Inflação: A Revanche

31 de março de 2015

USA: Crescimento!

Hoje chegamos ao final do 1º trimestre com uma certa confusão, tanto nos acontecimentos da sociedade, como na economia. Do ponto de vista fundamentalista tenho poucas convicções, se tivesse que fazer uma previsão se o SP500 no final do ano, estará mais alto ou mais baixo, eu não teria uma resposta com uma probabilidade diferente de 50% - 50%. No câmbio, o "dólar - dólar" está forte no momento, mas vai continuar assim até o final de 2015? E os juros de 10 anos nos USA, vai estar acima de 3% a.a., ou abaixo de 2% a.a.? Talvez, a única coisa que parece mais certa, é que a economia brasileira vai ficar no vermelho. Sobre o nível inflação no Brasil, também tenho dúvidas, vai continuar subindo ou reverter abruptamente por desaceleração da demanda?

Os gráficos também espelham essas dúvidas, talvez não no mometum que continuam seguindo seu curso passado, mas segundo Elliott Waves, alguns extremos encontram-se em pontos críticos, como apontam alguns gráficos que inclui abaixo.

Para mostrar estas discrepâncias, vou postar alguns gráficos elaborados pelo Deutsche Bank, que é o mais otimista dos bancos que acompanho, em relação a economia americana.

A capacidade instalada encontra-se a níveis que, no passado, era um indicador que a inflação subiria. Notem que no gráfico a seguir, a taxa de desemprego encontra-se também a níveis bastante baixos, o que reforçaria seu argumento.
A expectativa das taxas de juros projetada pelo mercado, é muito diferente de sua visão. Sua previsão é de alta dos juros mais parecida à apontada pelo FED.
Do ponto de vista do FED, suas previsões para o PIB, vem sendo reajustadas para baixo nos últimos anos. O Deustche Bank acredita que o mercado, e o FED, serão surpreendidos.

A análise do setor bancário aponta para o crescimento no volume de crédito em todos os tipos de bancos, o que indica uma melhora da atividade econômica.
Outro fator que poderia indicar que a inflação estaria na iminência de se acelerar, é a elevação dos salários que. Conforme mostra o gráfico a seguir, já está sendo captada em alguns indicadores.

E por último, ele acredita que a cautela adotada pelo FED, no sentido de uma postura mais assertiva sobre o início do ciclo de alta de juros, é para evitar o que aconteceu com vários Bancos Centrais recentemente, que prematuramente, subiram os juros e reverteram logo em seguida.

A conclusão dele é que, como as expectativas são bastante moderadas, se suas projeções se concretizarem, as reações do mercado serão mais fortes, principalmente no mercado de títulos de 10 anos, onde espera uma alta expressiva acima de 3% a.a.

Com quem o Mosca fica, o analista de ontem, Lance Roberts, que prevê uma recessão em breve, ou o Deutsche Bank, onde só se pode esperar boas notícias? Eu fico com os gráficos, onde não é necessário "casar" com nenhum cenário, só com o bolso! Hahahaha ...

Vejam a seguir dois gráficos que estão em pontos importantes, do ponto de vista técnico. Primeiro o euro, que pelo seu elevado peso no DXY, tem implicações também nesse índice. Em seguida o SP500 com sua formação triangular, que está se estreitando.



Quando do comentário do ouro no post o-embrolho-político-de-economias, disse que analisaria uma eventual compra: ...Por enquanto vou tratar esse trade, se e quando acontecer, como de curto prazo. Imagino que o nível será ao redor de US$ 1.160 - US$ 1.170... O ouro retraiu-se conforme eu esperava, e agora encontra-se próximo desse intervalo. Para falar a verdade, o momentum está horrível, não indicando uma melhora clara. 
Se você quiser fazer uma aposta pequena, eu sugiro compra a US$ 1.170 e um stoploss US$ 1.135, não tenho muita convicção. Caso o ouro esteja nas mínimas que venho buscando, e subir depois, não fique desolado, teremos muitas oportunidades para entrar. Lembrem que o objetivo não é comprar no preço mínimo, e sim comprar num preço bom. Entendam que o preço bom é relativo e não absoluto, assim US$ 1.170 pode ser barato ou caro, depende o que acontecerá no futuro.

O SP500 fechou a 2.067, com queda de 0,88%; o USDBRL a R$ 3,1947, com queda de 1,13%; o EURUSD a 1,0730, com queda de 0,75%; e o ouro a US$ 1.182, com queda de 0,25%.
Fique ligado!

30 de março de 2015

USA: Recessão!

Um analista que mantém seu tom crítico em relação a recuperação americana, é Lance Roberts. Com uma análise de longo prazo, vêm apresentando suas ideias do porque os USA estão beirando a recessão. É isso mesmo, RECESSÃO!

Em seu último relatório, inicia mostrando que a alta do PIB no item de consumo está ligada a elevação de gastos nos programas de saúde, especificamente pela lei conhecida como Obamacare. Como pode-se verificar no gráfico abaixo, as outras categorias, em sua maioria, não tiveram crescimento. Se considerado o aumento do 2º quadrimestre para o 4º quadrimestre, houve uma elevação de US$ 13,9 bilhões, que se subtraído, teria um impacto de diminuir o PIB no 3Q para meros 2%.


Alguns membros do FED vem ultimamente externando sua confiança na recuperação da economia americana e ratificando a expectativa que os juros começarão a subir ainda nesse ano, ficando a dúvida se em junho, setembro ou outubro. É verdade que, a Yellen tem deixado claro que vai depender dos dados a serem publicados nos próximos meses.

Um dos indicadores utilizados como primeiro indício que a economia poderia entrar em recessão, são os investimentos em equipamentos (CAPEX). Esse indicador está negativo por 6 meses consecutivos. Como pode-se verificar no gráfico abaixo, situações como essa no passado indicaram, na maioria das vezes, uma recessão em seguida.

Nos últimos anos, boa parte dos lucros das empresas foi oriundo de corte de custos, "jogadas" contábeis e recompra de ações. É lógico, que na realidade a maioria desses "lucros" só existirão na contabilidade e não na mão dos americanos, com aumentos de salários e renda. Esses ganhos são finitos e em algum momento não mais terão efeito no resultado das companhias.

Uma medida muito usada para medir a rentabilidade das empresas é denominada como ROE - retorno sobre as ações. Como o gráfico abaixo mostra, sempre que houve quedas nesse indicador, recessões se sucederam (região em cinza).

Outros indicadores de poupança, tanto do governo como da população, também não dão razões para tanto otimismo.

O Banco Central de Atlanta, produz um indicador denominado GDPnow, que faz uma projeção do PIB em curso, considerando os dados que vão sendo publicados.

Por esse indicador o PIB a ser anunciando para o 1º trimestre desse ano aproxima-se de 0%, muito diferente do que os economistas estão esperando. Pode ser que, os analistas justifiquem pelas baixas temperaturas, como ocorreu no ano anterior, porém se é esse o caso, por que eles não levam isso em consideração em suas projeções?

O ano promete muitas emoções, pois o FED já deixou claro que vai subir os juros, desde que, os dados confirmem isso. Assim, muita volatilidade deve-se esperar, daqui em diante, pois como eu postei na semana passada mercados-x-fed, o mercado não está colocando tanta fé assim. Agora, como esse analista alerta, se a economia americana está próxima de uma recessão, isso ninguém está esperando, com exceção dele, é claro!

No post mercados-x-fed, fiz os seguintes comentários sobre o real: ...Por enquanto eu não me atrevo a nenhuma previsão mais assertiva, pode ser que seja somente uma correção para voltar a subir em seguida, ou como eu havia comentado, algo mais profundo, que levaria o dólar para R$ 2,90 - R$ 2,75. Para que este último cenário tenha mais chance, é necessário o rompimento dos R$ 3,07 apontados acima... E como vocês podem verificar a seguir, o dólar não chegou a romper o nível de R$ 3,07, encontra-se agora a R$ 3,25.

Embora esse alta recente do dólar, possa ser considerada "esticada" para um movimento de correção, é aceitável, desde que, os R$ 3,32 não sejam rompidos. Ainda vou trabalhar com meu cenário básico de queda do dólar, mas reconheço que ele não tem muita margem de manobra.

Mudando um pouco de assunto, estou gostando mais da seleção brasileira, embora não seja um grande admirador do Dunga. Reparem como a postura alterou radicalmente, todos os jogadores marcam os adversários em seu campo, não dando muito espaço de armar uma jogada. Agora, assistir os jogos do Campeonato Paulista é um martírio, "eta" coisa ruim!

- David, se não tem nada para escrever, não enche linguiça com futebol!
Esta semana será mais curta por conta da Pascoa, com exceção dos USA que publicará, os sempre tão esperados dados de emprego. Vou acompanhar e publicarei caso aconteça algo mais importante, naquele dia. De resto, depois de tantas notícias ruins, parecem que diminuíram, tanto internamente com externamente. Por isso, parece um momento letárgico, mas não por muito tempo, pois ainda existem muitas indefinições que assolam o mundo.

O SP500 fechou a 2.086, com alta de 1,22%; o USDBRL an R% 3,2310, com queda de 0,58%; o EURUSD a 1,0811, com queda de 0,70%; e o ouro a US$ 1.185, com queda de 1,16%.
Fique ligado!

27 de março de 2015

China: A nova bolha?

Enquanto o mundo está repleto de insatisfações populares, com reações variadas entre manifestações e até guerras, um país continua a margem, onde pouco ou quase nada se ouve falar. Sabemos que existe repressões fortes a quem não obedece as leis internas, mas por outro lado, sua população é tão grande que parece difícil imaginar um controle, caso algo que os incomode aconteça. Já sabem de quem eu falo? A China, que continua uma incógnita!

Há Alguns meses, eu publiquei um gráfico mostrando que a performance da bolsa chinesa estava muito díspare quando comparado ao SP500. Tecnicamente me lembro, que o nível de 2.000 no Shangai Index apresentava um grande risco. Acontece que, desde de outubro de 2014, resolveu dar bye bye e subiu expressivamente. Que tenha ganho terreno sobre as bolsas dos desenvolvidos até poder-se-ia aceitar, mas sobre os emergentes que são seus pares de comparação, é no mínimo intrigante.

Alguns fatores poderiam justificar essa performance, o mais imediato e esperado por todo o mundo, seria que o consumo estivesse amentando por lá, diminuindo sua dependência das exportações. Porém, longe de ser o caso, o último dado publicado, relativo a fevereiro deste ano, o saldo comercial foi US$ 60 bilhões no mês e a incrível soma de US$ 606 bilhões em 12 meses.

E não pode se deixar de levar em consideração, que o Yuan teve uma valorização expressiva contra todas as moedas, exceto o dólar.

Está bem, então continua do jeito que está. O motivo seria a alta do PIB à moda antiga, ou seja, exportações a toda carga e investimentos a rodo?
Também não parece ser o caso, pois a previsão do mercado, bate com a previsão do governo. É verdade que a queda dos preços das commodities tem um fator muito positivo para a China, afinal é a maior importadora do mundo dessa categoria. Mas esse efeito não foi sentido nas indústrias, pois como se pode ver abaixo o PMI, mantém-se relativamente estável.

O governo alterou algumas regulamentações para facilitar os estrangeiros a investirem na bolsa, talvez isso explique esse movimento. No gráfico acima, pode-se ver que a bolsa teve um comportamento bem diferente ultimamente quando comparado com o PMI, não posso deixar de questionar a existência de uma bolha, será? Com tanta liquidez existente hoje em dia, esta hipótese não pode ser descartada. Eu aprendi que, bolhas só são conhecidas depois que estouram, não dá para apostar contra no meio do processo. Só porque subiu muito, não é argumento, pois depois de algum tempo, o que você achava que era muito, vira pouco!

Na última vez que postei sobre o SP500 dólar-mini-bolha, fiz os seguintes comentários: ...Não é um bom risco x retorno, pois ao comprar nos níveis atuais de 2.050, colocaria um stop a 1.970 (- 4%), para buscar um retorno esperado de 2.200 (+ 7%). Não tenho muita convicção, e seria um trade de curto prazo... E passado um tempo, o índice encontra-se exatamente no mesmo ponto à 2.050. Hoje vou fazer uma análise de mais longo prazo, uma vez que, o SP500 encontra-se numa conjuntura importante, do ponto de vista técnico.

Atente-se primeiramente à linha azul, apontada como um divisor de águas, durante 40 anos. O SP500, depois de ter ultrapassado essa linha em 1986, ficou acima até a crise de 2008. A partir daí, caiu e vem buscando recuperar essa linha. A outra linha azul que liga alguns pontos desde 2008, forma um triângulo com a linha anterior. Normalmente, essa formação tende a romper para cima, ou para baixo, nesse caso, o mais provável seria esperar uma queda.

Por enquanto os indicadores de momentum não indicam grandes preocupações, porém vocês devem levar em consideração, que o gráfico acima é de longo prazo, nada que deva acontecer amanhã, mas é necessário que esse pano de fundo fique em suas mentes.

Em algum momento no futuro saberemos para que lado o SP500 irá pender, ou novas altas, ou "velhas" baixas, é por esse motivo que não tenho dado muitas sugestões de trade nesse ativo.

O SP500 fechou a 2.061, com alta de 0,24%; o USDBRL a R$ 3,2248, com alta de 1,12%; o EURUSD a 1,0877, sem variação; o o ouro a US$ 1.198, com baixa de 0,41%.
Fique ligado!

26 de março de 2015

Nada a perder

A pior coisa que se pode fazer é entrar numa batalha, qualquer que seja ela, com alguém que não tem nada a perder. Mesmo que suas armas sejam muito superiores a de seu adversário, é mais provável que você irá perder. O Oriente Médio é uma região com disparidades gigantes, se os americanos estão revoltados com a concentração de riqueza, basta verificar a que existe naquela região.

Eu tive um pequeno exemplo disso, quando no ano passado fiz uma viagem a Israel. Faziam mais de oito anos da minha última visita e observei um país moderno, com predominância de tecnologia por todos os lados, com exceção de um local, o mercado árabe em Jerusalém. Quando entrei por suas ruas estreitas, tive a impressão que o tempo não passou, está exatamente igual. Com lojinhas vendendo quinquilharias e comidas típicas. Muitos jovens que deveriam estar na faculdade, lá estão ajudando seus pais, em um negócio obsoleto. Perguntei ao guia, qual era o motivo de tamanha falta de motivação, afinal bastava andar alguns passos, para ver que o mundo é bem diferente. A resposta é que eles acreditam que se Deus quer assim, assim será!

Com uma população sem preparo para enfrentar o mundo Ocidental, e com a acumulação de reservas oriundas da grande quantidade de petróleo existente na região,  o que resta aos jovens desses países senão o conflito? Acredito que esse é o motivo principal que as organizações terroristas conseguem atrair milhares de jovens, usando um motivo religioso, mas que no fundo é a falta de esperança que leva esses jovens a cometer barbaridades com cidadãos comuns.

Hoje acordamos com a notícia que a Arabia Saudita fez uma série de ataques aéreos no Iêmen. A primeira dúvida que deve ter vindo à sua cabeça, era onde fica esse país? O Mapa abaixo pode esclarecer os motivos dessa ação, uma vez que, o primeiro pensamento é de que o Iêmen é um grande produtor de petróleo, o que não é.


A resposta é pela sua localização geográfica, uma vez que, o estreito de Bab el-Mandeb que conecta o Mar Vermelho como Golfo de Aden, é o gargalo onde passa um quarto de todo petróleo e seus derivados. 

Acontece que o Iêmen foi invadido por forças rebeldes, apoiados pelo Irã, que emergiu como o mais recente campo de batalha com a Arábia Saudita, em sua luta pela supremacia regional. Não há dúvidas que o local é estratégico para a Arabia Saudita, e assim recebeu todo o suporte logístico e de inteligência, do governo americano. Essa situação me fez lembrar as partidas do jogo War, quando adolescente, porém essa com consequências reais.

Uma questão que fica no ar é, se o Irã está por trás das tropas rebeldes no Iêmen e os americanos suportam a Arábia Saudita, como ficará o acordo nuclear assinado entres o Irã e os USA? Será que o que disse o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, no Congresso americano, que não se pode confiar nos Iranianos, não deveria ser levado em consideração?

A reação nos mercados foram mais ou menos dispares. No passado, quando isso acontecia, o petróleo, ouro e dólar subiam, já os juros caiam, risk aversion. Porém, dessa vez o petróleo e o ouro se comportaram conforme o esperado, mas quem realmente distou, foram os juros de 10 anos que subiram . 
O que aconteceu? Preço! O mercado arrumou uma desculpa, como sempre, para que as posições extremamente elevadas fossem zeradas. Assim, nesse caso, o movimento foi de loss aversion! Hahahahaha ... 

No post o-embrolho-politico-de-economias-divergentes, fiz os seguintes comentários sobre o ouro: ...Vou aguardar uma melhor identificação dos níveis para sugerir uma operação de compra. Os dados de momentum continuam ainda muito negativos, e para eu poder ter uma segurança maior que se trata de uma mudança da direção vista nestes últimos três anos, o ouro vai ter que "mostrar" resultado. Por enquanto vou tratar esse trade, se e quando acontecer, como de curto prazo. Imagino que o nível será ao redor de US$ 1.160 - US$ 1.170...Veja o que aconteceu no curto prazo, depois disso.

Vou propor uma operação de compra no nível entre US$ 1.185 - US$ 1.175, que se executada terá um stop a US$ 1.150. Eu estou fazendo uma hipótese de que o ouro atingiu um topo de curto prazo e que vai entrar numa correção, agora se esse topo ainda não aconteceu, vou ter que refazer os pontos de entrada, afinal, vocês não acham que eu tenho projeções do que vai acontecer nesse conflito, muito menos inside information!  Hahahahaha ....

O SP500 fechou a 2.056, com baixa de 0,24%; o USDBRL a R$ 3,1888, com queda de 0,36%; o EURUSD a 1,0881, com queda de 0,79%; e o ouro a US$ 1.204, com alta de 0,73%.
Fique ligado!

25 de março de 2015

Menos do mesmo

Ontem foram publicados os dados das contas externas brasileiras, e embora o déficit em transações correntes teve uma pequena queda para US$ 6,9 bilhões, ocasionando um recuo anual para US$ 89,9 bilhões - 4,22% do PIB, não gostei de alguns pontos.

Alguns efeitos da desvalorização expressiva do real, já podem já ser sentido, como na conta de serviços onde as despesas com viagens internacionais caiu US$ 300 milhões, comparado à 2014. Outra rubrica que apresentou melhora, foi a conta de rendas onde a diminuição no envio de dividendos foi o principal responsável pela queda de US$ 600 milhões. Já na balança comercial aconteceu o contrário, o déficit elevou-se em US$ 700 milhões, quando também comparado com 2014.

Se fosse só isso, eu teria uma avaliação um pouco melhor, acontece que, a rubrica de investimentos estrangeiros reduziu-se para US$ 2,8 bilhões, contra um resultado no mesmo mês em 2014 de US$ 4,1 bilhões. Os analistas não deram muita importância para esse fato, uma vez que em termos anuais, ainda encontra-se na casa dos US$ 60 bilhões. Mas eu não, pois me preocupo muito com a informação mais recente, e um calculo considerando esse último valor, projetaria meros US$ 33,6 bilhões. Espero que o Carnaval, ou talvez o momento vivido em fevereiro, tenham sido as causas dessa queda, vamos ficar de olho mais a frente.


Em relação ao Investimento em carteira, foi mais impactado pela entrada de recursos para a bolsa, do que o que vinha acontecendo com entradas para renda fixa. O total foi de US$ 2,2 bilhões, sendo que o primeiro contribuiu com US$ 1,2 bilhão e o segundo com US$ 1,0 bilhão. Em termos anuais, encontra-se estabilizada no nível de US$ 40 bilhões.

Já os outros investimentos, tiveram uma entrada de US$ 4,1 bilhões, com destaque para: Crédito comercial US$ 2,0 bilhões; empréstimos US$ 900 milhões; e operações de curto prazo US$ 1,0 bilhão.

O saldo da balança de pagamentos, no acumulado de 12 meses, registra superávit de US$ 9,3 bilhões, não havendo perdas de reservas. Vale notar que esse resultado é consequência exclusiva das entradas na conta de capital e financeira, que são sensíveis em momentos de crise.

Talvez eu esteja sendo muito rigoroso com minha análise, afinal com as notícias do escândalo que foram publicadas no último mês, poderia se esperar algo melhor? Talvez não, o que nos levaria a conclusão que o resultado do fluxo cambial, foi ótimo. Tomara! Mas eu detesto ter que dar escusas para as coisas que não andam bem, normalmente posterga-se ações necessárias.

Hoje pela manhã, o BC informou ao mercado que não ira mais renovar o programa de swap cambial. Inicialmente criou-se a dúvida se deixaria vencer os contratos existentes ou rolaria no vencimento. Essa dúvida foi esclarecida quando anunciaram a rolagem de 100% do que vence em maio, Agora , se o movimento de busca de hedge por parte do mercado for crescente, a taxa do dólar tenderá a subir, e no caso inverso, o BC poderá avaliar se renova ou não os contratos mais adiante.

A reação inicial foi de alta na cotação do dólar. Ontem a mínima atingiu R$ 3,0915 e caso nos próximos dias, negocie abaixo desse nível, é provável que o dólar tenha entrado numa fase de correção. Mas aguarde isso acontecer, e acompanhe as sugestões do Mosca.

Essa é a fase do mês que alguns países iniciam a publicação dos PMI's tanto da manufatura como o de serviços. Veja abaixo como a Europa vem melhorando, bem antes da ação do BCE. O principal motor da Europa continua sendo a Alemanha, e a Grécia passa a ser o maior risco no momento.

No post de ontem mercados-x-fed, busquei mostrar a divergência existente entre as previsões do mercado e as do FED. No post perspectiva-realista, fiz os seguintes comentários sobre os juros de 10 anos: ...A sugestão é vender com juros entre 2,00%/1,95% a.a, com um stoploss a 1,84% a.a....Postei o gráfico abaixo.


Os juros recuaram mais do que eu havia imaginado, porém ainda dentro da área que considerado aceitável.
Daqui em diante, espero que os juros reajam para cima, como o apontado em verde no gráfico. O stoploss foi definido em 1,84% e será mantido. Isso não significa que, se  os juros aos invés de subirem, continuarem a cair, não poderia haver novas altas depois.  Se formos stopados, vamos ficar de fora observando. Somente abaixo de 1,63% a.a., é que tecnicamente pode-se esperar novas quedas.

O SP500 fechou a 2.061, com queda de 1,45%; o USDBRL a R$ 3,1980, com alta de 1,87%; o EURUSD a 1,0968, com alta de 0,40%; e o ouro a US$ 1.195, com alta de 0,25%.
Fique ligado!

24 de março de 2015

Mercados X FED

Se existe algo que o mercado sabe fazer muito bem, é arbitragem. A definição clássica é a compra e venda de ativos, com o objetivo de ganhar com a diferença entre eles, Arbitragem. Eu lembro de uma, que originou ganhos expressivos para a Planibanc, quando eu era diretor daquela Corretora. Em 1986 foi lançado o contrato futuro do Ibovespa e poucas instituições sabiam como precificar esse ativo, lembrem-se não tinha internet, Bloomberg e muito menos qualquer ligação das mesas de operações locais com as internacionais.

Como eu sempre tive um viés "jurista", depois de alguns dias de negociação, resolvi calcular quais eram os juros implícitos naquele contrato. Confesso que levei um susto, 80% no período de 60 dias, ou seja, um taxa anual de "apenas" 3.300% a.a.! Vale lembrar que os juros, naquela época de plano cruzado, eram de 18% a.a. Fui a meu colega que cuidava de bolsa e perguntei como poderíamos ganhar dinheiro com essa diferença. Naquela época o índice era composto de 80 ações e montar uma carteira com todas elas era trabalhoso, adotamos o famoso critério ABC, 11 ações representavam 70% do Ibovespa.

Assim, nosso operador do mercado a vista comprava uma carteira de ações proporcionais a seu peso no Ibovespa, enquanto o operador da BMF vendia os contratos financeiros, de tal forma que, no vencimento os financeiros deveriam ter um valor semelhante.

Foi uma época divertida, e porque não rentável, a cada vez que nosso operador entrava na roda do índice, os outros operadores cochichavam " ih, lá vem o pessoal da Planibanc vender mais!", caía 5% só pela nossa presença. O mais interessante é que a maioria do mercado não tinha a menor ideia do porque estávamos vendendo, achavam que nossa expectativa era de queda da bolsa, e não era, pois no mercado a vista éramos grandes compradores.

Sabem quem estava na outra ponta? Nagi Nahas! Essa história não terminou bem para ele, pois pouco a pouco outras instituições foram percebendo e replicando esse conceito. Passados 60 dias, essa arbitragem passou para algo em torno de 5% no mesmo período, mesmo assim continuamos, mas mais cautelosamente, aumentando o número de ações. Como dizia um colega: "essa operação era um massacre"!

Para terminar o assunto, no início dos anos 90, fui fazer uma visita a alguns Bancos em Nova York, e uma delas ao Morgan Stanley, que era conhecido como o especialista na arbitragem de índices de bolsa. Ao chegar lá, uma mesa com dezenas de operadores faziam só isso. Eu perguntei, qual a taxa de juros implícita no índice para montar uma carteira? Respondeu seco : "8,5% a.a". Engoli seco, pois os juros do FED funds era 8% a.a. (que saudades! Hahahah ...). O índice SP500 chama-se desta forma porque é composto por 500 ações. Perguntei, quantas ações vocês compram para fazer essa arbitragem? Resposta; "500!". Fui embora, e fiquei convencido que, o final da moleza no Brasil estava próximo, bastava os gringos aterrizarem por aqui, o que acabou acontecendo.

Essa introdução de hoje é para mostrar uma diferença que vem ocorrendo no mercado de juros nos USA. Depois da última reunião do FED, seus membros resolveram diminuir um pouco sua expectativa sobre o que esperam da evolução dos juros, mas pouco. Os mercados se movimentaram por conta disso, ocasionando uma queda do dólar.

Mas o mercado espera algo bem diferente, veja a seguir.

Para 2015 parece existir uma concordância entre ambos, o FED vai começar a subir os juros. Porém nos anos seguintes é que aparece a grande distorção, pois enquanto a autoridade monetária espera uma normalização dos juros, o mercado aposta que os mesmos subirão a passos de tartaruga.

Uma pesquisa feita pelo Twitter com 135 pessoas do mercado financeiro, perguntando qual será a taxa de juros daqui há três anos, obteve como resultado médio 1,75% a.a.

A diferença é expressiva em 1,5%, pois para 2017 o FED espera 3,25%. Pela leitura desses dados pode-se imaginar dois cenários, primeiro que o mercado aposta numa recuperação pequena da economia americana, e que daqui a três anos não estará normalizada; ou que a inflação estará ao redor de 0%.

É importante também ressaltar que os economistas dos Bancos, em sua maioria, tem a visão do FED. Ou seja, esperam que a recuperação seja boa, e que a inflação, dentro em breve, estará nos objetivos do FED.

Em quem você aposta? Tem uma diferença muito sútil entre esses dois grupos, o mercado "põe na reta", se estiver errado perde dinheiro, enquanto o outro grupo se errar, pede um I´m sorry, e refaz suas previsões com o seguinte comentário: "Afinal aconteceu ... %&(()*¨¨R%¨&*()_++" ....

Vocês não acham que o pessoal da agência Standard & Poors me ligou na sexta-feira, dando um inside information, que não iriam rebaixar a nota do Brasil, não é? No post déjà-vu, eu fiz os seguintes comentários sobre o real: ...Por enquanto não dá para ter alguma confiança que o nível de R$ 3,30 pode ser considerado um topo... Como o mercado está extremamente posicionado em dólares, reversões tendem a acontecer de forma violenta ... caso o dólar recue abaixo de R$ 3,22. Mas o mais importante é a região dentro do retângulo em verde, que corresponde à R$ 3,18 - R$ 3,05, abaixo disso, serão grandes as chances de uma correção mais profunda...Veja a seguir a evolução das cotações.


Por enquanto eu não me atrevo a nenhuma previsão mais assertiva, pode ser que seja somente uma correção para voltar a subir em seguida, ou como eu havia comentado, algo mais profundo, que levaria o dólar para R$ 2,90 - R$ 2,75. Para que este último cenário tenha mais chance, é necessário o rompimento dos R$ 3,07 apontados acima.  Por enquanto, vamos observar o movimento do real e o "dólar - dólar", sem posição.

O SP500 fechou a 2.091, com queda de 0,61%; o USDBRL a R$ 3,1394, com queda de 0,20% o EURUSD a 1,0924, com queda de 0,24%; e o ouro a US$ 1.192, com alta de 0,16%.
Fique ligado!

23 de março de 2015

O embrolho político de economias divergentes

Acredito que boa parte dos leitores conhece Mohamed El-Erian profile, ex- executivo da Pimco, uma das maiores administradoras de fundos profile. Desde que saiu dessa empresa, por discordar de seu par Bill Gross, dedica-se a atuar como articulador e comentarista de vários meios de comunicação, inclusive da Bloomberg.

Quero comentar um artigo que ele publicou recentemente, onde coloca sua visão sobre o mundo de uma forma didática. As informações aqui, são fruto desse documento.

O mundo está caracterizado, de uma forma crescente por divergências - na performance econômica, políticas monetárias e nos mercados financeiros. Essas, divergências contribuíram na volatilidade vista nos mercados de bolsa, e num movimento fora do comum no mercado de moedas. E esses movimentos não estão retrocedendo, colocando pressão no ainda tenso sistema político.

As economias mundiais podem ser classificadas em quatro categorias: O primeiro grupo inclui países como a Índia e os USA, onde essas economias estão expandindo, permitindo a elas, ultrapassar os desequilíbrios financeiros. O segundo grupo é exemplificado pela China, que está passando por uma desaceleração suave para um novo patamar de crescimento. Embora menor que a dos últimos anos, mas que, é adequado para suportar um progresso, no sentido de aumentar melhores rendimentos e a estabilidade financeira.

O terceiro grupo inclui economias - como o Brasil, várias da zona do euro, e o Japão - que não estão crescendo suficientemente rápido, e correm o risco de novas quedas. E finalmente, o quarto grupo consiste de coringas econômicos e financeiros, como a Grécia e a Rússia - países que conseguem reconquistar o crescimento e estabilidade financeira, mas podem facilmente implodir, levando ondas pela Europa e além.

A divergência é tanto um fenômeno político, como econômico e financeiro. Superá-la - e assegurar um crescimento global estável - vai requerer uma sensível política nacional e coordenação multilateral. Infelizmente, ao contrário, pois um ambiente desordenado na política nacional e internacional prevalece, impossibilitou essa abordagem.

Entretanto, políticas monetárias experimentais nas economias avançadas - como a iniciada pelo ECB esse mês - desacelerou o ciclo vicioso de economias com performance abaixo da média e políticas confusas.

Ainda mais, forças de mercado ganharam ainda mais importância na tentativa de conciliar as divergências econômicas globais, conduzindo a dramáticas mudanças nas taxas cambias. A lista de moedas que se enquadram - onde inclui-se  a queda de 25% do euro, um recorde histórico para o peso mexicano, uma desvalorização desordenada do real e outras moedas de países emergentes - está crescendo dia-a-dia. Mesmo economias saudáveis como a Coréia do Sul, está incentivando enfraquecer sua moeda, deixando os USA sozinhos para tolerar uma apreciação significativa.

Para mostrar os extremos vividos pelo câmbio ultimamente, o gráfico a seguir, mostra algo inusitado, onde a volatilidade das moedas, é hoje, superior à da bolsa de valores.



O mercado de moedas, por si só, não trará um balanceamento global necessário. Melhores políticas, nacionais, regionais e globais são essenciais - e elas requerem melhores políticas.

Um número grande de políticos ao redor do mundo, não conseguem - ou querem - preencher suas responsabilidades de governança econômica. Isto é particularmente lamentável, dado que existe um amplo consenso, em relação aos componentes técnicos necessários de repostas: Reformas estruturais para renovar os motores do crescimento, esforços para rebalancear demanda agregada, e eliminação de créditos em excesso. O que está faltando é implementação.

Mas os governos não parecem superar sua disfunção tão cedo. Nos USA, o Congresso e executivo estão imobilizados num beco sem saída. O sistema político europeu está sendo chacoalhado pelo crescimento de partidos populistas, muitos ganhando suporte com uma plataforma ante européia.

Nos países emergentes, o Brasil imerso em escândalos de corrupção múltiplos, A liderança Russa continua engajada em suas aventuras regionais, não se preocupando com o impacto econômico devastador.

A economia mundial encontra-se numa conjuntura crítica. A maioria dos economistas concordam no que é necessário para evitar um nova rodada de perda de oportunidades de crescimento, emprego inadequado, instabilidade financeira, e piora na desigualdade.

Banco Centrais e mercados não podem alcançar um reordenamento global ordenado, por si só. Tão difícil como possa parecer, os políticos precisão perseguir respostas compreensivas. Quanto mais eles demorarem, menos efetivos serão seus resultados.

No post Dilma-plano-b, eu comentei que o ouro estava se aproximando de um nível (US$ 1.135) que poderia acelerar o movimento de queda. Porém, isso era antes da reunião do FED na semana passada. Desde então o metal experimentou um alta de US$ 45, e traçou um movimento de curto prazo alentador.

Vou aguardar uma melhor identificação dos níveis para sugerir uma operação de compra. Os dados de momentum continuam ainda muito negativos, e para eu poder ter uma segurança maior que se trata de uma mudança da direção vista nestes últimos três anos, o ouro vai ter que "mostrar" resultado. Por enquanto vou tratar esse trade, se e quando acontecer, como de curto prazo. Imagino que o nível será ao redor de US$ 1.160 - US$ 1.170. 

O SP500 fechou a 2.104, com queda de 0,14%; o USDBRL a R$ 3,1333, com queda de 2,90%; o EURUSD a 1,0951, com alta de 1,21%; o ouro a US$ 1.190, com alta de 0,70%.
Fique ligado!

20 de março de 2015

Déjà vu!

A foto do post hoje foi tirada do International Space Station, mostrando a linda paisagem do eclipse solar. Para quem não sabe, essa é uma estação espacial, ou um satélite artificial habitável, numa órbita baixa da terra. Sua estrutura é modular, e o primeiro componente foi lançado em 1998, pela NASA. Este eclipse só pode ser visto no Norte da África, no noroeste da Ásia e na província canadense Terra Nova e Labrador. Para nós brasileiros, esperemos a próxima!

Em 2011 eu publiquei um post que intrigou vários leitores: Quiz: Como os juros de 10 anos podem ser menores que os juros de 2 anos? Quem é leitor antigo, já sabe a resposta, quem não é, sugiro que leiam esse post. Esse caso aconteceu com a Grécia antes de  renegociar sua dívida com um belo desconto. Esse país encontra-se atualmente, numa situação semelhante, do ponto de vista financeiro.

Enquanto as bolsas na Europa estão "bombando", a da Grécia está caindo pelas tabelas.

No quesito juros então, nem se fala. Enquanto a maioria dos países europeus têm juros iguais ou menores que zero, o da Grécia, sobe diariamente. Além disso, a sua curva de juros se inverteu, ou seja, os papéis mais longos rendem menos que os mais curtos, prenunciando um calote a vista.


Como vem se sucedendo, a dupla pop star grega recém empossada, vem buscando atender os credores e suas promessas feitas aos gregos nas últimas eleições. Acontece que, como já relatei aqui anteriormente, é uma missao-impossivel! Um dos dois terão que se contentar com algo diferente. Para ganhar tempo, a dupla pediu um prazo à União Europeia, para elaborar um programa. Acontece que reuniões se sucedem e nada de entregar algo que seja aceitável. Desde ontem, toda a cúpula Europeia  está reunida em Bruxelas, e durante à noite, reuniões até altas horas entre Tsipiras, Merkel, Draghi, Hollande e Juncker, buscam colocar o Ministro Grego a par das consequências de uma ruptura para seu país.

A Grécia já é um dos "bons" clientes das Organizações Governamentais como o FMI, correspondendo atualmente como seu maior credor. Esses, eles tem que pagar em dia!


O outro pop star, que comanda as finanças, busca recursos desesperadamente, uma vez que os depósitos de seus bancos passam por saques diários. Numa atitude desesperadora, passou a mão nos fundos destinados aos aposentados, trocando seu euros por títulos gregos, com uma boa taxa!

Será que a população que está demandando uma radicalização com seus vizinhos, tem ideia que além de estarem a beira de um colapso, vão ficar sem seus recursos para a aposentadoria? É provável que os nervos estejam a flor da pele, e conforme o tempo passa, a probabilidade de alguém perder a paciência aumenta. Está totalmente indefinido quem vai ganhar esta queda de braços, mas estejam preparados para num final de semana, a Grécia ser expulsa, ou melhor "convidada" a sair do euro!

O IPCA-15, que mede a inflação do meio do mês, foi recém-publicado, com um nível elevadíssimo de 1,24% no mês, e uma taxa anual de 7,90% nos últimos doze meses. O BC, por intermédio de seu Presidente, afirmou nesta semana, que fará o que for necessário para que, a inflação convirja para o centro da meta em 2016. Assim, pode-se esperar que a taxa Selic ultrapasse os 13%, mole! A única coisa que eu não sei, é se ele combinou com a "chefe", pois para que a inflação caia à 4,5%, em tão pouco tempo, os juros deveriam ser superior à 17% a.a. Será que ele terá coragem?

O único alento que pode-se ter dos dados publicados hoje, é que a inflação que vem se observando está totalmente concentrada nos preços administrados, que têm tido aumentos cavalares de energia elétrica e afins. Por outro lado, os preços livres, continuam comportados. O que devemos acompanhar daqui em diante, é se haverá contaminação do primeiro neste último. Todos estamos torcendo para que não aconteça, é claro!

No post And-now-Yellen?, eu fiz os seguintes comentários sobre o real: ...Caso isso aconteça, eu antevejo níveis de R$ 3,30 (+ 6,5%), depois R$ 3,50 (+ 13%), e finalmente R$ 4,00 (+ 29%)...  o nível de R$ 3,28 têm uma coincidência, que pode indicar uma reversão, pelo menos de curto prazo. Fora isso, o King dollar, está dando as cartas....Desde então, o dólar flertou com o nível de R$ 3,30.  Depois da reunião do FED, o "dólar - dólar", não sabe bem o que fazer, inicialmente caiu, ontem subiu e hoje caiu novamente, já o efeito "Dilma" vem turbinando negativamente nossa moeda. 

Por enquanto não dá para ter alguma confiança que o nível de R$ 3,30 pode ser considerado um topo e que, a partir daí, uma correção mais profunda já estaria acontecendo. Como o mercado está extremamente posicionado em dólares, reversões tendem a acontecer de forma violenta. Assim, resolvi traçar quais seriam as cotações que indicariam tal movimento. 

No gráfico acima, de uma forma ilustrativa, fiz isso. Primeiro ponto positivo seria, caso o dólar recue abaixo de R$ 3,22. Mas o mais importante é a região dentro do retângulo em verde, que corresponde à R$ 3,18 - R$ 3,05, abaixo disso, serão grandes as chances de uma correção mais profunda. 

Agora, só falta combinar com bastante gente, primeiro com nosso BC garantindo no final deste mês que vai rolar os swaps, depois os pessoal que buscou hedge dar uma parada e por último os especuladores "queimarem" as mãos, pois comprar dólares para ganhar um extra no final de semana, não é "bater em morto"! 

O SP500 fechou a 2.108, com alta de 0,90%; o USDBRL a R$ 3,2279, com queda de 2,12%; o EURUSD a 1,0820, com alta de 1,69%; e o ouro a US$ 1.182, com alta de 0,95%.
Fique ligado!

19 de março de 2015

Yellen: "We don't know!"

Depois de ler o conteúdo da minuta do FED e comentários de alguns analistas, chego a conclusão que a melhor definição para o resultado da reunião de ontem, é que o FED não sabe quando vai iniciar a alta de juros. E pior, nem se vai elevar aos níveis considerados normais ou neutros, que são esperados ao redor de 3,5% a.a. - 4% a.a. Se a Yellen pudesse diria ao mercado, "não tente fazer perguntas capciosas, buscando tirar algo da minha boca, We don´t know".

Ela disse o que todo mundo já sabia: Que iria tirar a palavra "patient"; que a economia tinha se desacelerado em relação ao ritmo anterior, e que a alta do dólar teve algum impacto nesse sentido; que a inflação vai ser inferior ao que se estava esperando, por causa da queda do petróleo. Complementou com: Em abril não tem mudança, junho muito difícil, depois disso só os dados sabem!

Os mercados tiveram uma reação violenta, num determinado momento o euro estava subindo mais de 3%, o SP500 subiu e os juros caíram. Estes movimentos iniciais eram compreensivos, afinal para quem estava esperando uma elevação em junho, já tirou seu cavalinho da chuva. Acredito que cada segmento fez a sua interpretação, vejamos: Se os juros não vão subir já, uma vez que o FED mostrou preocupação pela inflação muito baixa, é bom para a bolsa.


Mostram como estão tão preocupados, pois quando começarem a subir os juros, ao invés de indicar um número específico, indicarão um intervalo.

Entenda-se que os juros passariam do atual nível de 0% - 0.25% para 0.25% - 0.50%. Assim, se quiserem voltar atrás, é só deixar as taxas encostarem no nível inferior, que nada mudaria em relação à hoje. A reação foi, os juros mais curtos caíram mais, como pode-se ver no gráfico abaixo de títulos de cinco anos.


E por último, como a Yellen disse que o dólar alto está atrapalhando o crescimento, e dado a alta cavalar do "dólar-dólar" (todo mundo está comprado!), o DXY devolveu os ganhos de março em algumas horas.
Depois de passadas as emoções de surpresa, boa parte das altas ocorridas ontem foram devolvidas durante a noite, em especial a do euro, que está sendo temperada pelas dificuldades que a Grécia está colocando à Troika, entendam a Alemanha.

- David, puxa que volatilidade! E agora, o que vai acontecer?
Se o FED não sabe, quem pode saber? Em relação aos juros, parece que eles vão mexer em algum momento, setembro, outubro, ou um presente de Papai Noel em dezembro? Sem previsão! Mas vão subir em algum momento. Agora, como será esse processo, que na minha visão é mais importante, acho que só Deus sabe!

No post K.I.S.S-III, eu fiz os seguintes comentários sobre o euro: ...Do ponto de vista técnico, parece que ainda deveria ter uma queda abaixo da mínima ... Pode ser um pouquinho, limitando-se ao patamar de 1.05, ou mais um "poucão" referente ao segundo ponto, 0.99. Com essa quantidade de vendidos na moeda, não dá para se aventurar na venda...

Com o que aconteceu nessas últimas horas, não dá para descartar nada, nem que ele continue no movimento de queda que vinha de algum tempo, nem que uma correção mais extensa e demorada começou.
- David, mas você não diz que a análise técnica sabe de tudo? Hahahah ...
Não digo isso, estaria te engando. O que eu digo é que, a análise técnica espelha o que o mercado espera e isso pode ser interpretado através dos gráficos e técnicas, mas é probabilístico. Nesse caso específico, a situação atual de indefinição é esperada, por conta de um evento importante que aconteceu ontem.

Do ponto de vista técnico, posso colocar níveis para resolver essas dúvidas, abaixo de 1.045 vai mais para baixo e acima de 1,15 a correção começou. Eu sei que é largo esse intervalo, mas é como o euro vem se comportando. Tenho um intervalo menor, e também um viés, mas prefiro ficar com o intervalo maior por enquanto. Continue acompanhando o Mosca! Hahahaha ...

O SP500 fechou a 2.089, com queda de 0,49%; o USDBRL a R$ 3,2975, com ata de 2,74%; o EURUSD a 1,0640, com queda de 2,07%; e o ouro a US$ 1.171, com alta de 0,38%.
Fique ligado!