Inflação: A Revanche

28 de novembro de 2014

Black Friday, literalmente

Nos Estados Unidos já é costume de longa data, uma liquidação no comércio, depois do dia mais celebrado do ano, Thanksgiving. O objetivo dessa ação é dar início ao período de vendas do Natal. Se você teve oportunidade de estar nesta data nos USA, sabe que tudo entra em liquidação, roupas, eletrodomésticos, livros, celulares, serviços como softwares, restaurantes e etc ... Recentemente, nesses tempos difíceis, o comércio resolveu se antecipar e essas liquidações começam muito antes. Quem sabe daqui a pouco o comércio resolva imitar o FED, e manter o Black Friday o ano todo, assim como ele mantém os juros a 0% por 365 dias! Hahahah....

Esta moda do Black  Friday foi exportada para outros países, inclusive no Brasil, e hoje encontra-se em qualquer parte. Acontece que este ano, um novo produto aderiu, o Petróleo. Ontem a OPEP resolveu manter a cota de produção de seus membros e essa ação fez com que o petróleo tivesse nova queda no mercado internacional. Muita gente ficou surpresa com essa decisão, uma vez que o óleo já amarga uma queda de 25% no ano. Acontece que eles tomam normalmente decisões estratégicas e não táticas.

Se tivessem decido por um corte, seu impacto seria menor que no passado, uma vez que o seu alcance é muito menor hoje em dia, dado o declínio da OPEP na equação energética mundial. Além disso, há considerações estratégicas, devido a inovações tecnológicas, como o impacto do Xisto, e considerações ambientais. O setor enfrenta ventos contrários. Um declínio no preço do petróleo, ao mesmo tempo que causa perdas aos produtores, serve para aliviar algumas questões, haja visto que algumas fontes alternativas de energia, tornam-se inviáveis, como o pré-sal.

No gráfico a seguir, o óleo está se aproximando de um nível bastante delicado de US$ 65, e caso seja rompido, poderia levar o petróleo para US$ 35 no futuro. Acho que é desnecessário qualquer comentário, caso isso aconteça. Um horror, e não seria , por causa do PT! Hahahah...


Para o Brasil, do ponto de vista do BC, é boa notícia, pois a defasagem do preço da gasolina passa a ser contrária, ou seja, os preço atual é superior ao internacional. Para a Petrobrás é mais um problema a enfrentar, pois boa parte dos investimentos feitos no pré-sal correm o risco de ficarem inviáveis, se o óleo cair abaixo de US$ 60, isso sem considerar o "pedágio" pago a turma do Lava Jato. Já a Venezuela, que está numa situação horrível, ficou mais horrível ainda! O câmbio negro é negociado por um preço, 20 vezes superior ao oficial. Milton Leite diria: "Que beleza!". Seu Presidente, Nicólas Maduro, deverá cair literalmente de maduro! Hahahah ....

Com a forte alta do dólar hoje contra o real, parece não haver dúvidas que nossa moeda caminha para os R$ 2,75. A primeira vista, isso pode parecer uma rejeição do mercado ao anúncio da nova equipe econômica, grande engano, as palavras do novo Ministro soaram como música aos ouvidos dos investidores. O que realmente ocasionou esta alta, tem a ver com o assunto de hoje, o petróleo.

Para provar minha hipótese, abaixo encontra-se uma atualização do gráfico contendo as moedas dos países emergentes. Notem, que usei um prazo curto para mostrar o efeito que mencionei.

Na hora do almoço, estive com alguns amigos que também são leitores assíduos do Mosca, pelo menos é o que eles dizem! Hahahah.... Um deles comentou que o motivo da alta do dólar, seria que a nova equipe econômica, não renovaria os swaps cambiais. Pode até acontecer, mas duvido que seria já, afinal isso é pilotado pelo BC, e não pela Fazenda. Fico com minha evidência dos mercados, que o motivo de hoje é o dólar-dólar (lembram?),   turbinado pelo petróleo.

No post hipersônico fiz os seguintes comentários sobre o real: ...Primeiro atente-se ao pivô R$ 2,48/2,49, caso o dólar caia até lá, é muito importante se vai conseguir romper a reta traçada. Abre-se dois cenários: 1- Uma continuidade da queda até os níveis de R$ 2,35/2,40; 2 - Uma retomada do movimento de alta para atingir o objetivo mencionado antes de R$ 2,75... 


O real atingiu exatamente o pivô mencionado acima e retomou o movimento de alta hoje.
Mais uma vez a análise técnica apontou um ponto importante a ser respeitado, parece que isso funciona mesmo! Agora podemos esperar que a cotação chegue a R$ 2,75. Na próxima semana trago mais detalhes, depois de minha análise semanal.

O SP500 fechou a 2.067, com queda de 0,25%; o USDBRL a R$ 2,5701, com alta de 1,58%; o EURUSD a 1,2444, com queda de 0,18%; e o ouro a US$ 1.167, com queda de 2,07%.
Fique ligado!

27 de novembro de 2014

Olha o aviãoziiiinho...

Um dos meus filhos não gostava de comer quando era criança. Todas as técnicas clássicas para que ele se alimentasse não funcionavam. Olha o aviãozinho, o barquinho e sei lá mais o que, não davam resultado. Fechava a boca e no máximo comia cachorro quente, que em termos de alimentação é péssimo. Toda vez que ia ao médico, na hora de se pesar, era uma tensão, será que tinha engordado? Doce ilusão, era magro como uma pedra. Hoje ele cresceu, e é um grande gourmet, está acima do peso. Crianças ...

Ontem foi publicado o índice de inflação que o FED usa em termos de política monetária, o PCE. Continua praticamente inalterado. O índice total está em 1,44% a.a., excluindo alimentos e combustíveis 1,55% a.a.


Como pode ser facilmente observável, desde a crise de 2009, a inflação tocou os 2% em 2012, e só. Desde então, está estagnada nos 1,5%. Imagino que a diretoria do FED está arrancando os cabelos para entender o que acontece, pois depois de "alimentar" a economia com tanta liquidez, seu "peso" não sobe. Será que o Bernanke e a Yellen deveriam ter usado aviõezinhos ao invés de helicopterozinhos? Hahahah...

Do outro lado do Oceano, a Alemanha continua a desafiar as previsões, hoje foram pulicados seus dados de empregos, e o desemprego caiu mais que o esperado, fazendo com que a sua taxa atingisse 6,6%, a menor das últimas duas décadas. O termo, one size fits all, poderia ser usado para o euro, afinal todos os países da região, usam esta moeda. Só que não vem funcionado, em termos de política monetária, a Alemanha precisaria em euro X-small, enquanto o Club Med um X-large. Não veste bem para ninguém!

Lembrei que em 2012 publiquei um post one-size-fits-all, que comentava sobre a taxa de juros no mundo. Meu raciocínio era que, os juros eram praticamente iguais em todos os países desenvolvidos. Assim, poderiam ter uma única.

A título de curiosidade, eu atualizei esta tabela, com as taxas vigentes hoje. Com exceção dos USA, onde as taxas subiram, nos demais caíram pouco. Mas tudo é tão pouco, que ainda pode-se usar o termo one size fits all. Alguns ficam mais apertadinhos e outros mais larguinhos, mas dá para usar! Hahahah...


Hoje as bolsas não funcionam nos Estados Unidos, nestes dias, raramente acontece algo de relevante. Porém as coisas podem mudar para o ouro, no próximo domingo. É que neste dia, saberemos o resultado do referendo popular realizado na Suíça, que comentei no post Suíça-um-pais-9999999%. Até o momento, as pesquisas apontam para: Sim - 38%; Não - 47% ; Indecisos - 15%.

Na última postagem sobre o ouro o-outro-lado-da-moeda, eu comentei: ...No curto prazo, o ouro têm que passar a barreira de US$ 1.195, e em seguida US$ 1.225. Aí sim, posso elevar mais minhas expectativas. Tudo isso, tem que acontecer, sem que o metal retorne ao nível de US$ 1.145, que passa a ser o novo stoploss para quem aderiu a minha sugestão...

O ouro, nestes últimos dias, está "parado" nos US$ 1.195, não é incrível! Vocês terão de concordar que, ou todo mundo está lendo o Mosca, ou realmente a análise técnica funciona.

- David, vou assumir que você está induzindo seus leitores a responder a segunda opção, nem vou comentar a primeira. Será que sua conclusão, não é num momento onde existe uma indefinição sobre o referendum?
Pode até ser que o mercado está aguardando um empurrão. Mas porque parou em US$ 1.195 e não US$ 1.210, 1.230 e etc....?

Não tenho nada de novo a acrescentar ao que já foi dito. Para uma alta mais consistente, precisa romper a barreira dos US$ 1.225, e não voltar para US$ 1.145. O resto deixe para os Chineses, que segundo vem-se reportando, estão comprando muito ouro recentemente.

O USDBRL fechou a R$ 2,5286, com alta de 1,11%; o EURUSD a 1,2465, com baixa de 0,31%; e o ouro a US$ 1.191, com baixa de 0,50%.
Fique ligado!

26 de novembro de 2014

Vitoria da economia americana

Vocês devem devem ter esquecido que eu gosto de futebol e torço para o Santos, já que faz um bom tempo que não comento nada. Depois da derrota vergonhosa da seleção brasileira na última Copa do Mundo para a Alemanha, assistir o Brasileirão está dando sono e desgosto no meu caso. Mas comecei a assistir o Champions League, isso sim é futebol. Atualmente o Real Madrid tem um time fantástico.

Fazendo um paralelo com o futebol, a economia americana vem jogando e obtendo resultados positivos no campeonato de crescimento econômico. Ontem foi publicado o PIB revisto para o 2º trimestre. Era esperado uma revisão para baixo, porém foi revisto para cima, com uma taxa de 3,9%. Estas revisões são como se tivessem alguns lances de gol que ficaram para ser analisados, notem que podem ser a favor ou contra.

- David, eu só estou esperando para ver até onde você chega com esse raciocínio maluco!
Não gostou? É para mostrar que o importante é bola na rede, ou melhor, PIB positivo! Hahahah ....


Com exceção do 1º trimestre, a economia por lá teve resultados positivos, como ganhar por 1x0 e ir acumulando pontos. No trimestre atual, todos os componentes estavam no azul, fato raro na série histórica.

Numa análise de mais longo prazo, percebe-se uma desaceleração do crescimento, resultado do elevado grau de endividamento associado às crises que passaram neste últimos 10 anos.


No gráfico acima a linha azul é a média calculada desde 1947, a vermelha é calculada segundo uma regressão linear no mesmo período, enquanto a preta, o mesmo critério nos últimos 10 anos. Nota-se uma queda do nível no tempo. Assim fica a pergunta: A economia vai ganhar impulso a partir de agora, ou uma nova retração é esperada para os próximos trimestres? Fui buscar alguma indicação nas taxas de juros dos títulos de 10 anos. No post irritação-total, fiz os seguintes comentários com gráfico a seguir: ...Está muito difícil estabelecer qualquer prognóstico para os juros, a única coisa que pode-se afirmar, é que, o movimento apontado em rosa é uma correção. Tracei uma possibilidade factível, de uma alta até o nível de 3% a.a. Mas não aposto nada por enquanto, pois outras possibilidades de queda, são possíveis. ..
O próximo gráfico é composto de movimentos de curto prazo, desde a mínima atingida de 1,88% a.a. Notem que o movimento de recuperação foi de uma forma que se denomina de overlap, ou sobreposição.
O que intriga é, com o bom crescimento dos últimos dois trimestres, por quê os juros não subiram! E não esqueçam, estamos falando de meros 2,25% a.a. para um investimento de 10 anos, aliado ao fato que, o FED vai subir os juros.

- Opa David, tem algum inside information?
Eu disse que vão subir, mas não disse quando. Afinal, menos de zero é quase impossível nesta situação.

Tenho duas hipóteses, uma estrutural e outra cíclica: No primeiro caso, vejam a ilustração a seguir. Embora os USA manterão seus helicópteros no ar sem aumentá-los, o Japão e a Europa resolveram aproveitar esta janela de oportunidade e elevar seus programas de liquidez. E não foram pequenos.

O segundo motivo estaria mais por conta do que comentei no post vento-contra, um receio que a desaceleração dessas economias possa afetar a americana.

Para finalizar, as análises de momentum, ainda apontam queda nos juros até 2,20% - 2,15%, e depois uma alta. Mas se os juros caírem abaixo de 2,05, alguma coisa importante terá que acontecer. Não faço nenhuma aposta nestes níveis, vamos aguardar e ver se chega aos 2,14%.

O SP500 fechou a 2.072, com alta de 0,28%; o USDBRL a R$ 2,5009, com baixa de 1,13%; o EURUSD a 1,2506, com alta de 0,26%; e o ouro a US$ 1.197, com baixa de 0,26%.
Fique ligado!

25 de novembro de 2014

Hipersônico

Desde de criança, eu sempre tive adoração por aviões. Quando estava na idade de servir o exército, pensei em ingressar na força aérea. Minha mãe logo me demoveu desta vontade, ao colocar claramente: ou eles ou ela! Hahahah... Com o advento dos aviões modernos de combate, aqueles que são vistos em alguns filmes, fico perplexo como um piloto consegue controlar o avião, defender-se de ataques e atacar os inimigos, tudo isso, a velocidades superiores a do som.É desta forma que eu comparo nossas contas externas, é necessário um piloto muito hábil.

Parece que Habemus Gubernatorem, mesmo sem que a fumaça branca tivesse saído do Palácio da Alvorada, Joaquim Levy deverá ser nosso Ministro das Finanças. Realmente um up grade em relação ao atual Ministro Mantega, e será de sua responsabilidade pilotar as nossas contas externas. Ontem foram publicados os dados relativos a outubro, e um novo recorde foi atingido de US$ 8,1 bilhões, acumulando nos últimos 12 meses a bagatela de US$ 84,4 bilhões.


Para financiar este déficit, destaque para a entrada de US$ 5,0 bilhões de investimentos direto estrangeiro, acumulando em 12 meses US$ 66,0 bilhões e uma forte entrada de US$ 5,3 bilhões de investimento estrangeiro em carteira, principalmente em renda fixa.

Na composição do déficit pode-se destacar: Balança Comercial com tendência negativa, atingiu US$ 1,2 bilhões. Como nossa principal pauta de exportação são as commodities, e haja visto a queda de preços ultimamente, nada diferente poder-se-ia esperar; Conta de Serviços teve pequena melhora, atingindo US$ 4,3 bilhões, ocasionada pela diminuição das despesas com viagens internacionais; e por último Conta de Rendas com um saldo de US$ 2,8 bilhões, uma pequena piora oriunda do aumento de remessa de lucros e dividendos.

Em termos dessazonalizados e anualizados, a tendência é de continuidade dos déficits em transações correntes nos patamares recentes, puxada pela deterioração da balança comercial, enquanto a conta de serviços deve se reduzir lentamente devido a depreciação cambial, e pode-se esperar uma certa estabilidade na conta de rendas.

Mesmo com estes dados constantemente negativos, o Balanço de Pagamentos apresentou um pequeno superávit de US$ 267 milhões, e no acumulado de 12 meses atingiu US$ 20,3 bilhões. Entretanto, a sua manutenção depende quase que exclusivamente, das entradas na conta capital e financeira. As reservas mantêm-se estáveis na casa dos US$ 376 bilhões, o que garante um conforto importante neste momento de tensões políticas e econômicas.

Os investidores estrangeiros tiveram posições até de certa forma antagônicas, de um lado, como relatado acima, houve uma expressiva entrada de recursos tanto através de investimentos direto como em aplicações em renda fixa. Por outro lado os swaps cambiais oferecidos pelo BC ao mercado, atingiram a cifra de US$ 109,0 bilhões, equivalente a 29% das reservas, além de uma posição detida pelos estrangeiros na BMF, em contratos de dólar, equivalente a US$ 31, 3 bilhões. Uma elevação de quase US$ 10,0 bilhões desde setembro último.

Várias hipóteses podem ser imaginadas a partir destas observações, porém sem que nenhuma delas seja conclusiva. O que importa no meu entendimento, é que o piloto desse avião não gastou nenhum míssil até agora (reservas em US$ intactas), embora o céu esteja cheio de inimigos! A vantagem é que para reabastecer os aviões locais, basta aterrissar aqui (recebe juros) , enquanto os inimigos vão ter um custo enorme (pagam juros elevados)! Vamos ver quem será o vencedor desta batalha!

No post boa-noticia, meus comentários sobre real foram: ...Por enquanto não há nenhum sinal maior de realização e somente abaixo de R$ 2,53/2,54, uma correção mais ampla pode-se esperar...Na sexta-feira chegou a negociar próximo a R$ 2,50, e ontem o dólar subiu.


O gráfico acima parece um pouco poluído, mas vamos por partes.
- David, já sei, se não cair vai subir. Não dá para você mudar o disco!

Como diria um amigo Francês: Je suis désolé! Primeiro atente-se ao pivô R$ 2,48/2,49, caso o dólar caia até lá, é muito importante se vai conseguir romper a reta traçada. Abre-se dois cenários: 1- Uma continuidade da queda até os níveis de R$ 2,35/2,40; 2 - Uma retomada do movimento de alta para atingir o objetivo mencionado antes de R$ 2,75.

A principal razão dessas indefinições, é que os dados de momentum apresentam sinais opostos, enquanto os mais longos são de alta do dólar, os mais curto são de neutralidade. O que poderá fazer uma grande diferença será qual a definição que o novo Ministro das Finanças dará ao câmbio, carta branca ao Tombini na continuidade dos swaps ou interromper as rolagens? No curto prazo aposto na primeira, ninguém é louco de colocar mais lenha na fogueira agora. Mas no médio prazo, ele vai querer um câmbio mais depreciado para ajudar a indústria ou mais contido para combater a inflação? Muitas dúvidas!

Outro fator que destaquei no gráfico é a elevação dos volumes transacionados no câmbio desde o final de outubro. A conferir daqui em diante.

O SP500 fechou a 2.067, com queda de 0,10%; o USDBRL a R$ 2,5296, com queda de 0,62%; o EURUSD a 1,2475, com alta de 0,26%; e o ouro a US$ 1.200, com alta de 0,25%.
Fique ligado!


24 de novembro de 2014

Vento contra

Aos vinte anos de idade acreditamos entender de tudo. Com a pequena experiência de vida adquirida, é só exercitar um pouco, e pronto. Numa dessas situações, fui  a uma represa com alguns amigos que já sabiam velejar. Depois de dois minutos de conversa, me senti apto a sair sozinho, afinal era simples: Vento a favor, deixe a vela te levar, vento contra, navegue em ziz-zag.

Na ida foi uma beleza, com vento a favor, fui velejando sentindo-me um az, quem sabe poderia participar de um campeonato? Hahahah... Depois de algumas milhas, era hora de voltar, pois já era final de tarde. Aí que começou a dificuldade, lembrei-me das recomendações, fazer um zig-zag, de tal forma que ao completar vários movimento desses, iria me aproximar da borda. Não saí do lugar! Depois de algumas tentativas e já bastante cansado, resolvi pegar uma corda e ir puxando o barco a nado, até que alguém me visse. Cheguei morto e percebi que velejar não era minha praia.

A economia americana vem mostrando sinais de recuperação nos últimos meses. Acontece que, com a globalização, isso é uma condição necessária mas não suficiente, depende da performance dos outros países. No Japão, depois de alguns trimestres positivos, a ameaça da recessão bateu em sua porta, culminando com dois trimestres negativos, critério adotado para considerar em recessão. População velha, falta de poupança e uma dívida enorme, continuam a ser a praga da prosperidade econômica.

Outro parceiro importante, a Europa, entrou agora efetivamente no que se denomina em economia, "armadilha da liquidez", isso ocorre quando uma economia já não responde aos estímulos monetários. Seus membros continuam a recusar a necessidade de reformas estruturais, para enfrentar seus elevados níveis endividamento. Como pode-se observar na figura abaixo, desde de 2007, uma curva descente de crescimento econômico demonstra o problema real. Com idas e vindas na atividade, os países da Eurozona, simplesmente não conseguem decolar.

 O dólar vem se apreciando de uma maneira generalizada contra a maioria das moedas, e isso deverá afetar suas exportações, particularmente com o Japão, Eurozona e a China, haja visto que 40% dos lucros das empresas dependem dessas exportações. O impacto em sua rentabilidade pode ser maior que o antecipado.
Embora essas análises sugerem que uma recessão nos USA não é iminente, acreditar que a economia americana pode-se dissociar do resto do mundo é descabida. No gráfico abaixo percebe-se que, historicamente, não conseguiu se acelerar quando a Europa e o Japão, em conjunto, estavam fracos.

A recente dissociação da economia dos USA (em vermelho pontilhado), provavelmente não conseguira resistir a fraqueza dos seus dois maiores parceiros comerciais. Será que os economistas que estão projetando a melhora da economia americana, são jovens que acreditam que velejar contra o vento, não é difícil? Sugiro que façam o teste! Ah, antes que eu me esqueça, não tente esta semana, a previsão de tempo é de cinco dias, com pesadas nevascas, na faixa entre a Pensilvânia e Nova York.

- David, vai virar o homem, ou melhor, o mosca do tempo! Hahahah ...
Esta é a semana de Thanksgiving, junto com a liquidação do comércio na sexta-feira (Black Friday). O comércio espera com muita ansiedade esta data, uma vez que representa uma parcela significativa de suas vendas anuais. Com muito frio as pessoas não saem de casa, haja visto o que aconteceu no 1º trimestre.

Eu perdi essa! O Super Mário depois de ficar irritado com seus chefes, principalmente os Alemães, e vendo que poderia ficar com o maior mico em sua mão, afinal não adiantaria em nada dar a desculpa da Dilma colocando a culpa no exterior, soltou a seguinte frase: ..."Nós vamos fazer o que precisar ser feito, para subir a inflação"... Se alguém tivesse apostado comigo nos anos 80, 90, 2000, que o Presidente de um BC sério, iria soltar essa frase, eu teria perdido minhas calças! Tempos Modernos ....

O euro levou um choque de imediato, e caiu quase 1% na sexta-feira passada. Minha previsão de recuperação ficou bem comprometida os-helicópteros-invisíveis-da-china. Agora acredito que uma nova mínima será atingida ao redor de 1,235/1,23. No meu twitter acerta_alvo, eu propus um trade de curto prazo, para buscar um "troquinho".

Se minha ideia estiver correta, após atingir esse nível, eu imagino duas possibilidades: Uma reversão importante das cotações, algo entre 1,295/ 1,335, movimento esse que deverá ocorrer em várias semanas, ou ainda continuação da queda até níveis mais baixos, mas não muito.

- Legal David, como sempre, se não subir, vai cair. Come on!
Vamos combinar o seguinte, antes de fazer planos mirabolantes, vamos ver se a queda que estou imaginando acontece. Dependendo da análise técnica, teremos pistas melhores, assim vamos de curto prazo, por enquanto. Ah, providencie uma mordaça para o Super Mário não estragar nossa festa! Hahahah...

 O SP500 fechou a 2.069, com alta de 0,29%; o USDBRL a R$ 2,5453, com alta de 1,20%; o EURUSD a 1,2439, com alta de 0,41%; o uro a US$ 1.197, com queda de 0,33%.
Fique ligado!

19 de novembro de 2014

Boa notícia!

O que menos pode-se esperar atualmente, é a publicação de uma boa notícia. As pessoas tendem a projetar o momento atual vivido para o futuro. Isso vale para o mercado também, se a bolsa cai, vai cair mais e se sobe, vai subir mais. Os psicólogos explicam este fenômeno como medo e ganância. O governo está metido num buraco negro, notícias ruins não faltam, e os "pensadores", conceito que defini no post os-filhinhos-do-governo, andam com muita raiva, pois por pouco, seu candidato Aécio Neves estaria colocando o Brasil no rumo certo.

Nós do mosca temos que ser pragmáticos e analisar sem emoção. Hoje foi publicado o IPCA-15 que ficou em 0,38%, que é uma prévia do que se pode esperar para a inflação do mês de novembro. Pode-se dizer que todas as categorias se desaceleraram, conforme tabela abaixo.

Os grupos com maior peso no índice: alimentação (de 0,69% para 0,56%); e habitação (de 0,80% para 0,56%), retraíram. Os únicos que mostraram alta: artigos de residência (de 0,13% para 0,31%); educação (de 0,08% para 0,18%), foram de pequena magnitude.

Outro fator importante de análise é o grau de difusão, que caiu para 60%. Esse índice mede a percentagem de itens que apontam crescimento em relação ao período anterior de comparação. Situa-se agora, na base dos últimos anos.

Os preços administrados estavam bastante defasados, depois que o governo baixou o preço da energia e manteve o ônibus entre outros. Alguns já começaram a ser reajustados e outros deverão acontecer em breve. Em contra partida, os preços livres apresentaram leve desaceleração, o suficiente para não pressionar mais a inflação.


É muito cedo para soltar rojões, uma vez que vários itens ainda prometem impacto nos índices inflacionários, como o pleno efeito do reajuste da gasolina, energia no Rio de Janeiro, e etc... Mas melhor uma queda, que uma alta! 

Já os "beneficiários", segundo definição que usei no mesmo post citado acima, não devem estar muito felizes, pois está em curso, o processo de esfriamento do mercado de trabalho. Uma mudança na composição vem ocorrendo nos setores. Enquanto o emprego na indústria segue em franca deterioração e até mesmo o comércio dá sinais de fraqueza, outros serviços compensam parte das perdas. Ao mesmo tempo, aqueles que deixam a população ocupada, não estão integrando a população desocupada, mas sim deixando a população economicamente ativa, talvez num sinal de que preferiram um momento mais oportuno da economia para buscar ocupação. O mesmo efeito que o participation rate está ocasionando nos USA.

Em função disso, a massa salarial deve crescer com a menor taxa dos últimos dez anos, e com uma expectativa menor ainda para 2015. Veja na ilustração a seguir, o que os "beneficiários" vão sentir em seus bolsos, pela decisão de reeleger a Dilma.



Vocês não acham que o real até que está se comportando bem, com tantas notícias ruins? No post o-enigma comentei que o movimento estava "esticado" e sujeito a uma realização. Desde então, nossa moeda tem tido um movimento contido, com uma pequena tendência de queda. 

Neste gráfico de curto prazo, vale notar que o movimento de alta do dólar no mês de setembro, foi mais potente, que o observado entre outubro e novembro, embora as suas amplitudes sejam semelhantes. No primeiro subiu aproximadamente 13%, entre a mínima e a máxima, e no segundo 12%. Por enquanto não há nenhum sinal maior de realização e somente abaixo de R$ 2,53/2,54, uma correção mais ampla pode-se esperar. Caso contrário, o objetivo de R$ 2,75 parece estar no radar.

Enquanto nossos pares emergentes tiveram sossego recentemente, o mesmo não aconteceu com o real. Assim, a última alta do dólar por aqui, é resultado dos problemas locais. Também, nenhum desses países tem o privilégio de ter o PT no governo. Eu vou deixar uma sugestão para a Dilma, que tal exportar a diretoria da Petrobras para a Austrália, ou Africa do Sul? Não sei se diminuiria a pressão no câmbio aqui, mas com certeza, a moeda deles iria se depreciar! Hahahah ...


Em virtude dos feriados, o mosca volta a ser publicado diariamente a partir da próxima segunda-feira, dia 24/11, a não ser que algum fator relevante aconteça nestes dias. Assunto não falta, assim, na dúvida, vou colocar alguém de plantão na Polícia Federal! 

O SP500(*) estava a 2.015, sem alteração; o USDBRL a R$ 2,5677, com queda de 0,55%; o EURUSD a 1,2574, com alta de 0,30%; e o ouro a US$ 1.189, com baixa de 0,67%.
Fique ligado!

18 de novembro de 2014

Procura-se CEO

Num daqueles finais de tarde no início de minha carreira, eu e mais alguns amigos de outros bancos, estávamos tomando um chope. Depois de alguns copos, um deles fez a seguinte pergunta: "É melhor um funcionário burro, mas honesto, ou um inteligente e desonesto?". Naquela época, casos de desvios em empresas eram raros.

Naturalmente, esta era uma pergunta provocativa e tinha um objetivo de tornar a conversa mais picante. Sob efeito do álcool, a reposta foi o segundo caso. O racional usado por quem perguntou era que, o burro embora honesto, não iria gerar lucro para empresa, enquanto o inteligente buscaria operações com lucro, para ambos é claro! Hahahah ....

Nada pode-se comparar ao que vem acontecendo na Petrobrás, a cada dia novos nomes são apontados dentro do esquema de corrupção, eu já nem sei quem é quem. Agora virou moda fechar acordo de delação premiada, até consigo entender, pois com os benefícios de diminuição da pena, já, já, não haverá mais quem delatar. Os valores envolvidos são estarrecedores, vejam por exemplo o caso de Pedro Barsuco, ex-gerente executivo, que se comprometeu a devolver US$ 100 milhões, um gerente! Imaginem as cifras dos diretores. Parece que a cúpula da Petrobrás era composta somente de funcionários tipo inteligente, ou melhor, uma outra categoria, impostor.

E as empreiteiras são ou não culpadas? Uma delas foi minha cliente quando eu era gerente de uma agência no Banco Francês e Brasileiro. Já faz muitos anos, e as coisas podem ter mudado, na época era uma empresa séria, com tradição familiar. Agora se você é competente na área de engenharia de grandes obras, e deseja oferecer seus produtos ao mercado, como conseguiria competir, se a condição para ganhar uma concorrência era ter um "extra" a ser pago? Não estou querendo defender, mais esta empresa teria que procurar outro país para oferecer seus serviços, caso não aceitasse esta condição.

Ontem assisti um trecho da entrevista da atual Presidenta da Companhia, Graça Foster. A sua aparência diz tudo, arrasada. Mas o que mais me indignou, foi o fato de ela dizer que teve conhecimento em maio, que havia pagamento de propinas, e que "imediatamente" suspendeu a participação da fornecedora em licitações. Só isso? Não informou aos acionistas? Fiquei na dúvida em que categoria ela se enquadra.

Agora Michel Temer, na condição de Presidente interino disse que a Presidenta Dilma poderá fazer mudanças na diretoria da Petrobrás até o fim do ano, (grife meu). Como assim! O mínimo que se poderia esperar era uma demissão em massa, já! É incrível a postura da Presidenta Dilma em relação a este caso, ela se vangloria que está terminado com a corrupção, e que daqui em diante tudo será diferente, ou seja, passa-se uma borracha no passado, e tudo bem?

Eu não sou fã da Martha Suplicy, pelo contrário, dizem que ela é muito arrogante e não foi uma boa prefeita. Mas tenho que dar os parabéns pelo fato de ter saído do PT, pois como alguém sério pode permanecer num partido que arrecadou dinheiro, segundo inúmeros delatores, da forma que fez? Presidenta, só vou começar a acreditar que realmente está imbuída em corrigir tudo que estamos presenciando, se decidir sair do PT.

Para finalizar este assunto interminável, fico pensando qual deva ser o perfil do novo Presidente da Petrobrás. Imagino as seguintes qualificações: Engenheiro, Pós graduação em administração, especialização na área de petróleo e derivados e, principalmente, ter ampla experiência como delegado!

Enquanto isso, as ações da Petrobrás, vêm registrando quedas diárias. Depois da empresa de auditoria ter postergado sine die, a divulgação de seus resultados, quem se aventura a comprar essas ações? Com uma representação importante no índice Ibovespa de 14%, esse vem amargando baixas também, não só por conta dessa empresa, mas também pelo ambiente péssimo em que se encontra nossa economia.

No post onde analiso o índice com uma visão de mais longo prazo Dilma-melhor-opção-para-o-momento, fiz os seguintes comentários: ...Eu calculo que o índice Bovespa possa atingir o nível de 40.000/42.000, nos próximos meses, uma queda nada desprezível de 20% a 25%. Para os terroristas de plantão, aviso que muito provavelmente eu vou sugerir uma compra, caso atinja estes níveis... 

Logo após as eleições, a bolsa esboçou uma reação, e no post depressão-pós-eleições, frisei que não comprava a ideia daquela alta: ...o primeiro ponto a vencer é ao redor de 55.000, e em seguida, e com maior importância, os de 59.000. Este índice subiu da mínima atingida no dia logo após os resultados das eleições, até agora um pouco mais de 10%. Vai precisar mostrar conquistas, antes de um call de compra ser anunciado, por enquanto, I´m out!... Daí em diante só caiu!


Voltamos ao foco original de longo prazo, aguardando a queda até o nível de 40.000, o que deveria acontecer nos próximos meses. Até lá, não me aventuro a nada, pois como em qualquer correção, espere-se movimentos erráticos. Caso o que eu espero se concretize, uma queda adicional de mais de 20%, ainda a realizar.

Imagino o que poderia ocorrer para levar a esses níveis: Petrobrás não honra com algum compromisso; encontra-se outras empresas estatais com esquema semelhantes, e etc. ... Bem, tanto faz, a análise técnica não se importa com os argumentos e sim com os movimentos. Agora só para especular um pouco, como provavelmente serei comprador nesses níveis, o que deve acontecer para a mudança desse mood? Aguardem! 

O SP500 fechou a 2.051, com alta de 0,51%; o USDBRL a 2,5820, com baixa de 0,99%; o EURUSD a 1,2536, com alta de 0,69%; e o ouro a US$ 1.197, com alta de 0,92%.
Fique ligado!

17 de novembro de 2014

O outro lado da moeda

Quando formamos um cenário para o futuro, em qualquer área que seja, ficamos com uma tendência de rejeitar informações que o questionam. Ao contrário, temos o maior interesse em leituras que corroboram nosso ponto de vista. Imagino que seja uma defesa do nosso ego, afinal ninguém gosta de estar errado em suas previsões. Aprendi com a vida que a realidade se sobrepõe, e quando cometemos um erro, mais dia menos dia, a verdade prevalece.

Os leitores do mosca sabem que tenho uma visão não muito positiva para o futuro, esta premissa baseia-se nas minhas análises técnicas de longo prazo, acrescidas das observações e informações que analiso. Porém é dever de olhar ao lado, e verificar os que pensam contrariamente.

Existe uma casa com uma elevada reputação, que elabora excelentes relatórios econômicos, Gavekal, e é sobre um destes relatórios que vou comentar hoje. Antes de começar, é importante frisar que, nessa empresa não existe um consenso, pois alguns de seus sócios tem visões contrárias.

O relatório em questão, acredita que os mercados de ações embarcaram num movimento de alta de longo prazo, comparável aos vividos nos anos 1950 e 1960, ou 1980 e 1990. E mais, o que estamos vivendo não é o final, mais o início deste movimento.

Para fundamentar sua afirmação elenca os seguintes motivos: Primeiro e principal, a pior crise econômica e financeira da memória viva terminou, e maior parte do mundo está vivenciando um decente, mesmo não sendo espetacular, crescimento; segundo, as políticas econômicas e financeiras, ao redor do mundo, embora distante de serem perfeitas, são altamente previsíveis e assim, improváveis de causar novas rupturas no mercado; terceiro, a tecnologia está avançando, e esta inovação está criando novos produtos, serviços e processos que estimulam tanto investimentos como demanda de consumo; e finalmente, a inflação é praticamente inexistente, ao menos nas economias desenvolvidas, implicando que as taxas de juros permanecerão baixas por um período longo.

Mesmo com estas condições benignas, correções menores e pânicos são esperados, uma vez que os mercados financeiros movem-se entre a euforia e o pânico. Isto foi visto no início de outubro, onde as ações em Wall Street caíram 10% em três semanas. Estes retrocessos, entretanto, tendem a reforçar a tendência de alta, se os medos que acarretaram sua queda, mostram-se ilusórios ou menos assustadores que aparentavam. Isto é exatamente o que ocorreu.

Houveram dois argumentos que catalisaram este movimento: Uma queda repentina dos preços do petróleo e dados econômicos sombrios na Europa e Japão. O primeiro desses problemas, não aparenta ser mais que um soluço, uma vez que, a queda do preço do óleo, no final, é benéfico para o consumo e lucro das empresas. Com exceção das companhias e países que o produzem. Em contraste, o segundo problema - queda das economias da Europa e Japão - amedrontaram os investidores por uma razão real. Independente de como a economia americana vai performar, os negócios mundiais não vão se livrar de uma possível recessão na Europa e Japão. Especialmente se os governos ou BC's desses países, se recusarem a seguir o modelo fiscal e monetário adotado pelos USA, para estimular o crescimento.

Os últimos movimentos observados na Europa e Japão, parecem encorajar.  Assim, tornará mais fácil a remoção dos obstáculos necessários para as reformas estruturais. O prospecto para uma expansão sustentável, parecem estar mais claros que há um mês atrás. Esta melhoria na perspectiva econômica justificam a alta das bolsas, recentemente.

Mesmo que as condições continuem a melhorar, os preços das ações são obrigados em algum momento, a infligir perdas pesadas aos investidores. Isto é o que aconteceu em 1987, aproximadamente cinco anos depois do início de um mercado de alta estrutural. Estes ciclos são inevitáveis porque a melhora das condições econômicas encorajam excessos. Porém, inicialmente são necessárias altas fortes, antes das quedas - e as condições econômicas sugerem que, uma alta em grande escala, pode estar somente começando.

Não vou criticar as ideias principais, uma vez que seus argumentos são válidos. Porém, queria colocar alguns pontos: 1) Ele considera um sucesso a intervenção nos USA, porém eu acredito que pairam dúvidas sobre a recuperação. Alguns gráficos que se encontram logo a seguir, além da incerteza quando da retirada dos enormes estímulos financeiros, são questões ainda não resolvidas; 2) Ele acredita que tanto o Japão quanto a Europa, caminham para uma ação semelhante ao do FED, o que é questionável; 3) E por último, eu presenciei o dia em outubro de 1987, em que a bolsa caiu mais de 25%. Queria ver se este analista tivesse posições naquela data, acharia aquilo uma correção "normal".

Sua conclusão pode-se resumir na famosa frase: By on the dips!

Com uma visão mais pessimista sobre a bolsa americana, Lance Roberts, em seu último relatório, apresenta alguns dados que se contrapõe as ideias acima. Para não tornar muito longo o post, selecione somente dois gráficos. O primeiro mostra que a maior parte dos lucros recentes, deu-se por conta das recompras das ações pelas companhias, ao invés do crescimento das vendas. Em algum momento, isso se esgota, ou porque os juros irão subir, ou o endividamento das empresas ficará muito elevado.

Os resultados das companhias são cíclicos, embora os analistas sempre projetem lucros crescentes, de forma geral. Uma maneira de medição, é o lucro - em relação ao - PIB, e no gráfico a seguir, pode-se verificar sua evolução comparada ao SP500.

Para referenciar um argumento citado pelo Gavekal, no gráfico acima, encontra-se destacado a queda de 1987. Vejam que demorou cinco anos para que o mercado retornasse aos níveis pré-queda.

Pode ser que ambos estejam corretos, uma vez que, o Gavekal não descarta os momentos de pânico, mas os classifica como temporários. O gráfico acima, dá esta impressão de "normalidade" na linha vermelha, e só esperar que recupera. Mas quero ver no momento de pânico manter esta calma! Como citou Keynes, "no longo prazo estaremos todos mortos". Vou levar em consideração seus pensamentos, mas uso a análise técnica para nos guiar. O compromisso é com o bolso, para pagar o leitinho das crianças, todos os dias! Hahahahah....

Vem-se noticiando, que os grandes compradores de ouro são os Chineses, devem ter lido o post os-magnatas, e aumentado suas posições, Hahahahah: ... Precisamos duas provas adicionais para ter-se uma certa segurança: primeiro passar os US$ 1.180 e em seguida US$ 1.220, e mesmo assim quero ver de que forma. Em todo caso, se quiser fazer uma aposta arriscada, tipo jogar na loteria, compre com um stop a US$ 1.132...Desde então, atingiu a máxima de US$ 1.193, e agora encontra-se próximo a US$ 1.180.


No curto prazo, o ouro têm que passar a barreira de US$ 1.195, e em seguida US$ 1.225. Aí sim, posso elevar mais minhas expectativas. Tudo isso, tem que acontecer, sem que o metal retorne ao nível de US$ 1.145, que passa a ser o novo stoploss para quem aderiu a minha sugestão.

No post suíça-um-pais-99,9999%, eu comentei que o povo Suíço decidirá no dia 27 de novembro, se o país deve ou não ter 20% de suas reservas em ouro. Se a resposta for sim, o BC daquele país, terá comprar o metal. 

O gráfico a seguir é da cotação do EURCHF (euro contra o franco suíço). Pode-se observar alguns movimentos importantes nestes últimos anos: Primeiro a reação quando o BC Suíço, fixou a relação em 1,20, e pegou todo mundo que estava apostando no franco suíço, como a única moeda que tinha algum valor. Em seguida, voltou a beirar aquele ponto, quando da crise de solvência do Club Med, e mais recentemente, a estagnação da Europa.


Desde o início de outubro, o EURCHF vem se aproximando lentamente do patamar de 1,20, e eu não acredito que já seja por receio do referendo, afinal o ouro caiu. Porém, se o resultado for positivo, e como existe aquele limite fixado pelo BC, é provável que o metal seja bem afetado. 

O SP500 fechou a 2.041, sem alteração; o USDBRL a R$ 2,6077, com alta de 0,28%; o EURUSD a 1,2449, com queda de 0,58%; e o ouro a US$ 1.186, sem variação.
Fique ligado!

14 de novembro de 2014

O Enigma

O que está acontecendo no mercado de trabalho americano é um verdadeiro enigma. Fui buscar a definição dessa palavra: "Trata-se do dito ou da coisa que não se compreende, ou que não se consegue interpretar", e é exatamente isso! Os dados clássicos para avaliação se este mercado está próximo á atingir pleno emprego, deveriam vislumbrar a elevação dos salários, porém não é isso que se observa. 

Eu escolhi alguns gráficos para que vocês entendam meus pontos de vista. A evolução da taxa de desemprego não requer nenhuma explicação, está com uma tendência inequívoca de queda e muito próxima de atingir o nível proposto pelo FED de 5,5%. Sob esta métrica os juros deveriam apontar uma elevação no curto prazo.

Ao se observar o número de horas trabalhadas, a conclusão acima fica mais comprometida, pois neste caso, a evidência é de uma queda estrutural que vem de longa data.
Além das horas trabalhadas, o salário por hora é outro fator de importância no cálculo dos rendimentos dos trabalhadores. Depois da queda que houve após a recessão de 2008, sua recuperação é bastante lenta, não compatível com o desempenho da taxa de desemprego.


Fica mais claro uma mudança, quando compara-se o lucro das empresas com o rendimento dos salários. Algo vem acontecendo desde 1987. Diferentemente das tendências passadas, quando os resultados das empresas guardava relação com a compensação dos empregados.


O que eu estou observando não é nenhuma novidade, principalmente para o FED, onde Yellen tem expressado uma grande preocupação. Por outro lado, os economistas de uma maneira geral, usando os ensinamentos do livro texto de economia, projetam, que é uma questão de tempo, para os dados se normalizarem. Alguns alertam que o FED já deveria estar pronto para agir, caso não queria correr o risco da inflação subir acima do desejado. 

Vez ou outra, nos deparamos com vídeos mostrando os avanços tecnológicos na área de automação: linhas de montagem robotizadas; coleta dos pedidos nos armazéns da Amazon; e etc.. Mas recebi um recentemente, onde fiquei muito impressionado, é um pouco longo, mas vale. O título por si só, já é sugestivo Humans need not Apply!

Será que daqui a 10 anos, uma quantidade significativa de trabalhos serão totalmente substituídas por Baxters, como são chamados estes robôs inteligentes? Essa mudança já está em curso, lentamente trabalhos humanos estão sendo substituídos por máquinas. O premio Nobel de economia, Joe Stiglitz, publicou um relatório cuja conclusão é: Os robôs estão vindo para substituir seus empregos! joe-stiglitz-robots-jobs-2014-.

Este é um problema mais para nossos filhos, pelo menos no meu caso. Mas quero tirar proveito desta evolução, estou louco para que lancem logo estes Baxters a um preço razoável. Imaginem que pela manhã, eu diga para o Flyer, nome que eu vou dar ao robozinho responsável pelo mosca, "pesquise e publique o post com o melhor assunto para os leitores", em seguida "a melhor dica de investimento para o dia". Como o "bichinho" vai ser muito melhor que eu, não existirão erros! Hahaha.....

Na última atualização sobre o real pais-da-fantasia, eu tinha uma expectativa de uma realização do dólar, mas não aconteceu, e o mesmo, ultrapassou o limite de R$ 2,57/2,58. Assim, estamos á caminho dos R$ 2,75.

O gráfico acima dá uma visão de mais longo prazo da moeda, e pode-se notar que a partir de setembro deste ano, a alta acelerou, saindo do nível de R$ 2,20 para atingir hoje, a máxima de R$ 2,6289, uma alta nada desprezível de aproximadamente 20%. Eu não tenho muito mais a acrescentar do que já havia dito no post citado acima. O movimento está "esticado" e sujeito a uma realização. Consigo entender também que, as últimas ações do governo em conjunto com o movimento do dólar no exterior, ganharam uma dinâmica perversa. Estas situações passam, o duro é ficar assistindo o mercado ir no sentido inverso, mas de repente muda. Lembrem-se, este é um jogo de paciência, e a única coisa que não se quer, e estar na contra mão, com fichas na mesa.

O SP500 fechou a 2.039, sem variação; o USDBRL a R$ 2,6005, com alta de 0,46%; o EURUSD a 1,2526, com alta de 0,41%; e o ouro a US$ 1.188, com alta de 2,29%.
Fique ligado!

13 de novembro de 2014

Filme de terror

Eu não sou fã de filmes de terror, as cenas de tensão e suspense me incomodam. Naqueles momentos em que algo terrível está para acontecer, fecho os olhos ou viro a cara, esperando que a cena termine. Mas quem não assistiu o clássico O Exorcista, onde uma menina de 12 anos é possuída pelo demônio? Cenas eletrizantes.

Como eu tinha adiantado ontem, a reunião mensal de novembro, realizada na Rosenberg, foi um filme de terror. E como nos filmes, as cenas iniciais foram tranquilas com um tom mais esperançoso vindo dos USA. Em seguida, com os dados da Europa e China, a tensão subiu. Porém passaram a ficar temerosas quando as informações sobre o Brasil, foram apresentados.

Para fazer o "marketing" do filme, escolhi começar pelo lado externo, pois embora os fundamentos estejam ruins, o investidor estrangeiro, ainda não está apostando contra. Ao contrário, as entradas continuam positivas. Será que eles estão delirando ou enxergam de forma diferente? O gráfico a seguir, mostra a comparação entre a evolução do real, vis à vis, a uma cesta de moedas de países emergentes. Até setembro estávamos melhor e a partir daí tomamos a dianteira, negativamente é claro.


A posição de swap que o BC oferece ao mercado, depois de um período cujo volume permaneceu levemente crescente, voltou a acelerar nos últimos dois meses, aproximando-se de US$ 105 bilhões. É verdade que ainda não houveram saídas de recursos, uma vez que, as reservas se mantêm constantes ao redor de US$ 380 bilhões.


Em seguida, as entradas de investimentos em bolsa e renda fixa, continuam em níveis confortáveis.

Depois destas cenas mais amenas, a temperatura começa a subir, e o próximo slide é a evolução do índice de inflação . Aqui existem duas fontes de pressão para o futuro: Primeiro é consequência das intromissões do governo, nos preços da energia. Vejam no gráfico abaixo, como os preços administrados, que representam 25% do índice foram comprimidos, agora terá que corrigir; e segundo o repasse da alta do dólar nos preços.

Se você acha que terminou, se enganou, ainda neste campo existe outro fator que exercerá pressão nos preços, e agora a culpa é de São Pedro, veja como se encontram os níveis de nossos reservatórios.


Como consequência, os preços da energia vem subindo muito no mercado livre. Para quem produz, que já é uma raridade hoje em dia, pode esperar pressão em seus custos.
 Se você já está segurando a poltrona com as duas mãos e aguardando um slide mais ameno para relaxar, veja como ficou a diferença do preço do diesel em relação ao preço internacional. Ainda 30% de defasagem!

Opa! Não relaxou? Mas eu avisei, é um filme de terror! Mais potencial de pressão na inflação aqui também, ou dane-se a Petrobrás que depende 70% deste produto.

A seguir a arrecadação de ICMS no estado de São Paulo.


Uma coisa vocês podem estar certos, o governo vai aumentar os impostos. Quais serão? Todos que eles conseguirem, pois o próximo slide, que não deveria ser surpresa, mostra a evolução das receitas e despesas do governo.


E a última cena, para terminar o filme, ao invés de ser tranquilizadora, e extremamente preocupante. 


É uma questão de tempo para que as agências de risco façam um rebaixamento na dívida brasileira, que faria com que vários investidores tenham que vender seus títulos brasileiros.

- David, chega .. chega ...! Como pode-se resolver tudo isso?
Primeiro, precisa acreditar que o modelo que se está usando não funcionou, e mudar para implementar o que é correto em situações como estas. Segundo, muita coragem para enfrentar um bom período ruim, pois a fórmula clássica é aumentar os juros, aumentar o superavit fiscal, liberar o câmbio, reforma fiscal, e muitas outras medidas amargas. Você acha que vão fazer? Eu não acredito, e cada vez mais, acho que o que eu escrevi no post Dilma-melhor-opção-para-o-momento, deve acontecer "menos do mesmo".

Segundo um blog especializado, o melhor filme de terror chama-se: Invocação do mal. Espero que o filme de nossa economia não seja esse, pois poderá ficar muito pior do que já está, caso o governo resolva "invocar o mal". Podem se preparar para ver a inflação a 7% a.a, quem sabe 8%; juros da SELIC a 12,5% ou 13%, câmbio a R$ XX,xx  e etc ...Ufa, chega de más noticias! Hoje eu nem vou postar sobre mercados.

- David, muito engraçadinho! Qual a previsão para o real?
Siga o mosca! Hahahahah.....

O SP500 fechou a 2.039, sem variação; o USDBRL a R$ 2,5887, com alta de 0,90%; o EURUSD a 1,2476, com alta de 0,29%; e o ouro a US$ 1.161, com alta de 0,10%.
Fique ligado!