US$ - The Return?

7 de dezembro de 2016

"Rutspuh"


Meus pais eram poloneses de origem judaica e além da língua materna, eles falavam um dialeto, o Yiddish, que era uma mistura de várias línguas com forte influência alemã. Em casa, eles se falavam nesse dialeto e acabei aprendendo algumas palavras. Uma delas que ficou marcada, e da qual nunca mais me esqueci, pronuncia-se “rutspuh”. Seu significado é semelhante à cara de pau, mas com um teor mais forte: é quando alguém toma uma atitude completamente fora do que se é esperado; tão inesperado que os outros ficam chocados.

Para dar um ótimo exemplo de rutspuh, basta ver o que Renan Calheiros fez ontem, ao se acomunar com os membros do Senado e simplesmente desobedecer uma ordem do STF. Qualquer explicação é inútil, pois caso contrário, para que existe a lei? Ele acha que está acima da lei! O que impressiona também é como os outros senadores tiveram a coragem de assinar o documento justificando sua atitude. Só existe um motivo, todos tem o rabo preso!

A bola está com a Carmen Lúcia, Presidente do STF, e não sei ainda o que será decidido, mas não tem outra solução a não ser destitui-lo do cargo. Independente do que cada membro possa achar, agora é hora de mostrar que as regras têm que ser obedecidas. Não gosto também do Ministro Marco Aurélio, mas ele está lá e devemos respeitar suas decisões, somente o próprio STF pode questiona-lo, não o Renan. Além disso, acho que a ordem deve ainda vir com um adendo frisando que a atitude tomada pelo Senado não é correta; um pito!

Se no último final de semana, nas manifestações de rua, Renan era a bola da vez, depois do que fez, vai torna-lo ainda mais odiado e caso seja destituído, e quem sabe rume a uma saída, como seu par Eduardo Cunha, será motivo de festa nacional.

No Hemisfério Norte, o troglodita continua em sua guerra contra as empresas que não são “patriotas”, definidas com aquelas que transferem suas fábricas dos EUA para outros países. Hoje foi o dia da Boeing, que sofreu ameaças de retaliação pela manhã. Acontece que os resultados de eficiência das empresas americana não são animadores. O gráfico a seguir dá uma boa ideia do custo unitário naquele país.

 
O próximo gráfico é consequência do que está mostrado acima, onde se pode notar a produção por hora de todos os trabalhadores. Nitidamente uma tendência estruturalmente declinante.


O Presidente de um país não pode se meter nas decisões das empresas, ou pior ainda, ameaça-las. O motivo é simples, o CEO é cobrado por resultados e se para isso tem que estabelecer suas fábricas em outro país, deve fazê-lo. A partir do momento que existe esta ingerência, ou o governo fornece subsídios para compensar as desvantagens locais ou o preço de venda terá que ser elevado para manter a lucratividade.

Coloco um assunto ao Sr. Trump, a quem também cabe a definição de rutspuh, tal qual Renam, mas por motivos diferentes. É sabido que os robôs vêm substituindo o trabalho dos humanos de maneira ameaçadora. O gráfico a seguir dá um mostra de como caminha a passos largos, e observem que o país que mais vem acelerando é a China, onde o problema de criar empregos é muito maior que o dos americanos.


Eu tenho uma perguntinha ao troglodita rutspuh: se as empresas americanas que querem seguir os conselhos do novo Presidente, e manter suas fábricas nos USA, resolvem demitir seus funcionários e substitui-los por robôs, tudo bem? Ou ele também vai criar uma taxa para quem usa robôs? E dou mais uma lambuja, os bichinhos são made in USA! Imagino que é isso que irá acontecer no tempo caso essa política de se meter em negócios alheios continuar. Os EUA irão acelerar esse movimento e o tiro vai sair pela culatra!

Como prometido hoje o assunto é juros, e não adianta ficar animadinho, são os juros americanos. Por aqui, o mercado entendeu a mea culpa do Ilan. Ele indicou na ata publicada hoje que 50 pontos de queda estão garantidos para janeiro. O mercado está trabalhando com uma taxa ao final de 2017 de 10,75% a.a., agora tudo isso é válido se no exterior não estragarem nossa festa por aqui, e infelizmente essa chance existe.

O Mosca vai entrar de férias de 19 de dezembro até 16 de janeiro e como sempre vou ficar ligado publicando caso seja necessário. Se tiver posição em aberto, também atualizo. Na próxima semana, como de costume, vou fazer contra a vontade as previsões dos principais ativos para 2017, aguardem.

No post mudança-de-360, fiz os seguintes comentários sobre os juros de 10 anos: ...” A análise num gráfico de curto prazo mostra a dificuldade, pelo menos temporária, desse ativo ultrapassar o nível de 2,40% - 2,45%. Esse nível é de real importância do ponto de vista técnico, pois, se ultrapassado, não existe grandes obstáculos até a marca de 3,0%” ...


Parece que uma correção está em andamento e os pontos onde eu acredito que possa haver uma reversão estão anotados no gráfico acima em rosa – 2,30%/2,20%/2,10%. No primeiro, não faria nenhuma aposta, só vai reverter nesse ponto se realmente a alta de juros estiver muito, muito forte; no segundo, a 2,20%, é meu palpite mais firme e é nesse nível que eu recomendo uma posição na alta dos juros e, finalmente, 2,10% deveria ser o máximo para conter a queda. Minha sugestão para o stoploss é de 2% a.a.

Vou deixar essa sugestão na minha lista, mas provavelmente sua administração será durante minha viagem, farei publicações específicas. Claro, se o trade se concretizar.

Eu ainda não escolhi o tema para 2017, mas já escolhi o que vamos acompnhar diariamente: os juros de 10 anos. Esse será o ativo mais importante durante 2017, e através dele que teremos pistas para onde irão os outros ativos. Não quero assustar vocês, mas não vejo com bons olhos o que pode acontecer nesse ativo. Em todo caso, não vai ser do dia para noite, tudo tem um processo.

O SP500 fechou a 2.241, com alta de 1,32, recorde histórico!; o USDBRL a R$ 3,3825, com queda de 0,73%; o EURUSD a 1,0749, com alta de 0,30%; e o ouro a US$ 1.173, com alta de 0,30%.
Fique ligado!

6 de dezembro de 2016

Tem gato no telhado


No post de hoje vou comentar sobre risco e probabilidades, e como deve ser encardo na hora de tomar uma decisão.

Se, e somente se, apenas uma coisa pode acontecer, a probabilidade desse evento seria de 100%. Se eu dissesse que um carro vai te atropelar hoje ao sair de casa, você simplesmente ficaria em casa. Não teria sentido arriscar sua vida.

Entretanto, quando lidamos com o mundo real, não existem situações cuja probabilidade é de 100%. Muitas outras coisas se imagina acontecer para além do que realmente acontece, o que introduz grande incerteza a situações futuras; não importando o tipo de futuro que você está observando: um investimento, sua carreira, seu relacionamento, etc.

Como então podemos administrar de uma forma pragmática? O investidor Howrad Marks define da seguinte forma: ...” O futuro deve ser visto não como um resultado fixo que está destinado a acontecer ou ser prognosticado, mas como um espectro de possibilidades dentro de uma distribuição de probabilidades” ...

Esta é a melhor forma de pensar sobre o futuro: A distribuição de probabilidade contempla mais situações que poderão acontecer. Sabendo que vivemos num mundo não linear e com um potencial de eventos fora da curva – Black Swan, nós nunca devemos ficar muito confiantes ao acreditar que sabemos o que irá acontecer, mas nós podemos também considerar que alguns eventos são mais prováveis que outros. Aprendendo como se ajustar sempre que recebemos novas informações é chamando de Bayesian update.

Na realidade, apenas uma coisa irá acontecer. Assim, você precisa estar confortável caso o que se espera não aconteça, independente do que seja, mesmo que tenha apenas 1% de chance de ocorrer. Warren Buffet disse ...” Para você vencer, precisa sobreviver”.... Essa frase simples é profunda e merece uma reflexão.

O que nos leva a um segundo ponto: A incerteza sobre o futuro não necessariamente equivale ao risco, porque o mesmo tem outro componente, as suas consequências. O mundo é um lugar onde os maus resultados são “ruins” se você conhece, mesmo de forma imprecisa, sua magnitude. Desta forma, para pensar sobre o futuro e sobre os riscos você precisa aprender a quantificar.

Para entender esse conceito, imagine que você propõe um projeto para sua empresa que custará R$ 1,0 milhão, mesmo sabendo que existe uma razoável chance de não ter sucesso. Isso é muito arriscado?

Vai depender das consequências de perder R$ 1,0 milhão e da sua probabilidade. Se sua companhia tem R$ 1,0 bilhão no banco, pode considerar esse projeto de baixo risco mesmo que tenha uma chance de sucesso de 10%. Em contraste, uma companhia que tem apenas R$ 1,0 milhão no caixa deve considerar de alto risco mesmo que tenha uma chance de 10% de falhar. Talvez o ideal nesse segundo caso seja considerar cinco projetos não correlacionados.

No mundo real: Risco = probabilidade de falha x consequências

Outro aspecto de interesse é: saber o resultado não nos diz nada sobre qual foi o risco dessa decisão.

Para entender esse conceito, pode-se fazer a analogia com o tempo. Amanhã pode chover ou não, mas nada do que acontecer amanhã vai te dizer qual era a probabilidade de chover hoje.

Sabendo que algo deu certo podemos ser levados a pensar que não foi tão arriscado assim. Mas, e se na realidade o sucesso se deveu a pura sorte? Eu sempre digo que a pior coisa que pode acontecer a um trader é ganhar na primeira operação que faz, porque ele pode se convencer que é infalível.

A verdade é que na maioria das vezes nós não sabemos qual é a real distribuição dos vários cenários, porque o mundo não é previsível, o máximo que podemos fazer é estimar. Com estimativas inteligentes, nós podemos ter uma ordem de grandeza se nossa opção for bem-sucedida e compreendermos as consequências, caso estejamos errados, procurando nunca nos enganar depois dos fatos.

O uso do stoploss responde parte da questão levantada por Warren Buffet. A outra parte depende de quanto se é colocado em risco; e aquela “ideia de girico” de que essa é a oportunidade da sua vida só vai servir para arruinar suas finanças, não existe tal coisa.

Eu aconselho a usar a seguinte regra na administração de seus trades: Aposte uma quantidade pré-estabelecida em qualquer trade que você faça, e só aumente a aposta com o dinheiro do mercado. O que eu quero dizer com isso: estabeleça o quanto está disposto a perder - R$ 100 por trade, e quando o mercado vai na sua direção, suba o stoploss. Isso é jogar com o dinheiro do mercado! Desta forma, permite com que você continue na operação sem que perca seu dinheiro daí em diante.

No post não-arrisque-ficar-rico-pela-segunda-vez, fiz os seguintes comentários sobre o dólar: ...” Para que nosso trade ganhe impulso, é necessário que a barreira do R$ 3,50 seja ultrapassada e, como citei acima, ficaria mais confiante numa alta consistente do dólar” .... Desde então, o dólar, reagiu levemente, porém ainda não rompeu a barreira dos R$ 3,50.


No gráfico acima apontei qual a trajetória que eu espero, e caso isso aconteça, o próximo nível e R$ 3,65, e aí que a batalha acontece.

Na próxima semana o FED se reúne na quarta-feira para decidir sobre a taxa de juros. Na verdade, já está decidido: vai subir 0,25%. Mas, o que não está no radar, e pode surpreender o mercado, seria uma projeção de mais altas em 2017; ou seja, ao invés de 50 pontos como o mercado espera, a autoridade monetária sugere 100 pontos. E olha, não seria nada de mais, pois fecharia o ano de 2017 em 1,75% a.a., ainda abaixo da inflação corrente ao redor de 2%.

Este movimento seria suficiente para colocar muita gasolina no fogo, pois se isso acabar acontecendo, imagino que as previsões para 2018 também serão alteradas; tendo visto que a taxa terminal que o FED almeja é de 3% no longo prazo, de acordo com sua última divulgação em setembro passado.

Em outras palavras, estaria antecipando o movimento de normalização dos juros. Não sei vai ter coragem de fazer assim de supetão, mas com uma taxa de desemprego a 4,6% e a inflação nitidamente apontando para cima, não tem porque os juros ficarem tão negativos.

Mas, mesmo assim, como o mercado está bem arisco, basta ele dizer que o gato está no telhado para a taxa de juros de 10 anos subir rapidinho para 3% a.a.

- David, está querendo matar a gente do coração? Então dê suas previsões sobre os juros americanos!
Fica para amanhã, não tem pressa, a reunião é só na próxima semana! Hahaha ...

O SP500 fechou a 2.213, com alta de 0,34%; o USDBRL a R$ 3,4075, com queda de 0,37%; o EURUSD a 1,0717, com queda de 0,42%; e o ouro a US$ 1.169, sem variação.
Fique ligado!


5 de dezembro de 2016

Tchau, tchau banbino


Não acredito que todos conheçam a música italiana, “Ciao, Ciao bambina”, que fez muito sucesso no início dos anos 60, cantada por Domenico Modugno. Fiz uma pequena adaptação no texto para dar adeus ao jovem Primeiro Ministro Italiano, Matteo Renzi, que anunciou a sua renúncia após ser derrotado no referendum italiano, realizado no último domingo.

Esse resultado infere em incerteza na Itália, a 4ª maior economia da união europeia, já que o bloco luta para reviver o crescimento e definir seu futuro. Tal renúncia pode abrir espaço à formação de um governo temporário e, possivelmente, a novas eleições parlamentares no próximo ano.

O maior beneficiário desse resultado é o movimento “cinco estrelas”, como eles mesmos se intitulam, cujo líder Beppe Grillo, um comediante popular que advoga mudanças mais radicais do que as propostas por Renzi, tal qual um referendum para consultar a saída da Itália da comunidade europeia, bem como a emissão de moeda própria. Uma pesquisa de opinião pública indica que aproximadamente 30% dos italianos dariam suporte aos candidatos desse partido caso a eleição fosse hoje.

Um simpatizante desse partido, Giampaolo Brunelli, disse ...” Renzi não fez muita coisa para mudar esse país, assim como todos os políticos antes dele” ... E é dessa forma que os países, pouco a pouco, clamam alterações da situação atual que vive o mundo, uma tendência inexorável de opção por candidatos de direita.

Mas, qual foi a reação do mercado? Conforme havia comentado (veja abaixo), não acreditava que o mercado seria pego de calça curta, e como indica o título de uma matéria publicada pela Bloomberg, ...”Italy Absorbed in 3 Minutes” ... A figura a seguir dá uma ideia clara de como se comparou esse evento com o Brexit e Trump.

 
A reação do euro não deixa dúvidas de como o mercado já estava preparado para esse resultado. Ao buscar as mínimas ao redor de 1,05 logo em seguida ao início das apurações do resultado, reverteu-se e agora se encontra acima de 1,07. A repetição da celebre frase cai no boato e sobe no fato.


Tudo isso serve como um alerta da alteração de postura por parte do mercado. Ele – o mercado- não se encontra mais parado, aguardando as mudanças acontecerem para em seguida se posicionar; já está fazendo em antecipação. Isso me leva a concluir que a volatilidade deverá retornar aos níveis mais “normais” do passado, ao invés da letargia, que se baseava no excesso de liquidez para apostar em juros mais baixos e bolsas em alta. Parece que a “direita” também está tomando conta dos mercados! Hahaha ...

No post tutti-buona-gente, fiz os seguintes comentários sobre o euro: ...” o mercado precisa de algum fato para que possa romper a marca do 1,05, e esse fato poderá ser o resultado do referendum no próximo domingo. Acho pouco provável que exista alguém apostando que o resultado será positivo desta vez, porque as pesquisas já apontam para esse resultado e, principalmente, duvido que o mercado seja pego de calça curta pela terceira vez” ...

Já em relação as possibilidades de trajetória para a moeda única, tinha traçado dois cenários possíveis conforme apontado no gráfico a seguir.


Fiz uma opção pelo cenário verde: ...” Depois de 20 meses num movimento de correção parece que o mais provável seja a alternativa verde. Você poderia se perguntar por qual razão o Mosca não embarca na venda e, “vamos que vamos”. Prefiro aguardar ou o rompimento ou uma recuperação para vender em níveis melhores. Talvez esteja sendo muito conservador, mas não se pode esquecer que no espaço de 3 semanas a moeda única caiu quase 7%” ...

Antes de continuar, quero aproveitar para corrigir um erro que cometi na postagem ao apontar a alternativa 2 (rosa), quando o correto é 1 (verde), uma vez que não correspondia a lógica que desenvolvi logo a seguir.

O movimento de hoje permitiu pistas importantes para o estabelecimento de estratégias de trade na moeda única. Usando uma lupa nas cotações (gráfico de 1 hora), identifiquei um movimento que pode estar indicando uma recuperação mais consistente da moeda única para algo em torno de 1,10. Ainda é cedo para estabelecer as condições do trade, mas fiquem de olho, pois devo fazê-las nos próximos dias.


Por outro lado, o que posso afirmar com mais certeza é que caso 1,05 seja rompido para baixo, vamos à venda.

Finalmente a moeda única será motivo de alegria para os traders, porque o final da longa correção de 20 meses se encontra próxima de terminar. O Mosca também clama por transformações com movimentos direcionais, chega de correção! Hahaha ...

O SP500 fechou a 2.204, com alta de 0,58%; o USDBRL a R$ 3,4201, com baixa de 1,58%; o EURUSD a 1,0761, com alta de 0,85%; e o ouro a US$ 1.170, com baixa de 0,56%.
Fique ligado!

2 de dezembro de 2016

E se...

Dados recentemente publicados confirmam a melhora das principais economias desenvolvidas. Para começar, o ISM da indústria nos EUA, que é o segmento que sofre bastante com a concorrência externa, ficou em 53,2 acima da expectativa dos analistas.


Na Europa não foi diferente. O PMI da Itália e Espanha também aponta para melhoras e ficou acima da barreira de 50, que indica expansão. A seguir, o resultado da Itália registrando 52,2.


O próximo gráfico apresenta o mesmo indicador da Espanha, que notadamente é o país da Europa que teve a melhor recuperação depois da grande recessão, aproximando-se das máximas dos últimos anos com uma marca de 54,5.



Passado algum tempo desde a surpreendente vitória de Trump, alguns analistas se questionam se o otimismo vivido neste último mês será compatível com a realidade. Muitos têm questionado se o plano de elevação dos gastos públicos, através de projetos de infraestrutura, causará uma alta do PIB em termos reais; o que aconteceria seria um crescimento do PIB em termos nominais oriundos de uma inflação mais alta, sem que haja um acréscimo real.

Vamos imaginar que é isso que acabe acontecendo, restaria saber como o FED agiria em termos de política monetária. Naturalmente, falta saber qual seria esse nível de inflação. Estamos falando de 2% - 3% a.a. ou algo mais salgado superior a 5 % a.a? No primeiro patamar, é razoável supor que a taxa de juros de 10 anos esteja ao redor de 5% a.a., isso se o mercado não ficar desconfiado que a inflação subirá mais no futuro. Os títulos de renda fixa com esse mesmo prazo sofreriam uma queda de 20% comparados aos níveis atuais. Já no segundo caso, acredito que os juros dos títulos de 10 anos estariam mais perto de 7% a.a. Neste caso, a queda equivalente dos títulos de renda fixa seria de expressivos 35%!

Agora, e se o FED resolver ser agressivo para evitar que no segundo cenário a inflação não se torne algo incontrolável? Nós, aqui no Brasil, conhecemos bem esse problema, com juros reais na casa dos 6% a.a. Não é fácil rentabilizar qualquer projeto. Para vocês ficarem com um número simples na cabeça, a cada elevação dos juros de 1% a.a., os títulos de 10 anos perdem aproximadamente 8 %. Não é pouca coisa para um mundo que há pouco tempo investia nesse mesmo horizonte para receber zero!

Eu resolvi publicar abaixo a evolução das dívidas dos países emergentes nos últimos 5 anos, ocasionada pelas baixas taxas de juros. Como podem notar, a China lidera com folga esse ranking.


Talvez no próximo gráfico fique mais evidente o explosivo crescimento do crédito dos países emergentes em relação ao PIB e a relevância da China nessa estatística.


No início da minha carreira profissional, vivi um período de aumento expressivo dos juros internacionais. Eu ainda era muito jovem e, naquela época, as economias não eram ainda tão integradas. Mas, não esqueço o dia que meu chefe me chamou e mostrou um contrato de financiamento a clientes do banco para que eu visse a taxa da Libor. Era de 20% a.a., e não estou dizendo que a moeda era em cruzeiro, cruzados, ou sei lá o que; mas, em dólares! “ Olhe bem para esse número, você não verá mais esse nível por muitos anos” . Ele tinha razão, nos 35 anos seguintes os juros só caíram.

Entretanto, como tudo na vida é cíclico, talvez estejamos chegando ao final desse e o novo ciclo de alta poderá durar mais 20 a 25 anos. Ninguém que trabalha nesse setor viveu algo parecido, não tendo a menor experiência nessa situação. Talvez os traders brasileiros levem alguma vantagem, pelo menos nisso!

Com o troglodita a frente da maior economia do mundo tudo é possível, pois para uma pessoa com fortes características psicopáticas, não é impossível imaginar a repetição da história do imperador Nero, um reinado associado à tirania e extravagância. É recordado por execuções, incluindo a sua mãe, além de ser um implacável perseguidor dos cristãos. Uma das explicações sobre o fogo que devastou Roma era que ele queria construir um complexo palaciano, e como o senado havia indeferido seu pedido, colocou fogo na cidade. Então, alguma semelhança?

No post dólar-pede-passagem, fiz os seguintes comentários sobre o SP500: ...” As altas destes últimos dias mostram uma formação sem muita convicção, o que em análise técnica se define como divergente dos instrumentos de momentum. Em outras palavras, pode acontecer uma realização a qualquer momento” ...


Para contrapor a visão de curto prazo, estou publicando um gráfico com maior alcance temporal. Por enquanto, nada de mais grave se pode associar a esse índice. Depois de uma forte reação após a vitória de Trump, o mercado está dando indicações que busca novas altas. Porém, tudo está bem desde que a área apontada em verde não seja penetrada.



O nível apontado é entre 2.140 – 2.100. Caso isso venha acontecer, será classificado pelos analistas técnicos como um false break; ou seja, se o mercado não teve forças de subir, vai cair. Mas, ainda existe uma boa distância dos níveis atuais, algo como 5%. Por outro lado, não existe ainda nenhuma indicação técnica muito importante que sugira uma grande ameaça. Por tudo isso, ainda prefiro não fazer nada nesse mercado e aguardar maiores evidências.


O SP500 fechou a 2.191, sem alteração; o USDBRL a R$ 3,4750, com queda de 0,34%; o EURUSD a 1,0669, sem alteração; e o ouro a US$ 1.176, com alta de 0,41%.
Fique ligado!

1 de dezembro de 2016

Fungando no cangote do BC


O banco central reduziu a taxa SELIC em 0,25% conforme a maioria dos analistas esperavam. Até aí, nenhuma novidade. Porém, o que deve ser visto com maior importância é o teor do comunicado.

Uma análise mais detalhada indica que a autoridade monetária está preocupada com o nível de atividade ... A evidência disponível sinaliza que a retomada da atividade econômica pode ser mais demorada e gradual que a antecipada previamente” .... Enfatizou também que o cenário externo se encontra especialmente incerto, em função do processo de normalização das condições monetárias; leia-se alta de juros e incertezas quanto ao rumo de sua política monetária; leia-se Trump.

Em relação à inflação, a tabela a seguir elaborada pela Rosenberg mostra os principais indicadores que são levados em consideração na decisão do banco central. Eu destaquei as expectativas do IPCA para 2017 e 2018, tanto o cenário de referência do banco central, bem como do mercado. Notem que esse último ainda é superior ao primeiro, principalmente em 2018.


O mercado está apostando totalmente que as taxas de juros irão cair. Por exemplo, o que está embutido nos mercados futuros é uma taxa para o final de 2017 em 11,30%, sendo um corte de 245 pontos em relação à taxa recém-anunciada.

Uma frase deixou o mercado mais confortável, que um corte maior já poderia vir em janeiro: ...” o Copom destaca que o ritmo de desinflação nas suas projeções pode se intensificar caso a recuperação da atividade econômica seja mais demorada e gradual que a antecipada” .... Até aí, o pessoal ficou tranquilo que agora vai. Mas, eu chamo a atenção para a continuação desse parágrafo ...” Essa intensificação do processo de desinflação, depende do ambiente externo adequado” ...

- David, porque o BC não abaixa os juros e pronto. Eles não percebem que o país está parado?
Eu frisei várias vezes que a política monetária não é feita por desejos e sim através de modelos que indicam a expectativa futura da inflação. Para quem não conhece, o banco central possui um modelo que leva em consideração algumas variáveis e, assim, projeta a inflação com um determinado nível de confiança.

Seria como um termômetro: se o resultado aponta uma inflação superior à meta, é porque não pode baixar os juros e; caso contrário, se está abaixo, deve baixar os juros. Como na tabela acima, o juro apontado pelo mercado ainda está levemente superior aos 4,5% da meta. Assim, o sistema de metas de inflação sugere que não se deve baixar os juros e não tem que achar nada!

Declarações de alguns analistas que se o banco central não agir direito, vai provocar uma depressão; mostra o quanto se está vendido nos juros. Ou se tem método e disciplina ou voltamos ao que o banco central era no passado. Agora, não adianta fungar no cangote do banco central, pois essa equipe é extremamente técnica e deverá seguir suas crenças sem se deixar influenciar por reclamações ou desejos.

Antes de iniciar o meu comentário técnico, gostaria que o novo Presidente troglodita olhasse o gráfico abaixo e me explicasse como ele pretende aumentar o emprego na indústria. Se a produção cresceu e o número de empregos vem caindo por tantas décadas, é sinal que houve uma mudança estrutural. O setor ficou mais eficiente.


A figura a seguir mostra o que 60 segundo na internet significa. Deixo as conclusões a cada um de vocês, mas destaco o volume de e-mails: 150 milhões por minuto!


No post quem-tem-medo-de-bicho-papão, fiz os seguintes comentários sobre a Bovespa: ...” Por outro lado, não consigo ainda responder que tipo de correção se desenha: pequena, média ou grande. O máximo que consigo neste momento é traçar alguns níveis de acompanhamento” ...


Eu continuo com a expectativa de que o mais provável será uma correção “média (2) ”, uma queda entre 54.000 – 51.000. Para que isso ganhe credibilidade, é necessário que o Bovespa negocie abaixo de 58.000, o que ainda não aconteceu.


- Puxa, David, mas a bolsa precisa cair bem antes de atingir os seus parâmetros.
É verdade, para o primeiro intervalo 12% de queda e para o segundo 18%. A situação política está pior agora que há 30 dias, pois cada dia que passa e a economia não reage, o governo Temer perde cacife e no exterior tanto o dólar como os juros continuam numa trajetória ascendente, o que não contribui também.


Em relação ao primeiro ponto os leitores do Mosca sabem que sempre fui cético em relação ao que esse governo iría conseguir fazer, os motivos elenquei no post Temer-ou-nao-temer: ...” mas como venho repetindo, resolver o estado caótico em que o Brasil se encontra, é quase uma missão Impossível”.... Já em relação ao exterior, minha previsão é de alta nos dois indicadores – dólar e juros.

O SP500 fechou a 2.191, com queda de 0,35%; o USDBRL a R$ 3,4867, com alta de 2,54%; o EURUSD a 1,0658, com alta de 0,69%; r o ouro a US$ 1.171, sem variação.
Fique ligado!

30 de novembro de 2016

Mudança de 360º


Eu costumo brincar que quando uma situação se altera radicalmente é porque passou por uma "mudança de 360°". Como pego a pessoa de surpresa ela fica alguns segundos pensando se a frase está correta ou eu me enganei. Talvez meu objetivo seja exatamente este, de provocar. Acredito que essa minha frase possa se aplicar as perspectivas da economia americana; e porque não dizer das economias ocidentais.

Nos últimos dias, ao invés de receios de recessão, depressão, deflação, entre outros; só se fala em crescimento, elevação de juros e inflação crescente. Será que uma economia pode virar no grito? Claramente não. Talvez esse crescimento que se vislumbra agora já estava acontecendo, entretanto, os analistas ainda guardavam lembranças do passado. Segundo Nietszche tudo tem que ter uma explicação, o motivo dado é a vitória de Trump, que ironicamente, iniciou esse processo.

Um bom sociólogo ou cientista político poderá explicar o que efetivamente ocorreu, mas para o Mosca isso não é importante, mas sim suas consequências. Também se fala que as prováveis medidas a serem implementadas pelo novo Presidente americano terão duração curta, mas isso vou deixar de lado, pois não sabemos nem se ele vai colocar em prática o que prometeu.

Ontem foi publicado a revisão do PIB americano do 3º trimestre e o resultado foi muito bom, o esperado era de 3% e o publicado foi de 3,2%. Como se pode ver a seguir, a recuperação da economia vem acontecendo desde do início do ano.



Contrapondo minha hipótese, uma pesquisa realizada com economistas aponta a recessão americana como o principal risco para o próximo ano. Não sei se foi elaborada antes dessa onda de otimismo.


Já Goldman Sachs, através de modelos proprietários, também calcula a probabilidade da economia americana entrar em recessão. Seus resultados, como se pode verificar a seguir, é de uma chance baixa no curto prazo e pequena (<30%) daqui a 2 anos.


Diz-se que as surpresas acontecem de onde você não espera e, para mim, a China ainda é o maior candidato nesse quesito. Algumas coisas estranhas têm acontecido por lá, como, por exemplo: A moeda chinesa, o Yuan, desvalorizou-se 5 % nos últimos 6 meses; a saída de capitais está crescendo através dos residentes. No 3º trimestre subiu para US$ 207 bilhões, quando comparados a US$ 99 bilhões no trimestre anterior, e mesmo com a desvalorização da moeda, suas exportações não estão crescendo. Em outubro, a queda foi de 7,3% medida em 12 meses. O gráfico a seguir dá uma boa dimensão do fluxo de saída de dólares.


O governo Chinês impôs uma série de controles para quem enviar recursos ao exterior acima de US$ 5 milhões; isso é válido para quem deseja mandar e para quem já mandou. É difícil de imaginar que uma medida como essa possa ter efeito numa economia desse tamanho e complexidade. Uma alternativa a essas medidas, caso não sejam eficientes, seria a implantação de um regime flutuante de câmbio, o que parece ser uma ferramenta a ser usada em último caso.

Será que o mundo está olhando para o lugar errado?

Nenhum dos mercados que acompanho tem novidades muito diferentes das que eu já comentei aqui. Por outro lado, algumas correções que eu aguardo no Bovespa, juros de 10 anos, ainda não se materializaram, sendo assim escolhi esse último. No post fazemos-qualquer-negócio, comentei: ...” A linha verde traçada desde o início da queda de juros na década de 80, conteve as várias idas e vindas, porém sempre com uma tendência de queda. Como podem observar essa linha foi rompida neste mês. Já a linha rosa, que contem movimentos mais curtos, o mercado está testando o ponto de tangência. Os indicadores de momentum ainda balizam alta, com um sinal de curto prazo apontando uma pausa”...


A análise num gráfico de curto prazo mostra a dificuldade, pelo menos temporária, desse ativo ultrapassar o nível de 2,40% - 2,45%. Esse nível é de real importância do ponto de vista técnico, pois, se ultrapassado, não existe grandes obstáculos até a marca de 3,0%.


Na próxima sexta-feira serão publicados os dados de emprego. Hoje como de costume, o ADP publicou um nível de contratação de 206 mil, resultado acima do que o mercado esperava (146 mil).



Não acredito que o resultado oficial possa afetar muito o mercado, a não ser que seja muito diferente do esperado – 170 mil. Desta forma, fico de espectador nos juros de 10 anos, aguardando um melhor momento para entrar com um trade acreditando que os juros irão subir.

O SP500 estava (*) a 2.201, com queda de 0,15%; o USDBRL a R$ 3,3850, com queda de 0,34%; o EURUSD a 1,0597, com queda de 0,48%; e o ouro a US$ 1.174, com queda de 1,19%.
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(*) - 18:00 hs.

29 de novembro de 2016

"Tutti buona gente"


Hoje a foto do post é uma lembrança a tragédia que ocorreu com o avião que levava a equipe de futebol do Chapecoense, para a disputar a final da Copa Sul Americana. Vou transcrever um texto que circulou hoje pelas redes sócias de Artur Crispin ... ” Costumo dizer que futebol é metáfora da vida e talvez por isso esse lance com a Chapecoense me deixa tão triste. Porque, por mais que torçamos para Flamengo, Corinthians, Vasco, Palmeiras, Santos e outros grandes times, na vida a gente é mesmo Chapecoense”... ...” A gente é Chapecoense na vida porque, por mais que algumas vezes queira e em outras se sinta impotente, está lá, sempre na peleja”...

Quando eu era criança, lembro-me de ouvir diversas vezes uma frase que se referia aos italianos, “Tutti buona gente”. Mesmo sem conhecer a língua italiana é fácil imaginar o seu significado. Acredito que isso seja decorrente de que eles eram a maior colônia estrangeira, depois dos portugueses, que vivia no Brasil. Para quem conhece a Itália sabe que é um país sui generis: as pessoas não conversam, discutem, pelo menos no meu padrão de entendimento; cheio de história por todos os cantos; líder na moda e tudo que envolva design; e dono da marca mais desejada de automóvel, a Ferrari; sem falar na sua cozinha repleta de pratos deliciosos.

Entretanto, desde que a Itália aderiu ao euro no final dos anos 90 tudo começou a mudar. Anteriromente, com uma moeda sempre desvalorizada, a lira italiana, e sem os males da globalização, conseguia financiar seu déficit público pagando taxas elevadas comparadas aos padrões internacionais. Eu me recordo de títulos de bancos que rendiam 9% a.a., enquanto um alemão rendia 3% a.a. Bons tempos! Depois de se juntar a unidade europeia, a realidade veio à tona com uma mão de obra ineficiente, um povo que se sentava para almoços de mais de 2 horas com direito a vinho, sua produtividade entrou em colapso e, pouco a pouco, foi perdendo suas vantagens comparativas.

Semana que vem, esse país passa por um teste importante. O momento é propício para mudanças, pois depois do choque vindos do Brexit e da vitória de Trump a ordem parece voltada para a continuidade de más notícias. A pesquisa mais preocupante para o Primeiro Ministro Matteo Renzi revelou que apenas 40% pretende votar no pacote de reforma, enquanto 56% consideram votar contra, sugerindo sua substituição por um grupo de ante euros iconoclastas do espectro Brexit/Trump.

Com uma taxa de desemprego de 11%; sendo que desses, 40% são jovens que constituíram a maior parte dos 107.000 que deixaram o país no ano passado para procurar emprego em outro país. As consequências do crash financeiro dão conta que aproximadamente ¼ da indústria foi destruída. A renda familiar agora é menor que em 2007.

Renzi tentou virar o jogo, uma vez que seu apoio forte para as reformas constitucionais caiu. Numa tentativa de seduzir o eleitorado cada vez mais eurocéptico, começou a falar duro, abandonando os objetivos de austeridade e ameaçando vetar o orçamento da Unidade Europeia. Os mercados tornaram-se decididamente desconfortáveis frente à perspectiva da Itália tornar-se o próximo país a obter um choque sísmico em suas pesquisas. O gráfico a seguir já mostra bem o distanciamento dos títulos do governo italiano versus o alemão.


Mas isso não se tornou um fato exclusivo à Itália, a diferença também é vista em títulos de outros países, inclusive a França, é verdade, com menor intensidade.


O movimento recente é de alta de juros, empurrado pela evolução dos títulos americanos. Porém, isso não aconteceu como os títulos da Alemanha em que a cada dia suas taxas ficam mais negativas.


Em agosto de 2011, um dos primeiros posts que publiquei quando-unica-solucao-é-o-divorcio, já externava meu ceticismo em relação moeda única. Passados mais de 5 anos, a situação ainda perdura, porém, as chances de uma ruptura parecem mais elevadas agora. Como uma camisa de força, os países mais fracos precisam de uma moeda mais desvalorizada para tornarem-se mais competitivos em termos de troca, e isso vem acontecendo ultimamente, basta ver a reação dos mercados pelo resultado do Brexit e Trump.



Quando isso acontece, é bom para todos os países da Europa, mas é ótimo para a Alemanha. O gráfico a seguir não deixa dúvidas da importância das exportações nesse país. Mas tudo isso não é uma situação de equilíbrio, pois a desvalorização da moeda única só tem efeitos fora da Europa e como a maior parte do comércio é realiza entre os seus membros, seria necessárias duas moedas pelo menos: o EUROGER e o EUROREST. A primeira, da Alemanha; a segunda, do resto!


O assunto técnico hoje não poderia ser diferente, a moeda única. No post europa-bola-da-vez, fiz os seguintes comentários: ...” É notório que a moeda única está “tentando” romper o intervalo inferior, porém sempre que se aproximou, surgiu alguma coisa que fez com que o mercado retrocedesse. Nesta nova tentativa, imagino que o mercado já esteja bem posicionado e precisa de um fato para romper a linha”...


Desde então, pouca coisa mudou e o euro se encontra agora levemente acima daquele dia a 1,0595. Como mencionei acima, o mercado precisa de algum fato para que possa romper a marca do 1,05, e esse fato poderá ser o resultado do referendum no próximo domingo. Acho pouco provável que exista alguém apostando que o resultado será positivo desta vez, porque as pesquisas já apontam para esse resultado e, principalmente, duvido que o mercado seja pego de calça curta pela terceira vez!


Apontei acima duas hipóteses para o termino da correção do euro:

1.       Verde – Antes de começar, aproveito para parabenizar os Palmeirenses pela conquista do brasileirão; foi merecido. Com o desfalque de Gabriel Jesus e do técnico Cuca para a próxima temporada, enfrentará a dificuldade de todos os times brasileiros. O Estadão publicou hoje uma estatística com a quantidade de jogadores brasileiros que jogam no exterior, são 469 no total sendo que 114 deles estão nos Top-5.
                                                                                                              
      Se a correção tiver um formato de triângulo, ainda estaria faltando um movimento de alta. Como demandaria certo tempo, só imagino isso acontecendo caso a euforia pós Trump mude repentinamente.

2.       Rosa – A correção teria terminado e já estamos no movimento impulsivo de queda que levaria o euro a 1,00 ou menos.

Depois de 20 meses num movimento de correção parece que o mais provável seja a alternativa 1. Você poderia se perguntar por qual razão o Mosca não embarca na venda e, “vamos que vamos”. Prefiro aguardar ou o rompimento ou uma recuperação para vender em níveis melhores. Talvez esteja sendo muito conservador, mas não se pode esquecer que no espaço de 3 semanas a moeda única caiu quase 7%.

O Sp500 fechou a 2.204, com alta de 0,13%; o USDBRL a R$ 3,3975, com alta de 0,39%; o EURUSD a 1,0649, com alta de 0,32%; e o ouro a US$ 1.188, com baixa de 0,42%.
Fique ligado!