Inflação: A Revanche

17 de fevereiro de 2017

Crescendo no grito


Normalmente eu passo meu dia de trabalho com a TV ligada no canal da Bloomberg. Para não me atrapalhar, deixo sem som e dependendo de quem está no ar eu acabo ligando o som. Essa rotina já existe algum tempo e diria que raramente interrompo meu trabalho para acompanhar alguma entrevista. Porém, isso mudou, desde a posse do Presidente Trump, não me recordo ter passado nenhum um dia que ele não aparece na TV ao vivo.

Tenho imaginado qual seria seu objetivo ao querer mostrar tanta transparência. Certamente tem um objetivo de marketing, algo que ele é muito bom, basta ver o sucesso de sua marca ao redor do mundo. Mas será só isso? Outro fator que também se pode perceber é que trabalha muito, transformou a rotina da Casa Branca num escritório de negócios. É desta forma que os EUA está sendo governado, se vai dar certo ou não, somente o tempo dirá.

Ontem foi um desses dias, onde ficou quase 80 minutos numa aparição ao vivo com jornalistas. O principal motivo seria justificar que não teve relação com o governo Russo na época das eleições. Seu estilo é sui generis para dizer pouco. Desvaloriza a mídia dizendo que transmitem notícias falsas e aponta o governo anterior como desastroso. Mas o melhor vem quando abre a secção de perguntas aos jornalistas. De imediato uma avalanche fica afoita para fazer suas perguntas, consegue-se ouvir uma agitação de vozes.

Ele vai escolhendo os repórteres segundo algum critério.  Depois de apontar para o escolhido, inicia perguntando de qual veículo ele pertence, dependo da resposta já faz uma qualificação do tipo “ vocês noticiam muitas mentiras” e coisas assim. Naturalmente esse funcionário se sente constrangido e indiretamente o Presidente faz um ante marketing desse jornal. Ontem por exemplo, a Times Magazine foi hostilizada por Trump e em seguida as cotações dessa empresa começaram a cair.

Mas não é só troca de farpas, existem momentos de descontração, onde ele faz uma piadinha. Também existem os casos em que ele elogia, veja essa situação:

Trump: This is a nice question, what is your Channel?
Jornalista: “Xpto”
Trump: Very good, I´ll star watching you.

Realmente é uma mudança radical da comunicação entre a Casa Branca e a mídia, normalmente essas situações eram bastante formais e as perguntas mais delicadas eram feitas de forma polida, bem como as respostas, que nem eram rebatidas a contento. Agora vale tudo, se a pergunta não é do interesse de Trump ele busca desqualificar quem pergunta (o veículo), e se é de seu agrado responde com prazer. Diria que agora é mais autêntico, cada um fala o que quer sem milongas.

Hoje ele está na Boeing e a Bloomberg está lá. Ele convenceu essa empresa a diminuir o preço que cobraria para o avião que o governo encomendou. Ao desembarcar, iniciou seu discurso enaltecendo o estado da Carolina do Norte, bem como, a grandiosidade da Boeing. Foi muito ovacionado pelos empregados. Enfatizou “products made in América! ” Falou por 20 minutos sem consultar nenhum papel! Ah, um detalhe, as ações da Boeing estavam subindo.

Depois de pousar, em 40 minutos estava levantando voo, o homem não para!

Não sou americano, mas conforme o tempo passa, me parece que ele vai conquistar o povo. Ele coloca o Obama no bolso!

Ontem foi publicado um indicador de perspectiva de negócios – Philadelphia Fed Business Outlook, e o resultado foi um recorde desde 1984.


Um outro indicador onde se pode notar a melhora da atividade manufatureira pode ser visto no gráfico abaixo, onde de um lado foi compilado a média de vários indicadores regionais contra o índice oficial ISM. Em nenhum momento no passado, depois da recessão de 2008, se pode verificar um movimento tão consistente.


Entretanto essa melhora ainda não foi percebida nos salários, abrindo uma disparidade entre o otimismo do consumidor com essa variável. Espero que em algum momento haja uma elevação dos rendimentos dos trabalhadores para que o aumento de vendas não se dê por queda na poupança e/ou aumento do crédito.


No aspecto crédito, o Deutsche Bank considera um dos riscos da recuperação a deterioração na sua qualidade, observada através do crédito em liquidação das pessoas físicas. Geralmente numa expansão que perdura por muito tempo, o dinheiro tende a ser alocado para devedores de pior qualidade, fazendo com que o risco de não pagamento pelos mesmos aumente.

 
Ainda nos riscos apontados por esse banco, questiona se a elevação dos juros poderá ser suportada pela economia. O gráfico a seguir mostra que desde as eleições o volume de crédito retrocedeu.

O Deutsche Bank conclui que uma expansão “envelhecida” com recursos abundantes por um longo período resulta em mais empréstimos para consumidores e empresas de menor qualidade. Quando os juros começam a subir, esses devedores, podem não conseguir pagar esses empréstimos. A dúvida é saber se esse grupo de devedores é grande o suficiente para enfraquecer a expansão de toda a economia.

A intenção anunciada por Trump na redução dos impostos, deverá dar um alento no curto prazo na economia, jogando essa preocupação mais para o futuro.

A incansável preocupação de Trump em criar empregos e trazer as fábricas de volta aos EUA, já está surtindo efeitos, pelo menos nos índices de intenção captados pelas pesquisas. Agora se os CEO estão com medo de retaliações por parte do governo ou por que a economia já está dando sinais de recuperação não sabemos. O resultado é que um novo período de investimentos nos EUA parece estar nascendo. Se foi no grito, funcionou!

Eu deveria fazer uma atualização do mercado de ouro, mas ao verificar os gráficos não teria nada de interessante a acrescentar o que foi postado o-ceu-é-o-limite: ...” estou ficando com um viés um pouco mais baixista, pelo menos no curto prazo, mas não quero me arriscar numa venda. Se atingir a cotação de US$ 1.280 vou arriscar. Ainda não é uma recomendação firme. Para quem quer se envolver, siga o post” .... Neste momento o metal se encontra US$ 1.238, muito próximo de onde estava naquela data.

Preferi focar sobre o petróleo, um mercado raramente analisado pelo Mosca. Minha visão de longo prazo é de queda, porém no curto prazo acredito numa rodada de alta, o que vem contra a grande maioria dos analistas que cobrem essa commoditie. Só para fazer um breve histórico, o petróleo caiu de US$ 112 em agosto de 2014 para mínima de US$ 26 em fevereiro de 2016, uma queda estupenda de 76%. Depois disso vem lentamente recuperando e se encontra hoje em US$ 53.

A matemática é interessante, pois se computamos a variação dessa última alta, se chega a 100%, o que poderia aparentar que isso já é suficiente para que os preços tivessem sido recompostos. Mas isso não é verdade, a base é muito pequena, e para que isso fosse verdade – a recuperação até os US$ 112, o petróleo teria que subir 330% em relação a mínima. A famosa frase, que os empresários conhecem bem quando definem seus preços de venda “ de baixo para cima e de cima para baixo”.

No gráfico a seguir aponto meus objetivos para o petróleo nos próximos meses, no primeiro caso US$ 60/62 (+15%), depois US$ 70/72 (+ 34%), e por último US$ 85/87 (+ 62%).


Não é bater é morto. Para falar a verdade o que poderíamos classificar como bater em morto, ou como diz um colega “ bater um pênalti sem goleiro? ” Acho que nada! O petróleo tem que romper a faixa entre US$ 50 – US$ 54, que prevalece desde dezembro último e não cair abaixo de US$ 49. Não quero dar nenhuma recomendação de trade nesse ativo, dado sua alta volatilidade além de ser mais difícil de implementar, mas fica aqui minha visão. No futuro volto a fazer comentários esporádicos.


O SP500 fechou a 2.351, com alta de 0,17%; o USDBRL a R$ 3,1035, com alta de 0,47%; o EURUSD a 1,0607, com queda de 0,61%; e o ouro a US$ 1.235, com baixa de 0,29%.

Fique ligado!

16 de fevereiro de 2017

Snapchat: Vale ou não vale?


Durante minha vida profissional já me deparei com algumas situações onde tive muita dificuldade de entender o que se passava. A primeira que me vem a memória aconteceu em 1999 quando a internet estava em ebulição. O negócio do momento chamava-se start up. Uma pessoa do meu relacionamento profissional, me ofereceu a “rara” oportunidade de investir numa dessas empresas.

Ao me apresentar os números disse que não deveria me ater ao lucro, pois naquele momento apresentava prejuízo. O importante era o número de hits – pessoas que acessavam o site. Eu perguntei se esse acesso gerava alguma receita e ele me disse que não, porém era como esse negócio era valorizado, numa futura venda através de um IPO.

Fiquei intrigado e resolvi refletir durante uma caminhada pela praia. Pensei: “será que fiquei obsoleto? ”. Depois de uma hora de exercício cheguei à conclusão que se entrasse no negócio e o mesmo não fosse bem-sucedido me sentiria um estúpido, e se desse certo seria como ganhar um presente. Resolvi não entrar e foi uma boa decisão.

Depois disso, essa passagem fez com que eu não investisse mais nesse segmento, pois mantinha essas ideias como um mantra. Acontece que, minha decisão pode ter sido correta baseada em dois aspectos, primeiro que esse negócio realmente não era bom, segundo que o momento foi atípico pois logo em seguida houve o estouro da bolha das “ponto com”, como ficou assim conhecida.

Meu erro foi generalizar essa decisão pois basta ver como evoluiu, e vem evoluindo, a área de tecnologia. Muitas empresas foram muito bem-sucedidas, ameaçando inclusive várias empresas ícones em diversos setores. Veja o que a Amazon está causando ao setor de distribuição nos EUA.




O aplicativo Snapchat está realizando seu IPO, embora não seja muito usado entre as pessoas mais velhas e extremante popular entre os jovens. O gráfico abaixo mostra o nível de penetração entre os adolescentes ao redor do mundo.


Já no próximo gráfico se pode verificar que dentre os aplicativos mais usados atualmente o Facebook de longe tem um uso disseminado entre todas as faixas etárias.


Hoje a empresa lançou oficialmente a oferta de venda de suas ações, por um valor aproximado de US$ 25 bilhões, o maior IPO da área de tecnologia depois do Facebook. Embora suas projeções são impressionantes, alguns analistas se questionam sobre longevidade de um aplicativo que depende tanto dos jovens.

Mas o ponto crítico são seus resultados. Nos últimos dois anos, seus custos ultrapassaram suas receitas numa escala alarmante. O argumento da empresa é que são seus investimentos em infraestrutura. Em 2016 com uma receita de US$ 404 milhões obteve um prejuízo de US$ 451 milhões.



Uma comparação feita pelo Wall Street Journal entre o IPO do Facebook e do Snapchat, deixa claro que o primeiro tinha uma posição muito mais sólida.

 
- E aí David, vai entrar?
Se eu me basear nos mesmos critérios comentados acima - situação vivida em 1999, minha resposta é não. Porém, aprendi que uma resposta fundamentada em resultados passados, que normalmente são muito ruins, não necessariamente é correta. É necessária uma compreensão maior feita por entendidos da área, e isso eu não fiz. Para responder a sua pergunta, não vou entrar, mas também não vou avaliar. Vocês entrariam?

Só espero que os novos acionistas não recebam fotos “engraçadinhas” desse aplicativo, como retorno do seu investimento. A que se encontra no post de hoje contou com a produção da minha enteada. Vocês não esperavam diferente, afinal, ela fez em minutos e eu levaria dias!

No post bcb-em-festafiz os seguintes comentários sobre os juros de 10 anos: ...” Ao redor de 2,22% a.a. os juros deveriam reverter a queda, para começar um novo ciclo de alta. Como stoploss vou fixar 1,95%” ... E havia publicado o gráfico abaixo.


Quanto mais se vive, mais se aprende e quando o assunto é correção nem se fala. No dia da minha publicação o movimento recente sugeria uma determinada configuração, mas acabou não acontecendo. É por essa razão que eu sempre enfatizo a imprevisibilidade das correções.

Como fica então, vale ainda ou não minha hipótese acima? Sim, veja a seguir as duas possibilidades que antevejo.


A primeira hipótese se enquadra em meu cenário acima, onde teremos a oportunidade de fazer o trade no nível de 2,22% a.a. – azul, já a segunda o movimento de alta estaria em curso. Nesse caso, deveríamos modificar o ponto de entrada, que será superior, provavelmente a 2,60% a.a.

David, acho que entendi. Mas o que aconteceu com o desenho que traçou com a linha azul, estava sob efeito alcoólico? Hahaha ...
Me desculpem os leitores, mas não quis ser irônico ao acrescentar um rabisco ao gráfico. Eu simplesmente quis explicitar que em correções não dá para saber qual será o movimento, o que se tem que atentar são os níveis. Agora respondendo a meu amigo, não brinco (ou bebo) em serviço! Hahaha ...

O SP500 fechou a 2.347, sem variação; o USDBRL a R$ 3,0889, com alta de 1,06%; o EURUSD a 1,0672, com alta de 0,70%; e o ouro a US$ 1.239, com alta de 0,55%.
Fique ligado!

15 de fevereiro de 2017

Inflação por toda parte


Parece brincadeira, há um ano o mundo morria de medo da deflação, e somente 12 meses depois, parece que o receio virou de lado. Mas é bastante compreensivo, não se pode ironizar atitudes esquizofrênicas do mercado, pelo menos neste caso. O motivo são os US$ 14,0 trilhões injetados pelo conjunto de vários bancos centrais e que em algum momento deverão ser retirados do sistema. A autoridade monetária mais próxima desse momento é o FED.

Não existe nenhum modelo passado para se basear, afim de saber qual seria o momento certo, ou melhor dizendo adequado. Na introdução das injeções de liquidez, bons tempos dos helicópteros, o receio era se esses recursos poderiam induzir uma espiral inflacionária, o que não ocorreu em nenhum país. Depois veio o pavor de entrar num ambiente deflacionário onde as armas dos BCs eram limitadas, a Europa e o Japão flertaram com essa possibilidade. E agora a inflação.

Vejamos as últimas observações nesse campo. Ontem foi publicado a inflação na China, tanto no atacado como ao consumidor. A primeira atingiu o nível de 6,9% em bases anuais, muito acima de qualquer previsão. Mesmo em bases mensais o número foi robusto de 0,8%. O principal motivo para essa alta expressiva foram os preços das commodities. Já nos preços ao consumidor, a inflação atingiu 2,5% em bases anuais, também acima da expectativa do mercado.

 
Tanto a inflação de alimentos – 2,7%, como a inflação dos outros itens – 2,5%, justificam o receio dos analistas, indicando que as pressões nitidamente estão se acelerando para a toda economia, o que seria esperado em função das condições frouxas de política monetária adotadas pelo BC Chinês, além da retomada econômica vista no final de 2016.

O economista chefe, Larry Hu, da Macquire Securities, acredita que essas altas não preocupam ...” Haverá uma leve inflação este ano ... ... o PPI poderá subir no primeiro trimestre, essa é uma inflação “boa”, e provavelmente não afetará a postura do PBOC” ...

Outro dado que está preocupando as autoridades chinesas e o volume de empréstimos. O PBOC tem feito um trabalho no sentido de conter o crédito, uma das grandes preocupações da comunidade internacional. No mês de janeiro os empréstimos subiram o equivalente a US$ 300 bilhões.


Segundo a opinião do Deutsche Bank, o banco central Chinês será impelido a elevar os juros a fim de diminuir a demanda por crédito. Aliado a esse fator, a inflação também vai no mesmo sentido.

Nos EUA não foi diferente, a publicação do CPI hoje, apontou uma alta de 0,6% no mês – padrão brasileiro! Hahaha ... – Esse resultado, colocou o índice em 2,5%, em termos anuais. Mesmo a inflação core que exclui alimentos e combustíveis subiu 0,3% no mês e 2,3 % ao ano. É bem verdade que a alta do preço da gasolina foi responsável por metade da inflação de janeiro. Porém outros produtos e serviços também subiram.

 
Só para vocês terem uma ideia da mudança de rumo pelo mercado, ontem eu havia publicado um gráfico que apontava como 30% a chance de alta dos juros agora em março. Hoje, depois da publicação deste dado, passou para 42%.

Inflação: A Revanche! Será que o título de 2017 acertou na Mosca? Menos aqui no Brasil, que está literalmente na contramão.

No post fiz contagio-de-direita, os seguintes comentários sobre o euro: ...” é uma tentativa sem um alto grau de convicção, principalmente no stoploss, que deveria ser colocado no nível de 1,13. Mas, não estou disposto a arriscar tanto” ... ...” o euro recuou levemente encontrando-se ao redor de 1,067. Mas não tire a champanhe da geladeira, aliás nunca tire antes de um trade ser liquidado, a moeda única pode voltar a subir e nossa segunda tranche ser executada. Eu calculo que abaixo de 1,06 colocará nosso trade em melhores condições” ...


Vou zerar essa posição agora a 1,0585.

- Como assim? Você não projeta que o euro irá no mínimo a 1,00?
Continuo acreditando nisso, mas eu grifei um ponto que considero importante acima. Mas mesmo assim, não gostei muito da forma como o euro caiu de 1,0828 para a mínima atingida hoje de 1,0520. Não tenho como explicar o significado que quero dar com o “não gostei muito”. Mas não gostei muito!

Consigo achar diversos argumentos para ter continuado e outros tantos para ter saído do trade. Só vou saber se estava certo ou não com o tempo.

Eu tenho reforçado que o euro se encontra num movimento terminal de longo prazo e nesses momentos as oscilações ficam “cansadas”. O significado é que ao invés de ser de uma forma direcional clara a cotação é levada por uma força que domina no presente (para baixo) e por outra que está se formando (para cima), dando um aspecto de queda mais lento.

Eu não tenho a menor pretensão de encontrar o preço mínimo que o euro atingirá, ou já atingiu, o que não parece ser o caso por enquanto. Prefiro que o mercado me diga. Isso é o trabalho de um analista técnico, interpretar o movimento e buscar encontrar como ele se encaixa em seu pensamento.

Se não encaixa então tem algo errado, ou com o que esperava ou com sua análise. Embora essas duas situações parecem semelhantes são bem distintas: No primeiro caso, você imagina um movimento e o mercado traça um outro, mas ambos no mesmo sentido. Isso acontece tipicamente em correções; o segundo existe um erro de análise, aí fica mais perigoso, principalmente se você teimar.

Bom, no caso do euro agora, na pior das hipóteses botamos um lucro no bolso, e na melhor teremos uma nova oportunidade de venda. Comprar, nem a pau!

Ontem foi concretizado o tão esperado trade de venda do dólar. Hoje o mercado negocia ao redor de R$ 3,06. Vamos atualizar o stoploss para R$ 3,20.


O SP500 fechou a 2.349, com alta de 0,50%; o USDBRL a R$ 3,0565, com queda de 0,89%; o EURUSD a 1,0602, com alta de 0,25%; e o ouro a US$ 1.233, com alta de 0,39%.
Fique ligado!

14 de fevereiro de 2017

Esqueceram mesmo de mim


Acredito que a grande maioria dos leitores assistiram ao filme Esqueceram de Mim, em suas várias versões. Eu mesmo já referenciei aqui algumas vezes. A história, o próprio nome já diz, se passa com uma família americana com alguns filhos que resolvem passar as férias na Europa e acabam esquecendo um de seus filhos em casa, só percebendo quando chegaram lá.

Vocês notaram que desde que o Presidente Trump assumiu pouco se falou da professora Yellen, bem como do FED. O mandato dela termina no início do próximo ano e já se especula, se seria ou não apontada para um próximo mandato. Eu pessoalmente acredito que não, ela é muito diferente do estilo de Trump.

Mas até lá ainda faltam 12 meses e o FED indicou que iria subir os juros mais 3 vezes esse ano, o que levaria o FED fund rate para 1,5% a.a. Porém, em função dos erros passados, ao indicar alta dos juros que não se materializaram, está perdendo sua credibilidade com o mercado. No início de 2016 o FED antecipava quatro aumentos e acabou só realizando um em dezembro último.

O gráfico a seguir é interessante, espelha a curva de juros implícita da taxa LIBOR em vários momentos: a linha amarela aponta as taxas em 17 de dezembro de 2008 – no olho do furacão; a linha verde em 18 de dezembro de 2013 – quando Bernanke indicou em um discurso que juros começariam a subir; e a amarela em 7 de fevereiro de 2017 – depois de duas altas do FED. É incrível que, depois de passados nove anos da crise financeira, a estrutura da taxa de juros é idêntica. Por esse gráfico o FED deveria concluir que, alguma coisa não está funcionando!

 
O FED indicou em sua última reunião que pretendia aumentar os juros neste ano três vezes, mas o mercado não está comprando essa ideia. O motivo é que, como eu sempre digo “ os economistas trocam de previsão como eu troco de camisa” e com o FED não é diferente. Além disso, a percepção do mercado se deslocou em parte, por acreditar que, Trump vai cumprir muitas de suas promessas feitas durante a campanha sobre o comércio internacional. Assim, o crescimento econômico poderia ficar ameaçado, induzindo o FED a ser mais cauteloso.

O gráfico a seguir, elaborado pelo Deutsche Bank, apresenta a evolução da probabilidade do FED em elevar os juros 3 vezes esse ano. Agora encontra-se em 30%.


Uma estatística pouco publicada é o volume de crédito concedido às pessoas físicas com garantia do governo. No gráfico a seguir mostra o explosivo aumento depois da crise de 2008, sem dar mostras de estabilizar, o que dizer de cair.


A professora Yellen fara nos próximos dois dias um depoimento junto ao Senado. Incialmente publica o relatório sobre política monetária. Depois disso, responderá as questões dos políticos que provavelmente serão focadas na economia, juros, mercado de trabalho e o potencial impacto da política econômica a ser implementada pelo novo governo.

Até o momento, Trump nem citou o nome dela, quanto mais a chamou para uma conversa. Seria politicamente correto que isso já tivesse acontecido, mas com esse Presidente nada é surpresa. Imagino que ela não terá como responder várias das perguntas, pois sabe das intenções de Trump como nós, pelos jornais. Se perguntada sobre seu futuro no FED, ou vai dizer que não é esse o momento de discussão ou anunciara que não pretende continuar. Acho que vai optar pela primeira resposta.

Pelo menos amanhã ela voltará a ser manchete no noticiário, e olhe bem só amanhã, isso se Trump não lançar algum fato para roubar a cena. Diferentemente do filme, onde Kelvin McCallister foi uma grande preocupação da família, Trump não está nem aí para Yellen, esqueceram dela não por acaso, mas de propósito!

Eu venho enfatizando o desenvolvimento dos fundos passivos nos EUA. Um crescimento anualizado de 19,4 % a.a. nos últimos 10 anos, sem a menor tendência de estabilização.


O motivo é simples e racional, o retorno dos fundos de ações que conseguem ter uma performance acima do seu objetivo é extremamente baixo. Esse fato pode ser observado na ilustração a seguir que cobre um período de 20 anos. É verdade que nos primeiros dez existiram alguns anos cujo percentual ficou acima de 50%, porém nos últimos dez anos foram raros. É importante que o leitor saiba que é impossível que 100% dos fundos tenham retornos superior ao indicador. Uma questão acadêmica de mercado eficiente.


O grande problema para os administradores desses fundos é que no passado não existiam os fundos ETF. Apenas alguns fundos, que se denominavam indicias, é que não eram voltados para o público. agora existem milhares. Será que esse segmento de fundos ativos tende a encolher a tal ponto que ficará limitado apenas as gestoras “boutiques”?

No post china-de-volta-ao-radar, fiz os seguintes comentários sobre o Ibovespa: ...” a configuração dos últimos dias pode indicar um favorecimento a nossa posição. O motivo é a limitada queda – 4,5% - desde que atingiu a máxima de 66.500. Isso ainda é apenas um alento, somente tenho condições de confirmar um novo ciclo de alta acima do nível máximo” ...

O gráfico acima expos a dúvida que eu tinha antes do índice ultrapassar ontem a marca dos 66.000.

- David, então agora o “céu é o limite”? Hahaha ...
Não tem lido meus últimos posts? Quero aproveitar para repetir mais um trecho do post acima ...” quando existem rompimentos de pontos importantes, três situações podem acontecer: a primeira, o mercado não dá bola e segue em frente sem retornar ao ponto de ruptura, um touro, como se diz; a segunda, volta ao redor dá ruptura, e em seguida sobe, o que se chama de last kiss; e por último, tenta romper e não consegue, o que se denomina de false break. No caso atual do Ibovespa, estamos entre o segundo e o terceiro” ....


Os investidores estão muito otimistas, independentemente da economia ainda não apresentar sinais mais fortes de melhora. Com uma expectativa de queda de inflação com consequente queda de juros, pavimenta a possibilidade de alta da bolsa. Nós visamos o compromisso com o bolso, e se está todo mundo do mesmo lado as coisas podem ficar perigosas.

Ao observar meus indicadores, e sem entrar nos detalhes, o resumo é que a bolsa deveria subir, mas são necessárias que algumas condições sejam satisfeitas, a principal é que o índice ultrapasse os 68.000, e que não retorne abaixo de 63.000. Todo esse cuidado é para que não ocorra o que mencionei acima - “False break”.

Em respeitando os limites acima, eu imagino um primeiro objetivo será entre 74.000/77.000, algo como 12% a 14% de alta. Quero resaltar que existem sinais indicando que uma correção deveria ocorrer em breve. Por enquanto, mantemos o rumo e ajusto o stoploss levemente para 63.000.

O SP500 fechou a 2.337 com alta de 0,40%; o USDBRL a R$ 3,0840, com queda de 0,87% e dando início ao trade proposto; o EURUSD a 1,0577, com queda de 0,19%; e o ouro a US$ 1.228, sem variação.
Fique ligado!

13 de fevereiro de 2017

Impasse Alemão


Talvez seja pouco percebido pela imprensa que a Alemanha se tornou em 2016, o país com o maior superávit em conta corrente. Enquanto a China obteve um montante de US$ 210 bilhões os germânicos alcançaram US$ 281 bilhões. Como o país com maior déficit é os EUA, a temperatura deverá esquentar entre Washington e Berlin. Considere os principais pontos:

·         Peter Navarro acusou a Alemanha de usar o euro “grosseiramente desvalorizado” para obter vantagens de seus parceiros europeus, bem como dos EUA. Seu raciocínio leva em consideração que o superávit passou de 15 bilhões de euros em 2009 para 50 bilhões.

·         O Reino Unido tem um déficit com a Alemanha de 50 bilhões de libras. Se os alemães convencerem os franceses por uma retaliação punitiva contra a saída do Brexit, poderá fazer com que a Inglaterra decida retaliar a indústria automotiva daquele país.

·         O déficit com o restante da Europa é da ordem de 80 bilhões de euros. O problema é que se esperava uma diminuição dessa cifra através do aumento de consumo por parte dos alemães o que acabou não acontecendo.

·         O resto do mundo também tem um crescente déficit com a Alemanha. Isso explica o seu superávit ultrapassar o da China.

Esse superávit abissal está exercendo uma enorme influência recessiva no resto do mundo. E em nenhum local é maior que na própria Europa.

Os bancos alemães estão acumulando superávits gigantes com o resto da Europa. Esses títulos nunca serão pagos, como afirma a Gavekal. ...“ A Alemanha está emprestando um caminhão de dinheiro para um pessoal na Europa que nunca pagará a dívida” ...

É possível que a Alemanha sofra pressão dos americanos e britânicos em relação a esse superávit. Além disso, o nível de inflação na Alemanha encontra-se em ascensão, boa parte causada pela desvalorização do euro nos últimos tempos. Isso poderá enfurecer a população, e a Primeira Ministra, Angela Merkel, perder as eleições do 2º semestre deste ano.

Está chegando um ponto onde o euro é o maior obstáculo nas relações entre a Alemanha, os EUA, Grã-Bretanha, e o resto do mundo fora da zona do euro. E não se pode deixar de considerar que, mesmo dentro da Europa, ela não é nada popular entre os italianos e gregos.

Os EUA bancam todo o custo da proteção militar Alemã, esse foi um acordo assinado depois da 2ª guerra e permanece até hoje. E Trump já disse que não está mais disposto a bancar esse custo.

A Alemanha teria duas opções: Assumir toda a responsabilidade de sua defesa. Essa opção deixaria a Polônia, Hungria e a Rússia, ou mesmo a França e Itália, muito felizes. Como consequência, o superávit em conta corrente encolheria substancialmente. Alternativamente, poderia optar em continuar sob a proteção americana, e isso acarretaria o final do euro.

A alternativa de valorizar o euro simplesmente não existe, pois isso quebraria todos os membros da zona do euro. A ideia da criação de uma moeda única, com países tão heterogêneos está chegando a um ponto decisivo. Com a crise vivenviada pelos seus membros, o BCE optou por uma política monetária frouxa que teve como consequência uma vantagem enorme para a Alemanha. Naturalmente, essa opção tem como pano de fundo, que só deveriam ficar os países “fracos”. Os “fortes” precisariam abandonar.

Nenhuma dessas opções é tão simples como parece, porém, nesse momento de radicalização vivida no mundo, pode ser a gota da água para essa mudança. Entretanto, surge uma dúvida: Se a Alemanha sair do euro para onde iria sua cotação?  Melhor acompanhar os gráficos!

No post cada-macaco-no-seu-galho, fiz os seguintes comentários sobre o dólar: ...” na última semana o dólar vem flertando muito próximo ao nível que indiquei para começar o trade em R$ 3,11. Antes mesmo que meu amigo pergunte por que não vendo logo, ou que já devia tê-lo feito a muito tempo, do ponto de vista técnico, esse ponto tem mostrado ser muito importante. Não vou vender antes” ... ...” A hora da decisão parece estar muito próxima, senão nas próximas horas. Em fechando abaixo dos R$ 3,11 iniciamos o trade de venda de dólar. Ficarei de olho observando se não será um false break” .... Na semana passada, o dólar tentou algumas vezes negociar abaixo desse nível, porém em nenhum dia fechou aquém de R$ 3,11.


Hoje não podia ser diferente, lá está a cotação flertando com o R$ 3,11, como se tivesses “alguém”, que ao chegar nesse nível, compra. Esse alguém só poderia ser o BC, porém não soube de nenhuma notícia que comprovasse essa hipótese. O instrumento que a autoridade tem para intervir de forma indireta são os contratos de swap, que ainda não foram totalmente liquidados. A última estatística indica algo em torno de US$ 25 bilhões.

Do ponto de vista técnico tudo indica novas quedas do dólar, porém ao ficar polarizado num intervalo tão contido, tudo pode acontecer, até o dólar voltar a subir. Quem está vendido pode perder a paciência e decidir zerar sua posição empurrando as cotações para cima.

Normalmente eu comento sobre o dólar no início da semana. Ficarei muito surpreso se o dólar continuar da mesma forma até lá. Alguém vai jogar a toalha!

O SP500 fechou a 2.328, com alta de 0,52%; o USDBRL a R$ 3,1110, com baixa de 0,11%; o EURUSD a 1,0597, com queda de 0,38%; e o ouro a US$ 1.225, com baixa de 0,67%.
Fique ligado!

10 de fevereiro de 2017

O céu é o limite


Quem imagina que a frase do post de hoje é verdadeira sugiro uma semana de retiro sem se conectar com nenhum mercado. Não é mesmo! Mas imagino que é desta forma que, os investidores que tem sua poupança aplicada na bolsa americana, estão pensando. Ontem foi dia de recorde histórico onde o índice Dow Jones ultrapassou os 20.000.

Na minha última postagem sobre o SP500 em-cartaz:inflacao-revanche, fiz os seguintes comentários: ...” ainda continuo com a previsão que novas altas deverão ocorrer” .... E do jeito que a bolsa está forte, nem chance de compra mais baratinho tivemos: ...” Para efeitos de trade, indiquei acima o nível ao redor de 2.230 que, caso ocorra, devo sugerir um trade de compra” .... Agora paciência, parece que em algum momento a tão esperada correção irá acontecer, aí entramos.

Algo inusitado também vem ocorrendo, o que de certa forma dá mais confiança aos investidores. Pouquíssimos períodos na história da bolsa foram verificados, sem que houvesse correções de 1%. Abaixo encontra-se um gráfico com a evolução do SP500 em azul e em vermelho, o número de dias seguidos em que não houveram quedas superiores a 1%. A situação atual, está próxima ao recorde de quase 100 dias úteis ocorrido em 2006.


Nesses momentos a volatilidade tende a cair a níveis baixíssimos. Estou republicando um gráfico que tenho usado para comparar, num período longo, o SP500 e o VIX – índice que mede sua volatilidade – Não é surpresa que, o rompimento do nível de 2.200 no SP500, se dá no menor nível de volatilidade histórica.


Assim, os investidores têm todos os motivos do mundo para acreditar que o céu é o limite. Nunca as condições estiveram tão positivas quanto agora. Lógico, do ponto de vista técnico. Mas infelizmente tenho que alertar que, isso perdura para sempre, em algum momento alguma coisa quebrará essa dinâmica. O que vai acontecer não tenho a menor ideia, mas com Trump na Presidência, não faltarão oportunidades. Aqui vem outra diferença importante entre a análise fundamentalista e a técnica, enquanto a primeira vai lançar inúmeros sinais de alerta sugerindo sair da bolsa, a segunda deixa o barco correr, até que algo mude e faça você sair do mercado.

Estou notando que diversos assuntos levantados pelo Mosca são apresentados alguns dias depois por outros analistas. Não tenho a pretensão de acreditar que estão copiando o Mosca, por outro lado, me dão mostras que esses argumentos são importantes. Por exemplo, veja a seguir o gráfico que apresenta a taxa SELIC comparada ao nível de inflação expresso pelo IPCA. Esse assunto comentei no post de ontem, e fica claro que a SELIC tem muito para cair.


Um outro analista, comenta sobre a queda das reservas chinesas e apresenta um gráfico que, à primeira vista, parece um pouco complicado. São as informações do fluxo de recursos nos mercados emergentes, com e sem considerar a China. Além disso, nesse país, abre os resultados considerando os chineses e os estrangeiros. As barras em vermelho são as saídas de recursos oriundo dos chineses e em azul a entrada de recursos pelos estrangeiros. Eu venho dizendo que o grande risco cambial da china vem dos seus habitantes. No post china-de-volta-ao-radar: ...o risco vem mais da população que das empresas, pois eles estão preocupados com a possível desvalorização do yuan” ... ...” A razão é que, os investidores ficam cada vez mais convencidos que a taxa de câmbio está artificialmente contida e aceleram as saídas, incentivando a criação de um círculo vicioso” ...


Comentei também que uma das formas que os chineses vêm usando para fugir as restrições cambiais é através da compra de Bitcoins. O governo resolveu agir, pediu para que 2 das maiores bolsas que negociam essa moeda, suspendam os saques dos clientes, até que seja implantado um sistema de prevenção à lavagem de dinheiro. A cotação levou um tombo ontem, como se pode verificar a seguir.


No post europa-de-vento-em-popa: fiz as seguintes observações sobre o ouro: ...” estamos com o seguinte dilema: ou o rompimento foi um false break e o ouro ainda está no seu caminho de baixa, ou esta baixa mais recente foi um “last Kiss” e o movimento de alta estaria em curso. Como saber”? ... ...” Acima de US$ 1.250 aumentam as chances da segunda hipótese e abaixo de US$ 1.160, da primeira. Por enquanto, ficamos de observadores”...


Após romper os US$ 1.220 o ouro foi parar advinha aonde? US$ 1.245! Ou é análise técnica ou o mercado inteiro está lendo o Mosca. Prefiro a segunda! Hahaha .... Estou ficando com um viés um pouco mais baixista, pelo menos no curto prazo, mas não quero me arriscar numa venda. Se atingir a cotação de US$ 1.280 vou arriscar. Ainda não é uma recomendação firme. Para quem quer se envolver, siga o post.



Como eu não sei se estarei pescando um peixe grande – volta do movimento de baixa que persistiu durante os últimos 5 anos, ou um peixe pequeno – uma correção que poderia levar o metal até US$ 1.190, preciso de mais gordura no preço de entrada. Do ponto de vista de motivos, vejo argumentos para a alta e argumentos para baixa. Como não sou só eu, o mercado também deve ter visões dispares, razão pela qual os preços estão onde estão. Vamos esperar melhores definições.


O SP500 fechou a 2.316, com alta de 0,36%; o USDBRL a R$ 3,1145, com queda de 0,49%; o EURUSD a 1,0637, com queda de 0,16%; e o ouro a US$ 1.234, com alta de 0,26%.
Fique ligado!

9 de fevereiro de 2017

BCB em festa


Todos os jornais noticiaram a queda expressiva da inflação no Brasil. Depois de ser duramente criticado ao final de 2016, hoje o Banco Central Brasileiro é elogiado. A razão do descontentamento se origina numa aposta feita na taxa SELIC pelo mercado, onde a autoridade monetária agiu diferentemente do que havia preconizado. Será que eles foram conservadores demais? A resposta não é simples, pois é totalmente subjetiva, tendo um caráter mais acadêmico que prático.

Manter os juros elevados quando não é necessário tem implicações econômicas importantes, pois poderá afetar o lado real da economia, empresas podem sucumbir por esse motivo. Não sei se compartilho com esse pensamento, na situação atual, mas o que certamente aconteceu foi uma transferência de renda maior do devedor para o poupador.

Porém existe um ganho, do qual não vi nenhum comentário, a credibilidade do BC foi recuperada. Hoje o mercado enxerga seus dirigentes como profissionais competentes que estão agindo conforme se espera de um órgão tão importante. Esse efeito pode ser observado na queda vertiginosa do risco Brasil, bem como da taxa de câmbio. Os juros futuros também apontam na mesma direção, por exemplo, a taxa da LTN, título do governo de taxa pré-fixada e vencimento para 2020, está cotado a 10,23% a.a., muito inferior à taxa SELIC atual. Vejam como evoluiu a curva de juros no último mês.


Porém o BCB tem um desfio que não depende dele. No quesito de política monetária não tenho dúvidas, estamos bem representados, na verdade nunca tive suspeitas, sempre enalteci a sua competência, entretanto, na parte fiscal, muito se tem a fazer. Sem uma reforma da Previdência extensa, necessária para estancar os déficits crescentes da ordem de R$ 200 bilhões, nada estará resolvido. A dívida pública entrará num movimento ascendente de forma exponencial, que em algum momento questionará a solvência do país.

Hoje foi publicado a primeira prévia do IGPM, que apontou uma desaceleração de 0,86% em janeiro, para 0,10% em fevereiro. Nesse resultado, os mesmos itens que influenciaram a queda do IPCA foram aqui observados, principalmente os alimentos.

Como comentei ontem, eu não descarto a aceleração do corte na taxa SELIC, dos atuais 0,75% para 1,0%. Isso não deve acontecer na próxima reunião. Sobre esse assunto, o jornal Valor publicou hoje a seguinte matéria ...” Os membros do Copom têm dito aos economistas” ... ...” depois de um surpreendente corte de 0,75 % nos juros básicos em janeiro, as chances de outra surpresa nas próximas reuniões do colegiado são bem menores” .... Isso parece em desacordo com minhas afirmações, mas não é, pois nada impede que na próxima reunião, o Copom sinalize quedas mais profundas.

Já nos mercados internacionais, eu nunca notei tantos artigos sobre a balança comercial americana. O motivo é claro, Trump vai ou não romper com seus principais parceiros. Será que tudo que estamos observando é um jogo de cena para melhores negociações? Nem eu, nem ninguém consegue ter certeza sobre que caminho o Presidente americano irá seguir. O gráfico abaixo busca comparar o impacto das importações americanas e chinesas em alguns países chave. Essa informação é apresentada em 3 níveis: direto, nível subsequente e indireto.


Já o próximo gráfico, apresenta uma análise do déficit comercial nos EUA por segmento econômico. Também aponta os setores onde registra superávit. À primeira vista, o movimento inicial de Trump, em repudiar as empresas americanas que fabricam seus produtos no exterior, os acordos de comércio, ou mesmo numa guerra cambial, aparenta que os americanos têm pouco a perder. A possível retaliação dos outros países não deveria afetar muito a balança comercial dos itens superavitários. Por exemplo, não é do dia para a noite que se consegue achar outro fornecedor de aviões e motores. Na área de serviços menos ainda.


No post o-exterminador-do-presente, fiz os seguintes comentários sobre os juros de 10 anos: ...” mencionei no post acima, que existem 2 possibilidades para os juros: uma nova mini queda até 2,20%; ou o início de um novo movimento de alta, que ultrapassaria os 2,65%. Por enquanto, não trabalho com a possibilidade que ocorreu em 2015, onde os juros voltariam a cair” ...


Ontem, em discussão com os membros do Comitê da Rosenberg, notei que ainda existe uma inercia em relação a alta de juros. Eu argumentei que independente das ações que o Trump possa tomar, os juros estão muito baixos. Com uma inflação na casa dos 2% e a economia caminhando no sentido da recuperação, como os juros de 10 anos podem estar em 2,4%?

O mercado raciocina de acordo com meus argumentos, porém, está muito posicionado nos mercados futuros, apostando na alta dos juros de 10 anos. Veja a seguir a evolução dessas posições.


 A taxa vem se aproximando do nível que sugeri uma posição, vou aproveitar para fazer um pequeno ajuste. Abaixo se encontra o gráfico atualizado com minhas expectativas. Ao redor de 2,22% a.a. os juros deveriam reverter a queda, para começar um novo ciclo de alta. Como stoploss vou fixar 1,95%. Na planilha de trades semanal, considerei como se fosse um novo trade proposto.


Venho enfatizando que o mercado de juros de 10 anos é “o mercado” a se acompanhar esse ano. E continuo com a mesma opinião. Por enquanto ele está em banho maria, mas já, já vai ser servido.

O SP500 fechou a 2.307, com alta de 0,58%; o USDBRL a R$ 3,1299, com alta de 0,41%; o EURUSD a 1,0654, com queda de 0,35%; e o ouro a US$ 1.230, com queda de 0,89%.
Fique ligado!