Inflação: A Revanche

31 de julho de 2015

Cadeia para os vendidos

Para nós ocidentais às vezes é difícil a compreensão de algumas atitudes dos asiáticos, principalmente dos chineses. Todos estão acompanhando pelos jornais as quedas da bolsa da China, no post preço-da-banana, fiz um resumo do que vem acontecendo. Como é de costume em situações como estas, surgem os ganhadores, ou por terem vendido suas ações antes das quedas, ou aqueles mais agressivos que se envolvem em vendas a descoberto.

O governo Chinês tem se mostrado bastante preocupado e vem tomando medidas para evitar maiores quedas, que poderiam minar a confiança da população. Mas mesmo assim não conseguiram, terminando o mês com o pior desempenho desde 2009.


Resolveram ir mais a fundo e pediram para as corretoras e bancos identificarem quem seriam os vendedores a descoberto. Fico imaginando como eu me sentiria se estivesse nesta situação, ainda mais sendo um estrangeiro. Nada confortável, lembranças do tempo de comunismo vem a mente. Agora qual será a reação dos governantes com a lista na mão, mandariam uma carta gentil pedindo para liquidarem suas posições, ou um ultimátum "zera tudo já"? Parece que a segunda alternativa seria a mais provável.

Tudo não teria a menor importância, caso se tratasse de um país sem muita importância, tipo uma Venezuela que confisca produtos das companhias por que estão subindo muito seus preços. Também, com o câmbio oficial do bolívar em $ 6 e o paralelo cotado a $ 740, qualquer coisa é valida. Mas a China, sendo a segunda economia do mundo e com pretensões de ser a primeira, uma atitude dessas não é muito bem vista.

O especulador não deve ser encarado com raiva, mas como um elemento regulador de preços, se algum ativo sobe demais, superando os critérios tidos como esperados, são eles que evitam uma catástrofe muito maior no futuro, pois os preços tenderiam a subir ainda mais, e vice-versa quando os preços caem demais. Eles podem estar errados, e se isso acontecer, vão pagar caro por seus erros. Qualquer intervenção do governo é prejudicial, não quero dizer que não não deva existir regras para as vendas a descoberto, são necessárias. Agora "pressionar" por coação ou medo, é ruim.

O crescimento dos salários no 2º trimestre deste ano nos USA, foi o pior de toda a serie histórica. A Yellen e seus colegas estão contando com esta elevação de rendimentos para impulsionar a economia e trazer a inflação para sua meta de 2% a.a. Este retrocesso pode gerar alguma reação de membros do FED para postegar a elevação dos juros.


Essa informação colocou os otimistas mais cautelosos, e motivou uma reversão dos movimentos de alta do dólar e dos juros. No post desafiando-gravidade, fiz os seguintes comentários sobre os juros de 10 anos: ...Para se ter uma convicção maior, que os juros deram meia-volta (queda), o nível de 2,10% tem que ser rompido, até lá o que está ocorrendo pode ser uma correção...
Agora pela manhã um nível muito importante está sob teste, ao redor de 2,18% a.a., caso seja rompido, novas quedas poderão acontecer e isto significa que o mercado estaria antevendo uma postergação da data da subida dos juros.

Fiquem de olho neste nível, pois caso seja rompido, "Washington we have a problem"! Hahaha...

O SP500 fechou a 2.103, com queda de 0,23%; o USDBRL a R$ 3,4204, com alta de 1,48%; o EURUSD a 1,0987, com alta de 0,51%; e o ouro a US$ 1.095, com alta de 0,72%.
Fique ligado!

30 de julho de 2015

FED:"Some"

Um advérbio não deixa claro qual é a medida esperada por quem o define. Um pouco, pode ser uma quantidade diferente para cada pessoa. Por exemplo, ontem eu assisti o jogo Atlético Mineiro 3 x 1 São Paulo. Para minha surpresa o jogo foi excelente com muitas chances de gol. Acontece que o São Paulo quase fez vários gols, bolas na trave, chutes cara a cara, e etc... Por outro lado, o carrasco da noite foi o argentino Lucas Pratto, não errou uma, fez os três gols das bolas que estavam em seus pés. Então do que adianta dizer que o São Paulo não empatou por pouco? Nada!

Como o esperado, as duas reuniões que aconteceram aqui e nos USA tiveram suas decisões de acordo com o previsto. Vamos começar com o BCB que decidiu subir a taxa de juros para 14,25% a.a. Dois fatos merecem destaque, primeiro que o ciclo de alta terminou e daqui para frente é só torcer para a inflação cair, o que está se tornando cada vez mais difícil por causa da alta do dólar, e segundo pelo puxão de orelhas que o diretor de assuntos externos, Tony Volpon, levou. Ele não participou da  votação, embora não tenha feito muita diferença. O motivo foi que ele antecipou na semana passada, que votaria a favor da alta nesta reunião. Pisou na bola! Embora sua capacidade técnica vem sendo muito elogiada pelo mercado.

Já no Hemisfério Norte, o mercado procurou dissecar o comunicado em torno de alguma pista e o que ficou foi somente especulações de quando o FED vai finalmente subir os juros. As dúvidas são as mesmas, o mercado de trabalho e a inflação. Para não ficarem repetitivos incluíram que basta "some inmprovement"  no mercado de trabalho, e estarem convencidos que a inflação está no curso da meta traçada de 2% a.a., para que, os juros finalmente sejam elevados. A interpretação do mercado é que nada mudou e que, ou é em setembro ou em dezembro. O interessante é que no meio deste período existe uma reunião em outubro, por que ninguém coloca esta data como provável? A razão mais evidente é que nessa reunião não existira secção de perguntas e respostas, mas Yellen disse no passado que poderia fazer uma exceção caso fosse necessário. Assim, não descartem esta data.

Analisando-se os juros embutidos nos contratos futuros a probabilidade manteve-se em 40% para o mês de setembro, conforme gráfico abaixo.
O mês de julho está terminado e agosto é tido como um mês ruim para as bolsas de valores, afinal todos saem de férias, inclusive o pessoal do FED, que não são de ferro! Os investidores ficarão de olho nos próximos dados de emprego, a serem publicados na próxima semana e início de setembro.

Agora qual é o "some" que o FED considera suficiente, só eles sabem. Mas como no caso do jogo de futebol, se a taxa de desemprego estiver abaixo de 5%, ou custo unitário de mão de obra subir mais que o esperado, vão ter que agir, mesmo que a inflação não dê sinalizações positivas, O "Lucas Employment" será implacável! Hahahaha....

No post o-ouro-derreteu, comentei sobre a situação delicada em que o metal se encontra: ...não preciso dizer que os dados de momentum são horríveis, não indicando nenhum alento para arriscar uma compra, apenas o preço de US$ 1.050 mencionado ...Uma atitude mais arriscada, seria tentar uma compra com o stop nesse patamar, mas não vou fazer, prefiro aguardar mais algum tempo.... Nada aconteceu de importante, porém pouco a pouco, o ouro se aproxima dos US$ 1.050.

Enquanto as commodities estiverem sob pressão de uma forma mais generalizada, dificilmente o ouro pode ter forças para buscar uma recuperação. Os comentários vistos nos últimos dias são todos muito negativos, com previsões de US$ 900, US$ 700 e até US$ 350. Nós aqui do Mosca vamos ficar observando e caso haja o rompimento dos US$ 1.050, podemos até propor trades de venda, mas por enquanto tudo indica que já existem muitos vendidos, e qualquer frustração pode detonar uma onda de compras.

Quando o Mosca começou a circular o ouro encontrava-se na casa dos US$ 1.900 e a prata em US$ 50 , eu até os chamei na época de pop stars. A nossa orientação geral era de venda, intercalado por momentos de compra, porém o sentido geral era de venda. Com a aproximação dos targets considerados como pontos de reversão, a cautela prevaleceu e arriscamos algumas compras, mas sempre preocupados que o "buraco poderia ser mais embaixo". Este momento pode estar chegando, vai depender de como o metal se comporta, e por enquanto a reação é ruim. Vou respeitar o mercado.

A vantagem da análise técnica, como venho frisando insistentemente, é que, num determinado preço, ela vai te indicar que você estava errado. A partir daí, é necessário fazer uma reavaliação geral. Talvez essa seja a situação do ouro, mas até que os seus níveis mínimos sejam atingidos fico com minhas idéias. Não busco acertar o "bumbum" da mosca, a mosca em si já está bom! Hahaha....

O SP500 fechou a 2.108, sem alteração; o USDBRL a R$ 3,3705, com alta de 1,22%; o EURUSD a 1,0931, com baixa de 0,48%; e o ouro a US$ 1.087, com baixa de 0,83%.
Fique ligado!

29 de julho de 2015

Zona de rebaixamento

Hoje foi manchete em todos os jornais o movimento da agencia Standard & Poor's, colocando o Brasil em expectativa negativa. Só para lembrar, a classificação de risco segundo esta agência encontra-se em BBB-, um grau antes de ser desclassificado como grau de investimento. Todos lembram do fiasco a que todas agências foram expostas na crise de 2008, quando os títulos imobiliários classificados como AAA, viraram pó do dia para noite. Desde então, elas buscam ganhar credibilidade.

Mas será que isso (a possibilidade de rebaixamento) é novidade para alguém? Um trabalho elaborado na Rosenberg e Associados, já mostrava que, para o mercado, o Brasil já está rebaixado. Para defender esta tese, elaborou-se um gráfico comparando o grau de investimento de diversos países através do rating da S&P, e o Credit_default_swap medida de risco precificada nos mercados.

A curva em vermelho é a interpolação linear dos vários pontos, e poderia se encarar o ponto "ótimo", ou seja, dado um nível de CDS, qual deveria ser o rating esperado. Fica evidente no gráfico, que o Brasil já não tem a classificação de risco BBB-, pois a Rússia e a Croácia, com níveis de risco semelhantes, tem classificações no S&P piores que a brasileira.
Para provar meu raciocínio, veja a evolução da nossa moeda desde ontem quando se anunciou esse fato da S&P. Que fiasco! O dólar recuou mais de 3 % desde o anúncio, como se a resposta do mercado fosse: Who cares? Usando esse mesma lógica, será que quando esta agência finalmente rebaixar o Brasil, o dólar vai despencar? Hahahaha... Não quero desacreditar o S&P, afinal quem sou eu para isso, mas o mercado age desta forma, assim não se deixem enganar, o que vale são os preços de mercado, pois é onde se ganha ou perde dinheiro.

Também quem mandou dar o nome de Standard & Poor's, sugiro um nova agência com um nome de maior credibilidade, que tal: Special & Rich's! Hahahaha...

Com vocês já sabem, eu escrevo o post pela manhã, e como hoje tem reunião do FED, poderá haver emoções a tarde. O mercado que vou comentar é o SP500. No post ladrõess-buscam-novos-empregos, frisei a recuperação rápida deste índice: ...Eu frisei acima em meu comentário, que ele precisaria se recuperar rapidamente  e foi o que aconteceu. E agora, pode-se apostar na alta? Nada mudou, estes podem ser movimentos de curto prazo e reverterem rapidamente. Basta você observar o gráfico e constatar como o mercado está indefinido, quer subir, mas não consegue, mas também por enquanto não quer cair. E assim ficamos nós, esperando ele se definir, antes de se arriscar para qualquer lado.... Vejam o gráfico que publiquei.
Quando tudo parecia caminhar bem, um novo tombo e depois uma nova recuperação. 

O pessoal que opera este ativo não deve estar muito satisfeito, esta é uma situação onde meu ex-sócio dizia que os comprados e vendidos perdem dinheiro! Parece que tem um imã na linha azul, que sempre que o SP500 ameaça cair abaixo dela, ele entra em ação. Também, notem que existe uma linha em vermelho acima, e o momento da decisão está cada vez mais próximo.

Apostar na alta ou na baixa neste ativo, é como ir a uma mesa de roleta e apostar no vermelho ou preto. Na verdade não é exatamente igual, pois a alta neste caso tem uma chance um pouco maior. Mas como este é um momento delicado por vários outros indicadores técnicos, é muito perigosa esta aposta, pelo menos agora. Fiquem de observadores.

O SP500 fechou a 2.108, com alta de 0,73%; o USDBRL a R$ 3,3298, com baixa de 0,95%; o EURUSD a 1,0984, com baixa de 0,65%; e o ouro a US$ 1.096, com alta de 0,18%.
Fique ligado! 

28 de julho de 2015

Memórias

Vou compartilhar com vocês algumas mudanças que acontecem com o tempo. No meu estágio atual de vida, onde não tenho uma vida corporativa como no passado, minhas obrigações limitam-se as demandas que eu crio comigo mesmo. Não que eu seja uma pessoa relaxadapelo contrário, minha exigências são elevadas. Com esta maior disponibilidade de tempo, tenho percebido que, de uns tempos para cá, várias situações da minha vida vêm a memória, e com bastante detalhes. Por um lado fico feliz, uma vez que, é uma evidência que o Alzheimer está longe de mim, por outro lado, cria uma certa nostalgia. Estou trabalhando isso!

Hoje vou comentar sobre alguns dados e estatísticas da economia americana. Quando vinha no carro pensando no título que daria ao post de hoje, pensei num programa infantil da minha época de criança: Pim, Pam, Pum! Eu me perguntei: O que isto tem à ver com o assunto de hoje?

Amanhã tem dose dupla, de um lado o pessoal do FED vai anunciar o resultado de sua reunião periódica e o mercado ficará atento se haverá alguma pista de quando pretendem subir os juros. Eu particularmente acho que não vão dar. Por aqui, o nosso Banco Central deverá subir mais 0,50% a taxa SELIC, situando-se em 14,25% a.a. Durante as últimas semanas o mercado imaginou que a autoridade monetária estava pronta para começar o ciclo de "parada" de juros. Mas o anúncio que o superávit fiscal deste ano já era, os investidores voltaram atrás. Agora além de os juros necessários para segurar a inflação, são necessários também para segurar os ânimos do mercado.

Os dados do PIB americano do 2º trimestre serão publicados na quinta-feira, porém acredito que os membros do FED terão acesso a esta informação na reunião de amanhã. Como todos agora têm acesso ao novo 'guru" do PIB, o FED de Atlanta, vejamos o que eles nos adiantam.


Tudo tranquilo, embora os níveis não sejam tão fortes como poderia se esperar depois de um 1º trimestre muito fraco por conta do frio.

A previsão dos economistas para o ano fechado de 2015, encontra-se na ilustração abaixo. A boa notícia, é que eles não podem errar tanto, uma vez que a metade do ano já passou! Hahahaha....

- David, Pim, Pam, Pum! Pela amor de Deus, onde vai chegar?
Você está muito precipitado....

Ao observar a evolução do PIB num horizonte de longo prazo, fica evidente que a economia americana não é mais a mesma. Aqueles "Pibãos" é coisa do passado, o negocio e se contentar com 2% a.a. e está muito bom.
Uma análise visual ainda deixam dúvidas se vai ficar nesses níveis ou está tendendo lentamente para números menores. Assim, tanto a economia americana como eu, temos memórias muito boas dos tempos de criança! Hahahaha...

No post o-ouro-derreteu, comentei sobre o stop do trade de euro: ...Esta novela de posição já se arrastava por um bom tempo, com liquidações parciais durante esse período. Eu já não tinha muita confiança nesses movimentos e  no post  homecalculei o prejuízo caso fossemos stopados, o que acabou acontecendo...

Nada se modificou ainda, quanto aos níveis que mencionei, só tem negócio acima de 1,145 ou abaixo de 1,045. É um intervalo considerável em termos percentuais, quase 10%, mas infelizmente, é esta a situação em que se encontra o euro nesse momento. Para facilitar vou separar em dois cenários: euro arriba, e euro abajo.

Arriba
Ou através de um triângulo, ou ainda com uma queda marginal para depois subir, poder-se-ia esperar uma cotação entre 1,19 a 1,25, tudo dependeria dos próximos movimentos.

- David, como poderia isso acontecer? Parece um absurdo!
Sem me alongar muito, pois a análise técnica não busca "adivinhar" o que precisa acontecer, basta imaginar os USA "fofar".

Abajo
Ou a partir de já, ou daqui a pouco, o euro mergulharia abaixo de 1,045, depois as cotações caminham para 0,99 a 0,97. Como no caso arriba, dependeria ainda do movimento para um nível mais preciso.

Ambos cenários vislumbram ganhos bons, mas o grande problema é que, nos níveis em que o euro se encontra, o stop para o abajo pode implicar uma perda de 3,62%; e para o arriba 5,7%, muito elevados para meu gosto. Prefiro esperar outro momento.

O SP500 fechou a 2.093, com alta de 1,24%; o USDBRL a R$ 3,3615, sem alteração; o EURUSD a 1,1056, com queda de 0,31%; e o ouro a US$ 1.094, cem variação.
Fique ligado!

27 de julho de 2015

Preço da banana

Em maio deste ano, quando a bolsa chinesa era só alegria para quem comprava ações, publiquei uma foto sui generis de um fruteiro com seu laptop ligado acompanhando as cotações das ações açõess-preço-de-banana. Desde de junho, depois do CSI300, índice mais conhecido naquele mercado, ter atingido a marca de 5.353 pontos, uma onda de vendas colocou o mesmo a 3.819, uma queda nada desprezível de aproximadamente 30%. Só esta noite o índice desmoronou 8,5%!

É bem verdade que um ano atrás o nível encontrava-se a 2.400 e mesmo com todas estas quedas, a alta ainda é de 60%. Mas as coisas não funcionam desta forma racional, a sensação é de perda generalizada, mesmo para quem comprou naqueles níveis. Os motivos da queda são muito difusos, ninguém conseguiu explicar muito bem, e apelaram para "fatores técnicos".

Quanto ao fruteiro citado no post acima, deve estar se lamentando e descobriu que as ações não estavam a preço de banana. Agora vai ter que se concentrar em seu negócio e, na melhor das hipóteses, poderia especular com o preço da mesma. Mas eu o alerto que a banana ainda tem outro complicador, apodrece!

- David, vai direto ao assunto, como fica o dólar agora?
Calma, já ia chegar lá. Acho que você está vendido em dólares! Hahahaha... No post fed-cheers, fiz os seguintes comentários: ...Resumindo isso em números, acima de R$ 3,32 a alta ganha força, o que destaquei com a linha vermelha. Já para a queda do dólar se concretizar, antevejo três pontos, primeiro ao redor de R$ 3,12, depois o famigerado R$ 3,05, e finalmente os R$ 2,90.... Publiquei também, o gráfico a seguir.
Na sexta-feira o dólar ultrapassou os R$ 3,32 e agora novas altas são esperadas. Quando isso acontece é necessário uma reavaliação dos gráficos de mais longo prazo, e foi o que eu fiz, veja a seguir.


Estimo uma alta ao redor de R$ 3,50/3,55 e depois deste patamar um período de várias semanas de quedas do dólar para um nível ao redor de R$ 3,00/2,90 a ser melhor calculado mais a frente, uns 6% das cotações atuais. Se você quiser arriscar uma compra, sugiro um stop a R$ 3,22, não parecendo um bom risco retorno. Eu não vou fazer nada.

- David, e se o dólar não te "obedecer" e continuar subindo?
Hahahaha... gostei da colocação! Bem aí as coisas ficam mais delicadas. Eu postei algumas vezes, os pontos em que tolerava altas do dólar. Disse também, que a R$ 3,60, acendia-se uma luz amarela, mas que o nível que mudaria minhas previsões de mais longo prazo é R$ 4,00. Este é o plano de jogo para o real, e não vou ficar imaginando qual seria o plano B, uma vez que, o resultado basicamente seria de novas altas a níveis bem mais elevados.

Por enquanto o "dólar - dólar" está reinando principalmente contra as moedas dos emergentes, e nem tanto contra os desenvolvidos, quando se observa o DXY, que contém uma concentração elevada em sua ponderação do euro. Como dizia um colega de mercado: "água de morro abaixo, fogo de morro acima, e ¨&()*&&¨¨%$, ninguém segura!" A terceira frase eu retirei porque vocês me chamariam de machista! Hahahaha.... 

O SP500 fechou a 2.067, com queda de 0,58%; o USDBRL a R$ 3,3665, com alta de 0,29%; o EURUSD a 1,1091, com alta de 0,94; e o ouro a US$ 1.04, com alta de 0,37%.
Fique ligado!

24 de julho de 2015

Safe Heaven Chinês?


Confesso que esta semana minha criatividade tem gerado ideias que beiram à fantasias. Mesmo correndo o risco de expor pensamentos que podem parecer estranhos, ou até mesmo ridículos, vou fazer. O julgamento deixo a cada um de vocês!

No post fed-cheers, mostrei minha preocupação na evolução dos preços das commodities e que impacto isso poderia ter na decisão do FED. Ontem tive acesso ao último relatório do analista Lance Roberts, com título compatível com minhas dúvidas "Who´s is right - Commodities or the FED'. Sem entrar muito nos detalhes uma vez que seria uma repetição de assunto, em seu ponto de vista, o FED perdeu o momento para subir os juros em junho, ao se influenciar pelo baixo PIB do 1º trimestre.

Ele acrescenta um gráfico sugerindo que quedas nos preços de commodities da magnitude da atual, na maioria dos casos, precederam a momentos recessivos.


Hoje na Ásia foi publicado o PMI da China, e não foi nada positivo, ficou em 48.2, conforme pode-se ver sua evolução no gráfico a seguir. Lembra-se que, níveis abaixo de 50 indicam contração.

Os detalhes deste relatório foram considerados horríveis, pois o setor de manufatura de uma forma geral está contraindo. Como consequência as commodities continuaram seu movimento de queda, empurrando as moedas que estão expostas a novas mínimas, como o dólar australiano, canadense e assemelhados (inclusive o real).

O último dado sobre o PIB Chinês aponta um crescimento de 7% a.a. exatamente de acordo com o que eles projetam, mas dizem as más-línguas que na verdade o número está mais para 5% a.a. Em quem confiar, nos números publicados que podem estar sendo manipulados, ou nos preços das commodities que só têm a mão do mercado?

Desde que o Mosca existe, eu sempre coloquei que o risco de uma deflação era algo que apavora a todos, principalmente os BC's. Vários post escrevi sobre estas ameaças e nem gosto de pensar na ideia. Mas não tem esta, melhor pensar que ficar imobilizado.

Se por acaso estamos entrando num cenário como este, o que se poderia esperar dos ativos? Diz o livro texto de economia que nessas situações a única proteção são títulos do governo, mesmo com juros baixos, ou até sem juros nenhum. O motivo é que se os preços de tudo caem, quem tem estes títulos comprará mais bens no futuro. O livro texto ainda diz que a moeda a ser escolhida é aquela em que se tem a maior confiabilidade, ou seja o 'dólar - dólar'.

Mostrei também esta semana que os Chineses venderam agressivamente este ano, títulos do governo americano e que o Yuan ficou estável quando todas as outras moedas estão em queda ladrões-buscam-novos-empregos.html. Voltando ao conceito do livro texto acima, o motivo que faz o dólar se valorizar nesse cenário, é que os investidores preocupados com seus investimentos no exterior, vendem a moeda desses países para comprar dólares. E quanto menos dólares esse país tiver, maior será a desvalorização dasua moeda.

Acontece que vivemos tempos muito diferentes, e esta teoria vale para condições normais onde os BC's têm reservas "razoáveis" de outras moedas. Mas este não é o caso atual, e principalmente no caso da China, que tem reservas acumuladas de US$ 4.000.000.000.000! Aí surgiu uma hipótese: E se a China ao invés de ver sua moeda desvalorizar resolve vender seus dólares, qual seria o impacto? Além do fato de essa ação segurar a desvalorização do Yuan, não tenho uma resposta do que é esperado além disso. Prometo voltar ao assunto.

- Epa, isso virou tele-novela de finanças?
Hahahaha... boa!

O real está superando o limite que estabeleci de R$ 3,32 e prefiro comentar na próxima semana, depois de analisar neste final de semana. Hoje o assunto será o Ibovespa. No post o-fantasma-de-1937, eu fiz os seguintes comentários: ...Passadas algumas semanas, a possibilidade de queda elevou-se, abrindo espaço para o índice buscar os 40.000 pontos que venho projetando. Não deve ser uma linha reta, mas um caminho mais tortuoso, como o apontado no gráfico acima. Para quem quer se aventurar na venda recomendo um stop a 58.000...
O nível de 40.000 torna-se cada dia mais factível, e como pode-se verificar no gráfico abaixo, poderá ser até um pouco inferior.
Como este processo ainda pode demorar alguns meses, os valores mais precisos serão melhor conhecidos mais adiante. Se você se aventurou na venda conforme minha sugestão, aperte os stops para o nível de entrada. Agora para aqueles que acreditam que já caiu muito e que estamos numa boa oportunidade de compra, como me foi indagado por um leitor, sugiro calma. Para esses mais afoitos e que normalmente usam a frase cliché/enganosa "quanto eu posso perder?". Minha resposta é lacônica, 100% do que você colocou! Hahahaha....

O SP500 fechou a 2079, com baixa de 1,07%; o USDBRL a R$ 3,3538, com alta de 1,88%; o EURUSD a 1,0988, sem alteração; e o ouro a US$ 1089, com alta de 0,72%.
fique ligado!

23 de julho de 2015

Desafiando a gravidade

Qualquer um de nós não teria a menor pretensão de desafiar a Lei da Gravidade formulada por Isaac Newton, afinal faz alguns séculos que está funcionando! Nos mercados já não é bem assim que funciona, se os investidores projetam uma determinada tendência para o futuro, um fluxo de recursos é canalizado naquela aposta. Com o advento dos mercados de derivativos, que nada mais é que, uma forma simplificada de elevar estas apostas através de crédito, os preços desses ativos poderão deslocar-se daquilo que os fundamentalistas chamam de preço "justo". É assim que uma bolha se forma, e quando vira praticamente um consenso, os preços orbitam no espaço.

Existe uma condição absolutamente necessária para que os preços neste novo patamar se concretizem, a previsão imaginada se realize, originando um fluxo real que altera o estoque desse ativo. Se isso não ocorrer, e o fluxo se mantiver como anteriormente, os preços terão que recuar, e quanto mais alavancado, maior a queda.

Que o 'dólar- dólar' está forte, até meu personal trainer já sabe, acredito que a escolha deste tema pelo Mosca para 2015 não podia ser melhor. E como eu coloquei no post 2015-será-um-ano-feliz?, duas forças estão em ação, quando o assunto é nossa moeda, o real: Primeiro se o 'dólar-dólar' está num movimento generalizado de alta; e segundo como vão as coisas por aqui. As aparências apontam para altas no dólar no exterior e um desastre político e econômico internamente, isso deveria ter consequências na cotação do dólar e perda maciça de reservas.

No início deste ano, analisei a possibilidade de o dólar estar numa mini-bolha dólar:mini-bolha? e fiz algumas hipóteses do que poderia acontecer com a posição de swap cambial que o BC está mantendo junto ao mercado. Frisei que, para a cotação do dólar continuar em alta, seria necessário que um fluxo de saída de dólares se materializasse. De lá para cá, o BC vem reduzindo a renovação dos contratos de swaps mensalmente, o que pode exercer uma pressão altista nas cotações do dólar, caso mantenha-se a mesma necessidade de hedge pelo mercado.

Todo mês aguardo ansiosamente o relatório do BC que contêm as contas cambiais, e ontem ocorreu sua publicação. Vou passar rapidamente nos principais números, uma vez que vocês já devem ter esses detalhes pelos jornais. As transações correntes apresentaram um déficit de US$ 2,5 bilhões, que representa uma forte redução quando comparado ao do mesmo mês do ano anterior de US$ 5,1 bilhões. O acumulado em 12 meses caiu para US$ 93,1 bilhões, equivalente a 4,36% do PIB.

A principal razão desta redução deve-se ao superávit comercial que registrou uma cifra de US$ 4,4 bilhões. É bem verdade que, este resultado positivo deve-se muito mais a queda das importações que pela elevação das exportações, por razões bastante óbvias. A conta de serviços e despesas líquidas permaneceram em patamares estáveis comparativamente ao ano anterior. O ingresso de investimentos diretos foi de U$ 5,4 bilhões e acumulam US$ 81,9 bilhões em 12 meses, responsável por 87% da necessidade de financiamento do déficit em transações correntes.

O hiato financeiro, diferença entre os déficits em transações correntes e a entrada líquida da conta financeira, foi negativo de US$ 2,0 bilhões, sendo que as reservas do BC aumentaram em US$ 1,6 bilhões e os bancos reduziram seus ativos no exterior em US$ 3,5 bilhões. O total de reservas encontra-se estagnado já a um bom tempo na casa dos US$ 372 bilhões.

Para quem está comprado em dólares estes resultados deveriam ser preocupantes, ou no mínimo intrigantes, uma pergunta deveria ser feita: Por que as reservas não estão caindo? Não vou buscar as respostas, pois é um exercício de hipóteses de difícil comprovação, mas o que importa é que existem hoje US$ 370 bilhões de reservas internacionais, uma em cima da outra!

Pode ser que, o 'dólar-dólar' continue subindo ainda mais, se realmente a economia nos USA começar a deslanchar, mas ainda faltam evidências mais concretas. Por enquanto é o FED que deixa parecer nas entre linhas, que vai começar a subir os juros. Quanto aqui dentro, os estrangeiros do fluxo real não estão vendo o cata clisma que os analistas e especuladores estão vendo, e caso continuem assim, de duas uma: ou o BC reduz ainda mais a colocação de swap para evitar uma queda do dólar, ou mais a frente as projeções que entramos num buraco negro se concretizam.

No primeiro caso, não se iludam, a cada vez que o BC diminui seu swap, é pior para os comprados e não o contrário como faz crer. Para que entendam o que quero dizer, no limite o BC vai chegar a zero e a partir daí, para "segurar" o câmbio teria que comprar, o que já está acontecendo de certa forma, como nesse mês. Já no segundo caso, aí as coisas são diferentes e o dólar poderá subir de uma forma mais real. Não se pode esquecer também que, a cotação não está mais em R$ 2,00, tudo tem preço!

Agora não esperem que, caso aconteça a primeira hipótese, o câmbio comece a cair a partir de agora, só porque o Mosca colocou estas dúvidas, pode demorar muito tempo. Portanto não contém com isso para operar, sigam as orientações técnicas. Aliás no momento o real está levando mais uma paulada hoje e se aproxima do limite superior que apontei no post ante ontem de R$ 3,32.

No post jogo-dos-pontos-FED, fiz os seguintes comentários sobre os títulos de 10 anos americanos: ...Para se ter uma convicção maior, que os juros deram meia-volta (queda), o nível de 2,10% tem que ser rompido, até lá o que está ocorrendo pode ser uma correção. Naturalmente, acima de 2,5% a alta readquire fôlego. Por estas razões, o mercado está exatamente no meio deste intervalo, e para apostar tipo "Cassino", prefiro ir ao próprio. Fique de olho!...Com o gráfico a seguir.


Como no caso do SP500 e de vários outros mercados, aqui também persiste a dúvida, como pode-se verificar a seguir.
Assim as recomendações acima continuam válidas, nada a fazer até que alguns daqueles pontos sejam atingidos. Outra hipótese para essas inações, pode ser pelo fato do excessivo calor, razão que o Mosca deu para a retração nas vendas. Um efeito derivado poderia estar acontecendo aos investidores que preferem ficar nas piscinas de suas casas, e deixar para atuar nos mercados depois das férias. Afinal, a vida é dura para eles! Hahahaha...

O SP500 fechou a 2.102, com queda de 0,57%; o USDBRL a R$ 3,2910 com alta de 2,11%; o EURUSD a 1,0991, com alta de 0,53%; e o ouro a US$ 1.89, com baixa de 0,36%.
Fique ligado!

22 de julho de 2015

Ladrões buscam novos empregos

Já não basta o desemprego que se espalha pela economia brasileira na maioria dos setores, uma nova categoria poderá se juntar a esse grupo, os ladrões. Não que a violência tenha diminuído, pelo contrário, a cada dia temos conhecimento de novas mortes por questões banais. Mas o motivo de minha chamada hoje, é função de uma nova ameaça que a tecnologia dos tempos atuais pode afetar a forma que os roubos são feitos.

A Chrysler nos USA, no intuito de modernizar a parte eletrônica de seus veículos, está vendendo carros com sistemas a bordo que possibilitam vários comandos a distância. Um grupo de hackers, usando um laptop e um telefone celular, acessaram um Jeep Cherokee. Com uma rede WiFi, tomaram controle e acidentaram o carro numa vala, 16 quilômetros de distância de seu sofá. Esse fato, deixou a empresa americana preocupada, pois já existe uma frota de 470.000 veículos com essa tecnologia sob risco.

Entenderam minha chamada? Daqui não muito tempo, os ladrões tradicionais de carros, ou terão que entrar num curso de informática ou perderão sua função, pois será muito mais simples e econômico para o ladrão, roubar seu carro com entrega ao novo comprador em sua porta, limpinho. A liquidação financeira, para não deixar suspeitas, será via Bitcoin. Tempos muito modernos!

Complementando o deck de informações para o pessoal de Washington, hoje foram publicados alguns dados que não vão na direção que o FED espera. O Instituto Gallup publica um índice de confiança econômica, e este vem caindo desde o final do ano passado, questionando se a retração vista no 1º trimestre, foi só por conta do frio.

Como consequência as vendas no varejo também tem tido uma performance pífia. Não se pode deixar de ter em mente que 70% do PIB americano é consumo.

Mas não precisam ficar preocupados, o FED vai subir os juros, acredito que agora não tem volta. O Mosca pode contribuir com os argumentos para os fatos acima, se os consumidores não saíram de casa no 1º trimestre por causa do frio, por que teriam que sair no 2º trimestre com tanto calor assim? Nietzsche! Hahahaha... 

Todos sabemos que a China é o maior detentor de títulos americanos do planeta, além é claro do próprio FED. Alguns meses eu publiquei num dos meus posts que a Bélgica tinha se tornado um dos grandes negociadores de títulos dos USA. Por algum tempo buscou-se saber quem estava por trás. China é claro! O mercado que não é bobo, já começou a montar suas estatísticas chinesas, incluindo a posição de títulos contabilizadas na Bélgica. Vejam no gráfico a seguir como faz todo o sentido.

O total de reservas chinesas acompanha muito de perto, a soma dos títulos declarados pelo governo na China mais os da Bélgica. O importante de tudo isso é que a China vendeu agressivamente US$ 107 bilhões de títulos americanos neste ano. Como contra partida, poderia se esperar que a moeda chinesa se desvalorizasse afinal, se todas do mundo estão porque ela não? 

Para tirar a prova dos nove, vejam como vem se comportando o Yuan, a moeda chinesa.
Desde de março uma oscilação entre a mínima e a máxima < 0,5%, ficou com inveja? Estratégias Chinesas!

E a bolsa americana, está dando um baile em todo mundo. Para a maioria dos marvels do mercado a queda está próxima e eles vêm se preparando para  tanto, montando estratégias para se beneficiarem deste movimento caso ocorra. No post 1-minuto-61-segundos, fiz os seguintes comentários: ...Ou o SP500 se recupera rapidamente, ou uma queda de proporções ainda incertas está para acontecer. Vale a pena ficar de olho frequentemente neste indicador. Mesmo que você não tenha nenhuma posição, poderá indicar um movimento de aversão ao risco. Se tiver posição, muito cuidado, se seu stop for executado, não faça nada depois, evite comprar por qualquer motivo... Vejam o que aconteceu depois disso.

Eu frisei acima em meu comentário, que ele precisaria se recuperar rapidamente  e foi o que aconteceu. E agora, pode-se apostar na alta? Nada mudou, estes podem ser movimentos de curto prazo e reverterem rapidamente. Basta você observar o gráfico e constatar como o mercado está indefinido, quer subir mas não consegue, mas também por enquanto não quer cair. E assim ficamos nós, esperando ele se definir, antes de se arriscar para qualquer lado.

O SP500 fechou a 2.114, com queda de 0,24%; o USDBRL a R$ 3,2228, com alta de 1,67%; o EURUSD 1,0933, sem variação; e o ouro a US$ 1.093, com queda de 0,65%.
Fique ligado!

21 de julho de 2015

FED: "Cheers!"

Enquanto no hemisfério norte registram-se recordes de temperaturas, consequência do superaquecimento, no ar condicionado em Washington a turma do FED se prepara para o grande evento destes últimos anos. Já não escondendo de ninguém, todos os membros, incluindo seu Presidente Janet Yellen, já deixaram claro que setembro é a data. Na próxima semana se realizará a última reunião antes da data "acertada" para essa ação., Eu não acredito que será surpresa anunciada nada de diferente, pois caso contrário, aí sim as temperaturas iriam explodir! Hahahaha....

Para fazer um paralelo, este momento será como a abertura de um vinho envelhecido, que neste caso, completa sete anos. No caso do vinho, depois de um gole aqui e acolá, os entendidos dão seus vereditos, sobre o aroma, gosto, textura e etc... Como não sou um "expert" no assunto, me limito a beber e avaliar de uma forma direta, gostei ou não gostei. Acredito também que esta será a reação do mercado, quando o "Juros Lafite" for aberto.

Um detalhe importante, que diferencia este caso do vinho, os primeiros foram cultivados em todos os países desenvolvidos do planeta, com várias "uvas" de suas regiões: Yen, Euro, Franco Suíço, Libra, Coroa Norueguesa, Coroa Sueca, e etc... Um legítimo blend! Hahahaha ...

Mas como será seu gosto? E o mais importante, outras garrafas serão abertas no futuro, ou esta safra foi um desastre?

Vocês devem lembrar que publiquei algumas vezes a comparação entre as previsões do novo guru do PIB americano, o FED de Atlanta, com as do mercado. A seguir as últimas informações disponíveis sobre esse dado econômico para o 2º trimestre.
Parece que desta vez o mercado tinha uma previsão melhor, indicando que neste quesito as coisas vão bem.

Porém, tem algo de estranho acontecendo nos mercados de commodities, um indicador denominado de Continuous_Commodity_Index, que representa o resultado da evolução dos preços de 17 commodities, vem caindo consistentemente.

O gráfico diz tudo, o índice encontra-se nos menores níveis desde de 2009. Tudo cai, ouro, paládio, petróleo, milho, soja, açúcar. É conhecido que estas matérias-primas são bastante voláteis, por exemplo, se uma delas sobe muito de preço, é esperado que sejam atraídos novos investimentos para a elevação de sua produção e que no futuro os preços voltem a recuar. Mas quando o movimento é generalizado, a explicação não é mais específica, é um problema macro. Sob esta ótica, e sem entrar nos motivos da queda, a consequência é inequívoca, este movimento tem efeitos deflacionários.

Acredito que estas discrepâncias não serão suficientes para demover o FED de fazer seu movimento, até para avaliarem qual é o seu impacto. Porém, como já mencionei acima, a grande discussão deverá acontecer mais a frente, depois de umas três garrafas abertas, colocando os juros em 0,75% a.a. lá para dezembro deste ano. Eu realmente espero que o "juros Lafite" não esteja Bouchonné! Não tem outra uva para substituir.

O real encontra-se numa região indefinida, ou uma nova queda abaixo de R$ 2,90 pode acontecer em breve, ou está no caminho de novas altas. Eu sei que previsões assim não são muito úteis para vocês, mas entre eu dar uma de "achista" ou respeitar o mercado, prefiro está última. Let's the market speak, e quando ele se decidir com mais clareza, aí sim nos posicionamos, na dúvida fico fora, dinheiro não é capim!

Vamos ver como anda a comparação entre o real e os nossos pares emergentes. Se alguém tinha alguma dúvida que o movimento de alta do dólar é global, principalmente contra as moedas emergentes, basta observar a figura abaixo com as linhas traçadas em verde.


Agora o interessante é que o real vem performando melhor que este grupo de moedas desde de março, basta acompanhar as linhas em vermelho. Sabem qual o motivo? JUROS! Pois com tudo de horrível que vem acontecendo por aqui, seria de se esperar que o real estivesse caindo pelas tabelas.

Vou relembrar a tabela que publiquei no final do ano passado com o tema para 2015 do Mosca 2015-será-um-ano-feliz?

Agora nos encontramos ou na situação da primeira, ou segunda linha, onde o 'dólar - dólar" se não está em alta, está numa correção. Talvez você seja levado a concluir que a linha dois é a obvia, porém recomendo que leia o post, pois embora figurativamente associe a situação brasileira ao nome de nosso Presidente, não é exatamente isso, e sim, como estão as coisas por aqui.

- David, os ares do exterior fizeram literalmente mal a seus olhos?
Não vou aqui dar uma de otimista só para não ser pessimista, o que aliás é a imagem que às vezes tenho com quem me conhece. Porém, desde que o "salvador da pátria" iniciou sua missão quase que impossível, não vi ele abrir mão de nenhuma de suas convicções, e se deixar levar por pressões que não são pequenas. Enquanto ele estiver lá, há esperanças mais para frente, se sair, aí sim pode degringolar.

Agora não sou eu que digo isso, é o mercado. Quem está apostando só no efeito "Dilma", de acordo com minha definição, não está embolsando nada, muito melhor seria vender, o dólar australiano, o canadense e assemelhados. Eu recebo diariamente um relatório de uma consultoria, que lançou alguns meses atrás o livro o fim do Brasil, com projeções para o real, desprovidas de qualquer análise técnica ou fundamental, puro achismo. Eles se vangloriam de ter acertado na cotação do real, mas esquecem de computar os juros. Prefiro o meu sistema que mede os resultados em $$$, não em palpites!

No post de ontem o-ouro-derreteu, comentei o resultado do trade de real que, de certa forma, confirma o que disse acima, pois mesmo vendendo dólares a R$ 3,15 e recomprando a R$ 3,20, ganhamos um "troco". Mas como fica de agora em diante, veja a seguir.
Como já mencionei o jogo está indefinido, do ponto de vista de momentum o dólar é para cima. Por outro lado, do ponto de vista de Elliott Wave, parece faltar uma queda para completar o movimento. Resumindo isso em números, acima de R$ 3,32 a alta ganha força, o que destaquei com a linha vermelha. Já para a queda do dólar se concretizar, antevejo três pontos, primeiro ao redor de R$ 3,12, depois o famigerado R$ 3,05 e finalmente os R$ 2,90. Enquanto ficar dentro deste intervalo é crédito de juros para o real e prejuízo para o dólar. e são juros de macho, e não nos níveis que o FED pretende comemorar.

O SP500 fechou a 2.119, com queda de 0,43%; o USDBRL a R$ 3,1700, com queda de 0,86%; o EURUSD a 1,0935, com alta de 1,02%; e o ouro a US$ 1.100, com alta de 0,31%.
Fique ligado!

20 de julho de 2015

O ouro derreteu!

Depois de duas semanas sem postar, vou comentar alguns acontecimentos desse período. Antes de começar queria falar sobre futebol, ontem fui assistir o jogo Palmeiras x Santos como um "espião", infiltrado na torcida do Palmeiras! Hahahaha ... Não conhecia o estádio novo, e fiquei bastante impressionado. Mas antes de chegar até lá, uma multidão de pessoas se apinhava nas ruas estreitas da vizinhança. A sujeira que se encontrava neste percurso era absurda, tinha de tudo, papel, latas de cervejas, urina e etc... Lamentável! Ainda bem que não fui com minha camisa do Santos, pois caso contrário, hoje vocês só teriam um Mosca dizimado! Hahahaha ...

Quem diria, a Grécia se safou. Tudo indicava que a saída do euro era eminente. Li um comentário que pareceu bastante interessante: Quando Tsipras pediu o referendum imaginou que o sim iria ganhar e assim facilitaria sua vida na renegociação. Acontece que o não ganhou e a batata quente voltou às suas mãos. Porém, a inesperada aceitação pelo Parlamento do novo acordo proposto pela Troika, deu sobrevida, e porque não, mais tranquilidade a situação na Europa. Hoje os bancos reabriram e a Grécia fez o pagamento ao ECB, claro com uma linha de crédito fornecida pelo próprio. Kick the can down the road!

Se a situação da Grécia vai ser resolvida agora, não parece clara. mas o que não se tem dúvida, é que, Tsipras vai ter que fazer carreira solo, uma vez que seu companheiro pop star foi demitido pela Troika! Hahahaha ....

Aqui no Brasil vivemos uma bagunça política grande, Eduardo Cunha mostrou a que veio, e depois de ter sido acusado de pedir U$ 5,0 milhões de propina, atirou para todos os lados. Mas nesse mar de corrupção, o que são US$ 5,0 milhõezinhos? Troco! Difícil projetar como irá terminar este embrulho, mas uma coisa de boa já está acontecendo, o volume de propina deve ter caído a zero, e talvez esse seja o preço a ser pago, para um mínimo de decência se implemente. A economia vai de mal a pior, e isso já bateu na popularidade, ou melhor, "despopularidade" da Presidente Dilma.

- David, chega de lero-lero, tudo isso é notícia velha, você não vai comentar sobre seus trades, que não deram certo?
Claro que sim, tínhamos uma posição comprada em euro e fomos estopados no dia 15/07. No post regra-de-três, fiz os seguintes comentários: ...Estou trabalhando com o cenário em vermelho, e é nele nossa aposta com o stop a 1,10. Já no caso em azul as coisas podem se complicar. Se romper o nível de 1,085, o euro pode cair um pouco e ensaiar uma nova alta, ou continuar caindo e testar as mínimas de 1,045. Esta dúvida fez com que eu colocasse o stop a 1,10. Abaixo disso, sem apostas, só observar.... O gráfico postado encontra-se a seguir.
Esta novela de posição já se arrastava por um bom tempo, com liquidações parciais durante esse período. Eu já não tinha muita confiança nesses movimentos e  no post  home-sweet-homecalculei o prejuízo caso fossemos stopados, o que acabou acontecendo: ... Desta forma, se formos stopados, o prejuízo será mínimo, aproximadamente 0,27%. E assim vamos nós, com cautela no mercado da moeda "traiçoeira"...

Outra posição que foi stopada foi a do USDBRL no dia 07/07. No post regra-de-três, fiz os seguintes comentários: ...Imagino dois tipos de correção, em azul que é a minha preferida, o dólar poderia chegar próximo a R$ 2,80. Se  acontecer durante minha viagem, saia fora do trade. A outra hipótese em vermelho, ficaria negociando neste intervalo para depois subir. Precisamos uma queda abaixo de R$ 3,05 para aumentar a chance do azul, caso contrário, aguarde....
Como observei no post tendências-chinesas, esta posição foi feita há mais de dois meses e tinha um resultado neutro: ...Os juros estão a nosso favor, o problema é de quem está comprado. E quanto mais o movimento ficar contido, pior para eles. Fazendo uma conta simples, estes 60 dias na posição agregam juros de 2%, isso faz com que nosso preço de equilíbrio passe dos R$ 3,15 (ponto de entrada) para R$ 3, 2130, ou seja, já estamos no zero a zero se formos estopados. Cada dia que passa, e continuamos na posição, contabiliza um lucrinho no bolso. Plim! Recalculando o nível de entrada até o dia da liquidação, resultou numa taxa de câmbio de R$ 3,22, e um lucro de 0,85%.

Mas o mercado que vou comentar hoje é o do ouro, que chegou a cair US$ 44,00. Os analistas forneceram algumas razões para esse movimento, uma delas é que a China publicou a quantidade de ouro de suas reservas, que ficou abaixo do que o mercado esperava, outra que uma ordem gigante de venda no mercado Asiático de cinco toneladas fez o ouro derreter em segundos, e outras mais. Nietzsche, lembram?  

Durante estas duas semanas o metal vinha num movimento de queda constante. No post 1-minuto-61-segundos, fiz os seguintes comentários: ...Com uma visão de mais a longo o prazo o dilema continua, porém as chances de uma nova mínima aumentaram bastante. A princípio esta eventual queda não deveria ser muito grande, entre 5% - 10%... ...Mas se por acaso o metal resolver cair mais e romper o nível de US$ 1.050, aguardem a minha volta, a queda poderá ser muito maior...
Hoje a mínima atingida foi de US$ 1.088, e não preciso dizer que os dados de momentum são horríveis, não indicando nenhum alento para arriscar uma compra, apenas o preço de US$ 1.050 mencionado acima. Uma atitude mais arriscada, seria tentar uma compra com o stop nesse patamar, mas não vou fazer, prefiro aguardar mais algum tempo. 

o SP500 fechou a 2.128, sem alteração; o USDBRL a R$ 3,2002, com alta de 0,40%; o EURUSD a 1,0830, sem alteração e o ouro a US$ 1.101, com queda de 2,86%.
Fique ligado!

1 de julho de 2015

Regra de três

Todo mundo conhece a regra de três dos tempos de escola, que também é chamada de regra do "está para". Mas será que dá para usar no futebol? Vejamos: Na Copa América, o Brasil empatou com o Paraguai e foi eliminado  nos pênaltis, ontem foi a semifinal e o resultado Argentina 6 X 1 Paraguai. Assim, se o Brasil tivesse ganho nos pênaltis, onde uma boa dose de sorte conta, teríamos levado mais uma lavada? E pior seria dos Hermanos! Ainda bem que perdemos antes.

Já em relação a Grécia, Tsipras mandou uma nova proposta para os credores. Ele jura que agora é quase igual a que eles querem, com pequenas modificações. A resposta da Merkel foi bem polida, mas disse que era melhor esperar o referendum. Em outras palavras, se ela pudesse cantaria um sucesso antigo de Carol King: "It´s to late baby, it´s to late! ou seja, se o sim ganhar, negociará com o próximo Primeiro Ministro, se o não ganhar: "Grécia out".

Completando as análises pré férias, no post acertar-no-pico-e-pura-sorte, fiz os seguintes comentários sobre o dólar: ... Enquanto o stop não for acionado, o movimento pode ser qualquer um. E como tinha dito no post acima: ...É fundamental que proximamente, a barreira de R$ 3,05 seja rompida... Somente abaixo desse nível, nosso trade ganha impulso. Neste meio tempo, plim, juros para nós!...
Os dados de mometum ainda indicam alta do dólar, assim, se estiver certo, é numa correção. Vejam a situação mais a médio prazo.
Imagino dois tipos de correção, em azul que é a minha preferida, o dólar poderia chegar próximo a R$ 2,80. Se  acontecer durante minha viagem, saia fora do trade. A outra hipótese em vermelho, ficaria negociando neste intervalo para depois subir. Precisamos uma queda abaixo de R$ 3,05 para aumentar a chance do azul, caso contrário, aguarde.

No post Grécia-o-inevitável, fiz os seguintes comentários sobre o euro: ...As possibilidades são várias, nem resolvi anotar no gráfico para não confundir vocês. Até o nosso stop de 1,10, pode ser que o euro esteja num triângulo e daqui a pouco retorne com o movimento de alta. Mas se romper esse ponto, voltamos a estaca zero dos meses anteriores, acima de 1,145 sobe, e abaixo de 1,045 retoma o movimento de queda.... ...Do ponto de vista técnico, a opção do triângulo parece combinar com o que está acontecendo...
Os dados de mometum não são exageradamente negativos, mas são negativos. No gráfico a seguir traço algumas hipóteses:


Estou trabalhando com o cenário em vermelho, e é nele nossa aposta com o stop a 1,10. Já no caso em azul as coisas podem se complicar. Se romper o nível de 1,085, o euro pode cair um pouco e ensaiar uma nova alta, ou continuar caindo e testar as mínimas de 1,045. Esta dúvida fez com que eu colocasse o stop a 1,10. Abaixo disso, sem apostas, só observar.

O SP500 fechou a 2.007, com alta de 0,71%; o USDBRL a R$ 3,1443, com alta de 1,37%; O EURUSD a 1,1053, com baixa de 0,75%; e o ouro a US$ 1.168, com queda de 3,42%.
Fique ligado!