Inflação: A Revanche

23 de junho de 2017

Inflação de primeiro mundo

Talvez os brasileiros não se atentaram para as variações mensais das inflações publicadas nos últimos meses. Motivos, temos de sobra; as lembranças do passado não são boas. O mantra que se encontra em todo roda pé do prospecto de fundo de investimento vale aqui também, “resultados passados não são garantia de resultados futuros”, será que agora é diferente? Tudo indica que sim.

Mas, como podemos afirmar sem correr o risco de cometer um grande erro? Alguns fatores podem ser elencados, porém o mais importante foi a troca da equipe que gerencia o banco central. Não estou desqualificando a anterior totalmente, mas eles se deixaram influenciar por pressões políticas, principalmente da ex-presidente Dilma – nossa, como é bom não ter que falar das mais de suas barbeiragens!

Hoje foi publicado o IPCA-15, que é uma proxy da inflação do mês de junho. O índice mensal ficou em 0,16% e em 12 meses recou para 3,52%. É provável que ao ser publicado o fechamento do mês, tal indicador fique negativo; é isso mesmo, deflação. Os analistas projetam para agosto uma inflação abaixo de 3% a.a., um recorde histórico!


Não podemos também nos iludir, pois uma parcela importante do resultado se deve a queda expressiva do item alimentos. Se esse fosse o único motivo, não deveríamos estar comemorando, pois assim que terminasse esse efeito, voltaria a subir. Mas, a queda é generalizada e isso se pode verificar pelo índice de difusão que se encontra em 50%.


O Presidente do banco central, Ilan Gofdfajn, declarou hoje que o BC “quebrou a espinha dorsal da inflação”. Para bom entendedor meia palavra basta. Na sua opinião, a inflação está sob controle e dentro dos parâmetros indicado pela autoridade monetária. Isso permitiu que o mercado voltasse a acreditar novamente numa queda de 100 pontos na próxima reunião do COPOM.

A grande discussão passa a ser qual será a taxa terminal, ou seja, onde o BC vai terminar o ciclo de queda de juros. O mercado acredita que o mais provável é de 8,5%, e, considerando uma expectativa de inflação de 4% para 2018, ficaríamos com um juro real de 4,5%. Ainda muito elevado, afinal, o juro real é maior que a inflação.

Mas em 2018 existe um evento de pouca previsibilidade visto de hoje, que poderia ter um impacto importante na economia, as eleições presidenciais. Dependendo dos candidatos que estejam na dianteira, o mercado poderá ficar bem nervoso. Por exemplo, imaginem se o Lula ganha, o que aconteceria com os ativos brasileiros? Outro dia encontrei um analista que tinha uma visão mais branda nesse caso, dizia “ Se ele ganhar vai ter uma atitude proativa com o mercado financeiro e com os empresários”. Respondi que um psicopata é muito inteligente e sedutor, é verdade que poderia agir assim no começo, mas sua raiva é tão grande que, com o passar do tempo, mudaria radicalmente. Bem, não estarei aqui para ver.

O Credit Suisse acredita que no segundo semestre de 2018, o banco central terá que subir os juros para enfrentar essa incerteza. Me parece razoável essa premissa, e o aperto será mais intenso quanto maior for a chance de um candidato mal visto pelo mercado.

Outro dia mostrei que a previsão do PIB apontada pelo FED de Atlanta se encontrava próximo a 3% a.a. para o trimestre em curso. No trimestre anterior, apresentei a disparidade entre as projeções do FED de Atlanta e Nova York, onde o segundo, indicava um PIB bem superior ao primeiro. Pois bem, para esse trimestre nada mudou, só que houve uma inversão; a projeção pelo FED de Nova York é de 1,8%.


Será que eles combinam, para que sempre um deles esteja correto? Hahaha ....

No post o-fed-esta-desacreditado?, fiz os seguintes comentários sobre os juros de 10 anos: ...” eu trabalho agora com 2 hipóteses marcadas no gráfico abaixo. A primeira seria que o movimento de alta já está em curso ou, na pior das hipóteses, uma correção da queda recente; a segunda, que uma nova mínima aconteceria ao redor de 2% a.a. para, em seguida, reverter e voltar a subir” ...


Tenho pena dos traders que negociam títulos do governo americano, devem estar ganhando trocados, negociando bilhões. Eu cálculo que para cada US$ 1,0 milhões negociado, estão gerando um lucro de U$ 7,82, e não é líquido e certo, correm risco. No jargão de mercado são obrigados a abrirem um spread para comprar ou vender. Assim, se por exemplo, a contraparte vende, ele terá que encontrar um outro cliente para revender esse título com lucro.

O gráfico a seguir, com período de coleta semanal, dá a impressão que os juros de 10 anos estão surfando uma onda na reta rosa abaixo.


Se essa lenga-lenga continuar, os juros devem chegar em 2% nas proximidades do final de ano. Mas não levem a sério essa ideia, como sempre repito, não consigo ter uma boa indicação de prazo. Fico ainda com as mesmas observações apontadas no post citado acima; as duas possibilidades continuam válidas.


Como de costume, em julho, a última publicação do Mosca será na próxima sexta-feira, dia 30/06, voltando a ativa no dia 24/07. Esse ano em especial acredito que não fará muita diferença, pois além das férias europeias, a volatilidade está tão baixa que é bem provável que depois desse período, os preços estejam no mesmo lugar. Ou será que o mercado quer me pregar uma peça? Neste caso, eu estarei acompanhando, e vou postar caso isso aconteça.


O SP500 fechou a 2.438, com alta de 0,16%; o USDBRL a R$ 3,3407, sem alteração; EURUSD a 1,1196, com alta de 0,41%; e o ouro a U$ 1.255, com alta de 0,45%.
Fique ligado!

22 de junho de 2017

Commodities em baixa


No campo político não faltaram surpresas desde as últimas férias de verão do Hemisfério Norte. Uma lista à primeira vista incluiria: Brexit, Trump, Macron, e o resultado da recente eleição na Inglaterra. Tudo isso sem contar os inúmeros ataques terroristas ao redor do globo. Em tempos normais essas mudanças teriam chacoalhado os mercados, mas o máximo que aconteceu foram alguns sustos. Tempos modernos!

Pela movimentação dos mercados tudo parece diferente, numa tranquilidade nunca antes vista, os preços mal e mal se mexem. Isso não significa que não sobem ou caem, porém o fazem despacito!

Os meses de férias prenuncia uma diminuição de negócios e como consequência a volatilidade. Mas esse indicador anda démodé, com baixas diárias, agora só falta ficar negativo! Hahahaha .... O Kuroda, Presidente do BOJ, entraria em êxtase.

Os hedges funds passam por um período horrível, com retornos decepcionantes, os saques continuam. Algumas notícias dão conta que mesmo os fundos geridos por modelos, estão enfrentando dificuldades em obter ganhos. A volatilidade baixa é seu maior inimigo, pois para conseguir alguma rentabilidade, que permita pagar suas altas taxas de administração e performance, sobrando alguma coisa para seus clientes, terão que se aventurar a níveis elevadíssimos de risco. Seria mais honesto devolver o dinheiro a seus clientes, como fizeram alguns deles.

Em 2015 o petróleo levou um tombo de respeito ao cair de U$ 110 o barril para U$ 25. O principal motivo apontado foi a entrada de uma nova oferta de óleo através do shale gas. Desde então ensaiou uma recuperação de preços atingindo no final de 2016 U$ 55, uma alta de 110%! Uallll .... Parece uma enormidade, mas nem recuperou metade da queda.

Com as economias em franca recuperação seria de se esperar que os preços continuassem subindo. A maioria dos analistas estimava um nível para esse ano ao redor de U$ 60 – U$ 70. Porém, nas últimas semanas os preços começaram a cair e agora estão num nível, que tecnicamente, poderão iniciar uma nova rodada de quedas, podendo atingir as mínimas recentes, entre U$ 35 a U$ 25.

O Wall Street Journal traz uma série de gráficos que apontam as consequências dessa queda, nas empresas petrolíferas.


Na parte superior apresenta o custo dos empréstimos expressos nas taxas de juros dos bonds desse setor, quando comparado com outras empresas de mesmo risco de crédito. Na parte inferior a queda nos preços dessas ações comparadas com o SP500; o volume de emissões de títulos; e a evolução dos preços do petróleo.

Esse cenário não é muito positivo para o Brasil, uma vez que, as commodities são parte da nossa pauta de exportações de derivados. É verdade, que o petróleo não é a mais importante, porém outras mercadorias também vêm sofrendo quedas. Por exemplo, o café, conforme se pode verificar a seguir, caiu significativamente desde o final de 2016.

O açúcar traçou uma trajetória semelhante ao do café, tanto em termos de movimento, como em magnitude. Também faz sentido, se tem menos gente tomando café, tem menos gente usando açúcar! Hahahaha ....


Eu não saberia calcular qual é o impacto dessas quedas em nossa balança comercial pois não conheço suas participações. Porém esse efeito deverá ser sentido mais a frente, uma vez que, o que se está exportando agora, reflete o fechamento a preços mais elevados. Outro fator que se deve levar em conta, é o volume que poderá compensar parcialmente essas quedas.

Mas que não é bom, não é! Espero que não tenha um efeito muito elevado, pois essa era uma área que estava indo muito bem – Balança comercial.

Veja a seguir se nós podemos ser considerados um país aberto ao exterior. Isso certamente tem um peso quando se pretende assinar acordos bilaterais de comercio.


Existe uma frase usada, quando se quer frisar que vários indicadores apontam para o mesmo número “Fica tudo Japonês”. Quero deixar claro que não a considero pejorativa, apenas enfatiza a característica dos japoneses de serem semelhantes entre si, por terem olhados puxados. O PIB per capta entre os EUA, Europa e Japão, tinham um crescimento bastante diferenciado no final dos anos 90. Agora ficou tudo literalmente japonês, infelizmente puxando para baixo.


No post fed-double-down, fiz os seguintes comentários sobre o euro: ...” O pontinho que anotei em verde pode fazer toda a diferença daqui em diante, isso pode caracterizar-se como um false break e ter implicações sobre minha visão da moeda única” ...


O que eu tenho para oferecer de diferente hoje? Nada! O euro praticamente não saiu do lugar, não deixando nenhuma pista se a máxima atingida recentemente foi ou não um false break.

Uma parte da alta do euro se deveu ao fluxo de recursos canalizados para as bolas europeias, haja visto que, os investidores ficaram mais otimistas com a Europa. As estatísticas recentes, apontam uma desaceleração desses recursos como se pode verificar a seguir.

Acredito que não são só os hedges funds que estão sofrendo pela falta de volatilidade, o Mosca também. Observei a planilha que contém as operações deste ano, e fiquei impressionado com a quantidade de trades cancelados, sendo a maior parte deles no ouro e no euro. Os motivos na maioria dos casos foram por mudança de planos.

Para enfrentar a realidade e encarar a situação atual de mercado, deveria propor trades mais arriscados e com um foco de curto prazo. Para poder compensar, pediria para os leitores dobrarem o tamanho das posições, ao contrário do que normalmente faço quando tenho dúvidas.

- É isso aí David, vamos para as cabeças!
Se algum leitor deseja isso que meu amigo sugeriu, vou ter que “devolver o dinheiro”, não vou fazer! Não gosto de me sentir “empurrado” para o risco, só porque não tem nada interessante no radar. Os mercados são cíclicos e em algum momento a volatilidade voltara a subir, quanto tempo vai demorar, não tenho a menor ideia.

Vivemos momentos de baixos retornos e não vou arriscar dinheiro tirando leite de pedra. É assim que eu aprendi, não vai ser agora que vou mudar por uma forma que eu não acredito.

O SP500 fechou a 2.434, sem alteração; o USDBRL a R$ 3,3352, sem alteração; o EURUSD a € 1,1150, com queda de 0,14%; e o ouro a U$ 1.249, com alta de 0,31%. Eu grifei as variações do dia de hoje só para enfatizar meus argumentos do post. Imagine qual o volume de euros deveria ser vendido para gerar algum retorno. Não esqueçam que não existe nada sem risco.
Fique ligado!

21 de junho de 2017

Tarde demais para poupar

David Rosenberg, economista-chefe da Gluskin Sheff, publicou um gráfico que pode explicar parte da letargia econômica americana. A demografia americana assinala que o primeiro baby boomers completou 70 anos.  Um grupo de 78 milhões de pessoas que presenciou tudo nas últimas seis décadas, dos mercados de capitais, para a economia e para a política.

Rosenberg compartilhou o gráfico abaixo, que mostra a participação dos baby boomers com mais de 70 anos continuando a crescer nos próximos 15 anos.


Aos 70 anos é crucial, porque é quando você realiza a mudança mais profunda do mix de ativos desde que você tinha 30 anos. Com essa idade, o foco para investir muda do ganho de capital para a preservação do capital.

No entanto, os rendimentos em títulos que oferecem um retorno seguro e estável, como os bonds americanos, estão perto de seus níveis mais baixos em vários anos. Na era pós-recessão, a chamada caçada ao rendimento levou os investidores a ativos onde os retornos e os riscos são mais elevados.

"Em um mundo em que o rendimento seguro se tornou extremamente escasso, os desafios de investimento para o envelhecimento, para os ainda não envelhecidos, vão ser assustadores, no mínimo", disse Rosenberg.

Outros analistas já soaram o alarme sobre uma crise da aposentadoria que confronta até aqueles que estão longe de seus 70 anos. Os americanos não estão economizando o suficiente; A participação de renda disponível economizada caiu em dezembro para a mínima de oito anos, ao nível de 4,5% de seu rendimento, de acordo com o Bureau of Economic Analysis.

Uma pesquisa realizada pelo Instituto de Aposentadoria descobriu que apenas 23% do baby boomers achavam que suas economias durariam após a aposentadoria.

Outro fator que complica ainda mais essa falta de perspectiva e o aumento da expectativa de vida, que vem crescendo ano a ano, tornando o futuro dessa geração mais incerto.

Por tudo isso, é provável que essa parcela importante da população americana vem cortando seus gastos a fim de enfrentar essa nova realidade. Os modelos usados para calcular o volume de recursos necessários para o período de aposentadoria, feitos há trinta anos, indicariam um montante muito inferior ao que é necessário hoje. A título de exemplo, um americano que precisa de US$ 50 mil por ano para viver, necessitaria de uma poupança de U$ 835 mil, com uma taxa de juros de 6 % a.a. – como era há trinta anos. Agora para o mesmo gasto anual são necessários US$ 2,5 milhões.

Como não dá para fazer milagres, ou ficar torcendo para Yellen subir rápido os juros, só restam duas alternativas: ou cortar em 2/3 seus gastos; ou continuar trabalhando para complementar a renda. Mesmo essa última hipótese é limitada, pois no que poderia trabalhar um ancião, e quem vai contratar? Esse será um grande problema dos próximos anos, pois agora é tarde demais para poupar!

Eu sei que vocês já devem estar cansados sobre o assunto volatilidade, mas a cada dia que passa mais um recorde de baixa é atingido em algum mercado. O gráfico seguir mostra esse indicador como se fosse um índice geral onde estão compreendidos a maior parte dos ativos líquidos. O nível de 100% corresponde a média, e hoje estamos em 61%.


Na bolsa americana, o impacto do índice acima é ainda mais significativo. Veja a seguir como a correlação entre as ações diminuíram recentemente. Isso deveria ter feito com que a volatilidade da bolsa tivesse aumentado, pois hoje as ações não se movimentam da mesma forma como antes.


Vou comentar o SP500, mas antes queria apresentar um dos indicadores fundamentalistas mais acompanhado pelo mercado o P/L – preço divido pelo lucro. A ilustração a seguir mostra que atualmente a bolsa americana está com um P/L acima de 30, que é um dos mais elevados da sua história. Isso não significa que a bolsa vai cair amanhã, porém se pode dizer que está barata!


No post quando-qualquer-coisa-e-melhor, fiz os seguintes comentário sobre o SP500: ...” ainda acredito que o nível de 2.450 será atingido. Daí em diante mais cautela ainda. Para quem tem posição poderá adotar uma das seguintes decisões: a) vender tudo e observar; b) manter e subir o stop; c) qualquer situação intermediária, vendendo parte da posição e mantendo o restante” ... ...” não sei onde e como será a reversão do SP500, o que eu projeto é uma correção de onda 4, para quem segue Elliot Waves, e é uma 4 grande! Será um processo longo e extenso, uma queda de 20% a 25%” ...

Na segunda-feira a bolsa atingiu a máxima de 2.453, e quando tudo parecia que no dia seguinte continuaria a subir, caiu! Hoje terminou sem variação.

Ultimamente o mercado ficou contido entre as duas linhas verdes traçadas no gráfico acima. Pode ser que começou uma mini queda até a parte inferior, que corresponde a aproximadamente 2.380. A linha cinza enfatiza que o mercado está “cansado”.

- David, por que não dá uma arriscadinha na venda?
Quero deixar bem claro a meu amigo que o mercado não deu nenhum sinal concreto para atuar vendido, ao contrário, está firme como uma rocha! Se tem alguma coisa que eu aprendi nesses anos todos é não colocar a minha vontade na frente das evidencias do mercado. Além do mais, sempre dá para entrar com calma em preços bons, não precisa ser no bumbum da mosca, que por sinal, só acontece por sorte!

Tudo que escrevi acima, poderá não ter valor nenhum daqui alguns dias, basta a bolsa continuar subindo que tudo que coloquei acima passa a não ter importância. Por outro lado, não preciso estar comprado quando existem alguns sinais de perigo.


Vamos verificar o que esse mercado nos reserva nos próximos dias!

O SP500 fechou a 2.435, sem alteração; o USDBRL a R$ 3,3345, com alta de 0,70%; o EURUSD a 1,1166, com alta de 0,37%; e o ouro a U$ 1.246, com alta de 0,32%.
Fique ligado!

20 de junho de 2017

A falta de um visionário


Os leitores mais antigos sabem que meu smart phone não é da Apple. Anos atrás, fiz algumas análises técnicas sobre essa companhia que acabaram não acontecendo, é verdade também que parei de acompanhar suas ações. Hoje saiu uma matéria no Wall Street Journal que acredito ser de interesse dos leitores. 

Na matéria econômica, nada está acontecendo. Além do mais, está próximo o início do período de férias no hemisfério Norte, onde existe uma desaceleração natural.

A grande “tacada” da Apple foi inventar o smart phone através do lançamento do iPhone em 2007, revolucionando a maneira como as pessoas trabalham e se socializam. Também transformou a companhia de tal forma que nem seu fundador, Steve Jobs, poderia imaginar.

Depois de 10 anos, o iPhone é um dos produtos que mais venderam na história, com um total de 1,2 bilhões de vendas, gerando uma receita de aproximadamente US$ 740 bilhões. Isso levou a Apple para estratosfera, abrindo novos mercados e gerando grandes negócios na área de serviços, o que conduziu essa empresa a se tornar a mais valiosa companhia no mundo.

Mas o sucesso do iPhone ofuscou seus outros produtos, fazendo com que a companhia dependa 2/3 de suas vendas. Isso implica que qualquer escorregão pode ser calamitoso.

O sucesso do iPhone pode ser bem refletido na China, onde uma combinação de um bom timing e uma marca forte fez da Apple uma das companhias americanas mais próspera no país mais populoso do mundo.

Em 2006, a região da Ásia – Pacífico, exceto o Japão – computava 7% das receitas da Apple. No ano passado, somente a China representava 23% das vendas, contabilizando um montante de US$ 48,5 bilhões, o que supera o total das vendas da Coca-Cola no mundo!


Com o crescimento das vendas, a companhia contratou 100.000 funcionários num período de 10 anos. Construiu uma nova sede, num formato de navio, no valor de US$ 5,0 bilhões.

O crescimento explosivo da Apple ficou nos ombros de Tim Cook, que sucedeu a Steve Jobs, falecido em 2011. Sua gestão buscou preservar a cultura única da Apple através de um enfoque mais inclusivo que seu antecessor, ouvindo mais opiniões da equipe, e sempre afirmando o mantra de Jobs “o principal objetivo é fazer grandes produtos”.


No meio tempo, a pressão se intensifica no intuito de fazer cada novo iPhone melhor que o anterior. Mas em 2016 as receitas declinaram pela primeira vez, e sua participação no mercado Chinês caiu. O Presidente da Apple disse aos analistas que a única forma de recuperar essa perda é inovar como loucos.

A Apple possui a maior percentagem de fidelidade entre os consumidores de smart phones, com um índice de 90% na troca para um produto mais recente. Contudo, não sei se isso será suficiente para manter o crescimento demandando pelos seus acionistas.

Qualquer gestor de uma companhia sabe que depender muito de um só cliente, ou um só produto, é extremante arriscado. Talvez seja essa a razão para a Apple estar estudando entrar no mercado automobilístico.

O smart phone, como qualquer produto inovador, atinge um ponto de maturidade, onde a taxa marginal de consumo desacelera dramaticamente, e parece que é onde esse mercado está adentrando. Lógico que existem outros mercados a serem conquistados e expandidos, como a própria China, Índia e África. Mas, diferente do início, o número de competidores é bem superior.

As inovações hoje em dia são muito pequenas para justificar trocas frequentes de aparelhos. Um produto bastante caro ainda incentiva a entrada de novos concorrentes, que poderão abocanhar os clientes marginais.

Além disso, o sistema Android tem se mostrado superior ao IOS e, ao contrário do que ocorria antes, a Samsung lança produtos e aplicativos que são copiados pela Apple.

Mas o que falta para a Apple manter o rumo explosivo de crescimento do passado? O seu gênio e visionário criador, Steve Jobs! Esse poderia dar novos rumos para a Apple, pois foi dessa forma que essa companhia se destacou; não brigando pelo market share de um produto existente que tende a “comoditização”.

No post o-impacto-do-retorno, fiz os seguintes comentários sobre o dólar: ...” conforme anotado no gráfico, e para quem seguiu minhas indicações, obteve oportunidades de compra na semana passada, com uma pequena retração do dólar até o nível de R$ 3,2550. Eu imagino um target para o movimento em curso ao redor de R$ 3,43 – R$ 3,47 –R$ 3,50” ...


Por enquanto, nada inspirador aconteceu; o dólar encontra-se contido num intervalo de negociação restrito, nos últimos dias, entre R$ 3,25 – R$ 3,30. Porém, com uma característica de alta - isso acontece de maneira que a cada pequena queda se dá num nível acima da anterior, assim como cada alta - higher low, higher high (pontos em verde)


Eu indiquei uma área compreendendo os níveis de R$ 3,20 – R$ 3,40, onde tudo pode acontecer. O que eu quero dizer com isso é que o dólar poderá continuar nesse ritmo de sobe mais do que cai, atingindo, por exemplo, R$ 3,37. Nesse momento, seriamos levados a imaginar que agora vai, e, de repente, cai novamente para o nível de R$ 3,20.

Resumindo, por enquanto a direção é de alta, mas é necessário que rompa com o nível de R$ 3,41. Até lá, ficaremos a mercê dos xingamentos recíprocos entre Temer e Joesley, ou alguma surpresa vinda do exterior.

O SP500 fechou a 2.437, com queda de 0,67%; o USDBRL a R$ 3,3114, com alta de 1,47%; o EURUSD a 1,1125, com queda de 0,21%; e o ouro a U$ 1.242, sem alteração.
Fique ligado!

19 de junho de 2017

Final imprevisível


Assim como eu, vocês devem estar surpresos com a quantidade de acusações que se tornam públicas a respeito da corrupção generalizada vivida no Brasil nas últimas décadas. Desde a revelação da gravação de conversa entre Joesley e Temer, o rumo dos acontecimentos ganhou uma nova dimensão.

Através de meios não convencionais, o dono da JBS vem surpreendendo dia após dia. Até o momento, quem se prestou a uma delação premida fazia suas confissões que logo se tornavam públicas. Em seguida, esses participantes, via de regra, saiam de cena e se limitavam a comunicar por meio de seus advogados que estavam colaborando com a justiça.

Mas Joesley inovou, veio a público com novas acusações periodicamente, acirrando novas dúvidas. Também vem gerando especulações disseminadas, que estaria em combinado com o Procurador Janot, com objetivo de desestabilizar o atual governo. Dentro dessa linha, também causa estranheza o fato de poupar Lula. Em todo caso, não confio em nenhuma palavra desse empresário, não que o que esteja relatando não é verídico, mas a forma como vem revelando deixam dúvidas se não omite fatos. Um bandido confesso!

O público conhece os detalhes das operações reveladas pelas construtoras, mas a “novela” JBS e as possíveis delações de Palocci e do doleiro Funaro tornam o desfecho totalmente imprevisível. Por outro lado, vários leitores se dizem perplexos com as repercussões nos mercados. Vou mostrar hoje alguns dados para dimensionar o impacto até o momento.

O mapa abaixo mostra o estágio econômico e a política monetária em diversos países. No caso brasileiro, a política monetária é de afrouxamento e o ciclo econômico de recuperação.


Dentre os países considerados emergentes, a situação brasileira ainda é a mais frágil. No gráfico a seguir, nas ordenadas (eixo x), a evolução média do PIB entre 2014 – 2016; nas abcissas (eixo y), a projeção para o período de 2017 - 2018. Notem que nossa situação é a pior de todas, enquanto a China e Índia se encontram no extremo oposto.


Um trabalho elaborado pela BMI, uma empresa do grupo Fitch, elenca os riscos políticos de curto prazo (1-2 anos) com os de longo prazo (5-10 anos). Como se pode notar, nossa caso se equipara a da Turquia, África do Sul e México.

 
Os três mercados onde se pode avaliar o impacto dos últimos acontecimentos são: juros, câmbio e a bolsa de valores. Vamos analisar nesta ordem. A taxa de juros pré-fixados implícita nos títulos brasileiros de 10 anos encontra-se levemente superior ao de antes, que estava em 10% a.a. e agora se encontra em 10,5% a.a.


Considero o impacto bastante limitado nesse mercado. O principal motivo é a queda vertiginosa da inflação. Ilan, quando assumiu o banco central há 1 ano, recebeu o país com uma inflação de 9,5% a.a., agora encontra-se abaixo de 4% a.a. Como consequência, os juros reais estão elevadíssimos e, caso essa equipe continue, é de se esperar algumas quedas da taxa Selic.


Já a situação no câmbio não é tão confortável, depois de sair de uma cotação de R$ 3,10 e atingir R$ 3,40 no dia da revelação da fita, busca atualmente um patamar, porém mais próxima daquela máxima.


Como poderão ver a seguir, a bolsa de valores tem uma configuração semelhante à do dólar.

Na minha visão, o mercado está dividido sob duas forças: por um lado, os estrangeiros estão confiantes que tudo que acontece no país é bom no longo prazo, e acreditam que a corrupção tenderá a diminuir significativamente tornando o ambiente mais propício para os negócios; por outro lado, os brasileiros estão mais preocupados com os eventos de curto prazo e buscam algum tipo de proteção, caso a situação saia de controle. O Mosca acredita que nos gráficos para definir seus prognósticos!

No post bcb-trancado-na-defesa, fiz os seguintes comentários sobre o Ibovespa: ...”agora voltamos as premissas que havia levantado alguns meses e que se encontram marcadas no gráfico abaixo com os números 1,2,3. Cada uma delas tem um grau de retração. O primeiro nível apontado é de 57.000, o segundo 53.500 e por último 49.000” .... Também tracei alguns cenários de longo prazo do qual recomendo sua leitura.


Como observado, o Ibovespa está próximo a mínima atingida em maio de 60.300. Infelizmente, não tenho uma sugestão clara sobre o futuro próximo do índice. Como apontado abaixo, teria alguns níveis dos quais suspeitará sua trajetória.


Poderia na verdade definir um intervalo como terra de ninguém – 60.000 a 65.000. Na parte superior, as chances de uma alta se elevam, porém, tenho que frisar que somente acima de 70.000 fica mais seguro. Contrariamente, abaixo de 60.000, os dois intervalos definidos no post citado acima passam a valer.

Acho que nem o Joesley, especialista em inside information, também não teria um trade claro a ser feito; a não ser que tenha uma gravação entregando uma mala com dinheiro para o Temer! Hahaha ....

- David, mas só para efeitos especulativos, com uma arma na cabeça, qual seria sua aposta?
Na venda, com um stoploss a 64.000. Mas, sem muita convicção até o momento.

O SP500 fechou a 2.453, com alta de 0,83% - recorde histórico!; o USDBRL a R$ 3,2890, com queda de 0,10%; o EURUSD a 1,1149, com queda de 0,43%; e o ouro a US$ 1.244, com queda de 0,67%.
Fique ligado!


16 de junho de 2017

O FED está desacreditado?


Depois da última reunião do FED, onde a autoridade monetária reafirmou sua intenção de normalizar a política monetária, poucos foram os movimentos no mercado neste sentido.

Em economia existe uma teoria muito conhecida com Taylor rule. Sua lógica diz que, quando o mercado de trabalho fica apertado, a inflação tende a subir. Esse modelo estima qual deveria ser os juros para evitar a alta da inflação. O gráfico a seguir assinala que os juros deveriam estar próximos de 4% a.a. ao invés de 1% a.a., uma diferença de mais de 3% a.a!

 
A professora Yellen, na secção de perguntas e respostas, disse que o FED acompanha e utiliza essa ferramenta no estabelecimento da política monetária. Disse também, que a inflação mais baixa observada recentemente é consequência de fatores idiossincráticos existentes na redução de custo das linhas dos celulares e dos remédios. O gráfico abaixo compara a inflação excluindo esses itens com a publicada.


O mercado de trabalho está realmente apertado, com uma taxa de desemprego beirando os 4% ninguém pode contestar. Mas esse aperto está vindo muito mais pela diminuição de pessoas procurando trabalho do que pelo aumento no número de vagas. O gráfico a seguir não deixa dúvidas sobre isso.


 Muito se tem dito sobre a diminuição do particpation rate. Onde estão os John? A ilustração a seguir assinala os motivos dessa redução. Sendo a principal causa a aposentadoria, não se pode esperar que essas pessoas retornem ao mercado de trabalho.


Em termos de atividade econômica, tenho observado resultados contraditórios, por exemplo, o surprise index está uma draga, e como quer mostrar a comparação abaixo, a bolsa se desconectou desse indicador mais recentemente. Se essa relação passada for mantida um dos dois terá que se ajustar.


Num mundo abarrotado de liquidez as relações econômicas podem estar sendo afetadas por essa razão. E mesmo com o FED diminuindo suas injeções, o mesmo acontecendo com o ECB, o BOJ continua injetado sem parar, mais que compensando essas reduções.


Estou bem confuso ultimamente sobre o curso dos juros nos EUA. É verdade que o FED vem errando consistentemente nestes últimos anos, mas será isso suficiente para projetar que continuará errando? É uma aposta bem arriscada, pois os juros estão tão baixos que parece pouco provável que ele pare antes de atingir 2% a 2,5% a.a. Mesmo assim, os juros reais estariam próximos de 0%.

No post theresa-mayday-ou-maydie, fiz os seguintes comentários sobre os juros de 10 anos: ...” acredito que está em desenvolvimento um triângulo, que é esperado numa correção deste tipo. Se estiver correto, vou fazer uma aposta de compra de juros – apostando que irão baixar – ao nível aproximado de 2,37%, conforme tracei em cinza acima. Também tenho consciência que em correções se pode esperar de tudo” ...


Pois bem, nem o anuncio do FED fez com que houvesse algum movimento neste sentido. Depois da publicação do post citado acima, os juros chegaram à mínima de 2,10% a.a., e agora a 2,15% a.a. Ora, basta observar a tabela do FED publicada no último post e verificar que já em 2019 os juros de curto prazo estariam em 3% a.a. Como poderia o título de 10 anos render tão pouco?

Bem, esse é um problema para os fundamentalistas, com a visão da análise técnica, não se pode afirmar que o movimento de queda terminou.


A ideia do triângulo imaginada acima, fica cancelada. Eu trabalho agora com 2 hipóteses marcadas no gráfico acima. A primeira seria que o movimento de alta já está em curso, ou na pior das hipóteses uma correção da queda recente; a segunda, que uma nova mínima aconteceria ao redor de 2% a.a., para em seguida reverter e voltar a subir.


Como podem notar, eu trabalho com um cenário terminal de queda dos juros só não existindo ainda nenhum sinal de reversão. Sendo assim, ficamos de observador.


O SP500 fechou a 2.433, sem variação; o USDBRL a R$ 3,2925, com alta de 0,37%; o EURUSD a 1,1197, com queda de 0,17%; e o ouro a US$ 1.253, com queda de 0,48%.
Fique ligado!

14 de junho de 2017

FED: double down


Hoje foi publicado dois dados econômicos que não estavam de acordo com as perspectivas do FED. A inflação medida pelo CPI foi anunciada em 1,9% a.a., apontando uma queda em relação ao mês anterior de 2,2% a.a.

Não bastasse só isso, as vendas ao varejo apontaram para uma queda de 0,3% em maio, só superada pela de janeiro de 2016.


De uma maneira geral os últimos dados apontam na mesma direção de queda. A pouco tempo o problema maior era o soft data, porém o hard data agora acompanha a queda do primeiro, como o gráfico mostra a seguir.

 
Pela manhã, o mercado imaginou que o FED poderia dar um tom mais ameno em suas projeções futuras. Naturalmente, ninguém esperava que não fosse subir os juros. Para exemplificar essa afirmação, o gráfico a seguir mostrava as chances de mais uma alta de juros até o final do ano de 50%.


Mas não foi o que aconteceu, e como no jogo de Black Jack, o FED resolveu fazer a jogada que se denomina double down – Essa é uma possibilidade de dobrar sua aposta original, se o jogador tem na soma das cartas 10 ou 11. Não mexeu uma palha nas projeções dos juros, mantendo mais uma alta para esse ano e três para o próximo.


A reação imediata do mercado foi desconsiderar o FED mantendo as altas da manhã. Mas conforme o tempo passou, uma lembrança do passado deve ter vindo a suas mentes - don´t fight the FED, revertendo os ganhos e passando a operar em baixa.

A Professora Yellen aproveitou a oportunidade para dizer que o gato está no telhado! A limpeza do balanço da autoridade monetária deverá começar em 2018, mas despacito! Para enfatizar esse ponto, quase saiu cantando e dançando o mais recente sucesso da dupla porto-riquenha. Hahahaha ....

Nos próximos dias saberemos se o movimento de hoje conhecido como knee-jerk – uma reação rápida que não permite tempo para considerar mais detalhadamente – foi só um susto ou não. Uma coisa é certa, alguém estará muito errado no futuro. Os juros implícitos nos mercados futuros e as projeções do FED estão muito distantes uma da outra. Façam suas apostas!

No post ecb-relax, fiz os seguintes comentários sobre o euro: ...” A primeira vista, parece que o euro ficará contido na formação de um triângulo, nesse caso, a cotação de € 1,11 passa a ser a primeira sugestão. Mas vocês já estão escolados e sabem que em correções tudo é possível, assim um outro nível que poderia ser atingido nessa retração seria € 1,10, onde colocamos a segunda ordem de compra” ...


Acontece que o euro não deu a mínima bola para o Mosca, e como podem verificar a seguir, o máximo da sua retração atingiu ao nível de € 1,1165. Hoje pela manhã praticamente tocou em € 1,13, e a tarde devolveu todo o ganho.


O pontinho que anotei em verde pode fazer toda a diferença daqui em diante, isso pode caracterizar-se como um false break e ter implicações sobre minha visão da moeda única. Como ainda é muito cedo para qualquer conclusão, o que vou fazer agora é cancelar os trades propostos acima.

Se tem alguma coisa que aprendi depois de perder em diversas ocasiões é que, na dúvida, é melhor ficar como espectador. Te deixa livre para reanalisar sem nenhum viés.

Amanhã, feriado de Corpus Christi, não haverá publicação do Mosca. Na sexta-feira vou publicar um post resumido junto com a tabela de resultados.

O SP500 fechou a 2.437, com queda de 0,10%; o EURUSD a € 1,1216, sem variação; o USDBRL a R$ 3,2802, com queda de 1,03%; e o ouro a US$ 1.259, com queda de 0,53%.

Fique ligado!