Inflação: A Revanche

19 de maio de 2017

Fora JBS!


Os donos da JBS, Joesley e Wesley, cujos nomes mais parecem de uma dupla sertaneja, montaram um império no ramo alimentar galgado na corrupção. Ao vir à tona parte das gravações das conversas com o Presidente Temer e o Senador Aécio Neves, já se pode ter uma ideia de como esse grupo operava.

Por mais que o Presidente tente justificar o conteúdo da conversa gravada, existem alguns fatos que não tem como negar: como Michel Temer recebe um empresário do qual conhece bem seus delitos em sua casa após as 22:00 horas? Mesmo que justifique não ter concordado com nada que o empresário disse, porque não o denunciou ao Ministério Público? Esses dois pontos são suficientes para que se perca totalmente a confiança em nosso Presidente, o mínimo que teria a fazer é se licenciar para pode eventualmente se defender.

Mas por enquanto não parece ser esse o caminho que traçou, pretendendo se manter no cargo.

Por outro lado, as condições dadas aos executivos da JBS parecem desproporcionalmente superiores aos da Odebrecht, por exemplo. Eles estão em Nova York, sem tornozeleiras e pagaram uma multa modica de R$ 250 milhões. Algo muito errado aconteceu nessa negociação. 

Essa dupla de gangsteres, melhor forma de qualificá-los, aproveitaram ainda para dar uma especulada no câmbio na quarta-feira ao comprar entre US$ 750 milhões a US$ 1,0 bilhão nos mercados. Somente com a variação da moeda no dia de ontem pagaram com sobras a multa acertada na delação. Contudo, não foi a primeira vez que essa quadrilha atuou; no ano passado, quando o dólar começou uma trajetória de queda depois de ultrapassar os R$ 4,00, ao nível de R$ 3,80 mais ou menos, o banco central deu liquidez para que eles saíssem de sua posição comprada em dólar sem derrubar as cotações, embolsando um enorme lucro.

Também se especulou diversas vezes sua atuação no mercado de juros futuros, com posições pontuais enormes, sempre na ponta certa, ganhando muito dinheiro com inside information. Espero que a CVM agora faça o seu papel de investigar.

Com a maior cara de pau, em comunicado divulgado hoje na imprensa, eles pedem desculpas. Eu não aceito! 

Não sei qual será o andamento desse caso, mas a população poderia fazer a sua parte boicotando os produtos produzidos pela JBS. Uma empresa dessas não merece sobreviver, não adianta fazer delação, pedir desculpas; bandido é bandido para sempre! Fora JBS.

Já a situação de nosso Presidente me parece insustentável, se permanecer no cargo, podemos esperar uma deterioração tanto da economia quanto um aumento nas manifestações contra o governo. Preparem-se para um ambiente conturbado daqui em diante.

Emocionalmente, estamos todos abalados e nesses momentos a atenção se volta as notícias locais, imagino que nesse final de semana muita informação virá ao público. No exterior, o foco no momento se encontra na trapalhada entre Trump e o FBI, que, comparados ao que acontece aqui, é café pequeno. 

No front econômico foi publicado o PIB do Japão que apresentou um crescimento real de 2,2%; um espetáculo para uma economia que se encontra na UTI.


Porém existe um detalhe que torna esse resultado ruim: o cálculo do PIB real é feito dividindo-se o crescimento nominal pela inflação. Inicialmente, vejam como foi a evolução nominal desse indicador.


Um crescimento de 0%. E como foi possível apresentar uma alta de 2,2%? A razão é que o Japão não tem inflação, mas deflação, assim esse resultado positivo foi obtido pela queda de preços e não pelo aumento de produção. No gráfico a seguir, pode-se verificar a debilidade da economia japonesa, pois se encontra em estado deflacionário por vários anos. A exceção de 2015 onde a inflação subiu devido ao aumento de impostos. Essa situação me faz lembrar aquela de nossos filhos ao argumentar que foram muito bem numa prova com uma nota 2, uma vez que, quase todos levaram zero!


Uma forma de medir o grau de robotização de uma economia é feita usando uma unidade padrão definida como sendo o número de robôs para cada grupo de 10.000 empregados. O gráfico a seguir mostra que tanto a Ásia (exceto a China) bem como a Europa se encontram muito mais avançados nesse uso de tecnologia que os EUA.


No post fiasco, fiz os seguintes comentários sobre o SP500: ...” Para quem está comprado, sugiro acompanhar bem a área que denominei de “perigo” no gráfico acima 2.300 – 2.2270, qualquer coisa abaixo deve se evitar. Por outro lado, acima de 2.400 abre se a porta para atingir o primeiro objetivo mencionado acima de 2.450 e, se ultrapassado, tenderia a 2.850” ...


Depois disso, o índice ameaçou ultrapassar a barreira psicológica de 2.400, mas não conseguiu, retraindo-se. O motivo foi a trapalhada de Trump. Agora surgiu uma oportunidade de entrar no mercado com um risco interessante, veja abaixo.


Conforme apontei, sugiro a compra do SP500 da seguinte forma: ½ a 2.340 e ½ a 2.325, com um stoploss a 2.295. Minha proposta contempla um risco de 1,6% para buscar o nível mínimo de 2.450, que resultaria num ganho de 5%. Minha premissa é que o mercado está numa mini correção. Let´s go!

Como vocês podem notar os trades de USDBRL e Ibovespa foram encerrados ontem com um prejuízo grande. Na segunda-feira vou explicar o "slippage risk" que ocorreu neste caso e pode ocorrer em outros. No mínio teve esse efeito educativo.

O SP500 fechou a 2.381, com alta de 0,68%; o USDBRL a R$ 3,2515, com baixa de 3,42%; o EURUSD a 1,1204, com alta de 0,93%; e o ouro a US$ 1.254, com alta de 0,67%.
Fique ligado

18 de maio de 2017

Calar é ouro

Meus pais passaram os horrores da II Guerra Mundial. Minha mãe principalmente só conseguiu sobreviver por sua força. Depois de terminada a guerra vieram para o Brasil buscando reconstruir suas vidas.

Eu era uma criança quando aconteceu o golpe de 1963, percebia muita agitação em casa, mas não entendia direito o que estava acontecido. Depois o clima no país ficou muito tenso com perseguições e mortes de pessoas que se opunham ao golpe militar. Lembro bem das recomendações que meu pai fazia durante os jantares, quando algum assunto sobre o tema era comentado.  “ Não fale alto alguém pode estar escutando”. Eu pensava, quem poderia estar escutando? Veja, estou falando de situações que ocorreram nos anos 60, sem computador, celular, escutas, esses equipamentos faziam parte dos filmes de aventuras.

Com o passar do tempo pude entender a razão da recomendação do meu pai. Para quem passou a beira da morte por qualquer palavra errada dita à um soldado alemão, ou entre conversas com amigos ouvidas pelo inimigo, é compreensível sua cautela. Assim o mais seguro era sempre fechar a boca! Aprendi a lição, essa atitude faz parte do meu DNA. Por exemplo, num elevador nunca falo nada, já ouvi muita coisa que não deveria ouvir.

Ontem à noite fomos surpreendidos pelas notícias envolvendo principalmente o Presidente Temer e o Senador Aécio Neves. Uma bomba! Tenho certeza que, se alguém te obrigasse apostar se eles estariam ou não envolvidas no recebimento de caixa 2, qual seria sua aposta. Em situações de desespero somos levados a agir de forma impensada, e esse parece ter sido o caso.

Venho dizendo que praticamente não existe nenhum político que não tem culpa no cartório, do lado dos empresários nada muito diferente, pois era de onde saiam os recursos, e da população também, quem nunca buscou uma vantagem? Lei de Gerson impera! Quem segue o Mosca conhece minha frase sobre honestidade: “Se honestidade fosse uma pirâmide, no Brasil seria um trapézio, pois não tem ninguém no topo”.

Imagino que o Presidente deveria seguir alguns passos mínimos que aprendi com meu pai. Como alguém conversa com o Presidente e não é revistado? No caso da JBS ele sabia com quem estava lidando. Isso não o redime de culpa pelo que fez. Quem imaginava que os políticos mudariam sua atitude por tudo que estamos vivenciando, está aí um bom exemplo que não. Os políticos sem dinheiro são como os viciados sem drogas, morrem!

Ainda é muito cedo para saber os desdobramentos desse caso. Temer reafirmou que não disse nada que possa comprometer, reforçando que não vai renunciar. Acho que esse seria um cenário ruim pois provavelmente não conseguiria aprovar mais nada no Congresso e as manifestações se multiplicariam. Não se pode esquecer o índice de rejeição do Presidente que se encontrava em 70% antes desse episódio, agora deve estar em 110%! Alguns votariam duas vezes! Hahaha ...

Outra hipótese seria uma eleição indireta. Acredito que existe um nome crível no momento a Presidente do STF Carmem Lúcia, porém ela não é elegível. Quem poderia ser dos políticos atuais que são filiados a algum partido? Frenando Henrique, Lula, Marina, Caiado, Bolsonaro? Nenhum terá cacife político para aprovar a reforma da Previdência.

Outro cenário comtempla as eleições diretas, caso passe uma PEC nesse sentido. Quem seriam os candidatos?  Lula, Bolsonaro, Luciano Hulk, Doria (que poderia ser uma boa opção, mas não está preparado). Além do mais, seria um Presidente tampão até 2018, quem se sujeitaria a entrar nesse turbilhão?

Parece que do dia para noite o Brasil que tinha tudo para retomar seu rumo ficou sem rumo! Admito que ainda é muito cedo para qualquer conclusão definitiva e pode ser que surjam outras opções além das que enumerei. Estou na torcida!

Algumas afirmações podem ser feitas: a primeira que as reformas não deverão passar mais nesse governo, isso muda os preços dos ativos brasileiros na visão dos estrangeiros; e segundo os empresários que estavam envolvidos em algum tipo de corrupção mudaram de lado. Ao invés de ficarem do lado costumeiro dos políticos estão preferindo ficar do lado da Justiça. O número de delações deverá subir muito pois percebem que perderão o valor no tempo. Assim, suas chances de terminar na prisão, sem nenhuma vantagem, aumentam.

No longo prazo tudo o que aconteceu é ótimo, mais um degrau no sentido de confirmar que o crime não compensa, ou é muito caro.

Os mercados brasileiros se encontram parados até o momento, mas se pode esperar quedas significativas da bolsa e alta do dólar. Os primeiros negócios apontam para uma queda de 10% do Ibovespa e 6% a 7% de alta no dólar. Importante verificar o fechamento, que não foi bom no meu entender.

A Moody’s faz um lavamento da corrupção em países da América Latina. O gráfico a seguir é relativo à sua última pesquisa feita em 2016 comparada com a de 2006. O Brasil piorou 9 pontos. Imaginem se essa classificação fosse atualizada até os dias de hoje?


Nos EUA aconteceu uma situação semelhante a que ocorreu aqui ontem. Na verdade, o assunto é diferente pois não se refere a corrupção e sim livrar um “amigo” de Trump de complicações com o FBI. Mas não deixa de ser uma obstrução a justiça, em ambos os casos. A seguir o gráfico mostra qual a probabilidade de ele terminar o mandato até 2018. Lembrem que as próximas eleições serão em 2020!


Na análise técnica a situação pode ter se alterado drasticamente nos ativos brasileiros, mas é muito cedo ainda para qualquer conclusão, será necessário algum tempo para o mercado nos dizer o que pretende daqui em diante.

No post pelo-bom-ou-pelo-mal-motivo, fiz os seguintes comentários sobre os juros de 10 anos: ...” Vou propor um trade de compra de juros – aposta que vai cair - ao nível atual 2,34% com um stoploss a 2,45%. Quero enfatizar que é um trade especulativo e de curto prazo. Vamos na contramão dos analistas” ...

 
Com as trapalhadas do Trump, os investidores foram para porto seguro onde se enquadra os títulos do governo americano. Para dizer a verdade não sei se foi somente esse o motivo, acho que a dúvida que paira sobre a recuperação americana e as elevadas posições do mercado, no sentido de juros mais altos, devem ter pesado também.

O gráfico acima aponta a tática a ser usada. Entre 2,10% - 2,15% (azul) vamos observar para ver se zeramos aí ou continuamos em frente rumo aos 2% (verde). Nesse cenário de incertezas vou atualizar o stoploss para o nível de 2,34%. Afinal, em correções tudo se pode esperar!

O SP500 fechou a 2.365, com alta de 0,37%; o USDBRL a 3,3655, com alta de 7,29%; o EURUSD a 1,1101, com queda de 0,51%; e o ouro a US$ 1.246, com queda de 1,11%.
Fique ligado!



17 de maio de 2017

Confusão no meio campo


Ultimamente, algumas informações sobre a saúde da economia americana vêm apresentando informações dispares. As baixas temperaturas no EUA no começo do ano foi o principal argumento dos analistas para justificarem essas diferenças – hard data x soft data. Porém, passado esse período, ainda não se conseguiu chegar a uma conclusão se a recuperação em andamento está ganhando tração.

A fim de justificar minha premissa, começaremos pelas duas pesquisas de PIB efetuadas pelo FED de Atlanta e New York. Relembremos que no trimestre anterior aquele apontava para um resultado de 0,5%; este para 3%. A primeira publicação oficial do PIB foi de 0,9%.

O GDP agora calculado pelo FED de Atlanta, que apresenta um elevado grau de acerto, está indicando 4,1% para o PIB no trimestre em curso; muito acima da mais elevada projeção dos analistas de 3,5%.


Já o seu “concorrente”, o FED de NY, aponta para um PIB de 1,9%. Parece que essas pesquisas não são do mesmo país!


Um outro indicador que mede a variação entre a projeção dos economistas e os dados publicados calculado pelo Citibank, Citi Surpirse Index, despencou! Veja a seguir.


Um setor que está bem complicado é o automobilístico. Acredito que o problema é por conta de duas mudanças estruturais importantes: primeiro, o uso do Uber diminui a venda de carros novos (esse efeito também é sentido por aqui, eu mesmo tenho usado muito menos meu carro); e o outro, a nova geração tem optado por não comprar carros como faziam seus pais. O gráfico a seguir apresenta a evolução do empréstimo para carros novos.


Os empréstimos para novas residências ainda estão muito deprimidos, sem mostrar que uma recuperação estaria em andamento. Nesse segmento, uma mudança vista depois da crise de 2008 foi o aumento do número de filhos com idade entre 26 – 34 anos que moram com seus pais, demandando consequentemente menos imóveis.

 
Mas nem tudo é má notícia, o segmento de vendas on line tem mantido um crescimento anual de 10%. A Amazon está dizimando o comércio varejista, lojas como Macy’s, Sears e tantas outras estão tendo dificuldades de dar continuidade a seus negócios.


Alguns bancos começaram a rever suas projeções em relação aos aumentos de juros a serem implementados pelo FED. O mercado já aponta uma probabilidade baixa para mais dois aumentos nesse ano e o Banco Goldman Sachs parece ir no mesmo caminho. Não me recordo algum momento onde apresentava tanta confusão nos dados econômicos. Normalmente existem dúvidas se a economia entra em recessão ou sai dela, se o desemprego vai aumentar ou não etc ... Agora, num mesmo momento, dados apontando para um lado e para outro são raros.

O próximo gráfico é bastante ilustrativo; como a economia migrou da agricultura depois para a manufatura e atualmente para os serviços. Hoje se emprega nos EUA a mesma quantidade de funcionários que a manufatura no meio do século passado.


No post bitcoin-o-dólar-black-dos-chineses, fiz os seguintes comentários sobre o ouro: ...” Como vocês podem observar o ouro está indeciso. Calculo que tanto acima de US$ 1.300 como abaixo de US$ 1.200, caso rompido, poderá desencadear um movimento direcional mais intenso. Enquanto continuar nesse intervalo, nada pode ser dito” ...


Com as notícias de hoje colocando Trump tentando obstruir a justiça, os mercados de risco sofreram um baque. Nesses momentos o ouro surge como porto seguro, fazendo com que o metal subisse quase 2% no dia. Para um mundo sem volatilidade é muito.

No gráfico acima destaquei os dias em que o ouro teve uma oscilação grande; a de hoje ainda é menor do que esses. Outro detalhe que também observei é que logo em seguida o movimento aconteceu em sentido contrário da alta.

Não tenho a menor ideia do que irá acontecer com o Presidente americano, se algo semelhante tivesse acontecido aqui, acredito que nem faria cócegas. Talvez Trump devesse consultar o Lula para saber o que faria numa situação dessas, afinal, depois dos milhares evidências ele continua solto, é por que é bom neste assunto. Pensando bem, acho que nem precisa; basta negar, simples!

Em relação ao ouro, continuo com a mesma orientação dada acima, somente fora do intervalo merece alguma sugestão de trade. O que acabou acontecendo hoje foi colocar o metal próximo ao centro desse trecho. O stoploss do euro estou reajustando para € 1,102.

O SP500 fechou a 2.357, com queda de 1,82%; o USDBRL a R$ 3,1378, com alta de 1,35%; o EURUSD a € 1,1158, com alta de 0,69%; e o ouro a US$ 1.260, com alta de 1,94%.

Fique ligado!

16 de maio de 2017

A Alemanha entrou no vácuo da França


Quem ainda tem dúvida sobre o impacto da economia na política, os acontecimentos recentes na Europa servem de exemplo.  Primeiro foi a eleição na França com uma vitória folgada de Macron, agora as eleições de um estado importante na Alemanha resultaram numa vitória, não esperada, do partido de Angela Merkel (CDU), o que parecia muito improvável há alguns meses. Como consequência, as chances de vitória da Chanceler Alemã nas eleições de 2017 aumentaram muito.


Seu impacto não foi sentido somente nesse país o suporte para os partidos de extrema direita na região do euro vem declinando, diminuindo o receio do mercado quanto as eleições na Itália, onde uma mudança radical de governo parecia provável.


O gráfico acima mostra uma divisão interessante quanto ao nível de suporte aos populistas, e boa parte se deve as diferenças no desemprego, principalmente entre os países da periferia e a Alemanha. A ilustração abaixo sobre o subemprego não deixa dúvidas sobre a supremacia Alemã.


A evolução da dívida desses países desde a crise de 2008 apresenta estagnação em relação ao PIB. Mas isso poderá melhorar significativamente em função de dois aspectos: a queda dos juros na zona do euro e o crescimento com perspectivas positivas.


Os impactos nos mercados podem ser vistos em duas frentes. A seguir o fluxo de recursos que está revertendo de um longo período negativo, principalmente no mercado acionário, haja visto que, as taxas de juros dos títulos continuam ainda muito deprimidas.


E a posição dos investidores na moeda, que depois de muito tempo no campo negativo – apostando que a cotação vai cair, reverteu.


Tenho destacado nos últimos tempos o quadro que aparenta mais claro agora, a Europa dá sinais positivos e parece que o único que não percebe é o ECB, que continua praticando juros negativos. Se existe algum BC behind the curve, o “mini” Mário parece ser o melhor posicionado para ganhar esse título. Espero que não faça como o Capitão Francesco Schettino, Comandante do Costa Concordia que quis passar pertinho de sua casa com um navio transatlântico e afundou. Ele foi condenado a 16 anos de prisão. O “mini” Mário pode estar arriscando demais mantendo os juros nesses níveis.

No post cuidado-para-não-queimar-língua., fiz os seguintes comentário sobre o euro: ...” O euro está contido entre as duas linhas rosa desde dezembro do ano passado, e a cada vez que atinge um extremo reverte à direção, nesse episódio não foi diferente ao atingir € 1,10. Em algum momento essa linha será rompida” ... ...” A área compreendida entre € 1,083 - € 1,072 tudo é possível de acontecer. Explico-me; o euro pode cair até algum nível desse intervalo e depois reverter. Nesse caso a chance de rompimento acima de € 1,10 se eleva” ...

Hoje definitivamente houve o rompimento da barreira de € 1,10. O próximo nível que apresenta muito interesse será € 1,13. O gráfico a seguir tem uma visão de médio prazo, e algumas hipóteses do que poderá acontecer com a moeda única são traçadas. Vou aproveitar para ajustar o stoploss do trade em aberto para € 1,095.

O cenário principal que eu trabalho é que o euro volte a cair, rompendo as mínimas atingidas no final do ano passado a € 1,034. Para isso acontecer existem duas possíveis reversões a € 1,13 – comentada acima e depois € 1,15. Por outro lado, vocês devem lembrar que no longo prazo eu espero uma alta do euro a níveis bem elevados. 

No post do final de 2016 euro-uma-ideia-de-jerico, fiz os seguintes comentários: ...” eu projeto que o euro vai reverter em algum momento, ou seja, voltara a subir. A moeda única se encontra em seu último estágio de queda, frisando que essa é uma afirmação com uma visão de longo prazo. Aviso aos navegantes, vamos comprar euro em algum momento, e ele vai subir bastante” ....


Será que já estamos vivendo essa mudança? Ainda muito cedo para dizer. Continuem a seguir o Mosca para saber a resposta.

O SP500 fechou a 2.400, sem variação; o USDBRL a R$ 3,0961, com queda de 0,46%; o EURUSD a 1,1082, com alta de 0,99%; e o ouro a US$ 1.236, com alta de 0,49%.
Fique ligado!

15 de maio de 2017

Se a moda pega ...


Os bancos centrais têm sido os maiores compradores mundiais de títulos do governo, mas podem parar em breve - uma mudança de tendência para os mercados globais. No entanto, os investidores divergem sobre o que essa mudança vai significar.

Muitos esperam que os rendimentos dos títulos possam subir e as ações caírem, alguns veem pouco efeito, enquanto outros sugerem que os investimentos mais arriscados, como títulos corporativos ou a dívida do governo italiano, vão suportar a pressão. Mas recentemente, os rendimentos das obrigações europeias de alto rendimento atingiram o nível mais baixo desde antes da crise financeira, num sinal potencial de que a ameaça de afrouxamento ainda não afetou os mercados.

Quando a redução começar, os investidores poderão estar despreparados, e os mercados poderiam mover-se rapidamente. Em junho de 2013, o mercado foi surpreendido com a retirada de estímulo pelo FED, levando a uma venda rápida de títulos, que elevou em mais de 1 % os rendimentos do Tesouro americano de 10 anos.

Dados recentes mostraram que o Banco Central Europeu possui ativos totais de US $ 4,5 trilhões, mais do que qualquer outro banco central. O FED e o Banco do Japão têm cada um US $ 4,4 trilhões, embora o BOJ não se espera acabar com QE em breve.


Com a recuperação da economia mundial, os investidores acreditam que as participações do FED e do BCE atingiram um pico. Autoridades dos EUA estão discutindo como acabar com sua carteira, que mantiveram constante desde 2014. E segundo as últimas declarações de seus diretores parece que a dúvida não é mais se vai acontecer, mas quando começará a redução.

Uma série de pesquisas de analistas e bancos centrais estima que essas políticas reduziram os rendimentos das obrigações soberanas de 10 anos em cerca de 1 % nos EUA e no Reino Unido e em 0,5% na zona do euro.

Mas não está claro por quê.

Tradicionalmente, os economistas pensavam que é somente o que os bancos centrais fazem com as taxas de juros que realmente importa. Os rendimentos dos títulos caíram porque as taxas de juros foram mais baixas e mesmo negativas. Se os investidores acreditam que os BCs vão fixar as taxas de curto prazo em zero para os próximos 10 anos, eles vão comprar um título soberana de 10 anos rendendo mais do que zero. Não deve ser importante o volume de títulos no mercado.

Alguns investidores dizem que se QE funciona, age como uma mensagem dos banqueiros centrais para os mercados que, eles estão comprometidos com taxas baixas. Se isso é correto, então as autoridades monetárias podem proteger os mercados de uma venda desenfreada de títulos, contanto que estejam fortemente empenhados em manter as taxas de juros baixas.

No entanto, a pesquisa sugere que nem todo o impacto do QE tem sido retórico.

Grande parte disso pode ser um "estoque" ou efeito carteira, o que acontece quando os títulos soberanos se tornam escassos. Muitos investidores sempre querem comprar títulos do governo, dado que eles são seguros e líquidos. Assim, sempre que os bancos centrais retiram esta dívida para fora do mercado, os gestores têm que buscar títulos remanescentes, empurrando para baixo seus rendimentos.

Qualquer venda dos bancos centrais aumentaria o estoque, elevando os rendimentos.

Esse efeito de fluxo é muito mais forte na zona do euro do que nos EUA, de acordo com pesquisas recentes do BIS e do BCE.

Nos 30 dias após os anúncios do QE, o impacto foi maior para ativos menos líquidos como títulos de empresas ou a dívida de economias mais fracas, como Itália e Espanha. Os títulos públicos mais seguros foram geralmente menos afetados, com exceção da primeira rodada de compras pelo FED em 2008.



Assim, se o BCE suspender as suas compras mensais de € 60 bilhões, a dívida pública dos países mais fracos, e os títulos de empresas, deverão ser os mais afetados.

Ninguém tem uma reposta conclusiva de qual serão os feitos nos mercados quando os BCs resolverem colocar fora de seus balanços os ativos comprados durante a fase de estimulo. Na opinião do Mosca deverá ter um impacto nos juros, haja visto que os montantes são enormes. O que é difícil mesurar é qual magnitude pois dependerá do volume e prazo desse desmonte. Uma coisa eu não tenho dúvida, os pilotos dos helicópteros ficaram sem emprego!

Vou comentar sobre o dólar hoje e gostaria de acrescentar dois gráficos antes. Tenho comentado que nossas contas cambias estão indo de vento em popa. Na rubrica de investimento direto os estrangeiros não estão nem um pouco preocupados com o que acontecerá com o Lula e sua turma, ou se o Palocci vai fazer delação premiada, eles continuam fazendo investimentos no Brasil, cujo valor em 12 meses atingiu US$ 85 bilhões. A balança comercial e outra sigla que vem ganhando destaque no último ano, espera-se para esse ano um saldo de US$ 60 bilhões. Veja a seguir o fluxo cambial mensal. Que beleza!


Outra informação importante referente a posição dos bancos encontra-se abaixo. Depois de ter atingindo a marca de US$ 37 bilhões em 2016 vem reduzindo sistematicamente encontrando-se atualmente em US$ 11 bilhões. Essa informação agregada a queda do volume de swaps cambiais abrem espaço para a queda do dólar, que só poderia ser estancada com uma atuação do BC na compra de moeda, uma vez que, a demanda para envio de recursos ao exterior pelos brasileiros tem diminuído.


No post robôs-processando-humano, fiz os seguintes comentários sobre o dólar: ...” O quadro se modificou pouco desde essa última postagem, apenas o dólar encontra-se mais próximo das máximas alcançadas ultimamente a R$ 3,20” .... Comentei também que existiria duas formas de executar um trade ...” primeiro projeta-se um nível de preço, que se atingido, o trade é executado; o outro aguarda sinais de reversão para implementar o trade, naturalmente inferior (no caso de uma venda) ao primeiro caso” ...


Eu pretendia usar a primeira sistemática, porém o mercado deu indicações de queda do dólar nos últimos dias, então vamos a segunda opção. A sugestão é de venda de dólar a R$ 3,1050 com stoploss a R$ 3,16. Uma das razões dessa mudança de tática é o rompimento da reta anotada baixo em azul.


Se realmente o dólar cair da maneira que estou esperando existem alguns objetivos que prefiro explicitar conforme a premissa se concretize. No curto prazo o rompimento de R$ 3, 087, aumentam nossa chance de estarmos no caminho certo. Depois disso, R$ 3,038 abriria a porta para novas quedas.

O SP500 fechou a 2.402, com alta de 0,48%; o USDBRL a R$ 3,1105, com queda de 0,42%; o EURUSD a 1,0973, com alta de 0,43%; e o ouro a US$ 1.230, com alta de 0,15%.
Fique ligado!

12 de maio de 2017

Pelo bom ou pelo mal motivo?


O post de ontem é esclarecedor para quem quer entender melhor a alta do bitcoin o-dolar-black-dos-chineses. Ficou faltando uma boa dica para quem pretende viajar para a China. Recomendo levar um caixa adicional para ganhar um extra. Imagine que você tem US$ 5.000 para esse fim, ao chegar naquele país troque esses dólares por yuan, a moeda local, num banco. Pela cotação oficial vai receber 34.450 CNY. Com esses yuanes, troque por bitcoins, recebendo 3,2701. Essa quantidade de bitcoins trocada por dólares equivalem a US$ 5,807, 61, um lucro nada desprezível de 16%. Detalhe, pode se tornar um moto continuo, caso não haja restrição de valor para troca de dólares oficialmente.
Está aí um bom negócio com baixo risco financeiro, se fizer uns 20 giros o resultado será superior a US$ 16.000, se ficar um ano, vai ficar rico! Hahaha ...

Já comentei no passado minha nomenclatura quando um banco central inicia um processo de alta de juros. De uma forma simplista descrevo que pode ser pelo bom motivo ou pelo mal motivo. O primeiro caso acontece quando o banco central reduziu os juros num passado recente a fim de estimular a demanda. Quando isso se regulariza, ou seja, a economia volta ao habitual, o banco central inicia um ciclo de alta de juros, cujo objetivo é normalizar o juro real, evitando um superaquecimento indesejado; no segundo caso ocorre quando a inflação sobe acima do nível estabelecido na meta de inflação. Nesse caso, o banco central sobre os juros para evitar perder o controle da inflação.

Não encontro nenhum relatório de economistas que não projete o aumento dos juros nos EUA. Além disso, todos, quase que sem exceção, consideram que os juros precificados no mercado estão abaixo do que o FED irá implementar. O que se discute é a velocidade dessas altas.

Como o objetivo do post hoje é olhar mais adiante, vou me focar em qual nível o FED terminaria esse ciclo. Do que tenho observado, em 2019, os economistas dos bancos esperam algo entre 3% a 4%, e mais próximo do último. Vamos nos fixar em 3,5%, uma opção macarrônica.

Se a inflação se estabilizar ao redor de 2%, esse resultado de juro nominal implicará num juro real de 1,5%, nível bem inferior ao observado no passado. Porém, o crescimento do PIB também tem acontecido abaixo do histórico, justificando assim essa redução.

Nesse mundo teórico e maravilhoso, diga-se de passagem, faltaria resolver outro assunto polêmico sobre a retirada do excesso de reservas injetado pelo FED. Essa noite um membro do FED disse que essa retirada respeitara três pontos: 1) Deverá começar no final deste ano ou no início do próximo; 2) Será se forma muito gradual; 3) As reservas não retornará ao mesmo nível que existia antes da recessão de 2008. Ou seja, o gato subiu no telhado!

Nessas condições e considerando que no resto do mundo nada de sério aconteça, eu imagino que o ambiente atual perdure por um bom tempo: bolsas em alta, juros levemente superiores aos atuais e baixa volatilidade.

E se a inflação subir acima do que o FED deseja? Aí começa a ficar mais complicado, pois o FED teria que elevar os juros a níveis mais elevados. Uma tormenta seria sentida tanto nas bolsas como nos bonds. No meu entendimento, se a inflação der uma escorregada até 3% e a autoridade monetária responder prontamente, vamos passar um sufoco temporário, mas não perdem o controle. O problema pode se agravar caso o FED não faça nada e a inflação ultrapasse esse nível, aí ascende a luz amarela.

Não quero que pensem que as premissas acima signifiquem uma projeção, meu objetivo é de efetuar um exercício teórico nas várias possibilidades futuras, e enfatizar que o grande risco existente daqui em diante é se a inflação começar a subir sem a reação pronta do FED. Por enquanto, nenhum perigo à vista.

Voltando ao presente, hoje foi publicado o CPI para o mês de abril, o índice subiu modestamente em 0,2% ficando em 2,2% nos últimos 12 meses. O índice core que exclui gasolina e alimentos subiu 0,1% atingindo em 12 meses 1,9%. A linha azul abaixo, que é mais acompanhada pelo FED, tem se mantido constante ao longo desses últimos anos

Um gráfico trazido pelo Deutsche Bank aponta a divergência entre a projeção dos analistas e o mercado, em relação aos juros nos títulos de 10 anos. Enquanto o primeiro projeta uma taxa de 2,8% no final de 2017, o segundo se encontra em 2,4%. Se as premissas colocadas acima se materializarem, com o FED subindo os juros de acordo com as estimativas colocadas em sua ata, ambos os níveis são baixos.


No post a-inercia-financeira, fiz os seguintes comentários sobre os juros de 10 anos: ...” O gráfico acima ilustra uma das hipóteses de correção que poderá ocorrer. Sem se importar com sua configuração, vou me ater aos níveis. Eles indicam uma reversão possível a 2,15% ou 2,0%” ... ...” poderia aproveitar uma eventual queda no curtíssimo prazo, ao redor de 2,15%, para buscar uma alta potencial entre 2,35%/2,45%” ...



Os pontos em azul no gráfico abaixo apontam a mínima (2,16%) e máxima (2,42%) atingidas recentemente. Se vocês observarem os níveis grifados acima, faltou pouco para acertar no bumbum da mosca.  

Vou propor um trade de compra de juros – aposta que vai cair - ao nível atual 2,34% com um stoploss a 2,45%. Quero enfatizar que é um trade especulativo e de curto prazo. Vamos na contramão dos analistas.


O SP500 fechou a 2.390, com queda de 0,15%; o USDBRL a R$ 3,1237, com queda de 0,52%; o EURUSD a 1,0926, com alta de 0,61%; e o ouro a US$ 1.227, com alta de 0,25%.
Fique ligado!

11 de maio de 2017

Bitcoin: O dólar black dos Chineses


À primeira vista, as cenas do depoimento de lula ao Delegado Sergio Moro despertam raiva para uma pessoa minimamente informada. Aprendi junto a minha saudosa Terapeuta, que 80% das vezes que uma pessoa sente raiva da outra pelas suas atitudes, na verdade está sentindo raiva de si mesma. A razão é que inconscientemente espera-se que essa pessoa agirá diferentemente de seu padrão, mas ela não vai.

O que assistimos ontem é mais do mesmo. O Lula é um sujeito sem caráter, característica dominante em psicopatas, além de covarde. Para defender sua pele, colocou toda responsabilidade em cima de sua esposa recentemente falecida. Não sentiu nenhum remorso, nenhuma lágrima durante o interrogatório. Isso só aconteceu quando meia dúzia de gatos pingados assistiram seu depoimento depois de terminado o interrogatório, onde aí sim chorou. Chorou por ter medo de ser preso!

Pouco importa o que ele falou, na verdade não disse nada, afinal uma pessoa na sua posição não deve saber de nada, segundo suas palavras. Mas estou confiante que em algum momento ele e seu entojado advogado, irão falhar e cair na própria armadilha, é questão de tempo e paciência.

Mas vamos falar de coisas boas, ontem participei de um evento organizado pelo banco JPMorgan, que reuniu 300 empresários brasileiros. Mesmo tendo laços antigos e recentes com executivos desse banco, o que poderia ter algum peso na minha avaliação, posso dizer que foi um sucesso. Show!

Começou com o atual prefeito de São Paulo, João Dória. Eu não tinha assistido nenhuma apresentação, apenas acompanho-o pela mídia social. Não vou entrar em detalhes, mas posso resumir que tudo que disse é exatamente o que se poderia esperar de um gestor. Ao terminar, foi aplaudido de pé por toda a audiência, isso já diz tudo. Se for candidato em 2018 tem meu voto!

Num dos painéis, o JP Morgan juntou dois gestores renomados da indústria de hedge fund, Luis Stuhlberger e André Jakurski. Talvez por ser do ramo, não acrescentaram nada a mais daquilo que já sabemos. Perguntei a ambos qual a razão do colapso da volatilidade nos mercados mundiais e como eles pretendiam gerar retornos nesse ambiente. André respondeu que o motivo da baixa volatilidade é consequência da elevada intervenção dos bancos centrais dos países desenvolvidos. Em relação a segunda indagação, ambos responderam que os ativos estão muito caros e que aguardam uma queda de preços onde poderiam beneficiar seu cotistas. Ou seja, estão com os recursos em caixa ou com pequenas posições.

Mas fiquei muito impressionado com o Presidente da Azul Companhia Área, José Mario Caprioli dos Santos, dentro do painel de empreendedorismo. Numa apresentação singela, de coração aberto, descreveu alguns detalhes de sua carreira profissional, bem como, de que forma enfrentou a forte recessão dos últimos anos. Seus argumentos foram tão convincentes, que despertou meu interesse em conhecer melhor essa empresa, que recentemente abriu seu capital. Anotem esse nome!

Outro dia num almoço com um antigo colaborador, ao comentar sobre a evolução do Bitcoin, surgiu uma analogia entre a alta estratosférica dessa moeda e o mercado de dólar black aqui no Brasil dos anos 80.
Naquele momento, existia oficialmente o dólar comercial, uma cotação definida pelo governo e usada somente para as transações comerciais de importações e exportações. O principal motivo era a escassez de reservas do país, o que tornava perigoso a abertura para outras modalidades. Era permitido também a compra de US$ 300 para uma viagem internacional, para o resto de suas despesas era necessário comprar dólares no mercado paralelo. Esse dólar chamava-se black. A diferença percentual entre a cotação do black e do oficial era o ágio.


Ao fazer essa relação senti um alívio. A alta incessante do Bitcoin sem que eu conseguisse achar nenhuma razão lógica, me deixava irritado. Veja a evolução nos últimos 12 meses mostrando alta de 260%.



Os chineses não podem comprar moedas estrangeiras livremente e parece que escolheram uma forma moderna de trocar seus yuans através dessa moeda digital. Uma vantagem em relação a troca física é a praticidade além de permitir a troca de quantias elevadas o que não seria viável na forma física.  Um cálculo de conversão usando as cotações atuais do Bitcoin em yuans e dólares chega-se a um ágio de 22%.

Lembro diversos momentos em que o black passou dos 100% de ágio. O patamar mínimo de 35% era considerado barato. Pensando nos Chineses, acredito que eles acharam uma forma de burlar a legislação sem pagar um custo muito elevado para tanto.

Observando sobre esse prisma agora consigo entender a alta do Bitcoin, parece até, estar barato. Porém existe uma enorme diferença entre a situação brasileira e a chinesa, o volume de reservas. Enquanto no Brasil nossas reservas naquela época eram “alguns trocados”, as da China são enormes US$ 3,0 trilhões. Por outro lado, o governo não tem como intervir nesse mercado, não dá para ficar vendido em Bitcoin. Uma mudança do governo permitindo a compra de dólares, mesmo em quantias pequenas pelos chineses, faria despencar as cotações do Bitcoin.

Além de não entender a sistemática de liquidação dessa moeda, também não me parece segura, mais isso talvez seja falta de conhecimento, é uma simples percepção. Uma avaliação simples do ponto de vista técnico, não sugeri nenhuma razão para uma queda iminente, porém não posso deixar de enxergar um efeito bolha. Para quem está operando sugiro cuidado e não esqueça de usar stoploss.

Para dizer a verdade faria uma reformulação no nome do Bitcoin: dólar red! Hahaha ...

No post tropa-de-elite-3, fiz os seguintes comentários sobre o ouro: ...” O ouro se encontra bastante próximo da linha mencionada acima cujo nível é de US$ 1.240. Não vou deixar uma ordem de compra pré-estabelecida pois não tenho muita segurança que esse suporte irá conter a queda” .... Este rompimento acabou acontecendo conforme se pode ver na figura abaixo.

 
Com uma visão de mais longo prazo acrescentei: ...” Desde o início de 2016 o metal encontra-se contido num intervalo bastante restrito entre US$ 1.200 – US$ 1.300, conforme destaquei na figura abaixo” ... ...” somente o rompimento acima ou abaixo poderá indicar uma tendência mais consistente de movimento. Trabalho com uma expectativa de alta mais a frente, porém uma queda abaixo de US$ 1.200, irá forçar uma reavaliação” ...


Como vocês podem observar o ouro está indeciso. Calculo que tanto acima de US$ 1.300 como abaixo de US$ 1.200, caso rompido, poderá desencadear um movimento direcional mais intenso. Enquanto continuar nesse intervalo, nada pode ser dito.

Se você gosta do metal e é das pessoas que acreditam que oferece uma garantia num cenário incerto, ou, não gosta do ouro como investimento como os bancos centrais que detestam observar situações de alta dos preços, sugiro colocar um aviso no sistema, caso um dos limites anotados acima for rompido.


No caso do Mosca não estou em nenhum dos lados, mas me junto a um deles, no rompimento. Em isso acontecendo, vou defender seus pontos de vista com todo fervor, afinal meu compromisso é com o bolso e por ele fazemos qualquer coisa! Hahaha ... 

O SP500 fechou a 2.394, com queda de 0,22%; o USDBRL a R$ 3,1399, com queda de 1,56%; o EURUSD a 1,0861, com queda de 0,10%; e o ouro a US$ 1.224, com alta de 0,33%.
Fique ligado!