2018: Vestibular Político

20 de fevereiro de 2018

Índice de Miséria



O economista Arthur Melvin, criou uma forma de medir o nível de miséria de uma país de uma forma bastante simples. Esse índice indica como um cidadão médio está se saindo economicamente, ao adicionar a taxa de desemprego ajustada sazonalmente a inflação anual.

Naturalmente não foi feito para medir países com inflação muito elevada. Vocês observarão a seguir o resultado da Venezuela, onde não existe inflação, mas sim, hiperinflação. Nesses casos, o índice é de pouca valia, pois ao se comparar dois países nesta situação, não se pode dizer que um está pior que o outro. Ambos estão um desastre!

A elevação de preços é mais uma ameaça para a economia global este ano do que o desemprego, de acordo com o Misery Index da Bloomberg, que resume as perspectivas de inflação e desemprego para 66 economias.

A Venezuela marca seu quarto ano como a economia mais miserável do mundo, com uma pontuação que é mais do que três vezes o que era em 2017. A Tailândia novamente reivindicou o status de "menos miserável", embora a maneira única de calcular o desemprego do país desqualifica injustamente Cingapura, a segunda colocada. Em outros lugares, o México procura dar grandes passos neste ano, já que a inflação se torna mais gerenciável, enquanto a Romênia absorve mais miséria pelo motivo oposto.



O Misery Index baseia-se no conceito antigo de que a baixa inflação e o desemprego geralmente ilustram a forma como os residentes da economia devem sentir. Às vezes, é claro, uma contagem baixa pode ser enganosa em qualquer categoria: preços baixos persistentes podem ser um sinal de demanda fraca, e o desemprego muito baixo garante trabalhadores que desejam mudar para melhores empregos, por exemplo.

Os resultados indicam em grande parte uma perspectiva econômica global que permanece globalmente clara: os economistas estão estimando um crescimento anual de 3,7 % no mundo em 2018, combinando o ritmo do ano passado, o melhor desde 2011, de acordo com a medição da pesquisa Bloomberg.

A Romênia também está indo na direção errada. Os economistas veem uma taxa de inflação de 3,3 % em 2018 após um crescimento de preços muito mais moderado no ano passado, levando o seu índice de miséria a baixar 16 pontos, para o nível de 34. O Banco Nacional da Romênia está perseguindo a inflação com aumentos nas taxas de juros, visando manter-se à frente de qualquer superaquecimento enquanto o crescimento aumenta os gastos globais com o governo.



Algumas outras menções notáveis:

A Argentina, classificada em terceiro lugar, desmente um terceiro ano de melhora em sua pontuação geral, que é a mais baixa desde pelo menos 2013, ano em que o FMI censurou o país para cobrir uma alta inflação e quando Bloomberg começou a calcular os dados.

O EUA tem sua pontuação de miséria melhor saindo de 6,5 em 2017 para 6,2 este ano.

A China, a segunda maior economia do mundo, viu seu índice de miséria subir para 6,3 este ano ante 5,5 em 2017. Os preços no consumidor são estimados em 2,3% este ano, em comparação com 1,6% em 2017.

As economias asiáticas têm a sorte de escapar dos 10 mais miseráveis ​​deste ano, que de outra forma são geograficamente diversos, com a Europa, a América Latina e a África, quase igualmente representados.

O Brasil apresenta melhora marginal de 16.3 para 15.8, mais em função da queda da inflação que da diminuição do desemprego.

Eu encaro esse indicador com algumas ressalvas pelos motivos expostos acima. Talvez melhor seria classificar em intervalos. Veja minha sugestão a seguir:

 De 1 a 6 – Neste intervalo estariam os países saudáveis com inflação menor que 2% a.a. e desemprego menor que 4%.
De 6 a 12 – Já mereceria atenção pois só se justificaria estar nesse intervalo países em situação temporária, por não estar em equilíbrio.
12.1 e acima – Situação crítica.

A classificação me parece sem muito significado, pois dizer que um país está em vigésimo lugar com um índice de 6,2, não quer dizer muita coisa. Assim como, um país com um nível de 20 não é muito melhor que um outro pais com um nível de 30.
Uma outra mediada de riqueza de um país pode ser medida pelo PIB per capta. Onde se divide o total de riqueza pelo número de habitantes. O gráfico a seguir mostra a evolução desse indicador nos últimos 100 anos. O que chama a atenção é o aumento exponencial da Coreia do Sul – parece as cotações do bitcoin, e a diminuição da diferença entre o Brasil e a Argentina.


Agora o que nenhum desses índices consegue apontar é a diferença entre os mais ricos e os mais pobres. Em função das estatísticas mais recentes é fácil supor que o resultado não seria nada interessante, uma concentração elevada de riqueza em parcela diminuta da população.

Desde a última atualização do SP500 muita coisa aconteceu. No post a-exuberância-das-bolsas-e-racional-ou, fiz os seguintes comentários: ...” vou navegar daqui em diante com rédeas bem curtas, subindo o stoploss com frequência, até que em algum dia seremos stopados. Isso não vai implicar que a alta terminou, mas prefiro acompanhar esse desenrolar sem posições” ...


E ocorreu o que frisei acima, fomos estopados no dia 02/02, antes da queda mais expressiva da bolsa. Foi intuição? Talvez, mas certamente a forma parabólica da alta me incomodava.

E agora, o que fazer? Meus leitores assíduos sabem da dúvida que tenho sobre o que acontecerá com a bolsa. Por um lado, venho dizendo que em algum momento a bolsa teria que ter uma correção importante, que demandaria um certo tempo. Por outro lado, podemos estar numa correção média e dentro em breve volta a subir.

Esta talvez seja a razão que tenho aguardado para dar alguma sugestão. Mas chegou a hora de revelar quais são os dois cenários que considero mais prováveis. Para fazer isso, vou usar gráficos com um horizonte de curtíssimo prazo.

Cenário 1 – uma nova queda vem por aí:  A seguir, veja qual a trajetória que imagino para o SP500 nos próximos dias.


Nessa situação um primeiro objetivo seria 2.460 e um próximo 2.350. Uma queda de 11% no primeiro caso e 16% no segundo, nada desprezível. Esse é o de maior chance.

Cenário 2 – triangulo: Nesse cenário antevejo a formação de um triangulo, que depois de algum tempo, o SP 500 romperia caminhando para o rompimento da máxima de 2872, atingida em janeiro.


Antes que meu amigo pergunte porque eu não proponho um trade, vou responder. Mesmo que eu considere a opção 1 mais provável, ela pode passar a ser menos provável nos próximos dias. Isso depende de como os preços evoluam.

Parece que uma venda seria a sugestão mais adequada, porem a evolução de preços não permite uma operação com mais firmeza, não teria outro lugar para colocar o stoploss que não 2.870, e não estou disposto a arriscar tanto.

Muitos outros cenários existem, mas acredito que não seja de interesse dos leitores nesse momento, já está difícil com esses dois, imagina se coloco outros?

Para terminar, não posso descartar a possibilidade de o índice estar caminhando para ultrapassar a máxima de 2.870 sem que haja um retorno mais expressivo nos preços. Não me parece muito provável, mas ....

Assim, o melhor é aguardar e esperar o mercado nos dar dicas do que fazer.

O SP500 fechou a 2.716, com queda de 0,58%; o USDBRL a R$ 3,2554, com alta de 0,66%; o EURUSD a 1,2336, com queda de 0,58%; e o ouro a U$ 1.329, com queda de 0,97%.

Fique ligado!

19 de fevereiro de 2018

Não faça o que eu digo



Hoje é feriado em Nova York, nesses dias os mercados ficam fechados, e os com execução eletrônica permanecem em banho Maria.

Num mundo tão informatizado e robotizado, uma entrevista com um corretor da bolsa americana, pelo jornal Washington Post chamou a minha atenção.

O corretor de 60 anos é talvez o rosto mais emblemático da Bolsa de Valores de Nova York - e dos mercados de ações dos EUA. Com o olhar parecido ao do Einstein- é tido como um indicador de sentimento em tempo real - seja ele de angústia, antecipação, desespero ou triunfo.

Tuchman é sem dúvida a pessoa mais fotografada na NYSE.

"O recinto da NYSE é o maior escritório na Terra. Tem energia, pessoas. Estes são pisos sagrados. Tem 120 anos, e todo presidente, cada chefe de estado, celebridades andaram neste andar. O que acontece neste andar afetará as finanças mundiais em uma base diária. E eu estou no meio disso. Eu adoro isso. E uma vez que meu rosto se tornou o que se tornou, também adoro essa parte ".

O que Tuchman faz?

"Eu sou os olhos e os ouvidos e o canal para negociação, o ponto de distribuição de compras e vendas de ações, para os clientes.

Somos corretores, seres humanos, “market makers”, a rede de segurança humana existe para proteger contra a volatilidade indisciplinada, a inteligência artificial. As pessoas nos veem aqui e eles sabem que um ser humano está cuidando do seu dinheiro e das suas ações. É isso que faz a diferença. É por isso que ainda estou aqui. "

No entanto, uma pergunta aparentemente inocente, um pouco mais tarde na entrevista, deixou o jornalista perplexo.

“Você possui ações? ”

“Eu nunca tive um centavo investido em ações na minha vida. Não como a minha própria comida. Se eu me preocupasse com meus próprios lucros e perdas, ficaria menos concentrado no bem-estar dos meus clientes. Eu também tenho dois filhos na faculdade, dessa forma, não tenho dinheiro para comprar ações”.

Finalmente, Tuchman deu um conselho: "Nunca se deixe levar pela emoção como os traders. É por isso que eu não compro ações".

Esse artigo aparentemente sem muita importância me fez refletir sobre as sugestões de trade dadas pelo Mosca. Deveria eu, ter ou não posições? É inegável que existe um fator emocional quando um trade é proposto. Se é ganhador cria uma sensação de onipotência “sou muito bom”. Se perde, um raciocínio de escusa tenta confortar. E durante o trade, ao se perceber que o mercado não vai em sua direção, o analista busca “encontrar” argumentos para justificar. 

Por outro lado, sem “accountability” tem a vantagem de uma opinião mais isenta, mas por outro lado, uma responsabilidade muito menor.

Pesando esses argumentos ainda fico com a ideia que é melhor continuar do jeito que está. Um acerto afeta meu bolso assim como um erro. O emocional tem que ser controlado e evitar que se faça besteira. Mas como todo ser humano cometo erros, aí existe o stoploss para que se possa corrigir e continuar no jogo.

No post subprodutos-do-crescimento, fiz os seguintes comentários sobre o Ibovespa: ...” A bolsa chegou a atingir a máxima de 86.800 e recuou, função da queda observada no exterior, iniciando assim uma correção. Neste momento não saberia dizer qual foi ou será sua extensão. Como sempre digo, pode ser uma correção pequena, média ou grande. Pelo sim, pelo não, apontei 80.000 como stoploss, que se atingido, não significa que a direção de longo prazo mudou” ...


Desde a última atualização, o índice beirou nosso stoploss, porém se recuperou, estando perto da máxima atingida recentemente de 86.200. A recuperação da bolsa brasileira está sendo mais efetiva que a da bolsa americana. Enquanto essa última passou por uma queda entre a mínima e a máxima de 13%, a nossa ficou em 8,3%.


Em ultrapassando o nível de 86.200, o próximo objetivo seria ao redor de 91.000/92.000. Nesse momento, se acontecer, vamos retirar nossas fichas da mesa, ou parte delas.

Caso haja uma reversão nesse intervalo, se pode esperar um período de correção por alguns meses levando as cotações de volta para 83.000 ou 78.000. Pensou em eleições? Ou será algum vento contra do exterior? Para nós tanto faz, o que importa é agir quando um nível de preço se torna convidativo, tanto para entrar como para sair do mercado.

O USDBRL fechou a R$ 3,2309, sem variação; o EURUSD a 1,2407, sem variação; e o ouro a U$ 1.342, com queda de 0,27%.

Fique ligado!

16 de fevereiro de 2018

Pisando em ovos



Talvez os leitores do Mosca estejam ficando um pouco saturados do assunto bolsa de valores e suas consequências. Se eu estiver exagerando na importância peço desculpas, mas no meu entender será muito importante acompanhar as próximas semanas, e julgar se tudo volta à normalidade, ou o evento da semana anterior foi o começo na mudança de direção.

Se as bolsas estivessem baratas tudo teria menos importância, pois nestas situações novos recursos estão ávidos a entrar no mercado acionário, e qualquer queda é uma oportunidade. Mas esse não é ocaso, pelo mesmo da bolsa americana, aí tudo pode ser diferente.

Vou procurar fazer uma análise mais realista inicialmente. Não existem dúvidas que, o que ocasionou as quedas do início do mês foram os fundos ETF na categoria volatilidade, onde os investidores colocam seu dinheiro, apostando que a volatilidade permanecera baixa. Como essa estratégia foi vencedora por anos, um ciclo virtuoso se instalou nesse produto. Existia fundos que faziam apostas alavancadas nesse indicador, permitindo que a cada dólar aplicado o retorno fosse multiplicado. E foi o que aconteceu, só que a multiplicação foi para baixo! Para que tenham uma ideia do estrago, veja a cota de um desses fundos a seguir. Praticamente, perdeu todo o Capital.


Sem entrar no mérito se esse tipo de produto deveria ser oferecido a investidores menos qualificados, o subproduto desse fluxo, induziu uma queda da volatilidade, que por sua vez, aumentou a exposição ao risco dos outros participantes, e finalmente impulsionaram as bolsas.

Passados esses 10 dias, imagino que as posições relativas aos produtos de volatilidade foram zeradas, assim, não deveria haver mais pressão desse grupo.

Do que vai depender a normalidade? Eu acredito que, primeiro da atitude dos investidores, se julgarem que tudo não passou de um ponto fora da curva, portanto, abriu uma oportunidade de compra. Também é importante que a volatilidade retorne aos níveis mais baixos, não com prevalecia recentemente, mas em níveis razoáveis, entre 10% - 20%.


Agora, um fator que preocupa algumas pessoas e o fato da recuperação recente, tem sido de forma uniforme em todos os setores. Um artigo do Wall Street Journal relata essa situação.

 As ações de tudo, desde indústrias, bancos, e até empresas de produção de petróleo, estão se recuperando juntas, depois de cair em uníssono no início deste mês, um fenômeno que poderia levar a mais turbulência à frente.

As correlações entre os 11 setores do S&P 500, uma medida de como diferentes grupos de ações se movem em relação um ao outro, aumentaram quando o índice sofreu sua primeira correção em dois anos na semana passada e aumentou ainda mais quando as ações começaram a cair daqueles mínimos. Essa correlação, recentemente, atingiu o nível mais alto desde a eleição presidencial dos EUA em 2016, de acordo com uma análise da Goldman Sachs.


O aumento das correlações pode criar recessões mais violentas quando as ações caem, pois fatores como o potencial de lucros das empresas individuais ou os dados financeiros tendem a tornar-se menos importantes do que os receios mais amplos que conduzem a venda no mercado de ações.

Alguns investidores dizem que essa recuperação faz sentido, já que as perspectivas para o crescimento global continuam positivas. Mas outros dizem que o ritmo dos ganhos se tornou cauteloso, uma outra queda estaria próxima - especialmente porque algumas das preocupações levantadas no início do mês persistiram.

Todos esses argumentos recaem nas colocações colocadas acima onde somente a observação dos próximos dias poderá nos dizer qual lado prevalece, a da continuidade, ou da saída de recursos. É natural que possa existir uma alternativa intermediaria, onde a bolsa permanece indecisa, com idas e vindas pequenas – triângulo?

No post bitcoin-bolha, fiz os seguintes comentários sobre os juros de 10 anos: ...” Observem incialmente as linhas pretas traçadas que contém os níveis de juros desde 1986. Essa linha foi rompida neste trimestre. Como o trimestre não terminou, estou supondo que não volte para baixo, o que anularia toda essa análise. Agora observem a linha vermelha que está localizada nos 3%. Caso os juros ultrapassem, acrescentam mais um ponto em favor do rompimento mencionado acima. Agora crucial é o nível ao redor de 3,3%, apontado em azul, se passar, podemos afirmar que terminou o ciclo de baixa de juros que perdurou por 40 anos! ” ...


Estou reforçando essa visão de longo prazo para que os leitores memorizem esses níveis. Muito simples “ 3% cuidado - 3,3% ação! ”. No gráfico a seguir, mostro a evolução das taxas com uma janela mais curta. Aí se pode ter a visualização da consistência dessa alta.


Vou manter as condições estabelecidas para esse trade e subir marginalmente o stoploss para 2,65% e a saída a 3,04%. Estou aproveitando para liquidar a posição de euros a 1,2480.

Acho que estou com o dedo no gatilho, por que será? Deve ser por algum receio que algo maior está para acontecer. Só o tempo poderá desvendar se esse sentimento é uma “fantasia” ou intuição.


O SP500 fechou a 2.732, sem variação; o USDBRL a R$ 3,2310, com alta de 01,0%; o EURUSD a 1,2404, com queda de 0,81%; e o ouro a U$ 1.347, com queda de 0,38%.

Fique ligado!

15 de fevereiro de 2018

Bolsas sem folia



Enquanto a folia corria solto aqui no Brasil, e infelizmente os casos de violência e assaltos no Rio de Janeiro não cessam, as bolsas de valores ao redor do mundo encontram-se mais comportadas, mas sem excessos.

Percebo que a grande maioria dos analistas que fazer crer que o que ocorreu na semana passada foi um fato isolado e em pouco tempo tudo voltará ao normal. O Mosca não descarta essa hipótese, mas tem dúvidas. Em situações como essa o que se deve fazer é deixar o mercado falar - Let´s the market speak!

Com intuito puramente estatístico, a análise a seguir coloca em contexto como foi o desenrolar das últimas 11 correções onde não se seguiu uma recessão.



É verdade que até o momento, essas oscilações ficaram restritas ao mercado acionário. Normalmente as quedas na bolsa de valores afetam diretamente o risco de crédito das empresas. O gráfico a seguir mostra a correlação existente entre ambos. Os eventos recentes quebraram esse encadeamento de forma expressiva.



Muita gente andava com o dedo no gatilho, esperando algum momento para deixar a bolsa. O fluxo de saída nos ETF’s foi enorme durante as oscilações presenciadas na semana anterior. O movimento no futuro vai depender em parte da reação do público.


Quem não gosta quando se reduz os impostos? O problema é que se uma economia já apresenta déficit, essa é uma jogada perigosa, pois se não houver crescimento de forma a compensar a queda de receita, o déficit tende a aumentar. Olha que beleza é a estimativa do déficit americanos considerado pelos analistas.


Outro fator que vem preocupando o mercado é a possibilidade de a inflação retornar. Incrível, que o mercado sempre está preocupado com alguma coisa, no passado era a deflação agora é a inflação. Mas ao se verificar o nível de emprego nas economias avançadas esse receio é pertinente. Veja seguir como esse indicador se encontra na mínima da história econômica recente.


Especificamente sobre esse indicador, ontem foram publicados o índice de inflação CPI, que mesmo não sendo o indicador que o FED usa, é uma boa fonte de referência utilizada pelo mercado. O índice cheio ficou em 2,1% a.a., acima da expectativa do mercado, embora o indicador que exclui alimentos e combustíveis ficou em 1,8% a.a.


Quando se observa a inflação em bases anuais, se perde uma informação importante, de como a inflação está se comportando observando os dados num período mais curto. O que pode ocorrer, é que, uma elevação no curto prazo tem um efeito mais lento no indicador. No caso do CPI, no ano anterior houve uma influência grande pela queda dos serviços telefônicos em março e abril daquele ano. No gráfico a seguir se nota a aceleração da inflação mais recente, quando o índice é calculado em bases anuais, considerando os três últimos meses.



Quando foi divulgado esse número ontem, o dólar chegou a reagir com a alta dos juros. Porém foi por pouco tempo, logo em seguida voltou a cair. Por exemplo, em relação ao euro, a moeda única se encontra próximo das máximas, desafiando a lógica que prevalecia no passado de que, juros altos era bom para essa moeda.

Alguns economistas de respeito vêm pintando um quadro mais nebuloso para os EUA no futuro próximo. Seus argumentos são de que a economia americana se encontra no final do ciclo de crescimento. Sendo assim, os estímulos anunciados pelo governo americano têm um caráter de apenas prolongar o final desse ciclo para algo em torno de 2019 ou 2020. Talvez esse seja um dos motivos dessas distorções.

Como tudo isso ainda são ideias, mas que se concretizadas, terão impacto importante nos ativos. Vale ficar bem atento, uma vez que, os mercados tendem a se antecipar. O pior que pode acontecer é a inflação subir mais que o desejado obrigando o FED a agir de fora mais rápida, num momento que seria bom tomar mais cuidado com a política monetária.

No post fuja-do-cdi, fiz os seguintes comentários sobre o dólar: ...” o mercado atingiu nosso nível de venda do dólar a R$ 3,23. O stoploss foi definido a R$ 3,30, e mesmo que sejamos stopados não significa que mudarei de ideia, a de que o dólar continuará caindo frente ao real. Somente acima de R$ 3,50 a situação se complica” ...


Na semana passada fomos stopados na quinta-feira pois o dólar atingiu o nível de R$ 3,30. A máxima foi de R$ 3,32 antes do Carnaval. Ontem o dólar apresentou uma queda expressiva de mais de 2% e agora se encontra em R$ 3,23.

- Puxa David que azar, você não errou no stoploss?
Depois do fato ocorrido é mais fácil concluir. Talvez você tenha razão, o nível de R$ 3,35 seria mais “correto”. Por outro lado, minha visão do ponto de vista técnico me indicava que aquele seria um nível que apresentava conforto, dado o que eu estava buscando. Mas assim é a vida. Em compensação, a sugestão do trade de euro quase foi estopada, mas reverteu. Aproveito para elevar o stoploss ao nível de entrada à 1,23.


Em relação ao dólar, como vocês podem verificar acima, continua contido entre as retas do triângulo em verde. O ponto de encontro cada vez mais se aproxima, e em algum momento haverá a ruptura. Minha ideia é que será pela queda do dólar. Por enquanto não vou sugerir nada, vamos manter as posições que se encontram em aberto.

O SP500 fechou a 2.731, com alta de 1,21%; o USDBRL a R$ 3,2274, com alta de 0,32%; o EURUSD a 1,2497, com alta de 0,38%; e o ouro a U$ 1.352, com alta de 0,14%.

Fique ligado!

9 de fevereiro de 2018

bitcoin: A bolha!



Agora posso afirmar com mais propriedade que o movimento observado no bitcoin e seus parceiros foi uma bolha.

O Mosca fez inúmeros comentários em seus posts acreditando que a evolução dos preços do bitcoin obedecia a característica de uma bolha, e como todas, terminaria em quedas abruptas. Imagino que dentre meus leitores alguns (vários?), devem ter se envolvido na compra dessas moedas, e a cada vez que os preços subiam, colocavam a credibilidade do Mosca em questão. Provavelmente os mais jovens pensavam “o cara está ultrapassado”.

Mas em nenhum momento mudei de opinião, no post bitcoin-piramide-digital, comentei: ...” eu acredito que o bitcoin é a primeira pirâmide digital, muito mais sofisticada e eficiente” ... ...” em algum momento as cotações devem cair muito, pois, as pessoas perceberão que o bitcoin é apenas alguns bits creditados na conta seus idealizadores, sem nenhum lastro” ....  Anexei uma apresentação que fiz sobre esse assunto, que pode ser revisitada no link a seguir bitcoin. Desde a publicação deste post, o bitcoin subiu muito, estava em U$ 11.000 e chegou a U$ 20.000, em questão de dias.

Não comprei nem 0,00000001, unidade mínima de negociação, é verdade que não ganhei nada, mas também não perdi. Conheço bem os argumentos daqueles mais “espertos”: sai de tudo um dia antes, consegui liquidar com um pequeno lucro e etc ..., mas na verdade a grande maioria ficou assistindo à queda sem fazer nada, seu pensamento se baseava em situações passadas onde o bitcoin caia alguns dias, mas logo em seguida recuperava e alcançava novas máximas.

Um dos meus leitores jovens, resolveu embarcar nessa aventura e num determinado dia, antes dessas quedas, me perguntou “o que eu faço, me dá uma sugestão”. Sou macaco velho e sei que sugiro vender tudo, e sobe depois, ele iria ficar muito bravo comigo. Se aconselho não fazer nada, uma vez que, a decisão era só dele, se o mercado cair também ficaria bravo comigo. Afinal sou ou não sou o Mosca, que deveria ter opinião sobre qualquer ativo? Sugeri que vendesse a metade, assim protegeria seu capital inicial, haja visto que, naquele momento seu investimento inicial tinha dobrado.

Por falar nisso, detesto ficar com a metade de qualquer posição é a pior decisão de todas. Sempre você vai se achar um burro. Normalmente fico nessa posição temporariamente, com preço para liquidar o remanescente se subir, e stoploss curto se cair. Na verdade, é uma situação onde estou de saída, só deixo mais algumas fichas na mesa.

Bem, vamos aos números. O gráfico a seguir apresenta a queda das cryptocurrencies desde o seu pico. Como podem notar o bitcoin caiu 70% dessa máxima. Eu digo que normalmente, depois de estourar uma bolha, os ativos caem de 80% a 90% do pico, onde o bitcoin está enquadrado.



_ Ei David, ainda faltam no mínimo 10%! Hahaha ....
Aguarde! Hahahaha ....

Só para completar, no estudo que eu fiz sobre bolhas, depois de uma queda dessa magnitude, o mercado fica um bom período no “ marasmo”, com pequenas oscilações. As exceções são para as empresas que quebram, aí sua cotação vai literalmente para zero.  Outros ativos, acabam se recuperando. No caso do bitcoin não sei o que vai acontecer, mas seguramente boa parte de seus compradores que perderem dinheiro não entrarão de novo.

Vocês devem estar notando como as explicações para as quedas das bolsas se multiplicam. Para o pessoal que achou que tinha sido só um espasmo, a queda de ontem os deve ter deixado mais preocupado.  Eu alertei sobre essa possibilidade no post subprodutos-do-crescimento: ...” A normalização dos negócios ainda é uma incógnita, embora o mercado tenha reagido positivamente ontem, os momentos da segunda-feira ainda acarretarão calafrios aos investidores que se perguntarão se é hora de continuar ou aproveitar essa recuperação para vender suas posições. Não acredito que tudo terminou considerando aquele dia como um pesadelo” ...

Gostei bastante do post de ontem o-ping-pong-das-bolsas, é verdade que sou suspeito! A classificação dada pelo Gavekal é ótima e serve de indicador. O gráfico a seguir aponta na mesma direção da sua opinião onde a queda teria sido por Carestia, conforme a definição dada no post mencionado.



Os lucros das empresas americanas são publicados trimestralmente, com sua maior concentração no mês subsequente ao termino do trimestre. É comum fazer uma comparação entre as previsões dos analistas contra o resultado realizado, inferindo se ficou acima ou abaixo da previsão. O gráfico a seguir apresenta a robustez dos resultados, notem que diferentemente do que aconteceu recentemente, tanto os lucros como as receitas foram superiores. No passado, os lucros acabavam sendo maiores porque as empresas passaram por um período de ajuste de despesas.



Agora existe dois indicadores que não estão coerentes com toda essa melhora. O primeiro, é o M2, crescimento da moeda, que deveria estar subindo, e continua a cair. É natural se esperar que o crédito suba aumentando a circulação de dinheiro.



O outro diz respeito a velocidade da moeda que nunca mais voltou ao níveis pré-crise. O gráfico poderá estar indicando uma estabilidade recente, mas o esperado é que suba.




No post o-pib-americano-explodiu, fiz os seguintes comentários sobre os juros de 10 anos: ...” Minha ideia e realizar o resultado ao redor dos 3% e esperar para ver o que acontece. Esse nível é de muita importância, pois além de ser uma barreira, é um nível que contém um fator psicológico. Acredito que, se os juros ultrapassar esse patamar, terá impacto mais sensível sobre os outros ativos” ...


Depois de uma semana volátil em todos os ativos, os juros de 10 anos chegaram a recuar até 2,65% na segunda-feira e depois voltaram a negociar perto da máxima recente de 2,86%. O gráfico a seguir com escala trimestral, tem como objetivo mostrar a importância do nível comentado acima.


Observem incialmente as linhas pretas traçadas que contém os níveis de juros desde 1986. Essa linha foi rompida neste trimestre. Como o trimestre não terminou, estou supondo que não volte para baixo, o que anularia toda essa análise. Agora observem a linha vermelha que está localizada nos 3%. Caso os juros ultrapassem, acrescentam mais um ponto em favor do rompimento mencionado acima. Agora crucial é o nível ao redor de 3,3%, apontado em azul, se passar, podemos afirmar que terminou o ciclo de baixa de juros que perdurou por 40 anos!

- David, e se isso acontecer, o que significaria?
Significa que, os juros poderão subir até 16% a.a. – máximo atingido em 1981, ou mesmo até ultrapassar.

- O que? Como pode fazer uma afirmação tão bombástica!
Calma amigo, eu disse poderão. Mas fica tranquilo que se acontecer algo assim, não serei eu que estará no comando do Mosca, pois pode demorar outros 40 anos.

Mas antes de sonhar, meu objetivo aqui é alertar para uma mudança que aparece a cada 40 anos. O problema é que, 99% dos investidores e traders estão acostumados a fazer exatamente ao contrário do que deve ser feito nesse novo cenário. Aliás, não é só o Mosca que alerta para essa possibilidade, Charles Gave, um dos fundadores da Gavekal, publicou um relatório no último dia 24 com o título: A “Once In a Generation Shift”, onde expõe porque o mundo vai passar de um ambiente deflacionário para um ambiente inflacionário.

Se tudo isso acontecer, esse é daqueles casos onde o fundamento e a análise técnica estão em concordância. Para os leitores do Mosca peço que fiquem atentos. Mas não se preocupem, eu estou acompanhando com lupa esse ativo. A dica é ficar de olho nos juros de 10 anos, ele será o indicador da mudança. Em todo caso, como já havia recomendado antes, não comprem títulos longos, o risco parece não recompensar tecnicamente. Sugiro reler o post __Está na hora de mudar de direção___ .



O SP500 fechou em 2.619, com alta de 1,49%, foi uma secção volátil, com momentos de queda e alta se sucedendo, muito diferente do que acontecia há 15 dias; o USDBRL a R$ 3,2939, com alta de 0,25%; o EURUSD a 1,2233, com baixa de 0,10%; e o ouro a U$ 1.315, com queda de 0,24%.

Fique ligado!

8 de fevereiro de 2018

O ping pong das bolsas



Parece que as explicações sobre a queda da bolsa que ocorreu na segunda-feira não foram suficientes para justificar os motivos de tamanha surpresa.  Um trabalho publicado pela Gavekal coloca em cheque os motivos de quedas ocorridas no passado.

A grande dúvida que surge aos investidores é se essa queda é o começo de um mercado de baixa, ou um espasmo que se dissipa no tempo. Como não existe uma campainha que dá esse aviso, esse trabalho elenca três tipos de situações:

Carestia - O primeiro caso emerge simplesmente porque as ações ficam muito caras: 1962, 1987 e até 2000 se enquadram nesse caso. As oscilações são violentas, mas de curta duração - O mais curto foi provavelmente a de 1987, o que, de fato, durou apenas alguns dias. Esses episódios não têm impacto na atividade econômica ou na inflação.

Queda nos lucros – Esse é o segundo tipo mais danoso, já que nasce de uma real contração em ganhos, em vez de, apenas um múltiplo de ganhos que diminui. O gatilho geralmente é uma recessão "inesperada" (todos elas são). Estes geralmente perduram entre 9 a 18 meses, muitas vezes têm manifestações violentas e tendem a ser prejudicial para o bem-estar dos gestores de recursos. A bolsa pós-1985, cuja queda foi ocasionada pelo mercado de energia, é um bom exemplo dessa variedade.

Barbeiragem – Este caso tende a emergir depois que os colegas do governo ou do banco central implantam uma política ruim de "fatal presunção ", pensando que são mais inteligentes do que os mercados. Tais crenças levam a coisas estúpidas, como taxas de câmbio fixas, uniões monetárias, controles de preços e a adoção de taxas de juros artificialmente baixas. Principais exemplos de tais barbeiragens foram vistos na União Soviética (1917-91), no Japão depois do Acordo do Louvre (1985 - bastante recentemente). Esses efeitos podem durar por décadas e tendem a ser profundamente deflacionário, pois, uma vez que, quando eliminados, os choques súbitos dos preços ditados pelos mercados, em vez de um monte de artificialidades, muitas vezes causam a implosão do sistema financeiro. Para qualquer gestor de portfólio, esta terceira variedade é terrível.

Em seu entendimento, nos EUA, os rendimentos dos títulos longos estão bem onde deveriam estar, de acordo com seu modelo. O dólar normalmente avaliado contra a maioria das moedas asiáticas, está sobrevalorizado versus o iene, e mais ou menos, a sua taxa de paridade de poder de compra contra China ou Alemanha. As ações americanas, no entanto, mesmo após a recente queda, permanecem dois desvios padrão acima de sua avaliação normalizada (veja o gráfico abaixo). Sua conclusão que o mercado americano estaria mais caracterizado no tipo Carestia.


Em contraste, no Japão, que tem uma moeda subvalorizada, uma dívida sobrevalorizada, e um mercado de ações de valor razoável. Seria lógico esperar um modelo Carestia, nos títulos do governo (embora o banco central por agora permaneça como um comprador comprometido). No resto da Ásia, as taxas de câmbio estão razoavelmente avaliadas, bem como, os mercados de títulos e mercados de ações. Desta forma, não haveria preocupações.

Onde existe o potencial de um modelo Barbeiragem, é na zona do euro. O mercado de títulos é o produto da imaginação de algumas pessoas do Banco Central Europeu. A taxa de câmbio não é determinada pelo mercado, o que em conjunto com as configurações de taxa de juros irreais, significa que os valores patrimoniais não têm base firme da realidade.

Por exemplo, desde 2008, o excedente da conta corrente da Alemanha aumentou de 3% do seu PIB para 9%, enquanto a taxa do euro em 2009 está no mesmo nível que a atual. Por isso, se o euro se valorizar a Itália irá sucumbir. E se o euro não apreciar, é provável que Donald Trump seja susceptível a impor tarifas pesadas, uma vez que, o superávit da Alemanha como os EUA excede 50 bilhões.

A Gavekal tem uma visão muito crítica em relação a Europa já de longa data, desta forma não me surpreende sua colocação. Por outro lado, fico imaginando como poderia ser a normalização da política monetária na região do euro, caso a Europa continue a crescer no ritmo atual.

Esse relatório nos leva a concluir, que o que ocorreu nos EUA nesta semana, segundo suas avaliações, deve ser de curta duração, não afetando o movimento da bolsa mais adiante. Agora, quando o Super Mini Mário, decidir agir, as coisas poderão ter repercussões bem mais profundas. Boa reflexão!

No post a-bolha-estourou, fiz os seguintes comentários sobre o ouro: ...” Com uma visão de mais curto prazo tenho dúvida se o mercado irá romper proximamente (1), no nível apontado abaixo – em verde no gráfico, ou ainda uma correção vai preceder levando o ouro ao redor de U$ 1.290, para em seguida voltar a subir (2)” ...

Na eventualidade do ouro seguir pela alternativa (1) sugeri o seguinte trade: ...” Quando se está em dúvida não se deve fazer nada, isso não significa deixar de acompanhar o mercado. Nesse caso especifico vou sugerir um trade, caso a proposta (1) prevaleça. Comprar ouro a U$ 1.385 com stoploss U$ 1.350” ...

Passados alguns dias, o ouro está dando indicações que a alternativa (2) poderá prevalecer, fazendo com que o trade acima seja cancelado. Naquele momento externei minhas dúvidas e frisei que em situações como essa não se deve fazer nada, estabeleça seus níveis e os obedeça, sem tentar “achar” que vai subir ou cair, em função dos movimentos de cada hora.

Na figura acima, enfatizei em preto o triângulo a que me refiro, que está se desenhando como no livro texto, e em verde o que eu espero. Caso o ouro atinja o nível ao redor de U$ 1.290 -1.280, vou sugerir um trade de compra. Se tudo isso acontecer, o que não é pouca coisa, só espero que daí em diante ele continue a se comportar como o livro texto!

O SP500 fechou a 2.581, com queda de 3,75%; o USDBRL a R$ 3,2857, com alta de 0,44%; o EURUSD a 1,2245, com queda de 0,16%; e o ouro a U$ 1.318, sem variação.

Fique ligado!

7 de fevereiro de 2018

Subprodutos do crescimento



Em relação a queda das bolsas na segunda-feira, gostaria de enfatizar três pontos importantes, que são indicadores de potencias problemas em mercados:

Longos períodos de calma no mercado criam as condições técnicas para movimentos violentos.
Até a semana passada, a característica mais marcante de muitos mercados era a baixa volatilidade, tanto implícita quanto realizada. Apesar de várias razões econômicas e corporativas terem sido citadas de forma liberal para esse desenvolvimento (incluindo a convergência das taxas de inflação em todo o mundo, bancos centrais sustentados eternamente, além de balanços saudáveis ​​e crescimento sincronizado), um determinante importante foi o condicionamento da base de investidores acreditando que a cada pequena queda, uma oportunidade de compra surgia. Uma estratégia de investimento simples que provou ser muito remuneradora nos últimos anos.

O economista Hyman Minsky estudou o fenômeno da complacência prolongada como o precursor da instabilidade. Esse fenômeno é reforçado pelas ideias das finanças comportamentais e pode levar os mercados a adotar paradigmas que, em última instância, se tornam insustentáveis ​​e prejudiciais (como a ideia, há mais de uma década, que a formulação de políticas superou totalmente o ciclo econômico, e a noção de que a volatilidade foi abolida do sistema financeiro).

Os negócios que seguem um consenso generalizado, podem ser muito mais instáveis ​​do que a maioria dos investidores esperam.

Este foi o caso desta semana com os investimentos indexados a baixa volatilidade, efetuados de várias formas.
Alguns eram explícitos, como a compra de produtos que retornam o inverso de um índice de volatilidade como o VIX. Outros foram construídos através de combinações de colocações e chamadas em mercados de derivativos. Outros ainda estavam implícitos em um posicionamento extremo entre os investidores institucionais, como a adoção de uma grande exposição fora de referência em alto rendimento e certos segmentos de mercados emergentes.

Inicialmente, esses negócios se tornaram cada vez mais estáveis ​​e gratificantes, já que mais investidores o abraçaram. Isso fez que o posicionamento oposto – apostar que a volatilidade vai subir – perdesse muito dinheiro.

Durante a turbulência do mercado, a diferenciação dos investidores dá lugar a ações indiscriminadas.

Conforme explicado pela teoria do "market for lemons" apresentada por George Akerlof, e pelo trabalho dos Prêmios Nobel Michael Spence e Joseph Stiglitz, torna-se muito difícil sinalizar "qualidade" quando o contexto é extremamente conturbado e a volatilidade é perturbadora. Em quedas violentas de mercado, até empresas sólidas são tratadas como "lemons" inicialmente.

Num processo de liquidação generalizada de posições os ativos mais líquidos são usados para gerar caixa e honrar resgates em massa dos investidores. Isso torna indiferente se o gestor está vendendo algum ativo de boa qualidade ou má qualidade. Naquele momento o que vale é liquidez.

Os três pontos acima constituíram relevantes para os recentes movimentos do mercado, que foram impulsionados tecnicamente, e não por fundamentos econômicos e corporativos. Na verdade, ocorreram no contexto da melhoria e não da deterioração dos fundamentos. E eles serviram para fechar parcialmente a diferença entre os preços elevados dos ativos e os fundamentos mais lentos.

A normalização dos negócios ainda é uma incógnita, embora o mercado tenha reagido positivamente ontem, os momentos da segunda-feira ainda acarretarão calafrios aos investidores que se perguntarão se é hora de continuar ou aproveitar essa recuperação para vender suas posições. Não acredito que tudo terminou considerando aquele dia como um pesadelo.

Quando uma economia cresce é natural supor que as importações cresçam mais que as exportações. Isso não necessariamente implica numa diminuição do saldo comercial, pois depende do nível de cada uma delas e suas acelerações. Vejamos o que ocorreu com o saldo comercial americano. Como podem notar a seguir o déficit aumentou e vem aumentado recentemente.


Na próxima ilustração, se nota que as importações cresceram mais aceleradamente que as importações, razão da alta do déficit notada no gráfico acima.




Agora, com qual país essa troca se deu com maior desvantagem? Nem preciso dizer a resposta. Acho que o Trump estremeceu na cadeira e teve vontade de dar um soco na cara do Xi Jinping!




O subproduto de crescimento implica maiores importações. Se todo o mundo tivesse crescimentos iguais e mantivessem a mesma composição de produtos, ninguém perceberia qualquer mudança no saldo comercial, apenas o volume aumentaria.

Acontece que o modelo Chinês foi construído em cima das exportações, e uma mudança em favor de um consumo interno maior demora a acontecer. Enquanto isso, Trump, que não tem a vida inteira para esperar, deve estar traçando alguma estratégia para alterar essa trajetória.

No post ate-França, fiz os seguintes comentários sobre o Ibovespa: ...” se o índice chegar nesse nível (91.000), vamos reduzir nossa posição fechando uma delas, que se encontra em aberto. Além disso, vou subir o stoploss para 80.000. Quero deixar claro que essa é uma medida de redução de posição e não uma mudança de direção. Continuo positivo na bolsa no longo prazo, mas acredito que em algum momento acontecerá uma correção, só não sei quando e nem que preço” ...


A bolsa chegou a atingir a máxima de 86.800 e recuou, função da queda observada no exterior, iniciando assim uma correção. Neste momento não saberia dizer qual foi ou será sua extensão. Como sempre digo, pode ser uma correção pequena, média ou grande. Pelo sim, pelo não, apontei 80.000 como stoploss, que se atingido, não significa que a direção de longo prazo mudou.


No gráfico acima apontei os dois níveis que estava disposto a aguentar caso isso seja uma correção pequena - verde. Agora se for maior, caindo mais, prefiro esperar sem posição para entrar novamente no futuro.

Confesso que ao estudar o gráfico fiquei tentado a colocar o stoploss mais abaixo, 79.000 ou 77.000. Uma sensação de culpa tomou conta de mim, ao raciocinar que a bolsa poderia tocar em nosso stop e subir em seguida, como dizendo “ trouxa comprei sua posição baratinho”. Mas logo em seguida vem o racional e diz “ já vivencie queda maiores com seus respectivos prejuízos ao me deixar levar por esse tipo de pensamento”. Prefiro ficar com o racional e correr o risco de ser chamando de trouxa. A diferença é que estaremos com o capital protegido. Comprar é fácil, basta dar a ordem. Vender com prejuízo, quando começa a cair, cair, e bem pior!

O SP500 fechou a 2.681, com queda de 0,50%; o USDBRL a R$ 3,2713, com alta de 1,13%; o EURUSD a 1,2265, com queda de 0,90%; e o ouro a U$ 1.317, com queda de 0,57%.

Fique ligado!