Inflação: A Revanche

27 de fevereiro de 2014

Deflação 101

Um relatório sobre deflação produzido pelo Gavekal, renomada empresa de consultoria econômica, traz explanações sobre o assunto, que vou resumir. Praticamente todos os dias, alguma publicação sobre este assunto é publicada, e o motivo são os baixos níveis de inflação em quase todos os países desenvolvidos. Conceitualmente deflação significa queda de preços, e não queda da atividade econômica. Assim, deflação é um situação muito boa para os consumidores, mas pode ser ruim para os produtores se o "preço" pago pelo Capital é superior ao crescimento do lucro. O que ele quis dizer é que, se uma empresa tem que reduzir seus preços, mas se o seu lucro cresce, ou por que o volume aumenta, ou o custo unitário cai, seu lucro será maior, é o que eu chamo de deflação boa.

O Capitalismo tende a ser muito deflacionário e expansionista ao mesmo tempo, enquanto as despesas do Governo tendem a ser inflacionária e recessiva. Quando o Governo decide, ou é forçado a diminuir despesas, induz o Capitalismo a retornar para o campo da deflação.

Entretanto, existem momentos, que quando os preços caem, forçam o setor privado a diminuir sua atividade, motivando a diminuir suas dívidas. Os preços vão continuar caindo até que esta situação persista, somente quando os lucros se movem acima do custo do Capital, que os preços param de cair.

Levando a situação atual, as seguintes questões precisam ser respondidas:

1) Existe um grande número de preços determinados pelo mercado caindo? A distinção é que, por exemplo se um governo resolve elevar a alíquota de imposto do cigarro, subindo o seu preço, esta ação diminui os recursos disponíveis dos consumidores. Assim esta força é deflacionária, mesmo que o índice de inflação suba.
2) O crescimento dos lucros das empresas está abaixo do custo do Capital? Ou indo nesta direção? Se sim, os preços continuarão caindo.
3) Existem casos de empresas extremante endividadas, especialmente em setores com baixa elasticidade de preços?

- David, pode parar! Como você pretende ganhar dinheiro com estas teorias?
Você sabe que não dá para ganhar diretamente, mas indiretamente é fundamental saber se estamos à beira de uma deflação ou não. Investir é arriscado, às vezes andamos em muros com 0,5 metro de altura, se cair nada de muito sério acontece, e as vezes em muros de 50 metros, aí pode ser fatal. A deflação é um desses casos, assim todo cuidado é pouco.

Os próximos meses serão muito importantes para confirmar a tese do mercado, que as economias dos países desenvolvidos estão num processo de normalização, que a piora recente é consequência do excessivo frio do inverno. Para exemplificar, a Bloomberg realizou uma pesquisa com os economistas de 192 Instituições Financeiras, em relação as perspectivas das taxas de juros em vários países.


Praticamente todos acreditam que as taxas serão superiores as que estão espelhadas nos mercados futuros, em todos os países! E se não acontecer, e a economia não se acelerar como esperam?

Hoje será o último post de fevereiro, como já havia comentado, retornando após o carnaval, dia 10/03. Neste meio tempo serão publicados os dados de desemprego, e como vocês sabem é de extrema importância. Existe muita polêmica e discussão sobre participation rate, e por qual motivo  tem caído tanto nos últimos anos. Ao ler bastante sobre este assunto encontrei dois fatores que poderiam explicar este fenômeno: Primeiro, apresentado no gráfico abaixo, onde vários desempregados estariam vivendo com benefícios do Governo, o box family deles, notem que estão crescendo sem parar!

Um outro motivo, seria o aumento do número de aposentados que aconteceu depois da crise de 2008.



No primeiro caso pode haver um retorno destes ao mercado de trabalho, já no segundo caso é mais difícil, a não ser que exista uma oferta muito grande de empregos, que não parece ser o caso.

Estamos na véspera do Carnaval e todo mundo não está com muita paciência, então sem "enrrolation"! O assunto de mercado é o euro, vamos direto ao gráfico.

Faz 6 meses que a moeda única não sai do lugar, contida entre 1,33 e 1,38, e pior, desde novembro o limite inferior é ainda mais baixo 1,35, meros 2% de variação! Resumindo: Pode subir (1) para buscar 1,43/1,45? Sim; ou cair mais forte (2) rumo a 1,10? Sim. Você me perguntaria, mas qual é mais provável? Minha resposta é que são equiprováveis e bom Carnaval! Hahahah...

O SP500 fechou a 1.854, com alta de 0,49%; o USDBRL a R$ 2,3217, com baixa de 1,12%; o EURUSD a 1,3711, com alta de 0,18%; e o ouro a US$ 1.331, sem variação.
Fique ligado!

26 de fevereiro de 2014

Sucesso de vendas

Nos últimos dias abordei os custos que estão implícitos ao se fazer uma operação de compra de USDBRL, e como devem ser encaradas as operações de hedge, muitas vezes com premissas erradas levando a prejuízos indesejados. Recebi elogios de leitores, que em alguns momentos se encontravam em situação semelhante.

Mas a repercussão foi muito maior do que eu imaginava, o faturamento do mosca bateu recorde histórico! Um sucesso de vendas! Hahahahhah...

- David, parece que é você, que está embriagado pelo sucesso, como chegou  nesta conclusão?
Veja a matéria publicada no Jornal Valor de hoje: custo-elevado-reduz-procura-por-hedge, o título por si só já dá uma ideia do seu teor, que versa sobre o desinteresse das empresas em renovar suas operações de hedge, bem como uma sistemática para calcular seus custos. Além do mais, imagino que o reporter que fez esta matéria não leu o post confusão-patrimonial, pois veja o que ele escreveu ...Dessa forma, com o dólar perto de R$ 2,34, uma operação de hedge só garantiria retorno se a moeda americana superasse o nível de R$ 2,44 em seis meses. Para uma operação com prazo de um ano, a empresa só teria ganho se o dólar estiver acima de R$ 2,55 no fim do período.... Cometeu o erro que eu apontei naquele post, hedge não tem ganho!

Quero aproveitar este episódio para reforçar a utilidade da análise técnica, como eu frisei no post confusão-patrimonial ...Eu estava esperando esta correção, leia-se queda do dólar, a algum tempo, acontece que a recuperação recente foi mais demorada e atingiu um patamar elevado (anotado no gráfico), isso me deixou um pouco mais receoso em sugerir uma venda do USDBRL, mas comprá-lo, vocês não viram nenhuma insinuação do mosca... Veja também o comentário do post mapa-do-tesouro, quando o momento estava mais "quente" e o assunto do dia era se o USDBRL iria para R$ 2,50/2,60...A disciplina é fundamental, não que garanta sucesso, mas evita decisões impulsivas. Enquanto não ultrapassar definitivamente os R$ 2,4550, este movimento pode ser ainda uma correção...

Embora eu não tenha dado um call de venda do USDBRL, uma vez que já tínhamos sido stopados, o zero a zero, numa operação anterior o-fed-ficou-de-recuperação-em-inflação, tinha alguns argumentos para não entrar na compra do dólar. 

1) O BC estava tomando as medidas corretas ao elevar os juros, o quanto for necessário; 
2) Diariamente novas vendas eram efetuadas pelo BC e o mais importante até o momento não teve nenhum impacto em nossas reservas; 
3) O dólar em relação as outras moedas emergentes, já não subia como antes; 
4) Do ponto de vista técnico a probabilidade maior era que ainda tivesse uma correção. Eu destaquei este ponto porque é isto que me obriga sempre a ter uma visão do tipo: se não subir, e ao contrário cair abaixo de X, vou rever meus estudos, trabalho com probabilidades e nem sempre o mais provável acontece. 

Assim, não me critiquem quando dou as minhas opiniões desta forma, pois estou protegendo seu patrimônio para não ficarmos posicionado, só porque eu acho! Assim, vou dar a opinião que considero mais provável, até a hora que não se confirmar.

Bem hoje tem reunião do COPOM e neste últimos 30 dias passou-se de uma expectativa de alta de até 0,60%, para as atuais 0,25%, veja o gráfico a seguir, onde estão representadas a curva do mercado de juros em várias datas.


Como pode-se notar, a queda recente, se deu mais partir de julho de 2015, pois existe um pensamento quase que unânime que, o BC terminaria o ciclo de alta nesta reunião ou na próxima, com uma taxa SELIC de 10,75% ou 11% a.a., mas que a partir de 2015, teria que subir novamente até 12% a.a.

Eu respeito os argumentos dos analistas, afinal ,as contas do Governo estão muito ruins, mas existe um fator de risco este ano, que torna esta previsão vulnerável, quais sejam: Quem será o próximo Presidente da República? A Dilma vai se reeleger, ou um outro candidato vai assumir? Olhando de hoje, parece que a primeira opção é mais provável, porém o "efeito Copa do Mundo"; risco de apagão; e manifestações, poderão dar um outro rumo, ou seja, uma visibilidade baixa.

Muito pouca coisa aconteceu desde que nossa ordem de compra de ouro foi executada, sugerida no post os-chineses-estão-apostos, lá comentei ...Se formos bem-sucedidos e compramos numa pequena retração dos preços atuais, imagino um target ao redor de US$ 1.430... Nós vamos entrar na semana de Carnaval e amanhã será o último post, retronando no dia 10/03. 


Por enquanto está caminhando bem, porém gostaria de deixar 2 opções para vocês, caso o metal continue subindo neste período e atinja o nível de US$ 1,380: A) Liquidaria e embolsaria o lucro; B) Continuaria elevando o stop para US$ 1.310 e liquidaria caso atinja a US$ 1.430. Não tenho uma preferência, pois vai depender do que acontecer até lá. It's up to you!

O SP500 fechou a 1.845, sem variação; o USDBRL a R$ 2,34955, com alta de 0,37%; o EURUSD a 1,3684, com queda de 0,40%; e o ouro a US$ a 1.330, com queda de 0,75%.
Fique ligado!

25 de fevereiro de 2014

Yuan: Queimando nas mãos

O mosca está atento aos acontecimentos na China, e mencionei que é necessário que nada de mais grave aconteça por lá. Que o índice da bolsa lá, vai de mal a pior, vocês já sabem. Mas já alguns dias um movimento na moeda Chinesa, o Yuan, vem apresentando uma trajetória que merece atenção. Alguns argumentos surgem para tanto: Redução dos recursos considerados como hot money, que acarretaram em aumentos excessivos nas reservas do país; uma melhor preparação do Yuan para se tornar uma moeda conversível de uma forma mais balanceada; O Yuan forte não é compatível com um cenário mais sombrio para os países emergentes.

É verdade que a magnitude de queda da moeda Chinesa em 2014, que está com a escala invertida no gráfico para facilitar a leitura, é pequena,da ordem de 1,5%. Mas é visível que a volatilidade elevou-se mais recentemente, em comparação com a do passado. Isto, de certa forma, também explica a diminuição dos títulos americanos detidos pelos chineses, conforme mencionado no post os-chineses-estão-apostos, Assim a autoridade monetária deve estar vendendo dólares, a fim de amenizar este movimento.
Pois é, nem investir na moeda Chinesa é mais barbada!

A bolsa levou um tombo ontem de 2%, e encontra-se muito próxima do nível tecnicamente perigoso de 2.000.



Já que o assunto é bolsa, no post r2-d2-nas-ruas, eu fiz o seguinte comentário sobre o SP500... Assim eu anotaria os seguintes pontos com destaque, se a queda citada acima, foi um escorregão, então o SP500 deveria ultrapassar o nível de 1.810, o que já colocaria os vendidos de sobre aviso para realizarem o prejuízo, mas só acima de 1.850 esta afirmação é confirmada ... Pois foi o que aconteceu ontem, a bolsa ultrapassou este último ponto, abrindo a porta para novas altas.


Cada vez mais, o SP500 se distância do rompimento dos 1.600 pontos, e a possibilidade da onda C diminui analise-técnica-101. Outro dia li um trabalho que descarta a hipótese da onda C, e está trabalhando com o início de um novo mercado de alta, por enquanto ele está correto..

Todos sabemos que, conforme vai o consumidor americano, vai a sua economia, afinal o PIB depende 70% do consumo. Vários institutos realizam pesquisas para avaliar as intenções de compra, e recentemente o Bloommoberg Consumer Comfort Index, que originalmente chamava-se  ABC News Consumer Comfort Index, atualizou o seu (21/02).



Até o final da década passada existia uma relação forte entre este índicador e o SP500, na primeira crise da bolha da internet, ainda guardaram uma associação, onde a bolsa e o índice caíram, porém a partir de 2003, iniciou uma desassociação entre ambos, principalmente depois de 2008, onde houve uma pequena melhora da expectativa, para uma grande alta da bolsa. Será que o SP500 está numa bolha? Pode ser, e mesmo que isto seja verdade, não significa que vai cair amanhã, pode ficar um bom tempo assim, mas o que podemos afirmar com certeza, caso esta hipótese seja verdadeira, é que é muito perigoso se ter posições nestes momentos.

Eu não tenho recomendado nenhuma operação de venda do SP500, já há um bom tempo, os parâmetros técnicos não indicam queda, mas também não tenho sugerido compras, apenas alguns insights de comprar com stops curtos. Talvez esteja na hora de eu rever minha fundamentação técnica, prometo uma reavaliação, mas depois do Carnaval! Hahahahah....

O SP500 fechou a 1.845, com baixa de 0,13%; o USDBRL a R$ 2,3341, com queda de 0,21%; o EURUSD a 1,3739, sem variação; e o ouro a US$ 1.340, com alta de 0,30%.
Fique ligado!

24 de fevereiro de 2014

Confusão patrimonial

Quando inicia-se uma carreira profissional existem muitos sonhos e desejos, a imaginação nos leva a grandes altitudes. Nesse momento da vida é natural se pensar: Ah, quando eu acumular XX de patrimônio vou ficar tranquilo, posso me aposentar! Eu me considero um profissional com uma carreira bem-sucedida, consegui atingir meus objetivos patrimoniais, que se mostraram mutantes no tempo, ou seja, atingindo um patamar se almeja um próximo, não tem fim!

O problema no meu caso, foi que comecei a trabalhar na segunda metade dos anos 70, a inflação era muito elevada, 50%, 100% a.a., ficou bem pior na década seguinte, assim medir a evolução de meu patrimônio em cruzeiros, cruzeiros novos, cruzados, cruzados novos, URV, e etc... não dava. Quando trabalhei na Tendência Corretora, ao final de um dia, fiquei observando meu monitor a fim de eleger um ativo, e lá constavam as cotações de vários: Moedas (dólar, marco alemão, franco suíço, Yen...); ouro; petróleo; soja; bolsas.... e concluí: Se você não tiver um parâmetro fixo de avaliação de seu patrimônio, no final de cada dia vai ficar frustrado, pois sempre irá perder em relação a algum ativo, tenho que escolher o meu, e não mudar.

-David, agora vai fazer coaching?
Não, não sou do ramo, esta introdução acredito seja muito importante, pois em diversas conversas com leitores, percebo uma certa confusão nesta área. Recentemente um me questionou sobre qual a minha opinião do dólar contra o real, e em seguida fez a seguinte observação: " Eu fiz um hedge (*) de um valor que tenho investido, e estou perdendo". Já ouvi estas frases inúmeras vezes, não é exclusividade deste leitor específico, assim vou procurar esclarecer este assunto.

Vamos imaginar que se disponha de R$ 10.000,00 para investir em reais, e, este valor tem que manter seu poder de compra em dólares, pois é desta forma como esta pessoa vai avaliar sua performance. Para simplificar, considere que a taxa de juros em reais seja de 10% a.a., a taxa para comprar dólar futuro seja de 9% a.a., assim é esperado um ganho ao final de um ano, um pouco inferior a 1% em dólares, por causa do cálculo dos juros compostos.


Até aqui nada de muito novo, afinal do que poderia se queixar este investidor? Acontece que a liquidação da operação de câmbio pode gerar pagamentos ou recebimentos, vejamos então dois cenários: A) Me sinto um gênio; B) Perdi uma nota. 

No primeiro caso, se a taxa do dólar, na data de liquidação da operação de câmbio estiver a R$ 2,80, um crédito adicional seria feito, segundo o seguinte cálculo: 

Já no segundo caso, suponha que a taxa do dólar, esteja a R$ 2,30, neste caso um débito.

Agora vamos calcular o patrimônio final, medido em dólares, em ambos os casos.


Como pode-se observar o patrimônio em dólares em ambos os casos, são praticamente idênticos e igual ao projetado inicialmente na primeira tabela. Então porque nestes dois casos as pessoas são levadas a ter sensações opostas? Por que elas dizem que fizeram um hedge de suas posições, mas na verdade estão especulando para que o dólar suba. Assim quando a operação terminar, se recebem ajustes em reais da operação de câmbio, ficam felizes, ganhei mais! E se perdem, se lamentam.

Conclusão: Se você realmente pretende fazer um hedge, nem se incomode com o cheque que terá que fazer ou receber ao final da operação de câmbio, depois renove o contrato de câmbio. Agora se ao final tiver alguma sensação de alegria ou tristeza, assuma que está especulando, e especular contra o real é caro, bandeira 2, pode ganhar, mas tem que estar com o dedo no gatilho.

A análise de hoje não poderia deixar de ser do USDBRL, classificaria a situação atual, como levemente negativa. Eu estava esperando esta correção, leia-se queda do dólar, a algum tempo, acontece que a recuperação recente foi mais demorada e atingiu um patamar elevado (anotado no gráfico), isso me deixou um pouco mais receoso em sugerir uma venda do USDBRL, mas comprá-lo, vocês não viram nenhuma insinuação do mosca.
O que espero daqui em diante? Três possibilidades, a primeira uma queda até o nível de R$ 2,25, a segunda R$ 2,15, que me parece a mais provável, e por último R$ 2,00/R$ 1,90. Qualquer uma delas que se materializar, mesmo sem fazer muitas contas, acredito que vai gerar um ganho ao nosso BC, do outro lado, uma parte dos investidores fizeram hedge, e espero que leiam este mosca antes de se lamentarem, e os especuladores, vão ter que achar um culpado, lembrem das idéias de Nietzsche!

O SP500 fechou a 1847, com alta de 0,62%; o USDBRL a R$ 2,3390, com queda de 0,27%; o EURUSD a 1,3732, sem alteração; e o ouro a US$ 1.336, com alta de 0,97%.
Fique ligado!
(*)Making an investment to reduce the risk of adverse price movements in an asset. Normally, a hedge consists of taking an offsetting position in a related security, such as a futures contract.

21 de fevereiro de 2014

Excesso de neve ou alta dos juros?


O mercado imobiliário é uma das peças importantes na expectativa de melhora da economia americana, antes da crise de 2008, representava uma parcela importante do PIB americano, além de gerar muitos empregos. Os helicópteros ajudaram bastante sua recuperação, depois daquela data, e a partir de 2011 os preços dos imóveis inciaram um período de recuperação alimentando novas construções. Porém, a partir de meados de 2013, houve uma nítida desaceleração, que pode ser vista no gráfico abaixo.


Uma notícia que passou desapercebida foi uma entrevista de um membro do FOMC, a uma rede de TV, John Williams, que declarou ... É extremamente difícil alterar o ritmo definido pelo FED na diminuição dos recursos injetados... Mas se os dados econômicos não melhorarem rápido, nos teremos que rever está ação.... Ele viu algo de preocupante que o mercado não viu.

Como comentei ontem, o mercado está tranquilo colocando toda a culpa nas temperaturas baixas: as vendas caíram, culpa da neve; a criação de empregos foi baixa, culpa da neve; o número de lançamentos imobiliários caiu, culpa da neve. No mês de janeiro o lançamento de novas unidades despencou 16% em relação ao mês anterior, que já tinham caído 4,8%, e o mês que vem não deve ser muito melhor. Será que foi só por causa da neve? A razão talvez seja um pouco diferente, pois desde que o FED ameaçou diminuir os helicópteros em maio, as taxas de juros para financiamento se elevaram em 1% a.a. Quando o prazo é muito longo, 30 anos, faz muita diferença no valor das prestações, elas sobem em média 13%,

Esta situação pode ser o sinal de uma nova crise? Pouco provável,  pois embora os juros tivessem subido, seu nível ainda é baixo, e uma boa parte dos imóveis que tinham gerado a crise já foram equacionados, estes estoques estão no níveis mais baixos dos últimos 6 anos.

O FED parece comprometido em diminuir os helicópteros, é isso que pode-se extrair das minutas publicadas na última quarta-feira, mas acredito que a data limite é a primavera do hemisfério norte, para estes dados reverterem.

O índice de inflação de janeiro, o CPI não apresentou nenhuma mudança em relação aos anteriores, baixa e ainda distante do objetivo traçado de 2% a.a. Observem também que o índice seguido pelo FED, PCE é o mais baixo de todos.


Agora imaginem se por uma medida de precaução, na próxima reunião do FED em março, eles resolverem dar uma pausa nas retiradas dos estímulos, para retornar depois dos dados mostrarem recuperação.  Não sei o que aconteceria com o SP500, pois de um lado é bom, mais dinheiro, de outro coloca dúvidas sobre a recuperação, agora os títulos de 10 anos irão subir muito (queda da taxa), pois não vi quase nenhuma recomendação de compra, o mercado está "vendidasso", será que a Yellen vai bater o p#u na mesa? Hahahah....

Será que Mark Zuckerberg ficou embriagado pelo sucesso? Esta é a primeira reação a oferta feita pelo Facebook, ao pagar US$ 19,0 bilhões pelo WhatsApp uma companhia com 50 funcionários e que obteve seu crescimento sem nenhuma publicação de anúncios. Os números são impressionantes, hoje possuem 450 milhões de usuários que cresce 1 milhão por dia! E funciona muito bem, como vocês devem saber. Ao invés de uma postura inicial crítica que estão estampadas em todos os jornais, vamos ver como as ações das principais companhias: Apple, Google e Facebook, performaram nos últimos 15 meses.


Sobre a Apple já sabemos, está buscando o que vai ser depois de Steve Jobs, e o mercado parece estar dando este tempo, está no zero a zero, enquanto o SP500 subiu > 40%, já a Google, um "reloginho" turbinado e o Facebook, depois de derrapar quando do seu IPO, teve um alta expressiva desde de julho de 2013. Conclusão: O mercado está gostando da gestão de Zuckerberg, que com 29 anos já faz parte do grupo de bilionários.

Só o tempo dirá se foi uma boa compra ou não, em todo caso vamos fazer alguns cálculos:  O custo por usuário é de US$ 42,00 e a cada ano agrega mais 360 milhões de novos usuários, ou seja quase dobra. Se o Facebook cobrar, ou gerar anúncios equivalente a  US$ 0,99/mês/usuário, sua receita no primeiro ano será de US$ 8,0 bilhões e no segundo U$ 12,0 bilhões. Bingo, paga todo o investimento em 2 anos, um gênio, o preço foi de graça! Hahahahah....

Um dos posts desta semana viciado-em-juros causou bastante polêmica em meus leitores, alguns não entenderam. Por considerar este conceito fundamental para seus investimentos, estou atualizando o gráfico com algumas modificações.

Suponha que algum leitor não tenha seguido a recomendação do mosca, e resolveu ficar comprado em dólares contra o real, afinal dizem que quem dorme com a posição em dólares, dorme tranquilo, doce engano. Então ao final desta sexta-feira, já um pouco desiludido, ligou para o seu banco, e pediu para liquidar sua posição a R$ 2,3450. Sem considerar os custos de entrada e saída, que qualquer banco vai cobrar, vejamos se teve lucro ou prejuízo.

Inicialmente, eu transformei a evolução das cotações num ponto diário e uni este pontos, a linha em vermelho é o que eu chamei de divisor de águas, ou seja qualquer negocio fechado acima desta linha realizou uma perda e abaixo um ganho, para os mais criteriosos, está linha na verdade é uma curva, mas simplifiquei.


Se a origem da operação se deu no período em verde, este leitor deve ter realizado um lucro, onde o câmbio fechado ao redor do dia 17/10 foi o máximo, da ordem de 5%, se foi no período em amarelo considero que empatou e no período em roxo houve uma perda de aproximadamente 7%, quando bateu R$ 2,455 em 21/08, há exatamente 6 meses.

Ultimamente venho frisando que o dólar estava perdendo força e que não descartava uma correção, somente acima de R$ 2,455 mudaria de opinião, chegou perto! Aguardem novas análises em breve, mas a lição que fica aqui são duas: Primeiro que quando todo mundo acha a mesma coisa, tenha cuidado;  e segundo leve em consideração se o que você está comprando tem taxímetro com bandeira 2, e o real tem! Hahahah...

O SP500 fechou a 1.836, com queda de 0,19%; o real a R$ 2,3453, com queda de 1,05%; o EURUSD a 1,3738, com alta de 0,15%; e o ouro a US$ 1.322, sem variação.
Fique ligado!

20 de fevereiro de 2014

Bad news!

Eu repeti inúmeras vezes que enquanto a China estiver crescendo a níveis razoáveis, para os padrões Chineses, ao redor de 7% a.a., não parece provável um contágio generalizado, a lá 1997-1998. Todos os meses os Purchasing_Managers_Index são publicado pelo HSBC, nos diversos países e esta noite foi o da China. Conforme pode-se ver no gráfico abaixo, o setor manufatureiro já está em contração, embora o dado publicado pelo Governo, só sai no início do mês.

 Os analistas estão atribuindo a fraqueza dos dados econômicos, ultimamente publicados, em razão dos recordes de temperaturas baixas, que imaginam, ter impacto em todos os países. O economista chefe do HSBC fez o seguinte comentário: ... February´s flash reading of the HSBC China moderated further as new orders and production contracted, reflecting the renewed destocking activities. The building-up of disinflationary pressures implies that the underlying momentum for manufacturing growth could be weakining. We believe Beijing policy makers should and can fine-tune policy to keep growth at a steady pace in the coming year... Tradução: O gato subiu no telhado, mas o governo sabe como tirá-lo!

Já na Europa, o mesmo índice mostrou um empate. Como acontece de costume, a Alemanha melhorou enquanto a França piorou, também com um Presidente como o Hollande não dá para esperar coisa melhor.


Existe um termo em inglês que talvez descreva bem o momento em que vivemos: muddle through, que significa confuso, tonto, como depois de beber. Por enquanto não apareceu nos dados todo o otimismo esperado pelos analistas, se for por causa da neve, vamos saber em breve, no momento só muddle through!

Enquanto o humor não melhora a nossa bolsa, o Ibovespa, continua em queda lenta e gradual. Ontem recebemos a informação que os estrangeiros investiram US$ 2,0 bilhões em renda fixa, também com os juros que os títulos públicos pagam não podia-se esperar algo diferente, entretanto para a bolsa não está sendo bem assim, o fluxo para os mercados emergentes, onde o Brasil se inclui, continua uma draga.

No post prova-dos-9 meus comentários foram ... reafirmei minha ideia anterior que, entre 45.000 - 55.000, é caixão, acontece que estou inclinado a projetar valores mais baixos, algo como 39.000... Acontece que está chegando próximo do nível inferior e tecnicamente não está nada bom, veja a seguir.

Desde de 2013, a bolsa vem apresentando um comportamento baixista, onde cada nova queda atinge patamares inferiores e a cada recuperação não recupera o anterior, como marquei acima. Parece que nos próximos dias o mercado vai "empurrar" as cotações ao nível de 45.000, para ver o que acontece, afinal as notícias estão do lado dos "ursos", termo que se usa para identificar os baixistas. Que fase!

Agora eu tenho visto muitos analistas colocarem toda a culpa no Governo, eles tem culpa sim, mas será que não é exagerado, pelo menos sobre a performance da nossa bolsa?

- David, conta aí, porque você está defendendo o Governo?
Amigão meu compromisso é com o bolso, não tenho que defender nem atacar ninguém, os fatos falam por si. Antes de observar o próximo gráfico, se eu propusesse uma aposta, para dizer quem está pior a bolsa brasileira ou Chinesa, garanto que apostariam na primeira, não mintam! Então veja o que aconteceu nos últimos 12 meses.

Literalmente empatada, surpreso? Um pouco, afinal se existe diferenciação entre os países emergentes e o Brasil está nos bad boys, e a China não, o que explica esta performance?  Não tenho uma resposta muito convincente, neste caso usaria a frase do meu ex-sócio: "Contra o fluxo não há argumento!"

O SP500 fechou a 1.839, com alta de 0,60%; o USDBRL a R$ 2,3701, com 0,99% de queda; o EURUSD a 1,3719, sem variação; e o ouro a US$ 1.323, com alta de 0,83. Conforme minha sugestão do post os-chineses-estão-apostos, uma parte da operação de compra de ouro a US$ 1.310, foi executada ontem, e por enquanto mantenham os parâmetros lá definidos.
Fique ligado!

19 de fevereiro de 2014

Os Chineses estão apostos


Ontem o Tesouro americano divulgou os dados sobre a movimentação de Capitais, referente a dezembro de 2013. Alguns resultados merecem atenção, a China que construiu suas reservas durante os últimos 10 anos, para financiar a compra de seus produtos exportados para os USA, e depois de atingir o recorde no primeiro semestre de 2011, reduziu-se ao final deste ano, e desde então vinha crescendo lentamente. Porém em dezembro houve um queda importante de US$ 48 bilhões, a segunda maior da história.



Este dado não deveria causar preocupação, a não ser pelo fato que as reservas Chinesas como um todo atingiram as máximas, assim na falta de outras alternativas para seus recursos, aliada ao fato de os títulos americanos de 10 anos estarem em 3% a.a. naquela data, porque teria agido assim?

Todos sabemos que a China é o maior detentor de títulos americanos, seguido pelo Japão, que teve sua posição alterada marginalmente. Intrigante também, é que o total de títulos detidos pelos estrangeiros ao invés de caírem, subiram de US$ 5.719 bilhões para US$ 5.794 bilhões. Mas quem poderia substituir a China em seu resgate e ainda aumentar sua posição? Bélgica! É isso aí, não me enganei.


Muitas explicações podem ser dadas para este fato, mas parece que a Bélgica foi usada como "laranja" para dar a imagem que está tudo bem. Estamos exportando know how! Hahahah... Vale ficar atento para as próximas publicações, pois se a China pretende diminuir suas posições neste momento em que o FED diminui seus helicópteros, não vai ser nada agradável.

No post polos-opostos-se-atraem disse que iria estudar uma nova operação no ouro. O movimento desde dezembro indica uma oportunidade para compra, e minha sugestão é no nível de US$ 1.310/US$ 1.300, com um stop a US$ 1.270. São dois os motivos da minha ideia: 1) Ainda tem vários analistas com recomendações de venda; e 2) Os dados técnicos mudaram para melhor.

Se formos bem-sucedidos e compramos numa pequena retração dos preços atuais, imagino um target ao redor de US$ 1.430.

- David, porque você não aguentou e vendeu a US$ 1.255, alguns dias atrás?
Olhando ex-post tudo fica mais fácil, estaríamos todos ricos, acontece que naquela momento existia a possibilidade de novas quedas, tomei uma atitude conservadora, agora não tenho nenhuma restrição de comprar mais caro com um cenário melhor. Se tudo der certo, vamos abrir mão de uns US$ 50 para buscar um ganho de US$ 170 (os dois resultados somados), qual o problema? Agora ruim é estar na contra mão, que ao invés de discutir um lucro menor, discute-se prejuízo!

O SP500 fechou a 1.828, com baixa de 0,65%; o USDBRL a R$ 2,3926, com baixa de 0,10%; o EURUSD a 1,3734, com queda de 0,17%; e o ouro a US$ 1.311, com queda de 0,75%.
Fique ligado!

18 de fevereiro de 2014

Viciado em juros

Você tomaria um empréstimo cuja taxa é de 1.000% a.a.? Depende, se for por um dia para fazer um negócio único, a resposta é um sim, pois embora tenha um custo de 0,28% num dia, o lucro esperado deve ser maior. E um empréstimo a 12% a.a., por 5 anos? Aí é muito mais difícil de responder, pois ao findar este período, seu custo acumulado será de 76%.

Eu comecei minha vida profissional na área de renda fixa e dizia que os juros são como um taxímetro, faça chuva ou faça sol, ao final de cada dia seu dívida cresce. Meu pai nunca tomou um empréstimo, tinha receio de esquecer o seu pagamento, no meu caso raras vezes, somente em períodos curtos ou quando os juros eram realmente baixos, meu argumento era um pouco diferente, eu prefiro receber do que pagar! Hahahah....

O Deutsche Bank fez um estudo interessante sobre as moedas dos países emergentes, mas ao invés de analisarem num período curto, o fez para 5 anos. Comparou, de um lado qual é a taxa futura para cada uma das moedas em função dos preços futuros Forward_exchange_rate, em azul no gráfico e do outro lado qual o desvio de uma determinada moeda em relação ao Purchasing_power_parity, que é uma modelagem usada para calcular o seu preço justo.

Num extremo encontra-se o Yen, onde se comprará o dólar 20% mais barato, para daqui a 5 anos, e além disso, esta se encontra valorizada em termos do PPP, do outro lado o real que teria sua cotação a R$ 3,70 neste prazo (55% acima das cotações de hoje) e um desvio em termos de PPP de aproximadamente 10%, ou seja R$ 2,65.

- David, este é o trade do século. Vamos comprar real e interromper a leitura do mosca até 2019! Hahahah....
Ao inciar meu envolvimento nos mercados de câmbio, estudei o conceito de PPP e achei que tinha descoberto a pólvora, pensei: Se uma moeda estiver mais barata que o modelo aponta e sua taxa de juros é superior a da outra moeda, basta comprar e esperar que um dia, ela irá se corrigir. Depois de alguns tropeços, onde não só não se aproximou, como se distanciou, cheguei a outra conclusão: O PPP é um ponto que quando atingido, dá um "beijinho" e tchau, tchau, só daqui a muito tempo de novo.

A título ilustrativo, vejam a seguir o gráfico do dólar contra uma sexta das principais moedas. A linha central é o PPP e as pontilhadas de uma banda de +/- 20% em torno deste parâmetro.

Acho que minha tese é auto-explicativa, nos últimos 40 anos o dólar esteve somente  7 vezes no valor "correto". O que sim é valioso, é que se uma moeda estiver 20% acima ou abaixo, fique de olho para tomar uma posição. Toda esta explanação para concluir que não é tão moleza como meu amigo está imaginando.

Agora, vender o real contra o dólar e tirar férias, cuidado os juros podem te matar, a tabela abaixo calcula a taxa de câmbio máxima que o USDBRL poderia estar durante os últimos 6 meses, para que você tivesse algum ganho.



Para que vocês compreendam este gráfico, todos os dias que o USDBRL esteve acima da linha vermelha, o seu resultado foi negativo e vice-versa, abaixo no lucro. Eu ainda tracei uma banda de +/- 1% onde o resultado é desprezível. A conclusão é que nos últimos meses só ganhou quem comprou dólares em setembro e outubro. Vale ressaltar que quem vendeu dólares também não ganhou nada, e talvez esteja até no prejuízo.

Do ponto de vista técnico, vale ainda o que observei no post A professora-yellen ... o real está sendo negociado dentro da "zona de tensão", porém existe algo que vem acontecendo, que cada nova alta é superior a anterior e a cada baixa situa-se também num nível superior ( anotado no gráfico em verde) , em termos técnicos significa que o mercado está querendo subir, por outro lado outros indicadores estão perdendo a força, ficando uma queda mais vulnerável. Como diz um analista: Let´s the market speak!... E por enquanto o mercado não "speakou"! Hahahahah.... 

O USDBRL terá que decidir se continua a alta rapidinho, ou uma correção maior irá acontecer. Os comprados estão "empurrando" as cotações para testar o nível de R$ 2,45 e verificar se ordens de stop serão executadas, aí realizam seus lucros, do outro lado está o BCB vendendo todos os dias. Cada dia que passa, o custo aumenta para aos comprados, que não é barato. Taxímetro!

O SP500 fechou a 1.840, com alta de 0,12%; o USDBRL a R$ 2,3950, com alta de 0,25%; o EURUSD a 1,3757, com alta de 0,37%; e o ouro a US$ 1.321, com baixa de 0,53%.
Fique ligado!

17 de fevereiro de 2014

Novos helicópteros para a Europa

Hoje é feriado nos USA, Dia do Presidente. Eu realmente não sei o que se comemora neste dia, será o fato poder escolher um? A gestão do atual? Bem, em todo caso, os mercados permaneceram fechados, e em dias assim, pouco acontece no resto do mundo. Os americanos trabalham bastante, mas gostam também de um feriadinho desnecessário!

Um dos jogos de futebol deste final de semana apresentou uma grande surpresa, o Santos, que vinha num caminho de recuperação excelente, teve um tropeço grande, perdeu para o Penapolense por 4 x 1, um chocolate como se diz na gíria futebolística. Eu acho que tem um motivo, desde que Leandro Damião começou a jogar, o time decaiu em produção. Vale aqui minha teoria que jogador velho não serve para o esquema " high tech" brasileiro, ou seja, deve-se buscar revelar jovens talentos e preparar-se para perdê-los rapidamente. Agora o time ficar em torno de um jogador, que já declarou que seu objetivo é ser convocado para a seleção, não funciona.

O Presidente do BCE, Super Mário, que está prestes a perder seu título, afinal não tem mais nada a salvar, terá uma tarefa difícil em sua próxima reunião no início de março. Uma pesquisa feita pela Bloomberg, apontou que os economistas estão divididos, metade acredita que ele irá introduzir novos estímulos, enquanto que a outra metade acredita que manterá os níveis atuais. A dúvida se origina em função de duas variáveis que apresentam resultados opostos, por um lado, os níveis de inflação se encontram extremamente baixos, ao redor de 0,7% a.a., e deflação é palavrão, e do outro lado, os últimos dados de crescimento do PIB que vieram melhores, 0,3% no 4º trimestre.

Se sua decisão for a de fazer algo, muito poucas opções ele terá disponível: baixar os juros de 0,25% a.a. para zero!; oferecer empréstimos longos aos bancos, que vem agindo de forma contrária ao repagar com antecedência os antigos; uma taxa de juros negativa nos depósitos, isto mesmo, quem deixar na conta corrente terá custo!; ou lançar helicópteros e mais helicópteros, porém nesta hipótese vai ter que enfrentar os Alemães que não toleram este instrumento. Analisando estas alternativas, parece que a melhor seria rezar muito a noite. o Super Mário além de ter que enfrentar esta situação econômica adversa, precisa negociar com Franceses, Alemães, Italianos, Espanhóis e outros, não te invejo! Hahahah...

O Banco Goldman Sachs realizou uma pesquisa com seus clientes para identificar quais são suas principais preocupações atualmente.

Três itens representam seus receios: China e o crédito para os mercados emergentes; crescimento baixo por muito tempo nos mercados desenvolvidos e bolhas provocadas pelo excessivo afrouxamento monetário. Notem que a inflação não apresenta nenhuma preocupação. Refletindo sobre estes resultados, sou levado a concluir que, um problema mais sério nos emergentes terá um impacto sim nos países desenvolvidos, e se a inflação resolver aparecer pegará todos os investidores de calças curtas.

Vou comentar hoje uma moeda que não acompanho aqui com frequência, o British Pound. O motivo desta minha inclusão, é que a mesma se encontra num nível que requer vigilância. Inicialmente veja como a mesma se comportou neste últimos anos.

Na crise de 2008 levou um tombo de respeito ao cair 35%, de 2,10 para 1,35. Passou os últimos 5 anos sem uma tendência muito clara. Porém a partir de 2013, iniciou uma recuperação e encontra-se atualmente num ponto crítico. O "esperado" seria uma nova queda que ultrapassaria os níveis anteriores de 1,35, porém não é o que se pode concluir, com uma análise mais abrangente. Assim se ultrapassar o nível de 1,70, bastante próximo dos atuais de 1,6725, entraria numa área crítica ilustrada em verde acima.

Embora eu não tenha citado muito, a Inglaterra se utilizou bastante de helicópteros para evitar a quebra de alguns bancos muito importantes, como o RBS, LLyods, etc.... O fato de ter sua própria moeda, permitiu uma ação mais eficaz e hoje sua economia vem se recuperando, os imóveis sobem de preço e os níveis de desemprego estão decrescendo.

É interessante avaliar o que aconteceu com a moeda Britânica, quando comparada com o Euro. O gráfico a seguir é o EURGBP, ou seja, a moeda única em relação à inglesa, assim se o preço sobe significa que o euro valorizou mais que a libra, e quando cai o inverso.


Durante o ano de 2008 a libra se desvalorizou muito em relação ao euro, ao redor de 28%, de 0,70 para 0,98. Se vocês se recordam, a Europa ficou de certa forma imune naquele momento, a partir daí percebe-se um movimento inverso, onde o euro começou a perder valor, ocasionando uma valorização da libra da ordem de 18%.

O que deve acontecer daqui em diante? Vai depender de como a batalha da Libra em relação ao dólar se desenvolve, se ultrapassar o nível de 1,70 é bem possível que continue se valorizando em relação ao euro. Vamos ver quem vence esta batalha, se fosse no futebol, sou mais os Ingleses!

O USDBRL fechou a 2,3883, sem variação; o EURUSD a 1,3704, sem variação e o ouro a US$ 1.328, com alta de 0,75%.
Fique ligado!

14 de fevereiro de 2014

Polos opostos se atraem?

Aprendemos em física que, um polo negativo atrai um polo positivo, não é somente nessa área, os psicólogos também usam este conceito quando o assunto é sobre casais, aqui já é mais polêmico esta afirmação, pois criar uma regra que se encaixa numa relação entre homem e mulher é um pouco pretensioso. Segundo um terapeuta muito conhecido, Flávio Gikovate, ... "Pessoas muito diferentes vivem brigando e se irritando umas com as outras. Temperamentos e gostos antagônicos dificultam a vida em comum"... Em finanças, segundo um grande especialista, o mosca, Hahahahah... diz categoricamente que não, assim uma China nunca vai virar um USA, nem uma França igual a uma Alemanha.



O JP Morgan elaborou um diagrama muito sugestivo, contendo informações de dívida sobre o PIB e crescimento para diversos países.
Os países em roxo são os emergentes, enquanto que em verde os desenvolvidos, outra informação é pelo tamanho da bola que indica o nível da taxa de juros em títulos de 10 anos de cada país.

Quem está pior, o Japão que tem uma dívida enorme, mas com um juro muito baixo, ou a Indonésia que tem uma divida baixa, um bom crescimento, mas com um juro elevado? A Grécia nem precisa perguntar, tem tudo ruim! A China está numa posição privilegiada, é aí que a teoria dos opostos não se aplica em finanças, embora estejam perto geograficamente, o Japão não têm nada em comum.

O país mais "obeso" deste grupo é o Brasil, e não é para menos que estamos sendo tão criticados, não fossem as reservas acumuladas durante a gestão de Henrique Meireles no BC estaríamos em maus lençóis, o USDBRL estaria nas alturas. O Ministro Mantega criticou veementemente os estrangeiros quando jorravam dólares por aqui, foi uma Tsunami maravilhosa, não acha Ministro?

Como podemos sair desta armadilha? Somente fazendo a lição de casa, sem trambiques. Primeiro diminuir os gastos públicos para adquirir credibilidade na solvência de nossa dívida, criar condições vantajosas para atrair investimentos e o fluxo cambial permitir uma valorização saudável de nossa moeda, e por último que nenhuma surpresa negativa vinda do exterior interrompa este ciclo através de uma fuga por aversão ao risco. É pedir muito? Sim, estamos em ano eleitoral, e a Presidenta quer se reeleger, como vai cortar despesas? O jeito vai ser segurar na marra, com juros elevados até o final do ano, e o trabalho sujo vai ficar para o próximo governo, seja ele quem for.

Enquanto isso vamos caminhando "obesamente" para a direita no gráfico e torcendo para que nada de ruim aconteça, não é para menos que o Presidente de nosso BC, anunciou que vai vender reservas, caso o câmbio fique arisco, vamos ver no que dá e quando ele vai intervir. Os juros contam contra, os que apostam numa maior desvalorização do real, já a situação externa a favor. Assim, o que vêm acontecendo com o real, relatado no post de ontem as-próximas-jogadas-do-fed, faz sentido.

E o ouro hoje acima de US 1.300, o que dirá o pessoal que estava achando que US$ 1.000 era barbada? Não o mosca, que já vem há um bom tempo alertando que não se devia vender mais o metal. Vou me ater ao post uma-boa-e-uma-má-noticia onde defini um intervalo considerado "caixão", veja abaixo

    É verdade que estava desconfiado desta alta, motivo que liquidei uma posição comprada em janeiro, mas agora ultrapassou os US$ 1.300, e é incrível como começam a surgir recomendações de compra, porque bla,bla. bla.... Já dizia Niesztche melhor uma explicação que nenhuma.


O que fazer agora? bem, vocês já me conhecem, não vou sair comprando a qualquer preço, no final de semana faço a minha análise, mas ficou com uma cara boa. No breve comentário do post a-derivada-é-zero, ...dentro de pouco tempo teremos uma definição, ou tem muita gente vendida e vão acionar seus stoploss daqui a pouco, ou... Acho que o pessoal que pregava os US$1.000 não vão ter um bom final de semana! Hahahah....

O SP500 fechou a 1.838, com alta de 0,48%; o USDBRL a R$ 2,2388, com queda de 0,19%; o EURUSD a 1,3700, com alta de 0,15%; e o ouro a US$ 1.318, com alta de 1,21%.
Fique Ligado!

13 de fevereiro de 2014

As próximas jogadas do FED

Nos dias atuais a maioria dos jogos são on-line e o Candy Crash Saga é uma febre, recebo inúmeros convites dos meus amigos do Facebook para jogar, minha esposa é viciada. Não para mim, não sei se, ao estar envolvido com os mercados diariamente, quando o dia termina, não quero mais nenhuma competição, a outra hipótese é a idade, mas deixa isso para lá.

Na minha infância predominavam os jogos de tabuleiro, e os mais famosos eram Banco Imobiliário, War e tantos outros, era divertido. Dentre eles acredito que o Banco Imobiliário era o que mais me atraía, afinal comprar propriedades, receber alugueis e ter caixa, despertava de certa forma, um sonho do futuro.

David, antes que você comece a explicar as regras, qual a associação do dia?
Hoje você me ajudou, afinal como eu iria engatar este assunto no trabalho feito pelo Deutsche Bank, que quero comentar? Obrigado! Hahahaha.... Neste início de ano, tenho visto várias projeções, todas com um viés positivo, porém a do Banco Alemão com certeza é a mais bullish, veja que interessante o diagrama abaixo.


Diga que não parece um tabuleiro de jogos? Siga os passos do raciocínio deste analista:

1) Ele começa afirmando que a taxa de desemprego atingirá o objetivo do FED entre março e abril. Na primavera o mercado ficará inicialmente confuso, mas será levado a concluir que, a elevação dos juros está próxima.
2) Em seguida, o consenso será que o desemprego continuará caindo e ao final de 2014 estará próximo de 6% com a inflação próxima de 2%, assim a autoridade vai acelerar o término dos helicópteros.
3) No segundo semestre o FED continua reafirmando que os juros permanecerão baixos por um período longo e isto pesará nos juros.
4) No final de 2014 os dados serão fortes o suficiente para que o FED mude sua linguagem, dizendo que a elevação dos juros será de uma forma suave.
5) Missão cumprida! Naquele momento, os juros dos títulos americanos 10 anos = 3,5% a.a ( hoje estão em 2,75%); 2 anos = 1% a.a. ( hoje estão em 0,30%); SP500 = 1.850 ( hoje 1.820); EURUSD = 1,25 ( hoje está a 1,365) e o USDJPY = 115 ( hoje está a 102).

Se eles estiverem corretos, você deveria investir 100% em dólares no money market,recomendaria quem acredita nisso a tirar um ano sabático, e desligar os monitores.

Diferente dos jogos de tabuleiro, neste "jogo da fortuna" proposto pelo DB, você nem precisa jogar os dados, eles já são conhecidos. Vou colocar na minha agenda para conferir daqui a 1 ano que diga-se de passagem, é numa sexta-feira 13! Tenho certeza que o objetivo deste analista é provocar seus leitores com um raciocínio lógico possível, mas ele sabe que não é tão previsível como parece, é melhor vocês ficarem por aqui mesmo e reagir conforme os fatos vão se desenrolado.

Vocês já perceberam que sou uma pessoa disciplinada, dentro destes mais de 2 anos de blog, raras foram as vezes que não postei num dia.  Eu me comprometi a acompanhar regularmente 4 ativos por considera-los de importância para meus leitores decidirem sobre seus investimentos e têm sido divertido (nem sempre! Hahahah..), mas têm um dos ativos que estou meio de "bode", não porque tenho feito sugestões que não foram bem sucedidas, mas porque simplesmente não tenho dado sugestões. Garanto que já sabe de quem estou falando, o super-traiçoeiro euro!

Tenho comentado, até de uma forma insistente, que a moeda única encontra-se num movimento de correção, desde 2008 e enquanto não terminar, operações com este ativo podem ser extramente frustrante. No post Nintendo-em-baixa aventei uma possibilidade remota de a máxima já ter sido atingida ... Assim vislumbro 2 hipóteses, a primeira, que considero mais provável em função dos dados técnicos e do momento vivido recentemente, haveria uma alta final até o nível entre 1,43/1,45, o que eu chamei de alternativa A; Por outro lado, não dá para descartar que o início da queda, denominado de alternativa B, já começou. Se este for o caso, o movimento teria que ser abrupto, uma onda C grande, lembram da definição analise-técnica-101?... 


O gráfico acima contempla um período mais longo, vejamos o que aconteceu daquele momento, destacado no gráfico a seguir, até hoje.

Desde então os preços recuperaram-se lentamente, mas sem nenhuma indicação clara, de que pretende subir para os níveis de 1,43/1,45 ou cair de um forma mais consistente. Mantém-se sem direção, apenas com movimentos mais erráticos, e não se esqueçam, é a 2º moeda mais movimentada num mercado de US$ 5,0 trilhões diários! Como diz um leitor em situações como esta, Lamento! Hahahahah...

O SP500 fechou a 1.829, com alta de 0,58%; o USDBRL a R$ 2,3933, com queda de 1,31%; o EURUSD a 1,3678, com alta de 0,78% e o ouro a US$ 1.302, com alta de 0,84%.
Fique ligado!