Inflação: A Revanche

31 de agosto de 2015

Yes Woman

A Presidenta Dilma é conhecida por ter uma personalidade forte, "tipo" mandona. No primeiro mandato não era infrequente ouvir-se estórias que, em algumas reuniões desqualificava os seus Ministros, de forma até ríspida, e tomava as decisões de acordo com suas ideias. Mas parece que agora mudou, com tantos problemas a que está sujeita, tanto na "Pessoa Jurídica como na Pessoa Física", que resolveu usar outro estilo. O caso mais recente é o recuo no projeto de instituir a CPMF. A ideia não durou 48 horas, e no sábado já se dava conta que teria que recuar.

O cargo de Presidente tem uma função primordial de arbitragem, e como dizia o economista José Roberto Mendonça de Barros: "Um bom político tem que saber calcular o Valor Presente de seus atos". Usando essa métrica, a Presidenta tomou como linha de ação não confrontar com os políticos e como consequência irá frustar as mudanças que seus Ministros propõem.

Hoje tomamos conhecimento que, pela primeira vez, o orçamento federal é enviado ao Congresso com déficit primário de 0,5% do PIB, com o argumento de ser "realista e transparente". Imagino que Joaquim Levy, o Ministro que chamei de o 'salvador da pátria" não deve ter gostado nem um pouco. Aliás, parece ser a única pessoa dentro do governo que tem trabalhado incansavelmente buscando gerar um superávit. E agora, vai começar o jogo de 2016, no negativo.

Mesmo com apenas 8 meses de "novo" governo, parece que o cenário exposto no post Dilma-melhor-opção-para-o-momento vem se concretizando, até acho que pior do que eu havia imaginado. O Ministro Levy, deve estar se questionando o porque deveria continuar no governo, uma vez que das suas ideias inicias, pouco conseguiu concretizar O rebaixamento do Brasil pelas agências de crédito, agora é uma questão de tempo. Será que ele vai pedir as contas? Como dizia um amigo: "entrar no governo é fácil o difícil é sair". Mas mesmo que continue com vontade de sair, seu empenho cai a zero.

Na vida profissional é provável que todos passem por situações em que uma mudança de emprego foi um erro. O período de arrependimento é longo, não dá para voltar atrás e retornar ao posto velho, será necessário buscar outra solução. Assim deve se sentir a Presidenta, que todos os dias ao ir para cama, se arrepende de ter ganho as eleições. Sua imaginação lhe causa remorso ao pensar que poderia estar cheio de pedras na mão para atirar em Aécio Neves. Não tenham nenhuma ilusão que, Armínio Fraga, que tem competência de folga para assumir o Ministério das Finanças, não faria muito melhor. Nessa situação, o PMDB estaria do lado PT. Vocês têm dúvidas?

Quando o assunto é se o FED vai subir ou não os juros, agora em setembro, a dúvida não paira somente no mercado financeiro, mas dentro do FED. Este final de semana realizou-se um evento tradicional chamado de Jackson Hole, com vários Bancos Centrais do mundo. Embora nem a Yellen, nem o Super Mário, que está quietinho ultimamente, não estiveram presentes. Vários Presidentes de Bancos Centrais ao redor do mundo disseram que a alta dos juros nos USA, não criará grandes problemas com suas economias, com exceção dos Chineses, que pediram para postergar o aumento até que a economia mundial esteja num situação mais sólida.

Todo o foco ficou com Stanley Fisher, uma espécie de segundo homem do grupo do FED, ao afirmar que a inflação não é um problema, pois está baixa por questões temporárias. e que basta retirar os estímulos de uma forma gradual. Afirmou também que,  as influências das ações em política monetária, na atividade econômica, tem um retardamento substancial. Para bom entendedor meia palavra basta, ele não está nem um pouco preocupado com o que aconteceu a semana passada e o voto dele para a elevação é uma certeza. Isso contrasta diametralmente como a declaração de um outro membro, William Dudley, que está preocupado como os eventos da semana passada, e que o FED deveria levar isso em consideração. Vai ser interessante o resultado dessa reunião.

O real vem apanhando dobrado, além da pressão que as moedas emergentes vêm sofrendo. Nossa moeda tem performado pior ainda. Isso pode-se constatar no gráfico a seguir, onde comparamos o real com a de alguns de nossos pares.


Para que vocês não se confundam com outras publicações deste gráfico, eu deixei a linha em vermelha invertida para que ficasse mais clara a pior performance do real. Depois de uma pequena melhora relativa até maio, daí em diante iniciou a queda. O efeito "Dilma" está prevalecendo atualmente, e nem os juros estratosféricos são suficientes para estancar esse diferencial.

No post tpm-cambial, fiz os seguintes comentários sobre o real: ...Se tudo se comportar conforme o esperado, as cotações deveriam reverter a R$ 3,78 ou R$ 3,99, este último, um nível psicologicamente importante, uma vez que estaria buscando romper uma máxima histórica atingida em 2002... ...Quero deixar registrado que, existe uma probabilidade pequena, onde o dólar já tenha atingido a máxima hoje a R$ 3,65. Está é a razão que não sugiro nenhuma operação de compra, e para quem ainda está comprado, suba o stop para R$ 3,45...
Hoje pela manhã o dólar atingiu novas máximas a R$ 3,6832 e parece caminhar para o nível citado acima. Notem também como foi útil, para quem estava comprado, estabelecer um stop num nível mais elevado, e deixar a posição sem liquidar. Essa forma de atuar garante um resultado maior, sem comprometer o lucro total. Sugiro uma nova atualização do stop para R$ 3,53
O gráfico acima de curto prazo mostra um possível caminho que o dólar pode perseguir nos próximos dias, atingindo o nível de R$ 3,78.

O SP500 fechou a 1.972, com baixa de 0,84%; o USDBRL a R$ 3,6270, com alta de 1,30%; o EURUSD a 1,1211, com alta de 0,29%; e o ouro a US$ 1.134, com alta de 0,10%.
Fique ligado!

28 de agosto de 2015

Bons tempos

Todos os dias pela manhã, faço uma pesquisa extensa nos artigos e notícias publicadas. Fontes como o Wall Street Journal, Bloomberg, Estadão, Valor, e várias outras, fazem parte do meu dia a dia. É natural que pela rapidez com que as informações fluem, os dados publicados no dia anterior já são notícias velhas. Esta talvez seja a razão que, sem eu perceber, tenho feito cada vez menos menções. É claro que quando um assunto merece uma análise mais profunda, eu publico.

Nas minhas reflexões, vieram a memória os anos 80, quando eu trabalhava no BFB. A rotina era bem diferente, do que eu imagino hoje seria. Naquela época, minhas fontes de informações necessárias para tomada de decisão eram simples, lia a Gazeta Mercantil e o Estadão, uma reunião com a equipe e os economistas (eles sempre estiveram presentes em minha vida), e em seguida, ação! Tinha uma outra grande diferença, tudo terminava ao meio dia, o restante da tarde era destinado a ações administrativas.

Hoje em dia é muito diferente para este "novo" David, tem que estar informado sobre os acontecimentos, literalmente do mundo inteiro. Além disso, saber o que poderá afetar suas posições. Acredito ser praticamente impossível acompanhar com a profundidade necessária. Por exemplo: o que acontecerá na China; ou como irá se comportar o consumidor americano; se o FMI vai concordar com os Gregos em seu pacote de auxílio; se o Japão vai sair da estagnação que já dura algumas décadas; além do que acontece internamente.

Sua única saída é confiar no julgamento de analistas específicos e seguir suas opiniões, que nem sempre coincidem. Não invejo meu substituto, as oportunidades antes, eram muito superiores. Existiam distorções absurdas nos preços dos ativos, muito em razão da falta de preparo financeiro dos participantes. Bons tempos!

- David, isso é conversa de quem está ficando velho!
Oh amigão, relaxa, hoje é sexta-feira, depois de uma semana volátil! Hahaha...

Ontem foram republicados os dados do PIB americano, e como já foi reportado, ficaram bem acima das expectativas. O mercado se animou com esses números e as bolsas recuperam mais um pouco. Notem que ultimamente as revisões deste dado tem sido no sentido de índices melhores. Abaixo a última atualização da expectativa do PIB para o trimestre em curso.

O consenso entre o modelo do FED de Atlanta e o mercado para o PIB, ainda estão distantes.
Hoje foram publicados os dados de gastos pessoais e de rendimentos. Nenhum deles dá uma indicação de uma melhora expressiva.
Nos últimos anos estes indicadores parecem manter uma certa estabilidade, nada comparável aos do passado. Bons tempos aqueles também! 

Já o fluxo de recursos investidos nos fundos financeiros, mostra um certo receio dos americanos,
Existe uma lógica, quando acontece o resgate num tipo de fundo - renda fixa ou ações, o outro tipo recebe parte destes recursos. Porém não foi o que ocorreu nos últimos dois meses, onde ambos sofreram resgates, isso não acontecia desde 2008. Segundo um analista "Pode ser que esta é uma esquisitice interessante, mas se continuarmos a ver isso poderia refletir um nervosismo por parte dos investidores domésticos". A conferir.

Hoje vou analisar os juros dos títulos de 10 anos. Ele está dando um "baile" nos operadores, e olha que é lá que estão as feras de Wall Street! No post segredos-do-yuan, fiz os seguintes comentários: ...Permanecemos com a mesma opinião, caso o mercado recupere esse nível e ultrapasse 2,25% - 2,35% a.a., a alta dos juros ganham mais sustentação. Por outro lado, caso não consiga sustentar os 2,18% a.a., pode levar a novas quedas... ...o jogo não está definido e pode-se ver claramente no gráfico que estamos numa correção, e num nível que não é extremo para nenhum dos lados. Minha sugestão, é melhor assistir a novela da madrugada!...

Destaquei em vermelho a trajetória dos juros desde a última publicação citada acima. Como diria Milton Leite em seus comentários de futebol: ..."Que beleza!". Acredito que minha orientação de não fazer nada, foi boa, pois poderia perder dinheiro tanto na compra como na venda. Também, de um lado está o pessoal que acredita que estamos caminhando para uma deflação - queda nos juros, do outro lado os que visionam que os USA estão bem, e o FED vai agir - alta dos juros; e por último um novo participante, a China que não aposta em nada, mas precisa vender títulos para defender o Yuan. É isso que diz o gráfico, sem direção no momento, assim, ficamos observando.

Como comentei ontem, hoje fomos stopados na posição de euro com um prejuízo de 1%.

O SP500 fechou a 1.988, sem alteração; o USDBRL a R$ 3,5855, com alta de 0,98%; o EURUSD a 1,1188, com queda de 0,49%; e o ouro a US$ 1.134, com alta de 0,80%.
Fique ligado!

27 de agosto de 2015

Foi só um susto?

Os mercados estão mais estáveis, ou menos voláteis nestes dois últimos dias. As bolsas recuperaram parte das perdas do início da semana, e operam em alta hoje, a chinesa que foi o epicentro desses movimentos subiu 5,34%, com a ajuda do governo, é claro. Será que tudo isso foi só um susto?

Uma apresentação feita pela Goldman Sachs acredita que é mais provável que tenha sido mais um susto, e que não existe evidências de que estejamos próximos de uma recessão. Em relação à queda do SP500, observando-se o passado, a probabilidade que este índice suba nos próximos 30 dias é superior a 70%.
Analisando a queda, do ponto de vista de um sinal de recessão, somente em 31% dos casos, uma queda da bolsa, foi um indicador de que uma recessão é esperada para os próximos 12 meses.


Muitos analistas alertam que o movimento de queda das bolsas e desvalorização cambial das moedas dos países emergentes, poderia ser um pré anuncio de uma crise semelhante a que ocorreu em 1997. O slide a seguir mostra um comparativo de três parâmetros, e nota-se que as condições atuais são muito superiores que as daquela época.
E por último, uma análise mostrando que as moedas dos países emergentes encontram-se desvalorizadas em 35%, segundo seus modelos. Em outras palavras, a correção ocorrida nestes dois últimos anos foi suficiente para colocá-las no mesmo nível de antes do boom das commodities. 
Tranquilo agora? Se as condições ficarem dentro do que é mais provável, parece que foi só um susto. Porém, em nenhuma das situações no passado existia uma injeção de liquidez da magnitude da que vivemos. e nem tantos BC com volumes expressivos de reservas investidos em títulos de governos. Isto nos remete às mudanças que foram implementadas semana passada, na área cambial da China.

Todos lembram bem, do temor causado no mercado, quando num belo dia, promoveram uma queda do Yuan de 1,9%. Depois de muito tumulto, pararam o movimento que haviam iniciado, e desde então, a moeda chinesa tem permanecido estável.
Acontece que esta estabilidade se deu por uma forte intervenção no mercado cambial com a venda de dólares para conter o Yuan. Comenta-se no mercado que foi necessária a venda de US$ 100 bilhões, um valor expressivo se considerarmos que desde o começo do ano estima-se um valor semelhante de venda. Sabe-se também que o volume de títulos americanos detidos pela China é enorme, superiores a US$ 1,0 trilhão. Assim, para poder intervir no mercado de câmbio vendendo dólares, para obtê-los, teve que vender os títulos de sua carteira.

Todas as moedas emergentes encontram-se sob pressão - e existe razão para se imaginar que continuarão - a queda das reservas nestes países e as intervenções no câmbio para que não haja uma desvalorização desordenada de suas moedas, deve colocar pressão nas taxas de juros dos títulos longos americanos. A seguir pode-se verificar o fluxo de reservas dos países emergentes e os juros dos títulos americanos.


Suponha que todos os países emergentes resolvam vender parte de seus títulos americanos. O total de reservas destes países é de US$ 5,5 trilhões, qual seria o impacto esperado na taxa de juros? Uma série de estudos acadêmicos estima que para o equivalente a 1% do PIB americano (US$ 178 bilhões) de venda desses títulos, acarreta uma elevação dos juros entre: 0,15% a.a.- 0,35% a.a. Imaginando que 10% deste estoque seja vendido, o que equivale a 3,07% do PIB americano, os juros subiriam algo entre: 0,50% a.a. - 1,10% a.a.

Isso, por si só, já seria suficiente para o FED botar o pé no freio em seu intuito de normalizar os juros, uma vez que, esta pressão seria ocasionada somente pela pressão na venda destes títulos. Agora, se o volume for superior, 20% ou 30%, saí de baixo, seria uma derrocada do dólar e da credibilidade do mesmo.

Então, qual cenário vocês acham mais provável, a estatística do passado ou as condições presente?

No post panico-nas-nuvens, fiz as seguintes sugestões de trade para o euro: ...comprar 1/2 posição a 1,1360 e a outra metade a 1,1280, com um stoploss a 1,1210. Estamos arriscando 1% para buscar  4,5%, se o euro chegar a 1,185... E ambas foram executadas entre ontem e hoje pela manhã.

O euro já está bem próximo de nosso stop e caso não reverta logo, é provável que sejamos executados. Caso isso aconteça, a correção que eu esperava até 1,18 pode ser abortada e abre novamente a possibilidade do euro voltar a cair abaixo das mínimas de 1,045. Meu comentário visa prepara-lós para qualquer cenário, e não ficarem imaginando que tenho alguma predileção pelo cenário de alta. Como sempre frisei, a ideia é que o euro ainda está em queda e teríamos uma chance de pegar uma carona na alta. Mas tudo isso ainda são conjecturas, vamos acompanhar o que a "traiçoeira" nos reserva daqui em diante.

O SP500 fechou a 1.987, com alta de 2,43%; o USDBRL a R$ 3,5506, com queda de 1,28%; o EURUSD a 1,1243, com queda de 0,67%; e o ouro a US$ 1.125, com queda de 0,17%.
Fique ligado!

26 de agosto de 2015

TPM cambial

Ao tomar conhecimento do título de hoje, você poderia ser levado a pensar que o assunto é sobre o desconforto que ocorre, em maior ou menor grau, nos dias que antecedem a menstruação feminina. É característica, a irritabilidade e ansiedade, além de outros sintomas. Nós homens não temos como avaliar esse desconforto, mas sabemos bem dos efeitos "colaterais" desses dias. Melhor é ficar a distância e não discutir com sua mulher, perderá com certeza!

Ontem foram publicados os dados das contas externas brasileiras referentes ao mês de julho. Apresentou um déficit de -US$ 6,2 bilhões, e embora tenha ficado abaixo das expectativas dos analistas, "6,0 bi são 6,0 bi!". A trajetória é de moderação, uma vez que, em bases anuais o saldo ficou em -US$ 89,4 bilhões, equivalente a 4,34% do PIB.
A redução do déficit foi reflexo observado nas três contas, balança comercial, de serviços e rendas. Enquanto a primeira apresentou um superávit, as outras contribuíram com uma diminuição do déficit. Vou comentar os dados referentes a Balança Comercial haja visto que, tenho uma visão um pouco mais otimista que a dos analistas.

O gráfico acima mostra uma reversão importante a partir de maio deste ano. Notem que é apresentado o saldo acumulado em 12 meses, assim, carrega ainda os resultados negativos do ano passado. Os analistas comentam que, este resultado positivo, é ocasionado pela queda brutal das importações, enquanto as exportações tiveram um retrocesso menor. Assim, por este raciocínio, se a economia crescer, voltaríamos a ter déficits mensais. Acontece que, houve uma desvalorização importante do real e é razoável supor, que vários produtos importados passam a ter competição com os locais. Também, outros produtos passam a ser competitivos no exterior. Acredito que ainda é muito cedo para se ter uma avaliação mais concreta dos efeitos do câmbio na balança comercial. Mas em todo caso, que está ajudando, está!

Onde eu acho que houve uma piora foram nas fontes de financiamento. A captação líquida foi de US$ 5,7 bilhões, sendo US$ 6,0 bilhões em investimento direto acumulando em 12 meses US$ 78 bilhões, com uma moderação nas entradas. Porém, foi no investimento em carteira que surgiu uma preocupação, com uma saída líquida de -US$ 4,1 bilhões. Este resultado foi  originado basicamente, pela saída de US$ 4,4 bilhões nos títulos de renda fixa, uma fonte importante no passado, para financiar nosso déficit.
O hiato financeiro, diferença entre o déficit em transações correntes e a entrada líquida da conta financeira, apresentou resultado negativo de -US$ 6,6 bilhões, sendo que, US$ 1,0 bilhão de aumento das reservas e -US$ 7,6 bilhões na redução de ativos dos bancos brasileiros no exterior.

As reservas internacionais encontram-se estabilizadas ao nível de US$ 370 bilhões, o que demonstra que o BC não utilizou nenhum dólar para conter a desvalorização expressiva do real.

Assim como na menstruação, as contas externas brasileiras apresentam déficit todos os meses, e embora seja declinante, seu nível não é confortável. As mulheres ainda levam uma vantagem, pois tem a opção de uso dos contraceptivos de uso contínuo. Já nas contas cambias não dá, pois somente com uma contração gigante da economia, isso poderia acontecer.

Uma pesquisa feita com as mulheres indicam que o chocolate reduz o efeito negativo da TPM, é bem verdade, que depois irão reclamar da balança de peso, é claro! Hahahaha... No caso das contas cambiais, melhor tomar um calmante e rezar para que nada de mais grave aconteça no exterior.

No post 911-emergency-economics, eu havia alertado para uma possível alta do dólar: ...Ao acompanhar a evolução das cotações desde então, não gostei muito! Pode ser que o dólar esteja se preparando para uma nova alta... Ainda nesse post, indiquei quais seriam os próximos pontos, caso o rompimento acontecesse: ...se o dólar subir acima de R$ 3,57, anotem aí minhas previsões - R$ 3,80 ou R$ 3,99! Levando a cotação à um nível extremante perigoso do ponto de vista técnico...

Se tudo se comportar conforme o esperado, as cotações deveriam reverter a R$ 3,78 ou R$ 3,99, este último, um nível psicologicamente importante, uma vez que estaria buscando romper uma máxima histórica atingida em 2002. Seria mais adequado para anunciar um produto on sale! Hahaha... 

Quero deixar registrado que, existe uma probabilidade pequena, onde o dólar já tenha atingido a máxima hoje a R$ 3,65. Está é a razão que não sugiro nenhuma operação de compra, e para quem ainda está comprado, suba o stop para R$ 3,45.

- David, e só o dólar passar de R$ 4,00, o que acontece?
Poderia subir muito mais! Mas precisa romper mesmo, para evitar um "false break" . Com isto eu quero dizer que, é necessário um fechamento semanal acima desse patamar. Não quero nem pensar agora, mas prometo que vou fazer um exercício neste final de semana. Ah, um detalhe, desde que ele não chegue lá antes disso! Xiiiiiiii....

O SP500 fechou a 1.940, com alta de 3,90%; o USDBRL a R$ 3,5969, com baixa de 0,60%; o EURUSD a 1,1318, com queda de 1,70%; e o ouro a US$ 1.123, com baixa de 1,51%.
Fique ligado!

25 de agosto de 2015

Panico nas nuvens

É impossível não haja um comentário sobre a China em qualquer meio de comunicação. Existe uma crença nos mercados que, quando o assunto vira capa de revista ou manchete de televisão, é hora de apostar ao contrário, o racional é que já está tudo no preço. William Bonner, ao apresentar o Jornal nacional ontem, ficou com a missão de explicar o motivo da derrocada das bolsas ao redor do mundo. Ele não tem culpa, mas é simplesmente impossível, em alguns minutos explicar os motivos da queda, afinal quais seriam eles mesmo? Muitas explicações foram dadas, algumas fazem sentido, outras não, mas prefiro a de meu ex-sócio para situações como esta, o motivo é o preço!

Uma foto interessante publicada a do twitter enviado por uma jovem trader a seu grupo de contatos.
O que ela provavelmente estava se referindo é a queda expressiva das bolsas, mas a conclusão mais importante desta ilustração, é que não existe mais diversificação, os mercados sobem de forma não tão sincronizadas mas caem de forma coordenada. Os modelos de finanças acadêmicos, estão prestes a se tornarem de pouca utilidade, diversificar para quê?

Outra grande mudança dos tempos atuais, é que em situações semelhantes, inúmeras fotos dos operadores eram publicadas, com expressões de desespero, e em momentos de muitíssimo stress, até as ações extremas da perda da vida. Veja como é hoje.
Eis aí, um dos locais onde milhares de ordens foram executadas sem piedade, realizando prejuízos significativos, uma vez que, várias ordens de stoploss foram executadas. Se houve suicídio, foram dos bytes! Hahahaha...

A bolsa da China caiu esta noite mais 7,63%, veja no gráfico com a sua evolução (!) nos últimos 12 meses, e a queda espetacular desde junho.
Mas o BC da China fez um movimento, anunciando no final do dia, um corte nas taxas de empréstimos em 0,25%, passando agora para 4,6% a.a., além de reduzir na mesma intensidade às taxas para depósito, situando-se em 1,75% a.a e uma injeção de liquidez no sistema bancário com a diminuição das reservas em 50 pontos básicos. O mercado se animou com a medida, e as bolsas na Europa e os futuros dos USA, operam em alta pela manhã.
Então, agora está tudo pronto para a retomada? Acho prematuro qualquer conclusão. Minha experiência diz que em situações de tanta volatilidade, altas ocasionais são sucedidas por novas quedas. E a razão é simples, o pessoal que estava vendido recompra suas posições, e alguns especuladores compram com o argumento oportunístico - caiu muito. Mas a alta dá a oportunidade para uns cem outros investidores, que ficaram paralisados, e que podem agir a partir desses preços mais elevados. Conclusão: Até que o mercado se estabilize, se é que vai se estabilizar, quem manda é o emocional, ou seja, a análise técnica.

Já que é assim, vamos ao euro. No post china-o-epicentro-financeiro, eu comentei: ...Tanto no euro como no ouro, devo sugerir trades de compra dentro em breve. Estou aguardando melhores níveis de entrada, aguardem...


Chegou a hora do euro, minha sugestão é comprar 1/2 posição a 1,1360 e a outra metade a 1,1280, com um stoploss a 1,1210. Estamos arriscando 1% para buscar  4,5%, se o euro chegar a 1,185. Vamos ver como se comporta nos próximos dias. Quanto ao ouro, ainda não está claro um trade a ser sugerido.

O SP500 fechou a 1.867, com queda de 1,35%; o USDBRL a R$ 3,6172, com alta de 1,84%; o EURUSD a 1,1514, com queda de 0,71%; o ouro a US$ 1.140, com queda de 1,14%.
Fique ligado!

24 de agosto de 2015

Sangue nas ruas

Se você acha que o título do post hoje é sobre algum atentado ou coisa que o valia, não é bem o caso. Estou me referindo a onda de quedas nas bolsas do mundo, que se materializaram nesta segunda-feira. A bolsa chinesa depois de todas as quedas que sofreu nos últimos meses, nesta madrugada caiu 8,49%, eliminando todo o ganho do ano. Esse fato espalhou pânico para todas as bolsas, ocasionado o efeito que comentei no post China-o-epicentro-financeiro.

Alguns noticiários estão comparando essa queda a uma que ocorreu na bolsa de Nova York em 1987, que foi chamada de Black Monday. Eu me lembro bem desse dia, o mundo não era tão sofisticado como hoje, o que existia naquela época era um terminal com as cotações, sem internet, celular e Whatsapp. O índice Dow Jones caiu naquele dia 22,61%, um tombo de respeito. O que me impressionou naquele momento, era que, de um negócio para o outro, o SP500 oscilava quase 1%.

Se o passado fosse igual ao futuro, e o que aconteceu ontem foi um Black Monday 1.0, pode ficar tranquilo, pois no passado, logo depois a bolsa americana subiu sem parar. Mas não contaria com isso, a situação hoje é muitíssimo diferente.

Acredito que agora, as chances de elevação dos juros em setembro são muito baixas, o pessoal do FED não é louco. Mas o que realmente está dando o melhor indicador do stress recente, são os preços das commodities, que já deram alertas faz tempo. Mas será que os preços das commodities chegaram ao fundo do poço? Um relatório do Banco Barclays, não é tão otimista. O título é sugestivo "Long,slow and painful (probably more to come...)"

É um velho ditado em commodities que a melhor cura para os preços baixos são os preços baixos. Os participantes do mercado estão se perguntando quanto mais os preços precisam cair e quanto tempo eles precisam ficar lá para trazer a oferta e a procura de volta para o equilíbrio? O temor é que, assim como o lado positivo do superciclo trouxe um período de máximos históricos de preços sem precedentes, a queda, para o lado negativo, está se preparando para ser igualmente dramática.


Em termos de profundidade, comprimento e largura, isso já é uma desaceleração muito mais severa dos preços das commodities do que qualquer mercado tem experimentado na história recente. A queda de 15% no Bloomberg Commodity Index desde maio, significa que os preços são, em média, cerca de um terço menor do que eram há um ano, apenas metade do que eram quando a recuperação inicial da crise financeira atingiu o pico, em março de 2011 e apenas um terço dos máximos históricos para o índice atingido em 2008. Quase todos os ganhos associados ao chamado superciclo foram erodidos, e o índice está de volta a níveis não vistos desde 2002.
Há três fatores estruturais fundamentais que estão reforçando a tendência de baixa de longo prazo nos preços das commodities. A má notícia para os produtores é que, é difícil de ver qualquer um deles aliviar no curto prazo.

A primeira é a desaceleração na China e uma mudança em seu modelo de crescimento econômico que conduz a uma grande redução nas taxas globais de crescimento da demanda por commodities. Nos últimos cinco anos, a demanda chinesa por petróleo, cobre e alumínio aumentou, em média, cerca de 6%, 9% e 13%, respectivamente, em cada ano. Estão prevendo que essas taxas de crescimento vão abrandar para 3%, 2,4% e 2,5%, respectivamente, para os próximos cinco anos, e a transição para essas taxas de crescimento muito mais lento, está em andamento (veja a Figura 3).

O segundo fator é o fato de que muitos mercados de commodities importantes, permanecem extremamente com excesso de oferta e o processo de ajustamento pelo produtor ainda tem um longo caminho a percorrer. Em cada ciclo de baixa dos preços das commodities, os produtores tendem a se perguntar, por quanto tempo os "concorrentes" podem aguentar, até mesmo quando as margens são negativas, na esperança de que os outros irão "fechar" em primeiro lugar. No entanto, desta vez o excesso de oferta está sendo muito pior por causa de uma concorrência feroz por participação de mercado. Isso é mais evidente no mercado de petróleo, onde os países da OPEP fizeram ganhos de market share, o grupo aumentou a sua produção em mais de 1 milhão de b / d até agora, este ano. Enquanto seu alto nível de produção pode ser difícil de sustentar devido a ameaças de alguns países da OPEP, como o Iraque, onde existe pouco sinal ainda de qualquer declínio.

O terceiro e último fator estrutural de baixa das commodities é a tendência de alta de longo prazo no valor do dólar, ainda tem algum caminho a percorrer. Isso está colocando pressão descendente sobre as curvas de custo do produtor e asseguram que preços ainda mais baixos são necessários para provocar cortes de produção. Enquanto, ao mesmo tempo, aumentar os preços em moedas diferentes do dólar e, assim, reduzir a demanda sensível ao preço.

A Figura 4 mostra como a queda nos preços das commodities tornou-se entrelaçada com as moedas que caem de grandes produtores. Estas duas tendências tendem a se reforçar mutuamente. Os preços das commodities caem, levando a perspectivas de crescimento reduzidas em países produtores de commodities como o Brasil, a Austrália ou África do Sul. Isso coloca uma pressão de queda sobre as moedas locais, o que reduz os seus custos operacionais, e significa que, preços ainda mais baixos são necessários para forçá-los a cortar a produção. Desta forma, o círculo vicioso continua.

Enquanto que, a recuperação dos preços pode vir como alívio bem-vindo para alguns, a última coisa que os mercados de commodities precisam agora, é uma recuperação de preços de curta duração. Há pouca dúvida de que o rali do 2º trimestre dos preços do petróleo -, permitindo que os produtores realizassem boas margens aos vender contratos futuros, além de encorajar alguns produtores norte-americanos de petróleo apertados, a começar a perfuração de novo - elevaram o período de queda para do preço do petróleo, ao alongar o processo de ajuste na oferta. A repetição desse processo só vai prolongar a dor ainda mais.

Hoje recebi vários questionamentos, se esta ou aquela ação brasileira, não estaria barata. Minha resposta foi direta: O Ibovespa já atingiu 40.000? No post a-história-se-repete, fiz os seguintes comentários: ...o movimento destacado em azul é uma correção, isso tem duas implicações: Primeiro que não se tem ideia como é sua evolução, fixam-se os parâmetros; e segundo que ao terminar esse movimento, o outro que se sucederá será inverso. Com isso na cabeça, continuo com o target de 40.000, mas atento às mudanças, pode não chegar lá. No curto prazo, se cair abaixo de 44.000 pontos, a chance do meu objetivo aumenta bem...
Hoje a mínima atingiu 42.749, já dentro da faixa de atenção que citei acima. Está na hora de comprar? Não acredito! O que eu sei é que, tentar comprar um ativo na mínima é de pouca valia, a não ser para contar para aos amigos, que podem até nem acreditar. Prefiro entrar com mais evidências e por enquanto elas não estão presentes. Vamos aguentar mais um pouco. Se você está vendido, suba o stop novamente, um bom nível é ao redor de 47.000.

Também me perguntaram quando o índice chegaria a 40.000, e minha resposta não agradou. Não sei! O motivo baseia-se no que citei acima - em correções o movimento e a extensão são muito difíceis de estimar, existem pelo menos 39 tipos diferentes. Vou "chutar" um, só para dar uma de connosseur? Não seria honesto e só acertaria por sorte. Ficamos só com o nível.

Anotei no gráfico, a área onde o interesse na compra se eleva - 40.000/42.000, hoje chegou bem perto. Mas não vou me aventurar ainda, prefiro aguardar algum tempo, e correr o risco de ouvir deste leitor: "Não te falei!", ao ter que colocar a mão no bolso para pagar o prejuízo. Se alguém quiser usar a frase enganosa, quando um ativo cai muito de preço "quanto eu posso perder!", lembro que não mais de 100%! Hahahaha...

O SP500 fechou a 1.893, com queda de 3,94%; o USDBRL a R$ 3,5518, com alta de 1,50%; o EURUSD a 1,1596, com alta de 1,84%; e o ouro a US$ 1.153, com queda de 0,58%.
Fique ligado!

21 de agosto de 2015

China: O epicentro financeiro

Se por um lado os analistas estão otimistas com os USA e até com a Europa, o mesmo não se pode dizer sobre a China, onde recai grande parte das preocupações. Vários fatores têm contribuído para esse temor: Primeiro um certo ceticismo sobre os dados oficiais que apresentam disparidades quando comparados com outros indicadores sobre-gelo-fino; depois o movimento feito pelo BC Chinês na semana passada, quando deu indicações que deixaria o Yuan se desvalorizar, mas retrocedeu dois dias depois; a queda expressiva do preço das commodities colocando temores de um ambiente deflacionário; e por último, o tombo na sua bolsa de valores.

O Mosca fez uma acompanhamento diário das cotações da moeda chinesa até que, após o 3º dia, suas oscilações passaram a ser mínimas. O que eles pretendiam? Mudaram de ideia no meio do caminho?
Eu tenho relatado com frequência minha preocupação, oriunda da queda ininterrupta e generalizada dos preços das commodities. O gráfico abaixo mostra que desde 1970, elas nunca passaram por quedas seguidas por um período tão prolongado.
Já se pode constatar os efeitos deflacionários nos países asiáticos.
O índice da bolsa Chinesa sofreu uma queda desde seu pico em junho  de 31%. Neste curto espaço de tempo, eliminou quase todo ganho dos últimos 12 meses.
Estes tremores se espalharam para os outros países, as bolsas no mundo inteiro vêm caindo, principalmente os emergentes, que estão sofrendo grandes resgates, como pode se verificar no gráfico a seguir.
 Nos USA além da queda das bolsas, que adentraram numa região perigosa, negociando significativamente  abaixo do nível de 2.040 - veja detalhes no post todas-as-bolhas-são-diferentes: ... A tarde a queda do SP500 se aprofundou aproximando-se do nível inferior de 2.040... ...se este nível é rompido, abre a porta para uma queda mais expressiva..., as expectativas para a alta de juros no mês de setembro pelo FED caíram muito, agora estão a menos de 30%.

Por tudo isso, as atenções devem se voltar para a China, e caso os dados a serem divulgados confirmem uma desaceleração da economia, preparem-se para novas quedas e abalos sísmicos. A China agora, é o epicentro financeiro.

No post jogando-toalha, fiz os seguintes comentários sobre o ouro: ...são necessárias mais algumas vitórias, pois não se pode eliminar ainda novas quedas. Então vamos lá, primeira área de interesse seria o intervalo entre US$ 1.128 - US$ 1.140. Se ultrapassar, começo a ficar mais animado, mas é necessário romper US$ 1.170, para o ânimo se elevar... Vejam o que ocorreu depois disso.
Os dois intervalos citados acima foram alcançados. As chances de novas altas aumentaram bastante e mais importante, pode ser que 1.075 será a mínima por muito tempo, mas tudo isso ainda é prematuro afirmar.

- David, e daí, não ganhamos nada! Ontem foram suas desculpas por não ter comprado o euro e agora o ouro.
Não ganhamos nada, mas também não perdemos nada. A maioria dos analistas previam que o euro iria continuar caindo. Para o ouro, alguns previam que chegaria até US$ 700. Não quero colocar minha mão no fogo, se isso que eles previam, não irá acontecer, mas o seu "timing" mostrou-se incorreto. 

O mais importante é que, por não ter posições, podemos ter uma postura mais pragmática. Assim, no caso destes dois ativos, eu estava pronto para embarcar na venda, desde que, alguns níveis de queda fossem atingidos, mas o posicionamento elevado me fez crer que eles poderiam ser surpreendidos, o que acabou acontecendo.

O Mosca vai completar quatro anos de vida na próxima semana e para quem acompanha o post percebeu a utilidade da análise técnica. Em diversas ocasiões os níveis citados foram de grande importância, tanto para os lucros, como para evitar prejuízos maiores. As previsões dos economistas passam a ter um valor menor quando o objetivo é o bolso!

Depois de todos estes apartes, vamos ao que interessa. Tanto no euro como no ouro, devo sugerir trades de compra dentro em breve. Estou aguardando melhores níveis de entrada, aguardem.

O SP500 fechou a 1.970, com queda de 3,19%; o USDBRL a R$ 3,5002, com alta de 1,22%; EURUSD a 1,1376, com alta de 1,18%; e o ouro a US$ 1.159, com alta de 0,59%.
Fique ligado!

20 de agosto de 2015

Todas as bolhas são diferentes

Eu fiz uma apresentação sobre bolhas faz algum tempo. Você poderá ter acesso aos slides no post no-mundo-das-bolhas. O analista Lance Roberts, publicou um artigo recente que transcrevo hoje.

..."Se as bolhas do mercado acionário são comandadas por especulação, ganancia e viés emocional – os fundamentos são simplesmente reflexões dessas emoções"...

Em outras palavras, bolhas podem existir mesmo em tempos onde os fundamentos indicam o contrário. O gráfico a seguir está representado por fundamento (P/L) e o nível do SP500, desde 1871.
É importante observar que, com exceção de 1929, 2000 e 2007, todos os outros "crashes" ocorreram com fundamentos iguais, ou inferiores aos atuais. Segundo, todos esses "crashes" resultaram de situações não relacionadas aos fundamentos, como problemas de liquidez, ações governamentais, subida de juros, recessão, alta da inflação. Entretanto, todos estes eventos foram catalisadores, ou gatilhos, que iniciaram “um pânico em busca da saída” pelos investidores.

"Crashes" de mercado são desequilíbrios motivados pela emoção na oferta e na demanda

Você comumente vai ouvir que para cada comprador tem que haver um vendedor. Isto é absolutamente verdade. O problema é a que preço. O que move preços para cima e para baixo, num mercado normal, é qual o nível de preço, que um comprador e um vendedor completam uma transação.

Num "crash", o número de pessoas querendo vender, ultrapassa enormemente o número de pessoas querendo comprar. É nesses momentos que os preços caem precipitadamente, uma vez que, os vendedores vendem a “qualquer” preço para se desfazer de suas ações. Isto não tem nada a ver com os fundamentos. É estritamente um pânico emocional que é finalmente refletido por uma forte desvalorização dos fundamentos de mercado.

Tipicamente bolhas, tem uma forma assimétrica. O boom é longo e lento. Acelera gradualmente até que achata novamente no período de queda. A derrocada é curta e profunda, uma vez que envolve liquidações forçadas de posições que não conseguiram ser vendidas.

O gráfico a seguir é um exemplo de bolhas assimétricas.

O formato das bolhas é interessante porque altera o argumento do fundamento para a visão técnica. Os preços refletem a psicologia do mercado que pode criar um "loop" entre os mercados e fundamentos.

Esta forma pode ser claramente visualizada em cada pico de mercados de alta na história americana.
Existe uma crença forte atual que os mercados financeiros não estão numa bolha. Os argumentos que suportam esta hipótese são todos baseados nas comparações com as outras bolhas.


O problema inerente com a maioria dessas análises, é que estas assumem que tudo permanece no status quo. Entretanto, a questão é o que pode dar errado no mercado? Muito!

 O crescimento econômico continua elusivo, os lucros corporativos parecem ter atingido o pico, e existe uma complacência enorme com o risco. Estes ingredientes, combinados com uma retirada de liquidez pelo FED, deixa os mercados mais vulneráveis a um evento exógeno.

Dê um passo para trás das notícias, e comentários de Wall Street, e faça uma avaliação honesta dos mercados financeiros hoje. Se o nosso trabalho é apostar quando a probabilidade de ganho está a nosso favor, quão forte soa os fundamentos para justificar esse risco?

O argumento que, “this time is different “, unicamente porque as variáveis não são exatamente iguais as que foram anteriormente. Lógico, nunca é, mas os resultados serão o mesmo que sempre foram.

Como o assunto é bolha vou comentar o SP500. No post novela-da-madrugada-as-verdades, frisei que este índice estava num momento importante: ...Apostar na alta ou na baixa neste ativo, é como ir a uma mesa de roleta e apostar no vermelho ou preto... ...parece que a bolsa resolveu se descolar da linha azul e o novo protagonista passa a ser a linha vermelha. Um nível importante  - 2.040...
Vejam a quantidade de retas que contém as últimas negociações. Primeiro a mais importante, como já havia mencionado é a vermelha cujo nível a ser observado é 2.040, em seguida formou-se outra apontada em verde, entre os níveis de 2.060 - 2.090; e por último em azul cujo nível é de 2.120. 

Como o SP500 fechou a 2.080 ontem, está se estreitando seu poder de manobra, e provavelmente estamos próximos a uma decisão de rumo, ou continua subindo para buscar novas máximas, ou uma queda de proporções indefinidas. Talvez este é o momento de compra de opções de compra e opções de venda, apostando que o índice está próximo de um movimento mais forte para um dos lados. Vale a ideia. 

Eu tinha escrito os parágrafos acima antes da abertura dos mercados. A tarde a queda do SP500 se aprofundou aproximando-se do nível inferior de 2.040. Como mencionei acima, se este nível é rompido, abre a porta para uma queda mais expressiva.

O EURUSD negociou hoje acima de 1,12 o que obriga o cancelamento do trade proposto no post cadê-os-jovens: ...Ainda acredito que o cenário "arriba" é o mais provável, assim vou propor um trade de curto prazo, comprar 1/3 da posição a 1,0990, 1/3 a 1,0950, e o restante 1/3 a 1,0920, com um stop  1,08...
No dia apontado no gráfico, o euro negociou na mínima a 1,1015, muito próximo do limite que eu havia sugerido para compra (1,0990). Paciência, não foi a primeira vez nem será a última. Pelo menos estávamos na ponta certa, até agora. Vamos acompanhar e verificar se consegue romper firmemente os 1,12.

O SP500 fechou a 2.036, com queda de 2,10%, o USDBRL a R$ 3,4571, com queda de 0,97%; o EURUSD a 1,1216, com alta de 0,89%; e o ouro a US$ 1.152, com alta de 1,47%.
Fique ligado!

19 de agosto de 2015

"911 - Emergency Economics"

A economia é uma ciência que possui uma característica sui generis, ao mesmo tempo que modelos econométricos sofisticados são utilizados para prever indicadores futuros, por outro lado, depende da reação das pessoas para que estas previsões se concretizem. Existe por trás disso uma premissa simples que o ser humano reage de forma lógica.

Por exemplo, se a inflação sobe acima do esperado, o BC eleva os juros, esperando que parte da população poupara mais e uma outra parte não terá mais condições de comprar a crédito. Assim, pode-se esperar para uma mesma quantidade de produtos produzidos, uma queda de preços. Simples!

Usando um raciocínio inverso, se a inflação está muito baixa, o BC reduz os juros, incentivando pessoas que têm poupança a consumir, e outros comprarão a crédito com prestações mais baixas. Como dizem os americanos, esses são princípios básicos: "101 Economics".

Acontece que nem sempre o seres humanos reagem de forma lógica, e aí os modelos econômicos simplesmente não funcionam. E parece que algo assim vem acontecendo nos USA, em várias frentes, alguns dados não parecem fazer sentido pela sua persistente discrepância com o que seria esperado.

Hoje foi publicado o índice de inflação ao consumidor nos USA o CPI, que nada tem a ver com a nossa tão difundida Comissão Parlamentar de Inquérito! Hahahaha...
São publicados dois índices, o "cheio" e aquele que exclui combustíveis e alimentos chamado de "core", o que o FED acompanha. Este índice mensal ficou em meros 0,1% e a taxa anual manteve-se em 1,8%.

Eu venho repetindo que o maior risco que corremos nestes últimos tempos é a deflação, e o FED sabe bem, como ficaria complicada sua vida, caso esse cenário se concretize. Em 2012, no post um-pouco-de-teoria, eu comentei um conceito básico de economia que versa sobre a velocidade da moeda e seus efeitos no PIB. A figura abaixo, mostra de uma forma simplificada, como essa variável é calculada.
Desde o final do ano passado o FED parou de injetar recursos na economia através de seu último programa de expansão monetária, o QE3. Na fórmula acima, se o M permanece fixo,  e como o P está baixo e estável, para o Y subir, é necessário que V cresça.

Fui pesquisar o que estava ocorrendo com este último.
Nada animador, na melhor das hipóteses continua estável, então nenhuma ajuda por aí. Resolvi me aprofundar e analisar este indicador num prazo mais longo, veja a seguir.

Consegui identificar três períodos com características distintas: O primeiro, que durou aproximadamente 30 anos, a velocidade da moeda permaneceu contida entre 1,7 - 1,9; no segundo uma elevação súbita no início dos anos 90 até 2,2 e depois uma queda na segunda metade desta década, retornando ao intervalo anterior; e por último, desde o início dos anos 2000, um queda consistente sem nenhuma indicação de estabilidade.

Eu não consigo achar uma lógica, e talvez nem o FED, do porque isso vem acontecendo. Alguns fatores podem estar contribuindo para esta anomalia: O grande desenvolvimento tecnológico onde se substitui o trabalho humano pelo de robôs, a elevação da expectativa de vida fazendo com que os mais velhos vivam mais e trabalhem mais tempo, tirando o lugar dos jovens; o elevado nível de endividamento dos americanos, e etc... Independente de buscar qual seriam os motivos, a realidade é que o FED não pode contar com o V para que o PIB cresça. Assim sua aposta é no P = inflação, uma vez que o M ele estancou.

Agora se o P fraquejar, não tenham dúvidas que os helicópteros, que se encontram esquecidos ultimamente, vão voltar com toda a força. Eu tenho grandes dúvidas qual seria a eficácia dessa medida, um certo desespero. O resultado mais provável seria uma queda do PIB, ou "inventa-se" uma nova teoria econômica para resolver a falta de crescimento. Que tal chama-lá de "911 Emergency Economics"! Hahahaha...

No post sobre-gelo-fino, eu fiz os seguintes comentários sobre o real: ...Para quem não tinha posição sugiro esta venda a R$ 3,43 com um stop a R$ 3,53. Quero frisar que é especulativa, não há evidências mais fortes, mas vale o risco... ...Mas não esqueça que estamos operando contra o mercado, e nestas situações é necessário que ele, o mercado, mostre força naquilo que acreditamos. Isto acontece ao romper este nível...

Ao acompanhar a evolução das cotações desde então, não gostei muito! Pode ser que o dólar esteja se preparando para uma nova alta. Vejam a seguir um gráfico de mais curto prazo.
Se o nível de R$ 3,43 for rompido, e não deveria demorar muito, as coisas se tranquilizam um pouco, e o trade que sugeri deveria ser executado, mas caso contrário, se o dólar subir acima de R$ 3,57, anotem aí minhas previsões - R$ 3,80 ou R$ 3,99! Levando a cotação a um nível extremante perigoso do ponto de vista técnico, conforme relatei no post preço-da-banana: ...a R$ 3,60, acendia-se uma luz amarela, mas o nível que mudaria minhas previsões de mais longo prazo é R$ 4,00... Coincidência ou não, o título do post acima citado - Preço de banana, não poderia se aplicar ao real! Hahaha...

O SP500 fechou a 2.079, com queda de 0,83%; o USDBRL a R$ 3,4869, com alta de 0,56%; o EURUSD a 1,1123, com alta de 0,94%; e o ouro a US$ 1.133, com alta de 1,41%.
Fique ligado!