Inflação: A Revanche

28 de março de 2013

A ameaça dos softwares


O assunto abordado hoje não deve ser surpresa para ninguém, mas as estatísticas coletadas bem como o link de um vídeo anexado é impressionante. Já vimos várias histórias de como os robôs estão substituindo o trabalho humano nas fábricas, mas uma tendência muito mais significativa é a substituição de trabalhos especializados por software. Uma das possíveis razão para esta distração é que este processo vem ocorrendo nos últimos trinta anos, porém é nos últimos dez que seu efeito é maior.

Sessenta por cento dos empregos nos USA são na área de processamento de dados, é razoável supor que quase todos estes postos são auxiliados por máquinas que executam tarefas de rotina. Estas máquinas fazem alguns trabalhadores mais produtivos e outros dispensáveis.

Entre 2000 e 2010, 1,1 milhão de secretárias foram eliminadas, substituídas por serviços de internet, o número de operadoras de telefone caíram 64% e os agentes de viagem 26%. Mas não foi só na América, pois na Europa dois terços dos 7,6 milhões de trabalhadores da classe média foram vítimas da tecnologia.
O pioneiro na Web e capitalista, Marc Andreessen descreve este processo como “ o software está comendo o mundo, mais e mais produtos de empresas e indústrias importantes são executadas em um programa e entregues em serviços on line – de filmes a agricultura e defesa nacional”. Vejam abaixo o gráfico, que foi ajustado para mostrar as categorias que perderam emprego durante a grande recessão.

As empresas que tem investido em TI tem obtido mais retorno que as outras, contrapondo ideias anteriores que diziam ao contrário, o motivo segundo os estudiosos é que existe uma “fase de instalação” para que as empresas aprendam a usar.

Ao contrário das outras revoluções tecnológicas, os computadores estão em todas as partes, “ A disseminação dos computadores e da internet irá colocar os trabalhos em duas categorias”, disse Andreessen. “ As pessoas que dizem o que os computadores devem fazer, e aquelas que são comandadas pelos computadores”.

Veja no link abaixo a logística implantada na Amazon para despachar seus pedidos (recomendo principalmente para os leitores que tem movimentação de estoques). Kiva systems.

O autor se pergunta: "Como nós enfrentamos esta tendência?" Ele não tem uma resposta, em todo caso várias pessoas são otimistas, prontas a declarar que a ascensão das máquinas vai aumentar os padrões de vida, afinal é isto que os economistas chamam de aumento de produtividade. Mas isto é verdade se você está no grupo que manda a máquina fazer, para o outro grupo é incerto. Em todo caso sua aposta mais segura é ser um “tecnologista” e ou ter capital, e usar toda esta automação em seu benefício.

Hoje recebi um gráfico interessante do SP500, que coincidentemente relaciona os níveis atuais ao de um alpinista (veja post vai-faltar-oxigênio), ele resalta o volume de ações adquiridas através de conta margem, uma forma de compra-las financiadas.


O SP500 fechou a 1.569, com alta de 0,40%; o real a R$ 2,0195, com alta de 0,45%; o euro a 1,2818, com alta de 0,31% e o ouro a US$ 1.596, com queda de 0,55%.
Boa Pascoa e fique ligado!

27 de março de 2013

Jorrando dinheiro


Na última semana foi noticiado que a agência de risco Moody´s rebaixou as notas de crédito da Caixa Econômica Federal, do BNDES e da BNDESPar, empresa de participações do banco. O motivo citado deve-se a “deterioração na qualidade de crédito intrínseca dos bancos e, particularmente, o enfraquecimento das suas posições de capital nível 1”.

Eu venho frisando a maneira pela qual o governo vem interferindo na economia e em relação a área bancária, os governantes queriam, porque queriam que os juros baixassem na marra! Numa atitude ingênua, para dizer pouco, resolveram “roubar” clientes dos bancos privados no caso da Caixa Econômica e participar do capital de várias empresas através do BNDES. Como qualquer mercado, o de crédito também está sujeito as leis de mercado e se as taxas eram elevadas, é porque existem distorções no mercado brasileiro. Agora, baixando na porrada, é isto que sucede na qualidade do crédito.

O gráfico a seguir, preparado pelo Deutsche Bank, aponta a elevação do crédito comparado ao crescimento do PIB desde 2.008, como pode-se observar, o Brasil foi o 2º maior crescimento do crédito sem que houvesse contra partida no crescimento, e classificado por este banco como situação vulnerável


Minha experiência de vários anos na área financeira, me ensinou que não se brinca com crédito, muito menos com bancos, afinal banco é um negócio muito arriscado! É por esta razão que qualquer governo fica temeroso quando uma crise bancária se aproxima. Ainda temos muita credibilidade para eu alertar sobre uma crise eminente, porém nossas contas públicas que caminhavam de forma firme para uma redução do déficit, com estas capitalizações de bilhões nestes bancos e empresas como Petrobrás, podem em algum momento mudar este quadro, dinheiro não leva desaforo na vida privada nem pública, pergunte ao Eike Batista!


No post Maquiavel-101 disse que aguardaria o euro negociar próximo a 1,28 e hoje chegou a 1,275. Este nível já é comprável, mas como teria que ficar com um dedo no gatilho, só para quem está acompanhando de perto. Em todo caso, vou deixar uma sugestão num nível que me parece mais seguro, a 1,2665/1,2675 com um stop a 1,26.


-David, não está muito próximo o stoploss?
Gostei da observação! Está sim, e é função da minha convicção, que não é muito alta. O motivo principal, eu comentei no post direto-ao-assunto
O gráfico a seguir encontra-se lá e tem uma visão mais de longo prazo.


Meu cenário preferido em verde (1) ainda contempla uma alta ao redor de 1,40/1,44, mas não posso descartar a outra opção em azul (2). Observando as últimas ações adotadas pela troika, que são desastrosas, parece que o cenário alternativo pode se materializar, mas ainda vou ficar com minha preferência, se for abaixo de 1,26 vou reavaliar, afinal o compromisso é com o bolso! Hahahah.....

Este final de semana é a Pascoa e amanhã o mosca vai ser resumido, retornando a plena carga na segunda-feira. 

O SP500 fechou a 1.562, sem alteração; o real a R$ 2,0115, com queda de 0,27%; o euro a 1,2778, com queda de 0,64% e o ouro a US$ 1.604, com alta de 0,37%.
Fique ligado!

26 de março de 2013

Mosca no divã II


Há 6 meses eu postei o-mosca-no-diva e naquele momento externei minha surpresa quanto aos níveis extremamente baixos do VIX, resolvi atualizar o gráfico onde comparo este indicador como o SP500. Uma ideia lá aventada, era que o mercado poderia permanecer num estado “reflexivo” até que o ambiente se tornasse mais claro. Os elementos de risco citados naquele momento, Europa, China, Geopolíticos, ainda existem, porém com uma probabilidade aparente inferior.




Nos últimos 23 anos anotei três períodos onde o SP500 apresentou valorização importante, aqui pode-se constatar que a história nunca se repete da mesma forma, vejamos:

  1. Neste período compreendido entre 1994 e 2000, o SP500 obteve uma valorização aproximada de 275%, e o VIX começou na região de “ hibernação” ( retângulo horizontal em vermelho) e subiu a elevados 40% a.a. até retornar a níveis mais normais de 25% a.a.
  2. Este período foi de 2003 até 2007, o SP500 valorizou aproximadamente 75%, e o VIX permaneceu praticamente todo tempo em “hibernação”.
  3. E por ultimo, o período iniciado em 2009 até hoje, onde o SP500 valorizou até o momento aproximadamente 130%, enquanto o VIX teve uma trajetória inversa ao caso 1, estava a níveis iniciais de 40% a.a. e recentemente penetrou na zona de “hibernação”. Outra diferença visível, é a trajetória traçada pelo SP500 numa forma mais tortuosa que as anteriores.

Todas as quedas importantes aconteceram quando o VIX encontrava-se em níveis muito baixos, porém este fator por si só não nos permite apontar um topo, haja visto o que aconteceu no segundo período, onde este processo demorou alguns anos e ficar vendido somente por isso, vamos “perder as calças”.

- David, legal! E daí, o que eu faço com esta informação?
Por enquanto fique atento, somente isso, não posso recomendar uma venda, porque os indicadores técnicos não apontam ainda para este cenário, mas também não descartam a possibilidade de um topo eminente, diríamos que estou como o PSDB, no muro. Posso dizer que assistir o mercado subir e estar fora não é agradável, mas domar a ganância é importante em certos momentos, e eu acho que este é um deles.


O SP500 fechou a 1.563, com alta 0,78%; o real a R$ 2,0160, com alta de 0,21%; o euro a 1,2861, sem variação e o ouro a US$ 1.599 (on sale? Hahahaha...), com baixa de 0,31%.
Fique ligado!

25 de março de 2013

Je suis désolée!


Depois de muito “diz que me diz” na semana passada, houve um acordo em relação a situação de Chipre. Os detalhes ainda não são conhecidos porém ficou definido que os depositantes com mais de 100.000 euros pagarão parte da conta, os detentores destes valores estão com seus recursos congelados.

Vocês devem lembrar meus comentários que, pelo fato dos países membros do EMU adotarem uma moeda única, permitia uma movimentação de recursos entre países sem custo. Porém esta nova situação imposta pelo governo Cipriota foi quebrada, em outras palavras é como se Chipre tivesse abandonado o euro, mas manteve as aparências continuando.

De outra forma, por causa do plano de Chipre, de impor restrições na movimentação do dinheiro, um euro em Chipre não vale mais a mesma coisa que um euro num banco alemão. Em economia se diz que um governo tem a opção de escolher duas entre as três opções: Política monetária independente (fixar seus juros), uma taxa de câmbio fixa e uma movimentação livre de capital. Este é o "trilema", por que nunca se pode ter os três ao mesmo tempo. Se Chipre abandonar a livre movimentação de capital, a próxima ação lógica a ser tomada seria ter sua própria política monetária, ou seja, abandonar o euro.

Em relação ao Club Med, esta situação irá colocar uma grande dúvida aos seus habitantes, continuar ou não com seus depósitos nos bancos de seus países? Lembrem que hoje não tem nenhum custo esta transferência.

Uma outra ideia mais mirabolante surgiu, os russos ou melhor seu Presidente Putin, estaria guardando embaixo da manga uma "quadra de az". Qual a ideia? Trocar os euros de Chipre por rublos, sem perdas! Lógico que ganhariam algumas "concessões". Não vale a pena entrar em detalhes, pois se for adiante teria que ser implementada esta noite, e amanhã já saberíamos os detalhes. Interessante!  

Vocês devem ter ficado surpresos com a manifestação de 300.000 franceses contra o casamento de casais gays, afinal porque tanta gente teria uma posição sobre a vida pessoal dos outros? A razão real é que o Presidente Hollande é o mais impopular líder Francês desde 1981, 2/3 dos franceses estão désolée! O real motivo foi outro, a economia francesa tem um desempenho ruim. Não fosse a Alemanha para salvar a pátria, a Europa já teria um curso muito pior, veja a seguir a comparação da produção industrial com os americanos. 


As últimas recomendações de analistas para o ex-popstar ouro estão mais negativas, isto por si só não é motivo para eu alterar minha visão do metal, porém sua performance tem sido desanimadora. No post ouro-queda-de-um-astro, propus dois caminhos possíveis, o mais provável era que a queda fosse contida ao redor de US$ 1.525/1.530, para depois subir e uma segunda onde este intervalo seria rompido. Pois bem, vou alterar meus cenários, acho que o mercado poderá buscar níveis mais baixos antes de subir, veja o gráfico a seguir. Isto significa que os inverti em prioridade, não eliminei.
No post mencionado acima já tinha deixado a possibilidade de venda, mas reforçava os cuidados a serem tomados, agora me sinto mais confortável em sugerir venda ao redor de US$ 1.630 com um stoploss de US$ 1.670. Caso seja bem sucedido, vamos estabelecer mais adiante o profit taking, que deveria se situar dentro do retângulo em verde.

O SP500 fechou a 1.551, com baixa de 0,33%; o real a R$ 2,0107, sem variação; o euro a 1,2857, com queda de 0,97% e o ouro a US$ 1.603, com queda de 0,26%.
Fique ligado!

22 de março de 2013

Last Kiss


Em relação a Chipre a data limite é segunda-feira, e se nada mudar, vamos saber se este país continua ou não no euro. Hoje o assunto é nossas contas externas e o real que está sendo pressionado nos últimos dias.
O Governo continua tomando medidas desordenadas com objetivos múltiplos conflitantes, estas atitudes geram distorções, sem resolver os problemas estruturais. Foi noticiado a desoneração do PIS e Cofins sobre o diesel. Estão também, tentando evitar a alta das passagens de ônibus, tudo com o intuito de conter a inflação. Fico de certa forma irritado, pois se os impostos podem ser baixados sem nenhum prejuízo as contas do governo, por que não foi feito anteriormente?

Ontem o Senador Álvaro Dias passou um sabão em nosso Ministro Guido Mantega, "Uma previsão equivocada pode ser fruto somente de incompetência, mas também pode ser fruto de mentira deliberada e uma conduta desonesta". O Senador chamou de "contabilidade criativa", "alquimia estatística" e "kit de maquiagem" a tentativa do governo de manipular dados da economia nos últimos anos. Pelas respostas do Ministro, estas acusações não o afetou muito, afinal como escrevi no post negando a realidade, não é de se surpreender.

Hoje foram publicados os dados de nossas contas externas e como venho alertando há algum tempo, a piora é gradual e continua. O déficit em transações correntes atingiu a marca de U$6,6 bilhões em fevereiro. O que piorou? Tudo! A balança comercial foi negativa em US$ 1,3 bilhões, serviços US$ 3,2 bilhões e o déficit em rendas US$ 2,7 bilhões. Como pode-se ver no gráfico abaixo, rumo ao sul! 


Não fosse o elevado saldo na conta de investimentos diretos, US$ 63,7 bilhões em 12 meses, nossas reservas já estariam diminuindo mais. No gráfico a seguir fica visível, o Investimento direto foi suficiente para cobrir o déficit em transações correntes. A diferença, que atingiu seu pico em meados de 2012, vem se estreitando desde então e deve-se tornar negativa nos próximos meses, last kiss!


Depender desta sigla para financiar nossos compromissos é bem perigoso, pois em algum momento estes investimentos vão diminuir. Em todo caso, como a praxe deste governo é só reagir quando o problema acontece, nada se espera no curto prazo.
Onde está a Tsunami financeira ou guerra cambial, que nosso Ministro tanto alardeou?
  
Antes que meu amigo me cobre, vamos a análise do real, no post o-real-visto-com-uma-lupa, eu imaginava uma queda até R$1,93, para em seguida iniciar o movimento de alta, também disse, que se o real fosse teimoso e penetrasse no retângulo em vermelho, a alta poderia estar se pavimentando (gráfico copiado).



Nos últimos dias não só aquele retângulo foi penetrado, como hoje a cotação atingiu R$ 2,019. Eu anotei o ponto de R$ 2,03 como pivô, acima a chance de alta aumenta consideravelmente e abaixo uma nova queda é possível.



- David, porque você tem ficado no muro?
Sabia que não ia escapar! Primeiro que o real também está numa correção, e correção é correção, tudo é possível, segundo que tecnicamente faltam alguns elementos, e por último neste final de semana tem um evento que pode afetar o mercado. Mas não fique ansioso, se o real for para cima ou para baixo vamos ter tempo para operar. 

O SP500 fechou a 1.556, com alta de 0,72%; o real a R$ 2,0073, sem variação; o euro a 1,3004, com alta de 0,82% e o ouro a US$ 1.607, com queda de 0,41%.
Fique ligado!

Frase do dia: There are two kinds of people who lose money: those who know nothing and those who know everything.
Henry Kaufman

21 de março de 2013

Vai faltar oxigênio


O ECB deu um ultimato para o Governo de Chipre, ou a proposta de taxar os correntistas é aceita até segunda-feira, ou vai suspender as linhas de crédito aos seus bancos. Isto deve ter colocado pressão nas negociações que vem acontecendo com os Russos, e se por acaso este acordo for fechado, abrirá um precedente importante, pois não é qualquer país e sim a Rússia, fornecendo um pacote de socorro a um membro do EMU! Hummm.... o pessoal da troika não vai gostar nada, nada.

Nos já ouvimos inúmeras vezes que a geração dos baby boomers, está se aposentando e várias mudanças estruturais estão acontecendo naquele país, como a elevação de postos de trabalho para os mais idosos, que aceitam salários menores que os mais jovens. Analisando alguns dados podemos entender os motivos destas mudanças. O gráfico a seguir mostra o aumento constante da expectativa de vida tanto dos homens quanto das mulheres, acredito que nenhum comentário é necessário, pois este é um fenômeno mundial.


Dentro desta pesquisa, 57% dos trabalhadores americanos tem menos de US$ 25.000 de poupança, sem considerar o valor de suas casas, é um valor muito baixo para os padrões daquele país. Como contra partida, 28% não tem confiança que terão recursos suficientes para se aposentar confortavelmente, o maior nível na história desta pesquisa. As mesmas forças estão pressionando as empresas, pois a elevação na expectativa de vida pode agregar compromissos em seus planos de pensão num total de US$ 97 bilhões.

O que isto pode afetar nossas vidas? No curto prazo nenhuma mudança, afinal é um movimento estrutural, porém como Charles Chaplim já antevia em seu filme Tempos Modernos, os homens virarão máquinas em seus trabalhos e motivados principalmente por uma sociedade consumista, visando o lucro dos empresários.

-David, espera aí, você virou comunista ou socialista?
Boa, até está parecendo, mas onde eu quero chegar é que fomos induzidos a consumir produtos e mais recentemente serviços, que melhoraram muito nossas vidas, mas nos motiva a uma corrida para aumentar nossos ganhos. Paralelamente os avanços na área de saúde ocasionou um aumento “inesperado” da força de trabalho, alavancados pela inclusão dos Asiáticos, preparados agora, para substituir os ocidentais com salários muito inferiores. Tudo isso fez com que quem detinha capital acumulasse mais patrimônio pelo crescente lucro das empresas, enquanto o cidadão comum ficou cada vez mais pressionado a viver com salários estagnados e consumo crescente.

Os países mais pobres estão presenciando guerras ou revoluções internas, e esta situação acontece quando já não se tem nada a perder. Não é o caso dos países desenvolvidos ou em desenvolvimento, mas um americano de classe média ter acumulado somente US$ 25.000 durante toda sua vida é muito pouco! Estamos num grande desequilíbrio social e estas situações historicamente não acabam bem!

O Bernanke reafirmou sua estratégia de criar empregos, custe o que custar, e ele sabe melhor do que ninguém destas forças que remam quanto ao seu objetivo. Uma parte do patrimônio dos aposentados já está sendo prejudicado, com as taxas de juros negativas nos últimos 5 anos, o outro pedaço, que são as ações, estão sendo beneficiadas pelos helicópteros, e por último os imóveis cuja queda foi estancada. Agora ele sabe também que esta situação não pode continuar ad infinitum, pois não é saudável. Pelo relatório do FED junto com a secção de perguntas e respostas, fica nítido que ele prefere correr o risco de correr atrás da inflação, se esta acontecer, que arriscar uma interrupção do programa prematuramente.

Quem vai ganhar, a deflação ou a inflação é uma reposta que vale uma fortuna. Então não vou gastar meu tempo nem sua paciência nesta futurologia, o que os gráficos me dizem até agora, é que o SP500 ainda teria uma queda importante dentro desta janela de tempo, se antes vai até 1.600 ou não, eu não sei, mas como um alpinista que escala uma montanha, a cada metro que sobe a quantidade de oxigênio diminui, o mesmo pode-se dizer deste ativo, em algum momento vai acabar o "gaz"!  


O SP500 fechou a 1.545, com queda de 0,83%; o real a R$ 2,01, com alta de 1,03%  (comentários amanhã); o euro a 1,2901, com queda de 0,24% e o ouro a US$ 1.614, com alta de 0,51%.
Fique ligado!

20 de março de 2013

Catch 22


E a novela Chipre continua, com a rejeição do programa ontem pelo parlamento. O problema é que agora, independente de sua aceitação ou não, as consequências são irreversíveis. No momento que os Banco abrirem, bilhões de euros serão sacados. A questão é de onde virão os recursos para honrar estes saques.

Se o parlamento votar SIM, então os recursos terão que vir do euro sistema. Mas tem uma falha, os Cipriotas já tomaram emprestado 10 bilhões através de dois programas (ELA e target2). Como o "Super Mário" poderá fornecer 20 bilhões para os Russos e outros 20 a 30 bilhões para os Gregos ricos? Quais garantias poderão ser oferecidas para uma economia cujo total do PIB é de 20 bilhões de euros? A não ser que ele (Mário) viole as regras de colaterais impostas pelo ECB, o sistema Cipriota terá um colapso mesmo com um SIM. Agora imaginem um não definitivo, Chipre não terá outra alternativa que não abandonar o euro, e este precedente pode custar muito caro para os outros membros. Catch-22!

O Ministro das Finanças Cipriota pegou o primeiro avião e foi para Moscou, os motivos são óbvios, arrumar alguns bilhões de euros para saldar suas dívidas, uma vez que a troika já deu um ultimato que aguarda a nova votação, caso contrário, no money. Tem um pequeno detalhe a se considerar, é que os Russos estão loucos para instalar uma base naval em Chipre e talvez esta seja a oportunidade, mas os europeus não querem de jeito nenhum, e agora? É bem provável que os Alemães tenham que engolir goela abaixo as condições dos Cipriotas. A Política falando mais alto!

Já faz algum tempo que não faço nenhum comentário sobre o ex-popstar o ouro, também não fez muita diferença pois as cotações estão contidas num intervalo restrito. Desde que eu comecei o mosca, e como já comentei inúmeras vezes, ele se encontra contido num intervalo entre US$ 1.525 e US$ 1.8000, veja o gráfico a seguir.

Mesmo vocês não sendo especialistas em análise técnica, o movimento contido no retângulo em vermelho, é indiscutível uma correção. Enquanto estas linhas não forem rompidas, o metal vai ficar indo para cima e para baixo. Os retângulos em azul são pontos que tem importância no curto prazo, mas uma tendencia mais a longo prazo só depois dos contornos em vermelho.

- David, então vamos esquecer o ouro!
Não é bem assim, o metal pode ser um ativo importante, principalmente se o cenário que eu tenho de longo prazo, onde o dólar pode cair substancialmente, se materializar. Veja que estar numa correção tem um lado ruim que é a falta de direção, mas tem um lado bom, uma vez que quando terminar, os preços devem subir no futuro. Tenha paciência! 

O FED no começo da tarde anunciou sua decisão, e foi seguido de uma secção de perguntas e repostas com seu Presidente Ben Bernanke. Nada de muito diferente foi publicado, ou seja, continuidade dos helicópteros até que a economia cresça e principalmente o desemprego diminua. A maioria dos participantes espera uma elevação da taxa de juros na longínqua metade de 2.015. 
Por enquanto somente os temores que esta política pode gerar problemas no futuro não é suficiente para o FED alterar o seu programa, o recado é claro, "Mantenha o rumo".

O SP500 estava(*) a 1.558, com alta de 0,65%; o real a R$ 1,9910, com alta de 0,33%; o euro a 1,2946, com alta de 0,50% e o ouro a U$ 1.607, com queda de 0,33%.
Fique ligado!

19 de março de 2013

Senta que o leão é manso


O assunto do dia continua a situação em Chipre, que aguarda a decisão de seu Parlamento de que forma os correntistas dos bancos serão taxados. Interessante também foi a advertência de um analista, Dennis Gartman, para que tomem muito cuidado como a máfia Russa, pois não existe a possibilidade de que se eles são roubados, os ladrões vão embora.

Ontem eu comentei sobre o risco de saques nos países do Club Med e li também que vários comentaristas respeitados acreditam nesta possibilidade. O gráfico a seguir já dá uma ideia da evolução dos depósitos nos países em questão. Como pode-se observar em relação aos Gregos, houve uma estabilização a níveis baixos, assim como os Espanhóis e Irlandeses. Em compensação os Cipriotas e Portugueses continuam a sacar. Algumas informações da imprensa sugerem que 3,4 bilhões de euros deixaram Chipre desde o final de janeiro, isto talvez seja uma boa notícia, pois provavelmente foram grandes depositantes que fizeram estes saques diminuindo o risco, apontado acima, dos Parlamentares!


Mudando de assunto, hoje começa a reunião periódica do FED, mas somente amanhã será publicado e anunciado o comunicado, nosso amigo Bernanke vai estar empenhado em acalmar os membros que estão mais preocupados com o excesso de estímulo e querem parar o programa mensal de compra de ativos, cujo valor é de valor de US$ 85,0 bilhões. Senta que o leão é manso! Hahahahah.....

O gráfico abaixo é interessante, mostra a evolução do SP500 e do índice CRB, que mede a evolução dos preços das commodities. É visível que o efeito neste último acabou mais cedo que para os índices de ações. Durante os dois primeiros programas de QE as commodities se apreciaram 25%. Entretanto, após o anúncio do QE3 em setembro de 2012, os preços deste índice caiu 7%, um aviso que eles são motivados por ciclos econômicos ao invés das injeções dos bancos centrais. De fato, somente as ações, parecem ser os únicos ativos que se beneficiam da abundância dos BC´s.


...“ Poderia ser simplesmente que existem outros fatores fundamentais que impulsionam as ações, como lucros corporativos sendo impulsionado em parte por deficits Governamentais enormes? E que o QE "efeito riqueza" é criação de nossas cabeças?”...

Será? Ou as bolsas estão “atrasadas” e daqui a pouco vão corrigir? Onda B, lembram?

O SP500 fechou a 1.548, com alta de 0,24%; o real a R$ 1,9867 sem variação; o euro a 1,2881, com baixa de 0,54% e o ouro a US$ 1.612, com alta de 0,50%.
Fique ligado!

18 de março de 2013

Maquiavel 101


Quantas vezes durante a sua vida vocês ouviram falar de um país cujo nome é Chipre? Poucas! É uma ilha localizada ao sul da Turquia, cuja população é de origem predominantemente Grega. Durante o stress do ano passado ocorrido no Club Med, esta ilha nem era citada, uma vez que seus números eram muito inferiores aos de seus vizinhos. Acontece que hoje pela manhã esta ilhota foi manchete de todos os jornais, um dia de glória ao reverso.

Durante o final de semana o grupo Europeu reuniu-se para definir um pacote de ajuda para aquele país e, segundo consta, os alemães impuseram que fosse implantado uma taxa nos depósitos dos bancos locais, variando conforme o volume de recursos de cada conta. Comenta-se também que esta imposição alemã foi por conta de sua Constituição e da proximidade de suas eleições. Ontem à noite o mercado da Ásia recebeu negativamente e como antes pairava um excesso de otimismo, as bolsas caíram e o dólar subiu contra o euro.

Sem entrar nos detalhes, pois ainda dependem de aprovação do parlamento daquele país, parece que esta medida foi tomada para penalizar os russos “ricos”, uma vez que é conhecido ser este o local que as oligarquias e mafiosos fazem seus depósitos, transformando Chipre num paraíso fiscal, e hoje em dia esta qualificação é um palavrão. 


Quando fizer o bem, faça-o aos poucos. Quando for praticar o mal, fazê-lo de uma vez só”

Acredito que vocês já devem ter visto esta frase do famoso filósofo e escritor Maquiavel, e a mesma se encaixa perfeitamente neste caso. A situação na Europa está longe de estar resolvida, ouve uma calmaria temporária, porém o sofrimento da população nos países do Club Med será prolongado, e caso o mundo não cresça da forma esperada, a insatisfação vai crescer. Se isto acontecer como vocês acham que os Gregos, Irlandeses, Espanhóis, Portugueses e Italianos vão reagir? Arriscar que uma medida deste tipo seja imposta, ou transferir seus euros para outro país? No post Alemanha-está-ficando-isolada comentei sobre esta “facilidade” que  o euro propiciou aos habitantes da União Europeia, pois caso haja uma corrida bancária não tem nenhum custo, afinal euro é euro em qualquer país.

Então para penalizar os russos implementaram uma medida totalmente inesperada, cujo benefício é mínimo, uma vez que pelos cálculos irá render 7,0 bilhões de euros, vale a pena? Esta situação me lembra o caso Lehman Brothers, que embora totalmente diferente em seu motivo, criou um precedente que obrigou o Governo americano a comprar ações da AIG, intermediar a compra da Merill Lynch pelo Bank of America, entre outros, a fim de evitar uma quebradeira geral .

Nada deverá acontecer no curto prazo, e passados alguns dias, este assunto será matéria de roda pé, com exceção dos cipriotas que vão continuar chorando, mas podem ter certeza que ficou gravado na memória dos habitantes do Club Med e a qualquer sintoma de perigo os saques naqueles países vão começar. Será que os políticos europeus atuais não conhecem Maquiavel 101 básico?

Em relação ao euro eu não tenho muito mais a comentar que o descrito no post direto-ao-assunto pois nada de muito importante aconteceu de lá para cá, em todo caso vou arriscar uma compra se a cotação se aproximar de 1,28 com um viés oportunista, sem muita convicção, afinal esta moeda não tem apresentado grandes oportunidades.

O SP500 fechou a 1.552, com baixa de 0,55%; o real a R$ 1,9855, sem variação; o euro a 1,2951 com queda de 0,96% e o ouro a US$ 1.604, com alta de 0,79%.
Fique ligado!


15 de março de 2013

China: It's to good to be true!


Eu participo das reuniões mensais na Rosenberg e Associados onde são abordados dados econômicos dos principais países, mas com foco no Brasil. É um trabalho de ótima qualidade, onde misturam-se  um grupo de jovens economistas com pessoal mais experiente, ou no jargão de mercado " macacos velhos", onde me incluo.

Na semana passada, o Dr. Luis Paulo Rosenberg, que atualmente não sei  se entende mais de economia que futebol ( Hahahahah...), levantou uma dúvida: Será que podemos acreditar nos dados publicados na China? Não é estranho que tudo funciona lá como um "reloginho" ? Depois de alguns segundos de reflexão achei extremamente pertinente, sabemos que as informações naquele país são trancadas a sete chaves, tudo é um pouco misterioso.

Vou contar uma passagem da minha vida profissional para ilustrar uma situação semelhante , em 2.006, quando estava envolvido na administração de fundos, recebi a visita de um grande banco estrangeiro que puxou um folheto para mostrar a performance de um fundo administrado por Bernard Madoff (se não ouviu falar veja o link). Eu olhei o histórico de mais de 5 anos e nenhum mês negativo, incrível! Para complementar rendia como um "reloginho", não tinha grandes ganhos mensais .Como sou do ramo fiquei perplexo e perguntei: 

Como ele consegue isso?  
Ah, ele tem um sistema único de compra e venda de opções, que não corre risco e ganha sempre.
Não corre risco? Sistema único? Estas duas premissas não são verdadeiras, em seguida comentei:
Não recomendo, pois não sei o que ele faz, mas algum dia isso não vai funcionar.
Conclusão: Foi o mais estouro de um fundo, ao redor de U$ 50 bilhões sumiram do dia para noite, o famoso Esquema_Ponzi.

Eu já mencionei Marc Faber em vários posts, vejamos quais foram seus mais recentes comentários à respeito da China:

 ..."O maior risco para os investidores na China é a colossal bolha imobiliária"...
..."Se o Governo pode garantir um crescimento contínuo dependerá de reformas e como desinflar a bolha de crédito que temos na China. Este vai ser um grande problema, porque temos tanto crédito subterrâneo, questionáveis investimentos em curso"... (destaque meu)
..."Eu acho que a economia desacelerou muito, mas não vão deixar de anunciar a sua meta de 7,5%, eles vão anuncia-lo, mas na realidade será muito menor. Se você olhar para as estatísticas que são mais confiáveis, como a Coreana, Japonesa e Taiwan, então os números de exportação da China não batem!"....

Como nós poderemos saber se estes temores são reais? Não sei responder, mas temos que ficar atentos principalmente as informações que fogem a seu controle, e a bolsa pode ser uma delas. Atualizei o gráfico fazendo  uma comparação da bolsa da China com a do Japão e dos USA, veja a seguir que a mesma vinha seguindo de perto o Nikei  e a partir de fevereiro mudou de rumo.


Eu venho repetindo que, se tem um lugar que não pode dar errado é a China, pois ninguém espera que aconteça, mas por outro lado se acontecer será um horror!

O SP500 fechou a 1.560, com queda de 0,16%; o real a 1,9810, com alta de 0,30%; o euro a 1,3076, com alta de 0,55% e o ouro a US$ 1.592, com alta de 0,15%.
Fique ligado!



14 de março de 2013

Real: Discrepâncias


Na semana passada eu liquidei a posição de dólar contra o real, a única posição sugerida neste ano! Os meus dados técnicos apontavam para esta venda tática, vislumbrando um nível melhor, um pouco mais abaixo. Desde então o US$ caiu e se recuperou esta semana, situando-se mais ou menos nos níveis.

Por outro lado, estamos presenciando uma valorização do dólar contra a maioria das outras moedas, e este fato é importante também. Hoje recebi um relatório elaborado pelo Deutsche Bank que auxilia em nossa análise, o mesmo relaciona todas as moedas dos países emergentes e verifica suas correlações com o dólar em várias janelas, veja abaixo.


Focando nas moedas latino americanas, os motivos citados para esta distorção são: Crescimento econômico forte; proximidade aos USA; e elevadas taxas de juros internas, no caso do Brasil se aplica a última, uma vez que hoje em dia qualquer juro mais elevado, é ótimo. Em todo caso, estas distorções devem ser ajustadas no futuro e um dos catalizadores frequentes é a conta corrente externa e especialmente no saldo comercial, que vem retrocedendo, o que pode ser visto no gráfico abaixo. Na outra figura mostra o descolamento das moedas do G10 contra as dos emergentes.


Eu venho alertando para a piora nas contas externas brasileiras, o grandes superávits  já é coisa do passado e recentemente, não fossem as entradas por meio de investimentos diretos e emissão de bonds de empresas brasileiras, a situação estaria bem pior. Até a 2ª semana de março, o fluxo acumula saída de US$ 2,859 bilhões, sendo que a via comercial apresenta um saldo negativo de US$ 5,372 bilhões, enquanto pela via financeira entrada de US$ 2,513 bilhões. E agora, o que o Governo vai fazer? Segurar o dólar para não atrapalhar na inflação ou incentivar sua desvalorização para beneficiar as exportações? Não dá para controlar tudo!

David, você está me deixando confuso! É para comprar ou vender?
Pois bem, eu fiz uma análise mais detalhada do real e encontrei duas possibilidades para o ponto de compra do dólar, uma mais provável por conta dos argumentos do analista acima, onde estaríamos próximo a novo movimento de alta, veja no gráfico a seguir.

E a outra que o ponto de compra estaria localizado ao redor de R$ 1,80, que deveria acontecer caso a busca por inflações menores seja tão frenética, que o Governo resolva “usar” o câmbio para segurar a inflação, o que tornaria este cenário abaixo mais factível.


 Se o Governo, que tem aquela montanha de dólares está na dúvida e os investidores internacionais ávidos por juros, como eu posso saber? Resposta: Acompanhando os gráficos, e é o que eu vou continuar fazendo.



O SP500 estava(*) a 1562, com alta de 0, 52% ; o real a R$ 1,9749, com alta de 0,17%; o euro a 1,3005, com alta de 0,32% e o ouro a US$ 1589, com alta de 0,12%.
Fique ligado!
(*) as 16:45 hrs.


13 de março de 2013

Mundo Incerto


Como os mercados tem tido uma performance positiva, os terroristas de plantão estão quietos. No jargão de mercado foi incorporado um termo usado em boxe, quando um dos lutadores vai a nocaute e seu treinador "joga a toalha". Aqui também, quando um analista desiste de suas ideias e muda de posição usa-se o mesmo termo.

David, eu sabia, preparou o terreno para jogar a toalha, finalmente!
Not yet! Mas estou observando vários analistas que "jogaram a toalha". Veja que  a razão para eu não embarcar nesta onda é o risco x retorno, mas  tenho dito que se você quiser entrar, a minha recomendação é que tenha um stop curto.

Eu já passei situações semelhantes e normalmente terminaram mal, dois são os motivos: Primeiro que você acaba se influenciando e mudando suas ideias sem muita convicção, mais pelos lucros; e segundo que, se o mercado tender à sua premissa inicial, existe uma possibilidade de você virar “torcedor” e não buscar zerar e mudar de ponta, é humano! Vou continuar assistindo.

Para continuar neste assunto vou reproduzir uma apresentação de um investidor bem conhecido Howard Marks, cujo título é:

INVESTIMENTOS EM TEMPOS INCERTOS
A economia

A economia nos USA está tendo uma recuperação lenta, ao invés de dinâmica. O uso de crédito, ferramenta útil nestas situações, não deverá ser usado, pelo alto grau de endividamento. A confiança é moderada dos indivíduos, hesitante nos negócios e o Governo falha em gerar uma solução.

Os problemas de Longo Prazo

  • O futuro da Europa é impossível de prever.
  • Os problemas fiscais americanos são menos imediatos, mas não menos importante.
  • Os Governantes ao redor do mundo parecem incapazes de produzirem soluções.
  • aterrissagem na China pode ser ainda violenta.

Os positivos

  • Posso estar exagerando os pontos negativos.
  • Os preços dos ativos são razoáveis: Ações com P/L abaixo da média, juros nos títulos high yield são bons e o preço dos imóveis caíram muito.
  • O mood dos investidores é muito moderado.

Atenção no ambiente macro

Os investidores estão com uma mentalidade de curto-prazo, entra e sai. Isto é provável que não funcione, pois esta tática depende de timing, o que é impossível de prever.

Definição da Estratégia

Você espera prosperidade ou não?
  • Se sim – Ações, risco, alavancagem.
  • Se não – Renda fixa, segurança e menos alavancagem.

Qual o risco que te deixa preocupado?
  • O risco de perder dinheiro?
  • O risco de perder oportunidades?

Quais atributos devem-se valorizar?
  • Agressividade e assunção de risco.
  • Cautela, conservadorismo, seletividade e controle de risco.

A prescrição para um mundo Incerto

  • Certifique-se que suas expectativas são moderadas.
  • Comprometa-se com uma decisão ativa – Não fazer nada é uma decisão.
  • Lembre-se que as razões da cautela não são imaginárias.
  • Avalie os prós e contras - Não pensa que vai ser fácil!
  • O cenário certamente não é tão propício (os ativos não estão baratos) para propor uma carteira agressiva. Por outro lado, as condições não são péssimas, nem os preços estão muito caros, que seria o momento para evitar o risco.

Conclusão: Vá em frente com cautela

O que eu gostei desta apresentação, é que não tem nenhum gráfico, uma raridade, mas tudo que ele colocou é amplamente conhecido e de nada adianta colocar mais um gráfico do desemprego na Europa ou no nível das dívidas.

Agora é na definição da estratégia que você deve honestamente responder, e a partir daí definir seu caminho. As minhas repostas são:

Eu não espero prosperidade e tenho receio de perder dinheiro, e neste momento valorizo mais a cautela e conservadorismo. Talvez no futuro teremos melhores oportunidades.


Habemus papam, o argentino Jorge Bergoglio foi escolhido como o novo papa. Não é por nada, mas se os vizinhos já se acham superiores, falam de milión de dólares como se fosse troco, tem o Messi e agora o papa! A Presidenta Cristina Kirschner vai deitar e rolar, pois sem a benção do pontífice fez uma série de barbaridades, a partir de agora vai apelar para: "Qualquer coisa basta rezar pois o santo é nosso (dela)". Hahahahahah.....

O SP500 fechou a 1.554, com alta de 0,13%; o real a R$ 1,9715, com alta de 0,36%; o euro a 1,2958, com queda de 0,57% e o ouro a US$ 1.587, com queda de 0,31%.
Fique ligado!

12 de março de 2013

Baby Boomers


Acredito que todos já ouviram o termo Baby boomers, em rápidas palavras foi a explosão populacional ocorrida depois da 2ª Guerra Mundial, estes bebês estão agora se aposentando, e esta situação demográfica está ocasionando um problema para a economia americana.

Eu tive acesso a um relatório muito interessante que aborda este tema e avalia suas consequências no emprego americano. Inicialmente veja a tabela a seguir sobre os americanos nos últimos 5 anos.


Durante este período a população cresceu 12,0 milhões, sendo que 2,2 milhões estão a busca de empregos, enquanto 9,8 milhões desistiram de buscar trabalho. O número de empregos decresceu sendo que o FT ( full-time) foi o maior prejudicado com queda de 5,2 milhões, em detrimento de um pequeno aumento no PT (part-time). Agora o "bag family" explodiu! Hoje 13,5 % da população americana vive com subsídios alimentares do Governo (SNAP).

Este analista calculou uma relação entre as pessoas empregadas sobre as sem emprego ( desempregados + fora do mercado de trabalho)



No ano 2000 haviam 1,78 trabalhando para cada um não trabalhando, e hoje esta relação é de 1,39. As coisas pareciam bem, enquanto esta relação estava subindo era uma ação da demografia e a entrada da mulheres no mercado de trabalho, outro agravante é a elevação dos custos de saúde, que explodiram  também.

Para enfrentar este problema seria necessário um corte de custos dos benefícios médicos acoplado a uma elevação da idade de aposentadoria, caso contrário o Bernanke vai ter que continuar remando contra está maré, deixando os juros baixos e estimulando a economia, e mesmo assim os resultados podem ser insatisfatórios, além do risco da inflação subir. Que fase, que fase!

O SP500 fechou a 1.552, com baixa de 0,24%; o real a R$ 1,9635, com alta de 0,41%; o euro a 1,3035, sem variação e o ouro a US$ 1.592, com alta de 0,74%.
Fique ligado!

11 de março de 2013

O real visto com uma lupa


Os últimos dados de inflação tem preocupado muito o Governo, na semana passada foi publicado o IPCA do mês de fevereiro, e a “gambiarra” nas contas de luz não foi suficiente para retroceder os índices, registrando uma taxa anual de 6,31%. Mais que rapidamente nossa Presidenta resolveu agir e no final de semana anunciou a desoneração dos itens da cesta básica, que poderá ter um impacto de 0,5% na inflação.

Os agentes econômicos já estão perdendo a esperança e projetam a inflação para o final deste ano a 5,82%, próxima a banda superior. Quanto aos juros já se formou um consenso, que terá que subir e estes mesmos analistas apontam para um nível de 8% no final de 2013.
A política ficou clara, postergam-se os aumentos que derem (gasolina, transporte urbano..), diminuem-se os impostos onde tem um bom impacto no índice (contas de luz, desoneração da cesta básica) e rezam, porque o problema está na escassez de mão de obra e aí não tem manobra.

A estratégia adotada de querer controlar tudo começa a não dar os resultados esperados, por exemplo, o tesouro foi “convidado” a cobrir um rombo ocasionado nas distribuidoras de energia elétrica, em função do suprimento realizado por usinas termoelétricas que estão a pleno vapor, a fim de evitar a falta de energia. E por último o embroglio da derrubada do veto presidencial sobre o rateio dos royalties do petróleo.

David, compra ou vende? Já estou sabendo de tudo isso!
Entendi, no post bcb-behind-curve resolvi sair da posição de real e desde lá as cotações do dólar recuaram, por outro lado está próximo da cotação de compra R$ 1,93. Na sexta-feira a mínima foi de R$ 1,94, veja a seguir um gráfico com uma visão de curto prazo.


Se o real resolver seguir meus "conselhos” deveria reverter a alta de hoje e caminhar obedientemente até os R$ 1,93 (em azul 1)! Hahahahah... Mas se for teimoso e resolver continuar subindo (em vermelho 2) e penetrar no retângulo vermelho, então talvez o caminho de alta do dólar estará se pavimentando. Dependendo de suas necessidades você pode agir já, ou aguardar como eu vou fazer, it´s up to you.

O SP500 fechou a 1.556, com alta de 0,32%; o real a R$ 1,9570, com alta de 0,50%; o euro a 1,3050, com alta de 0,35% e o ouro a US$ 1.581, com alta de 0,24%.
Fique ligado!

8 de março de 2013

O céu é o limite


Os dados relativos ao desemprego nos USA foram melhores do que o esperado, criou-se 236.000 empregos e a taxa de desemprego caiu para 7,7%. Além destes dados outras medições também foram positivas. Abaixo os dois gráficos relativos a estes números. 
Não é necessário ser nenhum grande economista para concluir que está havendo uma recuperação mais consistente.



A reação do mercado foi, "agora vai", e como ultimamente já estava positiva, reforçou a tendência de alta das bolsas. Os analistas que estavam pessimistas, onde eu me incluo, tiveram que sair correndo para justificar suas recomendações: ..." Deixe o mínimo possível em ações, pois esta alta é semelhante a do último crash" ..." Quanto mais a bolsa sobe, pior será o crash"..." As vezes as pessoas esquecem que o mercado de ações não é a economia"... e por aí vai. Quando eu trabalhava na Planibanc um dos sócios, e ex-ministro, tinha uma frase que se encaixa bem a situação.

Água de morro abaixo, fogo de morro acima e mulher quando quer fazer sexo, ninguém segura!

Admito que é uma expressão machista, mas não dá para substituir a mulher pelo homem ficaria sem graça, então que me desculpem as mulheres, mas é isto que está acontecendo hoje, a busca por retorno é enorme, ninguém segura.
Vejam alguns destaques recentes: 1) A Cosan, uma empresa brasileira, que segundo meu ex-chefe, daria crédito zero se ainda estivesse no banco, fez uma oferta no exterior para captar US$ 400 milhões por dez anos e recebeu ofertas, num total de US$ 9,0 Bilhões!; 2) As empresas de capital aberto americanas, que estão lotadas de caixa, fizeram ofertas recorde de recompra de suas ações ; 3) As taxas de juros dos títulos longos do Club Med, que há 6 meses atrás era o maior mico, vem caindo consistentemente.

Os investidores se cansaram de ganhar zero afinal já faz 5 anos, resolveram arriscar qualquer coisa, mas não querem mais perder poder aquisitivo. Eu já comentei uma passagem da minha vida profissional, onde por falta de opção acabei comprando CDB's  de um banco grande na época, que estava precisando de caixa. Passado alguns meses, começou a correr um boato que haveria intervenções em 3 bancos com as inicias "ABC" (no nosso, caso era o do meio). Fizemos uma reunião de diretoria, e decidimos sair fora da posição. O detalhe é que o único comprador era ele mesmo e vocês podem imaginar como  foram gentis na taxa! Depois deste evento eu jurei que nunca mais iria investir em um ativo que eu não confiasse, mas fosse a única alternativa.

Existem momentos que o importante não é qual a taxa de retorno, mas sim o retorno do capital!

Vejam a seguir o SP500, no post SP500-acompanhamento-no-radar, eu tinha uma expectativa de uma pequena retração para em seguida buscar novas altas, porém, foi buscar novas altas sem pestanejar. Embora o Dow Jones bateu seu recorde histórico esta semana o SP500 ainda não, mas eu não dou muita importância para este fato, a não ser que a bolsa começasse a cair já, pois caso contrário é só uma questão de tempo.



David, até onde pode ir?

Nossa, você está tão sumido, pensei que tinha desistido de ler o mosca! Hahahah....
Desde o inicio do ano venho repetindo que a onda B é terrível, sedutora, e a cada nova alta trás novos investidores que resolvem jogar a toalha e acompanhar a boiada, e é o que vem acontecendo.

Com relação a sua pergunta, seriam muitas alternativas com valores bem diferentes, afinal estamos numa correção.  A razão que eu não quero comprar bolsa, pode até ser teimosia, mas minha avaliação de risco x retorno é ruim, pois está maldita onda pode a qualquer momento, ou melhor, quando você menos espera, tomar um tombo.

O SP500 fechou a 1.551, com alta de 0,45%; o real a R$ 1,9435, com queda de 0,87%; o euro 1,3001 com queda de 0,79% e o ouro a US$ 1.578, sem variação.
Fique ligado!


7 de março de 2013

BCB behind the curve


Ontem foi realizada a reunião do COPOM, e como já era esperado pelo mercado não houve alteração na taxa SELIC, mas houveram mudanças importantes no comunicado. A ideia de dar uma de FED, fixando os juros por um longo período foi abandonada, ao contrário deixou a porta aberta para eventuais elevações dos juros no futuro, sem dar nenhuma pista do quando.

O nosso BC recuou! Mas quem não erra? É normal avaliar as ações tomadas e mudar caso necessário. Mas eu ainda não estou tão convencido assim, pois será que nossa autoridade recuperou sua autonomia se desvencilhando das pressões políticas? A razão de meu ceticismo é função dos motivos que motivaram a queda abrupta de juros nos últimos tempos, se vocês se lembram a nossa Presidenta preanunciou a queda, justificando-a por conta de uma economia que crescia pouco, e pegou uma carona no ambiente externo ruim daquele momento. Mas a elevação da inflação deve-se a uma situação de pleno emprego que vivemos, adicionada da melhora do consumo por conta de crédito em abundância, com taxas declinantes. Isto vai mudar? Acho que tem uma boa chance de não, a não ser que a inflação de sinais de sair de controle.

Se daqui a 2 meses o emprego se mantiver nestes níveis, a indústria se segurando para não morrer e a inflação não retroceder, o que deveria fazer o COPOM?  Subir os juros para desacelerar a economia de tal forma que aliviasse as condições apertadas deste mercado e no futuro parassem de pressionar os índices inflacionários. Será que o BC vai "peitar" os objetivos políticos do Governo? Duvidoso, então na melhor das hipóteses irão correr atrás do prejuízo ou como se diz em inglês vão ficar behind the curve. Portanto foi bom, mas não resolve, um BC independente teria elevado os juros ontem e forte, tipo 1%, assim ninguém ficaria na dúvida!

O real abriu com uma reação levemente positiva, e desde minha última recomendação de compra nada aconteceu de muito importante. Eu vou encerrar a nossa posição com um lucro ínfimo de menos de 0,50%, justamente por este desenrolar.

A linha em azul é minha previsão para os próximos dias, e mesmo achando que poderia vender um pouco melhor, eu prefiro aguardar sem posição. A principal razão foi a perda de ímpeto ao buscar romper os R$ 2,00, conforme eu havia alertado no post tiririca-italiano, fiquei na dúvida, e na dúvida sempre deve-se ficar zerado. 

Amanhã será mais um dia de anuncio da taxa de desemprego nos USA e estarei acompanhando esta informação muito importante neste momento.

O SP500 fechou a 1.544, com alta de 0,18%; o real a R$ 1,9585, com baixa de 0,58%; o euro a 1,3105, com alta de 1,09% e o ouro a US$ 1.577, com queda de 0,34%.
Fique ligado!

6 de março de 2013

Você confia no Bernanke?


Sem dúvida que se pode confiar no Bernanke, ele transmite muita confiança, mas até aí dizer que os juros não vão subir até o final de 2015 é outra coisa, não depende só dele. Eu comentei no post dissidência-no-fed as divergências que afloraram na última reunião do FED, e daqui em diante uma certa disputa de egos é esperada, afinal economistas tem este perfil.

Os dados publicados recentemente tem sido positivos, e parece que as áreas de construção de casas e investimentos em equipamentos tem melhorado, se vai se sustentar é outro caso. Por um instante vamos assumir que a economia consiga crescer algo em torno de 2% a 3%, o que isto pode mudar nos mercados? Muita coisa, o FED teria que iniciar um movimento de retirada dos estímulos, pois se nada for feito é só uma questão de tempo para a inflação ganhar força, e isto ninguém quer.

Um analista do Banco Société Générale publicou um relatório cujo título é:  "O retorno do rendimento: Preparando para alta das taxas de longo prazo".

Eles acreditam que 2013 será um ano de mudanças na economia americana, sendo assim o mercado irá precificar o término das compras de ativos e a sua saída. Hoje existe um gap significativo entre os juros atuais e seus valores justos. A grande questão, qual será a velocidade deste ajuste. Seu cenário central assume uma taxa de 2,75% ao final do ano, mas não descartam uma elevação até 3,5% a.a., nos títulos Governamentais de 10 anos. É uma alta e tanto, pois hoje a taxa está em 1,90%! O principal motivo para esta previsão, é que a desalavancagem dos imóveis, pequenos negócios e os Governos estaduais estão começando a retroceder. Ou seja, a melhora atual econômica é mais definitiva.

Desta forma, os juros começariam a se elevar de uma forma gradual para seu valor "justo". Qual é este valor e quão rápido elas podem chegar lá é uma grande dúvida. Veja a seguir suas projeções para os próximos anos.


Vocês sabem bem quanto fico dividido no assunto juros goldilocks. Este cenário, faz parte de uma das minhas hipóteses, mas o que eu tenho muita dificuldade de imaginar é como esta montanha de liquidez será retirada. Primeiro olhando o próprio USA, Bernanke tem um medo enorme de não abortar o crescimento, já repetiu inúmeras vezes sobre este risco, logo imagino que terá uma tendência a "retardar" o processo, depois como se comportara a Europa, Japão, China, UK e outros, vão agir da mesma forma ou vão aguardar? Não consigo imaginar que poderá ser coordenado, parece mais o ... “Cada um por si e Deus por todos.”...

Ainda continuo sem uma opinião definitiva sobre o assunto, não vou ficar surpreso se daqui há alguns meses, estes juros estiverem em 1,5% a.a. Num prazo mais longo a continuidade neste patamar só poderia ser por causa de uma “Japonezização” dos USA, o que seria ruim. Mas também acho factível uma taxa de 2,5% ou 3% a.a., que seria até saudável, o problema está nos níveis de 5% a 6% a.a. num espaço curto de tempo, “sangue na rua”!

Só o acompanhamento dos acontecimentos dará mais sustentação em qual cenário vai terminar a era dos helicópteros.

O SP500 estava(*) a 1.544, com alta de 0,27%; o real a R$ 1,9679, com alta de 0,19%; o euro a 1,2995, com baixa de 0,43% e o ouro a US$ 1.580, com alta de 0,36%.
Fique ligado!
(*) as 17 horas