Inflação: A Revanche

31 de julho de 2013

Ticando

Como já havia comentado, de hoje até sexta-feira uma série de dados e decisões serão publicadas, pela manhã o anúncio do PIB americano foi melhor que o esperado atingindo 1,7%, aqui fica a dúvida se o que vale é o relativo ou absoluto, pois este nível ainda não é bom. Na Europa a taxa de desemprego apresentou o primeiro número positivo nos últimos 2 anos, recuando de 11% para 10,9%, vale a mesma ressalva feita acima. Agora, será no início da tarde, que o FED vai publicar o relatório, como nesta reunião não está previsto uma secção de perguntas e respostas, seu efeito poderá ser limitado, ficando restrito a especulações sobre a linguagem usada no documento. Mais comentários ao final do post.

Hoje a análise será sobre o ouro, no post plano-de-férias publiquei o gráfico abaixo e comentários a seguir.

...O sentimento é tão negativo que fico desconfiado em ficar vendido, é muito perigoso, isto não significa que não possa cair mais, mas qualquer notícia pode fazer o metal subir muito forte, assim tracei um plano B, onde o mínimo já teria acontecido na semana passada. Se este cenário se materializar, US$ 1.350 é crítico... Minha cautela se mostrou eficiente, pois o metal subiu mais de U$ 100 desde então, veja o gráfico a seguir.


No intervalo entre US$ 1.360 e US$ 1.250 o ouro está num território indefinido, pois somente seu rompimento, para um dos lados, poderá nós dar alguma pista melhor, diria mais, se a tendência for de alta não deveria demorar muito tempo para acontecer, neste meio-termo vamos deixar os comprados e vendidos lutarem por suas posições.

Como o esperado, nenhuma mudança no comunicado do FED, no que tange a atividade econômica disse esperar uma boa melhora dos níveis atuais, ocasionando um decréscimo  da taxa de desemprego, no quesito inflação assumiu que se encontra baixa, e ai um frase que distou dos relatórios anteriores dizendo que ...vê riscos de desinflação na performance econômica... Na minha opinião colocou novas dúvidas para quem acreditava numa retirada dos helicópteros para breve. Os mercados que pela manhã mantinham este viés mudaram de direção pela tarde, com reversão nas taxas de juros longas, no dólar e na bolsa,  fechando tudo no zero a zero, sem definição.

O SP500 fechou a 1.685, sem variação; o real a R$ 2,2764, com queda de 0,18%; o euro a 1,3300 com alta de 0,29% e o ouro a US$ 1.326, sem variação.
Fique ligado!


30 de julho de 2013

Fim de férias

Coincidentemente minhas férias terminaram numa semana onde muita agitação é esperada nos mercados, vejamos por que: Amanhã, no período da manhã, será publicado a evolução do PIB americano no 1º quadrimestre e em seguida a decisão da reunião do FED. Muitas idas e vindas ocorreram desde o último anúncio, onde Bernake em alguns momentos, indicou que vai começar aposentar os helicópteros ou contrariamente colocar mais no ar. Agora nada é esperado de muito diferente, porém como existem analistas apostando que em setembro começará a retirada de estímulos, e se isto acontecer, espera-se alguma indicação no comunicado.

Na quinta-feira é a vez do Super-Mário pelo ECB, onde alguns apostam ainda numa queda dos juros, e o novo Presidente do BOE Mark Carney colocar em prática suas idéias. Em seguida a publicação de todos os Purchasing_Managers_Index, onde especial atenção será dada a China, uma vez que os últimos dados parecem indicar uma retração e por último a taxa de desemprego a ser publicada na sexta-feira.

Na minha avaliação, se os resultados a serem publicados forem próximos as expectativas dos investidores, podemos esperar uma continuidade dos movimentos destes últimos meses, ou seja, dólar para cima, juros longos subindo e bolsa americana positiva, mas se os mercados começarem a derrapar, esperem por um período de realização, afinal houve altas expressivas nos últimos meses e a liquidez é baixa no verão do hemisfério norte.

Hoje vamos analisar o real, no post plano-de-férias publiquei o gráfico abaixo com as observações a seguir:

...No post comprar-ou-vender eu disse que esperava uma queda ao nível de R$ 2,15, ainda acredito nesta hipótese, cujo intervalo eu atualizo para R$ 2,17/2,13, e depois uma nova alta do dólar para R$ 2,40 (1)...Desde então o real negociou dentro de um intervalo pequeno com uma formação um pouco diferente do que eu esperava, veja o gráfico a seguir com maiores detalhes.


A linha em vermelho é o divisor de águas, se o dólar ultrapassar este ponto é bem provável que caminhamos agora para o objetivo entre R$ 2,35/R$ 2,40 (B); ou ainda uma queda até o intervalo que mencionei anteriormente ao redor de R$ 2,15 (A). Qual a minha preferência? Parece que a alternativa (B) é mais provável. Acontece que agora não se tem muito a fazer, pois comprar a R$ 2,28 para um objetivo de R$ 2,35 não parece ser um bom risco x retorno, uma vez que, o stop teria que ser colocado em R$ 2,15, ganho de 3% para uma perda de 9%, só vai valer a pena, se o caminho for o alternativa (A).

O SP500 fechou a 1.686, sem alteração; o real a R$ 2,2806, com alta de 0,53%; o euro a 1,3262, sem alteração e o ouro a US$ 1.326, sem alteração.
Fique ligado!

29 de julho de 2013

Euro: A moeda traiçoeira

Passei estas três últimas semanas com pouco contato com os mercados, apenas lendo as principais notícias e uma avaliação superficial dos gráficos. Agora ao retornar é preciso sair da inércia e é o que pretendo fazer nesta semana.Faz um bom tempo que não me distanciava desta forma, o afastamento do detalhe é bom, tira parte do "ruido" do dia a dia e de nossos pensamentos, as vezes enviesados, por motivos emocionais dos mais diversos.

O noticiário neste período pode ser resumido como uma melhora nos países desenvolvidos ( USA, Japão e timidamente a Europa) e uma piora dos emergentes (China e seus dependentes), mas nada de muito animador ou desanimador.

Em relação aos mercados, eu deixei as minhas recomendações dos principais mercados que acompanho e após verificar a suas evoluções escolhi comentar hoje, o euro. No post plano-de-férias publiquei o gráfico abaixo com os comentários a seguir.

 ...Por outro lado se "aguentar" 1,28/1,27 a moeda única pode preparar uma surpresa para todo pessoal que está vendido, que não são poucos, e subir (2)... Naquele momento eu acreditava que a moeda única estava pronta para uma queda, porém fiquei desconfiado pelo excesso de recomendações de venda e imaginei que, ao invés de cair poderia surpreender subindo, pegando os vendidos de calças curtas! E foi o aconteceu, veja a seguir como evoluiu neste período num gráfico mais focado no curto prazo.


Ao tocar no intervalo 1,28/1,27, percebeu que iria "fritar", subindo para aos níveis atuais. Realmente nada mais me surpreende no euro, como venho repetindo incansavelmente, enquanto estiver corrigindo, tudo é possível. Como as cobras, um réptil que eu detesto para dizer pouco, sempre prepara um bote traiçoeiro.

Bem, como fica daqui em diante? Nada muda, não me atrevo nem a comprar nem a vender, e no curto prazo pode voltar a cair e romper o nível de "fritura" Hahahahah.... ou ultrapassar 1,37. Neste momento ela se encontra na terra de ninguém.

O SP500 fechou a 1.685, com queda de 0,37%; o real a R$ 2,2685, com alta de 0,53%; o euro a 1,3262, sem variação e o ouro a US$ 1.326, com queda de 0,48%.
Fique ligado!

8 de julho de 2013

Plano de férias

O próximo post será publicado no dia 29/07, serão três semanas sem o mosca, espero que sintam falta! Hahahah...Como havia prometido, hoje vou publicar minhas expectativas, levem em consideração que dependendo da evolução da cotações, estas podem mudar.

Neste final de semana li vários artigos comentando os  dados de desemprego nos USA, alguns acreditam que foram muito positivos, gerando um sentimento de "agora vai" e outros um pouco mais cautelosos. No final deste mês o FED se reúne, e todo mercado vai ficar de olho no conteúdo da ata. Conforme meus comentários do post hubschrauber-weiter a criação de vagas foi muito boa, mas a taxa de desemprego está acima do nível que a autoridade monetária se comprometeu a agir. O resultado será anunciado no dia 31/7, eu já estarei de volta para comentar.

EURO

O euro caiu nos últimos dias, em função das declarações do Super Mário.

No post comprar-ou-vender-II, eu estava na dúvida se haveria ainda uma nova alta antes de uma  queda, ao nível de 1,10. Muito bem esta chance se inverteu (1), o intervalo de 1,27/1,28 é crítico, abaixo as chances de uma queda mais profunda se elevam. Por outro lado se "aguentar" 1,28/1,27 a moeda única pode preparar uma surpresa para todo pessoal que está vendido, que não são poucos, e subir (2).

Bottom Line: Sou vendedor!

OURO

Não houve alteração, em relação a última vez que postei comprar-ou-vender-II, vejamos:

Eu espero uma queda marginal até o nível de US$ 1.150 e a partir daí abrem-se duas possibilidades: (1) Após este mínimo caminhar para novas altas; (2) Ou ainda continuar caindo, onde o nível de US$ 1.000 é crítico.

O sentimento é tão negativo que fico desconfiado em ficar vendido, é muito perigoso, isto não significa que não possa cair mais, mas qualquer notícia pode fazer o metal subir muito forte, assim tracei um plano B, onde o mínimo já teria acontecido na semana passada. Se este cenário se materializar, US$ 1.350 é crítico.

Bottom Line: Assistir da numerada e ficar atento para eventual mudança de direção.

REAL

Passamos agora para o real, que vem sendo defendido a unhas e dentes pelo BCB.

No post comprar-ou-vender eu disse que esperava uma queda ao nível de R$ 2,15, ainda acredito nesta hipótese, cujo intervalo eu atualizo para R$ 2,17/2,13, e depois uma nova alta do dólar para R$ 2,40 (1), ou caso continue subindo, R$ 2,55/2,70 (2). Isto é o que eu tenho combinado com os Corintianos! Hahahah... Agora o que eu não combinei com ninguém é uma alta acima de R$ 2,90, que chamei de plano B, se isto acontecer vou ter que pesquisar quem me atropelou e com quem, na combinação! Hahahahah....

Bottom Line: Aguardaria a queda até o nível R$ 2,17/2,13 para comprar.

SP500

E finalmente o SP500 que vem se comportando muito bem. No post bombeiros-de-plantão, indiquei uma região que teria que ser rompida para uma queda mais expressiva.


O SP500 respeitou e acabou subindo desde aquele momento, eu acredito que uma nova alta é possível com um objetivo de 1.700, mas não esqueça que encontra-se em um momento perigoso, lembrem que em algum momento eu espero o início da onda C.

Bottom Line: Não fazer nada.

O SP500 fechou a 1.640, com alta de 0,53%; o real a R$ 2,2639, com alta de 0,52%; o euro a 1,2869, com alta de 0,30% e o ouro a US$ 1.235, com alta de 1,01%.
Fique ligado!

5 de julho de 2013

Hubschrauber weiter

- David, o seu teclado está com problemas? veja como saiu o título de hoje!
Hahahahah.... não, o seu significado é: Os helicópteros continuam em alemão, mas o título também poderia ser:
- Hélicoptères continuent
- Elicotteri continuano
- The helicopters continue (UK)
-  ヘリコプターを続行します。
O Motivo é que ontem na reunião do ECB, o Super Mário informou que de seu lado não tem a menor chance dos helicópteros pararem, já na Inglaterra, com um novo Presidente do BOE, Mark Carney, que por curiosidade é Canadense, já chegou dando seu tom, não esperem nenhuma mudança dos juros por um bom tempo, e o por último o Japão, que nem pensa em mudar seus planos, ou seja, esperem ainda muitos helicópteros no ar por bastante tempo.

Agora do outro lado do Atlântico, nos USA, foram publicados os dados de desemprego, o número de vagas superou as expectativas com a criação de 195.000 novos postos, mas a taxa de desemprego ficou estável em 7,6%. O mercado teve uma interpretação positiva e alguns analistas começam a trabalhar com diminuição dos helicópteros a partir de setembro. O governo americano não precisa ficar preocupado, pois basta exportá-los para a Europa ou Japão! Hahahahah...

Como hoje é ponte de feriado nos USA, a liquidez não foi muito elevada, mas a reação inicial foi mais do mesmo, alta do dólar, agora turbinada também pelas moedas europeias depois das decisões comentadas acima, e os juros dos títulos de 10 anos americanos que subiram a 2,7% a.a., como pode-se ver no gráfico a seguir.

 Os períodos anotados em azul como I e II foram reações aos programas de QE I e QE II, naquele momento o mercado tinha grande desconfiança que a inflação subiria em função da injeção de liquidez pelo FED, este movimentos foram perdendo força pela não concretização deste temor, e também pelo fato do PIB não ter crescido suficientemente aliado a promessa de juros baixos até 2015. Eu encaro que a alta recente foi por motivos diferentes, a expectativa é que a economia cresça e os juros teriam que voltar a níveis "normais". O nível apontado em vermelho merece atenção do ponto de vista técnico.

Já as bolsas abriram animadas, mas veio perdendo o ímpeto, uma vez que ficou dividida entre a melhora do PIB e o efeito da diminuição dos helicópteros. Parece que o único movimento que se mantém mais consistente é a alta do dólar, que continua subindo em relação aos emergentes. Abaixo eu atualizei o gráfico contendo as moedas dos principais países, e note que a apresentação foi feita de forma a facilitar a visualização do movimento do dólar, portanto algumas escalas estão invertidas.


É indiscutível que o dado de hoje foi positivo, mas o FED disse que acompanha duas variáveis para que possa reverter suas incursões de liquidez: a taxa de desemprego e a inflação, e ambas ainda não apresentaram melhoras. É lógico que se a criação de postos continuar elevada, em algum momento a taxa de desemprego vai cair, porém existem tantos americanos que nos últimos anos pararam de procurar trabalho, que a sua volta ao mercado poderá afetar a variável observada pelo FED. Parece que muita água vai rolar antes de ficar mais claro quando a retirada dos helicópteros vai começar.

Na próxima semana eu vou sair de férias e o mosca vai retornar no dia 29/07, neste período não devo postar nada a não ser que algo muito importante aconteça. Em todo caso, na próxima segunda-feira, vou publicar o "manual de sobrevivência das férias" cobrindo os quatro mercados que acompanho.

O SP500 fechou a 1.631, com alta de 1,02%; o real a R$ 2,2520, com alta de 0,20%; o euro a 1,2831, com queda de 0,64% e o ouro a US$ 1.223, com queda de 2,12%.
Fique ligado!

4 de julho de 2013

A População Mundial é uma ameaça?


Como é de praxe, quando acontece um feriado nos USA os mercados ficam em banho-maria, assim vou aproveitar para escrever sobre um assunto que é da maior importância do ponto de vista estrutural. Estamos presenciando inúmeras manifestações ao redor do globo e mais recentemente bateram em nossa porta. Nem sempre as causa é o verdadeiro problema, é somente a forma como é descomprimida.

O mundo hoje tem muita gente, embora a taxa de natalidade dos países ocidentais venham decrescendo, o mesmo não acontece nos países subdesenvolvidos. Para justificar meu argumento a revista economist publicou um trabalho bastante interessante de como a população mundial deve evoluir até o ano 2050.


Observem que a taxa de crescimento na Africa e Asia é muito superior a América e principalmente da Europa com um crescimento negativo. Hoje são 7,2 bilhões de pessoas, e em 2050 vai atingir a marca de 9,6 bilhões, uma evolução de 33,3%. Observem também que a Índia será o país mais populoso ultrapassando a China, e todos os países da Europa e o Japão não estarão entre os dez mais populoso, sendo substituído por países Asiáticos e Africanos, e para complementar, o Brasil só irá perder algumas posições.

Este quadro é de suma importância, pois países muito pobres terão que conviver com populações enormes, o que por si só já é bastante desestabilizador, uma vez que as riquezas estarão em países com populações menores, exceção aos USA.  

 Agora um pouco de história, há 30 anos a China resolveu mudar o rumo de seu país, com uma população gigante e em sua maioria vivendo nos campos, começou uma verdadeira Revolução Industrial. Para executar esta mudança atraiu empresas para lá, com um atrativo irrecusável, mão de obra à um custo irrisório comparado com qualquer outro país, lentamente estes trabalhadores foram sendo treinados até que adquiriram padrão internacional. Voltou a sua produção para vender no exterior e os recursos provenientes destas vendas financiaram seus importadores comprando títulos destes países, hoje é a 2ª maior economia do mundo.

Estes dois fatores ocasionaram uma mudança estrutural em todos os países, vejamos: Os USA, que são detentores de tecnologia, substituíram parte de suas indústrias por empresas de informática e os empregos também seguiram este caminho, a Inglaterra que é um país menor se especializou na área financeira, a Alemanha e Japão em produção de máquinas de alta tecnologia e o Brasil foi para as commodities e serviços. Porém, a fábrica do mundo passou a ser na China.

Com o cenário exposto acima, parece muito razoável assumir que haverá fartura de mão de obra barata por muito tempo, mas será que haverá consumidores suficientes para uma produção crescente? Não estou falando de commodities, que parece ter um futuro promissor e até de certo ponto uma possibilidade de escassez, os  preços deverão subir, o que é bom para o Brasil, mas será que vai faltar gasolina, água, e sobrar carros, roupas, etc...?

A China resolveu seu problema populacional com muita competência e hoje já é uma potência cuja definição clássica é: território extenso, poderio militar e riqueza, agora até 2050 qual modelo a Índia irá adotar, uma vez que sua população crescerá muito? E a Nigéria que só vai ter uma grande população num país pobre e pequeno? E a Rússia que não estará mais entre os dez primeiros?

Parece que muitas incertezas esperam a geração de nossos filhos, sempre existem oportunidades e riscos, mas o fato do Continente Africano, onde a pobreza e subdesenvolvimento prevalecem, parece vislumbrar um desequilíbrio perigoso, em todo caso o Brasil parece estar numa situação boa, uma vez que mantém o status atual e tem água abundante, uma boa agricultura e rico em commodities. Boa sorte para quem até lá viver.

A bolsa americana não operou; o real fechou a R$ 2,2651, com queda de 0,11%; o euro a 1,2918, com queda de 0,68% e o ouro a US$ 1.28, com queda de 0,24%.
Fique ligado!

3 de julho de 2013

Comprar ou vender II?

O dia começou com algumas notícias ruins, primeiro a situação no Egito está chegando ao limite imposto pelos rebeldes, para que o Presidente atual renuncie, existem vários protestos a favor e contra, com milhares de pessoas nas ruas. O assunto não seria de tamanha importância do ponto de vista econômico, não fosse a divisão entre os USA, que estão do lado dos protestantes, e a Rússia e China do atual governo, a razão é mais ou menos óbvia, petróleo!

Já em Portugal a renúncia do Ministro das Finanças, que era o principal porta-voz com o FMI e Troika, resolveu pedir demissão por conta de disputas em pontos controversos dos programas de austeridade, em função disso as bolsas na Europa tiveram uma reação ruim, sendo que a de Portugal caiu 5,3%.

Continuando com as análises técnicas iniciadas ontem, hoje vou analisar o euro e o ouro, vejamos:
Já faz quase dois anos que o euro está contido num intervalo entre 1,27 e 1,35, com pequenos períodos onde buscou romper estes pontos. Eu venho insistentemente frisando este comportamento e embora tivesse tudo para estar caindo, não cai! Vários podem ser os motivos, mas um que considero relevante, é o fato do BC´s dos países que acumulam reservas, leia-se China, ter uma política de diversificação que é rígida, não é levada por emoções, outro fator é que a Alemanha merece um euro mais forte e como é a maior economia daquele Continente inibe a queda.

No nível de hoje não temos nada a fazer, pois pode ainda visitar níveis mais elevados e provavelmente seríamos stopados, e comprar para buscar este potencial não compensa. Eu gostaria que subisse para aí sim, envolvermos numa venda, pois espero ver a moeda única ao redor de 1,10 mais adiante. Como no 7 ¹/², o jogo de cartas, o euro é caixão!

Ultimamente é impressionante a quantidade de artigos com comentários sobre o ouro, uns dizendo que agora é a maior oportunidade da vida para comprar, e outros que minimizam o seu valor como moeda. Eu observo e não fico surpreso, sou macaco velho, é assim mesmo que funciona, pois existe uma certa indignação de como algo considerado "ouro em pó" virou só "pó"! Hahahahah...... Honestamente nem leio, pois normalmente são os famosos cover the ass para justificar previsões que não se materializaram.

Aqui a situação requer mais atenção, eu estou trabalhando com um cenário onde o ouro encontra-se num movimento de correção desde agosto de 2011, quando atingiu a cotação máxima de US$ 1.920, mas estaria próximo de seu término para em seguida voltar a subir. 

Através de uma análise visual é evidente a quantidade de idas e vindas, com exceção dos últimos meses, onde a queda foi mais expressiva. No post atras-das-cortinas declarei que não era mais vendedor de ouro e de lá para cá o metal atingiu uma nova mínima de US$ 1.180 e encontra-se no momento a U$ 1.260.

O que eu tenho combinado com os Indianos e Chineses, os maiores aficionados pelo ouro, é uma alta até U$ 1.320/1.340 seguido de uma nova queda até US$ 1.150, a partir daí o céu pode ser o limite!

- David, puxa agora você foi enfático, até o céu? Vou colocar todo meu dinheiro quando chegar lá!
Vamos devagar e por etapas, primeiro passo é ver se meu combinado funciona, depois se chegar lá, com muito cuidado, muito mesmo, vamos arriscar um pouquinho na compra e se tudo der certo vamos aumentando. Não esqueça que eu posso estar errado e o ouro pode continuar caindo, vai ser necessário uma mudança do sentimento atual, que ainda é muito baixista.

Hoje os mercados fecharam mais cedo pois é véspera de feriado nos USA, amanhã permanece fechado e só abre na sexta-feira por causa da publicação dos dados de desemprego, o SP 500 fechou a 1.615, sem variação; o real a R$ 2,2675, com alta de 0,60%; o euro a 1,3011, com alta de 0,27% e o ouro a US$ 1.252, com alta de 0,86%.
Fique ligado!

2 de julho de 2013

Comprar ou vender?


No início de cada mês muitos dados importantes são publicados, começando pelos Purchasing_Managers_Index, sobre a confiança dos gerentes, reuniões dos BC´s, desemprego e assim por diante. Ontem foram publicados os primeiros e após analisar todos ao redor do planeta, decidi que não vale nenhum comentário, praticamente estável. No final desta semana será publicado o desemprego nos USA e a não ser que o dado seja muito diferente do estimado, não vejo grandes movimentos, é claro que é assimétrico, valores maiores ou iguais podem dar mais impulso nos movimentos vistos recentemente, ou seja, valorização do dólar e muito ruins podem estancar este movimento.

O mosca se propõe a dar sugestões de investimento e é esta a razão do título de hoje, afinal é para comprar ou para vender?

Do ponto de vista econômico a aposta do mercado é clara:
1) Os USA estão se recuperando e o PIB deveria ir para a casa dos 3%;
2) A Europa está mal, mas estaria estancando a queda;
3) O Japão vai finalmente sair da armadilha de crescimento baixo e deflação; e
4) A China desacelera, mas ainda mantém um crescimento ao redor de 7%.

Já do ponto de vista técnico vejamos:

O SP500 fez um movimento (circulo em vermelho) que do ponto de vista técnico seria suficiente para concluir que não parece que a onda C está começando agora, uma nova alta é esperada para breve. No curto prazo, dos níveis atuais de 1.610 poderia vislumbrar uma queda para 1.520/1.510 ou a retomada da alta rumo aos 1.700. Então se anima numa compra? Eu não!

Já o real caminha para seu objetivo de R$ 2,40, porém como exposto no post bernanke-to-do-list poderia ainda visitar os R$ 2,15/2,10 para depois subir, ou já estar no caminho da alta. Na semana passada tive acesso a alguns dados que sustentam minha visão que o dólar buscaria uma pequena queda antes de subir, é o fato dos investidores estrangeiros terem revertido sua posição de venda para compra num volume expressivo.

David, você está louco, se eles compraram porque você espera uma queda?
Raciocine comigo, o maior vendedor é o BC, os outros participantes estavam vendidos. A maior parte das vendas feitas pelo BC foram para este grupo sair de uma posição vendida para comprada, e por outro lado não houveram saídas importantes do país, este é um dado muito importante. Ou seja, o BC vendeu os contratos de câmbio e os estrangeiros compraram, porém no mercado físico nada de expressivo aconteceu, assim se o dólar não subir logo, este pessoal pode ter que vender suas posições, ou no mínimo aliviar, pois o tempo é contra eles por conta do diferencial de juros.

Não é muito intuitivo, porém estes são os "macetes" do mercado, sempre que alguém está muito comprado ou vendido, este participante pesa no mercado, pois ninguém quer ficar a vida toda em sua posição. A partir daí, ou o que ele imagina acontece e sai com lucro, ou liquida com prejuízo, mas sua próxima operação é inversa a sua posição. Capisce! Quer comprar dólares? Eu não.

O SP500 fechou a 1.614, sem variação; o real a R$ 2,2483, com alta de 0,91%; o euro a 1,2976, com baixa de 0,67% e o ouro a US$ 1.241, com baixa de 0,94%.
Fique ligado!

1 de julho de 2013

Equilíbrio Instável

Quem poderia imaginar ganhar de 3X0 da poderosa Espanha? Ninguém, dos mais otimistas aos mais pessimistas, no máximo uma vitória apertada. Mas o que aconteceu? Na minha opinião dois fatores foram fundamentais, primeiro algo que eu não esperava aconteceu, os atacantes Fred, Hulk e Neymar voltavam a defesa e marcaram os espanhóis e depois o gol que David Luis salvou de uma forma incrível, este lance teve um impacto emocional importante. É bem verdade que a Espanha não jogou bem, minha dúvida é se foi por conta da atuação de nosso time ou algo está acontecendo com eles, o tempo dirá.
Parabéns Brasil, vamos a Copa do Mundo com mais esperança, mas não podemos esquecer da Alemanha, Argentina e etc... para citar alguns. Agora vamos ao assunto de hoje.

Def: ...Um corpo está em equilíbrio instável, quando um pequeno afastamento da posição de equilíbrio implica uma redução da energia potencial. Como os sistemas tendem naturalmente aos estados de menor energia potencial, estes sistemas tendem a se afastar completamente da posição inicial...
Fui buscar a definição do que é equilíbrio instável e a ênfase é minha, para ter-se uma visualização clara deste conceito de física, a figura abaixo é bastante ilustrativa, quando a bolinha é tirada de sua posição inicial nunca mais volta, enquanto no equilíbrio estável retorna ao fundo do recipiente.
O PT assumiu o poder há 10 anos com uma promessa de mudar o país através da figura popular do Lula. O povo tinha uma imagem de que muitas transformações aconteceriam. Logo que assumiu recuou muito em relação as promessas na economia e resolveu manter o status quo do plano real com uma âncora, o Presidente do BC Henrique Meireles. Como consequência a taxa de câmbio do dólar, saiu da cotação de R$ 4,00, e foi recuando até atingir a mínima de R$ 1,50 em 2.008. É logico que não foi o Lula que conseguiu isso, uma vez que pouco fez para não dizer muito pouco, o motivo foi o crescimento mundial e principalmente da China, que demandou muito nossas matéria primas.

Porém foi no campo político e institucional que as maiores barbaridades aconteceram, através de "trocas" com os parlamentares, buscou perpetuar o PT no poder, os meios justificam o fim foi o seu lema, afinal eles do partido pregavam que era para o bem-estar popular. Acontece que, com esta atitude, geraram várias consequências, das quais listo as principais: a banalização da corrupção e o incentivo a impunidade. A sociedade seguiu esta diretriz e na cabeça de alguns ficou a sensação de que se o governo pode, porque eu não posso?

Com o passar dos anos as consequências desta política acarretou vários descontentamentos da população, afinal ao em vez de maximizar o bem estar do povo, maximizaram a obtenção de votos. Eu acredito que o aumento de violência é consequência desta direção dada, hoje os assaltantes não tem o menor receio, basta ver as barbaridades que acontecem ultimamente.

Depois destas 2 semanas repletas de manifestações, cujo auge aconteceu no dia 20 de junho com um total de 150, espalhadas pelo país e milhões de manifestantes, hoje voltamos a quase normalidade, existindo ainda poucos movimentos sem muita aderência. Acredito que o Brasil há um bom tempo encontra-se num equilibro instável, mas a bolinha não tinha se movimentado, estava parada. As tarifas de ônibus deram um pequeno toque e a partir daí tudo começou a acontecer, e como na física, nos afastamos completamente da posição inicial.

Vejo vários comentários afirmando que o PT " já era", eu não saberia dizer quais serão as consequências para as eleições de 2014, pois falta muito tempo até lá, porém não tem dúvida que os brasileiros querem mudanças e o surgimento de um novo líder, ou mesmo a figura de uma Marina pode ganhar força, mas parece que um coisa é certa, o modelo antigo está enterrado e se isto era o PT, bye, bye!

Falando em manifestações, veja a que aconteceu ontem no Egito, a maior da história. Hummm.... nada bom!


Um leitor do mosca elogiou a parte inicial do post, onde normalmente comento passagens da minha vida, situações do cotidiano e ultimamente bastante sobre o futebol, em relação ao último, disse que eu era um grande entendido! Será? não sei, mas venho assistindo muitas partidas e acredito que fui adquirindo conhecimento, talvez eu faço uma boa síntese, fiquei liso engeado! Mas  os gráficos ele não entendia nada, e percebe que eu sempre deixava a porta aberta para um determinado ativo subir ou cair. Para quem quiser entender este motivo, recomendo a leitura do post o-futuro-é-sempre-incerto, o título já é sugestivo e lá tem um caso real vivido pelo mosca.

Depois de refletir um pouco sobre este comentário, afinal é parcialmente uma crítica, a forma como eu deveria dar as dicas de investimento, vou pensar se haveria alguma forma de não ser tão "técnico".

O SP500 fechou a 1.614, com alta de 0,54%; o real a R$ 2,2304, sem variação; o euro a 1,3064, com alta de 0,43% e o ouro a US$ 1.253, com alta de 1,59%.
Fique ligado!