Inflação: A Revanche

21 de dezembro de 2015

USDBRL

Para quem não tem medo de discurso, a conferência do novo Ministro da Fazenda, Nelson Brabosa, ativou o trade de venda de dólar que sugeri no post real: ... eu retornaria o trade de venda de dólar:... "é razoável supor uma alta até os níveis de aproximadamente R$ 4,00, onde sugiro a seguinte estratégia de trade na venda de dólar: 1/3 a R$ 3,97, 1/3 a R$ 4,00 e 1/3 a R$ 4,03, com um stop em toda posição a R$ 4,10"...Hoje o dólar atingiu a máxima de R$ 4,04, e estamos com uma média de R$ 4,00.

Se alguém esperava que ele disse algo diferente não conhece discurso de qualquer Ministro da Fazenda quando assume. Ele também disse que, não gosta de volatilidade no câmbio, e que vai se utilizar dos contratos de swap para contornar, ou seja, vender.

Com as contas cambias publicadas hoje, e melhorando mês a mês, pode ser compelido a acreditar que pode baixar o dólar. Vamos acompanhar nos próximos dias, o que ele faz, e não o que ele fala.

Nessas minhas férias estou carregando duas posições em aberto: Juros de 10 anos e agora USDBRL. Por outro lado estou mais aparelhado.
Fique ligado!


18 de dezembro de 2015

Real

Parece que o Ministro, ou melhor, o ex-Ministro, resolveu colocar para fora parte de suas mágoas. Ontem na reunião do CMN, parecia uma festa de despedida onde dizia uma frase aqui, outra ali que já não estaria presente na próxima. Não queria deixar em off, era para todo mundo saber.É compreensível sua angustia, pois daqui em diante só teria down-side.

O boato é que o Ministro do planejamento, Nelson Barbosa, assumiria o comando. Em todo caso, se enquadra nas características que defini no post ouro: ..."Eu me pergunto, que profissional competente aceitaria o cargo de Ministro da Fazenda, com a possibilidade de seu chefe ser demitido no curto prazo?"... Não preciso explicar! Hahaha...

Conhecendo um pouco o pensamento de Nelson Barbosa, podem esperar elevação da dívida, diminuição dos juros reais e aumento da inflação. Mas, por outro lado, atividade econômica estancaria a queda, lógico, pelo mal motivo. Como se diz em inglês, sua política será "Kick the can down the raod".

Agora a tarde, foi confirmado a saída do Ministro Levy, que será substituído por Barbosa. Acho que o conteúdo do Mosca vazou antes de sua publicação! Hahaha...

Um estudo interessante mostrou que países que não definem um valor para o salário mínimo, têm menos desemprego entre os jovens e, de uma maneira geral, do que os países que adotam essa política. Veja a tabela a seguir.

  OECD1
Embora pareça que, tecnicamente seja verdade que os últimos oito países não têm um salário mínimo oficial, todos eles empregam alguma forma de acordos coletivos, para garantir que seus trabalhadores recebam um tratamento justo.

Como esses salários mínimos são estabelecidos? Todos por acordos coletivos.

mark perry international
Assim, de fato, parece que países com uma política pro-trabalhador, estão se dando melhor do que os países que fixam o salário unilateralmente.

Já estou de malas pronta, ou melhor quase, depois de terminar o post! Mas deixei por último a análise do real, pois sei que é de interesse de muita gente. Marketing! Hahaha...

Diferentemente dos outros ativos, no real só tenho um, o outro vou só mencionar durante a explanação abaixo, mas a considero, de probabilidade baixa.

No curto prazo, no post a-disputa-de-pênaltis, comentei: ..."A ruptura do nível de R$ 3,70 é crucial para que os objetivos que tracei possam ser alcançados - inicial R$ 3,65 e depois R$ 3,45/3,50. Caso contrário, poderá ter mais uma pequena alta antes. Minha sugestão de trade fica válida, desde que, o nível de R$ 3,70 não seja rompido, caso contrário fica cancelado"... Embora o real tenha subido acima de R$ 3,70, para quem quiser, eu retornaria o trade de venda de dólar:... "é razoável supor uma alta até os níveis de aproximadamente R$ 4,00, onde sugiro a seguinte estratégia de trade na venda de dólar: 1/3 a R$ 3,97, 1/3 a R$ 4,00 e 1/3 a R$ 4,03, com um stop em toda posição a R$ 4,10"...  Mas não esqueça que vou estar viajando, mas em todo caso vou publicar caso se isso acontecer. Mas o recado mais importante que quero deixar, é que no curto prazo espero uma queda para os níveis de R$ 3,65 e depois R$ 3,45/3,50.

Numa visão de mais longo prazo, veja no gráfico a seguir, o que eu imagino para o dólar contra o real.
Uma queda até R$ 3,65, ou R$ 3,45/3,50 para depois uma nova rodada de alta do dólar. Antes de definir os níveis desta alta, vamos nos aprofundar, e se o dólar continuar caindo abaixo de R$ 3,45? Até R$ 3,10 é possível, e na verdade não ficaria surpreso, tecnicamente encaixa, mas não quero apostar nisso, ao contrário, vamos estar pensando em níveis de compra. Agora abaixo de R$ 3,00, principalmente no rompimento da linha azul, alguma coisa aconteceu para mudar muito de como o Brasil está. Posso ver dois argumentos para tanto: Cenário "brochou" definido no post us$-The-return, e/ou uma enxurrada de imposto proveniente da anistia. 

Continuando com meu cenário mais provável, em supondo que o dólar ultrapasse o nível de R$ 4,25, o próximo ponto é R$ 5,10, e se ultrapassar, o próximo nível seria R$ 6,10. Implicando uma alta de 30% e 56% sobre os níveis atuais. Mas tudo isso no tempo, não necessariamente em 2016.

Bem, como eu mencionei, o Mosca vai pegar a carona do recesso parlamentar e não haverão publicações diárias até 18/01/2016. Lógico que sempre pode ter algum assunto que mereça destaque, ou ainda, para atualizar o trade de alta juros que continua em aberto a-put-de-levy.













Boas Festas e Feliz Ano Novo!

O SP500 fechou a 2.005, com queda de 1,78%; o USDBRL a R$ 3,9809, com alta de 2,65%; o EURUSD a 1,0864, com alta de 0,36%; e o ouro a US$ 1.065, com alta de 1,37%.
Fique ligado!


17 de dezembro de 2015

SP500

O FED finalmente aumentou a taxa de juros para 0,25% a.a. Seu comunicado foi exatamente o que o mercado esperava. Sendo assim, o que era para ser um risco elevado, acabou não tendo nenhum impacto relevante, o mercado reagiu sem volatilidade. Por esse lado, a "professora" Yellen fez um trabalho muito superior ao Super Mário, quando da última reunião do ECB.

O gráfico a seguir espelha bem como o mercado reagiu, quase não se percebe a diferença na projeção das taxas de juros de mercado nos próximos 12 meses, antes ou depois da reunião.



Entretanto o mercado ainda tem uma projeção dos juros que difere significativamente das do FED. Os pontos do gráfico a seguir são as respostas de cada um dos membros que votam. Notem que em relação às médias, houve um pequeno recuo nas taxas depois de 2016. Mas o que mais chama a atenção, é a diferença em relação aos mercados. Em resumo, o mercado está mais para o cenário "brochou", enquanto o FED "By the Books"  dentro do que eu coloquei como o tema para 2016 us$-The-return.


Em termos de crescimento, a autoridade monetária não espera nada espetacular, e a cada reunião diminui suas expectativas, ficando agora cravada em 2% a.a. Se isso será suficiente para manter em equilíbrio nos já elevados níveis das bolsas, só o tempo dirá.


Hoje o comentário é sobre o SP500, posso adiantar que não tenho nenhum cenário de preferência. Para que vocês entendam a razão, eu incluí um gráfico que publico de tempos em tempos, e como está escrito nele, a resposta de bilhões de dólares ainda não foi respondida, veja a seguir.
Não é a toa que já faz mais de um ano que o SP500 fica rondando esta área.

Em todo caso, sou pago para dar minha opinião. Existe um ponto para um cenário de alta que venho repetindo insistentemente, e enquanto ele não for ultrapassado, não tem aposta neste sentido.
2.120! Se o SP500 ultrapassar esse nível, o próximo nível seria aproximadamente 3.000, uma alta expressiva de 40% para os próximos anos.

Mas caso não consiga romper os objetivos não tão de longo prazo para a queda, estão apontados no gráfico abaixo.
O primeiro indicador seria uma queda até 1.900 que, se ultrapassada, levaria o SP500 para 1.850, depois 1.750 e por último 1.650.

Eu não vou repetir novamente a dificuldade de ser obrigado a fazer uma projeção numa determinada data, mas esse é um caso típico onde o mercado pode ter movimentos importantes, porém sem ter uma definição ainda. Mas eu tenho uma boa notícia, basta acompanharem o Mosca, uma vez que, estas são situações temporárias e em algum momento o mercado achará seu rumo.

O SP500 fechou a 2.041, com queda de 1,50%; o USDBRL a R$ 3,8761, com queda de 0,19%; o EURUSD a 1,0819, com queda de 0,86%; e o ouro a US$ 1.051, com queda de 2,08%.
Fique ligado!

16 de dezembro de 2015

Ouro




Parece que o gato já estava no telhado a um bom tempo, o Ministro da Fazenda, Joaquim Levy "salvador da pátria", está preparado para sair do governo. Na semana passada deu o seu sinal que, se o superávit fiscal não fosse de 0,7% do PIB, positivo é claro, pediria as contas a-put-de-Levy. Acontece que sua saída efetiva não será tão tranquila, pode demorar algum tempo.

Eu me pergunto, que profissional competente aceitaria o cargo de Ministro da Fazenda, com a possibilidade de seu chefe ser demitido no curto prazo? Mesmo que não aconteça o impedimento, como esse novo Ministro poderá fazer um bom trabalho, sem nenhum apoio político?

Acredito que essa função tão almejada é o maior "mico" dos últimos tempos. Só vejo uma chance de dar certo, se por muita sorte o preço das commodities voltarem a subir, e aqui não me refiro a uma recuperaçãozinha, seria uma com gusto! Como o petróleo de volta a US$ 80. Mesmo assim, tenho minhas dúvidas, pois para resolver o caso do Brasil é necessário um "louco".

- David, como é que é?
Deixa eu explicar o o que eu quero dizer "louco", necessitamos de um Presidente que tenha apoio da população para implementar mudanças profundas: Previdência social, aposentadoria, indexação de tarifas, mudança da regra do salário mínimo, reforma tributária, e assim vai. Em outras palavras, desamarrar as despesas orçamentárias do governo. Alguém se candidata? Um Collor II, sem os defeitos de seu antecessor.

- David, Collor? Vai perder muitos leitores assim.
Eu sei que corro o risco de muitas críticas, e aqui não defendo o que ele fez na "pessoa física", mas é indiscutível que na "pessoa jurídica" ele foi o mais corajoso dos Presidentes que conheci, e é dessa coragem que esse "novo" Presidente precisa. Caso contrário, o Brasil está fadado a períodos de melhora, seguidos de piora. Parafraseando Luis Paulo Rosenberg ... "Enquanto isso, vamos ficar enxugando gelo"...

Hoje teremos um dia histórico, o FED vai subir os juros. Mas vou ficar de olho na secção de perguntas e respostas, talvez complemente algo no final do post.

Ontem foi publicado o CPI americano e embora não seja o índice que o FED usa para suas projeções é um bom indicador do que se pode esperar.


Inflation Measures

















O índice cheio ficou em 2% a.a., enquanto o que exclui gasolina e alimentos permaneceu baixo em 0,50% a.a. Notem que, a medida do governo PCE - verde, e o CPI - vermelho, estão divergindo ultimamente.

Como tenho frisado ultimamente o ouro encontra-se num ponto delicado, uma queda consistente abaixo de US$ 1.050, abre caminho para novas baixas. Diferentemente dos outros mercados, no ouro vou ficar totalmente aberto para os dois cenários descritos a seguir. E não adianta reclamar, dinheiro não é capim!

"Renasce o pop-star"

Boas épocas em que era só comprar ouro para ganhar dinheiro, desde 2000 até 2011, o metal subiu de US$ 250 para atingir US$ 1.920, uma alta de 670%. Mas desde então, vem caindo. Comentei como o nível de US$ 1.050 é crítico. Mesmo que caia abaixo deste nível, não elimina necessariamente esse cenário, mas certamente irá prolonga-lo.
O gráfico acima é de longo prazo, e como a linha verde esta indicando, o ouro precisaria começar a se mexer já. Um primeiro nível a ser rompido, seria ao redor de US$ 1.200, ultrapassando a linha azul, em seguida US$ 1.500 - US$ 1.600. A partir daí, e dependo do shape, poderemos ter uma pista melhor se novas altas estarão no radar. O nível que vai reafirmar seu status de pop-star é US$ 1.920, acima disso, novas fronteiras se abrem.

" Metal comum"

O ouro é um metal diferente, prevaleceu por milênios como precioso. Realmente não sei se é porque é de fácil transporte de valores elevados, ou pelo seu uso como joia! Hahaha... Durante uma época foi classificado como o hedge contra a inflação. Sobre este assunto tive acesso a um estudo, há alguns anos, que desmitifica essa ideia. Mais recentemente, é encardo como um substituto de moeda quando essa perde a credibilidade. A verdade é que o ouro sempre foi objeto de controvérsias, mas continua como um ativo que tem valor.

O rompimento do US$ 1.050, levaria o ouro para o primeiro ponto ao redor de US$ 1.000. Nesta situação já vejo o metal "On Sale" a US$ 999! Hahaha... Mas tem o aspecto psicológico e será manchete dos jornais. Depois disso, o próximo ponto seria US$ 880 e em seguida US$ 750. A partir daí, fica a dúvida, se continua a queda ou essa seria uma tremenda oportunidade de compra. Mas estamos muito longe de ter que decidir sobre isso.

Tenho uma preferência mínima por um dos cenários, mas prefiro não revelar, assim fico livre para tomar qualquer direção.

O SP500 fechou a 2.073, com alta de 1,45%; o USDBRL a R$ 3,8883, com alta de 0,44%; o EURUSD a 1,0911, com queda de 0,45%; e o ouro a US$ 1.072, com alta de 1,04%.
Fique ligado!

15 de dezembro de 2015

Euro

As commodities continuam em seu movimento de queda, e agora estão levando consigo os títulos denominados de high_yield_bond, que são os bonds que pagam juros mais elevados por terem um risco maior de default. Existe alguns índices que medem este segmento, é um dos mais conhecidos é o BofA Merrill Lynch US High Yield que é composto de uma carteira teórica composta com esse tipo de papel. Atualmente os juros ponderado dessa carteira é da ordem de 9% a.a., em dólares. Veja o gráfico a seguir.
 
A empresa de consultoria Macquire Research, enviou uma nota a seus clientes com a seguinte pergunta: ..."Estamos num momento Bear Stearns?"... O motivo desta dúvida, é apontado por essa empresa em função das reuniões que tem mantido com seus clientes recentemente, dizendo que os investidores estão sofrendo uma excepcional dose de ansiedade, com limitada convicção sobre as principais ideias de trade. Comparando com os anos anteriores, a convicção é a menor já vista desde 2008-2009.

Outro fator comentado por seus clientes, é sobre a elevada volatilidade no mercado de High Yield, sugerindo que a explosão no nível de risco desta classe de ativos é equivalente ao colapso do Banco Bear Stearns, o precursor da crise financeira global.

Essas observações são consistentes com o que se observa nos gráficos que, apontam muitas indecisões nos mercados mais importantes.

Hoje o comentário é sobre o euro, e como não poderia deixar de ser também, existem cenários alternativos. Os gráficos que vou mostrar são com dados trimestrais, ou seja, de realmente longo prazo. O objetivo é que se tenha uma visão mais clara do movimento. Dois detalhes importantes do gráfico a seguir chamam a atenção, primeiro que o euro começou a ser negociado em junho de 2000, assim, as cotações anteriores são uma projeção em função da composição inicialmente fixada, segundo que o eixo vertical está em escala logarítmica, para uma melhor visualização.

Antes, queria anotar algumas igualdades que se apresentam. Como destacado no gráfico, os períodos 1 e 2 têm as seguintes características comuns: Os movimentos de alta além de terem um prazo semelhante, têm também uma mesma extensão; segundo se tiverem uma mesma retração, o euro deveria atingir o nível de 0,85. Guardem esse número, vou citar mais adiante.

Vou começar pelo cenário coincidente com o "brochou", comentado no post us- the-return?. Veja a seguir como poderia ser esta configuração.
Inicialmente a moeda única chegaria a 1,25. A partir daí, se houver o rompimento da linha vermelha, o euro poderia subir ainda mais. Mas é acima de 1,40 que a probabilidade de atingir níveis históricos - 1,60, aumenta consideravelmente.

Sei que olhando de hoje parece "sonho de uma noite de verão", mas do mesmo modo que o dólar estava virando pó em 2011, não se pode descartar nada nunca.

Não é correto tentar montar um cenário em função do que se espera dos mercados, mas a título de pensamento, a situação acima poderia se concretizar através de um descrédito no dólar, por alta da inflação, ou problemas Geo políticos, sei lá o motivo!

Vamos agora ao cenário mais provável que é By the Books".
O rompimento da linha inferior vermelha é ao redor de 1,04, onde três tentativas recentes foram abortadas. Notem que no passado, foi nesta confluência que o euro subiu de 0,82 para 1,60, quase 100%  em 10 anos. Se rompido, o objetivo para esse cenário seria próximo da paridade.

Mas a queda pode não parar por aí, assim entraríamos no próximo cenário "Behind the Curve" 
Notem que este cenário é uma extensão do outro, ou seja, não necessariamente o euro irá reverter a tendência se chegar a paridade, poderá cair mais. O nível de 0,85 apresenta uma coincidência numérica com o movimento anterior que mostrei no início (1).  Porém é o nível de 0,82 que seria crítico, que se rompido, o euro poderá atingir 0,65.

Nesta situação nem pensem em viajar para os USA, vai parecer o Japão de hoje. O que vai sobrar será curtir o Champs Elysee! Hahaha...

O SP500 fechou a 2.043, com alta de 1,06%; o USDBRL a R$ 3,8711, com queda de 0,14%; e o ouro a US$ 1.061, sem variação.
Fique ligado!

14 de dezembro de 2015

Juros de 10 anos

Como comentei, hoje começo minhas previsões de mais longo prazo, para os ativos que acompanho. Vou começar pelos juros de 10 anos americanos, antes da reunião do FED da próxima quarta-feira.

Alguns artigos publicados colocou em dúvida se seria o melhor momento para esse movimento do FED. As principais argumentações pesam sobre os baixos níveis de inflação, que podem ser ainda mais amplificados pela queda ininterrupta das commodities.

Embora os Bancos Centrais estejam prevendo que a inflação irá atingir seus objetivos em 2016, eles vêm fazendo as mesmas previsões nos últimos quatro anos. Se o FED se enganar novamente, poderá concluir futuramente, que era muito cedo, arriscando levar a economia para a recessão.

Inflação baixa - e preços baixos - parece bom, mas pode inibir aumentos de salários e lucros. As dívidas ficam mais difíceis de serem pagas sem inflação. Para os BC's, quando a inflação é muito baixa, os juros também são, deixando pouco espaço para cortá-los, e estimular a economia numa recessão.

O enigma de hoje sobre a inflação baixa, marca uma reviravolta. O ex-presidente do FED, Paul Volcker, domou uma inflação persistentemente alta, de dois dígitos em 1980, após uma década de estagflação, que é  um período de aumento dos preços com crescimento lento e desemprego elevado. Depois durante anos, os Bancos Centrais adotaram metas de crescimento baixas e uma inflação constante de 2%.

A medida preferida do FED de inflação - PCE - subiu uma média de 2,04% ao ano entre 1992 e 2007, reforçando a confiança que os economistas entendiam como a inflação funciona.

Os BC's pensaram que esta queda foi conquistada em função de suas políticas. Jon Faust, diretor do Centro de Economia Financeira da Universidade Johns Hopkins, que serviu dois turnos no FED durante esse período. disse: ..."Pensávamos que descobrimos como controlar a política macro, e nós poderíamos entregar inflação baixa e estável, baixa taxa de desemprego e todas as coisas boas."...

A crise financeira diminuiu em muito  essa confiança. Confrontados com inflação baixa e crescimento econômico lento, os EUA e o Reino Unido quase sete anos atrás, e os da zona do euro, três anos depois, cortou as taxas de juros para perto de zero.

Os BC's criaram dinheiro e usaram para comprar bonds, na esperança de puxar para baixo as taxas desses títulos, encorajando os indivíduos e homens de negócio a se endividarem para realizar projetos de maiores riscos.

Mas passados esses nove anos, desde a última elevação de juros, parece que o mundo ficou "viciado" com a existência de helicópteros por toda parte. Agora com a menor intenção de voltar ao normal, coloca o mercado em alta tensão, com medo da abstinência.

A configuração técnica dos juros de 10 anos, deixa totalmente aberta a possibilidade de uma alta ou de uma baixa. No gráfico a seguir pode-se observar que seu comportamento é tipicamente de correção. Desde 1981, os juros iniciaram um processo de queda que ficou contido na linha azul até 2008, quando temporariamente em dezembro daquele ano rompeu esta reta ( círculo verde). Acontece que logo em seguida retornou, o que pode ser encarado como uma ruptura falsa.

Depois disso, em agosto de 2011 (círculo preto), o mesmo fenômeno aconteceu, só que desta vez parecia que os juros tenderiam para níveis abaixo de 1% a.a. Foi quando em abril de 2013, o até então Presidente do FED, Ben Bernanke, alertou o mercado que estava preparado para subir os juros.

E mais recentemente, em janeiro deste ano (círculo roxo), os juros ameaçaram romper a reta azul, mas reverteu em seguida em fevereiro.

No post que publiquei ontem us$-The return, elaborei três cenários possíveis que, de certa forma, são consistentes com os que irei descrever.

Como vocês podem verificar a seguir, os juros está se encaminhando para uma decisão, pois encontram-se contido no triângulo vermelho, abrindo assim dois cenários:

"Uhhhhh..."

Finalmente a economia americana pega no breu e todos os temores de deflação, recessão, e outros "ãos", darão espaço para um crescimento mais saudável.
Os juros, ao romper o nível de 2,4% a.a., pode-se esperar uma alta até o nível de 3,3% - cenário By The Books do DXY. Caso ultrapasse, o próximo ponto vai buscar 4,4% a.a, ainda compatível com o mesmo cenário. Somente níveis superiores a esse último, o cenário deveria migrar para - Behind The Curve.

"Don't even think"

Da mesma maneira que pode romper para cima, poderia romper para baixo, numa situação em que a deflação passa a ser real - nem quero pensar!
Vocês estão sentados? Agora veja o que poderia ocorrer. Ao romper inicialmente o nível de 2,0% a.a., o próximo ponto seria 1,1% a.a., que se não for contido, rumaria para 0,60% a.a. Como os juros já perderam a vergonha de ser negativo, não posso deixar de mencionar o último ponto a -0,90% a.a.

Mas a opção do Mosca é o cenário "Uhhh....". Mas estamos abertos a qualquer cenário, afinal o compromisso é sempre com o bolso. Quero deixar claro que, se o cenário "Don´t eeven think" se materializar, vou me aposentar, afinal justo agora que preciso de renda, vou ter que pagar para investir? " To fora!"  Hahaha...

O SP500 fechou a 2.021, com alta de 0,48%; o USDBRL a R$ 3,8764, com alta de 0,13%; o EURUSD a 1,0990, sem alteração; e o ouro a US$ 1.062, com queda de 1,12%.
Fique ligado!

13 de dezembro de 2015

US$ - The Return?

Nesta época do ano me vejo sempre com o mesmo dilema: "Por que este deveria ser o melhor momento de fazer uma previsão para todo o ano seguinte?"

- David, de novo com esta ladainha, já sabemos que você não gosta, nem concorda, mas a vida é assim!
Entendi o recado, prometo não reclamar mais.

Decide que o tema para 2016 será: US$ -The Return? O que acontecerá com o dólar, não contra o real, o "dólar-dólar".

Se eu tivesse uma lâmpada do gênio, onde poderia fazer somente um pedido do mercado, qual ativo escolher? Aquele que me desse maiores pistas sobre os outros, assim alavancaria a resposta do gênio. Neste ano, a minha opção foi o dólar.

Também considerei que, poderiam encarar como uma repetição de mais do mesmo, uma vez que, também foi o tema de 2015. Embora a alta neste ano, acumulou até agora 8%, nada espetacular, tenho dúvidas de como o DXY - dólar index, terminará 2016. Assim, criei um tema que pode ter dupla interpretação. The return?, pode indicar a continuidade da alta, ou como nos relançamentos de filmes de sucesso, a nova versão normalmente fracassa.

Já aviso de ante mão, que não tenho convicção em nenhum dos cenários, mas antes que meu amigo me cobre, vou destacar qual é o de minha preferência.

Sobre 2015, acredito que meu maior acerto, foi o tema escolhido. Fazia um bom tempo que o dólar não era tão comentado. Se vocês se recordam, em 2011 quando comecei a postar o Mosca, a moeda americana estava totalmente desacreditada in-god-we-trust: ...In God we Trust! somos compradores de U$... Mosca tinha uma visão construtiva, basta verificar o gráfico que foi publicado.
Mas isso agora é história e não tem mais valor, afinal resultados passados não são garantia de resultados futuros, esse é o "disclaimer" que qualquer fundo de investimento coloca lá no finalzinho em letras minúsculas.

Infelizmente hoje não posso ser mais tão assertivo como fui naquele momento, não ainda!

Eu vejo três cenários possíveis para a economia americana, que deveriam impactar o dólar de forma distinta:

"Brochou"

- Xiiii, agora o cara pirou! Vai me dizer que o Mosca virou um blog de sexo? 
Fico feliz que o título tenha chamado sua atenção, mas os assuntos ainda são de mercado.

No post a-"put"-de-levy comentei que o mercado projeta uma alta de juros pelo FED, de forma lenta. Um aumento e para, outro aumento e para.

Uma das hipóteses que não se pode descartar, é que a deflação que assola boa parte da Europa, cruze o Atlântico. Com os preços da commodities caindo sem parar, é possível que uma parte de empresas deste setor quebre.

Assim, o FED ao invés de aumenta e para, aumenta e para, pode ser obrigado a aumentar e dar marcha a ré, retornando a velha política dos helicópteros. Como o mercado está "compradasso" em dólares, 2016 seria o ano de se desfazer destas posições.

Com esse pano de fundo, veja a seguir o que poderia acontecer com o DXY.

O primeiro nível de alerta é abaixo de 92 - queda de 6%, e decisivamente abaixo de 87 - queda de 11%. Como este índice tem um peso de 57% de euros, vou calcular qual seria o seu nível teórico - EURUSD 1,17 e EURUSD 1,22, respectivamente.

Entendeu agora o título? Vai ser uma "brochadeira" geral! Hahaha...

"By the books"

Neste cenário a economia americana entraria nos trilhos, sem muita euforia, mas caminhando positivamente. A Europa melhoraria também e a China passaria de uma super star, para um crescimento da ordem de 5% - 6%, ainda dando inveja à maioria dos outros países.

O FED elevaria a taxa de juros para patamares mais decentes, mas nem de perto comparável aos níveis do passado, acima de 4% a.a, algo em torno de 2% - 3% a.a.

Neste caso, o mercado estaria mais correto ao imaginar um anda e para. Veja o que se pode esperar do DXY neste cenário.
O primeiro nível a 103, representa uma alta de 5,5% - EURUSD a 1,04. Já o segundo nível de 107, implicaria uma alta de 10% - EURUSD a 1,00. E por último, já quase disputando o próximo cenário, em 117 com expressiva alta de 20% - EURUSD a 0,92.

"Behind the Curve"

Vocês já devem ter ouvido falar no termo Behind the Curve, quando se refere ao FED. Seu significado é que, a autoridade monetária começa a subir os juros muito atrasada e precisa correr atrás do prejuízo.

Todo o mundo financeiro sabe que o que se tem tentado nestes últimos anos, ao injetar liquidez na economia muito acima do que seria razoável, é um experimento. Qualquer livro texto de economia enfatiza que um governo que tem uma política monetária frouxa, pode ser surpreendido com aumento da inflação.

Nesta situação, o FED teria que acelerar o ritmo de alta dos juros, por que a inflação começaria apontar para níveis superiores a 2%, quiçá já batendo nos 3%. É importante que não suba muito, pois aí o efeito seria negativo.

Neste cenário o DXY subiria bem!

Ao ultrapassar o nível de 117 o DXY deveria atingir 130, uma alta de 33% - EURUSD a 0,82, atingindo o nível mínimo desde a sua criação. Poderia não parar por aí, acima deste último nível, pode atingir até 165 - alta de 70%. Mas isso é uma outra história, para uma outra vez!

Todos estes cenários não significam que o dólar deverá atingir essas cotações em 2016, é natural que quanto mais elevada, mais provável que avance em anos seguintes.

O "By the books" é a opção do Mosca.
- David, você e a torcida do Corinthians! Hahaha...

A razão da minha preferência não é por que coincide com a do mercado, e sim porque analisando outros mercados, é a que parece fazer mais sentido.

Se eu estiver correto, deve surgir um oportunidade em breve para comprar dólares, e pegar uma alta, altinha, ou "altona", voltando à tona a frase: "In god we trust".

Esta semana vou focar a maior parte do conteúdo nas análises do real, euro, ouro, SP500 e juros de 10 anos, ficando apenas poucas observações econômicas, embora tenha um evento muito importante já programado, que é a reunião do FED.

Vocês devem ter notado que o Mosca mudou de cara. Foi sugestão da minha esposa para dar uma modernizada, marketing! Espero que gostem.

Fique ligado!

11 de dezembro de 2015

A "put" de Levy

Quando foi nomeado Ministro das Finanças pela Presidente Dilma, eu chamei Joaquim Levy de "Salvador da Pátria". O motivo, naquele momento, era muito claro, ele seria o único que poderia dar alguma credibilidade na área econômica. Entretanto, a deterioração política em curso é tão grande, que muito pouco do que ele propôs foi aprovado. Sendo assim, foi perdendo sua motivação e esperança de colocar a economia no rumo certo.

Ontem, ao ser questionado sobre o possível rebaixamento de nossa dívida, por duas agências de risco, declarou que esse rebaixamento, é o que a realidade aponta. Nitidamente, jogou a toalha! Também acrescentou que, caso o governo não implemente o superávit fiscal de 0,7% do PIB, que propôs para 2016, pediria demissão.

No mercado usou se por muito tempo o termo "Greespan call" e depois "Bernanke call". Entendia-se que, ambos os Presidentes dos FED, tomariam ações de política monetária, caso as bolsas americanas caíssem de forma mais perigosa, ameaçando o crescimento americano. Assim, os investidores poderiam aquirir ações que o FED "garantia".

Acredito que vocês conheçam a diferença entre uma call - opção de compra, e uma put - opção de venda. No primeiro caso o comprador tem direito a comprar uma determinada ação por um preço combinado, enquanto no segundo ele direito de vender esta ação por um preço determinado.

O meu ex-sócio, Ibrahim Eris, que foi Presidente do BCB, diz que é muito mais fácil entrar no governo do que sair, não depende muito de você e sim do Presidente permitir. O ex-"Salvador da Pátria" usou a tática de qualquer funcionário que deseja sair, pede algo que é impossível de conseguir, e aí não resta o que fazer senão ser demitido. Por isso denominei o seu pedido de aprovação do superávit fiscal, de "Levy put", questão de dias a sua permanência. Poderia ir no vácuo do impeachment! Hahaha...

Nas últimas reuniões da Rosenberg já não fiquei tão chocado, pois não vejo uma solução para os problemas econômicos no curto prazo. Nem a substituição da Dilma pelo Temer, que o mercado enxerga como positiva, não será suficiente para resolver definitivamente, seria apenas uma alívio de curto prazo. Vejamos a seguir alguns slides selecionados, que até nem foi tão difícil, pois mesmo numa escolha aleatória, mostraria o desastre em que nos encontramos. Inicialmente a produção Industrial

Em seguida a mediana da projeção do PIB, e não esqueçam que existe aqui o "efeito BFB" que comento mais abaixo.
Resultado primário e déficit nominal.
- David, chega dessa tortura!
Está bem, vou finalizar com as projeções de inflação, mas antes disso deixe eu explicar o "efeito BFB".

Nos anos 80, quando a inflação estava alta, todo final de ano me era pedido que fizesse o orçamento da minha área para os três próximos anos. Era fundamental assumir um determinado nível de inflação futura. A título apenas ilustrativo, veja no quadro abaixo, o que acabava acontecendo.
A cada ano partia-se da inflação atual e que como era elevada, estimava-se que a inflação futura só poderia cair. Mas no ano seguinte, não só a inflação não caia como terminava superior ao do ano anterior. Isso se sucedeu por alguns anos. Até que em 1983 eu disse ao meu chefe, que não iria mais perder meu tempo, projetando sonhos. Lógico com outras palavras! Hahaha...

Isso é o que chamo de "efeito BFB", lógico que o nome do BFB,  deve-se exclusivamente pelo fato, de ter ocorrido durante o período que eu estava lá.

Na reunião de novembro da Rosenberg, comentei que havia uma disputa entre a jovem guarda e a velha guarda sobre a inflação projetada. Nesta reunião de ontem, a jovem guarda veio preparada. Os jovens dissecaram item a item, os subitens que compõem o IPCA, e mostraram que em sua maioria eles tem uma indexação com a inflação passada.

Com projeções relativamente otimistas, chegaram a um nível de 8,1% para 2016, o que é muito superior à mediana do mercado, que se encontra em 6,8%.
Foi nesse momento que me veio a memória o "efeito BFB" e disse: ..."Quero ver se no final de 2016, a inflação for 13% ao invés 8%, e estaremos aqui projetando 10% e 7% para os anos seguintes. Me parece que o "efeito BFB" voltou!"... Mas os leitores do Mosca podem ficar tranquilos, pois se isso realmente acontecer, só vou mandar para aquele lugar em 2018! Hahaha...

Bottom line, podem esperar novas altas da SELIC. Que tal 16% para 2016? Not good!

No post Nietzsche-estaria-morrendo-de-rir, fiz os seguintes comentários sobre os juros de 10 anos: ...Quero chamar a atenção para dois fatores interessantes do ponto de vista técnico, observem que a mínima foi atingida exatamente na reta em azul que foi rompida em outubro; e segundo que foi no encontro das médias móveis. Tudo isso, dá mais força para a alta, caso o nível de 2,40% a.a. seja ultrapassado...
Desde esta última atualização, os juros caíram lentamente, talvez esperando para ver nem tanto o que o FED vai fazer, mas o que eles irão dizer. 

Tem muita gente achando que as altas de juros subsequentes serão do tipo: eleva, para, eleva, para. Mais ou menos como anda uma tartaruga. Boa ideia vou chamar este cenário de "tartaruga". Eu não acredito que será assim, faz mais sentido elevar três vezes colocando os juros em 0,75% e ai sim parar. Esse vou chamar de "Mosca". Sobram ainda duas hipóteses pouco prováveis, uma "macho" 0,75% de uma única vez, e a outra "brochou" que não requer explicações! Hahaha...

O juros de 10 anos, está tecnicamente contido entre 2,40% - 2,13%, este último coincidente com nosso stoploss. Nosso trade está nas mãos da Yellen e sua turma. 

Tudo ia bem até que no começo da tarde, a China postou no seu website, que o yuan seria melhor medido contra uma cesta de moedas ao invés de somente contra o dólar. Como em situações semelhantes, eles não deixaram claro qual seria esta cesta e nem quando começaria a valer. Parece que eles também estão lendo o Mosca! Hahaha... No post de ontem publiquei: ...Parece que chegou a hora da China, "na moita", aderir a esse movimento generalizado (alta do dólar), em que a moeda americana vem passando...

Depois desta notícia, as bolsas e os juros começaram a cair. Veja no gráfico abaixo, como ficaram os juros no fechamento.
Talvez nem a Yellen possa nos salvar, o stoploss está por um triz. Ou recupera na segunda, ou vamos realizar um prejuízo de 1%.

Pois é, para quem acha que o ano está acabando e pode relaxar, aconselho tirar o cavalo da chuva, muita coisa pode acontecer.

O SP500 fechou a 2.012, com queda de 1,94%; o USDBRL a R$ 3,8715, com alta de 1,58%; o EURUSD a 1,0992, com alta de 0,48%; e o ouro a US$ 1.074, com alta de 0,35%.
Fique ligado!

10 de dezembro de 2015

"Na moita"

Hoje o Mosca vai ser mais enxuto, tenho alguns compromissos durante o dia. Aproveitando, queria informar que, como de costume, entramos de férias do dia 21/12 voltando às publicações normais dia 18/01. Por outro lado, meu ferramental estará disponível durante este período, e posso publicar caso haja necessidade. Fiquem de olho, pois assunto não falta!

Quanto ao tema para o próximo ano, já tenho praticamente definido, mas gostaria de refletir um pouco mais no assunto, provavelmente no final de semana vou publicar um post especial. Em conjunto, na próxima semana, a cada dia, vou postar minhas previsões de mais longo prazo, para cada um dos mercados que eu cubro. Tarefa desafiadora!

No mês de agosto, o BC Chinês tentou de forma atabalhoada uma correção de sua moeda em relação ao dólar. Como vocês devem recordar, foi um desastre, e poucos dias depois deu meia volta. Neste últimos dias a China orientou o yuan para seu nível mais baixo em quatro anos, uma vez que, o país lida com saídas de moeda e uma desaceleração econômica, enquanto tenta afrouxar o controle sobre a taxa de câmbio.

O BC Chinês está testando o quão longe pode deixar as forças de mercado, sem desencadear uma forte onda de vendas e incorrer em ira entre seus parceiros comerciais, ou seja, evitar o pânico de agosto último.

Os esforços desde então para firmar o yuan, têm sido custosos. As estimativas mostram que somente em agosto ele gastou US$ 130 bilhões para reforçar sua moeda, embora daí em diante esse volume praticamente reverteu.

O que aconteceu nos últimos dias, mostra uma intenção clara das autoridades que gostariam de ver uma depreciação ordenada e suave do yuan. Os dados desta última semana mostraram que as reservas cambiais da China caíram em novembro, para seu nível mais baixo em mais de dois anos, para US$ 3,44 trilhões.

Com as moedas dos países emergentes apresentando quedas diárias, a China percebeu que suas exportações começam a perder competitividade, uma vez que, ficou praticamente atrelada ao dólar. Parece que chegou a hora de, "na moita", aderir a esse movimento generalizado, em que a moeda americana vem passando. O grande problema é se o "dólar - dólar" precisar se desvalorizar contra ele mesmo, seria isso uma haraquiri? Hahahaha...

Hoje participei da reunião mensal da Rosenberg e pretendo comentar no post de amanhã o labirinto que nossa economia se encontra. Não perca!

O SP500 fechou a 2.052, com alta de 0,23%; o USDBRL a R$ 3,8111, com alta de 1,65%; o EURUSD a 1,0940, com queda de 0,78%; e o ouro a US$ 1.071, com queda de 0,18%.
Fique ligado!

9 de dezembro de 2015

Chico Buarque: Continua atoa na vida...

Se tem algo que a idade reforça nas pessoas é perceber que não se entende de tudo. Como já bem dizia o renomado filosofo Sócrates ..."só sei que nada sei"... É verdade que nos dias de hoje, com tanto acesso às informações, temos nosso momento de "Google", achando que qualquer que seja o assunto, devemos ter alguma opinião. Nós engenheiros formados pela Politécnica, fomos até incentivados pelos professores a acreditar que eramos os melhores, sendo assim, não cometemos erros. Doce ilusão!

Se tem uma área que não entendo nada é música, gosto de ouvir quase todos os gêneros, mas é só isso. Nunca me meti a dar palpites.

É inegável que o cantor e compositor Chico Buarque é muito bom no que faz, ou melhor, era. Seu auge aconteceu nos anos 70, onde o ambiente dominado pelos militares fazia com que os jovens tivessem uma reação contra esse regime. Suas músicas versavam sobre esse tema. No festival da Record ganhou o prêmio com a música A Banda, foi um sucesso. Foi nesse período que lançou a maioria de suas músicas. Mas o que de novo ocorreu nesta última década? Pouca coisa, mais do mesmo. Tanto é verdade que, na maioria de suas apresentações recentes canta seus sucessos antigos.

Mas o Mosca não tem como objetivo analisar a carreira musical de quem quer que seja, pois recairia no erro que comento acima, por outro lado, não acho que o Chico deveria se meter em política, principalmente agora que o PT que ele idealizou, simplesmente desmoronou. Ontem ele esteve presente juntamente com 16 Governadores, para dar apoio a Presidenta Dilma, num ato contra o impeachment. Mais uma vez, ele é chamado para socorrer em momentos críticos e mostra seu apoio.

Eu tenho visto isto se suceder e hoje bateu meu stoploss! Se tudo o que vem ocorrendo não é suficiente para que ele questione seu idealismo, é porque deve existir outros motivos: ou por interesses pessoais, ou porque é ingênuo e age na antítese da frase: ... "Si aí govierno yo so contra"...; ou porque parou no tempo.

Ontem fui convidado a participar de uma exposição sobre Propostas para Integração Internacional da Economia Brasileira, no CDPP - Centro de Debate de Políticas Públicas. É um trabalho fabuloso que alguns economistas de renome, como Afonso Celso Pastore, Alan Goldfajn entre outros, e alguns empresários. Sobre esse tema eu não sou um grande conhecedor, mas vou compartilhar com vocês alguns slides para que entendam o porquê fiquei P$#O, ao final da palestra.

Vejam no gráfico a seguir, o grau de abertura da economia brasileira quando comparado a de outros países. Notem que não são somente países desenvolvidos, existem vários emergentes.

O próximo é sobre a participação na exportação de manufaturados, onde destaquei o Brasil em vermelho. Vejam que o Vietnã, em poucos anos, já nos ultrapassou.
O um dos motivos apontados por esse "desastre" externo é consequência das tarifas elevadas implementadas nestes últimos 20 anos, cujo objetivo foi o de "proteger"  a indústria local.

Enquanto os outros países encontram-se num processo de liberalização do comércio, aplicando tarifas próximas de 0%, o Brasil vai na contramão, elevando-as. Esse assunto já se tornou obsoleto nas discussões de acordos bilaterais, o que se discute agora são as regras, ou seja, a capacidade para definir padrões e normas aplicáveis ao comércio e investimentos internacionais.

E existem muitas outras métricas que não apresentei aqui, mas todas indicando a obsolescência da política de comércio adotada por esse governo do PT. Acredito que essa modernidade é contra os objetivos desse partido, a de se perpetuar no poder. Com alíquotas baixas, não teriam o que dividir!

Então Sr. Chico Buarque está orgulhoso desse governo? Acho que dentre as hipóteses que levantei, prefiro acreditar que ele, ..."estava continua atoa na vida"...!

No post papai-diginel, fiz os seguintes comentários sobre o SP500: ...O SP500 está se "equilibrando" na linha azul indicada na figura, e aproxima-se de uma área tecnicamente de muita importância, entre 2.120 - 2.140. Os dados de momentum são positivos para a alta. Caso haja o rompimento desses níveis, a bolsa poderá subir expressivamente...

Logo em seguida, a bolsa sofreu uma queda e agora se encontra na parte inferior da linha azul, citada acima. O gráfico a seguir, foi elaborado com um intervalo mais curto, e permite uma visualização mais clara de uma possível alta.
Tenho a impressão que, até que a decisão do FED seja anunciada na próxima quarta-feira, o SP500 deverá ficar contido no triângulo traçado acima. E o que tudo indica, deveria subir depois disso. Esse é o cenário que se visiona do ponto de vista técnico. Lembro vocês, que triângulos tendem a romper no mesmo sentido que o do movimento imediatamente anterior, em 2/3 dos casos. 

Agora, se isso ocorrerá porque o FED vai subir os juros ou não, a análise técnica não tem como projetar. Os mercados indicam 80 % de chance para que isso ocorra, mas a situação dos países emergentes e suas empresas, estão indo de mal a pior. Todos os dias, uma nova companhia vinculada a esses locais, tem suas ações com quedas constantes. Será que o FED levará isso em consideração? Acho difícil, a não ser que algo grande aconteça até lá.

Ontem havia proposto uma operação de compra de euro, caso tivesse caído: ... Eu vou arriscar uma compra, conforme o gráfico abaixo, com os seguintes parâmetros: 50%  a 1,076 e os outros 50% a 1,071, com um stop a 1,063...Como a moeda única acabou não retorcendo a estes níveis, vou cancelar este trade. 

Embora estivesse na "ponta certa", não foi possível desta vez, mas pelo menos não estamos correndo atrás do prejuízo como ampla maioria do mercado.

O SP500 fechou a 2.047, com queda de 0,77%; o USDBRL a R$ 3,7490, com queda de 1,20%; o EURUSD a 1,1026, com alta de 1,21%; e o ouro a US$ 1.073, com queda de 0,12%.
Fique ligado!