Inflação: A Revanche

16 de janeiro de 2017

Lições de Vida

O Mosca voltou! Como sempre, os primeiros dias, depois das férias, ainda predomina uma certa desconexão com o mercado e notícias econômicas. O post de hoje versa sobre 10 dicas que se aprende com a experiência extraída na área de investimentos.

Gostaria de ressaltar que na agenda desta semana existem 3 eventos que merecem destaque: a fala da Primeira Ministra Inglesa Theresa May amanhã onde irá expor sua visão sobre a saída da Inglaterra da Comunidade Europeia; a posse de Trump no dia 20 próximo que vem metralhando com maior intensidade as montadoras, a CIA e qualquer um que se opõe a suas ideias; e por último o World Economic Forum que se realiza em Davos, começando hoje e programado para terminar no dia 20 de janeiro.

A diferença de uma pessoa burra, de uma pessoa inteligente, e que a última aprende com seus erros enquanto a primeira repete. O processo de investir não é diferente e a atenção que se deve dar aos erros cometidos. Essa atividade envolve a parte emocional, e a identificação dos erros não são tão evidentes. Vou explanar em 10 tópicos o que se pode aprender:

1.       Ignore as notícias e só preste atenção aos preços: O que realmente interessa é o preço que você compra e o preço de venda de um ativo. Todo o resto é só “barulho”. Quantas vezes não se ouve que uma ação deveria cair ou subir e acaba acontecendo o contrário. Ignorando as manchetes assustadoras e seguindo os preços é mais efetivo que ouvir as opiniões da mídia.

2.       Ninguém é tão bom quanto parece: Eu não acredito quando ouço alguém dizendo que acertou 90% das vezes. Se você tiver a sorte de encontrar alguém que aponta seus erros e o que ele aprendeu de seus erros, siga-o imediatamente. O resumo é que investir é extremamente difícil e se alguém induz que é fácil, todo o tempo, está mentindo. Não tenho como não colocar a Empiricus nesta categoria, uma empresa que começou certo e se desvirtuou.

3.       Não existe uma forma padrão de operar: Não tem essa de uma caixa preta como gostaríamos. Os mercados estão sempre mudando; os participantes estão ficando mais espertos; e você deve se adaptar rapidamente ou irá perder dinheiro. O que funcionou o ano passado pode não funcionar este ano. Não espere ganhar toneladas de dinheiro de forma fácil, e não perca tempo com ganhos mágicos, eles não existem.

4.       O sentimento tem que fazer parte da sua metodologia: Este é um ponto que ainda não é muito desenvolvido no mercado brasileiro, porém amplamente divulgado nos mercados internacionais. Poderia exemplificar com a pesquisa de sentimento dos investidores, posições em aberto, relação entre opções de compra e venda e vários outros. Essas informações são muito difundidas para quem usa análise técnica. Se todo mundo projeta o mesmo movimento é bem provável que todos estejam errados. Não quero dizer que não pode acontecer, mais um cuidado muito grande se deve ter nas situações de consenso generalizado.

5.       Ser esperto não significa que você vai operar bem: Eu acompanhei diversos casos de empresas e investidores muito inteligentes que falharam. Um exemplo que me ocorre é do Hedge Fund Long Term Capital Mangement, cujos sócios ganharam Premio Nobel de Economia e mesmo assim seu fundo só não quebrou por que o FED interviu. É claro que não existe uma relação direta entre o fato de ser bem preparado tecnicamente e ser bem-sucedido.  

6.       A tendência do mercado é seu “amigo” – The trend is your friend: Esse é um ponto muito explorado em análise técnica. Talvez o melhor exemplo recente é a alta da bolsa americana, desde a grande recessão de 2008. O índice SP500 subiu desde então aproximadamente 240%. Quantas não foram as sugestões de venda, inclusive o Mosca em algumas situações. Identificado uma direção, especialmente de longo prazo, você poderá realizar operações oportunistas no sentido contrário, mas com stoploss curtos.

7.       Não existe forma certa ou errada de ganhar dinheiro: Se você se especializa num tipo de operação: day trade; contrário; o qualquer outra, e adquiri uma capacidade comprovada, não tente outras técnicas, podem atrapalhar o que você faz bem.

8.       Se uma operação não está funcionando, caia fora: Neste ponto não estou dizendo sobre stoploss, embora seja tão importante quanto. O quero dizer são trades onde algum fato passado o faz ficar mentalmente investido. Um exemplo clássico é querer recuperar um prejuízo feito anteriormente. Essa neura pode tirar sua atenção de outras oportunidades. Meu conselho: Não se apaixone por nenhum ativo, hoje você pode comprar porque é uma boa alternativa e amanhã fazer o contrário.

9.       Sequência de perdas: Nós não somos perfeitos. Vários analistas acertaram a queda da bolsa em 2008, como a analista do Citibank que previu a queda das ações dos bancos. Acontece que daí em diante, projetou novas quedas que nunca acabaram acontecendo. Perdas fazem parte do negócio e as vezes acontecem em sequência, o importante é aprender sobre os erros. Respeite suas limitações e se a noite dormiu mal ou teve pesadelos é provável que suas decisões no dia seguinte serão influenciadas por isso. Melhor não fazer nada nas próximas 24 horas.

10.   O mercado não te deve nada: O mercado não está nem um pouco preocupado com você, tudo que ele quer é tirar o seu dinheiro. Existe uma razão para que 90% dos operadores de opções não continuarem no ano seguinte. Operar é uma das profissões mais compensadoras, mas ao mesmo tempo frustrante. O mais importante é paciência e disciplina. Não espere que isso aconteça no curto prazo.

No post happy-dollar, fiz os seguintes comentários sobre o dólar: ...” A partir de agora, passo a acompanhar o intervalo de R$ 3,50 para cima e R$ 3,12 para baixo. O meio é o que deve acontecer nos próximos dias”...


E acabou acontecendo o que eu imaginava, uma negociação contida no intervalo anotado acima. Não consigo dar nenhuma sugestão no momento apontando para uma alta ou baixa, embora a maior possibilidade é de baixa. Se alguém quiser se aventurar na venda de dólar sugiro um stoploss curto ao redor de R$ 3,30 – 3,35. Uma segunda estratégia seria esperar atingir esse nível – R$ 3,30/3,35, para vender, e por último, esperar romper para cima de R$ 3,50 e comprar, ou abaixo de R$ R$ 3,12 para vender.


Não faço nada no momento pois os preços não são convidativos, porém tenho mais simpatia pela segunda opção.

Com as recomendações expostas hoje, fica claro que no caso especifico do dólar estou pronto para entrar em qualquer direção, ou comprando ou vendendo dependendo do que o mercado me sugerir.  A última operação fomos stopados, eu esperava um movimento de alta que acabou não acontecendo.

 Agora, os preços me sugerem que é possível uma queda. Vocês podem achar como isso é possível, qual a lógica para uma mudança tão radical? Naturalmente para quem usa a análise fundamentalista, que diga se de passagem, é a maioria dos analistas, não entenderiam nada, eu seria taxado como “jogador”.

Não sei qual será o movimento do dólar a seguir, mas sei que posso ser compelido a tomar uma posição sem um viés pré-estabelecido. Mais importante que minha lógica em termos econômicos, é ficar atento no mercado, ele vai fornecer as pistas.

O SP500 fechou a 2.274, com alta de 0,18%; o USDBRL a R$ 3,2415, com alta de 0,65%; o EURUSD a 1,0600, com queda de 0,39%; e o ouro a US$ 1.202, com alta de 0,46%.
Fique ligado!

13 de janeiro de 2017

Back to the Present


A partir de segunda-feira o Mosca retorna sua publicação diária. Depois de 4 semanas acompanhando os mercados de forma mais ampla, chega ao fim essa fase. Naturalmente a volta é difícil, o ser humano tem uma tendência de optar pelo mais fácil, confortável. Depois de ter pedalado mais de 500km, minha condição física surpreendeu. Porém tudo isso é de pouca valia aos meus leitores. Vamos lá, retornar ao dia a dia dos mercados.

Coletei alguns gráficos nesta última semana que achei interessante. O primeiro mostra que as coisas não estão tão mal na Europa, como o Mosca vem observando ultimamente. Agora, alguns analistas já apontam o ECB como Behind the Curve, o que eu também concordo.

 
O próximo mostra a variação de juros nos títulos soberanos de diversos países. Como se pode notar, a tendência é de queda generalizada, onde o Brazil é o recordista. Observo que está não é a taxa SELIC, mas das LTNs de 10 anos. Acredito que esse mesmo gráfico ao final de 2017 será bem diferente.


 A seguir se observa a variação das moedas que tiveram impacto desde a eleição de Trump. Acredito não ser necessária nenhuma explicação.


E por último, o custo de um filho americano de acordo com a faixa de renda dos pais. É um valor elevado e talvez seja a razão na diminuição no número de filhos.



Existe uma operação em aberto na compra de dólar e venda de euro, que se encontra muito próximo do stoploss. A moeda americana, desde os últimos dias do ano, vem perdendo força frente a todas as moedas. Mas esse assunto será tratado a partir da próxima semana.


O SP500 fechou a 2.274, com alta de 0,18%; o USDBRL a R$ 3,2205, com alta de 1,03%; o EURUSD a 1,0641, com alta de 0,23%; e o ouro a US$ 1.197, com alta de 0,14%.
Fiuqe ligado!

6 de janeiro de 2017

O cara é bom de Marketing

Sou obrigado a reconhecer que Donald Trump é muito astuto e consegue atingir seus objetivos, por enquanto, de forma certeira. Vejamos alguns fatos:

1.       Conseguiu colocar os chineses na retaguarda ao telefonar para o Presidente de Taiwan. No mínimo deu um lance totalmente imprevisível, tocando num ponto fraco da política externa daquele país. Resumiria: pisou no calo deles.

2.       Agiu sobre algumas empresas americanas ameaçando represálias caso instalassem suas fábricas fora do EUA. Esta semana a Ford, sem nenhuma interferência sua, decidiu cancelar seu investimento numa fábrica a ser instalada no México. Sobre este ponto de vista, imagino que nenhum empresário seria louco de anunciar algo em contrário. Meteu medo nos CEO.

3.       Em relação a espionagem dos Russos na campanha de Hillary Clinton, apontado pelo serviço de inteligência americano, Trump incialmente buscou minimizar o assunto. Depois voltou atrás quando essa agência se posicionou de forma firme. Um recuo inteligente, não valeria comprar uma briga com eles agora. Entretanto, quem pode garantir que ele conjuntamente com Putin, não planejou essa ação?

4.        E por último, o uso do Twitter para mandar seus recados à mídia e para o povo americano.

Sobre o último ponto acima, acho genial essa ferramenta usada. Dá a imagem de modernidade, é lembrado diariamente, e seus recados são curtos dado a limitação no número de palavras. Até o Mosca virou seu seguidor.

Queria lembrar os leitores que ele nem assumiu a Presidência, por enquanto a bola está no pé do Obama que está louco para cair fora logo.

No campo econômico o ano ainda não começou, muitos analistas e investidores deverão voltar na próxima segunda-feira, menos o Mosca que ainda tem mais uma semaninha! Hahaha...

Ao ler as expectativas para os mercados, elaboradas pelos departamentos econômicos dos bancos, posso dizer que o viés é positivo, com alguma cautela. Alguns projetam para 2018 uma desaceleração de crescimento nos EUA, outros não, entretanto existe um consenso que em 2017 Trump vai dar conta do recado.

Não refiz minhas análises técnicas semanais como de costume, e prefiro aguardar para opinar, o que só vai ocorrer depois do dia 16/01.

A ilustração a seguir chamou a minha atenção, a Amazon aumentou sua força- robô em 15.000 nos últimos 3 anos. Como venho enfatizando, o processo de substituição de trabalhos executados por humanos vem seguido seu curso. 

A planilha abaixo contempla a operação que estava em aberto bem como a sugestão de trade que ainda não se concretizou. Está semana o dólar perdeu parte de seu ganho, uma vez que, o euro chegou a atingir a mínima de 1,033 na última terça-feira. Com a publicação dos dados de emprego hoje, e principalmente a elevação dos ganhos salariais em 0,4% relativos ao mês passado, deram nova força a moeda americana.

O SP500 fechou a 2.276 com alta de 0,35% atingindo assim seu recorde histórico; o USDBRL a R$ 3,2239, com alta de 0,78%; o EURUSD a 1,0527, com queda de 0,75%; e o ouro a US$ 1.172, com queda de 0,65%.

Fique ligado!

29 de dezembro de 2016

Happy Dollar!


O dólar resolveu dar uma pausa neste final de ano e deu uma colher de chá às outras moedas, inclusive o real. Infelizmente, fomos estopados em nossa posição de dólar contra o real, com uma perda de 1,36%. Cést La Vie!

Este último post do ano é para concluir os trades de 2016.

Não vou fazer uma análise mais detalhada do dólar contra o real pois acho que ninguém está no "clima", inclusive o Mosca, afinal estamos em ritimo de Réveillon. A partir de agora, passo a acompanhar o intervalo de R$ 3,50 para cima e R$ 3,12 para baixo. O meio é o que deve acontecer nos próximos dias. Na minha volta, faço uma análise mais detalhada, ou anted disso, caso haja um rompimento desses níveis acima.


A tabela abaixo apresenta o resultado deste ano, veja a seguir as principais estatísticas:
Foram propostos 24 trades no ano, desses, 10 ganhadores com um acumulado de 34,21% (média de 3,4%/trade), 7 perdedores com uma perda acumulada de 9,81% (média de 1,4%/trade), e 7 cancelados.


Sem querer jogar confete no Mosca, acho que os resultados foram muito bons. As estatísticas abaixo comprovam isso:

v  3,42 trades ganhadores em relação aos perdedores.
v  Uma proporção de US$ 3,48 ganho para cada US$ 1,00 perdido.
v  Maior ganho: 15,13% - maior perda: 2,33%.

Espero poder repetir em 2017!


Feliz ano Novo!

O SP500 fechou a 2.249, sem alteração; o USDBRL a R$ 3,2532, com queda de 0,94%; o EURUSD a 1,0616, com alta de 1,20%; e o ouro a US$ 1,161, com alta de 0,28%.
Fique ligado!

23 de dezembro de 2016

Merry Christmas


Como havia comentado, farei hoje uma breve atualização de nossas posições, além de alguns dados que selecionei durante a semana.

Quando o assunto é EUA, Donald Trump ainda domina o noticiário. Está ficando cada vez mais claro que o troglodita vai pelo caminho que orientou sua campanha eleitoral. Nesta última semana se concentrou em assuntos referentes a China, aonde tudo indica, tomará medidas para restringir as importações daquele país através da elevação das tarifas de importação.

Por outro lado, a China de forma não oficial deixou vazar em seus meios de comunicação, que permanece esperançosa que o novo governo manterá os acordos anteriores, porém alerta para os enormes prejuízos para ambos os lados, caso ocorra aumento de tarifas por parte dos EUA. Diz também que, caso isso ocorra, fará o mesmo com produtos importados desse país.

A recuperação de postos de trabalho é uma promessa de Trump que tem pouca chance de sucesso. Como o Mosca comentou diversas vezes, a produção de bens nos EUA e porque não, nos países desenvolvidos, sofrem ameaças em duas frentes: a instalação de fábricas fora de seus países para locais com mão de obra mais barata; e a substituição por robôs.


Como se pode notar, é um processo estrutural e acredito que Trump não terá como combater essa tendência. Já a próxima figura apresenta em quais países o efeito da substituição por robôs está mais avançada.

 
O Titã do mercado de bonds, Jeffy Gundlach, em sua última apresentação aos seus investidores, traçou um paralelo com o início do mandato de Ronald Regan em 1982. O motivo da comparação são as semelhanças dos programas, principalmente no que se refere a corte de impostos. A Tabela abaixo apresenta as condições econômicas que prevaleciam naquele momento e as de hoje.

Eu grafei os índices que são muito diferentes e não acredito que se possa extrapolar o que lá aconteceu, com o que deverá acontecer agora.

O próximo gráfico mostra o enorme fluxo de recursos que saíram dos fundos de renda fixa e a consequente alta dos juros dos títulos de 10 anos.

E por último a evolução das moeda dos países emergentes em comparação com os países desenvolvidos. A melhor performance do primeiro em relação ao segundo é fortemente influenciada pela queda expressiva da moeda japonesa, o yen, que caiu aproximadamente 15%.


O real está fechando muito próximo ao nível de stop loss que estabeleci – R$ 3,26. No post não-arrisque-ficar-rico-pela-segunda-vez, fiz os seguintes comentários: ...“O objetivo será entre R$ 3,60 – R$ 3,75 a ser definido melhor mais à frente. Caso o que estou esperando aconteça, ficarei bastante confiante numa alta mais consistente do dólar no longo prazo. Posso adiantar que o nível de R$ 4,25 será testado novamente, seria uma alta expressiva superior a 25%! Mas, é fundamental que o nível de R$ 3,26 não seja tocado; não que isso elimine completamente minha expectativa” ...


Acontece que o dólar não chegou a ultrapassar o nível de R$ 3,50. Ao contrário, hoje ficou na linha do pênalti para eu ter que alterar minhas previsões de curto prazo. Ainda vou aguardar, mas posso adiantar que a resolução dessa dúvida se dará nos próximos dias.


No post real-quando-o-acerto-pode-gerar-uma, tracei objetivos de mais longo prazo e comentei sobre um cenário alternativo: ... “Zen” – Nesta situação o dólar ainda permaneceria “zen” por mais um tempo e poderia atingir o nível de R$ 2,80, para em seguida iniciar seu movimento de alta para níveis menores R$ 4,50 e R$ 5,50. Os percentuais de alta seriam muito semelhantes aos anteriores”... Se por ventura, o dólar romper abaixo do nível de R$ 3,10, esse cenário alternativo entra em ação. Mas isso será discutido com mais detalhes caso aconteça.

Em relação a posição de euro não tenho nada a comentar, nessa semana não houve muita oscilação em virtude das festas de final de ano.


Como a charge de hoje mostra, os garotos americanos estão pedindo para o Papai Noel - ações!
Feliz Natal!

O SP500 fehou a 2.262, sem variação; o USDBRL a R$ 3,2705, com queda de 0,49%; o EURUSD a 1,0448, com alta de 0,13%; e o ouro a US$ 1.132, com alta de 0,30%.
Fique ligado!

16 de dezembro de 2016

Euro: Uma ideia de Jerico!


Ontem foi publicado o índice de inflação CPI e, de agora em diante, passa a ser um indicador com maior importância, visto que o FED iniciou o ciclo de normalização dos juros. No post inflaçâo-revanche, tracei um cenário negativo no longo prazo para a inflação americana, onde essa poderia avançar acima das intenções do FED.

O dado publicado ontem mostra uma tendência da inflação se dirigir à meta traçada de 2% a.a., e nada até o momento indica maior preocupação. Por outro lado, existe um alívio pelo fato de não mais indicar deflação.

 
No passado expliquei a importância de analisar a curva de juros, um conceito que permite concluir se o mercado vê com bons olhos os movimentos feitos pela autoridade monetária. Recomendo a leitura do post juros-101. No momento, estamos interessados em saber qual deveria ser a curva esperada num processo de alta de juros. No post acima, fiz o seguinte comentário: ...” Considerando o que o FED deseja normalizar os juros num espaço de 2-3 anos, seria razoável assumir uma curva de juros normal, e se tivesse que acelerar as altas, "Steep".... Só para lembrar, anexei abaixo como são essas curvas.


Porém, não é o que vem acontecendo nos últimos meses, mesmo com alta importante observada nos juros de 10 anos. Para ficar mais claro, o gráfico a seguir mostra a diferença entre os juros de 30 anos contra o de 7 anos, ambos de títulos do governo. O motivo deste intervalo é verificar se existe expectativa em investimentos de mais longo prazo. Porém, o que se observa é um achatamento nessa curva, ou seja, os juros mais curtos subiram mais que os mais longos.

A implicação prática é que o mercado espera que a economia tenha uma aceleração no curto prazo, mas que não se sustentaria no médio prazo. O FED teria que interromper o ciclo de alta em algum momento. Essa conclusão vem em desacordo com a minha visão técnica, e caso o mercado esteja correto em relação ao crescimento da economia no futuro, o meu cenário técnico só se concretizará com uma alta substancial da inflação.

Estamos entrando muna fase de incerteza sobre o futuro. Aconselho a não ter uma posição rígida e observar principalmente o que o troglodita fará, o que não necessariamente é igual ao que ele diz.

Quando a moeda única foi introduzida em 1999, os europeus acreditavam que seria algo muito bom para todos eles. Os italianos ficaram felizes da vida, pois para um país que convivia com juros altos, agora poderiam comprar produtos financiados com juros equivalentes ao que os alemães praticavam. Viajar pela Europa sem ter que a cada país converter a lira, que era muito desvalorizada, em outras moedas. La Dolce Vitta!

Só se esqueceram de avisar que para tudo isso dar certo, os italianos teriam que buscar a produtividade dos alemães, e como isso não aconteceu, o seu déficit público começou a crescer de forma ininterrupta, até que o mercado percebeu que investir em euros em qualquer país da Europa não era a mesma coisa. Os juros não podiam ser “one interest fit all”; parafraseando a expressão “one size fits all”.

Agora, grande parte dos europeus gostaria de cair fora do euro, pois se tivessem sua moeda própria poderiam buscar a produtividade através da desvalorização cambial. Eu não acredito na eficiência do sistema de câmbio fixo e a história é cheia de casos de insucesso ao usar este modelo. O euro foi uma ideia de jerico!

O último mercado a ser coberto está semana de análises de longo prazo é o euro. Estamos com uma posição vendida na moeda, com objetivo inicial de atingir o nível de 1,00. Mas o que poderá acontecer depois disso? Vejamos o gráfico a seguir.


Antes de qualquer coisa, vejam que eu enfatizei com a linha azul clara o movimento do euro desde o início de 2009. Acredito que até quem não entende muito de gráficos já sabe identificar uma correção, o que é o caso. A moeda única estaria a caminho de completar essa correção de 7 anos, e existem grande chance de se encerrar quando atingir na paridade.

E se não terminar? Como frisei acima, o mundo atravessa um período de mudanças e na minha opinião o ECB está na maior contramão do mundo, excluindo o Japão que nunca saiu dela. Acho que não vai demorar muito tempo para que a Europa mostre que está entrando nos trilhos e que sua inflação também não caminha mais para resultados negativos. Assim, o Super Mário já deveria ter interrompido as injeções de liquidez. Se eu estiver certo, em algum momento terá que reverter de forma brusca seu programa, e isso poderá alterar muito o euro.

Mas, como vocês bem sabem, análise técnica não se baseia em avaliações subjetivas ou fundamentalistas; somente nos gráficos. Então, respondendo à pergunta, anotei em rosa quais seriam esses próximos níveis de queda, 0,85 e 0,75 epor último 0,65.

Não sei se perceberam, mais eu projeto que o euro vai reverter em algum momento, ou seja, voltara a subir. A moeda única se encontra em seu último estágio de queda, frisando que essa é uma afirmação com uma visão de longo prazo. Aviso aos navegantes, vamos comprar euro em algum momento, e ele vai subir bastante.

Hoje encerro os posts de 2016 e devo voltar à normalidade em 16 de janeiro do próximo ano. Desejo boas festas aos leitores e uma ótima entrada de ano. Aproveito para agradecer a confiança com o aumento significativo de leitores durante esse ano. Minha responsabilidade aumenta. Obrigado!

- David, espera aí, como nós vamos fazer com as posições em aberto? Vai deixar largado?

Hahaha ... sabia que você iria terminar o ano com alguma cobrança, mas não se preocupe, eu vou atualizando durante esse período; continue verificando no seu acesso o Mosca!


O SP500 fechou a 2.258, com queda de 0,18%; o USDBRL a R$ 3,3915, com alta de 0,67%; o EURUSD a 1,0456, com alta de 0,42%; e o ouro a US$ 1.133, sem variação.
Fique ligado!

15 de dezembro de 2016

O ouro vai virar pó?


Ontem foi anunciada a decisão da esperada reunião do FED, não porque se tivesse alguma dúvida que a autoridade monetária aumentaria os juros, mas se haveria mudanças nas suas projeções.

No post tem-gato-no-telhado fiz os seguintes comentários: ...” Na próxima semana o FED se reúne na quarta-feira para decidir sobre a taxa de juros. Na verdade, já está decidido: vai subir 0,25%. Mas, o que não está no radar, e pode surpreender o mercado, seria uma projeção de mais altas em 2017; ou seja, ao invés de 50 pontos como o mercado espera, a autoridade monetária sugere 100 pontos. E olha, não seria nada de mais, pois fecharia o ano de 2017 em 1,75% a.a., ainda abaixo da inflação corrente ao redor de 2%” ... Acho que o FED seguiu os conselhos do Mosca ao elevar as projeções para 2017 e 2018 de 50 pontos para 75 pontos, fizeram um fifty - fifty! Hahaha ...

A ilustração a seguir detalha a evolução das projeções feitas pelos membros do FED, o que o mercado denomina de dots. Notem que quando se compara os resultados da reunião de ontem com a anterior, em 2017, além da elevação citada acima, existe a concentração, em alguns níveis. Já para 2018, nota-se uma dispersão, indicando dúvidas de seus membros. Acho natural, uma vez que, existem muitas suspeitas sobre os resultados do programa do troglodita. 

Agora tenho uma curiosidade enorme para saber quem é o membro que acredita que a taxa estará em 0,75% ao final de 2018, se ele acertar vai ser considerado um visionário!


Enquanto a professora Yellen explicava para o mercado que não precisavam se preocupar pois estava indo tudo muito bem na economia americana, e que o FED está no caminho de normalizar os juros, Trump se reunia com o pessoal da FANG e seus derivados.

- David, FANG? Não conheço essa empresa.
Ah, você sabe como os americanos são loucos por criar acrónimos. FANG são as inciais das seguintes empresas: Facebook, Amazon, Netflix e Google!

Foi permitido a impressa gravar em celular alguns momentos do evento e o futuro Presidente se portou como um “cliente” dessas empresas, na verdade cobra impostos, mas não sei bem o que entrega. “Oi pessoal estou aqui para ajudar vocês ... ... Se precisar de qualquer coisa entre em contato com meus assessores ou ligue direto para mim, sem burocracias” .... Não deixa de ser uma mudança. Agora será que Trump vai governar os EUA como se fosse uma empresa?


Antes de entrar na análise técnica do ouro, o gráfico a seguir mostra a evolução da dívida americana, entre os principais agentes econômicos. Notem que a parcela relativa a população é elevada, e na sua maioria refere-se a empréstimos imobiliários. Se por um lado grande parte dessa dívida foi contratada à taxa fixa, não sofrendo impacto de uma eventual alta do juro, por outro lado uma desvalorização dos imóveis pode comprometer sua qualidade.


Quando eu comecei o Mosca o ouro era a coqueluche do momento. Naquele instante, eu apelidei os metais, ouro e prata, como pop star. Os relatórios internacionais publicavam projeções dos analistas, que eram refeitas quase que diariamente. Cheguei a observar nestas projeções níveis de U$ 3.000, US$ 5.000 e até US$ 10.000! O ouro era a recomendação do momento. Para quem começou acompamhar o Mosca naquela época, apontei para um longo período de queda.

Essa postura não restringiu nossos trades durante esses anos, sugerindo várias vezes trades de compra e de venda. Mas eu tinha um nível onde eventualmente o ouro iria reverter e começar a subir. Esse nível aconteceu no início desse ano quando atingiu a mínima de US$ 1.050 – meu nível era de US$ 1.100.

Agora quase nem se ouve falar do ouro, os analistas fazem comentários de roda pé, pois acreditam que o ouro é pó, será? O Mosca ainda trabalha com a hipótese que o metal vai subir. O que está em dúvida é em que nível a correção vai terminar, ou pode ser que até já terminou. 

Por enquanto o ouro está muito fraco, meus indicadores de momentum apontam para mais quedas. Isso implica que para mudar de direção terá que fazer muita “força”. Vou ficar de olho em dois níveis que aponto abaixo no gráfico.

Um se encontra muito próximo a US$ 1.100. Neste nível existem poucas razões para comprar e muitas para não. Porém uma das razões a favor é que se pode estabelecer um stoploss bem curto, aproximadamente US$ 50. Talvez vai valer uma aposta, não sei ainda. Já a segunda a US$ 900, deveria conter a queda. Do pico atingido, é aproximadamente 50% de retração, um descontão! Aí, vamos tomar coragem e comprar.

Se a segunda hipótese ocorrer tenho muita convicção que ninguém estará recomendando o ouro, vamos ler nos noticiários que o metal não serve para nada a não ser para joias, pois nem os dentistas usam mais; não rende juros; e etc ... E da mesma forma quando estava com toda a bola em 2011, e o Mosca estava com uma visão contrária, se atingir os níveis acima nós estaremos com uma visão contrária do mercado. Afinal o outo nunca será pó!

- Ah, Ah, Ah ... você usou nunca, não é contrário a usar essa palavra?
Eu não disse que não pode ficar mais barato, só disse que nunca vai virar pó, por um centavo você não compra? Hahaha ...

Falando nisso, preciso colocar o cenário alternativo. Se a galera estiver certa e o ouro continuar caindo, vou ter que refazer minha análise e provavelmente ficará comprometido a ideia de do metal ultrapassar a máxima de US$ 1.920.

- David, assim você não vai errar nunca. Sempre tem uma saída! 

Vou te corrigir, sempre tem um stoploss, e a humildade de assumir que errei. Melhor isso que ficar teimando numa ideia qunado o mercado mostra que está errado. Prefiro o choque do prejuízo que uma agonia sem fim! 

O SP500 fechou a 2.262, com alta de 0,39%; o USDBRL a R$ 3,3685, sem variação; o EURUSD a 1,0412 ativiando nossa suguestão de venda, com queda de 1,17%; e o ouro a US$ 1.128, com queda de 1,39%.
Fique ligado!