Inflação: A Revanche

30 de abril de 2013

O Super Mário vai ter que entrar em ação

Os vídeo games do Super Mário foram um sucesso, antes do acesso a jogos on line, a época era dos game boy, e naquele momento ele era o "cara"! Eu não jogava, afinal não fui treinado, eu só acompanhava meus filhos jogando. Bons tempos!
Mas o Super Mário que eu me refiro hoje não é este e sim o Presidente do ECB, que ganhou este apelido, numa tentativa de "salvar" o euro, quando pronunciou a frase: ..." Vamos fazer de tudo para manter o euro"...e isto acalmou os mercados desde então.
Mas as coisas não andam bem pela Europa, ou melhor, continuam na maioria dos países piorando, alguns em estado desesperador (Grécia, Chipre), outros muito ruim (Itália, Espanha e Portugal) e outros um pouco pior (Alemanha, França).

A taxa de desemprego publicada na Europa continua piorando, veja a seguir.


Acontece que estes números não são iguais para todos os países, pois na Alemanha (5,4%), Áustria (4,7%) e Luxemburgo (5,4%) são as menores e a Grécia ( 27,2%), Espanha ( 26,7%) e Portugal (17,5%) são as maiores. Até no futebol pode se sentir esta divergência depois da Goleada do Bayer sobre o Barcelona!

Agora vejam o nível de desemprego entre os jovens.


No lado da inflação, a Europa também apontam para níveis perigosos, a mesma vem declinando seguidamente.


Em abril de 2012 estava a níveis de 2,6% e o dado mais recente aponta para 1,2%, uma queda expressiva e mesmo depois de tudo que o Super Mário mandou de helicópteros. O post de ontem esta-deflação-é-da-boa-ou-da-ruim? versa sobre a possibilidade de uma deflação e os últimos números apontam para essa possibilidade, tanto na Europa como nos USA, uma vez que no Japão já é fato há um bom tempo.

Os próximos dias são recheados de reuniões dos BC´s, amanhã o FED na quinta o ECB e na próxima semana o BOE, e com estes dados da Europa o mercado espera uma ação do Super Mário, corte de 0,25% ou até 0,50% na taxa de juros. A taxa atual estabelecida pelo ECB é de 0,75% a.a., mas as praticadas pelo mercado são bem inferiores, abaixo a taxa do EURIBOR de 1 mês, que equivale a LIBOR, mas expressa em euros.


Os juros praticados entre os bancos é da ordem de 0,10% a.a., de que vai adiantar a redução esperada? Só se for para Inglês, ou melhor, Alemão ver! Hahahahah......

Com todas estas notícias ruins podia-se esperar que o euro despencasse, ou no mínimo caísse  mas veja o que aconteceu.

Incrível, subiu! Uma explicação poderia ser o dólar cair frente as moedas, mas não parece justificar, outra possibilidade é a decisão do FED de amanhã, uma vez que os helicópteros que se tinha duvidas se continuariam voando, parece que vão continuar com a carga máxima.
Ou seja, como as crianças numa brincadeira para ver quem é mais forte, no mundo dos BC´s a "brincadeira" é que tem mais helicópteros. Será que em algum momento o mercado vai desacreditar desta arma? 

O SP500 fechou a 1.597, com alta de 0,25%; o real a R$ 1,995, com baixa de 0,40%; o euro a 1,3171, com alta de 0,55% e o ouro a US$ 1.475, sem variação.
Fique ligado!

29 de abril de 2013

Esta Deflação, é da boa ou da ruim?

Eu externei há alguns dias o receio de que estaríamos entrando numa deflação, onde os preços  dos produtos caem. O motivo principal é o fato da inflação nos USA e Europa estarem em queda, e no Japão continuar negativa. Estamos presenciando também esforços por parte dos BC´s para evitar este cenário econômico,  pois nesta situação, a política monetária, perde totalmente sua eficácia, pois juros menor que zero, só colocando um imposto sobre os depósitos à vista, atitude muito impopular para um mundo com pouca tolerância.

Existem dois tipos de deflação, a boa quando os preços caem, porque a produtividade é  elevada, mas o PIB é positivo, e a má, quando os preços caem porque as pessoas param de consumir e o PIB é negativo. Estas duas situações já aconteceram no passado, a primeira durante a Revolução Industrial no século XIX iniciada na Inglaterra onde a máquina foi superando o trabalho humano, houve stress durante o caminho, mas o mundo evoluiu, e a má depois do Crash de 1929, onde o desemprego se elevou a níveis superiores a 20%, e a economia mergulhou numa depressão.

Esta introdução serve para nortear meus temores, se acontecer, quais das duas seria a mais provável? Aparentemente, parece que é a boa, pois a inflação está caindo mas não é negativa, o mundo cresce devagar, mas cresce, novas tecnologias estão tornando a produção mais eficiente, e o lucro das empresas estão crescendo.

-David, então por que você não relaxa e aposta na alta?
O que mais me preocupa é o elevado grau de endividamento sem um crescimento mais robusto. Aqui não basta um crescimento qualquer, no mínimo tem que ser maior que os juros da dívida.


O gráfico que mais me intriga nos últimos tempos é a comparação do SP500 contra a bolsa Chinesa, que estava tendo uma performance boa, até meados de março, e a partir dai voltou a cair. Inclui também o nosso Bovespa que teve uma performance semelhante à da China.
Mas será que podemos colocar o Brasil e a China no mesmo saco? Não parece que seria correto, pois comparar "PIBinhos" com " PIBãos" não faz muito sentido.



A explicação que encontramos na imprensa é a queda nos preços das commodities, que sugerem que o mundo não está crescendo tanto, e que isto afetaria os países emergentes. Será? Mais parece a dúvida de quem veio antes o ovo ou a galinha, é as commodities que caem porque o crescimento está diminuindo, ou ao contrário? 

Este gráfico publicado na revista Economist é muito interessante, e tem uma visão de longo prazo.


O parâmetro é o PIB per capta segregado pelos países avançados (vermelho), os com renda media (verde) e os com renda baixa ( azul). É nítido que o PIB per capta vem crescendo mais significativamente desde os anos 80, nos de renda baixa. Agora se estas bolsas estão querendo nos dar um recado, que estes países não vão continuar tão bem, quem vai puxar o crescimento? Confuso, no mínimo vou deixar vocês com estas questões, pois também não tenho respostas!

No post a-alemanha-está-perdendo-força defini uma estratégia para o ouro e desde então, ele vem subindo e se aproximando de nosso stopgain.

Após atingir a mínima de US$ 1.321, o ouro recuperou-se rapidamente até US$ 1.484, muito próximo de nosso limite, uma alta superior a 12%, costuma-se dizer no mercado "efeito mola", caiu e voltou rapidamente. Este movimento foi diferente do que eu havia imaginado, mas ainda não dá par descartar que não vá buscar novas mínimas, embora minha convicção diminuiu. Não vou alterar o stop, pois não devemos esquecer que o metal está numa correção, e vocês já sabem, não é? Hahahahah.....

O SP500 fechou a 1.593, com alta de 0,72%; o real a R$ 2,0065, com alta de 0,36%; o euro a 1,3096, com alta de 0,52% e o ouro a US$ 1.473, com alta de 0,77%.
Fique ligado!

26 de abril de 2013

Fila de Investidores

Ultimamente está difícil de encontrar alternativas para os investimentos, acho que todos já passaram por uma situação onde lhe foi oferecido um título de renda fixa e ao tomar ciência da taxa, sua reação foi: Estou fora! Uma atitude emocional de indignação. Com o passar do tempo, e a cada vez com taxas piores, você se viu obrigado a aplicar numa condição pior que aquela, afinal algum juro é melhor que nenhum juro!

A primeira vista o culpado por esta miséria de juros são os BC´s, afinal com tantos helicópteros, só poderia dar nisso, porém existe um outro culpado, a diminuição na emissão de títulos, parte por consequência do movimento de desalavancagem que estamos passando. Um estudo muito interessante coletou todas emissões dos principais países e comparou a sua evolução.

Este estudo compreende um período de 10 anos na Europa, USA e Japão. Observem que o aumento na emissão de títulos dos governos começou após a crise de 2008 (azul marinho). Também o volume total está diminuindo desde aquele momento, isto pode justificar a pressão de compra sobre os ativos em geral , pressionando os juros para baixo. No lado negativo, retirando títulos estão as intervenções dos Bancos Centrais (laranja). Embora a emissão por parte das empresas têm aumentado desde então (verde), os grandes vilões foram os títulos vinculados ao financiamento imobiliário que praticamente desapareceram (azul claro).

Sem considerar a atuação dos BC´s o volume passou de US$ 3,5- 4 trilhões anuais antes da crise, para menos de US$ 2,5 trilhões nos últimos anos. Em outras palavras, a emissão diminuiu em US$ 1,0 trilhão, o que é 25% do total. Ao adicionar as intervenções das autoridades monetárias, a redução de ativos disponíveis resulta em números mais dramáticos.

Com exceção de um breve período em 2011, quando a economia mundial não teve uma boa performance, o universo de ativos disponíveis para investimento é inferior a US$ 2,0 trilhões, isto pode justificar os níveis deprimidos das taxas de juros mundiais.

Hoje foi publicado o PIB americano do 1º trimestre de 2013, foi de 2,5% em termos anuais, abaixo da expectativa do mercado de 3%. A primeira vista não pareceria tão mal, mas como no trimestre anterior foi muito baixo, o mercado esperava uma recuperação maior.



O SP500 fechou a 1.582, com queda de 0,18%; o real a R$ 1,9985, com queda de 0,19%; o euro a 1,3029, com alta de 0,21% e o ouro a US$ 1.462, sem variação.
Fique ligado!

25 de abril de 2013

O Brasil está derrapando


Todos nós já passamos por uma situação de insegurança, ao dirigir num terreno com lama, é uma sensação horrível, pois têm-se a impressão que vamos perder o controle e o carro vai derrapar ladeira abaixo. Este parece ser o caso da gestão da nossa economia, é verdade que ainda estamos apenas derrapando, mas pelas ações até então, não dá para descartar situações mais sérias no futuro.

Ontem foram publicadas nossas contas externas e tivemos um recorde em nossas transações correntes, um déficit de US$ 6,9 bilhões, é uma cifra de respeito! Com isso o saldo negativo acumulado em 12 meses atingiu US$ 67,0 bilhões. Diferente dos outros meses, agora o investimento direto não foi suficiente para cobrir o rombo, mesmo mantendo-se em níveis elevados de US$ 63,5 bilhões nos últimos 12 meses. Foi o que eu relatei no post last-kiss.


David, vamos vender real!
Se estivéssemos há dez anos, seria uma ótima recomendação, mas hoje em dia não é tão evidente assim, com US$ 377,0 bilhões de reservas, precisa piorar muito para ter uma fuga dos investidores estrangeiros. Além deste fator, com tantos helicópteros, de tantas nacionalidades, não dá para fazer esta aposta, e ainda é possível que o real se valorize no curto prazo, afinal é melhor algum juro que juro nenhum!

Mas o estrago está sendo feito, depois de tantas tentativas de controlar a economia na marra, o governo começa a se ver numa posição não tão segura, pois se o Brasil quer crescer hoje terá que aumentar as importações, continuar pagando juros e dividendos, e nossas exportações limitadas as commodities e seus derivados, haja visto que na indústria só sobrará alguns gatos-pingados.

Daqui para frente as más noticias terão impactos maiores que no passado. Uma situação como a que ocorreu em 2008, onde tivemos impacto limitado, hoje eu imagino que seria diferente, pois se o BCB não vender muitos dólares a cotação do real poderia subir às alturas. Como a inflação não está comportada, é o que eu acho que a autoridade monetária faria. Se este cenário horrível acontecer, nosso Ministro não vai precisar ficar mais preocupado com a tsunami-reversa, mas terá sim que implorar para os helicópteros aparecerem por aqui, é bom reservar alguns recursos de infraestrutura para a construção de heliportos! Hahahah..... 

Antes que você me pergunte o que deveria ser feito para mudar este quadro, acho que somente uma mudança política nas próximas eleições, sangue novo e com ideias modernas. Ao invés de um PT de ideias retrogradas, precisaríamos de uma Margaret Tatcher II the return. Olhando de hoje parece difícil que a Presidenta perca as eleições do próximo ano, afinal estamos em pleno emprego, e é isso que vale nos votos. A esperança é se ela encarnar a Ex-Primeira Ministra Inglesa!

Em relação ao real não tenho muito a acrescentar ao que foi dito no post a-apple-vai-acabar, enquanto a cotação de R$ 2,08 não for ultrapassada (1), ainda trabalho com uma queda na cotação, e ela ficará mais provável se cair abaixo de R$ 1,98 (2). As fichas estão na mesa, façam as sua apostas!

Falando sobre futebol, e para quem acompanha o blog, conhece minha opinião cética quando o assunto é seleção Brasileira. Quem assistiu o jogo de ontem contra o Chile pode ver uma repetição das nossas últimas performances, lamentável! Tanto é assim que no final do jogo, quando o Brasil pegava na bola, os jogadores  eram vaiados e para os Chilenos a torcida gritava "olé". Na minha opinião o problema não são os jogadores, tem qualidade, mas é a forma de jogar. Se quiserem um exemplo de futebol moderno, assistam o vídeo do jogo Bayer x Barcelona, nesta área também estamos derrapando!

O SP500 fechou a 1.585, com alta de 0,40%; o real a R$ 2,0027, com queda de 0,36%; o euro a 1,3002, com queda de 0,10% e o ouro a US$ 1.462, com alta de 2,22% Uallll...., a nossa ordem de venda da metade a US$ 1.450 alguma-semelhança, foi executada e agora o stoploss a US$ 1.490 vale para toda posição.
Fique ligado!

24 de abril de 2013

O mercado enlouqueceu?

Complementando os dados do post de ontem, hoje foi publicado o índice calculado pelo Markit, relativos aos USA e aqui também, não são dados animadores (gráfico abaixo). A grande aposta do mercado mundial é que o PIB americano apresentará resultados melhores em 2013, um dos argumentos para esta performance é a melhora dos preços dos imóveis, agregados a uma taxa de financiamento nunca vista tão baixa. Este fator, direta e indiretamente, contribuirá com 1% do PIB.
Abaixo a expectativa dos economistas para este indicador.

O mercado espera um crescimento de 2,5% neste ano, porém os últimos dados colocam algumas dúvidas de que este nível será atingido. Nesta sexta-feira anuncia se o PIB do 1º trimestre e aí poderemos ter uma ideia melhor se este número é factível ou não.


Depois desta bateria de dados negativos os mercados de ações não deram muita bola, resolveram acreditar que os BC´s farão de tudo para que uma catástrofe não aconteça, então podem dormir tranquilos. Aproveitando o assunto, ontem uma hacker conseguiu plantar um tweet falso na agência de noticias United Press, que uma bomba teria explodido na Casa Branca, vejam o estrago que as ordens de venda ocasionaram por 3 minutos.


Notem como o volume e os preços despencaram rápido! Outro fato que chama a atenção, é como os volumes são concentrados no início e final do dia, ocasionados pelos fundos conhecidos como ETFque tem uma atitude passiva e tendem a reaplicar o índice.



A figura acima, de uma forma provocativa, mostra que quando os índices de confiança estão nas máximas, normalmente culminam com quedas expressivas posteriores, parece que ainda não chegou este momento, mais chegará, fiquem atentos.

No post explicações-explicações levantei a possibilidade de o euro ainda ter uma nova queda, e para tanto coloquei um stoploss, ou melhor stopgain, em 1,29, como pode-se ver no gráfico a moeda comum está flertando no retângulo em vermelho muito próximo deste nível. Como eu venho repetindo insistentemente,  operar o euro é praticamente uma missão impossível, pelo menos por enquanto.

O SP500 estava (*) a 1.580, com alta de 0,12%; o real a R$ 2,0158, com queda de 0,43%; o euro a 1,3016, com alta de 0,14% e o ouro a US$ 1.428, com alta de 1,10%.
Fique ligado!
(*) 16h30min

23 de abril de 2013

A Alemanha está perdendo força

Hoje foram publicados os índices calculados pela Markit, uma empresa financeira independente, para avaliar os negócios e as condições financeiras. Quando está acima de 50 indica expansão e abaixo retração. Como venho observando há alguns dias, parece que as coisas não andam bem na Europa, o que não é novidade, porém a China sim não era esperada.

Este gráfico abaixo é o da China que claramente está enviando um sinal de alerta, e é por esta razão as commodities vêm caindo nos últimos dias.


A seguir o da França que já vai de mal a pior por um bom tempo, não sendo muita novidade, apenas que não consegue se recuperar.

E por ultimo a da Alemanha, que vem sendo contaminada por seus vizinhos e porque não pela China.

O grande perigo que ronda hoje em dia os mercados mundiais é a possibilidade da deflação se espalhar por outros países, além do Japão que luta faz duas décadas para eliminar, e provavelmente se este cenário se concretizar, ou mesmo o mercado perder as esperanças, uma onda feroz de venda de ativos, das bolsas de valores, das commodities, dos mercados emergentes e etc... uma liquidação geral e o ganhador será, num primeiro momento, o dólar e os títulos governamentais deste país. 
Veja a seguir a performance dos juros de 10 anos nos USA.

 Este gráfico é de longo prazo e eu venho aguardando que uma mínima seja confirmada, confesso que desde o inicio do mosca, mas não tem acontecido, a cada pequena recuperação e depois de alguns meses, os juros caem atingindo uma nova mínima, como o anotado em vermelho nos últimos dois meses. 
As taxas vem recuando e podem testar novamente uma nova minima, que tal 0,99% a.a., on sale? Por enquanto os dados e as atitudes dos BCs, comprando títulos longos vão nesta direção. Nada bom!

O SP500 fechou a 1.578, com alta de 1,04%; o real a R$ 2,0234, com alta de 0,17%; o euro a 1,3000, com queda de 0,51% e o ouro a US$ 1.414, com queda de 0,75%.
Fique ligado!

22 de abril de 2013

Alguma semelhança?

Eu não sou muito partidário de associar situações do passado para prever movimentos futuros, meus motivos são que, os eventos nunca acontecem da mesma forma e os momentos técnicos podem ser bem diferentes. Agora, também não posso negar que os investidores podem ser levados a esta crença, pois a oferta de alguma segurança sobre o futuro é confortante.




A análise que eu vou mostrar hoje compara a evolução do SP500 depois de quedas importantes ocorridas no passado:
  1. O Crash de 1929, que eventualmente levou a grande depressão.
  2. O embargo do petróleo em 1973, que foi seguido por um período de estagflação.
  3. O estouro da bolha da Tecnologia do ano 2000.
  4. A crise financeira de 2007 presente até o momento.
O analista apresenta vários gráficos, porém eu escolhi dois, o primeiro com a reaplicação dos dividendos recebidos (total returns) e o segundo em valores reais descontada, ou no caso da crise de 1929, onde houve deflação acrescida, da inflação. Do ponto de vista técnico, estes gráficos são de pouca valia, pois com este critério o que vale é o gráfico puro e simples, sem nenhuma consideração, porém como meu objetivo é mais ilustrativo, acredito que esta forma é mais rica de informações.


É interessante notar que alterações importantes acontecem quando é considerado o nível de inflação, por exemplo, basta se atentar no resultado após 2000 dias, no primeiro gráfico as dispersões são grandes, enquanto que no gráfico abaixo são praticamente iguais. Qual é o certo? Do ponto de vista econômico o corrigido pela inflação parece ser o mais correto para se comparar. 


Na tabela a seguir encontram-se todas as alternativas, depois de decorridos 1.391, do início da queda.


Já um outro administrador que tem uma visão pessimista sobre o mercado, usou outro crtitério que também costuma indicar uma queda, este sinal acontece quando sai na mídia, normalmente as capas de revistas, destacando novas previsões de alta. Em várias ocasiões, logo em seguida o mercado toma uma direção oposta à sugerida, como a que ele quer indicar no gráfico abaixo.


O mosca ainda não tem nenhum indicador que sugere uma queda eminente. Nos últimos dias, houve uma pequena retração, mas os indicadores técnicos não apontam para nada expressivo, pelo menos por enquanto. Assim vou continuar só acompanhando, sem posição.
  
Passado exatamente uma semana da queda expressiva do ouro, hoje o metal foi negociado próximo a US$ 1.440, recuperando 9% das mínimas. Vou propor um novo trade e fazer um pequeno ajuste no stoploss definido no post que-fase! Venda a metade que foi recomprada a US$ 1.450 e ajuste o stop, para toda posição, a US$ 1.490. Se por acaso, o ouro vier a negociar acima de US$ 1.500, uma nova análise cuidadosa será necessária, mas por enquanto vamos aguardar mais alguns dias.

O SP500 fechou a 1.562,com alta de 0,47%; o real a R$ 2,0160, com alta de 0,27%; o euro a 1,3060, com queda de 0,15% e o ouro a US$ 1.425, com alta de 1,50%.
Fique ligado!

19 de abril de 2013

A apple vai acabar?

Eu alertei que as ações da apple iriam entrar num período de queda e que uma boa parte da espetacular alta seria perdida, hoje as ações, fecharam a US$ 390,depois de terem atingido a máxima de US$ 720, uma queda não desprezível de quase 50%.

Este caso também é instrutivo de como o mercado trabalha, quando estava em alta vários analistas projetavam que num curto espaço de tempo atingiria US$ 1.000, um número bonito, os argumentos eram inúmeros: O lançamento do IphoneV seria um arraso, vendas em novos mercados como a China atrairiam milhões de novos consumidores, não tinha um competidor á altura e etc... é natural, todos estes argumentos eram necessários para justificar as previsões.

A partir daí as más noticias começaram a surgir e os preços iniciaram o movimento de queda, que pode ser visualizado no gráfico abaixo.

Os sinais em verde no gráfico, apontam os dias em que o mosca publicou posts comentando sobre a empresa, olhando de hoje foi um bom call! Bem, antes que meu amigo pergunte, e daqui para frente? Vamos comprar! As ações já entraram na área de interesse, mas eu vou esperar mais um pouco até a região apontada como buy.

Com a morte de um dos maiores empreendedores destes últimos 50 anos, Steve Jobs, um gênio, a empresa vai precisar de um tempo para achar um novo caminho, e aí suas ações vão voltar a subir, será um caminho difícil, pois a apple entrou num período de correção, e agora vocês já tem uma vivência de como é difícil operar nestas situações.
Se tudo der certo, prometo comprar um iphone, afinal o compromisso é com o bolso! Hahahahah.....

Mudando de assunto, eu mencionei no post de ontem behind-curve que o mercado de câmbio não gostou do micro ajuste na taxa SELIC, e o real teve um dia ruim. Como nós focamos nos gráficos, a minha previsão feita no post guerra-de-helicópteros poderá entrar em questão, vejamos porque?

O caminho 1 é o que eu havia imaginado no post mencionado acima, mas o desenrolar dos últimos dias criaram uma outra hipótese que está anotada como caminho 2, onde a cotação de R$ 2,08 seria ultrapassada e em seguida uma  pequena retração até +/- R$ 2,00 para depois subir. Numa correção, inúmeras possibilidades podem acontecer e não tem como se prever com antecedência, o melhor que podemos fazer é associar níveis.

David, está querendo tirar da reta?
Não, estou sendo honesto! Não dá para saber, e nestas situações, podem-se fazer apostas pequenas com stops curtos e não teimar, let´s the market speak. Para resumir ficamos com a alternativa 1 até R$ 2,08, como já havia estabelecido, se ultrapassar refazemos a rota.

O SP500 fechou a 1.555, com alta de 0,88%; o real a R$ 2,0095, com queda de 0,42%; o euro a 1,3055, sem variação e o ouro a US$ 1.400, com alta de 0,71%.
Fique ligado!

18 de abril de 2013

Behind the curve

Existe um termo em inglês, muito usado no mercado, quando um BC fica exitante em tomar medidas mais fortes behind the curve, o motivo que origina esta indecisão não tem muita importância, pode ser por pressão política, quando um determinado BC não é independente, ou mesmo se seus membros estão em dúvida. Fazendo um paralelo da frase que não basta ser honesto, mas é preciso ser honesto, no caso dos BC´s não basta ser seguro, precisa parecer seguro.

O resultado da reunião do COPOM foi uma mísera elevação de 0,25% da taxa SELIC, decisão muito diferente da que eu achava mais eficiente subir-pouco-ou-muito-eis-questão. Sob meu ponto de vista, uma elevação suave no tempo se adéqua mais a situações onde a inflação está um pouco acima da meta, e as expectativas dos agentes econômicos é de uma piora no futuro, nestes casos se aplicaria bem, pois tem um espírito de certa forma preventivo e ao mesmo tempo um recado, que o BC não vai tolerar desvios. Agora na situação que nos estamos, onde a inflação está acima da banda superior, o índice de difusão muito elevado, as expectativas para o futuro não são boas, 0,25% não faz nem cócegas!

Não bastasse esta estratégia "frouxa" de elevar os juros a conta-gotas, a decisão não foi unânime, dois membros votaram contra a elevação, eu só consigo imaginar dois motivos para tal decisão: 1) Por que Deus é brasileiro e vai fazer a inflação ceder; ou 2) Porque o preço do tomate caiu 75% nos últimos meses! Fora isso, vocês podem imaginar o motivo que eu penso.
Como já dizia Newton ..."a toda ação corresponde uma reação"... e eu acredito que o mercado vai reagir mal, pois este é um exemplo típico do que significa ficar muito behind of the curve.

Todo mundo conhece a Torre Eiffell, no mínimo por fotografia, é um dos símbolos de Paris, agora veja que interessante como este analista usou esta imagem para identificar movimentos de alta expressiva e a subsequente queda com a mesma magnitude da alta.


Acima encontram-se alguns exemplos onde o efeito "Eiffell" aconteceu, agora vejam algumas situações atuais.


As ações da Apple fecharam a US$ 391 hoje, vou deixar para comentar numa próxima ocasião, porém o que este analista está sugerindo é que o SP500 está se aproximando de uma queda expressiva, o que eu venho alertando já algum tempo. Lembram onda B previsão-para-o-proximo-ano.

O SP500 fechou a 1.541, com queda de 0,67%; o real a R$ 2,0185, com alta de 0,93%; o euro a 1,3050, com alta de 0,16% e o ouro a US$ 1.390, com alta de 1,02%.
Fique ligado!

17 de abril de 2013

Soupe du Jour: Inflação

Ontem foi publicado o índice de inflação nos USA, e como eu estou ficando desconfiado que caminhamos para uma deflação, é importante seu acompanhamento. A taxa foi de 1,5% a.a. para o CPI e excluindo alimentos e energia foi de 1,9% a.a., a principal razão da queda foi a redução dos preços da gasolina. Acredito que se uma pesquisa fosse feita no início do processo de injeção de liquidez pelo FED, os números seriam bem superiores a estes, então alguma coisa está saindo muito diferente do que a lógica econômica projetaria. Vejam o gráfico a seguir, com a evolução destes indicadores.


Eu venho enfatizando que os dados recentemente publicados não estão esta maravilha, o consumo interno nos USA é 70% do PIB e ultimamente vem apresentando uma performance fraca, a impressão é que o pico deste indicador já ocorreu, notem também que está próximo a níveis associados a recessão. Veja a seguir.


Um analista fez uma relação interessante entre a taxa de inflação e a evolução do PIB, e notou que depois que a inflação passa por um período de pico, em seguida o PIB diminui entrando numa recessão.


Os analistas que acompanho, em sua maioria, estão esperando uma recuperação da economia americana acreditando no mercado imobiliário e nas vendas internas, porém estes últimos dados não estão animando tanto. Em relação à bolsa, a mesma passou por umas chacoalhadas nos últimos dias, mas ainda nenhum indício de reversão. Vamos aguardar pacientemente.

No campo local a situação é inversa, nosso governo se vê pressionado pelos altos índices inflacionários dos últimos meses. Ontem nossa Presidenta deu a seguinte declaração ..."jamais voltaremos a ter aqueles juros em que qualquer necessidade de mexida os elevava para 15%"... Não vi nenhum analista projetar uma elevação desta magnitude e ao ouvir estas palavras, poderia achar que 10% de taxa SELIC é possível, pois está bem distante. Deus me livre! Além do mais hoje é dia de reunião do COPOM e as apostas estão divididas entre 0,25% e 0,50% de alta. Segundo as fofocas de mercado, os insiders estão apostando na segunda hipótese, vamos ver amanhã se deu certo! Hahahahahah......

O SP500 fechou a 1.552, com queda de 1,43%; o real a R$ 2,00, com alta de 0,52%; o euro a 1,3029, com queda de 1,12% e o ouro a US$ 1.376, com alta de 0,63%.
Fique ligado!

16 de abril de 2013

Explicações, explicações

Não fosse o atentado ocorrido ontem em Boston, onde 3 pessoas morreram, as manchetes de jornais hoje seriam da expressiva queda do ouro. Como sempre são necessárias explicações, pois como já dizia Nietzsche, "é melhor alguma explicação que nenhuma". Vou usar esta situação para ilustrar o emocional dos mercados, pois será útil em algum outro momento, veja alguns dos argumentos separados por comprados e vendidos.

Grupo I

  • "Otimismo que a recuperação americana vai reduzir a necessidade de estímulo".
  • "A perspectiva que os membros da eurozona terão que se desfazer de seus estoques para levantar parte de seus financiamentos".
  • "A Ruptura foi relacionada a níveis técnicos e melhoria do apetite global por risco".
  • "Diminuição do crescimento da China de 7,9% para 7,7%.
  • " Às vezes ouro é dinheiro e as vezes não é, neste momento não é".
Grupo II
  • "Não devemos nos preocupar com a pressão temporária, existe ainda uma enorme demanda por ouro".
  • "O mercado de "papel em ouro" (derivativos) não é um mercado real, em algum momento estes detentores vão perceber que estes papéis não valem nada".
  • " Forçar o mercado para o fundo do poço, visava provocar uma avalanche de venda, provando uma mentira".
Estas são apenas algumas das explicações. E aí já conseguiram identificar quem são os comprados e os vendidos?

- David, moleza o Grupo I são os vendidos e o II os comprados! Mas qual é a sua opinião?
Eu não acredito em nenhuma explicação mágica, o economista Robert Shiller, em seu livro Irrational Exuberance fez um trabalho interessante sobre situações como esta, é chegou a conclusão que não tem relação os argumentos com os fatos, bom livro, vale a pena. No caso em questão poderia ressaltar os seguintes pontos:
  • A análise técnica funcionou muito bem, e quando não funciona o analista pode rever suas premissas, sem ficar estancado numa posição perdedora.
  • Os BC's, através do uso incrível de helicópteros distorcem os preços, como consequência, quando  ás premissas não acontecem, as reações são violentas.
  • Em relação aos argumentos acima, todos são anteriores ao acontecimento, é a mesma situação quando um pai diz a seu filho: "leva uma malha que vai esfriar", até que um dia pega um resfriado, e o pai cutuca: "não falei!?". 
Veja o gráfico a seguir, diz tudo, o ouro se "separou" do SP500, já faz algum tempo, a pergunta é se vão se encontrar de novo.

Voltando as nossas posições, hoje o ouro depois de atingir uma mínima de US$ 1.321, reagiu e chegou próximo à US$ 1.400, uma alta no dia próxima de 6%, vamos manter nossa estrategia sobre a posição remanescente, pois acredito que ainda teremos a oportunidade de comprar a US$ 1.300.

Mudando de assunto, a última vez que comentei sobre o euro foi no post jorrando-dinheiro, naquele momento tinha uma expectativa de alta, que não era muito convicta, razão pela qual oriente os leitores a comprar se o euro atingisse 1,2665/1,2675 , somente para quem acompanha mais de perto sugeri a compra naquele nível. Desde então, o euro vem subindo e hoje está ao redor de 1,3175.

Para quem resolveu comprar naquela data, o dedo no gatilho ainda é valido, pois é possível uma queda para aquele nível sugerido (1,2665), mas parece que o mais provável é uma continuidade desta alta. Use 1,29 como ponto para realização de resultado, se resolver cair. Lembre-se que estamos numa correção onde tudo é possível.

O SP500 fechou a 1.574, com alta de 1,43%; o real a R$ 1,9895, com queda de 0,53%; o euro a 1,3176, com alta de 1,10% e o ouro a US$ 1.366, com alta de 1,02%.
Fique ligado!

15 de abril de 2013

Que fase!

Quem faz muito sucesso passa por períodos de baixa, é natural do ciclo da vida. O nome que me vem a mente é do Neymar, que vem passando por um fase destas, neste final de semana ele fez 4 gols contra um time fraco e não é por isso que pode-se declarar o fim desta fase. No caso dele, acho foi um espasmo, mas não se enganem, a não ser que ele fique "embriagado pelo sucesso", vai reencontrar com seus momentos de glória num futuro próximo.

Estes fenômenos também acontecem nos mercados, como nosso craque o ouro se encontra em baixa. Depois de vários anos subindo quase sem parar, desde 2011 ficou contido num intervalo entre US$ 1.800 e US$ 1.520 e na última sexta-feira rompeu este ponto inferior.

O ouro vai virar pó, como se diz na gíria de mercado? Não é o que eu acredito, vejamos os motivos:
  • Os BC´s ainda têm posições pequenas do metal, e com todos estes helicópteros rondando, é bem provável que continuem comprando.
  • Os juros ainda estão muito baixos e provavelmente vão permanecer por um bom tempo.
  • Hoje já tem "vendidos" com posições, o que nem se cogitava no passado.
Acredito que a recente jornada do ouro foi bem ilustrativa, primeiro eu tinha uma expectativa que ao atingir o nível de US$ 1.700, já estaria em busca de novas altas, então me envolvi numa posição de compra, no ano passado trade-15102012,que acabou não sendo bem-sucedida; segundo que, após este evento, fiquei mais cético e aventei a possibilidade de uma nova queda abaixo de US$ 1.520 gold-come-on ; porém foi mais recentemente que sugeri uma venda ouro-queda-de-um-astro,que ainda está em curso. Se eu tivesse "teimado" que o ouro iria subir, estaríamos amargando um bom prejuízo. Não esqueçam do lema: " O compromisso é com o bolso", 

Agora gostaria que entendessem os momentos em que fica a impressão que eu sempre acerto ao dizer: "se não subir vai cair", quando na verdade o que está por traz, é o respeito das forças de mercado agregado a análise técnica para mapear. Let´s the market speak!

-David, chega de confete, e vamos ao ouro!
Não se engane, eu ainda sou comprador de ouro no longo prazo, o problema é a que preço! Eu aprendi que o pior que pode acontecer, quando se acerta na mosca, é se deixar levar pelo emocional, com aquela sensação do tipo "eu sou um gênio", a chance de você devolver o que ganhou e mais algum, é grande! Fiz uma análise detalhada, e tenho alguns pontos para continuar com nossa posição e outros para realizar o lucro, vejamos o gráfico.

Eu espero que em um dos 3 intervalos apontados, possa haver a reversão:
  1. Entre US$ 1.420/US$ 1.400, onde abriu hoje, com um novo tombo em relação a sexta-feira.
  2. Entre US$ 1.300/US$ 1.285, o meu preferido.
  3. Ao redor de US$ 1.150, que se não for contido vai colocar minha perspectiva de alta futura em cheque, e abaixo de U$ 1.000 o ouro vai virar pó! Hahahahah...
O que fazer? Acho que o mais prudente é realizar metade do lucro ao redor de US$ 1.410 e aguardar o desenrolar, ou se você já está satisfeito com este ganho de 13%, recompre tudo e assista de numerada, mas não se aventure na compra ainda, é perigoso.

Hoje o dia foi terrível para quem estava comprado em ouro, a cotação derreteu literalmente, não tenho muitas duvidas que ordens de stops de grandes investidores, foram executadas durante o dia, e a nossa realização de lucro poderia ter sido feita a preços melhores. O fato citado acima, faz com quem os "macacos velhos" aproveitam para sair de suas posições vendidas, pois no momento que as ordens de venda terminarem, o ouro vai ter uma alta. Assim eu fico com a metade da posição, e se o preço chegar a US$ 1.300, realizamos a outra metade, atualize o stop para US$ 1.460.

Assim como no caso do Neymar, que não dá para saber quando ele vai voltar a brilhar, o mesmo podemos dizer do ouro, a vantagem é que aqui temos a analise técnica para nos ajudar. Quem sabe quando ambos começarem a "subir", o craque vire garoto propaganda do metal! Hahahahahah......

O SP500 fechou a 1.552, com baixa de 2,30%; o real a R$ 1,9965, com alta de 1,40%; o euro a 1,3033, com queda de 0,74% e o ouro a US$ 1.358, com uma queda de 8,83%, um tombo!
Fique ligado!