Inflação: A Revanche

30 de janeiro de 2015

A caixa de Pandora Brasileira

A caixa de Pandora é um mito grego, no qual a existência da mulher e dos vários males do mundo são explicados. Diz a realidade que a Presidenta Dilma (Pandora) aceitou do ex-Ministro Mantega (Epimeteu), uma caixa onde estavam contidos vários males físicos (contas públicas, inflação, e etc ...) e espirituais (Lava Jato) que poderiam acometer o Brasil. Como o conteúdo da caixa não poderia ser aberto em nenhuma hipótese, era mantido em segurança.

A Dilma convenceu Mantega a pedir demissão e depois disso, resolveu abrir a caixa proibida.  Ao abrir os dados da economia brasileira, deparou-se com as barbeiragens feitas pela equipe anterior. Estes números estão atormentando os analistas e investidores. A história se repete!

Desde a saída do, agora simplesmente, Guido Mantega do Ministério da Economia, todos os dias nos deparamos com dados econômicos horríveis, para dizer pouco. É impressionante como pode fazer tanta ca$$$a! Agora, o "salvador da pátria", vai tentar colocar o Brasil no rumo, mas será muito difícil, vai conseguir?

Ontem foram publicados os dados das contas públicas. Depois de ter atingido no passado, níveis de 3% de superavit , em 2014 o deficit primário foi de -0,34% do PIB, o primeiro resultado negativo das últimas duas décadas! Uma irresponsabilidade fiscal ímpar, aliada a perda de transparência e credibilidade, por conta das "malandragens" contábeis usadas, no intuito de esconder a realidade.


O próximo gráfico mostra como o PT administrou esse país, as receitas de impostos permaneceram estáveis, quando medidas em relação ao PIB, consequência das várias isenções concedidas a Indústria motivada pela ideia que aumentando o consumo o problema seria resolvido. Do outro lado uma elevação significativa, sem dó, das despesas.


Qualquer economista mediano teria percebido que o modelo adotado não estava funcionando. Assim, eu me pergunto, como um Ministro com o seu Curriculum, formado na USP e doutorado em sociologia, fez o que fez? Só encontro duas explicações: Ou foi de por muita arrogância , ou a chefe mandou fazer. Agora tanto faz, provavelmente deverá retornar a lecionar. Se ele fosse um administrador de recursos do mercado financeiro, não captaria mais nenhum tostão!

Já não bastasse isso, a situação da Petrobrás é dramática. Ao não publicar o ajuste pelo maior assalto da história, onde estima-se em R$ 88 bilhões, e crescendo dia a dia, os investidores não sabem onde estão pisando. Só para lembrar, o Presidente do Conselho é Guido Mantega, desnecessário mais comentários. As ações da petrolífera estão aos níveis nominais de 2002! Para terminar, a agencia SP rebaixou as notas dessa empresa com viés negativo, ou seja, mais rebaixamentos são esperados no futuro.

Como é uma empresa estatal e considerada como um risco quase soberano, em algum momento o governo terá que injetar recursos, evitando sua quebra que seria algo calamitoso, assim o déficit público teórico é maior ainda.

O real levou uma pancada logo pela manhã, o dólar subiu mais de 2%, ativando o stop sobre o remanescente de nossa posição divergência. O lucro, sem calcular os juros, foi de 4,1%, e com um cálculo aproximado do diferencial de juros, 5%.

Vamos às compras de dólar?  No post divergência, eu comentei ...Agora está bem próximo do primeiro objetivo de 96, com todos os indicadores de momentum esticados ao extremo. Isso significa que vai cair? Não necessariamente, mas que é perigoso ficar comprado, pois do dia para noite, pode ter uma queda expressiva. Está todo mundo com o dedo no gatilho... Olhando só o dólar index, o mesmo indica cautela, e enquanto o nível de 96 não for rompido, é prudente aguardar. .

O gráfico a seguir mostra a evolução de várias moedas emergentes contra o real. Atente-se à linha vermelha, se a mesma sobe, a moeda tem uma performance superior ao real, e vice-versa.



No sentido horário: dólar canadense, peso mexicano, dólar australiano e rand sul-africano. Pode-se notar que quase todas tiveram uma performance melhor que o real até o final do ano de 2014, e reverteram parcialmente neste início de ano. Portanto, sobre esta tônica, o real também já se desvalorizou.

 Assim, prefiro estudar melhor no final de semana, porém posso adiantar que o nível de R$ 2,68 é importante, se rompido pode indicar que o dólar vai subir frente ao real. Hoje foi um dia com forte viés emocional, mas tudo que aconteceu já era sabido, ou esperado. 

O SP500 fechou a 1.994, com queda de 1,30%; o USDBRL a R$ 2,6814, com alta de 3,02%; o EURUSD a 1,1289, com baixa de 0,27%; e o ouro a US$ 1.284, com alta de 2,16%.
Fique ligado!

29 de janeiro de 2015

Divergência

Usar a lógica gera tranquilidade ao ser humano. É natural que nem todas as situações ela possa ser aplicada, porém existem outros onde ela se aplica bem, como em cálculos matemáticos. O mercado usa muito a lógica, se por exemplo a atividade econômica cresce acima da capacidade instalada, espera-se que o Banco Central eleve os juros. Se uma companhia tem um ativo que foi contabilizado por um valor superior ao de mercado, porque houve superfaturamento, deve fazer um ajuste. Opa, esta lógica não vale para o PTrobrás! Hahahah ...

Como comentei ontem, o FED publicou sua ata que conteve poucas mudanças, apenas a troca de algumas palavras. De uma forma geral, enfatizou que a atividade econômica está expandindo numa base sólida, o mercado de trabalho continuou melhorando, com forte elevação do número de vagas criadas e baixo desemprego, a queda do petróleo terá um efeito benéfico na elevação do poder de compra, a inflação caiu abaixo do objetivo traçado, mas por conta da queda no preço da energia, e quando cessar, a inflação retornará ao nível desejado. Ou seja, um tom bastante otimista.

Se pedissem para escolher um mercado e sugerir a sua reação após essa reunião, eu escolheria os juros de 10 anos. A razão da escolha é que a bolsa poderia não subir por receio da elevação dos juros pelo FED, o dólar já vem subindo a um bom tempo, e os juros dos títulos de 10 anos está com taxa muito baixa. Pois bem, aconteceu exatamente o contrário, como o gráfico abaixo mostra, houve queda dos juros em todos os vencimentos, de 2 a 30 anos.


Como já dizia Nietzsche, é melhor uma explicação que nenhuma. Ao ler os comentários de hoje, várias foram as interpretações para esse movimento: O FED reafirmou que estão pacientes, então a alta dos juros está meses de distância; o FED vai se arrepender de subir os juros por "razões filosóficas" e terá que diminuir logo em seguida; a forte demanda por bonds externam preocupações sobre as perspectivas incertas de crescimento mundial e riscos de deflação na Europa. Nenhuma delas me convenceu muito, talvez a "melhor explicação" encontra-se na posição extremamente elevada, apostando que os juros vão subir. Veja a seguir as posições na bolsa de futuros.


Eu considero esta queda uma divergência e imagino que os membros do FED analisaram da mesma forma. Vamos ver o que acontece nos próximos dias.

Amanhã será publicado o PIB dos USA, relativo ao 4º trimestre de 2014, ano que teve bastante variação. Só para relembrar, 1ºQ -2,1%; 2ºQ 4,6%; e o 3ºQ 5,0%, lembrando que no início do ano o inverno foi a razão do crescimento negativo. Uma pesquisa do Wall Street Journal relativo ao dado a ser pulicado amanhã, encontra-se no gráfico abaixo.


Desconsiderando os extremos, pode-se esperar algo como 3%. É importante notar que esta medida compara com o PIB do trimestre anterior. Uma forma menos volátil é comparar com a do ano anterior. O gráfico a seguir apresenta a evolução histórica desta variável.


Pode-se notar uma tendência estrutural, mais consistente de desaceleração do crescimento. Mas isso tem pouca importância para o dado a ser publicado amanhã, o que o mercado ficará de olho, é se a expectativa do FED, que agora vai, se concretiza ou não.

No post de-mode, fiz o seguinte comentário sobre o real: ...Liquidei 1/2 da posição vendida a R$ 2,575, ajustei o stop, agressivamente para R$ 2,61 e um profit taking da posição ramescente a R$ 2,53....


Se tudo der certo, vamos poder comprar os dólares ao nível que de R$ 2,53. No gráfico acima, o dólar pode estar realizando um movimento de correção denominado de zig-zag duplo, para então voltar a subir. Se mesmo assim, ainda continuar caindo, poderá ser o zig-zag triplo (não mostrado na figura), onde terminaria ao redor de R$ 2,42. Mas correção é correção, e tudo pode acontecer no meio da caminho.

- David, e se der errado.
O dólar poderia já estar começando seu movimento de alta, e assim seremos stopados.

Agora só falta combinar com os gringos, ou melhor com o BCB, eles estão dando as cartas! Hahahaha ....

No post com-cabeça-fria, fiz o seguinte comentário ...Minha sugestão é comprar o euro 1,126/1,122 com stop a 1,1095, o objetivo ainda vai ter que ser calculado, pois se eu estiver certo, não sei se estamos pescando uma sardinha ou um piraíba...Vou modificar o preço de entrada para 1,122 ao invés do intervalo sugerido. O desenrolar dos últimos dias, não foi muito animador. Em minha última analise, verifiquei existir, a possibilidade de uma nova mínima, antes da recuperação que estou imaginando. 

O SP500 fechou a 2.021, com alta de 0,95%; o USDBRL a R$ 2,6027, com alta de 0,95%; o EURUSD a 1,1320, com alta de 0,24: e o ouro a US$ 1,256, com queda de 2,19%.
Fique ligado!

28 de janeiro de 2015

Bicho papão

Antes de começar, queria fazer um pequeno comentário sobre a situação da água em São Paulo. Ficamos sabendo que em se continuando a escassez de chuvas, um racionamento de 5 x 2, onde ficar-se-á cinco dias sem água para cada dois com, será implementado. Tenho dificuldades de imaginar como seria nosso dia a dia, nesta situação. De pouco importa agora, colocar a culpa no governo por não ter tomado as medidas necessárias, o importante é buscar economia. Minha esposa tomou a dianteira e pediu ideias, aí percebi como existe desperdício no cotidiano. Já estamos funcionando no modo "econômico". Para finalizar, não se deixe levar por pensamentos do tipo: "Ah, se os outros não fazem sua parte também não vou fazer", não é uma boa atitude! Economizem!

Quando crianças, alguns sonhos aterrorizavam nossas noites, monstros ferozes era o medo clássico, o tão conhecido bicho papão. Para quem teve mães calmas, que conseguiam transmitir tranquilidade e dizer que tudo aquilo era uma fantasia, o sono voltava tranquilo, para quem não teve, se escondia debaixo da coberta.

- David, ouvi dizer que você está pensando em lançar um livro, ele vai se chamar: Nana nenê nos investimentos? Hahahah...
Bom título, vou considerar! Hahahah ...

Numa entrevista a rede americana CNBC, o economista Robert Shiller, ganhador de prêmio Nobel, comentou que a raça humana está profundamente receosa em relação a tecnologia e o impacto que terá na vida de seus filhos: ..."O receio das pessoas vêm crescendo há anos, o que têm ocasionado a queda dos juros"..."Eles estão preocupados com seu futuro, não apenas com o próximo ano, e sim, os próximos 20 anos, os próximos 40 anos. Assim até aceitam rendimentos negativos para suas poupanças"...

Depois de uma viagem a Davos para o Forum Econômico Mundial, disse que esse evento o ajudou a entender que não é apenas o pessimismo sobre a economia global: ..."Há esse medo crescente da tecnologia, tecnologia da informação, inteligência artificial, robótica, impressoras 3-D, a internet e todas estas diferentes formas"..."A tecnologia parece estar mudando a vida, de uma forma tão fundamental, que as pessoas se perguntam: Onde estarei daqui a 30 anos? Olhe como as coisas estão mudando tão rapidamente. Como estarão meus filhos? Eu quero deixar algum patrimônio para eles, pois poderão estar num terrível sofrimento"... Acrescentou que em Davos percebeu que as pessoas buscam certificar-se, se estão na  categoria do 1% em termos de ganhos globais: ..."Isto é desesperador para muitos"...

Eu não preciso qualificar um ganhador de prêmio Nobel, além de ser um grande admirador deste economista. Seu pensamento vem de encontro com minhas idéias, e por que não dizer, temores. Sinto a mesma coisa! Acontece que este medo não atinge a camada mais rica, essa vem ganhando cada vez mais poder de compra, com a valorização das bolsas e imóveis. A classe média americana, que sempre foi considerada como uma grande conquista dos USA, vem diminuindo já há algum tempo, e recentemente, elevou-se a participação dos mais pobres.

Parece que esta situação, é de equilíbrio? Não esqueçam que os 99% poderão se aproximar dos 1% de duas formas: Por uma elevação da renda dos primeiros, ou uma queda dos rendimentos dos últimos. A última hipótese pode acontecer, ou por uma queda dos preços dos ativos, ou aumento da inflação com desvalorização da moeda.

Tenho lido ultimamente, vários investidores alertando que a bolsa americana corre sérios riscos de uma queda mais acentuada. Não vou enumerar seus argumentos, mais poderia resumir num único, subiu muito. Meus indicadores técnicos, indicam cautela no curto prazo, porém ainda distante de uma recomendação de venda. No final do ano passado no post super-Mario-quer-voltar-Nintendo, comentei: ...Os dados técnicos continuam intactos, algumas tempestades de curto prazo, podem acontecer. Porém, com uma visão de mais longo prazo, nada de preocupante surgiu. Assim, o primeiro objetivo de 2.200 deverá ser atingido brevemente....Desde então ela vem oscilando dentro de um intervalo entre 1.980 e 2090, nada muito dramático, como pode-se ver abaixo.


Estas oscilações estão contidas numa formação conhecida tecnicamente como triângulo, e em 65% dos casos, tendem a continuar o movimento que antecede, e neste caso é de alta. Assim, o nível de 2.200 comentado acima, parece estar no radar.

- E os outros 35%, o que acontece?
Cai! Outro detalhe interessante, é que quando acontece o mais esperado, depois do rompimento, existe uma tendência de retornar ao centro do triângulo e/ou, indicar a mudança da sentido. Mas esta é uma história para uma outra vez, não é com análise técnica que vamos espantar o bicho papão! Hahahah ....

O SP500 fechou a 2.002, com queda de 1,35%; o USDBRL a R$ 2,5757, com alta de 0,14%; o EURUSD a 1,1292, com queda de 0,78%; e o ouro a US$ 1.284, com queda de 0,55%.
Fique ligado!


27 de janeiro de 2015

De cabeça fria


Antes da última reunião do FED, especulou-se na retirada das palavras considerable time, pela autoridade monetária. Ela foi substituída por: ...can be patient in begining to nornmalize the stance of monetary police... O mercado interpretou que em junho de 2015, os juros começariam a subir. Acontece que desde então, muitas ações foram tomadas por diversos BC's, onde destaco o de maior impacto, o ECB. Os dados publicados nos USA desde então foram moderados, mas com certeza a queda do petróleo foi o de maior relevância, colocando de volta o receio da deflação. Os juros dos títulos americanos que se encontravam em 2,2% a.a., recuaram para 1,8% a.a. Será que o FED vai manter o discurso anterior e manter o que pretendia, ou indicará que vai postergar o início do ciclo de alta de juros?

Alguns analistas acreditam que o ECB limpou o caminho para os USA iniciar o processo de elevação de juros sem que aumente a volatilidade. O dólar passou por uma forte valorização nos últimos meses, impulsionado pela perspectiva de melhora de sua economia "vis a vis" a de outros países,

Numa pesquisa realizada pela Bloomberg entre 53 economistas, 45% esperam a manutenção de junho como data início, 6% em julho e 30% disse que o FED irá esperar até setembro. Outros economistas divergem: ..." Uma série de países estão diminuindo os juros" ..."Você não precisa que o FED aumente os juros. Tudo que você precisa é um FED neutro e mesmo assim o dólar irá se valorizar"... Esta é a opinião do estrategista do Credit Suisse.

Os últimos dados de emprego publicados, apontam que os salários estão crescendo com taxas mínimas e os dados de inflação apontaram declínio, fortemente influenciado pela queda do petróleo.

Vai ser uma reunião interessante, mesmo não tendo a seção de perguntas e repostas, ficando limitada a interpretação da ata. Não tenho uma opinião, para mim as duas alternativas são possíveis, porém se houver alguma indicação de postergar a data, os mercados poderão alterar algumas de suas apostas.

Ontem comentei sobre o euro Grecia-missão-impossível, e disse que uma oportunidade de compra poderia se concretizar. O gráfico de curtíssimo prazo abaixo, indica uma formação clássica de Elliott Wave.

Minha sugestão é comprar o euro 1,126/1,122 com stop a 1,1095, o objetivo ainda vai ter que ser calculado, pois se eu estiver certo, não sei se estamos pescando uma sardinha ou um piraíba. Acompanhem esta operação pelo twitter.

O SP500 fechou a 2.029, com queda de 1,34%; o USDBRL a R$ 2,5722, com queda de 0,43%; o EURUSD a 1,1375, com alta de 1,23%; o ouro a US$ 1.294, com alta de 1,08%.
Fique ligado!

26 de janeiro de 2015

Grécia: Missão impossível

As manchetes de hoje anunciam a vitória do candidato de esquerda na Grécia, Syriza. Em seu discurso disse que romperá com a Troika, libertando a Grécia de seu programa austero. Se esta vontade for levada ao pé da letra, seria certo que esse país estaria prestes a abandonar o euro. Porém existe um pequeno detalhe, mais de 80% do povo quer a continuidade da moeda única, e o novo líder disse não considerar essa hipótese. Assim, o que ele prometeu, assemelha-se as missões da série de TV dos anos 70, Missão Impossível, onde os objetivos de uma agência governamental secreta eram extremamente difíceis de serem atingidos.

Para cumprir a sua promessa com o povo, teria que romper com a Europa e abandonar o euro. Nesse caso, uma recessão enorme estaria contratada e seria um bom exemplo para Espanha e Itália do que pode acontecer, uma vez que estes países têm eleições este ano. Outra hipótese, é Syriza dar uma de PT, sem o Petrolão e assemelhados é claro, e fazer de conta que está cumprindo o que prometeu. Este caminho pode implicar algumas molezas a serem dadas pelos Alemães nas rolagens de sua dívida, mas teria como obrigação o controle fiscal. O 1º semestre de 2015 promete muito jogo de cenas e ameaças de um lado ou de outro, mas que não dá para cumprir as duas promessas, todo mundo sabe, menos o povo. É bom alguém avisar o manifestante que está carregando a placa na foto!

Na sexta-feira passada, foram publicados os dados cambias brasileiro, com o fechamento de 2014. Muito ruim! O déficit em transações correntes no mês de dezembro foi de US$ 10,3 bilhões, uma cifra para ninguém botar defeito. Com isso, o déficit anual atingiu US$ 90,9 bilhões, ou o equivalente a 4,17% do PIB.


O principal responsável foi a balança comercial, seguido em menor magnitude a conta de serviços, enquanto a conta de rendas manteve-se estável. No financiamento deste déficit, destaca-se o investimento estrangeiro direto com US$ 62,5 bilhões e investimento em carteira (ações e renda fixa) US$ 33,5 bilhões. Assim, combinados com as demais formas de financiamento externo, o balanço de pagamentos terminou superavitário em US$ 10,8 bilhões, não havendo perda de reservas.

A situação cambial vislumbra pouca margem de manobra, como já mencionei diversas vezes. A receita clássica em situações como esta, sugerem uma desvalorização cambial da moeda, que teoricamente acarretaria uma melhora da balança comercial. Acontece que no caso brasileiro esta fórmula não atinge o objetivo desejado, pois 85% da nossa pauta de exportações é baseada direta ou indiretamente em commodities, onde o câmbio só ocasionaria um lucro maior ao exportador. Assim, somente uma diminuição das importações poderia resultar em algum benefício. Em situações normais esta poderia ser uma saída útil, onde os produtos importados seriam substituídos pelos locais, acontece que a indústria local foi dizimada nos últimos anos. Assim, a queda das importações seriam limitadas, e teriam um efeito inflacionário.

Acredito que essa seja a razão do Ministro "salvador da pátria", insistir tanto que temos que aumentar a produtividade. No último final de semana, foi publicado uma entrevista no Estadão, onde Armínio Fraga disse tudo o que tinha vontade. Além de ele ser competente, é uma pessoa muito equilibrada e polida, mas durante a campanha eleitoral, foi "rifado" injustamente pelas mentiras do PT. Ele tem a mesma opinião do Mosca ao dizer que o Ministro Joaquim Levy é "uma ilha em um mar de mediocridade" economia estadão-Armínio Fraga.

A posição brasileira ainda é muito confortável, pois o volume de reservas, que anda na casa dos US$ 374 bilhões, não diminuiu quase nada nesse movimento de queda do real. Mas com o passar do tempo, como poderia este déficit diminuir?

  • Uma reversão da balança comercial, e aqui não quero dizer atingir um mero empate, e sim um superavit padrão China, uns US$ 20/30 bilhões. Isso só aconteceria, se as commodities explodissem em preço, mas no momento está acontecendo o contrário. 
  • O investimento direto estrangeiro parece ter atingido um teto de US$ 60 bilhões nos últimos anos, e aí estabilizou-se. Acho difícil aumentar, e tenho receio, que em algum momento possa cair.
  • A conta de serviços vem aumentando nos últimos anos, através de venda das plataformas da Petrobrás ao exterior, que em seguida, assume um contrato de aluguel do mesmo. Dado a situação precária dessa companha, vislumbrando um crescimento desse tipo de operação, elevando os gastos com aluguéis.
  • Parece restar somente os títulos do governo, que pagam juros convidativos aos investidores. Desta forma, ficamos cada vez mais dependentes dos estrangeiros, pagando juros exorbitantes e recebendo uma remuneração de 0% sobre as reservas em dólares. Até que um dia, o pessoal resolver cair fora destes títulos.

No post Deus-ainda-é-brasileiro? disse que faria uma análise mais detalhada do euro. Posso dizer que raramente vi um ativo com um momentum tão negativo, e em todas as janelas, curto, médio e longo prazo. Esta é uma situação onde  boas oportunidades podem surgir. Comentei também naquele post que poderíamos ver o euro subir depois do anúncio do ECB, mas não foi o que aconteceu.

Um dos leitores do Mosca, vem questionando algum tempo, se já não seria a hora de comprar. Percebo que ele está com coceira na mão. Eu não incentivei, afinal se visse alguma oportunidade , teria publicado aqui. Vamos aguardar o mercado dar sinais, e lembrem-se, o objetivo não é acertar o bumbum da mosca, só a mosca, já está ótimo! Hahahah....

O gráfico acima é de longo prazo, a primeira área de interesse na compra surge exatamente onde o euro se encontra agora, entre 1,12/1,14. Observando num horizonte mais curto (não publicado), os movimentos de ontem a noite e hoje pela manhã foram positivos. Fiquem de olho, e acompanhem o twitter para um eventual trade de compra.

- David, porque você não "mete ficha?"
Ah, e eu que sou irresponsável! Hahahahah ... Não acho oportuno, uma vez que a moeda única, ainda tem que mostrar "serviço". Você nem deixou eu completar o comentário, mas caso o euro não reverta o movimento de queda, o próximo ponto seria ao redor da paridade, ou seja, 12% de queda. Não se preocupe, se a minha expectativa de alta para o euro estiver correta, teremos muito tempo para entrar.

O SP500 fechou a 2.057, com alta de 0,26%; o USDBRL a R$ 2,5832, com alta de 0,18%; o EURUSD a 1,1238, com alta de 0,28%; o ouro a US$ 1.280, com queda de 1,06%.
Fique ligado!

23 de janeiro de 2015

Quem quer dinheiro?

Acho que os programas de injeção de liquidez adotados por vários Bancos Centrais, foram inspirados no programa de TV do apresentador Silvio Santos. Todos já devem ter visto algumas cenas do mesmo, afinal aos domingos, não tem nada de útil na televisão. O programa ficou famoso pelos aviõezinhos de dinheiro, jogados pelo apresentador ao som da frase "Quem quer dinheiro?" Alguma semelhança com os helicópteros?

Como era esperado, o Super Mário apresentou o seu programa de "inundação" de liquidez ao mercado, e conforme mencionei ontem, foi superior ao que o mercado esperava. O volume é no mínimo 1,1 trilhão de euros, pois o mesmo pode se estender depois de setembro de 2016. O rateio entre os países, é mais ou menos proporcional ao PIB dos membros. A autoridade vai comprar títulos governamentais de 2 a 10 anos, mesmo com taxas de juros negativas, como é o caso dos títulos da Alemanha.

O euro despencou após o anúncio, ontem sofreu uma queda de 2% e hoje pela manhã mais 2%, levando sua cotação abaixo de 1,12. A Alemanha está coberta de razão em temer a ação implementada pelo ECB, um estudo elaborado por Tadashi Nakamae, de uma empresa de consultoria, elaborou um relatório interessante, mostrando que todas as injeções feitas pelos diversos BC's, não surtiram os efeitos econômicos desejados, e geraram em sua maioria, bolhas nos mercados de ativos, principalmente nas bolsas de valores. Eu anexei o link, caso queriam ler, é curto Nakamae.

Se a BMW já era um carro desejado por qualquer homem ou mulher de 18 a 70 anos, imaginem custando 25% mais barato, que é quanto caiu o euro nos últimos meses. A Volkswagen também vai surfar nesta onda, principalmente no mercado americano, onde não existe restrições para produtos importados. Os preços deveriam ser afetados aqui também, e de uma forma mais forte, haja visto que os impostos de importação são elevados, ocasionando uma queda em reais mais expressiva. Por coincidência, a fábrica da BMW começou a funcionar aqui, a partir deste mês. Se arrependimento matasse?

Os BC's dos países da Europa que não participam do euro, estão tendo que trabalhar duro, a Suíça já agiu na semana passada se "divorciando" a revelia do euro, a Suécia e Noruega reduzindo os juros abaixo de zero. Hoje estou convencido que, dado a sua experiencia no assunto, Silvio Santos seria um excelente Presidente de Banco Central! Hahahahah ...

No post 2015-será-um-ano-feliz?, lá eu sugeri que o dólar teria um ano de glória, além de criar o tema do mosca para este ano. Fiz os seguintes comentários sobre o DXY - dólar index: ...Mas pensando mais à frente, a dúvida ficará, caso ultrapasse a região 90 - 92. Aí sim, pode-se esperar, um primeiro objetivo ao nível de 96 (9% de alta); ou 102 (15% de alta). Considerando uma correlação de 100% com o euro, e só a título de projeção simples, esses níveis corresponderiam no euro a 1,14 e 1,08, respectivamente. Isso estaria dentro dos meus objetivos para a moeda única... Turbinado pelo ECB, o dólar subiu como um foguete! Veja a seguir.


Agora está bem próximo do primeiro objetivo de 96, com todos os indicadores de momentum esticados ao extremo. Isso significa que vai cair? Não necessariamente, mas que é perigoso ficar comprado, pois do dia para noite, pode ter uma queda expressiva. Está todo mundo com o dedo no gatilho.

- David você é um irresponsável! Com esse quadro todo, resolveu ficar vendido no dólar contra o real?
Opa, bateu pesado, irresponsável não! O máximo que você pode me acusar é de propor um trade arriscado. Mas não fui irresponsável, pois estabeleci um stoploss curto. Vamos observar como foi o comportamento do real frente a o DXY.


Num primeiro momento a cotação do USDBRL acompanhou a alta do DXY, e a partir de janeiro tomaram caminhos opostos, o último continuou subindo enquanto o primeiro caiu.

Se você lembrar, no post citado acima, eu discuti que este ano, era importante identificar se a aposta é no "dólar x dólar" ou na "Dilma". Propus uma tabela que republico a seguir.



Neste período estamos na primeira linha, onde o recomendado era comprar real contra alguma moeda de um país emergente, como peso mexicano, colombiano e etc ... Como não tenho gráficos para analisar estas moedas e também seria de difícil execução, a proposta foi contra o dólar. 

Assim, se você encontrar algum analista se vangloriando ter acertado na compra de dólar contra o real nesse período, não acredite. Seria muito melhor ter comprado o dólar contra qualquer outra moeda. Com os juros aqui no nível que estão e ainda com a possibilidade de subir mais, aliado a juros inexistentes no exterior, muito cuidado ao apostar contra o real.

Neste final de semana realiza-se o tradicional encontro em Davos do Forum Econômico Mundial. Veja a seguir o menu de um restaurante desta cidade.
Um mero cachorro quente por R$ 112, uma pechincha! É, realmente existe alguma coisa errada!

O SP500 estava as (*) 2060, com queda de 0,18%; o USDBRL a R$ 2,540, sem variação; o EURUSD 1,1277, com baixa de 0,78%; e o ouro a US$ 1.289, com baixa de 0,93%.
Fique ligado!
(*) 15:00 hs.

22 de janeiro de 2015

De mode

Outro dia fui ao Shopping Center comprar alguns produtos. Com o calor que tem feito aqui em São Paulo, fui sonhando tomar um sorvete de iogurte, que estava localizado na praça de alimentação. Qual não foi minha surpresa ao ver que tinha fechado. Além de ficar literalmente com água na boca, pensei como era possível que em tão pouco tempo, um produto que tinha filas para adquirir, agora é out of business! É por esta razão que sempre dou mais valor para as empresas que conseguem manter um negócio, do que as que iniciam um, isso vale também para os artistas onde posso citar Elton John, e sim, Roberto Carlos, mesmo não gostando muito de seu estilo.

Vocês têm ouvido algum comentário recente sobre os Bitcoins? Em 2013 eu publiquei dois posts contendo comentários sobre esta moeda: bitcoin e bolha-de-sabão, selecionei alguns deles: ...Eu só consigo enxergar o bitcoin como uma moeda especulativa, ou seja, se por acaso o dólar virar "papel de parede", aí este instrumento pode ganhar apelo, depende do desastre...Estamos vivendo num momento diferente em termos de experimentos de políticas monetárias, que induzem a formação de bolhas, onde o SP500 é o maior candidato, mas o bitcoin está se mostrando mais como a bolha de sabão que não deu nem tempo para "curtir", em pouco tempo está virando pó, ou melhor, espuma... Veja o que aconteceu com os preços desta moeda, desde então.


Hoje encontra-se por volta de US$ 230 e com a força do dólar atual, deve continuar "largada", servindo mais as operações escusas que uma moeda realmente. Mas isso não quer dizer que necessariamente vai morrer, pois se eu estiver certo sobre a queda do dólar no futuro, pode ser que ganhe impulso, por enquanto virou de mode!

Acho que hoje me bateu um espírito saudosista, ou talvez, minha analista considere como necessidade de autoafirmação. Mais uma vez o mosca cumpriu com seus objetivos, desde que o BCB entrou na onda da ex-Presidenta Dilma e resolveu baixar os juros na marra, eu alertei inúmera vezes para os investidores saírem dos investimentos atrelados ao CDI surprise: ...Os investidores passaram nestes últimos 12 anos tranquilamente com aplicações ancoradas no CDI e grande parte das operações de crédito também estão indexadas. Como a liquidez está elevada e por existirem poucos ativos indexados á inflação, eu sugiro que façam esta troca já!...

Vocês devem ter notado que no texto eu me referi a Dilma como ex-Presidenta, e o motivo é que neste novo mandato as coisas mudaram somente na área econômica, e deixou de dar palpites delegando a sua condução a Joaquim Levy. Vou chamá-lo figurativamente, daqui em diante, como o salvador da pátria. Ontem o BCB subiu a taxa SELIC para 12,25% a.a e colocou o Brasil em 2º lugar no ranking mundial, como pode-se verificar no gráfico publicado pelo jornal Estado de São Paulo.

 A expectativa aqui na Rosenberg, é que a mesma atinja 13% a.a. nos próximos meses, ao não ser que tenhamos apagões mais sérios afetando o crescimento do PIB. Ao me deparar com o gráfico evolutivo da taxa SELIC acima, uma dúvida me veio a mente: Houve duas tentativas recentes de queda desta taxa que foram sucedidas por altas em seguida, será que atingimos o patamar mínimo que os juros para o Brasil? O agravante, é que desta última vez, as taxas de juros reais no mundo são negativas. Não saberia responder. Pobre dos industriais deste país! Já se você é um felizardo investidor fique no CDI, mas em algum momento vou propor uma loucura, a de aplicar em títulos prefixados como as LTN´s. Até pode ser que já seja um bom momento, mas vamos esperar mais um pouco a inflação beirar os 7% e a SELIC 13%, fique de olho. 

Já que o assunto é juros, vamos aos títulos de 10 anos dos USA. No post sonho-x-realidade eu expus minha visão de alta de juros: ...Meu cenário é de alta de juros e acredito que a taxa poderá alcançar 2,9% a.a., e se ultrapassar, 3,4%a.a. Tudo isso, se os juros não caírem abaixo de 2,0% a.a e principalmente 1,85% a.a. Talvez os economistas irão acertar este ano... E publiquei o gráfico a seguir.


Como pode-se verificar, eu esperava que as taxas continuassem a subir do nível em que se encontravam, mas não foi o que aconteceu, uma nova onda de queda levaram os juros ao nível de 1,70%, aproximando-se perigosamente de um nível crítico de 1,60% a.a., guardem esse número.


Eu tenho repetido inúmeras vezes que correção é correção e por enquanto aí permanece. Pouca segurança pode-se ter das previsões, é o que vem ocorrendo com este ativo. Ainda não dá para descartar a alta que eu esperava, nem novas mínimas. Assim, vou manter minha previsão anterior, de alta dos juros, desde que, eles não caiam abaixo de 1,60% a.a. Não faço nenhuma aposta por enquanto.

Fiz um ajuste na posição vendida de USDBRL que publiquei durante o dia em meu twitter acerta_alvo. Liquidei 1/2 da posição a R$ 2,575, ajustei o stop, agressivamente para R$ 2,61 e coloquei um profit taking da posição ramescente a R$ 2,53. 


- David, está com receio que o dólar suba?
Não foi por esse motivo que resolvi começar a liquidar, são os objetivos que tracei. Por enquanto só isso. E antes que você pergunte, não vou comprar dólares neste níveis.

O SP500 fechou a 2.063, com alta de 1,53%; o USDBRL a R$ 2,5735, com baixa de 1,02%; o EURUSD a 1,1358. com queda expressiva de 2, 15%, após o anúncio que o ECB vai colocar 1,1 trilhões de euros, quase o dobro do que era esperado; o ouro a US$ 1.301, com alta de 0,69%.
Fique ligado!

21 de janeiro de 2015

Deus ainda é brasileiro?

Da nova equipe econômica da Presidenta Dilma, só se salva alguns Ministros, dentre eles, o Ministro das Finanças, Joaquim Levy. Menos mal! Ontem o Ministro das Minas e Energia, Eduardo Rocha, deu explicações para o mini-apagão. Depois de anunciar um plano de emergência para reforçar o sistema de Energia brasileiro, admitiu várias vezes que o sistema é "robusto", mas que precisa de "ajustes" e disse que conta com a ajuda divina, usando uma expressão muito conhecida Deus é brasileiro, que provavelmente foi criada no futebol.

Todos sabemos que a situação é crítica, a falta de água é um problema muito sério, e existe uma possibilidade de falta de energia no país neste ano. Aqui em São Paulo, já estamos com um racionamento de água forçado em alguns locais, e que poderá se estender para todo estado. Não conheço o Sr. Eduardo Rocha, mas suas declarações me deixaram mais preocupado. Ao referir-se a frase acima, entendo que ele está na torcida e se este é o caso, preferiria contratar a do Corinthians com chances melhores que a sua, ou ainda, terceirizar este Ministério, abrindo uma concorrência para tribos indígenas, cujo objetivo seria identificar qual tem a melhor "dança da chuva".

Para terminar, este Ministro deveria se certificar se Deus ainda é brasileiro. Depois de tanta corrupção, será que podemos contar com a força divina? Parece que os últimos acontecimentos não sugerem isso: queda dos preços da commodities, aumento de impostos, Alemanha 7 X 1 Brasil e etc... parece que também perdeu a esperança!

Assim como no lançamento de novos produtos da Apple, o mercado especula muitos dias antes quais poderiam ser as novidades, amanhã será anunciado o programa de compra de títulos, pelo Super Mário, Presidente do ECB. O objetivo é injetar liquidez na combalida Europa. A moral dele não está muito alta, aliado aos rumores que estaria louco para cair fora, deixando a dura tarefa de negociar com os alemães para outro.

Todo alto executivo pensa da mesma forma, não se importa muito se a medida não vai dar certo no futuro, o importante é que seja bom no curto prazo. Como o Super Mário não vai querer sair por baixo, o volume deverá ser superior ao que mercado espera. Nesses casos, é melhor errar pelo excesso. A estimativa é de 500 a 600 bilhões de euros, hoje correspondendo a muito menos dólares que a um tempo atrás. Como não existem helicópteros disponíveis para injetar tanta liquidez de uma só vez, espera-se um volume de 40-50 bilhões de euros, nos próximos 12 a 18 meses. O gráfico a seguir dá uma dimensão do balanço projetado do ECB, bem como da sua evolução nos últimos anos.

Mas será que isso vai resolver o problema da Europa? Acho que ninguém acredita muito, como disse Carlos Messina, CEO do Banco Italiano Intesa: ..."O que é necessário na Europa é uma reforma política e estrutural. O ECB está injetando liquidez na economia européia e buscando induzir confiança com seus objetivos traçados. Mas se o sistema político e a sociedade não seguirem, o que o ECB fizer será inútil. Com certeza, comprar títulos não é suficiente" ...

As últimas imagens de Mário Draghi, mostram que ele está de "saco cheio" e provavelmente após fazer o anúncio, esperará um tempinho e vai se mandar. A partir de amanhã, fiquem de olho nos céus, quem sabe alguns euros apareçam por aqui! Hahahah...

- David, falando em euro, que papelão!
Espera um pouco, e verdade que não ganhei nada com a queda do euro, mas também não perdi. Antes de iniciar os comentários sobre a moeda única, vejam como é importante o stoploss. Neste processo de queda, iniciado no final de maio de 2014, eu esperei vários momentos para vender a moeda única. Em dezembro sugeri até uma compra no post fed-buscando-palavras: ...Minha sugestão é comprar euro entre 1,2370/1,2350 e colocar um stoploss a 1,2245, meu target é ao redor de 1,29 (a ser melhor calculado). Este início de movimento pode não estar completo, o que só vamos saber nas próximas horas. Para quem acompanha meu twitter, vou postar com mais frequência...Naquele momento vários indicadores de curto-prazo, me indicavam um boa oportunidade, porém meu objetivo era sair dessa posição comprada e depois "virar a mão"vendendo o euro. Acabou que, depois de uma pequena alta, atualizei meu stop e fui executado no zero a zero.

Agora, vocês imaginem se eu tivesse teimado, acreditando que, pelo fato do mercado estar muito vendido no euro, eles puxariam  as cotações para cima, num momento de reversão? Hoje eu estaria amargando um prejuízo de 6,5%.

No post quando-média-engana, comecei com uma análise de longo prazo. Veja mais adiante minhas observações. Já no curto prazo, eu comentei: ...Uma nova mínima ao redor de 1,21, para depois provocar uma recuperação que estou desejando... O gráfico lá postado encontra-se a seguir.


Mas o euro não quis nem saber, mergulhou abaixo dos 1,21.


Ao romper o nível de 1,21, podemos afirmar que o euro encontra-se agora em sua fase final de queda. No post quando-média-engana, eu comentei: ...Esta queda poderá ir até o nível de 1,17 ou 1,05, a ser melhor detalhado mais à frente. Depois disso, um movimento de alta deverá ocorrer... Honestamente, eu não estava esperando que isso acontecesse tão rápido, e como fiquei estes dias sem acompanhar, vou pedir um tempo para analisar melhor neste final de semana. Por enquanto, haja visto meus comentários sobre o ECB acima, amanhã poderemos ter emoções. Eu não tenho a menor dúvida, que uma boa parte, boa mesmo, já está nos preços, e não vou me surpreender se o euro subir amanhã. Let´s the market speak!

O SP500 fechou a 2.032, com alta de 0,47%; o USDBRL a R$ 2,5980, com queda de 0,59%; o EURUSD a 1,1600, com alta de 0,45%; e o ouro a US$ 1.292, sem alteração.
Fique ligado!

20 de janeiro de 2015

Enquanto isso...

Enquanto os países ocidentais debatem quantos helicópteros serão necessários para reabilitar suas economias, os protestos e ataque terroristas se sucedem sem uma solução palatável para o desemprego estrutural em andamento. Existe um país que nada disso vem acontecendo, a China! Muito se tem especulado, que os dados por lá são manipulados nas mãos de Ching Ling, como o economista Luis Paulo Rosenberg chama este funcionário imaginário do governo Chinês. Agora, o que dizer de atentados terroristas por lá, acho que nem os mais corajosos se aventuram, sabem que correm o risco de serem decapitados em praça pública, mas não de uma vez, aos poucos, dia a dia, afinal não é à toa que se criou a expressão "tortura Chinesa".

Hoje foi publicado o crescimento de seu PIB para o ano de 2014, e pela primeira vez desde 1998, quando sua economia foi atingida pela crise Asiática, esse indicador caiu abaixo do objetivo traçado pelo partido Comunista, definido em "aproximadamente" 7,5% a.a. Também não é que foi um desastre, o resultado foi de 7,3% a.a, o que resulta em inveja para qualquer país do planeta.


É verdade que os analistas esperavam um número levemente inferior a esse, assim o resultado não foi ruim. A Bolsa de Valores daquele país, depois de ter sofrido uma queda de respeito ontem, de mais de 7%, fechou hoje em alta de 1,2%. O motivo principal da queda foi uma norma implementada pelas autoridades, para diminuir a especulação que vinha ocorrendo nos últimos meses. Veja a seguir a evolução do índice CSI300 (Shanghai Shenzhen), que subiu 50% desde novembro de 2014.

Eles continuam uma incógnita, com um pequeno detalhe, hoje representam a 2ª maior economia do mundo e crescendo, enquanto nós fomos presenteados por aqui, ontem à tarde, por mais aumentos de impostos. Acho que o jeito é se mudar para lá. Ah, não esqueçam de levar uma máscara para enfrentar a poluição! Hahahah ...

No post contagem-regressiva, eu externei minha visão de alta para o ouro. Naquele momento, alguns pontos não deveriam acontecer para que meu otimismo se concretizasse: ...nestes últimos dias fiquei decepcionado com a alta, veja no primeiro gráfico acima, o "sacrifício" que vem sendo para subir um míseros US$ 50/US$70. Se ou ouro der meia volta e cair, o nível de US$ 1.050, é muito importante...Desde então o ouro vem subindo e encontra-se agora próximo de US$ 1.300. 

- Olá David, Feliz 2015! Também, sua previsão teve um grande empurrão dado pelo Banco Central da Suíça. Assim ficou fácil! Hahahahah...
Nossa, tinha até esquecido que você existia! Hahahahah ... Deixa eu entender melhor o que você quer dizer, você acha que eu tinha algum inside information? Come on! A razão é simples, gráficos. 

- Vamos as compras? Você já devia ter proposto isso?
Não, não vamos não, pelo menos por enquanto. Talvez se estivesse em ação durante o mês de férias, teria sugerido, paciência. Por outro lado, não sugeri venda, como fizeram a maioria dos analistas. É verdade que as coisas melhoraram bem para o metal, mais ainda muita água pode rolar, antes de eu ficar convencido que a alta é para valer.


Um teste importante para o ouro, será o nível de US$ 1.320/1.340, se ultrapassar as chances aumentam de um movimento mais duradouro. Por outro lado, abaixo de US$ 1.250, começa a ameaçar esse objetivo. No momento vou esperar, e é provável que vou sugerir um trade de compra, quem sabe um outro Banco Central faça alguma nova besteira! Hahahah ...

O SP500 fechou a 2.022, com alta de 0,15%; o USDBRL a R$ 2,6133, com queda de 1,43%; o EURUSD a 1,1555, com queda de 0,42; e o ouro a US$ 1.293, com alta de 1,29%.
Fique ligado!

19 de janeiro de 2015

Revolta

Muitas coisas aconteceram nesse final de ano, no campo econômico as taxas de juros nos USA estão beirando as mínimas históricas, onde o principal motivo é o receio da deflação. No post sonho-x-realidade eu havia sugerido uma operação de alta de juros, pois esperava uma elevação para 2015: ...Meu cenário é de alta de juros e acredito que a taxa poderá alcançar 2,9% a.a., e se ultrapassar, 3,4%a.a. Tudo isso, se os juros não caírem abaixo de 2,0% a.a e principalmente 1,85% a.a...Para quem quiser fazer uma aposta, é uma boa, eu colocaria o stop a 1,98% a.a....Quem seguiu minha sugestão teve um pequeno prejuízo de aproximadamente 1,7%. Nos próximos dias farei alguns comentários sobre este ativo, mas já posso adiantar que, as chances de novas mínimas abaixo de 1,38% a.a. aumentaram.

Não poderia deixar de mencionar a ação do Banco Central da Suíça, que abandonou a compra de euros contra a moeda local, num nível fixado anteriormente em 1,20, deixando uma série de viúvas pelo caminho. Vale notar que, um mês antes, a autoridade daquele país, tinha reafirmado sua intenção de continuar comprando a moeda única. Sem entrar no mérito do porque dessa ação, quero frisar dois pontos: Primeiro a credibilidade dos BC's ficarão em cheque por um bom tempo, e aqui não quero dizer somente a dos Suíços, mas de todos, que estão engajados em experimentos agressivos de injeção de liquidez; e segundo pelo fato das volatilidades estarem muito baixas, assim, do dia para noite, podem sofrer variações enormes, colocando em risco a saúde do sistema financeiro.

No campo social, certamente os ataques terroristas na França foram de destaque mundial. Confesso que fiquei um pouco surpreso, pois ataques como esses acontecem diariamente pelo planeta, com muito mais mortes, e nada acontece, nenhuma passeata é marcada! Será que a vida dos franceses, ou da população dos países mais desenvolvidos é mais "valiosa" que a dos sírios, iraquianos e etc ...? Em todo caso, pelo menos agora esses países vão se preocupar mais com o assunto.

Neste final de semana, um brasileiro foi executado na Indonésia, acusado de tráfico de drogas. Na lei daquele país, este crime é passível de pena de morte. A Presidenta Dilma tentou, sem sucesso, que o mesmo não acontecesse. Para mostrar sua insatisfação, chamou de volta o embaixador brasileiro. Não vou aqui julgar se, é justo ou não, tirar a vida de uma pessoa que não matou ninguém, pelo menos diretamente, mas lei é lei, e naquele país funciona. O mais interessante foram as repercussões das pessoas que vivem aqui, que ao invés de se sensibilizarem com a situação, expressaram sua indignação. Por que a Dilma não reage da mesma forma com os bandidos que matam centenas de brasileiros, para roubar qualquer coisa? Não teriam os bandidos, terem o mesmo fim que aquele pobre brasileiro? 

Desde do meu retorno, tenho observado um elevado grau de pessimismo. E isso vem acontecendo não somente pelas perspectivas de nossa economia. O fato de a Dilma ter ganho as eleições, não eliminou a divisão do país, ao contrário, os "pensadores" nomenclatura que usei para caracterizar os anti-petistas, estão cada dia mais revoltados. As revelações do caso Petrobrás continuam a todo vapor, agora os envolvidos perceberam que não podem contar com muita ajuda, resolveram falar tudo, doa a quem doer. O grande problema é que o governo não tem intenção de fazer grandes mudanças naquela empresa, pois até o momento, nem a Foster foi substituída. Tudo isso causa revolta. Como dizia Sigmund Freud ..."Somos feitos de carne, mas temos de viver como se fôssemos de ferro"...

No post Dilma-melhor-opção-para-o-momento, elaborei um raciocínio onde cheguei a conclusão que a Dilma seria a melhor opção. Aos que quiserem relembrar meus argumentos acessem o link. Mas ao mesmo tempo fiz o seguinte comentário: ...O que eu não falei, é que, teremos que aguentar mais quatro anos. Para quem quiser chutar o "pau da barraca", recomendo que vá estudar no exterior, tire um ano sabático, ou etc ...Já foi? Hahahah...

Não podia deixar de comentar sobre o real, afinal estamos com uma posição vendida em dólar recomendada no post tidbit, e com os seguintes comentários: ...Recomendo venda nesse nível (R$ 2,69/2,71)com stop a R$ 2,76 e um target entre R$ 2,55/2,50. Veja no twitter detalhes do gráfico ...Fiz algumas atualizações no meu twitter, ajustando o stoploss para R$ 2,735. No dia 29/12 o nível de entrada foi atingido, e desde então, o dólar vem se retraindo lentamente.

Eu espero um movimento tortuoso até que atinja o nível de R$2,55, que se rompido poderá testar os R$ 2,50. Como os juros estão contando a nosso favor, cada dia que passa o resultado melhora.

No final de 2014 postei 2015-será-um-ano-feliz?, onde defini o tema deste ano: (dólar x dólar) X Dilma. Vou me referir a estes conceitos nas minhas análises sobre câmbio. Ainda estou com uma certa inercia, porém não deixei de analisar neste final de semana os principais ativos, e notei que o U.S._Dollar_Index (DXY) encontra-se muito "esticado", mas isso fica para outro dia. 

Para variar, hoje foi feriado nos USA, assim as bolsas não funcionaram e todos os mercados ficaram em compasso de espera. O USDBRL fechou a R$ 2,6568, com alta de 1,37%;  EURUSD fechou a 1,1612, com alta de 0,39%; o ouro a US$ 1.276, com queda de 0,27%.
Fique ligado!