Inflação: A Revanche

27 de março de 2017

Carne para o povo


Na última sexta-feira foram publicadas as contas cambias brasileiras. Como vem ocorrendo nos últimos meses a posição se encontra firme num nível bastante confortável. No mês, o déficit foi de US$ 935 milhões, quando comprado em 12 meses o mesmo atingiu US$ 22,8 bilhões (1,24% do PIB).

O maior destaque continua sendo a entrada de investimentos diretos cuja cifra atingiu US$ 5,3 bilhões, acumulado US$ 84,4 bilhões, o que demonstra o elevado interesse dos estrangeiros no Brasil.


O desempenho das três grandes contas foram:

Balança comercial: Um superávit recorde de US$ 4,4 bilhões, fruto de um aumento nas importações e exportações, mais intenso nesta última. A expectativa de uma safra agrícola recorde em 2017, aliada a uma recuperação esperada nos preços da commodities, vislumbram um saldo da ordem de US$ 60 bilhões para o corrente ano, segundo as projeções da Rosenberg.

O gráfico a seguir mostra a espetacular recuperação das contas comerciais brasileiras quando comparados a seus pares da América Latina


A reação recente dos países importadores de carne brasileira, suspendendo seus embarques até que exista uma explicação melhor da operação carne fraca, causou uma certa inquietação às empresas que participam desse segmento, e que possuem em sua grande maioria alguma acusação. Neste final de semana, a China anunciou a retirada de seu embargo já a partir de hoje. Uma razão muito importante na rapidez desse país, é resultado da grande dependência dos nossos produtos como se pode verificar a seguir.


Caso a China não tivesse agido prontamente, faltariam esses produtos em seu país. Seria praticamente impossível encontrar um outro fornecedor no curto prazo. Parece que a grande trapalhada da Polícia Federal, que deve ter confundido corrupção com má prática de produção, deve se normalizar em breve.

Conta de serviços: registrou despesas líquidas de US$ 2,4 bilhões no mês e US$ 32 bilhões em 12 meses. Um acréscimo marginal nas despesas de viagens internacionais para US$ 800 milhões e um pequeno decréscimo na conta de alugueis, colocam essa rubrica num patamar estacionado ao redor de US$ 32 bilhões.

Contas de rendas: As despesas líquidas atingiram US$ 3,1 bilhões (US$ 42 bilhões em 12 meses). Com remessas de lucros de US$ 2,5 bilhões, ainda permanecem em patamar baixo, em função da forte retração vivida no último ano.

O investimento em carteira apresenta um resultado dispare em relação ao que se poderia esperar. Com taxas de juros estratosféricas, observou-se uma saída de US$ 1,8 bilhão em títulos de renda fixa, que foi contraposto por uma entrada de US$ 800 milhões em ações e uma leve saída nos fundos de US$ 150 milhões, acarretando um saldo líquido de US$ 1,1 bilhão. Para mim é um mistério!


As reservas internacionais encontram-se estatísticas ao redor de US$ 375 bilhões, sendo o principal motivo da razoável estabilidade vivida nos momentos críticos em 2016. Agora, com diminutas posições em swaps cambias, é mais um fator de tranquilidade para o mercado. Outro destaque é o total da dívida externa brasileira, cujo estoque vem diminuindo, e se encontra a US$ 315 bilhões. Ou seja, o Brasil é liquidamente um credor internacional.

No post influência-do-passado, fiz os seguintes comentários sobre o euro: ...” o euro busca romper a barreira de 1,0830, um nível que se ultrapassado deverá ativar várias ordens de stoploss, além de engajar novas ordens de compra da moeda única. Meu target inicial é ao redor de 1,095 – 1,10” ... E hoje isso acabou acontecendo de uma forma mais decisiva.

No gráfico a seguir, encontra-se uma visão de mais curto prazo, onde se encaixa o target traçado acima.


Ao se observar o gráfico de mais longo prazo outras hipóteses podem surgir, das quase destaco as duas mais importantes:

1)      Correção mais “enjoada” – Neste caso, depois de ultrapassar o nível de 1,10, o euro poderia se aventurar entre 1,11 a 1,15. Porém depois de atingir algum nível dentro desse intervalo, a moeda única efetuaria meia volta e rumaria para a paridade ou abaixo dela.


2)      Rumo ao Norte – Nas projeções de final de ano, e especificamente no post euro-uma-ideia-de-jerico, fiz as seguintes observações: ...” eu projeto que o euro vai reverter em algum momento, ou seja, voltara a subir. A moeda única se encontra em seu último estágio de queda, frisando que essa é uma afirmação com uma visão de longo prazo. Aviso aos navegantes, vamos comprar euro em algum momento, e ele vai subir bastante”...


Na verdade, não acredito que esse momento já chegou, a possibilidade mais provável e essa correção até 1,095 – 1,10.

- David, é por que coloca essas outras elucubrações?
Para que não se perca a ideia de longo prazo, principalmente em casos onde o movimento que predomina começa a se exaurir. Mas não precisa se preocupar pelo momento, mesmo que o cenário 2 seja o que está vigorando, ainda vai demorar muito tempo. Por enquanto ficamos com o nosso básico.

O SP500 fechou a 2.341, com queda de 0,10%; o USDBRL a R$ 3,1261, com queda de 0,60%; o EURUSD a 1,0861, com alta de 0,58%; e o ouro a US$ 1.253, com alta de 0,80%.
Fique ligado!

24 de março de 2017

"Je ne sais pas!"


Eu convivi com franceses ao meu redor por boa parte da minha vida profissional. Fiz diversas viagens a Paris em função do meu trabalho. Isso ocorreu durante os anos 80 e naquela época os parisienses em especial tratavam com desprezo os turistas. Eu falava muito mal francês e buscava minha comunicação através do inglês. Diversas vezes, ao indagar alguma questão na rua, fui hostilizado, “vous ne parlez pas français????”, em seguida, viravam as costas e iam embora. Mesmo que essas pessoas soubessem falar o inglês, recusavam-se a fazê-lo. Os tempos mudaram, assim como essa atitude mais hostil.

Numa determinada vez, me dirige a uma agencia de turismo para comprar uma passagem de trem. Ao chegar no guichê disse que queria um ticket para o período da tarde, ela imediatamente disse o valor e em seguida paguei o bilhete. Quando estava saindo, percebi que não havia nenhum horário marcado, voltei e perguntei que horas saia o trem. Ela me respondeu de forma grosseira, “não está vendo a lista? ”, apontando para o balcão. Em seguida, pedi para marcar num certo horário que me convinha e em seguida veio a resposta. “Agora, só na estação de trem”. Comecei a discutir, mas de nada adiantou; lá fui eu pegar o metro, e o pior, essa atendente estava no mesmo vagão que o meu, tive que ficar olhando para ela por algum tempo!

A eleição para Presidente na França acontecerá daqui um mês. As pesquisas de voto dão uma margem folgada para o candidato Macron. Marie Le Pen que já tem uma abreviação, MLP, não parece ter muita chance segundo essas estatísticas. Como demonstra a ilustração a seguir, o primeiro candidato já tem superioridade até no primeiro turno.


Na bolsa de apostas, o quadro se confirma: MLP possui uma probabilidade bastante baixa de 20%. Mas todos têm a lembrança dos dois últimos eventos, Brexit e Trump, onde as estatísticas erraram feio.


Ontem recebi um estudo minucioso elaborado pelo Goldman Sachs, analisando diversos aspectos dessa eleição. Não pretendo detalhar aqui, mas a conclusão é que se MLP ganhar as eleições, esse banco acredita numa queda dos mercados depois dos primeiros dias. Um provável controle de capitais e fechamento dos mercados, em função de uma regra denominada de controle de capital 2 e o receio sobre a sobrevivência do euro. Nessa situação, com eleições no primeiro trimestre de 2018, a Itália seria o próximo candidato natural a seguir o mesmo caminho.

Será que podemos confiar agora nas pesquisas, ou os franceses, como na situação que comentei, vão deixar para marcar seu voto na última hora? “Je ne sais pas! ”

Por outro lado, como venho comentando, hoje foi publicado o PMI da Europa. Com a marca de 56.8, muito próximo da melhor estatística desses últimos 6 anos. O emprego apontou uma marca acima de julho de 2007, tanto na indústria como nos serviços. A aceleração do crescimento, bem como a melhora em novos negócios, e aumento das contratações, sugere que um forte crescimento se pode esperar para o 2º trimestre.

 
Em função destes dados mais benignos, o mercado já começa a apostar num aumento dos juros pelo ECB ainda este ano. Abaixo a evolução dessa possibilidade. Só espero que o “Mini Mário” não invente, subindo de -0,25% a.a. para -0,15%!



No post moscacoin, fiz os seguintes comentários sobre o dólar: ...” parece que existe uma região magnética ao redor da cotação de R$ 3,11; quando o dólar tende a subir, uma força empurra-o para baixo, e quando tende a cair, uma força tende a fazer subir. Até a hora que uma força maior vai levar o dólar para fora dessa zona magnética. Parece que essa força é para baixo, ou seja, uma queda do dólar” ...

 
...“Os objetivos que tracei anteriormente para o dólar, caso a situação acima se materialize, passa a ser R$ 2,80/2,85. Poderia tentar novamente um trade na venda de dólar a R$ 3,10, mas o stoploss teria que ser fixado a R$ 3,18, o que resultaria um resultado salgado caso acontecesse. Fica a seu critério, mas eu vou esperar mais um pouco” .... Hoje pela manhã, resolvi ativar esse trade fazendo a venda a R$ 3,13; fica estabelecido um stoploss a R$ 3,20.

O motivo principal é a formação apresentada abaixo de uma sequência de 5 ondas completas (verde), o que indica que um movimento de baixa pode estar iniciando, além de uma formatação indicada em vermelho, que tem o formato de uma correção.



Quem acompanha Eliott Wave sabe que, quando uma sequência de 5 ondas é formada, a probabilidade de um movimento continuar nesse sentido é elevada. Essa é a principal razão dessa minha investida. Naturalmente, um acompanhamento em parâmetros de mais médio prazo também deve atender essa ideia, o que é o caso.


O SP500 fechou a 2,343, sem alteração; o USDBRL a R$ 3,1073, com queda de 0,94%; o EURUSD a 1,0797, com alta de 0,11%; e o ouro a US$ 1.243, com queda de 0,32%.
Fique ligado!

23 de março de 2017

Missão quase impossível


Equilibrar a economia chinesa é uma tarefa muito complexa. Esse governo há mais de 20 anos decidiu que necessitava criar empregos para evitar uma revolução interna. Com uma população gigantesca, ou se enquadrava nos padrões mínimos do capitalismo, ou estaria fadada a ser uma economia obsoleta. Iniciou uma política de atrair indústrias estrangeiras através do baixo custo de mão de obra, e exportar a grande parte de sua produção. Com as divisas geradas acumulou um volume crescente de reservas e investiu pesadamente em infraestrutura.

Passados algumas décadas seu objetivo foi plenamente cumprido, torando-se a 2º maior economia do planeta. Mas em contrapartida criou uma série de desequilíbrios que deveriam ser corrigidos no tempo. Seus governantes sabem muito bem que não podem depender do crescimento infinito de suas exportações, principalmente quando o mundo se encontra numa situação tão frágil. Além disso, sabe bem que essa atitude eleva os riscos de políticas protecionistas, como a que Trump vem ameaçando recentemente. Para continuar em sua escalada de crescimento é necessário elevar o consumo interno, o que vem buscando fazer com pouco sucesso.

Muito sem tem comentado sobre a veracidade de seus dados publicados, com vários estudos apontando enormes distorções em relação aos dados oficias. O Gráfico abaixo aponta uma certa convergência recente. O PIB publicado estaria mais próximo do índice de atividade calculado por uma agência privada. Parece que a razão é mais por uma melhoria da economia que acabou coincidindo com o PIB publicado.


Uma outra forma de confirmar essa melhora se pode verificar nos últimos dados de exportações de Taiwan, cujo destino maior de seus produtos é a China. Um crescimento de 22% em termos anuais relembra os melhores dias.


Mas para conseguir esse crescimento espetacular suas empresas se endividaram de maneira perigosa. Crescendo em velocidade supersônica através de empréstimos é de se esperar que diversas indústrias caminham para bancarrota, bem como investimentos tornam-se sem valor como o caso de cidades inteiras abandonadas. Hoje existe excesso de capacidade nas indústrias pesadas e preços elevados em propriedades e outros ativos que elevam o risco de uma “quebra desorganizada” segundo a pesquisa publicada pela OECD.


A China tem sua moeda muito ligada a cotação do dólar americano, foi assim que promoveu seu desenvolvimento. No início houve uma desvalorização de 50% de sua moeda para colocar em prática seu plano. Passados vários anos, e mais especificamente a partir de 2005, deu início a uma valorização lenta que acumulou 35% até 2014. A partir daí, com o dólar se valorizando em relação as outras moedas, o yuan passou a se desvalorizar e hoje se encontra praticamente no meio do caminho – da valorização citada no período acima, a 6,90.


Por outro lado, o banco central Chinês está promovendo um aperto monetário. Isso se faz necessário para evitar uma desvalorização da sua moeda de forma desordenada, como alguns momentos vividos nos últimos anos. Desta forma a autoridade monetária tem adotado uma política de aperto desde o último outono do hemisfério norte, mas claramente, a elevação das taxas interbancárias recentes sugere que esse tom mais restritivo foi elevado.

Por esses e vários outros motivos o prêmio de liquidez, medido como a taxa acima dos níveis interbancários, para um segmento muito comum e denominado de Shadow Bank – mercado de crédito fora do sistema bancário, explodiu como se pode verificar a seguir.



 Uma economia do tamanho da chinesa já seria muito difícil estabelecer políticas econômicas num ambiente livre de competição. Com forte intervenção governamental fica muito mais difícil tomar medidas para dirigir a economia no caminho desejado. Agora parece ser um momento desses. As autoridades buscam liberalizar a economia, é bem verdade, no ritmo Chinês. Enquanto isso o mundo é obrigado a confiar que não será feito nenhuma barbeiragem que possa comprometer a saúde do sistema global.

No post atlanta-x-nova-york, fiz os seguintes comentários sobre os juros de 10 anos: ... “O que acontecer dentro desse retângulo poderá esclarecer, se a alta de juros interrompeu por enquanto ou os objetivos acima ainda permanecem válidos. Quero ressaltar que minha visão de longo prazo não se altera pela dúvida levantada” ...



O movimento estendeu mais que o desejado se situando próximo de nosso stoploss a 2,40%. Várias hipóteses se abrem agora, inclusive a levantada no post acima de uma falha na última onda. Por enquanto é cedo para algo mais conclusivo e vamos ficar sem posição adicional até que se esclareça melhor, qual o cenário mais provável.
O gráfico acima espelha o movimento que considero mais provável até o momento. No primeiro caso (1) uma retração até o nível ao redor de 2,22% a.a. para em seguida iniciar uma nova tendência de alta, ou uma queda um pouco maior até 2,10 (2) para em seguida subir. Vale notar que, enquanto não formos stopados ainda vale os objetivos anteriores, embora achou pouco provável que isso aconteça.


Não vou deixar nenhum trade no momento pré-agendado, pois cálculo que os juros deverão permanecer nessa correção por algum tempo, e além do mais, não tenho elementos suficientes para colocar esse trade. Comentei diversas vezes que não se deve ter posições na maioria do tempo, algo como 70%, pois somente em 30% os movimentos sugerem operações com um bom risco retorno. 

O SP500 estava a 2.344 (*), com queda de 0,16%; o USDBRL a R$ 3,1367, com alta de 1,61%; o EURUSD a 1,0785, sem variação; e o ouro a US$ 1.247, com queda de 0,12%.
(*) as 16:45 hs.
Fique ligado!

22 de março de 2017

Trump está caindo na real

Fazia mais de 64 dias que a bolsa americana não experimentava uma queda de mais de 1%. Como se pode verificar no gráfico abaixo, um recorde. Acho incrível este tipo de estatística, para que serve e porque o nível de 1% foi o escolhido? A única informação útil é que isso mostra o baixíssimo nível de volatilidade das ações.


Mas ontem esse recorde foi quebrado, o índice SP500 caiu 1,2%. Como sempre tem que ter um culpado, no caso de ontem foi o Congresso americano. Existe um entendimento que para o plano de redução dos impostos os políticos querem a revogação (ou troca) do plano de saúde denominado de Obamacare, que deverá ser votado nesta quinta-feira. Parece que o mercado se conscientizou que o Trumpcare pode não passar no Senado e na Câmera.

Esse primeiro percalço deve estar mostrando a Trump que governar um país não é a mesma coisa que ser o CEO de uma empresa, no primeiro é necessária habilidade política de negociação para conseguir seus objetivos.

O mercado financeiro é muito criativo e adora criar índices, assim consegue medir qualquer coisa de forma evolutiva. Muito bem, o mais inventivo que tive acesso é o Trump Trade, uma salada de fruta de todos os mercados que deveriam ter algum impacto em função das medidas que anunciou quando assumiu a Presidência. Abaixo o índice criado que agora se encontra abaixo do nível quando do anúncio de sua vitória.


A inflação no Brasil continua surpreendendo positivamente, hoje foi publicado o IPCA -15, que mede a inflação nos primeiros quinze dias de março, o índice ficou em 0,15%. A taxa anual ficou em 4,7% a.a. Deve-se destacar que o grupo livre, onde se encontram os preços que não tem nenhuma influência que não a do mercado, desacelerou para 4,6% o menor nível desde 2010.   Outro fator importante é o índice de difusão que continua sua trajetória de queda em 53%, indicando pouca indexação dos preços.


A inflação continua em rota de desaceleração bastante positiva neste início de ano. Duas são as razões, primeiro uma sazonalidade atípica dos preços dos alimentos e a continua desaceleração da atividade e do mercado de trabalho afetando os demais preços livres. No gráfico a seguir que contem a projeção da Rosenberg para o IPCA em 2017, se pode notar que ao redor de agosto, a inflação acumulada em 12 meses irá beirar a casa dos 3% a.a., quase encostando na banda inferior da meta. Imagino que naquele momento a pressão pela queda de juros será enorme. Já existem analistas que esperam 4 x 100, isso significando que o BC irá baixar os juros na próximas 4 reuniões 100 pontos em cada uma, levando a taxa SELIC a 8,25% a.a. Será? Não apostaria nisso!


No post de ontem decidi liquidar a posição de ouro. No post fed-estilo-x-ou-y, fiz os seguintes comentários: ...” Abaixo de US$ 1.180 é um nível importante se o ouro tem intenções de cair mais” ... ...” estou trabalhando com a queda e no momento é importante que os preços confirmem minha expectativa” ... Além dos preços não terem confirmado, essa última alta abre a possibilidade de novas altas a frente.


Vou me aventurar na compra, porém aguardarei uma retração para entrar. Minha sugestão é comprar ouro a US$ 1.230, com um stop a US$ 1.195. Esse primeiro movimento de alta, permite a entrada em níveis que caso se provem errados, imprimiram um pequeno prejuízo. Quero deixar registrado que esses níveis poderão ser alterados, pois o movimento pode não estar completo. Acompanhem no Mosca qualquer alteração.

- David, você não fica nem vermelho ao mudar radicalmente de posição?

Não, mas mesmo que ficasse é melhor ficar com o rosto vermelho que ficar vermelho no bolso! Hahaha ...

O SP500 fechou a 2.348, com alta de 0,19%; o USDBRL a R$ 3,0870, com alta de 0,10%; o EURUSD a 1,0795, com baixa de 0,16%; e o ouro a US$ 1.248, com alta de 0,24%.
Fique ligado!

21 de março de 2017

Influência do passado


O ser humano consegue se adaptar ao meio ambiente desde que não sejam em condições extremas. O mundo vive há quase uma década com muitos dilemas, tanto sociais quanto políticos, sendo seguramente o baixo crescimento o fator predominante. Mas, como tudo na vida, as coisas mudam e é isso o que comenta a última reportagem da revista Economist. Seu título já diz tudo: A economia mundial vislumbra uma ascensão sincronizada.

Segundo essa reportagem, desde um pequeno soluço em 2010, os motores da América, Europa, Ásia e os mercados emergentes, estão funcionando em conjunto. Entretanto, uma rebelião política, nutrida por baixos crescimentos econômicos está se espalhando. Globalização está fora da moda.

Essa dissonância é perigosa. Se os políticos populistas ganham crédito, tal qual Trump, suas políticas ganharão credibilidade, com efeitos potenciais desatadores.

Transcrevo a seguir alguns trechos do referido artigo.

...”A última década foi marcada por falsas alvoradas, nas quais o otimismo no início de um ano foi anulado - seja pela crise do euro, oscilações nos mercados emergentes, o colapso do preço do petróleo ou o receio de um colapso na China. A economia americana continuou crescendo, mas sempre contra o vento” ...

...”Agora as coisas são diferentes. Esta semana, o Fed elevou as taxas pela segunda vez em três meses - graças em parte ao vigor da economia americana, mas também por causa do crescimento em outros lugares. Os receios sobre o excesso de capacidade chinesa e de uma desvalorização do yuan recuaram” ...

...” Mais importante ainda, a ascensão não tem nada a ver com o nacionalismo econômico do primeiro-ministro "Trump"....

Essas opiniões vêm de encontro com meu ponto de vista que tenho compartilhado aqui. Naturalmente, um artigo da Economist projeta uma dimensão maior nesse assunto. Mas meu objetivo secundário é analisar a reação das pessoas a esse possível cenário. Talvez a situação no Brasil seja particular, pois além da recessão brutal que passamos, as revelações de corrupção generalizada criam uma descrença contra qualquer melhora. E é sobre isso que desejo ressaltar.

Em conversa com economistas de renome, suas opiniões são que nunca em sua história profissional o Brasil esteve numa situação tão favorável como a atual. As conquistas que Temer obteve na passagem da PEC podem dar um outro rumo as contas públicas. Naturalmente, a reforma da Previdência tem que passar sem grandes mudanças, porém eles acreditam que Temer possui uma boa ascensão e controle sobre o Congresso.

Já no campo econômico, a nova equipe está implementando as medidas necessárias a restaurar a normalidade nos negócios. Os dados mais recentes projetam uma melhora em alguns setores e um estancamento na queda vertiginosa dos últimos dois anos, em outros. No emprego, no mês passado, pela primeira vez em muito tempo, houve a criação líquida de postos de trabalho. A inflação caminha para o centro na meta de 4,5% e já se vislumbra em algum momento deste ano, que a mesma atinja níveis abaixo de 4%, devendo se estabilizar próxima deste patamar.

Porque então os empresários continuam tão céticos? Em finanças comportamentais existe um efeito denominado de Efeito de Recência que ocorre da nossa tendência a dar um grande peso aos últimos eventos, ao invés de pesar o que outros dados apontam, mesmo que, esses dados serem tão ou mais importantes. Tal descrença foi originada por esse largo período onde notícias locais estavam concentradas em coisas ruins, e é isso que tem pesado para tamanha descrença.

Se o Economist estiver certo, e estamos entrando num momento de crescimento sincronizado na maioria dos países, os receios de deflação devem ser substituídos por uma vigilância maior na inflação. Não se pode perder de vista as políticas expansionistas de quase todos os bancos centrais, onde alguns deles como o BCE e BOJ ainda praticam taxas de juros negativas. É bom que esses últimos acordem logo, para evitar o problema oposto de superinflação.  Acredito que o tema do Mosca para 2017 é extremamente oportuno: “Inflação: A Revanche! ”

Um gráfico interessante mostra como o emprego vem se recuperando ao redor do mundo, sem que haja uma correspondência nos aumentos de salários. Vários podem ser os motivos, onde certamente os avanços tecnológicos tem um peso importante.


No post deu-y-de-novo, fiz os seguintes comentários sobre o euro: ...” minha sugestão de trade a seguir deva ser entendida como uma indicação de longo prazo. Na verdade, é apenas um trade especulativo, de curto prazo.  A orientação é comprar a 1,0710 e usar como stoploss 1,0520. Meu objetivo será algo em torno de 1,095, mas vou definir mais adiante”...


Hoje o euro busca romper a barreira de 1,0830, um nível que se ultrapassado deverá ativar várias ordens de stoploss, além de engajar novas ordens de compra da moeda única. Meu target inicial é ao redor de 1,095 – 1,10. Provavelmente vamos realizar no mínimo parte da posição, se chegar lá, é claro.

O que venho notando é que parte dos analistas está concluindo que o ECB terá que mudar sua política monetária, pois a Europa não está mais a beira do precipício e, ao contrário, pode começar a crescer de forma mais saudável. Só o seu Presidente, Mario Draghi, não vê desta forma, talvez influenciado por suas raízes italianas!


Com esse cenário, não faz sentido continuar com a posição vendida de ouro. Estou liquidando aos níveis atuais de US$ 1.240; realizando um pequeno prejuízo. Parece que estamos entrando num mini ciclo de dólar em baixa.

O SP500 fechou a 2.344, com queda de 1,24%; o USDBRL a US$ 3,0840, com alta de 0,39%; o EURUSD a 1,0812, com alta de 0,70%; e o ouro a US$ 1.245, com alta de 0,97%.
Fique ligado!

20 de março de 2017

Moscacoin


Depois da operação carne fraca deflagrada pela Polícia Federal na última sexta-feira, a mídia detonou as empresas mais conhecidas, principalmente a Friboi. Também, não teria como ser diferente: com relatos sobre alimentos estragados, conluio com fiscais para liberação de produtos fora da especificação e até a utilização de papelão junto da carne; o que se poderia esperar?

Contudo, tenho que confessar que não fiquei surpreso, não pelo fato em si, mas pela forma. Atualmente, o Brasil é um país de ética questionável, onde a corrupção está enraizada nos principais partidos políticos. Desde que a operação lavajato começou a ganhar força pelo engajamento cada vez maior do público, pessoas que se vêem envolvidas em situações de corrupção em seu local de trabalho, sentem-se mais confiantes de denunciar à Polícia Federal, que hoje é o órgão com maior credibilidade no país.

Tudo isso que vem acontecendo, encaro de forma muito positiva. Se por um lado causa um choque nas pessoas, por outro eleva o custo marginal das empresas que se envolvem em ilícitos. Quanto mais casos, menor a propensão marginal de novos casos. Agora, podem se preparar para mais inúmeros casos inacreditáveis a serem desvendados; chamaria de limpeza de estoque.

Queria deixa registrado que o atual Prefeito de São Paulo caminha a passos largos em sua batalha de tornar a cidade um lugar melhor para viver. Achei interessante sua atitude de ajudar a limpar literalmente a cidade, além de tudo é muito simbólico. Daqui a algum tempo, nós paulistanos vamos recuperar nossa cidadania e acredito que teremos um lugar melhor para morar.

Os leitores do Mosca sabem que eu não sou um fã da moeda eletrônica, o Bitcoin. Diversas vezes publiquei nos posts comentários sobre essa moeda. Nos últimos tempos, é através desse veículo que os chineses estão retirando suas poupanças da China, visto as restrições que o governo impõe. Como suas cotações vem subindo desde a sua criação, os chineses mantém seu estoque, ao invés de usar somente como uma ponte de saída.

O que eu não gosto desse instrumento é que seu lastro é baseado no conceito que seus criadores não irão emitir mais moeda, ou, se o fizerem, existe uma formula para tanto. Mas, qual é a segurança que isso se manterá no futuro? Afinal, as pessoas morrem e são substituídas.

Neste final de semana uma divergência entre seus criadores ocasionou uma queda de mais de 20% na cotação do Bitcoin. Não entendo como essa moeda é transacionada, nem como funciona sua custodia; se é que existe este conceito nesse caso. Essa discórdia se deve em função da forma como as transações são transmitidas: um grupo que manter a forma atual que consiste na transmissão denominado de “bloco”, que atualmente tem um limite de um megabyte e o outro grupo que tornar que essa transmissão seja ilimitada.


Como não conseguiram chegar num acordo, nem tão pouco conquistaram o apoio necessário dos principais players, um dos grupos ameaçou abandonar o Bitcoin e criar uma nova moeda. Esse foi o motivo da reação de queda dos preços.

E se a moda pega e surgem outros grupos interessados em criar moedas eletrônicas? Esse é um risco considerável para quem detêm Bitcoin. A possibilidade levantada na discussão atual revelou que o Bitcoin pode perder a exclusividade. Naturalmente, não é tão simples assim, mas se o Google resolvesse lançar uma Googlecoin não seria tão crível ou até mais que o Bitcoin atual? E assim podemos vislumbrar o Facebookcoin, Instargramcoin, Snapchatcoin e etc ... vai virar carne de vaca, ou melhor, aqui no Brasil, carne de papelão! Hahaha ...

Até que surge um startup lançando um aplicativo, dando a oportunidade para qualquer pessoa crie sua moeda eletrônica, e podem estar certos, vou criar a Moscacoin. Pronto, meu exercício futurológico já criou uma super oferta, onde todas virariam pó eletrônico!

Lógico que vocês não acham que eu acredito nessas divagações, mas meu intuito foi mostrar que uma moeda, sem a existência de um lastro, não pode prevalecer. Isso não significa que as moedas em circulação tenham algum lastro real, como o padrão ouro do passado, mas por enquanto aquela onda de descrédito, ora sobre o dólar, ora sobre o euro retrocedeu muito. Acredito que em situações dessas o ouro é o ativo que se mostrou adequado por muitos séculos, e na pior das hipóteses pode se transformar numa joia.

As grandes trapalhadas que o Trump se meteu desde que assumiu fez com que sua aprovação atingisse níveis muito baixos. Se continuar assim, vai discursar para meia dúzia de gatos pingados e seus adversários na vida política irão dificultar seu governo.


Outro fato que de certa forma preocupa na economia americana é que os dados considerados hard (dados reais) ainda continuam muito baixos e em dissonância aos soft (dados de expectativa). Se o último não virar o primeiro, no curto prazo haverá uma grande frustração nos mercados.


No post estrategia-chinesa, onde cometei que o dólar estava contido entre duas retas e que em algum momento haveria o seu rompimento: ...” ou subindo com maior pujança ou dando meia volta” ...Como se pode verificar a seguir, resolver dar meia volta.


Parece que existe uma região magnética ao redor da cotação de R$ 3,11; quando o dólar tende a subir, uma força empurra-o para baixo, e quando tende a cair, uma força tende a fazer subir. Até a hora que uma força maior vai levar o dólar para fora dessa zona magnética. Parece que essa força é para baixo, ou seja, uma queda do dólar.


Os objetivos que tracei anteriormente para o dólar, caso a situação acima se materialize, passa a ser R$ 2,80/2,85. Poderia tentar novamente um trade na venda de dólar a R$ 3,10, mas o stoploss teria que ser fixado a R$ 3,18, o que resultaria um resultado salgado caso acontecesse. Fica a seu critério, mas eu vou esperar mais um pouco. 

O SP500 fechou a 2.373, com queda de 0,20%; o USDBRL a R$ 3.0720, com queda de 0,62%; o EURUSD a 1,0737, sem variação; o ouro a US$ 1.233, com alta de 0,39%.
Fique ligado!

17 de março de 2017

Inacreditável


Por motivos pessoais, o post hoje se resume a alguns gráficos de interesse geral, seguida da análise técnica do dia.

Abaixo temos um mapa mundial que está marcado de azul em uma área extensa, com uma minúscula em vermelho. Quais das alternativas abaixo você acha que é a correta?

A)     Em ambas se fala a mesma língua.
B)      Azul tem um PIB superior ao de toda a área vermelha.
C)      Azul tem o mesmo número de habitantes que a vermelha.
D)     Ambas possuem a mesma religião predominante.


- David, agora você vem com pegadinhas?
Ah é, então qual a resposta certa? Por incrível que pareça, a resposta é a C: têm o mesmo número de habitantes. Isso demonstra como a população é má distribuída no planeta. Um monte de gente junta de um lado e áreas gigantescas com pouquíssimos habitantes do outro.

O gráfico a seguir mostra como títulos de empresas passaram para a mão dos estrangeiros. Antes, os preços desses títulos eram menos vulneráveis às oscilações do dólar e da política monetária americana. Agora, após essa mudança, um escorregão do FED pode causar um grande estrago nos juros desses títulos afetando os investimentos nos EUA.

 
E, por último, como uma pessoa usa seu tempo durante os dias de semana (pontilhado) e no final de semana (linha cheia) de acordo com a sua faixa etária.


No post marketing-chines, fiz os seguintes comentários sobre o Ibovespa: ...” O Mosca está apostando na opção azul (1), uma correção leve limitada ao nível de 63.000, com o potencial de levar o Ibovespa aos 74.000” ... ...” outra opção de correção levaria o índice a níveis bem inferiores. Eu apontei no gráfico em verde (2) onde poderia chegar, entre 56.000 e 59.000” ... ...” acho que estamos num momento de cautela e os preços não estão uma bargain! Vamos devagar, sem compras adicionais no momento” ...

 
Esta semana a bolsa ensaiou uma recuperação, porém hoje está fechando a 64.300; bastante próximo do nosso stoploss. A não ser que imediatamente haja uma reversão é bem provável que nosso stoploss seja ativado.

 
Caso isso venha a acontecer, não mudo meu viés de alta no médio prazo, porém teremos que observar novos intervalos para identificar eventuais reversões. O primeiro nível é por volta de 61.000, em seguida 58.800 e por último 56.300. Abaixo desse último, minha convicção de alta se altera significativamente.

- David, e se formos estopados nos 63.000 e depois a bolsa reverte nos 61.000? Você vai ficar muito p#@o! Hahaha ...
Não vejo nenhuma graça! Vou ficar, mas faz parte do jogo. Por outro lado, não posso ficar comprado, esperando a reversão e ela não acontecer; e aí, como eu fico? Sem bolso! Mas, mesmo que aconteça o que você supõe, não significa que vamos ficar chupando o dedo. Lembre-se do que eu disse ontem: ganhar poucas vezes muito e perder muitas vezes pouco, esse é nosso lema.


O SP500 fechou a 2.378, com queda de 0,1#%; o USDBRL a R$ 3,0911, com queda de 0,80%; o EURUS a 1,0741, com queda de 0,23%; e o ouro a US$ 1.228, com alta de 0,16%.
Fique ligado!