Inflação: A Revanche

30 de agosto de 2013

A história se repete

Eu nem pretendo aventurar-me a opinar sobre assuntos Geopolíticos, ainda mais quando o assunto é Oriente Médio. Parece que os USA estão próximos de agir na Síria, mesmo com a rejeição ontem do Parlamento Inglês. Ao público aparecem as notícias dos conflitos nas ruas, mortes e etc... mas raramente mostram a situação econômica.

A Síria é um desastre humanitário, é claro, mas é uma catástrofe econômica também. Este último não recebe atenção por razões óbvias, mas 290% de inflação certamente se qualifica. A economia funcionando ou não, o governo tem que pagar as suas contas. Então, o que fazer quando não tem impostos para receber? Imprime-se moeda! Isto é o que o regime de Assad tem feito para cobrir a diferença do que tem a pagar. O regime tentou esconder a verdade, com os números oficiais, mas Steve Hanke, um professor da Johs Hopkins, estimou qual é a inflação real, usando a taxa de câmbio paralelo.

Milton Friedman definiu que a inflação é um fenômeno monetário, mas hiperinflação é sempre um fenômeno político, e os preços sobem muito quando o governo imprime muito. Mas porque os Governos imprimem muito dinheiro, se acaba valendo pó? Vejam a seguir a tabela de vários episódios de hiperinflação e o que elas têm em comum.


Veja as datas de início. Hiperinflação tende a acontecer em períodos de guerras e revoluções. A Alemanha de Weimar e Zimbabwe parecem exceções a esta regra, mas não são realmente, a resistência a reparação do primeiro e a reforma agraria do último, segurou a atividade econômica como em qualquer conflito. Generalizando, existe um tipo de crise política que destrói a economia e vice-versa criando um ciclo vicioso.

A inflação é algo que entendemos, e entendemos como podemos parar, como aponta Paul Krugman, mas a hiperinflação é diferente, não é o caso onde o Governo emite demais para evitar escolhas difíceis, é sobre Governos emitindo muito porque não tem alternativa, neste caso os BC´s não tem o que fazer para corrigir.

Já que o assunto é inflação, vou comentar sobre o ouro, no post ração-diária externei minha ideia de comprar ouro, os níveis que defini lá terão que ser alterados pela continuidade do movimento de alta nos dias seguintes. Acredito que depois da alta da última quarta-feira, atingindo US$ 1.433, o metal passará por uma correção e é onde pretendo comprar.

No gráfico acima está o plano, comprar no intervalo entre US$ 1.310/1.280, o grande problema é que o stoploss "correto" situa-se em US$ 1.180, aproximadamente 10% abaixo do primeiro ponto, é bastante! O que fazer? Vou acompanhar este movimento de correção, e talvez possa estabelecer parâmetros com potencial de perda menor, acompanhe o mosca.

Por último eu fiquei devendo uma explicação do conteúdo do post a-pressão-continua, conversei com minha analista mas não conseguimos identificar uma razão convincente, acho que é resquícios do inferno astral, não meu, do mosca! Hahahah...

O SP500 fechou a 1.632, com baixa de 0,32%; o real a R$ 2,3850, com alta de 1,10%, o euro a 1,3214, com baixa de 0,20% e o ouro a US$ 1.394, com queda de 0,98%.
Fique ligado!

29 de agosto de 2013

Inferno Astral


No mercado financeiro existem alguns analistas que usam a Astronomia como complemento de suas análises, é importante não confundir com Astrologia, pois a primeira compreende os objetos celestes de maneira objetiva e voltada para ciências como matemática, física, e etcc e a última compreende tema de maneira mais subjetiva e voltada a psicologia e outra ciências afins. Eu nunca me interessei em compreender esta área, dada sua complexidade e não sei se acredito, mas como se diz...Yo no lo creo en las brujas pero que las hay, hay...Hahahah...

Quando estamos próximos de nosso aniversário inicia-se um período denominado de inferno astral, onde os acontecimentos que precedem esta data não são muito bons. Nossa Presidenta vem passando por um perido repleto de problemas nos últimos 60 dias, seria por conta de seu inferno astral?Não é o caso pois seu aniversário é somente em dezembro. Vejamos:

  • Manifestações de rua, com demandas das mais variadas e quase impossíveis de serem atendidas.
  • A população está irritada com o Governo e com os políticos, sua popularidade despencou.
  • O Governo foi obrigado a postergar o aumento das tarifas, piorando as contas públicas.
  • Elevação da cotação do dólar, ocasionado por um movimento de aversão a risco proveniente do exterior.
  • Recente alta na cotação das commodities agrícolas em função da seca nos USA.
  • Possível intervenção na Síria empurrou as cotações do petróleo para níveis recorde depois da crise de 2008.
  • A Petrobrás está numa situação delicada, por conta da defasagem nos seus preços.
  • Processo de ajuste na taxa de juros SELIC, elevada ontem para 9% a.a, com a possibilidade de que seja elevada à 10%a.a.,  no curto prazo.
  • Economia brasileira com crescimento pífio, "pibinho"!
 Precisa mais? Acho que está mais para lei de Murphy do que os astros, ou quem sabe ambos. Agora o que vem acontecendo era previsível, depois de tantos anos de inação promovida pelo Governo do PT, implementado pelo ex-presidente daquele partido, que tinha que dar no que deu. A resposta da Presidenta tem sido mais animadora quando comparamos com o desastre da gestão de nossos vizinhos Argentinos. O BCB ao invés de ficar perseguindo quem compra US$ como se fosse uma ação ilícita, implementou o programa de venda de contratos de swap e na política monetária vem elevando as taxas de juros, indicando que o processo ainda não acabou.

É muito difícil se ter claro qual será o impacto da retirada dos helicópteros quando acontecer, nem com uma possível invasão da Síria pelos países aliados, mas parece que nosso Governo resolveu enfrentar o problema sem tentar colocar a culpa nos outros, que de nada adiantaria, fico mais tranquilo.

Toda vez que resolvo escrever sobre o euro, me convenço do que venho comentando, o melhor é não fazer nada. Na última vez que postei cocaína-financeira, a moeda única estava prestes a romper a barreira de 1,34, veja o que aconteceu depois disso.

Ficou negociando próximo daquele nível e hoje está cai quase 1%, se afastando daquele ponto. Aconteceu alguma coisa importante? Nada! É assim mesmo, não merece um centavo de risco por enquanto. Mesmo assim não dá para afirmar nem que vai testar novamente o 1,34 e romper, nem que vai cair rumo ao objetivo final de 1,10 mencionado no post euro-moeda-traiçoeira. A única coisa que dá para afirmar com certeza, é que por enquanto eu estou fora! Hahahah....

O SP500 fechou a 1.638, com alta de 0,20%; o real a R$ 2,3590, com alta de 0,68%; o euro a 1,3240 com baixa de 0,76% e o ouro a US$ 1,406, com baixa de 0,78%.
Fique ligado!

28 de agosto de 2013

Fim de férias

As férias no hemisfério Norte estão terminando, e a partir da próxima semana a liquidez vai voltar a plena carga nos mercados internacionais. A turma do FED não deve ter descansado tanto, pois a volatilidade dos últimos meses deve ter preocupado. Ouvi algumas entrevistas de membros do comitê e o assunto de diminuir os helicópteros, já não é segredo, em suas respostas aos jornalistas, enfatizavam que dependerá do FOMC. A impressão que tenho é que somente algum dado muito ruim poderia postergar esta decisão.

Como em todos os meses, na primeira semana do mês é anunciada a taxa de desemprego, a deste mês vai dar indicação para a ação ou não do FED. Eu venho escrevendo bastante sobre este assunto, observando as dificuldades estruturais em que o mercado de trabalho americano se encontra.


Desde a crise de 2.008, e comparando-a as anteriores, o mercado de trabalho ainda não recuperou aqueles níveis anteriores. Acima pode-se observar uma estimativa de data em função de algumas premissas de criação de vagas.

O SP500 vem tendo uma performance negativa nos últimos 30 dias, com queda de aproximadamente 5%, os motivos são o receio da retirada dos helicópteros e a situação na Síria, que vem piorando dia a dia. No post os-jovens-americanos-estão-felizes?, apontei o nível de 1.630 como pivô, e até o momento este movimento não merece preocupação, porém daqui em diante passa a ficar no radar. .

Outra característica que merece atenção é a formação desta pequena queda, que do ponto de vista técnico, é característica de um movimento de reversão da alta (em azul). É bem provável que nos próximos dias, depois de uma recuperação aos níveis de 1.670/1.680, vamos nos aventurar numa venda.

O SP500 fechou a 1.634, com alta de 0,27%; o real a R$ 2,3423, com baixa de 1,22%; o euro a 1,3341, com baixa de 0,40% e o ouro a US$ 1.417, sem variação.
Fique ligado!

27 de agosto de 2013

A pressão continua

Tem sido um desafio para mim, escrever diariamente sobre assuntos de interesse ou situações de mercado que mereçam destaque, hoje consigo imaginar a pressão que um jornal passa. Quero agradecer as palavras de incentivo dos leitores, relativos ao 2º aniversário, e que me motivam a continuar com o mosca.

Como estamos na semana de comemoração, Hahahahah..... vou contar uma passagem da minha vida profissional. Aos 27 anos fui eleito diretor estatutário do Banco Francês e Brasileiro, fico orgulhoso, uma vez que fui o mais jovem da história daquela instituição. Ao assumir a Tesouraria tinha um colaborador, o Sr. Cyrillo, que fechava o caixa diariamente de todas as 55 agências, manualmente. Este "velhinho" simpático tinha mais tempo de banco que eu de idade!

Logo aprendi que tinha que tomar muito cuidado com os feriados de São Paulo e do Rio de Janeiro. Os bancos concorrentes "expertos", buscavam se aproveitar dos bancos desavisados. Eu era novato no business e acho que a diretoria assumiu um bom risco, quando me colocou no cargo, era como dar uma fórmula um, para um piloto que recém tinha tirado carta. No feriado de São Paulo fui trabalhar no Rio de Janeiro, assim que cheguei me deparei com o mapa do Cyrillo, que apontava um um furo de caixa gigante. Depois de buscar quem teria feito um saque daquela magnitude, percebi que o Banco Mul....plic fez uma operação, a princípio casada, que causou este impacto. Eu queria matar o operador que não tinha percebido, mas como pessoas inteligentes aprendem com os erros, acreditei que valeria como ensinamento futuro.

Eu estava em minha sala, pensando como iria resolver, quando de repente o Hilário, funcionário do Banco, entra em minha sala. Ele era aquele tipo carioca, sem demérito aos vizinhos, bem vestido, pinta de banqueiro. Depois dos comprimentos percebe que estou meio tenso e pega o mapa.

"Nossa David"!, ele exclama.
Naquele momento, pensei que teria alguém para dividir minha angústia, em seguida diz:
"Os depósitos da agencia de Manaus subiram muito, que bom!"
Percebi que ele não tinha a menor ideia do que estava se passando, tive que pedir pinico para outro banco a um custinho salgado!

-David, Flash Back?
Realmente não sei por que contei este episódio na semana de aniversário do mosca, vou pedir um tempo a você para conversar com minha analista e tentar encontrar a razão.

A pressão continua nos mercados emergentes, esta noite as bolsas tiveram quedas importantes na Àsia e as moedas reverteram as melhoras dos últimos dias, veja a seguir.


A situação do BCB pode ficar mais difícil se a pressão aumentar, neste caso ou terá que aumentar as intervenções anunciadas para barrar novas altas do dólar, ou vai deixar o real cair. No gráfico a seguir vou apresentar argumentos que indicariam que um máximo foi atingido dia 21/08 a R$ 2,455, destacado em azul e outras evidências que vislumbram uma nova alta do dólar ao nível que mencionei antes de R$ 2,50/2,52, grifado em vermelho.

Em azul

  1. Este nível pode ser considerado como satisfeito para a alta.
  2. Os osciladores, não mostrados aqui, estão num extremo.
Em vermelho
  1. O nível de R$ 2,30 não foi penetrado, conforme mencionei no post ração-diária.
  2. Ficaria mais "correto" se a cotação seguisse a linha traçada em vermelho originando uma nova alta.

Tecnicamente, mesmo que o dólar ainda vá atingir novas máximas, me parece que não deveria ser agora, talvez na próxima semana, mas caso o movimento dos pares emergentes continuem em queda, acredito que não vai ter jeito, e vamos assistir novas altas.

O SP500 fechou a 1.630, com baixa de 1,59%; o real a R$ 2,3685, com baixa de 0,44%, recuperando as perdas da abertura; o euro a 1,3389, com alta de 0,15% e o ouro a US$ 1.416, com alta de 0,83%.
Fique ligado!

26 de agosto de 2013

Segundo aniversário

Quando decidi criar o mosca, o objetivo foi externar minhas idéias sobre a economia e buscar de uma forma simples explicá-las auxiliando nos seus investimentos. Para obter credibilidade é fundamental que se "coloque na reta", pois caso contrário fica difícil avaliar as sugestões.

Hoje faz dois anos do meu primeiro post helicópteros-esquentando-os-motores, e pelo título poderia ser o de hoje, afinal este assunto de helicópteros, a forma como o mosca denominou a liquidez injetada pelos BC´s, ainda continua na mídia. Estar vivo significa mudar, e ao folear alguns posts passados observo que houve mudanças, mas algumas características permanecem intactas, como o "meu amigo" que vive me cutucando, gosto dele!

Sem mais delongas vamos aos números, são 667 posts, aproximadamente 42.000 visitas, sendo 63% vindas do Brasil. 18% dos USA e o restante distribuídos em vários países, os posts mais populares estão anotados na página do blog. Obrigado pela confiança! Ah, e antes que eu me esqueça, mudei o visual do mosca, espero que gostem.

 O assunto do momento, como não poderia deixar de ser é o câmbio, e nos próximos dias iremos saber qual a eficiência das medidas adotadas pelo BC, nesta semana tem reunião do COPOM e é esperado uma nova elevação da taxa SELIC em 0,50%, atingindo o patamar de 9% a.a.. Aqui na Rosenberg trabalhamos com mais três elevações até atingir o nível de 9,75%.

Na semana passada foram publicados os dados cambiais, e como venho comentando, percebe-se uma deterioração. O déficit em transações correntes ficou bastante elevado, atingindo US$ 78 bilhões, sendo que somente em julho foi de US$ 9,0 bilhões, nada confortável. O grande vilão foi, e tem sido, a balança comercial, que se deteriora constantemente, enquanto a conta de serviços e rendas não apresentam grandes novidades. Para financiar este déficit as rúbricas mais relevantes são os investimentos estrangeiros, que vêm mantendo um volume anual estável, como pode-se observar no gráfico abaixo.
No post last-kiss, publicado em março deste ano, já alertei para uma trajetória que distanciava estas duas contas, e desde então é o que vem acontecendo. Não fosse a entrada de Investimentos estrangeiros em carteira, principalmente focado em títulos de renda fixa, o balanço de pagamentos iria para o vermelho, o que poderá acontecer em breve.

- David, vamos ao que interessa, o que estes dados podem afetar o dólar?
No curto prazo muito pouco, pois mesmo com esta deterioração, ainda não houve impacto em nossas reservas. No médio prazo é um pouco diferente, pois pode colocar em dúvida a sustentabilidade das contas externas. A desvalorização recente do real deve ter um impacto positivo restrito no curto prazo, talvez vá diminuir as viagens de brasileiros ao exterior, mas não deve ser muito, pois pagando em 24 parcelas a viagem, o aumento da prestação não deve ser tão elevado, já em relação a balança comercial, depende muito mais dos preços das commodities e de sua demanda, do que da cotação contra o dólar.

Eu tinha comentado que a reunião deste final de semana em Wyoming poderia apresentar algumas surpresas,  mas nada de importante aconteceu, uma vez que nenhum Presidente de BC apareceu por lá.

O SP500 fechou a 1.656, com baixa de 0,40%; o real a R$ 2,3817, com alta de 1,42%; o euro a 1,3371, sem alteração e o ouro a US$ 1.401, com alta de 0,40%.
Fique ligado.

23 de agosto de 2013

Ração diária

O dólar virou assunto de botequim, em qualquer lugar que as pessoas me encontram, imediatamente vem a pergunta: "Até onde vai o câmbio?" Eu aproveito para fazer um marketing do mosca, que está prestes a completar dois anos de vida na próxima segunda-feira, vai ter bolinho! Hahahahah...

Se está assim aqui fora, imagine dentro do Governo, ontem não foi diferente, em reunião a Presidenta junto com o Ministro Mantega e o Presidente do BCB Alexandre Tombini, anunciaram algumas medidas para conter a furiosa alta do dólar. Quero registrar minha surpresa, positiva, ao ouvir uma entrevista de nosso Ministro das Finanças, os meios econômicos não tem poupado críticas à ele, tanto por suas declarações quanto por medidas tomadas no passado, mas ontem gostei bastante, descreveu o processo que estamos passando com bastante calma e clareza, sem respostas passionais, espero que continue assim.

O BC irá vender contratos de swap diariamente num montante de US$ 500 milhões, e nas sextas-feiras operações de venda com recompra de moeda no valor de US$ 1,0 bilhão, para o mercado passar o fim de semana tranquilo! Hahah... Gostei, um volume bom, mitiga a adoção de medidas para derrubar a moeda, e no total serão US$ 60 bilhões. O mercado já teve duas experiencias semelhantes e para quem ficou comprado em dólar naquelas ocasiões não foi muito agradável. A "ração diária" atual, como já foi denominada no passado, é "gorda" e atua como uma tortura Chinesa, pois caso a situação se acalme, o pessoal comprado o-mercado-está-na-torcida, além de não ter saída, terão que engolir a dose diária.

O gráfico abaixo espelha a situação das reservas de vários países emergentes, a situação brasileira é de longe a mais sólida. Agora é inegável que as condições internas pioraram bastante, mas não justifica pânico, pelo menos no momento.

- David, você acha que o dólar vai cair já, em consequência destas medidas?
O primeiro impacto hoje na abertura foi de queda, e as outras moedas dos emergentes estão mais calmas. No curto prazo é difícil dizer qual será o impacto, alguns vão olhar os efeitos a médio prazo e considerar um volume muito bom, outros vão olhar no curto prazo e inferir que US$ 500 milhões é fichinha, uma vez que os leilões diários do BC têm sido bem superiores a este montante. Prefiro me ater aos gráficos, lá está tudo considerado.

Eu comentei no post não-brinque-com-fogo que caso a cotação ultrapassasse R$ 2,42 o próximo objetivo seria entre R$ 2,50/2,52, a primeira parte aconteceu, pois o dólar atingiu a máxima de R$ 2,455, a segunda ainda não. Neste momento encontra-se a R$ 2,40, e somente abaixo de R$ 2,30 podemos afirmar que aconteceu um topo, ao redor de R$ 2,35 já acende uma luz de alerta. Os outros indicadores que acompanho mostraram um sinal de fraqueza do dólar, mas ainda não foi confirmado.

O que fazer? O mosca está fora, mas dependendo da sua situação pode resolver ficar comprado com stop a R$ 2,30, mas não é um bom risco retorno, ficar vendido ainda é cedo, it´s up to you".

O dólar continuou caindo durante o dia e se aproxima da cotação inferior apontada acima, ainda no post o-mercado-esta-na-torcida, externei uma preocupação que os comprados deveriam ter  ...Eu não vou me surpreender se mais adiante houver uma queda expressiva do dólar, pois está todo mundo do mesmo lado...Hoje foi um dia especial, onde uma série de ordens de stoploss foram executadas para liquidar o dólar, mas vamos respeitar os parâmetros definidos, o resto é torcida.

Em relação a sugestão para compra de ouro, copiado no gráfico abaixo, vou ter que recalcular os preços imaginados, pois o micro movimento de alta se estendeu, postergando a correção do ponto indicado como 2. por enquanto, aguardem novas análises para se posicionar. Em todo caso, reforça um pouquinho mais, minha visão de alta.
O SP500 fechou a 1.663, com alta de 0,39%; o real "derreteu" e fechou nas mínimas do dia a R$ 2,35, com queda de 3,45%; o euro a 1,3379, com alta de 0,19% e o ouro a US$ 1.396, com alta de 1,53%.
Fique ligado!

22 de agosto de 2013

Os jovens americanos estão felizes?

Depois da revelação da ata de ontem, os mercados seguem mantendo o mesmo ritmo dos últimos dois meses, onde a bola da vez são os mercados emergentes, inclusive o Brasil. A leitura mais detalhada do referido documento não deixa dúvidas, de quão dividido está o FED, fato que venho observando há um bom tempo.

Fazendo um paralelo da brincadeira da dança das cadeiras, é como se os membros às estivessem rodeando num ambiente sem luz, afinal vivemos no maior experimento financeiro da história. Neste caso a música teria um fator inverso, pois ao parar, significa que a economia não precisaria mais de estímulos e esperaria-se-ia que a autoridade não fosse pega de calça curta.

Como está escuro, alguns querem "sentar" logo, pois no livro texto de economia, excesso de reservas é sinal de inflação, enquanto outros mais cautelosos tem receio de se precipitar e abortar a fraca melhora que se observa ultimamente. Situação muito difícil, pois não estamos num cenário business as usual. Esta é a principal razão de minha dúvida sobre os juros longos nos USA não-brinque-com-fogo.

- David, o que você faria se estivesse lá?
Não quero ser pretensioso e iniciar aqui uma "ca--ção de regra", seria fácil, afinal o meu não estaria na reta, e se estivesse errado usaria o recurso dos analistas de mudar de opinião. Minha reposta honesta é, não sei de que lado estaria. Mas como não estou lá, e uso gráficos, let´s the market speak!

Acho muito difícil a economia americana melhorar sem que o consumo cresça, afinal representa 70% do seu PIB, o Bernanke sabe bem disso e esta é a razão da taxa de desemprego ser tão importante em sua análise. Hoje preparei alguns dados sobre a renda dos americanos que está passando por uma mudança estrutural com implicações importantes. Vamos começar com a evolução de sua renda real, que se encontrou visivelmente estagnada até a eclosão da crise de 2008 e a partir daí, teve uma queda que não se recuperou.


Outro dado interessante é a variação percentual da quantidade de chefes de famíla ocorrida neste período, em função da faixa etária.


Aqui pode-se notar dois efeitos que se sobrepõem, primeiro é consequência dos Baby_boomers que é o aumento do número de nascimentos ocorridos após a 2ª Guerra Mundial, e que se encontram atualmente na faixa de maior crescimento; e a segunda a elevação da expectativa de vida que está atrasando a aposentadoria em todo Universo, inclusive lá. 

Vejam a seguir o impacto no rendimento dentro destas mesmas faixas etárias.


Este efeito em termos de consumo não é nada bom, pois posso dizer por experiência própria, que a propensão marginal a consumir diminui sensivelmente quando se fica mais velho, e é onde a renda está crescendo, aliado ao fato destes trabalhadores terem um rendimento mais baixo.


O próximo gráfico não tem muito valor econômico, mas do ponto de vista social não é muito justo para se dizer pouco, vejam vocês mesmo.


Ao observar estes números, imagino que o Bernanke e sua turma não devem ficar muito animados, pois não se tem nada a fazer nos próximos anos, a não ser esperar que este pessoal saia do mercado de trabalho, enquanto isso a situação para os mais jovens não é muito animadora. O problema que este fenômeno acontece quando os consumidores estão com dívidas elevadas que foram contraídas nos últimos 30 anos, dificultando a retomada.

Neste momento se aplica bem a frase: Se ficar o bicho pega, se fugir o bicho come! E você o que faria?

Vamos dar uma olhada no índice dos índices o SP500, não que eu tenha muita coisa a acrescentar, mas as quedas recentes poderão nos dar alguma luz mais adiante.

No curto prazo as cotações se aproximam do ponto apontado como pivô ao redor de 1.630, se o SP500 se aguentar e rejeitar este ponto, poderemos caminhar para novas altas, caso contrário vejam como em 2011 houve uma situação semelhante a atual, onde o índice se aproximou da reta traçada, em duas ocasiões, para depois cair. Não estou sugerindo que o mesmo aconteça agora somente uma observação técnica, em todo caso vamos aguardar mais alguns dias, mas não esqueçam que estamos esperando-onda-C.

O SP500 fechou a 1.656, com alta de 0,86%; o real a R$ 2,4311, com baixa de 0,85%; o euro 1,3358 sem variação e o ouro a US$ 1.374, com alta de 0,63%.
Fique ligado!

21 de agosto de 2013

O mercado está na torcida


Normalmente eu escrevo o post na parte da manhã e eventualmente no período da tarde  faço alguns complementos. Hoje será publicado a ata da última reunião do FED, normalmente este documento requer pouca atenção, não é o caso agora, onde o mercado vai verificar se existe alguma pista sobre a redução dos helicópteros que já é esperada para setembro por quase todos os analistas.

Na sexta-feira um outro evento, o Simpósio anual de economia, realizado em Wyoming poderá dar alguma pista mais atualizada, só para lembrar, foi lá que em 2010 Ben Bernanke preparou o mundo para lançar o QE2, será que desta vez vai preparar para a retirada, como o mercado está sugerindo? Enquanto isso os mercados emergentes continuam sofrendo dia a dia, veja a seguir um gráfico preparado pelo banco Societe General com a performance das moedas desde 1º de maio.

Como vocês podem notar estamos em último lugar, ou primeiro! Hahahah.....e as desvalorizações não atingiram todas as moedas, que ao contrário se valorizaram perante ao dólar, como notei ontem.

O título de hoje espelha a situação do mercado que vai permanecer na torcida, e caso em alguns destes eventos, forem colocadas dúvidas sobre a parada dos helicópteros, suponho que poderá  desencadear uma forte realização. Aqui no Brasil nosso BC anda trabalhando bastante nos últimos dias, vem realizando leilões diários de operações de cobertura de dólares, porém nenhuma incursão no mercado à vista, por suas declarações não está muito satisfeito com os resultados. Em todo caso, vem atuando com equilíbrio sem tentar "derrubar" o dólar, apenas servindo a demanda. 

Eu não vou me surpreender se mais adiante houver uma queda expressiva do dólar, pois está todo mundo do mesmo lado, veja o gráfico com a posição na BMF dos estrangeiros, além dos investidores institucionais locais que detém uma posição de US$ 13,2 bilhões. Em outras palavras os torcedores do Manchester United, Barcelona, Milan, Corinthians, São Paulo e Santos estão todos comprados, é verdade que os São Paulinos e Santistas com posições muito pequenas, dado os últimos resultados destes times! Hahahahah......


Hoje eu vou comentar sobre o ouro, e vou propor um novo trade de compra, é isso aí, mudei de ponta! Este foi o ativo que tivemos o melhor call em 2013, por enquanto, e vamos ver se continuamos assim.

Vou partir de algumas premissas, pois operar uma mudança de direção nem sempre é muito evidente e passível de erros, então: 1) Vou assumir que o mínimo foi atingido em US$ 1.180; 2) Que o movimento até U$ 1.390 terminou e vamos entrar numa pequena correção; e 3) Vamos comprar entre US$ 1.280/1.260 com um stop a US$ 1.180, com um target a ser definido mais adiante.

- David, vamos comprar um caminhão de ouro, pois pelos seus prognósticos ele vai ultrapassar US$ 1.900.
Calma amigo, muita água tem que rolar para que isto aconteça, eu não disse que o mínimo de US$ 1.180 é definitivo, tanto é verdade que ele se encontra nas premissas, deu um passo. Não fique embriagado pelo sucesso achando que porque fez um bom trade no passado é o "rei do ouro", se pensar assim o mercado vai se encarregar de tirar suas fichas, be calm! 

Fiquei impressionado pela quantidade de reservas no primeiro dia que a FIFA abriu para venda os ingressos para a copa do mundo, mais de 1,0 milhão! Como ainda é de "graça" e depende de sorteio, provavelmente vai ficar super vendido. Espero que nossa seleção não nos decepcione, e honestamente sinto que estou mais na torcida que na realidade, mas ainda tem muito tempo, Vamos Brasil!

O comunicado do FED agradou o mercado, não fica claro quando serão retirados os helicópteros, mas os membros do comitê, uns mais outros menos, acham que o momento está próximo. Assim se não houver surpresas muito negativas daqui em diante, parece que vai acontecer, o que não se sabe ainda é quando as taxas de juros serão elevadas, e isto será assunto para o próximo Presidente do FED.

O SP500 fechou a 1.642, com queda de 0,58%; o real levou um tombo de respeito fechando a R$ 2,4498, com alta de 2,36%; o euro a 1,3346, com queda de 0,54% e o ouro a US$ 1.365, com queda de 0,41%.
Fique ligado!

20 de agosto de 2013

Cocaina Financeira

Os jovens atuais me preocupam, eu venho discutindo este assunto com a minha terapeuta que tem uma visão mais amena sobre o assunto, e cita vários momentos em que parecia que estava tudo perdido, como na época que eu era jovem, os hippies. Mesmo assim não fico convencido, pois aprendi que dados passados não são garantia de resultados futuros, e isto vale também para as situações da vida.

No último final de semana eu assisti no cinema o filme Bling Ring: a Gangue de Hollwood, dirigido por Sofia Coppola, as críticas não são boas, mas para mim retratou com muita propriedade como os jovens vivem na atualidade, eu gostei! O filme se passa em Los Angeles com um grupo de jovens que tem em comum uma vida vazia, de pais ausentes. Fascinados pelo mundo glamoroso das celebridades, começam a fazer pequenos assaltos na casa de celebridades. Cada vez mais empolgados com os "ganhos", o volume dos saques desperta a atenção de autoridades e deixo o resto para quem quiser assistir. Um outro detalhe, a história é real.

Por que chamou minha atenção este filme? Acredito que pelo fato dos jovens atuais buscarem prazer instantâneo e descartável, as drogas complementam bem este objetivo, e como vão buscando mais e mais, se perdem num vazio enorme, questionando a razão da vida. Lógico que a maioria, eu espero, percebem este desvio de suas vidas e corrigem o rumo, mas é um percurso perigoso, onde alguns se perdem.

- David, você teve pesadelos hoje à noite? Onde quer chegar?
Você já me conhece de boa data, e sabe que às vezes eu dou uma escapulida do objetivo do mosca, mas sempre retorno. Ao ler as notícias pela manhã ,me deparei com novas quedas das bolsas e moedas na Ásia, e a bola da vez de hoje foi a Indonésia, cuja bolsa caiu 5% em dois dias consecutivos, não pude deixar de lembrar da crise da Ásia em 1997, uma vez que minou o projeto da empresa que eu era sócio a Linear Investimentos.

Mas o que tem ocasionado tanto estresse, vocês já devem estar cansados de saber, é a possibilidade do FED começar a retirar os helicópteros, esta foi a razão do título de hoje, uma vez que o mercado está viciado na "cocaína dos helicópteros", e ter que entrar em abstinência o está levando a liquidar suas posições com medo do dia de amanhã, por exemplo o economista do Credit Suisse comparou ... O final do período com juros zero pode criar uma ruptura financeira enorme, parecido com o final de uma guerra"...

Mudanças no mercado são sempre mal recebidas, afinal é melhor ficar com o conhecido. Nos últimos trinta anos os investidores se acostumaram a ganhos cada vez mais rápidos, nos anos 80 eu costumava fazer previsões para um período de cinco anos à frente, será que hoje se faz também, e qual a confiabilidade destes documentos? Os investidores só querem saber de ganhos de capital, quanto é o dividendo de uma ação importa pouco, no mercado de câmbio são negociados U$ 5,0 trilhões por dia, os sites de negociação se proliferaram, e hoje é acessível a todos que podem abrir uma conta com R$ 10,0 mil e ter custos de negociação ínfimos, um convite a sua entrada.

Agora raciocinem comigo, será que o filme que citei acima não é um espelho de nossa sociedade, onde os investidores que acumularam alguma riqueza, querem "roubar" um ganhosinho de capital de alguém, para comprar uma Ferrari, aviões particulares, e etc.. Não quero cuspir no prato que comi, afinal eu fui beneficiário desta época, mas será que não passou do limite? Distribuição de renda pode ser pelo lado bom ou pelo ruim, me explico, pelo positivo aumentando o poder de compra das classes mais pobres, e pelo negativo os mais ricos se aproximam da média, com perda de suas riquezas. Qual das duas parece ser a mais provável no cenário atual? Para ajudar em sua reflexão aí vai o gráfico do Dow Jones nos últimos 40 anos.
Voltando ao assunto dos mercados emergentes e correlatos, acredito que o FED deva estar um pouco preocupado com o desenrolar dos mercados, e no caso americano, principalmente com a elevação das taxas de juros longas num espaço curto de tempo, nos próximos pronunciamentos vamos ter uma ideia se é isto que eles querem mesmo, ou o mercado foi além.

O mês de setembro não vai ajudar muito, pois existem vários eventos importantes que poderão elevar, em muito, a volatilidades dos mercados de bolsa como: 1) reunião do FED 18/09; 2) Eleições na Alemanha 21/09; 3) Debate sobre o teto da dívida americana... apertem os cintos.

Enquanto está todo mundo preocupado com as moedas dos países emergentes, o euro vai devagarzinho subindo, desafiando a lógica que o US$ sobe contra todas as moedas. No post os-dados-econômicos-da-china-são confiáveis? publiquei o gráfico abaixo.


E comentei lá ...No curto-prazo se ultrapassar 1,34, vão ter vários operadores Gregos, Portugueses e Irlandeses que vão jogar a toalha, aí o grande teste será nos 1,37 e se os comprados, os BC´s Europeus, ficarem firmes, então será a vez dos Espanhóis, Italianos e Franceses jogarem a toalha! Nós aqui do mosca vamos continuar assistindo em 3D....Não tenho nem muito a acrescentar, pois hoje a moeda única ultrapassou o nível de 1,34. 

Enquanto o dólar sobe contra os emergentes, não acontece com as moedas europeias, o que me faz pensar que o movimento do dólar não é tão generalizado como se vem noticiando, por conta da elevação dos juros nos USA que não aconteceu na Europa, e que o movimento contra os emergentes, é  função dos receios com a China. Hummm.... 

O SP500 fechou a 1.652, com alta de 0,38%; o real a R$ 2,3933, com queda de 0,87%; o euro a 1,3416, com alta de 0,58% e o ouro a US$ 1.370 com alta de 0,29%.
Fique ligado!

19 de agosto de 2013

Será fogo de palha?

Na semana passada, no post não-brinque-com-fogo, procurei dar uma visão sobre as perspectivas para as taxas de juros nos USA, lá também, externei minhas dúvidas sobre a visão do mercado que as mesmas só podem subir no curto prazo.

Um analista frequente das minhas leituras, Lance Roberts, tem uma argumentação baseada em dados que coloca este movimento de alta em cheque, vejamos: ...Embora tenha havido algumas melhorias econômicas comparadas com os níveis recessivos, os dados atuais sugerem que a economia atingiu um pico relativo a recente expansão. O painel abaixo mostra a taxa anual dos rendimentos, emprego, produção e do PIB...



...Os dados quadrimestrais, quando vistos na comparação de um quadrimestre sobre o próximo,  pode apresentar alguma melhora, entretanto estas retrações só podem ser vistas como temporárias. Quando você observa os gráficos acima, parece evidente que esta expansão terminou em 2011"... 

Por outro lado as empresas estão com lucros recordes, e os mesmos foram alcançados as custas do trabalhador americano.


O uso da tecnologia, aumentos de produtividade e salários baixos, elevaram o lucro por empregado a níveis históricos. Esta capacidade de gerar rentabilidade pela redução da força de trabalho e aumento da produtividade, é o principal fator para que o emprego não cresça como o esperado. O grande problema é que esta estratégia é finita e é bem provável, pela tendência de enfraquecimento dos dados subjacentes, que estamos no término deste ciclo econômico e não no início.

Quando você tem uma economia que cresce abaixo de 2% a.a, o desemprego permanece elevado e o crescimento dos salários fracos, a subida de juros, principalmente quando ocasionadas por influências artificiais, é historicamente uma maldição.


A elevação dos juros impacta negativamente os resultados das empresas, eleva seus custos de empréstimos, reduz investimentos produtivos, diminui o setor imobiliário e reduzem o consumo. Com a economia e a inflação caindo, é improvável que as altas de juros recentes vão perdurar por muito tempo. Como pode ser visto no gráfico acima, juros acompanham de perto a direção e o sentido da economia e da inflação.

Uma das principais razões em que os investidores são apanhados em crises, é devido análises de economistas com visão de curto prazo.

As colocações feitas por Roberts são baseadas em tendências de longo prazo, como pode ser visto pelo seu banco de dados, mitigando assim argumentos do tipo "helicópteros", e merecem uma reflexão. Estou adicionando um link us-potential-gdp-growth-lowest-since-ww2, elaborado pelo economista do Banco JPMorgan que chega a conclusões semelhantes a estas aqui colocadas.

Parece que minha dúvida crucial vai permanecer por mais algum tempo e neste meio tempo os gráficos serão de grande ajuda, para dar algumas pistas do que podemos esperar para o futuro.

O gráfico a seguir, que não tem nada a ver com o assunto de hoje, é interessante, ele mostra como evoluiu a população americana desde 1900, por faixa de idade. Que a expectativa de vida crescesse, era de se esperar, que houvesse um aumento dos mais jovens durante os anos 50 na época dos baby boomers, também, mas que ficará quase uniformemente distribuído em 2050 surpreende, vocês não acham? 


O SP500 fechou a 1.646, com queda de 0,59%; o real a R$ 2,4144, com alta de 0,92% com mais um dia de pressão sobre os emergentes; o euro a 1,3338, sem variação e o ouro a US$ 1.366, com queda de 0,68%.
Fique ligado!

16 de agosto de 2013

Não brinque com fogo

Em diversas ocasiões eu deixei claro a dúvida que tenho sobre as taxas de juros longos nos USA, por um lado as ações dos BC´s inundando os mercados com liquidez em conjunto com a ameaça de um cenário deflacionário, colocam uma pressão baixista nos juros, por outro lado a economia melhorando e a possibilidade da retirada destes estímulos deixam os mercados preocupados com a administração desta situação, bem como um potencial elevação da inflação.

A opinião dos analistas está se modificando sensivelmente e cada vez mais, um número maior deles, apontam como inevitável que o FED vai retirar os estímulos na próxima reunião em setembro. Numa observação mais pragmática é lógico que os juros estão baixos, pois uma taxa de 2,7% a.a. comparado com uma inflação de 1,8% a.a., resulta num juro real de 0,7% a.a., para um prazo de 10 anos, isto só faz sentido numa economia anêmica com possibilidades remotas de crescimento, semelhante ao que acontece com a economia japonesa nos últimos 20 anos.

Será que o cenário estaria se alterando nos USA? Está na hora de pedir auxilio aos gráficos.

Observem acima como os juros respeitaram a linhas paralelas desde de 1987, neste período houveram cinco situações onde ameaçaram romper para cima e também a mesma quantidade para baixo, outro fator de extrema importância é que, como os juros não podem ir abaixo de 0%, existe um limite natural nesta trajetória contida por estas linhas.

Do ponto de vista técnico, o ponto apontado com pivô é de enorme importância, pois um rompimento anunciaria uma mudança que perdura por 1/4 de século! Só para vocês terem uma ideia, vejam a tabela a seguir que calcula qual o prejuízo se um investidor compra um título hoje, e as  taxas sobem para alguns patamares.


São prejuízos significativos que merecem toda a atenção, é lógico que esta é uma pura simulação, com o objetivo de avaliação da ordem de grandeza, e que sua concretização só se justifica com o acontecimento de algo muito grave. O recado aqui é claro, primeiro existe uma chance de o mercado de longo prazo de baixa dos juros ter terminado, e se isto é verdade, não compensa investir em prazos longos, pois é prejuízo na certa; segundo graficamente pode-se esperar que nos próximos anos a taxa caminhe para o nível de 4% a.a., o que de certa forma normalizaria os juros num patamar mais adequado; e por último não dá para descartar totalmente uma nova queda dos juros.

David, beleza, com estas previsões você não tem como errar!
Hahahahah.... você pode ver que ainda estou relutante em aceitar que o momento da alta chegou, os argumentos são os seguintes: 1) O FED disse que para aumentar os juros ainda tem um longo caminho, então ficar esperando sentado nos juros zero tem um custo, o que pode fazer com que os juros dos títulos longos não subam mais por enquanto, 2) A inflação ainda está baixa tirando um grau de pressão das autoridades monetárias e 3) Veja no gráfico acima como depois da implementação dos helicópteros houveram algumas tentativas de alta que foram abortadas, quando se aproxima da linha vermelha, onde se encontra agora.

É inegável que o experimento dos helicópteros tem que acabar algum dia, a dúvida é se este momento já chegou, em todo caso não "brinquem" com os títulos longos podem se queimar, fiquem num horizonte de no máximo 3/5 anos.

O título de hoje também cabe no comentário da nossa moeda o real, que caiu forte hoje. Como pode-se observar abaixo, ela está dentro do target que eu vislumbrei no post muitos-furos-na-boia, retângulo em vermelho.


- David, então a tortura chegou ao fim?
Não dá para afirmar, pois na análise técnica trabalha-se com intervalos mais prováveis e caso o mercado não termine neste (1), busca um novo intervalo que neste caso seria ao redor de R$ 2,52/2,55 (2).

Atualizei também, os gráficos das moedas dos países emergentes, e vejam que o real é a unica moeda que não se estabilizou até o momento. Estamos tão mal assim? Isto pode perdurar por muito tempo? Vocês já conhecem minha opinião e argumentos.


O SP500 fechou a 1.655, com queda de 0,33%; o real a R$ 2,3950, com alta de 2,38% e esperem que amanhã será manchete de todos os jornais; o euro a 1,3332, com baixa de 0,10% e o ouro a US$ 1.372, com alta de 0,52%.
Fique ligado!

15 de agosto de 2013

Movimentos estranhos


Existem alguns dias, que a lógica na direção dos ativos é estranha. Já faz algum tempo que Wall Street resolveu apostar que os helicópteros vão parar e logo, desde então a cada dado econômico publicado, se for nesta direção, impacta nos preços, se for ao contrário não leva em consideração. O Bernanke e sua turma podem falar o que quiserem, mas o mercado fala mais alto, e no momento a crença é "no more helicopters"!

Hoje foram publicados a taxa de inflação e um dado semanal de procura de auxilio desemprego, o primeiro ficou muito bem comportado como pode-se ver a seguir:


Neste gráfico são plotados vários índices, sendo que o preferido pelo FED é o verde, que está bem abaixo do objetivo por eles traçado de 2% a.a. Não se pode esquecer que na última reunião houve uma menção específica a este item, portanto justifica manutenção dos helicópteros.

Em relação à outra informação, o auxilio desemprego, o resultado foi o mais baixo desde 2.005, indicando que o mercado de trabalho está melhorando.


É inegável que mereça uma comemoração, mas não se pode esquecer que muitos americanos pararam de buscar novos empregos, o que tem impacto nesta variável. Mas o mercado não quis saber, pela manhã acelerou suas apostas com os juros nos títulos de 10 anos atingindo 2,83%, o real a R$ 2,35 e o ouro a US$ 1.370.

David, por que o ouro subiu, se a inflação é baixa e os juros estão subindo?
Muito bem, gostei de ver, seu raciocínio está correto, o ouro não deveria ter subido, pelo menos pela lógica, mas graficamente o alerta eu já tinha feito no post ticando, onde copio o texto a seguir:

...No intervalo entre US$ 1.360 e US$ 1.250 o ouro está num território indefinido, pois somente seu rompimento, para um dos lados, poderá nós dar alguma pista melhor, diria mais, se a tendência for de alta não deveria demorar muito tempo para acontecer, neste meio-termo vamos deixar os comprados e vendidos lutarem por suas posições... E parece que os comprados ganharam, pelo menos por enquanto, pois o ouro está tentando romper os US$ 1.360, vou aguardar mais alguns dias para dar novas visões sobre o metal, mas não fomos pegos de calças curtas, mesmos com todo mundo achando que o ouro iria virar pó!

O gráfico a seguir foi publicado no post que-fase, em abril com os comentários.

 Eu espero que em um dos 3 intervalos apontados, possa haver a reversão:
  1. Entre US$ 1.420/US$ 1.400, onde abriu hoje, com um novo tombo em relação à sexta-feira.
  2. Entre US$ 1.300/US$ 1.285, o meu preferido.
  3. Ao redor de US$ 1.150, que se não for contido vai colocar minha perspectiva de alta futura em cheque, e abaixo de U$ 1.000 o ouro vai virar pó! Hahahahah...
Vejamos o que aconteceu:

A mínima atingida foi de US$ 1.180, ficando muito próximo da 3ª opção sugerida, acreditam ou não nos gráficos?

O SP500 fechou a 1.661, com queda de 1,43% também sentindo à provável falta dos helicópteros! Hahaha...; o real a R$ 2,3361, com alta de 0,50%; o euro a 1,3348, com alta de 0,70% e o ouro a US$ 1.364, com alta de 2,20%.
Fique ligado!

14 de agosto de 2013

O bode está na sala da Europa

Eu parto do pressuposto que vocês conhecem a história do bode, ela se aplica em inúmeras situações. Esta introdução de hoje é em função dos dados de crescimento anunciados hoje na Europa, e surpreendeu positivamente, ao invés de 0,2% foi publicado 0,3%, Ualll...... que maravilha, o mercado ficou radiante! Os países que impulsionaram estes números foram a França e Alemanha, retirando a Euro zona de 1 1/2 ano de recessão.

Eu acredito que a esperança é um sentimento muito importante para negócios, e uma mola propulsora, mas a realidade é a que confirma. Será que este número merece tanto destaque? Acho que aqui se aplica a semelhança com a história do bode, pois estava tão ruim que qualquer não piora, já é uma vitória de goleada, veja o gráfico a seguir.


Antes da crise a região mantinha um crescimento apontado pela linha vermelha, depois entre 2008 e 2009, sofreu uma queda e daí em diante parecia que iria seguir uma trajetória semelhante, foi quando eclodiu o problema das dívidas do Club Med. Será que vai crescer agora? Um crescimento de 0,3% ou 0% não faz muita diferença, este número é uma média ponderada de todos os membros da zona do euro, que já por si sô, é uma "salada de frutas".

Existe uma crença que helicópteros são sinônimo de alta nas bolsas, não é verdade? Pois bem, na Europa não foi o que aconteceu, quando o Super Mário fez aquela injeção enorme de liquidez, as bolsas caíram, a partir do final do ano passado os bancos iniciaram a devolução destes recursos ao BCE e as bolsas começaram a subir, veja a seguir.


Alguma explicação? Vivemos num momento onde uma série de experimentos estão sendo colocados em prática e neste cenário incerto, os analistas tentam buscar relações para justificar seus raciocínios, até que caiam por água abaixo. Como já dizia Nietzsche, é melhor alguma explicação que nenhuma, uma nova teoria surge comprovada por correlações matemáticas, mas para quem já estudou o assunto, este fato não é suficiente para concluir que esta relação é real. Talvez o melhor neste caso é assumir que a Europa é diferente, como querem fazer crer os Franceses, que se sentem superiores, mais cultos que os outros humanos. Mas segundo minha crença, uma dia ela vai virar um grande Museu e só, uma vez que é o país mais visitado no mundo. tres bon!

Eu ia aproveitar o assunto para comentar sobre o euro, mas não vale a pena, nada aconteceu depois de meu último post sobre o assunto os-dados-econômicos-da-china-são confiáveis?, então vou me ater ao real. No post o-bernanke-vai-arriscar?eu fiz o seguinte comentário ...No post muitos-furos-na-boia eu esperava que o dólar fosse buscar os tão esperados R$ 2,35, mas alertei também que o pico poderia ser a R$ 2,325. Por enquanto o máximo recente foi R$ 2,3159 e com os movimentos desde ontem, pode ser, que a queda que eu estava aguardando, já começou...Nesta semana o dólar recuperou o terreno e está de novo nas máximas.

Sou obrigado a assumir que fui tomado por um pouco de "torcida", afinal ser um dos únicos a projetar uma queda seria confortante, mas a realidade está provando o contrário, e não vou ficar teimando. Veja que a moeda tocou no retângulo em vermelho e subiu em seguida, precisava ter penetrado.

David, e agora, vamos comprar dólar?
Não, continua valendo as observações feitas anteriormente, a dúvida ficou para o curto prazo, se vai ou não buscar os tão esperados R$ 2,35, ou não, porém estamos perto de uma correção mais expressiva de todo movimento de alta. Não faço nada, lembrem-se dos conselhos do analista que publiquei no post eu-juro-que-vou-mudar.

O SP500 fechou a 1.685, com queda de 0,52%; o real a R$ 2,3215, com alta de 0,34%; o euro a 1,3258, sem variação e o ouro a US$ 1.334, com alta de 1,02%.
Fique ligado!