Inflação: A Revanche

27 de fevereiro de 2015

Number 1

A definição de ilha se aplica bem ao meu ambiente de trabalho, explico a seguir. Eu trabalho dentro do escritório da Rosenberg e Associados, uma empresa voltada à projeções macro econômicas e elaboração de projetos especiais. Desde 2007 me mudei para lá, quando decidi terminar uma pequena empresa de administração de fundos. Luis Paulo Rosenberg, meu ex-sócio e amigo, me ofereceu esta oportunidade de continuar nos meus projetos imobiliários naquele local. Minha decisão de juntar-se a eles foi baseada em dois argumentos - Primeiro interagir com esse grupo e segundo o escritório é muito perto de onde moro.

Desde o início fui convidado a participar das reuniões mensais de conjuntura, e aí acredito que aparece um diferencial entre a Rosenberg e seus concorrentes, é um grupo eclético, de economistas juniores, seniores e "super" seniores e um engenheiro desvirtuado para o mundo financeiro. Sou como uma ilha cercada por economistas! Não é fácil, é um grupo profissional com um ego proporcional a seu conhecimento. Vou confessar, se tivesse que voltar atrás, gostaria de de ter me graduado em economia. Agora, fica para a próxima encarnação.

No começo eu tinha um certo receio de colocar minhas posições técnicas, afinal se existe uma classe que é baseada em fundamentos, eles - os economistas, se enquadram bem.

Logo que o Mosca entrou no ar, o dólar estava a nível de R$ 1,60, foi quando numa das reuniões me perguntaram qual era minha previsão para o final daquele ano. Meu número era R$ 2,00, mas sabia que o impacto seria grande, então disparei: "R$ 1,90", vocês podem imaginar a cara do pessoal, O Ibraim Eris e Luis Paulo Rosenberg já me conheciam de longa data, foram meus sócios na Linear, devem ter achado que estava ficando louco. O Savasini e o Dirceu conheço de longa data também, devem ter achado o que sempre desconfiavam, engenheiro só é bom de matemática. Já a Thais e o Rafael não me conheciam e devem ter pensado, como um engenheiro quer dar palpites nestes assuntos! Ele que vá construir pontes!

Naquele momento o Brasil estava uma maravilha, não existia nenhuma razão "fundamental" para este movimento do dólar, mas aconteceu. Aí começaram a achar que eu era vidente, afinal, como um "tal" de análise  técnica, com uma nomenclatura que mais aprece física (suporte, resistência, e blá,blá ...), pode dar mais certo, que a projeção das contas cambias, modelos econométricos e etc ...?

É assim que esse grupo evoluiu e o escritório ganhou várias citações locais com as previsões mais acuradas. Porém ontem tivemos notícia que a Rosenberg atravessou as fronteiras e teve o melhor desempenho entre os analistas do Brasil em 2014, pela conceituada agência de notícias, Reuters. Esta agência, deu início em 2014, a um ranking das instituições com maior grau de assertividade no cenário macroeconômico, para quatro países desenvolvidos (EUA, Zona do Euro, Reino Unido e Canadá) e três em desenvolvimento (China, Brasil e Índia).

Esta conquista é fruto do trabalho detalhado da equipe que processa e elabora a montanha de dados disponíveis atualmente, e das discussões calorosas nessas reuniões, de onde as projeções são feitas e enviadas a um grande grupo de clientes, compostos de grandes empresas e bancos.

Parabéns!

Para comemorar, Hahahah..., o ministro "Salvador da Pátria" resolveu mandar fazer fila para quem depende dos recursos públicos. O Orçamento de 2015, é esperado, que sua aprovação aconteça na próxima semana. O contingenciamento de despesas, preparado há quase três meses pela equipe econômica, está praticamente pronto e deve sair "imediatamente após a aprovação da Lei Orçamentária", disse uma fonte do governo.

O corte está sendo preparado para sair em meados de março. O governo, porém, ganhou fôlego em sua missão de ajuste fiscal com o decreto de programação orçamentária, anunciado ontem pelo secretário do Tesouro Nacional, Marcelo Saintive, que reduzirá os gastos da máquina até que o Orçamento seja aprovado.

Sobre o Orçamento, o governo vai aplicar um contingenciamento de despesas, que deve oscilar entre R$ 65 bilhões e R$ 80 bilhões. Se confirmado, será o maior corte de gastos dos últimos 15 anos. O tamanho do contingenciamento em gestação, tem assustado os ministros. Como consequência, o dólar negocia em queda hoje pela manhã. 

Eu continuo com a mesma ideia que venho colocando aqui, Joaquim Levy é um excelente conhecedor das contas públicas, um tremendo pão duro, e vai continuar no cargo no mínimo até 2016. Para apostar contra, seria acreditar que não vai dar certo, mas isso só mais à frente se saberá. Quanto a parte política, vejo o fim das pressões no curto prazo, afinal como poderá prosseguir a operação lava jato, se vai faltar água dentro em breve! Hahahahah ....

A Yellen passou por uma sabatina na Câmera e no Senado Americano esta semana, e se alguém achou que ela daria alguma pista de quando pretende subir os juros, se frustrou. Da mesma forma como eu comentei no post se-correr-o-bicho-pega, deixou o mesmo recado, "não sei quando vamos subir os juros". Então só nos resta acompanhar os dados e principalmente os juros de 10 anos americanos. No post o-FED-vai-recuar, eu comentei: ...Ainda não dá para descartar a alta que eu esperava, nem  novas mínimas. Assim, vou manter minha previsão anterior, de alta dos juros, desde que, eles não caiam abaixo de 1,60% a.a. Não faço nenhuma aposta por enquanto... Veja como era o gráfico naquele momento.

A partir daí os juros iniciaram uma recuperação forte, depois de atingir a mínima de 1,64% a.a. Parece que o mercado resolveu respeitar os dados técnicos. Hoje negociando ao redor de 2,01% a.a. 

Não estranhem a diferença entre os dois gráficos, pois o anterior é de mais longo prazo, enquanto o próximo mais de curto prazo.

Eu disse anteriormente que não faria aposta nenhuma naqueles níveis, porém talvez em breve surjam oportunidades. Eu tracei um retângulo que funciona com uma mira ao contrário, se ultrapassar acima amentam muito as chances das taxas subirem, este nível de confirmação é de aproximadamente 2,15 % a.a. Ao contrário, se cair abaixo, eleva-se a chance de novas quedas. Neste caso, o nível a se observar, é de 1,85% a.a.

- David, é para operar no rompimento desses níveis?
Não, ao acontecer uma das situações, aguarde eu publicar os novos passos. O que eu quis enfatizar, é que, agora poderá haver trades mais à frente, porém um passo de cada vez.

Vejam o novo projeto da Google para sua nova sede. Ah, seu ei tivesse 25 anos, é para lá que eu iria!


O SP500 fechou a 2.104, com queda de 0,30%; o USDBRL a R$ 2,8380, com queda de 2,46%; o EURUSD a 1,1191, sem variação; e o ouro a US$ 1.212, com alta de 0,33%.
Fique ligado!

26 de fevereiro de 2015

Vitória magra

Quando seu time de futebol ganha uma partida por 1x0 qual é a sensação? Um misto de alegria e frustração. Por um lado melhor isso que perder, mas por outro lado, você não ficará convencido, que o time está jogando bem.Só para lembrar, a Espanha foi Campeã mundial em 2010, vencendo todos os jogos a partir das oitavas de final por este placar.
Para terminar o assunto futebol, fui no último domingo assistir o jogo do Santos contra a Portuguesa. Eu disse que meu foco seria o futebol Europeu, mas é tão fácil para eu ir ao Pacaembu, que resolvi arriscar. Foi surpreendente, tive que morder minha língua quanto minhas críticas aos jogadores "velhos", que desembarcam aqui , depois de serem descartados na Europa. O Robinho fez um golaço, marcou o segundo gol de pênalti e fez o lançamento para o terceiro gol. Valeu, decidi que jogo nesse estádio não perco, o risco x retorno compensa! Hahahah...

Ontem foi publicado o Purchasing_Managers_Index da China 50.1, primeiro resultado acima de 50 nos últimos quatro meses, porém continua sinalizando uma estagnação na tendência dos negócios desde agosto do ano passado, diríamos uma vitoria de 1x0.

Com uma economia onde 25% do PIB é representado por suas exportações, a demanda externa não vem colaborando muito, com uma desaceleração anual expressiva.


A valorização do "dólar - dólar" iniciada em 2012, se deu contra todas as moedas, exceto contra a moeda chinesa, o renminbi. O gráfico abaixo mostra a evolução dessa moeda vis-a-vis o dólar, e também em relação à moeda japonesa o Yen.

Não é necessário nenhum comentário, as percentagens acima falam por si só, as exportações Chinesas estão ficando mais caras para todos os países, exceto para os USA. Então poder-se-ia esperar que as autoridades monetárias daquele país partiriam para promover uma desvalorização de sua moeda. Não é a opinião de um renomado economista e ex-banqueiro, Stephen Roach. Ele acredita que existem três motivos para não adotar esta estratégia.

Primeiro e mais importante, uma mudança na política cambial iria minar o progresso que a China fez em suas reformas e rebalanceamento da economia. De fato, um renminbi forte é consistente com o principal objetivo da China, de transformar uma economia voltada para exportação em uma economia voltada ao consumo.

Segundo, uma mudança para uma política de desvalorização pode inflamar protestos anti-China de seus principais parceiros econômicos, principalmente os USA, onde o Congresso flertou por vários anos, na iminência de impor sanções comerciais para as exportações Chinesas.

E por último, uma reversão no renminbi geraria sem dúvida uma escalada na guerra cambial, que vem ocorrendo ultimamente. Numa era de afrouxamento quantitativo sem precedentes, a desvalorização cambial competitiva tornou-se a norma para os principais exportadores do mundo - primeiro os USA, depois o Japão e mais recentemente a Europa. Se a China juntar-se a este nivelamento por baixo, outros seriam tentados a aumentar as suas ações em reposta e os mercados financeiros estariam sujeitos a uma forte onda de instabilidade.

A China é sempre uma incógnita, suas ações nem sempre são providas da lógica ocidental, uma vez que seus objetivos de longo prazo prevalecem sobre situações temporárias. Não se pode ter dúvidas que suas políticas mostraram-se muito mais eficientes que as nossas, basta ver o crescimento de seu PIB. Não são nem 1, nem 2, nem 3 anos, são por 30 anos! A explicação acima é convincente para nós, mas será para eles? Na minha modesta opinião, se o PIB começar a cair muito, e aqui o muito seria abaixo de 6% a.a., positivos é claro, não sei se não partiriam para desvalorizar sua moeda.

A hora da verdade está chegando para o euro e também para o trade que eu propus, no post kick-can-down-road, eu comentei: ...Vou apostar que uma nova queda entre 1.13/1.1290 deve acontecer nas próximas horas, assim, vou arriscar uma compra. Eu havia frisado que o stop correto deveria ser 1.1095 e agora não tem jeito, é lá que vou estabelecer o stop...Ao me deparar com a recomendação acima percebi que cometi um erro no nível de compra! Desculpe, mas acontece nesse negócio. Estou republicando o gráfico lá publicado, e veja que eu apontei com um círculo o nível de 1,12, assim o que eu queria sugerir era 1,12/ 1,1190.
Mas não tem importância, vou assumir o prejuízo deste erro quando calcular o resultado, porém vou prosseguir o trade considerando o nível correto. Hoje pela manhã, a moeda única rompeu uma formação conhecida como triângulo e encontra-se a caminho de reverter a queda em algum ponto, ou continuar caindo abaixo dos 1,1095. Nós resolvemos apostar que vai reverter, mas é uma operação contra a tendência como já afirmei antes.
No começo da tarde atingiu a mínima de 1.1182, assim o trade está iniciado e mantenha o stop a 1.1095.

O SP500 fechou a 2.110, com baixa de 0,15%; o USDBRL a R$ 2,9080, com alta de 1,17%; o EURUSD a 1,1196, com baixa de 1,48%; o ouro a US$ 1.208, com alta de 0,42%.
Fique ligado!

25 de fevereiro de 2015

O Compromisso é sempre com o bolso

Honestamente eu fiquei surpreso, com alguns leitores que me enviaram ontem à noite, a informação que a Petrobrás tinha perdido o grau de investimento. Esperavam que hoje seria um dia horrível no mercado de câmbio e bolsa. Eu respondi com os seguintes comentários: ..."Puxa até que enfim" ... "quem não esperava que isso fosse acontecer" ... "Eu acredito que já está no preço"... Para quem acompanha os mercados internacionais, já sabe que, os títulos dessa Companhia eram negociados com taxas de 9% a.a., em dólares, antes desse anuncio. Assim, eventuais emissões de títulos da Petrobras estão fechadas por enquanto, e o rebaixamento confirma o que o mercado já sabe há um bom tempo.

Não estou vendo desastre nenhum por enquanto, afinal o mercado assume que a Petrobras é quase um risco soberano, e que o governo interviria numa situação de stress. E não me entendam mal, não estou defendendo a Companhia, nem acho que é uma boa notícia. Se não existisse essa assunção pelo mercado, ela já teria quebrado. Por enquanto, na margem ela melhorou quando comparada há dois meses, primeiro que mudou a equipe, que pode não ser a ideal, mas é sangue novo; segundo que com a queda do preço internacional do petróleo seu caixa e resultados estão subindo.

Vale lembrar os eventos corridos em 2008, onde várias empresas tiveram problemas muito sérios, algumas até quebraram, como o Banco Lehman Brothers, e as agências de risco rebaixavam os créditos das mesmas tarde demais.

Todo mês, quando são publicados os dados cambias, eu faço uma análise, afinal é aí que todas as atenções devem-se voltar, pois dependemos muito do fluxo internacional de recursos. Como vêm acontecendo desde de 2008, o Brasil apresenta déficit em suas transações correntes e em janeiro não foi diferente, com um resultado de US$ 10,7 bilhões, acumulando em 12 meses US$ 90,4 bilhões. Para financiar, destaca-se a entrada de US$ 9,7 bilhões em investimentos em carteira, notadamente em renda fixa. Já os investimentos diretos sofreram um pequeno recuo para US$ 4,0 bilhões, acumulando US$ 61,3 bilhões em 12 meses.


A balança comercial, que no passado longínquo era superavitária, vem registrando deficit seguidos, e pior, crescentes. No mês de janeiro atingiu US$ 3,2 bilhões. A conta de serviços teve uma elevação frente ao mês anterior para U$ 3,6 bilhões, não apresentando nenhuma melhora no item viagens internacionais, que mesmo com a alta do dólar continuou subindo, atingindo US$ 1,7 bilhão. A conta de rendas, apresentou uma leve diminuição para US$ 4,0 bilhões, basicamente pelo recuo da Remessa de lucros e dividendos.

Quando estava lendo pela primeira vez este relatório, tive a confirmação que a situação cambial brasileira continua ruim, e não vejo como pode melhorar no curto prazo. Imaginei que o balanço de pagamentos, que é o resultado final de entradas menos saídas, desta vez seria negativo, mas não foi! Com um saldo marginal positivo de US$ 562 milhões. É verdade que as reservas internacionais recuaram US$ 1,7 bilhão totalizando agora US$ 372 bilhões, muito mais por variações na paridade do estoque de ativos, provavelmente espelhando a queda do euro, do que de saídas.

E agora José, quem pode me dar uma boa explicação do porque nossas reservas não recuam?
Resposta: O bolso, entenda-se os juros que estamos pagando!

Fiquei pensando como poderá ser a liquidação desta montanha de swaps cambiais que se encontram na mão de investidores que compraram, ou buscando um seguro contra seus compromissos em dólares, ou os "especuladores". Uma coisa eu não tenho dúvidas, se não houver saídas de dólares, todo esse pessoal está na mão do BC, e para saírem, terão que se sujeitar ao preço que ele definir.

Vamos trabalhar com algumas hipóteses e inicialmente assumir que o BC vai continuar rolando a cada vencimento, os swaps.

Hoje acredito que todo mundo já sabe que o "dólar - dólar" virou a coqueluche do momento, afinal In God we Trust"!  Se o mundo não degringolar, em algum momento este movimento vai se estabilizar. Nesta hora um dos vetores que turbinaram a desvalorização do real cessará.

Nossa moeda ainda sofre o efeito que denominei de "Dilma", onde não faltou gasolina para a queda do real. Não vou nem elencar esses argumentos, pois congestionaria o Google! Hahahah .... Venho repetindo que, na margem as coisas estão melhorando, temos um Ministro "salvador da pátria", que vem implementando de forma cartesiana seu programa. Se vai conseguir, ou não atingir sua meta, ninguém sabe, mas que é muito melhor que o Mantega e Cia., não tenho dúvidas. Assim, é razoável supor, que a derivada segunda é positiva.

- David, aula de cálculo diferencial? 
Desculpe, extrapolei! Mas este conceito encaixa-se perfeitamente em meu raciocínio, e significa que, embora o movimento de uma variável ainda siga o seu rumo, na margem está desacelerando, e é uma questão de tempo para que reverta segunda derivada.

Continuando com meu pensamento, em algum momento o "dólar - dólar" vai parar e aqui dentro, do ponto de vista econômico, a situação para de se deteriorar. Veja, não estou nem assumindo que melhora. Do ponto de vista de fluxo internacional, se com tanta coisa ruim não houve saída, porque haveria daqui em diante, considerando o que expus acima? Vou considerar que ficará igual.

Aí vem a pergunta que todos, que estão comprados em dólar, devem se fazer? Para quem eu vou vender estes contratos?

Lembrei de dois momentos da minha vida profissional, um que eu já relatei no post 1989-quando-um-megaespeculador-quebrou, quando a Bolsa de Valores teve que fechar e intervir, para que não ocorresse uma quebradeira geral; e a outra quando Ibraim Eris era o Presidente do BC.

Naquela ocasião um grande Banco resolveu "peitar" o BC, na expectativa de elevar a cotação do dólar através do mercado de ouro. Eu já comentei anteriormente que, era o veiculo que existia na época para se proteger. O ouro seguia a cotação do câmbio negro e O BC tinha um estoque enorme de ouro. Esse Banco assumiu que conseguiria influenciar as cotações para cima e quando estivessem suficientemente elevadas, sairia da operação com um grande lucro. Porém não considerou que do outro lado, tinha um economista brilhante, e um "operador" astuto.

O BC usou uma estratégia pragmática, não vendeu o ouro de uma só vez, foi vendendo, conforme o preço subia, assim continuava com bala na agulha, enquanto o Banco tinha que todo dia comprar ouro de todos que queriam vender. Seu estoque foi subindo a níveis elevadíssimos com um custo alto para carregar suas posições. Acontece que o cenário que o Banco estava esperando, de deterioração interna, não aconteceu, e percebeu que estava encilhado, pois para sair da posição, faria o ouro derreter literalmente. Não teve jeito, foi pedir "pinico" ao BC que comprou sua posição por um preço módico, de liquidação!

Poderemos viver uma situação similar, embora neste caso algumas considerações se façam necessárias: primeiro que o "salvador da pátria" disse que não quer deixar o dólar artificialmente baixo; e não existe um único Banco que está comprado em dólares, são vários investidores. Mas tem um fator que é muito negativo para quem está comprado, não tem ninguém vendido em dólares, com exceção do BC, assim só ele pode dar liquidez.

É verdade que várias ponderações podem ser feitas em meu raciocínio, e pode ser que de repente os estrangeiros resolvam cair fora daqui, o que daria a liquidez desejada a esse grupo. Mas por enquanto o argumento de faturar 12,25% a.a. de juros está prevalecendo. A conferir!

E o SP500 nem nos deu uma chance de compra! No post métodos-inconvencionais, eu comentei: ... Se você quiser se aventurar num trade oportunístico, sugiro uma compra do SP500 entre 2.000/2.010, com um stop a 1.970. O objetivo, a ser melhor calculado adiante, é de aproximadamente 2.200 ...O que aconteceu depois desse dia? Nem deu bola para meu desejo e continuou a subir, conforme gráfico a seguir.
Agora não resta nada a fazer, a não ser acompanhar de camarote esse índice chegar naquele nível.


O SP500 fechou a 2.113, sem variação; o USDBRL a R$ 28745, com alta de 1,48%; o EURUSD a 1,1362, com alta de 0,20%; e o ouro a US$ 1.203, com alta de 0,33%.
Fique ligado!

24 de fevereiro de 2015

Privacidade em cheque

Sem muitas vezes perceber, estes novos aplicativos instalados em nossos celulares, deixam aberta a nossa vida privada. O Google talvez seja o melhor exemplo, toda vez que você autoriza um novo aplicativo, aquela série de perguntas iniciais que respondemos aceito, vai permitir que o que você faz e por onde você anda, seja enviado para um banco de dados.

O motivo desta atitude é fundamentada no princípio que, ao saber seus gostos poderá direcionar melhor os produtos e assuntos que possam mais te interessar. Legal, mas se estes dados forem usados para outro fim? Você está de acordo em escancarar sua vida pessoal? Eu não sei vocês, mas eu preso muito minha privacidade, a decisão do que eu quero que vire público ou não, deve ser minha.

Inúmeros casos têm sido noticiados recentemente de roubos de dados por funcionários. deixando públicas informações consideradas sigilosas, como o caso de Edward Snowden, um profissional da área de informática, que roubou informações da CIA, revelando-as à imprensa. Eu sou totalmente contra o que ele fez. O fato das informações coletadas pela agência de inteligência americana serem questionáveis, não lhe dava o direito de quebrar um compromisso assumido sob sigilo. Se não concordava, que pedisse demissão.

Não vou entrar no mérito se os USA devem ou não fazer este tipo de espionagem, não sou entendido no assunto. Mas esse caso mostra, como o ser humano pode desviar dos princípios éticos, quando seu trabalho lhe dá algum tipo de poder. Ao usar dessa prerrogativa, satisfaz o seu ego, e atinge notoriedade sem que seja por suas qualidades.

Uma reportagem recente alertou para o fato de as TVs da Samsung mais recentes, podem ouvir suas conversas, além de compartilhar com terceiros a-very-slippery-slope-yes-your-samsung-smart-tv-can-listen-to-your-private-conversations. Agora é a vez da Mattel, fabricante da popular boneca Barbie, lançar uma nova versão high-tech. Esta nova boneca que contém um microfone, será conectada por Wi-Fi. Ao pressionar um botão na fivela, ela vai acordar, fazer uma pergunta e ligar o microfone.

A boneca é carregada com alguns scripts, e um deles é selecionado dependendo da interação com a criança. Fundamentalmente, o áudio gravado das crianças (e tudo o mais que passa a acontecer ao seu redor) é mantido nos computadores do fabricante. Ao comprar, o pai assina um termo autorizando esta interação, que visa uma série de coisas, inclusive disponibilizar aos pais, compartilhar tais gravações com terceiros.

O que vocês acham, compraria para sua filha ou neta? Estamos transformando nossa casa num Big Brother!

Como comentado ontem, vou abordar o real que anda caindo pelas tabelas. O tema de 2105 do Mosca já anunciou que será o ano do câmbio, e que a força ou fraqueza de nossa moeda, pode-se decompor em dois vetores: "dólar - dólar" e "Dilma". Vamos ver como cada uma delas vem se comportando recentemente.

No final de 2015 publiquei um post, 2015-será-um-ano-feliz?, onde fiz os seguintes comentários sobre o DXY - U.S. Dollar Index: ...pode-se esperar, um primeiro objetivo ao nível de 96 (9% de alta); ou 102 (15% de alta)... Hoje ele se encontra a 94.50. Vejamos o que se pode esperar no curto prazo.


Ainda estaria "faltando" aproximadamente 2% de alta para que aquele primeiro nível, apontado acima, fosse atingido. Isso pode combinar com meu trade de euro sugerido ontem, onde espero uma leve retração para comprar. Não esqueçam que, quase 60% do DXY, é impactado pela moeda europeia. Assim, "dólar - dólar" ainda terá uma pequena alta.

Já em relação a "Dilma", nem precisava gastar muito meu tempo, para verificar como o real vem performando em relação a seus pares emergentes. Basta ler as manchetes! Veja a seguir, como o real vem sofrendo, notem que uma alta da linha em vermelho significa uma melhora da moeda em questão e piora do real.



Com este quadro, como fica o USDBRL? Do ponto de vista técnico estamos num ponto importante no curto prazo: ou prestes a entrar num movimento de correção, com duração de algumas semanas; ou o movimento de alta seguirá rumo aos R$ 3,05/3,10.

- Ah David, Obrigado! O que eu faço, compro ou vendo?
Por enquanto nada! Eu já frisei várias vezes que análise técnica trabalha com probabilidades, e sempre existem caminhos mais prováveis e outros menos. Mas dependendo do que acontece, para que serve saber que, por exemplo, o menos provável prevaleceu? Muito pouco, somente que, se esta situação se repetisse inúmeras vezes, o outro cenário aconteceria mais vezes. Em função disso, você ficará mais conformado com o prejuízo, se ele foi por "azar"?

Motivos para correção existem alguns: momentum indicando queda do dólar, efeito "Dilma" esticado, e etc... meu preferido. Mas não consigo afirmar ainda, são necessárias mais evidências.

Preto ou vermelho, façam as suas apostas? Não façam não, isso não é Cassino! Hahahah....
Vocês agem da maneira abaixo, às minhas recomendações técnicas?


O SP500 fechou a 2.115, com alta de 0,28%; o USDBRL a R$ 2,8325, com queda de 1,60%, este fechamento eleva as chances do cenário que eu descrevi acima, como o mais provável; o EURUSD a 1,1342, com alta de 0,11%; e o ouro a US$ 1.199, com baixa de 0,14%.
Fique ligado!

23 de fevereiro de 2015

"Kick the can down the road"

Existe um termo em inglês, que pode definir bem a situação entre a Grécia e os membros da Europa, e mais especificamente a Alemanha: ..."Kick the can down the road"... O significado é quase uma tradução literal, chutando a latinha ladeira abaixo. A solução dada na sexta-feira, parece que permitiu que ambas as partes reflitam melhor suas intenções, postergando assim, uma ruptura eminente.

Acontece que apenas um pequeno passo foi alcançado num processo ainda complicado. A sua viabilidade já será testada hoje, quando a Grécia será obrigada a apresentar uma lista de intenções e políticas para a aprovação dos ministros das Finanças da zona do euro. Ultrapassado esse passo, o acordo estará sujeito a aprovação pelos parlamentares de vários membros da área do euro. Essas discussões serão intensas, e irão expor duas visões conflitantes sobre o caminho a seguir.

Em alguns parlamentos - particularmente os da Alemanha e da Finlândia, mas também alguns países devedores - a maior preocupação será se, mais uma vez, a zona do euro sucumbiu à pressão da Grécia. Esta discussão será baseada em uma narrativa que, ainda caracteriza a Grécia como libertino e sem vontade de viver dentro de seus meios.

Em outros países, e em particular na Grécia, a preocupação é que qualquer acordo, será pouco mais do que uma reembalagem das condições de austeridade de compressão que são vistos para espalhar pobreza, impedindo a recuperação econômica, emprego e prosperidade.

O complicado, no caso da União Européia, é que a rejeição por apenas um parlamento nacional poderia inviabilizar o negócio a nível europeu. A dificuldade para essas discussões parlamentares reflete a falta de confiança, especialmente entre a Alemanha e a Grécia.

O acordo de sexta-feira foi necessário, mas não suficiente. Sua ênfase em manter o fluxo de fundos europeus oficiais para a Grécia, à espera de um acordo global sobre o remix de austeridade, reformas estruturais e de alívio da dívida.

Desde que o novo governo grego tomou posse, os depósitos dos bancos gregos passaram por saques de depositantes, que da mesma forma que em 2012, receiam verem seus euros virarem dracamas, do dia para noite.

Uma coisa parece estar certa, se houver mudança de moeda a mesma deve-se chamar dracama, como era denominada antes da introdução do euro. Entretanto, aqui vai uma sugestão do Mosca, considerando que o alfabeto grego é rico em nomes e símbolos, porque não usar um deles?

Depois de avaliar as várias alternativas, e lembranças  das aulas de matemática, achei que o Pi, é suficientemente conhecido. Daria a imagem de um valor fixo, forte! Hahahah ...

Fiquei de explicar para o meu amigo, o do porque eu não fui pão duro em minha ordem do euro, que deixou de se executada por muito pouco a-Grécia-piscou: ...vou manter o ponto de compra a 1,1270 e baixar um pouco o stoploss para 1,1180. Quero deixar claro que, o stop "correto" deveria situar-se em 1,1095... Este é um trade contra o mercado, e de curto prazo... Frisei no texto acima, algo muito importante, toda as vezes que se entra num trade contra o mercado, sua chance maior, é de perda. Este movimento estará provavelmente envolvido numa correção, cuja reversão pode acontecer a qualquer minuto. Assim, ou se arrisca pouco, ou não se arrisca nada. O ideal é aguardar um momento para entrar a favor do mercado.

Quando o mercado terminou na sexta-feira, eu imaginava que o euro hoje iria se retrair um pouco, ao nível de 1,1350 e depois começar a subir rumo a níveis mais elevados. Mas parece que ele resolve dar meia volta, confirmando minha tese acima. Nem pensar que eu tinha inside information. Vejamos o que aconteceu no curto-prazo.

O euro chegou a cair aos níveis de 1,1300. Vou apostar que uma nova queda entre 1,13/1,1290 deve acontecer nas próximas horas, assim, vou arriscar uma compra. Eu havia frisado que o stop correto deveria ser 1,1095 e agora não tem jeito, é lá que vou estabelecer o stop. Para quem está comprado, conforme frisei no post o-diabo-mora-nos-detalhes: ......Eu não sei se você comprou o euro, pois ele tocou no 1,1260 e em seguida negociou acima. Se sim, mantenha sua posição e suba o stop para 1,1220...Sugiro que liquide a posição no nível atual a 1,1340 e aguarde o trade acima.

- David, você esqueceu do real?
Eu não costumo fazer duas análises de mercado no mesmo post, mas vou abrir uma exceção para o amigo! Hahahah .... No post BCB-precisa-mudar-o-remédio, eu comentei: ...Não deve-se ter mais dúvida que o dólar caminha para atingir a cotação de R$ 3,05/3,10, nos próximos meses. Nos níveis atuais, uma retração é esperada no curto prazo, depois de ter beirado os R$ 2,90...E foi o que aconteceu hoje pela manhã, quando o dólar negociou na máxima à R$ 2,9035. Acredito que agora está pronto para uma retração no curto prazo, para em seguida caminhar rumo aos R$ 3,05/3,10. Aguarde mais detalhes no post de amanhã.

O SP500 fechou a 2.109, sem variação; o USDBRL a R$ 2,8785, com alta de 0,40%; e o EURUSD a 1,1329, com baixa de 0,42%; e o ouro a US$ 1.201, sem variação.
Fique ligado!

20 de fevereiro de 2015

A Grécia piscou

Depois de muita discussão de um lado e de outro, a Alemanha deu ontem sua palavra final, ao plano grego de prorrogar o vencimento das dívidas por seis meses, nicht! Imediatamente, o pop star Yanis Varoufakis, Ministro das Finanças da Grécia, marcou uma reunião para hoje em Bruxelas, a terceira nestas últimas duas semanas. Ele disse que irá aceitar as condições financeiras e processuais existentes, e pedirá negociação em outros elementos. Suas declarações, hoje pela manhã, deixam um certo grau de ambiguidade, pois se por um lado quer evitar quaisquer medidas que possam pôr em risco a estabilidade financeira ou competitividade grega, por outro lado disse: ..."Mas o que não podemos aceitar é que o ajuste fiscal, acordado pelo último governo, seja realizado apenas porque as regras dizem que sim"...

O mercado ficou mais otimista, pois novas esperanças de um compromisso hoje aumentaram. A Alemanha, o maior contribuinte no plano de resgate, no valor de 240 bilhões de euros, é o principal defensor de reformas econômicas em troca de ajuda para a Grécia. O Primeiro-ministro Grego, Tsipras, eleito em 25 de janeiro último, abandonou a ideia de  uma baixa contábil sobre a dívida grega, postergou a data de elevação do salário mínimo e decidiu contra eliminar os auditores internacionais e manter o controle sobre o governo.

Ao que tudo indica, o novo governo chegou a mesma conclusão que o Mosca, explicado no post Grécia-missão-impossível, ou, de uma forma maquiavélica, pretende um Cavalo de Tróia II -   na modalidade financeira, uma vez que os gregos não deverão ficar muito felizes com este posicionamento de seus governantes. A verdade é que, a Alemanha não parece ter muito a perder. Como é o dona do cacife, ou é segundo suas regras, ou a Grécia está fora do grupo, ou melhor do euro.

O slide abaixo é sugestivo, faz parte de uma lista dos principais gráficos apontados pelas mais "inteligentes" mentes fianceiras. O título já diz tudo: Como destruir uma Companhia!


Um outro, que também considero importante do ponto de vista de investimentos, é uma simulação
de quais foram os retornos, nos últimos 30 anos, para quem investiu numa carteira de ações idênticas ao SP500.
A linha em azul é para quem comprou no primeiro dia e não mexeu durante todo o período, a vermelha retiraram-se os 25 melhores dias de performance da bolsa, a roxa retiram-se os melhores e piores 25 dias, e por último a verde retiram-se os 25 piores dias. A diferença é enorme e pode-se concluir que, quando a volatilidade se eleva, é melhor vender sua carteira de ações e ir viajar!

Como o assunto é Europa, vou comentar sobre o euro, no post o-diabo-mora-nos-detalhes, eu dei a seguinte sugestão de trade: ...vou manter o ponto de compra a 1,1270 e abaixar um pouco o stoploss para 1,1180. Quero deixar claro que, o stop "correto" deveria situar-se em 1,1095... Este é um trade contra o mercado, e de curto prazo... Publiquei também o gráfico abaixo.
Passados alguns dias de idas e vindas, apontadas no gráfico abaixo com a elipse azul. Hoje está se aproximado da região apontada para o trade.
O que é incrível, é o fato que, antes da reunião fatídica com a Grécia, onde seria esperado uma valorização da moeda única ela está caindo! Os últimos resultados da Europa tem surpreendido os analistas (vide figura abaixo). Não se preocupe que haverá explicações, sempre têm!


Depois de atingir uma mínima de 1,1278, muito próximo da ordem de compra, já no início da tarde, corria rumores de que um acordo era eminente. A partir daí, o euro começou a subir bastante, chegando a máxima de 1,1428. Infelizmente não deu para comprar, bateu na trave!

- David, você não acha que foi muito pão duro?
Amigão já são mais que 19:00 hs, e hoje é sexta-feira. Eu vou analisar no final de semana e na próxima semana te darei as razões, do porque não estou chateado. Aguarde!

O SP500 fechou a 2.110 recorde histórico, com uma alta de 0,61%; o USDBRL a R$ 2,8670, sem variação; o EURUSD a 1,1376, com alta de 0,10%; e o ouro a US$ 1.200, com baixa de 0,55%.
Fique ligado!

19 de fevereiro de 2015

Se correr o bicho pega

Depois de terminado mais um Carnaval, onde eu não me enquadro como um grande fã, voltamos as postagens do Mosca. Nada de muito importante aconteceu, e os mercados ficaram com os mesmos tons. Falando nisso, o filme cinquenta tons de cinza, têm tido uma repercussão divergente. De um lado as críticas são extremamente negativas, e por outro lado, é recorde de bilheteria em todo mundo. Achei interessante a classificação da minha enteada, uma moça de 21 anos: "Um filme pornô light". Será isso mesmo? Sem entrar no mérito das cenas, acho que fica uma mensagem que é verdadeira nos dias de hoje, os jovens com um certo grau aquisitivo tendem a ter uma postura imediatista e selfish. Outros, embora sejam raros, tem uma atitude mais romântica e "honesta" de sentimentos. O filme mostra que esta última balança as crenças da primeira, sem entretanto vencê-la.

Ontem foi publicado as minutas da última reunião do FED, e o mercado que esperava alguma pista mais clara, se frustrou. A expressão muito conhecida, "se correr o bicho pega e se ficar o bicho come", é exatamente a conclusão desse documento. Vários participantes notaram que, uma saída tardia da política monetária excessivamente acomodativa, pode levar a uma elevação indesejável da inflação. E a manutenção das taxas de juros no seu limite mínimo, poderá forçar o FED a ter que elevar rapidamente os juros, se isso revelar-se necessário, afetando adversamente a estabilidade financeira.

Outros participantes observaram que, uma elevação prematura  das taxas de juros pode abortar a sólida recuperação aparente na atividade real e nas condições do mercado de trabalho, o que prejudicaria no progresso em direção aos objetivos do Comitê de máximo emprego e inflação em 2% a.a. Além disso, o FED poderia se ver obrigado, em consequência de maus resultados econômicos, a ter que voltar a taxas de juros de 0% no futuro. Isso poderia colocar em questão, a credibilidade da autoridade monetária.

A tabela abaixo é extraída das taxas de juros explicitas nos mercados futuros. O objetivo é calcular quando é esperado uma elevação dos juros. O documento quando essa probabilidade é superior a 50%.


Alguns analistas acreditam que o FED esteja entrando no que se convencionou chamar de "Guerra Cambial". No relatório é comentado que a alta do dólar é "uma persistente fonte de contenção" das exportações americanas. A grande maioria dos BC's ao redor do mundo, vêm cortando suas taxas de juros, com o intuito de induzir a desvalorização de suas moedas, e evitar um risco eminente de deflação, que ronda o planeta.

O mapa do mundo, pode dar uma ideia de como estão sendo praticadas as políticas monetárias, em cada país. Notem que o Brasil e a Rússia, são os únicos países de certa expressão, que praticam juros, "amarelo pálido", superiores a 10% a.a.


A conclusão é que não existe consenso dentro do FED, e é prudente adotar uma postura pragmática. Por enquanto, com os dados recentes em mente, os juros deveriam começar a subir no 2º semestre de 2015, o que já é uma previsão incerta, daí para frente, é melhor apostar usando o critério mais correto nestas situações, o cara ou coroa!

No post Picasso-on-sale, eu fiz os seguintes comentários sobre o ouro: ...Tecnicamente não dá para afirmar que o movimento de alta reverteu, porém existe um intervalo que deverá ser respeitado, caso contrário, o ouro corre o risco de cair abaixo de US$ 1.130, nível mínimo atingido recentemente. Este intervalo está apontado no gráfico acima em vermelho, entre US$ 1.200/1.220...

E foi exatamente o que aconteceu, testou os níveis que apontei anteriormente. Nos próximos dias teremos uma ideia melhor de qual o rumo que o ouro irá tomar. Para vocês terem algum parâmetro, enquanto estiver abaixo de US$ 1.265, as chances de mais quedas continuam no radar, e se negociar abaixo de US$ 1.195, aumenta a probabilidade de níveis abaixo de US$ 1.135.
Conclusão: Nada a fazer!

O SP500 fechou a 2.097, com baixa de 0,11%; o USDBRL a R$ 2,8663, com alta de 1,05%; o EURUSD a 1,1363, com baixa de 0,27%; e o ouro a US$ 1.206, com queda de 0,52%.
Fique ligado!

13 de fevereiro de 2015

" Tokyo, we have a problem"

A NASA era muito mais famosa que hoje, e em uma de suas missões à Lua, a Apollo 13, não cumpriu sua missão devido a um acidente. O mesmo foi causado por uma explosão do módulo de serviço, que impediu a descida na Lua. James Lovell, comandante da Nave, comunicou a base: ..." Houston, we have a problem"...

É de conhecimento de todos, que o primeiro-ministro Japonês, Shinzo Abe, resolveu embarcar num plano audacioso para tirar o Japão da letargia desses últimos 20 anos. Para tanto, deu carta branca a seu BC, para que utilizasse qualquer quantidade de helicópteros, e se tivesse que errar, que fosse pelo excesso. O mercado entendeu o recado e vendeu Yens alucinadamente, afinal tinham a garantia do BOJ, que não haveria falta da moeda. De seu ponto mínimo até o máximo atingido recentemente, a moeda japonesa desvalorizou-se 60% em relação ao dólar. Foi maior que a desvalorização do real de 40%, no mesmo período. E olha, que lá não existiu um Petrolão, estariam todos mortos, não por execução, mas por suicídio!

No gráfico acima, pode-se verificar que a partir de setembro de 2012, o dólar subiu muito em relação ao Yen (Azul). Enquanto o Yen em relação ao real, caiu bastante logo de início do seu plano, e manteve-se dentro de um patamar mais contido, desde de o 2º semestre de 2013, quando o "dólar x dólar" começou a prevalecer sobre todas as moedas (vermelho). Notem que a escala da esquerda espelha a quantidade de yens para adquirir um real. Coloquei o yen x real, em ordem inversa para facilitar a leitura, para cima yen mais "forte", para baixo, yen mais "fraco".

No gráfico a seguir, contempla as injeções de liquidez dos três principais BC's do planeta: FED, ECB e BOJ. Fica visível que a participação relativa deste último subiu significativamente em relação aos seus pares, e ha de se considerar ainda, que dentre eles, o Japão tem o menor PIB.

Estava indo tudo bem, até que esta semana, depois que a ata do BOJ apontou dissidência na reunião de outubro, quando quatro de nove de seus membros, ficaram contra o programa em curso, na compra de US$ 670 bilhões em títulos do governo. Acontece que o mercado ficou desconfiado e começou a expressar uma desconfiança no programa. Já neste último leilão de títulos, oferecido pelo BOJ, a procura foi muito baixa. Vejam como as taxas de juros nos vários vencimentos foram elevadas mais recentemente.

Os especuladores entraram em ação e começaram a apostar que os ganhos auferidos na bolsa japonesa teriam chegado a um limite, saindo da posição de comprados para vendidos, o que não acontecia desde que o novo governo tomou posse.


É muito cedo para concluir que este plano está fadado ao insucesso, pois ainda pode ser somente um receio do mercado. Mas tendo a maior dívida dos países desenvolvidos, algo como 230% do PIB, não pode nem passar pela cabeça do BOJ, uma perda de confiança dos agentes econômicos. Agora o comandante japonês, Mr. "mercado", enviou uma mensagem para a base: "...Tokyo, we have a problem"!...

Hoje é sexta-feira 13, e lembro que isto já aconteceu algumas vezes durante a existência do Mosca. Vocês já devem saber que todo trader é supersticioso, então mesmo não acreditando nestas bobagens, prefere não arriscar. Assim, meus comentários serão "leves" hoje, sem muita recomendação nem palpites, afinal como o título da música de Natalie Cole: ..."What a diference a day make"... Vamos esperar para depois do Carnaval.
No post Picasso-on-sale, fiz os seguintes comentários sobre o ouro: ...Tecnicamente não dá para afirmar que o movimento de alta reverteu, porém existe um intervalo que deverá ser respeitado, caso contrário, o ouro corre o risco de cair abaixo de US$ 1.130, nível mínimo atingido recentemente. Este intervalo ... entre US$ 1.200/1.220... E foi que aconteceu, o ouro está próximo deste intervalo.

Independente do motivo exposto acima, eu realmente não sei qual será o rumo que o ouro vai tomar, assim só nos resta esperar para ver os próximos movimentos. Agora estou de olho no DXY, dólar index que está muito esticado, conforme comentei no post quem-quer-dinheiro: ...Agora está bem próximo do primeiro objetivo de 96, com todos os indicadores de momentum esticados ao extremo. Isso significa que vai cair? Não necessariamente, mas que é perigoso ficar comprado, pois do dia para noite, pode ter uma queda expressiva. Está todo mundo com o dedo no gatilho... Dependendo do curso que tomar, poderá definir se o ouro retronará a alta ou não. Me explico, se o DXY cair o ouro pode subir e vice-versa.

Hoje começa o carnaval e este ano resolvi não viajar, afinal tenho muitas horas a compensar pela minha últimas férias! Hahahah.... Em todo caso, como os mercados internacionais ficarão abertos na segunda e terça-feira, vou publicar se achar que algo importante acontecer. Alguém falou em Grécia? Hahahah... 
O Mosca recomeça na quarta-feira normalmente.
Bom Carnaval a todos! 

O SP500 fechou a 2.096, com alta de 0,41%; o USDBRL a R$ 2,8333, com alta de 0,45%; o EURUSD a 1,1393, sem variação; e o ouro a US$ 1.228, com alta de 0,54%.
Fique ligado!

12 de fevereiro de 2015

O diabo mora nos detalhes

Desde a publicação dos últimos dados de emprego nos USA, a maioria dos analistas o consideram excelente, tanto no que diz respeito a criação de número de vagas, bem como a elevação dos ganhos dos trabalhadores. Os mercados reagiram desde então, com alta do dólar e dos juros. Entretanto, um analista que avalia os dados no longo prazo, levanta algumas. Vejamos:
  • Se o emprego está "bombando" como é sugerido, e aumentando mais rápido que o crescimento da população, então por quê o seu desvio em relação à curva de longo prazo está tão elevado?

  • Se o empego está crescendo tão rápido como é sugerido, então por quê os trabalhadores considerados "não na força de trabalho" acaba de atingir um recorde no final de 2014?
  • Ao se analisar o principal grupo de trabalhadores, entre 16-54 anos, surge a questão: Por quê este grupo ainda está próximo aos menores níveis percentuais, quando calculados sobre o total desta faixa?
  • Os salários tiveram um bom impulso neste último dado, entretanto, eles esqueceram de mencionar que o rendimento está estagnado desde 2009, e que os indivíduos estão agora trabalhando muito mais para o mesmo valor pago.

Este trabalho elaborado por Lance Roberts, não sugere que não se esteja criando novos postos, mas tem uma enorme diferença entre criar emprego e criar "bons empregos". As pessoas têm mais de um emprego; os empregos criados são de baixos salário; e uma grande exclusão na contagem da força de trabalho, não criam um forte crescimento econômico, nem salários mais elevados. 

Um outro aspecto interessante é que, números elevados de criação de emprego, como é mostrado no gráfico abaixo, não são incomuns no término de ciclos econômicos.


Ele termina com a seguinte questão: "O FED está pronto para iniciar a elevação das taxas de juros, quando o atual ciclo de emprego é muito mais fraco que as manchetes estatísticas sugerem?" 
Eu acho que sim, mas pode ser que o FED se arrependa no futuro.

No post Grécia-esta-no-corner, fiz os seguintes comentários sobre o euro: ...Eu não sei se você comprou o euro, pois ele tocou no 1,1260 e em seguida negociou acima. Se sim mantenha sua posição e suba o stop para 1,1220. Caso não conseguiu, poderá surgir uma nova oportunidade. Vamos comprar a 1,1270, o stoploss fica no mesmo nível acima 1,1220... Vejam que indecisão que o euro se encontra através do gráfico abaixo.

O euro está tão indefinido que durante a tarde eu tive que alterar as recomendações que faria. Assim, vou manter o ponto de compra a 1,1270 e abaixar um pouco o stoploss para 1,1180. Quero deixar claro que o stop "correto" deveria situar-se em 1,1095, mas como minha convicção não é muito alta, prefiro arriscar pouco. Este é um trade contra o mercado, e de curto prazo, não merece mais!

- David, e o que você quer dizer "perdemos o bonde", anotado no gráfico?
Significa que, se por acaso, o euro ao invés de ter esta pequena queda decidir continuar subindo e ultrapassar 1,1530, cancele tudo. Vamos ficar assistindo a comédia grega, ou melhor negociação grega! Hahahahah....

O SP500 fechou a 2.088, com alta de 0,96%; o USDBRL a R$ 2,8205, com queda de 1,68%; o EURUSD a 1,1404, com alta 0,64%; o ouro a US$ 1.221, com alta de 0,19%.
Fique ligado!

11 de fevereiro de 2015

BCB precisa mudar o remédio

Desde que o Ministro das Finanças, Joaquim Levy, fez um comentário no dia 30/01, que o governo não tem a intenção de manter o câmbio "artificialmente sobrevalorizado", as cotações do dólar subiram aproximadamente 10%. Neste momento de turbulências internas, isso não é nada bom. O Tema do Mosca este ano, parece ter sido acertado, pois teremos forças sofrendo influências, ora do "dólar - dólar", ora pelo efeito "Dilma", e atualmente este último é o que vem dominando.

Mas qual é a cotação "certa" para uma moeda? Ninguém sabe, em teoria pode-se dizer que é aquela onde existe um equilíbrio no fluxo cambial, mas mesmo assim, qual o estoque de moeda desejado pelo BC para manter um colchão de segurança? O país é importador ou exportador de poupança? Qual atratividade para os estrangeiros investirem? Ou aquela, em que os economistas gostam, chamada de Purchasing_power_parity? E muito mais. Por tudo isso, sou partidário de uma política de câmbio flutuante, nem falar em câmbio fixo, basta ver a experiência recente da Europa.

Eu li alguns comentários de investidores, que estão comprados no dólar, dizendo que as cotações deveriam estar muito mais elevadas. É verdade que as contas cambiais não estão nada boas, como venho comentando aqui. Porém, pode ser, que as medidas que estão sendo implementadas ocasionarão uma melhoria mais à frente. Mas enquanto isso não acontece, e a forma que o BC vem atuando, permite especular-se com uma certa facilidade. Antes de continuar no meu raciocínio, quero contar uma passagem da minha vida profissional, para que vocês entendam a diferença entre o mercado de derivativos e o mercado à vista.

No início dos anos 80, quando a inflação era elevada e havia ágio no mercado de câmbio paralelo, a negociação de ouro era muito intensa. Como o mercado de câmbio oficial era restrito, os investidores que precisavam de alguma proteção cambial, se utilizavam do metal para este fim. Um certo dia, um primo me ligou a noite em casa, comentado que seu filho havia feito algumas operações no mercado de opções de ouro, e estava devendo uma nota para a Corretora.

Ele comentou que seu filho havia vendido um lote de opções de ouro, que era praticamente impossível ser exercido. O assessor da Corretora teria oferecido este trade, como uma forma de ganhar o prêmio dessa opção. Acontece que, durante o período que a opção estava em curso, o ouro subiu bastante, e ultrapassou em muito o preço do exercício. Quando a operação começou a vislumbrar um prejuízo, o assessor orientou que tivesse calma e esperasse a data da liquidação. Entretanto o ouro continuou subindo e seu filho foi exercido, como ele não tinha ouro nenhum para entregar, comprou no mercado a vista e entregou o metal. Acontece que o preço que pagou e o que recebeu, tinha uma diferença a ser ressarcida à Corretora. Para ficar mais claro, veja um exemplo teórico abaixo:

Momento 1 - Da venda das opções de ouro

Ouro á vista = R$ 100
Premio da opção para o exercício de R$ 110 = R$ 1
Prazo = 60 dias

Momento 2 - Exercício

Ouro a Vista = R$ 120
Resultado final = + R$ 110 (valor recebido ao ser exercido) - R$ 120 (compra do ouro a vista para entregar) + R$ 1 (prêmio recebido quando da venda) = (R$ 9)

O meu primo teve que negociar um acordo com a Corretora, pois por um lado, eles não souberam explicar os riscos da operação, e por outro, o meu sobrinho achou que tinha encontrado a forma de ficar rico, sem fazer fôrça! O que eu quero enfatizar com esta passagem é que qualquer derivativo, tem uma data final e este é o momento da verdade, onde é necessário liquidar a operação.

Todos sabemos que o BCB tem uma reserva em dólares de aproximadamente US$ 375 bilhões, que foram acumuladas nesses últimos anos, mas principalmente nos últimos 5 anos, onde os estrangeiros fizeram elevados investimentos no país. Naquela época, a autoridade monetária, comparava o excesso de dólares, para evitar que a cotação do dólar atingisse níveis muito baixos. Se vocês lembram, o ex-Ministro Mantega, chegou a denominar este efeito como uma "Tsunami Financeira", caso queria relembrar, releiam o post tsunami-reversa. Desde o final de 2013, quando os investidores estrangeiros começaram a ficar preocupados com uma possível reversão de curso por parte do FED, aliado a uma piora significativa dos fundamentos econômicos locais, o BCB começou um programa de swaps cambias para acalmar os ânimos, cujo volume hoje encontra-se na casa dos U$ 110 bilhões.

Nossas reservas cambias não caíram um centavo desde então, ou seja, por enquanto parece que a maioria destes contratos de swap têm servido para proteger posições expostas ao dólar, como também especular. Como as cotações do dólar têm subido, para todos que detêm estes contratos, é relativamente cômodo renovar quando os mesmos vencem. Mas acho que chegou a hora do BC mudar de instrumento, deveria anunciar que a partir de agora, 1/2 dos vencimentos seriam feitos através de vendas de dólares no mercado á vista, e ver o que acontece.

É uma postura um pouco mais arriscada, mas deixar o mercado subir deste jeito, tendo tanta reserva assim, o BC está arriscando que o dólar entre num ciclo vicioso, pois conforme a cotação sobe mais, pessoas se sentem compelidas a fazer hedge, por medo que o câmbio entre numa espiral. E vendendo a reserva, quem está especulando não tem como comprar, e mesmo os outros teriam que optar em remeter estes dólares ao exterior.

- David, parece que você está vendido no dólar! Por quê está defendendo, não é melhor que o dólar suba?
Nós não somos nem a Venezuela, nem a Argentina, que se meteram numa enrascada, e agora ao invés de buscar soluções críveis, teimam em ações que não vão dar certo. Por enquanto, por aqui, temos um Ministro das Finanças e um BC que estão fazendo o que é correto, e uma reserva considerável de  US$ 375 bilhões, que deve ser usada nessas situações. A seguir vou dar minhas expectativas para o dólar do ponto de vista técnico.

No post fed-behind-curve, fiz os seguintes comentários sobre o real: ...parece razoável, uma aposta que atingirá R$ 2,775, ou talvez níveis um pouco superiores. É a partir daí que teremos algumas pistas se a rota (1) de alta até R$ 3,05/3,10, vai prevalecer, ou a rota (2)...Com o gráfico abaixo publicado naquela data.


Não deve-se ter mais dúvida que o dólar caminha para atingir a cotação de R$ 3,05/3,10, nos próximos meses. Nos níveis atuais, uma retração é esperada no curto prazo, depois de ter beirado os R$ 2,90. A retração pode estar em curso em breve, mas nada de apostar contra, daqui em diante vamos em busca da compra de dólares a preços melhores.

Estou republicando um gráfico que usei no post sangue-frio, com a seguinte explicação: ...A linha verde é o valor do dólar calculado considerando uma cotação atual de R$ 2,56 2,90, e uma taxa de juros de 12% a.a., afinal já, já chegaremos lá. A linha marrom é o primeiro nível onde o dólar poderia reverter sua trajetória de alta (eliminada), enquanto a azul, o segundo... Fazendo as devidas atualizações, e considerando que o primeiro intervalo já foi atingido, veja como ela fica.

Assim para quem tem compromissos no curto prazo, até setembro de 2015, é necessário alguma proteção. Um hedge feito hoje, até aquela data, teria uma taxa final de R$ 3,10.

No gráfico a seguir, pode-se observar claramente como o real se desvalorizou mais que alguns de seus pares (linha em vermelho), o efeito "Dilma" prevaleceu. Vamos lá BCB, coragem!


O SP500 fechou a 2.086, sem variação; o USDBRL a R$ 2,8688, com alta de 1,28%; o EURUSD a 1,1300, com queda de 0,19%; e o ouro a US$ 1.219, com queda de 1,16%.
Fique ligado!