2018: Vestibular Político

10 de dezembro de 2017

2018: o ano do Vestibular político


Existe uma grande indefinição sobre quem será eleito presidente do Brasil em 2018. Esse foi o recado que deduzi depois de participar do Brazil Opportunities Conference, organizada pelo JP Morgan, na semana passada.

2018 será a primeira eleição onde o efeito da mídia digital terá sua influencia integral. Os especialistas revelaram estatísticas impressionantes das quais destaco: Nas últimas eleições 1/3 dos eleitores escolheram seu candidato no dia da eleição; hoje em dia é possível criar 2.500 mensagens diferentes que são enviadas aos eleitores de forma eletrônica, contendo a mensagem que cada grupo deseja encontrar em seu candidato; as pesquisas de opinião hoje em dia são de pouca valia, em função da volatilidade dos eleitores na sua escolha. Se um candidato está subindo e outro caindo, mesmo que o primeiro esteja à frente nas pesquisas, e possível que o outro ganhe.

A menos de um ano de conhecermos o novo presidente, os candidatos que já se alistaram deixam dúvidas se o Brasil dará um passo para o futuro. Depois de três anos assistindo quase diariamente relatos de empresários e políticos sobre a corrupção que reina no país, isso já deveria ser suficiente para eliminar um sem numero desses pretendentes, mas infelizmente não é isso que está acontecendo.

Dentre os candidatos o mais berrante é o caso do Lula. Como pode ter 30% de preferência? Será que esses eleitores não tem o mínimo de julgamento? Mesmo para quem é petista e está optando pelo Lula, não deveria ter vergonha! Um psicopata que manipula as informações de tal forma, que passa ser difícil entender como alguém pode acreditar em uma só palavra sua. Espero que esses números se mostrem errados mais a frente, e/ou que ele seja condenado pelos seus crimes na segunda instância. Se ele ganhar, já sabe, o Mosca vai publicar de outro pais, não aguentaria vê-lo na TV, dizendo que não tem magoa dos que o atacaram e que vai fazer um governo para todos os brasileiros. Mentira! A sua raiva fará com que persiga esse grupo.

Em seguida surge Bolsonaro, um ex-capitão do exercito que promete colocar ordem no galinheiro. Seu passado é cheio de atitudes autoritárias, essa característica o faz ser rejeitado por parte da população. Mas 57% dos eleitores brasileiros querem mudança, e para esses Bolsonaro é o que sobrou. Na conferencia do JP, os especialistas em big data dizem que ele é um caso impressionante. Com  40 milhões de visualizações diárias, um crescimento expressivos de novos seguidores, o colocam quase certamente no segundo turno. Se não surgir um outsider é bem provável que será eleito.

Agora no meu entender,  é uma piada o candidato do PSDB. Realmente acho que a cúpula quer enterrar de vez o partido. Geraldo Alkmin terá uma votação menor que 10%, um fiasco! Não se esqueçam das informações acima, se Lula e Bolsonaro estiverem liderando a corrida presidencial uma boa parte dos eleitores de Alkmin migrarão para esse último.

Além de presidente, as próximas eleições serão bastante completas, com a escolha de governadores, deputados e senadores. Boa parte do Congresso e Senado será trocada. Um presidente sozinho tem poderes limitados de gestão, pois grandes mudanças necessitam de aprovação das duas casas.

Ao final do próximo ano saberemos se passamos no vestibular político, ou o Brasil continuará com uma classe política semelhante a atual, onde os interesses pessoais ultrapassam o interesse nacional. Não sou ingênuo em acreditar que será uma mudança radical, mas espero que o pendulo mude de direção, pois caso contrário, teremos mais um período de estagnação a mercê de um crescimento extremo para não naufragar.

Para ser aprovado numa boa Universidade é necessário competência, e nesse caso honestidade. Assim, será que o novo presidente será aprovado na USP, Anhanguera ou voltará ao cursinho ao ser reprovado em todas as faculdades?

Fique ligado


8 de dezembro de 2017

Quando a lógica não prevalece


Durante as últimas décadas criou-se uma ideia no mercado que, quando o diferencial de juros entre dois países é elevado, a moeda daquele com maior juro tende a se valorizar em relação ao outro. Naturalmente esse raciocínio é mais efetivo em países desenvolvidos, o G-10. Com o passar do tempo, moedas de países emergentes também ganharam esse status, só não sendo valido quando a sua balança de pagamentos apresentava déficits crescentes.

Desde o ano passado, o FED começou sua política de ajuste dos juros enquanto o ECB permanece com taxas negativas. O diferencial entre eles vem subindo conforme se pode verificar a seguir.


Seria de se esperar que o dólar se valorizasse em relação ao euro. No post publicado essa semana o-fiasco-do-dólar, mostrei que aconteceu exatamente ao contrário, o dólar caiu 9% esse ano em relação ao euro. Esse fato tem deixado parte dos analistas perplexos, onde está lógica prevaleceu por tantos anos.

O Mosca não se preocupa com esses motivos, se baseia nos gráficos. Outro dia, fui indagado por um leitor se eu não levava em consideração os fundamentos. Claro que levo, boa parte do meu dia passo pesquisando e lendo relatórios diversos. A diferença é que não monto, nem sugiro, nenhuma operação só porque os fundamentos aconselham. Quando esse é o caso – evidência nos fundamentos, faço uma análise dos gráficos e se esses apontam na mesma direção, ótimo, caso contrário, não faço nada.

Em relação ao euro, acredito que existem diversos motivos para essa anomalia, primeiro que só os garçons do Boulevard Saint German não estavam vendidos no euro, afinal esse era o lógico a fazer.

Mas durante o ano de 2017, a Europa começou a melhorar muito mais que o esperado, vejam a seguir o crescimento surpreendendo a cada novo dado.



Depois de uma longa história atuante em mercados cambias, aprendi que o que vale nesse mercado é o fluxo. Com a intervenção dos bancos centrais ao redor do planeta, e considerando que seus critérios de alocação são muito distintos ao dos investidores, presencie diversas vezes situações similares a descrita acima.

No caso específico, mesmo com juros negativos, vem ocorrendo uma migração de investimentos da bolsa americana para a europeia, função dos preços mais convidativos desse último em termos de valor.

Também não quero advogar contra esse argumento pois ele é importante também. Assim, se o FED continuar subindo os juros como prometido em suas minutas e o ECB continuar sua teimosia mantendo os juros negativos, isso poderá ter efeito na taxa cambial. Mas não é o que indica os gráficos, por enquanto o euro é para cima. Será que o ECB vai jogar a toalha? Não sei, só sei os que os gráficos me dizem!

Os dados de desemprego saíram um pouco melhores que o esperado com a criação de 228 mil vagas. A taxa de desemprego manteve-se em 4,1%. O que surpreendentemente continua baixo são os salários, que cresceram meros 0,2%, acarretando numa taxa anual de 2,5%.

Já aqui no Brasil, foi publicado o IPCA de novembro que ficou em 0,28%. Na comparação anual subiu levemente para 2,8%. Os alimentos ainda permanecem como um dos principais elementos de pressão para baixo, engatando na sua sétima deflação consecutiva. Daqui a pouco a comida vai ficar literalmente de graça! Hahaha ....

Faltando apenas um mês para o termino do ano, é bem provável que a inflação anual feche em 2,8%, segundo a Rosenberg. O nosso Presidente do banco central, Ilan Goldfajn pode começar a preparar seu Power Point para explicar ao Senado porque a inflação ficou abaixo do limite inferior da banda. Como medida prática, aumenta a chance da taxa SELIC estender a queda para 6,5% a.a., que mesmo assim, representa um juro real ex post elevado de 3,8%a.a.


Agora sabemos quem anda puxando as cotações do bitcoin, veja a foto ao lado. King Jong-um deve estar aplicando suas esparsas reservas para provocar Trump. É provável que o FED esteja preocupado com a evolução meteórica das cotações. Conhecendo a personalidade do presidente americano, aliado ao fato que na próxima semana se inicia a negociação no mercado futuro, não me surpreenderá ver o presidente americano sorrindo numa outra foto com as cotações caindo, resultado da venda a descoberto dessa cryptocurrency! Hahaha ...


No post 2018-esta-chegando, fiz os seguintes comentários do juro de 10 anos: ...” como apontei, a resolução final está próxima, acredito que até o Natal no máximo, o mercado nos dirá se os juros estão mirando para 2,65% a.a. ou mais, ou se as forças que comandam a queda, conforme descrevi no post riscos-frente, empurram os juros na busca de novas mínimas. É verdade que nessa última hipótese, muita agua vai rolar antes que isso aconteça” ...

Não preciso nem repetir o gráfico postado anteriormente. Como podem notar a seguir, os juros se mantem contidos dentro de um pequeno triangulo.


Acredito que meu timing está bom, até o Natal essa batalha será resolvida. Rompimentos de triangulo são fortes, é como se o mercado ficasse contido por um tempo num intervalo, pela divisão de opiniões. Quando um dos lados vence, o outro sai correndo zerando suas posições. Como é de se esperar, triângulos tendem a romper no sentido do movimento anterior que nesse caso é para cima.



O SP500 fechou a 2.651, com alta de 0,55%; o USDBRL a R$ 3,2918, sem variação; o EURUSD a 1,1764, sem variação; o ouro a U$ 1.247, com alta de 0,11%.

Fique ligado!

7 de dezembro de 2017

BCB: Fechado para balanço


Ontem o banco central brasileiro baixou a taxa SELIC em 0,50% situando-se agora a 7% a.a. Esse movimento era largamente esperado não causando nenhum impacto maior. O que o mercado buscava nas minutas publicadas após a reunião, era saber se ainda existem mais quedas a frente. O que se pode inferir com certeza das minutas é que se houverem novas quedas serão menores que 0,50%, o que sugere pelo menos mais um corte em fevereiro de 0,25%.


O gráfico acima não deixa dúvida sobre o que representa uma política econômica desastrosa contra uma outra coerente. É impressionante a inclinação da alta dos juros que ocorreu entre o final de 2012 até 2015. Naturalmente, a queda observada no período que antecedeu a esse período foi artificial, a Dilma mandou baixar os juros por que ela queria.

Mas agora se encontram sob comando de profissionais competentes e um governo que mantem atitudes corretas do ponto de vista econômico. O que acontecerá depois de 2018 pouco gente sabe, esse será o tema do Mosca para 2018.

Um fator que permite uma certa tranquilidade ao banco central e a elevada capacidade ociosa mediada pelo output gap – esse resultado indica que a economia poderá crescer sem gerar pressão inflacionária.


A ilustração a seguir é bastante sugestiva, indica o grau de endividamento das pessoas em diversos países. Nos quadros superiores encontra-se na sua maioria países desenvolvidos, enquanto na parte inferior países em desenvolvimento ou emergentes como são normalmente chamados. Esses últimos com níveis de endividamento muito inferiores aos primeiros. Essa diferença é causada por vários motivos onde se pode elencar o baixo grau de penetração do sistema bancário, baixa renda e no caso brasileiro elevada taxa de juros.


Eu vislumbro um cenário, pelo menos até as eleições, com uma inflação controlada e baixa entre 3% - 4% a.a. Acredito que estou sendo conservador. Esse baixo nível de endividamento agregado a uma melhora nos níveis de desemprego deverá impulsionar nossa economia sensivelmente daqui em diante. Um novo boom de crédito poderá estar por acontecer em breve. Esse efeito terá impacto sobre as eleições, mas esse é um assunto para próxima semana.

Ontem foi publicado o dado de emprego pelo ADP, e numa das únicas vezes que me recordo onde o previsto foi igual ao realizado. Isso não indica nada, mas é estranho, pois sempre existe divergência. Foram criadas 195 mil vagas onde uma boa parte – 40 mil - foram no setor de manufatura, setor que vem perdendo vagas há vários anos. Amanhã será publicado o resultado oficial cuja projeção média é da criação de 190 mil vagas.


Depois de um bom tempo sem analisar ouro, parece que surgiu uma oportunidade. No post deficit-hdl, fiz os seguintes comentários: ...” comentei sobre uma configuração denominada de megafone, que aparece também no metal – veja a seguir em preto” ... ...” o ouro está no meio do megafone, ficando aberta qualquer direção. Tenho uma leve preferência no sentido de queda, mas nada suficiente para sugerir um trade” ...


...” até calculei que poderia ter um trade de venda com um fechamento abaixo de U$ 1.265, onde o stoploss ficaria em U$ 1.310, um risco de 3,5% para um ganho potencial de 4,5%, não é mal. Mas acredito que o movimento não será numa linha reta e numa dessas voltadas o stoploss pode ser acionado. Mas não achou mal, desde que, rompa o nível de U$ 1.265” ... pois bem, na terça-feira esse nível foi rompido depois de passar quase 30 dias num movimento errático.


Vou propor um trade de venda ao nível atual de U$ 1.255 com stoploss a U$ 1.275. Como apontei na figura acima tenho dois objetivos o primeiro a U$ 1.200 e o segundo a U$ 1.120.

Os compromissos da semana passada acabaram afetando minha programação, onde dei mais atenção aos mercados em que possuímos posições. Mas também não foi uma perda tão grande nesse caso, talvez tivesse sugerido o trade de venda a U$ 1.265, vou ficar devendo esses U$ 10 aos leitores! Hahaha ....

O SP500 fechou a 2.636, com alta de 0,29%; o USDBRL a R$ 3,2901, com alta de 1,68%; o EURUSD a € 1,1771, com queda de 0,19%; e o ouro a U$ 1.246, com queda de 1,34%.


Fique ligado!

6 de dezembro de 2017

O Fiasco do dólar


Já preparando o terreno para o próximo ano, hoje vou comentar sobre o fiasco que os analistas cometeram ao projetar o futuro do dólar para 2017. Era consenso generalizado que o dólar só poderia subir depois da eleição do presidente Trump. Tudo indicava nesse sentido. Com o Mosca não foi diferente, no post euro-uma-ideia-de-jerico, projetava que a moeda única caísse pelo menos até a paridade. Naquele momento as cotações se encontravam a € 1,0450.

Sim, o Mosca também errou, mas com uma diferença muitíssimo importante, frisei que a moeda única estava próxima a mudar de rumo e começar a subir: ...” não sei se perceberam, mais eu projeto que o euro vai reverter em algum momento, ou seja, voltara a subir. A moeda única se encontra em seu último estágio de queda, frisando que essa é uma afirmação com uma visão de longo prazo. Aviso aos navegantes, vamos comprar euro em algum momento, e ele vai subir bastante” ...

O euro acabou não tocando o nível esperado, porém chegou bastante próximo, sendo que a mínima atingiu € 1,0339 no dia 06/01, no início do ano. Assim, quem não se adaptou rapidamente deve ter perdido um bom dinheiro.

O dólar caiu mais de 9% no acumulado do ano, e contra uma ampla cesta de moedas caiu mais de 10%. Como Garfield Reynolds da Bloomberg adverte, o pior ano do dólar desde 2003 está prestes a ficar "ainda mais sombrio em 2018” .... Será? Esse pessoal erra muito!


Os dados do CFTC – bolsa de mercadorias, mostravam que os investidores começaram a diminuir suas posições em dólares, no início do ano. Porém, somente em junho, resolveram apostar contra a moeda americana.  .


A alta do dólar no final de 2016 foi construída em torno do crescimento acelerado dos EUA e crença de que o FED lideraria o mundo desenvolvido no aperto da política monetária. O crescimento dos EUA ainda é forte, e o FED está subindo os juros, mas o resto do mundo está se recuperando e há dúvida se os EUA podem lidar se houver altas significativas do dólar.

O achatamento da curva de juros - com rendimentos de referência de 10 anos totalmente vinculados - é outro voto de falta de confiança da moeda americana. Espera-se ver novas fugas para o EUR e JPY, já que os respectivos bancos centrais são forçados a reduzir o estímulo, graças ao crescimento crescente da Europa, e à exaustão das políticas no Japão. O gráfico a seguir mostra uma elevada correlação entre a diferença de juros dos títulos de 10 anos contra o de 2 anos e o dólar index – DXY.


Desta vez, há doze meses, os mercados estavam se preparando para o "Ano do dólar". Isso acabou mal, mas o ano seguinte poderá ser ainda mais sombrio agora que seus fãs o abandonaram, na opinião da Bloomberg. Para o Mosca aguardem a próxima semana.

No ´post china-menos-ótimo, fiz os seguintes comentários sobre o SP500: ...” Os outros dois pontos marcados no gráfico em azul são níveis potencialmente importantes para um eventual topo. Ainda continuo com um viés positivo, pois caso contrário liquidaria toda a posição, mas considero que o mercado está ficando perigoso...”


Como podem verificar a seguir, o primeiro ponto a 2.600 o mercado passou sem problemas, agora o segundo a 2.650 parece merecer um certo cuidado.


Nesses últimos dias as cotações tiveram um comportamento no mínimo diferente do que vinha acontecendo. Na última sexta-feira ocorreu uma oscilação “grande” para os padrões de hoje, na segunda atingiu novo recorde durante o dia para em seguida terminar em baixa. Isso parece pouco, mas para quem espera uma reversão a qualquer momento todo cuidado é pouco.

Por outro lado, não estou dando uma recomendação de venda como gostaria alguns dos meus leitores, cansados de observar a bolsa subir contra sua crença. Vivem me perguntando “ não está na hora de comprar uma opção de venda? ”. Eu venho rechaçando essa ideia desde quando o índice estava por volta dos dois mil e poucos pontos. Querem acertar no bumbum da mosca!

Honestamente não tenho esta pretensão nem acredito que teria alguma utilidade financeira importante, é mais para poder dizer que acertou exatamente na virada. Enfatizo que satisfazer o ego normalmente dá mais prejuízo que lucro!

Voltando a análise do SP500, não tenho nada diferente a acrescentar a exceção de atualizar o stoploss para 2.590, da pequena posição remanescente. Se formos estopados tudo bem, realizaremos um lucro. Se a bolsa continuar a subir temos uns trocados em jogo, onde o próximo nível de observação seria ao redor de 2.700. Mas nem pensar em ficar vendido, não por enquanto. Para esses leitores quem estão “raivosos” com a bolsa, peço um pouco mais de paciência.

- David, o que significa a bola com números dentro que você aponta no gráfico acima? Um sorteio da Loto? Hahahaha ....
Esse meu amigo ultimamente está me esculachando, conquistou muita liberdade! Eu quis enfatizar que o nível de 2.650 pode ser um mega ponto de reversão. Quando eu marcar muitos “5” em cores diferentes, significa que minha contagem, usando Elliot Wave, pode estar chegando a um nível importante. Quanto mais “5s”, mais importante e perigoso. Se estivesse querendo acertar o bumbum da mosca esse seria um candidato, como não quero, é só uma referência relevante.

O SP500 fechou a 2.629, sem alteração; o USDBRL a R$ 3,2356, com queda de 0,18%; o EURUSD a € 1,1795, com queda de 0,25%; e o ouro a U$ 1.263, com queda de 0,24%.


Fique ligado!

5 de dezembro de 2017

Desemprego como em tempo de guerra


Tudo hoje em dia parece mais acelerado que no passado. Não basta a conturbação das cryptocurrencies, que estão polarizando opiniões, outra aera em que a tecnologia está prestes a causar um enorme estrago é na substituição de empregos por robôs. Isso é a conclusão da aera de pesquisa da Mckinsey, através de um novo relatório que abrange 46 nações e mais de 800 ocupações.

Cerca de 800 milhões de trabalhadores em todo o mundo podem perder seus empregos para robôs e automação até 2030, equivalentes a mais de um quinto da força de trabalho global de hoje.

A empresa de consultoria relatou que, tanto os países desenvolvidos como os emergentes, serão impactados. Os operadores de máquinas, funcionários de fast-food, e cargos administrativos estão entre aqueles que serão mais afetados se a automação se espalhar rapidamente pelo local de trabalho.


Mesmo que o aumento no uso de robôs seja mais lento, cerca de 400 milhões de trabalhadores ainda poderiam se encontrar deslocados pela automação e precisariam encontrar novos empregos, nos próximos 13 anos, revelou esse estudo.

A boa notícia para os deslocados é que haverá empregos para a transição, embora em muitos casos eles tenham que aprender novas habilidades para fazer o trabalho. Esses empregos incluirão prestadores de cuidados de saúde para o envelhecimento das populações, especialistas em tecnologia e até jardineiros, de acordo com o relatório.

"Todos nós teremos que mudar e aprender a fazer coisas novas ao longo do tempo", disse Michael Chui, um parceiro do instituto em San Francisco, em uma entrevista.

Me recordo bem, numa das reuniões na Rosenberg, um assunto sobre substituição de trabalho veio à tona. Notei que os economistas apresentam este tipo de solução de forma pragmática, como se fosse fácil mudar de profissão. Talvez essa forma de pensar é consequência do que aprenderam nos livros texto de economia. Eu já não encaro da mesma forma, é muito complicado essa transição e passível de conturbação social indesejável.

Uma das aeras que terá uma demanda crescente, será a de cuidados aos idosos, e como estarei inserido nesse grupo, vou preferir que um humano tome conta de mim ao invés de um robô.

Por outro lado, vejam a seguir, como a população ficará mais velha nos próximos anos.


Ontem escrevi sobre o bitcoin, e recebi alguns elogios pelo trabalho. Obrigado! Veja a chamada da Bloomberg. Acho que os seguidores desse canal não entenderam bem minhas observações. Vou repetir: É uma Bolha!!!!!!


Os últimos dados de manufatura mostram recuperação dos países desenvolvidos por toda parte. O gráfico a seguir mostra que na Europa a performance é melhor que nos EUA, embora ambos sejam positivos.

 
Mas os EUA não têm o que reclamar, o PIB estimado pelo FED de Atlanta, para o trimestre em curso, está projetando 3,5% de crescimento. Se isso acabar acontecendo, o ano de 2017 terminará muito melhor que qualquer previsão.


No post ilan-godlfajn-esqueceram-de-mim, originalmente fiz a seguinte proposta de trade: ...” vou sugerir um trade de compra a € 1,1750, com um stoploss a € 1,1650. O meu objetivo é algo em torno de € 1,1880 a € 1,20, pelo menos. O gráfico a seguir exibe qual é minha ideia” ...


Porém fui um pouco “guloso” e não realizei o resultado. Mas tinha bons motivos para tanto, como frisei e apontei no mesmo post: ...” Se acontecer esse rompimento, os níveis apontados anteriormente estarão validos, sendo o primeiro, bastante próximo dos níveis atuais. Como medida de precaução vamos subir o stoploss para € 1,17 e caso o nível de € 1,19 seja rompido, podemos mover o stoploss para € 1,175” ...


Esse rompimento aconteceu, e o euro chegou a negociar na máxima a € 1,1960. Desde então a moeda única recuou e se encontra a € 1,1820. Nitidamente o euro entrou numa mini correção.

No gráfico a seguir marquei dois pontos onde poderia acontecer a reversão, para depois subir. O mais provável é que isso aconteça na região entre € 1,175 - € 1,180 (1), mas não posso descartar € 1,1710 (2). Assim vou alterar o stoploss para € 1,170.


A confiança que a moeda única já estaria no movimento de novas altas, acima de € 1.2080, não é muito elevada. Outras possibilidades continuam abertas que vislumbram quedas a níveis de € 1,15 ou até € 1,13. Porém todas essas hipóteses estão em aberto.

Estas como outras situações, ilustram as armadilhas das correções. Operar nesses momentos, sujeita-se a erros que devem ser limitados pelo stoploss. Outro problema que ocorre são as grandes distâncias (percentual) entre os extremos, o que não admite uma postura estanque. Minha forma de atuar é:  efetuar um trader e observar como o mercado responde. Se for da forma pensada, siga em frente, caso contrário reavalie se ainda deseja continuar ou cair fora, mesmo que isso signifique entrar mais à frente com preços piores. Busco ganhos de “reais gordos” e não de “centavos magros”!

O SP500 fechou a 2.629, com baixa de 0,37%; o USDBRL a R$ 3,2414, sem variação; o EURUSD a € 1,1824, com baixa de 0,31%; e o ouro a U$ 1.266, com queda de 0,79%.


Fique ligado! 

4 de dezembro de 2017

bitcoin: A pirâmide digital


Na semana passada o Mosca não fez publicações na maior parte desse período. Como havia comentado, fui convidado para uma Conferência patrocinada pelo JP Morgan. Pretendo fazer algumas observações durante a semana. Posso adiantar que em relação ao Brasil, ninguém sabe bem o que vai acontecer nas eleições do próximo ano.

Hoje o comentário será sobre o bitcoin, assunto diário da maior parte dos noticiários, que ganhando muitos adeptos. Na última sexta feira fiz uma apresentação sobre esse assunto, do qual anexo os slides bitcoin. Esse exercício me permitiu compreender com mais confiança a sistemática de transferência dos tokens bem como sedimentar uma opinião.

Quando eu era adolescente, certa vez recebi a carta de um amigo com uma ideia que parecia excelente. Nessa carta pedia para que lhe mandasse CZ$ 10, e em seguida, enviasse uma cópia desta carta para mais 5 amigos, com o mesmo conteúdo.

A carta era envolvente, elaborava as contas considerando que seus amigos passariam essa corrente à frente, calculando um ganho expressivo. Parecia tudo muito simples e factível. Só mais tarde soube que tinha entrado numa pirâmide, e acabei recebendo de volta apenas uns trocados.

Pois bem, eu acredito que o bitcoin é a primeira pirâmide digital, muito mais sofisticada e eficiente, bastava ver a rapidez de sua aceitação.

Vou fazer um resumo dos motivos que me levaram a tal conclusão.

Antes de iniciar vale um esclarecimento. Já perceberam que bitocin as vezes tem o b com letra maiúscula e outras com letra minúscula. Com letra maiúscula refere se ao sistema blockchain que processa essas transações, enquanto a de letra minúscula ao token que vou comentar.   

1.       bitcoin não é moeda nem aqui nem na China! Como um instrumento deseja ser considerado como moeda e ter essa volatilidade? Oscilações diárias de 20% - 30% não são incomuns. Um artigo no WSJ dá conta disso com um título sugestivo “bitcoin is the world hottest currency, but no one´s using it”.

 
2.     Tem um custo e tempo de processamento elevado – O custo é da ordem de U$ 3,4 dólares por operação, assim a rede só funciona atualmente porque é subsidiada pelo recebimento de 12,5 bitcoins para quem quebra o enigma do código criptografado em cada operação. Quanto ao tempo de transferência é de 10 a 20 minutos quando não demora mais de 1 hora.

Outro dia a empresa Price Water House, uma das principais companhias de consultoria, anunciou que estaria aceitando bitcoins como pagamento. Incialmente fiquei intrigado, porque uma empresa desse ramo estaria aceitando essa ficha de Cassino? Mas ao ler o artigo, soube que boa parte de seus clientes são empresas deste setor. Entendo sua jogada de marketing, mas tenho certeza que imediatamente ao credito em sua conta, transforma os bitcoins em dólares, euros ou qualquer outra moeda “usável”.


Mas quais são os motivos para o sucesso do bitcoin? Eu classificaria em quatro: Escassez – seus criadores dizem que a emissão do bitcoin será limitado a 21 milhões. Eu contesto esse argumento pois foram feitos cinco “Split” ou “Forks” como é denominado, criando outras moedas. Depois existem 1.213 ICO – Intial Coin Offering disponíveis. Até o Presidente Podre, nova denominação para Nicolas Maduro, está emitindo uma cryptocurrency lastreada em petróleo. Esse cara é muito ingênuo, pois a ideia não é de toda ruim, a de uma moeda não lastreada vento, mas a da Venezuela, quem vai comprar?; Independência – isso quer dizer que as transferências são feitas direto de uma pessoa a outra sem que haja intermediários. Esse argumento é importante para os Mileniums, geração que não quer falar por telefone, nem depender de terceiros; Segurança – Ao que tudo indica, e até hoje, não houve nenhum caso de fraude dentro do blockchain, todos os casos aconteceram por razões externas; oito casas decimais – Qualquer pessoa pode comprar U$ 1,00 em bitocin, pois é negociada com 8 casas decimais. Esse para mim é um grande elemento de marketing, pois dezenas de milhares de pessoas tem acesso e auxiliam na divulgação “celular a celular! ” Hahaha ...

Na minha apresentação, o último slide faço a seguinte pergunta: E se eu estiver errado?   Conforme a ilustração a seguir, as cotações continuaram subindo. Se imaginarmos que a moeda corrente no mundo será o bitcoin, isso ocasionaria a maior crise da história mundial, gerando uma deflação estupenda. Em outras palavras, a hiperinflação que ocorre na moeda venezuelana será fichinha, pois o dólar, euro, yen, libra e etc ..., passariam por uma desvalorização nunca antes vista.

Se você acredita que isso é possível, compre bitcoins. Eu acredito que em algum momento as cotações devem cair muito, pois. As pessoas perceberão que o bitcoin são apenas alguns bits creditados na conta seus idealizadores, sem nenhum lastro.
Gráfico

No post euro-o-acelerador-da-alemanha, comentei que o dólar poderia traçar dois caminhos distintos antes de atingir novas mínimas, o gráfico a seguir aponta essas alternativas.

 
Na semana passada, acreditava que havia uma chance do cenário B se materializar desde que, o nível de R$ 3,20 fosse rompido. Porém não foi o que acabou acontecendo, ao se aproximar dessa marca, o dólar acabou subindo encontrando-se agora em nível próximo a semana anterior a R$ 3,245.


Notem no gráfico acima, de mais longo prazo, que desde a metade de 2016 o dólar está contido dentro do triângulo desenhado em verde. Como vocês sabem, essa formação tem mais chance de romper na direção do movimento maior, que nesse caso é para baixo. Essa figura normalmente consome tempo pois indica indefinição do mercado para onde quer continuar. É possível que ainda demandará tempo e deverá avançar no próximo trimestre de 2018. Em algum momento será rompido e o movimento tende a ser forte.

Na próxima semana ficarei restrito a análise técnica dos mercados que acompanho, pois como de costume, permanecerei fora por algumas semanas. Fiquem de olho nessas publicações pois vou fazer um retrospecto do que imaginava para 2017 e quais são minhas projeções para 2018.

O SP500 fechou a 2.639, com queda de 0,11%; o USDBRL a R$ 3,2439, com queda de 9,43%; o EURUSD a € 1,1861, com queda de 0,23%; e o ouro a U$ 1.276, com queda de 0,28%.
Fique ligado!


27 de novembro de 2017

Euro: O acelerador da Alemanha


O projeto da moeda única levou em consideração uma situação totalmente irreal. A fim de obter equilíbrio macroeconômico, é condição necessária que a produtividade entre os países seja muito similar, caso contrário, um câmbio fixo atuará como uma força deflacionaria naqueles países menos capazes de se igualar.

Acontece que, num grupo onde existe uma país como a Alemanha, isso não é possível, como comentei diversas vezes aqui no Mosca. Os Alemães têm uma capacidade de trabalho, conhecimento e desenvolvimento muito superior aos seus vizinhos.

Nos anos de crise, principalmente ao redor de 2011, já se discutia abertamente a saída da Grécia, além de algum país do chamado Club Med – Itália, Espanha e Portugal. O presidente do ECB resolveu agir e embarcou na política adotada por seu par, o FED, inundando a Europa com liquidez. Isso já não bastasse, enveredou pelo caminho desconhecido de usar juros negativos para incentivar as economias. Desde esta data, a Europa lutava para não entrar em deflação. Como consequência, o euro sofreu uma queda de 25% em apenas 6 meses, no segundo semestre de 2014.

Nesse quesito o ECB teve um sucesso parcial, pois essa medida desesperada acarretou que, mesmo os títulos de países como a Itália cuja a situação é mais delicada que seus pares, fosse negociado com juros extremamente baixos e até negativos em alguns prazos de vencimento. Nem se comentar a Alemanha onde praticamente todo o espectro dos juros encontra se em território negativo.

Mas o mundo evolui e as condições de crescimento ficaram mais positivas impulsionando mesmo os países mais debilitados da Europa. Dados mais recentes continuam apontando neste sentido, a seguir os resultados recentes publicados pelo Markit relativos a França.

 
Se a situação melhorou sensivelmente para esses países o que dizer da Alemanha que quase não sofreu durante a crise e ao contrário foi extremante beneficiada coma queda dos juros e principalmente do euro. Os dados mais recentes apontam nessa direção como se pode verificar a seguir.



Em termos de mão de obra a pressão também já pode ser sentida. O comentário do Markit apresentado a seguir assinala nesta direção. Não se pode esquecer que enquanto alguns países ainda têm elevadas taxa de desemprego, na Alemanha, o mesmo indicador, indica pleno emprego.



Eu suspeito que longe da Alemanha, e se aproximando da visão europeia de Macron, o interesse próprio vai perceber que a Alemanha diverge ainda mais da Europa, uma vez que, a necessidade política dita uma linha dura alemã sobre novas exigências de austeridade e reforma sobre o resto da Europa.

Desde o início da estratégia adotada pelo ECB, o Bundesbank sempre foi contra, mas foi contido pela debilidade da situação europeia. Agora é diferente, seguramente haverá uma pressão desse banco central para que a farra de juros negativos seja revertida rapidamente. A lembrança da hiperinflação vivida nos anos 20, ainda faz parte da memória do povo alemão, que não admitiria passar por algo semelhante novamente. Isso os torna muito mais cautelosos que seus vizinhos.

A queda do euro, que teve efeitos positivos para países como a Espanha, Portugal e França, no caso da Alemanha agiu como um acelerador. O natural seria uma normalização da política monetária no velho Continente, mas o receio é que isso poderia abortar a melhora nos países mais fracos.

A verdade é que a adoção de câmbio fixo é ruim para todos “One size fits all! ”. Sou um grande crítico dessa política para o câmbio.

No post back-to-school, fiz os seguintes comentários sobre o dólar: ...” apontei duas possibilidades onde no caso (A), que tem minha preferência, espero mais uma alta. Caso eu esteja correto, o dólar poderia atingir o nível de R$ 3,43/3,45 ... ...” já o caso (B) indica que a queda estaria em curso rumo a níveis inferiores a R$ 3,03, atingido em fevereiro de 2017” .... ...” caso a alterativa (A) vingue parece que um triangulo estaria se formando, e nesses casos a maior probabilidade (67%) é que rompa para cima. No caso (B) uma primeira violação do nível de R$ 3,23 já daria uma boa indicação que o dólar deve cair, porém essa confirmação só acontece no nível de R$ 3,20” ...


Passado uma semana não foi definido qual o caminho o dólar seguirá, em todo caso, a alternativa destacada acima como triângulo foi descartada, elevando a chance para o caso (B), mas que só fica definitivo abaixo de R$ 3,20.


Não é por menos que o dólar esteja estacionado pelo terceiro dia nesse nível, afinal é um vai ou racha no curto prazo, do ponto de vista técnico. A não ser que o movimento se mostre mais complexo, acredito que nesta semana teremos a definição. Até lá, só observamos.

Está semana fui convidado para diversos eventos. A partir de amanhã até quinta feira, participo do “Brazil Opportunites Conferece” organizado pelo JP Morgan, na sexta-feira farei parte do painel organizado pelo escritório de advocacia Freitas e Leite sobre o “Futuro do Blockchain e Moedas criptografadas”. Assim, não sei se vou postar todos os dias, talvez de forma sucinta.

Os leitores serão recompensados, pois além de trazer novas perspectivas sobre o Brasil, elaborei um estudo mais detalhado sobre as cryptocurrencies e cheguei à algumas conclusões com bastante confiança. Se você quiser saber o que o Mosca acha do bitcoin, não perca o post da próxima semana. Não posso adiantar nada seria um “Inside Information”! Hahaha ....


O SP500 fechou a 2.602, sem variação; o USDBRL a R$ 3,2272, com queda de 0,18%; o EURUSD a € 1,1896, com queda de 0,28%; e o ouro a U$ 1.294, com alta de 0,94%.

Fique ligado