Inflação: A Revanche

31 de janeiro de 2014

Uma boa e uma má notícia

O assunto sobre os mercados emergentes ainda domina as notícias. Uma dúvida comum, é se os movimentos atuais representam uma situação de contágio, ou se limita especificamente a alguns países. Vou compartilhar alguns gráficos que parecem mais um tumulto temporário, do que um contágio generalizado. Em situações como estas a temperatura pode ser medida através do comportamento das bolsas de valores, e nos prêmios pagos nos contratos de Credit_default_swap, que mede o custo para se proteger de um calote do devedor, no caso um país.

Vamos inicialmente observar o comportamento destes parâmetros nos mercados desenvolvidos.


Na parte superior o comportamento dos ativos americanos, e na inferior os Europeus. Fica evidente que a situação recente não aparenta nenhuma preocupação nestes mercados.

Analisando-se estes prêmios de risco para os mercados emergentes, somente países como a Indonésia e Turquia, tem riscos semelhantes aos vistos em 2011-2012, entretanto o stress estava contido. Assim até o momento, o período atual não parece ser mais severo do que aquele.



Um fator importante a se considerar é o diferencial de inflação entre os países emergentes e desenvolvidos, enquanto os primeiros passam por um recrudescimento inflacionário, os últimos vêm apresentando níveis de inflação muito baixos.


Historicamente, períodos onde as commodities sobem, os mercados de ações dos países emergentes sobem, e ao reverso, os países desenvolvidos ao serem impactados por uma inflação mais elevada oriunda dos preços das commodities, tem um crescimento econômico mais fraco.


A fraqueza dos mercados emergentes e commodities que começou em 2011 caracterizou um forte movimento de alta no SP500, similar ao que ocorreu nos finais dos anos 90.

Segundo este analista, atualmente, a imprensa está induzindo os investidores a uma histeria em torno dos mercados emergentes. O stress nestes mercados não é nada de novo, e aparecem em países específicos de tempos em tempos. Entretanto sempre existe um risco, que uma determinada situação, culmine num contágio generalizado, semelhante ao que ocorreu em 1997-1998. A melhor maneira de determinar se estas situações transbordam em algo mais perigoso, é monitorar os níveis de CDS, bem como o preço do ouro. 

Assim a boa notícia é que a fraqueza dos mercados emergentes pode estar sendo ocasionada por um estímulo desinflacionário, semelhante ao que ocorreu no final dos anos 90, e mais recentemente, desde 2011 .... com uma ressalva de que o contágio não aconteça, esta seria a má noticia!

No post rolezinho resolvi liquidar a posição de ouro e fiz o seguinte comentário ... Não apresentou uma alta convincente, precisaria ultrapassar o nível de US$ 1.300 (1); qualquer escorregada abaixo de US$ 1.230 aumentará as chances de queda (2)....Desde então houve uma ameaça no sentido de subir, mas com a queda dos últimos dias, voltou a indecisão.

Do ponto de vista técnico, o ouro encontra-se numa posição delicada, próximos as mínimas dos últimos anos, nada garante que uma nova mínima não irá acontecer, mas se este for o caso, vamos comprar!

O SP500 fechou a 1.782, com queda de 0,65%; o USDBRL a R$ 2,4122, sem alteração; o EURUSD a 1,3487, com queda de 0,50%; o ouro a US$ 1.243, sem alteração.
Fique ligado!

30 de janeiro de 2014

F##k the FED

Adorei a chamada deste analista F##K the FED! Ontem foi publicada a decisão da última reunião, onde Bernanke presidiu, e como o esperado nada mudou. O FED manteve o ritmo de diminuição de compra de ativos em U$ 10,0 bilhões, cifra pequena quando analisa-se o total de sua carteira de US$ 4,0 trilhões. Como no jogo dos 7 erros, os analistas buscaram encontrar alguma palavra que desse pistas sobre as interpretações dos membros, aos números desapontadores de emprego em dezembro, bem como o stress nos mercados emergentes. Esforço em vão, pois foi procurar "pêlo em ovo".

Os mercados acionários não ficaram muito felizes, as bolsas na Ásia fecharam em baixa. Há de se levar em consideração que, hoje foi publicado o dado de PMI na China, como acontece em todos os finais de mês, e não foi muito animador, ficando abaixo da marca de 50, indicando contração.

É evidente que, desde 2011, que este indicador não inspira nenhum otimismo, uma vez que o mesmo encontra-se ao redor desta marca sem conseguir ultrapassar de uma forma consistente. Assim eu me pergunto: O que o mercado quer da China, um milagre?

Existe um índice Baltic_Dry_Index que mede o custo do frete de navios, coletados entre várias companhias de transporte, assim é um bom indicador de oferta e demanda no tráfego de mercadorias entre países. Veja abaixo a queda de preços nos últimos meses, é no mínimo estranho!


Eu pensei algum tempo, antes de publicar estes dados coletados pela Bloomberg, afinal o mosca não deveria envolver-se em assuntos pessoais, mas não aguentei. Pensei um pouco o que poderia ter me motivado: Falta de assunto; alguma coisa está muito errada; ou inveja, deixo a vocês o julgamento.

Diariamente esta agência de notícias publica uma pesquisa que contem as maiores fortunas do Universo, que pode ser quebrada, por indústria, região; sexo e etc... é muito bem detalhada. Veja a seguir o nome e patrimônio das 30 maiores fortunas.


Por mais que eu considere ridículo, não imagino que uma empresa como a Bloomberg iria se aventurar numa área delicada destas, se não houvesse um grande interesse de seus leitores. Como será que Zuckerberg se sente, aos 29 anos, sendo o 26º mais rico do mundo? Será que olha para Bill Gates e pensa: Eu serei você amanhã?  Não bastasse isso, também é publicado diariamente as 5 maiores oscilações, positivas e negativas, ocorridas no dia anterior.


Ualll.... quem não ficaria feliz só com a variação de um dia, lógico que positiva! Hahahah.... Será que não têm alguma coisa muito errada?

Palavra que eu não tinha inside information, quando publiquei no post all-in um alerta para as ações da Apple. Na terça-feira, após o fechamento dos mercados, foram publicados os resultados da companhia e as vendas de seu iphone 5 decepcionaram os analistas, ocasionando uma queda expressiva de suas ações, acionando o stoploss que sugeri, com resultado zero.

Vocês sabem que eu estou aguardando a queda aos níveis de US$ 350 para comprar um iphone, mas não necessariamente este momento esta próximo. Por enquanto vamos acompanhar o desenrolar dos preços, pois pode ser que o nível que eu havia imaginado antes (US$ 590), ainda aconteça, vai depender de como esta queda iniciada recentemente se desenrola. Em todo caso, acho que mais e mais as pessoas estão percebendo que substituir Steve Jobs é impossível e a Apple é hoje uma empresa como as outras.

O SP500 fechou a 1.794, com alta de 1,13%; o USDBRL a R$ 2,4080, com queda de 1,10%; o EURUSD a 1,3552, com baixa de 0,82% e o ouro a US$ 1.243, com baixa de 2,01%.
Fique ligado!

29 de janeiro de 2014

Os emergentes vão submergir?

A bruxa está solta, conforme comentado no post de ontem gripe-ou-pandemia, a situação não anda nada boa para quem está classificado na categoria de emergentes. Ontem foi a vez da Turquia subir seus juros internos, e não foi pouca coisa, de 7,75% a.a. para 12% a.a. Fizeram em um dia o que o nosso BC o fez em um ano! E sabem qual foi a resposta do mercado de câmbio? Veja abaixo.

Um movimento assim chama-se de UH-OH, o mesmo som pronunciado quando se anda a cavalo, retornou de onde veio. A leitura que pode-se fazer, é que a elevação não é suficiente para reverter o fluxo. O problema não está circunscrito exclusivamente a Turquia, e sim generalizado, veja a seguir.

A Argentina nem merece comentários, pois seus problemas são muito antigos, causados pelas loucuras de sua Presidenta Kirschner, assim em momentos como esses, é natural que seja a primeira a descambar. Já na Ásia a situação ainda não atingiu as moedas dos principais países, ainda, mas as bolsas encontram-se num momento tecnicamente delicado.


Este analista coloca em dúvida, se este momento, é uma grande oportunidade de compra ou o início de uma queda mais profunda. Para quem acha que sim, acreditando que o FED vai recuar na sua intenção de retirar os estímulos, recomendo colocar um stop curto, para quem acha que não, espere o rompimento das linhas e venda, mas também com um stop, pois pode ser o caso de um false break.

São nestas situações que os Bancos Centrais têm que mostrar sua competência, pois quando o objetivo é segurar a sua moeda, com a compra de dólares, o céu é o limite, em algum momento estanca. Quando é o contrário e precisa vender dólares, é só para quem têm, senão.... Em todo caso, parece que as consequências  não serão agradáveis, pois independente da gravidade, o crescimento tende a diminuir. Como diria Milton Leite, comentarista de futebol: Que fase! Hahaha...

No caso trágico do navio Costa Concórdia, o Capitão resolveu arriscar-se levando o transatlântico muito próximo à terra, no caso dos países emergentes, foram levados a navegar em águas não tão profundas quando a liquidez era abundante, e agora será que vão submergir?

Como de costume, estou escrevendo antes do término da reunião do FED e não aposto que haverá grandes mudanças. Hoje é dia de festa onde Bernanke entrega o bastão para Yellen, ou melhor, o "pepino"! Hahahah...., mas caso haja algo importante, farei um comentário no final.

No post Nintendo-em-baixa, fiz algumas considerações de longo prazo para o euro, e até o momento, nada de mais claro emergiu. Notem que enquanto as moedas dos países emergentes se esborracharam desde de maio de 2013, o euro teve um comportamento distinto, com uma valorização no período de aproximadamente 6%.

Outras moedas tiveram resultado semelhante, tais como a Libra Esterlina que subiu 10%, assim o movimento do dólar não foi exclusivamente de valorização perante todas as moedas, mas sim em relação as moedas emergentes. Agora para elas virarem submergentes, só deve acontecer caso a China entre no rol, aí sim, tudo vai ficar muito complicado.

O SP500 fechou a 1.774, com queda de 1,02%; o USDBRL a R$ 2,43474, com alta de 0,37%; o EURUSD a 1,3660, sem variação e ouro a US$ 1.269, com alta de 0,99%.
Fique ligado!

28 de janeiro de 2014

Gripe ou Pandemia?

Quando o assunto é pandemia, a situação que nos vem a mente é da Gripe Espanhola, que aconteceu na Europa entre 1918-1919. Caracterizou-se mundialmente pela elevada morbilidade e mortalidade, especialmente nos setores jovens da população. Calcula-se que afetou 50% da população mundial, tendo matado 40 milhões de pessoas, pelo que foi qualificado como o mais grave conflito epidêmico de todos os tempos.

Ultimamente, não passa um único dia onde o assunto mais comentado é sobre os efeitos que a mudança na política monetária dos países desenvolvidos acarretara nos mercados emergentes. Os sinais desta mudança já foram sentidos nos preços de seus ativos, bem como no fluxo de recursos, porém o movimento não parece ter terminado, afinal os movimentos recém-presenciados somente refletem o temor da retirada dos helicópteros, processo que se iniciou em dezembro passado.

Assim a expectativa é de que o efeito seja limitado a países que se encontram numa situação cambial debilitada, como a Argentina e Turquia. Acontece que, hoje em dia, todo o grupo de emergentes representa uma parcela nada desprezível do PIB mundial de 40%, muito diferente de duas décadas atrás, quando representavam 18%, e serviram como o motor do mundo, quando a crise financeira de 2008 assolou as economias ocidentais.

Os países ricos escaparam de contágios no passado. Quando uma crise desta assolou a Asia nos anos 90, os USA cresceram 4% em 97 e 98, enquanto a Europa 2,5%. Isto significa que o estresse pode ser limitado aos países com elevados déficits em conta corrente, distúrbios políticos e dependência nos preços das commodities. Assim pode-se elencar o Brasil, Indonésia, Índia, Turquia, Ucrânia e Africa do Sul. Vários destes países já começaram a tomar medidas, só para citar a Índia subiu os juros ontem, enquanto a Turquia anunciou uma reunião extraordinária de seu BC, cuja expectativa é de uma alta acima de 2% na taxa de juros.

O Wall Street elencou cinco pontos a serem considerados:
  • NÃO CULPE O FED - Desde maio ele vem dando indicações que iria agir no futuro.
  • NEM TODOS OS MERCADOS EMERGENTES SÃO IGUAIS - Duas forças estão dirigindo a venda de ativos: desordem política e vulnerabilidades econômicas.
  • ESPERE DISCRIÇÃO DOS INVESTIDORES - Os investidores devem separar o joio do trigo.
  • PAÍSES COM PROBLEMAS DEVEM PRECISAR DE AJUDA - O FMI já está, provavelmente,  preparando planos de contingência para países mais vulneráveis.
  • O CONTÁGIO PODE SE ESPALHAR - Esta situação já aconteceu no passado e pode-se repetir.
Como ninguém pode saber de antemão como um contágio vai se desenvolver, é compreensível a reação dos investidores. Os valores injetados pelos BC´s ao redor do mundo, para evitar uma crise maior, são enormes, a título de exemplo, a figura abaixo apresenta as diversas ações do FED durante o período que Bernanke esteve a frente desta instituição.


Como num processo de infecção de uma população, o contágio é algo que não é possível  mensurar, mesmo tomando todas as precauções. Agora vocês podem estar certos que, se a "gripe" atingir a China, vai virar uma pandemia, e aí salve-se quem puder. Por enquanto são só temores, e se esta situação ocorrer, o preço de um helicóptero vai para o espaço, e talvez seja necessário o B-52 para arremessar dólares, euros, yens, libras e etc... ao redor do mundo! 

Hoje vou comentar o IBOVESPA, que está sendo chutado como um bêbado! No post procura-se-pilotos inclui o gráfico abaixo com os seguintes comentários: ... O Ibovespa encontra-se numa região que eu considero caixão, entre 45.000 e 55.000, aí dentro tudo pode acontecer... 

Desde então os preços vêm caindo lentamente, e encontra-se a 47.500, no intervalo que denominei de caixão, porém mais próximo da banda inferior. As últimas notícias não ajudam muito, inflação elevada, pressão no câmbio, pressão nos emergentes e etc...

Olhando sob esta ótica, a performance não é má, pois uma queda de 5% é pequena, não fosse estas ameaças à frente, arriscaria um palpite que um bottom estaria se formando, mas prefiro aguardar os indicadores técnicos, que diga-se de passagem também não estão tão ruins. Será que o FED vai surpreender amanhã? 

- David, você é pago para tirar nossas dúvidas, não para aumenta-las!
Verdade, o post de hoje coloca um monte de minhocas na cabeça, mas é o que tenho a oferecer agora. Assim é a vida, nestes momentos avaliam-se várias hipóteses ao invés de ficar preso a sua, com o tempo fica claro qual caminho seguir. Nestas situações, a ideia de um leitor do mosca é útil, a de lançar um novo blog, acertarnoelefante. Como o próprio nome diz, as previsões estariam sempre corretas dentro de um intervalo "generoso". Quem não iria gostar é o meu "amigo", vai ficar frustrado, afinal iria pegar no pé de quem, do elefante? Hahahahah...... 

O SP500 fechou a 1.792, com alta de 0,61%; o USDBRL a R$ 2,4258, com alta de 0,22%; o EURUSD a 1,3668, sem alteração e o ouro a US$ 1.253, com baixa de 0,20%.
Fique ligado!

27 de janeiro de 2014

A realidade se impõe

Vocês são testemunhas de quantas vezes eu enfatizei os erros que a equipe econômica brasileira cometeu. Quando a situação de fluxo era extremamente favorável, até o final de 2012, nossos mandantes fizeram uma interpretação equivocada sobre a real situação brasileira, ficaram embriagados pelo sucesso, como se costuma dizer. Mas eu entendo, pois a vaidade faz parte das reações que estamos sujeitos quando se conseguem vitórias de uma maneira fácil.

Quem não teve oportunidade de assistir o filme Lobos de Wall Street eu recomendo, mesmo para quem não é do "ramo", Leonardo DiCaprio representa o personagem principal de maneira esplêndida, acredito que seja sua melhor performance ever! Tenho que confessar, por ter feito parte desta época, senti um certo desconforto, e uma dúvida que já me incomoda há algum tempo: O que eu construí de real para a sociedade? Em todo caso, o motivo de minha citação é de como Jordan Belfort (Leonardo DiCaprio) vai criando uma imagem pessoal de invencível, reforçada pelos seus sucessos, mesmo cometendo várias irregularidades. Bem vou parar por aqui para não revelar seu final.

De todos os posts que comentei sobre as barbeiragens, talvez o negando-realidade é o momento onde nosso Ministro da Fazenda negava os fatos e buscava justificar de uma forma irônica, dados preocupantes. Ultimamente saiu de cena, vem fazendo poucos comentários e a Presidenta está junto com o BCB, buscando recuperar o terreno perdido.

Nesta sexta-feira foram publicados os dados cambiais de 2013 e não foram nada bons, o déficit em transações correntes atingiu o recorde de US$ 81,4 bilhões, uma cifra grande em qualquer lugar do mundo, representando 3,66% do PIB. Os principais causadores foram a Balança Comercial e a Conta de Serviços. O primeiro vem se deteriorando já algum tempo, pois as exportações estão praticamente estagnadas, enquanto as importações crescem, principalmente por conta do petróleo. O saldo ficou em meros US$ 2,6 bilhões, contra US$ 19,4 bilhões no ano anterior.


Na conta de serviços os subitens de aluguel de equipamentos e viagens internacionais vem crescendo consistentemente. O primeiro é consequência de operações feitas pela Petrobrás, onde exporta suas plataformas, aumentando esta sigla artificialmente, e paga aluguel pelo seu uso; e as viagens internacionais, basta uma visita a Miami para se ter uma ideia da quantidade de brasileiros por lá, fazendo compras.

  
Muito se tem dito que este processo, de uma maneira geral, é consequência do real estar ainda valorizado em relação ao dólar, eu tenho minhas ressalvas. É natural que com uma cotação a R$ 4,00 existiria um impacto muito forte em todas estas contas, mas por outro lado a inflação iria para o espaço, basta ver o que vem acontecendo com nossos hermanos do sul.

Mas correções como estas que estamos assistindo nos últimos 12 meses, onde o real perdeu 20% , não resolvem a sangria, pelos seguintes motivos: Na Balança Comercial vivemos um fenômeno estrutural, onde vários países que tinham sua pauta de exportação baseada em produtos perdem espaço para os países Asiáticos, além disso o que poderia ter ajudado não ajudou, e só piorou, que seria a melhora da produtividade; desde que as viagens Internacionais passaram a ser financiadas, abriu-se a possibilidade para um número elevado de brasileiros que nunca tinham saído do país, e todos nós sabemos que os consumidores locais só pensam no valor da prestação, assim a demanda é ainda muito reprimida.

Portanto a solução estará em aumentar o ingresso de capitais, que mesmo com a debandada dos mercados emergentes pelos investidores, nós ainda não fomos muito afetados, pelo menos nos investimentos diretos. Na conta de investimentos em carteira, que engloba as aplicações em bolsa e renda fixa, o saldo se elevou significativamente de US$ 16,5 bilhões em 2012 para US$ 34,7 bilhões, por conta da compra de títulos de renda fixa, afinal o nível de juros locais são elevadíssimos.

Assim o balanço de pagamentos fechou o ano com deficit de US$ 5,9 bilhões, um número considerado baixo, não afetando nossas reservas. O gráfico a seguir dá uma boa ideia de como as coisas mudaram para os mercados emergentes no ano passado.

Ali estão representados os fluxos de recursos aos fundos que investem em mercados emergentes, notem que 2013 apresentou um quadro inverso ao que ocorreu em 2012, então era de se esperar que nós fossemos afetados. No meu entender, não fosse o interesse das multinacionais em suas subsidiárias locais, bem como o nível de reservas acumuladas durante os últimos anos, estaríamos numa situação muitíssimo pior.

Talvez diferente de Jordan Belfort onde resolveu "peitar" o poderoso FBI e não se deu bem, nosso Governo resolveu tomar medidas para corrigir o rumo, agora se o mercado como um todo entrar num caminho de risk off, vamos ter um período difícil. Felizmente por enquanto são os temores, de quais serão os efeitos pela diminuição dos helicópteros, vamos ficar de olho nesta semana para a reunião do FED. 

O SP500 fechou a 1.781, com baixa de 0,49%; o USDBRL a R$ 2,4205, com alta de 0,95%; o EURUSD a 1,3672, sem variação e o ouro a US$ 1.256, com queda de 0,95%.
Fique ligado!

24 de janeiro de 2014

Mapa do tesouro

Na infância ficávamos fascinados com as histórias e filmes sobre tesouros enterrados, para encontrá-los era preciso de um mapa, e aí se desenrolavam as ações. De repente um dos protagonistas encontra, mas o "bandido" rouba e assim se continua a história, até que no final, o tesouro era desenterrado pelo "mocinho".

Neste mundo de helicópteros que vivemos, as taxas de juros encontram-se destorcidas da realidade, o juro real é negativo desde 2008, pois é a forma como os BC's encontraram, para evitar uma catástrofe maior, algum dia esta situação vai mudar e é natural que os juros tenderão a normalidade. Até aqui nada de novo, e o mercado financeiro vem a busca de sinais de quando o FED inciará este processo de normalização. Tenho acesso a vários estudos, estatísticas, correlações, porém um estudo do Deutsche Bank parece ter encontrado o mapa da mina.

- David não publique, guarde este gráfico, vamos ficar ricos!
Hahahaha.... compromisso com os leitores. O estudo a seguir demostra a elevada relação entre a expectativa de quando o FED vai subir os juros com a taxa dos títulos de 10 anos. Na coluna da esquerda o número de meses até a ação do FED, e na direita os juros de 10 anos. Então este analista plotou a expectativa do mercado para esta mudança (vermelho) e a taxa de juros dos títulos de 10 anos (azul).


- David, mas qual a novidade?
Não têm dúvidas que este estudo é lógico, pois se alguém me disser que o FED vai subir os juros na próxima semana é de se supor que a taxa de 10 anos não estaria em 2,8% a.a., teria que subir. O que este gráfico apresenta de novidade é uma estimativa de qual seria este nível, além de demonstrar que todos os modelos usados para precificar estes títulos, como expectativas de inflações futuras, crescimento econômico e premio de risco, não funcionam no momento.

Vejamos algumas hipóteses, se sua expectativa é de que o FED comece o ciclo de alta de juros em junho do próximo ano, daqui a 18 meses, a taxa dos títulos deveria estar próxima de 2,6% a.a, se for no início de 2016, como imagina a PIMCO, ao redor de 2,0% a.a, e assim por diante. Outras conclusões que se podem tirar daí, é que a taxa deveria ser de 4,2% a.a., quando o FED começar o ciclo de alta, ou assumindo que se mantenha a mesma expectativa quanto a uma determinada data de início, os juros têm que subir 0,08% a.a., a cada mês. Pronto pode desenterrar o tesouro!

- Hahahah... que tesouro se ninguém sabe quando o FED vai agir?
Sim, têm razão, diferente das histórias de criança que o local era fixo, neste caso o tesouro se movimenta, mas se você tiver uma boa pontaria, vai chegar antes dos outros e saber quanto pode ganhar.

Ontem o dia foi quente para os mercados emergentes, todas as moedas sem exceção sofreram, inclusive a nossa. Aprendi durante estes anos que, sempre depois do fato surgem explicações, como já bem definiu Nietzsche, que é melhor qualquer explicação que nenhuma. Não caiam num dos argumentos dados para alta do US$, sobre a interpretação da ata da  última reunião do BCB, que estaria confusa. A realidade é que eles (do BCB) não sabem quais serão os próximos passos, dependem da evolução dos dados, e ponto. Mas a razão real é que os mercados emergentes viraram palavrão, e qualquer motivo é válido para empurrá-los mais para o buraco.

Não podia deixar de comentar sobre o real, no post o-bc-esta-de-cabelo-em-pé, eu disse que até o real não ultrapassar o nível de R$ 2,4550, nada é conclusivo ... 1) continua a queda do dólar, e abaixo de R$ 2,25 aumentam as chances de valer o quadro mais baixista e; 2)  Se subir acima de R$ 2,4550 aumentam as chances de R$ 2,60.... Com o movimento de hoje, a alternativa 2) começa a ganhar mais força, veja o gráfico a seguir.


- David, agora você não deveria jogar a toalha e embarcar com a opinião do mercado, comprando dólares?
A disciplina é fundamental, não que garanta sucesso, mas evita decisões impulsivas. Enquanto não ultrapassar definitivamente os R$ 2,4550, este movimento pode ser ainda uma correção. Eu lembrei de um momento que vivi, que guarda uma certa semelhança com este. Nos anos 80, o mercado de ouro era usado como alternativa para posições em US$, uma vez que a compra de moedas estrangeiras era limitada a casos específicos, assim o metal seguia as cotações do dólar paralelo. Naquele momento, havia uma pressão para alta do dólar comercial, e assim o paralelo já tinha subido por conta disso. Nós estávamos vendidos em ouro, pois achávamos que as cotações estavam muito esticadas, eis que um dia, na parte da manhã, o Governo deixou o dólar comercial subir uns 10%, lógico que inicialmente o ouro foi atrás.

Entrei na mesa de operações e vi o responsável da posição de braços cruzados, perguntei:

- David: E aí, o que vamos fazer?
- Chefe: Nada!
- David: Como assim, estamos perdendo uma nota.
- Chefe: Vou esperar até o final da tarde e aí decido, se as cotações se mantiverem elevadas eu realizo o prejuízo, caso contrário, vamos continuar.

Eu entendi sua lógica, pois se o ouro já tinha subido antes, a lógica era de que o mercado iria vender o ouro, dei  um voto de confiança, e no final do dia fechou em baixa. Vou aguardar o parâmetro que tracei, de braços cruzados! Hahahahah....

O SP500 fechou a 1.790, com baixa de 2,09%; o USDBRL a R$ 2,3977, sem variação; o EURUSD a 1,3675, com queda de 0,13% e o ouro a US$ 1.268, com alta de 0,32%.
Fique ligado!

23 de janeiro de 2014

All in

O mercado já colocou suas fichas na mesa, e agora espera a abertura das cartas para verificar se sua hipótese se concretiza. Pelo grau de otimismo nos mercados desenvolvidos, arriscaria que a aposta foi all in, como no jogo Texas Hold'em Poker, aí as cartas vão se abrindo.

Para o mês de fevereiro, espera-se uma elevação na criação de vagas para algo em torno de 200.000, e que o participation rate pare de cair, já no front da inflação uma elevação na taxa anual, mesmo que seja mínima.

O mercado está com um par de Az, pois é indiscutível uma melhora nos dados econômicos de uma forma geral, mas como no jogo de pôquer, estas cartas por si só, não são garantia que ele vai levar a mesa, assim vamos nos atentar em algumas considerações sobre as duas variáveis que fariam o FED alterar sua Política Monetária, inicialmente o emprego. Tem se dito que, o fato dos idosos estarem postergando sua aposentadoria, seria um dos motivos da queda do participation rate, vejamos:


O gráfico acima refere-se a diferença entre o incremento de americanos em cada uma das faixas etárias, subtraído pela criação de empregos nas mesmas categorias, assim não existe nenhuma evidência que justifique o argumento usado, pois é na população acima de 65 anos onde a perda é maior, assim algum outro fenômeno vem acontecendo para desmotivar a população a sair da força de trabalho.

No quesito da inflação, eu já citei que o FED usa um outro indicador que não o CPI para seu objetivo, o PCE. O principal motivo é que a sua composição, na opinião do FED, é mais realista. Sem entrar em detalhes dos pesos entre as várias categorias, no CPI os itens relativos a moradia tem um peso superior, enquanto que no PCE a assistência médica é superior.


Nos últimos anos a diferença entre ambos se elevou, e o que é pior, ambas para baixo, como pode-se observar o PCE está "beliscando" o nível de 1% a.a., considerado muito perigoso por qualquer Banco Central.

Qualquer uma destas variáveis não dará certeza que as coisas caminham para a normalidade, serão necessários vários meses para esta conclusão, agora qualquer publicação que se afaste destes objetivos não será bem recebida pelo mercado, ou como eu digo, os dados tem que vir melhores ou igual, para este ambiente continuar. Na próxima semana tem reunião do FED, a despedida de Bernanke, até lá nenhuma destas informações estarão disponíveis, e espera-se que a diminuição dos helicópteros continue, não quero nem pensar se abrir um 2 do baralho, que seria uma interrupção, o mercado com o par de Az, vai imaginar que o FED tem nas mãos um par de 2!

Você acha que a Apple é a mesma companhia que antes da morte de Steve Jobs?
- David, você virou um torcedor contra, só porque quase todo mundo tem um iphone, menos você?

Não vou descartar sua opinião, afinal sou muito competitivo e posso estar sendo levado por este sentimento negativo! Está bem, vejamos os fatos, desde então houve algum lançamento de um produto único, como acontecia antes? Não, apenas melhorias daqui e dali. É indiscutível que são produtos de excelente qualidade e que demandam desejo por parte dos consumidores, basta observar ao seu redor. Agora vamos ao que interessa, suas ações, no post greenspan-quem-quer-dinheiro eu publiquei o gráfico abaixo com os seguintes comentários ... Acima de US$ 515 (eu esperaria este nível ao invés de US$ 490), uma compra com um stop a US$ 445, objetivando um target de US$ 590....


O nível de US$ 515 foi ultrapassado e no mês de novembro do ano passado atingiu US$ 475, próximo do target. O que fazer agora?


Eu acredito que ainda vai ter uma nova alta que levaria as ações até os US$ 590, porém subiria meu stop para US$ 515, preço de entrada, assim ficamos no jogo com risco zero de perda. É uma aposta fifty-fifty, pois se for stopado vai entregar 6,80% e se atingir o target um lucro adicional de 7,27%. Você decide, mas provavelmente minha promessa de comprar um iphone deve demorar algum tempo, talvez o iphone 6 ou 7.

O SP500 fechou a 1.828, com baixa de 0,89%; o USDBRL a R$ 2,39,56, com alta de 0,95%; o EURUSD 1,3694, com alta de 1,09% e o ouro a US$ 1.263, com alta de 2,18%.
Fique ligado!

22 de janeiro de 2014

Nintendo em baixa

Eu nunca fui um aficionado dos vídeogames, acho que o principal motivo, é que não tenho habilidade para controlar os movimentos rápidos necessários ao jogo, além do mais odeio perder! Mas é inegável que nos últimos anos é uma febre entre os jovens.

No início, a Nintendo dominava este mercado, onde a figura do super Mario era um de seus ícones, mas veio perdendo espaço para o playstation e X-box. Mais recentemente a empresa Japonesa lançou o Wii U, mas suas vendas caíram 69% no ano passado, gerando um prejuízo considerável. Não é surpresa estas reviravoltas em empresas neste setor de eletrônica, uma vez que qualquer produto que nasce, fica obsoleto imediatamente.

- David, você anda meio estranho, estou preocupado! O que este assunto tem a ver com os mercados?
Vou pensar na sua observação, em todo caso, obrigado pelo carinho! Hahahah.... Embora você tenha me interrompido, eu acredito que um dos grandes responsáveis pelo fracasso da Nintendo, é não ter seguido o ECB.

- Como é que é, socorro, você pirou!
Há mais ou menos 2 anos, a Europa estava numa draga total, depois que o arrogante Presidente do BCE, Jean-Claude Trichet, entregou o bastão para Mario Draghi, uma nova política monetária muito mais ativa foi implementada, mesmo com a pressão contrária dos poderosos Alemães. Foi logo após o seu pronunciamento em 2012, que faria tudo que for necessário para manter o euro Super-Mario, que o velho continente iniciou um período de recuperação.


As bolsas do países mais afetados pela crise, Espanha, Itália e Portugal, depois de atingirem suas mínimas em maio de 2013, recuperam boa parte de suas perdas. Este movimento pode ser visto também no Euro, que depois de ter flertado com o nível próximo a 1,20 encontra-se atualmente a 1,35. É verdade que, para ter ganho estes 12%, só para quem comprou naquela data, e viajou  para Marte, caso contrário teria perdido dinheiro.


Vocês são testemunhas do meu ceticismo na moeda única, inclusive atribui vários apelidos: traiçoeira; armadilha e etc... Mas como resultados passados não são garantia de resultados futuros, chegou a hora de acompanhar mais atentamente, pois em algum momento, vai surgir uma oportunidade de venda. Recentemente nas minhas férias, publiquei o post o-euro-endoidou-hoje, onde nos últimos dias de 2013 chegou a subir 1,5%, este ponto se encontra na cor azul piscina acima. Acontece que não por coincidência, este local do ponto de vista técnico, poderia ser o final desta última alta tortuosa.

Assim vislumbro 2 hipóteses, a primeira, que considero mais provável em função dos dados técnicos e do momento vivido recentemente, haveria uma alta final até o nível entre 1,43/1,45, o que eu chamei de alternativa A; Por outro lado, não dá para descartar que o início da queda, denominado de alternativa B, já começou. Se este for o caso, o movimento teria que ser abrupto, uma onda C grande, lembram da definição analise-técnica-101? Assim não compro e não vendo nenhum euro por enquanto!

- David, terminou? E o que a Nintendo tem a ver com isto?
Ah, já ia me esquecendo, o motivo é que se a Nintendo tivesse aproveitado o sucesso de Mario Draghi no ano passado, deveria ter lançado novos jogos do seu antigo ícone, aproveitando a exposição de seu sósia na mídia, ao invés de colocar suas fichas no Wii, deu no que deu, agora é tarde demais! Hahahaha....

O SP500 fechou a 1.844, sem variação; o real a USDBRL a R$ 2,3726, com alta de 0,64% ; o EURUSD a 1,3546, com baixa de 0,11%; e o ouro a US$ 1.236, com baixa de 0,40%.
Fique ligado!

21 de janeiro de 2014

Extravagância

Fui buscar a definição da palavra extravagância no dicionário: 
s.f. Ação que se desvia das normas usuais do bom senso; excentricidade, esquisitice.
Dissipação; esbanjamento; estroinice; libertinagem: suas extravagâncias de rapaz arruinaram-lhe a saúde.
Então se encaixa bem ao valor da suíte no New Jersey´s MetLife Stadium para a final da primeira partida do Super Bowl, querem saber? US$ 1.000.000,00! 

Meus pais foram sobreviventes da II Guerra Mundial e imigraram para o Brasil em 1948, com uma mão na frente e outra atrás, como se costuma dizer. Fui educado num ambiente que não se aceitava o desperdício, minha mãe dizia que não podia sobrar nenhuma comida no prato, pois muita gente morre de fome. 

Nos dias de hoje, e com a concentração excessiva de renda no Universo, e fácil imaginar que muitas pessoas podem se dar ao luxo de gastar esta quantia sem ocasionar nenhum efeito em seu patrimônio, mas aí a questão não é de poder, mas é  valer. Será que é melhor gastar US$ 1.000.000,00 para algumas horas de divertimento, ou doar esta quantia para quem precisa? 

Ontem eu disse que iria comentar sobre a situação da China, acredito que é de conhecimento de todos que teve um elevado crescimento de seu PIB, nestes últimos anos.

  
Isto aconteceu através dos saldos comerciais com os outros países e pelos investimentos, em detrimento do seu consumo interno, que é baixo. Com a recessão de 2008 e o baixo crescimento dos países desenvolvidos, depositou-se uma esperança em dar mais ênfase ao seu consumo interno, só que isso vem acontecendo a passos de tartaruga, e neste meio tempo, ainda depende de seus saldos comerciais. Os países desenvolvidos vem diminuindo seus déficits comerciais, principalmente os USA e Europa, veja a seguir.

 O déficit combinado que era de US$ 800 bilhões em 2008, foi reduzido para US$ 200 bilhões atualmente e os BIITS(*), conjuntos de países de 2ª linha, elevaram seus déficits com cifras modestas. Esta é uma das razões para a diminuição do PIB Chinês, pois não basta a vontade de querer exportar, é preciso que os outros países demandem estes produtos, e nos dias de hoje todo mundo quer garantir o emprego no seu pais.
(*) - Brasil, Índia, Indonésia, Turquia e África do Sul.

No post inércia, publiquei um gráfico comparando uma formação semelhante a de um megafone na bolsa americana. A figura abaixo aponta estes mesmos momentos juntamente com outras variáveis.
Para melhor compreensão vamos focar na parte superior, em vermelho encontra-se a evolução do SP500 juntamente com os juros de 10 anos; taxa de poupança; CPI (inflação); e rendimentos e salários. Na década de 70, a inflação estava em níveis bastante elevados, juntamente com os juros. Com a entrada de Paul Volker, como Presidente do FED, implementou-se uma política de combate a inflação muito ortodoxa. Aos primeiros sinais de retração dos níveis inflacionários a bolsa americana iniciou uma período longo de alta até os anos 2000. Notem também que neste período as dívidas das famílias americanas elevaram-se significativamente, conforme pode ser visto no gráfico inferior.

Este analista quer frisar que, embora a formação técnica possa sugerir um novo período de alta para o SP500, isto se deve aos estímulos monetários implementados pelo FED e Cia., pois do ponto de vista das variáveis econômicas, se assemelham mais a momentos de termino de um mercado de alta.

Abaixo atualizei o gráfico que compara o SP500 e a volatilidade, e como vocês podem ver, ainda não existe nenhum indicador que sugira uma reversão na bolsa, pois a volatilidade encontra-se muito baixa.


Vivemos um período de divergência entre as varáveis econômicas e os dados técnicos, não é uma situação de equilíbrio, ou melhor, um desequilíbrio estável como eu denominei . Quanto tempo isto pode durar? Who Knows! Este é o tema do mosca para 2014.

O SP500 fechou a 1.843, com alta de 0,28%; o USDBRL a R$ 2,3573, com alta de 0,57%; o EURUSD a 1,3561, sem alteração e o ouro a US$ 1.241, com baixa de 0,97%.
Fique ligado!

20 de janeiro de 2014

"Rolezinho"

Este assunto vem criando ultimamente muita polêmica. Algumas pessoas externaram suas opiniões sobre a proibição dos Shopping Centers na entrada destes grupos, como uma atitude racista ou elitista.

Vamos aos fatos, os Shopping Centers são construidos com o intuito de oferecer um local para a população efetuar suas compras de produtos diversos, sem precisar percorrer lojas espalhadas em vários locais. Seus investimentos são elevadíssimos, os lojistas pagam alugueis caros para poderem se instalar, e mesmo assim, existem negócios que fecham por não serem lucrativos. Dentro dos Shoppings existem espaços de alimentação e cinemas que se convencionou chamar de área de lazer, e daí vem a má interpretação sobre os "rolezinhos".

Assim, Shopping Center não é Lazer Center, como querem fazer entender, é um local cujo objetivo é de oferecer produtos e serviços, não é um parque administrado pela prefeitura. Quem frequenta os shoppings, vai em busca disso, e preza a facilidade e principalmente a segurança, que hoje em dia nem vem funcionando tão bem. Agora, se de repente, aparece um bando de adolescentes, até com boas intenções, é natural que afugentem seus clientes. A segurança no Brasil vem piorando a olhos vistos, mortes banalizadas são noticiadas diariamente, então ninguém quer pagar para ver, se o "rolezinho" vai ser numa boa.

Quem defende esta manifestação, ou é ingênuo, ou não tem noção das coisas, e eu sugiro que eles convidem estes jovens para fazer o próximo "rolezinho" em seus ambientes de trabalho, quando seus clientes estiverem presentes, e depois avaliem as consequências em seus negócios. Não precisa ser um grande entendido em sociologia para saber que um grupo de adolescentes juntos tendem a transgredir as leis, é natural, assim estes movimentos aumentam os riscos de incidentes, além de propiciar aos bandidos à transgressão. Eu sou contra, quer fazer rolezinho, vai para o Ibirapuera e não atrapalhem quem está trabalhando!

Ademais, as vendas em locais físicos vem dando lugar as vendas on-line, assim os investimentos em Shopping Centers e grandes magazines correm sério risco de se tornarem inviáveis daqui alguns anos, veja o que vem acontecendo nos USA recentemente. Num período de 3 anos, o espaço físico foi diminuído a quase metade.


Hoje foram publicados os dados do PIB da China, cresceu "somente" 7,7% a.a, abaixo do semestre anterior, que foi de 7,8%, porém acima das expectativas de 7,6%. Sinceramente fico surpreso com o destaque dado pela imprensa, pois não vejo nenhuma diferença que mereça algum destaque maior, para mim, está estável e ponto! Mas não foi o que aconteceu na bolsa de valores, que caiu e se aproxima das mínimas dos últimos anos.


A 'boca de jacaré" em relação ao SP500, continua aumentando, será que o mercado está esperando da China algo impossível? Aguardem para amanhã algumas avaliações sobre o assunto.

Vou comentar sobre o ouro, afinal temos uma posição em aberto. Analisei e não fiquei muito animado, razão pela qual estou liquidando com um lucro de aproximadamente 5% (compra a US$ 1.200 e venda a US$ 1.255). Os principais motivos são: Não apresentou uma alta convincente, precisaria ultrapassar o nível de US$ 1.300 (1); qualquer escorregada abaixo de US$ 1.230 aumentará as chances de queda (2).

- David, assim está difícil, cada hora você muda de opinião!
Amigão, não sou eu que mudo de opinião, mas é o mercado, minha função é fazer a leitura e corrigir caso seja necessário, não posso ficar "teimando", se você quiser investir têm que se acostumar. Eu sugiro uma releitura do post bernanke-noel e veja como eu fui cauteloso. Não mudei minha visão de longo prazo e se você quiser continuar comprado, não vejo muito problema, a questão é que, o ouro pode ainda buscar US$ 1.155 e eu prefiro esperar sem posição, por enquanto.

Eu extrai um trecho daquele post a seguir... Como numa pescaria, podemos pegar peixes pequenos ou peixes grandes, suponha que o ouro atinja  o nível do primeiro intervalo US$ 1.210/US$ 1.190 e comece a subir (1), se tudo correr bem ao chegar próximo dos US$ 1.430, duas hipóteses poderão ocorrer: (a) O ouro começa um novo movimento de queda, podendo atingir o target de US$ 1.150, neste caso pegamos o peixe pequeno; (b) Continua subindo, e forte, aí pegamos o peixe grande.... Pode ser que não atinja os US$ 1.430 esperado, vou aguardar na arquibancada, pois não esqueçam que estamos operando contra a maré.

Hoje foi feriado nos USA assim a bolsa de valores não funcionou, o USDBRL fechou a R$ 2,3395, com queda de 0,13%; o EURUSD a 1,3562, com alta de 0,18%; o ouro a uS$ 1.254, sem alteração.
Fique ligado!

17 de janeiro de 2014

Swap sem risco

Ontem o mosca versou sobre os problemas que estamos passando aqui no Brasil por causa dos elevados níveis de inflação, e hoje o comentário será sobre os baixos índices desta variável nos USA, ou melhor, em quase todas as partes do mundo. É claro que não tem nada a ver a situação entre ambos, pois cada país tem suas particularidades, mas não deixa de ser interessante um BC rezando para que não caia mais e outro para que não suba.

Ontem foram publicados os dados de inflação nos USA, o CPI "cheio" e o que exclui os itens mais voláteis, gasolina e alimentos.


Sem comentários! continua estável e abaixo do nível de 2% apontado pelo FED como seu objetivo, em dezembro de 2012 (quadro amarelo). Do mesmo jeito que, enquanto aqui no Brasil, a inflação não der sinais de estabilização, nos USA o FED não vai subir os juros se a inflação não ultrapassar 2% a.a., isto não tem nada a ver com a diminuição dos helicópteros que devem continuar. Os juros longos de 10 anos continuam comportados conforme pode-se ver abaixo, porém se o mercado ficar assustado e o mesmo começar a subir, o FED vai ter que rever sua estratégia dos helicópteros.

Embora os juros tenham flertado ao redor de 3% a.a. em dezembro, região que frisei como perigosa no post o-macaco-marinheiro, retrocedeu depois disso. Ao invés de vilão, o principal "coxinha" é a inflação de bens, que está muito baixa, fruto dos crescimentos anêmicos e da recente alta do dólar.


Se Governos pudessem ser negociado nos mercados seria altamente recomendado uma operação de Swap entre o Governo Dilma, que se mostrou eficiente em aumentar a inflação e o Governo Obama que não vem conseguindo. A vantagem neste caso, e que além de gerar lucro nesta operação, muita gente iria ficar feliz! Hahahahah....

Algumas vezes eu publiquei um gráfico contendo as cotações de algumas moedas dos países emergentes, mas eu encontrei este a seguir bem mais ilustrativo.

Como vocês podem ver, este analista criou um índice ponderando igualmente todas as moedas de países emergentes e comparou com a taxa de juros de 10 anos dos títulos americanos. Assim, para saber sobre o futuro destas moedas, onde o real se inclui, basta acompanhar os juros. Se o meu raciocínio estiver correto, que o FED não vai subir os juros enquanto a inflação não subir, acho que vai ser difícil que o real despenque por este motivo.

Eu atualizei a chamada do blog para este ano "2014: Who Knows?" Que tal! Hahahaha....

O SP500 fechou a 1.835, com queda de 0,39%; o EURUSD a 1,3530, com queda de 0,65%; o USDBRL a R$ 2,3423, com queda de 0,89% e o ouro a US$ 1.253, com alta de 0,88%.
Fique ligado!