Inflação: A Revanche

30 de setembro de 2013

Roleta Russa

Acredito que todos conhecem este jogo, se é que pode-se chamar de jogo, roleta russa, para quem quer mais detalhes veja o link a seguir Roleta_russa. Uma bala é colocado no tambor de um revólver, gira-se, e aponta-se a arma à cabeça, estatisticamente a chance é de 1/6 da arma disparar.

Nos USA existe um limite estabelecido pelo Congresso para a dívida pública, acredito que a ideia original era interessante, pois é uma forma de colocar limites ao executivo e garantir que o país não seja levado à situações de deterioração de sua moeda. Acontece que os tempos mudaram e nos últimos anos com a enxurrada de helicópteros, a dívida pública cresceu de uma forma expressiva.

Já se sabia, há algum tempo, que neste mês este evento aconteceria, mas todos os analistas sem exceção acreditavam que nada de mais sério iria acontecer, pois na última hora os políticos chegariam a um acordo, agora estamos há algumas horas disto acontecer. Tanto os republicanos como os democratas  dizem que não querem que o Governo pare, mas não arredam pé de suas posições para que isto aconteça. Praticamente se não chegarem num acordo, já amanhã 800.000 trabalhadores federais não devem ir trabalhar, e em seguida, fechamento de parques nacionais, call centers e etc..., criando um potencial foco de desorganização.

Uma paralisação momentânea não deve afetar o pagamento da dívida do tesouro, e aquele departamento tomou medidas que garantem os compromissos até dia 17 de outubro, sem estourar o limite imposto pela lei. Sem entrar nos motivos das discussões, que é de pouco interesse dos leitores, os mercados já começaram a reagir, com as bolsas sofrendo quedas na Ásia e Europa, e os títulos do governo americano subindo de preço, ou seja, declinando as taxas de juros.

Esta situação aconteceu há 17 anos, quando uma maioria Republicana controlava o congresso e prometeram desacelerar os gastos do Governo com educação, meio ambiente e planos de saúde, porém isto conflitava com os interesses do então Presidente Bill Clinton. Naquele momento a economia americana crescia à taxas elevadas e tinha como suportar este tipo de situação, o que é muito diferente de hoje em dia.

Pela descrição dos analistas, não há motivos para preocupação, pois os políticos não tem intenção de detonar uma crise, mas no meu entender estão brincando com fogo, pois a situação pode fugir ao controle. Não sei se eles têm esta sensibilidade, mas a bala do tambor está na agulha, e depois de disparada, Inês é morta. Espero que eu esteja errado e nada de mais grave aconteça, mas como dizia um economista, um bom político calcula o valor presente suas ações futuras, seria prudente o Obama distribuir muitas HP por lá! Hahahahah.....

O mercado a ser analisado não podia deixar de ser o SP500, porque é lá que a roleta russa traria seu efeito mais perverso. No post os-pilotos-estão-eufóricos, fiz o seguinte comentário...o SP500 aguentou firme a região de 1.630, e tecnicamente, eliminou a possibilidade desta queda recente, ser um movimento de baixa mais sério, além do fato de estar próximo a sua máxima histórica de 1.709,67...Desde então, a bolsa vinha se recuperando até que o problema do limite da dívida começasse a deixar os investidores mais preocupados.

O gráfico acima tem uma visão de mais longo prazo e pode-se observar uma certa indecisão nos últimos meses apontada no círculo, do ponto de vista técnico, isto pode indicar uma exaustão da alta. Por outro lado, seria esperado que a queda só acontecesse, depois de atingir o intervalo entre 1.780/1.850, mas isto não é uma "obrigação". Agora podem anotar, com uma penetração na área indicada como pivô ( 1.600/1.550), vou ficar muito inclinado a supor que a onda C começou, e se isto acontecer, sai de baixo literalmente.

Espero que o mosca seja lido pelos políticos americanos, pois caso a bolsa comece a cair nos próximos dias, e como diz Nietzsche, que sempre precisa de um culpado, vocês já podem imaginar quem serão os eleitos.

O SP500 fechou a 1.681, com queda de 0,60%; o real a R$ 2,2173, com baixa de 1,52%; o euro a 1,3527, sem variação e o ouro a US$ 1.328, com baixa de 0,57%.
Fique ligado!

27 de setembro de 2013

Barraco no FED

Na minha vida profissional convivi rodeado de economistas, jovens, experientes, inteligentes, brilhantes, operadores e etc... mas parece que existe uma característica comum, eles são orgulhosos. Não sei se, quando nós discutíamos sobre economia, eles pensavam: "o que esse engenheiro está dando palpites!", talvez, mas por outro lado eu tentava colocar seus pés no chão, eram embates muito ricos.

Mas também presenciei momentos de stress, onde a única lógica era limitar os prejuízos, e aí que os economistas normalmente falham, seu orgulho os imobiliza. Muitos fundos foram liquidados, e o caso clássico é do Long-Term_Capital_Management, onde seus principais executivos eram PHD em economia. Por que estou fazendo esta introdução? Aguardem...

Vejam os pontos colocados pelo membro do FOMC, Presidente do Federal Reserve Bank de Mineápolis, Naraya Kocherlakota, na conferência sobre macro finanças:

... Indeed, it will mean that the FOMC is willing to use any of its congressional authorized tools to achieve the goal of higher employment, no matter how unconventional those tools might be. Moreover, doing whatever it takes will mean keeping a historically unusual amount of monetary stimulus in place- and possibly providing more stimulus- even as:
  • Interest rates remain historic lows.
  • Economic growth rises above historical averages.
  • Per capta employment begins rise appreciably.
  • Asset prices rise to unusually high levels, leading to concerns about "bubbles".
  • The medium-term inflation outlook rises temporarily above 2 percent....
Fiquei perplexo, como um membro do FED externa em público estas ideias tão heterodoxas? Se ele pensasse, tudo bem, falasse numa roda de amigos, aceitável, mas em público, em alto e bom tom?

Ao refletir, algumas conclusões me parecem factíveis, primeiro que Beranke tem mostrado falta de liderança, pois cada dia mais as divergências internas vem a público, segundo que a vaidade fala mais alto e se presencia, fora das quatro paredes, exposições sobre os próximos passos do comitê totalmente díspares, aparentando uma disputa de egos.

É verdade que esta é a opinião de um membro, mas se o que ele acredita fosse consenso no FED, e alguma das situações apontadas acima se materializa-se, o dólar iria se esborrachar e os juros dos títulos longos subiriam como um foguete, não quero nem pensar, pois mesmo que ele estivesse correto na sua forma de pensar, o mercado inteiro não acreditaria e apostaria contra. Se seu objetivo foi de intimidar os atuais altistas de juros, não vai conseguir, e contrariamente traria novos investidores contra ele. Economistas!

Quer ganhar um dinheiro fácil?
- David, eu sabia que este dia ia chegar, o que você pretende vender?
Hahahah... boa! Vocês já estão escolados e sabem que milagres não existem, pelo menos no mercado financeiro, mas o que tenho a oferecer é um bom risco retorno. No post o-mercado-está-p-o-com-o-fed, eu comentei:

 ...a) O dólar já caiu muito da máxima; b) Está próximo de uma zona que eu apontei anteriormente (em vermelho); c) Lucro não dá prejuízo! Então para quem está posicionado recomendo zerar suas posições e esperar no mínimo um momento melhor para entrar de novo, agora comprar dólar seco, nem pensar!...Depois disso o dólar tem negociado acima daquele ponto e próximo de uma oportunidade de venda, veja minha ideia abaixo.


Hoje chegou próximo a R$ 2,27 e se tivermos sorte poderá chegar a R$ 2,29, eu iniciaria uma venda usando R$ 2,33 como stoploss, para buscar níveis inferiores aos R$ 2,20. Assim uma perda limitada de 2,64% para um ganho mínimo de 4,10%, gostou?

- David, eu tenho lido bastante sobre o câmbio e você é o único que acha que o dólar vai cair!
Eu sei que é desconfortável estar nesta posição, mas as vezes pode dar muito certo, por enquanto os gráficos funcionaram bem, vamos ver se continuam. Veja a seguir o último dado sobre a posição de swap cambial.

- Você está louco, todo mundo está posicionado ao contrário!
Arrisque, afinal temos um stoploss pequeno, agora ficar junto com a manada sem que haja algo mais concreto contra o real, não fico!

O SP500 fechou a 1.691, com queda de 0,41%; o real a R$ 2,2540, com alta de 0,40%; o euro a 1,3518, com alta de 0,22% e o ouro a US$ 1.336, com alta de 0,95%.
Fique ligado!

26 de setembro de 2013

Greenspan: " Quem quer dinheiro?"

Alan Greenspan foi o antecessor de Bernanke na Presidência do FED, e ficou no cargo por quase 20 anos, passando por vários momentos bons e ruins. Depois do estouro da bolha da internet, implementou uma política monetária muito frouxa, reduzindo os juros dramaticamente de 6% a.a para 1% a.a., num curto espaço de tempo. Diferente do Bernanke, não usou os helicópteros, mas poderia fazer um paralelo ao apresentador Silvio Santos quando exclama: "Quem quer dinheiro?" e foi a partir de 2003 que a bolha imobiliária tomou pulso e estourou no colo de Bernanke em 2008.

Durante este período, e como dizia um ex-chefe, era um "Panamá", expressão essa usada no passado, porém até hoje não sei a razão. Os imóveis eram verdadeiros caixas eletrônicos, onde os preços só subiam e os donos de imóveis tomavam empréstimos a juros baixos usando os, como colateral.

Os analistas que estão otimistas contam com uma recuperação deste segmento da economia no lançamento de novos imóveis. Acontece que, antes dos novos lançamentos tomarem pulso é necessário que se limpe os estoques que ainda estão na mão dos bancos, este efeito pode ser visto claramente no gráfico a seguir.


Quanto estoque ainda existe a venda? É uma reposta difícil de ser respondida, pois além dos bancos que tomaram estes imóveis de quem não pagou, tem ainda outras possíveis ofertas de pessoas que não venderam antes esperando uma recuperação nos preços, o que vem acontecendo recentemente. Outro fator estrutural que também tem impacto, é o fato dos jovens permanecerem mais tempo nas casas de seus país, consequência de um mercado de trabalho desfavorável nesta faixa etária.


No gráfico acima a tão esperada recuperação não está aparecendo, pois o número de lançamentos têm se mantido constante desde 2.008, e Bernanke estabeleceu um grupo de helicópteros específico para os imóveis. Este pode ter sido um dos motivos que fez com que o FED postergasse a decisão de diminuir os estímulos monetários.

Numa economia deflacionaria a lógica nem sempre prevalece, pois em situações normais quem não tomaria um empréstimo quase sem juros para comprar qualquer coisa, um apartamento, carro, e gagets em geral? Você e a torcida do Corinthians, afinal com os últimos resultados do timão encheriam a cara para esquecer! Hahahah.....Mas quando os preços dos ativos não sobem, os empregos são escassos e os salários menores ou igual, o medo prevalece e as pessoas tendem a não tomar empréstimos, a taxa nenhuma.

Então vai comprar o Iphone 5S? Convenhamos, os lançamentos da Apple não são mais os mesmos! Alguns leitores acompanham as ações e hoje vou comentar sobre esta ex-popstar, no post há-vagas?, fiz o seguinte comentário... A ação se encontra hoje ao redor de US$ 465, pode ser que o mínimo já foi atingido, ao redor de US$ 400, mas agora encontra-se num ponto vulnerável, então eu recomendo que se alguém seguiu meu conselho a-apple-não-acabou, venda agora e aguarde. Se ultrapassar os US$ 490, abre-se o caminho para novas altas, mas se ao contrário começar a cair, pode buscar US$ 350/330. It´s up to you! Vejamos o que aconteceu desde então.

A ação chegou ao mínimo de US$ 447 e voltou aos níveis de US$ 488, como havia mencionado acima, a US$ 490 retornaria a posição e é nesta situação que nos encontramos. Como indicado no gráfico, antevejo dois cenários, como sempre, diriam vocês! Hahahah...:
  • Acima de US$ 515 (eu esperaria este nível ao invés de US$ 490), uma compra com um stop a US$ 445, objetivando um target de US$ 590.
  • Não acontecendo o rompimento acima, aguardaria.
Os meus indicadores apontam que o primeiro cenário e mais provável, mas o que eu posso garantir é que a Apple está numa correção e as correções é muito mais imprevisível.

- David, você me fez vender a US$ 465 e agora recomenda comprar? Está ganhando comissão dos corretores!
E qual é o problema de comprar de novo, mesmo mais caro? No meu ponto de vista nenhum, pois se for esta a decisão, o motivo que fez você vender foi prevenir-se de uma queda maior, e se não aconteceu, pode-se entrar novamente com mais confiança e com um custo adicional desprezível comparado com o prejuízo que poderia ter acontecido. Não esqueça, o compromisso é com o bolso, não com a opinião!

O SP500 fechou a 1.698, com alat de 0,35%; o real a R$ 2,2451, com alta de 0,58%; o euro a 1,3482, com baixa de 0,32% e o ouro a US$ 1.324, com baixa de 0,68%.
Fique ligado!

25 de setembro de 2013

Bola de neve


Já faz alguns meses que venho ressaltando sobre a piora de nossas contas cambiais, e a publicação de ontem não foi exceção, o deficit em conta corrente atingiu 4% do PIB, os vilões continuam os mesmos, a balança comercial apresentando um superavit mínimo e a conta de serviços, onde mesmo a elevação da cotação do dólar não desmotivou os brasileiros a viajarem ao exterior, vejam os gráficos a seguir.

Na conta financeira o movimento foi intenso, com uma entrada de U$ 3,8 bilhões, U$ 6,0 bilhões de investimentos em carteira, principalmente em renda fixa e os investimentos diretos em US$ 3,8 bilhões, porém com uma saída de US$ 6,4 bilhões, originada pela amortização liquida de empréstimos diretos de bancos, possivelmente reflexo das incertezas nos mercados emergentes. Tudo isso considerado, o balanço de pagamentos teve um resultado negativo no mês de US$ 3,2 bilhões, e no acumulado de 12 meses, ficou num honroso zero a zero!


-David, e com tudo isso você acha que o real vai se valorizar?
A sua dúvida faz todo sentido, como um país que passa por uma deterioração intensa nos últimos anos, não tem um ataque especulativo contra a sua moeda? Dois pontos devem ser levados em consideração: Primeiro que nossas reservas são enormes US$ 372 bilhões,  e continuam neste mesmo nível à vários meses, segundo que a taxa de juros está subindo localmente, num mundo cheio de helicópteros por toda parte a busca de "algum" juro. Agora esta situação perdurando por muito tempo, e caso haja uma reversão do cenário externo com uma onda de aversão ao risco, aí sim as reservas podem começar a cair, mas por enquanto não acredito que podemos sofrer muito.

Vamos analisar o ouro, que está sendo chutado de um lado para o outro, como um bêbado vagando pelas ruas! Não me impressiona, pois depois de ser cotado como o ativo mais desejado há dois anos, caiu mais de 30% desde então levando muitos investidores a realizarem grandes prejuízos, mas a vida é assim, um dia popstar no outro dia é jogado na sarjeta! 

No post as-idéias-de-um-guru, apresentei o seguinte gráfico com comentários.


...Quem levou um tombo de respeito hoje foi o ouro, e se aproxima do intervalo que eu sugeri uma compra a-história-se-repete, entre US$ 1.310/1.280. Eu analisei melhor e vou ficar no último intervalo, alguns fatores me deixaram na dúvida se realmente é uma correção ou continuação do movimento de baixa...Embora o metal chegou a US$ 1.291 na mínima, a minha ordem não foi executada.


-David, que raiva, não comprou por pouco!
Ainda bem que você levantou este ponto, pois vai ser um exemplo ilustrativo, quando você sentir raiva porque teve uma ideia que não colocou em prática, ou não se concretizou, não aja por impulso, e compre a qualquer preço. Pare e pense, se o que estava buscando justifica pagar mais caro, e só ai decida, mas nunca por raiva.

No caso em questão fui pão duro, mas como havia dito antes, não tinha muita convicção e a ainda não tenho. O que fazer daqui em diante? Temos algumas hipóteses

  • A) Comprar ao preço atual US$ 1.335, se assim decidir, mantenha os mesmos parâmetros de stop a US$ 1.240 (médio positivo); 
  • B) Aguardar romper os US$ 1.430 e colocar um stop a US$ 1.290 (minha avaliação é semelhante a alternativa acima, mas com um pouco mais de segurança que um movimento maior pode estar acontecendo); e 
  • C) Não fazer nada e esperar uma retração abaixo dos US$ 1.290, e dependendo da "forma" que se desenrolar decidir se entra ou não (opção mais conservadora). Qual você escolhe?
- David,não vai dar uma de "Miguel" de quem é o gráfico de ontem?


 Então, vai fazer o depósito?

O SP500 fechou a 1.692, com baixa de 0,27%; o real a R$ 2,2315, com alta de 2,84%; o euro a 1,3523, com alta de 0,36% e o ouro a US$ 1.332, com alta de ,76%.
Fique ligado!

24 de setembro de 2013

Ressaca nos mercados


Quem já não passou do ponto na bebida, e naquela hora de crise onde tudo roda e a proximidade do banheiro é importantíssima, vem o pensamento: " juro que nunca mais vou beber"! Acontece que essa promessa é esquecida com o tempo, e novas situações ocorrem, é verdade que com menor frequência. Também conhecem o day after, como se diz em italiano uma nhanca!

Depois do estrondoso celebration, em ressaca, é como se encontram os mercados nesta semana, onde nada de muito interessante acontece, aliado ao fato de que poucos dados econômicos estão sendo publicados. Então hoje vou comentar sobre alguns pontos que merecem algum destaque, até que a bebedeira cesse e os mercados ganhem movimento.

A seguir alguns gráficos publicados pelo Deutsche Bank e já atualizados depois do FOMC, inicialmente com sua matriz de riscos, que retrocedeu com os últimos eventos.


 Em seguida uma ilustração da performance dos vários ativos no ano, vejam que houve um retrocesso importante nas taxas de câmbio em relação ao dólar e as bolsas ficaram todas positivas, com exceção do índice brasileiro Ibovespa.


E por último suas estimativas para o crescimento nos próximos dois anos nas várias regiões.


Se estas previsões se concretizarem, teremos um período de relativa estabilidade com performances positivas nos mercados de risco, agora não é isso que os gráficos dizem e quando o fundamento não bate com o técnico, é certeza que um dos dois vai errar, e vocês já sabem em quem eu confio mais!

No post china-algum-otimismo? eu inciei minha cobertura no índice Ibovespa, as perspectivas não são muito animadoras do ponto de vista de novos trades, pois está numa correção. Veja o desenrolar desde a última publicação.

 O primeiro intervalo que eu tinha mencionado foi atingido no dia 19/09, com a máxima de 55.900. O que fazer agora? Com um viés muito oportunista eu aguardaria uma correção ao nível de 52.000 para tentar alguma coisa, por outro lado, não descarto uma alta ao redor dos 60.000.

Nestas situações é muito difícil ganhar alguma coisa se não sairmos rápido, o que não é o objetivo do mosca. Lembrem-se do que o estudo técnico mostrou, ao ficar 37% do tempo fora do mercado (vejam tabela no celebration), o retorno elevou-se  muito.

Quiz: Você acha que uma empresa cujas ações tiveram o comportamento do gráfico abaixo, pode-se recuperar? Se for um banco depositaria seu dinheiro? Amanhã eu digo quem é.

O SP500 estava a (*) 1.703, com alta de 0,10%; o real a R$ 2,1968, sem variação; o euro a 1,3474, com queda de 0,13% e o ouro a US$ 1.323, com alta de 0,12%.
(*) 16hs00
Fique ligado!

23 de setembro de 2013

A caixa preta da Yellen

Esta semana, é muito provável que o Presidente Obama indique seu candidato para substituir Bernanke no FED, e parece que ele não tem muitas opções, acabará indicando Janet Yellen, como quer Wall Street.

Depois da surpresa da semana passada, quando o Comitê resolveu manter todos os helicópteros no ar, vários Bancos começaram a pesquisar quais seriam os rumos da Yellen, no seu novo cargo.

O Goldman Sachs observou que ela citou em várias ocasiões, um modelo muito sofisticado denominado Optimal Control Aproach, que projeta uma estimativa da taxa de juros, buscando atingir seus objetivos de nível de emprego e inflação, ou seja, é uma caixa preta. A principal razão que motivou este Banco a supor que este modelo estava sendo usado pelo FED, é que as projeções das taxas de juros publicadas nesta última reunião, são muito baixas, não sendo compatíveis com modelos mais "clássicos".

Sem entrar no mérito de como é construído nem as suas premissas, vamos analisar qual será a perspectiva para o Fed Funds nos próximos anos.

Na alternativa intermediária os juros só  começariam a subir no início de 2016, atingindo o nível considerado de equilíbrio, 4% a.a., em 2019. A título ilustrativo, eu construí uma tabela considerando estes dados, e calculando qual seria a taxa de juros de hoje até estas datas futuras, veja a seguir.

Só para esclarecimento, em azul são as taxas implícitas no modelo, e ao lado o rendimento dos papéis do governo americano para cada um destes vencimentos. Não é muito, mas as taxas podem cair mais. Não é a toa que o BNDES fez uma captação na semana passada, cujo volume de propostas foi dez vezes superior a oferta. Será que o dinheiro vai voltar para os emergentes? É bem possível.

Como prometido, fiz uma análise mais detalhada do real. No longo prazo, com horizonte de 3 anos, ainda nada muito claro, posso visionar uma queda abaixo de R$ 1,55 ou novas altas para o futuro, assim no momento é um total wishfull thinking! Já num horizonte de médio prazo, acredito, que quedas do dólar entre R$ 2,10 e R$ 1,90 são prováveis, ou até mais baixo, veja a seguir.

Acompanhem comigo, tem muita informação e premissas no gráfico:
  • Estou assumindo que o real passa por uma correção, assim é difícil estabelecer ex-anti, uma trajetória.
  • Observem que existiram três fases indicadas com numerações em verde: 
          1) Queda, intervalo entre R$ 2,55 - R$ 1,55, com duração 2 1/2 anos;
          2) Alta, intervalo entre R$ 1,55 - R$ 2,45, com duração de 2 anos; 
          3) Queda? iniciada em setembro/13 com objetivo de R$ 1,90 ou abaixo. 
  • Será um período acompanhado de altas e baixas, como os anteriores, sugerindo operações somente em extremos, maximizando o risco x retorno.
No curto prazo me fixaria nos seguintes intervalos, uma venda do dólar, caso a cotação atinja R$ 2,27/2,29. No momento não faço nada, pois o dólar pode testar ainda ~ R$ 2,15, antes desta míni alta.

O SP500 fechou a 1.701, com baixa de 0,47%; o real a R$ 2,2008, com queda de 0,40%; o euro a 1,3496, com queda de 0,19% e o ouro a US$ 1.321, com queda de 0,24.
Fique ligado!

20 de setembro de 2013

Black Swan

O professor e filosofo Nassim Taleb, leciona na Universidade de Massachusetts, alem de ser o Presidente de uma empresa de Investimentos chamada Empírica, deste modo, ele tem um diferencial muito grande em relação à maioria dos acadêmicos, coloca na reta!
Ficou conhecido ao escrever o livro Black-Swan, que versa sobre eventos improváveis no mercado financeiro, muito bom, vale a leitura.

Qualquer Instituição Financeira que se preze, quantifica sua exposição de risco mantida nos mercados. Imaginem por exemplo, um Banco do porte de um JP Morgan, cuja mesa de operações deve ter 1.000 traders. Como pode o Presidente deste Banco se certificar que nenhum funcionário levaria a instituição para o "beleleu"? O modelo mais utilizado chama-se Value_at_risk(VAR), e é basicamente um sistema que calcula quantos dólares se pode perder, com X % de probabilidade,  numa determinada posição, onde X varia de 95% a 99%. Para efetuar este calculo, utiliza-se as cotações passadas deste ativo e em seguida constrói-se a curva de Gauss.

- David pode parar! Vai dar aula de estatística?
Está bem! Resumindo esta "massaroca" calcula qual o tamanho da perda, se o ativo mover contra, com 99% de chance.

- E o que acontece no 1% ?
Back Swan, aí só resta rezar! Hahahahah....Falando sério, não tem graça nenhuma, pois posso dizer que já passei por estas situações. Em 1997 eu estava na Linear e fomos afetados pela crise da Ásia, para se ter uma ideia do que aconteceu, um dos contratos de juros que tinha uma oscilação diária de 40 pontos, no dia 23 de Outubro, oscilou 4.000 pontos! Nesta hora não tem sistema, é por controle manual. Horrível, para dizer pouco.

Isto me remete ao tema de hoje, o professor e operador Nassim Taleb, comenta sobre estes eventos em seu livro e descreve algumas situações que vivenciou quando trabalhava num banco, onde decisões erradas, segundo seu ponto de vista, geraram prejuízos enormes. Em outras palavras, comenta que Cisnes Pretos exitem e sugere que não se deve ter posições que levem a banca rota.

O economistas do Banco Socite Generale fizeram uma atualização de seu gráfico denominado de Black Swan, para o 4º trimestre de 2013.


Verifiquem cada um de seus argumentos, mas de uma forma resumida, eles acreditam que a chance de eventos negativos é de 15%, enquanto o cenário mais provável, é de recuperação a conta gotas, com de 75% de chance, e por último, creditam 10% para que haja uma aceleração dos PIB's. Agora, mesmo no cenário mais negativo, talvez só o China hardlanding, mereceria um Cisne Preto maior, ou outros são Cisnes menorezinhos! Hahahah....

Vou comentar hoje a segunda moeda mais negociada no mercado de câmbio, que atingiu o volume estrondoso de US$ 5,0 trilhões por dia, o euro. Não sei se notaram, mas ultimamente pouco se comenta sobre a moeda única. O motivo? Ninguém está ganhando dinheiro com ela, elementar meu caro Watson!
A seguir o gráfico que foi postado em cocaína-financeira e meus comentários.

  
...No curto-prazo se ultrapassar 1,34, terão vários operadores Gregos, Portugueses e Irlandeses que vão jogar a toalha, aí o grande teste será nos 1,37 e se os comprados, os BC´s Europeus, ficarem firmes, então será a vez dos Espanhóis, Italianos e Franceses jogarem a toalha! ...
Como os Gregos e Cia. já eram, os próximos a serem testados serão os Espanhóis, Italianos e Franceses.

Notem que este gráfico tem uma visão mais longa que o anterior. Se os operadores do Club Med jogarem a toalha, o euro deve buscar o intervalo de 1,43/1,46. Eu aguardo este momento à muito tempo, e caso isso aconteça, eu vou vender. Aí sim as notícias do euro serão positivas, justificando os preços, nem olhem!

O SP500 fechou a 1.709, com queda de 0,72%; o real a R$ 2,2097, com alta de 0,35%; o euro a 1,3524, sem variação e o ouro a US$ 1.325, com queda de 2,95%.
Fique ligado!

19 de setembro de 2013

O mercado está P--O com o FED

As vezes só um palavrão pode expressar melhor uma situação, e o título de hoje é o que melhor se adéqua a decisão de ontem da autoridade monetária americana, os investidores estão P--OS com p maiúsculo. Sempre que isso acontecer, não se enganem, é porque se espalhou prejuízo por todo lado. Se fosse uma mera opinião sem efeito financeiro, muda-se, mas quando mexe-se no bolso a reação é outra.

Vejamos por exemplo o que o Deutsche Bank, que têm uma visão otimista da economia americana e esperava um corte dos helicópteros, concluiu sobre o FED: (1) Tímido - Sem razão para cortar os estímulos; (2) Medo : Receios que a elevação das taxas longas podem comprometer o crescimento; (3) Diferente: Ao contrário do que o BoE e ECB, o FED deseja colocar o dinheiro em concordância com seu discurso, de uma maneira ativa, combatendo os juros; e (4) Imprevisível - As variáveis usadas pelo FED para decidir, não são estáveis. Com certeza, se pudesse, o Banco usaria meu palavrão! Hahahahah....

Na minha humilde opinião, o que aconteceu, é que o FED sempre deixou claro que tudo depende dos dados econômicos, e caso eles não estivessem de acordo com suas expectativas, sua decisão poderia mudar, então o mosca vislumbrou 14 motivos para esta decisão : (1) Abram os olhos - O FED enxergou alguma variável que o mercado não está enxergando; (2) As outras 13 não interessam! Hahahahahah.....

-David, chega de gracinha, e você é humilde?
Tem razão, mas eu acredito que o motivo principal é este, algo não vai como o planejado, e o que é pior, não são as variáveis que todo mundo acompanha, pois estas estão melhorando, justificaria uma ação. Eu assisti parte da secção de perguntas e respostas e uma das afirmações que chamou minha atenção, foi quando Bernanke enfatizou..." o nível de desemprego de 6,5% não é pré condição para subirmos os juros, pode ser significativamente inferior... Confesso que fiquei perplexo, pois isto era uma given no mercado.

Publiquei em vários posts, dados sobre o mercado de trabalho, mas recomendo em especial que vocês releiam o post o-desemprego-oculto. Não sou eu que vou ensinar economia, eles do FED sabem muito mais do que eu, e tenho certeza que eles tem muito mais informação que eu e que o mercado. Eu desconfio, em função da ênfase dada por Bernanke na frase acima, e olhar só a taxa de desemprego não é suficiente, pois as mudanças que vem acontecendo recentemente na economia americana, justificam um outro enfoque para o emprego, afinal é o objetivo número um do FED.

Se minha hipótese for verdadeira, vai demorar ainda muito tempo antes de ele recolher os helicópteros, talvez os pilotos se aposentem antes! Hahahaha...

- David, e o câm..
Já sei, já sei, você quer saber o que eu acho do real. Ontem vários leitores me consultaram para saber minha opinião. Como sou macaco velho, sei que quando você tem um call oposto ao do mercado e acerta todos os olhos se voltam a você, e o perigo é se achar um gênio, PERIGO! Se você não se controla, vai direto para a "torcida". Por causa disso , vou pedir o final de semana para analisar com calma, e até lá nada de muito diferente deve acontecer.

Em todo caso, vejam alguns pontos que devem ser levados em consideração:
  • O mercado trabalhava certo que o dólar iria se valorizar perante todas as moedas, principalmente a dos países emergentes, o que agora, no mínimo, foi postergado.
  • Localmente estas apostas estão nos limites máximos históricos.
  • Além dos estrangeiros, os investidores institucionais estão bastante comprados, "especulando" que o dólar só poderia subir.
  • O "único" vendedor é o BC que anunciou um plano de venda diário de US$ 500 milhões.
Pode-se dizer que o mercado está parcialmente em corner, pois se estes agentes quiserem sair de suas posições, vão vender para quem seus dólares? O dólar pode "derreter", como se diz no jargão de mercado. Mas não acredito que o BC vai deixar isto acontecer e espero que dentro em breve ele interrompa o programa e até possa recomprar o que vendeu, se por exemplo o dólar for buscar R$ 2,00.

- David, dólar a R$ 2,00, duvido?
Está comprado hein! Hahahahah.... Não disse isso, apenas comentei uma hipótese, e não esqueça que contra o fluxo não tem argumento.

Com uma visão superficial diria que: a) O dólar já caiu muito da máxima; b) Está próximo de uma zona que eu apontei anteriormente (em vermelho); c) Lucro não dá prejuízo! Então para quem está posicionado recomendo zerar suas posições e esperar no mínimo um momento melhor para entrar de novo, agora comprar dólar seco, nem pensar!

O SP500 fechou a 1.722, com baixa de 0,18%; o real a R$ 2,2007, com alta de 0,70%; o euro a 1,3259, sem variação e o ouro a US$ 1.365, sem variação.
Fique ligado!

18 de setembro de 2013

Celebration!

Eu juro que tentei buscar um outro tema, mas o assunto do dia foram os helicópteros. Se você é piloto e lê o mosca, quando abrir este post saberá se continua empregado ou não. Como vocês sabem eu preparo o material do dia na parte da manhã, mas não vai ter jeito, vou reservar um espaço para analisar o impacto, depois do anúncio.

Hoje, os relatórios dos bancos estão incríveis, alguns buscam se sobressair em relação aos seus concorrentes, vocês não tem ideia do nível de detalhes, só faltava comentar da cueca do Bernanke, mais ou menos assim ...Se o Presidente do FED for de cueca preta, corte grande, mas se for branca, sem cortes....Pensando melhor acho que como a Yellen é a mais cotada para assumir o comando,...Se ela estiver com calcinha branca vai manter toda frota, agora se for um fio dental vermelho, saí de baixo!.... Hahahahah...

- David, você não tem o que escrever e quer dar uma de humorista?
O senso de humor é muito importante na vida, tanto pessoal quanto profissional, existem vários estudos sobre o assunto! Eu participei de inúmeras reuniões corporativas, sei que algumas têm desenrolar diferente quando existe uma troca de comando, e o ex, e o novo, estão presentes. Os participantes se dividem de uma forma diferente do passado, um novo equilíbrio é esperado.

No caso do FED, já comentei inúmeras vezes que havia uma grande divisão, os contra e os a favor dos helicópteros. Nestes últimos dias eu assisti algumas entrevistas dos que são contra os helicópteros, e falavam com grande desenvoltura que deveriam pousar, acho que esta "confiança" baseava-se no fato de Summers ser o preferido a assumir o cargo, agora as coisas ficaram diferentes, com o abandono dele.

Ontem foram publicados os dados de inflação, o Consumer_price_index core e excluindo alimentos e combustíveis, não é o índice que o FED usa nas suas projeções, mas também tem muita importância.


Anotei no gráfico o índice que o FED acompanha, o publicado ontem está em vermelho, por aí não se observa nenhuma pressão inflacionária, ao contrário parece ter se estabilizado num patamar inferior a 2% a.a.

Antes de deixar um espaço para comentar as repercussões, queria apresentar uma tabela extraída de um livro de análise técnica, que gostaria de frisar não li, Technical-Analysis-Trends-Robert-Edwards, onde faz uma comparação usando uma estratégia conhecida com buy and hold, ou seja, à lá Warren Buffet e outra utilizando Dow Theory, que usa análise técnica.

A simulação foi feita partindo de um investimento inicial de $100 em 1897, a estratégia Buy and hold acumulou um ganho de $ 25.952,72 e assumiu comprar na mínima histórica do índice Dow Jones, quando atingiu 29,64, e calcula o resultado em dezembro de 2010.

Já a outra, dos 41.444 dias entre 1897 e 2010, permaneceu fora do mercado em 14.378 dias, 37% do tempo,e acumulou um resultado de $ 492.597,38, ou seja, quase 20 vezes superior! Agora se o investimento fosse mais agressivo e além de ficar comprado também vendesse a descoberto usando os sinais do modelo, o ganho passaria a $ 2.696.535,01, ou seja, 450% superior. 

Precisa de algum comentário? Este exemplo, como muitos outros, só reforçam a ideia que usar só fundamentos não é a forma mais rentável de encarar seus investimentos.

Estou ouvindo os gritos de comemoração dos pilotos, afinal ninguém vai ser despedido! Hahahah...Talvez ninguém achava que o FED continuaria integralmente como os helicópteros. Não posso dizer que o mosca esperava, primeiro porque não expressei, fiquei com receio de não passar vergonha e segundo não sabia se eu achava mesmo ou estava torcendo. Mas que eu não acreditava que seria uma demissão em massa, não acreditava, pois basta ver minhas sugestões: ouro/compra; real/compra; SP500/compra; e Euro/bem, nada!) , o mosca estava na ponta certa, mesmo que algumas ordens não tenham sido executadas.

Nas primeiras páginas dos jornais de amanhã você vão ter ideia do otimismo reinante, bolsas para cima, juros e dólar para baixo.

Ontem no post armadilhas-do-retorno-médio, publiquei a tabela abaixo.

Faltavam ainda 3 moedas para atingirem o target, hoje não falta mais nenhuma, assim estou inclinado a afirmar que as moedas dos emergentes atingiram estabilidade, pelo menos no curto prazo.

Para definir o estado do mercado ouçam Kool & the Gang: Celebration! .


O SP500 fechou a 1.725, com alta de 1,22%; o real a R$ 2,1929, com queda de 2,79% Uallll!; o euro a 1,3511, com alta de 1,18% e o ouro explodiu a US$ 1.366, com alta de 4,20%!.
Fique ligado!

17 de setembro de 2013

Armadilhas do retorno médio

Quem já não pensou em largar tudo para não fazer nada? Todo mundo, talvez esta seja uma das maiores ilusões. Há muitos anos minha analista com muita sabedoria comentou que desejar uma vida sem nenhuma atividade, equivale a se "aposentar da vida", o que não é possível. Em outras palavras, achar que se chega a velhice sem fazer nada, não é saudável, isto não significa trabalhar como se tivesse 20 anos.

O tema de hoje é como se deve investir sua poupança para garantir um acumulo de riqueza que suporte seus gastos no futuro, quando não tiver mais condições de gerar renda com seu trabalho. Vou me basear num estudo feito nos USA, mas o conceito é o mesmo, basta pedir a seu banco os dados, ou procure alguém que forneça este tipo de serviço.

Se você perguntar a um jovem, para traçar a trajetória de seu patrimônio, de hoje até sua aposentadoria, num pedação de papel, o resultado é um gráfico semelhante ao apresentado a seguir.

O gráfico acima é a representação de um profissional de 45 anos que contribuí mensalmente com $ 5.400 num investimento que rende 10% a.a, e a cada ano os depósitos incrementam em 3% a.a., que é a premissa da inflação, até a idade de 65 anos. Após esse período de 20 anos acumula-se $ 5.000.000. O problema que esta premissa não existe, para quem investe nos mercados sabe que eles não propiciam retornos estáveis.

Aí vem o conceito de média, que pode levar a erros importantes por dois motivos, primeiro que quando se imagina uma média pressupõe-se que os retornos podem ser acima ou abaixo, e segundo o período que você vai fazer seu pé de meia, onde a media pode não ser a mesma. Assim, os planos construídos para se ter sucesso,  baseados em expectativas de médias de longo prazo, terão por principio uma chance de 50% de insucesso. Aplicando-se o conceito estático de distribuição normal, o nosso exemplo passa a ter as seguintes possibilidades.

O timinig é tudo, para facilitar a compreensão deste conceito vamos analisar o retorno do SP500, considerando um período móvel de 20 anos, ao longo de sua história.


Observe que no período de 20 anos de 1980 até 2000, um horizonte que a maioria dos americanos com idade de 45 anos se recordam, as ações propiciaram um retorno anualizado de 18% a.a.. Do outro lado do espectro, considerando o período de 20 anos depois da crise de 1929, a bolsa rendeu meros 1,9%a.a.

Para uma pessoa que poupou $ 5.000 por mês neste período de 20 anos, esta diferença de 16% a.a. no retorno, representa uma diferença de $ 9.000.000 no patrimônio final.

Interessante também, é avaliar outros períodos mais longos e mais curtos que 20 anos, pois o período de poupança, varia para cada pessoa. No gráfico a seguir, quantifica-se a variação do retorno para um portfólio investido integramente em ações e outro balanceado, com 60% em ações e 40% em títulos do governo americano de 10 anos.


O símbolo interno em azul de cada barra mostra o retorno médio no período em consideração, enquanto cada barra representa o intervalo de resultados observados em todo os 113 anos. Os cálculos resultam num retorno médio de 10% a.a. para as ações e 8% a.a para os títulos.

Este gráfico mostra uma curiosidade extremamente importante: Embora as ações apresentem um retorno superior aos títulos em 2% a.a, em todos os horizontes cobertos no gráfico- mesmo em 40 anos - o pior retorno para o portfólio balanceado foi igual, ou substancialmente melhor, que o pior retorno obtido no retorno em ações.

Assim, uma conclusão obvia mais muitas vezes negligenciada, é que: um portfólio com uma volatilidade maior, terá um potencial maior de variação de resultados.

Para colocar em termos mais concretos, imagine um profissional que planeja investir $ 5.400 por mês, incrementando 3% anualmente, e o faz num portfólio com um retorno médio esperado de 10% a.a., ele imagina ter $ 5.000.000 ao se aposentar. Como vimos acima, dependendo de quando ele inciou, poderia ter $ 18.000.000 (taxa de 18% a.a.), ou somente $ 2.000.000 (2% a.a). Se por azar ele se encaixar no último caso, terá que estender seu tempo de trabalho, além de alterar seu padrão de vida na velhice.

Ao se planejar a poupança de um indivíduo, não adianta somente olhar pelo retorno esperado pela média, deve-se usar o conceito da curva de distribuição normal e analisar qual seria o patrimônio acumulado nos 5% dos casos piores, assim permite uma visão mais conservadora quanto ao valor que pode-se esperar no futuro, caso as coisas não caminhem tão bem como o imaginado.


No post a-culpa-é-do-fed , tracei alguns objetivos onde acredito que as moedas dos emergentes adquiririam uma certa estabilidade, atualizei a tabela que deve estar colocada na porta da geladeira ou do seu monitor. Hahahah.....


Três delas  ultrapassaram aquele nível (em azul), enquanto as outras três ainda não, mas estão bem próximas. Amanhã é o dia tão esperado, onde os pilotos de helicópteros devem passar esta noite em claro, seus empregos estão em jogo, mas não estão sozinhos, o mercado inteiro aguarda também esta decisão.

O SP500 fechou a 1.704, com alta de 0,42%; o real a R$ 2,2585, com baixa de 1,11%; o euro a 1,3358, com alta de 0,19% e o ouro a US$ 1.309, com queda de 0,27%.
Fique ligado!

16 de setembro de 2013

Os pilotos estão eufóricos

No post da sexta- feira 2+2=5, eu comentei que Summers era o candidato preferido de Obama para ocupar a Presidência do FED, mas que não gostava desta escolha. Hoje foi amplamente publicado na imprensa que ele, Summers, desistiu da nomeação, o principal motivo é que a grande maioria da bancada dos Democratas rejeitaria seu nome. Mais uma derrota do Presidente Americano que é consequência de um Governo "medroso".

Se eu fosse o Summers iria no mínimo me sentir mal, pois a sua desistência foi amplamente comemorada pelos mercados, acho que não era só eu que tinha a mesma impressão dele. Mas teve um grupo que não parou de comemorar, passaram a noite em claro bebendo Champanhe, e das boas! Os pilotos de helicópteros! Hahahahahah.... A mais cotada candidata para assumir agora o FED é Janet_Yellen, atual Vice-Presidente, que adora helicópteros.

As bolsas no mundo inteiro subiram, os juros de longo prazo recuaram e o dólar perdeu força frente as outras moedas, se ela for eleita, espera-se more of the same, uma frase muito usada no mercado. Nesta semana tem reunião do FOMC, onde se espera uma diminuição do número de helicópteros, mas a posição de Yellen era contrária, pois acredita que a recuperação americana ainda é frágil, será que este novo dado pode alterar o que parecia certo?

Eu tive acesso a um artigo que me deixou exaltado, foi publicado no New York Times, pelo renomado articulista Thomas Fridman. O seu título é sugestivo e intrigante: Quando a complexidade é grátis, recomendo muito! O artigo, inicia com críticas ao Governo atual, mas fica feliz em saber que existe uma outra realidade excepcional, encontrada na área de pesquisa em todas as Companhias globais americanas. Ele foi à GE para entender como são desenvolvidas as novas tecnologias naquela empresa. Bem, não vou repetir o artigo, mas posso garantir que vocês jamais poderiam imaginar o que ocorre lá.

Estes fatos reforçam minha crença que estamos vivendo numa era cuja revolução tecnológica consegue realizações impensáveis, não há dez anos atrás, mas hoje! Mais o efeito é perverso, pois implica em diminuição de empregos e salários contrapondo o benefício da diminuição de custos, e como consequência dos preços dos produtos e serviços.

Vocês sabem que eu não sou economista de formação, porém minha profissão exige conhecimentos desta área, assim busco completar minha formação com leituras, não me debruço em profundidade nos conceitos, na próxima encarnação já decidi que vou estudar economia! Hahahah.... Um economista bastante renomado, Joseph A. Scumpter, escreveu um livro nos anos 50, Capitalism, Socialism and Democracy, e um dos capítulos denomina-se the process of creative destruction, para quem quer entender um pouco o que acontece hoje e quais as consequências, aconselho sua leitura.

- David, você não cumpre com o que prometeu, ao invés de ser um acadêmico,  terapeuta, sociólogo e etc... por que não se concentra no bolso? Afinal veja qual o objetivo do mosca, que você divulga!

Nossa, que dura! Você tem razão, mas as vezes desvio por estes caminhos porque sou um ser humano e quero propiciar aos leitores, também minhas ideias nestes assuntos. Olha não vou mudar, e melhor se acostumar com estes adendos, mas fique tranquilo que não perco o objetivo final, o bolso, e falando nisso vamos ao tão comentado SP500, que ainda não deu nenhuma indicação de queda.

No post fim-de-férias, escrevi ..."O SP500 vem tendo uma performance negativa nos últimos 30 dias, com queda de aproximadamente 5%, os motivos são o receio da retirada dos helicópteros e a situação na Síria, que vem piorando dia a dia. No post os-jovens-americanos-estão-felizes?, apontei o nível de 1.630 como pivô, e até o momento este movimento não merece preocupação, porém daqui em diante passa a ficar no radar"...

É só observar acima e verificar que o SP500 aguentou firme a região de 1.630, e tecnicamente, eliminou a possibilidade desta queda recente, ser um movimento de baixa mais sério, além do fato de estar próximo a sua máxima histórica de 1.709,67.  
Por enquanto o movimento é up, e a onda C que espere!

O SP500 fechou a 1.697, com alta de 0,57%; o real a R$ 2,2839, com alta de 0,20%; o euro a 1,337, com alta de 0,34 e o ouro a US$ 1.310, com queda de 1,19%.
Fique ligado!

13 de setembro de 2013

2 + 2 = 5?

- David, essa pegadinha todo mundo conhece!
Nossa amigão, hoje você nem deu tempo de eu começar! Na próxima semana o FED vai se reunir, e saberemos se os helicópteros vão diminuir, diminuir pouco ou permanecem a toda carga. O mercado está apostando na coluna do meio, mas vejam os fatos que devem nortear esta reunião.

  • Provável diminuição das estimativas de crescimento para este ano e o próximo, pela 3ª vez consecutiva.
  • A inflação está andando pelo menos 0,5% a.a. abaixo do objetivo do FED.
  • A taxa de desemprego foi de 7,3% em agosto, unicamente por conta que alguns americanos estão desistindo de buscar empregos.
  • Todo resto são expectativas que: o mercado imobiliário vai ajudar, as companhias vão contratar mais, os países emergentes vão recuperar o vigor.
Então o que será que o Bernanke, que está de saída, vai propor? Ele em matemática é "top", será que o mercado está apostando corretamente? Tenho minhas dúvidas, mas se o Comitê passar por cima dos fatos atuais e resolver apostar que a recuperação com mais impeto está batendo na porta, vai dar mais força para aqueles que pedem: fora os helicópteros!

É provável que Obama indique o nome para Presidente do FED, dentro em breve, afinal, agora que se sujeitou ao Putin no caso Síria, está com tempo sobrando! Hahahah... Parece que Summers é o mais cotado, amigo do Presidente de longa data, não sei se o mercado vai gostar, eu não gosto, tudo que ele fez em sua vida profissional não deu muito certo, seria melhor se ele continuasse lecionando!

Hoje o post será resumido em função do feriado judaico e é sexta-feira 13, melhor não dar muito palpite! Hahahaha...

Vamos dar uma olhada no real, no post cada-macaco-no-seu-galho, sugeri venda do dólar, numa eventual correção, ao nível de R$ 2,355/2,37.


Nada ainda pode ser afirmado, pode ser o caminho "original" aí vale a ordem inicial. Basta você observar o gráfico para ver como o dólar está "fraco", e é possível um caminho B, neste caso vamos ter que aguardar mais um pouco.

O SP500 fechou a 1.687, com alta de 0,27%; o real a R$ 2,2810, com alta de 0,34%; o euro a 1,33, sem variação e o ouro a US$ 1.323, com alta de 0,28%.
Fique ligado!

12 de setembro de 2013

As idéias de um "Guru"

Acredito que vocês já sabem da minha admiração por Bill Gross, o gestor do maior fundo de renda fixa no mundo, mas hoje vou apresentar os pensamentos de um outro, Jeff Gundlach, que é o Presidente da doubleline funds e tornou-se muito popular nos últimos anos pela performance de seus fundos.

Ele fez uma apresentação a seus investidores esta semana do qual eu tive acesso, selecionei alguns itens, sua ideia geral é que os juros vão continuar baixos e não prevê inflação ou estagflação até os preços das commodities comecem a subir.


É interessante notar que é a cada ação inicial do FED nos helicópteros, a taxa subia para retroceder em seguida, embora esta última tenha sido mais forte e rápida.

Outro fator que ele chama a atenção é a correlação entre a bolsa de valores e os bonds (quando preço sobe a taxa implícita cai e vice-versa) que a partir de 1997, mudou completamente, fazendo que tivessem movimentos contrários, ou seja, quando os juros caiam, a bolsa subia. Ele questiona se esta relação irá retornar ao que era antes de 1997.


Em relação aos emergentes faz uma comparação entre as reservas e a dívida de cada país, em 2007 e mais recentemente, .


O que chama a atenção, é que a Índia teve uma deterioração marcante em sua situação cambial, enquanto no caso do Brasil aconteceu o inverso, estando hoje numa situação semelhante a da China, neste quesito.

Ele mostra como a bolsa dos mercados emergentes foram premiadas nestes últimos 10 anos.

Mas desde a crise andaram de uma forma semelhante, porém desde metade de 2012 houve uma piora dos emergentes, comparada a bolsa dos países desenvolvidos.


E por último, projeta a situação as receitas e despesas das contas públicas americanas para o futuro.


O grande vilão daqui em diante será o aumento expressivo da conta de juros em função da expressiva elevação da dívida pública. Para solucionar ele calcula que deveria haver uma elevação na taxa média dos impostos, que hoje é de 18,3 % do PIB, para 23,2% e não seria suficiente só taxar os mais ricos.

Quem levou um tombo de respeito hoje foi o ouro, e se aproxima do intervalo que eu sugeri uma compra a-história-se-repete, entre US$ 1.310/1.280. Eu analisei melhor e vou ficar no último intervalo, alguns fatores me deixaram na dúvida se realmente é uma correção ou continuação do movimento de baixa.


Investir é arriscar, e vou tentar uma compra, se o preço chegar lá, com um stoploss a US$ 1.240. Quero enfatizar que: só abaixo do mínimo anterior US$ 1.180 pode-se afirmar a hipótese de continuidade da baixa, eu decidi estabelecer um stoploss mais conservador, então não chore as pitangas se formos estopados e depois o mercado subir, estou sendo "pão duro" na aposta, pois é o que acho que vale.

O SP500 estava(*) a 1.684, com queda de 0,30%; o real a R$ 2,2724, com queda de 0,16%; o euro a 1,3299, sem variação e o ouro a US$ 1.323, com queda de 3,23%.
Fique ligado!
(*) 16hs30