Inflação: A Revanche

30 de abril de 2015

Férias em Cuba

No final do ano passado o governo dos USA anunciou a normalização das relações diplomáticas plenas com Cuba, e o alívio de diversas sanções em vigor, desde 1961. O Presidente Obama contatou o ditador cubano, Raul Castro, para abertura de embaixadas. Anunciou o "fim de uma política obsoleta" em relação a Cuba, e que "fracassou durante décadas". A partir desse acordo, os americanos já podem visitar aquele país, que permaneceu paralisado economicamente, mas que tem belíssimas praias.

Como comentei ontem, o BCB e o FED anunciaram os resultados de suas reuniões periódicas. O primeiro, como já era esperado, elevou a taxa SELIC em 50 pontos para 13,25% a.a. Porém, como nada de diferente ficou detalhado no comunicado e, considerando que repetidamente, ele vem reafirmando que pretende colocar a inflação dentro da meta em 2016, a Rosenberg já trabalha com mais uma elevação de 50 pontos na próxima reunião, terminando o ciclo de alta em 14% a.a. Que beleza!

No caso do FED, nada de muito diferente do esperado, com exceção do teor do comunicado. Eu destaco: ..."As informações recebidas pelo comitê, desde a última reunião de março, sugerem que a economia desacelerou durante o inverno, em parte refletindo fatores transitórios"... Os "fatores transitórios" são coisas que o FED acredita serem temporárias, como as baixas temperaturas dos meses de inverno. Acrescentou que: ..."Será apropriado subir os juros quando novas melhoras no mercado de trabalho forem observadas, e estivermos razoavelmente confiantes, que a inflação vai se mover para o objetivo traçado de 2 % a.a., no médio prazo"...

Em função desses motivos o mercado, depois de algumas horas de negociação, ficou tranquilo que suas expectativas de melhoras para a economia americana estavam intactas, e que, o dado publicado do PIB ontem, era "normal" para períodos de inverno.

Uma conclusão que parece ser razoável assumir, é que no primeiro trimestre os americanos não põem a mão no bolso, e deve dar muita preguiça sair de casa. Também, com aquele monte de neve na porta e o carro estar totalmente coberto, quem se atreve? Porém, permanece uma dúvida, por quê não fazem compras pela internet, que vêm se tornando cada vez mais comum, será que as mãos ficam congeladas? Hahahaha... Ok, quem sou eu para mudar esses costumes, é assim e pronto. Nos trimestres seguintes, boa parte desse não consumo deve ser realizado, com exceção dos bens de consumo, esses já eram.

Se o que eu expus acima for real, eu tive uma ideia que pode ser boa para todo mundo: Por que não implementar um programa para que todos os americanos viajem para Cuba no 1º trimestre? Vejamos as vantagens: primeiro os americanos não precisam morrer de frio ficando em casa, e desfrutariam as lindas praias cubanas; segundo que o turismo vai explodir em Cuba e basta agregar ao acordo que o aumento do PIB por lá seja rachado, 50 - 50; e por último vai ajudar muito o FED e o mercado a não precisar dar explicações do porque o PIB é tão baixo no frio.

O departamento de estatísticas consideraria o PIB da seguinte forma, no 1º trimestre, 50% do volume de serviços gerados em Cuba, seria como uma "exportação" americana literalmente, e os outros três trimestres da forma atual. Não é genial? Hahahaha ....

O Federal Reserve de Atlanta, que vêm acertando na mosca seus prognósticos do PIB, publicou sua mais nova estimativa para o PIB do 2º trimestre. Veja a comparação desse dado, com a previsão dos economistas.

O grau de acerto tem sido elevado, mas ainda estão no início do período de coleta. Agora se eles estiverem certos, ou os mercados vão tomar um tombo mais adiante, ou o inverno deve ir até junho, afinal este é o único argumento que deixa os economistas e o mercado tranquilos para um PIB baixo. O frio! Hahahaha ....

O ouro continua sem muito rumo, no post nas-cordas-do-ringue, fiz os seguintes comentários: ...Vou manter minha recomendação de compra, com as mesmas observações anteriores, porém com uma pequena alteração, fixando o preço de compra em US$ 1.172... Copiei o gráfico que havia postado, para que entendam a nova previsão do movimento.

Veja o que aconteceu em seguida, junto com minha nova leitura.

Como já comentei diversas vezes, quando se usa análise técnica, é preciso dançar conforme a música. Notem ao comparar os dois gráficos acima, que inicialmente o ouro seguiu o que eu estava esperando (queda), porém não chegou no meu ponto de compra (US$ 1.172). Agora, mesmo tendo ficado muito próximo, eu não saí atrás correndo achando que iria perder a oportunidade, quando o ouro subiu, eram necessárias mais evidências.

Acontece que hoje o metal caiu bem, e em função disso, tive que refazer minha análise, Desta forma, minha sugestão é comprar ouro a US$ 1167, com stoploss a US$ 1.135. Agora se o ouro cair abaixo desse preço, aí será outra história.

Ajuste o stoploss da posição de euros, comprada ontem, para o nível de entrada a 1,1080, assim limitamos qualquer perda.

O SP500 fechou a 2.085, com queda de 1,01%; o USDBRL a R$ 3,0133, com alta de 1,81%; o EURUSD a 1,1219, com alta de 0,84%; e o ouro a US$ 1.183, com queda de 1,78%.
Fique ligado!

29 de abril de 2015

Fundo Tarja preta

Na época em que eu estava na Linear, tínhamos uma linha de fundos de investimentos bem exclusivos, para aquele momento. Acredito que nós criamos os Fundos Hedge aqui no Brasil, cuja venda era extremamente técnica e difícil. Resolvemos dar nome de bichos para diferenciar um fundo de outro. Naturalmente, o Fundo Linear Tiger era o mais agressivo.

Em 1996 separamos a área da administrarão dos fundos da área de distribuição, evitando qualquer tipo de interferência um no outro. Nesse momento, eu dividia meu tempo entre as reuniões de alocações de ativos, com o escritório de vendas. Sempre tive uma grande preocupação que os clientes não comprassem gato por tigre, pois ao fizer  a pergunta clássica: "O Sr. deseja investir num fundo que busca um maior retorno, mas que tenha mais risco?" Invariavelmente a resposta era sim, afinal quem não quer ganhar mais?

Eu e o Luis Paulo Rosenberg desenvolvemos um questionário, que buscava identificar qual o nível de risco que o cliente tolerava, e em função da resposta, um programa de computador sugeriria uma alocação de fundos, compatível com o risco identificado. Porém, se na alocação fosse sugerido o Fundo Tiger, era necessária uma entrevista comigo, foi daí que surgiu o termo, Fundo Tarja preta, que hoje é bastante usado no mercado.

Depois de explicar o elevado risco que o cliente corria, eu fazia uma única pergunta: "Você está disposto a colocar mais dinheiro do que você já investiu, se o fundo tiver uma perda superior ao patrimônio?" Lógico que o cliente levava um choque, como perder mais do que investi? É que o Fundo, pelo seu grau de alavancagem em eventos inesperados, poderia ficar com patrimônio negativo. Aí pela sua reação e resposta, autorizava ou não a alocação nesse fundo, e sempre em percentagens baixas.

Mas além disso, era necessário nos certificar que no tempo, a alocação não ficaria desbalanceada. Por exemplo: se a distribuição sugerida era de 50% em fundos renda fixa e 50% em fundos de ações, e depois de um tempo, o fundo ações valorizasse 50%, a proporção do portfólio ficaria muito alterada, com uma parcela em ações superior a sugerida pelo nosso modelo. O nosso homem de IT da época era o Zeca, que tive o prazer de recontra-lo recentemente no corpo docente da FEA, criou um programa de acompanhamento dos portfólios. Quando uma situação dessas acontecia, uma carta era enviada ao cliente, sugerindo que conversasse com seu assessor. lembrem-se que na época não existia internet.

Além disso, o Zeca desenvolveu modelos para calcular o retorno do portfólio, coisas que hoje são comuns, mas que na época eram exclusivas da Linear. Tanto era inovador que, quando a Merrill Lynch, estudou a possibilidade de adquirir a Linear, comentou que esse sistema, era igual ao que eles estavam implantando nos USA. Tenho muito orgulho do nosso trabalho!

- David, está procurando emprego?
Boa, gostei! Não é bem o caso, o motivo é fazer uma introdução ao que está se tornando moda no exterior. Nos USA é muito comum a figura do Financial Advisor, um serviço que é prestado aos investidores, para alocarem suas poupanças, tendo em vista suas características. Acontece que recentemente, este trabalho vem sendo substituído por robôs. Veja a comparação abaixo.

Funciona? Claro que sim, em 99% das situações o robô vai sugerir um portfólio mais eficientemente que o Financial Advisor. Com o poderio computacional atual, o número de fundos existentes, a possibilidade de investir em qualquer parte do mundo, não dá para competir com a máquina. Mais um trabalho que será substituído pela máquina. Mas tem uma situação onde nem ele, nem o Advisor será útil, é nos 1% restantes, ou seja, em situações fora dos padrões. Aí meu amigo, só você pode agir. Esse é mais um motivo para que sempre se estabeleça o stoploss!

Hoje pela manhã foi publicada a primeira prévia do PIB americano do 1º trimestre, veja a seguir.

Que tal, precisa de algum comentário? O pior ainda está no detalhe, um grande volume de estoques foram produzidos, que caso não ocorresse, o PIB seria de - 2,5%. Como vocês sabem, eu escrevo pela manhã e o resultado da reunião do FED é anunciado pela tarde. Mas que esse dado não foi bom, não foi, haja frio para justificar!

No post investimento-5-paus, fiz uma análise sobre nosso trade de euro que fomos estopados. Também comentei: ...a minha ideia que coloquei um tempo atrás, somente acima de 1,105 ou abaixo de 1,045, algo poderá ser feito. Dentro desse intervalo, somente apostas da forma como eu fiz esta última, poucas "fichas"....E hoje o euro ultrapassou o nível superior de 1,105.
Como havia comentado, sugiro a compra do euro no nível atual a 1,1080 com stop a 1,0800, o objetivo é ao redor de 1,14. Vocês são testemunhas que não quis me envolver com o euro na venda nos níveis muito baixos. Não faltaram analistas sugerindo que a paridade era barbada e quem sabe 0,95 ou menos. Não quero dizer que não vai chegar lá, inclusive que, até o momento imagino que este movimento é de correção. Agora, como todo mundo está vendido, e não só no euro mas no dólar em geral, a possibilidade de grandes ordens de stops é elevada, o que pode gerar uma corrida de venda de dólar. Let´s see! 

O SP500 fechou a 2.106, com queda de 0,37%; o USDBRL a R$ 2,9597, com alta de 0,80%; o EURUSD a 1,1129, com alta de 1,35%; e o ouro a US$ 1.204, com queda de 0,60%.
Fique ligado!

28 de abril de 2015

FED: Cumprindo a tabela

Amanhã teremos dois Bancos Centrais anunciando o resultado de suas reuniões periódicas, de um lado o FED e do outro o BCB. Vamos começar pelo BCB, a expectativa é de mais um aumento da SELIC em 50 pontos, levando a taxa para a bagatela de 13,25% a.a., e tem mais, o mercado espera mais uma de 25 pontos para a próxima reunião. Eu me pergunto, porque tanta parcimônia, não teria sido melhor no início do ciclo, elevar em 3 x parcelas iguais de 200 pontos, sem juros?! Hahahahaha .... Será que o pessoal não leu Maquiavel?

Já no FED ninguém espera muita novidade para essa reunião, os dados não colaboraram no 1º trimestre. No início do ano, quando a expectativa de crescimento era superior a alcançada, os membros do FED já tinham preparado um discurso importante, a ser feito uma reunião antes da elevação dos juros: "o gato subiu no telhado". Mas vão ter que guardar na gaveta, ou melhor nas nuvens, seus argumentos, pois não será nessa.

A aposta de quando finalmente o início do ciclo de alta de juros começará, foi empurrada pelos economistas para setembro. Enquanto, para o mercado, setembro é um 50% - 50%, e dezembro 100%, como pode-se verificar no quadro de probabilidades, calculado em função dos contratos de taxas futuras, abaixo.


Vejamos a situação dos principais indicadores da economia americana a seguir. Como pode-se verificar, o desemprego caminha no sentido certo, porém a inflação no sentido contrário.

Um pequeno alento no quesito inflação pode-se auferir na pesquisa feita para a inflação futura, que começa lentamente a mover-se para cima.

O mercado detesta dúvidas e, no quesito da normalização dos juros, a decisão vem se arrastando por muitos meses, dando a margem a todo tipo de especulação: se é bom ou não para a bolsa; se os mercados emergentes vão sofrer um tombo; se os títulos do governo americano passarão a ter uma volatilidade enorme; e etc ...Como ninguém tem a menor ideia das consequências, qualquer devaneio acaba tendo alguma repercussão. Pode ser que não aconteça nada, pois de tanta espera, os investidores já estão preparados. É importante frisar que, estamos falando de una elevação de meros 25 pontos, fichinha aqui para nós. Em relação a liquidez, não será afetada em nenhum US$ 1, pois o FED continuará rolando seus títulos no vencimento. Essa sim, a retirada da liquidez, será o grande teste no futuro.

Assim, espero que a reunião de amanhã seja como um jogo entre o Real Madrid e um time de 3ª divisão, onde o resultado já é esperado. Agora, como no futebol, surpresas podem acontecer, como por exemplo, o FED jogar a expectativa de alta mais para frente ainda. Isso só aconteceria, se em sua análise dos resultados do 1º trimestre, a causa não foi só o mal tempo. Mas não apostem nisso, é zebra total!

Um movimento interessante que vêm ocorrendo nas empresas americanas, é a recompra de suas próprias ações, com o caixa disponível. Isso tem um efeito de elevar o lucro por ação, uma vez que o resultado será divido por menos ações existentes no mercado. Esse é mais um efeito do excesso de liquidez que ronda o mundo nos dias atuais, porém, por outro lado, mostra que não existem projetos rentáveis disponíveis, mesmo com juros zero.

Como o assunto nas próximas horas é o FED, vou analisar os juros de 10 anos. No post no-news-is-good-news, fiz os seguintes comentários: ...... Se as taxas subirem acima de 2% a.a., melhora um pouco, mas somente depois de 2,25% a.a., apontado no gráfico como Golden Área, nossas chances de ganho se elevam. Por enquanto continuamos no jogo, mas com poucas fichas!...Desde então o mercado melhorou "um troco", como se diz na gíria. 


Temos um trade, apostando na alta de juros, feita ao nível entre 1,95% - 2% a.a., e é onde o mercado se encontra, neste momento. Como o gráfico acima mostra, tenho dúvidas sobre o movimento a seguir, pode ser uma baixa ou alta dos juros. Deixo a decisão a vocês, se ficar na posição e as taxas caírem ativando nosso stop a 1,80% a.a., o prejuízo será de 1,2%, ninguém gosta de perder. Por outro lado, ficando na posição, existe a possibilidade de um ganho expressivo, desde que, ultrapasse 2,25% a.a., mas antes disso, existe uma barreira importante aos 2,15% a.a.

Ou seja, é uma aposta no curto prazo de 50% - 50%, sem muita convicção, vou ficar fora e considero a operação encerrada.

O SP500 fechou a 2.114, com alta de 0,28%; o USDBRL a R$ 2,9360, com alta de 0,58%; o EURUSD a 1,0980, com alta de 0,89%; o US$ 1.211, com alta de 0,74%.
Fique ligado!

27 de abril de 2015

A estatística e o Futebol

Este final de semana assisti a algumas partidas de futebol, primeiro vamos falar do Santos. É incrível como as pessoas tendem a distorcer os fatos, a sensação que transparece na mídia, é que o resultado foi bom para o Santos, mesmo tendo perdido de 1 x 0 para o Palmeiras. O raciocínio é que na Vila Belmiro, vai ser fácil marcar mais que um gol e sagrar-se Campeão Paulista. É verdade que o Santos, depois que tomou o gol, jogou dessa forma, com o objetivo de manter o placar.

Mas eu não encaro desta forma, perder é perder! Tem desvantagem no próximo jogo, e tanto faz onde vai jogar, pois a torcida apenas torce, não faz gols! Outra curiosidade é que, a média de idade do jogadores do Santos, parece a curva de Gauss. Só que ao invés de estar concentrada no centro, está nas caudas, pois ou são muito jovens ou muito velhos. A média de idade deve ser igual a média dos outros times. Esse é um caso em que a estatística engana.

E para terminar o assunto futebolístico, queria comentar um outro jogo que assisti do Campeonato Inglês, que evoluiu muito. O jogo foi entre o Arsenal x Chelsea, que delícia assistir! Observei alguns pontos que, na minha opinião, transformaram o futebol num esporte muito diferente ao da era Pelé. Já comentei anteriormente, que cada posição exige uma habilidade mais ampla, quem defende tem que atacar e quem ataca tem que defender. Depois, bater um lateral é uma jogada que quase sempre se vira contra você, pois como todos estão marcados, é muito difícil, o seu time ficar com a posse de bola. Se seu time pensa em atacar, de uma forma lenta, passando de um lado para outro, o mais provável é que vai perder a bola, pois a área do adversário é um paredão.

Para ser bem-sucedido, além do preparo físico, é necessário muita velocidade a fim de pegar o outro time desarrumado, e isso implica treinamento e muito controle da bola, haja visto que correr e passar a bola com precisão a seu companheiro, não é nada fácil. Mas os times europeus vêm se desenvolvendo nesses esquemas táticos. Para nós brasileiros resta ficar com o futebol arcaico, e com jogadores na cauda da curva de Gauss, como é o caso do Santos. Os bons, quando jovens, vão para o exterior. Quanto a seleção brasileira ainda teríamos uma chance, desde que houvesse técnicos competentes, o que não parece ser o caso, pois se até o Wanderley Luxemburgo está sendo cotado para assumir o São Paulo, o que podemos esperar?

É incrível que, quando se faz uma previsão que não é a esperada, você recebe um monte de parabéns céticos. E é o que vem acontecendo com o Mosca, que previu a queda do dólar contra o real. Em qualquer rodinha de conversa, as pessoas se aproximam, com perguntas, de teor mais ou menos igual: "O que melhorou tanto para o dólar cair?" Tanto faz a resposta que eu der, pois sou escutado, mas sinto que eles não se convencem. Na verdade, o motivo de uma forma direta, é o JUROS!

Muito bem, o real está entrando no objetivo que tracei. O meu último comentário sobre o assunto foi no post new-look: ...Este nível provável, é entre R$ 2,94 - 2,93, onde a partir daí, o movimento de alta pode ganhar ímpeto novamente...

- Opa David, vamos comprar dólares? O câmbio está agora a R$ 2,92!
Meu amigo, quero lembrá-lo que no post acima já tinha deixado um recado para você, lembra?: ...Antes que meu amigo dê um aparte, não dá para sair comprando se o dólar chegar lá, e necessário verificar, como ele chega lá. Precisa combinar com os Russos! Hahahahaha ....
Eu anotei no gráfico acima, os preços que são importantes dentro desse movimento do dólar. Inicialmente, onde ele se encontra agora, tem uma barreira importante, se for ultrapassada, o próximo nível será ao redor de R$ 2,75 e em seguida R$ 2,63.

Como o tema do Mosca para 2015 já alertou, essa queda foi causada pelo "dólar - dólar" ou "Dilma"? No gráfico a seguir, está a evolução do DXY.
Desde março que o "dólar - dólar" perdeu o ímpeto de alta, talvez em função do mercado ter postergado a alta de juros, com dados mais fracos da economia, no 1º trimestre. Eu apontei o nível de 96, como crítico, se cair abaixo disso, pode detonar uma série de ordens de stoploss, e como não faltam comprados em dólares, poderá ser forte!

Já em relação ao efeito "Dilma", o gráfico a seguir aponta a evolução em relação as principais moedas para esse fim.

Como a linha em verde aponta, houve uma melhora relativa do real frente a todas essas moedas, porém ainda teria mais espaço de alta relativa, para retornar a linha azul, que refere-se a piora do começo do ano, aqui no Brasil.

Em março no post dólar-mini-bolha, elaborei um raciocínio que vale a releitura, pois vou usar seus conceitos a seguir. Dadas as informações dos gráficos anteriores, o que se poderia esperar do dólar contra o real? Como mencionei nesse post , a chave da questão encontra-se no que o Banco Central do Brasil vai fazer com os vencimentos de swaps. Eu acredito que, se o DXY continuar caindo, ele tenderá a renovar os swaps, uma vez que tecnicamente não teria razões para querer um real mais desvalorizado que as outras moedas, neste momento

Que me desculpem os exportadores brasileiros, não adianta chorar que o câmbio está baixo, não é dessa forma que vão se tornar competitivos. Vá a luta, e busquem ser mais produtivos, caso contrário, é uma questão de tempo para perderem mercado, com ou sem câmbio a seu favor.

Assim, para uma queda mais acentuada do dólar por aqui, será muito importante que o DXY caia abaixo dos 96, mencionado acima. Se isso acontecer, o USDBRL poderá continuar caindo conforme os níveis que mencionei. Nessa situação, boa parte dos fundos locais que apostaram no dólar, vão sofrer, além da empresa que ganhou notoriedade, anunciando o "fim do Brasil". Terão que arrumar boas explicações, uma vez que suas previsões, são feitas na base do achismo, e sem muito fundamento.

O SP500 fechou a 2.108, com queda de 0,41%, o USDBRL a R$ 2,9190, com queda de 1,09%; o EURUSD a 1,0883, com alta de 0,10%; e o ouro a US$ 1.202, com alta de 1,90%.
Fique ligado!

24 de abril de 2015

Camelô de Mercado

O trabalho de um camelô não é fácil, além de ter que convencer as pessoas que passam pelas ruas para comprarem seus produtos, precisam ficar de olho quando a Polícia se aproxima, uma vez que é uma atividade ilegal. Nas viagens ao exterior, não é raro se deparar com uma cópia da "vitrine", da Bloomingdale's. Aí você pode encontrar bolsas Chanel, Louis Vuitton, óculos Prada e relógios Rolex. Todos absolutamente falsos, mas a preços convidativos, com US$ 20 você faz a festa!

Mas o que você vai ver a seguir é inédito. Eu venho relatando que a bolsa da China vem subindo consideravelmente nesses últimos meses. Isso vem chamando a atenção do público naquele país, onde a abertura de contas novas está explodindo, também não é por falta de Chineses! Hahahaha ....


A China não é, e não foi, o único país a passar por uma situação semelhante. Para poderem aprender os mecanismos da bolsa de valores, está sendo oferecido cursos de "um minuto" sobre estratégias de negociação, de como tornar-se o próximo Warren Buffett. Detalhe, na rua!

A melhor palavra para definir é, inacreditável! O artigo não deixa claro o que se pretende vender, uma determinada marca de computador, um sistema de análise técnica, ou simplesmente um ação feita pela bolsa para educar futuros investidores. Agora, Warren Buffett poderia cobrar royalties ou até explorar mais a sua marca, pois é sempre associado a quem entende de bolsa de valores, e não Chanel, é claro! Hahahaha....

Não é para menos que, a bolsa vem atingindo novos recordes, praticamente todos os dias. Isso pode ser visto no gráfico a seguir onde o índice Shanghai Composite dobrou em 6 meses.

Acontece que na economia real as coisas não andam tão bem como na bolsa, ontem foi publicado o PMI Industrial e o mesmo além de ter sido inferior ao previsto, ficou abaixo de 50, indicando retração.

O governo Chinês tomou uma medida para elevar a liquidez, ao reduzir o depósito compulsório dos Bancos. Como reação, a taxa de juros recuou significativamente, vindo de 6% a.a., no mês passado, para 2,5% a.a., uma queda de 3,5%.

É tido como lema no mercado financeiro que, as bolsas sempre reagem antecipando o futuro, e esse pode ser o caso da China. Mas para que esse movimento seja confirmado, é necessário que os resultados aconteçam, pois caso contrário, as cotações andarão de marcha a ré. Por enquanto, a profissão de "Camelô de Mercado" continua em alta e para ensinar 1,4 bilhões de Chineses, vai precisar de muito tempo!

Na minha última atualização sobre o Ibovespa, no post dr-digienstein, fiz os seguintes comentários: ...Eu calculo que um target para essa mini alta seja ao redor de 56.000. Mas não custa repetir, esta ação está num movimento de correção, onde tudo é possível. Mas não vejo motivos para mudar meu objetivo de mais longo prazo, pois o que vêm acontecendo tem "cara" de correção... E hoje, ela chegou lá.


Um certo ânimo por parte de alguns estrangeiros, já vem se observando a alguns dias, que vêm comprando ações brasileiras, mesmo com a operação "lava-jato" em andamento. Isso também pode-se observar na cotação do real contra o dólar. Do ponto de vista técnico, ainda continuo com a minha ideia que estamos numa correção, e que o movimento de queda irá retornar mais a frente.

O que pode-se esperar? Se a bolsa continuar subindo, e os dados de momentum, estão positivos, o próximo ponto será no intervalo entre 60.000 - 62.000. Caso isso aconteça, aí será o grande teste, da continuidade desta alta, ou não. Ainda faltam uns 7% - 9%, e os vendidos devem estar suando frio, pois a ideia que era só vender a descoberto e ir à praia, não tem funcionado muito bem. O Mosca foi mais prudente, e talvez mais pão duro, pois minha ideia era de comprar e não vender ações quando estavam caindo. O mínimo atingido foi de 45.800, ainda acima do limite que eu pretendia comprar (38.000 - 40.000), paciência, fica para a próxima vez.

O SP500 fechou a 2.117, com alta de 0,23%; o USDBRL a R$ 2,9536, com queda de 0,54%; o EURUSD a 1,0863, com alta de 0,36%; e o ouro a US$ 1.178, com queda de 1,31%.
Fique ligado!

23 de abril de 2015

"New Look"

A nota do setor externo, divulgada mensalmente pelo Banco Central, que compreende importantes estatísticas de fluxo e estoque de capitais do Brasil com o resto do mundo, como o saldo em transações correntes, investimento estrangeiro direto (IED), investimento em carteira, dívida externa, reservas internacionais, etc., sofreu uma ampla modificação a partir dessa divulgação do mês de março em conformidade com a sexta edição do Manual do Balanço de Pagamentos e Posição Internacional de Investimento (BPM6) do Fundo Monetário Internacional (FMI).

A revisão também capta a nova forma de cálculo do PIB, introduzida pelo IBGE, e harmoniza as estatísticas do setor externo com as de contas nacionais. Desde 2001, essas estatísticas eram divulgadas pelo BCB de acordo com a quinta edição do Manual de Balanço de Pagamentos (BPM5). As séries históricas de balanço de pagamentos sob o BPM5 foram descontinuadas e a série histórica disponível do BPM6 teve início em janeiro de 2014.


As principais mudanças foram no formato da apresentação do Balanço de Pagamentos, nomenclatura de algumas contas e subcontas, novas contas, novos conceitos para contas já existentes, convenções de sinais e incorporação de novas fontes de informação. Por exemplo, a rubrica Investimento Estrangeiro Direto (IED) foi alterada para Investimentos Diretos no País e passa a englobar também os lucros que são reinvestidos no país, bem como o retorno de investimento brasileiro no exterior, além de outras alterações. Juros da dívida doméstica detidos por não residentes, passam a ser incorporados nos dados e novas fontes de informação para a balança comercial. A principal alteração na metodologia, acontece no tratamento dos estoques de ativos e passivos externos. Maiores detalhes a respeito das estatísticas do setor externo brasileiro sob o padrão metodológico, definido pelo BPM6, estão disponíveis em manual BP (BPM6).

Com essa nova roupagem, vamos nos adaptar aos novos critérios para comparações e evoluções de nossas contas externas. Começando pelo déficit em transações correntes que, pela metodologia antiga tinha atingido US$ 91 bilhões (4,19% do PIB), com a nova metodologia (BPM6) aumentou para US$ 104 bilhões (4,43% do PIB) em 2014, ficando por esse critério numa situação mais desconfortável. Tal aprofundamento se deve à conta de renda primária, antiga conta de rendas, que possuem a remessa de lucros e dividendos e remessa de juros como as principais subcontas. Em 2014, a remessa de lucros e dividendos foi de US$ 31,2 bilhões, ante US$ 26,5 bilhões na antiga metodologia. Já a conta de juros ficou em US$ 20,6 bilhões, ante US$ 15,3 bilhões, ao incorporar pagamentos de cupons de títulos negociados domesticamente, mas sob propriedade de não residentes. A balança comercial em 2014 foi deficitária em US$ 6,2 bilhões, contra US$ 4 bilhões no cálculo anterior.


O Investimento Estrangeiro Direto (IED), na metodologia antiga, havia atingido US$ 62,5 bilhões (2,87% do PIB) em 2014, sob a nova metodologia transformou-se em Investimentos Diretos no País e passou para US$ 97 bilhões (4,13% do PIB) em 2014, cobrindo quase a totalidade de necessidade de financiamento externo, dado pelo déficit em transações correntes. Dentro dessa conta, a maior alteração se deu nos empréstimos intercompanhias, que saíram de US$ 15,2 bilhões para US$ 39 bilhões na nova metodologia, principalmente advindas de captações de filiais de grupos brasileiros no exterior. A participação no capital aumentou de US$ 47,3 bilhões para US$ 57,9 bilhões. O investimento em ações, que agora inclui também cota em fundos de investimento, aumentou para US$ 11,8 bilhões, ante US$ 11,5 bilhões em 2014.


Considero essas informações importantes para que vocês não façam uma comparação errônea, ao se depararem com as novas informações de nossas contas externas. Ainda levara um tempo, para que possamos nos acostumar com esses novos critérios. Vamos aos números de março de 2015.

As transações correntes apresentaram déficit de US$ 5,7 bilhões, ante US$ 6,6 bilhões no mesmo período de 2014, acumulando em 12 meses um saldo negativo de US$ 101,6 bilhões (4,54% do PIB). Na conta financeira, as captações líquidas somaram US$ 5,2 bilhões, destaque para entrada em investimento direto de US$ 4,3 bilhões. Em 12 meses, os ingressos líquidos de investimento atingiram US$ 88,8 bilhões (3,97% do PIB).

As reservas internacionais mantiveram-se no nível de US$ 371 bilhões, com uma redução marginal de US$ 1,1 bilhão, proveniente de ajustes de preços dos ativos, e cotações de moedas.

Como qualquer roupa nova, a primeira impressão é de se estranhar. Nessa nova nomenclatura, aparentemente nossas contas externas pioraram, com a elevação do déficit em transações correntes acima de 4%. Não que esse número não enseje preocupação, é alto sobre qualquer ótica, e estamos na dependência das contas financeiras, onde destacam-se os investimentos diretos e, na nova nomenclatura, o investimento em carteira passivo, que compreendem: investimento em ações; fundos de investimentos e títulos de renda fixa. 

Conclusão: Nosso Balanço de Pagamentos encontra-se, como eu denominei há dois anos, em equilíbrio-instável, mas que continua sendo financiado sem afetar nossas reservas.

O dólar contra o real estava batalhando próximo ao patamar de R$ 3,00, parece que existiam os "defensores" quando tocava nesse nível, porém hoje rompeu esta importante barreira psicológica No post conta-de-chegar, fiz os seguintes comentários: ... Mantenho as mesmas previsões acima, e caso o dólar caia abaixo de R$ 3,02, aumenta a probabilidade de buscar o nível de R$ 2,92...O gráfico a seguir pode explicar melhor o movimento de curto prazo da nossa moeda.

As cotações estão circunscritas dentro do triângulo em azul. Esse é um movimento típico de exaustão, onde atinge o ápice ao romper a linha inferior, como um último respiro. Este nível provável, é entre R$ 2,94 - 2,93, onde a partir daí, o movimento de alta pode ganhar ímpeto novamente. 

Antes que meu amigo dê um aparte, não dá para sair comprando se o dólar chegar lá, e necessário verificar, como ele chega lá. Precisa de combinar com os Russos! Hahahahaha ....

Por sinal, queria comentar sobre as partidas da Taça Libertadores, que horror! Realmente nossos jogadores têm que passar por uma limpeza cerebral. Ontem, o jogador Emerson do Corinthians, passou a perna no adversário, achando que ninguém iria perceber, foi expulso. E o jogador Luis Fabiano do São Paulo, simulou ter levado um tapa na cara, para forçar a expulsão de seu adversário. Tudo isso mais parece futebol de várzea. Como comentei anteriormente, recomendo para quem gosta de futebol, assistir o Champions League. Isso jamais aconteceria por lá, pois a própria torcida, exigiria que seu clube se desfizesse desse jogador. 

O SP500 fechou a 2.112, com alta de 0,24%; o USDBRL a R$ 2,9756, com queda de 1,12%; o EURUSD a 1,0824, com alta de 0,92%; e o ouro a US$ 1.193, com alta de 0,60%.
Fique ligado!

22 de abril de 2015

Nas cordas do ringue

Depois do feriadão de Tiradentes, onde nada de relevante aconteceu no exterior, o Mosca volta com comentários recentes sobre a Grécia. A situação para a dupla pop-star, Tsipras & Varoufakis, piorou consideravelmente, pois além de estarem tentando impor um programa que não tem a menor aceitação por parte dos credores, sua estratégia vem perdendo popularidade dentro de seu país. Em março, quando assumiram o governo detinham 72% de aprovação,e  na mais recente pesquisa, caíram para 45%. E ainda pior, quase a metade dos consultados - 40%, desaprovam a maneira como vem sendo conduzida as negociações com os credores.

Como os dados recentes vem demonstrando, a economia na zona do euro vem melhorando sensivelmente, tornando o caso grego cada vez menos uma ameaça para a Europa. O ECB está preparando um outro golpe de esquerda, no já combalido sistema financeiro grego, ao aumentar o volume de garantias necessárias para que os bancos desse país, possam ter acesso as linhas de crédito da autoridade europeia.

A pressão continua a aumentar de forma exponencial, de um lado a população grega que detêm alguma economia, está sacando dos bancos gregos e colocando os euros, ou debaixo do colchão ou mandando para outros países, como pode-se verificar abaixo.

Para poderem se financiar, os Bancos gregos dependem do ECB, único herói obrigado a dar liquidez. Acontece que são necessárias a colocação de garantias de títulos e como os saques aumentam, e o ECB está aumentando a proporção dessas garantias, os títulos dos bancos estão em queda livre, gerando um ciclo vicioso.


O gráfico acima, é o preço do título com vencimento em 5 anos, do maior Banco grego. Agora vale praticamente a metade de seu valor, indicando o pré-anúncio da quebras de bancos.

Sem ser um especialista em política, me atrevo a dar duas razões do insucesso da dupla grega: Primeiro, segundo Maquiavel, o mal se faz de uma só vez, assim se eles pretendiam dar o calote, já o deveriam ter feito; segundo que não se atentaram a um detalhe muito importante, que mais de 80% da população grega não quer sair do euro.

No post Grécia-missão-impossível, fiz um comentário logo que o governo de esquerda tomou posse, onde enfatizei a impossibilidade do programa imaginado pela dupla pop-star. Agora eles se encontram como um lutador de box nas cordas, levando socos de direita e de esquerda, prontos para serem nocauteados.

No post China-sinais-divergentes, fiz os seguintes comentários sobre o ouro: ...Vou manter minha recomendação de compra, sem muita convicção, mas vale o risco. O intervalo é entre US$ 1.182 - US$ 1.172 e o stoploss continua o mesmo US$ 1.135...O metal negociou na mínima de US$ 1.183, muito próximo do limite superior que eu sugeri - US$ 1.182. Depois disso, ameaçou subir, mas sem muita força e agora encontra-se a US$ 1.197.


Vou manter minha recomendação de compra, com as mesmas observações anteriores, porém com uma pequena alteração, fixando o preço de compra em US$ 1.172. Estou apostando numa formação da correção em curso, que deveria levar os preços a esse mínimo, mas não posso descartar que poderá reverter antes disso. Depende de você, se quiser arriscar US$ 10 a mais, ou comprar um pedação em cada nível, fica a seu critério. Em correção, é possível diversos tipos de movimento, não existindo uma determinada preferência, todos são equiprováveis.

 O SP500 fechou a 2.107, com alta de 0,51%; o USDBRL a R$ 3,007, com queda de 1,35%; o EURUSD a 1,0724, com queda de 0,76%; e o ouro a US$ 1.187, com queda de 1,22%.
Fique ligado!

17 de abril de 2015

Investimento: 5 paus

Na minha época usava-se a gíria "paus" para indicar uma unidade monetária. O mais incrível é que era uma unidade variável, assim, se você ia tomar um café e na hora de pedir a conta o garçom dizia 2 "paus", você sabia que eram 2 reais. Já se fosse o valor de um carro, na conversa com amigos, 40 "paus" correspondia a 40 mil reais. Na área de negócios ou investimentos, dependendo do que se tratava, também estava implícito o seu valor real.

A categoria de Hedge Fund, onde seus gestores são considerados Titãs de finanças, atraiu muitos recursos nos últimos anos. O dado mais recente aponta um total de US$ 3,1 trilhões. Existem várias categorias de investimento, que podem ser vistas abaixo com suas variações de performances mais recentes.

Para se investir nesses fundos é requerido que o investidor conheça os riscos envolvidos. É um clube seleto.

Agora suponha que eu te apresente um fundo administrado pela Bridgewater, lançado em 1975 e que administra US$ 154 bilhões, qual você acha que seria a recomendação de patrimônio mínimo requerido para investir em seus fundos, ao te dizer que o valor é de 5 "paus".

a) US$ 5 mil
b) US$ 5 milhões
c) US$ 5 bilhões

Com as informações que eu dei imagino que 5 % responderia alternativa a), 95% alternativa b); e uma resposta na alternativa c), ou para ser engraçadinho ou porque se enganou.

Pois é, a alternativa correta é c), 5 paus dos muito grandes, quase impossível! E não termina por aí, eles ainda informam uma tabela de taxas mínimas que serão cobradas de seus clientes, independente de seu retorno ou valor investido. Está sentado, para o fundo mais concorrido US$ 4,75 milhões por ano. Que tal, quer fazer uma "apostinha"? Imagino que seus investidores devem estar satisfeitos com sua performance, pois caso contrário, não teriam estes valores sob administração. Mas eles são infalíveis? Com certeza não são, algum dia estarão nas páginas do Wall Street Journal, com notícias não muito boas. Ou será que ele tem todas as Moscas na mão! Hahahaha...

Outro dia fui novamente questionado por um economista, de qual era a minha previsão sobre o real, fiz as minhas considerações, e ele respondeu:
- Tudo bem, como o seu post coloca ... se não cair vai subir ..."
Minha resposta foi:
- Você tem alguma sugestão melhor?

Gargalhada geral! Eu sei que vocês gostariam que eu desse uma previsão, primeiro infalível e depois na mosca, mas isso não existe. Vou enfatizar que, sempre forneço a direção e preço mais provável, agora se eu estiver errado, em qual nível eu terei que rever minhas hipóteses. Vocês não acham justo? Desta forma, ninguém vai quebrar por teimosia para satisfazer o meu ego, uma vez que, sou tão bom que não erro nunca. Esta é a maior vantagem da análise técnica, se você seguir seus princípios disciplinadamente, não quebrará! O resto é como a vida, tem que acertar mais que errar, e quando acertar ganhar mais.

No post a-Russia-estaria-dando-um-sinal, relatei o trade do euro, onde fomos stopados, extrai alguns trechos: ...se a operação for stopada, isso não significa que o movimento de queda irá ganhar força, necessariamente. É preciso que caia abaixo de 1,045...

...-David, então porque você não colocou o stoploss nesse nível?
Vamos fazer alguns cálculos, nosso preço médio de compra foi 1,0715, ao colocar o stoploss no nível tecnicamente "correto", estaríamos arriscando 2,5%, para um ganho, caso o euro chegue a 1,14 de 6,3%, será muito bom. Porém meu grau de confiança não é muito grande, pois não espero que o euro já tenha atingido um mínimo...

...- E o que fazer se for stopado, e o mercado logo em seguida, começar a subir?
Paciência, fica para uma próxima oportunidade, o que não devemos ficar é p#%o da vida...

Veja o que aconteceu desde então:
A opção que eu comentei aconteceu! Se o stop fosse colocado no lugar certo a 1,045, não teríamos sido estopados. Cometi um erro? Não acredito, pois eu decidi colocar poucas "fichas" neste trade, por falta de confiança no movimento. Agora, com um fim educativo, vamos imaginar que ainda estivéssemos no trade, o que faríamos agora que a moeda única está no nosso nível de entrada? Ficamos ou caímos fora?

- David, lógico que eu ficaria! Valeria a premissa inicial.
Em análise técnica, a cada movimento do mercado, você tem que reavaliar o que você achava antes, a fim de confirmar ou não suas premissas, não vale para sempre. Neste caso, não gosto nada desta alta destacada em azul, cara de correção. Assim, volto a minha ideia que coloquei um tempo atrás, somente acima de 1,105 ou abaixo de 1,045, algo poderá ser feito. Dentro desse intervalo, somente apostas da forma como eu fiz esta última, poucas "fichas".

Em virtude do feriadão da próxima semana, o Mosca volta dia 22/04, ou antes, se algo de muito importante acontecer. Bom feriado!

O SP500 fechou a 2.081, com queda de 1,13%; o USDBRL a R$ 3,0438, com alta de 0,73%; o EURUSD a 1,0806, com alta de 0,42%; e o ouro a US$ 1.204, com alta de 0,60%.
Fique ligado!

16 de abril de 2015

No news is good news

A expressão: "No news is good news" parece se aplicar agora, aqui no Brasil. Ontem um leitor me ligou perguntando qual a razão da valorização das ações da Petrobrás em 60%, desde a mínima de R$ 8,16 e o dólar beirando os R$ 3,00. Minha resposta foi que, a quantidade de notícias ruins tinha diminuído significativamente nos últimos dias. Percebi que ele não ficou convencido, afinal suas vendas ainda continuam ruins e como exporta parte de sua produção, a queda do dólar não o favorece.

Na verdade o real motivo é preço, eles estavam espelhando um cenário de derrocada sem volta, e voltou, pelo menos no curto prazo. Em situações como esta, é necessário gasolina todos os dias, para que os preços continuem piorando, ou seja, notícias ruins diárias. Se cessam, os preços dão meia volta. A razão começa prevalecer, em contra partida da emoção. E no caso brasileiro a razão chama-se: JUROS, e como lembrou bem, um ex-colega, "juros não levam desaforo"!

Ontem tivemos a reunião mensal aqui na Rosenberg e o clima foi de muito mais tranquilidade que a anterior, embora isso não signifique otimismo. Uma discussão que ficou sem resposta era se a desaceleração nesse início de ano nos USA era por causa do tempo ruim, ou um indicador que o crescimento econômico esperado estava "fofando". Assim, resolvi trazer alguns gráficos para colocar o assunto na mesa, ou melhor, na Web! Hahahaha ...Antes de iniciar, é importante frisar que este ano, a neve nos USA foi inferior a 30% em relação ao ano anterior.

Um índice que venho trazendo no blog, US Macro Surprise Index, mede se os dados publicados foram melhores ou piores do que o esperado.


As vendas ao varejo nunca caíram tanto em bases anuais fora de uma recessão.

Os pedidos às fábricas estão em queda, só vistas em períodos de recessão.
E por último, um indicador elaborado com as informações dos bancos. Os pedidos de crédito nunca estiveram tão baixos, indicando que as instituições financeiras, puseram o pé no breque.
São dados de certa forma, preocupantes. É necessário, daqui em diante, que os dados a serem publicados, mostrem melhoras significativas, pois caso contrário, vai jogar um balde de água fria, em todo o cenário benigno construído para os USA. Como precaução, os mercados futuros apontam que o FED só elevará os juros em dezembro deste ano, ou janeiro de 2016.

O consenso de nossa reunião foi que, essas quedas foram ocasionadas pelo mal tempo, mas confesso que eu não fiquei convencido.

Como o assunto são  juros, vejamos o que aconteceu com as taxas dos títulos de 10 anos. No post prova-dos-10, fiz os seguintes comentários: ... Se as taxas subirem acima de 2% a.a., melhora um pouco, mas somente depois de 2,25% a.a., apontado no gráfico como Golden Área, nossas chances de ganho se elevam. Por enquanto continuamos no jogo, mas com poucas fichas!...
Como pode-se constatar, o mercado resolveu também dar um voto de confiança, mas sem euforia, pois os juros estão estabilizados num nível baixo. Vou fazer algo que raramente faço, alterar o stoploss, ao invés de 1,84% a.a., para 1,80% a.a., os motivos são técnicos. Cada vez mais, a Golden Area que eu tinha imaginado parece  mais um Mirage Area! Hahaha ...

O SP500 fechou a 2.105, sem variação; o USDBRL a R$ 3,0150, com baixa de 0,44%; o EURUSD a 1,0769, com alta de 0,81%; e o ouro a US$ 1.198, com baixa de 0,25%.
Fique ligado!

15 de abril de 2015

Conta de chegar

A expressão conta de chegar, significa verificar um determinado cálculo de uma outra forma, a fim de confirmar um determinado resultado. A China publicou o seu PIB que ficou em 7% a.a., nível que estava de acordo com a expectativa dos analistas, assumindo que este dado é confiável. No gráfico a seguir, a linha em vermelho são os dados do PIB, a verde é o target traçado pelo governo, e a preta um índice calculado pela Bloomberg.

Na busca de parâmetros para confirmar ou não o dado acima, os resultados das vendas ao varejo, investimentos fixos e produção industrial, vieram abaixo das expectativas.

Uma outra forma de verificação é o consumo de energia, que aponta um resultado bem diferente do publicado pelo governo Chinês.
A evolução das importações da Austrália e ASEAN (maiores fornecedores de commodities para a China), é uma outra evidência sobre o crescimento Chinês. Este indicador como mostrado abaixo, encontra-se nos níveis da crise de 2008.
Parece que, pela conta de chegar, não se consegue confirmar um crescimento de 7% do PIB Chinês, o que seria preocupante para o resto do mundo, e principalmente para o Brasil, que depende muito de suas exportações de commodities. Mas em algum momento os resultados publicados serão testados com a realidade.

O assunto petróleo continua atraindo a atenção dos investidores e, no caso brasileiro esse assunto é acrescido de pimenta do reino pelo caso "lava-jato". Muito se tem especulado qual seria o custo de extração do petróleo, com intuito de analisar até que preço é viável a sua extração. Um estudo recente do FMI sugere que o custo operacional médio está ao redor de US$ 13 ( para os projetos que estão em andamento). Isto significa que, embora os investimentos possam se desacelerar, a produção pode ter um tempo até se ajustar.
Veja a seguir o custo e a produção por país, onde o Brasil se destaca com o 2º mais elevado. Que fase!


 No post know-how-valioso, fiz os seguintes comentários sobre o real: ...Daqui em diante, se o dólar cair abaixo de R$ 3,02, acredito que R$ 2,98 será um grande teste. Além do fator psicológico, que abaixo de R$ 3,00 parece uma barganha, tecnicamente é um preço de várias convergências...Vamos começar pelo DXY e verificar qual foi seu comportamento recente.
Parece estar numa correção entre o nível de 96 - 100, ou seja, se não está ajudando, não está atrapalhando, neutro!

Já o dólar contra o real, depois de uma pequena alta, está nos mesmos níveis de quando publiquei o post acima.
O interessante é que chegou a negociar a R$ 3,02 e em seguida reagiu atingindo o nível de R$ 3,12, conforme apontado no gráfico em verde. Mantenho as mesmas previsões acima, e caso o dólar caia abaixo de R$ 3,02, aumenta a probabilidade de buscar o nível de R$ 2,92. Ao contrário, acima de R$ 3,20, diminuem as chances da queda, embora sem eliminar. Por enquanto, nenhum trade é sugerido.

O SP500 fechou a 2.106, com alta de 0,51%; o USDBRL a R$ 3,0283, com queda de 1,12%; o EURUSD a 1,0684, com alta de 0,30%; e o ouro a US$ 1.201, com alta de 0,67%.
Fique ligado!