com a Yelen naquela mesa quilométrica, cuja posição da cadeira em que cada um senta, indica sua importância. Repentinamente, entra uma moça com um bilhetinho para a Presidente, o que sera?

Acredito que todos vocês já passaram por momentos assim, e quando o bilhetinho não é para você, todos aguardam a reação de quem recebeu. Se é uma notícia boa, quem a recebeu, vai compartilhar na hora. Agora se não comenta, aí começa um zum-zum na sala, com especulações.

Muito bem, no caso de hoje o bilhetinho tinha a seguinte informação: CPI August: (-0,1%)  deflation! O que vocês acham que a Yelen fez, comunica ou ficou quieta? Hahahaha...


Depois das cenas da mini-novela acima, é lógico que essa informação é disponível à todos, e o "romance" criado acima, é no intuito de analisar se esta informação poderá ter algum tipo de mudança, principalmente nos que estão advogando a alta dos juros. Já o índice que mede a inflação excluindo alimentos e combustíveis, ficou em + 0,1% no mês e a taxa anual permaneceu estável em 1,8%.

Os grandes responsáveis pela queda foram os combustíveis e passagens de avião. Uma tendência verificada com persistência desde 2014, é a queda dos preços importados, que foram influenciados pela valorização do dólar, além do crescimento pífio dos países desenvolvidos. Esse fator está impulsionando o nível de deflação.

O pessoal da Standard & Poor's está com a caneta na mão, e hoje rebaixou a dívida do Japão, era AA- e agora está classificada em A+. Ainda permanece com investment grade, e bem distante da perda desse status. O argumento para esse movimento é uma preocupação em relação a economia e o elevado grau de endividamento. Para dizer a verdade, a dívida japonesa é gigante, próxima a 250% do PIB, qualquer outro país já estaria quebrado há muito tempo, pois uma pequena elevação da taxa de juros, colocaria a dívida numa espiral ascendente sem fim.

Então por que o Brasil, com uma situação de reservas excelente, e nível de endividamento muito inferior, foi rebaixado? Juros estratosféricos, recessão e lava jato.

Ontem, sem muita razão, os juros dos títulos de 10 anos subiram para 2,27% a.a. No post reprovado, fiz os seguintes comentários: ...caso o mercado recupere esse nível e ultrapasse 2,25% - 2,35% a.a., a alta dos juros ganham mais sustentação. Por outro lado, caso não consiga sustentar os 2,18% a.a., pode levar a novas quedas... 

Como mencionei acima, os juros entraram no intervalo que poderá sedimentar novas altas no futuro. Mas por enquanto, ainda está tentando. O nível apontado no gráfico de 2,40% é muito importante do ponto de vista técnico, se romper poderá ultrapassar 2,80%. Mas tudo isso ainda são conjecturas, e o que acontecer amanhã pode definir se vai mesmo, ou dá meia volta.

O SP500 fechou a 1.995 com alta de 0,87%; o USDBRL a R$ 3,8325, com queda de 0,79%; o EURUSD a 1,1285, com alta de 0,17%; e o ouro a US$ 1.120, com alta de 1,34%.
Fique ligado!

15 de setembro de 2015

Raspando o prato

Nesta época do ano comemora-se o Ano Novo Judaico, o Rosha Shana. É costume nesse período jantares e almoços na casa de familiares, onde são servidas comidas típicas. Quando minha mãe era viva, ela mesma preparava todas as comidas, que saudades! Minha esposa tradicionalmente convida toda a família e serve o jantar de maneira impecável. Uma orgia alimentar!

O que isso tem a ver com a economia? Ontem a equipe econômica, liderada novamente por Joaquim Levy, anunciou um pacote de medidas contendo corte de despesas e aumento de impostos. Os itens constantes dessa medida encontram-se publicados nos jornais, mas o que eu gostaria de ressaltar são os valores de cada item, nenhum deles muito expressivos individualmente, com exceção da CPMF, embora essa última ainda seja uma incógnita a sua aprovação.

Desde o anuncio do rebaixamento da dívida brasileira pela S&P, algumas mudanças ocorreram dentro do governo. Mesmo com o que foi noticiado nos jornais, que Joaquim Levy tinha conhecimento da ação dessa agência de risco com antecedência e não avisou sua chefe, a Presidente, ela percebeu que a situação poderia sair de controle se não agisse rápido. A turma dos "desenvolvimentistas" liderada pelo Ministro Nelson Barbosa, foi colocada de lado. Optou-se pelo certo ao invés de experimentos, que só antecipariam novos rebaixamentos. Boa notícia!

O mais importante a ser observado nas próximas 48 horas é se os políticos irão dar apoio ou não às medidas. Imagino que um mínimo de consultas foram feitas neste sentido, antes do anúncio, embora não seja garantia de nada, os políticos podem mudar de opinião. Em todo caso, se o governo conseguir ir em frente um período de calmaria poderia acontecer, diminuindo as pressões de movimentos de impeachment e derivados.

Agora se essas medidas serão suficientes para estabilizarem as contas públicas e vislumbrar algo menos horrível para o futuro, ninguém sabe. O que se sabe, é que o governo está raspando o prato, como o meu, no jantar de Ano Novo!

A ilustração a seguir mostra como o real vem sendo castigado pelos motivos internos e externos. O tema do Mosca para 2015, "dólar - dólar" x "Dilma", vem se somando de forma negativa.
Com uma situação cambial superior ao dos países emergentes, como mostrei no post excesso-de-pessimismo, é inacreditável a performance de nossa moeda. De duas uma, o mercado está exagerando em sua percepção, ou o Banco Central está errando muito em não vender reservas para acalmar os ânimos. Em outras palavras, ou acontecem fatos ruins daqui em diante para confirmar este pessimismo, ou é arriscado ficar comprado em dólar nesses níveis.

Como vem sendo largamente noticiado, esta semana promete muita emoção. Na quinta-feira, a Janet Yelen e sua turma terão muito trabalho para justificar sua decisão sobre os juros americanos. No post excesso-de-pessimismo, listei quatro possíveis alternativas, e para qualquer uma delas, na secção de perguntas e respostas, o ambiente será tenso, pois as opiniões estão muito divididas. Copiei abaixo para relembrar quais são.

1 - Status Quo: Não sobe os juros e mantém o mesmo discurso.
2 - A bala está na agulha: Não sobe, mas deixa claro que não passa da próxima.
3 - Isso é só o Começo: Sobe e avisa que é o inicio da normalização.
4 - Só vai por os pés: Sobe 0,25% e permanece aí até que fique mais claro o efeito da alta.


Os membros do FED que querem o aumento, justificam que, mesmo a inflação estando abaixo da meta, ela tenderá a ficar a ficar dentro da meta no futuro. Acontece que o mercado não está achando isso. O gráfico a seguir apresenta a expectativa futura da inflação: daqui a um ano (azul); e três anos (vermelho), e ambas apontam para baixo.
Do outro lado as bolsas de valores ao redor do mundo encontram-se em posições tecnicamente perigosas. Veja a seguir.
E o que é pior, a correlação entre elas está em níveis muito elevados, o que significa não haver diversificação neste momento, uma influencia a outra.
Ao analisar os vários ativos pela manhã, nenhum deles merece algum comentário adicional aos últimos já publicados, devem estar aguardando a decisão do FED. Para não passar em branco, o euro é o único que mostrou pequena tendência de alta, no curto prazo.

Desde que publiquei o post a-Europa-esta-na-moita, o euro está num movimento de alta de "tartaruga", devagarzinho.

Acredito que é mais provável que o euro suba até 1,185, ou até um pouco mais, antes de voltar a cair, mas como vocês sabem, este é um movimento de correção. Se você quiser fazer uma "apostinha", poderiam comprar entre 1,125/1,13, com stop a 1,1080. "Ficha na traiçoeira"! Hahaha...

O SP500 fechou a 1.978, com alta de 1,28%; o USDBRL a R$ 3,8630, com alta de 1,39%; o EURUSD a 1,1266, com queda de 0,47%; e o ouro a 1.105, com queda de 0,27%.
Fique ligado!