Inflação: A Revanche

18 de agosto de 2017

Emergentes de mãos dadas


Um estudo do banco Goldman Sachs comprova que, em situações passadas onde a dispersão de crescimento entre os países dos mercados emergentes foi pequena, a recuperação permanece por mais tempo. Para provar esse sincronismo o gráfico a seguir mostra a dispersão em relação ao PIB – azul escuro, e a dispersão em relação ao índice atual de atividade – azul claro, nos últimos vinte anos.


Em seguida, para tornar seus resultados mais confiáveis, realizou várias simulações para evitar algum viés que por ventura exista. Desde a década de 1990, as recuperações dos mercados emergentes tendem a durar mais. A baixa dispersão atual ou o alto grau de sincronicidade representam uma expansão econômica mais longa para a região, semelhante ao que ocorreu na metade dos anos 2000.


Fui buscar um quadro onde mostrasse a posição do Brasil em relação aos seus pares. Na ilustração abaixo, a posição do país é bem interessante, onde o crescimento é baixo, porém as perspectivas são de melhora.

 
Já em relação a política monetária e fiscal, nos encontramos em dois extremos. Enquanto a política monetária está numa fase de afrouxamento a política fiscal está numa etapa de aperto. Em todo caso, prefiro isso que ao contrário.

 
Os últimos dados econômicos publicados no Brasil oferecem uma certa esperança. A publicação do IBC –Br (Índice de Atividade Econômica do BC) subiu 0,5%, as vendas ao varejo cresceram 3%, ficando acima da previsão dos analistas.


O grande problema no momento é político, mas como os dados vem mostrando, ainda não foram suficientes para abortar essa melhora. Se não tivesse existido o caso Joesley, provavelmente estaríamos num ambiente mais favorável.

Como comentei no post o-ultimo-bonde-para-lapa, a eleição de 2018 passa a ser fundamental para nosso futuro, ou elegemos um presidente disposto a enfrentar os lobbies, aprovando uma reforma da Previdência decente, ou entra um populista que empurrará com mais força o país no buraco.  Se esse estudo da Goldman se mostrar efetivo, o fator positivo seria uma economia em recuperação em 2018, ficando mais fácil eleger um presidente no primeiro caso. Ainda existe esperança!

A figura abaixo contabiliza os ganhos das várias classes de ativos desde a crise de 2008. Notem que a maioria obteve valorizações muito positivas, principalmente os títulos de renda fixa – Europe HY, EM Soverigns, EM Corportaes ..., e poucos negativos, onde as commodities se destacam, principalmente pela queda do petróleo.


No post a-china-entra-em-ação, fiz os seguintes comentários sobre os juros de 10 anos: ...” conforme traçado no gráfico abaixo, entre 2,15 % - 2,40% considero como terra de ninguém, tudo pode acontecer” ... ...” quem são os gurus de Wall Street: “Olhe o que os bonds traders estão fazendo e esqueça os traders de bolsa”. Nesse caso, o mercado de juros não estaria levando a sério as ameaças de Trump” ...


Em relação aos comentários acima teria duas observações: a “terra de ninguém” está próxima de ser ameaçada pelos baixistas de juros; e os gurus de Wall Street não estavam preocupados com o Trump, mas sim, com os dados econômicos, principalmente de inflação, que podem fazer o FED mudar de ideia.


Para o pessoal altista de juros, onde o Mosca se inclui, sobrou somente a última trincheira, que corresponde ao intervalo de 2,10% - 2,17%. Se essa barreira não for suficiente para segurar os baixistas, os juros irão para 2,0%, e se mesmo assim não aguentar depois para 1,82%.

Eu não tenho a menor ideia dos motivos que fariam os juros cair a níveis tão baixos, pode ser tanta coisa que de nada vale a especulação sobre o assunto. Como fundamentalista eu estaria agora buscando entender como podem os juros estarem tão baixos, não faz o menor sentido. Mas como analista técnico não é problema meu ter que justificar. O stoploss é o maior dos motivos para brecar seus erros. Por outro lado, esse mecanismo preserva o tão valioso capital e não as suas previsões.

Estamos entrincheirados para batalhar com todas as armas, se perdemos mudamos de lado. Qual o problema? O objetivo é o bolso e não de que lado estamos! Hahaha ....

 
O SP500 fechou a 2.425, com queda de 0,18%, estou alterando o stoploss para 2.175; o USDBRL a R$ 3,1442, com baixa de 0,94%; o EURUSD a € 1,1762, com alta de 0,34%; e o ouro a U$ 1.286, sem alteração

Fique ligado

17 de agosto de 2017

O que fazer Yellen?


A minuta do FED divulgada ontem no final da tarde, não deixa dúvidas como seus membros estão divididos em relação a alta de juros prevista para acontecer em dezembro. O tema é o mesmo, se o mercado de trabalho está próximo do pleno emprego, por que os salários não sobem de maneira a afetar a inflação.

O Mosca, bem como inúmeros analistas, tem se debruçado sobre essa questão, sem que haja uma evidencia mais clara. Os membros da autoridade monetária que estão em dúvida, levantam a hipótese de que mudanças na economia estariam causando essa distorção – será que eles leram o post? otimização.

Como não haverá respostas no curto prazo, o FED será conduzido por “voo visual” reagindo conforme os dados forem publicados, e como já havia mencionado, até dezembro ainda tem um bom tempo. Então, mãos na massa! O Citibank atualizou seu gráfico de surpresas econômicas apresentados aqui em diversas ocasiões. Como se pode notar, houve uma melhora nos últimos meses sem que tenha atingido o nível neutro.


O PIB projetado pelo FED de Atlanta se mantem em nível elevado, próximo a 4%, e acima da projeção dos analistas.


Sabemos que a economia americana é fortemente dependente do consumo – 70% do PIB -assim existe uma forte relação de causa efeito entre essas variáveis. Desta forma, sem aumento do rendimento dos trabalhadores, o PIB é afetado. O gráfico a seguir mostra essa relação, e parece que um novo patamar foi estabelecido.

 
E o tão debatido juro real neutra, quando calculado pelo modelo apresentado por Laubach-Williams - extraído de um estudo acadêmico elaborado por esses dois economistas - encontra-se em -0,2%, muito próximo dos resultados que se pode calcular da taxa de juros do mercado.




Existem situações na vida onde é necessário tomar uma decisão mesmo que o melhor caminho não pareça claro. A reação mais comum nestes casos e ficar parado, aguardando mais informações. É horrível esses momentos. Ao se decidir por uma opção, o alívio é imediato. No caso da Yellen não é tão angustiante pois a decisão será tomada por um colegiado, embora as consequências se houveram, serão de sua responsabilidade.

As implicações poderão ser as seguintes; um aumento de juros desnecessários pode abortar o crescimento tênue atual, uma postergação pode gerar ações mais fortes no futuro, se realmente a inflação está se materializando. Se eu estivesse em seu lugar tenderia a aumentar os juros. O motivo é que o nível é tão baixo hoje que não deveria ter um impacto mais importante na atividade, mesmo no primeiro caso. Mas tem risco, como tudo na vida.

O gráfico a seguir ajuda a explicar porque o aumento de consumo na China será muito demorado. Com atitudes diferentes da maioria dos países, os chineses têm uma propensão maior em poupar, e como consequência, menor em consumir. Isso não se altera do dia para noite, demora anos ou talvez décadas.


No post arrumado-casa, fiz os seguintes comentários sobre o euro: ...” vou propor dois níveis de compra colocando ½ em cada um. O primeiro seria a € 1,157 enquanto o segundo a € 1,1370, e o stoploss colocado a € 1,10. Quero enfatizar que não tenho confirmação que essa correção acontecerá da maneira que estou esperando” ...


A correção parece estar em curso sem muito entusiasmo. Hoje pela manhã a moeda única atingiu a cotação de € 1,1660, ainda acima dos parâmetros que indiquei.


Assim como a Yellen, o Mosca está parado aguardando pacientemente seus níveis serem alcançados. No meu caso, comprar agora não seria uma boa decisão, pois teria que colocar o stoploss num nível muito baixo. Porém é importante que o leitor saiba que acredito em novas altas da moeda única mais à frente.

Os dados publicados da Europa sobre o PIB corroboram o otimismo. O BCE terá que em algum momento alterar sua política monetária, deixando de teimar com taxas de juros punitivas.


Até a França está saindo da letargia, agora com Neymar defendendo o PSG, talvez possam disputar de igual para igual com os espanhóis! Eu não acredito, mas quem sabe!

O SP500 fechou a 2.430, com queda de 1,54%; o USDBRL a R$ 3,1741, com alta de 0,71%; o EURUSD a € 1,1723, com queda de 0,37%; e o ouro a U$ 1,287, com alta de 0,38%.

Fique ligado!

16 de agosto de 2017

O último bonde para a Lapa


O governo anunciou hoje uma elevação do déficit das contas federais neste e nos próximos três anos. Agora as contas só voltarão para o azul em 2021. Tudo isso ainda sujeito a aprovações pelo Congresso de uma série de mediadas de aumento de receitas e cortes de despesas.

Na reunião de Comitê de Investimentos da Rosenberg, esses números foram detalhados. Ao analisar a tabela abaixo, elaborada pela equipe técnica, percebi a quase impossibilidade de solucionar o déficit. Se vocês observarem as receitas são da ordem de R$ 1,1 trilhão enquanto as despesas de R$ 1,2 trilhões, e as discussões das medidas são da ordem de frações de bilhões – R$ 10 bilhões aqui, R$ 3,0 bilhões lá e etc ...

Esses debates mais parecem uma família que tem gastos enormes de empregados, motoristas, almoços no Fasano, viagens de primeira classe e pretendem cortar as despesas diminuindo um ponto da NET e cancelando um dia por semana a diarista. O governo, com receitas que dependem da atividade econômica – supondo que não haja aumento de impostos - e despesas 90% não discricionárias subindo pelo menos com a inflação, como se poderia cortar o déficit? Qualquer variação de 1% leva as economias pretendidas para o saco, diminuir o déficit nem se fala!

Uma projeção da dívida em relação ao PIB começa a incomodar os participantes, ao invés de estancar deverá chegar a 90% em 2027, e crescendo. A pergunta que não quer calar, e porque o mercado não está penalizando o Brasil? O cenário externo positivo é naturalmente uma resposta, mas isso é suficiente? A tabela acima com muita boa vontade expressa um déficit constante em 2017 e 2018 de R$ 159 bilhões. Entretanto, só a despesa da previdência cuja participação é de 50% do total, sobe 4% acima da inflação.

Mas tudo bem, até 2027 tem muito tempo, será esse o pensamento do mercado? Eu sugeri uma hipótese: 100% dos brasileiros – e estrangeiros? – Tem uma confiança enorme que 2018 tudo será diferente. Porque essa esperança? Porque 100% dos brasileiros não querem o governo atual, basta ver a rejeição do presidente Temer.

De repente aparece o slide abaixo, mostrando a evolução das intenções de voto para 2018, segundo a pesquisa da DataPoder360

Essa pesquisa tem também o resultado caso o candidato do PSDB fosse o prefeito de São Paulo, João Doria. O resultado se modifica muito pouco, apenas uma maior acomodação entre esse candidato e Bolsonaro.


Broxou total e não foi por conta da idade! Hahaha .... Por mais que esse instituto possa não ser confiável - um voto do Alckmin conta como um voto do Lula - o que eu não acredito, como se pode explicar a alta do Lula. Que Alckmin, Ciro e Marina tivessem caído eu entendo, mas o Lula ter capitalizado tudo?

Essa possível miragem que as pessoas estão enxergando pode cair na realidade de um extenso deserto. Se existe alguma chance de nossa dívida não continuar subindo de forma incessante é fundamental que o próximo presidente faça um corte expressivos das despesas e principalmente na previdência. Mas os brasileiros querem isso? Não parece, mesmo! Veja quantas pessoas de elevado nível de instrução são contra as mudanças na Previdência. Existe a ideia que o governo não é comigo e problema “deles”. Deles quem? Somos nós!

Foi quando Luis Paulo Rosenberg disse: “2018 é o último bonde para a Lapa”. Eu já tinha ouvido mas fui procurar no Google. Se refere ao bonde de Santa Teresa no Rio de Janeiro que ficou desativado por 50 anos. É exatamente isso, se o presidente eleito em 2018 não fizer as reformas, ou achar desnecessário cortar despesas melhor taxar os ricos (Lula), a dívida pública irá explodir e o bonde só voltará em 2068!

No post dois-brasis, fiz os seguintes comentários sobre o ouro: ...” como anotei no gráfico abaixo é bem provável que o ouro cheque a U$ 1.300, daí em diante se passar por essa barreira forte calculo que poderia ir até U$ 1.370” ... ...Permaneço com as seguintes hipóteses:

1.       Sobe um pouco mais não atinge U$ 1.300 – provavelmente vou comprar na próxima correção.
2.       Sobe e ultrapassa U$ 1.300 – compro no rompimento.
3.       Não aguenta e retrocede, onde o dia de hoje seria considerado como um false break -  voltamos à estaca zero” ...


As cotações chegaram a máxima de U$ 1.291 e nos próximos dias retrocederam. Hoje, após o anuncio da ata do FOMC, os preços voltaram a subir e encontram-se próximos da máxima, mostrando um sinal de força. A opção 2 caminha para se concretizar e por essa razão vou deixar um trade condicional. Comprar ouro a U$ 1.305, desde que, feche nesse preço ou acima, nessa situação o stoploss ficará em U$ 1.270.

- David, larga de ser teimoso e compra agora.
Vou mudar a sua frase, ao invés de teimoso estou sendo disciplinado. Enquanto não houver o rompimento, as três opções acima continuam validas, mesmo a terceira. Em investimentos a última percepção tem uma forte influência no comportamento. Se um mercado está caindo, as pessoas acreditam que continuara caindo, e vice-versa. Por essa razão, as confirmações são importantes, elas reafirmam a tendência através de novas ordens naquela direção.

O SP500 fechou a 2.468, com alta de 0,14%; o USDBRL a R$ 3,1509, com queda de 0,58%; o EURUSD a 1,1767, com alta de 0,27%; e o ouro a U$ 1.282, com alta de 0,86%.

Fique ligado!

15 de agosto de 2017

Otimização


Avaliem quanto dos seus bens ficam ociosos a maior parte do tempo. Eu sempre digo que o custo mais baixo por hora de uso é dos meus óculos, custam caro, mas uso durante 16 horas/dia 7 dias por semana. Por curiosidade vamos calcular esse custo. Suponha que eu fique 3 anos com os mesmos óculos, seriam 17.520 horas de uso. Pago caro, mais dependo dele para tudo, imaginem se vocês recebessem o Mosca escrito sem óculos?  Muito bem, isso daria R$ 0,22/hora, de graça!

E o seu carro, quanto tempo fica na garagem? A coleção de malas que é sempre um problema onde guardar. Aqui em casa, esse estoque tende ao infinito, minha esposa sempre compra uma nova por viagem, os motivos são óbvios! O armário de roupas, principalmente de festa, e muitos outros itens.

Até alguns anos nem se poderia pensar em otimizar essa ociosidade, como conectar quem precisasse desses itens? Mas com o avanço da tecnologia tudo isso foi possível. Acredito que o Uber foi um dos pioneiros nessa área, transformou a locomoção numa forma barata. Questiona a necessidade de tantos carros por família.

Um princípio básico de economia diz que quando a oferta é maior que a demanda os preços tendem a cair, e é o que estamos presenciados em várias áreas.

Vou citar alguns exemplos que os analistas ficaram surpresos com os dados, mas eu não. O gráfico a seguir aponta os índices de inflação para carros novos. Como podem notar, depois da crise de 2008, onde sofreram uma queda importante em virtude da situação econômica, passaram por uma recuperação nos anos seguintes, até que mais recentemente entraram no campo da deflação. Minha explicação: Efeito Uber, a necessidade de um carro diminuiu com a oferta desse serviço. Por que deixar seu carro depreciar na garagem?


Outra categoria quem vem sofrendo queda de preços é o grupo de comunicações. Façam uma estatística de qual a proporção entre mensagens e ligações telefônicas, e como tem evoluindo no tempo. Se você é jovem então nem se fala, com meus filhos praticamente não uso mais o telefone, no máximo uma mensagem voz pelo WhatsApp. Aqui a capacidade ociosa é do tempo das pessoas, é muito mais eficiente se comunicar pelo WhatsApp, onde a pessoas respondem quando estiverem disponíveis.


O gasto com restaurantes também vem declinado consistentemente nos últimos 17 meses. Como se pode verificar no gráfico, tanto o tráfico quanto o faturamento. O analista que fez esse comentário buscou justificar a queda pela diminuição nos ganhos dos trabalhadores americanos, pode ser, mas acredito que o principal motivo é o aumento de empregos que são executados a distância, bem como aqueles que os americanos denominam de Gig workers, que são as pessoas que realizam trabalhos de forma individual como o Uber. No mínimo mudaram o local que fazem suas refeições e a frequência.

 
E assim seremos surpreendidos por mais e mais setores que serão afetados por essa tendência de otimizar os bens e serviços ociosos. Essa tendência é deflacionária e destruidora de empresas. O movimento com efeito secundário, não aparece de forma clara nas estatísticas, mas tem impacto no PIB. Difícil ter uma ideia das repercussões no futuro, e nem que setores serão mais ou menos impactados. Por outro lado, a direção é clara, bens de uma maneira geral tenderão a perder valor, pois mais pessoas irão compartilhar do mesmo bem.

No post pagamento-por-quilo, fiz os seguintes comentário sobre o dólar: ...” minha projeção de queda abaixo de R$ 3,10 ganha novamente força. Vou sugerir um trade para venda de dólar conforme anotado abaixo” ... ...” Venda o dólar entre R$ 3,20 e R$ 3,22 com um stoploss a R$ 3,26, meu objetivo calculado é ao redor de R$ 3,00 – R$ 2,90, a ser melhor calculado” .... O dólar entrou na região de venda do trade e foi completado.


Vou fazer um ajuste que raramente faço, mas que nesse caso foi um erro na colocação do trade. O stoploss ao invés de R$ 3,26 passa a ser R$ 3,30. O motivo principal é a reta verde traçada acima onde o dólar poderá se aproximar.

Um fator que conta contra nosso trade é o volume de apostas contra o dólar no mercado internacional. A linha preta condensa todas as apostas, enquanto as barras identificam as moedas. Notem que o euro é o principal posicionamento contra o dólar enquanto o yen encontra-se posicionado de forma contrária – a favor do dólar.


 O SP500 fechou a 2.464, sem variação; o USDBRL a R$ 3,1692, com queda de 0,86%; o EEURUSD a € 1,1733, com queda de 0,44%; e o ouro a U$ 1.271, com queda de 0,82%.

Fique ligado! 

14 de agosto de 2017

Bitcoin mania


Toda vez que encontro uma matéria comentando sobre as altas nas cotações da moeda digital, o Bitcoin, eu me pergunto porque alguém estaria comprando. No post a-bolsa-americana-esta-numa-bolha, fiz uma análise para identificar se a bolsa americana está numa bolha, mas parece que é a moeda pop do momento que já se encontra nesse estágio.

O Bitcoin surgiu há nove anos e naquele momento era imaginada como um porto seguro para quem desconfiava da elevada emissão de moeda feita pelos bancos centrais. O receio era que elevaria a inflação com risco de descontrole. Além do mais, oferecia uma grande vantagem em relação ao ouro pela facilidade em deter grandes quantias sem precisar de espaço físico. Outro atrativo é a negociação criptografada fugindo do controle de qualquer governo.

Depois de algum tempo, quando esse cenário mais temeroso foi descartado, surgiu um outro receio que também merecia muito cuidado, o qual seja a deflação. Mas nessa nova situação, os argumentos inicias para compra do Bitcoin seriam contrários a novas altas, pois em deflação nada sobe. Porém surgiram outros argumentos para justificar novas altas: o uso em operações ilícitas, e mais recentemente, o veículo que os chineses encontraram para enviar sua poupança ao exterior bitcoin-o-dólar-black-dos-chineses.

No post mencionado acima, sobre a bolsa americana estar ou não numa bolha, elenquei algumas características que essa situação apresentava.

1.       VE (valor esperado) > NPV (valor presente).
2.       Existência de crédito abundante.
3.       Formação de um círculo vicioso.
4.       Aparecem mesmo quando existem incertezas, especulação ou racionalidade.
5.       Aparecem onde os agentes econômicos fazem precificação apurada.

No caso do Bitcoin o primeiro item é muito questionável. Por que se esperaria um valor esperado superior ao valor presente? O Bitcoin não gera nenhum dividendo nem tampouco tem uma expectativa de valorização com uma economia crescendo, como é o caso da bolsa. Assim, em relação a esse quesito só existira ganho caso essa moeda suba de preço sem parar.

Esse argumento também vale para o ouro, o metal não gera nenhum dividendo, nem tampouco a atividade econômica tem alguma influência direta. Por outro lado, o ouro tem utilidade industrial e na pior das hipóteses pode virar uma joia para a esposa!  Hahaha ...


Um argumento que se poderia utilizar na expectativa de altas futuras seria a escassez. Se todo mundo quiser comprar Bitcoin o preço tenderia a explodir. Em relação a esse argumento, existem outras moedas não tão populares, além de alguns starts ups recentes com esse fim. Fui pesquisar esse assunto e fiquei perplexo ao saber que já existem mais de 100 moedas desse tipo, veja o link com a lista coinmarketcap. Será que o argumento de escassez se mantém no futuro?

Em relação ao crédito abundante, ouço falar que algumas bolsas negociam contratos de futuros e opções nessa moeda. Não saberia quantificar, porém parece que o crédito é baixo. Pode ser que os bancos oferecem linhas de credito com garantia em Bitcoin, mas acho pouco provável pelo elevado risco para essas instituições.

A formação de um ciclo vicioso está em andamento, minha afirmação pode-se basear na quantidade de vezes que o Bitcoin foi consultado no Google. Notem também, a correlação entre essa estatística e o preço da moeda. Essa ferramenta de consulta atual é uma forma mais apurada para medir a formação de um ciclo vicioso, diferentemente do passado que se baseava somente na percepção.

 
O preço do Bitcoin ultrapassou os U$ 4.000 nesta segunda-feira pelo otimismo que o aumento na velocidade nas transações iria acelerar sua exposição. Os preços vêm subindo de forma tão rápida que entre a última sexta-feira e hoje, a cotação subiu 17%. Naturalmente para quem acompanha de perto esse mercado alguns argumentos fazem sentido em seu racional, confesso que não é o meu caso, para mim esses argumentos não justificariam nada! Porém, não posso fazer nenhuma afirmação, seria leviano. O que eu posso sim, ao notar a forma exponencial com que as cotações subiram, dizer que o Bitcoin está num processo de bolha.


Como o caso das Tulipas em 1637, as ações do South Sea em 1711, o crash da bolsa em 1929, o estouro do Dot-Com no ano 2000, para citar alguns, em algum momento os mercados percebem que o céu não é o limite, acarretando uma queda expressiva de preços repentina. O melhor nessas situações é permanecer como observador sem se deixar levar pela ganância, acreditando que ainda dá para surfar um pouquinho nessa onda.

Como havia prometido meus comentários técnicos hoje serão sobre a bolsa americana. No post a-bolsa-americana-esta-numa-bolha, fiz os seguintes comentários: ...” está se formando o que se denomina em análise técnica key reversal week, que indica uma possível mudança de direção no mercado. Em fechando no nível atual amanhã, o Mosca vai trabalhar em identificar um trade de venda” ... Como se pode verificar no gráfico a seguir, essa condição foi confirmada.


Acredito que uma correção está em curso, o que eu não sei se é uma pequena, média ou grande. Tudo incida que será uma pequena, entre 5% – 7,5%, no máximo 10%. Em função disso, vou sugerir um trade de venda do SP500 a 2.465, com stoploss a 2. 495. Tenho que confessar que fiquei impressionado ao estabelecer os níveis de venda. Incialmente o mais correto seria ½ a 2.465 e ½ a 2.470, uma diferença ínfima de 0,20%. Efeitos da baixa volatilidade.


Se minha análise estiver correta, essa correção deverá demorar um bom tempo (várias semanas) e será “punk”, com idas e vindas. E caso minha conversa com os russos, ou melhor, norte coreanos der certo! Hahahah ..., a tão esperada correção que eu estava esperando vai se materializar, culminando com uma compra mais adiante.

Queria complementar alguns pensamentos para o leitor que mencionei no post acima: ...” Um leitor vem me “cobrando” há mais de seis meses porque não sou favorável a venda, pois está na cara que a bolsa vai cair. Eu venho insistentemente rechaçando essa ideia, e ao contrário dando argumentos para ficar até comprado. Emocionalmente ele se apaixonou pela ideia e a cada alta acha que agora tem que vender”.... Sinto dizer que por enquanto, a queda que imagino não é a que ele estava esperando.

O SP500 fechou a 2.465, com alta de 1,00%; o USDBRL a R$ 3,1967, com alta de 0,10%; o EURUSD a € 1,1785, com queda de 0,30%; e o ouro a U$ 1.282, com queda de 0,53%.
Fique ligado!


11 de agosto de 2017

A China entra em ação

Donald Trump saiu de férias por um período de 17 dias onde se hospedou no seu clube de golfe em New Jersey, afinal trabalhou muito nesses últimos 6 meses!!! Suas últimas derrotas na política mexeram com o seu ego. Deve ter pensado: Por que então, não dar uma cutucada na Coréia do Norte e chamar a atenção de volta? Pode parecer um pouco maquiavélico, mas uma pessoa desequilibrada como ele tudo é possível.

Depois de 72 horas de ameaças de ambos os lados, que acabou afetando os mercados financeiros mais sensivelmente ontem, a China resolveu entrar em ação. Diferentemente ao que é esperado de um país ocidental, esse país estabeleceu limites aos dois lados. Aos americanos deu o seguinte recado: Se os EUA e a Coréia do Sul atacarem a Coreia do Norte, e apostarem em derrubar o regime Norte Coreano, a China ira impedi-los. Para os norte coreanos o recado foi o seguinte: Se a Coreia do Norte lançar misseis que ameacem o território americano, e em seguida, os EUA retaliar, a China se manterá neutra.

Não acredito que nenhuma das partes fará qualquer tentativa de responder aos chineses, pois sabem que lá não tem papo, como diz o velho ditado: escreveu não leu, o pau comeu. Não sou nenhum entendido em Geopolítica, mas acredito que a brincadeira acabou, ambos ficarão quietinhos por um tempo.

Hoje foi publicado o CPI - índice de inflação nos EUA. A taxa ficou em 0,1% no mês, abaixo das estimativas dos analistas, acarretando no sétimo recuo para 1,7% a.a. em bases anuais. Um dos componentes que pressionou no passado a moradia, vem retrocedendo conforme se nota no gráfico abaixo – Housing – Já o transporte está sendo influenciado pela queda do preço do petróleo desde o começo de 2017.

 
A probabilidade de alta dos juros para dezembro caiu mais um pouco e agora se encontra próximo a 30%. O mercado continua apostando que o FED terá que voltar atrás em suas intenções amplamente anunciadas. Como ainda falta bastante tempo até lá, os dois lados podem mudar de opinião, a única diferença é que, se for o mercado vai ter que pagar a conta, e se for o FED apenas um I’m sorry! Hahaha .... 

 
O FED de St. Louis calcula um índice de stress de mercado usando diversos indicadores. No momento se encontra em um extremo visto em outras duas ocasiões no passado. Naquelas situações, se sucederam turbulência nos mercados financeiros.


Uma notícia não muito boa para o Brasil é que o preço das commodities agrícolas, depois de uma recuperação em junho, volta as mínimas do ano. Isso não terá impacto em nossa balança comercial esse ano, porém poderá afetar o plantio e como consequência o superávit comercial de 2018.

 
Vejam a seguir o estrago que a Amazon acarretou no segmento de vendas ao varejo nos EUA. As quedas das ações de seus concorrentes são enormes. Mas isso não é de todo mal, como dizia o economista Joseph Schumpeter, trata-se da destruição construtiva, onde empresas com novas tecnologias forçam o fechamento das antigas.


Antes da confusão criada por Trump, os juros de 10 anos pareciam caminhar para uma alta. No post -copo-cheio-ou-esvaziando, fiz os seguintes comentários: ...” conforme traçado no gráfico abaixo, entre 2,15 % - 2,40% considero como terra de ninguém, tudo pode acontecer. É possível que uma configuração de triângulo esteja se formando, e se esse for o caso, o provável é que a taxa ainda cairá para níveis próximos de 2% a.a” ...


Em situações de crise os investidores buscam portos seguros e os títulos americanos são assim considerados, desta forma, era esperado uma maior procura por esses ativos, ocasionado uma queda das taxas. Combinado a isso, a publicação do CPI hoje deveria impulsionar um pouco mais esse mercado. Somando tudo, as taxas recuaram por enquanto apenas 0,10% a.a., praticamente imperceptível quando comparado com o que se esperaria nessa situação.


Enquanto os outros mercados passaram por movimentos mais acentuados esta semana, os juros que poderiam ter um impacto até maior, foram pouco afetados. Se eu seguir os conselhos de um profissional de Wall Street que conheço, identificando quem são os gurus de Wall Street: “Olhe o que os bonds traders estão fazendo e esqueça os traders de bolsa”. Nesse caso, o mercado de juros não estaria levando a sério as ameaças de Trump.


O SP500 fechou a 2.441, com alta de 0,13%; o USDBRL a R$ 3,1759, sem variação; o EURUSD a € 1,1822, com alta de 0,42%; e o ouro a U$ 1.290, com alta de 0,38%.

Fique ligado!

10 de agosto de 2017

A bolsa americana está numa bolha?


Sempre que um ativo de destaque sobe de forma ininterrupta os investidores e analistas se perguntam se essa alta é consistente, ou segundo a teoria de finanças comportamentais, está no que se chama efeito manada. Eu fiz uma apresentação sobre esse assunto há 5 anos cujo link se encontra a seguir No mundo das bolhas. Nesse trabalho identifiquei possíveis causas listadas a seguir:

1.       VE (valor esperado) > NPV (valor presente).
2.       Existência de crédito abundante.
3.       Formação de um círculo vicioso.
4.       Aparecem mesmo quando existem incertezas, especulação ou racionalidade.
5.       Aparecem onde os agentes econômicos fazem precificação apurada.

Embora a cada vez que aparece uma bolha elas são diferentes, uma característica que se mantem igual é a evolução dos preços, que tendem a ter a configuração apresentada na figura abaixo.

 
Durante o século XX, pode-se apontar quatro principais bolhas que ocorreram nas bolsas americana, japonesa e chinesa em épocas diferentes. Notem no gráfico comparativo a seguir que, a formação guarda uma certa semelhança entre elas. Mas mais importante, após o estouro todas retornam a níveis próximos ao início da alta, imprimindo expressivos prejuízos para quem comprou na época da euforia.


Uma análise quantitativa e qualitativa, em cada um desse componentes, pode nos ajudar a entender o estágio em que se encontra a bolsa americana e especificamente o SP500. Em relação ao primeiro item busquei algumas mediadas de valuation e como se comporta no tempo. O gráfico a seguir é uma composição de diversos critérios de compilação, comum uma média. No momento, essa média, encontra-se a 89%, e dentro do intervalo do segundo desvio padrão. Sob esse prisma não apresenta conforto de preço.


Por outro lado, uma comparação entre os dividendos das ações confrontados aos juros reais de companhias com bom rating de crédito, mostra certa atratividade para o mercado de ações. É natural que o nível dos juros é uma componente que pesa na decisão de investimentos.


Por último também conta e expectativa de lucros futura, pois o P/L pode parecer caro quando comparado aos resultados passados, mas o mesmo pode não acontecer ao se utilizar os lucros futuros projetados. Em relação aos resultados dos quatro últimos trimestres o P/L é de 21, mais elevado que a média histórica de 16.6. Entretanto, ao se utilizar os lucros futuros, o último valor que tenho informação, o mesmo estaria em 18, o que não é considerado elevado. Só para efeitos de comparação, na bolha da internet o P/L chegou a 30.

No segundo item, em relação a abundância de crédito utilizo a compra de ações feitas através de empréstimos com garantia das ações. O gráfico a seguir não deixa dúvidas a existência de abundância de crédito.


Em relação ao círculo vicioso, a alta vivida ultimamente apresenta uma característica bastante distinta do esperado em bolhas. O que se observa em estágios mais avançados na formação da bolha é a elevação da volatilidade dos preços, ocasionada por fluxos mais elevados de vendas e compras. Mas não é isso que se observa na bolsa americana atualmente, ao contrário, a volatilidade se encontra nos menores níveis históricos.



Os outros dois pontos são avaliações qualitativas onde não haveria nada em contrário contra. Um comentário sobre as incertezas talvez a situação Geopolítico esteja em destaque. Em relação a possibilidade de rupturas por radicais na Europa cedeu sensivelmente.

Algo muito importante em relação a bolhas é que não existe forma de saber qual será seu pico, e aconselho aos leitores não tentar adivinhar nem tampouco apostar nessa hipótese. Com dizia Maynard Keynes, o mercado pode ficar mais tempo irracional que você ficar solvente.

Minha avaliação ao compor os dados acima é que a bolsa americana não se encontra numa bolha, pelo menos no estágio atual. A classificaria como num processo de alta maduro que foi bastante impulsionado por políticas monetárias frouxas adotadas pelos principais bancos centrais.

Resumindo: não está barata, mas não parece que vai desmoronar, pode sim, sofrer uma correção, o que está melhor detalhado na análise técnica a seguir.

Para o analista técnico de pouca valia é o que foi apresentado acima, apenas complementos em sua análise. O que vale são os preços e se o mercado quer subir, vamos juntos, se tudo indicar um bom risco retorno. Caso contrário, observa. No post contando-os-dias, fiz os seguintes comentários sobre o SP500: ...” considero o nível atual entre 2.475 -2.500, muito importante para a bolsa americana. Se vocês recordarem foi mencionado no post do final de 2016” ... ...” caso o SP500 não resolva “descansar” agora, os próximos objetivos de médio prazo seriam 2.770 /2.870 /2.950, altas de 11% -15% e 18%, not bad at all! Mas tem que passar o intervalo mencionado – 2.475/2.500, pois caso contrário, uma correção está a caminho” ...


Parece que muita gente anda lendo o Mosca, veja a seguir a quantidade de dias que o SP500 no fechamento ficou rondando a casa dos 2.470.


Depois que o Trump ameaçou a Coréia do Norte, parece que o mercado acordou e uma onda de vendas começou a afetar esse mercado. Minha experiência mostra que sempre existe um catalisador que as vezes não tem muito a ver com o mercado. Minha interpretação é que o mercado está maduro mas precisa de uma desculpa.

Está se formando o que se denomina em análise técnica key reversal week, que indica uma possível mudança de direção no mercado. Em fechando no nível atual amanhã, o Mosca vai trabalhar em identificar um trade de venda.


- David, por que não vender já?
Por que poderíamos estar nos precipitando e vendendo sem um conforto maior de que isso que está ocorrendo é mesmo uma correção em formação. Num mercado de alta os preços não colapsam de uma vez, a não ser que estivesse numa bolha, o que não me parece o caso – vide argumentos acima. O que se faz normalmente nesses casos, acompanha-se a evolução de curto prazo e depois de alguns requisitos atingidos, se pode formatar um trade com nível de entrada, stoploss, e potencial de ganho.

No curto prazo, vamos esperar para ver se o fechamento semanal é confirmado, e depois no final de semana, vou me debruçar mais nesse assunto.

Um leitor vem me “cobrando” há mais de seis meses porque não sou favorável a venda, pois está na cara que a bolsa vai cair. Eu venho insistentemente rechaçando essa ideia, e ao contrário dando argumentos para ficar até comprado. Emocionalmente ele se apaixonou pela ideia e a cada alta acha que agora tem que vender. Parece que se esse momento chegou, e como não vamos vender no nível de 2.475, ele provavelmente ficará com a ideia que perdeu a oportunidade, que estava certo, vai se esquecer do tempo que decorreu e do preço que pretendia vender da primeira vez. Não o estou criticando, tudo isso faz parte da influência das emoções em nossas decisões, só estou explicitando para que vocês reflitam em situações semelhantes que passaram, e como nossa cabeça distorce a realidade a fim de evitar sofrimento.

Desde que comecei a estudar análise técnica nunca mais consegui abandonar, ao contrário, faz parte de todas minhas decisões. O conceito do stoploss é fundamental para quem quer progredir em finanças, caso contrário poderá cair em armadilhas que o levarão a perder muito dinheiro. Mais importante que estar certo e ganhar dinheiro, tanto faz se sua opinião pessoal é diferente da apontada pelos gráficos. Se não se sentir confortável para ir contra, não faça nada, melhor que ficar teimando, só porque você tem que provar para si mesmo estar certo.

O SP500 fechou a 2.438, com uma queda expressiva de 1,45% - expressiva nos dias atuais; o USDBRL a R$ 3,1736, com alta de 0,57%; o EURUSD a € 1,1771, com alta de 0,12%; e o ouro a U$ 1.285, com alta de 0,58%.

Fique ligado!