US$ - The Return?

31 de agosto de 2016

Desigualdade


Antes de passar para o assunto de hoje, queria comentar brevemente os dados do ADP anunciados agora pela manhã. Foram criados 177 mil empregos segundo essa fonte, e dentro da expectativa dos analistas. O gráfico a seguir não deixa dúvidas, o emprego encontra-se estável, um pouco inferior a uma média de 200 mil mensais.


Na sexta-feira será anunciado o dado oficial e não deverá apresentar grandes surpresas, a razão dessa suposição é a grande relação que guardam esses dois indicadores, conforme gráfico a seguir.


O fato de que os bancos centrais proporcionaram bem-estar para os ricos, agora entra em foco. Até o The Wall Street Journal publica críticas as políticas executadas, que sugerem que o FED não tem ideia de como a economia EUA realmente funciona, porque as suas políticas não conseguiram ajudar a maior parcela da população.

A admissão relutante de que as políticas dos bancos centrais têm enriquecido os ricos, deixando de beneficiar os 95% da população, é um avanço. Os principais meios de comunicação perceberam dois fatores importantes sobre a imagem do banco central. Não acreditando mais que: 1) ele sabe o que é que está fazendo; e 2) está impulsionando uma "recuperação" que em breve alcançará um nível autossustentável, ou seja, a economia irá gerar seu próprio crescimento e o FED pode retroceder na sua política de taxa de juro zero, e todas as suas outras medidas de flexibilização monetária sem precedentes.

Como um viciado que precisa de injeções cada vez mais fortes de drogas apenas para permanecer vivo, a economia EUA agora é total e completamente dependente de drogas para manter-se em pé.

Aparentemente, os economistas do FED foram incapazes de observar que 3/4 de toda a riqueza financeira é detida pelo top 5% da população, enquanto o top 1% detém 43%.

Porém, esse fenômeno não é particular da economia americana. Globalmente, a parte superior 0,7% possui 45% de toda a riqueza e os 8% detém 85% de toda a riqueza:


 
Enquanto os gastos da última camada, compreende 95% da população está estagnada. Os gastos do topo da pirâmide - 5%, são os que se beneficiaram com o bem-estar.

O banco central só pôde fazer uma coisa, proporcionar bem-estar monetário para os ricos. Agora que o banco central tem enriquecido os mercados obscenamente, distorcendo os preços dos ativos globalmente, e também viciado a economia a crédito barato, os principais meios de comunicação e os “financistas” estão finalmente admitindo que se enganaram, pois tudo não passou de uma forma de beneficiar os ricos.

O gráfico a seguir ilustra como a tão anunciada classe média americana, motor do desenvolvimento americano na segunda metade do século passado, vem encolhendo marcadamente, dando espaço para a “upper middle class”, que mais poderia ser vista como o novo rico.


No post brexit-o-mercado-estava-errado, fiz os seguintes comentários sobre o ouro: ...” Eu anotei em verde o que eu espero, uma queda até US$ 1.250, ou no próximo ponto a US$ 1.210. Em alcançando esses preços, é bem provável que darei sugestões de compra nessa região”

 
Parece que o ouro resolveu se mexer no sentido que o Mosca esperava, hoje pela manhã chegou muito próximo. Na sua cotação mínima, entraria “on sale” a US$ 1.299. Talvez aconteça nos próximos dias.

- David, você está feliz só porque o ouro caiu US$ 35? Isso é menos de 3%!
Você tem toda razão, para um ativo como o ouro, 3% era oscilação que acontecia dento do mesmo dia, em diversas ocasiões. Mas a situação mudou e agora esse tipo de variação não é pequena. Sua pergunta me fez pensar o que é que poderia acontecer para que o mundo ficasse mais “normal”. Imediatamente veio a ideia da inflação, assunto levantado nas reuniões semanais da Wealth Management que participo. Se esse excesso de liquidez gerar um movimento inflacionário mais forte que o desejado pelos bancos centrais, a reação das autoridades monetárias poderia surpreender todo o mercado, fazendo com que a volatilidade subisse significativamente.

Pelo momento prefiro trabalhar sem esse cenário, pois nada aconteceu ainda, para que esse receio se torne mais do que isso, uma hipótese. Por enquanto é um mundo quase sem volatilidade. 

O SP500 fechou a 2.170, com queda de 0,24%; o USDBRL a R$ 3,2268, com queda de 0,44%; o EURUSD a 1,1156, com alta de 0,13%; e o ouro a US$ 1.310, sem variação.
Fique ligado!


30 de agosto de 2016

Estava à toa na vida


Vou fazer um breve comentário sobre a cansativa e tediosa aparição da atual Presidente Dilma Rossueff. Consegui assistir apenas alguns trechos, afinal ninguém merece tortura maior. Um conteúdo recheado de asneiras, mentiras e muita arrogância. Por outro lado, pode-se perceber como é boa a vida sem ela, seu chefe mor, e asseclas do PT.

O único objetivo desse grupo, que faria Al Capone se sentir um principiante, foi o de assaltar os cofres públicos, usando várias empresas que só não quebraram por serem públicas. Em finanças se qualifica uma situação muito positiva quando permite ganhos sob vários ângulos, o que se denomina de “win-win situation”. Pois bem, esse é um caso corolário “lose-lose situation”, onde o objetivo primordial era o benefício próprio. Do ponto de vista da empresa, ela que se dane!

Na galeria de convidados encontrava-se Chico Buarque que se prestou a garoto propaganda da acusada. Esse compositor e cantor com qualidades inquestionáveis nessa área, mostrou que como brasileiro é um desastre. Imagino que por outro lado conseguiu realizar um sonho depois de 50 anos, ao colocar em prática a letra de sua música "ficar à toa na vida", era isso que fazia ontem nas tribunas do Senado.

Mas tudo está para terminar, espero que teremos só mais 24 horas para não ver a cara desse grupo. Assim, o dia de ontem não vai passar de uma lembrança do passado, como um pesadelo. Os jornais noticiaram que Dilma entrará com um recurso no STF. Consigo até entender seu objetivo, que aparentemente seria o de recorrer a decisão do Senado, mais em meu entender não é. Não precisa ser um graduado em psicologia para identificar que seu objetivo é continuar brigando, afinal caso termine, o que ela teria para fazer? Entraria em profunda depressão.

Como a charge hoje espelha, não ficaria surpreso se vários senadores não estavessem a busca de Pokémon GO no plenário, talvez o próprio Chico Buarque? Hahaha ...

Depois do aviso dado por Yellen, o mercado ficará concentrado nos dados a serem divulgados, cujo é o de identificar se o FED aumentará os juros em setembro, ou mais adiante. Incialmente a previsão de PIB apontada pelo FED de Atalanta, mostra uma projeção superior a dos economistas, o que é um fato incomum nos últimos meses.


Notem que os analistas estão alterando suas previsões para níveis superiores e já bem próximas de 3% a.a., no trimestre em curso. Um resultado que pode animar o FED a seguir em seu plano.

Nesta sexta-feira serão publicados os dados de emprego, e amanhã já teremos uma ideia através dos dados da ADP que, embora não seja perfeita, dá uma indicação. Os salários, conforme se pode observar no gráfico a seguir, mostram uma elevação mais abrangente, incluindo várias faixas de remuneração


O comentário técnico hoje será sobre o SP500, embora não tenha muito a acrescentar. Outro dia tive conhecimento de uma estatística impressionante, dos teóricos 60 dias úteis de férias do Hemisfério Norte, 34 dias tiveram oscilação diária menor que 1%. Não me recordo de momento semelhante, e olhe que já acompanho faz décadas!

No post conservador-x-arrojado, fiz os seguintes comentários: ...”os targets estão anotados no gráfico abaixo, vamos nos atentar ao primeiro ao redor de 2.220” ... ...”já fizemos uma atualização do stoploss para 2.140 e como se pode perceber o primeiro objetivo já está bem próximo. Mas nesse ritmo lento poderia demorar algumas semanas. Acredito que a volatilidade deverá atingir níveis mais razoáveis a partir de setembro, término das férias por lá” ...


No gráfico a seguir, com cotações diárias, dá para ter uma boa ideia do que comentei mais acima, praticamente não saiu do lugar depois do dia 10 de julho. Muitos analistas vêm insistentemente alertando para os perigos que rondam a bolsa americana, argumentos de que já subiu muito, ou que os múltiplos se encontram em níveis elevados. Até o momento não surtiram efeitos nos investidores, onde ainda um grupo seleto detém posições vendidas, como o caso noticiado de George Soros.

 

O que não se notícia, ou se noticia muito pouco, foi a entrada de novos participantes com um poder de fogo enorme e crescente, os bancos centrais.  Com recursos oriundos de intervenções maciças nos mercados locais, objetivando reanimar suas economias, acabam tendo que investir esses recursos. Por exemplo, o banco central suíço detém uma quantia nada desprezível de US$ 62 bilhões em ações, e assim como ele, outros também fizeram o mesmo. O objetivo desses participantes não tem os mesmos critérios de alocação que nós, visam se ver livres do caixa. Isso também é uma mudança que acaba afetando o mercado de ações, talvez sendo parcialmente responsável por essa inação. Mundo moderno! 

O SP500 fechou a 2.176, com queda de 0,20%; o USDBRL a R$ 3,2410, com alta de 0,28%; o EURUSD a 1,1141, com queda de 0,40%; e o ouro a US$ 1.310, com queda de 0,93%.
Fique ligado!

29 de agosto de 2016

Eu avisei!



Quando éramos adolescentes nossos pais ofereciam conselhos de coisas que deveríamos evitar ou tomar cuidado. Mas nessa fase da vida os jovens acreditam que já sabem de tudo e seus pais são obsoletos. Os tempos mudaram, era nosso mantra. Como pais fazemos o mesmo com nossos filhos, pois queremos evitar riscos desnecessários. A história se repete e nossos filhos agem da mesma forma.

Agora, não tinha nada pior que ter que dar o braço a torcer, algumas das previsões de nossos pais aconteciam e éramos obrigados a ouvir a frase terrível: “eu não avisei”! Assim caminha a humanidade, e Janet Yellen deu o mesmo tipo de recado na última sexta-feira, ao deixar claro que os juros irão subir. Talvez o real motivo por tal movimento, seja um pouco diferente do que se imagina à primeira vista.

O FED percebeu que os juros de curto prazo provavelmente não subirão como no passado, em tempos com baixo crescimento econômico e inflação persistentemente baixa. Em razão desses fatos o FED não poderia reduzir muito os juros no caso de uma recessão. Precisa de novas ferramentas para combater a próxima mudança da economia. Algo que inclua a compra de títulos e aumento de seu balanço.

Ajustes não convencionais seriam necessárias, se essas medidas não funcionassem. Assim, Yellen, ou quem quer que esteja à frente do FED, teria que considerar a quebra de outros tabus, como introduzir os juros negativos, como vêm fazendo os outros bancos centrais. Com esse pensamento, o ideal é que no ponto de partida, quanto mais elevado estiverem os juros, menos teria que invadir o terreno negativo. Uma vez que, esse cenário de juros negativos, é considerado bastante arriscado nos dias atuais.

Pensando nisso, Yellen fez a seguinte declaração: ... “eu acredito que os argumentos para a elevação nas taxas de juros se fortaleceu nos últimos meses”... Em outras palavras, “investidores, não venha lamentar depois, eu avisei”!

O mercado reagiu nesse sentido depois das declarações. No gráfico a seguir é apresentando a probabilidade de aumento dos juros já em setembro. Encontra-se atualmente quase em 50%, o maior nível para esse parâmetro.



As moedas dos países emergentes foram afetadas por essa declaração, e o enfraquecimento do real, que será tratado na análise técnica de hoje, não foi um movimento isolado.


Dentro das moedas o movimento do Yuan, moeda chinesa, encontra-se próximo do nível de 6,70, a maior cotação do dólar desde 2009, e o próximo nível entre 6,80/6,90 é de vital importância.

No post ---saudades--- fiz os seguintes comentários sobre o dólar: ... “do ponto de vista técnico, três considerações poderiam indicar que uma reversão do dólar está a caminho, primeiro uma retração de 50% do movimento de alta indicado; segundo a proporção usual nos movimentos internos e terceiro um contorno clássico de uma correção” ... ...”Se minhas análises de longo prazo estiverem corretas, a alta do dólar poderia se concretizar agora, com o rompimento da linha traçada em cinza, e principalmente os níveis de R$ 3,30/ 3,35 – em azul claro; ou ainda uma continuidade da queda até atingir o nível de R$ 2,80 – em preto” ...

O gráfico abaixo tem uma cobertura de prazo mais curto, e anotei no gráfico a região apontada acima.




- David, você está com uma mão boa no dólar, vamos comprar!
Em análise técnica não existe essa de “mão boa”, ou os preços confirmam sua hipótese ou não, só isso. Ficar achando que virou o az, só irá tirar o foco. Bem, coloquei claro que, até o nível de R$ 3,30/3,35 seja rompido, o mercado é de baixa. Se romper, aí podermos ter uma visão se é uma reversão mais importante com mudança de rumo, alta do dólar, ou uma correção mais complexa. Aguarde firme, pode até ser que ainda haja uma oportunidade de venda de dólar.

O que eu quis enfatizar no post acima, é que naqueles preços não valia nenhuma posição, talvez a R$ 3,30/3,35. Let’s the matket speak!

 O SP500 fechou a 2.180, com alta de 0,52%; o USDBRL a R$ 3,2321, com baixa de 0,98%; o EURUSD a 1,1186, sem alteração; e o ouro a US$ 1.322, com alta de 0,13%.
Fique ligado!

26 de agosto de 2016

5 anos!

Faz cinco anos que foi publicado o primeiro post do Mosca. Fui buscar em meus arquivos uma cópia do número 1, observem a grande mudança. Como qualquer coisa na vida, existe uma evolução. 

Hoje em dia o material do post é mais abrangente, tanto em termos de assuntos como de cobertura geográfica. Outro objetivo é que os leitores tenham pelo menos um conhecimento básico de análise técnica. O acompanhamento das sugestões de trades com seus resultados, é de grande importância.


Os principais números que tenho a destacar são:
  • 1.268 Posts;
  • 105.300 Visitas ao blog;
  • Audiência: Brasil (63%); EUA (17%); Rússia, Alemanha, França, Portugal, Reino Unido, Israel, Malásia, Ucrânia (20%).

Eu sempre tive três ideais que, após preenchidos poderia considerar minha missão cumprida: 1.000 posts; mais 100.000 visitas; e completar 5 anos de publicação. Já posso me aposentar.

- David, fica, fica, fica! Hahahah…

Sua opinião não vale para minha decisão, diríamos que existe um certo conflito de interesses! Hahaha ... 
O que vale são as estatísticas dos leitores e parece que, por enquanto, o Mosca está agregando valor. 
Muito obrigado pela confiança, vamos em frente.

Nesse dia de comemorações e a poucos minutos da apresentação da Yellen, queria compartilhar uma tabela que contém os níveis de impostos cobrados sobre os lucros em vários países desenvolvidos.


Está com inveja? Pois é para estar, mesmo os EUA têm alíquota menor que a brasileira. Mas não para por aí, a legislação americana permite que as empresas com subsidiárias no exterior, paguem seus impostos na alíquota desse país, desde que os recursos não sejam repatriados.

A Apple que não é boba nem nada, tem uma subsidiaria off –shore na Irlanda, que coincidentemente é o país de menor alíquota. Veja a seguir a distribuição do caixa dessa gigante da tecnologia.


Nada de ilegal está sendo feito, mas o governo americano já estuda medidas para coibir tal mecanismo, que tem por objetivo pagar menos imposto.  O que ela vai fazer com esse caixa, que cresce consistentemente, não tenho a menor ideia. Por exemplo, para dar continuidade a sua atividade, recentemente vendeu ao mercado duas emissões de bonds enormes, da ordem de US$ 30 bilhões, pois assim tem ganho triplo: mantém seus investimentos, deduz os juros pagos nos EUA, reduzindo seu imposto a pagar, e continua a gerar mais lucros onde paga menos impostos. Não precisa nem ser grande especialista em finanças!

O euro tem sido uma moeda que não tem dado boas oportunidades para os traders. Com idas e vindas, não sai do lugar. No post o-lado-humano-de-finanças, fiz os seguintes comentários: ...”incialmente note as flechas em verde, que foi entre dezembro até o final de maio. Nesse período, quando o euro ameaçou cair, foi ‘milagrosamente” salvo pela linha de suporte – verde, até que no final de junho rompeu – em rosa. Depois disso veio subindo vagarosamente até que hoje atingiu novamente essa linha milagrosa, só que pela parte de baixo” ...



Complementei os comentários com: ...”se a moeda única romper esse nível, as chances de atacar novamente o intervalo superior entre 1,145/1,16 aumentam bastante, mas não vou propor nenhum trade. Pode tranquilamente reverter e voltar a cair. Ficamos de observadores” ...

E o que aconteceu desde então? Se afastou da linha citada acima, como se pode verificar a seguir.


Só resta desejar um bom final de semana e esqueçam o euro por enquanto, embora eu não esqueço, pois em algum momento ele vai dar alegrais. Se comprando ou vendendo, who knows?


O SP500 fechou a 2.169, com baixa de 0,16%; o USDBRL a R$ 3,2641, com alta de 0,87%; o EURUSD a 1,1195, com baixa de 0,74%; e o ouro a US$ 1.320, sem variação.
Fique ligado!

25 de agosto de 2016

Dólares embaixo do colchão


O termo usado no post de hoje é muito conhecido por todos. O seu uso literal remete ao passado, quando em situações de ameaças as pessoas guardavam suas poupanças embaixo de seus colchões. É dessa forma que podemos ver a situação brasileira nesses dois últimos anos, onde nossas reservas se mantiveram intactas mesmo com graves riscos internos e externos. Isto permitiu que, embora o real sofresse uma desvalorização significativa ao final do ano passado, as cotações voltaram aos níveis condizentes com seus pares.

Vocês devem lembrar que o tema do Mosca para o ano de 2015 foi se o real seria afetado pelo efeito que denominei de “Dilma” ou “dólar-dólar”, em outras palavras, a dúvida seria se as cotações do real seriam afetadas pela situação interna ou externa.

Para que vocês percebam claramente como o efeito “Dilma” predominou naquele ano, a seguir encontra-se a comparação do real em relação ao peso mexicano e o ringt sul africano.



A linha verde indica a cotação relativa entre essas moedas e o real, quando em queda, significa uma queda do real relativamente a essa moeda. É nítido a deterioração durante 2015. Somente a partir da possibilidade mais concreta do impeachment da Presidente Dilma, houve uma reversão. Notem também, que ambas se encontram em termos relativos nos níveis de 2013, quando o “dólar-dólar” passa a subir mais forte. As cotações em preto são as cotações dessas moedas em relação ao dólar - uma alta sginifica uma desvalorização da moeda.

O déficit em transações correntes brasileiro iniciou um movimento de reversão um pouco mais atrasado, no início de 2015, porém de forma expressiva como se pode verificar no gráfico a seguir. Levou um tombo!


A última publicação dos dados cambias, referente ao mês de julho, aponta um déficit de US$ 27,9 bilhões (1,57% do PIB) em 12 meses, uma fração do pico de US$ 105 bilhões. Outro fator que venho apresentando mensalmente, é a estabilidade dos investimentos diretos, cujo volume é de US$ 72 bilhões (4,1% do PIB) em 12 meses, embora pontualmente o resultado mensal foi de apenas US$ 78 milhões em virtude do pagamento de US$ 4,5 bilhões do Bradesco pela compra do HSBC.

Acredito que a forte reversão ocorrida no real foi consequência de dois fatores, o primeiro e fundamental foi o processo de impeachment, que deve terminar em poucos dias, e segundo a política do BCB de colocar os dólares embaixo do colchão e não permitir que nos momentos mais críticos fosse levado por reações emocionais de “segurar” o câmbio através da venda de reservas. Essa instituição pode ser criticada pela colocação do volume expressivo de swaps cambias, eu não concordo, pois se assim não tivesse agido, as cotações do real iriam para lua e ocasionariam prejuízos e quebras de empresas desnecessárias.

No post biticoin-é-confiável, fiz os seguintes comentários sobre o Bovespa: ...” o Bovespa encontra-se agora próximo a um ponto muito importante, com uma visão de longo prazo”... ...” só resta saber se o Bovespa vai seguir em frente e buscar níveis mais elevados e porque não, acima de 73.000, ou retorna ao movimento de baixa que perdura desde 2010. Vamos acompanhar as próximas semanas, mas tenho a impressão que não será fácil esse rompimento”...


Esse é um caso interessante onde é importante analisar o gráfico de longo prazo, mas também o de prazo mais curto. No de longo prazo houve o rompimento da linha, o que poderia indicar que o movimento de alta iria continuar.


Mas no de prazo mais curto havia uma zona de confluência, que indicava uma forte resistência a ser superada – em azul claro. Nesses últimos dias a bolsa sofreu uma pequena reversão, consequência do exposto acima.


Os dados de momentum são fortes, aconselham continuidade da alta, isso indicaria que, o que estamos assistindo agora, é uma pequena correção, e em seguida o Bovespa deveria continuar subindo. Calculo que esse nível seria entre 56.000/55.500, vale uma compra com stop a 53.000. Se o stop for executado, a correção deverá ser mais extensa e demorada. Neste caso vamos ficar observando.

Vou complicar a vida de vocês, pois existe ainda outra possibilidade, a de uma alta sem que o nível acima – 56.000/55.500 - seja atingido, nesse caso a compra deveria ser feita a 60.000, com stoploss a 57.000, desde que, o índice feche acima desse nível.


É compra para todo lado! Hahaha...

O SP500 fechou a 2.172, com queda de 0,12%; o USDBRL a R$ 3,2361, com alta de 0,36%; o EURUSD a 1,1279, com alta de 0,16%; e o ouro a US$ 1.321, com queda de 0,15%.
Fique ligado!

24 de agosto de 2016

Brexit: O mercado estava errado?


Há exatos dois meses foi anunciado o resultado do referendum que chocou o mundo financeiro, isso aconteceu por dois motivos, primeiro as pesquisas não davam conta de tal resultado e segundo que o mercado não queira nem pensar nessa hipótese que considerava péssima. A Gavekal, empresa de renomada competência em assuntos econômicos, publicou um relatório contendo seus motivos para a impressionante repercussão no preço dos ativos, ocorridas nesse período.

1) Os dados econômicos tem sido ainda mais favoráveis aos investimentos em ações e o euro, que era antes de 23 de junho. A China, zona do euro, e a Grã-Bretanha, ela própria, desafiou as previsões econômicas mais pessimistas que prevaleciam nos primeiros meses do ano. Mas a notícia mais importante para os mercados é sempre sobre a economia dos EUA e os dados divulgados desde 23 de junho tem sido especialmente encorajador. 

Não é por acaso que a queda abrupta pós-Brexit da libra reverteu e o SP 500 eclodiu a nova recordes depois do anúncio dos dados de emprego em julho. Também contribuiu os números chineses e da União Europeia desde junho, que foram decentes. Nenhum dado oficial do Reino Unido confirmou até agora, o colapso no consumidor e da confiança empresarial implícitos por pesquisas.


2) Os investidores podem agradecer aos céus a política monetária em vigor. A combinação de um crescimento global decente com a incerteza sobre o futuro sobre o Brexit transformou a política de juros de "quanto mais baixo for" para “baixo para sempre". A combinação de crescimento constante com baixa inflação já não pode ser descartada como um conto de fadas e agora parece como uma forma permanente de vida. 

No mundo pós-Brexit, eventos impensáveis anteriormente, como taxas de juros negativas não parece surpreender, nem tampouco incomum. NIRP – “Negative Interest Rate Policy” aterrorizava os investidores na Europa e no Japão alguns meses antes, agora ela é aceita como uma característica permanente do "New Normal "e os bancos estão ajustando suas estratégias de negócios para lidar com esse cenário.

3) O contexto político do Brexit foi interpretado de uma forma muito diferente do que a maioria das pessoas esperavam. Na Grã-Bretanha, um novo primeiro-ministro tomou rédeas da situação mais rápido do que parecia possível. A capacidade de Theresa May para lidar com o novo trabalho ainda não foi testada. Será desafiada a gerenciar sua maioria parlamentar quando as negociações do Brexit começar. 

Mas no momento, os investidores e a opinião pública estão ignorando tais detalhes, em parte porque o cronograma do Brexit se estende além do horizonte dos investidores, como parece ser possível, que o Reino Unido atrase o início do processo em até dois anos, o final de 2017, após as eleições na Alemanha e França. Se este for o caso, então a Grã-Bretanha permanecerá na UE até o final da década, o que, em termos de normalidade é considerado longo prazo e demasiado distante para que sejam levados em conta nos cálculos. 

Ninguém pode dizer neste momento se esta recém descoberta Indiferença ao Brexit vai passar a ser o realismo bem fundamentado, complacência ou pensamento positivo, mas não é definitivamente a atitude que se esperava nas horas em pânico imediatamente após a votação.

4) Quando o inesperado acontece, os mercados muitas vezes sofrem uma reação de pânico no curto prazo, mas, em seguida, retornam à normalidade a médio prazo. A razão pela qual as estratégias de tendências tendem a serem bem-sucedidas, é que os preços podem levar muitos meses para refletir plenamente grandes mudanças nos fundamentos. Os investidores muitas vezes passam anos em negação sobre histórico, transformações que quase ninguém previu ou ninguém plenamente entende. 

O Brexit ainda poderá vir a ter sido uma mudança tectônica deste tipo, especialmente se ele é seguido por revoltas antielitistas em outros países. Pode ser, em outras palavras, que o comportamento do mercado nesses dois meses é mais um guia para o futuro do que foram os primeiros meses de negociação após o início dos rumores da crise do subprime em 2007 ou o estouro da bolha da internet em 2000.

Em suma, uma continuação do mercado de alta das bolsas, alimentado pela expansão dos EUA e a política monetária super estimulante, é o mais provável cenário para o próximo ano. Mas com a eleição nos EUA e o referendo italiano a apenas dois meses de distância, todas as consequências do Brexit são difíceis de deduzir, com o nível das ações sendo maior do que nunca. Cautela parece mais apropriado do que coragem, pelo menos até que se saiba o nome do próximo presidente dos Estados Unidos.

A análise deste relatório é bem estruturada, mas não permite nenhuma conclusão definitiva. Por outro lado, seu pensamento está de certa forma enviesado pelo fato de o mercado ter reagido de forma totalmente diferente do que esperava.

As posições dos investidores no mercado de ouro e prata atingiram níveis bastante elevados. Normalmente nessas situações o ativo tem dificuldades de seguir em sua trajetória e acabam acontecendo realizações. Se o mercado é realmente de alta (ou baixa), deve se aproveitar esses momentos para entrar, e é isso que venho buscando fazer nesses últimos meses sem sucesso.

No post china-on-side-line, fiz os seguintes comentários sobre o ouro: ...”mantenho as mesmas recomendações acima. Aumentou levemente a chance de comprar um pouco mais barato – US$ 1.250/US$ 1.200. Neste mês de férias do hemisfério Norte normalmente não acontece muitas oscilações. Mas nossos parâmetros são técnicos e caso os preços atinjam os estabelecidos vamos agir” ...


Desde essa publicação, o metal ficou contido num intervalo restrito e hoje está sofrendo uma queda, embora pequena. Esse movimento, pode estar dando início a correção tanto almejada pelo Mosca.


Eu anotei em verde o que eu espero, uma queda até US$ 1.250, ou no próximo ponto a US$ 1.210. Em alcançando esses preços, é bem provável que darei sugestões de compra nessa região.

- David, porque você não mete ficha, como está acostumado a dizer, e vende agora!
Parece que você quer me provocar, eu fiz toda uma argumentação que estou esperando uma queda para comprar, e achei que deixei implícito que o ouro vai subir mais frente. Sua sugestão não está errada, mas não é adequada para meus leitores, que precisariam estar acompanhando mais atentamente os mercados. Se for o seu caso, é uma sugestão válida com stop curto, pois é fundamental que o metal negocie abaixo de US$ 1.310, para que eu tenha chance em minha estratégia, caso contrário ainda pode subir acima de US$ 1.375.  


Na próxima sexta-feira, a Presidente do FED, Janet Yellen fará um discurso no encontro anual de política econômica, promovido pelo Federal Reserve Bank de Kansas. Esse dia é bastante esperado pelo mercado e promete tirar todos os traders da piscina para acompanhar.  O motivo dessa ansiedade são as recentes declarações de alguns diretores do FED indicando que não se deve descartar uma alta de juros agora em setembro.

O SP500 fechou a 2.175, com queda de 0,52%; o USDBRL a R$ 3,2246, com queda de 0,24%; o EURUSD a 1,1261, com queda de 0,37%; e o ouro a US$ 1.323, com queda de 1,13%.
Fique ligado!

23 de agosto de 2016

Distorções por todos os lados

Uma distorção é causada pela ação de um agente de mercado com suficiente poder de alterar a lógica prevalecente. Um exemplo que me vem à memória é o caso da prata quando a família Hunt, a mais rica da época, tentou deixar o mercado em corner. Seu objetivo era se proteger da emissão desvairada de dólares pelo governo americano. Eu anexei o link hunt-brothers-and-silver-story, caso queriam saber em detalhes esse acontecimento. Em resumo, levaram os preços da prata de US$ 5 para mais de US$ 55, num curto espaço de tempo, distorcendo completamente esse mercado, temporariamente.

Grifei a palavra temporariamente, porque quem quer que seja, que busque distorcer um mercado de forma artificial, ou ilógica, em algum momento os preços voltam a situação de equilíbrio.

Hoje em dia, o que mais observo são distorções ocasionadas pelas ações dos bancos centrais. Cada um agindo em seu território criam aberrações que impactam outros mercados, dado a grande integração financeira. Preparei uma série de fatos para justificar meu ponto de vista. 

Vamos começar com o Japão, que talvez seja o precursor nessa área de intervenções, pela estagnação que reina nesse país por décadas. Vejam o gráfico a seguir.


Vou explicar o que os fundos locais e internacionais estão fazendo para gerar juro superior aos dos títulos em dólares. A linha azul representa a taxa de juros dos títulos japoneses de 3 meses, que atualmente encontra-se em -0,24% a.a. A linha rosa, representando os títulos de 3 meses americanos, estão apontados como comparativo de retorno +0,30% a.a. Assim, é esse o retorno para um investidor que quer investir no curto prazo em dólares.

Porém, existe uma forma desse retorno aumentar significativamente com a seguinte operação: 1) comprar os títulos japoneses que rendem em yen -0,24%; 2) Em seguida vender futuro a moeda japonesa contra a americana, transformando esse rendimento futuro em dólares; 3) A distorção no mercado futuro de moedas é tão elevada que permite se chegar a um rendimento total de 1,25% a.a. em dólares, tamanho é o desconto no mercado de câmbio. Esse mesmo tipo de distorção existe para operações feitas em euros.  

O ECB compra títulos privados em seu programa segundo um critério definido. Para atender essa demanda, algumas empresas que se enquadram nesses critérios emitiram bonds com colocação privada direta à autoridade monetária. O gráfico a seguir mostra a diferença de performance que existe agora entre os títulos elegíveis dos que não são.


E o volume não é pouca coisa, veja abaixo a evolução dos volumes de títulos detidos pelo ECB no tempo.


Outro país de menor importância global que estabeleceu um piso para a cotação de sua moeda contra o euro, foi a Suíça. Algumas vezes o banco central foi obrigado a intervir no mercado, vendendo francos suíços e comprando euros. Para sustentar essas emissões fez injeção de moeda, ocasionado uma elevação de sua base monetária, que já excede a marca de 1,00 trilhão de francos suíços, o equivalente a 80% do seu PIB. Só em termos comparativos a americana é de 21% PIB.

 
O Deutsche Bank publicou um relatório, baseado em um estudo acadêmico, onde concluem que os juros reais americanos podem chegar 1% a.a., vagarosamente, desde que o seu PIB não caia abaixo de 2% a.a. Caso isso não aconteça, e o PIB fiquei abaixo desse patamar, é provável que os juros reais se mantenham no patamar atual de 0%. Em termos nominais acrescenta-se a inflação. Resumindo, se pode esperar juros muito baixos por muito tempo, no máximo 3% a.a.

Mas como chegamos nesse ponto de tamanha letargia? Quem tiver a resposta ganha o prêmio Nobel na moleza, além de faturar uma grana preta. Na opinião do Mosca sem direito a esses prêmios, é uma conjunção dos seguintes pontos: fatores demográficos em diversos países; globalização da mão de obra; tecnologia, e excesso de consumo das últimas décadas através de dívidas.

- Boa David, merece um café! Hahaha...

Enquanto as bolsas americanas estão subindo à passos de tartaruga, vamos manter nossa posição inalterada. Com relação aos juros de 10 anos, vou cancelar a proposta de trade de vender os juros a 1,45% old-r-us e inverter de ponta de forma muito oportunista.

- Hahaha..., só quero ver os motivos!

Como citei acima, é muito oportunista, e não vou ter vergonha nenhuma de mudar de ponta, caso esteja errado.

No post precisão-milimétrica, fiz os seguintes comentários com as razões que me fariam manter a mesma sugestão de trade, ou seja, aposta que os juros iriam cair: ...”Vou manter a mesma orientação, desde que, o nível de 1,63% não seja ultrapassado, onde aí sim, seria cancelada essa ordem” ... ...” Disciplina, espere o mercado te dar motivos técnicos suficientes para entrar num trade. Já é difícil ganhar assim, imagine sem critério! ”...

O real motivo de minha mudança de posição está explicado no gráfico abaixo.


Triângulo! Se vocês lembram, mencionei algumas vezes que formações de triângulos indicam indecisão do mercado e que, em 2/3 dos casos, tendem a romper na direção do movimento anterior, que nesse caso é de alta – em verde.


Tenho consciência que esse é um trade contra a direção de queda que está em curso, e que do mesmo jeito que existe uma probabilidade de alta, existe também 1/3 de queda. Mas decidi arriscar, agora só depende do mercado. Let’s the market speak!

O SP500 fechou a 2.186, com alta de 0,20%; o USDBRL a R$ 2,2325, com alta de 0,99%; o EURUSD a 1,1303, com queda de 0,12%; e o ouro a US$ 1.338, sem alteração.
Fique ligado!